
A Beleza das Pequenas Coisas
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Jorge Silva Melo: “É legítima a vontade de matar o pai. Alguns atores fizeram isso comigo”
Quantas vidas terá vivido nesta vida Jorge Silva Melo? Ele que é encenador, ator, cineasta, dramaturgo, tradutor e crítico português. Se juntarmos as vidas todas dos palcos, do grande ecrã e dos livros, temos vidas suficientes para uma cidade. Ou pelo menos, uma aldeia. Ele que passou a infância na antiga cidade de Silva Porto, em Angola, que se formou realizador na London Film School e, mais tarde, estagiou em Berlim, Milão e foi ator em Paris. Decidiu regressar para o seu país porque para si pátria é culpa e responsabilidade. Fundador do “Teatro da Cornucópia” e dos “Artistas Unidos” é um mestre e mobilizador de artistas, histórias e projetos. Encontramo-lo em ensaios da próxima peça “A Máquina Hamlet”, de Heiner Müller, que estreia dia 15 de janeiro. Um pretexto para falar da “esperança, imensa maldição”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dino D´Santiago: “Lisboa é uma cidade crioula, aculturada, que se mistura e sabe conviver com as diferenças”
Há quem o chame de embaixador da nova música portuguesa e de uma nova Lisboa, mestiça, reinventada, multicultural. Madonna escolheu-o como guia musical da nossa capital e foi através dele que melhor conheceu o Fado, o funaná ou as batucadeiras de Cabo Verde. Os temas de Dino D ´Santiago traduzem um vibrante mundo novo, transnacional. Ou ‘Mundu Nôbu’, nome do último álbum. Talvez Nuno Artur Silva, o novo secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, tenha mesmo razão por afirmar que o discurso do 10 de Junho deveria ter sido feito por Dino porque “é o melhor exemplo do que é hoje Lisboa, para lá do turismo.” Agora que acaba de lançar o último EP “Sotavento”, Dino revela mais das suas raízes, e embora confesse já ter sofrido o racismo na pele, afirma: “Olho para mim como uma herança muito positiva do que foi o colonialismo”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Geovani Martins: “O meu maior medo era passar a vida a servir alguém. Agora é ser preso. Moro numa favela, mas tenho medo é da polícia”
Ele é considerado a mais poderosa revelação da literatura brasileira nos últimos anos. Nascido e criado nas favelas cariocas, datilografou numa máquina de escrever o livro de contos “O Sol na Cabeça”, onde revela o entra e sai do narcotráfico no morro, a ameaça constante da polícia, os bandidos a assaltarem estrangeiros, as vidas quotidianas no limite com o balázio da pobreza prestes a estoirar-lhes a cabeça. Aos 26 anos, Geovani Martins prepara-se para ver a sua obra adaptada ao cinema e não é manso na crítica aos governantes do seu país. "Em 2019 a polícia carioca matou mais de 1200 pessoas. Não existe pena de morte no Brasil, mas ela é aprovada nas ruas pelos governantes. A literatura é a minha arma para criar novas narrativas e promover a empatia.” Uma conversa obrigatória para ouvir neste episódio do podcast "A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rita Blanco e Rui Zink: “É horrível como nos tratamos uns aos outros. Há cada vez mais fascistas. Não aprendemos nada com o passado”
É de forma emocionada que Rita Blanco fala do fascismo que volta a levantar cabeça por cá e pelo mundo. O escritor Rui Zink concorda e acrescenta: “Há um grunho em potência dentro de cada um de nós. Temos que ter cuidado. Não há um gene fascista, mas há coletivos e indivíduos mais fáceis de empurrar do que outros”. Passaram 25 anos desde a primeira vez que Blanco e Zink se sentaram lado a lado, e logo no provocador programa de televisão “A Noite da Má Língua”, na SIC, que teve vários elencos, mas que na sua última versão - além desta dupla - contou ainda com Miguel Esteves Cardoso, Manuel Serrão e Júlia Pinheiro. O espírito crítico, livre, louco e subversivo desses tempos voltou a estar presente neste encontro perante uma plateia na Fabrica Features Lisboa, no Chiado. Isto por ocasião do Podes Festival, a 1.ª edição do Festival de Podcasts Nacionais, para o qual o programa “A Beleza das Pequenas Coisas” foi convidado a realizar uma emissão ao vivo. Entre risos e aplausos, estes dois provaram que continuam bons na má línguaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Teresa Horta: “Há quem me veja como uma escritora maldita”
A poesia é para ela uma urgência. Feminista, insubmissa e uma das poucas poetisas portuguesas a afirmar o desejo na sua escrita, Maria Teresa Horta sempre lutou pela liberdade. É autora de obras polémicas, como “Ambas as Mãos sobre o Corpo”, “Minha Senhora de Mim” e “Novas Cartas Portuguesas” (esta última assinada com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, conhecidas como “As Três Marias”), que escandalizaram o Portugal puritano e valeram à escritora um espancamento na rua e a quase prisão. Diversas vezes premiada, publica agora “Quotidiano Instável”, que reúne as crónicas que escreveu no jornal “A Capital” entre 1968 e 1972. Um quase romance, que descola da realidade para contar vida(s). E aqui neste episódio em podcast a poetisa conta algumas páginas do livro que a sua vida dariaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ney Matogrosso: “O Brasil está rachado. Uma dessas metades caminhou para trás assustadoramente”
