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A Beleza das Pequenas Coisas

A Beleza das Pequenas Coisas

460 episodes — Page 6 of 10

Cláudia R. Sampaio (parte 1): “Na poesia vou a sítios muito obscuros. É como estar à beira de um precipício, quase a cair, e ficar nessa vertigem. Viver é uma vertigem”

Cláudia R. Sampaio é das poetas mais necessárias e marcantes da contemporaneidade. A sua poesia é desassombrada, torrencial, por vezes crua e em carne viva, com fúria, fogo, cinza e lava, delírio, abismo e subversão. A autora escreve até às entranhas e nunca se furta a expor as dores, a experiência da doença mental e a lucidez perante si, os outros e o mundo. A obra mais recente é a antologia “Já Não Me Deito em Pose de Morrer”, da coleção “Elogio da Sombra”, da Porto Editora, com curadoria de Valter Hugo Mãe. Um livro tesouro que contém relíquias poéticas de Cláudia, que é também pintora e está ligada ao projeto “Manicómio”. Uma vez quiseram-na louca, como escreveu num poema, mas maior loucura estará em quem não a ler e escutar. No final desta primeira parte, o escritor Valter Hugo Mãe deixa um retrato sobre Cláudia, e junta uma pergunta que vai fundo na poeta. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 17, 20231h 31m

Cláudia R. Sampaio (parte 2): “Talvez o medo que tenha seja de mim própria. Medo de falhar aos outros, do dia de amanhã e do estado do mundo. Sou muito lúcida”

No arranque desta segunda parte, Cláudia responde a uma pergunta do escritor Valter Hugo Mãe. E discorre sobre alguns dos medos que ainda vivem em si. Mais à frente, é surpreendida por mais um retrato aúdio, sobre si, pela também poeta Raquel Nobre Guerra, que é amiga íntima e a compara a uma romã, de uma forma muito bela, certeira e poética. Raquel lança-lhe também algumas achas para a fogueira das questões que ardem em acesas respostas. E ainda há espaço para a música e para a leitura de dois dos seus poemas preferidos: “O Poeta em Lisboa”, de António José Forte, e “Homens que São como Lugares Mal Situados”, de Daniel Faria.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 17, 20231h 4m

Beatriz Gosta (parte 1): “Um pseudo-humorista chamou-me puta, porque sou uma mulher livre. Dá dó. Acordem, não é ofensa uma mulher ser dona do corpo e da vontade”

E

Ela é sempre um acontecimento. Através do humor faz cheque-mate a pessoas machistas, retrógradas, conservadoras ou pudicas. Chama-se Marta Bateira, mas tornou-se conhecida em 2015 no Youtube como Beatriz Gosta, um alter ego de língua solta, sotaque orgulhoso do norte, sexualmente livre e empoderada, de carisma do outro mundo, que chegou rapidamente à rádio e à televisão. Foi também para acontecimentos destes, de 'Beatrizes' que metem o pé na porta e ocupam o espaço público, a reivindicar igualdade de direitos e a assumir tanto os seus desejos, como os desafios e cansaços da gravidez e da maternidade, que se fez o 25 de Abril. Em 2023, Beatriz Gosta estreou novo espetáculo, “Resort”. Espécie de sonho com pulseirinha e bar aberto perante uma realidade que a tem virado do avesso. Oiça aqui a primeira parte da entrevista.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 10, 202346 min

Beatriz Gosta (parte 2): “No hotel, depois de um show de sucesso, palmas, ‘selfies’, adrenalina, ligas a TV, róis um chocolate e bate aquela solidão. Sentes falta de partilhar”

Na segunda parte desta conversa, Marta Bateira começa por falar da melancolia e solidão de uma artista ao chegar ao hotel sozinha, após um espetáculo com casa cheia. “No hotel, depois de um show de sucesso, palmas, ‘selfies’, adrenalina, ligas a TV, róis um chocolate que trouxeste do camarim e bate aquela solidão. Sentes falta de partilhar aquilo com alguém.” E revela o lado desafiante das relações amorosas, quando se é independente e se criou “uma casca grossa”. E ainda há tempo para se discutir a fundo machismo tóxico e sexismos, a crise na Habitação, política e até o prazer e a sexualidade saudável, com muito humor, sem falsos pudores, numa conversa muito 'hilária' e desarrumada.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 10, 20231h 12m

Nelson Nunes (parte 1): “Escrever pode ser uma finta à morte, sabendo que ela vai ganhar. No amor e no humor há esse adiamento da morte. É bom falarmos e rirmos dela”

Em 2019, Nelson Nunes escreveu o primeiro romance “Preciosa”, onde contou, entre a realidade e a ficção, a história de violência doméstica que ele e a sua mãe sofreram. Este mês o escritor lança novo livro, sobre um dos grandes temas da literatura que mais inquietam a Humanidade: a morte. Chamou-lhe “Enquanto vamos sobrevivendo a esta doença fatal”, publicado pela Zigurate, e, com rigor e investigação, disseca o tema e vai fundo nos seus ângulos mortos, com as perspectivas de quem viveu grandes perdas, quem pensou no suicídio, na eutanásia, ou recebeu uma sentença de morte. “Perante a morte, se nos rirmos um bocado dela, estamos a ganhar, sabendo que vamos perder daqui a um tempo.” Nelson chega a ler um excerto do seu livro e, no final desta primeira parte, é surpreendido com um áudio e uma pergunta do escritor e dramaturgo Rui Cardoso Martins.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 3, 20231h 1m

Nelson Nunes (parte 2): “Não tomamos bem as rédeas do nosso tempo. Por isso, na mesa onde escrevo, tenho uma folha a dizer 'não'. Para tudo o que não é importante”

No arranque desta segunda parte, Nelson responde ao escritor e dramaturgo Rui Cardoso Martins. E faz o exercício de imaginar as suas últimas palavras em vida. E perante outro desafio, de Carlos Vaz Marques, o seu editor na Zigurate, a que chama de “fera”, revela o título original deste seu novo livro que não foi do agrado de Carlos. E ainda fala do sentido de urgência com que vive, o gatilho que o leva a escrever, a importância de uma boa relação com um editor, e como se imagina no futuro que aí vem. O escritor dá também a sua perspetiva sobre os desafios do amor em tempos de Tinder, fala do sobressalto da guerra e, mais à frente, dá a conhecer as músicas que o acompanham, e lê um excerto da obra “A Morte do Pai”, de Karl Ove Knausgard, um dos seus escritores preferidos. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 3, 20231h 10m

