
A Beleza das Pequenas Coisas
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Luísa Costa Gomes (parte 1): “O que vemos em massa são livros de autoajuda, proselitismo e didatismo. Um livro não é uma couve lombarda!”
É uma das vozes literárias portuguesas mais marcantes. Enquanto Luísa Costa Gomes prepara um romance de ficção científica, acaba de lançar uma nova colecção de histórias breves: “Visitar amigos e outros contos”. Neste podcast fala de como não cede à pressão do tempo, é crítica da produção massiva de “uma certa evangelização, moralismo e didatismo” nas obras que enchem as livrarias, fala da televisão como uma “espiral descendente” de “vileza” e "estupidificação geral” e alerta para o perigo dos dogmas e da morte da democracia. Esclarece ainda que não viveu nenhum renascimento, após um percalço: “Tive pneumonia, nada de mais. A vida tem umas sacudidelas. Penso na morte desde que nasci, faz parte”. Ouçam-na aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça no podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Maria Filomena Mónica: “Não me arrependo de nada, nem dos disparates que fiz — e foram bastantes. Mas já não me lembro”
Em 2022, dezassete anos depois da polémica autobiografia “Bilhete de Identidade”, a socióloga Maria Filomena Mónica voltou a publicar um novo livro íntimo. Mas, desta vez, mergulhou nas centenas de cartas, postais e documentos que herdou da sua família, para arrumar as memórias e desenterrar segredos que nunca imaginara, sobre a sua mãe e a sua avó. Chamou-lhe “Duas Mulheres”, com a chancela da Relógio d´Água, e, através delas, quis perceber melhor o passado e a mulher em que se tornou. Neste episódio especial, gravado em maio de 2022, Maria Filomena Mónica reflete ainda sobre o amor, a finitude e a forma salvífica como a escrita a tem ajudado a sobreviver ao cancro. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Dina: “Nunca deixei que me amarrassem os pés e os punhos. Fui sempre uma mulher muito livre”
bonusFoi a primeira cantautora da pop portuguesa. São várias as canções de Dina que nos ficaram para sempre no ouvido. Hinos ao amor e à vida. A artista foi três vezes ao Festival da Canção e acabou por vencer com “Amor de Água Fresca”, em 1992. Mas a sua obra vai muito além dos festivais. Com seis discos gravados e músicas que atravessam a pop, a folk, o funk e o rock, Dina despediu-se dos palcos em 2012 por causa de uma doença nos pulmões. Em 2016, quando celebrava 40 anos de carreira, Dina abriu-nos a porta de casa e falou da sua música, das suas escolhas, vitórias e arrependimentos. Esta terá sido uma das últimas entrevistas que deu, antes da sua morte em 2019. Um testemunho generoso e emotivo para ouvir nesta conversa com Bernardo Mendonça. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Fernanda Lapa: “Amo demais o teatro, por isso sofro horrores. É uma paixão a que chamo teimosia e que vai morrer comigo”
A vida da atriz e encenadora Fernanda Lapa foi tão rica e intensa que dava um filme ou uma peça de teatro com os ingredientes da melhor literatura, feita de alegrias, muitas lutas e conquistas e grandes perdas. Mulher forte, íntegra e inconformada dedicou toda a sua vida à arte que mais amava, o teatro. Esta foi a última entrevista dada por Fernanda Lapa, dois meses antes de partir com uma doença fulminante, em agosto de 2020. É sobre o seu amor profundo aos palcos e o futuro incerto do setor das artes, a desesperança, a frustração e falta de dinheiro dos profissionais das artes e espetáculos que arranca esta conversa com a fundadora da companhia Escola de Mulheres (sediada no Clube Estefânia). Figura maior do teatro português, que lutou até ao fim pela valorização da Cultura, dos artistas e técnicos, e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, não foi mansa na crítica ao poder: “Um país que não trata bem os artistas está moribundo. E este país não é para artistas, nem para velhos, nem para novos.” Nesta conversa, Fernanda Lapa conta ainda alguns dos momentos mais relevantes do seu caminho e assume ter sido a teimosia o que a fez levantar-se todas as manhãs. E, tal como o poeta José Gomes Ferreira, revela que viveu sempre cheia de “saudades do futuro.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Eduardo Gageiro: “Nas fotografias que fiz da Maria a despedir-se de Salazar, chocou-me ver a cara dele, parecia um abutre”