Ney é um rei na arte de transformar um show musical num acontecimento e numa transgressão neste novo Brasil que, de repente, parece ter recuado mais de 30 anos. A “Rolling Stone” brasileira chamou-o “Deus do sexo da música brasileira”. Mas ele é mais do que isso. Em 1977, Ney Matogrosso foi escolhido por reclusos de uma prisão para lá atuar, por considerarem-no o representante da liberdade. Sobre ele já disseram que era uma mistura entre Bowie e Carmen Miranda. Ou de Jack Nicholson... com Josephine Baker. Comparações sempre injustas para quem é único na sua arte. Em 2020 sairá um biopic que retratará a sua vida. E Ney Matogrosso está agora de volta aos palcos e a Portugal com o espetáculo “Bloco na Rua”: Coliseu do Porto, dia 3 de novembro, e Coliseu de Lisboa, a 5 e 6 do mesmo mês. Sobre a vertigem do passado, quando o desejo falava mais alto, partilha: “Cheguei num ponto da minha vida em que se eu não 'transasse' não dormia." Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diogo Faro: “Para mim é mais desafiante fazer humor com machistas, racistas e homofóbicos”
É conhecido como o “Sensivelmente Idiota”, tem-se dividido entre talkshows no Youtube, espetáculos de stand-up, vox pops, escrita de livros e crónicas satíricas para o Sapo24 e sobre o Sporting para a Tribuna Expresso. Mas o que mais distingue o comediante Diogo Faro é fazer do humor uma arma poderosa para a defesa do feminismo, das minorias étnicas e LGBT, dos refugiados e do clima. Por isso há quem o chame de 'politicamente correto' e quem o ameace de morte. Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Beatriz Batarda: “Somos todos ridículos, caramba. Não nos podemos levar assim tão a sério”
É uma das mais brilhantes atrizes deste país. O ano passado Beatriz Batarda estreou-se na televisão e surpreendeu na série “Sara” - ideia de Bruno Nogueira e realização de Marco Martins - ao protagonizar uma atriz de teatro e do cinema que se cansou de chorar e decide fazer telenovelas. Uma sátira ao meio artístico português que não poupa ninguém. Ao longo de mais de 25 anos de profissão, Batarda já foi muitas mulheres e assume as cicatrizes que ficam, e que ‘são parte do gozo’ de representar. A viver um dos melhores momentos da sua vida, está mais disponível para a imperfeição, onde há mais humanidade. Uma conversa para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Luís Severo: “Gosto mais quando odeiam o que faço do que quando me acham um músico médio, uma ofensa bué chata”
O músico e escritor de canções Luís Severo, um dos nomes da música mais consensuais da sua geração, para quem este ano “O Sol Voltou”, que é o nome do terceiro álbum, editado em maio, recebeu-nos na sala de sua casa para uma conversa sem meias tintas e muita cantoria. Aos que o consideram bem mais maduro do que os seus 26 anos podem fazer esperar, responde: “Alma velha? Comparado com os Beatles sou uma alma ridiculamente jovem.” Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vicente Jorge Silva: “Rui Rio é um provinciano. Costa é o habilidoso”
É um dos nomes incontornáveis da imprensa portuguesa. Deu que falar no antigo regime por fintar o lápis azul quando estava à frente do “Comércio do Funchal”, depois mais tarde pela forma como dirigiu a Revista do Expresso, onde se liam nomes ilustres como Eduardo Prado Coelho, António Mega Ferreira, Miguel Esteves Cardoso, Clara Ferreira Alves ou Augusto Seabra, e, mais tarde, ao agitar as águas do jornalismo português com a fundação do jornal “Público”, onde foi o primeiro diretor. Aos 73 anos, fala da doença, da passagem pela política, e de como olha para a sua vida como se fosse um filme em fast foward. “Estou numa espécie de miradouro, olho para o passado e tudo parece um filme acelerado. ” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas ”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Zita Seabra: “As mudanças são o meu ato de liberdade”
É talvez a mulher com o percurso de maior abrangência política do país. Trocou o Royal Ballet pelo comunismo para combater a ditadura na clandestinidade, foi deputada do PCP, depois virou à direita, para ser deputada no PSD, e surpreende agora como mandatária nacional da Iniciativa Liberal para as legislativas de 6 de Outubro. Zita Seabra afirma que vive bem com o seu passado socialista, mas é sobre o presente e futuro da direita que se preocupa: “A direita está em estado terminal, mas tem capacidade de renascer”. E revela estar a escrever um livro a meias com um jovem refugiado afegão para chamar a atenção para aqueles que fogem dos seus países em guerra. “Vou fazê-lo para que as crianças possam perceber o que é vir de um país em guerra como o Afeganistão. É importante ajudar e acolher estes meninos como um familiar que chega. É neste Portugal que eu acredito”. Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marco Paulo: “As pessoas perguntam-me ‘Porque é que Marcelo nunca condecorou Marco Paulo?’”
