
A Beleza das Pequenas Coisas
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Nuno Artur Silva: “O humorista não derruba a Gioconda, o humorista coloca um bigode na Gioconda”
“Não havia necessidade.” A frase é da mãe de Herman José tomada de empréstimo por Nuno Artur Silva para a personagem “Diácono Remédios”, popularizada por Herman. Uma expressão que calha bem neste processo de afastamento de Nuno Artur Silva da administração da RTP, pela alegada incompatibilidade e conflito de interesses por ter mantido durante estes últimos três anos um vínculo com as Produções Fictícias e com o Canal Q. Uma coisa é certa: o canal público está com mais séries nacionais, mais documentários e ‘milagrosamente’ reinventou o Festival da Canção levando-nos à vitória com Salvador Sobral. Sobre a sua imprevista saída da estação pública, Nuno deixa claro: “Poderei ter cometido algumas ingenuidades. Mas a mulher de César não tem de parecer séria. A mulher de César tem de ser séria. E eu fui sério e transparente do princípio ao fim na RTP.” Sobre o que chama campanha difamatória acrescenta: “Orgulho-me bastante dos inimigos que fiz nestes últimos tempos. Faz-me sentir que estou do lado certo.” Nesta conversa o argumentista, escritor e apresentador, recorda os anos 80 em que foi um jovem anarquista, os anos 90 em que fundou as Produções Fictícias e lançou alguns dos maiores do humor e fala do futuro. “Irei fazer todas as coisas que ainda não fiz”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Benjamim: “Não procuro a fama, o sucesso. Não ando a correr atrás de visualizações, nem de ser a grande cena para a seguir desaparecer....”
Ele é um dos mais interessantes e promissores músicos da nova geração. É conhecido por Benjamim, já foi Walter Benjamin e, na verdade, chama-se Luís Nunes. Em pequeno estudou música clássica, viveu 4 anos em Londres, onde se formou engenheiro de som, mas decidiu regressar em tempos de crise porque tinha muito para cantar na sua língua. Foi no Alvito, Alentejo, onde criou o primeiro disco de canções pop em português, “Auto-Rádio”, depois andou em digressão durante 33 dias seguidos pelo país a bordo do seu velho Volkswagen. No ano passado lançou novo disco, “1986”, desta vez bilingue, com o inglês Barnaby Keen e adianta que o próximo álbum será mais eletrónico. Além disso, tem produzido discos de outros artistas como Márcia, Noiserv, B Fachada ou, mais recentemente, Joana Espadinha - que concorreu este ano ao Festival RTP da Canção com um tema seu, 'Zero a Zero'. Se nunca escutou Benjamim descubra aqui a sua história e a sua música que é “anarquia", "verdade", "liberdade”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Soraia Chaves: “Uma mulher que fale abertamente sobre a sua sexualidade ainda é vista como a Eva, a pecadora, a origem do mal…”
Ela é a mulher-desejo do cinema português. Foi a tentadora Amélia no filme “O Crime do Padre Amaro”, a manipuladora Maria, em “Call Girl”, ou a extravagante e erótica Maria Emília, em “A Vida Privada de Salazar”. Nesta conversa a atriz assume ter sido confundida com a personagem Maria, uma prostituta de luxo, quando tentou a sua sorte junto de agentes, produtores e realizadores, em Los Angeles, nos EUA. “Disseram-me que o ideal era beber um copo, jantar e seduzir os realizadores. Fiquei tão chocada com aquilo que me vim embora. E não me deixou vontade de lá voltar”, confessa pela primeira vez em público. Vencedora de um Globo de Ouro, Soraia Chaves acaba de dar corpo à desassombrada poetisa Natália Correia na série “Três Mulheres”, da RTP1, e está prestes a protagonizar a nova telenovela da SIC. Ainda se surpreende como as pessoas criam tanta discussão e assunto acerca das cenas de nudez. “A exposição da alma é bem mais generosa e difícil do que a exposição de um corpo.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Luís Franco-Bastos: “Um amigo que se ofenda com uma piada não é um amigo assim tão bom. O único mau humor é o que não tem graça”
Ele é a voz de Portugal. Ou melhor, é a voz de muitos dos nossos cromos. Da política ao futebol e, até mesmo ao humor, Luís Franco-Bastos consegue a proeza de imitar tal e qual o registo e os trejeitos vocais de Cristiano Ronaldo, Alberto João Jardim, Bruno de Carvalho, Marcelo Rebelo de Sousa e muitos, muitos mais. Este humorista, especializado em ‘stand up’, cumpre agora dez anos de carreira e já tem um talk show num canal do Youtube, o “Erro Crasso” - que apresenta com o jovem humorista Pedro Teixeira da Mota - onde está a fazer televisão fora da televisão. “O Youtube e a internet são um poder que trouxe uma democratização da cultura e da arte. As pessoas veem o que querem e quando querem. Um artista já não tem de passar pelos postos de decisão de um diretor de programas acabrunhado e quadradão.” Nesta conversa, o humorista recorda o dia da morte da mãe em que estreou um espetáculo a solo: “O humor salvou-me nesse dia. Subi ao palco, pus a ferida no congelador, e evitei outra tragédia: cancelar o meu espetáculo”. Para ouvir neste episódio do podcast A Beleza das Pequenas Coisas. Que conta, claro, com algumas ‘participações especiaisSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuela Azevedo: “Aprendi a dançar e a cantar com um irmão enquanto tinha as ovelhas a pastar. Começou aí o prazer pela música...”