Eduardo Gageiro retratou o país miserável do antigo regime, esteve na linha da frente do 25 de Abril, captou o último beijo da governanta Maria a Salazar e registou o atentado nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972. Nesta conversa feita em novembro de 2017, o homem que ficou conhecido como “o fotógrafo do povo e da revolução” faz contas à vida, à doença e à solidão, assume um certo mau feitio, mas assegura que “nunca foi mau para ninguém”. Ouçam-no aqui nesta conversa com Bernardo Mendonça. Boas escutas! See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marco Mendonça (parte 2): “Quero correr o mundo a trabalhar e participar em projetos com a dimensão e o impacto do ‘Black Panther’ da Marvel”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o ator e criador Marco Mendonça, que assume querer desbravar no futuro o cinema europeu e americano e não só, revela os bastidores e o processo criativo do espetáculo “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, de Tiago Rodrigues, partilha algumas inquietações e fantasmas que tem superado e ainda dá-nos conta das músicas que o acompanham e sugere algumas ideias para ler, ouvir e ver para esta reentrée. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marco Mendonça (parte 1): “Encaro o humor como lugar de resistência. Há desgraças que me tocam e só rindo mesmo”
Marco Mendonça deu logo que falar em 2019 como autor e intérprete da peça “Parlamento Elefante”, junto com João Pedro Leal e Eduardo Molina, que foi o projeto vencedor da primeira edição da Bolsa Amélia Rey Colaço. Desde 2020 integra o elenco de um dos espetáculos mais marcantes dos últimos anos, “Catarina e a beleza de matar fascistas”, de Tiago Rodrigues, em digressão internacional. O ator e criador volta agora a cena, a solo, com a reposição do espetáculo “Blackface”, estreado em 2023 no Festival Alkântara e que pode ser visto no TBA, em Lisboa, até ao dia 7 de Setembro. Para esta conferência musical — entre o stand-up e a fantasia, entre a sátira e o teatro físico, entre o burlesco e o documental —, Marco Mendonça procura os limites do que pode ser representado num palco, partindo de experiências pessoais e da história do ‘blackface’ como prática teatral racista, desde as suas raízes nos EUA ao seu caminho e expressão em Portugal. Ouçam-no aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Olga Roriz (parte 2): “A dança para mim tem mais de profano, do que de sagrado. E nela habita um grande erotismo, muita paixão, um olhar obscuro e vontade de desejar”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a bailarina e coreógrafa Olga Roriz, que aqui revela como está a sentir e ressentir o passar dos anos e as novas possibilidades do corpo, agora mais maduro, e dá pistas de onde vem a sua força e energia inesgotável. Olga fala ainda do seu bom humor, que está a vir mais ao de cima nos últimos tempos, e que quer fazer uso dele no seu próximo solo. Dá também conta dos temas que mais lhe interessa atualmente refletir e levar a palco e ainda nos dá música. Depois lê magistralmente um texto seu e outro do escritor Pedro Paixão e sugere o que fazer, ler e ouvir neste mês de banhos e sol. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Olga Roriz (parte 1): “Os corpos estão miseráveis, a definhar, a parar. Já nem sequer sabemos dançar. Por isso digo que os bailarinos salvaram-se”
Olga Roriz é uma das criadoras que mais marcaram o rumo da dança e das artes performativas em Portugal. Para o ano, a sua companhia de dança completará 30 anos de existência e Olga celebrará 70 de vida e 50 de carreira. Atualmente, a coreógrafa está em fase de pesquisa para o seu próximo solo, “O Salvado”, mais de 10 anos depois do seu último “A Sagração da Primavera”, estreado em 2013. A data deste seu regresso aos palcos está marcada para julho de 2025, primeiro no Porto [Teatro Carlos Alberto, de 3 a 5], depois em Lisboa [Teatro São Luiz, de 9 a 12]. E aqui Olga levanta a cortina do que está a preparar. E deixa o apelo: “Dancem mais.” Ouçam-na aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Marco Martins (parte 2): “Há beleza na forma de sobreviver em lugares escuros. Numa imensa escuridão a Humanidade ganha novos contornos e revela-se mais.”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o realizador e encenador Marco Martins, que aqui revela os bastidores exigentes e imersivos dos seus trabalhos, o que mais procura num ator e numa atriz, assim como nos ‘não atores’, e a beleza que encontra no que se considera feio e nas formas de sobrevivência na escuridão. E ainda nos dá música e algumas sugestões do que ler, ver e ouvir este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marco Martins (parte 1): “Interessa-me a arte que questiona, que dá voz ao outro, pois há cada vez menos espaço para a reflexão na vida comum.”