Maurício de Sousa (parte 1): “A vida é feita de fado, samba e rock and roll. Se sou uma rock star da BD? Não tenho tanta preocupação em me colocar num pedestal. Sempre estive do meu tamanho”

Ele é um dos maiores ícones da banda desenhada mundial, a par de Walt Disney, Hergé, Quino ou Hugo Pratt. Maurício de Sousa é o pai da Mônica, Magali, Cebolinha ou Cascão e desde os anos 60 que as personagens de “A Turma da Mônica” são referência de várias gerações e responsáveis pela alfabetização de milhões de pessoas no Brasil. A sua BD já vendeu mais de um bilhão de revistas em mais de 40 países - de Portugal à Indonésia ou Japão. Agora, aos 88 anos, o cartunista e escritor Maurício de Sousa afirma ter pressa de viver e fazer, e as suas histórias estão no teatro, no cinema, na TV, no Youtube ou em exposições de arte. De visita a Portugal para a mostra “Mônica 60 anos - sempre fui forte”, que estará até 29 de outubro na 34ª edição da Amadora BD, em Lisboa, prepara-se para em 2024 ver adaptada a vida ao grande ecrã. E meio a sério, meio a brincar, afirma: “Quero ganhar um Óscar, claro!” No final da primeira parte, Maurício é surpreendido com um testemunho da filha Magali... See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 27, 20231h 0m

Maurício de Sousa (parte 2): “O sentido da vida é fazer com que as pessoas ao nosso lado estejam felizes. Tenho pressa, quero ter mais tempo para entender, ouvir, ler, viver, e chegar a mais mundos com ‘A Turma da Mônica’”

Esta segunda parte arranca com emoção e memória, com Maurício de Sousa a recordar a infância da comilona filha Magali, que deu origem à famosa personagem viciada em melancia, que tem um gato chamado Mingau. Aqui ficamos a saber que o verdadeiro gato tinha outro nome e outras curiosidades. Num percurso com tanto sucesso, como Maurício se relacionou durante o seu caminho com a falha e o momento de quase falência? E como é ganhar tantos anos de vida, mantendo a curiosidade, a vontade de inovar, aprender e de estar em contacto com a infância? É esse o segredo da juventude? Maurício responde nesta segunda parte do podcast, é ainda surpreendido pelos testemunhos do filho Mauro (que representará a vida do pai no cinema) e do ilustrador Vitor Cafaggi. E haverá espaço para a música, e para ouvir o vozeirão de Maurício que nos surpreende a trautear o tema "Granada". Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 27, 202352 min

Filipe Sambado (parte 1): “Não grito no café ´Sou uma pessoa não binária! Tratem-me pelos pronomes certos!’ Gostamos é que nos tratem bem e que possamos ver a bola juntos”

Se há artistas que são constante reinvenção, metamorfose e faísca musical, Filipe Sambado faz parte dessa constelação, com um lugar bem firmado na pop nacional. No seu novo quarto álbum de originais "Três Anos de Escorpião em Touro", Filipe Sambado volta a surpreender e revela-se num registo mais intimista e melancólico depois da experiência da pandemia e de várias mudanças: a reafirmação de género enquanto pessoa não binária, os desafios de ser “pai ou papita” da filha Celeste, junto com a ansiedade e depressão. E aqui se revela, sem interesse em pedestais. “Não me sinto corajosa. Tenho muito medo no geral. Mas percebo que para fazer certas coisas tenho de o enfrentar.” Qual o poder de uma canção? “Ouvirmos o que estávamos a precisar de compreender e não conseguimos explicar. E pode ter o valor de uma dança.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 20, 20231h 3m

Filipe Sambado (parte 2): “Gostaria que as minhas músicas fossem ‘hits’, preocupo-me em chegar ao público, mas quando faço uma canção quero é sentir que chega a um ponto de sublime”

No arranque da segunda parte deste podcast, Cecília Henriques, companheira de Filipe, deixa-lhe um testemunho de amor apaixonado e arrebatador, do interior de uma casa de banho. E coloca-lhe uma pergunta de resposta complexa. E aqui é recordado o início desta história de amor que tem várias nuances, sempre pontuada com muito humor. E ainda se fala dos desafios da paternidade e de uma relação amorosa longa, de saúde mental e como Filipe olha para o futuro e para o espelho retrovisor do passado. Como habitual, ainda há espaço para mais música e para a poesia.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 20, 202358 min

Catarina Vasconcelos (parte 1): “Faço filmes porque a minha mãe morreu e porque quero ter muitas vidas dentro desta. Filmar é viver mais e espreitar muito”

Com a sua primeira longa-metragem, “A Metamorfose dos Pássaros”, de 2020, a cineasta Catarina Vasconcelos já passou por mais de 70 festivais, depois de duas dezenas de distinções, nomeadamente o “Fipresci” da crítica do Festival de Berlim ou o prémio de melhor realização no IndieLisboa, e recebeu 4 troféus nos prémios Sophia. Esta obra, entre a realidade e a ficção, sobre a sua mãe e a sua avó, que partiram cedo demais, soma mais de 15 mil espectadores em sala, além das plataformas de streaming. A fasquia está alta e o futuro a Catarina pertence, que após a curta “Nocturno Para uma Floresta”, prepara nova longa sobre a relação das pessoas com a morte e aqui desvenda mais sobre si e o seu cinema.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 13, 20231h 12m

Catarina Vasconcelos (parte 2): “Eu leio poesia e sou romântica e a Cláudia lê ciência e acha que o amor romântico é uma seca. O amor e a liberdade podem tudo”

Na segunda parte desta conversa, Catarina responde à questão surpresa colocada pela sua companheira, a cineasta Cláudia Varejão, sobre como vê neste momento a cidade de Lisboa. O que a inquieta, preocupa e estimula? E como olha Catarina para o nosso país 50 anos depois do 25 de Abril? E o que importa reconstruir, desconstruir e fazer nos próximos 50 anos para vivermos numa sociedade com menos desigualdades, ódios e 'ismos'? Neste episódio, há ainda espaço e tempo para falarmos sobre amor, humor e sobre a sua fé, nos outros, na arte e na natureza. E há ainda lugar para a poesia e para a música que a acompanha.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 13, 20231h 5m

Manuel Beja (parte 1): “No futebol masculino e nas empresas portuguesas não conheço pessoas LGBT fora do armário. A visibilidade é importante e tem valor político”

