
A Beleza das Pequenas Coisas
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Camané: “Aquilo que mais gostava era de cantar até morrer. Nos homens o fado envelhece melhor"
É uma das melhores vozes portuguesas de sempre. Foi Amália que lhe abriu as portas para gravar o primeiro disco, porque achava que aquele puto “estava no bom caminho”. E que caminho. Um fadista de corpo e alma que reuniu como poucos, e a pouco e pouco, a unanimidade da crítica, dos seus pares e do público. Camané enche coliseus e enche-nos o peito com a sua verdade e as suas interpretações únicas, que entre a tradição e a inovação, têm criado novos caminhos, novas vidas e novos fados para o fado. E, nesta conversa feita na sala de sua casa, Camané regressa ao passado, quando tinha uns certos heróis secretos: “Em miúdo sonhava voar como o Super-Homem para visitar as raparigas de quem gostava e, às escondidas, ouvia Amália, Marceneiro, Carlos do Carmo, os meus outros heróis”. Aos 50, fala das inseguranças de sempre, deixa críticas a certos fadistas que têm pouco a ver com fado e prepara-se para voltar a desafiar-se. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

André Tecedeiro: “Continuo a ser mãe para o meu filho mesmo depois de me assumir como homem trans. Na gramática dele mãe é... masculino”
Um dos dias mais felizes da sua vida aconteceu este ano quando viu finalmente reconhecido no papel o nome com que sonhara há muito para si, André. O filho de 11 anos e a companheira Laura receberam-no em casa com cartazes que diziam: “Bem-vindo mãe-André, feliz nome novo”. Foi um longo caminho até aqui chegar, até se assumir como um homem trans. Com uma larga obra na poesia e nas artes plásticas, André Tecedeiro lançou em Março um novo livro, “O Número de Strahler” e está a estudar psicologia para “ajudar os outros a ultrapassarem os seus próprios medos e muros”. André decidiu não esconder a sua transição para acabar com os preconceitos: “Percebi que era mais valioso fazer a mudança de género à frente de todos, servindo de testemunho de que isto é possível, quebrando estereótipos e medos.” Uma conversa onde conta a criança que foi, o tanto que aprende com o próprio filho, o ‘vício’ pelos livros, o fim do medo e o amor que tem pela Laura. “Nunca pensei que um amor assim fosse possível”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Capicua: “Marcelo previne a aparição dos messias populistas que canalizam a atenção e descontentamento das pessoas, como Bolsonaro e Trump”
Ela é a comandante da guerrilha cor-de-rosa. Abelha rainha da colmeia do Rap - que abriu novos caminhos e ocupou um espaço vazio num meio tradicionalmente masculino. E, por vezes, machista. Ela é a Ana Matos Fernandes, já grafitou paredes como Odd (ímpar, em inglês), mas é acima de tudo conhecida como a Capicua ou a Capi. Há dez anos que esta MC canta a sua história e as suas causas - o feminismo e as injustiças políticas e sociais do seu país. Depois do disco luso-brasileiro “Língua Franca” (em parceria com Valete, Emicida e Rael) Capicua prepara-se para dois partos em 2019. No 5.º mês de gravidez, será mãe do seu primeiro filho e lançará até à próxima primavera o seu próximo disco: “É o álbum mais solar e dançável que alguma vez fiz”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Marques: “Não me apetece fazer piadas brejeiras ou piadas com crianças que morrem de cancro. Nada contra, mas não me fazem rir”
Ela é a Joana Marques, a procuradora dos muitos ridículos do nosso quotidiano, a que faz rir. E muito. Começou como guionista nas Produções Fictícias e hoje é das figuras mais interessantes do humor português. Atualmente nas manhãs da Antena 3, é autora da rubrica satírica “Extremamente Desagradável” e faz parte do painel do “Irritações”, da SIC Radical. Este ano lançou o livro “O Meu Coração Só Tem Uma Cor — 90 minutos à Porto”, que contou com prefácio de Pinto da Costa, que lhe elogiou o talento e lhe chamou “dragona”. E esta ‘dragona’ chega a lançar aqui as suas chamas: “Não gosto da Madonna, não sou grande fã do Nilton, não adoro Maria Vieira. Fazem parte do leque de pessoas que não convidaria para jantar cá em casa. Já o Goucha, está convidado. Quando ele quiser...” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Gonçalves Mendes: “O mundo é um desastre. Trump, Bolsonaro. Se queremos amar e mudar o que nos rodeia, temos de fazer algo”
O que se anda a passar no mundo até pode ser uma trampa, mas há filmes que nos fazem acreditar na humanidade. E percebê-la mais a fundo. Exemplo disso são as obras do realizador Miguel Gonçalves Mendes, tão transgressoras e subversivas, como cheias de verdade, esperança e poesia. Ele é o realizador do documentário português mais visto de sempre, “José e Pilar”, que conquistou a crítica e o público internacional ao revelar a intimidade do escritor e Nobel da literatura José Saramago, e da sua mulher Pilar del Rio, como nunca antes. Já antes Miguel Gonçalves Mendes retratara o poeta e surrealista Mário Cesariny e, este ano, levou-nos aos labirintos da cabeça do filósofo Eduardo Lourenço, em “O Labirinto da Saudade”. Mas o filme que vai estrear em 2019 é ainda mais ambicioso e empolgante. Chama-se “O Sentido da Vida” e fê-lo embarcar numa viagem ao redor do mundo a fim de questionar a nossa existência. Qual o sentido da vida? É ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nuno Lopes: “Há atores do Instagram que trabalham para serem famosos mas não são artistas. Prefiro trabalhar com os outros”
Ele é um dos nossos melhores atores, de uma versatilidade e verdade fora de série, o que o tem levado a distinguir-se no cinema, no teatro, na televisão. A fazer-nos rir, chorar ou, por vezes, engolir em seco com ficções próximas da realidade. O prémio que Nuno Lopes recebeu há dois anos no Festival de Cinema de Veneza, pela sua representação de um boxeur cobrador de dívidas — um santo a arder no inferno, em “São Jorge”, de Marco Martins, foi mais um aplauso internacional a confirmar isso mesmo. Agora regressa ao humor na série televisiva “Sara”, na RTP2. Uma sátira criada por Bruno Nogueira e realizada por Marco Martins, onde representa um ator de novelas e do Instagram, inspirado em famosos da nossa praça. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Antónia Palla: “O meu filho, António Costa, é bem educado. Em Angola há protocolo a mais e coisas importantes a menos - a democracia”
