
A Beleza das Pequenas Coisas
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Lila Tiago (parte 1): “Várias criadoras trans esticam o conceito de monstruosidade até caberem nele de forma confortável, com sedução. Tento essa potência em palco”
Lila Tiago é a voz das “Fado Bicha”. E, desde 2017, acompanhada pelo guitarrista João Caçador, ocupa um novo lugar queer no fado. Esta artista trans bicha, como a própria se descreve, é toda audácia e revolução e não se furta ao desconforto que a sua banda provoca por trazer para a canção mais popular e portuguesa do país outras formas de amar, de existir e de olhar para o passado. “Não surgimos para incomodar. Mas sabemos que incomodamos um entendimento que abafava artistas como nós no fado.” Contas feitas as “Fado Bicha” fizeram mais de 250 concertos, em Portugal e não só, participaram no Festival da Canção e lançaram o disco de estreia, "OCUPAÇÃO", em 2022. E, já no próximo dia 17 de abril, estreia o documentário “As Fado Bicha”, realizado por Justine Lemahieu, que conta este caminho de resistência musical. Ouçam-na na primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rita Blanco (parte 2): “Vão-nos acontecer sempre coisas más. A nós e a tanta gente. A alegria é o que nos resta para lutarmos contra os males do mundo”
Nesta segunda parte da conversa com Rita Blanco, ficamos a saber de que forma a atriz de “A Gaiola Dourada”, “Sangue do Meu Sangue” e “Mal Viver/Viver Mal” se envolve com as personagens que representa e como confronta as pessoas em seu redor com a dureza e as feridas dessas mulheres da ficção. Rita dá-nos também a conhecer a sua vertente de co-autora nos projetos em que se envolve e dos seus eternos desejos e medos de se lançar na realização para cinema. Mas revela outros desejos no horizonte como fazer teatro para crianças ou ter um grande terreno para resgatar animais de todas as espécies. Rita revela depois algumas das músicas que a acompanham - uma delas que celebra a amizade e outras duas que ouve e dança com a filha Alice - e lê um poema de Adília Lopes sobre a importância da alegria. E ainda partilha sugestões culturais de livros e séries que mexeram consigo nos últimos tempos. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rita Blanco (parte 1): “Ser mulher é ter que lutar todos os dias por um lugar. Comigo foi sempre assim. O humor e a dureza têm sido a minha arma”
É uma das atrizes portuguesas mais aplaudidas e premiadas. Rita Blanco já foi muitas mulheres na televisão, no teatro e no cinema. Só no grande ecrã já entrou em 59 filmes, muitos deles com a assinatura do realizador João Canijo, com quem prepara novo filme e nova peça de teatro, com uma história que se entrecruza. A atriz revela que a terapia recente a ajudou a arrumar o passado e a aceitar-se melhor a si e aos outros e conta como as filmagens do díptico “Mal Viver/Viver Mal” foram “muito duras”, que a deixaram zangada, mas que a levaram a superar-se como nunca antes. No futuro, Rita Blanco deseja estrear-se na realização, fazer teatro para crianças e ter um grande terreno para resgatar mais animais. Ouçam-na na primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Shahd Wadi (parte 2): “A vida tratou-me bem, apesar da trouxa que levo às costas, com cicatriz. Sonho regressar a uma Palestina livre e desfazer essa trouxa”
Nesta segunda parte da conversa com a investigadora, curadora e poeta Shahd Wadi, ficamos a saber qual a vila na Palestina com que sonha regressar, até que ir para casa seja possível. E até fala do cheiro específico do lugar onde nunca esteve, mas que sente conhecer bem. Refere os pais, e de como a têm inspirado na vida e na poesia. Depois analisa o estado do mundo e o papel da Europa perante a América de Trump. Pelo caminho, desmonta certos preconceitos sobre as mulheres árabes, opressões de patriarcado aparte, e dá-nos conta da profunda resistência de um povo que não desiste de viver com esperança e arte. E ainda nos dá música, poesia e revela como uma picardia com o atual namorado resultou numa história de amor de uma década. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Shahd Wadi (parte 1): “O povo palestiniano ensina o mundo a bater asas. O genocídio na Palestina diz respeito à liberdade da Humanidade inteira”
Shahd Wadi é uma mulher palestiniana doutorada em estudos feministas, na Universidade de Coimbra, que divide o tempo entre a escrita, curadoria, tradução, investigação e performance. Veio para Lisboa em 2006 por amor e acabou por ficar na cidade colorida dos seus sonhos, na terra do ‘vai-se andando’, do bacalhau e do medronho. Acaba de publicar o livro de poesia “Chuva de Jasmim”, pela editora Caminho, como arma de resistência para reclamar a vida e a liberdade na sua terra. Enquanto a Palestina estiver ocupada, a sua pátria é a fronteira entre cá e lá. Ouçam-na na primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sandro Resende (parte 2): “Vêm aí tempos piores. A arte será fundamental para mostrar de forma incisiva aos políticos as vontades do povo”
