
A Beleza das Pequenas Coisas
472 episodes — Page 8 of 10

Beatriz Gomes Dias: “Uma criança negra que me veja na Assembleia e na TV como candidata à Câmara de Lisboa vai poder sonhar chegar lá”
Foram precisos quase 50 anos de democracia para que a Assembleia da República passasse a ter três mulheres negras com assento parlamentar. Beatriz Gomes Dias, deputada do Bloco de Esquerda, é uma dessas mulheres, responsável pelas áreas do combate ao racismo, defesa dos direitos das pessoas migrantes e da cultura, que voltou agora a ser notícia por ser a candidata escolhida pelo BE à Câmara de Lisboa, tornando-se a primeira mulher negra na corrida a esta autarquia. “É importante a representatividade e que haja mulheres como eu com uma agenda política que defenda todas as comunidades que sofrem opressão e discriminação. Mas é preciso inscrever também no nosso tecido coletivo social que as pessoas negras podem representar o país, podem representar uma cidade, podem representar toda a gente.” E Beatriz que sonha uma nova Lisboa mais verde, inclusiva, com menos carros e habitação mais acessível, deixa um recado nesta conversa em podcast sobre uma realidade que quer mudar: “Quando chegamos de manhã ao Parlamento vemos que a maior parte das pessoas da limpeza são mulheres negras. E percebemos como a estrutura da sociedade está ainda organizada"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dalila Carmo: "Ser mulher nesta indústria é lixado. Um homem da minha faixa etária não seria dispensado à mesma velocidade"
Ela já foi corpo, voz e emoção de largas dezenas de mulheres ao longo de mais de 30 anos a representar na televisão, no teatro e no cinema. Nesta conversa a atriz Dalila Carmo, de 46 anos, assume um novo ciclo pessoal e profissional depois da rescisão imprevista com a TVI e refere que o fator idade terá sido uma das razões para a dispensa do canal. Mas a própria vê o momento como uma oportunidade. "Sinto que fiz novelas a mais. A indústria sugou-me um bocadinho." Ainda sobre a saída do canal onde esteve mais de duas décadas acrescenta: “João César Monteiro tinha uma frase em que dizia: ‘Não são vocês que me expulsam, sou eu que me vou embora.’ É o momento para criar as minhas próprias oportunidades.” Dia 22 de abril, a atriz regressa aos palcos com a peça “Noite de Estreia”, no Teatro da Trindade, em Lisboa, uma obra inspirada num dos filmes mais emblemáticos de John Cassavetes, sobre a crise existencial de uma atriz de meia-idadeSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Fado Bicha: “Se Portugal está no armário? Sim. É o país dos modestos e moderados”
Se a cantiga é uma arma, eles são uma bazuca. Uma bazuca musical arco-íris disparada sem pedir licença para ocupar um espaço no meio tradicional do fado. E têm a mira apontada contra a homofobia, transfobia, bifobia e todas as formas de discriminação como o racismo e machismo. Eles são o Fado Bicha, Tiago Lila ou Lila Fadista na voz e João Caçador na guitarra elétrica, que há quatro anos assumiram o lado mais ‘queer’ do fado. E passaram a cantar as feridas, desejos e lutas de uma diversidade de pessoas LGBTI+ que até há pouco tempo não apareciam no retrato nem nas canções. Há quem os adore e quem os odeie. Não fazem música para deixar os outros indiferentes. “É bom quando a arte causa desconforto no público e uma ação”, considera João Caçador. “Já houve pessoas a dizer-nos que sentiam que estávamos a fazer justiça poética por elas em palco", afirma Lila. O disco de estreia desta dupla, previsto para 2020, ficou adiado por causa da pandemia, mas entretanto agigantou-se para 18 faixas e já tem nome: “Ocupação”. Ocupem o vosso tempo a ouvi-losSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabela Figueiredo: “Sempre me vi como imprópria. Anormal. Desadequada.”
Começou a dar que falar há doze anos com um livro de memórias coloniais porque se incomodou com a narrativa suave do pós-colonialismo. E nele assumiu a relação amor-ódio com o pai. “Aquilo que sou hoje também vem do trabalho escravo e mal pago que o meu pai roubou aos africanos que eram os seus empregados.” Mas em 2016 a escritora Isabela Figueiredo voltou a agitar as águas com o primeiro romance, “A Gorda”, uma bomba literária que nos levou a calçar os sapatos de uma mulher com excesso de peso que um dia decide reduzir o tamanho do estômago. Uma obra de autoficção que afinal tem muito de si, já que Isabela escreveu o livro logo após se submeter à mesma cirurgia, o que a levou a perder mais de 40 quilos. “Esse livro é uma declaração de dor, de perda e solidão”. O próximo romance já está escrito e tem uma abordagem da vida algo ‘punk’ ou, como chega a dizer, ‘é muito vegan’: “É sobre ter o direito a não ser nada, a não ser importante e a viver sem trabalhar”. E sobre os prémios lança a farpa: “Mas porque é que só atribuem o Prémio Camões aos 90 anos? Aos 90 anos já não se pode gastar o ‘guito’ numa viagem”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Pedro Simas: “Percebo o receio do Governo de falar em desconfinamento porque vai induzir euforia e descontrolar tudo na sociedade”
O virologista e investigador principal do Instituto de Medicina Molecular, Pedro Simas, que foi um dos signatários de uma carta aberta divulgada esta semana a pedir a reabertura urgente das escolas, é da opinião que haverá pouca vantagem em manter o confinamento muito mais tempo. E está convicto de que as escolas até o 6º ano deverão abrir em breve. “Estamos perto de atingir um planalto em que já não vamos conseguir baixar o número de infeções por dia.” No entanto, o cientista também assume que este cenário de melhoria pode virar. “Pelo menos 70% da população portuguesa ainda não tem imunidade ao vírus. O potencial de disseminação é ainda grande. E aí confio no Governo para saber se há risco ou não de descontrolo social.” Ouça esta conversa em podcast, onde o investigador assume como um enorme desgosto pessoal o levou a uma travessia interior que o transformou num homem mais forte e confianteSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria do Rosário Pedreira: “Vivemos tempos sem empatia, pela falta de leitura e excesso de digitalização, o que nos torna menos humanos”