Parece um título de um poema bucólico. Mas não é. Os primeiros anos de vida de Manuela Azevedo, a voz dos Clã, também se escrevem com poesia, dança e muita música pop e clássica. Manuela nasceu numa pequena localidade, em São Simão da Junqueira, Vila do Conde, e esteve para ser advogada, "como Perry Mason". Mas um convite do músico Hélder Gonçalves ditou-lhe o destino. “Arriscar é importante para descobrirmos coisas novas sobre nós próprios e sobre a vida. É escolher o lado errado, o coração, o mais imprevisível.” Há 26 anos que ela e a sua banda nos dão asas nos pés e nos ajudam a dançar nesta corda bamba do quotidiano. Depois de oito álbuns editados, e um próximo a caminho, Manuela volta a esticar a corda e estreia-se agora na peça musical “Montanha-Russa”, em cena de 9 a 27 de março, no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. “É perigoso uma pessoa levar-se demasiado a sério.” Uma conversa reveladora para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Daniel Oliveira: “Conheci estalinistas e fascistas com corações maravilhosos. Todos nós transportamos monstros e anjos”
É um dos nossos mais relevantes fazedores de opinião. Filho do poeta Herberto Helder, sempre recusou ser conhecido como tal ou falar dessa relação. “É sempre pesadíssimo ser filho de alguém. E ser pai também.” Ao contrário de Herberto, a política foi sempre a sua paixão. Daniel é “canhoto na política” desde que se lembra. Foi jornalista, distinguido com o Prémio Gazeta Revelação, escreveu nos blogues “Barnabé” e “Arrastão”, pertenceu ao Partido Comunista e foi dirigente e assessor do Bloco de Esquerda, de onde saiu em 2013. Autor do livro “Década de Psicopatas”, não encontra atualmente em Portugal nenhum político que admire. “E será cada vez mais difícil haver. Há menos espaço para pessoas extraordinárias na política.” Sobre as suas contradições afirma: “Apesar de ligar menos ao dinheiro do que a maioria das pessoas, não consegui ser completamente despegado dele. Por liberdade. Como o meu pai.” E ainda lê em exclusivo um texto desconhecido de Herberto Helder, que integrará um novo livro de crónicas e reportagens do poeta, em Angola, intitulado “Em Minúsculas”, que será editado em breve. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria Elisa: “Claro que fui assediada. Mais de 90% das mulheres da TV e vida artística responderão que sim, se forem honestas”
Foi a primeira mulher na televisão portuguesa a fazer entrevistas políticas e aos 30 já era diretora de programas na RTP. Despertou amores e ódios, foi deputada independente do PSD e saiu zangada da estação pública, onde era figura principal. Garante que vive bem fora de cena, mas com energia para voltar ao seu ‘habitat’ natural, a televisão. “Acho é patético querer ir contra o tempo.” Perto dos 60 encontrou um novo amor. “Conheci o meu marido numa fase em que estava sozinha, triste. Atraiu-me nele a leveza.”Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Kalaf: “O racismo em Portugal continua absolutamente presente mas está mais sofisticado”
Chamam-lhe “o grande agitador cultural”. Isto por abraçar há mais de uma década a mestiçagem musical entre Luanda, Lisboa e o mundo. Ele é Kalaf Epalanga, antes conhecido por Kalaf Ângelo, músico dos Buraka Som Sistema, que lançou agora o seu primeiro romance, “Também os brancos sabem dançar”. Uma conversa que começa por juntar Cavaco Silva à kizomba e termina com um testemunho de amor. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jel: “O humor em Portugal é elitista, confinado a quem teve uma vida burguesa. Não há pretos, ciganos ou malta do subúrbio a fazer humor”
Ele anda na luta artística há uns bons anos. Jel, aliás Nuno Duarte, é humorista, produtor, realizador e músico. Há uns tempos 'mandou tudo abaixo' e, junto com o irmão, foi um homem da luta incómodo, subversivo, de megafone na mão, cantarolando palavras de ordem que irritaram a classe política, e não só. Uma dupla que chegou mesmo a vencer há sete anos o Festival RTP da Canção, com o tema 'A Luta é Alegria', e a ter um programa em horário nobre na SIC. Mas, às tantas, a fórmula esgotou-se e a dupla decidiu retirar-se. “Eu podia continuar a fazer os “Homens da Luta” até ao fim da vida, como o Avô Cantigas, mas não quero. Prefiro continuar à procura de um estilo que me sirva”. Dedicado agora à realização de documentários, às crónicas e ao stand up comedy, Jel assume que “já chocou o que tinha a chocar”, que está a passar por uma pequena crise de meia-idade. “Estou mais maduro, mas se calhar com menos graça.” Uma conversa sem máscaras para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fernanda Torres: “Os meus momentos de glória são muito parecidos com os meus fracassos”