Ele é o eterno rei da música romântica portuguesa. Nasceu João Simão da Silva mas fez-se Marco Paulo. O galã dos caracóis, dos dois amores, o cantor do vozeirão e do jogo do microfone. Não há ninguém como ele que, ao longo de mais de 50 anos de carreira, vendeu perto de 5 milhões de discos. No dia 12 de Outubro, Marco Paulo voltará à cena para cantar no Coliseu de Lisboa alguns dos clássicos que todos conhecem como os temas do seu novo disco. É na sua casa, onde vive rodeado de muitos cães e patos, onde Marco Paulo nos leva até ao passado e ao futuro numa das suas entrevistas mais surpreendentes. “Não sou um cantor antigo. Sou dos anos 80, dos anos 90 e de 2019.” Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Pacheco Pereira: “Espero que nas legislativas a direita entre com os pés esquerdos”
O historiador, cronista e ex-deputado do PSD José Pacheco Pereira, "o homem que anda aos papéis" para ‘salvar a usura da memória’ recebeu-nos num dos espaços da sua Ephemera, a maior biblioteca-arquivo privada do país. Quando questionado se é um turista no passado responde: “Viajo no passado como Darwin e Humboldt viajaram pela América Latina.” Uma conversa que marca o arranque da quarta temporada do podcast A Beleza das Pequenas CoisasSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Camané: “Aquilo que mais gostava era de cantar até morrer. Nos homens o fado envelhece melhor"
É uma das melhores vozes portuguesas de sempre. Foi Amália que lhe abriu as portas para gravar o primeiro disco, porque achava que aquele puto “estava no bom caminho”. E que caminho. Um fadista de corpo e alma que reuniu como poucos, e a pouco e pouco, a unanimidade da crítica, dos seus pares e do público. Camané enche coliseus e enche-nos o peito com a sua verdade e as suas interpretações únicas, que entre a tradição e a inovação, têm criado novos caminhos, novas vidas e novos fados para o fado. E, nesta conversa feita na sala de sua casa, Camané regressa ao passado, quando tinha uns certos heróis secretos: “Em miúdo sonhava voar como o Super-Homem para visitar as raparigas de quem gostava e, às escondidas, ouvia Amália, Marceneiro, Carlos do Carmo, os meus outros heróis”. Aos 50, fala das inseguranças de sempre, deixa críticas a certos fadistas que têm pouco a ver com fado e prepara-se para voltar a desafiar-se. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

André Tecedeiro: “Continuo a ser mãe para o meu filho mesmo depois de me assumir como homem trans. Na gramática dele mãe é... masculino”
Um dos dias mais felizes da sua vida aconteceu este ano quando viu finalmente reconhecido no papel o nome com que sonhara há muito para si, André. O filho de 11 anos e a companheira Laura receberam-no em casa com cartazes que diziam: “Bem-vindo mãe-André, feliz nome novo”. Foi um longo caminho até aqui chegar, até se assumir como um homem trans. Com uma larga obra na poesia e nas artes plásticas, André Tecedeiro lançou em Março um novo livro, “O Número de Strahler” e está a estudar psicologia para “ajudar os outros a ultrapassarem os seus próprios medos e muros”. André decidiu não esconder a sua transição para acabar com os preconceitos: “Percebi que era mais valioso fazer a mudança de género à frente de todos, servindo de testemunho de que isto é possível, quebrando estereótipos e medos.” Uma conversa onde conta a criança que foi, o tanto que aprende com o próprio filho, o ‘vício’ pelos livros, o fim do medo e o amor que tem pela Laura. “Nunca pensei que um amor assim fosse possível”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Capicua: “Marcelo previne a aparição dos messias populistas que canalizam a atenção e descontentamento das pessoas, como Bolsonaro e Trump”
Ela é a comandante da guerrilha cor-de-rosa. Abelha rainha da colmeia do Rap - que abriu novos caminhos e ocupou um espaço vazio num meio tradicionalmente masculino. E, por vezes, machista. Ela é a Ana Matos Fernandes, já grafitou paredes como Odd (ímpar, em inglês), mas é acima de tudo conhecida como a Capicua ou a Capi. Há dez anos que esta MC canta a sua história e as suas causas - o feminismo e as injustiças políticas e sociais do seu país. Depois do disco luso-brasileiro “Língua Franca” (em parceria com Valete, Emicida e Rael) Capicua prepara-se para dois partos em 2019. No 5.º mês de gravidez, será mãe do seu primeiro filho e lançará até à próxima primavera o seu próximo disco: “É o álbum mais solar e dançável que alguma vez fiz”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Marques: “Não me apetece fazer piadas brejeiras ou piadas com crianças que morrem de cancro. Nada contra, mas não me fazem rir”
Ela é a Joana Marques, a procuradora dos muitos ridículos do nosso quotidiano, a que faz rir. E muito. Começou como guionista nas Produções Fictícias e hoje é das figuras mais interessantes do humor português. Atualmente nas manhãs da Antena 3, é autora da rubrica satírica “Extremamente Desagradável” e faz parte do painel do “Irritações”, da SIC Radical. Este ano lançou o livro “O Meu Coração Só Tem Uma Cor — 90 minutos à Porto”, que contou com prefácio de Pinto da Costa, que lhe elogiou o talento e lhe chamou “dragona”. E esta ‘dragona’ chega a lançar aqui as suas chamas: “Não gosto da Madonna, não sou grande fã do Nilton, não adoro Maria Vieira. Fazem parte do leque de pessoas que não convidaria para jantar cá em casa. Já o Goucha, está convidado. Quando ele quiser...” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Gonçalves Mendes: “O mundo é um desastre. Trump, Bolsonaro. Se queremos amar e mudar o que nos rodeia, temos de fazer algo”
O que se anda a passar no mundo até pode ser uma trampa, mas há filmes que nos fazem acreditar na humanidade. E percebê-la mais a fundo. Exemplo disso são as obras do realizador Miguel Gonçalves Mendes, tão transgressoras e subversivas, como cheias de verdade, esperança e poesia. Ele é o realizador do documentário português mais visto de sempre, “José e Pilar”, que conquistou a crítica e o público internacional ao revelar a intimidade do escritor e Nobel da literatura José Saramago, e da sua mulher Pilar del Rio, como nunca antes. Já antes Miguel Gonçalves Mendes retratara o poeta e surrealista Mário Cesariny e, este ano, levou-nos aos labirintos da cabeça do filósofo Eduardo Lourenço, em “O Labirinto da Saudade”. Mas o filme que vai estrear em 2019 é ainda mais ambicioso e empolgante. Chama-se “O Sentido da Vida” e fê-lo embarcar numa viagem ao redor do mundo a fim de questionar a nossa existência. Qual o sentido da vida? É ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nuno Lopes: “Há atores do Instagram que trabalham para serem famosos mas não são artistas. Prefiro trabalhar com os outros”