É uma das mais notáveis editoras portuguesas, responsável pelas publicações do grupo Leya. Foi Maria do Rosário Pedreira que descobriu e publicou autores agora consagrados como José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, João Tordo ou Nuno Camarneiro. Há mais de vinte anos que se dedica a tirar manuscritos das gavetas, ajudando a dar a conhecer o talento literário nacional. Ou como gosta de dizer anda “à procura de agulhas no palheiro”. Por isso chamam-na de “caça-talentos” e há quem a considere uma espécie de José Mourinho da literatura. Não acredita na morte do livro, mas afirma-se desesperançada com as novas gerações. “Aquilo que mais me aparece são livros que parecem guiões escritos por uma geração influenciada pelas novelas más”. Do seu ponto de vista, as séries de ficção vieram substituir a literatura porque é mais fácil ir atrás de uma coisa que não faz pensar. “O confinamento não aumentou leitores. As pessoas quiseram alienar-se com séries.” Leitora experimentada e poetisa premiada, além de letrista e escritora, assume escrever mais quando está triste e que os poemas já a salvaram da solidão e até de uma grande depressãoSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rui Tavares: “A democracia é como a saúde mental: para a perderes só precisas de a ter”
Homem de esquerda, o historiador e político Rui Tavares alerta a direita portuguesa sobre o perigos da coligação com o Chega, que viabilizou o novo governo nos Açores. “É preciso marcar a diferença entre quem está e quem não está lealmente na democracia. A direita não pode estar a falar com o líder desse novo partido extremista, nem fazer orelhas moucas às críticas.” Sobre a polémica retirada de confiança política do Livre à sua única deputada eleita, Joacine Katar Moreira, Rui Tavares deixa claro que esse momento “difícil” do partido que ajudou a fundar está ultrapassado. “A diferença entre o Livre e os outros [partidos] é que o Livre não está aqui para varrer nada para debaixo do tapete. No Livre valem mais os seus princípios do que o poder. E é isso que vai fazer com que regresse ao parlamento e faça finalmente a sua trajetória na política portuguesa.” Ainda sobre as presidenciais afirma: “Uma Presidente como a Ana Gomes traria um grau de escrutínio importante a Belém”See omnystudio.com/listener for privacy information.

“A única coisa de que me arrependo é de não ter estado à altura da pessoa que encontrei na minha vida e que a marcou para sempre”
O filósofo Eduardo Lourenço, um dos maiores pensadores do nosso tempo, abre o livro da sua vida. Fala do passado, do seu grande amor, o gosto pela música, pelo cinema e comenta o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros. Lourenço, que foi distinguido o ano passado com o prémio Vasco Graça Moura e é conselheiro de Estado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa revela ainda um encantamento com Catarina Martins e Mariana Mortágua, “pequenos Fidel Castros”. No dia em que se soube da sua morte, o Expresso republica esta conversa íntima para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Valter Hugo Mãe: “Vamos voltar a uma aparente normalidade, mas ainda mais degenerada e predadora”
Num ano de introspecção o escritor Valter Hugo Mãe mergulhou a fundo nas memórias do passado para escrever o seu livro mais pessoal e intimista, “Contra Mim”, lançado em outubro, onde revisita a infância e adolescência para verificar a que distância está do que se prometeu e sonhou. Uma obra à procura da criança que cedo percebeu que “as palavras eram jóias” a sair da boca das pessoas. Autor de sete romances, de onde se destaca “O Remorso de Baltazar Serapião”, prémio Saramago em 2007, deixa claro que esta última obra só aconteceu pela clausura a que foi obrigado. “Perante este pasmo assustado da pandemia senti-me exposto a um certo espelho. Tive a sensação de estar em dobro. O que significa que a solidão é de facto um espelho diante de nós.” Para o escritor o paraíso são os outros, mas não augura nada de bom para os próximos tempos. “Vamos evoluir num sentido mais consumista, as pessoas estarão mais egoístas. Porque, de repente, sentem necessidade de serem compensadas. Num sentido profundamente infantil. Quando libertas de alguma coisa que acham que não mereceram, tornam-se carentes e mimadas. E já vamos assistindo a isso”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diogo Infante: “Foi o meu filho que me inspirou a partilhar publicamente o meu casamento e a sua adoção”
É um dos nomes mais relevantes do teatro, do cinema e da televisão. E regressa dia 26 de novembro aos palcos, no Teatro da Trindade, em Lisboa, para protagonizar Ricardo III, de William Shakespeare. “Este nosso Ricardo III é quase um psicopata sanguinário. Um homem manipulador, feio, torto, que provoca asco. Vão ter uma surpresa ao vê-lo.” Sobre o momento difícil que os artistas e profissionais das artes atravessam, o ator e encenador considera que “nunca antes as fragilidades da Cultura estiveram tão expostas, tão em carne viva”, mas não atribui culpas a Graça Fonseca. “A ministra da Cultura está empenhada, mas provavelmente de mãos atadas a negociar com outros ministérios e a conquistar um espaço que lhe é difícil.” Quanto aos desafios da paternidade, revela que o filho Filipe, agora com 17 anos, é um amigo atento que o ajuda a ser melhor pai e melhor pessoa. “Saiu-me a sorte grande. É absolutamente adorável quando ele olha para mim e diz ‘tem cuidado’ ou ‘se calhar estás a fazer isto demais’. É um ser que me ama, que se preocupa, que está atento. E isso é verdadeiramente transformador e responsabilizador”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Aldina Duarte: “Sou uma sobrevivente. Não é durante as crises e tragédias que me vou abaixo”
Aldina Duarte afirma que não quer viver só para cantar, que gosta de ficar horas a contemplar as nuvens a desaparecer do Tejo. Começou o ano a comover uma multidão na discoteca Lux-Frágil, em Lisboa, quando apresentou o novo disco “Roubados”, onde recria doze clássicos do fado para celebrar os 25 anos na música. Depois a pandemia alterou-lhe os planos, mas não lhe arrancou o ânimo. “Não é durante as crises e tragédias que me vou abaixo. É muito depois, quando estiver tudo estabilizado.” Apesar de fadista, Aldina diz ter mais tendência para viver no futuro. “Estou agora a tentar viver o presente de forma construtiva. Quero sair uma pessoa melhor desta experiência violenta e rara.” De volta aos palcos para quatro concertos, em Lisboa, Castelo Branco, Faro e Vila Real, a artista deixa claro que recusou fazer parte de tributos a Amália porque “não há nada a mexer nesses temas emblemáticos.” Sobre as novas solidões afirma: “Não foi só o vírus que nos isolou. Há muito que as pessoas estavam a televiver numa bolha tecnológica em função do trabalho e do dinheiro”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cruzeiro Seixas, numa das suas últimas grandes entrevistas: “Fui mais reprimido como homossexual depois do 25 de Abril”