Feminista, repórter de mão cheia, sindicalista, é mãe do nosso primeiro-ministro, António Costa, com o qual não fala de política. “Há o António, a quem eu chamo ‘Babush’, que quer dizer ‘menino’ em goês, e há o primeiro-ministro, aquele senhor que eu conheço mais pela televisão, de quem discordo várias vezes, como na falta de apoio à habitação e na insistência nas relações com Angola”. Sobre as criticas que lhe apontaram à forma como geriu publicamente a tragédia dos incêndios do ano passado, comenta: “O meu filho não é expansivo, como nenhum indiano é. Ele é reservado nas emoções. Não quer dizer que não as tenha...” Uma conversa para ouvir no regresso do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, que entra na quarta temporadaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Música, sensibilidade e poesia: a extraordinária vida de Phil Mendrix (1947-2018)
Filipe Mendes, mais conhecido por Phil Mendrix - “o nosso Jimi Hendrix” -, deu há três anos ao Expresso a sua última grande entrevista. Disponibilizada no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, a conversa errante com este guitarrista histórico do rock português (passou pelos Chinchilas, Roxigénio, Quarteto 1111 e Ena Pá 2000) arrancou ao ritmo dos seus acordes distorcidos e surpreendeu a cada minuto com a sensibilidade, humor, poesia e o sem fim de histórias e aventuras na estrada deste sonhador do rock que desejava um dia inaugurar um museu com o seu nome e as suas guitarras. Morreu esta segunda-feira. Tinha 70 anosSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Benjamim faz a música, Rita Blanco está farta de ser atriz e Sobrinho Simões quer entreter a morte: edição 100 da Beleza das Pequenas Coisas
Este é um episódio de celebração que comemora 100 conversas em podcast. E que contou com uma locução de Augusto Seabra, a voz do Expresso e da SIC, uma música original de Benjamim, tão simples quanto bela, ilustrações de Ana Gil e até um enorme bolo para soprarmos as 100 velas. E como é um episódio especial contou com uma dupla também especial: a atriz Rita Blanco e o professor e investigador Manuel Sobrinho Simões. “Sempre lhe achei graça. Ela tem muita curiosidade, que é uma coisa que nos liga muito. E tem lata em perguntar, e eu também tenho”, diz Sobrinho Simões. “Acho que é mais do que lata, temos gosto em comunicar com os outros. Conheci-o num casamento e fiquei encantada. Tenho uma enorme admiração por si e, ainda por cima, é giro”, conta a atriz. “A Beleza das Pequenas Coisas” é centenáriaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

D. Duarte Pio: “Desde 1910 que a moral republicana só funciona em ditadura”
Apesar de ser um adepto da democracia e da liberdade, D. Duarte Pio, duque de Bragança e chefe da Casa Real Portuguesa, defende que o país seria mais livre e menos corrupto se voltasse a ser governado por um regime monárquico. Ou seja, por ele, dado que é o herdeiro do trono português. “Há uma tolerância geral no país para a pequena corrupção. E isto tem que ver com a falta de motivações morais e espirituais.” Sobre o atual chefe de Estado português chega a dizer: “O Presidente Marcelo atua como um rei, pela sua inteligência política”. E revela que um Presidente dos Estados Unidos chegou um dia a incentivá-lo a candidatar-se à Presidência da República. Uma conversa onde fala ainda do seu amor, Isabel de Herédia, das razões para uma paternidade tardia, e em que ficamos a saber que até se ri das caricaturas que fazem dele. “Desde que não me ponham gago. Que é uma coisa que eu não sou.” Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miguel Guilherme: “Sem cultura, nós transformamo-nos nuns animais. E nós, portugueses, estamos meio cá meio lá”
Na verdade, animais já somos. Embora racionais, podemos sempre ficar mais primitivos e animalescos se não nos educarmos com conhecimento e cultura. É esta a ideia e o alerta do ator Miguel Guilherme: “Nós não temos uma tradição cultural. Somos muito atrasados. Sempre fomos. No 25 de Abril falhámos no ensino e na cultura. Mas é reversível. Tenho esperança. Saímos de um Governo que apertou o cinto e as pessoas estavam agora à espera de algo diferente. O António Costa é um ótimo político, mas às vezes é distraído…” Isto e muito mais para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Clara Ferreira Alves: “Toda a gente acha Portugal uma choldra ignóbil. Mas é uma boa choldra onde toda a gente quer viver”
“Choldra ignóbil” saiu da pluma de Eça de Queirós mas é usada por Clara Ferreira Alves para falar do país que não considera tão manso como o pintam. “O português não é suave, faz-se suave quando lhe convém.” A colunista do Expresso e escritora fala sobre Portugal e o mundo, a ligação ao Médio Oriente - que a levou a escrever o primeiro livro, “Pai Nosso” - e o que a inspira a escrever o próximo romance: “Na escrita não me interessa a felicidade, interessa-me o horror.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nuno Artur Silva: “O humorista não derruba a Gioconda, o humorista coloca um bigode na Gioconda”
“Não havia necessidade.” A frase é da mãe de Herman José tomada de empréstimo por Nuno Artur Silva para a personagem “Diácono Remédios”, popularizada por Herman. Uma expressão que calha bem neste processo de afastamento de Nuno Artur Silva da administração da RTP, pela alegada incompatibilidade e conflito de interesses por ter mantido durante estes últimos três anos um vínculo com as Produções Fictícias e com o Canal Q. Uma coisa é certa: o canal público está com mais séries nacionais, mais documentários e ‘milagrosamente’ reinventou o Festival da Canção levando-nos à vitória com Salvador Sobral. Sobre a sua imprevista saída da estação pública, Nuno deixa claro: “Poderei ter cometido algumas ingenuidades. Mas a mulher de César não tem de parecer séria. A mulher de César tem de ser séria. E eu fui sério e transparente do princípio ao fim na RTP.” Sobre o que chama campanha difamatória acrescenta: “Orgulho-me bastante dos inimigos que fiz nestes últimos tempos. Faz-me sentir que estou do lado certo.” Nesta conversa o argumentista, escritor e apresentador, recorda os anos 80 em que foi um jovem anarquista, os anos 90 em que fundou as Produções Fictícias e lançou alguns dos maiores do humor e fala do futuro. “Irei fazer todas as coisas que ainda não fiz”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Benjamim: “Não procuro a fama, o sucesso. Não ando a correr atrás de visualizações, nem de ser a grande cena para a seguir desaparecer....”