Ele é um dos nossos melhores atores, de uma versatilidade e verdade fora de série, o que o tem levado a distinguir-se no cinema, no teatro, na televisão. A fazer-nos rir, chorar ou, por vezes, engolir em seco com ficções próximas da realidade. O prémio que Nuno Lopes recebeu há dois anos no Festival de Cinema de Veneza, pela sua representação de um boxeur cobrador de dívidas — um santo a arder no inferno, em “São Jorge”, de Marco Martins, foi mais um aplauso internacional a confirmar isso mesmo. Agora regressa ao humor na série televisiva “Sara”, na RTP2. Uma sátira criada por Bruno Nogueira e realizada por Marco Martins, onde representa um ator de novelas e do Instagram, inspirado em famosos da nossa praça. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Antónia Palla: “O meu filho, António Costa, é bem educado. Em Angola há protocolo a mais e coisas importantes a menos - a democracia”
Feminista, repórter de mão cheia, sindicalista, é mãe do nosso primeiro-ministro, António Costa, com o qual não fala de política. “Há o António, a quem eu chamo ‘Babush’, que quer dizer ‘menino’ em goês, e há o primeiro-ministro, aquele senhor que eu conheço mais pela televisão, de quem discordo várias vezes, como na falta de apoio à habitação e na insistência nas relações com Angola”. Sobre as criticas que lhe apontaram à forma como geriu publicamente a tragédia dos incêndios do ano passado, comenta: “O meu filho não é expansivo, como nenhum indiano é. Ele é reservado nas emoções. Não quer dizer que não as tenha...” Uma conversa para ouvir no regresso do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, que entra na quarta temporadaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Música, sensibilidade e poesia: a extraordinária vida de Phil Mendrix (1947-2018)
Filipe Mendes, mais conhecido por Phil Mendrix - “o nosso Jimi Hendrix” -, deu há três anos ao Expresso a sua última grande entrevista. Disponibilizada no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, a conversa errante com este guitarrista histórico do rock português (passou pelos Chinchilas, Roxigénio, Quarteto 1111 e Ena Pá 2000) arrancou ao ritmo dos seus acordes distorcidos e surpreendeu a cada minuto com a sensibilidade, humor, poesia e o sem fim de histórias e aventuras na estrada deste sonhador do rock que desejava um dia inaugurar um museu com o seu nome e as suas guitarras. Morreu esta segunda-feira. Tinha 70 anosSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Benjamim faz a música, Rita Blanco está farta de ser atriz e Sobrinho Simões quer entreter a morte: edição 100 da Beleza das Pequenas Coisas
Este é um episódio de celebração que comemora 100 conversas em podcast. E que contou com uma locução de Augusto Seabra, a voz do Expresso e da SIC, uma música original de Benjamim, tão simples quanto bela, ilustrações de Ana Gil e até um enorme bolo para soprarmos as 100 velas. E como é um episódio especial contou com uma dupla também especial: a atriz Rita Blanco e o professor e investigador Manuel Sobrinho Simões. “Sempre lhe achei graça. Ela tem muita curiosidade, que é uma coisa que nos liga muito. E tem lata em perguntar, e eu também tenho”, diz Sobrinho Simões. “Acho que é mais do que lata, temos gosto em comunicar com os outros. Conheci-o num casamento e fiquei encantada. Tenho uma enorme admiração por si e, ainda por cima, é giro”, conta a atriz. “A Beleza das Pequenas Coisas” é centenáriaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

D. Duarte Pio: “Desde 1910 que a moral republicana só funciona em ditadura”
Apesar de ser um adepto da democracia e da liberdade, D. Duarte Pio, duque de Bragança e chefe da Casa Real Portuguesa, defende que o país seria mais livre e menos corrupto se voltasse a ser governado por um regime monárquico. Ou seja, por ele, dado que é o herdeiro do trono português. “Há uma tolerância geral no país para a pequena corrupção. E isto tem que ver com a falta de motivações morais e espirituais.” Sobre o atual chefe de Estado português chega a dizer: “O Presidente Marcelo atua como um rei, pela sua inteligência política”. E revela que um Presidente dos Estados Unidos chegou um dia a incentivá-lo a candidatar-se à Presidência da República. Uma conversa onde fala ainda do seu amor, Isabel de Herédia, das razões para uma paternidade tardia, e em que ficamos a saber que até se ri das caricaturas que fazem dele. “Desde que não me ponham gago. Que é uma coisa que eu não sou.” Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Guilherme: “Sem cultura, nós transformamo-nos nuns animais. E nós, portugueses, estamos meio cá meio lá”
Na verdade, animais já somos. Embora racionais, podemos sempre ficar mais primitivos e animalescos se não nos educarmos com conhecimento e cultura. É esta a ideia e o alerta do ator Miguel Guilherme: “Nós não temos uma tradição cultural. Somos muito atrasados. Sempre fomos. No 25 de Abril falhámos no ensino e na cultura. Mas é reversível. Tenho esperança. Saímos de um Governo que apertou o cinto e as pessoas estavam agora à espera de algo diferente. O António Costa é um ótimo político, mas às vezes é distraído…” Isto e muito mais para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Clara Ferreira Alves: “Toda a gente acha Portugal uma choldra ignóbil. Mas é uma boa choldra onde toda a gente quer viver”
“Choldra ignóbil” saiu da pluma de Eça de Queirós mas é usada por Clara Ferreira Alves para falar do país que não considera tão manso como o pintam. “O português não é suave, faz-se suave quando lhe convém.” A colunista do Expresso e escritora fala sobre Portugal e o mundo, a ligação ao Médio Oriente - que a levou a escrever o primeiro livro, “Pai Nosso” - e o que a inspira a escrever o próximo romance: “Na escrita não me interessa a felicidade, interessa-me o horror.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nuno Artur Silva: “O humorista não derruba a Gioconda, o humorista coloca um bigode na Gioconda”
“Não havia necessidade.” A frase é da mãe de Herman José tomada de empréstimo por Nuno Artur Silva para a personagem “Diácono Remédios”, popularizada por Herman. Uma expressão que calha bem neste processo de afastamento de Nuno Artur Silva da administração da RTP, pela alegada incompatibilidade e conflito de interesses por ter mantido durante estes últimos três anos um vínculo com as Produções Fictícias e com o Canal Q. Uma coisa é certa: o canal público está com mais séries nacionais, mais documentários e ‘milagrosamente’ reinventou o Festival da Canção levando-nos à vitória com Salvador Sobral. Sobre a sua imprevista saída da estação pública, Nuno deixa claro: “Poderei ter cometido algumas ingenuidades. Mas a mulher de César não tem de parecer séria. A mulher de César tem de ser séria. E eu fui sério e transparente do princípio ao fim na RTP.” Sobre o que chama campanha difamatória acrescenta: “Orgulho-me bastante dos inimigos que fiz nestes últimos tempos. Faz-me sentir que estou do lado certo.” Nesta conversa o argumentista, escritor e apresentador, recorda os anos 80 em que foi um jovem anarquista, os anos 90 em que fundou as Produções Fictícias e lançou alguns dos maiores do humor e fala do futuro. “Irei fazer todas as coisas que ainda não fiz”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Benjamim: “Não procuro a fama, o sucesso. Não ando a correr atrás de visualizações, nem de ser a grande cena para a seguir desaparecer....”
