
A Beleza das Pequenas Coisas
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Hugo van der Ding (parte 2): “Nos dias maus é no humor onde vou buscar força. Mas se estou mal, danço, leio, choro e dou espaço à tristeza"
Há quatro anos que Hugo van der Ding anima as manhãs da Antena 3 com a rubrica 'Vamos Todos Morrer', através de notas necrológicas de figuras dignas de antologia que trazem conhecimento e gargalhadas em doses generosas. Figura popular pelas tiras humorísticas como 'A Criada Malcriada', 'Cavaca para Presidenta' ou 'Juliana Saavedra, a psicanalista que deixa os pacientes na merda', Hugo não é tipo de rótulos, nem de um talento só: tem feito teatro, televisão, livros e assinado inúmeros programas na rádio e em podcast. Destaque para o 'Vamos para a Tua Terra', onde todas as semanas nos dá a conhecer um país, ou uma parte do mundo, através dos olhos de quem lhe chama a sua casa de partida. E através destas conversas desmonta o insulto que a extrema-direita tem usado como arma contra migrantes, refugiados ou pessoas racializadas. “Quando alguém grita ‘vai para a tua terra’ sabe lá o que essa pessoa passou para chegar ao que achamos que é a nossa terra. Se ouvirmos as suas histórias de vida, acredito que seremos todos melhores.” Prestes a terminar o primeiro romance, Hugo avisa: “Quero retirar-me das coisas que me obrigam a aparecer, ir morar para o campo e viver mais da escrita.” Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo Mendonça See omnystudio.com/listener for privacy information.

Hugo van der Ding (parte 1): “Se perdermos tempo a desmontar o sexismo, homofobia, racismo, as pessoas chegam lá. É o que quero fazer com a minha voz"
Há quatro anos que Hugo van der Ding anima as manhãs da Antena 3 com a rubrica 'Vamos Todos Morrer', através de notas necrológicas de figuras dignas de antologia que trazem conhecimento e gargalhadas em doses generosas. Figura popular pelas tiras humorísticas como 'A Criada Malcriada', 'Cavaca para Presidenta' ou 'Juliana Saavedra, a psicanalista que deixa os pacientes na merda', Hugo não é tipo de rótulos, nem de um talento só: tem feito teatro, televisão, livros e assinado inúmeros programas na rádio e em podcast. Destaque para o 'Vamos para a Tua Terra', onde todas as semanas nos dá a conhecer um país, ou uma parte do mundo, através dos olhos de quem lhe chama a sua casa de partida. E através destas conversas desmonta o insulto que a extrema-direita tem usado como arma contra migrantes, refugiados ou pessoas racializadas. “Quando alguém grita ‘vai para a tua terra’ sabe lá o que essa pessoa passou para chegar ao que achamos que é a nossa terra. Se ouvirmos as suas histórias de vida, acredito que seremos todos melhores.” Prestes a terminar o primeiro romance, Hugo avisa: “Quero retirar-me das coisas que me obrigam a aparecer, ir morar para o campo e viver mais da escrita.” Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabela Figueiredo: “Escrevo sobre assuntos que partem da minha ferida aberta. Eu enfio-me dentro dos meus livros"
Com o novo romance, “Um Cão no Meio do Caminho”, a escritora Isabela Figueiredo aponta desta vez o foco a um dos grandes males da vida moderna, a solidão que mora nas periferias dos grandes centros. Desta vez, as personagens estão menos coladas a si, mas continuam a dar corpo e voz a muitas das feridas a que Isabela sempre regressa para curar. “A escrita ajuda-me muito a fazer terapia”. E, neste podcast, a escritora assume que as suas obras não têm escapado às discussões “woke” no meio literário internacional. “No meu livro 'A Gorda', se lhe fosse amputado o título e todas as referências a ‘gordas’, desapareceria como obra. E também percebo que ofende as pessoas quando leem “os pretos” no Caderno de Memórias Coloniais. “É uma questão que me colocam muito em França e na Alemanha. Mas escrevi-o com olhar crítico. Não posso amputar a História do que existiu, do que foi. É uma ginástica difícil”. Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mia Tomé: “Cresci a destoar do que era a norma, por causa do meu corpo, cara e voz. Essas impedições fizeram-me voar de outra forma”
Mia Tomé deu voz aos poemas do disco de vinil “Projeto Natália”, que acaba de ser lançado para celebrar o centenário de Natália Correia, com o músico Mário George Cabral. Aos 28 anos, a atriz tem-se dividido entre o cinema, o teatro e a rádio, e atualmente conduz o podcast “Por uma canção”, na Antena 3, onde dá a conhecer as bandas sonoras do teatro português. A ultimar um projeto audiovisual filmado no Arizona, nos EUA, sobre as “Mulheres do Oeste Americano” desvalorizadas na história, Mia está determinada a criar mais lugares para o universo feminino, fora dos sonhos. “Os sonhos são para quem está a dormir. Se estão a dormir as coisas não acontecem. É preciso acordar e fazer pela vida!”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial com Alberto Pimenta: “Não me considero em nenhuma lista de bem pensantes e bem falantes. Sou alguém à procura de quem sou”
bonusVoltamos a republicar uma das conversas mais marcantes do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, esta com o escritor e poeta Alberto Pimenta. A gravação foi feita no arranque de 2020, antes da pandemia, na sala do apartamento de Alberto Pimenta. Tudo começa com uma simples pergunta: “Para que serve a poesia?” A resposta segue tão desconcertante e maravilhosa quanto é a sua poesia e personalidade. Eterno experimentalista e artista de vanguarda, deu que falar nos anos 70, numa performance em que entrou numa jaula de chimpanzé, no Jardim Zoológico de Lisboa, exibindo uma tabuleta com a palavra “Homem”. Autor de vasta obra, o seu livro mais icónico é “O Discurso sobre o Filho da Puta”. E afirma: “Há muitos. Estão dispersos. Estão na política, sobretudo. Naturalmente nas Forças Armadas.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Francisco Louçã: “Há irritantes em Portugal que acham que as pessoas vivem melhor se tiverem menos, se o salário for pior”
O economista e professor universitário Francisco Louçã considera que se o país fosse agora a votos o BE dobraria o número de deputados, apesar de as sondagens indicarem queda de dois pontos, mas assume que a recuperação da fratura pelo chumbo do seu partido ao OE é lenta. Louçã, que foi fundador e coordenador do BE de 2005 a 2012 - ainda antes da “Geringonça” - apelida como “bacoco” o orgulho do Governo pelas contas certas, alerta que Costa está a coroar Ventura como o líder da direita e deixa recado: “Costa abre caminho para um Governo PSD-Chega.” Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Clara Não: “Sou uma mulher ‘queer’. Não me importa o genital da pessoa, nem o género com que se identifica para me relacionar”
É uma das vozes feministas portuguesas da nova geração com mais destaque. Através dos seus desenhos e escritos, a ilustradora e ativista Clara Não alerta as mulheres a lutarem pelo descanso, relações amorosas e sexuais saudáveis, igualdade de direitos e amor-próprio. E usa a arma do humor e ironia para desmontar preconceitos, discriminações, machismos, racismos e outros ‘ismos’, muitas vezes através de experiências pessoais que relata nas crónicas no Expresso ou no Instagram. "Já se vê jovens, especialmente mulheres, com consciência sobre o que é feminismo, mas são pequenas ilhas de luz.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Inclusão: até que ponto a frase “todos diferentes, todos iguais” se sente na lei e no quotidiano das pessoas com deficiência?