É um dos criadores mais relevantes da nossa ficção e há muito que leva aos palcos de teatro e ao grande ecrã as histórias das pessoas que não têm voz. Autor de filmes como “Alice”, “São Jorge” ou, o mais recente, “Great Yarmouth — Provisional Figures”, as suas obras partem de muita pesquisa e recolha documental antes de serem filmadas ou encenadas. E nesse processo passou a ter o hábito de trabalhar também com ‘não atores’, que contam as suas vidas ou as da sua comunidade. Como aconteceu nas suas últimas peças, “Pêndulo”, num elenco feito com trabalhadoras imigrantes precárias, e “Blooming”, representado por crianças institucionalizadas. Num confronto entre arte e vida, vida e arte. Ouçam-no aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Catarina Furtado (parte 2): “Estou numa fase extremamente bonita. E picante. Esta liberdade é uma verdadeira companhia”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a apresentadora Catarina Furtado, que aqui fala desta nova fase “bonita e picante” da vida após a separação e como a maturidade lhe trouxe mais liberdade, tranquilidade e segurança, apesar dos medos do envelhecimento e da finitude. Neste episódio, a embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) dá-nos música e sugestões do que ler, ver e ouvir este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Catarina Furtado (parte 1): “Tenho autoridade para dizer que a Humanidade ainda presta. O lado bom pode adormecer o monstro que nós temos”
Há mais de 30 anos que Catarina Furtado é uma das apresentadoras mais populares da televisão portuguesa. Cedo provou ter mais predicados além da evidente beleza e excelência na comunicação: Desde 2000 é embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), um convite de Kofi Annan para angariar verbas e ajuda humanitária destinada a mulheres e jovens de países mais pobres e vulneráveis. Em 2012 ergueu a associação Corações com Coroa, que se dedica a projetos de empoderamento de raparigas e mulheres em situações de vulnerabilidade, risco ou pobreza. Catarina afirma que nunca teve um grande amor pela televisão, mas sim pelas pessoas. E que é esse o amor que nos salva. Ouçam-na aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Gaspar Varela (parte 2): “Irritam-me os fascistas, machistas, homofóbicos e transfóbicos. Aí, a cantiga é também uma arma”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o músico Gaspar Varela, que aqui fala da sua relação cúmplice com a fadista Ana Moura, com quem tem feito estrada a tocar nos seus concertos e explica por que é que os colegas o chamam de “gasparoti, o parvalhoti”. Revela também algumas da músicas que andam na sua cabeça, assim como os seus “guilty pleasures” e conta como começou a “surfar” a multidão com uma guitarra portuguesa. No final, deixa-nos as suas sugestões culturais para este verão. Boas escutas! See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gaspar Varela (parte 1): “Com a tour da Madonna percebi que a guitarra portuguesa encaixa noutros estilos. E que fazer música é também política”
Gaspar Varela aprendeu a tocar guitarra portuguesa aos sete anos, para poder acompanhar a bisavó Celeste Rodrigues nas casas de fado. Em 2017 dá-se o feliz encontro com Madonna e o convite para que Gaspar se juntasse à tour “Madame X”, a digressão da rainha da pop com sonoridades inspiradas em Lisboa. A experiência estimulou-o a criar o projeto “Expresso Transatlântico”, juntamente com o irmão, Sebastião Varela, e o amigo Rafael Matos, com o brilhante 1º álbum “Ressaca Bailada” (2023). O que não consta da sua biografia oficial é que Gaspar talvez seja o primeiro músico a “surfar” a multidão com uma guitarra portuguesa. Ouçam-no aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria João Pires (parte 2): “A minha vida sem o piano teria sido bem melhor. Fui muito condicionada pelo piano. Mas, como estou viva, ainda posso mudar”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a pianista Maria João Pires que fala do triunfo em relação ao corpo por nunca parar de caminhar, apesar dos seus 80 anos. A pianista revela a sua paixão pela arte da fermentação e o prazer que tem em amassar o pão de massa mãe na sua casa, para descansar as mãos do piano. Explica também porque é que a sua vida teria sido bem melhor sem o piano, e ainda fala da sua relação com os amores e os sonhos. No final, dá-nos música e deixa-nos as suas sugestões culturais para este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria João Pires (parte 1): “A competição é um erro, uma mentira. Tenho horror e isso é brutal na música. Competição não rima com arte”
É uma das mais notáveis pianistas do mundo e uma das figuras mais relevantes da cultura portuguesa. Em 1999 criou o Centro Cultural de Belgais, em Escalos de Baixo, no distrito de Castelo Branco, um laboratório de experiência das artes e de aprendizagem musical, que enfrentou dificuldades e acabou por durar só uma década. Em 2019, a pianista foi agraciada com a Medalha de Mérito Cultural e a Grã-Cruz da Ordem do Infante. Em 1989, Maria João Pires foi a terceira figura distinguida pelo Expresso com o Prémio Pessoa. Acaba de celebrar 80 anos, continua a dar concertos e não sabe quando vai parar. Porque curiosidade não lhe falta e a música e a vida ainda têm mistérios para deslindar. Ouçam-na aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Mísia (1955-2024): "A vida fez-me tudo o que lhe competia, foi boa e horrível, foi tudo. E foi plena"
