
A Beleza das Pequenas Coisas
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Dulce Maria Cardoso (parte 1): “A arte é profundamente inútil no presente, mas é muito útil na construção de futuros”
Nome incontornável da literatura contemporânea portuguesa, Dulce Maria Cardoso é autora de cinco romances que lhe valeram inúmeros prémios. O livro “O Retorno”, de 2012, é uma das suas obras mais elogiadas e o último romance, “Eliete”, de 2018, é outro caso sério de popularidade, aclamado pela crítica e pelos leitores: venceu o Prémio Oceanos em 2019 e foi finalista do Prémio Femina. Uma obra com final em aberto, que faz parte de uma trilogia que aguarda o segundo volume. Para quando? É a pergunta repetida que a escritora escuta há seis anos. Um projeto adiado pela pandemia e por razões pessoais, que Dulce aqui revela. Ouçam-na aqui na primeira parte desta conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Augusto Santos Silva (parte 2): “A diversidade sempre foi o que nos fez. A pureza portuguesa não existe. A pureza era aquela coisa dos nazis.”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o ex-presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que aqui responde sobre a fatura política que sofreu pela queda do governo, e as razões que não o levaram a ser reeleito deputado pelo círculo fora da Europa, dá conta da inquietação que há em si e dos seus planos futuros, e ainda comenta a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente e a crise das migrações. E ainda nos dá música, poesia e várias sugestões culturais para este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Augusto Santos Silva (parte 1): “A democracia precisa de mais perguntas que acabam com sinal de interrogação e de menos exclamações”
É o nº 2 no top dos governantes portugueses com mais tempo em funções. Acima dele, só António Costa. Em vários Governos socialistas tutelou cinco pastas: foi ministro da Educação, da Defesa, da Cultura, dos Assuntos Parlamentares e dos Negócios Estrangeiros. Até março deste ano foi o número 2 da hierarquia do Estado, tendo sido substituído por Aguiar-Branco. Augusto Santos Silva recusa a ideia que não foi reeleito deputado porque enfureceu o eleitorado imigrante no Brasil por fazer frente ao Chega, e dá conta que dedicará o seu estudo à nova geração de rapazes que parecem ser os novos rebeldes ultrarradicais de direita. Ouçam-no nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Cláudia Jardim (parte 2): “Tenho pavor da extrema-direita. É um monstro massificador de ignorância, ódio e repressão”
Oiça a segunda parte da conversa com a atriz e diretora artística da companhia Teatro Praga, Cláudia Jardim, que fala dos desafios da maternidade, revela o que lhe faz chegar a mostarda ao nariz e levantar a voz, dá conta que está apostada em viver uma vida menos acelerada, mais concentrada no presente e refere duas das notícias recentes que mais a perturbam no país e no mundo. E ainda nos dá música e lê um poema de Adília Lopes, seguido de um excerto do seu livro preferido, “A Noite e o Riso”, de Nuno Bragança, que Cláudia relê frequentemente como um mantra para a sua vida. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cláudia Jardim (parte 1): “O mundo está complexo. Mas, de vez em quando, há uma florzinha que surge do meio do estrume e isso é incrível”
Cláudia Jardim é sempre um acontecimento quando sobe a palco. Dona de uma voz que enche um teatro, as suas personagens transbordam com o seu carisma. Há mais de 25 anos que esta atriz e diretora artística faz da companhia Teatro Praga uma utopia a que chama “casa”. A sua história de vida dava um filme, ou uma peça tragicómica, com muitas lágrimas e gargalhadas. Quis ser freira, beijou a irmã Lúcia, foi beijada pela Beatriz Costa e perdeu a mãe no mesmo ano em que nasceu a sua filha. Cláudia afirma que lhe interessa o teatro e a arte que questiona o mundo, e que o seu atual grande medo é a ascensão da extrema direita. “Imaginemos que cai o governo e o Chega ganha as eleições. Quer dizer que a minha filha, dos 12 aos 16 anos, fase fundamental da formação de uma personalidade, viverá num país fascista. Isso não vai acontecer, não pode!” Oiçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça no podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Gabriela Moita (parte 2): “Há uma explosão histórica que falta acontecer, os homens aceitarem que não têm que corresponder à exigência de masculinidade”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a psicóloga clínica e sexóloga Gabriela Moita que aqui vai fundo nos velhos e novos desafios da sexualidade e do erotismo dos casais e de todas as pessoas e quais os melhores caminhos para chegar ao prazer e ao bem estar. E, nesta celebração dos 50 anos do 25 de abril, Gabriela dá conta de qual a revolução e libertação sexual que ainda falta fazer no país. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gabriela Moita (parte 1): “O erotismo é o prazer e o prazer está no corpo todo, da ponta do cabelo à ponta do pé. O maior órgão sexual é a pele”
Gabriela Moita é uma das grandes referências portuguesas na área da psicologia e sexologia e há mais de 30 anos que se dedica a refletir e a investigar sobre a forma como nos relacionamos com os outros, as questões de género, em particular da comunidade LGBTQIA+. Rosto habitual na televisão em programas como “Falatório”, “Estes Difíceis Amores” ou, mais recentemente, “Impaciência do Coração”, na RTP, aqui fala dos desafios amorosos e sexuais destes tempos e dá pistas de como sair da frustração, da ansiedade e do medo. Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Judite Canha Fernandes (parte 2): “O capitalismo está a transformar-nos em produtos de venda. Não sou e nunca serei um produto ou estrela pop”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a poeta, escritora e dramaturga Judite Canha Fernandes, que aqui fala da vida precária de quem vive da escrita, “um peixinho num mar de peixões” e da importância das bolsas literárias como bolsas de oxigénio para criar. Judite lê vários poemas, um deles dedicado à Palestina e ao horror que se passa em Gaza, e conta como o amor, a poesia e a literatura a movem. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Judite Canha Fernandes (parte 1): “Para vivermos da escrita é preciso atravessar uma cortina de pavor para a entrega ser comparável ao amor”
Foi já depois dos quarenta anos, quando uma doença a deixou a pensar na morte, que Judite Canha Fernandes decidiu largar a estabilidade que tinha, dar um salto de fé e começar do zero, para viver da escrita. Desde aí, tem publicado poesia, ficção e peças de teatro e passou a ser uma das novas vozes da literatura portuguesa a ter debaixo de olho. O seu romance de estreia “Um passo para Sul” foi logo distinguido com o Prémio Agustina Bessa-Luís em 2018 e o livro de poesia “O mais difícil do capitalismo é encontrar o sítio onde pôr as bombas” foi semi finalista no Prémio Oceanos em 2018. Judite afirma que tem muitos livros na cabeça, que o tempo lhe falta para os escrever, mas alerta para a importância do descanso e do ócio. “Com o capitalismo, andamos a esquecer-nos do ócio.” Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

José Carlos Malato (parte 2): “Toda a gente quer ter o seu próprio ‘talk show’ menos eu. Fui infeliz a apresentar o 'Sexta à Noite'. Foi traumático!”