Nesta segunda parte da conversa em podcast o curador e diretor artístico Sandro Resende, co-fundador da P28 e da galeria de arte bruta “Manicómio”, revela quais são os seus heróis e o que o levou a trocar cartas manuscritas com Yoko Ono durante meses. Conta também a razão de gostar de política, mas não de políticos, para fazer o que chama de “lobby positivo” e o que habita na sua colecção de livros proibidos e censurados que será exposta no início de abril, em Cascais. Por fim, fala mais a fundo do projeto internacional “Misfit”, dá-nos música, lê um poema de um dos artistas do "Manicómio" e deixa vários sugestões culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sandro Resende (parte 1): “Aprendi com as pessoas do Júlio de Matos a não ter medo do ridículo e a ser autêntico. O que é muito difícil nesta sociedade”
Sandro Resende é um dos pioneiros a usar a arte como ferramenta para libertar as pessoas do rótulo da doença mental. Há 14 anos inaugurou a associação P28, distinguida com o prémio de mérito do SNS, e que deu que falar com exposições revolucionárias que misturavam obras de nomes consagrados da arte contemporânea com as de artistas residentes do Júlio de Matos. Depois, em 2019, fundou o espaço de criação de arte bruta “Manicómio”, o primeiro a representar artistas com alguma doença psicológica. Em breve, Sandro lançará a plataforma internacional “Misfit”, onde poderão encontrar criações inspiradoras de pessoas 'desajustadas', que procuram o prazer da criação, sem terem o lucro como objetivo. Ouçam-no na primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Tiago Pereira (parte 2): “Uma senhora teve um aneurisma enquanto a gravava a cantar. Gravo o fim das coisas, mas também a esperança e a superação”
Nesta segunda parte da conversa em podcast o realizador, documentarista e visualista Tiago Pereira fala da sua relação intensa com o trabalho e desta longa viagem de 14 anos com o projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”. Um sonho de amigos que passou a projeto liderado por um homem só, que tomou para si uma missão social que o salvou emocionalmente e o ensinou a escutar e a respeitar o tempo dos mais velhos, a descobrir mais profundamente o país e a dar cabo de muitos preconceitos e elitismos. Tiago Pereira conta ainda como vive com a companheira na pequena vila de Serpins, na Lousã, fala da relação com os dois filhos, dá pistas sobre um futuro filme de ficção e a possibilidade de erguer uma “faculdade dos saberes”. E ainda nos dá música e conta quais são os seus maiores prazeres diários. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tiago Pereira (parte 1): “Gravo para humanizar tudo. Não gravo só música, gravo pessoas. Gosto de ouvir velhinhas. Sou um átomo dinamizador de velhinhas”
O realizador Tiago Pereira anda há 14 anos a palmilhar o país de norte a sul para gravar o cancioneiro nacional que os mais velhos não esqueceram e as suas histórias e ofícios. Deem-lhe uma velhinha que cante que Tiago Pereira dá-nos o mundo e uma alfabetização da memória. Desde que começou na odisseia do projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria”, primeiro com amigos, depois a solo, já gravou 8100 vídeos, disponíveis num mapa interativo, para humanizar a música tradicional e a geografia do país. Há dois anos a residir na vila de Serpins, deu o nome “Cura” à sede da sua associação e tem um cão chamado “Tradição”. E aqui recorda um dos momentos mais marcantes nesta sua caminhada: “Uma senhora teve um aneurisma enquanto a gravava a cantar e mais tarde morreu. Gravo o fim das coisas, mas também a esperança, a superação e a cura”. Ouçam-no na primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Markl (parte 2): “A síndrome do impostor é uma espécie de vigilante que me impede de cair num dos piores medos que é ser vaidosa, ridícula, cagona”
Nesta segunda parte da conversa em podcast, a radialista, autora e apresentadora Ana Markl fala de como lida com a síndrome do impostor, e de como aprendeu com a terapeuta que esse sentimento até pode ser um aliado para não se deixar levar pela fogueira das vaidades. E revela aqui os desafios da perimenopausa, algo que não esperava tão cedo, e como pode ser libertadora. Conta ainda de como a maternidade a levou à terapia há 5 anos, um lugar de escuta e autoanálise que passou a ser para si fundamental. Ana fala ainda de como a sexualidade pode melhorar com a idade e ainda nos dá música e lê um excerto do livro “Outra Autobiografia”, de Rita Lee. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Markl (parte 1): “Temo que o meu filho não cresça em liberdade e não seja feminista. Ser-se misógino tornou-se apelativo. Isso assusta-me”
Durante 8 anos, Ana Markl foi uma das vozes das manhãs da Antena 3, mas saiu do ar por vontade própria, para ser dona do seu tempo e dedicar-se mais à escrita e ao filho. Atualmente podem ouvi-la a falar de sexualidade, amores e desamores no podcast “Voz de Cama”, ao lado da sexóloga Tânia Graça. Em breve irá publicar um livro que parte dos diários de adolescente e lançar-se à escrita de uma peça de teatro para o público mais jovem. Mas apesar do malabarismo de ser agora freelancer, deixa claro que não quer seguir o exemplo do pai, que vivia obcecado com o trabalho. Ana quer ‘matar-se a viver’, com qualidade e prazer. Ouçam-na na primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Costa (parte 2): “Gosto de me relacionar com as pessoas pelo humor e de me rir das minhas pancadas para descomprimir. Levamo-nos demasiado a sério”