Portugal tornou-se no primeiro país europeu a aprovar uma estratégia nacional para as pessoas com deficiência e, a partir deste ano, as empresas com mais de 100 trabalhadores passaram a ser obrigadas a integrar pessoas com um grau de incapacidade igual ou superior a 60%. Mas o caminho para a inclusão é longo. Para discutir connosco estes temas recebemos em estúdio a Secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, a nutricionista e consultora para a diversidade e inclusão Catarina Oliveira e o co-fundador da “Access Lab”, Tiago Fortuna. A SE aponta para uma certa “cegueira branca” que persiste na sociedade perante a diferença, e deixa o aviso sobre a lei das quotas. “Tenham mesmo medo porque vem aí a multa. Vamos ser implacáveis com isto.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Daniel Sampaio: “Este discurso da Igreja velha não é empático. É o mais terrível, o “pedimos perdão” não se sente que é sincero”
Seis semanas depois da apresentação do relatório da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa, são muitas as dúvidas sobre a estratégia que a instituição tomará depois do terramoto de denúncias. O médico psiquiatra Daniel Sampaio, que integrou a Comissão, aponta críticas ao clericalismo no poder e espera mudanças. "O discurso da Igreja velha não é empático. Talvez seja a característica mais terrível. O discurso é “pedimos perdão”, “vamos indemnizar”, “vamos estar atentos”, mas não se sente que é sincero. O que se traduz numa ausência de medidas." E acrescenta uma inquietação? "Que apoio psicológico as vítimas estão a ter? Zero. Ninguém fala das vítimas desamparadas.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cláudia Varejão: “O cinema é um lugar de libertação. E se a vida fosse assim? Os meus filmes são possibilidades de fazer diferente”
Em 2022, com a longa-metragem “Lobo e Cão”, a cineasta Cláudia Varejão recebeu o prémio principal da secção “Dia dos Autores”, no festival de Cinema de Veneza. Um filme que aponta a câmara a jovens “queer”, com orientações sexuais e identidades de género diversas, que vivem numa comunidade pobre e opressiva da ilha de São Miguel, nos Açores. A poucos dias da 95ª cerimónia dos Óscares, quando questionada se esse troféu está no horizonte, responde: “Um Óscar? Seria uma trabalheira. O que mais desejo é poder morrer a filmar, e estar insatisfeita e curiosa até ao fim."See omnystudio.com/listener for privacy information.

Pilar del Rio: “Não sou dócil, nem servil com o sistema patriarcal”
Depois de um ano intenso de celebração do centenário de José Saramago, que levou a obra do Nobel da Literatura a todo o mundo, pelas mãos de Pilar del Rio, que preside à Fundação Saramago, a jornalista fala agora do seu livro, “A Intuição da Ilha”. Uma obra que desvela os bastidores dos anos passados em Lanzarote. E aqui comenta sobre os abusos da Igreja, os perigos da crise social e climática, o “terrorismo do machismo”, o direito à Eutanásia e a importância da linguagem inclusiva para nomear os vários géneros e identidades. “A violência de género é a coisa mais repugnante que se está a passar. Elas sofrem em nome das pátrias, do patriarcado, de Deus, em todas as civilizações e culturas.” E deixa um recado para a Igreja: “Os padres devem poder ter relações sexuais e casar-se uma, duas, três, cinco vezes. Como todos nós podemos. E, ao se permitirem relações normais, deixará de haver estes atos criminosos, canalhas e imorais que é o abuso de menores e pessoas dependentes.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nuno Baltazar: “Não precisamos de tanta roupa. Não é só o lixo em que se transformam, é o lixo de onde vêm à custa de mão-de-obra imoral”
Há mais de duas décadas que Nuno Baltazar é um dos nomes mais interessantes e incontornáveis da moda de autor portuguesa. As mulheres são o mar profundo que norteia as suas criações e que lhe valeram inúmeros prémios, como o Globo de Ouro de melhor designer do ano, em 2013, e a comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 2015. Para ele a beleza tem muitas formas. “Sempre achei a falha e o desequilíbrio fascinantes, porque é humano, tem camadas. A perfeição é aborrecida.” Em 2019 bateu com a porta do Portugal Fashion e afirma ter ganho ar. “O Portugal Fashion é um trampolim para uma carreira política dos dirigentes da ANJE. E os criadores de moda vestem um papel ingrato. Estava a ser destratado. Aprendi que quando temos a coragem para ter voz passamos a ser mais respeitados.” No próximo dia 12 de março, Nuno Baltazar apresenta a sua 38ª coleção, pelas 19h30, na Moda Lisboa, em Marvila. Uma criação a que chamou “Transverse”, a cruzar a cultura popular com a cultura queer, numa reflexão sobre os novos movimentos identitários.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Luca Argel: “O passado colonial é uma ferida não tratada, está na origem de desigualdades e boa parte da sociedade está em negação”