Ele é um dos mais interessantes e promissores músicos da nova geração. É conhecido por Benjamim, já foi Walter Benjamin e, na verdade, chama-se Luís Nunes. Em pequeno estudou música clássica, viveu 4 anos em Londres, onde se formou engenheiro de som, mas decidiu regressar em tempos de crise porque tinha muito para cantar na sua língua. Foi no Alvito, Alentejo, onde criou o primeiro disco de canções pop em português, “Auto-Rádio”, depois andou em digressão durante 33 dias seguidos pelo país a bordo do seu velho Volkswagen. No ano passado lançou novo disco, “1986”, desta vez bilingue, com o inglês Barnaby Keen e adianta que o próximo álbum será mais eletrónico. Além disso, tem produzido discos de outros artistas como Márcia, Noiserv, B Fachada ou, mais recentemente, Joana Espadinha - que concorreu este ano ao Festival RTP da Canção com um tema seu, 'Zero a Zero'. Se nunca escutou Benjamim descubra aqui a sua história e a sua música que é “anarquia", "verdade", "liberdade”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Soraia Chaves: “Uma mulher que fale abertamente sobre a sua sexualidade ainda é vista como a Eva, a pecadora, a origem do mal…”
Ela é a mulher-desejo do cinema português. Foi a tentadora Amélia no filme “O Crime do Padre Amaro”, a manipuladora Maria, em “Call Girl”, ou a extravagante e erótica Maria Emília, em “A Vida Privada de Salazar”. Nesta conversa a atriz assume ter sido confundida com a personagem Maria, uma prostituta de luxo, quando tentou a sua sorte junto de agentes, produtores e realizadores, em Los Angeles, nos EUA. “Disseram-me que o ideal era beber um copo, jantar e seduzir os realizadores. Fiquei tão chocada com aquilo que me vim embora. E não me deixou vontade de lá voltar”, confessa pela primeira vez em público. Vencedora de um Globo de Ouro, Soraia Chaves acaba de dar corpo à desassombrada poetisa Natália Correia na série “Três Mulheres”, da RTP1, e está prestes a protagonizar a nova telenovela da SIC. Ainda se surpreende como as pessoas criam tanta discussão e assunto acerca das cenas de nudez. “A exposição da alma é bem mais generosa e difícil do que a exposição de um corpo.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Luís Franco-Bastos: “Um amigo que se ofenda com uma piada não é um amigo assim tão bom. O único mau humor é o que não tem graça”
Ele é a voz de Portugal. Ou melhor, é a voz de muitos dos nossos cromos. Da política ao futebol e, até mesmo ao humor, Luís Franco-Bastos consegue a proeza de imitar tal e qual o registo e os trejeitos vocais de Cristiano Ronaldo, Alberto João Jardim, Bruno de Carvalho, Marcelo Rebelo de Sousa e muitos, muitos mais. Este humorista, especializado em ‘stand up’, cumpre agora dez anos de carreira e já tem um talk show num canal do Youtube, o “Erro Crasso” - que apresenta com o jovem humorista Pedro Teixeira da Mota - onde está a fazer televisão fora da televisão. “O Youtube e a internet são um poder que trouxe uma democratização da cultura e da arte. As pessoas veem o que querem e quando querem. Um artista já não tem de passar pelos postos de decisão de um diretor de programas acabrunhado e quadradão.” Nesta conversa, o humorista recorda o dia da morte da mãe em que estreou um espetáculo a solo: “O humor salvou-me nesse dia. Subi ao palco, pus a ferida no congelador, e evitei outra tragédia: cancelar o meu espetáculo”. Para ouvir neste episódio do podcast A Beleza das Pequenas Coisas. Que conta, claro, com algumas ‘participações especiaisSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuela Azevedo: “Aprendi a dançar e a cantar com um irmão enquanto tinha as ovelhas a pastar. Começou aí o prazer pela música...”