No fim de 2022, Mísia abria o seu coração e regressava com novo disco, “Animal Sentimental”, com um livro autobiográfico. Nesta entrevista falou pela primeira vez da matriz de abandono que vem da infância, da inveja portuguesa de que foi alvo, da luta com a doença oncológica, o episódio de violência doméstica num casamento passado e o seu namoro com a morte e vontade de celebrar a vida e os poetas. “O fado serve para limpar as migalhas do coração. Sou mesmo um animal sentimental. Isso salvou-me sempre. Fez-me sentir que estava viva. Mesmo na dor eu existi com muita força.” Recordem-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo Mendonça, a 4 novembro de 2022.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tozé Brito (parte 2): “Quem fazia maior guerra às Doce eram as mulheres, porque não gostavam que os seus homens as fossem ver”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o músico, compositor e autor Tozé Brito, que aqui fala do seu casamento com Inês Meneses e como nunca é tarde para se seguir no caminho da felicidade. O atual vice-presidente da SPA afirma ainda levar a sério as revoluções e lutas identitárias das novas gerações, revela alguns bastidores da banda feminina de grande sucesso que formou nos anos 80, as “Doce”, e deixa várias sugestões culturais para este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tozé Brito (parte 1): “Se eu tive uma vida de rock’n’roll? Fiz as asneiras todas. O catálogo completo. Mas nunca me levei demasiado a sério”
É um dos nomes incontornáveis da história da música portuguesa. Tozé Brito fez-se músico no tempo em que as cantigas eram uma arma e os artistas da canção ligeira faziam parar o país no Festival da Canção. Com um ouvido certeiro para a música, Tozé Brito, a quem chamaram ‘senhor festival’, foi responsável por largas centenas de sucessos musicais como Carlos Paredes, Doce, Paulo de Carvalho, Jorge Palma e José Cid. Aos 70 anos deu que falar com dois discos especiais: um a celebrar a longa amizade com José Cid, que resultou no álbum “Tozé Cid”, e outro que enaltece as suas canções mais icónicas interpretadas por uma nova geração de músicos, “Tozé Brito (de) Novo”. Agora abre o livro sobre si e o romance de autoficção que está a terminar. Ouçam-no aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

André Barata (parte 2): “A luta pelo ócio é aprendermos a perder-nos”
Ouça aqui a segunda parte da conversa em podcast com o filósofo, professor e investigador André Barata, que comenta sobre a constelação de perigos principais que nos ameaçam e revela onde encontra na atualidade, maior apoio, e inspiração para a sua atividade de pensar, seja em autores ou obras, cujo aprofundamento possa contribuir para estar à altura do mundo. E ainda nos dá música e deixa várias sugestões culturais para este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

André Barata (parte 1): “Defendo o direito a um rendimento para todas as pessoas independentemente do trabalho"
O filósofo André Barata anda há muito a refletir sobre a importância de desacelerarmos. Em 2018 lançou o livro “E se Parássemos de Sobreviver? — Pequeno Livro para Pensar e Agir contra a Ditadura do Tempo”, editado pela Documenta. Este professor catedrático na Universidade da Beira Interior (UBI), a dirigir atualmente a Faculdade de Artes e Letras, defende que há uma aceleração artificial do tempo que vem desde a Revolução Industrial e que ganhou ainda mais força na era digital. Nestas suas reflexões considera que a sociedade deve “sair da armadilha da sobrevivência", que o rendimento das pessoas não deve depender do trabalho e que ainda há muito para descolonizar sobre o passado português. Ouçam-no aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Lua Caiano (parte 2): “Gosto muito dos momentos de silêncio para criar, mas também gosto muito do barulho da cidade para as minhas canções”
Ouça a segunda parte da conversa com a cantora e compositora Ana Lua Caiano, que aqui revela os seus desejos musicais mais urgentes, o dueto musical de sonho, os bastidores do seu projeto criativo, como encontra música no silêncio e deixa várias sugestões culturais para este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Lua Caiano (parte 1): “Não sou uma pessoa amargurada, mas as minhas canções refletem um lado mais negro ou perverso do mundo”
A compositora Ana Lua Caiano é uma das vozes mais aplaudidas da nova música portuguesa. A sua música junta tradição e modernidade, eletrónica e adufe no primeiro álbum, “Vou Ficar neste Quadrado”, lançado em março, com letras como arma contra a inação e o medo. Ana Lua Caiano é múltipla, desdobra-se em várias vozes, “beats” e instrumentos, numa espécie de “one woman show”. Ela soa a futuro e a ao mundo, sem perder de vista as sonoridades do passado. “Mão na Mão” é a sua canção mais popular, que anda de boca em boca a convidar a mexer os pés. Ouçam-na aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dulce Maria Cardoso (parte 2): “Ter-me tornado cuidadora da minha mãe é a experiência mais radical de tudo o que vivi. É devastador”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a escritora Dulce Maria Cardoso, que aqui revela as razões do adiamento do seu novo romance, o desenvolvimento da história da personagem Eliete, a relação com a escrita, os novos desafios pessoais que enfrenta e os prazeres que descobriu no campo. E ainda nos dá música e várias sugestões culturais para este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dulce Maria Cardoso (parte 1): “A arte é profundamente inútil no presente, mas é muito útil na construção de futuros”
Nome incontornável da literatura contemporânea portuguesa, Dulce Maria Cardoso é autora de cinco romances que lhe valeram inúmeros prémios. O livro “O Retorno”, de 2012, é uma das suas obras mais elogiadas e o último romance, “Eliete”, de 2018, é outro caso sério de popularidade, aclamado pela crítica e pelos leitores: venceu o Prémio Oceanos em 2019 e foi finalista do Prémio Femina. Uma obra com final em aberto, que faz parte de uma trilogia que aguarda o segundo volume. Para quando? É a pergunta repetida que a escritora escuta há seis anos. Um projeto adiado pela pandemia e por razões pessoais, que Dulce aqui revela. Ouçam-na aqui na primeira parte desta conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Augusto Santos Silva (parte 2): “A diversidade sempre foi o que nos fez. A pureza portuguesa não existe. A pureza era aquela coisa dos nazis.”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o ex-presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, que aqui responde sobre a fatura política que sofreu pela queda do governo, e as razões que não o levaram a ser reeleito deputado pelo círculo fora da Europa, dá conta da inquietação que há em si e dos seus planos futuros, e ainda comenta a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente e a crise das migrações. E ainda nos dá música, poesia e várias sugestões culturais para este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Augusto Santos Silva (parte 1): “A democracia precisa de mais perguntas que acabam com sinal de interrogação e de menos exclamações”