Era o último representante vivo do surrealismo português. Mário Cesariny foi o homem que mais amou: “Ainda me faz muita falta...”. Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas faleceu este domingo, a um mês de completar 100 anos, e por isso o Expresso recupera uma entrevista ao podcast "A Beleza das Pequenas Coisas", realizada em fevereiro de 2017. O pintor e poeta afirmava que só vivera metade do que queria e mantinha a curiosidade pelo amanhã. “Viver é uma loucura espantosa. É a maior loucura.” Sobre o passado, lamentava ter sido mais perseguido após a revolução, “enquanto o Partido Comunista esteve no poder”. A ideia de partir não o assustava. “Não estou preocupado para onde vou. Já andei por céus e infernos cá por este lado.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mónica Calle: “Houve sempre dois lugares onde sou livre, na relação sexual e no teatro”
Há quase 30 anos que a atriz e encenadora Mónica Calle questiona o lugar do seu corpo no palco e procura levar o teatro às zonas marginais da cidade para que elas passem a ser o centro. Começou em 92, no Cais do Sodré, quando era um bairro de má fama, onde fundou a companhia Casa Conveniente. E há seis anos mudou-se para o bairro da Zona J, em Chelas, para criar um diálogo próximo com a comunidade. O ator Bruno Candé, assassinado em Julho por alegadas motivações racistas, fazia parte da sua equipa, era um dos seus. “Recordo o seu talento, a generosidade e gargalhada inconfundível. Uma das melhores pessoas que conheci na vida”. Sobre estes duros tempos afirma: “Através do palco pudemos resistir ao medo. Uma sociedade em que todos temos medo uns dos outros está condenada”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dulce Maria Cardoso: “Não tratamos bem os mais velhos, o que diz muito de nós enquanto sociedade. Somos uns ingratos, ambiciosos e tontos”
Dois anos depois de “Eliete”, o quinto e mais recente romance de Dulce Maria Cardoso, a escritora fala de como este ‘novo normal’ lhe trocou os planos. Uma conversa que vai do passado ao futuro e a este presente distópico que maltrata especialmente os idosos. “A pandemia mostrou despudoradamente as más condições dos lares, o abandono, a solidão. Quando se perde a empatia pelos outros tornamo-nos impiedosos e a vida torna-se um inferno”. Dulce garante que “Eliete” não vai usar máscara no próximo volume da história, adiado para 2021, e que tudo se esclarecerá quanto à ligação a Salazar. Uma forma que a escritora encontrou para falar dos fascismos. “Estamos muito lentamente a regressar a ideais que já julgava impossíveis. Temos de perceber o sistema imunitário que permite que a ferida aconteça. Há quem diga que o populismo é a ideologia dos que se sentem traídos.” Sobre o mistério da criação na literatura, deixa a pista: “A ficção tem a ver com encontrar a melhor mentira que sirva a verdade”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Francisco George: "Não acredito numa rutura do SNS”
Durante 12 anos foi o homem da saúde pública, enquanto diretor-geral da Saúde, no cargo que é agora ocupado por Graça Freitas. Quando o país e o mundo passaram a falar da covid-19, Francisco George recorda que ligou à sucessora para criticar a escolha do nome. “A única discordância que tenho com Graça Freitas é que devíamos ter chamado à covid, a doença do coronavírus. Em bom português." Sobre a Direcção-Geral de Saúde também faz um reparo: "A DGS devia ter sido fortalecida com mais meios humanos. Não foi. E isso é crítico." Nesta conversa em podcast, o atual presidente da Cruz Vermelha Portuguesa e médico especializado em virologia e epidemiologia recusa um cenário de colapso do SNS, que considera fazer parte da vida portuguesa, e confessa faltar-lhe coragem para sair da vida pública, mas que o fará em breve. “Há que saber sair de cena.” Sobre a proposta de lei para as máscaras serem obrigatórias na rua afirma: "Sou a favor. É como ser obrigatório o cinto de segurança no carro"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vhils: “Quero humanizar o betão das cidades”
A sua arte é de rua. Mas é também dos melhores museus e galerias do mundo inteiro. Um mês antes da pandemia, Vhils inaugurou “Haze”, a primeira grande exposição individual num museu nos Estados Unidos, onde abordou “a neblina” e o “invisível nas cidades”. E lança agora a exposição “Momentum”, em Paris, onde reflete sobre o momento suspenso que vivemos. “O meu trabalho é uma arma que expõe coisas menos positivas que acontecem pelo mundo fora.” O Expresso esteve com o artista no Centro de Arte Contemporânea de Cincinnati, numa conversa que viajou pelos 20 anos da sua obra e que continuou meses depois para Vhils contar como o confinamento mexeu com a sua vida e a sua arte. O artista deixa um alerta: “Nestes tempos de disrupção e incerteza é importante que se olhe para a saúde mental como prioridade.” Bem vindos à 6ª temporada do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fernanda Lapa: “Um país que não trata bem os artistas está moribundo”
A atriz e encenadora Fernanda Lapa assume que é a teimosia que a faz levantar-se todas as manhãs com a convicção absoluta que nada, nem ninguém, a fará parar de trabalhar. Nem o raio do bicho. E, tal como o poeta José Gomes Ferreira, está cheia de “saudades do futuro.” O futuro que aí vem com a reabertura das portas do seu teatro, “A Escola de Mulheres”, no Clube Estefânia, em Lisboa, que acaba de celebrar 25 anos e que contribuiu para a evolução do papel das mulheres no teatro em Portugal. A vida de Fernanda dava várias peças de teatro, da comédia ao drama, feita de alegrias, conquistas e perdas. “Tenho tido desgostos profundos, mas sou uma privilegiada apesar de tudo.” Mas é sobre o futuro incerto do setor das artes, a desesperança, frustração e falta de dinheiro dos atores e técnicos e as novas “medidas absurdas” impostas para a reabertura das salas de espetáculo, a 1 de Junho, que arranca esta conversa. “Este país não é para artistas, nem para velhos, nem para novos”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Germano de Sousa: “A maioria de nós vai apanhar covid-19”