Há semanas o cantautor luso-brasileiro Luca Argel assinou no jornal “Público” a crónica “Peça desculpas, senhor Presidente”, dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa - que virou canção - como um pedido de reconhecimento das raízes de velhos problemas assentes no colonialismo português. “É olhando para o passado que a gente compreende o presente e projeta o futuro.” O seu álbum “Samba de Guerrilha”, de 2021, é a prova que as canções de intervenção podem ser samba e sonhar transformações sociais. “A arte estará a cumprir o seu maior potencial quando desconforta e comove. Gosto da música que confronta.” Autor de inúmeros livros de poesia - publicados em Portugal, Espanha e Brasil - Luca tem dado que falar com o tema “Países que ninguém invade” que cantou em dueto com “A garota não” e lança agora novo disco, “Sabina”, dia 22 de fevereiro, com canções solares e dançantes que evocam os corpos invisíveis da vida quotidiana.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuel Moreira: “Todas as revoluções são recebidas com resistência. Às vezes, tem de se gritar, invadir, reclamar espaços vedados a grupos”
É ator e uma das vozes críticas no espaço de debate “Malditas Segundas-Feiras”, na SIC Notícias, a ocupar um lugar até agora pouco habitado. Rosto conhecido de várias séries e novelas, e com larga experiência no teatro, Manuel Moreira integra o elenco da peça “O Misantropo – por Hugo van der Ding e Martim Sousa Tavares a partir Molière” que fará parte da digressão “Odisseia Nacional”, do Teatro Nacional D. Maria II. Neste episódio, o ator faz reparos ao Governo sobre a forma como tem gerido a crise na Habitação ou na Cultura, e estranha que o chamem de ‘ativista’. Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rafael Morais: “Quero ser um ator e uma pessoa em vertigem. Quero explorar os limites, correr riscos. Prefiro falhar seguindo o instinto”
No grande ecrã ele dá vida ao pintor modernista Amadeo de Souza-Cardoso, no filme biográfico “Amadeo”, realizado por Vicente Alves do Ó. Mas Rafael já provou ser camaleão. E se é convincente no corpo de Amadeo, foi igualmente brilhante a interpretar ‘Joca’, um pequeno traficante cadastrado, em “Sangue do Meu Sangue”, de João Canijo, ou enquanto irmão apaixonado pela irmã no filme “Como Desenhar Um Círculo Perfeito”, de Marco Martins - que lhe valeram nomeações para os Globos de Ouro. Na Netflix deu que falar nas séries “White Lines” e “Glória”, entra agora em “Rabo de Peixe”, e poderá ser visto nos filmes de João Canijo “Mal Viver” e “Viver Mal”, no filme “Pátria”, de Bruno Gascon; e no filme “A Cup of Coffee and New Shoes On”, de Gentian Koçi, escolhido como candidato oficial da Albânia para os Óscares. O futuro é dele. “Gosto do cinema que vira o espelho, que incomoda, provoca e abana.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jessica Athayde: “Durante anos quis ser protagonista de novela. Sentia desvalorização. Agora quero ir para fora e representar em inglês”
É das atrizes com mais palco nas redes sociais, com mais de um milhão de seguidores. E há muito que deixou de temer posicionar-se sobre temas que dividem opiniões. Já foi notícia pelo seu combate aos distúrbios alimentares, pelas agressões que sofreu por não corresponder ao “corpo perfeito”, por assumir uma depressão pós-parto, ou pela forma como educa o filho Oli. Há dois anos a atriz decidiu bater com a porta da TVI, cansada da máquina trituradora das telenovelas, em busca de outras oportunidades. E tudo mudou quando Bruno Nogueira a convidou para a série “Princípio, meio e fim”, na SIC. Daí, veio o cinema, com o “Pai Tirano”, a série “O Clube”, na SIC, e o teatro, na peça “Dois+Dois”, sobre os limites do amor, do sexo e da fidelidade, em cena no Villaret, em Lisboa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Aresta: “Nós, pessoas gays, lésbicas, bi, trans, intersexo, não binárias, não somos anedotas, somos poderosas!”