Ouça aqui a segunda parte da conversa em podcast com o apresentador José Carlos Malato, que aqui revela o que gosta menos de ver e de fazer na televisão, como se defende dos egos mais inchados, o que lhe falta fazer em antena, e ainda deixa críticas à Igreja e um olhar sobre as revoluções por cumprir no país. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Carlos Malato (parte 1): “Tem sido uma vida inteira a navegar águas verdes sem fundo e a adiar o espelho. Deixei de beber, de sofrer por amor e já não me apetece morrer”
É um dos apresentadores mais populares e carismáticos da televisão. Rosto conhecido da RTP, fez antes percurso na rádio e foi voz de continuidade na SIC. Malato não esperava chegar aos 60 anos. Mas foi aos 60 que deixou de desejar a morte. “Pela primeira vez passei a drogar-me com a realidade sem precisar de aditivos.” Aqui revela as dores de sempre, os abusos na infância, o lado tóxico nas relações amorosas e as razões de se ter afirmado pessoa não-binária. Ouçam-no nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Gomes (parte 2): “Não é possível fingir que não se passam horrorosos crimes de guerra em Gaza contra o povo da Palestina. É preciso coragem política para reconhecer o Estado da Palestina"
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a política, comentadora e antiga eurodeputada do PS, Ana Gomes, que fala sobre os vários desafios e ameaças na Europa. Aponta uma solução para o fim da guerra na Ucrânia, considera que é urgente haver coragem política para ser declarado o Estado da Palestina como forma de travar o horror em Gaza e sobre a crise dos migrantes afirma: “Jamais votaria a favor deste ‘Pacto das Migrações’. Todos os socialistas que nele votaram estiveram mal. É uma vergonhosa cedência à extrema direita.” Oiça a segunda parte desta conversa no podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Gomes (parte 1): “Aguiar-Branco tem de exercer a autoridade perante as alarvidades que os grunhos do Chega dizem. Se isso se permite na Assembleia, permite-se no café ou autocarro”
Corajosa e combativa, há décadas que Ana Gomes é das vozes mais duras contra as trapaças dos poderosos e da extrema-direita. Em 2004 foi eleita eurodeputada pelo PS e ao longo de três mandatos em 15 anos, empenhou-se no Parlamento Europeu a criar respostas para a crise dos refugiados e para a corrupção. Em 2021 foi uma das candidatas a Belém por acreditar ser importante o país ter uma mulher na presidência. Desalinhada tantas vezes das posições do seu partido, afirma que Montenegro está a tirar partido dos erros de Costa, por ter feito um acordo com os professores e avançado com o aeroporto em Alcochete. “Só lamento que não tenham sido os socialistas a fazê-lo. Foi uma casmurrice de Costa.” Sobre as eleições europeias, diz “Não tenho espinhas em dizer que a vida de qualquer português hoje depende mais do que se passa no Parlamento Europeu do que no nacional.” Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça no podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Pedro Penim (parte 2): “Mudei-me para Istambul quando o meu marido era lá correspondente da BBC. O amor precisa de investimento”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o ator, encenador, dramaturgo e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, que fala sobre como os seus espetáculos põem a nu as suas maiores inquietações, com as respetivas nuances. Pedro Penim revela os desafios da paternidade e do processo longo e difícil que viveu com o marido recorrendo a uma mãe de substituição. E conta também a história de amor que o levou a colocar o trabalho em suspenso para ir viver junto com o companheiro durante uns tempos em Istambul e Roma. Por fim dá-nos música e lê brilhantemente um excerto de “O amor dos homens avulsos”, de Victor Heringer. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Pedro Penim (parte 1): “O que me move no teatro são os aplausos e o terreno de experimentação sobre o agora, fértil e perigoso, em forma de arte”
É o atual diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II e acaba de repor o espetáculo “Casa Portuguesa”, em cena até 7 de julho, no Maria Matos, em Lisboa. Uma peça escrita e encenada por si após as duras críticas por se afirmar gay quando ocupou o atual cargo. Em cena pôs em discussão os ideais tradicionais de casa, de família, de género, tendo como pano de fundo os acontecimentos recentes da nossa democracia e a mais dolorosa ferida da nossa História, a guerra em África. Sobre a discussão levantada pelo Presidente de uma reparação histórica às antigas colónias, afirma: “É um assunto importante e espinhoso, porque estamos a falar de massacres cometidos em nome do nosso país e dos quais continuamos a beneficiar. A riqueza deste país fez-se dessa exploração e matança”. Oiça aqui a primeira parte da entrevista.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Guerra Tadeu (parte 2): “A violência contra imigrantes no Porto vem da fragilidade do homem branco com medo de não ser o rei do mundo”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a ativista pela justiça climática “Ambientalista Imperfeita” que aqui fala de feminismo e ativismo intersecional, comenta o horror em Gaza a que o mundo assiste em direto, e a importância de haver mais pessoas a protestar nas ruas a exigir um cessar fogo de Israel. Joana Guerra Tadeu fala ainda das motivações racistas e xenófobas a imigrantes, que nada têm a ver com a alegada insegurança provocada por estas comunidades, partilha os desafios da maternidade, como começou a sua nova história de amor com um amigo de infância e refere as músicas e leituras que a acompanham. Boas escutas! See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Guerra Tadeu (parte 1): “É preciso fechar estradas, atirar tinta ao poder e às empresas que atacam o clima e a Humanidade que quer ter um futuro”
Desde 2015 que a ativista pela justiça climática, Joana Guerra Tadeu, se dedica em exclusivo ao ambientalismo e a produzir conteúdos e ações de sensibilização sobre clima, sustentabilidade e direitos humanos. Na RTP3 apresentou “Verdes Anos” e, na Antena 3, conduziu o podcast “Ambientalista Imperfeita”, que é o cognome por que é conhecida nas redes sociais. Apoiante das várias acções dos jovens estudantes pelo fim do genocídio na Palestina, e pelo fim do uso do fóssil, chega a afirmar nesta primeira parte do episódio: “A moderação é contraproducente perante uma crise climática urgente”. Oiça aqui a primeira parte da entrevista a Bernardo Mendonça. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Vale de Almeida (parte 2): “Fui o deputado 'testa de ferro' para o casamento igualitário. Só voltaria à política se houvesse um novo movimento que precisasse de mim numa situação de emergência”