Ela é uma das atrizes mais prestigiadas do Brasil, por cá tornou-se popular com a participação na série televisiva de humor “Os Normais”. Filha de duas figuras maiores da representação – Fernanda Montenegro e Fernando Torres – cedo ganhou uma identidade artística que a levou a ser distinguida, logo aos 21 anos, com o prémio de melhor atriz em Cannes, pelo filme “Eu sei que vou te amar”. Há cinco anos arriscou a literatura e estreou-se no primeiro romance, “Fim”, sobre a vida e a morte de cinco velhos amigos cariocas. A crítica rendeu-se à sua escrita, o que a motivou a escrever o segundo, “A Glória e o seu Cortejo de Horrores”, sobre as desventuras de um ator de meia idade caído em desgraça. “Todo o livro é uma autobiografia. Não existe nenhum autor que não escreva a partir da sua visão”, revela Fernanda nesta conversa franca sobre o bom e o menos bom que ficou lá atrás e as maravilhas e descobertas da maturidade. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jorge Molder: “O tempo é o chefe do gangue, o tempo subverte o corpo, a vida, as verdades”
Há quem lhe chame o fotógrafo-filósofo ou o filósofo-fotógrafo. Ele é um dos nomes maiores da arte contemporânea e foi o primeiro artista português a ter uma obra na coleção de arte da UNESCO, que integra trabalhos de artistas como Picasso, Miró, Henry Moore, Giacometti ou Le Corbusier. Há quarenta anos que Jorge Molder usa a fotografia e o vídeo, os autorretratos e as autorrepresentações, e enfrenta a própria camera como performer e ator para nos contar histórias através de imagens. Agora que aos 70 anos parte da sua obra acaba de ser publicada em livro na coleção Ph., pela Imprensa Nacional, Molder conta-nos a relação com o tempo e o envelhecimento, como a arte “pode ter um lado muito superficial e desatento”, e revela-nos ainda os jogos de computador que disputa com os netos, as músicas que o acompanham e o que realmente importa na vida, o amor. “É urgente a nossa relação com as pessoas, porque só temos uma vida.” Para ouvir urgentemente neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mariana Mortágua: “As conquistas sociais destes dois anos mostram que o BE tem capacidade técnica e política para governar”
Francisco Louçã prevê que ela venha a ser a futura ministra das Finanças. Será? Mariana Mortágua chuta a questão para canto, mas garante que o BE “está preparado para governar” em 2019. E que até lá continuará “a dar a cara pelo acordo” com o Governo. O que é certo é que Mariana é uma das estrelas políticas do momento, que deu que falar há dois anos quando confrontou os poderosos ‘Donos Disto Tudo’ na comissão de inquérito do caso BES. Com um forte sentido de justiça social e moral – “sou uma radical defensora dos direitos humanos” – é particularmente crítica com as ‘portas giratórias’ entre o poder político e económico que acusa de serem “frequentes” no PS, PSD e CDS: “Tem havido pouquíssima higiene na gestão de cargos públicos.” Nesta conversa a deputada recorda a infância, os caminhos que a levaram à política, aponta os erros do Governo, fala da ‘falência’ da direita, comenta o escândalo na IPSS Raríssimas que, “ao contrário do que a direita quer fazer crer, não é caso único, não é apenas uma maçã podre num cesto imaculado”. e ainda nos dá música, escolhe as figuras do ano e revela-nos quais são os seus prazeres e ambições. Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Gil:“O discurso dos afetos passivos de Marcelo não chega. É preciso despertar uma afetividade ativa nos portugueses”
O filósofo e pensador José Gil faz um balanço sobre os principais acontecimentos e figuras que marcaram o país e o mundo em 2017. E não hesita a eleger Marcelo Rebelo de Sousa como a figura do ano. "É o melhor Presidente que nós já tivemos. Levou-nos a esquecer Cavaco. E isso é extraordinário. O país inteiro estava a precisar disso. Mas é preciso um passo seguinte...” Sobre a geringonça afirma que trouxe mais auto-estima e "menos medo à superfície". E ainda recorda a infância em África, os tempos fulgurantes em Paris e fala do desassossego e da volúpia do pensamento que vive aos 78 anos. "De certa maneira não sou deste tempo porque insisto em pensar." Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Catarina Furtado: “Quando fui atirada para a opinião pública aos 19 anos era politicamente correta. Mas agora digo tudo o que penso”
Nos anos 90 era a “namoradinha de Portugal” e continua a ser um dos sorrisos mais bonitos da nossa televisão. Mas Catarina Furtado é bem mais do que uma beleza televisiva. É a única portuguesa embaixadora da Boa Vontade da ONU e há 18 anos que tem usado os holofotes sobre si para falar publicamente de causas humanitárias como o casamento forçado com menores, a gravidez em adolescentes, a mutilação genital feminina, a violência de género nas escolas e na sociedade, o racismo, a homofobia. “Sobre mim só sei que ainda tenho muito para dar”, afirma. Uma conversa franca onde faz um balanço sobre o passado, revela os medos de sempre, as conquistas, a frustração com os formatos televisivos atuais e ainda o que tem aprendido com o amor. “Está tudo nos afetos”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Zanatti: “Quero ousar sempre!”