Manuel Beja entrou este ano a bordo do voo da agenda mediática enquanto chairman da TAP, uma viagem cheia de turbulências provocada pelo despedimento de Alexandra Reis, ex-administradora da TAP. A aterragem foi imprevista, já que o Governo decidiu demiti-lo, com “justa causa”. Nesta primeira entrevista após a demissão, o gestor afirma que “não há justa causa”, elogia Pedro Nuno Santos, avisa que o Estado deve manter posição relevante na privatização da companhia aérea e admite entrar com um processo de indemnização. O gestor recorda ainda as insinuações veladas que o Chega lhe fez na Comissão de Inquérito, o momento em que referiu o seu marido, afirma a importância da visibilidade LGBTQIA+ na sociedade e em cargos de topo nas empresas, e alerta para os perigos da extrema direita. “Espalham o ressentimento, promovem uma regressão civilizacional, fomentam a divisão, o ódio e a falta de solidariedade contra ciganos, estrangeiros, refugiados, contra quem tem uma religião diferente da sua, contra tudo aquilo que é humano mas não é igual a eles próprios”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 6, 202352 min

Manuel Beja (parte 2): “Iniciei a adoção do meu filho no Brasil, onde vivi. O Guilherme veio para casa com um ano e um mês. Tornou-me mais feliz e completo”

Na segunda parte deste episódio em podcast, o gestor Manuel Beja começa por responder a duas perguntas colocadas pela presidente da ILGA, Ana Aresta, fala dos desafios do ativismo, e o que os pode levar a estar à beira de um ataque de nervos, comenta a realização pessoal que a paternidade lhe trouxe, e recorda o ano mais feliz da sua vida quando, há 20 anos, adotou o seu filho Guilherme, no Brasil. Manuel Beja conta ainda a forma como celebrou com uma grande festa os seus 50 anos, os fantasmas e inquietações que atualmente o acompanham, e revela também alguns dos seus prazeres, que incluem o vólei, o pádel e o ciclismo. E ainda nos dá a conhecer as músicas que o acompanham e dois poemas com que se identifica.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 6, 20231h 8m

Laborinho Lúcio (parte 1): “Gostaria que a Igreja estivesse preparada para desocultar a sexualidade dos padres e acabasse com a castidade”

Foi ministro da Justiça na década de 90, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, e é atualmente juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça e escritor. Autor de quatro romances, publicou em 2022 “As Sombras de Uma Azinheira”, sobre o confronto de um país antes e depois da revolução. Nesta conversa em podcast, Laborinho Lúcio, deixa um olhar crítico sobre o estado da Justiça em Portugal e após integrar a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica, reflete sobre o que falta fazer para haver uma efetiva mudança numa certa cultura de silêncio e ocultaçãoSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 29, 202357 min

Laborinho Lúcio (parte 2): “Tenho 81 anos e o meu desejo é demorar o máximo tempo possível a estar velho. A vida é fantástica, cabeçada aqui e ali, e tenho pena que acabe”

Na segunda parte desta conversa, Laborinho Lúcio começa por responder a uma pergunta do jurista e político Guilherme d´Oliveira Martins e faz-se justiça ao homem que é atualmente, acima de tudo, um escritor com quatro obras de ficção publicadas. Começou a escrever já depois dos 70 - a provar que podemos ter várias vidas nesta vida, e que podemos reinventar-nos em qualquer idade. E sobre si afirma que “é um jovem romancista com um grande futuro atrás”. E ainda fala dos desafios da Educação e da Inteligência Artificial, revela as músicas que o acompanham, lê um poema de Natália Correia para celebrar o centenário do seu nascimento, e recorda o momento em que a escritora e poeta o chegou a ‘expulsar’ do bar “Botequim”. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 29, 20231h 16m

Capicua (parte 1): “Os homens nunca são fãs das mulheres. Nos concertos delas é raro estarem homens na primeira fila. Género não deveria ser critério”

Quem é Capicua na fila do pão? Ela é uma das vozes femininas mais comprometidas a elevar a sua arte a um lugar de reflexão cultural, social e política. E fá-lo sabendo que as palavras podem ser uma boa arma contra a alienação. Capicua, ou Ana Matos Fernandes, afirmou-se no rap há mais de uma década, com novas rimas e narrativas. E se o futuro do rap é dela, aos 40 anos, Capicua afirma que não é fácil para uma mulher amadurecer nos palcos. “Na música o envelhecimento das mulheres é completamente desautorizado e desaconselhável.” Autora de três álbuns de rap, lança neste episódio várias críticas à falta de diversidade de género nos cartazes dos festivais e à diferença nos cachets entre homens e mulheres artistas. E ainda conta como navegou do rap ao fado, ao escrever as 11 letras do próximo disco da fadista Aldina Duarte. No final desta primeira parte, Aldina Duarte intervém para lançar uma pergunta sobre uma certa solidão... See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 22, 20231h 7m

Capicua (parte 2): “O feminismo não é um Porto-Benfica, é uma luta pela igualdade, pelos direitos humanos e também é bom para a saúde mental dos homens”

Nesta segunda parte da conversa, Capicua fala de uma certa alienação em que vivemos, das suas ambições e sonhos e critica a nova ditadura do algoritmo, que perverte a validação dos artistas e os convites para festivais. "Gostava que os programadores musicais dessem mais espaço às mulheres e fossem imunes à ditadura do algoritmo. Se não és 'influencer', com muitos seguidores, 'streamings' e 'views' consegues menos concertos. A validação artística está mais quantitativa." Capicua fala também sobre a "exaustão feminina", que é todo um tratado de desigualdade de género que se perpetua. E ainda revela as músicas que a acompanham e como se projeta no futuro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 22, 202355 min

Vem aí uma nova temporada de conversas 🎧 ❤️ 🌈

Olá belezas! Na próxima sexta feira, dia 22 de setembro, podem ouvir o primeiro episódio da nova temporada deste podcast. A convidada especial será a Ana Matos Fernandes, mais conhecida por Capicua, que regressa para mais uma conversa livre e desassombrada. E, em jeito de aperitivo para o prato principal, podem escutar aqui um breve excerto do episódio que vem aí e conhecer em primeira mão o novo génerico deste podcast, da autoria de Márcia, com a colaboração de Tomara. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 15, 20233 min

Miguel Guilherme (parte 1): “Terei tido momentos de ilusão a achar-me o maior. Considerarmo-nos o pináculo de algo é ridículo e a realidade dá-nos chapadas”