Ele é patologista e administrador de uma rede de laboratórios privados que está na linha da frente na realização de testes de diagnóstico e serológicos para a covid-19. Desde março, só nos seus laboratórios foram realizados mais de 87 mil testes, alguns a pedido do SNS. Sobre as acusações de faturar milhões com a pandemia, Germano de Sousa nega o que considera serem "bocas perfeitamente parvas" e diz-se "farto desse tipo de conflitos com a verdade, de origem ideológica". O antigo bastonário da Ordem dos Médicos prevê uma vacina até à próxima primavera e faz um reparo à DGS: "Deveríamos ter começado a usar máscaras mais cedo." E ainda recorda as peripécias passadas com Zeca Afonso, em Coimbra, os momentos difíceis durante a guerra em Angola, como lá teve de fazer o primeiro parto da sua mulher ou as partidas que o amigo e atual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa lhe pregava de madrugada, em Cascais. No final, canta-nos um fado à capela. E para que serve um podcast senão para momentos destes? Ouça e subscreva a “A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Filipe Homem Fonseca: “A gargalhada é a imortalidade possível”
Ele é uma das maiores referências na escrita para humor em Portugal e um criativo multifacetado: argumentista, dramaturgo, escritor, humorista, músico e realizador. Licenciado em publicidade, Filipe Homem Fonseca começou a dar que falar no final dos anos 90 quando integrou as Produções Fictícias. Têm a sua assinatura programas como ‘Herman Enciclopédia’, ‘Contra-informação’, ‘Major Alvega’ ou, mais recentemente, ‘Os Donos Disto Tudo’ ou ‘A Patrulha da Noite’. O que é natural em Filipe é o desassossego e a vontade de fazer, mesmo em confinamento. Por isso escreveu e realizou com cinco amigos “O Mundo Não Acaba Assim”, a primeira série de ficção portuguesa a ser produzida integralmente a partir das respectivas casas, que acaba de estrear na RTP1. Sobre o papel do humor em tempos de guerra contra um vírus, chega a afirmar: “Rir e fazer comédia numa altura destas é uma forma de resistência e de vida.” Uma conversa para ouvir integralmente neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabel Jonet: “Há pessoas a passar fome. A pobreza mata e vai matar”
Passaram 26 anos desde que Isabel Jonet entrou como voluntária para o Banco Alimentar contra a Fome e hoje é presidente de uma instituição que angaria alimentos para 2.600 entidades. E se antes desta pandemia os Bancos Alimentares apoiavam 380 mil pessoas, os números dispararam no último mês. Na recém criada Rede de Emergência Alimentar já chegaram 12.060 novos pedidos de ajuda, de famílias ou de grupos, que abrangem cerca de 58 mil pessoas. “Esta onda de crise criou inesperados novos pobres”. São os profissionais das artes, do turismo, dos ginásios, empresários, e demais trabalhadores precários e da economia informal que, de uma forma súbita e imprevista, ficaram sem sustento. É o outro vírus, o da pobreza, que cresce no país e, como prevê Jonet, ‘vai matar’. Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Francisco Miranda Rodrigues: “A solidão tem mais impacto na saúde do que a obesidade”
Ele é o bastonário de uma ordem criada em 2008 que conta com 22 mil inscritos, a ordem dos psicólogos. Uma profissão muito procurada por altura dos incêndios, em 2017, para apoio psicológico e agora, nesta crise pandémica, a procura voltou em força. Se é certo que a covid-19 está a provocar um impacto emocional em todos os portugueses e que a venda de antidepressivos e ansiolíticos disparou em março, Francisco Miranda Rodrigues alerta que “este novo normal terá consequências diferentes para uns e outros.” Para ouvir neste episódio do podcast A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Adolfo Mesquita Nunes: “Se olharmos para a crise económica, é evidente que não vai ficar tudo bem”
A poucos dias de entrarmos no 3º estado de emergência falámos com Adolfo Mesquita Nunes, que foi deputado, secretário de Estado do Turismo, braço direito de Assunção Cristas e um dos rostos da modernidade do CDS, que se tem mostrado crítico sobre a “falta de gravidade e solenidade” do Presidente em algumas ocasiões públicas. Apontado no passado como um forte candidato à liderança do seu partido, Adolfo acabou por deixar o caminho aberto ao atual líder centrista, Francisco Rodrigues dos Santos, figura que não apoiou e da qual diverge. Mas esse combate ficou para trás para se dedicar à advocacia e ao cargo de administrador não executivo da Galp. Adolfo rejeita as afirmações de Rui Rio sobre antipatriotismo "típicas de regimes autocráticos" e insiste que o governo tem de ter coragem de combater a crise sanitária a par da crise económica, "que também mata". E revela como a canção de Maria Guinot “Silêncio e Tanta Gente”, vencedora do Festival da Canção, em 1984, traduz o confinamento em casa, onde tem aproveitado para ler e até fazer brigadeiros de chocolate ‘light’. Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Daniela Ruah: “À noite vejo filmes e costuro máscaras para dar”
Há dez anos que a atriz Daniela Ruah anda a perseguir perigosos criminosos na série americana NCIS Los Angeles, que conta com 11 milhões de espectadores por episódio. Mãe de dois filhos e casada com o duplo David Paul Olsen, assume que a maturidade já não a faz sonhar tanto com o Óscar, porque as séries andam mais estimulantes e é a família o que mais a preenche. Este mês regressou aos ecrãs portugueses com a série "A Espia", na RTP, onde protagoniza uma mulher da alta sociedade que se envolve em espionagem em plena II Guerra Mundial. Há semanas em casa com o marido e filhos, em Los Angeles, começou agora a costurar máscaras para ajudar a comunidade. “Em três dias fiz 90 máscaras.” Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” See omnystudio.com/listener for privacy information.