Nesta segunda parte, o antropólogo Miguel Vale de Almeida responde a um audio surpresa da amiga e deputada do PS, Isabel Moreira, vai mais a fundo sobre o que importa discutir sobre o passado colonial e as mudanças a fazer no presente, recorda a sua experiência na Assembleia da República, enquanto deputado independente do PS, fala dos desafios da Europeias, dos desconfortos ou desencontros com o espelho, e do futuro que deseja para a sua filha Salomé, de 15 anos. E partilha ainda algumas das músicas que o marcaram na fase mais efervescente da sua juventude, lê um excerto do livro “Pedra Branca”, que escrito em co autoria com Ethel Feldman, que lhe valeu o Grande Prémio de Literatura Biográfica Miguel Torga, e dá pistas sobre o amanhã glorioso que deseja para si. Boas escutas! See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Vale de Almeida (parte 1): “A reparação histórica que importa é a dos efeitos do colonialismo, é a desigualdade de oportunidades por causa do racismo”
Miguel Vale de Almeida foi durante dois anos deputado do PS e a figura que esteve à frente da aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2010. Doutorado em antropologia, as questões de género e sexualidade, assim como o pós-colonialismo, a etnicidade e conceito de ‘raça’ estão no centro da sua investigação. Professor catedrático do ISCTE, ativista dos direitos LGBT e autor premiado, é da opinião que “vivemos um assalto às liberdades por pessoas que nunca se deram bem com a liberdade dos outros” e considera que o que importa reparar na nossa sociedade é que há “uma divisão racista no acesso à igualdade de oportunidades, que vem do colonialismo.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tiago Rodrigues (parte 2): “Faço teatro a aproveitar a imperfeição e a rugosidade da tentativa como força vital. Não quero saber de rodapés, quero é janelas abertas”
Nesta segunda parte do episódio, o encenador e dramaturgo Tiago Rodrigues responde aos áudios surpresa da atriz Isabel Abreu e do diretor artístico da Culturgest, Mark Deputter, e revela como lida com a falha e a integra como vantagem na sua vida e nas suas criações. Fala ainda de como a sua experiência e gosto pelo jornalismo o tem ajudado a ter um certo olhar na escrita teatral, e partilha um certo truque que transporta consigo, que faz com que as pessoas acreditem da maneira que acreditam quando estão ao seu lado nas suas criações. Há ainda tempo para Tiago ler - de forma magistral - um artigo assinado pelo seu pai, o jornalista Rogério Rodrigues (um texto insólito, sofisticado e enxuto que deu origem à música “Teresa Torga”, de Zeca Afonso). E poderão ouvir algumas das músicas que o acompanham. Que novas histórias andam na sua cabeça para irem parar a palco? Qual a sua palavra em francês preferida? De que pequenas belas coisas são feitos os dias do Tiago? Tudo para escutarem nesta segunda parte. Boas audições!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tiago Rodrigues (parte 1): “Para escrever o discurso mais perfeito de um fascista passei horas a estudar como eles mentem e manipulam. E passei horas a tomar duche para me libertar”
Quatro anos após a estreia do premiado espetáculo “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, o ator, encenador, dramaturgo e atual diretor artístico do Festival de Avignon, em França, Tiago Rodrigues, acaba de publicar o seu texto da peça em livro, pela Tinta da China. Na memória de quem a viu ficou a ressoar o discurso final de um fascista, que provocava a ira do público, e levantou uma rica discussão sobre a democracia e as suas ameaças. Nesta conversa, feita no rescaldo do espetáculo “Na Medida do Impossível”, na Culturgest, em Lisboa, sobre as experiências limite de profissionais humanitários em situações impossíveis, Tiago Rodrigues, Prémio Pessoa em 2019, reflete sobre as revoluções que faltam fazer para a saúde da democracia nos 50 anos do 25 de Abril. A segunda parte desta entrevista sai no dia 27 de abril. O podcast 'A Beleza das Pequenas Coisas' tem o apoio da DS Automobiles.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Paula Tavares (parte 1): “É preciso virarmos a mesa. Não havia nenhum romantismo nesse passado que provocou grande sofrimento sobre as mulheres”
Após a independência de Angola, a guerra continuou e Paula Tavares fugiu muitas vezes, mas escreveu e ensinou sempre. Tinha 33 anos quando publicou o seu primeiro livro de poesia, “Ritos de passagem”, em 1985. A obra foi catalogada de imprópria para senhoras de bom nome e bom porte. Porque a sua poesia rasgava com a ideia de mulher-continente, dando-lhe corpo, identidade e sexualidade. Mas é hoje uma das vozes literárias mais amadas e destacadas de Angola, com diversas antologias poéticas publicadas no mundo. O seu último livro, “Poesia Reunida - seguido de Água Selvagem”, saiu em 2023, pela Caminho, e é um tremor poético. Enquanto historiadora e professora da Faculdade de Letras, em Lisboa, assina Ana Paula Tavares e colabora atualmente com a RDP África. “Um bom poema deve conter simplicidade, que o faz sobreviver ao tempo. Cada dia com menos palavras, cada palavra com menos sílabas só para poder ouvir os sopros.” Ouçam-na aqui nesta conversa em podcast com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Paula Tavares (parte 2): “A velhice tem-me ensinado a virtude da lentidão. Ajuda a sermos mais perfeitos e a termos mais atenção pelas coisas”
Na segunda parte desta conversa, a poeta e historiadora Ana Paula Tavares começa por responder a uma pergunta colocada pelo amigo e escritor angolano Ondjaki. Se pudesse fazer uma pergunta a um dos seus mortos, que pergunta seria? E a quem faria essa pergunta? E, já agora, tem algum grande arrependimento? Há ainda espaço para ouvir alguns poemas de Paula Tavares, para conhecer as músicas que a acompanham e descobrir o que a idade lhe tem ensinado. Que sonhos Ana Paula Tavares ainda tem por cumprir e a que livros e poemas regressa sempre? Escutem-na com tempo. E poesia. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Raquel Freire (parte 1): “Há uma parte da população que gostaria de voltar à ditadura fascista. Nem pensem. Somos muitas mais a querer liberdade e democracia!”