É o nº 2 no top dos governantes portugueses com mais tempo em funções. Acima dele, só António Costa. Em vários Governos socialistas tutelou cinco pastas: foi ministro da Educação, da Defesa, da Cultura, dos Assuntos Parlamentares e dos Negócios Estrangeiros. Até março deste ano foi o número 2 da hierarquia do Estado, tendo sido substituído por Aguiar-Branco. Augusto Santos Silva recusa a ideia que não foi reeleito deputado porque enfureceu o eleitorado imigrante no Brasil por fazer frente ao Chega, e dá conta que dedicará o seu estudo à nova geração de rapazes que parecem ser os novos rebeldes ultrarradicais de direita. Ouçam-no nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Cláudia Jardim (parte 2): “Tenho pavor da extrema-direita. É um monstro massificador de ignorância, ódio e repressão”
Oiça a segunda parte da conversa com a atriz e diretora artística da companhia Teatro Praga, Cláudia Jardim, que fala dos desafios da maternidade, revela o que lhe faz chegar a mostarda ao nariz e levantar a voz, dá conta que está apostada em viver uma vida menos acelerada, mais concentrada no presente e refere duas das notícias recentes que mais a perturbam no país e no mundo. E ainda nos dá música e lê um poema de Adília Lopes, seguido de um excerto do seu livro preferido, “A Noite e o Riso”, de Nuno Bragança, que Cláudia relê frequentemente como um mantra para a sua vida. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cláudia Jardim (parte 1): “O mundo está complexo. Mas, de vez em quando, há uma florzinha que surge do meio do estrume e isso é incrível”
Cláudia Jardim é sempre um acontecimento quando sobe a palco. Dona de uma voz que enche um teatro, as suas personagens transbordam com o seu carisma. Há mais de 25 anos que esta atriz e diretora artística faz da companhia Teatro Praga uma utopia a que chama “casa”. A sua história de vida dava um filme, ou uma peça tragicómica, com muitas lágrimas e gargalhadas. Quis ser freira, beijou a irmã Lúcia, foi beijada pela Beatriz Costa e perdeu a mãe no mesmo ano em que nasceu a sua filha. Cláudia afirma que lhe interessa o teatro e a arte que questiona o mundo, e que o seu atual grande medo é a ascensão da extrema direita. “Imaginemos que cai o governo e o Chega ganha as eleições. Quer dizer que a minha filha, dos 12 aos 16 anos, fase fundamental da formação de uma personalidade, viverá num país fascista. Isso não vai acontecer, não pode!” Oiçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça no podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Gabriela Moita (parte 2): “Há uma explosão histórica que falta acontecer, os homens aceitarem que não têm que corresponder à exigência de masculinidade”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a psicóloga clínica e sexóloga Gabriela Moita que aqui vai fundo nos velhos e novos desafios da sexualidade e do erotismo dos casais e de todas as pessoas e quais os melhores caminhos para chegar ao prazer e ao bem estar. E, nesta celebração dos 50 anos do 25 de abril, Gabriela dá conta de qual a revolução e libertação sexual que ainda falta fazer no país. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gabriela Moita (parte 1): “O erotismo é o prazer e o prazer está no corpo todo, da ponta do cabelo à ponta do pé. O maior órgão sexual é a pele”
Gabriela Moita é uma das grandes referências portuguesas na área da psicologia e sexologia e há mais de 30 anos que se dedica a refletir e a investigar sobre a forma como nos relacionamos com os outros, as questões de género, em particular da comunidade LGBTQIA+. Rosto habitual na televisão em programas como “Falatório”, “Estes Difíceis Amores” ou, mais recentemente, “Impaciência do Coração”, na RTP, aqui fala dos desafios amorosos e sexuais destes tempos e dá pistas de como sair da frustração, da ansiedade e do medo. Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Judite Canha Fernandes (parte 2): “O capitalismo está a transformar-nos em produtos de venda. Não sou e nunca serei um produto ou estrela pop”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a poeta, escritora e dramaturga Judite Canha Fernandes, que aqui fala da vida precária de quem vive da escrita, “um peixinho num mar de peixões” e da importância das bolsas literárias como bolsas de oxigénio para criar. Judite lê vários poemas, um deles dedicado à Palestina e ao horror que se passa em Gaza, e conta como o amor, a poesia e a literatura a movem. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Judite Canha Fernandes (parte 1): “Para vivermos da escrita é preciso atravessar uma cortina de pavor para a entrega ser comparável ao amor”
Foi já depois dos quarenta anos, quando uma doença a deixou a pensar na morte, que Judite Canha Fernandes decidiu largar a estabilidade que tinha, dar um salto de fé e começar do zero, para viver da escrita. Desde aí, tem publicado poesia, ficção e peças de teatro e passou a ser uma das novas vozes da literatura portuguesa a ter debaixo de olho. O seu romance de estreia “Um passo para Sul” foi logo distinguido com o Prémio Agustina Bessa-Luís em 2018 e o livro de poesia “O mais difícil do capitalismo é encontrar o sítio onde pôr as bombas” foi semi finalista no Prémio Oceanos em 2018. Judite afirma que tem muitos livros na cabeça, que o tempo lhe falta para os escrever, mas alerta para a importância do descanso e do ócio. “Com o capitalismo, andamos a esquecer-nos do ócio.” Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

José Carlos Malato (parte 2): “Toda a gente quer ter o seu próprio ‘talk show’ menos eu. Fui infeliz a apresentar o 'Sexta à Noite'. Foi traumático!”