É um dos atores mais carismáticos, talentosos e amados deste país. O seu currículo é extenso onde se somam inúmeros sucessos no teatro, no cinema, na televisão e na rádio. Foi nos anos 80 que se tornou conhecido num anúncio de eletrodomésticos e daí passou a integrar durante anos a turma de Herman José em inúmeros programas de humor. Na televisão são muitas as séries que protagonizou e que ficaram no imaginário de todas as pessoas, como o “O Fura-Vidas”, “Bocage” ou o “Conta-me Como Foi”, que regressa aos ecrãs em junho. Mas Miguel está de volta também aos palcos, agora em cena com a atriz Luísa Cruz no espetáculo “A peça para dois atores”, de Tennessee Williams, com encenação de Diogo Infante, no Teatro da Trindade, em Lisboa, até 25 de junho. Uma história sobre dois irmãos atores abandonados por toda a companhia num teatro decrépito. E aqui se fala de saúde mental, de confinamento forçado, e da linha ténue, por vezes perigosa, entre ficção e realidade, entre a verdade e a mentira. Sobre o jogo da luta de egos deixa claro: “A ideia da competição para mim é abjeta, desinteressa-me, talvez porque sempre fui muito inseguro. Sou mais de cooperar, vou buscar o melhor no outro e isso eleva-nos. É assim que gosto de representar e é assim que devia ser na vida." Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 26, 20231h 3m

Miguel Guilherme (parte 2): "Quero ter prazer e estar em pleno em tudo o que faço. Estou com menos medo de falhar e da morte agora que estou mais velho”

Nesta segunda parte da conversa, o ator Miguel Guilherme é logo questionado se se vê como um cacto, e se pica quem lhe chega perto. A dica foi-nos dada por Rita Blanco. E, nesse caminho, Miguel conta-nos como foi que surgiu essa sua paixão e hobbie por estas plantas do deserto, que o levou a abrir uma banca como florista no mercado do Príncipe Real. E depois revela o que gostaria de ter feito na vida que ainda não fez ou que ainda quer fazer, os medos que perdeu e as notícias da atualidade que mais o inquietam. E ainda há espaço para a literatura, num momento imperdível quando Miguel lê de forma sublime um poema de Ricardo Reis, e depois dá-nos música e sugere leituras para este verão. E entre portas e travessas fala-se das vantagens da maturidade, do sexo na idade madura e do horizonte que o ator deseja para a sua vida. Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 26, 202344 min

Gisela Casimiro (parte 1): “Acontecem-me pessoas que se transformam em poemas. Mas a poesia surge-me até na piscina quando reparo numa luz que não havia”

Há três anos, um poema seu afixado na rua e publicado no livro “Erosão” (2018) criou um tremor na polícia e foi alvo de um processo judicial por chamar a atenção para a realidade do racismo nas forças policiais. O caso foi arquivado, mas a polémica gerada em torno do seu poema ‘Quando For Grande’ chegou a ser comparada à da obra “Novas Cartas Portuguesas”, das ‘três Marias’, que viram a sua escrita feminista ser julgada em tribunal em plena ditadura, em 1973. Este mês, a escritora, poeta e dramaturga Gisela Casimiro acaba de publicar dois novos livros autobiográficos: um de poesia, “Giz”, e outro de crónicas, “Estendais”, onde partilha as suas dores, alegrias e sonhos e as das pessoas com quem se cruza nos transportes públicos, nos mercados, na rua, na vida, como uma garimpeira que sabe reconhecer a riqueza das histórias mundanas. O músico brasileiro Emicida considera que a “sua caneta pode ser uma navalha” para desfazer preconceitos que têm o corpo ou a cor da pele como alvo. Mas a obra de Gisela faz-nos também olhar para os poemas que as pessoas podem ser. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 19, 20231h 11m

Gisela Casimiro (parte 2): “Sempre fui mais alvo de raiva do que a pessoa que pudesse exprimir a sua raiva. Mas o que me move é o sonho”

Na segunda parte desta conversa, a escritora e poeta Gisela Casimiro responde a uma mensagem áudio que o músico e amigo Dino D´Santiago gravou para este podcast. Fala sobre temas difíceis sobre os quais escreve, como o aborto e outras violências que colocam a pele e até o cabelo das pessoas negras como alvo de racismo e de assédio ou apropriação cultural. Gisela fala ainda dos sonhos que a inspiram e são matéria poética, do amor em tempos de apps de encontros, de como projeta o futuro, os lugares que ainda quer ocupar e as cidades no mundo onde quer viver. E lê alguns dos seus poemas, junta um excerto do seu livro de crónicas e surpreende com um texto da escritora e poetisa americana Maya Angelou. E ainda nos dá música e revela um pouco do romance que está a escrever. Ouçam-na no podcast "A Beleza das Pequenas Coisas", com Bernardo Mendonça See omnystudio.com/listener for privacy information.

May 19, 20231h 0m

Isabel Moreira (parte 1): “António Costa desmontou um ‘bluff’ porque o discurso catastrofista do Presidente não cola com os bons resultados do Governo"

Há 12 anos que Isabel Moreira é deputada do PS na Assembleia da República e, desde o início, tem sido combativa na luta contra as discriminações existentes na lei e uma aliada importante das minorias no combate ao racismo, à homofobia, à transfobia e outros preconceitos sociais. O seu combate mais longo e “doloroso” foi na defesa da lei da eutanásia que acaba de ser aprovada no Parlamento depois de quatro vetos do Presidente, a quem Isabel não poupa críticas. Sobre a crise atual no Governo com origem no caso Galamba, afirma: “Aquele episódio é deplorável, há pontas soltas e uma comissão de inquérito. Ainda não estou esclarecida. O que me preocupa é como o SIS atuou. Mas admito que haja uma explicação." E nesta primeira parte da conversa, a deputada fala dos perigos da extrema direita, do bullying e ofensas que alguns deputados do Chega fazem nos corredores da AR, e ainda deixa uma crítica e um conselho a Costa e Medina: “Temos que ser menos obsessivos com o défice e com as contas certas e fazer um choque salarial na função pública.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 12, 202355 min

Isabel Moreira (parte 2): “Estou sem lugar desde que o meu pai morreu. A dor é tão profunda. Ele legitimava-me com um amor incondicional”

Nesta segunda parte da conversa, a deputada do PS Isabel Moreira responde a uma pergunta lançada pelo antropólogo e seu amigo Miguel Vale de Almeida sobre que horizontes de esperança o PS pode ainda dar, fala de uma certa solidão que vem de sempre, por ter crescido à esquerda numa família conservadora de direita, e por ser uma carta fora do baralho no seu próprio partido. E vai mais a fundo a traduzir a forma como as discriminações são sentidas na pele de muitas pessoas e a importância dos aliados e aliadas nas lutas sociais das minorias. Isabel relata ainda de forma comovente o doloroso luto que está a passar pela perda do seu pai, o histórico democrata-cristão Adriano Moreira, que partiu no final do ano passado com 100 anos. E confessa o desamparo e a sensação de ter ficado "sem lugar" num emotivo testemunho de amor, que estende à sua mãe. Isabel ainda fala de como se libertou da culpa judaico-cristã e de como vive de forma livre a sua sexualidade e amores sem se importar com o olhar dos outros ou de convenções machistas e retrógradas. E aproveita para explicar como o feminismo pode ser igualmente libertador para os homens. E ainda nos dá música e lê um texto escrito pelo pai sobre o tempo. Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 12, 20231h 4m