Ele é um dos mais interessantes e promissores músicos da nova geração. É conhecido por Benjamim, já foi Walter Benjamin e, na verdade, chama-se Luís Nunes. Em pequeno estudou música clássica, viveu 4 anos em Londres, onde se formou engenheiro de som, mas decidiu regressar em tempos de crise porque tinha muito para cantar na sua língua. Foi no Alvito, Alentejo, onde criou o primeiro disco de canções pop em português, “Auto-Rádio”, depois andou em digressão durante 33 dias seguidos pelo país a bordo do seu velho Volkswagen. No ano passado lançou novo disco, “1986”, desta vez bilingue, com o inglês Barnaby Keen e adianta que o próximo álbum será mais eletrónico. Além disso, tem produzido discos de outros artistas como Márcia, Noiserv, B Fachada ou, mais recentemente, Joana Espadinha - que concorreu este ano ao Festival RTP da Canção com um tema seu, 'Zero a Zero'. Se nunca escutou Benjamim descubra aqui a sua história e a sua música que é “anarquia", "verdade", "liberdade”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Soraia Chaves: “Uma mulher que fale abertamente sobre a sua sexualidade ainda é vista como a Eva, a pecadora, a origem do mal…”
Ela é a mulher-desejo do cinema português. Foi a tentadora Amélia no filme “O Crime do Padre Amaro”, a manipuladora Maria, em “Call Girl”, ou a extravagante e erótica Maria Emília, em “A Vida Privada de Salazar”. Nesta conversa a atriz assume ter sido confundida com a personagem Maria, uma prostituta de luxo, quando tentou a sua sorte junto de agentes, produtores e realizadores, em Los Angeles, nos EUA. “Disseram-me que o ideal era beber um copo, jantar e seduzir os realizadores. Fiquei tão chocada com aquilo que me vim embora. E não me deixou vontade de lá voltar”, confessa pela primeira vez em público. Vencedora de um Globo de Ouro, Soraia Chaves acaba de dar corpo à desassombrada poetisa Natália Correia na série “Três Mulheres”, da RTP1, e está prestes a protagonizar a nova telenovela da SIC. Ainda se surpreende como as pessoas criam tanta discussão e assunto acerca das cenas de nudez. “A exposição da alma é bem mais generosa e difícil do que a exposição de um corpo.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Luís Franco-Bastos: “Um amigo que se ofenda com uma piada não é um amigo assim tão bom. O único mau humor é o que não tem graça”
Ele é a voz de Portugal. Ou melhor, é a voz de muitos dos nossos cromos. Da política ao futebol e, até mesmo ao humor, Luís Franco-Bastos consegue a proeza de imitar tal e qual o registo e os trejeitos vocais de Cristiano Ronaldo, Alberto João Jardim, Bruno de Carvalho, Marcelo Rebelo de Sousa e muitos, muitos mais. Este humorista, especializado em ‘stand up’, cumpre agora dez anos de carreira e já tem um talk show num canal do Youtube, o “Erro Crasso” - que apresenta com o jovem humorista Pedro Teixeira da Mota - onde está a fazer televisão fora da televisão. “O Youtube e a internet são um poder que trouxe uma democratização da cultura e da arte. As pessoas veem o que querem e quando querem. Um artista já não tem de passar pelos postos de decisão de um diretor de programas acabrunhado e quadradão.” Nesta conversa, o humorista recorda o dia da morte da mãe em que estreou um espetáculo a solo: “O humor salvou-me nesse dia. Subi ao palco, pus a ferida no congelador, e evitei outra tragédia: cancelar o meu espetáculo”. Para ouvir neste episódio do podcast A Beleza das Pequenas Coisas. Que conta, claro, com algumas ‘participações especiaisSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuela Azevedo: “Aprendi a dançar e a cantar com um irmão enquanto tinha as ovelhas a pastar. Começou aí o prazer pela música...”