Ouça aqui a segunda parte da conversa em podcast com o apresentador José Carlos Malato, que aqui revela o que gosta menos de ver e de fazer na televisão, como se defende dos egos mais inchados, o que lhe falta fazer em antena, e ainda deixa críticas à Igreja e um olhar sobre as revoluções por cumprir no país. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Carlos Malato (parte 1): “Tem sido uma vida inteira a navegar águas verdes sem fundo e a adiar o espelho. Deixei de beber, de sofrer por amor e já não me apetece morrer”
É um dos apresentadores mais populares e carismáticos da televisão. Rosto conhecido da RTP, fez antes percurso na rádio e foi voz de continuidade na SIC. Malato não esperava chegar aos 60 anos. Mas foi aos 60 que deixou de desejar a morte. “Pela primeira vez passei a drogar-me com a realidade sem precisar de aditivos.” Aqui revela as dores de sempre, os abusos na infância, o lado tóxico nas relações amorosas e as razões de se ter afirmado pessoa não-binária. Ouçam-no nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Gomes (parte 2): “Não é possível fingir que não se passam horrorosos crimes de guerra em Gaza contra o povo da Palestina. É preciso coragem política para reconhecer o Estado da Palestina"
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a política, comentadora e antiga eurodeputada do PS, Ana Gomes, que fala sobre os vários desafios e ameaças na Europa. Aponta uma solução para o fim da guerra na Ucrânia, considera que é urgente haver coragem política para ser declarado o Estado da Palestina como forma de travar o horror em Gaza e sobre a crise dos migrantes afirma: “Jamais votaria a favor deste ‘Pacto das Migrações’. Todos os socialistas que nele votaram estiveram mal. É uma vergonhosa cedência à extrema direita.” Oiça a segunda parte desta conversa no podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Gomes (parte 1): “Aguiar-Branco tem de exercer a autoridade perante as alarvidades que os grunhos do Chega dizem. Se isso se permite na Assembleia, permite-se no café ou autocarro”
Corajosa e combativa, há décadas que Ana Gomes é das vozes mais duras contra as trapaças dos poderosos e da extrema-direita. Em 2004 foi eleita eurodeputada pelo PS e ao longo de três mandatos em 15 anos, empenhou-se no Parlamento Europeu a criar respostas para a crise dos refugiados e para a corrupção. Em 2021 foi uma das candidatas a Belém por acreditar ser importante o país ter uma mulher na presidência. Desalinhada tantas vezes das posições do seu partido, afirma que Montenegro está a tirar partido dos erros de Costa, por ter feito um acordo com os professores e avançado com o aeroporto em Alcochete. “Só lamento que não tenham sido os socialistas a fazê-lo. Foi uma casmurrice de Costa.” Sobre as eleições europeias, diz “Não tenho espinhas em dizer que a vida de qualquer português hoje depende mais do que se passa no Parlamento Europeu do que no nacional.” Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça no podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Pedro Penim (parte 2): “Mudei-me para Istambul quando o meu marido era lá correspondente da BBC. O amor precisa de investimento”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o ator, encenador, dramaturgo e diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, que fala sobre como os seus espetáculos põem a nu as suas maiores inquietações, com as respetivas nuances. Pedro Penim revela os desafios da paternidade e do processo longo e difícil que viveu com o marido recorrendo a uma mãe de substituição. E conta também a história de amor que o levou a colocar o trabalho em suspenso para ir viver junto com o companheiro durante uns tempos em Istambul e Roma. Por fim dá-nos música e lê brilhantemente um excerto de “O amor dos homens avulsos”, de Victor Heringer. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Pedro Penim (parte 1): “O que me move no teatro são os aplausos e o terreno de experimentação sobre o agora, fértil e perigoso, em forma de arte”
É o atual diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II e acaba de repor o espetáculo “Casa Portuguesa”, em cena até 7 de julho, no Maria Matos, em Lisboa. Uma peça escrita e encenada por si após as duras críticas por se afirmar gay quando ocupou o atual cargo. Em cena pôs em discussão os ideais tradicionais de casa, de família, de género, tendo como pano de fundo os acontecimentos recentes da nossa democracia e a mais dolorosa ferida da nossa História, a guerra em África. Sobre a discussão levantada pelo Presidente de uma reparação histórica às antigas colónias, afirma: “É um assunto importante e espinhoso, porque estamos a falar de massacres cometidos em nome do nosso país e dos quais continuamos a beneficiar. A riqueza deste país fez-se dessa exploração e matança”. Oiça aqui a primeira parte da entrevista.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Guerra Tadeu (parte 2): “A violência contra imigrantes no Porto vem da fragilidade do homem branco com medo de não ser o rei do mundo”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a ativista pela justiça climática “Ambientalista Imperfeita” que aqui fala de feminismo e ativismo intersecional, comenta o horror em Gaza a que o mundo assiste em direto, e a importância de haver mais pessoas a protestar nas ruas a exigir um cessar fogo de Israel. Joana Guerra Tadeu fala ainda das motivações racistas e xenófobas a imigrantes, que nada têm a ver com a alegada insegurança provocada por estas comunidades, partilha os desafios da maternidade, como começou a sua nova história de amor com um amigo de infância e refere as músicas e leituras que a acompanham. Boas escutas! See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Guerra Tadeu (parte 1): “É preciso fechar estradas, atirar tinta ao poder e às empresas que atacam o clima e a Humanidade que quer ter um futuro”