Parece um título de um poema bucólico. Mas não é. Os primeiros anos de vida de Manuela Azevedo, a voz dos Clã, também se escrevem com poesia, dança e muita música pop e clássica. Manuela nasceu numa pequena localidade, em São Simão da Junqueira, Vila do Conde, e esteve para ser advogada, "como Perry Mason". Mas um convite do músico Hélder Gonçalves ditou-lhe o destino. “Arriscar é importante para descobrirmos coisas novas sobre nós próprios e sobre a vida. É escolher o lado errado, o coração, o mais imprevisível.” Há 26 anos que ela e a sua banda nos dão asas nos pés e nos ajudam a dançar nesta corda bamba do quotidiano. Depois de oito álbuns editados, e um próximo a caminho, Manuela volta a esticar a corda e estreia-se agora na peça musical “Montanha-Russa”, em cena de 9 a 27 de março, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. “É perigoso uma pessoa levar-se demasiado a sério.” Uma conversa reveladora para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Daniel Oliveira: “Conheci estalinistas e fascistas com corações maravilhosos. Todos nós transportamos monstros e anjos”
É um dos nossos mais relevantes fazedores de opinião. Filho do poeta Herberto Helder, sempre recusou ser conhecido como tal ou falar dessa relação. “É sempre pesadíssimo ser filho de alguém. E ser pai também.” Ao contrário de Herberto, a política foi sempre a sua paixão. Daniel é “canhoto na política” desde que se lembra. Foi jornalista, distinguido com o Prémio Gazeta Revelação, escreveu nos blogues “Barnabé” e “Arrastão”, pertenceu ao Partido Comunista e foi dirigente e assessor do Bloco de Esquerda, de onde saiu em 2013. Autor do livro “Década de Psicopatas”, não encontra atualmente em Portugal nenhum político que admire. “E será cada vez mais difícil haver. Há menos espaço para pessoas extraordinárias na política.” Sobre as suas contradições afirma: “Apesar de ligar menos ao dinheiro do que a maioria das pessoas, não consegui ser completamente despegado dele. Por liberdade. Como o meu pai.” E ainda lê em exclusivo um texto desconhecido de Herberto Helder, que integrará um novo livro de crónicas e reportagens do poeta, em Angola, intitulado “Em Minúsculas”, que será editado em breve. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Elisa: “Claro que fui assediada. Mais de 90% das mulheres da TV e vida artística responderão que sim, se forem honestas”
Foi a primeira mulher na televisão portuguesa a fazer entrevistas políticas e aos 30 já era diretora de programas na RTP. Despertou amores e ódios, foi deputada independente do PSD e saiu zangada da estação pública, onde era figura principal. Garante que vive bem fora de cena, mas com energia para voltar ao seu ‘habitat’ natural, a televisão. “Acho é patético querer ir contra o tempo.” Perto dos 60 encontrou um novo amor. “Conheci o meu marido numa fase em que estava sozinha, triste. Atraiu-me nele a leveza.”Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Kalaf: “O racismo em Portugal continua absolutamente presente mas está mais sofisticado”
Chamam-lhe “o grande agitador cultural”. Isto por abraçar há mais de uma década a mestiçagem musical entre Luanda, Lisboa e o mundo. Ele é Kalaf Epalanga, antes conhecido por Kalaf Ângelo, músico dos Buraka Som Sistema, que lançou agora o seu primeiro romance, “Também os brancos sabem dançar”. Uma conversa que começa por juntar Cavaco Silva à kizomba e termina com um testemunho de amor. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jel: “O humor em Portugal é elitista, confinado a quem teve uma vida burguesa. Não há pretos, ciganos ou malta do subúrbio a fazer humor”
Ele anda na luta artística há uns bons anos. Jel, aliás Nuno Duarte, é humorista, produtor, realizador e músico. Há uns tempos 'mandou tudo abaixo' e, junto com o irmão, foi um homem da luta incómodo, subversivo, de megafone na mão, cantarolando palavras de ordem que irritaram a classe política, e não só. Uma dupla que chegou mesmo a vencer há sete anos o Festival RTP da Canção, com o tema 'A Luta é Alegria', e a ter um programa em horário nobre na SIC. Mas, às tantas, a fórmula esgotou-se e a dupla decidiu retirar-se. “Eu podia continuar a fazer os “Homens da Luta” até ao fim da vida, como o Avô Cantigas, mas não quero. Prefiro continuar à procura de um estilo que me sirva”. Dedicado agora à realização de documentários, às crónicas e ao stand up comedy, Jel assume que “já chocou o que tinha a chocar”, que está a passar por uma pequena crise de meia-idade. “Estou mais maduro, mas se calhar com menos graça.” Uma conversa sem máscaras para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fernanda Torres: “Os meus momentos de glória são muito parecidos com os meus fracassos”
Ela é uma das atrizes mais prestigiadas do Brasil, por cá tornou-se popular com a participação na série televisiva de humor “Os Normais”. Filha de duas figuras maiores da representação – Fernanda Montenegro e Fernando Torres – cedo ganhou uma identidade artística que a levou a ser distinguida, logo aos 21 anos, com o prémio de melhor atriz em Cannes, pelo filme “Eu sei que vou te amar”. Há cinco anos arriscou a literatura e estreou-se no primeiro romance, “Fim”, sobre a vida e a morte de cinco velhos amigos cariocas. A crítica rendeu-se à sua escrita, o que a motivou a escrever o segundo, “A Glória e o seu Cortejo de Horrores”, sobre as desventuras de um ator de meia idade caído em desgraça. “Todo o livro é uma autobiografia. Não existe nenhum autor que não escreva a partir da sua visão”, revela Fernanda nesta conversa franca sobre o bom e o menos bom que ficou lá atrás e as maravilhas e descobertas da maturidade. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jorge Molder: “O tempo é o chefe do gangue, o tempo subverte o corpo, a vida, as verdades”
Há quem lhe chame o fotógrafo-filósofo ou o filósofo-fotógrafo. Ele é um dos nomes maiores da arte contemporânea e foi o primeiro artista português a ter uma obra na coleção de arte da UNESCO, que integra trabalhos de artistas como Picasso, Miró, Henry Moore, Giacometti ou Le Corbusier. Há quarenta anos que Jorge Molder usa a fotografia e o vídeo, os autorretratos e as autorrepresentações, e enfrenta a própria camera como performer e ator para nos contar histórias através de imagens. Agora que aos 70 anos parte da sua obra acaba de ser publicada em livro na coleção Ph., pela Imprensa Nacional, Molder conta-nos a relação com o tempo e o envelhecimento, como a arte “pode ter um lado muito superficial e desatento”, e revela-nos ainda os jogos de computador que disputa com os netos, as músicas que o acompanham e o que realmente importa na vida, o amor. “É urgente a nossa relação com as pessoas, porque só temos uma vida.” Para ouvir urgentemente neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mariana Mortágua: “As conquistas sociais destes dois anos mostram que o BE tem capacidade técnica e política para governar”