Bruno Maia: “Tenho medo que deixemos de conseguir tratar as pessoas no SNS”
Nas últimas eleições legislativas o médico neurologista Bruno Maia esteve por um triz para ser eleito deputado do BE pelas listas do Porto. Defensor de causas que têm dividido a sociedade, como a despenalização da morte assistida ou a legalização da canábis, está a poucos dias de avançar para a frente de batalha, a unidade de cuidados intensivos do Hospital de São José, em Lisboa, onde estão os casos graves com covid-19. Bruno Maia defende um “SNS forte para travar a pandemia” que está a atingir o país e o mundo e confessa: “tenho medo do colapso do sistema de saúde”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuel Lemos Peixoto: “Depois do isolamento será a grande festa”
O terapeuta de casais Manuel Lemos Peixoto, que durante anos foi presidente da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, considera que ultrapassado o receio da doença e da morte, irá pulsar na maioria o desejo da vida, do prazer e... de alguns excessos. O terapeuta recorda o que aconteceu na I e II Guerra Mundial, e aposta que depois de superada a pandemia, as populações vão encontrar-se mais, brindar mais, abraçar-se mais, beijar-se mais e praticar mais sexo do que antes. Mas os casais agora confinados em casa estão a ser postos à prova e surgirão inevitavelmente muitas crises. “Ou parte ou racha ou se cura. Pode ser uma oportunidade para a mudança. A palavra crise em chinês escreve-se com dois subsímbolos, um representa “perigo” e outro representa “oportunidade”. Uma conversa surpreendente e esclarecedora em tempos de “guerra” para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Albano Jerónimo: “Qualquer bom ator é perverso. Eu sou”
Ele é um dos atores mais aplaudidos, elogiados e desejados da sua geração. Alia beleza, carisma, intuição, densidade dramática, ambição e enorme capacidade de trabalho. Eis a fórmula perfeita para um ator de sucesso à escala mundial. Depois de protagonizar no cinema ‘um homem maior do que a vida’ no premiado filme “A Herdade”, de Tiago Guedes, Albano Jerónimo revela aqui, em primeira mão, o papel de destaque que representará numa nova série da Netflix, de produção inglesa, “The One”, que mistura conspiração com ficção científica, a estrear em setembro. E afirma: “O cinema americano está morto. O verdadeiro cinema, onde se fala de pessoas e de relações, está nas séries da Netflix e HBO.” Uma excelente conversa para ouvir em casa, ou onde estiver, neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Tordo: “É um bocadinho ridículo pensar que levar 12 garrafas de gel e 80 rolos de papel higiénico para casa me vai libertar da doença”
Ele é um dos melhores escritores da sua geração. O seu terceiro romance, “As Três Vidas” valeu-lhe o Prémio Saramago 2009. Autor de 13 romances, traduzidos para inúmeros países, surpreendeu o ano passado com “A Noite em que o Verão Acabou”, a primeira experiência no universo do crime. No final de março publicará novo livro, o “Manual de Sobrevivência de um Escritor”, onde revelará muito do seu mundo literário e não faltará um capítulo sobre a inveja. “No meio literário há imensa inveja”, afirma. Nesta conversa fala também do recente isolamento social a que se impôs por ter participado no Festival literário Correntes d´Escritas, onde esteve o escritor chileno Luís Sepúlveda, contagiado com o vírus Covid-19See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial Covid-19: Tudo aquilo que precisa de saber para gerir a sua vida face à pandemia
Vera Arreigoso, jornalista do Expresso especializada em temas de saúde, analisa o mais recente boletim epidemiológico da DGS sobre os infetados em Portugal, esclarece quais os principais sintomas e responde às principais preocupações dos portugueses neste momento - "posso viajar?" e "o que faço com os miúdos em casa sem escola?". Ouça este especial do Expresso sobre o novo coronavírusSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rafael Esteves Martins: “Olho para o Parlamento e lembro-me sempre de um pombal”
Começou a ser notado pela imprensa quando chegou de saia à Assembleia da República na tomada de posse da então deputada do Livre, Joacine Katar Moreira. Meses depois voltou a ser notícia por ter solicitado ao serviço de segurança do Parlamento para acompanhar a deputada porque ela não queria fazer mais declarações aos jornalistas. O caso gerou indignação e obrigou à intervenção do presidente do Parlamento. Os amigos mais próximos dizem que as suas maiores qualidades são ser “leal e ético”, os jornalistas que o acompanham acusam-no de “sobranceria”. Questionado se imagina Joacine candidata à Presidência, responde: “gostaria que ela cumprisse o seu mandato”. Uma conversa livre, bem disposta e desassombrada que pode ouvir neste episódio podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alberto Pimenta: “Tenho sido um grande contrabandista de ideias e palavras”
Alberto Pimenta é um dos nossos maiores poetas. Eterno experimentalista e artista de vanguarda, deu muito que falar nos anos 70, numa performance em que entrou numa jaula de um chimpanzé, no Jardim Zoológico de Lisboa, exibindo uma tabuleta com a palavra “Homem”. Autor de uma vasta obra, o seu livro mais conhecido e traduzido é “O Discurso sobre o Filho da Puta”. E chega a afirmar nesta conversa: “Há muitos. Estão dispersos. Estão na política, sobretudo. Naturalmente nas Forças Armadas.” Depois de “Zombo”, lançado em 2019, já há novo livro de poesia no horizonte que se deverá chamar “Há Tudo”. E se não há tudo, há certamente muito para conhecer, refletir e ouvir sobre Alberto Pimenta neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Edgar Pêra: “Duvido que a Netflix seja o modelo do futuro”
Chamam-lhe o guerrilheiro do cinema português, pela estética vanguardista e experimentalista que tem arriscado na mistura de formatos e estéticas. Do Super 8, à película tradicional, do digital ao 3D, Edgar Pêra já realizou dezenas de filmes, todos com uma boa dose de obscura ironia, como “A Janela (Maryalva Mix)”, “O Barão” ou “Cinesapiens”. Afirma que não filma para as pipocas ou pela espuma dos dias, mas para que as suas histórias cheguem à geração seguinte. “Ambiciono ser um realizador bomba-relógio ou um ‘sniper’ para atingir o futuro com os meus filmes.” Prestes a iniciar a rodagem do seu filme mais ambicioso de sempre, "The Nothingness Club", propõe-se a entrar na cabeça de Fernando Pessoa onde moram todos os seus heterónimos e... até um 'serial killer'. Nesta conversa em podcast, o realizador a quem encontram semelhanças com George Clooney, não descarta o sonho do Óscar para melhor filme e comenta alguns dos premiados de 2020See omnystudio.com/listener for privacy information.