Desde 2015 que a ativista pela justiça climática, Joana Guerra Tadeu, se dedica em exclusivo ao ambientalismo e a produzir conteúdos e ações de sensibilização sobre clima, sustentabilidade e direitos humanos. Na RTP3 apresentou “Verdes Anos” e, na Antena 3, conduziu o podcast “Ambientalista Imperfeita”, que é o cognome por que é conhecida nas redes sociais. Apoiante das várias acções dos jovens estudantes pelo fim do genocídio na Palestina, e pelo fim do uso do fóssil, chega a afirmar nesta primeira parte do episódio: “A moderação é contraproducente perante uma crise climática urgente”. Oiça aqui a primeira parte da entrevista a Bernardo Mendonça. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Vale de Almeida (parte 2): “Fui o deputado 'testa de ferro' para o casamento igualitário. Só voltaria à política se houvesse um novo movimento que precisasse de mim numa situação de emergência”
Nesta segunda parte, o antropólogo Miguel Vale de Almeida responde a um audio surpresa da amiga e deputada do PS, Isabel Moreira, vai mais a fundo sobre o que importa discutir sobre o passado colonial e as mudanças a fazer no presente, recorda a sua experiência na Assembleia da República, enquanto deputado independente do PS, fala dos desafios da Europeias, dos desconfortos ou desencontros com o espelho, e do futuro que deseja para a sua filha Salomé, de 15 anos. E partilha ainda algumas das músicas que o marcaram na fase mais efervescente da sua juventude, lê um excerto do livro “Pedra Branca”, que escrito em co autoria com Ethel Feldman, que lhe valeu o Grande Prémio de Literatura Biográfica Miguel Torga, e dá pistas sobre o amanhã glorioso que deseja para si. Boas escutas! See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Vale de Almeida (parte 1): “A reparação histórica que importa é a dos efeitos do colonialismo, é a desigualdade de oportunidades por causa do racismo”
Miguel Vale de Almeida foi durante dois anos deputado do PS e a figura que esteve à frente da aprovação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2010. Doutorado em antropologia, as questões de género e sexualidade, assim como o pós-colonialismo, a etnicidade e conceito de ‘raça’ estão no centro da sua investigação. Professor catedrático do ISCTE, ativista dos direitos LGBT e autor premiado, é da opinião que “vivemos um assalto às liberdades por pessoas que nunca se deram bem com a liberdade dos outros” e considera que o que importa reparar na nossa sociedade é que há “uma divisão racista no acesso à igualdade de oportunidades, que vem do colonialismo.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tiago Rodrigues (parte 2): “Faço teatro a aproveitar a imperfeição e a rugosidade da tentativa como força vital. Não quero saber de rodapés, quero é janelas abertas”
Nesta segunda parte do episódio, o encenador e dramaturgo Tiago Rodrigues responde aos áudios surpresa da atriz Isabel Abreu e do diretor artístico da Culturgest, Mark Deputter, e revela como lida com a falha e a integra como vantagem na sua vida e nas suas criações. Fala ainda de como a sua experiência e gosto pelo jornalismo o tem ajudado a ter um certo olhar na escrita teatral, e partilha um certo truque que transporta consigo, que faz com que as pessoas acreditem da maneira que acreditam quando estão ao seu lado nas suas criações. Há ainda tempo para Tiago ler - de forma magistral - um artigo assinado pelo seu pai, o jornalista Rogério Rodrigues (um texto insólito, sofisticado e enxuto que deu origem à música “Teresa Torga”, de Zeca Afonso). E poderão ouvir algumas das músicas que o acompanham. Que novas histórias andam na sua cabeça para irem parar a palco? Qual a sua palavra em francês preferida? De que pequenas belas coisas são feitos os dias do Tiago? Tudo para escutarem nesta segunda parte. Boas audições!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tiago Rodrigues (parte 1): “Para escrever o discurso mais perfeito de um fascista passei horas a estudar como eles mentem e manipulam. E passei horas a tomar duche para me libertar”