Hugo van der Ding (parte 2): “Nos dias maus é no humor onde vou buscar força. Mas se estou mal, danço, leio, choro e dou espaço à tristeza"

Há quatro anos que Hugo van der Ding anima as manhãs da Antena 3 com a rubrica 'Vamos Todos Morrer', através de notas necrológicas de figuras dignas de antologia que trazem conhecimento e gargalhadas em doses generosas. Figura popular pelas tiras humorísticas como 'A Criada Malcriada', 'Cavaca para Presidenta' ou 'Juliana Saavedra, a psicanalista que deixa os pacientes na merda', Hugo não é tipo de rótulos, nem de um talento só: tem feito teatro, televisão, livros e assinado inúmeros programas na rádio e em podcast. Destaque para o 'Vamos para a Tua Terra', onde todas as semanas nos dá a conhecer um país, ou uma parte do mundo, através dos olhos de quem lhe chama a sua casa de partida. E através destas conversas desmonta o insulto que a extrema-direita tem usado como arma contra migrantes, refugiados ou pessoas racializadas. “Quando alguém grita ‘vai para a tua terra’ sabe lá o que essa pessoa passou para chegar ao que achamos que é a nossa terra. Se ouvirmos as suas histórias de vida, acredito que seremos todos melhores.” Prestes a terminar o primeiro romance, Hugo avisa: “Quero retirar-me das coisas que me obrigam a aparecer, ir morar para o campo e viver mais da escrita.” Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo Mendonça See omnystudio.com/listener for privacy information.

May 5, 20231h 4m

Hugo van der Ding (parte 1): “Se perdermos tempo a desmontar o sexismo, homofobia, racismo, as pessoas chegam lá. É o que quero fazer com a minha voz"

Há quatro anos que Hugo van der Ding anima as manhãs da Antena 3 com a rubrica 'Vamos Todos Morrer', através de notas necrológicas de figuras dignas de antologia que trazem conhecimento e gargalhadas em doses generosas. Figura popular pelas tiras humorísticas como 'A Criada Malcriada', 'Cavaca para Presidenta' ou 'Juliana Saavedra, a psicanalista que deixa os pacientes na merda', Hugo não é tipo de rótulos, nem de um talento só: tem feito teatro, televisão, livros e assinado inúmeros programas na rádio e em podcast. Destaque para o 'Vamos para a Tua Terra', onde todas as semanas nos dá a conhecer um país, ou uma parte do mundo, através dos olhos de quem lhe chama a sua casa de partida. E através destas conversas desmonta o insulto que a extrema-direita tem usado como arma contra migrantes, refugiados ou pessoas racializadas. “Quando alguém grita ‘vai para a tua terra’ sabe lá o que essa pessoa passou para chegar ao que achamos que é a nossa terra. Se ouvirmos as suas histórias de vida, acredito que seremos todos melhores.” Prestes a terminar o primeiro romance, Hugo avisa: “Quero retirar-me das coisas que me obrigam a aparecer, ir morar para o campo e viver mais da escrita.” Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 5, 202346 min

Isabela Figueiredo: “Escrevo sobre assuntos que partem da minha ferida aberta. Eu enfio-me dentro dos meus livros"

Com o novo romance, “Um Cão no Meio do Caminho”, a escritora Isabela Figueiredo aponta desta vez o foco a um dos grandes males da vida moderna, a solidão que mora nas periferias dos grandes centros. Desta vez, as personagens estão menos coladas a si, mas continuam a dar corpo e voz a muitas das feridas a que Isabela sempre regressa para curar. “A escrita ajuda-me muito a fazer terapia”. E, neste podcast, a escritora assume que as suas obras não têm escapado às discussões “woke” no meio literário internacional. “No meu livro 'A Gorda', se lhe fosse amputado o título e todas as referências a ‘gordas’, desapareceria como obra. E também percebo que ofende as pessoas quando leem “os pretos” no Caderno de Memórias Coloniais. “É uma questão que me colocam muito em França e na Alemanha. Mas escrevi-o com olhar crítico. Não posso amputar a História do que existiu, do que foi. É uma ginástica difícil”. Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” com Bernardo Mendonça.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 28, 20231h 46m

Mia Tomé: “Cresci a destoar do que era a norma, por causa do meu corpo, cara e voz. Essas impedições fizeram-me voar de outra forma”

Mia Tomé deu voz aos poemas do disco de vinil “Projeto Natália”, que acaba de ser lançado para celebrar o centenário de Natália Correia, com o músico Mário George Cabral. Aos 28 anos, a atriz tem-se dividido entre o cinema, o teatro e a rádio, e atualmente conduz o podcast “Por uma canção”, na Antena 3, onde dá a conhecer as bandas sonoras do teatro português. A ultimar um projeto audiovisual filmado no Arizona, nos EUA, sobre as “Mulheres do Oeste Americano” desvalorizadas na história, Mia está determinada a criar mais lugares para o universo feminino, fora dos sonhos. “Os sonhos são para quem está a dormir. Se estão a dormir as coisas não acontecem. É preciso acordar e fazer pela vida!”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 21, 20231h 41m

Especial com Alberto Pimenta: “Não me considero em nenhuma lista de bem pensantes e bem falantes. Sou alguém à procura de quem sou”

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Voltamos a republicar uma das conversas mais marcantes do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, esta com o escritor e poeta Alberto Pimenta. A gravação foi feita no arranque de 2020, antes da pandemia, na sala do apartamento de Alberto Pimenta. Tudo começa com uma simples pergunta: “Para que serve a poesia?” A resposta segue tão desconcertante e maravilhosa quanto é a sua poesia e personalidade. Eterno experimentalista e artista de vanguarda, deu que falar nos anos 70, numa performance em que entrou numa jaula de chimpanzé, no Jardim Zoológico de Lisboa, exibindo uma tabuleta com a palavra “Homem”. Autor de vasta obra, o seu livro mais icónico é “O Discurso sobre o Filho da Puta”. E afirma: “Há muitos. Estão dispersos. Estão na política, sobretudo. Naturalmente nas Forças Armadas.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 14, 20231h 56m

Francisco Louçã: “Há irritantes em Portugal que acham que as pessoas vivem melhor se tiverem menos, se o salário for pior”