Francisco Louçã prevê que ela venha a ser a futura ministra das Finanças. Será? Mariana Mortágua chuta a questão para canto, mas garante que o BE “está preparado para governar” em 2019. E que até lá continuará “a dar a cara pelo acordo” com o Governo. O que é certo é que Mariana é uma das estrelas políticas do momento, que deu que falar há dois anos quando confrontou os poderosos ‘Donos Disto Tudo’ na comissão de inquérito do caso BES. Com um forte sentido de justiça social e moral – “sou uma radical defensora dos direitos humanos” – é particularmente crítica com as ‘portas giratórias’ entre o poder político e económico que acusa de serem “frequentes” no PS, PSD e CDS: “Tem havido pouquíssima higiene na gestão de cargos públicos.” Nesta conversa a deputada recorda a infância, os caminhos que a levaram à política, aponta os erros do Governo, fala da ‘falência’ da direita, comenta o escândalo na IPSS Raríssimas que, “ao contrário do que a direita quer fazer crer, não é caso único, não é apenas uma maçã podre num cesto imaculado”. e ainda nos dá música, escolhe as figuras do ano e revela-nos quais são os seus prazeres e ambições. Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Gil:“O discurso dos afetos passivos de Marcelo não chega. É preciso despertar uma afetividade ativa nos portugueses”
O filósofo e pensador José Gil faz um balanço sobre os principais acontecimentos e figuras que marcaram o país e o mundo em 2017. E não hesita a eleger Marcelo Rebelo de Sousa como a figura do ano. "É o melhor Presidente que nós já tivemos. Levou-nos a esquecer Cavaco. E isso é extraordinário. O país inteiro estava a precisar disso. Mas é preciso um passo seguinte...” Sobre a geringonça afirma que trouxe mais auto-estima e "menos medo à superfície". E ainda recorda a infância em África, os tempos fulgurantes em Paris e fala do desassossego e da volúpia do pensamento que vive aos 78 anos. "De certa maneira não sou deste tempo porque insisto em pensar." Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Catarina Furtado: “Quando fui atirada para a opinião pública aos 19 anos era politicamente correta. Mas agora digo tudo o que penso”
Nos anos 90 era a “namoradinha de Portugal” e continua a ser um dos sorrisos mais bonitos da nossa televisão. Mas Catarina Furtado é bem mais do que uma beleza televisiva. É a única portuguesa embaixadora da Boa Vontade da ONU e há 18 anos que tem usado os holofotes sobre si para falar publicamente de causas humanitárias como o casamento forçado com menores, a gravidez em adolescentes, a mutilação genital feminina, a violência de género nas escolas e na sociedade, o racismo, a homofobia. “Sobre mim só sei que ainda tenho muito para dar”, afirma. Uma conversa franca onde faz um balanço sobre o passado, revela os medos de sempre, as conquistas, a frustração com os formatos televisivos atuais e ainda o que tem aprendido com o amor. “Está tudo nos afetos”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Zanatti: “Quero ousar sempre!”
A ousadia veste-a bem. Assim como o charme e a elegância. A atriz e escritora Ana Zanatti protagonizou cenas de sexo e nudez no teatro e no cinema num país conservador acabado de sair da ditadura, amou quem quis sem se importar com a opinião dos outros e, há oito anos, revelou publicamente ser homossexual durante a apresentação pública do primeiro movimento da sociedade civil de defesa dos direitos dos homossexuais pelo casamento. Ou, como escrevia no seu diário de juventude, que sempre sentiu ‘aimer les femmes’. No ano passado publicou o livro “O Sexo Inútil” para mostrar como a comunidade LGBTI ainda sofre com a homofobia e o preconceito. “A lei anda sempre à frente, mas as mentalidades levam gerações a mudar.” E ainda recorda a sua infância, os medos, as conquistas, o primeiro beijo e o que a vida lhe ensinou. “A idade ensinou-me a não perder a jovialidade” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

César Mourão: “Não me rio com quase nada”
A César o que é de César, e ele tem um talento particular a fazer comédia sem rede e sem guião, a que nos faz rir do imprevisto. Por isso mesmo, prepara-se para estrear este domingo, dia 19, na SIC, o programa “D´Improviso”, onde desafiará figuras públicas a improvisar em situações inusitadas. Nesta conversa o ator, que tem andado pelos caminhos da comédia, revela que não é de riso fácil e sabe bem que o sucesso e a popularidade têm um prazo: “Isto não vai durar sempre. Tenho a impressão de que estou em late check out num quarto de hotel maravilhoso, com a senhora da receção sempre a ligar-me: ‘Olhe, está aqui mais gente para ocupar o quarto... Queremos limpá-lo.’ Por isso tenho sempre a mala meio feita.” César revela ainda o seu lado mais tímido e melancólico, a relação com a filha e alguns ‘superpoderes’ que fazem dele um artista virtuoso. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Eduardo Gageiro: “Tenho pena de não ter fotografado Salazar a cair da cadeira. No caixão ele parecia um abutre”
Chamam-lhe o “fotógrafo do povo e da revolução”. Ele confessa-se “um homem de coragem por trás de uma máquina”. Aos 82 anos, Eduardo Gageiro conta a sua história e as histórias do país que documenta desde os 12 anos, quando tomou de empréstimo uma máquina de plástico do irmão. Numa época em que ser fotógrafo de jornais era tantas vezes ser um mero “bate-chapas” do sistema, Gageiro arriscou ir além: revelou o Portugal a preto e branco de Salazar, a tragédia das cheias de 1967 (que aconteceu há 50 anos), esteve na linha da frente do 25 de Abril, registou o atentado nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, ou as glórias de Eusébio e Amália. Nesta conversa, Gageiro faz contas à vida, à doença e à solidão, assume um certo mau feitio, mas assegura que “nunca foi mau para ninguém” e espera “durar mais dois anitos” para ver a inauguração da sua Casa da Imagem. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marta Crawford: “Quando os filhos se iniciam sexualmente, os pais não lhes perguntam se tiveram prazer. Eu preocupei-me com isso”
A sexóloga e terapeuta familiar Marta Crawford anda há mais de 20 anos a ajudar a desvendar os caminhos do prazer e a desatar os nós relacionais no seu consultório e na televisão. E há avanços. “Elas já reclamam o prazer e eles já assumem que não estão sempre prontos para o sexo.” Muitos pedem ajuda cada vez mais cedo: “A maior parte das pessoas que me procura no consultório está na casa dos 20 e 30 anos”. Nesta conversa, Marta também se deita no divã e conta que nem sempre viveu a sexualidade sem vergonhas, medos e culpas. “Tive de me libertar. Havia muito pudor.” Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Luís Peixoto: “Desta vez não levo livros para a Coreia do Norte. Qualquer pretexto pode ser muito perigoso...”