A ousadia veste-a bem. Assim como o charme e a elegância. A atriz e escritora Ana Zanatti protagonizou cenas de sexo e nudez no teatro e no cinema num país conservador acabado de sair da ditadura, amou quem quis sem se importar com a opinião dos outros e, há oito anos, revelou publicamente ser homossexual durante a apresentação pública do primeiro movimento da sociedade civil de defesa dos direitos dos homossexuais pelo casamento. Ou, como escrevia no seu diário de juventude, que sempre sentiu ‘aimer les femmes’. No ano passado publicou o livro “O Sexo Inútil” para mostrar como a comunidade LGBTI ainda sofre com a homofobia e o preconceito. “A lei anda sempre à frente, mas as mentalidades levam gerações a mudar.” E ainda recorda a sua infância, os medos, as conquistas, o primeiro beijo e o que a vida lhe ensinou. “A idade ensinou-me a não perder a jovialidade” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

César Mourão: “Não me rio com quase nada”
A César o que é de César, e ele tem um talento particular a fazer comédia sem rede e sem guião, a que nos faz rir do imprevisto. Por isso mesmo, prepara-se para estrear este domingo, dia 19, na SIC, o programa “D´Improviso”, onde desafiará figuras públicas a improvisar em situações inusitadas. Nesta conversa o ator, que tem andado pelos caminhos da comédia, revela que não é de riso fácil e sabe bem que o sucesso e a popularidade têm um prazo: “Isto não vai durar sempre. Tenho a impressão de que estou em late check out num quarto de hotel maravilhoso, com a senhora da receção sempre a ligar-me: ‘Olhe, está aqui mais gente para ocupar o quarto... Queremos limpá-lo.’ Por isso tenho sempre a mala meio feita.” César revela ainda o seu lado mais tímido e melancólico, a relação com a filha e alguns ‘superpoderes’ que fazem dele um artista virtuoso. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Eduardo Gageiro: “Tenho pena de não ter fotografado Salazar a cair da cadeira. No caixão ele parecia um abutre”
Chamam-lhe o “fotógrafo do povo e da revolução”. Ele confessa-se “um homem de coragem por trás de uma máquina”. Aos 82 anos, Eduardo Gageiro conta a sua história e as histórias do país que documenta desde os 12 anos, quando tomou de empréstimo uma máquina de plástico do irmão. Numa época em que ser fotógrafo de jornais era tantas vezes ser um mero “bate-chapas” do sistema, Gageiro arriscou ir além: revelou o Portugal a preto e branco de Salazar, a tragédia das cheias de 1967 (que aconteceu há 50 anos), esteve na linha da frente do 25 de Abril, registou o atentado nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972, ou as glórias de Eusébio e Amália. Nesta conversa, Gageiro faz contas à vida, à doença e à solidão, assume um certo mau feitio, mas assegura que “nunca foi mau para ninguém” e espera “durar mais dois anitos” para ver a inauguração da sua Casa da Imagem. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Marta Crawford: “Quando os filhos se iniciam sexualmente, os pais não lhes perguntam se tiveram prazer. Eu preocupei-me com isso”
A sexóloga e terapeuta familiar Marta Crawford anda há mais de 20 anos a ajudar a desvendar os caminhos do prazer e a desatar os nós relacionais no seu consultório e na televisão. E há avanços. “Elas já reclamam o prazer e eles já assumem que não estão sempre prontos para o sexo.” Muitos pedem ajuda cada vez mais cedo: “A maior parte das pessoas que me procura no consultório está na casa dos 20 e 30 anos”. Nesta conversa, Marta também se deita no divã e conta que nem sempre viveu a sexualidade sem vergonhas, medos e culpas. “Tive de me libertar. Havia muito pudor.” Para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

José Luís Peixoto: “Desta vez não levo livros para a Coreia do Norte. Qualquer pretexto pode ser muito perigoso...”