Parece um título de um poema bucólico. Mas não é. Os primeiros anos de vida de Manuela Azevedo, a voz dos Clã, também se escrevem com poesia, dança e muita música pop e clássica. Manuela nasceu numa pequena localidade, em São Simão da Junqueira, Vila do Conde, e esteve para ser advogada, "como Perry Mason". Mas um convite do músico Hélder Gonçalves ditou-lhe o destino. “Arriscar é importante para descobrirmos coisas novas sobre nós próprios e sobre a vida. É escolher o lado errado, o coração, o mais imprevisível.” Há 26 anos que ela e a sua banda nos dão asas nos pés e nos ajudam a dançar nesta corda bamba do quotidiano. Depois de oito álbuns editados, e um próximo a caminho, Manuela volta a esticar a corda e estreia-se agora na peça musical “Montanha-Russa”, em cena de 9 a 27 de março, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. “É perigoso uma pessoa levar-se demasiado a sério.” Uma conversa reveladora para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Daniel Oliveira: “Conheci estalinistas e fascistas com corações maravilhosos. Todos nós transportamos monstros e anjos”
É um dos nossos mais relevantes fazedores de opinião. Filho do poeta Herberto Helder, sempre recusou ser conhecido como tal ou falar dessa relação. “É sempre pesadíssimo ser filho de alguém. E ser pai também.” Ao contrário de Herberto, a política foi sempre a sua paixão. Daniel é “canhoto na política” desde que se lembra. Foi jornalista, distinguido com o Prémio Gazeta Revelação, escreveu nos blogues “Barnabé” e “Arrastão”, pertenceu ao Partido Comunista e foi dirigente e assessor do Bloco de Esquerda, de onde saiu em 2013. Autor do livro “Década de Psicopatas”, não encontra atualmente em Portugal nenhum político que admire. “E será cada vez mais difícil haver. Há menos espaço para pessoas extraordinárias na política.” Sobre as suas contradições afirma: “Apesar de ligar menos ao dinheiro do que a maioria das pessoas, não consegui ser completamente despegado dele. Por liberdade. Como o meu pai.” E ainda lê em exclusivo um texto desconhecido de Herberto Helder, que integrará um novo livro de crónicas e reportagens do poeta, em Angola, intitulado “Em Minúsculas”, que será editado em breve. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Elisa: “Claro que fui assediada. Mais de 90% das mulheres da TV e vida artística responderão que sim, se forem honestas”
Foi a primeira mulher na televisão portuguesa a fazer entrevistas políticas e aos 30 já era diretora de programas na RTP. Despertou amores e ódios, foi deputada independente do PSD e saiu zangada da estação pública, onde era figura principal. Garante que vive bem fora de cena, mas com energia para voltar ao seu ‘habitat’ natural, a televisão. “Acho é patético querer ir contra o tempo.” Perto dos 60 encontrou um novo amor. “Conheci o meu marido numa fase em que estava sozinha, triste. Atraiu-me nele a leveza.”Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Kalaf: “O racismo em Portugal continua absolutamente presente mas está mais sofisticado”
Chamam-lhe “o grande agitador cultural”. Isto por abraçar há mais de uma década a mestiçagem musical entre Luanda, Lisboa e o mundo. Ele é Kalaf Epalanga, antes conhecido por Kalaf Ângelo, músico dos Buraka Som Sistema, que lançou agora o seu primeiro romance, “Também os brancos sabem dançar”. Uma conversa que começa por juntar Cavaco Silva à kizomba e termina com um testemunho de amor. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jel: “O humor em Portugal é elitista, confinado a quem teve uma vida burguesa. Não há pretos, ciganos ou malta do subúrbio a fazer humor”
Ele anda na luta artística há uns bons anos. Jel, aliás Nuno Duarte, é humorista, produtor, realizador e músico. Há uns tempos 'mandou tudo abaixo' e, junto com o irmão, foi um homem da luta incómodo, subversivo, de megafone na mão, cantarolando palavras de ordem que irritaram a classe política, e não só. Uma dupla que chegou mesmo a vencer há sete anos o Festival RTP da Canção, com o tema 'A Luta é Alegria', e a ter um programa em horário nobre na SIC. Mas, às tantas, a fórmula esgotou-se e a dupla decidiu retirar-se. “Eu podia continuar a fazer os “Homens da Luta” até ao fim da vida, como o Avô Cantigas, mas não quero. Prefiro continuar à procura de um estilo que me sirva”. Dedicado agora à realização de documentários, às crónicas e ao stand up comedy, Jel assume que “já chocou o que tinha a chocar”, que está a passar por uma pequena crise de meia-idade. “Estou mais maduro, mas se calhar com menos graça.” Uma conversa sem máscaras para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fernanda Torres: “Os meus momentos de glória são muito parecidos com os meus fracassos”
Ela é uma das atrizes mais prestigiadas do Brasil, por cá tornou-se popular com a participação na série televisiva de humor “Os Normais”. Filha de duas figuras maiores da representação – Fernanda Montenegro e Fernando Torres – cedo ganhou uma identidade artística que a levou a ser distinguida, logo aos 21 anos, com o prémio de melhor atriz em Cannes, pelo filme “Eu sei que vou te amar”. Há cinco anos arriscou a literatura e estreou-se no primeiro romance, “Fim”, sobre a vida e a morte de cinco velhos amigos cariocas. A crítica rendeu-se à sua escrita, o que a motivou a escrever o segundo, “A Glória e o seu Cortejo de Horrores”, sobre as desventuras de um ator de meia idade caído em desgraça. “Todo o livro é uma autobiografia. Não existe nenhum autor que não escreva a partir da sua visão”, revela Fernanda nesta conversa franca sobre o bom e o menos bom que ficou lá atrás e as maravilhas e descobertas da maturidade. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jorge Molder: “O tempo é o chefe do gangue, o tempo subverte o corpo, a vida, as verdades”
Há quem lhe chame o fotógrafo-filósofo ou o filósofo-fotógrafo. Ele é um dos nomes maiores da arte contemporânea e foi o primeiro artista português a ter uma obra na coleção de arte da UNESCO, que integra trabalhos de artistas como Picasso, Miró, Henry Moore, Giacometti ou Le Corbusier. Há quarenta anos que Jorge Molder usa a fotografia e o vídeo, os autorretratos e as autorrepresentações, e enfrenta a própria camera como performer e ator para nos contar histórias através de imagens. Agora que aos 70 anos parte da sua obra acaba de ser publicada em livro na coleção Ph., pela Imprensa Nacional, Molder conta-nos a relação com o tempo e o envelhecimento, como a arte “pode ter um lado muito superficial e desatento”, e revela-nos ainda os jogos de computador que disputa com os netos, as músicas que o acompanham e o que realmente importa na vida, o amor. “É urgente a nossa relação com as pessoas, porque só temos uma vida.” Para ouvir urgentemente neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mariana Mortágua: “As conquistas sociais destes dois anos mostram que o BE tem capacidade técnica e política para governar”