Salvador Sobral: “Jamais cantaria como canto se não tivesse tido a doença cardíaca”
Passaram três anos desde que Salvador Sobral acabou com o enguiço nacional e venceu a Eurovisão com “Amar pelos Dois”. Foi a vitória do anti-herói, de um músico desenquadrado dos brilhos festivaleiros que conquistou o mundo inteiro e fez história a interpretar o tema da sua irmã, Luísa Sobral. Em 2019, Salvador Sobral lançou o segundo disco “Paris, Lisboa”, depois de recuperar do transplante do coração, e sente-se agora abençoado por poder dançar em palco quando lhe apetece ou jogar à bola sempre que pode. Está de volta aos palcos para cantar clássicos de Jacques Brel, que considera “o maior intérprete de todos os tempos.” E aqui trauteia alguns desses temas e revela-se com a autenticidade que todos lhe conhecem. “A Eurovisão é uma coisa da qual me orgulho, os Ídolos não”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Gomes: “Gostava de ver uma mulher na Presidência”
Ela é a figura política do momento. E tem sido uma das principais vozes incómodas na denúncia e combate à corrupção. Seja no caso do Football Leaks, Lux Leaks, Panamá Papers ou Luanda Leaks. E tem-no feito de forma desassombrada. Falou do Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, de ‘ter um passado de delinquente e ser devedor à banca’, apelidou Isabel dos Santos de ‘ladra’ do povo angolano, afirmou em tempos que o PS se tornara ‘um instrumento de corruptos e criminosos’ e exige agora a demissão do ex-ministro das finanças, Teixeira dos Santos, e do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Nesta conversa, Ana Gomes nega vir a ser candidata a Belém, mas não fecha definitivamente a porta a essa hipótese. Recorda o caso dos submarinos que comprometeu Paulo Portas, quando era vice-primeiro-ministro, e considera que ele “foi a determinada altura o artífice da relação com Angola, com o MPLA, um dos agentes de defesa de José Eduardo dos Santos”. Mas não só de política é feita a vida de Ana Gomes que chega a trautear... Rossini. Tudo isto para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cláudia Raia: “Bolsonaro não conhece os artistas, a cultura está a ser esfaqueada, mas nunca acabará. Nós artistas somos resistência”
A atriz brasileira Cláudia Raia, conhecida pelos portugueses das telenovelas desde os anos 80, é uma voz crítica do atual Governo de Bolsonaro, embora deixe claro que não é de esquerda e não votou em Lula da Silva. “O Brasil não está a passar por uma ditadura, só que quase... Regredimos muito. A cultura é vista com maus olhos e os artistas são vistos como bandidos. Então — como disse uma cantora brasileira — vivam sem arte, num breu. Ninguém consegue.” De volta a Portugal com a comédia romântica “Conserto para Dois”, onde contracena com o marido Jarbas Homem de Mello, a atriz revela que, apesar dos elogios pela beleza e boa forma física aos 53 anos, incomoda muitos homens. “Uma mulher empoderada como eu assusta os machistas.” Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mamadou Ba: “Continuo a receber ameaças de morte, nomeadamente de polícias, comandos e GNR”
O dirigente do SOS Racismo, Mamadou Ba, afirma ter recebido a 'milésima' ameaça de morte velada a 15 de janeiro, data de aniversário do líder e ativista histórico americano Martin Luther King Jr.: "Deixe nosso país. Leve sua família para seu país de origem. Você foi avisado." Em anexo, a imagem de uma bala. Mamadou garante que boa parte destas ameaças provêm de elementos das forças de segurança pública, mas que isso não o detém na sua luta antirracista. Reafirma que não se arrepende de ter escrito "a bosta da bófia", no rescaldo dos acontecimentos no bairro da Jamaica, defendendo que 'caracterizou' "a atuação da polícia, não a polícia" e que é “objeto permanente de bullying da extrema-direita, que o persegue. “Por isso já mudei de casa duas vezes…” Considera que Portugal tem de fazer uma catarse sobre o seu passado colonial e que “nenhuma pessoa branca pode avaliar o grau de violência que sofre uma pessoa racializada.” Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Catarina Wallenstein: “Nunca serei uma atriz medida por likes”
Com um longo e premiado percurso no cinema, teatro e televisão, a atriz Catarina Wallenstein surpreendeu em 2019 ao estrear-se como realizadora no filme-guerrilha “Tragam-me a Cabeça de Carmen M.”, ao lado do brasileiro Felipe Bragança. Aí é também a protagonista de uma história que celebra a figura exótica e tropical de Carmen Miranda, como se fosse a recuperação de um certo Brasil perdido. Catarina continua com o jeito de miúda dos tempos do filme que a tornou conhecida, “Singularidades de uma Rapariga Loura”, de Manoel de Oliveira, mas revela ter perdido muitas máscaras. “Já não tenho essa coisa de querer parecer composta, perfeita, querida, simpática, [para] agradar a toda a gente.” Sobre a figura internacional do ano, Greta Thunberg, afirma: “A questão importante não é a Greta, mas as questões do clima. Todo este movimento mediático à sua volta parece-me os gatinhos [nas redes] para mais ‘likes’. Ela é um gatinho com tranças.” Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rita Redshoes: “A beleza não ajudou. Viam-me apenas como menina bonita a cantar. E eu tenho um lado bastante masculino”
O novo álbum da cantora, compositora e multi-instrumentista Rita Redshoes só chegará em março de 2020, mas já tem um single, “O Amor Não É Razão”, e um nome luminoso: “Lado Bom”. Nesta conversa, Rita assume alguns lados menos bons do seu caminho: os preconceitos e rótulos que sofreu – por ser mulher e bonita, os eternos medos e a depressão que durante anos sentiu sem saber a causa. A música foi sempre a consolação desta rapariga sonhadora, que se revela agora por inteiro. “Tenho um lado do cérebro que normalmente só os taxistas têm”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jorge Silva Melo: “É legítima a vontade de matar o pai. Alguns atores fizeram isso comigo”