O economista e professor universitário Francisco Louçã considera que se o país fosse agora a votos o BE dobraria o número de deputados, apesar de as sondagens indicarem queda de dois pontos, mas assume que a recuperação da fratura pelo chumbo do seu partido ao OE é lenta. Louçã, que foi fundador e coordenador do BE de 2005 a 2012 - ainda antes da “Geringonça” - apelida como “bacoco” o orgulho do Governo pelas contas certas, alerta que Costa está a coroar Ventura como o líder da direita e deixa recado: “Costa abre caminho para um Governo PSD-Chega.” Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 7, 20231h 51m

Clara Não: “Sou uma mulher ‘queer’. Não me importa o genital da pessoa, nem o género com que se identifica para me relacionar”

É uma das vozes feministas portuguesas da nova geração com mais destaque. Através dos seus desenhos e escritos, a ilustradora e ativista Clara Não alerta as mulheres a lutarem pelo descanso, relações amorosas e sexuais saudáveis, igualdade de direitos e amor-próprio. E usa a arma do humor e ironia para desmontar preconceitos, discriminações, machismos, racismos e outros ‘ismos’, muitas vezes através de experiências pessoais que relata nas crónicas no Expresso ou no Instagram. "Já se vê jovens, especialmente mulheres, com consciência sobre o que é feminismo, mas são pequenas ilhas de luz.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 31, 20231h 31m

Especial Inclusão: até que ponto a frase “todos diferentes, todos iguais” se sente na lei e no quotidiano das pessoas com deficiência?

Portugal tornou-se no primeiro país europeu a aprovar uma estratégia nacional para as pessoas com deficiência e, a partir deste ano, as empresas com mais de 100 trabalhadores passaram a ser obrigadas a integrar pessoas com um grau de incapacidade igual ou superior a 60%. Mas o caminho para a inclusão é longo. Para discutir connosco estes temas recebemos em estúdio a Secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, a nutricionista e consultora para a diversidade e inclusão Catarina Oliveira e o co-fundador da “Access Lab”, Tiago Fortuna. A SE aponta para uma certa “cegueira branca” que persiste na sociedade perante a diferença, e deixa o aviso sobre a lei das quotas. “Tenham mesmo medo porque vem aí a multa. Vamos ser implacáveis com isto.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 24, 20231h 47m

Daniel Sampaio: “Este discurso da Igreja velha não é empático. É o mais terrível, o “pedimos perdão” não se sente que é sincero”

Seis semanas depois da apresentação do relatório da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa, são muitas as dúvidas sobre a estratégia que a instituição tomará depois do terramoto de denúncias. O médico psiquiatra Daniel Sampaio, que integrou a Comissão, aponta críticas ao clericalismo no poder e espera mudanças. "O discurso da Igreja velha não é empático. Talvez seja a característica mais terrível. O discurso é “pedimos perdão”, “vamos indemnizar”, “vamos estar atentos”, mas não se sente que é sincero. O que se traduz numa ausência de medidas." E acrescenta uma inquietação? "Que apoio psicológico as vítimas estão a ter? Zero. Ninguém fala das vítimas desamparadas.” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 16, 20231h 44m

Cláudia Varejão: “O cinema é um lugar de libertação. E se a vida fosse assim? Os meus filmes são possibilidades de fazer diferente”

Em 2022, com a longa-metragem “Lobo e Cão”, a cineasta Cláudia Varejão recebeu o prémio principal da secção “Dia dos Autores”, no festival de Cinema de Veneza. Um filme que aponta a câmara a jovens “queer”, com orientações sexuais e identidades de género diversas, que vivem numa comunidade pobre e opressiva da ilha de São Miguel, nos Açores. A poucos dias da 95ª cerimónia dos Óscares, quando questionada se esse troféu está no horizonte, responde: “Um Óscar? Seria uma trabalheira. O que mais desejo é poder morrer a filmar, e estar insatisfeita e curiosa até ao fim."See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 10, 20231h 47m

Pilar del Rio: “Não sou dócil, nem servil com o sistema patriarcal”

Depois de um ano intenso de celebração do centenário de José Saramago, que levou a obra do Nobel da Literatura a todo o mundo, pelas mãos de Pilar del Rio, que preside à Fundação Saramago, a jornalista fala agora do seu livro, “A Intuição da Ilha”. Uma obra que desvela os bastidores dos anos passados em Lanzarote. E aqui comenta sobre os abusos da Igreja, os perigos da crise social e climática, o “terrorismo do machismo”, o direito à Eutanásia e a importância da linguagem inclusiva para nomear os vários géneros e identidades. “A violência de género é a coisa mais repugnante que se está a passar. Elas sofrem em nome das pátrias, do patriarcado, de Deus, em todas as civilizações e culturas.” E deixa um recado para a Igreja: “Os padres devem poder ter relações sexuais e casar-se uma, duas, três, cinco vezes. Como todos nós podemos. E, ao se permitirem relações normais, deixará de haver estes atos criminosos, canalhas e imorais que é o abuso de menores e pessoas dependentes.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 3, 20231h 40m

Nuno Baltazar: “Não precisamos de tanta roupa. Não é só o lixo em que se transformam, é o lixo de onde vêm à custa de mão-de-obra imoral”

Há mais de duas décadas que Nuno Baltazar é um dos nomes mais interessantes e incontornáveis da moda de autor portuguesa. As mulheres são o mar profundo que norteia as suas criações e que lhe valeram inúmeros prémios, como o Globo de Ouro de melhor designer do ano, em 2013, e a comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 2015. Para ele a beleza tem muitas formas. “Sempre achei a falha e o desequilíbrio fascinantes, porque é humano, tem camadas. A perfeição é aborrecida.” Em 2019 bateu com a porta do Portugal Fashion e afirma ter ganho ar. “O Portugal Fashion é um trampolim para uma carreira política dos dirigentes da ANJE. E os criadores de moda vestem um papel ingrato. Estava a ser destratado. Aprendi que quando temos a coragem para ter voz passamos a ser mais respeitados.” No próximo dia 12 de março, Nuno Baltazar apresenta a sua 38ª coleção, pelas 19h30, na Moda Lisboa, em Marvila. Uma criação a que chamou “Transverse”, a cruzar a cultura popular com a cultura queer, numa reflexão sobre os novos movimentos identitários.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 24, 20231h 45m

Luca Argel: “O passado colonial é uma ferida não tratada, está na origem de desigualdades e boa parte da sociedade está em negação”