Francisco Louçã prevê que ela venha a ser a futura ministra das Finanças. Será? Mariana Mortágua chuta a questão para canto, mas garante que o BE “está preparado para governar” em 2019. E que até lá continuará “a dar a cara pelo acordo” com o Governo. O que é certo é que Mariana é uma das estrelas políticas do momento, que deu que falar há dois anos quando confrontou os poderosos ‘Donos Disto Tudo’ na comissão de inquérito do caso BES. Com um forte sentido de justiça social e moral – “sou uma radical defensora dos direitos humanos” – é particularmente crítica com as ‘portas giratórias’ entre o poder político e económico que acusa de serem “frequentes” no PS, PSD e CDS: “Tem havido pouquíssima higiene na gestão de cargos públicos.” Nesta conversa a deputada recorda a infância, os caminhos que a levaram à política, aponta os erros do Governo, fala da ‘falência’ da direita, comenta o escândalo na IPSS Raríssimas que, “ao contrário do que a direita quer fazer crer, não é caso único, não é apenas uma maçã podre num cesto imaculado”. e ainda nos dá música, escolhe as figuras do ano e revela-nos quais são os seus prazeres e ambições. Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Gil:“O discurso dos afetos passivos de Marcelo não chega. É preciso despertar uma afetividade ativa nos portugueses”
O filósofo e pensador José Gil faz um balanço sobre os principais acontecimentos e figuras que marcaram o país e o mundo em 2017. E não hesita a eleger Marcelo Rebelo de Sousa como a figura do ano. "É o melhor Presidente que nós já tivemos. Levou-nos a esquecer Cavaco. E isso é extraordinário. O país inteiro estava a precisar disso. Mas é preciso um passo seguinte...” Sobre a geringonça afirma que trouxe mais auto-estima e "menos medo à superfície". E ainda recorda a infância em África, os tempos fulgurantes em Paris e fala do desassossego e da volúpia do pensamento que vive aos 78 anos. "De certa maneira não sou deste tempo porque insisto em pensar." Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Catarina Furtado: “Quando fui atirada para a opinião pública aos 19 anos era politicamente correta. Mas agora digo tudo o que penso”
Nos anos 90 era a “namoradinha de Portugal” e continua a ser um dos sorrisos mais bonitos da nossa televisão. Mas Catarina Furtado é bem mais do que uma beleza televisiva. É a única portuguesa embaixadora da Boa Vontade da ONU e há 18 anos que tem usado os holofotes sobre si para falar publicamente de causas humanitárias como o casamento forçado com menores, a gravidez em adolescentes, a mutilação genital feminina, a violência de género nas escolas e na sociedade, o racismo, a homofobia. “Sobre mim só sei que ainda tenho muito para dar”, afirma. Uma conversa franca onde faz um balanço sobre o passado, revela os medos de sempre, as conquistas, a frustração com os formatos televisivos atuais e ainda o que tem aprendido com o amor. “Está tudo nos afetos”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Zanatti: “Quero ousar sempre!”
A ousadia veste-a bem. Assim como o charme e a elegância. A atriz e escritora Ana Zanatti protagonizou cenas de sexo e nudez no teatro e no cinema num país conservador acabado de sair da ditadura, amou quem quis sem se importar com a opinião dos outros e, há oito anos, revelou publicamente ser homossexual durante a apresentação pública do primeiro movimento da sociedade civil de defesa dos direitos dos homossexuais pelo casamento. Ou, como escrevia no seu diário de juventude, que sempre sentiu ‘aimer les femmes’. No ano passado publicou o livro “O Sexo Inútil” para mostrar como a comunidade LGBTI ainda sofre com a homofobia e o preconceito. “A lei anda sempre à frente, mas as mentalidades levam gerações a mudar.” E ainda recorda a sua infância, os medos, as conquistas, o primeiro beijo e o que a vida lhe ensinou. “A idade ensinou-me a não perder a jovialidade” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

César Mourão: “Não me rio com quase nada”
A César o que é de César, e ele tem um talento particular a fazer comédia sem rede e sem guião, a que nos faz rir do imprevisto. Por isso mesmo, prepara-se para estrear este domingo, dia 19, na SIC, o programa “D´Improviso”, onde desafiará figuras públicas a improvisar em situações inusitadas. Nesta conversa o ator, que tem andado pelos caminhos da comédia, revela que não é de riso fácil e sabe bem que o sucesso e a popularidade têm um prazo: “Isto não vai durar sempre. Tenho a impressão de que estou em late check out num quarto de hotel maravilhoso, com a senhora da receção sempre a ligar-me: ‘Olhe, está aqui mais gente para ocupar o quarto... Queremos limpá-lo.’ Por isso tenho sempre a mala meio feita.” César revela ainda o seu lado mais tímido e melancólico, a relação com a filha e alguns ‘superpoderes’ que fazem dele um artista virtuoso. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Eduardo Gageiro: “Tenho pena de não ter fotografado Salazar a cair da cadeira. No caixão ele parecia um abutre”
Chamam-lhe o “fotógrafo do povo e da revolução”. Ele confessa-se “um homem de coragem por trás de uma máquina”. Aos 82 anos, Eduardo Gageiro conta a sua história e as histórias do país que documenta desde os 12 anos, quando tomou de empréstimo uma máquina de plástico do irmão. Numa época em que ser fotógrafo de jornais era tantas vezes ser um mero “bate-chapas” do sistema, Gageiro arriscou ir além: revelou o Portugal a preto e branco de Salazar, a tragédia das cheias de 1967 (que aconteceu há 50 anos), esteve na linha da frente do 25 de Abril, registou o atentado nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, ou as glórias de Eusébio e Amália. Nesta conversa, Gageiro faz contas à vida, à doença e à solidão, assume um certo mau feitio, mas assegura que “nunca foi mau para ninguém” e espera “durar mais dois anitos” para ver a inauguração da sua Casa da Imagem. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marta Crawford: “Quando os filhos se iniciam sexualmente, os pais não lhes perguntam se tiveram prazer. Eu preocupei-me com isso”
A sexóloga e terapeuta familiar Marta Crawford anda há mais de 20 anos a ajudar a desvendar os caminhos do prazer e a desatar os nós relacionais no seu consultório e na televisão. E há avanços. “Elas já reclamam o prazer e eles já assumem que não estão sempre prontos para o sexo.” Muitos pedem ajuda cada vez mais cedo: “A maior parte das pessoas que me procura no consultório está na casa dos 20 e 30 anos”. Nesta conversa, Marta também se deita no divã e conta que nem sempre viveu a sexualidade sem vergonhas, medos e culpas. “Tive de me libertar. Havia muito pudor.” Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Luís Peixoto: “Desta vez não levo livros para a Coreia do Norte. Qualquer pretexto pode ser muito perigoso...”