Raquel Freire é uma cineasta e argumentista que acredita profundamente no poder do cinema na construção da liberdade e de mundos novos. E filma o que a incomoda, o que a apaixona, o que a inquieta e o que quer mudar e libertar no país. Autora de uma vasta filmografia e do recente “Mulheres do meu país”, que passou na RTP, a cineasta alerta para o facto do cinema ter sido realizado até agora maioritariamente “por homens para homens”. Como contraponto aos heróis de Abril, Raquel prepara neste momento a longa metragem “Mulheres de Abril”, sobre as heroínas que lutaram pela liberdade em Portugal e em África. “Perguntei a várias destas mulheres antifascistas, como lidavam com o medo em momentos críticos. Quando tinham a Pide atrás, estavam a fugir ou foram torturadas. Elas pensavam nos sonhos que tinham e no que queriam, respiravam fundo dez vezes e continuavam. Recentemente, quando tive um linfoma, e senti medo da doença, fiz o mesmo que elas.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Raquel Freire (parte 2): “Sou uma radical do amor. É através do amor que vivo, que me exprimo, e é a luz que me guia em todas as minhas acções”
Na segunda parte deste episódio, a cineasta Raquel Freire responde emocionada ao testemunho do irmão Vasco. Qual a sua próxima revolução? Quais são as revoluções que importa fazer agora nos 50 anos do 25 de abril? Raquel Freire partilha como enfrentou a doença oncológica que descobriu ter no final do ano passado, deixa um elogio ao SNS e conta como superou o medo, com o apoio do irmão, da família e das suas amizades. “A todas as pessoas que passam ou que um dia passarem por isto, não se isolem”, afirma. Raquel repete com a escritora, poetisa e ativista Maya Angelou a frase “Não trocaria esta jornada por nada.” Mas Raquel acredita que é possível criar mundos novos com o cinema e planeia filmar até aos 100 anos. Raquel Freire conta ainda aqui um pouco do que poderá ser visto no filme e série “Mulheres de Abril”, com estreia marcada para 2025, que acaba de receber o apoio do ICA. E ainda partilha as músicas que a acompanham, lê um excerto do livro “Tudo do amor”, de Bell Hooks, e outro texto de Audre Lorde, que tem sido um mantra para si: “Quero viver o resto da minha vida, seja ela longa ou curta, com o máximo de gentileza que conseguir gerir decentemente, amando todas as pessoas que amo e fazendo o máximo que puder do trabalho que ainda tenho para fazer. Vou escrever fogo até que ele saia dos meus ouvidos, dos meus olhos, do meu nariz - de todo o lado. Até que seja cada respiração minha. Vou-me libertar como um maldito meteoro!” Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Vasconcelos (parte 1): “O erro tem de ser superior ao sucesso. Há que ter a coragem para errar. Quase todas as minhas peças começaram por grandes erros”
É uma das mais internacionais artistas portuguesas. Durante anos foi conhecida como “a artista do tampão” por causa da obra “A Noiva”, um candelabro feito com 14 mil tampões com que se estreou na Bienal de Veneza, em 2005. Com um percurso de mais de 30 anos, Joana Vasconcelos é reconhecida pelas suas esculturas monumentais e instalações imersivas que andam por todo o mundo. Em 2012 tornou-se a primeira mulher com uma exposição individual no Palácio de Versalhes, em França. Mas não teve autorização para incluir a peça fulcral da sua obra. “Não é possível tampões em Versailhes”, foi-lhe dito. Desde setembro a sua nova exposição “Plug-In”, no MAAT, em Lisboa, já recebeu para cima de 260 mil pessoas, tornando-se a mais vista da história deste museu. Dia 6 de abril celebra-se este feito com uma ‘finissage’, ao longo de 12 horas de atividades. Um dos seus maiores desejos é abrir as portas do AMA, um misto de museu e atelier, em Lisboa, para quem quiser visitar o seu lugar de criação. Ouçam-na aqui nesta conversa em podcast com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Vasconcelos: (parte 2): “A minha sombra existe e é forte. Quanto maior a luz, mais presente está a sombra. Quero libertar-me das minhas sombras”
Na segunda parte deste podcast, Joana Vasconcelos começa por responder às questões colocadas pela sua amiga e empresária Catarina Portas. Fala da diversidade de pessoas e das muitas mãos mágicas que trabalham nas suas peças, de várias origens e nacionalidades. E conta como Mohamed, um refugiado sírio, costureiro de profissão, passou a fazer parte da sua equipa. Joana fala ainda da sua relação com a fé e a astrologia. E explica em pormenor o projeto “Corpo Infinito”, que coexiste no seu ateliê, de acesso gratuito para toda a sua equipa, com várias atividades e terapias para o bem estar físico e mental. A artista plástica partilha também quais as músicas que andam na sua cabeça, as próximas obras que está a conceber e em que consiste o seu AMA, um dos seus grandes projetos sonhados, misto de museu e atelier, que deverá abrir as portas a todas as pessoas que queiram visitar o seu espaço de criação. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Lisa Vicente (parte 1) “Emociono-me sempre a fazer partos. Mas é tão valioso gostar de fazer um parto, como é valioso acompanhar uma mulher que pede uma interrupção da gravidez. Não há coisas mais válidas do que outras”
Lisa Vicente é uma médica ginecologista, obstetra e sexóloga que trabalhou muitos anos na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, e apesar de já ter feito mais de mil partos, garante continuar a emocionar-se com cada um. Mas afirma não achar menos válidas as vezes em que ajudou na interrupção voluntária da gravidez. Ou quando atendeu mulheres que sofreram mutilação genital ou foram sobreviventes de violência sexual. “Nenhuma das coisas deve ser considerada mais bonita do que a outra.” Há cinco anos publicou o livro “O Atlas da V.”, como resposta à desinformação sobre os órgãos genitais femininos, ainda envoltos em mistério, até mesmo para muitas mulheres. Em 2023 foi distinguida com o “Prémio Ativa” na categoria de Ciência, “por ser uma militante ao serviço da saúde da mulher”. Nas suas consultas atende mulheres cisgénero, pessoas trans e deixa a máxima: “Incluamos a diversidade como riqueza da sociedade.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Lisa Vicente (parte 2) “O desafio destes tempos é estarmos mais confortáveis e conhecedores da diversidade dos corpos, das identidades, vivências e capacidades. Incluamos a diversidade como riqueza da sociedade”