O escritor José Luís Peixoto acaba de partir pela sexta vez para a Coreia do Norte, numa altura em que as relações do regime mais fechado do mundo com o Ocidente estão particularmente crispadas. Há cinco anos, na primeira vez que esteve em Pyongyang, arriscou levar escondida a obra “D.Quixote de La Mancha”, de Cervantes, para um país que não autoriza a entrada de nenhum livro do exterior. “Neste momento não aconselho ninguém a esticar a corda”. É sobre essa e outras viagens a destinos inusitados e exóticos que o escritor nos conta como tem sido a sua vida e a sua literatura nos últimos anos. “Viajar é a certeza de estar vivo. Com a rotina corremos o risco de deixar de sentir.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuela Moura Guedes: “Acho que José Sócrates é um psicopata”
Oito anos depois de ter sido afastada do Jornal Nacional das sextas-feiras da TVI, uma decisão que garante ter sido a mando do ex-primeiro ministro José Sócrates, Manuela Moura Guedes fala sobre o caso da “Operação Marquês", o controlo do sistema judicial, o silêncio do PS e a geringonça de Costa, e revela ainda estar pronta para voltar ao jornalismo, numa entrevista que pode ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Moura: “Foi com Prince que perdi os meus maiores medos”
É a artista portuguesa mais internacional da atualidade. O seu sentir é de fadista, mas há nela uma energia de estrela rock que lhe assenta tão bem e a juntou em tempos aos Rolling Stones e, mais tarde, a Prince. Um dos maiores artistas do reinado da pop revelou-se o seu maior fã e chamava-a mesmo ‘Our Queen’. Depois de “Desfado”, o seu disco mais platinado de sempre, Ana Moura regressa agora aos palcos do Coliseu de Lisboa (dia 14 de outubro) e do Porto (dia 21) para celebrar a tripla platina de “Moura”, um disco onde se reinventou e se mostrou livre das amarras do fado. “Perdi o medo dos julgamentos. Estou cansada de toda a gente ter uma opinião sobre mim e o meu futuro.” O futuro à deusa Moura pertence que numa conversa emotiva recorda os tempos de menina, o disco de rock que gravou aos 18, as noites longas nas casas de fado, a solidão que a acompanhou durante anos e o encontro com Prince que lhe mudou a atitude para a vida e para a música. E ainda há um ‘fado que não é bem fado’, de Cartola, que canta à capela em exclusivo para o Expresso. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandre Quintanilha: “Não tenho orgulho nem vergonha de ser cientista, branco, homossexual ou africano de alma. É o que sou”
O cientista e deputado independente do PS, Alexandre Quintanilha, recorda a infância passada em Moçambique, a educação progressista dos pais, as primeiras paixões, os caminhos que o levaram à ciência e os desafios do coração que o levaram a conhecer há quase quarenta anos, em São Francisco, o amor da sua vida – o escritor Richard Zimler. “Sou muito romântico. Gosto do processo de aproximação a outra pessoa. Sei que sofro mais por ser um romântico, mas não estou nada arrependido. Só não percebo porque é que têm de existir barreiras ao amor.” Revela ainda os combates sociais e do conhecimento que trouxe para o Governo a bordo da geringonça (uma expressão que até aprecia bastante), as contradições da ‘sua’ América e os perigos que o mundo enfrenta. Ainda há tempo para nos dar música, refletir sobre os mistérios do amor e o que ainda quer viver. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nuno Markl: “Para se fazer comédia há que ter um certo trauma e coisas a torturar-nos cá dentro”
O podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” regressa de bom humor com Nuno Markl. Ele é um dos nossos mais talentosos humoristas e contadores de histórias. Anda há mais de 20 anos a morder histórias reais, surreais e ficcionais para trazer boa disposição à rádio, à televisão ou ao cinema. Aos 46 anos prepara-se para estrear a sua primeira série de ficção, “1986”, na RTP, e no próximo dia 6 de outubro subirá ao palco do Coliseu de Lisboa para celebrar os 20 anos da rubrica “O Homem Que Mordeu o Cão”. Markl recebeu-nos na cave da sua moradia para falar dos limites da comédia, das suas eternas inquietações e obsessões, a recente zanga com as redes sociais, as transformações provocadas pela paternidade e as músicas e séries que o acompanhamSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria José Morgado: “Os criminosos incompetentes são um desânimo”
Conhecida por muitos como a ‘dama de ferro’, a atual procuradora-geral distrital de Lisboa não gosta que a chamem “justiceira”. “O justiceiro nunca é justo.” Numa longa conversa em que explica como a troika e a austeridade “tiveram a vantagem de trazer a denúncia da corrupção”, Maria José Morgado fala ainda do vício pelo exercício físico, do amor eterno pelo seu companheiro e da melancolia que a acompanha: “Sou uma pessoa triste e gosto da tristeza”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Quadros: “Prefiro destruir os poderosos do que pôr as pessoas a rirem-se da profunda tragédia dos outros”
É talvez o mais destravado e livre dos argumentistas portugueses. O seu humor não é nada manso e funciona como uma purga sobre os temas e personagens da atualidade que o incomodam. João Quadros é o autor de muitos dos textos de comédia que têm marcado a televisão e a rádio nas últimas décadas. O popular sketche “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”, eternizado por Herman, saiu da sua cabeça, mas é Bruno Nogueira o seu parceiro do humor desde há muito. Quadros fala dos ódios de estimação – como Fátima, Cavaco Silva e Passos Coelho, a relação com o Twitter, as dores do coração, os limites do humor e as suas convicções à esquerda. “Não há gajos de direita a fazer humor. Não têm jeito...” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Quem me põe o rótulo de bombista é da direita assanhada: as Brigadas Revolucionárias não mataram ninguém e lutaram pela igualdade”