Quantas vidas terá vivido nesta vida Jorge Silva Melo? Ele que é encenador, ator, cineasta, dramaturgo, tradutor e crítico português. Se juntarmos as vidas todas dos palcos, do grande ecrã e dos livros, temos vidas suficientes para uma cidade. Ou pelo menos, uma aldeia. Ele que passou a infância na antiga cidade de Silva Porto, em Angola, que se formou realizador na London Film School e, mais tarde, estagiou em Berlim, Milão e foi ator em Paris. Decidiu regressar para o seu país porque para si pátria é culpa e responsabilidade. Fundador do “Teatro da Cornucópia” e dos “Artistas Unidos” é um mestre e mobilizador de artistas, histórias e projetos. Encontramo-lo em ensaios da próxima peça “A Máquina Hamlet”, de Heiner Müller, que estreia dia 15 de janeiro. Um pretexto para falar da “esperança, imensa maldição”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dino D´Santiago: “Lisboa é uma cidade crioula, aculturada, que se mistura e sabe conviver com as diferenças”
Há quem o chame de embaixador da nova música portuguesa e de uma nova Lisboa, mestiça, reinventada, multicultural. Madonna escolheu-o como guia musical da nossa capital e foi através dele que melhor conheceu o Fado, o funaná ou as batucadeiras de Cabo Verde. Os temas de Dino D ´Santiago traduzem um vibrante mundo novo, transnacional. Ou ‘Mundu Nôbu’, nome do último álbum. Talvez Nuno Artur Silva, o novo secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, tenha mesmo razão por afirmar que o discurso do 10 de Junho deveria ter sido feito por Dino porque “é o melhor exemplo do que é hoje Lisboa, para lá do turismo.” Agora que acaba de lançar o último EP “Sotavento”, Dino revela mais das suas raízes, e embora confesse já ter sofrido o racismo na pele, afirma: “Olho para mim como uma herança muito positiva do que foi o colonialismo”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Geovani Martins: “O meu maior medo era passar a vida a servir alguém. Agora é ser preso. Moro numa favela, mas tenho medo é da polícia”
Ele é considerado a mais poderosa revelação da literatura brasileira nos últimos anos. Nascido e criado nas favelas cariocas, datilografou numa máquina de escrever o livro de contos “O Sol na Cabeça”, onde revela o entra e sai do narcotráfico no morro, a ameaça constante da polícia, os bandidos a assaltarem estrangeiros, as vidas quotidianas no limite com o balázio da pobreza prestes a estoirar-lhes a cabeça. Aos 26 anos, Geovani Martins prepara-se para ver a sua obra adaptada ao cinema e não é manso na crítica aos governantes do seu país. "Em 2019 a polícia carioca matou mais de 1200 pessoas. Não existe pena de morte no Brasil, mas ela é aprovada nas ruas pelos governantes. A literatura é a minha arma para criar novas narrativas e promover a empatia.” Uma conversa obrigatória para ouvir neste episódio do podcast "A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rita Blanco e Rui Zink: “É horrível como nos tratamos uns aos outros. Há cada vez mais fascistas. Não aprendemos nada com o passado”
É de forma emocionada que Rita Blanco fala do fascismo que volta a levantar cabeça por cá e pelo mundo. O escritor Rui Zink concorda e acrescenta: “Há um grunho em potência dentro de cada um de nós. Temos que ter cuidado. Não há um gene fascista, mas há coletivos e indivíduos mais fáceis de empurrar do que outros”. Passaram 25 anos desde a primeira vez que Blanco e Zink se sentaram lado a lado, e logo no provocador programa de televisão “A Noite da Má Língua”, na SIC, que teve vários elencos, mas que na sua última versão - além desta dupla - contou ainda com Miguel Esteves Cardoso, Manuel Serrão e Júlia Pinheiro. O espírito crítico, livre, louco e subversivo desses tempos voltou a estar presente neste encontro perante uma plateia na Fabrica Features Lisboa, no Chiado. Isto por ocasião do Podes Festival, a 1.ª edição do Festival de Podcasts Nacionais, para o qual o programa “A Beleza das Pequenas Coisas” foi convidado a realizar uma emissão ao vivo. Entre risos e aplausos, estes dois provaram que continuam bons na má línguaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Teresa Horta: “Há quem me veja como uma escritora maldita”
A poesia é para ela uma urgência. Feminista, insubmissa e uma das poucas poetisas portuguesas a afirmar o desejo na sua escrita, Maria Teresa Horta sempre lutou pela liberdade. É autora de obras polémicas, como “Ambas as Mãos sobre o Corpo”, “Minha Senhora de Mim” e “Novas Cartas Portuguesas” (esta última assinada com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, conhecidas como “As Três Marias”), que escandalizaram o Portugal puritano e valeram à escritora um espancamento na rua e a quase prisão. Diversas vezes premiada, publica agora “Quotidiano Instável”, que reúne as crónicas que escreveu no jornal “A Capital” entre 1968 e 1972. Um quase romance, que descola da realidade para contar vida(s). E aqui neste episódio em podcast a poetisa conta algumas páginas do livro que a sua vida dariaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ney Matogrosso: “O Brasil está rachado. Uma dessas metades caminhou para trás assustadoramente”