Há semanas o cantautor luso-brasileiro Luca Argel assinou no jornal “Público” a crónica “Peça desculpas, senhor Presidente”, dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa - que virou canção - como um pedido de reconhecimento das raízes de velhos problemas assentes no colonialismo português. “É olhando para o passado que a gente compreende o presente e projeta o futuro.” O seu álbum “Samba de Guerrilha”, de 2021, é a prova que as canções de intervenção podem ser samba e sonhar transformações sociais. “A arte estará a cumprir o seu maior potencial quando desconforta e comove. Gosto da música que confronta.” Autor de inúmeros livros de poesia - publicados em Portugal, Espanha e Brasil - Luca tem dado que falar com o tema “Países que ninguém invade” que cantou em dueto com “A garota não” e lança agora novo disco, “Sabina”, dia 22 de fevereiro, com canções solares e dançantes que evocam os corpos invisíveis da vida quotidiana.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 17, 20231h 46m

Manuel Moreira: “Todas as revoluções são recebidas com resistência. Às vezes, tem de se gritar, invadir, reclamar espaços vedados a grupos”

É ator e uma das vozes críticas no espaço de debate “Malditas Segundas-Feiras”, na SIC Notícias, a ocupar um lugar até agora pouco habitado. Rosto conhecido de várias séries e novelas, e com larga experiência no teatro, Manuel Moreira integra o elenco da peça “O Misantropo – por Hugo van der Ding e Martim Sousa Tavares a partir Molière” que fará parte da digressão “Odisseia Nacional”, do Teatro Nacional D. Maria II. Neste episódio, o ator faz reparos ao Governo sobre a forma como tem gerido a crise na Habitação ou na Cultura, e estranha que o chamem de ‘ativista’. Ouçam-no no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 10, 20231h 36m

Rafael Morais: “Quero ser um ator e uma pessoa em vertigem. Quero explorar os limites, correr riscos. Prefiro falhar seguindo o instinto”

No grande ecrã ele dá vida ao pintor modernista Amadeo de Souza-Cardoso, no filme biográfico “Amadeo”, realizado por Vicente Alves do Ó. Mas Rafael já provou ser camaleão. E se é convincente no corpo de Amadeo, foi igualmente brilhante a interpretar ‘Joca’, um pequeno traficante cadastrado, em “Sangue do Meu Sangue”, de João Canijo, ou enquanto irmão apaixonado pela irmã no filme “Como Desenhar Um Círculo Perfeito”, de Marco Martins - que lhe valeram nomeações para os Globos de Ouro. Na Netflix deu que falar nas séries “White Lines” e “Glória”, entra agora em “Rabo de Peixe”, e poderá ser visto nos filmes de João Canijo “Mal Viver” e “Viver Mal”, no filme “Pátria”, de Bruno Gascon; e no filme “A Cup of Coffee and New Shoes On”, de Gentian Koçi, escolhido como candidato oficial da Albânia para os Óscares. O futuro é dele. “Gosto do cinema que vira o espelho, que incomoda, provoca e abana.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 3, 20231h 24m

Jessica Athayde: “Durante anos quis ser protagonista de novela. Sentia desvalorização. Agora quero ir para fora e representar em inglês”

É das atrizes com mais palco nas redes sociais, com mais de um milhão de seguidores. E há muito que deixou de temer posicionar-se sobre temas que dividem opiniões. Já foi notícia pelo seu combate aos distúrbios alimentares, pelas agressões que sofreu por não corresponder ao “corpo perfeito”, por assumir uma depressão pós-parto, ou pela forma como educa o filho Oli. Há dois anos a atriz decidiu bater com a porta da TVI, cansada da máquina trituradora das telenovelas, em busca de outras oportunidades. E tudo mudou quando Bruno Nogueira a convidou para a série “Princípio, meio e fim”, na SIC. Daí, veio o cinema, com o “Pai Tirano”, a série “O Clube”, na SIC, e o teatro, na peça “Dois+Dois”, sobre os limites do amor, do sexo e da fidelidade, em cena no Villaret, em Lisboa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 27, 20231h 45m

Ana Aresta: “Nós, pessoas gays, lésbicas, bi, trans, intersexo, não binárias, não somos anedotas, somos poderosas!”

A presidente da ILGA Portugal considera que, apesar dos grandes avanços na lei, o país é ainda “muito homofóbico e transfóbico”, com base em recentes relatos e estudos sobre a violência e discriminação contra estas comunidades nas famílias, escolas e outras instituições portuguesas. “Só entre 2020 e 2021 os pedidos de apoio à vítima na ILGA aumentaram 60%.” Ana Aresta alerta, no entanto, que a comunidade trans é a mais vulnerável de toda a sigla. “No caso das pessoas trans, migrantes, racializadas, nem a nossa legislação as salva. E estão a ser usadas como arma da extrema-direita para atacar os direitos humanos.” Nesta conversa, Ana Aresta explica como o ativismo a ajudou a ‘sair do armário’ e conta pela primeira vez publicamente como a psicoterapia a ajudou a tratar de feridas profundas do passado. “Percebi que tinha guardado no subconsciente um cenário de abusos sexuais na infância. Estou num processo de reconquista da minha intimidade.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 20, 20231h 43m

Especial ao vivo 50 anos de Expresso com Dulce Maria Cardoso e Kalaf Epalanga

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A escritora e cronista Dulce Maria Cardoso e o escritor, músico e produtor Kalaf Epalanga estiveram presentes na celebração dos 50 anos do Expresso na Conferência “Deixar o Mundo Melhor”, na Fundação Champalimaud, para falarem sobre os temas que consideram essenciais no debate público. Dulce diz-se preocupada com a emergência climática, “porque sem planeta, os outros temas perdem a importância”, a globalização e novas formas de colonialismo, a crise económica, inflação e perda de poder de compra. Kalaf Epalanga acrescenta a preocupação pela verdade alternativa, “a mentira transformada em verdade que tem elegido tantos políticos". Esta conversa teve lugar na histórica mesa de reuniões, na qual - desde a primeira edição a 6 de janeiro de 1973 - são decididas as manchetes do Expresso.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 13, 202350 min

Especial 50 Anos de Expresso com Aldina Duarte e Valter Hugo Mãe

Bernardo Mendonça apresenta um episódio especial d'A Beleza das Pequenas Coisas com a cantora Aldina Duarte e o escritor Valter Hugo Mãe ao vivo no auditório da Fundação Champalimaud na celebração dos 50 anos de Expresso.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 6, 202332 min

Especial Ano Novo Cruzeiro Seixas: “É preciso uma grande percentagem de loucura para se viver. Quem não a tem já nasceu morto”