A presidente da ILGA Portugal considera que, apesar dos grandes avanços na lei, o país é ainda “muito homofóbico e transfóbico”, com base em recentes relatos e estudos sobre a violência e discriminação contra estas comunidades nas famílias, escolas e outras instituições portuguesas. “Só entre 2020 e 2021 os pedidos de apoio à vítima na ILGA aumentaram 60%.” Ana Aresta alerta, no entanto, que a comunidade trans é a mais vulnerável de toda a sigla. “No caso das pessoas trans, migrantes, racializadas, nem a nossa legislação as salva. E estão a ser usadas como arma da extrema-direita para atacar os direitos humanos.” Nesta conversa, Ana Aresta explica como o ativismo a ajudou a ‘sair do armário’ e conta pela primeira vez publicamente como a psicoterapia a ajudou a tratar de feridas profundas do passado. “Percebi que tinha guardado no subconsciente um cenário de abusos sexuais na infância. Estou num processo de reconquista da minha intimidade.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial ao vivo 50 anos de Expresso com Dulce Maria Cardoso e Kalaf Epalanga
bonusA escritora e cronista Dulce Maria Cardoso e o escritor, músico e produtor Kalaf Epalanga estiveram presentes na celebração dos 50 anos do Expresso na Conferência “Deixar o Mundo Melhor”, na Fundação Champalimaud, para falarem sobre os temas que consideram essenciais no debate público. Dulce diz-se preocupada com a emergência climática, “porque sem planeta, os outros temas perdem a importância”, a globalização e novas formas de colonialismo, a crise económica, inflação e perda de poder de compra. Kalaf Epalanga acrescenta a preocupação pela verdade alternativa, “a mentira transformada em verdade que tem elegido tantos políticos". Esta conversa teve lugar na histórica mesa de reuniões, na qual - desde a primeira edição a 6 de janeiro de 1973 - são decididas as manchetes do Expresso.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial 50 Anos de Expresso com Aldina Duarte e Valter Hugo Mãe
Bernardo Mendonça apresenta um episódio especial d'A Beleza das Pequenas Coisas com a cantora Aldina Duarte e o escritor Valter Hugo Mãe ao vivo no auditório da Fundação Champalimaud na celebração dos 50 anos de Expresso.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Ano Novo Cruzeiro Seixas: “É preciso uma grande percentagem de loucura para se viver. Quem não a tem já nasceu morto”
bonusVoltamos a republicar uma das conversas mais marcantes do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, esta com o pintor e poeta Cruzeiro Seixas, gravada em fevereiro de 2017, no quarto onde ele viveu, na Casa do Artista, nos últimos anos de vida. No momento em que conversámos, Cruzeiro Seixas era já o último representante vivo do surrealismo português e esta foi uma das suas últimas entrevistas. Aqui abre o livro e revela que Mário Cesariny foi o homem que mais amou. “Ainda me faz muita falta...”. Com uns admiráveis 96 anos, Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas afirmou também neste podcast que só vivera metade do que queria e que mantinha sempre a curiosidade pelo amanhã. “Viver é uma loucura espantosa. É a maior loucura.” Sobre o passado, lamentava ter sido mais perseguido após a revolução, “enquanto o Partido Comunista esteve no poder”. A ideia de partir desta vida não o assustava. “Não estou preocupado para onde vou. Já andei por céus e infernos cá por este lado.” Esta é pois uma conversa rara e especial que recordo com bastante saudade e que vale mesmo a pena ouvirem ou recordarem. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

*Especial Natal* Maria Teresa Horta: “Os poemas continuam a assaltar-me em alturas impróprias”
bonusVoltamos a republicar uma das conversas mais marcantes do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com a escritora e poetisa Maria Teresa Horta, gravada em novembro de 2019, na sala da sua casa. Feminista e insubmissa, ela é uma das poucas poetisas portuguesas a afirmar o desejo na sua escrita, e sempre lutou pela liberdade. Autora de obras polémicas, como “Ambas as Mãos sobre o Corpo”, “Minha Senhora de Mim” e “Novas Cartas Portuguesas” (esta última assinada com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, conhecidas como “As Três Marias”), que escandalizaram um certo Portugal puritano, valeram à escritora um espancamento na rua e a quase prisão. Diversas vezes premiada, aqui fala do último livro “Quotidiano Instável”, que reúne as crónicas que escreveu no jornal “A Capital” entre 1968 e 1972. Um quase romance, que descola da realidade para contar vida(s). E, neste episódio, a poetisa fala do seu desassossego que a deixa acordada a escrever madrugadas inteiras e conta algumas páginas do bom livro que a sua vida de daria. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Djaimilia Pereira de Almeida: “É um ato político e de coragem eu, mulher negra, acordar, beber um café, fumar três cigarros e escrever”
A crítica acarinhou-a logo em 2015 quando se estreou com o romance “Esse Cabelo”, depois foi distinguida com o Prémio Oceanos 2019 com “Luanda, Lisboa, Paraíso”, e, em 2020, teve direito ao segundo lugar do mesmo prémio com “A Visão das Plantas”. Nascida em Luanda, Djaimilia Pereira de Almeida cresceu nos subúrbios de Lisboa. Deixa claro que não quer que a sua literatura encaixe em rótulos e que nela obtém prazer e cura. “A escrita trata das minhas dores todas. Quando tenho um problema que me angustia, uma pergunta que me aflige ou uma dor qualquer, o que faço é escrever. Escrever lava-me.” Djaimilia acaba de publicar “Ferry” (ed. Relógio D’Água), sobre um amor que é uma ilha à prova de sonhos afundados. “A verdade é que a maioria das pessoas passa a vida à procura de relações assim.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabél Zuaa: "As pessoas dizem 'ah, fez-lhe a vida negra...' Se lhe fez a vida negra, fez-lhe a vida boa. Porque ser negra é bom!"