Nesta segunda parte da conversa em podcast, o antigo ministro da Educação e atual diretor da Agência Europeia para as Necessidades Especiais e a Educação Inclusiva, João Costa, aponta os possíveis antídotos para acabar com os populismos num mundo que por vezes parece virado contra as pessoas, comenta o risco da polarização política influenciar os currículos escolares e universidades, em temas como a História, Direitos Humanos e a Ciência. Depois dá conta da importância do humor na relação com os outros e até consigo, do talento para a cozinha, em especial para fazer doces conventuais e para ler na praia nas posições mais inesperadas. E ainda nos dá música, lê um poema de Nuno Júdice e partilha outras sugestões literárias e culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Costa (parte 1): “Deixemos as crianças em paz para serem o que são. E não deixemos em paz todos os que promovem o ódio e o bullying”
Linguista e antigo diretor da Universidade Nova de Lisboa, foi ministro da Educação no último governo de Costa. Uma fase “dura”, a enfrentar muitas greves dos professores, que não deixou saudades. “Nunca pus em causa a legitimidade do que os professores pediam. O pior dia enquanto ministro terá sido quando a minha mãe foi insultada por ser filho dela. Aí pensei bater com a porta.” No final do ano passado publicou o livro “Manifesto pelas Identidades e Famílias - Portugal Plural”, como um desabafo para desmontar as “falácias” dos supostos ataques à “família tradicional”. Quanto a isso, o atual diretor da Agência Europeia para as Necessidades Especiais e a Educação Inclusiva, fala do poder da educação e da arte, como defesa da liberdade, da diversidade e dos direitos fundamentais. E revela pela primeira vez a depressão crónica que sofre desde cedo, invisível aos outros, diagnosticada há 7 anos, e a resistência interna que teve de vencer até pedir ajuda. “É um quadro solitário, porque há estigma, não se fala.” Ouçam-no na primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Samuel Úria (parte 2): “A vida dá-me na cabeça e a religião ensina-me a responsabilidade de fazer com que a vida dos outros seja melhor”
Nesta segunda parte da conversa em podcast, o músico, cantor e compositor Samuel Úria fala da sua relação com a falha, a forma como isso o aproxima dos outros e conta como a religião e a fé o têm ajudado na música e na vida, como um super poder. Úria partilha ainda as músicas que o acompanham, lê maravilhosamente bem o poema “Um adeus português”, de Alexandre O´Neill (título tomado para uma das canções do seu último disco) e junta algumas sugestões culturais. E, lá para o final, dá conta de como para si não há prazeres culpados na música, e trauteia Juan Luís Guerra a revelar um pouco do projeto futuro que irá lançar com B. Fachada. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Samuel Úria (parte 1): “Andamos para trás e de forma atroz. A música pode ajudar-nos. Ela congrega, amacia corações, enquanto escancara ouvidos”
Ele é um dos grandes trovadores do nosso país. As suas letras são tão preciosas que deveriam ser ensinadas nas escolas como, noutra geração, as de Sérgio Godinho, José Mário Branco ou Zeca Afonso. Samuel Úria reflete sobre o mundo e sobre si próprio num balanço entre o sagrado e o profano, com o coração na boca e na guitarra, a anca bem colocada na pop e a prosa muito afiada com reflexão, crítica, protesto, mas também fé, amor e esperança. No final de 2024, o cantautor das patilhas lançou o disco 2000 A.D., um álbum que foi beber à sua própria inquietação e que é um espelho dos tempos nebulosos e turbulentos que vivemos. No próximo dia 12 de fevereiro, formará dupla com Manel Cruz em mais uma edição do “Conta-me uma Canção” e em Outubro irá lançar-se à prova de fogo dos Coliseus. Ouçam-no na primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Teresa Horta (1937-2025): “Sou uma pessoa extremamente triste, mas não sou frágil. Sempre lutei pela liberdade, desde os 15 anos”
bonusNo dia da morte da escritora Maria Teresa Horta voltamos a republicar uma das conversas mais marcantes do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, gravada em novembro de 2019, na sala da sua casa. Feminista e insubmissa, Maria Teresa Horta tornou-se um símbolo da emancipação das mulheres portugueses, por ter lutado sempre pela igualdade de direitos e pela liberdade. Recorde aqui a conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Sofia Aparício (parte 2): “Estive dez anos à bulha com uma depressão. Foi doloroso, eu disfarçava a doença, ninguém sabia. Não se fica a mesma pessoa depois disso”
Nesta segunda parte da conversa em podcast, a atriz Sofia Aparício revela a surpresa e fúria quando, há poucos anos, se deu conta que tinha pessoas próximas a votar na extrema direita, por ‘estupidez e ignorância’. E deixa o alerta: “A estupidez é mais perigosa que a maldade. Pode levar boas pessoas a fazer coisas muito más.” Sofia conta ainda a batalha longa que travou para superar uma depressão, invisível aos outros porque Sofia confessa ter disfarçado a doença até não aguentar mais e pedir ajuda a um profissional da área da saúde mental. Sofia lê um texto que mexeu consigo em particular, partilha algumas das músicas que a acompanham e deixa uma série de sugestões culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sofia Aparício (parte 1): “Não sou a sedutora dos papéis que me dão para representar. Odeio dar nas vistas. Vivo de fato de treino. Fujo de toda a gente!”