O escritor José Luís Peixoto acaba de partir pela sexta vez para a Coreia do Norte, numa altura em que as relações do regime mais fechado do mundo com o Ocidente estão particularmente crispadas. Há cinco anos, na primeira vez que esteve em Pyongyang, arriscou levar escondida a obra “D.Quixote de La Mancha”, de Cervantes, para um país que não autoriza a entrada de nenhum livro do exterior. “Neste momento não aconselho ninguém a esticar a corda”. É sobre essa e outras viagens a destinos inusitados e exóticos que o escritor nos conta como tem sido a sua vida e a sua literatura nos últimos anos. “Viajar é a certeza de estar vivo. Com a rotina corremos o risco de deixar de sentir.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuela Moura Guedes: “Acho que José Sócrates é um psicopata”
Oito anos depois de ter sido afastada do Jornal Nacional das sextas-feiras da TVI, uma decisão que garante ter sido a mando do ex-primeiro ministro José Sócrates, Manuela Moura Guedes fala sobre o caso da “Operação Marquês", o controlo do sistema judicial, o silêncio do PS e a geringonça de Costa, e revela ainda estar pronta para voltar ao jornalismo, numa entrevista que pode ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ana Moura: “Foi com Prince que perdi os meus maiores medos”
É a artista portuguesa mais internacional da atualidade. O seu sentir é de fadista, mas há nela uma energia de estrela rock que lhe assenta tão bem e a juntou em tempos aos Rolling Stones e, mais tarde, a Prince. Um dos maiores artistas do reinado da pop revelou-se o seu maior fã e chamava-a mesmo ‘Our Queen’. Depois de “Desfado”, o seu disco mais platinado de sempre, Ana Moura regressa agora aos palcos do Coliseu de Lisboa (dia 14 de outubro) e do Porto (dia 21) para celebrar a tripla platina de “Moura”, um disco onde se reinventou e se mostrou livre das amarras do fado. “Perdi o medo dos julgamentos. Estou cansada de toda a gente ter uma opinião sobre mim e o meu futuro.” O futuro à deusa Moura pertence que numa conversa emotiva recorda os tempos de menina, o disco de rock que gravou aos 18, as noites longas nas casas de fado, a solidão que a acompanhou durante anos e o encontro com Prince que lhe mudou a atitude para a vida e para a música. E ainda há um ‘fado que não é bem fado’, de Cartola, que canta à capela em exclusivo para o Expresso. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandre Quintanilha: “Não tenho orgulho nem vergonha de ser cientista, branco, homossexual ou africano de alma. É o que sou”
O cientista e deputado independente do PS, Alexandre Quintanilha, recorda a infância passada em Moçambique, a educação progressista dos pais, as primeiras paixões, os caminhos que o levaram à ciência e os desafios do coração que o levaram a conhecer há quase quarenta anos, em São Francisco, o amor da sua vida – o escritor Richard Zimler. “Sou muito romântico. Gosto do processo de aproximação a outra pessoa. Sei que sofro mais por ser um romântico, mas não estou nada arrependido. Só não percebo porque é que têm de existir barreiras ao amor.” Revela ainda os combates sociais e do conhecimento que trouxe para o Governo a bordo da geringonça (uma expressão que até aprecia bastante), as contradições da ‘sua’ América e os perigos que o mundo enfrenta. Ainda há tempo para nos dar música, refletir sobre os mistérios do amor e o que ainda quer viver. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nuno Markl: “Para se fazer comédia há que ter um certo trauma e coisas a torturar-nos cá dentro”
O podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” regressa de bom humor com Nuno Markl. Ele é um dos nossos mais talentosos humoristas e contadores de histórias. Anda há mais de 20 anos a morder histórias reais, surreais e ficcionais para trazer boa disposição à rádio, à televisão ou ao cinema. Aos 46 anos prepara-se para estrear a sua primeira série de ficção, “1986”, na RTP, e no próximo dia 6 de outubro subirá ao palco do Coliseu de Lisboa para celebrar os 20 anos da rubrica “O Homem Que Mordeu o Cão”. Markl recebeu-nos na cave da sua moradia para falar dos limites da comédia, das suas eternas inquietações e obsessões, a recente zanga com as redes sociais, as transformações provocadas pela paternidade e as músicas e séries que o acompanhamSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria José Morgado: “Os criminosos incompetentes são um desânimo”
Conhecida por muitos como a ‘dama de ferro’, a atual procuradora-geral distrital de Lisboa não gosta que a chamem “justiceira”. “O justiceiro nunca é justo.” Numa longa conversa em que explica como a troika e a austeridade “tiveram a vantagem de trazer a denúncia da corrupção”, Maria José Morgado fala ainda do vício pelo exercício físico, do amor eterno pelo seu companheiro e da melancolia que a acompanha: “Sou uma pessoa triste e gosto da tristeza”. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

João Quadros: “Prefiro destruir os poderosos do que pôr as pessoas a rirem-se da profunda tragédia dos outros”