É uma das atrizes portuguesas mais prestigiadas no Brasil e anda há mais de uma década entre travessias no cinema, dança, teatro e performance. Largamente premiada no grande ecrã, este ano recebeu uma menção honrosa no Los Angeles Brazilian Film Festival pelo filme “A Viagem de Pedro”, de Laís Bodanzky. No teatro, as suas co-criações “Aurora Negra” e “Cosmos” trouxeram um novo movimento que aborda a arte como possibilidade de reparação histórica e agitação de consciências. “É dever de um artista refletir sobre os seus tempos, como dizia Nina Simone. Em tudo o que faço quero estar com as minhas fragilidades e fortalezas e reverberar com a ficção sobre o presente e futuro para nos libertarmos e curarmos.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Hilda de Paulo: “Não é esperada a intelectualidade das pessoas trans, nem da preta retinta. Vivemos ainda o eco do colonialismo”
É artista multidisciplinar, curadora, investigadora, escritora, poeta e afirma-se como “travesti terceiro mundista e transfeminista”. No início deste ano apresentou no Porto a palestra-performance-oficina “O que vem depois da Esperança”, onde reflete de forma crítica como as pessoas trans têm sido representadas com base no preconceito ao longo dos tempos no imaginário português. Em julho assinou no Expresso o artigo de opinião “A Revolução inicia-se na Educação: “A Navalha Mais Afiada Contra a Transfobia é o Conhecimento”. Neste episódio, conta as muitas lutas, travessias e violências que superou até aqui chegar e deixa um olhar para o futuro: "Quando se fala da dificuldade das pessoas trans de procurarem emprego, a realidade não bate com a lei. Uma maior entrada de pessoas trans nas universidades será extremamente poderoso. É preciso pensarmos nessa transformação." See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marta Rebelo: "Salazar dizia: 'Fado, Futebol e Fátima' e a mentalidade dos políticos não mudou neste Mundial do Catar"
Tornou-se conhecida enquanto deputada do PS, entre 2005 e 2009, mas nos últimos anos, após superar uma grande depressão, tem-se dedicado a alertar a opinião pública para a urgência dos cuidados das doenças mentais. "O Governo ainda não encarou este tema com a seriedade que merece. Estima-se que pelo menos 40% das pessoas com sintomas de problemas mentais não tenham resposta médica. A pandemia da saúde mental é tão grande que ignorá-la é maluquice!" Atualmente a trabalhar como consultora de comunicação digital, Marta Rebelo recorda nesta conversa as várias discriminações que sofreu no Parlamento, e afirma que tem um “desamor à carneirada” e ao “preconceito mansinho à portuguesa”. A propósito da reportagem de investigação da SIC “Quando o ódio veste farda”, deixa o recado: "Os poderes públicos estão a falhar na seleção e formação das pessoas para as forças de segurança. Não acho normal que uma pessoa racista seja polícia. Um polícia tem a função de manter a segurança de todos os portugueses, com neutralidade. E alguns comportam-se como bandidos".” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Susana Peralta: “O país é bafiento ao nível da misoginia, não é inclusivo para minorias. Está ainda dominado pelo 'mainstream' engravatado”
Ela é uma das mais interessantes comentadoras da atualidade. A sua lente é interseccional e particularmente atenta às desigualdades e enviesamentos do país e do mundo. Susana Peralta é professora de economia da Nova SBE, especialista em economia Política e economia Pública, cronista regular do jornal Público e um dos elementos do podcast “Fora do Baralho”, da Rádio Observador. E chega a afirmar: "A verdadeira pobreza é a falta de liberdade! A falta de liberdade no mundo de trabalho traz imensos abusos. Quando o principal desafio das pessoas é por comida na mesa ou pagar a renda da casa, quer dizer que não são livres!" See omnystudio.com/listener for privacy information.

Márcia: “Devia haver mais atividade cultural no interior do país. Ser músico não é só ir para o 'Ídolos', ganhar e ser famoso”
É uma das cantoras e compositoras mais interessantes e singulares da música portuguesa da atualidade. Depois de 4 discos e vários prémios, acaba de sair do forno o 5º álbum de originais de Márcia, “Picos e Vales”, que surgiu após a autora superar um período pessoal particularmente difícil quando em 2021 lhe foi diagnosticado cancro da mama. Nestes últimos anos, a cantora tem percebido a importância de mostrar as suas fragilidades, as imperfeições, os lados difíceis da vida, porque é isso que nos aproxima uns dos outros. "Escondi-me durante anos a fio, desconfortava-me expor-me. Queria que a minha música fosse conhecida, mas eu não. Ando num processo de desfazer as pedras desse muro."See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mísia: “Com a crise as pessoas estão preocupadas em sobreviver e os artistas ficarão a cantar na internet com pijama e a mostrarem os calos”
Mísia abre o seu coração e regressa com novo disco, “Animal Sentimental”, que vem com um livro autobiográfico, onde a cantora faz um ‘rewind’ à sua vida pessoal e artística. E aqui recorda as suas muitas vidas e capítulos, fala pela primeira vez da matriz de abandono que vem da infância, da inveja portuguesa de que foi alvo, da luta com a doença oncológica, o episódio de violência doméstica num casamento passado e o seu namoro com a morte e vontade de celebrar a vida e os poetas. “O fado serve para limpar as migalhas do coração. Sou mesmo um animal sentimental. Isso salvou-me sempre. Fez-me sentir que estava viva. Mesmo na dor eu existi com muita força.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Lídia Jorge: “Os escritores estão debaixo da mesa a ver que migalhas caem e quem vive delas. É preciso estar com quem vive de migalhas”
Durante os últimos dois anos a prestigiada escritora Lídia Jorge escreveu um romance que partiu de um pedido da sua mãe, pouco antes de morrer. Confinada num lar de idosos, pediu que a obra se chamasse “Misericórdia”, para que as pessoas se tratassem com mais humanidade e empatia. E Lídia escreveu o seu livro mais íntimo, uma exaltação da vida, da curiosidade, da sabedoria mesmo quando a morte espreita. Sobre a crise atual, a escritora, que faz parte do Conselho de Estado, afirma: “É errado um discurso triunfalista dos números quando as pessoas estão a sofrer muito. Há um contraste entre aquilo que é o discurso político e a vida das pessoas. É um reparo que faço ao Governo!” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas, com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mariana Mortágua: “Os 125€ acontecem uma vez. É quase como se tivéssemos um país de mão estendida à espera de um apoio do Governo"
Nos últimos nove anos, Mariana Mortágua tornou-se uma das figuras políticas portuguesas mais relevantes, desde a participação na comissão de inquérito ao BES a questionar os então ‘Donos Disto Tudo’. Depois da ‘geringonça’ e do grande tombo das últimas eleições, que fez o Bloco de Esquerda passar de 19 para cinco deputados, Mariana não se arrepende do chumbo ao Orçamento do Estado. “Um partido que se deixa vergar não é útil.” A deputada do BE critica em Fernando Medina “a mesma lógica de austeridade” de Vítor Gaspar e Passos Coelho, reflete sobre o crescimento da extrema direita e comenta o machismo na política portuguesa: [José Luís] “Arnaut irrita-se com as meninas do Bloco porque fazem frente a figuras como ele que têm de assumir responsabilidades pela porta giratória em que se tornou a política portuguesa.” E ainda revela outros lados de si, além da política. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Eduardo Madeira: “Todas as piadas são válidas, mas é mais corajoso fazer piadas para bispos, presidentes, diretores, dirigidas para cima”
EÉ um dos mais relevantes nomes do humor português. Um dos talentos é conseguir imitar de forma extraordinária as mais variadas figuras públicas. Já foi uma espécie de “rock star” no grupo musical satírico “Cebola Mol”, com Filipe Homem Fonseca, escreveu para jornais, editou dois discos e cinco livros. “Os momentos de glória são tão importantes como os de derrota. Mesmo após um prémio pensas…e agora? E se for golpe de sorte?” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Francisca Van Dunem: “Um ministro não ganha para o que faz. É só para pessoas com um grande amor à causa pública ou que estão no desemprego"
Esteve seis anos no Governo a liderar a pasta da Justiça e enquanto ministra orgulha-se do combate à corrupção, de ter aliviado as prisões dos crimes mais leves e de ter ampliado o mapa judiciário. Mas confessa que o cargo teve uma pesada fatura moral e financeira para si e para a sua família. “Honrou-me muito ter passado pelo Governo e servir o meu país, mas do ponto de vista financeiro foi uma tragédia.” Depois de um notável percurso no Ministério Público, Van Dunem jubilou-se e afirma estar a viver a fase mais “livre” e “feliz” da sua vida, dedicando-se à família, aos livros e ao seu jardim. Saiba mais em expresso.ptSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Karol Conká: “Defendo-me do machismo e racismo sendo combativa!"