Sofia Aparício foi a manequim portuguesa mais icónica dos anos 90. Já a chamaram ‘mulher camaleão’ pela forma arrojada e carismática com que vestia muitas peles. Depois reinventou-se como atriz. E tem feito caminho no teatro, na televisão e no cinema. Acaba de ser distinguida com o prémio de melhor atriz pela curta-metragem “Sisyphus”, no Berlin Short Film Awards, mas revela que o passado na moda é uma sombra e que lhe colam ainda ao corpo o papel de ‘sedutora’. Porém, diz-se em paz com isso e vive a amealhar para viajar durante meses para os lugares mais remotos e improváveis do mundo. Atualmente é a imagem da campanha “The World Is Not Fucking Pink”, a despertar consciências para temas que vão do problema humanitário dos refugiados, ao genocídio em Gaza, aos abusos na Igreja, o machismo, o racismo, a desigualdade de género ou a mutilação genital feminina. Ouçam-na na primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Fernando Rosas (parte 2): “Enquanto a extrema direita cavalga o descontentamento social, a História morde-nos a nuca”
Nesta segunda parte da conversa em podcast, o historiador e professor Fernando Rosas vai mais a fundo sobre a natureza do fascismo e o que é que transforma uma certa emoção e pulsão destrutiva numa forma de política. E explica a razão de uma certa burguesia e população descontente começar a financiar, a impulsionar e aceitar e promover este novo fascismo. O académico e antigo deputado recorda os tempos de luta anti fascista, os vários caminhos na política, que o levaram a estar preso mais de dois anos, a tortura de sono e relata como escapou da última vez que a PIDE tentou prendê-lo. E ainda partilha os prazeres e lutas de hoje, as músicas que o acompanham, lê um excerto do livro “A Ordem do dia”, de Eric Vuillard, e deixa várias sugestões culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fernando Rosas (parte 1): “A tecnologia está ao serviço das forças sinistras de regressão social. Estamos no entardecer das democracias”
Preocupado com o que chama de uma contrarrevolução da extrema direita “de natureza fascizante” a chegar ao poder no mundo Ocidental, o historiador Fernando Rosas acaba de lançar o livro “Direitas Velhas, Direitas Novas”. Académico reputado, foi preso político, torturado pela PIDE e viveu durante anos na clandestinidade. É com ceticismo que olha para o cavalgar das direitas mais radicais, herdeiras dos fascismos do passado, potenciadas agora pelos donos dos algoritmos das redes sociais que fazem ganhar eleições. Fernando Rosas alerta para os perigos do “sonambulismo social” e da “banalidade do mal”: “Está a ser criado um novo mundo cão. As forças progressistas e humanistas devem preocupar-se com esta tecnocracia violenta e resistir.” Ouçam-no na primeira da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rui Cardoso Martins (parte 2): “Um médico analisou-me o coração e achou que eu tinha tido um ataque cardíaco. Mas era uma cicatriz de um desgosto amoroso”
Nesta segunda parte da conversa, o escritor Rui Cardoso Martins revela qual a crónica que mais lhe custou escrever e explica a razão. Uma história tremenda, chocante, que precisou de poucas palavras e nenhum adjetivo. Rui refere os livros que o salvaram da dor e destaca um que gostaria de ter escrito de outro autor. E aproveita para ler um excerto dele, assim como uma parte muito curiosa do seu último romance “As melhoras da morte”. Uma obra onde se colocou muito lá dentro, através de um alter ego, que Rui recuperou do seu primeiro romance “E se eu gostasse muito de morrer”. O escritor recorda ainda as últimas frases do seu pai e da mãe dos seus filhos mais velhos, a editora Tereza Coelho, e de como ambas o marcaram e o acompanham. E ainda revela algumas das músicas que o acompanham e dá algumas sugestões culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rui Cardoso Martins (parte 1): “Os novos monstros dos fascismos souberam puxar o poder louco do dinheiro e dos egocêntricos donos das redes sociais”
Enquanto mestre da crónica, Rui Cardoso Martins recebeu dois prémios Gazeta por “Levante-se o Réu”, pelos relatos do que se passa nos tribunais portugueses e o seu romance “Deixem Passar o Homem Invisível” foi distinguido pelo Grande Prémio de Literatura da APE, em 2009. No ano passado publicou o seu 5º e último romance, “As melhoras da morte”, onde reflete sobre os contrastes do Alentejo, que canta as florinhas e os passarinhos e esconde debaixo do capote um lado mais sanguinário, solitário e triste. Nesta conversa, Rui recorda os anos de repórter no jornal Público e conta a gota de água que o fez desistir do jornalismo e que envolve uma conferência de imprensa com Marques Mendes. O tal que depois foi transformado no boneco “Marques Pentes”, o “ganda nóia”, no programa de humor “Contra Informação”, na RTP, que Rui co-criou durante 14 anos. Ouçam-no na primeira parte desta conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial ao vivo PodFest com Isabela Figueiredo: “Estou-me nas tintas para o cancelamento! Vou continuar a fazer aquilo que deve ser feito”