A médica endocrinologista Isabel do Carmo liderou nos anos 70 um movimento de guerrilha contra a ditadura que a levou à prisão. “Não me arrependo de nada. A luta armada era a única forma de contribuir para desgastar o antigo regime.” Isabel recorda ainda os 9 meses que esteve na ‘solitária’, as dificuldades por que passou para garantir comida no prato dos filhos e o longo caminho que fez até hoje. Além das bombas que agitaram o regime do Estado Novo e o Verão Quente de 75, Isabel fala de outras bombas, as bombas calóricas, dos mitos e os enganos alimentares: desconfia do equilíbrio da dieta vegan e considera um disparate a moda antiglúten e antilactose. E ainda nos dá (boa) música. “Vivo os anos mais tranquilos da minha vida.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Olga Roriz: “Vou dançar para sempre. Prefiro morrer num estúdio a ensaiar um aluno do que em casa”
Há cerca de três anos, a coreógrafa Olga Roriz, quando completava 60 anos de vida, 40 de carreira e 20 da sua companhia de dança, adoeceu. O corpo de bailarina com o qual sempre fora capaz de tudo revelou-se frágil. “Durante meses perdi o meu poder físico. E isso foi horrível. Foi na natação que redescobri esse poder. E a dança curou-me.” Olga ergueu-se dessa dura batalha e mostrou a fibra de quem decidiu dançar até ao fim. Na sua última criação, “Antes que Matem os Elefantes”, falou do drama da Síria e prepara-se para regressar ao tema na próxima coreografia, “Síndrome”, com estreia marcada para 30 de junho, no Teatro São Luiz, em Lisboa. “A guerra deixa-me zangada.” Numa conversa confessional, Olga fala do ‘fantasma’ da idade, das ‘demasiadas paixões’ que viveu, da solidão, da eterna comparação com a alemã Pina Bausch, das músicas que a acompanham e dos sonhos e vontades que ainda tem. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

“A única coisa de que me arrependo é de não ter estado à altura da pessoa que encontrei na minha vida e que a marcou para sempre”
O filósofo Eduardo Lourenço, um dos maiores pensadores do nosso tempo, abre o livro da sua vida. Fala do passado, do seu grande amor, o gosto pela música, pelo cinema e comenta o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros. Lourenço, que foi distinguido o ano passado com o prémio Vasco Graça Moura e é conselheiro de Estado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa revela ainda um encantamento com Catarina Martins e Mariana Mortágua, “pequenos Fidel Castros”. No dia em que faz 94 anos, o Expresso republica esta conversa íntima para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ricardo Robles, candidato do BE a Lisboa: “Lisboa está uma cidade-montra. Qualquer dia estarão turistas a fotografar turistas”
O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa, Ricardo Robles, uma das vozes mais críticas do atual presidente da autarquia, Fernando Medina, acusa-o de estar a expulsar os lisboetas do centro para a periferia por “uma gula” económica e um “descontrolo” que está a dar lugar a cada vez mais hotéis e turistas. Considera um erro as propostas do PS e de Assunção Cristas para a expansão do metro e propõe como estações prioritárias Campolide, Campo de Ourique, Alcântara, Belém e Ajuda. Até agora pouco se sabia sobre Robles. Numa conversa descontraída, fala da nova aventura de ser pai de duas crianças pequenas, do gosto por andar de bicicleta na cidade, do fascínio pelo mar, da paixão pelo Benfica, do prazer das viagens [e recorda aquela que o levou durante três meses a percorrer a América do Sul] assim como das músicas que o acompanham. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os criadores do ‘Jovem Conservador de Direita’: “Havia muita direita com medo de uma ditadura do tipo Coreia do Norte. E esticámos a corda”
Os três inventores do colunista Jovem Conservador de Direita desvendam pela primeira vez a personagem, revelam os políticos em que se inspiraram, os ódios gerados e a desinformação criada nas manifestações antigeringonça. Para ouvir neste episódio do podcast "A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Júlia Pinheiro: “‘A Noite da Má Língua’ deixou-me uma bactéria perigosa. Acredito no lado justiceiro da televisão”
Foi há 23 anos que Júlia Pinheiro apresentou o programa que dessacralizou a forma como se falava da classe política na televisão, ao lado de um painel de ilustres personagens de cabeça fascinante e língua afiada. Eram eles Miguel Esteves Cardoso, Rita Blanco, Rui Zink e Manuel Serrão. “A pena que eu tive de não haver ‘A Noite da Má Língua’ agora, com os escândalos todos dos bancos. Doeu-me tanto...”. Uns bons anos antes, foi a visita do Papa João Paulo II a Lisboa, e em particular o fascínio de observar o repórter que o acompanhava, que a fez trocar a antropologia pelo jornalismo. Ao longo do seu percurso já fez um pouco de tudo na rádio e na ‘caixinha mágica’. Do ‘trash’ ao jornalismo justiceiro, aquele que muda vidas, como o que faz diariamente no programa “Queridas Manhãs”, na SIC. Júlia é a nossa Oprah. Mas sem poder entregar carros ao público. “Não temos essa escala. Mas quando consigo resolver alguns problemas dos meus entrevistados vou mais contente para casa.” Nesta conversa, Júlia fala das suas escolhas, do passado, dos filhos e das ‘armadilhas’ da maternidade, do futuro da televisão, das músicas que a acompanham e do que ainda sonha fazer. “Num programa sem palmas e sem [ter de anunciar o número] 760, eu era muito feliz.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Bagão Félix: “A política felizmente não foi trampolim para nada. Depois de ministro nunca mais recebi qualquer convite”