Em fevereiro de 2021, a rapper e compositora Karol Conká foi eliminada do “Big Brother Brasil” com uma rejeição recorde. Fora do programa, enfrentou o ódio e a agressividade de milhões de pessoas. Foi duro o tombo e, como sempre, a música salvou-a e ajudou-a a enfrentar “monstrinhos e feridas.” A propósito do novo álbum “Urucum”, Karol afirma ter abraçado a sua vulnerabilidade. “Ninguém merece ser reduzido aos erros. Todo o mundo erra. Se formos eliminar as pessoas que erram não sobrará uma pessoa.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Siza Vieira: “Acha-se que um arquiteto só serve para o capricho de quem tem dinheiro. Acredito na habitação social com qualidade para todos”
É uma das maiores figuras da arquitetura mundial e um dos mais premiados de sempre. Há 30 anos, Álvaro Siza Vieira foi o primeiro arquiteto português a receber um Pritzker - considerado o Nobel da arquitetura. Pode mesmo dizer-se que Siza reescreveu a história da arquitetura projetando-a para o futuro. A um mês de completar 89 anos, Siza Vieira faz um balanço do percurso, critica o “estado de agonia” da profissão e lamenta não ter mais trabalho e não estar a deixar mais obra relevante no país. “Quando me é atribuído um prémio fico satisfeito mas, ao mesmo tempo, digo 'vou ter mais problemas para ter trabalho.'“ Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas“, com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Reis: “Consigo fazer da dor matéria combustível de trabalho. Apesar do palco poder ser um lugar de enorme solidão. Há muita carne viva"
É um dos atores mais prestigiados do país. Com um longo percurso no teatro, no cinema e na televisão, João Reis apresenta agora a série documental “Planeta A”, na RTP1, que o levou a viajar durante dois anos por vários lugares do mundo para falar de pobreza extrema e desigualdade, poluição ou aquecimento global. Entre as gravações da telenovela “Por ti”, na SIC, e a encenação da peça “A Praia”, de Peter Asmussen, em cena de 6 a 17 de julho, no Teatro São Luiz, em Lisboa, o ator afirma não dar importância aos novos palcos das redes sociais: “Claro que me incomoda que os atores e atrizes sejam medidos por ‘likes’. Há pessoas com um trabalho extraordinário que não têm visibilidade e outras que a têm, mas o seu trabalho fica reduzido a pó.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Filomena Mónica: "Nunca me sinto feliz. Tenho sempre um desejo absurdo de sofrer"
Dezassete anos depois da autobiografia “Bilhete de Identidade”, que esteve envolta em grande polémica, a socióloga Maria Filomena Mónica volta a publicar um livro mais pessoal. Mas, desta vez, estes escritos são o seu olhar sobre as centenas de cartas, postais e documentos que herdou da sua família, para arrumar as memórias, onde chega a desenterrar segredos, sobre a sua mãe e a sua avó, que nunca imaginara. Chamou-lhe “Duas Mulheres”, com a chancela da Relógio d´Água, e, através delas, procura perceber melhor o passado e a mulher em que se tornou. Neste episódio, reflete ainda sobre o amor, a finitude e a forma salvífica como a escrita a tem ajudado a sobreviver ao cancro. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Gaya de Medeiros: "Não quero ser reduzida a uma ferida ou a um estigma social. Quero trazer narrativas que promovam a empatia"
Tem nome de deusa do caos e é através da dança que transforma as suas inquietações em emoção, beleza e suor. Em 2021, deu que falar na performance “Atlas da Boca”, considerada pelo jornal Expresso como um dos melhores espetáculos do ano. Na televisão, chegou às semifinais do programa televisivo “Got Talent Portugal 2020”, na RTP, e no grande ecrã acaba de protagonizar a curta “Um Caroço de Abacate”, com Ivo Canelas, e realização de Ary Zara, distinguida com dois prémios e uma menção honrosa. Sobre si, esta bailarina e mulher trans, nascida em Belo Horizonte, no Brasil, chega a afirmar: "Estou cansada de incomodar. O meu corpo já desapazigua, então quero trazer leveza e balanço do mar. Não quero ser uma britadeira a bater incessantemente num ponto. Quero ser uma onda." Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Inês Meneses: “Sou atraída pela verdade. E lido muito mal com a mentira. Não se pode dizer tudo, mas temos de ser verdadeiros”
Há 18 anos que Inês Meneses conduz o programa “Fala com Ela”, que criou na Radar e passou a morar na Antena 1. Um espaço singular de escuta e conversa que foi distinguido, em 2015, com o Prémio da SPA, para “Melhor Programa de Rádio, e em 2019, no Festival Podes. Autora também do “PBX”, com Pedro Mexia, e de “O Amor É”, com Júlio Machado Vaz, na Antena 1, Inês Meneses afirma celebrar a vida a cada momento. Conhecida pelo seu humor mordaz e gosto em mergulhar nas matérias do coração e da sexualidade, Inês assinou durante anos sob pseudónimo no DN as crónicas “O Sexo e a Cidália” e, mais recentemente, escreveu em nome próprio os livros “Amores (Im)Possíveis”; “Caderno de Encargos Sentimentais ou “O coração ainda bate”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Grosso: "Formei-me no combate ao medo. Os outros que me queriam negar, exaltaram-me, fizeram-me lutar por aquilo que me pertencia"