Isabela Figueiredo é a convidada de Bernardo Mendonça neste episódio especial ao vivo no PodFest. No podcast mais antigo do Expresso a autora dos livros ‘A Gorda’ e ‘Um Cão no meio do Caminho’ fala sobre a presença dos imigrantes em Portugal, a vida que agora leva na aldeia e revela os temas do novo romance que anda a preparar: a morte do pai e, mais uma vez, as memórias de África. “Estou-me nas tintas para se sou cancelada. Vou continuar a fazer aquilo que acho que deve ser feito”, garante. Ouça aqui a conversa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Fernanda Torres: “Os meus pais ensaiavam as peças na mesa de jantar na minha casa, aprendi por osmose”
bonusEla é uma das atrizes mais prestigiadas do Brasil, por cá tornou-se popular com a participação na série televisiva de humor “Os Normais”. Neste domingo, Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro para Melhor Atriz em Drama, pelo papel em "I'm Still Here". Recuperamos hoje a conversa que teve com Bernardo Mendonça, em fevereiro de 2018. Filha de duas figuras maiores da representação – Fernanda Montenegro e Fernando Torres – cedo ganhou uma identidade artística que a levou a ser distinguida, logo aos 21 anos, com o prémio de melhor atriz em Cannes, pelo filme “Eu sei que vou te amar”. Há cinco anos arriscou a literatura e estreou-se no primeiro romance, “Fim”, sobre a vida e a morte de cinco velhos amigos cariocas. A crítica rendeu-se à sua escrita, o que a motivou a escrever o segundo, “A Glória e o seu Cortejo de Horrores”, sobre as desventuras de um ator de meia idade caído em desgraça. “Todo o livro é uma autobiografia. Não existe nenhum autor que não escreva a partir da sua visão”, revela Fernanda nesta conversa franca sobre o bom e o menos bom que ficou lá atrás e as maravilhas e descobertas da maturidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial José Carlos Malato (parte 2): “Fui ao fundo do poço e não fiquei lá. Tenho sabido aproveitar os sinais da vida como uma boleia”
Ouça aqui a segunda parte da republicação desta conversa especial em podcast feita em 2024 com o apresentador José Carlos Malato, que aqui revela o que gosta menos de ver e de fazer na televisão, como se defende dos egos mais inchados, o que lhe falta fazer em antena e deixa críticas à Igreja e ainda um olhar sobre as revoluções por cumprir no país. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial José Carlos Malato (parte 1): “Já morri várias vezes nesta vida. Aos 60 anos deixei de beber, de sofrer por amor e já não me apetece morrer”
É um dos apresentadores mais populares e carismáticos da televisão. Rosto conhecido da RTP, fez percurso na rádio e foi voz de continuidade na SIC. Malato não esperava chegar aos 60 anos, mas foi com essa idade que deixou de desejar a morte: “Pela primeira vez passei a drogar-me com a realidade sem precisar de aditivos”. Neste podcast, Malato revela as dores de sempre, os abusos na infância, o lado tóxico nas relações amorosas e as razões de se ter afirmado pessoa não-binária. Ouçam-no nesta republicação da primeira parte de uma conversa especial, feita em 2024, com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Maria João Pires (parte 2): “A meta nunca é o fim. A meta é o caminho porque não sabemos chegar a meta nenhuma sem olhar para todos os lados e estarmos atentos ao caminho”
Ouça aqui a segunda parte da republicação desta conversa especial feita em 2024 com a pianista Maria João Pires que fala do triunfo em relação ao corpo por nunca parar de caminhar, apesar dos seus 80 anos. A pianista revela a sua paixão pela arte da fermentação e o prazer que tem em amassar o pão de massa mãe na sua casa, para descansar as mãos do piano. Explica também porque é que a sua vida teria sido bem melhor sem o piano e ainda fala da sua relação com os amores e os sonhos. No final, dá-nos música e deixa-nos as suas sugestões culturais para este verão. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Maria João Pires (parte 1): “Os limites ajudam-nos a crescer. A ideia de que as coisas podem ser feitas de forma perfeita, ideal e sem esforço é forçosamente uma ilusão, uma cultura americana que invadiu o mundo”
É uma das mais notáveis pianistas do mundo e uma das figuras mais relevantes da cultura portuguesa. Em 1999 criou o Centro Cultural de Belgais, em Escalos de Baixo, no distrito de Castelo Branco, um laboratório de experiência das artes e de aprendizagem musical que enfrentou dificuldades e acabou por durar só uma década. Em 1989, Maria João Pires foi a terceira figura distinguida pelo Expresso com o Prémio Pessoa. Acaba de celebrar 80 anos, continua a dar concertos e não sabe quando vai parar porque curiosidade não lhe falta e a música e a vida ainda têm mistérios para deslindar. Ouçam-na aqui nesta republicação da primeira parte de uma conversa especial feita em 2024 com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Patrícia Portela (parte 2): “Este país ainda é pouco para tudo o que se relaciona com o pensamento. Um país que não pensa é um país adiado”