A médica Lisa Vicente começa esta segunda parte da conversa algo emocionada com as palavras deixadas pelo poeta e dramaturgo André Tecedeiro. E começa por responder à questão se os profissionais de saúde são ainda demasiado conservadores e preconceituosos e o que importa mudar e transformar nas mentalidades de quem trabalha na área da saúde. Lisa fala também da sua recente grande mudança de vida, em 2023, ao ter deixado de fazer parte da equipa de obstetras da Maternidade Alfredo da Costa, para escapar à voragem do excesso de trabalho que a consumia demasiado. E dá conta que, por vezes, escolher o incerto é o mais certo nesta vida. Mesmo que essas escolhas signifiquem deixar para trás algumas coisas de que goste, ganhou outras. Lisa comenta ainda este novo cenário político na AR e o que considera importante mudar ou celebrar meio século depois do 25 de abril. E ainda nos dá música e poesia, ao ler dois poemas de André Tecedeiro que lhe entraram na pele. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rui Costa Lopes (parte 1): “Com esta direita radical há uma perda de vergonha de certas ideias de preconceito e discriminação que estavam adormecidas na cabeça das pessoas e começam a ficar normalizadas”
Foi sem surpresa que o psicólogo social Rui Costa Lopes viu o partido da direita radical português ter um crescimento galopante nos últimos 5 anos ao passar de 1 deputado para os atuais 50. Isto porque há muito que este investigador estuda um certo gigante que andava adormecido na sociedade e que despertou do silêncio quando o líder do Chega começou a propagar ideias e crenças extremistas que andavam caladas. Rui Costa Lopes acaba de publicar um livro que explica em parte este fenómeno. Chamou-lhe “Preconceito e Discriminação em Portugal”, numa edição da Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde analisa a raiz deste problema, desmonta ideias e crenças negativas sobre minorias e aponta soluções. Eis o ponto de partida para esta conversa. “Achávamos que a experiência do passado nos protegia da extrema direita, mas a memória luso-tropicalista e representações benevolentes do passado podem explicar em parte estes resultados.” Oiça aqui a primeira parte da entrevista com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rui Costa Lopes (parte 2): “Celebremos os 50 anos do 25 de Abril dando valor e lugar à moderação e repensemos as certezas, com escuta, diálogo e empatia”
Nesta segunda parte, Rui Costa Lopes começa por responder ao cientista político e amigo Pedro Magalhães, que lhe aponta o sentido de humor “implacável” do Rui. O que o faz rir? E como o humor pode ser uma boa arma para a empatia? Rui fala da sua mudança para os Açores e a epifania que o levou a dar-se conta que a sua felicidade estava nas coisas mais simples, deixando de lado o peso das grandes missões de vida. E aqui partilha os seus novos prazeres na ilha, a vontade de juntar uma cabra ao seu agregado familiar, uma breve leitura do clássico “A Insustentável Leveza do Ser”, de Milan Kundera, que traduz bem esta sua nova fase e dá-nos a ouvir algumas das músicas que o acompanham. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Salaviza (parte 1): “Perdermos a capacidade de espanto é uma tragédia individual e social. O cinema pode devolver-nos perguntas e o espanto”
Há dez anos que o realizador João Salaviza, e a companheira Renée Nader Messora, filmam o povo indígena Krahô, no Brasil. A sua nova longa-metragem, “A Flor do Buriti”, que ganhou o “Prix d´Ensemble”, em Cannes, é o resultado dessa longa relação com os Krahô, com estreia marcada para o próximo dia 23 de março nos cinemas. Uma obra que nos transporta até à aldeia da Pedra Branca, na região de Tocantins, no Norte do Brasil, e que nos confronta com a cultura e a história de resistência dos Krahô durante séculos de invasões, massacres e roubos. Salaviza, que já foi premiado por outros filmes no passado com o “Urso de Ouro” e a “Palma de Ouro”, conta-nos neste podcast como tudo mudou na sua vida e na sua obra nesta última década, depois de conhecer Renée e o povo Krahô, que o batizou a si e à sua família com nomes indígenas e o inspiraram a mudar o foco do seu cinema. See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Salaviza (parte 2): "Os prémios permitem continuar a filmar, mas não dizem nada sobre a sua qualidade. Não teria dado prémios a metade dos filmes que ganharam Palmas de Ouro, Ursos de Ouro e Óscares"
Nesta segunda parte, o realizador João Salaviza partilha mais sobre a experiência imersiva de viver durante parte do ano numa aldeia de povos indígenas, que já o batizaram com o nome de um guerreiro mítico Krahô, o “Ua-Ua”. João fala ainda de como a sua filha, a Mira, lhes permitiu aceder ao mundo mágico das crianças indígenas, o que trouxe mais densidade e verdade ao filme. Como tem sido essa troca? O que tem ganho o seu cinema com isso? Qual a grande lição que os Krahô lhe passaram e que trouxe para a vida e para a forma como filma? Salaviza fala ainda dos desafios vividos durante os 15 meses das filmagens de “A Flor do Buriti” e reflete sobre o período difícil que os Krahô enfrentaram durante a problemática governação de Bolsonaro e a pandemia. E, nesta segunda parte, há ainda lugar para boas sugestões: Salaviza revela qual o último filme que o arrebatou, qual o livro que o marcou recentemente e as músicas que o acompanham. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diana Niepce (parte 1): “Não me coloquem no papel da vítima ou da heroína, como num ‘meme’ inspiracional do Instagram. As pessoas com deficiência não existem para inspirar os corpos normativos com histórias de superação”