É um dos mais prestigiados atores do nosso país, com um amor particular à poesia. Largamente premiado, está em digressão pelo país com o espetáculo “Última Hora”, de Rui Cardoso Martins, com encenação de Gonçalo Amorim. Durante as últimas semanas, foi um dos performers da obra “1983”, de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, ao habitar o cenário de uma paragem de autocarro dos anos 80, envolta em estigma e solidão. "Continua a haver preconceito com a diferença. Isso mexe com a dignidade e com o direito que qualquer pessoa tem a explanar o seu ser em toda a sua grandeza." E recorda o momento em que teve um processo em tribunal, em 1987, por cantar na televisão pública o hino nacional em versão punk-rock, ou quando foi espancado por 'skinheads' para proteger a vida de um rapaz. "O ódio ainda anda por aí. Combate-se o ódio com Educação e Cultura."See omnystudio.com/listener for privacy information.

Edite Estrela: "É altura de as mulheres desempenharem os altos cargos da nação. As mulheres servem para trabalhar, mas também para decidir"
A propósito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, a vice-presidente da Assembleia da República, Edite Estrela, começa por deixar a mensagem: “Há os heróis do 25 de Abril, mas é justo que a História reconheça também o papel das mulheres, que têm sido esquecidas.” Feminista e acérrima defensora da igualdade de género, deixa claro que há uma revolução contra o patriarcado por se cumprir. “A democracia não se cumpre se prescindir do contributo de metade da população. Temos de afastar a ideia de que as mulheres trabalham e os homens brilham, que as mulheres são formiguinhas e os homens podem ser cigarras e usufruir do trabalho das mulheres.” Neste podcast, Edite Estrela recorda que quando se filiou no PS e foi deputada na AR, havia poucas mulheres no parlamento. “Era o reino do masculino. Foi precisamente quando se introduziu o sistema de quotas que se começou a feminizar a política." O seu nome chegou a ser apontado para a presidência da AR nesta nova legislatura. Tal não aconteceu, mas nesse processo houve uma campanha negativa sobre si, em relação ao qual comenta: “Estou convencida que fui mais atacada por ser mulher. Há sempre uma tendência para se escrutinar mais a mulher na política.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Natália Luíza: “Gosto de provocar revoluções. É preciso abalar as estruturas. Antes era violenta, agora faço-o com doçura. É mais eficaz!”
É co-diretora artística do Teatro Meridional, em Lisboa, e tem em cena a peça “Vida Inversa”, com encenação sua e texto de José Luís Peixoto, sobre um mundo distópico que se parece com o nosso. Afirma que é mais feliz a dizer poesia e a dançar. "A poesia dá-me longe, dá-me céu, dá-me Deus nas pequenas coisas. E ajudou-me a levantar sempre." Com um prestigiado percurso na televisão, teatro e cinema, Natália Luiza afirma que a idade a fez libertar carga. “Sinto que já estou a descer a colina. O corpo vê a paisagem inteira. Sou mais feliz agora. Lido de outra maneira com o tempo e preocupo-me muito menos com minudências.” Este mês acaba de lançar o site a-gente.pt, para todos os atores e atrizes que não são representados por agentes, e planeia lançar um podcast com leituras das mais variadas obras da literatura portuguesa. “As revoluções têm de acontecer permanentemente. Temos que ser Abril todos os dias.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Gama: “O talento e o trabalho podem ser uma maldição. Acredito mais no prazer. É importante encontrarmos o que gostamos de fazer"
Joana Gama é uma das pianistas portuguesas mais incontornáveis da sua geração. Mistura de forma inovadora a música com a dança, a fotografia, o teatro ou o cinema. Faz dupla com Luís Fernandes, piano e eletrónica, e vai apresentar a peça de teatro musical "J-CHOES – J'ai faim" a dia 8 de abril no Teatro Viriato, em Viseu, e a 11 de abril no Goethe-Institut, em Lisboa. Uma obra cheia de humor poético que parte de uma hipótese surrealista: e se Erik Satie aparecesse numa festa musical-culinária dos amigos artistas John Cage e Hans Otte? Sobre a importância das coisas simples a que Joana dá cada vez mais atenção chega a dizer: “Há dias abriu uma flor de esteva no terraço de casa. Foi uma emoção. Se se tivesse mantido uma maior ligação à natureza não estaríamos envolvidos nestas atrocidades, não só relativamente à guerra, como ao capitalismo e aos desastres ambientais.“See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cláudia Lucas Chéu: "Gosto de ser uma lanterna que ilumina os sítios mais escuros e desagradáveis"
A escritora, poeta, dramaturga, argumentista e atriz Cláudia Lucas Chéu, autora de títulos como “Beber pela Garrafa”, “Mulher Sapiens” e “Ode Triumphal à Cona”, sobe agora ao palco do Teatro Nacional D. Maria II para protagonizar “Orlando”, a peça que escreveu a partir do texto de Virgínia Woolf com encenação de Albano Jerónimo, em cena de 5 a 10 de abril, na sala Garrett. Uma obra que é uma travessia até à verdade, uma celebração e um grito de revolta da comunidade LGBTQIA+. Uma peça que ganha outro peso e significado em tempos de guerra: “Não conheço emoção mais potente do que o amor. É mais poderosa do que o ódio.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Espadinha: "O 'streaming' é injusto para quem cria a música. Os músicos recebem muito pouco. É mesmo ridículo“