Nesta segunda parte da conversa com a escritora e artista multidisciplinar Patrícia Portela, são comentados os perigos da raiva e do ódio crescente, instrumentalizados por forças políticas e de como, às tantas, “somos orcas a comer o treinador” que lhes dá de comer. A autora dá também conta do pouco espaço e tempo dado ao pensamento, seja nas vidas de cada pessoa ou do próprio rumo do país e de como isso compromete o seu futuro. E, após um áudio surpresa do seu editor, Zeferino Coelho, Patrícia Portela abre um pouco o livro que anda a escrever. Um romance, que poderá resultar numa trilogia que a autora ainda tem dúvidas sobre o título, e revela aqui as duas hipóteses que andam na sua cabeça. No final ainda nos dá música e várias sugestões culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Patrícia Portela (parte 1): “A única volta que encontro para salvarmos o planeta é fazermos menos, viajarmos menos, consumirmos menos e comermos menos”
Patrícia Portela é uma artista multidisciplinar e um dos nomes mais interessantes e singulares da nossa literatura, em particular na arte da crónica, com uma escrita que balança entre o sarcasmo, a indignação e o encantamento pelo mundo. O seu último romance, “Hífen”, de 2021, foi finalista do Prémio Correntes d’Escritas e do Prémio Ciranda 2022. Durante a pandemia dirigiu o Teatro Viriato, em Viseu, de portas abertas para a comunidade, inventando novos palcos. E, no final deste ano, deixa a programação do espaço cultural “Rua das Gaivotas 6” para em 2025 se dedicar “a menos, com mais tempo”, a “pensar mais e melhor” ou a “dormir mais”. E perder-se nas horas à janela a escrever os vários romances que tem na cabeça e na gaveta. Ouçam-na na primeira parte desta conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Selma Uamusse (parte 2): “Não canto punk rock, mas nos concertos gosto da disrupção de andar por cima das cadeiras de um auditório e dar as mãos ao público, tornando-nos mais humanos”
Nesta segunda parte da conversa com Selma Uamusse, a cantora fala de como consegue conciliar a agenda da música e dos palcos com as desafiantes demandas da maternidade, já que é mãe de 4 filhas. Selma partilha também a boa fase que vive agora no amor, depois de outros capítulos menos bons. E mais à frente canta de forma poderosa, à capela, um novo tema que integrará o seu novo disco em colaboração com A Garota Não, e canta outro tema de Nina Simone. No final, revela as músicas que a acompanham, lê um poema da poeta, jornalista e ativista moçambicana Noémia de Sousa e ainda junta uma sugestão cultural. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Selma Uamusse (parte 1): “A minha vulnerabilidade é uma força. Cresci a agradar toda a gente e hoje consigo dizer ‘não’ ou assumir que 'não estou bem'”
Selma Uamusse é sempre um acontecimento quando sobe a palco. Ela é um abanão musical, um caso sério de atitude, garra e performance-trovoada, que se agiganta todas as vezes que solta o seu belo vozeirão. Uma voz que vai a todos os lugares que Selma quer, de Moçambique a Portugal, da electrónica de Moullinex ao clássico da pianista Maria João Pires, ao hip hop de Valete, ao indie rock de Samuel Úria, ao neoclássico de Rodrigo Leão, ao rock n´ roll de The Legendary Tigerman ou ao universo africano de BATIDA. Autora de 2 discos em nome próprio, Mati (2018) e Liwoningo (2020), Selma está a preparar o seu disco “mais íntimo”, que conta a sua história. E aqui revela um pouco sobre ele e o que a move na música e na sua vida. Ouçam-na na primeira parte desta conversa com Bernardo Mendonça See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Seixas (parte 2): “Na luta climática as jovens são detidas, obrigadas a despirem-se. Com agricultores ou bombeiros a polícia nem se aproxima”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a atriz Joana Seixas, que fala da importância das raparigas aprenderem desde muito cedo que são donas do seu corpo, mesmo colocando limites aos toques dos pais, porque “os abusos começam em casa.“ Joana alerta também para o lado revolucionário da escuta ativa, para se ocuparem espaços vazios e se desconstruírem preconceitos em “corpos sem cabeça“. A atriz dá ainda pistas em como dar novo fôlego a relações longas e de como o humor, o amor e o respeito salvam relações e lhes dão vida longa. E ainda nos dá música, trauteia algumas canções e lê um poema da poetisa e escritora Maria Teresa Horta. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Seixas (parte 1): “Vivemos a época da clarificação. Os machismos e racismos já existiam, mas envergonhados. Agora estão a soltar-se”
Joana Seixas é um rosto bem conhecido da televisão e uma das atrizes portuguesas mais comprometidas a usar a voz em prol de diversas causas humanitárias, como a crise climática ou a defesa por um cessar-fogo em Gaza. A atriz considera que as novas vozes femininas que afirmam ter sofrido assédio sexual são a ponta do iceberg da sociedade. Muito crítica do silêncio perante as várias injustiças, Joana considera que estar em cima do muro a assistir a atentados aos direitos humanos “molda o caráter das pessoas para a apatia”. No arranque de 2025, a atriz regressa à televisão no ‘remake’ da novela “Ninguém Como Tu”, agora em série, na pele da vilã Luiza Albuquerque, a personagem representada há vinte anos por Alexandre Lencastre. Ouçam-na na primeira parte desta conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandre Vidal Porto (parte 2): “Não esqueço quando o meu marido depositou dinheiro de forma anónima na conta de alguém na penúria, que não gostava dele.”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o escritor e diplomata brasileiro Alexandre Vidal Porto, que aqui fala do processo criativo, e de como a sua literatura acontece, no balanço entre imaginação e memória. E ainda revela um pouco sobre o próximo romance que está a terminar, dá-nos música, lê um excerto de “Sodomita” e revela ainda alguns dos prazeres da sua atual vida em Amesterdão, na companhia do marido e dos seus dois cães. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandre Vidal Porto (parte 1): “O preço da liberdade é a eterna vigilância. Temo que um radical de direita mais inteligente que Bolsonaro consiga seduzir o Brasil”