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Voltamos a republicar uma das conversas mais marcantes do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, esta com o pintor e poeta Cruzeiro Seixas, gravada em fevereiro de 2017, no quarto onde ele viveu, na Casa do Artista, nos últimos anos de vida. No momento em que conversámos, Cruzeiro Seixas era já o último representante vivo do surrealismo português e esta foi uma das suas últimas entrevistas. Aqui abre o livro e revela que Mário Cesariny foi o homem que mais amou. “Ainda me faz muita falta...”. Com uns admiráveis 96 anos, Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas afirmou também neste podcast que só vivera metade do que queria e que mantinha sempre a curiosidade pelo amanhã. “Viver é uma loucura espantosa. É a maior loucura.” Sobre o passado, lamentava ter sido mais perseguido após a revolução, “enquanto o Partido Comunista esteve no poder”. A ideia de partir desta vida não o assustava. “Não estou preocupado para onde vou. Já andei por céus e infernos cá por este lado.” Esta é pois uma conversa rara e especial que recordo com bastante saudade e que vale mesmo a pena ouvirem ou recordarem. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 30, 20221h 6m

*Especial Natal* Maria Teresa Horta: “Os poemas continuam a assaltar-me em alturas impróprias”

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Voltamos a republicar uma das conversas mais marcantes do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com a escritora e poetisa Maria Teresa Horta, gravada em novembro de 2019, na sala da sua casa. Feminista e insubmissa, ela é uma das poucas poetisas portuguesas a afirmar o desejo na sua escrita, e sempre lutou pela liberdade. Autora de obras polémicas, como “Ambas as Mãos sobre o Corpo”, “Minha Senhora de Mim” e “Novas Cartas Portuguesas” (esta última assinada com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, conhecidas como “As Três Marias”), que escandalizaram um certo Portugal puritano, valeram à escritora um espancamento na rua e a quase prisão. Diversas vezes premiada, aqui fala do último livro “Quotidiano Instável”, que reúne as crónicas que escreveu no jornal “A Capital” entre 1968 e 1972. Um quase romance, que descola da realidade para contar vida(s). E, neste episódio, a poetisa fala do seu desassossego que a deixa acordada a escrever madrugadas inteiras e conta algumas páginas do bom livro que a sua vida de daria. Boas escutas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 23, 20221h 26m

Djaimilia Pereira de Almeida: “É um ato político e de coragem eu, mulher negra, acordar, beber um café, fumar três cigarros e escrever”

A crítica acarinhou-a logo em 2015 quando se estreou com o romance “Esse Cabelo”, depois foi distinguida com o Prémio Oceanos 2019 com “Luanda, Lisboa, Paraíso”, e, em 2020, teve direito ao segundo lugar do mesmo prémio com “A Visão das Plantas”. Nascida em Luanda, Djaimilia Pereira de Almeida cresceu nos subúrbios de Lisboa. Deixa claro que não quer que a sua literatura encaixe em rótulos e que nela obtém prazer e cura. “A escrita trata das minhas dores todas. Quando tenho um problema que me angustia, uma pergunta que me aflige ou uma dor qualquer, o que faço é escrever. Escrever lava-me.” Djaimilia acaba de publicar “Ferry” (ed. Relógio D’Água), sobre um amor que é uma ilha à prova de sonhos afundados. “A verdade é que a maioria das pessoas passa a vida à procura de relações assim.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 16, 20221h 23m

Isabél Zuaa: "As pessoas dizem 'ah, fez-lhe a vida negra...' Se lhe fez a vida negra, fez-lhe a vida boa. Porque ser negra é bom!"

É uma das atrizes portuguesas mais prestigiadas no Brasil e anda há mais de uma década entre travessias no cinema, dança, teatro e performance. Largamente premiada no grande ecrã, este ano recebeu uma menção honrosa no Los Angeles Brazilian Film Festival pelo filme “A Viagem de Pedro”, de Laís Bodanzky. No teatro, as suas co-criações “Aurora Negra” e “Cosmos” trouxeram um novo movimento que aborda a arte como possibilidade de reparação histórica e agitação de consciências. “É dever de um artista refletir sobre os seus tempos, como dizia Nina Simone. Em tudo o que faço quero estar com as minhas fragilidades e fortalezas e reverberar com a ficção sobre o presente e futuro para nos libertarmos e curarmos.” Ouçam-na no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, com Bernardo MendonçaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 9, 20221h 44m

Hilda de Paulo: “Não é esperada a intelectualidade das pessoas trans, nem da preta retinta. Vivemos ainda o eco do colonialismo”

É artista multidisciplinar, curadora, investigadora, escritora, poeta e afirma-se como “travesti terceiro mundista e transfeminista”. No início deste ano apresentou no Porto a palestra-performance-oficina “O que vem depois da Esperança”, onde reflete de forma crítica como as pessoas trans têm sido representadas com base no preconceito ao longo dos tempos no imaginário português. Em julho assinou no Expresso o artigo de opinião “A Revolução inicia-se na Educação: “A Navalha Mais Afiada Contra a Transfobia é o Conhecimento”. Neste episódio, conta as muitas lutas, travessias e violências que superou até aqui chegar e deixa um olhar para o futuro: "Quando se fala da dificuldade das pessoas trans de procurarem emprego, a realidade não bate com a lei. Uma maior entrada de pessoas trans nas universidades será extremamente poderoso. É preciso pensarmos nessa transformação." See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 2, 20221h 51m

Marta Rebelo: "Salazar dizia: 'Fado, Futebol e Fátima' e a mentalidade dos políticos não mudou neste Mundial do Catar"

Tornou-se conhecida enquanto deputada do PS, entre 2005 e 2009, mas nos últimos anos, após superar uma grande depressão, tem-se dedicado a alertar a opinião pública para a urgência dos cuidados das doenças mentais. "O Governo ainda não encarou este tema com a seriedade que merece. Estima-se que pelo menos 40% das pessoas com sintomas de problemas mentais não tenham resposta médica. A pandemia da saúde mental é tão grande que ignorá-la é maluquice!" Atualmente a trabalhar como consultora de comunicação digital, Marta Rebelo recorda nesta conversa as várias discriminações que sofreu no Parlamento, e afirma que tem um “desamor à carneirada” e ao “preconceito mansinho à portuguesa”. A propósito da reportagem de investigação da SIC “Quando o ódio veste farda”, deixa o recado: "Os poderes públicos estão a falhar na seleção e formação das pessoas para as forças de segurança. Não acho normal que uma pessoa racista seja polícia. Um polícia tem a função de manter a segurança de todos os portugueses, com neutralidade. E alguns comportam-se como bandidos".” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 25, 20222h 13m