É talvez o mais destravado e livre dos argumentistas portugueses. O seu humor não é nada manso e funciona como uma purga sobre os temas e personagens da atualidade que o incomodam. João Quadros é o autor de muitos dos textos de comédia que têm marcado a televisão e a rádio nas últimas décadas. O popular sketche “Eu É Que Sou o Presidente da Junta”, eternizado por Herman, saiu da sua cabeça, mas é Bruno Nogueira o seu parceiro do humor desde há muito. Quadros fala dos ódios de estimação – como Fátima, Cavaco Silva e Passos Coelho, a relação com o Twitter, as dores do coração, os limites do humor e as suas convicções à esquerda. “Não há gajos de direita a fazer humor. Não têm jeito...” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Quem me põe o rótulo de bombista é da direita assanhada: as Brigadas Revolucionárias não mataram ninguém e lutaram pela igualdade”
A médica endocrinologista Isabel do Carmo liderou nos anos 70 um movimento de guerrilha contra a ditadura que a levou à prisão. “Não me arrependo de nada. A luta armada era a única forma de contribuir para desgastar o antigo regime.” Isabel recorda ainda os 9 meses que esteve na ‘solitária’, as dificuldades por que passou para garantir comida no prato dos filhos e o longo caminho que fez até hoje. Além das bombas que agitaram o regime do Estado Novo e o Verão Quente de 75, Isabel fala de outras bombas, as bombas calóricas, dos mitos e os enganos alimentares: desconfia do equilíbrio da dieta vegan e considera um disparate a moda antiglúten e antilactose. E ainda nos dá (boa) música. “Vivo os anos mais tranquilos da minha vida.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Olga Roriz: “Vou dançar para sempre. Prefiro morrer num estúdio a ensaiar um aluno do que em casa”
Há cerca de três anos, a coreógrafa Olga Roriz, quando completava 60 anos de vida, 40 de carreira e 20 da sua companhia de dança, adoeceu. O corpo de bailarina com o qual sempre fora capaz de tudo revelou-se frágil. “Durante meses perdi o meu poder físico. E isso foi horrível. Foi na natação que redescobri esse poder. E a dança curou-me.” Olga ergueu-se dessa dura batalha e mostrou a fibra de quem decidiu dançar até ao fim. Na sua última criação, “Antes que Matem os Elefantes”, falou do drama da Síria e prepara-se para regressar ao tema na próxima coreografia, “Síndrome”, com estreia marcada para 30 de junho, no Teatro São Luiz, em Lisboa. “A guerra deixa-me zangada.” Numa conversa confessional, Olga fala do ‘fantasma’ da idade, das ‘demasiadas paixões’ que viveu, da solidão, da eterna comparação com a alemã Pina Bausch, das músicas que a acompanham e dos sonhos e vontades que ainda tem. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

“A única coisa de que me arrependo é de não ter estado à altura da pessoa que encontrei na minha vida e que a marcou para sempre”
O filósofo Eduardo Lourenço, um dos maiores pensadores do nosso tempo, abre o livro da sua vida. Fala do passado, do seu grande amor, o gosto pela música, pelo cinema e comenta o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros. Lourenço, que foi distinguido o ano passado com o prémio Vasco Graça Moura e é conselheiro de Estado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa revela ainda um encantamento com Catarina Martins e Mariana Mortágua, “pequenos Fidel Castros”. No dia em que faz 94 anos, o Expresso republica esta conversa íntima para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ricardo Robles, candidato do BE a Lisboa: “Lisboa está uma cidade-montra. Qualquer dia estarão turistas a fotografar turistas”
O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa, Ricardo Robles, uma das vozes mais críticas do atual presidente da autarquia, Fernando Medina, acusa-o de estar a expulsar os lisboetas do centro para a periferia por “uma gula” económica e um “descontrolo” que está a dar lugar a cada vez mais hotéis e turistas. Considera um erro as propostas do PS e de Assunção Cristas para a expansão do metro e propõe como estações prioritárias Campolide, Campo de Ourique, Alcântara, Belém e Ajuda. Até agora pouco se sabia sobre Robles. Numa conversa descontraída, fala da nova aventura de ser pai de duas crianças pequenas, do gosto por andar de bicicleta na cidade, do fascínio pelo mar, da paixão pelo Benfica, do prazer das viagens [e recorda aquela que o levou durante três meses a percorrer a América do Sul] assim como das músicas que o acompanham. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os criadores do ‘Jovem Conservador de Direita’: “Havia muita direita com medo de uma ditadura do tipo Coreia do Norte. E esticámos a corda”
Os três inventores do colunista Jovem Conservador de Direita desvendam pela primeira vez a personagem, revelam os políticos em que se inspiraram, os ódios gerados e a desinformação criada nas manifestações antigeringonça. Para ouvir neste episódio do podcast "A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Júlia Pinheiro: “‘A Noite da Má Língua’ deixou-me uma bactéria perigosa. Acredito no lado justiceiro da televisão”