Diana Niepce é bailarina, coreógrafa e escritora e anda há uma vida a desafiar os limites do corpo e a cruzar os caminhos da arte e da vida. Em 2014 foi forçada a reinventar-se quando a meio de um ensaio sofreu uma aparatosa queda de um trapézio que a deixou tetraplégica. Desde aí, Diana Niepce tem questionado o preconceito dos outros sobre os corpos com deficiência, ou fora da norma, voltou aos palcos com novas possibilidades artísticas e, através das suas obras, tem desmistificado o que é isso de um corpo frágil ou forte e afirmado a virtude da diferença. Nesse movimento, em 2022 foi premiada pela SPA com a peça “Anda, Diana”, e este mês estreou o ciclo “Corpos Políticos”, com curadoria sua, que vai até 16 de março, na Culturgest, em Lisboa. Nesta primeira parte Diana é surpreendida com um testemunho do encenador e dramaturgo Rui Catalão, assim como da fundadora e diretora executiva da associação “Acesso Cultura”, Maria Vlachou, que acrescentam novos ingredientes e olhares sobre Diana e lhe deixam perguntas.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diana Niepce (parte 2): “O estranhamento e a imperfeição são deslumbrantes. Sermos diferentes não é um defeito. Continuemos a lutar por uma democracia que não é uma visão única, com valores que não são opiniões subjetivas”
Na segunda parte deste episódio, Diana Niepce abre o livro “Anda, Diana”, um diário de auto-ficção onde narra de forma crua e íntima, e com um humor bastante mordaz, o que passou nos tempos que se seguiram ao seu acidente de 2014. E, ao afirmar-se como um “corpo político”, revela o que espera destas legislativas de 10 de março e o que importa lembrar, melhorar e celebrar nestes 50 anos da nossa democracia. Diana partilha ainda as músicas que a acompanham na vida, na dança ou no duche, e fala de amor, sexo e humor. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandra Lucas Coelho (parte 1): “O espelho está voltado para Israel. Como podem os descendentes dos judeus de Auschwitz transformar Gaza num campo de extermínio?”
Alexandra Lucas Coelho anda há mais de duas décadas a decifrar os conflitos e guerras no Médio Oriente, uma região que voltou a estar nas bocas do mundo desde o dramático ataque do Hamas, no sul de Israel, a 7 de outubro de 2023. Autora de 14 livros, e com vários prémios de jornalismo e literatura, escreve contra todo o tipo de fronteiras, contra as opressões, contra a ideia do “nós e os outros”. E para ajudar a explicar o que originou a tragédia humanitária sem precedentes que se vive atualmente em Gaza e que já matou 30.000 palestinianos, a escritora lançou este mês uma nova edição revista do seu primeiro livro, “Oriente Próximo”, obra de não ficção sobre Israel e a Palestina, situada entre 2005 e 2007. Alexandra destinou os direitos de autor deste livro para Gaza. E aqui descreve o cenário perturbador que viu e testemunhou na reportagem que fez há pouco tempo na Cisjordânia Ocupada e Jerusalém e o relato duro do amigo W que está em Gaza. Nesta primeira parte pode ainda ouvir-se o testemunho da palestiniana Shahd Wadi, doutorada em Estudos Feministas pela Universidade de Coimbra, e do editor e fundador da Caminho, Zeferino Coelho, que deixa uma pergunta a Alexandra.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandra Lucas Coelho (parte 2): “Escrevo contra todo o tipo de fronteiras. Viver é uma luta de libertação. Somos todos florestas densas e vastas e tantas vezes vêem em nós apenas uma árvore”
Na segunda parte deste podcast, Alexandra responde ao seu editor Zeferino Coelho, fala sobre os seus romances, que são de um género sem género, e como para si escrever e viver “é uma luta de libertação”. A escritora assume que não lhe interessa ir ao encontro do que os outros esperam dela. “Quando respondermos às expectativas dos outros estaremos a fazer o nosso pior trabalho. Só há uma vida. E é sagrada. E deve ser vivida em toda a liberdade. Não fiquem presos às expectativas de ninguém. As florestas são vastas e densas. E preciosas são as pessoas que não só não esperam de nós o que fizemos e veem em nós o que ainda não fizemos e não vimos.” Alexandra dá-nos a ouvir algumas das músicas que acompanham este seu “Oriente Próximo”, lê um poema poderoso de Uri Orlev, poeta judeu sobrevivente do Holocausto - dá-nos conta de uma inexplicável coincidência de datas que se apercebeu no carro a caminho desta entrevista que passou a dar outros ecos à poesia de Uri - e ainda lê um excerto da sua autoria sobre uma festa de hip hop num cenário de ataques e bombas. E agora que se celebram os 50 anos do 25 de Abril, e nos aproximamos das votações legislativas, Alexandra revela o que mais admira nesta nova geração, que não encontrou na sua, o que espera do novo governo, o que deseja para o país e o que importa celebrar, recordar e melhorar na nossa democracia. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Episódio especial com Lela, a madame das noites picantes de um dos mais antigos bares de alterne lisboetas: "Esta vida é um romance"
bonusNeste episódio especial vamos recuar ainda mais no tempo, aos primórdios deste podcast, mais precisamente a junho de 2016 quando entrámos no mais antigo bar de alterne lisboeta, o Piri-Piri, dispostos a deixar os preconceitos à porta - ou pelo menos tentar - para entrevistar Maria Amélia, por todos chamada de Lela, a dona daquele lugar boémio que há 81 anos conta parte da história da capital. Um bar que serviu durante décadas companhia, marotice, mas “não sexo”, como Lela fez questão de frisar nesta conversa, porque o seu negócio sempre foi o da bebida. Neste podcast, a ‘madame’ desconstrói algumas ideias feitas sobre espaços como este e, no caso dela, garante ter sido sempre mulher de um homem só. Diz que o melhor do seu dia é chegar a casa e ter um jantar feito pelo seu marido, regado com um bom vinho branco gelado. Monogamias e romantismos aparte, Lela juntou ao cocktail desta conversa uma boa dose de malícia e humor, sem falsos moralismos, ao revelar o jogo da casa e as manhas e os segredos desta pequena barca do prazer, com vocação de confessionário, situada no número 61 da Rua da Glória, junto à Praça da Alegria, onde o inferno é estar só. Atualmente com 65 anos, Lela continua a orgulhar-se de ser “a madame das noites picantes” ou “a cigana da praça da alegria”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Episódio ao vivo com Márcia e Susana Peralta: “Temos recursos infinitos dentro de nós, há coisas que as máquinas nunca vão conseguir fazer melhor do que os humanos”