O quarto romance do escritor e diplomata brasileiro Alexandre Vidal Porto, “Sodomita”, acaba de ser editado em Portugal e de vencer o prestigiado Prémio Machado de Assis 2024. Um livro que, através da ficção e de muita pesquisa, conta a história real (ou surreal) de Luiz Delgado, um violeiro português votado ao “degredo” no Brasil pela condenação de um dos crimes mais hediondos da época — amar pessoas do mesmo sexo. Um romance que nos transporta aos diabólicos tempos da Inquisição para nos confrontar com preconceitos que persistem ainda 300 anos depois na sociedade. O autor revela aqui ter escrito o livro como reação ao “bolsonarismo”, uma obra de resistência e memória sobre uma das épocas mais feias da história. Ouçam-no nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Paulo Pascoal (parte 2): “Sei muito bem lidar com pessoas racistas, o que me preocupa é o sistema ainda me excluir”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com o artista multidisciplinar Paulo Pascoal, que aqui fala dos sonhos que ainda tem por cumprir, os desafios de uma vida para ter cidadania portuguesa e vencer a entropia do sistema, apesar de ter nascido em Portugal, a importância da visibilidade como segurança, a rebeldia e a resistência enquanto pessoa negra e queer. E ainda nos dá música. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Paulo Pascoal (parte 1): “Chamei ao meu livro ‘O Quarto Preto’. O título é uma sátira, um 4º lugar de opressão, ser o primeiro dos últimos”
Paulo Pascoal é um artista multidisciplinar com uma história de vida que dava um filme. Já foi rosto de campanhas de publicidade em Nova Iorque, escreveu para cantores famosos, foi uma estrela da música pop em Angola e tem um extenso currículo no teatro, cinema e televisão. Paulo acaba de editar a obra autobiográfica “X 4 PRXTX”, um diário íntimo que escreveu quando chegou aos 18 anos a Nova Iorque e relata o seu primeiro ano na voragem da metrópole americana. O título codificado do livro nomeia um certo lugar que Paulo toma agora como seu. “É o quarto preto, o quarto lugar. É uma sátira, uma colocação social de um quarto lugar de opressão, e quis reclamar a pertença nesse quarto lugar, o primeiro dos últimos.” Ouçam-no nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabel Lucas (parte 2): “A generosidade das pessoas adviria se todos percebêssemos o que está a acontecer com o clima no planeta”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a jornalista e crítica literária Isabel Lucas, que fala da voragem da sociedade de consumo que consome a capacidade de escuta, de leitura, de reflexão e de olhar para os outros. Isabel é também crítica sobre a forma de gerir e pensar o jornalismo, lança novas questões e revela uma grande inquietação sobre o problema da crise climática no planeta, que parece ainda interessar pouco aos grandes poderes mundiais. E ainda partilha algumas das músicas que a acompanham. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabel Lucas (parte 1): “Andamos sem tempo para refletir, para ler e olhar para o outro, o tempo é uma voragem e andamos todos nela”
É uma das mais conceituadas jornalistas culturais portuguesas. Em 2016 Isabel Lucas percorreu 27 estados americanos, conheceu a América profunda e zangada — a que voltou agora a votar em Trump — e contou essa experiência no livro “Viagem ao sonho americano”. Depois andou pelo Brasil e assinou o livro “Viagem ao país do futuro”. Agora publica “Conversas com Escritores”, com entrevistas marcantes a alguns dos incontornáveis autores mundiais. Isabel, que é curadora do Prémio Oceanos de Literatura, tem um olhar crítico para o estado atual do jornalismo, base da democracia: “Em vez de encherem os jornais com mini notícias, invistam em grandes histórias, no que faz a diferença!” Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Paula Cardoso (parte 2): “Não se combate fogo com fogo. O amor é a resposta para o que estamos a lidar no nosso quotidiano.”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a apresentadora, cronista e fundadora da rede ‘Afrolink’, Paula Cardoso que considera o antirracismo um ato de amor para a Humanidade, e dá conta de como o livro “Tudo do amor”, da feminista Bel Hooks, a permitiu estar mais disponível para amar, com menos receios, a viver de forma plena o seu corpo e a sua sexualidade, sem culpas ou medos. E conta como um retiro de mulheres, onde não se usava roupa, foi para si profundamente libertador e empoderador. Paula partilha ainda as músicas que a acompanham e uma sugestão cultural. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Paula Cardoso (parte 1): “A verdade perdeu peso. Perante factos a desmentir narrativas populistas, misóginas, racistas, diz-se: ‘ah, mas isso não me importa!'”