Foi há 23 anos que Júlia Pinheiro apresentou o programa que dessacralizou a forma como se falava da classe política na televisão, ao lado de um painel de ilustres personagens de cabeça fascinante e língua afiada. Eram eles Miguel Esteves Cardoso, Rita Blanco, Rui Zink e Manuel Serrão. “A pena que eu tive de não haver ‘A Noite da Má Língua’ agora, com os escândalos todos dos bancos. Doeu-me tanto...”. Uns bons anos antes, foi a visita do Papa João Paulo II a Lisboa, e em particular o fascínio de observar o repórter que o acompanhava, que a fez trocar a antropologia pelo jornalismo. Ao longo do seu percurso já fez um pouco de tudo na rádio e na ‘caixinha mágica’. Do ‘trash’ ao jornalismo justiceiro, aquele que muda vidas, como o que faz diariamente no programa “Queridas Manhãs”, na SIC. Júlia é a nossa Oprah. Mas sem poder entregar carros ao público. “Não temos essa escala. Mas quando consigo resolver alguns problemas dos meus entrevistados vou mais contente para casa.” Nesta conversa, Júlia fala das suas escolhas, do passado, dos filhos e das ‘armadilhas’ da maternidade, do futuro da televisão, das músicas que a acompanham e do que ainda sonha fazer. “Num programa sem palmas e sem [ter de anunciar o número] 760, eu era muito feliz.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Bagão Félix: “A política felizmente não foi trampolim para nada. Depois de ministro nunca mais recebi qualquer convite”
Há doze anos que Bagão Félix está afastado da política. Foi ministro da Segurança Social e das Finanças nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes e é com orgulho que diz não ter tido nenhum ‘tacho’ decorrente dessa experiência. Mas assume que pagou um preço: “Fiquei com uma marca de ministro das Finanças. É a consequência das regras do monopólio”. Amante do mistério da botânica, em particular das árvores, Bagão Félix encontra na sua quinta no Alentejo o melhor lugar para se ouvir melhor. Apaixonado pelo Benfica, tem um papagaio chamado Pelé que com ele aprendeu a cantar “A Marselhesa”. E para as suas netas é o “avô enciclopédia”, o avô que sabe tudo. Até contar anedotas, que nos conta também. “Sou um eterno curioso. A curiosidade é a única coisa que não envelhece connosco. Espero morrer na busca de uma última curiosidade.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza Das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Celeste Rodrigues: “A vida todos os dias é uma aventura. E a música torna as pessoas mais bonitas”
Celeste Rodrigues, fadista, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste, irmã de Amália Rodrigues, atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Celeste Rodrigues, aos 94 anos: “A vida todos os dias é uma aventura. Gostava de chegar aos 100 e gravar um último disco”
Celeste Rodrigues, fadista, irmã de Amália, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Herman José: “Não posso dizer tudo o que quero. Ainda sou novo para ser velho, mas quando for velhote serei absolutamente insuportável”
Anda há mais de quarenta anos a fazer-nos rir, e o nosso humor não seria o mesmo sem ele. Herman José tem sido genial na arte de subverter e caricaturar o país. Ao longo do seu percurso já teve momentos bons e menos bons, alguns particularmente desafiantes, mas soube reinventar-se na TV e fora dela, regressando à estrada e aos espetáculos ao vivo. Foi numa pausa das gravações do seu programa “Cá por Casa”, na RTP1, que Herman nos recebeu na sua quinta, em Azeitão, o seu refúgio e laboratório criativo. Uma conversa que revisita o seu passado, desfaz mitos, revela algumas mágoas e alegrias e os seus prazeres e luxos. “A felicidade está imenso nos bens materiais. Mas apaixonei-me sempre por pessoas tesas.” Herman garante que respeita as pessoas que têm fé, mas considera que sofrem muito mais na vida: "A divindade nunca se mexeu para nada". Herman, o verdadeiro artista, para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Anabela Moreira: “A peregrinação a Fátima não é um caminho santo. São só pessoas no limiar do sofrimento. Eu cheguei perto da loucura”
Há dois anos a atriz Anabela Moreira andou mais de 400 quilómetros, entre Bragança e Fátima, para sentir no corpo e na pele, o que significa esse longo caminho de fé até ao lugar dos "milagres", que celebra este ano o seu centenário. Foi uma experiência dura, de laboratório, que Anabela fez para poder representar a personagem Céu, no filme “Fátima”, de João Canijo, com estreia marcada para o próximo dia 27 de abril. As restantes 10 atrizes do elenco passaram por episódios semelhantes. “Acho que foi a maior loucura que todas nós fizemos por um realizador. Certamente foi a maior loucura que fiz na vida. Porque, às tantas, estava em causa a nossa saúde. Andámos por estradas perigosas, sem bermas, junto a camiões, sem qualquer segurança. Por vezes senti-me louca. Ninguém imagina o sofrimento que é.” Este é o mote para uma conversa generosa no seu teatro, o Teatro Turim, em Benfica, onde recorda o caminho pessoal, o passado na moda, os vários métodos para chegar à verdade das personagens, a descoberta da realização, as angústias e tormentos, os prazeres da mesa e as músicas que lhe alimentam a alma. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Herberto Smith: “Ser negro neste país é ainda carregar um manto pesado. Mas ser-se português não é sinónimo de se ser branco”