Susana Peralta e Márcia foram as convidadas de Bernardo Mendonça neste episódio d' A Beleza das Pequenas Coisas especial ao vivo no Festival de Podcasts Expresso by Hyundai. O ano que agora começa traz imensos desafios à democracia e as duas convidadas traçam os seus desejos para o ano novo, analisam a situação atual e tecem comentários sobre a Inteligência ArtificialSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Fim de Ano com Lídia Jorge: “Os escritores olham para a realidade de olhos fechados a procurar a alma do mundo. Somos como fósforos, ardemos no escuro. Somos testemunhas do tempo”
Durante dois anos a prestigiada escritora Lídia Jorge escreveu um romance que partiu de um pedido da sua mãe, pouco antes de morrer. Confinada num lar de idosos, pediu que a obra se chamasse “Misericórdia” para que as pessoas se tratassem com mais humanidade e empatia. Lídia acedeu ao pedido e escreveu o seu livro mais íntimo, uma exaltação da vida, da curiosidade, da sabedoria mesmo quando a morte espreita. Uma obra que acaba de ser distinguida com o Prémio Médicis Étranger, em ex-aequo com o romance "Impossibles Adieux", da sul-coreana Han Kang. Nesta edição especial, relançamos a conversa com Lídia Jorge, realizada em outubro de 2022 para este podcast, que viaja na memória até à infância da escritora, aos tempos vividos em África onde teve o seu filho, até à crise atual no país, sobre a qual afirmou: “É errado um discurso triunfalista dos números quando as pessoas estão a sofrer muito. Há um contraste entre aquilo que é o discurso político e a vida das pessoas.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Natal com Siza Vieira: "O sentido da vida é navegar no meio dos escolhos e planícies onde nos deslocamos. Está-me sempre a faltar tempo. O trabalho não me salva da melancolia, mas ajuda-me muito"
É uma das maiores figuras da arquitetura mundial e um dos mais premiados de sempre. Há 31 anos, Álvaro Siza Vieira foi o primeiro arquiteto português a receber um Pritzker - considerado o Nobel da arquitetura. Pode mesmo dizer-se que Siza reescreveu a história da arquitetura projetando-a para o futuro. Nesta edição especial, republicamos esta grande entrevista feita a Siza Vieira neste podcast em junho de 2022, onde faz um balanço do percurso, critica o “estado de agonia” da profissão e lamenta não ter mais trabalho e não estar a deixar mais obra relevante no país. E deixa uma crítica ao sistema, à mentalidade do “quem dá menos“ e do “para quem é bacalhau basta“, e afirma: “Acha-se que um arquiteto só serve para o capricho de quem tem dinheiro. Acredito na habitação social com qualidade para todos.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tânia Graça (parte 1): “A minha luta pela liberdade das mulheres vem da falta dela. Os meus primeiros anos não foram bons. Mas vejo cor na cinza. É uma ferida que fiz florir”
Ela é uma das vozes mais interessantes da nova geração a falar no espaço público de sexualidade, relações, feminismo interseccional, masculinidade tóxica, identidade de género, orientações, desejos, educação e liberdade. Durante a pandemia tornou-se conhecida no instagram por encorajar as mulheres a explorar o seu corpo e a viver as relações e a sexualidade de forma saudável e prazerosa, sem preconceitos."O orgasmo feminino é um ato político porque quando nos masturbamos, mostramos que fazemos o que quisermos com o nosso corpo, é uma retomada da sua posse.” Atualmente a sexóloga Tânia Graça faz dupla com Ana Markl no programa “Voz de Cama”, da Antena 3, que saltou para o palco do Teatro Maria Matos, numa série de conversas ao vivo com sala cheia. Questões sobre sexualidade e relações não faltam. E, no final da primeira parte, Tânia é surpreendida por um áudio de Ana Markl, que deixa uma pergunta bem interessante...See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tânia Graça (parte 2): "Mulheres vocais, que trabalham muito, de sucesso, podem ter ao seu lado homens igualmente incríveis. Tenho neste momento comigo não só alguém que me aceita, mas que me celebra"
No ínicio desta segunda parte, Tânia começa por falar da amizade relâmpago com Ana Markl, com quem faz dupla no programa “Voz de Cama”, na Antena 3, das cumplicidades criadas, e da aprendizagem mútua, experiência em antena e nos espetáculos ao vivo. E responde à pergunta de Ana em relação a certos medos futuros sobre a “masculinidade tóxica”. E qual a tolerância que Tânia tem com amigos que têm comportamentos ou comentários machistas e misóginos? A sexóloga responde e dá exemplos. E revela mais sobre a sua intimidade e o passado difícil que explica em boa parte a razão de ser das suas lutas e causas. E há ainda espaço para a música que a acompanha e para revelar alguns dos seus maiores desejos ...See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial José Tolentino Mendonça, Prémio Pessoa 2023: “A vida tem sido esplêndida para mim. Tem-me dado um património de sede, uma latência de desejo”
bonusFoi em Angola onde o padre, cardeal e poeta Tolentino Mendonça ouviu as primeiras grandes histórias. A avó analfabeta foi a sua ‘primeira biblioteca’, ao contar-lhe mundos de realismo mágico. Aos onze anos entrou no seminário do Funchal por um chamamento que não sabe explicar de onde veio. No dia em que foi distinguido com o Prémio Pessoa 2023 republicamos a entrevista de vida que deu em dezembro de 2016. Uma conversa rica de memórias e reflexões críticas sobre os valores da sociedade contemporânea, onde não falta a poesia. "O verdadeiro presente é deixarmo-nos tocar pelos outros"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diogo Faro (parte 1): “Dizem que sou polémico. Não defendo orgias obrigatórias. O que defendo é mais habitação, melhor SNS e menos discriminação”