Quatro anos após a estreia do premiado espetáculo “Catarina e a Beleza de Matar Fascistas”, o ator, encenador, dramaturgo e atual diretor artístico do Festival de Avignon, em França, Tiago Rodrigues, acaba de publicar o seu texto da peça em livro, pela Tinta da China. Na memória de quem a viu ficou a ressoar o discurso final de um fascista, que provocava a ira do público, e levantou uma rica discussão sobre a democracia e as suas ameaças. Nesta conversa, feita no rescaldo do espetáculo “Na Medida do Impossível”, na Culturgest, em Lisboa, sobre as experiências limite de profissionais humanitários em situações impossíveis, Tiago Rodrigues, Prémio Pessoa em 2019, reflete sobre as revoluções que faltam fazer para a saúde da democracia nos 50 anos do 25 de Abril. A segunda parte desta entrevista sai no dia 27 de abril. O podcast 'A Beleza das Pequenas Coisas' tem o apoio da DS Automobiles.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Paula Tavares (parte 1): “É preciso virarmos a mesa. Não havia nenhum romantismo nesse passado que provocou grande sofrimento sobre as mulheres”
Após a independência de Angola, a guerra continuou e Paula Tavares fugiu muitas vezes, mas escreveu e ensinou sempre. Tinha 33 anos quando publicou o seu primeiro livro de poesia, “Ritos de passagem”, em 1985. A obra foi catalogada de imprópria para senhoras de bom nome e bom porte. Porque a sua poesia rasgava com a ideia de mulher-continente, dando-lhe corpo, identidade e sexualidade. Mas é hoje uma das vozes literárias mais amadas e destacadas de Angola, com diversas antologias poéticas publicadas no mundo. O seu último livro, “Poesia Reunida - seguido de Água Selvagem”, saiu em 2023, pela Caminho, e é um tremor poético. Enquanto historiadora e professora da Faculdade de Letras, em Lisboa, assina Ana Paula Tavares e colabora atualmente com a RDP África. “Um bom poema deve conter simplicidade, que o faz sobreviver ao tempo. Cada dia com menos palavras, cada palavra com menos sílabas só para poder ouvir os sopros.” Ouçam-na aqui nesta conversa em podcast com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Paula Tavares (parte 2): “A velhice tem-me ensinado a virtude da lentidão. Ajuda a sermos mais perfeitos e a termos mais atenção pelas coisas”
Na segunda parte desta conversa, a poeta e historiadora Ana Paula Tavares começa por responder a uma pergunta colocada pelo amigo e escritor angolano Ondjaki. Se pudesse fazer uma pergunta a um dos seus mortos, que pergunta seria? E a quem faria essa pergunta? E, já agora, tem algum grande arrependimento? Há ainda espaço para ouvir alguns poemas de Paula Tavares, para conhecer as músicas que a acompanham e descobrir o que a idade lhe tem ensinado. Que sonhos Ana Paula Tavares ainda tem por cumprir e a que livros e poemas regressa sempre? Escutem-na com tempo. E poesia. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Raquel Freire (parte 1): “Há uma parte da população que gostaria de voltar à ditadura fascista. Nem pensem. Somos muitas mais a querer liberdade e democracia!”
Raquel Freire é uma cineasta e argumentista que acredita profundamente no poder do cinema na construção da liberdade e de mundos novos. E filma o que a incomoda, o que a apaixona, o que a inquieta e o que quer mudar e libertar no país. Autora de uma vasta filmografia e do recente “Mulheres do meu país”, que passou na RTP, a cineasta alerta para o facto do cinema ter sido realizado até agora maioritariamente “por homens para homens”. Como contraponto aos heróis de Abril, Raquel prepara neste momento a longa metragem “Mulheres de Abril”, sobre as heroínas que lutaram pela liberdade em Portugal e em África. “Perguntei a várias destas mulheres antifascistas, como lidavam com o medo em momentos críticos. Quando tinham a Pide atrás, estavam a fugir ou foram torturadas. Elas pensavam nos sonhos que tinham e no que queriam, respiravam fundo dez vezes e continuavam. Recentemente, quando tive um linfoma, e senti medo da doença, fiz o mesmo que elas.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Raquel Freire (parte 2): “Sou uma radical do amor. É através do amor que vivo, que me exprimo, e é a luz que me guia em todas as minhas acções”
Na segunda parte deste episódio, a cineasta Raquel Freire responde emocionada ao testemunho do irmão Vasco. Qual a sua próxima revolução? Quais são as revoluções que importa fazer agora nos 50 anos do 25 de abril? Raquel Freire partilha como enfrentou a doença oncológica que descobriu ter no final do ano passado, deixa um elogio ao SNS e conta como superou o medo, com o apoio do irmão, da família e das suas amizades. “A todas as pessoas que passam ou que um dia passarem por isto, não se isolem”, afirma. Raquel repete com a escritora, poetisa e ativista Maya Angelou a frase “Não trocaria esta jornada por nada.” Mas Raquel acredita que é possível criar mundos novos com o cinema e planeia filmar até aos 100 anos. Raquel Freire conta ainda aqui um pouco do que poderá ser visto no filme e série “Mulheres de Abril”, com estreia marcada para 2025, que acaba de receber o apoio do ICA. E ainda partilha as músicas que a acompanham, lê um excerto do livro “Tudo do amor”, de Bell Hooks, e outro texto de Audre Lorde, que tem sido um mantra para si: “Quero viver o resto da minha vida, seja ela longa ou curta, com o máximo de gentileza que conseguir gerir decentemente, amando todas as pessoas que amo e fazendo o máximo que puder do trabalho que ainda tenho para fazer. Vou escrever fogo até que ele saia dos meus ouvidos, dos meus olhos, do meu nariz - de todo o lado. Até que seja cada respiração minha. Vou-me libertar como um maldito meteoro!” Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.