O escritor José Luís Peixoto acaba de partir pela sexta vez para a Coreia do Norte, numa altura em que as relações do regime mais fechado do mundo com o Ocidente estão particularmente crispadas. Há cinco anos, na primeira vez que esteve em Pyongyang, arriscou levar escondida a obra “D.Quixote de La Mancha”, de Cervantes, para um país que não autoriza a entrada de nenhum livro do exterior. “Neste momento não aconselho ninguém a esticar a corda”. É sobre essa e outras viagens a destinos inusitados e exóticos que o escritor nos conta como tem sido a sua vida e a sua literatura nos últimos anos. “Viajar é a certeza de estar vivo. Com a rotina corremos o risco de deixar de sentir.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuela Moura Guedes: “Acho que José Sócrates é um psicopata”
Oito anos depois de ter sido afastada do Jornal Nacional das sextas-feiras da TVI, uma decisão que garante ter sido a mando do ex-primeiro ministro José Sócrates, Manuela Moura Guedes fala sobre o caso da “Operação Marquês", o controlo do sistema judicial, o silêncio do PS e a geringonça de Costa, e revela ainda estar pronta para voltar ao jornalismo, numa entrevista que pode ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Moura: “Foi com Prince que perdi os meus maiores medos”
É a artista portuguesa mais internacional da atualidade. O seu sentir é de fadista, mas há nela uma energia de estrela rock que lhe assenta tão bem e a juntou em tempos aos Rolling Stones e, mais tarde, a Prince. Um dos maiores artistas do reinado da pop revelou-se o seu maior fã e chamava-a mesmo ‘Our Queen’. Depois de “Desfado”, o seu disco mais platinado de sempre, Ana Moura regressa agora aos palcos do Coliseu de Lisboa (dia 14 de outubro) e do Porto (dia 21) para celebrar a tripla platina de “Moura”, um disco onde se reinventou e se mostrou livre das amarras do fado. “Perdi o medo dos julgamentos. Estou cansada de toda a gente ter uma opinião sobre mim e o meu futuro.” O futuro à deusa Moura pertence que numa conversa emotiva recorda os tempos de menina, o disco de rock que gravou aos 18, as noites longas nas casas de fado, a solidão que a acompanhou durante anos e o encontro com Prince que lhe mudou a atitude para a vida e para a música. E ainda há um ‘fado que não é bem fado’, de Cartola, que canta à capela em exclusivo para o Expresso. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandre Quintanilha: “Não tenho orgulho nem vergonha de ser cientista, branco, homossexual ou africano de alma. É o que sou”
O cientista e deputado independente do PS, Alexandre Quintanilha, recorda a infância passada em Moçambique, a educação progressista dos pais, as primeiras paixões, os caminhos que o levaram à ciência e os desafios do coração que o levaram a conhecer há quase quarenta anos, em São Francisco, o amor da sua vida – o escritor Richard Zimler. “Sou muito romântico. Gosto do processo de aproximação a outra pessoa. Sei que sofro mais por ser um romântico, mas não estou nada arrependido. Só não percebo porque é que têm de existir barreiras ao amor.” Revela ainda os combates sociais e do conhecimento que trouxe para o Governo a bordo da geringonça (uma expressão que até aprecia bastante), as contradições da ‘sua’ América e os perigos que o mundo enfrenta. Ainda há tempo para nos dar música, refletir sobre os mistérios do amor e o que ainda quer viver. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nuno Markl: “Para se fazer comédia há que ter um certo trauma e coisas a torturar-nos cá dentro”
O podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” regressa de bom humor com Nuno Markl. Ele é um dos nossos mais talentosos humoristas e contadores de histórias. Anda há mais de 20 anos a morder histórias reais, surreais e ficcionais para trazer boa disposição à rádio, à televisão ou ao cinema. Aos 46 anos prepara-se para estrear a sua primeira série de ficção, “1986”, na RTP, e no próximo dia 6 de outubro subirá ao palco do Coliseu de Lisboa para celebrar os 20 anos da rubrica “O Homem Que Mordeu o Cão”. Markl recebeu-nos na cave da sua moradia para falar dos limites da comédia, das suas eternas inquietações e obsessões, a recente zanga com as redes sociais, as transformações provocadas pela paternidade e as músicas e séries que o acompanhamSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria José Morgado: “Os criminosos incompetentes são um desânimo”
Conhecida por muitos como a ‘dama de ferro’, a atual procuradora-geral distrital de Lisboa não gosta que a chamem “justiceira”. “O justiceiro nunca é justo.” Numa longa conversa em que explica como a troika e a austeridade “tiveram a vantagem de trazer a denúncia da corrupção”, Maria José Morgado fala ainda do vício pelo exercício físico, do amor eterno pelo seu companheiro e da melancolia que a acompanha: “Sou uma pessoa triste e gosto da tristeza”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Quadros: “Prefiro destruir os poderosos do que pôr as pessoas a rirem-se da profunda tragédia dos outros”
É talvez o mais destravado e livre dos argumentistas portugueses. O seu humor não é nada manso e funciona como uma purga sobre os temas e personagens da atualidade que o incomodam. João Quadros é o autor de muitos dos textos de comédia que têm marcado a televisão e a rádio nas últimas décadas. O popular sketche “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”, eternizado por Herman, saiu da sua cabeça, mas é Bruno Nogueira o seu parceiro do humor desde há muito. Quadros fala dos ódios de estimação – como Fátima, Cavaco Silva e Passos Coelho, a relação com o Twitter, as dores do coração, os limites do humor e as suas convicções à esquerda. “Não há gajos de direita a fazer humor. Não têm jeito...” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.