Paula Cardoso foi uma das pessoas convocadas recentemente pelo Governo português para discutir soluções que respondam à revolta das comunidades dos bairros da periferia de Lisboa, após a morte de Odair Moniz, baleado mortalmente por um agente policial. A fundadora da rede “Afrolink” e apresentadora do magazine cultural “Rumos”, da RTP África, afirma que é urgente que o Governo tire da gaveta o Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação, e que aposte na educação e revisão dos manuais escolares. Sobre a vitória de Trump: “Se a verdade tivesse algum peso, jamais teríamos este resultado. Esta deriva vem da ausência de escuta das populações que acabam em situações de desespero a ouvir falsos messias.” Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Benedita Pereira (parte 2): “A mãe das desigualdades é a de género. Ser feminista é ser antirracista e anti-homofóbica. A opressão é a mesma”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a atriz Benedita Pereira que recorda os testes e “self tapes” mais estranhos e desafiantes que fez para tentar a sua sorte em séries e filmes americanos, conta como se especializou nos sotaques inglês e castelhano e partilha os bastidores de um certo anúncio que gravou em Nova Iorque de contornos particularmente risíveis. E ainda fala dos preconceitos que sente na pele da parte de alguns realizadores, do vinho criado pelo marido durante a pandemia (que se tornou um sucesso pelo ousado vernáculo no nome) e dá-nos música, lê um excerto da obra “Um Quarto Só Seu”, de Virginia Woolf, e partilha algumas sugestões culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Benedita Pereira (parte 1): “Não tolero a intolerância. Mas, antes disso, há espaço para conversar e não polarizar. E as artes ajudam muito a pensar”
Aos 22 anos, a atriz Benedita Pereira partiu para Nova Iorque para escapar à máquina de fazer novelas, ao rótulo de uma série juvenil em que participou e, principalmente, para aprender mais. Por lá viveu 7 anos, estudou “o método” no famoso Instituto Lee Strasberg e noutras escolas, aprendeu a lidar com os constantes “nãos” nas audições e especializou-se a fazer sotaques em inglês e castelhano. No currículo constam papéis de destaque nas séries “Versailles”, “The Blacklist” e no filme “Ascension”. Em Portugal voltou a fazer televisão, mas sobretudo teatro. E está atualmente em cena com a peça “Telhados de Vidro”, no Teatro da Trindade, em Lisboa. Um drama contemporâneo sobre ideologias opostas entre pessoas que se desejam. Ouçam-na nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Brito Guterres (parte 2): “É preciso criar condições políticas para exercer o amor em todos os bairros. Não basta dizer ‘foste violento, onde está o amor?’”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com António Brito Guterres, assistente social e investigador na área de Estudos Urbanos, que aqui aborda os preconceitos políticos e sociais que levam ao anticiganismo e racismo no país, aponta soluções para o problema da habitação em Lisboa e grandes cidades e desconstrói a narrativa que o governo tem apresentado sobre as novas políticas para a imigração na AIMA. E ainda partilha as músicas que o acompanham e lê um excerto de Sophia de Mello Breyner Andresen. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Brito Guterres (parte 1): “Os moradores do Zambujal só recebem assédio, violência policial e sentem que não terão justiça social. É importante escutar estas pessoas”
António Brito Guterres conhece a cidade invisível que mora nos bairros das periferias de Lisboa como as divisões da sua casa. O assistente social e investigador na área de Estudos Urbanos é uma das vozes dessas comunidades multiculturais, escutando-as sem imposições, condescendências ou paternalismos, procurando acudir a algumas das suas necessidades e aqui relata como estas pessoas são diariamente marginalizadas, perseguidas e assediadas pelas forças policiais. Que saídas para o ciclo de violência que assistimos no bairro do Zambujal? Que soluções para se pôr fim à exclusão e desigualdade económica e social destas pessoas? O que importa mudar no sistema e nestes bairros debaixo de fogo, onde moram populações economicamente frágeis e com necessidades específicas? Ouçam-no aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Marco Paulo (1945-2024): “Daqui para a frente será sempre um sorriso. Tudo tem um princípio e um fim. Como a flor que plantei no jardim”
Será para sempre o rei da música romântica portuguesa. Não há ninguém como ele. Ao longo de mais de 50 anos de carreira, vendeu perto de 5 milhões de discos, escutados e cantados por milhões de pessoas, e recebeu centenas de prémios. O seu maior êxito foi lançado em 1980: “Eu Tenho Dois Amores”. Esta é uma conversa intimista e surpreendente com Marco Paulo feita em sua casa, em setembro de 2019, que recorda o galã dos caracóis, dos dois amores, o cantor do vozeirão e do jogo do microfone. “Não sou um cantor antigo. Sou dos anos 80, dos anos 90, dos anos 2000 e de todos os tempos.” Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mitó Mendes (parte 2): “Há muitas varejeiras na política e nas instituições. Alimentam-se da desgraça alheia e dos destroços das vidas dos outros”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a cantora, música e atriz Mitó Mendes, que revela como no futuro a política pode passar a ter um lugar maior na sua vida e como as amizades foram fundamentais para se apurar como pessoa, ao aprender a deixar cargas emocionais para trás e a ir mais fundo no que para si é importante. E dá-nos conta das músicas que a acompanham, celebra Saramago, Carlos Paredes e Maria Teresa Horta e partilha outras tantas sugestões culturais. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mitó Mendes (parte 1): “Voltei à música porque a cantiga é realmente uma arma. O momento social e político que vivemos exige que façamos alguma coisa”
Mitó Mendes está de regresso aos palcos e à música como a voz da banda de intervenção Cara de Espelho, que junta músicos consagrados com a mira apontada para certos “políticos antropófagos” e outros absurdos destes tempos. E tudo isto servido num disco homónimo de estreia, musicalmente muito cuidado, com letras certeiras de Pedro da Silva Martins que resultam em canções que dão gosto ouvir e trautear. Depois d´A Naifa e de Señoritas, Mitó Mendes continua a acreditar no poder das cantigas para agitar consciências e “desmontar ideias pré-feitas que estão na cabeça das pessoas”. Ouçam-na aqui nesta primeira parte da conversa com Bernardo Mendonça no podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Luísa Costa Gomes (parte 2): “Mais do que ofegante, as pessoas no jornalismo têm uma resistência física e psicológica sobre-humana, com tantas pressões”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a escritora, tradutora e dramaturga Luísa Costa Gomes que aqui fala do imprescindível papel dos editores e dos amigos no processo de apuro da escrita, dos desafios do jornalismo para a defesa da democracia e liberdade de expressão, alerta para os perigos do “ofensismo” e revela alguns paradoxos sobre os quais está a escrever no próximo romance, numa atmosfera de ficção científica. E ainda nos dá música, lê um excerto do novo livro de contos e sugere um filme que a arrebatou recentemente. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.