Ney é um rei na arte de transformar um show musical num acontecimento e numa transgressão neste novo Brasil que, de repente, parece ter recuado mais de 30 anos. A “Rolling Stone” brasileira chamou-o “Deus do sexo da música brasileira”. Mas ele é mais do que isso. Em 1977, Ney Matogrosso foi escolhido por reclusos de uma prisão para lá atuar, por considerarem-no o representante da liberdade. Sobre ele já disseram que era uma mistura entre Bowie e Carmen Miranda. Ou de Jack Nicholson... com Josephine Baker. Comparações sempre injustas para quem é único na sua arte. Em 2020 sairá um biopic que retratará a sua vida. E Ney Matogrosso está agora de volta aos palcos e a Portugal com o espetáculo “Bloco na Rua”: Coliseu do Porto, dia 3 de novembro, e Coliseu de Lisboa, a 5 e 6 do mesmo mês. Sobre a vertigem do passado, quando o desejo falava mais alto, partilha: “Cheguei num ponto da minha vida em que se eu não 'transasse' não dormia." Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diogo Faro: “Para mim é mais desafiante fazer humor com machistas, racistas e homofóbicos”
É conhecido como o “Sensivelmente Idiota”, tem-se dividido entre talkshows no Youtube, espetáculos de stand-up, vox pops, escrita de livros e crónicas satíricas para o Sapo24 e sobre o Sporting para a Tribuna Expresso. Mas o que mais distingue o comediante Diogo Faro é fazer do humor uma arma poderosa para a defesa do feminismo, das minorias étnicas e LGBT, dos refugiados e do clima. Por isso há quem o chame de 'politicamente correto' e quem o ameace de morte. Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Beatriz Batarda: “Somos todos ridículos, caramba. Não nos podemos levar assim tão a sério”
É uma das mais brilhantes atrizes deste país. O ano passado Beatriz Batarda estreou-se na televisão e surpreendeu na série “Sara” - ideia de Bruno Nogueira e realização de Marco Martins - ao protagonizar uma atriz de teatro e do cinema que se cansou de chorar e decide fazer telenovelas. Uma sátira ao meio artístico português que não poupa ninguém. Ao longo de mais de 25 anos de profissão, Batarda já foi muitas mulheres e assume as cicatrizes que ficam, e que ‘são parte do gozo’ de representar. A viver um dos melhores momentos da sua vida, está mais disponível para a imperfeição, onde há mais humanidade. Uma conversa para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Luís Severo: “Gosto mais quando odeiam o que faço do que quando me acham um músico médio, uma ofensa bué chata”
O músico e escritor de canções Luís Severo, um dos nomes da música mais consensuais da sua geração, para quem este ano “O Sol Voltou”, que é o nome do terceiro álbum, editado em maio, recebeu-nos na sala de sua casa para uma conversa sem meias tintas e muita cantoria. Aos que o consideram bem mais maduro do que os seus 26 anos podem fazer esperar, responde: “Alma velha? Comparado com os Beatles sou uma alma ridiculamente jovem.” Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vicente Jorge Silva: “Rui Rio é um provinciano. Costa é o habilidoso”
É um dos nomes incontornáveis da imprensa portuguesa. Deu que falar no antigo regime por fintar o lápis azul quando estava à frente do “Comércio do Funchal”, depois mais tarde pela forma como dirigiu a Revista do Expresso, onde se liam nomes ilustres como Eduardo Prado Coelho, António Mega Ferreira, Miguel Esteves Cardoso, Clara Ferreira Alves ou Augusto Seabra, e, mais tarde, ao agitar as águas do jornalismo português com a fundação do jornal “Público”, onde foi o primeiro diretor. Aos 73 anos, fala da doença, da passagem pela política, e de como olha para a sua vida como se fosse um filme em fast foward. “Estou numa espécie de miradouro, olho para o passado e tudo parece um filme acelerado. ” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas ”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Zita Seabra: “As mudanças são o meu ato de liberdade”
É talvez a mulher com o percurso de maior abrangência política do país. Trocou o Royal Ballet pelo comunismo para combater a ditadura na clandestinidade, foi deputada do PCP, depois virou à direita, para ser deputada no PSD, e surpreende agora como mandatária nacional da Iniciativa Liberal para as legislativas de 6 de Outubro. Zita Seabra afirma que vive bem com o seu passado socialista, mas é sobre o presente e futuro da direita que se preocupa: “A direita está em estado terminal, mas tem capacidade de renascer”. E revela estar a escrever um livro a meias com um jovem refugiado afegão para chamar a atenção para aqueles que fogem dos seus países em guerra. “Vou fazê-lo para que as crianças possam perceber o que é vir de um país em guerra como o Afeganistão. É importante ajudar e acolher estes meninos como um familiar que chega. É neste Portugal que eu acredito”. Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marco Paulo: “As pessoas perguntam-me ‘Porque é que Marcelo nunca condecorou Marco Paulo?’”
Ele é o eterno rei da música romântica portuguesa. Nasceu João Simão da Silva mas fez-se Marco Paulo. O galã dos caracóis, dos dois amores, o cantor do vozeirão e do jogo do microfone. Não há ninguém como ele que, ao longo de mais de 50 anos de carreira, vendeu perto de 5 milhões de discos. No dia 12 de Outubro, Marco Paulo voltará à cena para cantar no Coliseu de Lisboa alguns dos clássicos que todos conhecem como os temas do seu novo disco. É na sua casa, onde vive rodeado de muitos cães e patos, onde Marco Paulo nos leva até ao passado e ao futuro numa das suas entrevistas mais surpreendentes. “Não sou um cantor antigo. Sou dos anos 80, dos anos 90 e de 2019.” Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Pacheco Pereira: “Espero que nas legislativas a direita entre com os pés esquerdos”
O historiador, cronista e ex-deputado do PSD José Pacheco Pereira, "o homem que anda aos papéis" para ‘salvar a usura da memória’ recebeu-nos num dos espaços da sua Ephemera, a maior biblioteca-arquivo privada do país. Quando questionado se é um turista no passado responde: “Viajo no passado como Darwin e Humboldt viajaram pela América Latina.” Uma conversa que marca o arranque da quarta temporada do podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.