Autor do podcast “Desta para Melhor”, Diogo Faro intitula-se nas redes sociais como o “Sensivelmente Idiota”, faz humor político e tem a mira apontada contra opressões e injustiças sociais. Atualmente, está em cena com o espetáculo “Amor, quero beijar mais pessoas”, junto com a atriz Joana Brito Silva, todas as quartas-feiras, no Teatro Villaret, em Lisboa. Um texto escrito por esta dupla, baseado na experiência enquanto casal não monogâmico. “Perante 400 pessoas, quando perguntamos se alguma vez pensaram na não monogamia ou se já tiveram atração por outra pessoa numa relação fechada, quase toda a gente diz que sim. E está tudo bem.” No final desta primeira parte, Diogo é surpreendido por um áudio da namorada e atriz Joana Brito Silva, que faz um retrato dele e deixa uma questão gastronómica envolta em mistério…See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diogo Faro (parte 2): “Muitos humoristas já fizeram piadas sobre mim. Tornou-se fácil baterem-me por ser humorista e ativista. São todos muito originais com a mesma piada”
Logo no início da segunda parte deste episódio, o comediante Diogo Faro confirma o seu talento em juntar pessoas - "talvez seja mesmo o talento que me possa gabar sem qualquer vergonha", esclarece dúvidas e equívocos sobre o universo da não monogamia com consentimento e as regras que ele e a namorada e atriz Joana Brito Silva estabeleceram para esta relação que já tem dois anos. E daí fala de sexualidade e a forma fluída como a encara, o valor da amizade e como tem gerido os momentos de crise económica e queda emocional. "Devo tudo aos meus amigos e família." E, claro, ainda há espaço para a poesia, a literatura - elege o melhor livro de 2023 - e as músicas que o acompanham, cheias de valor sentimental e boas histórias. E dá-nos conta dos próximos destinos para onde quer viajar em 2024. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria José Campos (parte 1): “Continua a haver muitas pessoas com medo de fazer o teste de VIH por causa da discriminação. Esse silêncio mata”
Maria José Campos é um dos nomes mais incontornáveis no apoio às pessoas infectadas com VIH em Portugal desde os anos 80 quando dava consultas no Hospital Egas Moniz, onde estavam internadas as primeiras pessoas doentes com o vírus. Fez parte da fundação da Associação Abraço, depois da ILGA, e foi coordenadora científica do Check Point LX. Até abril deste ano, altura em que se reformou, dava consultas de infectologia no Hospital de Egas Moniz, em Lisboa. No Dia Mundial da Luta Contra a SIDA a médica faz o retrato da situação atual e dos últimos 40 anos e alerta para o perigo do estigma, do medo e da ignorância que ainda mata e exclui. E, no final desta primeira parte, é surpreendida com uma áudio comovente da atriz e ativista trans Jó BernardoSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria José Campos (parte 2): “Acredito que nas próximas eleições as pessoas vão decidir bem. E não vão dar espaço a uma direita racista, homofóbica e sem qualificação, num ataque à democracia”
Na segunda parte desta conversa, Maria José começa por falar da amizade e do tanto que aprendeu com Jó Bernardo sobre a comunidade trans. Recorda ainda como começou no ativismo e se tornou aliada e cúmplice da comunidade LGBTQIA+ e recusou “as plumagens” da ribalta. E se teve uma fatura profissional e pessoal por ser uma mulher contra um certo sistema, numa sociedade e classe profissional que considera ainda muito “conservadora”, “castradora” e “masculinizada”, sublinha o tanto que aprendeu e o mundo que ganhou com as comunidades da margem. E volta a comover-se com um novo áudio, desta vez de Ricardo Fuertes, técnico nas áreas do VIH e dependências, que aqui conta outros lados seus e deixa-lhe uma pergunta de boa reflexão. E há ainda espaço para se falar de sexualidade, sem culpas e vergonhas, e da importância de levar esse tema sem preconceitos seja à mesa com amigos ou nas consultas médicas. Maria José revela aqui que aos 68 anos, depois de sair de cena do mundo da medicina, está a aprender a nadar, a falar italiano e, imagine-se, bordado japonês. E como não podia faltar, traz-nos música e literatura. As suas escolhas literárias são: “Puta feminista” de Georgina Orellano, e “O Negócio da Saúde - como a medicina privada cresceu graças ao SNS”, de Bruno Maia. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Moura (parte 1): “Engavetar uma artista é matá-la. Até porque não somos só uma coisa a vida inteira. Estamos em constante transformação”
Ela é uma das artistas portuguesas mais internacionais, e mais surpreendentes, que melhor refletem este tempo, sem esquecer o passado e as raízes africanas, que leva o fado na rouca voz e no coração uma janela escancarada para o mundo, e para tantas outras sonoridades. Em 2022, Ana Moura ousou desarrumar os móveis de casa, e limpar o pó às expectativas dos outros, libertando-se das caixinhas onde a tinham arrumado, para lançar “Casa Guilhermina”, com Pedro da Linha, Pedro Mafama, Conan Osíris, entre outros. E apresenta agora o novo single “Lá vai ela”, onde canta a nova fase de dona e senhora da sua música e da sua vida. E aqui chega a trautear em exclusivo um semba de Bonga que cantava na infância. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Moura (parte 2): “A comunidade 'queer' tem-me ensinado muito sobre autoestima, porque enfrenta desde sempre dificuldades na vida, e olhares pela janela, e conseguem ainda assim manifestar amor. É de enorme grandeza”
Na segunda parte desta conversa, Ana Moura responde a Selma Uamusse, fala da maternidade, da importância da família, das suas raízes africanas, que ela leva para a sua música, comenta sobre os olhares preconceituosos de algumas pessoas sobre os seus, e recorda e celebra Prince e Sara Tavares. E é ainda surpreendida pelos testemunhos dos músicos Herlander e Rita Dias, que juntam outras questões para a conversa. Ana Moura revela também como a comunidade ‘queer’ a tem "ensinado muito sobre autoestima", mesmo apesar das dificuldades na vida, e olhares pela janela, "e conseguem ainda assim manifestar amor. É de uma enorme grandeza." E ainda há lugar para Ana revelar o que anda a ler e as músicas que a acompanham e inspiram. Isto e muito mais…See omnystudio.com/listener for privacy information.