Foi em setembro de 2021 que a cantora e compositora Joana Espadinha lançou o último álbum “Ninguém Nos Vai Tirar o Sol”, um mantra luminoso com canções pop, para levantar o ânimo apesar da pandemia, das tristezas e das guerras. Este ano foi autora do tema “Ginger Ale”, interpretado por Diana Castro, que ficou em 2º lugar ex-aequo na final do Festival RTP da Canção, inspirado na experiência da maternidade. “A maternidade é muito romanceada. Não é só um fardo, mas também é. Fala-se pouco do seu lado difícil. É feita dos melhores e piores momentos.“ Sobre o processo de escrita das suas canções chega a afirmar: “Gosto de fazer refrões que sejam fáceis o suficiente para as pessoas cantarem, mas não o suficiente para serem pirosos”. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuel Aires Mateus: “Lisboa já não é uma cidade inclusiva e isso é um desastre. Mata a cidade”
Para Aires Mateus “a arquitetura é sempre percebida através do vazio”. E o que constrói “é o limite do vazio.” “A arquitetura só acaba quando a vida se desenrola sobre ela.” Apesar da excelência, relevância e prestígio da sua obra, o arquiteto afirma neste episódio que tem gosto em assinar projetos de habitação para clientes da classe média, com orçamentos reduzidos, desde que haja paixão e entusiasmo por parte de quem lhe encomenda a obra. “Prefiro desenhar na escassez do dinheiro do que na abundância. A arquitetura faz-se desses limites e racionalidade.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jorge Silva Melo (1948-2022): “Gostava de trabalhar sempre. Espero morrer trabalhando”
Quantas vidas terá vivido nesta vida Jorge Silva Melo? Ele que é encenador, ator, cineasta, dramaturgo, tradutor e crítico português. Ele que passou a infância na antiga cidade de Silva Porto, em Angola, que se formou realizador na London Film School e, mais tarde, estagiou em Berlim, Milão e foi ator em Paris. Decidiu regressar para o seu país porque para si pátria é culpa e responsabilidade. Fundador do “Teatro da Cornucópia” e dos “Artistas Unidos” é um mestre e mobilizador de artistas, histórias e projetos. O Expresso recupera esta entrevista, de 6 de dezembro de 2019, ao Beleza das Pequenas Coisas no dia da morte de Jorge Silva Melo (1948-2022)See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Rocha de Sousa: “Ter um filme nos Óscares? É um sonho que vou concretizar”
Esta gravação foi feita dias antes da realizadora Ana Rocha de Sousa partir para Los Angeles, nos EUA, onde estará durante semanas em residência artística para o seu próximo filme, que está a preparar há um ano. “Trata-se de um filme focado em questões sociais. É uma tragédia, mas que pretende ajudar a trazer esperança.” A realizadora quer continuar a usar a lente do cinema para provocar reflexão e discussão sobre problemas sociais que são fonte de injustiças, abusos e violências. “O cinema ajuda-nos a esta possibilidade infinita de trazer mudança. Essa foi a mais bonita descoberta para mim.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Milhazes: “Receio que Putin leve a Rússia para a cova com ele!”
Apesar do sotaque poder iludir sobre as suas origens, José Milhazes é natural de Vila do Conde, crescido numa família modesta na vila piscatória de Caxinas. O pai era pescador, tal como o avô, mas Milhazes decidiu cedo navegar para a ex-União Soviética, onde chegou em 1977 com uma mala de cartão cheia de ilusões em busca do ‘paraíso comunista’. O tal ‘paraíso’ revelou muitos infernos e contradições, mas foi em solo russo que se formou em História e viveu durante 38 anos, a trabalhar como tradutor e correspondente português da TSF, do Público e da SIC.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Carlos Coutinho Vilhena: “Estamos todos a um ‘tweet’ de sermos cancelados! O mundo está mais consciente, empático, alerta. O segredo para não se ser cancelado é a honestidade!”
É um dos humoristas mais populares da nova geração. No verão de 2021 lançou o documentário “O Clube da Felicidade”, que navega entre a ficção e a realidade, e relata a experiência de ter ido viver para uma rulote numa aldeia comunitária para buscar novas ideias criativas e experiências. E este ano está a esgotar salas com “Conversas de Miguel”, um espetáculo feito com o amigo Pedro Teixeira da Mota. “Não acredito no talento. A fatia maior e mais importante para a criação é a carpintaria e o trabalho.” Ouçam-no neste episódio de “A Beleza das Pequenas Coisas”, uma conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Renata Cambra: “Uma mulher, jovem, com voz na política é uma ameaça aos poderes instalados”
Renata Cambra chamou a atenção mal apareceu num debate na RTP, que colocou frente a frente os líderes dos partidos que não tiveram assento parlamentar na última legislatura. No Twitter o seu nome passou, de um momento para o outro, a ser uma das ‘trends’ mais citadas. E já houve quem considerasse a porta-voz do Movimento Alternativa Socialista como a nova estrela da política nacional, a rainha dos adereços nas últimas Legislativas ou a candidata que quer meter o dedo na ferida no Parlamento. O que é certo é que Renata quase duplicou o resultado do seu partido nestas últimas eleições legislativas com o mote “Acordar a Esquerda!”. See omnystudio.com/listener for privacy information.