Há doze anos que Bagão Félix está afastado da política. Foi ministro da Segurança Social e das Finanças nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes e é com orgulho que diz não ter tido nenhum ‘tacho’ decorrente dessa experiência. Mas assume que pagou um preço: “Fiquei com uma marca de ministro das Finanças. É a consequência das regras do monopólio”. Amante do mistério da botânica, em particular das árvores, Bagão Félix encontra na sua quinta no Alentejo o melhor lugar para se ouvir melhor. Apaixonado pelo Benfica, tem um papagaio chamado Pelé que com ele aprendeu a cantar “A Marselhesa”. E para as suas netas é o “avô enciclopédia”, o avô que sabe tudo. Até contar anedotas, que nos conta também. “Sou um eterno curioso. A curiosidade é a única coisa que não envelhece connosco. Espero morrer na busca de uma última curiosidade.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza Das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Celeste Rodrigues: “A vida todos os dias é uma aventura. E a música torna as pessoas mais bonitas”
Celeste Rodrigues, fadista, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste, irmã de Amália Rodrigues, atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Celeste Rodrigues, aos 94 anos: “A vida todos os dias é uma aventura. Gostava de chegar aos 100 e gravar um último disco”
Celeste Rodrigues, fadista, irmã de Amália, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Herman José: “Não posso dizer tudo o que quero. Ainda sou novo para ser velho, mas quando for velhote serei absolutamente insuportável”
Anda há mais de quarenta anos a fazer-nos rir, e o nosso humor não seria o mesmo sem ele. Herman José tem sido genial na arte de subverter e caricaturar o país. Ao longo do seu percurso já teve momentos bons e menos bons, alguns particularmente desafiantes, mas soube reinventar-se na TV e fora dela, regressando à estrada e aos espetáculos ao vivo. Foi numa pausa das gravações do seu programa “Cá por Casa”, na RTP1, que Herman nos recebeu na sua quinta, em Azeitão, o seu refúgio e laboratório criativo. Uma conversa que revisita o seu passado, desfaz mitos, revela algumas mágoas e alegrias e os seus prazeres e luxos. “A felicidade está imenso nos bens materiais. Mas apaixonei-me sempre por pessoas tesas.” Herman garante que respeita as pessoas que têm fé, mas considera que sofrem muito mais na vida: "A divindade nunca se mexeu para nada". Herman, o verdadeiro artista, para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Anabela Moreira: “A peregrinação a Fátima não é um caminho santo. São só pessoas no limiar do sofrimento. Eu cheguei perto da loucura”
Há dois anos a atriz Anabela Moreira andou mais de 400 quilómetros, entre Bragança e Fátima, para sentir no corpo e na pele, o que significa esse longo caminho de fé até ao lugar dos "milagres", que celebra este ano o seu centenário. Foi uma experiência dura, de laboratório, que Anabela fez para poder representar a personagem Céu, no filme “Fátima”, de João Canijo, com estreia marcada para o próximo dia 27 de abril. As restantes 10 atrizes do elenco passaram por episódios semelhantes. “Acho que foi a maior loucura que todas nós fizemos por um realizador. Certamente foi a maior loucura que fiz na vida. Porque, às tantas, estava em causa a nossa saúde. Andámos por estradas perigosas, sem bermas, junto a camiões, sem qualquer segurança. Por vezes senti-me louca. Ninguém imagina o sofrimento que é.” Este é o mote para uma conversa generosa no seu teatro, o Teatro Turim, em Benfica, onde recorda o caminho pessoal, o passado na moda, os vários métodos para chegar à verdade das personagens, a descoberta da realização, as angústias e tormentos, os prazeres da mesa e as músicas que lhe alimentam a alma. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Herberto Smith: “Ser negro neste país é ainda carregar um manto pesado. Mas ser-se português não é sinónimo de se ser branco”
São os jovens negros apagados do retrato, arrumados no gueto, ignorados ou malfalados, que vivem na pele a ‘thug life’, o racismo, a falta de emprego, a marginalidade, aqueles que cativam a atenção da lente do fotógrafo Herberto Smith. “Quero encontrar o lado vulnerável, belo e humano desses rapazes dos bairros problemáticos. Dar-lhes rosto, voz e ‘empoderá-los’, trazer-lhes autoestima, integrá-los e tirá-los dos guetos. Ainda vou erguer um exército de criativos africanos.” Uma conversa que vai fundo na experiência de se ser negro em Portugal, pela voz de um fotógrafo que nos anos 90 viveu no epicentro da noite, da moda e que hoje tem uma missão maior: retratar e rescrever a memória africana em Portugal. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gisela João: “Cada vez que canto estou a lamber as minhas feridas. E espero lamber também as feridas dos que me ouvem”
Quem ouvir esta conversa corre o risco de ficar tomado pela voz desta mulher e da sua simplicidade, também ela complexa. Foi há dois anos que Gisela João pisou pela primeira vez os palcos dos Coliseus. Mas, antes, esta minhota de Barcelos lançara o seu primeiro disco (2013), que foi logo um espanto, e recebeu um aplauso generalizado que lhe ditou o destino: viver todas as vidas através do fado. Em palco, os sapatos saem-lhe depressa dos pés, para o sentimento ser mais livre. No próximo dia 31 sobe ao palco do Coliseu do Porto e a 7 de abril estará no Coliseu de Lisboa para apresentar o seu último disco, “Nua”. E promete dar-se por inteiro. “Quero que seja uma festa. Que as pessoas fiquem felizes pra ‘carago’. Que aconteça fado!”. Neste encontro, Gisela revela o que lhe vai na alma, recorda a infância, os escapes, os prazeres, os talentos ‘do cacete’ e o que a move na vida. Tudo isto neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.