São os jovens negros apagados do retrato, arrumados no gueto, ignorados ou malfalados, que vivem na pele a ‘thug life’, o racismo, a falta de emprego, a marginalidade, aqueles que cativam a atenção da lente do fotógrafo Herberto Smith. “Quero encontrar o lado vulnerável, belo e humano desses rapazes dos bairros problemáticos. Dar-lhes rosto, voz e ‘empoderá-los’, trazer-lhes autoestima, integrá-los e tirá-los dos guetos. Ainda vou erguer um exército de criativos africanos.” Uma conversa que vai fundo na experiência de se ser negro em Portugal, pela voz de um fotógrafo que nos anos 90 viveu no epicentro da noite, da moda e que hoje tem uma missão maior: retratar e rescrever a memória africana em Portugal. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gisela João: “Cada vez que canto estou a lamber as minhas feridas. E espero lamber também as feridas dos que me ouvem”
Quem ouvir esta conversa corre o risco de ficar tomado pela voz desta mulher e da sua simplicidade, também ela complexa. Foi há dois anos que Gisela João pisou pela primeira vez os palcos dos Coliseus. Mas, antes, esta minhota de Barcelos lançara o seu primeiro disco (2013), que foi logo um espanto, e recebeu um aplauso generalizado que lhe ditou o destino: viver todas as vidas através do fado. Em palco, os sapatos saem-lhe depressa dos pés, para o sentimento ser mais livre. No próximo dia 31 sobe ao palco do Coliseu do Porto e a 7 de abril estará no Coliseu de Lisboa para apresentar o seu último disco, “Nua”. E promete dar-se por inteiro. “Quero que seja uma festa. Que as pessoas fiquem felizes pra ‘carago’. Que aconteça fado!”. Neste encontro, Gisela revela o que lhe vai na alma, recorda a infância, os escapes, os prazeres, os talentos ‘do cacete’ e o que a move na vida. Tudo isto neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabel Moreira: “Eu só quero ser um espírito livre. E pago o preço disso com a solidão. Os homens têm medo de mulheres livres”
É uma mulher corajosa, lutadora, afirmativa, que vive permanentemente atormentada com os problemas de uma multidão de gente que espera que ela abra caminho para um país mais livre, sem preconceitos. “Luto todos os dias por uma sociedade menos sexista e homofóbica. A luta pela igualdade é aditiva. Entranha-se na pele. É um comboio que se apanha para a vida. É para sempre.” A deputada socialista Isabel Moreira recorda como foi crescer à esquerda numa família conservadora de direita e como ganhou o gosto pela política por causa do pai, o histórico democrata cristão Adriano Moreira. Uma conversa de verdade, onde Isabel recorda a infância, o que a levou à política, a solidão que vive, o passado de violência que ainda a atormenta, o prazer pela escrita, pela dança e as músicas que a levam a agitar-se na pista como se a vida estivesse para acabar. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Lena d’Água, a alma danada: “Desculpem lá se não morri jovem e bela”
De símbolo sexual do rock português dos anos 80 ao recato de uma aldeia no meio da natureza, passou uma vida. Muita coisa mudou, mas a voz doce e cristalina mantém-se intacta, assim como o seu jeito livre e desalmado de ser. Deu que falar nas últimas semanas por ter arriscado concorrer ao Festival RTP da Canção, o que representou para si uma espécie de “renascimento”. Mote para uma conversa que percorre os loucos anos do rock, os vícios, os amores e os desejos: “Vou gravar um disco e ainda quero encher o Coliseu. A idade é mais um assunto na cabeça dos outros do que para mim”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rita Blanco: “Enquanto vivo outras vidas distraio-me da minha própria morte”
É uma das nossas melhores atrizes. Ao longo do seu caminho já foi muitas mulheres no cinema, no teatro e na televisão . “Estou velhinha de viver tantas vidas tão intensamente.” Fora dos palcos, Rita Blanco detesta as máscaras dos outros — a ‘teatra’ do quotidiano — e usa o humor para as desarrumar, para lhes encontrar um lado mais genuíno. “As pessoas protegem-se demasiado, raramente são verdadeiras. E quando não consigo comunicar com elas sai-me o ‘alien’ e fico disparatada e provocadora.” Aos 54 anos, a atriz diz que largou carga e está mais serena. “Já não me preocupa o que os outros acham de mim, nem preciso ser amada por todos. Já só preciso de poucas pessoas e poucas coisas perto de mim”. Uma conversa de verdade, que passa pelas angústias de ser mãe de uma adolescente, o amor aos animais, a tristeza pelo fim do Teatro da Cornucópia ou o momento em que esteve prestes a ser apresentada como a nova ‘chica’ para o realizador Pedro Almodôvar. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sobrinho Simões: “Daqui a 50 anos toda a gente vai ter cancro e mais do que um. Mas não vamos morrer disso”
O professor e investigador Manuel Sobrinho Simões, fundador do IPATIMUP e Prémio Pessoa, considerado em 2015 o patologista mais influente do mundo, revela ter medo de contrair cancro, “uma doença terrível se estiver avançada.” Mas apesar de garantir que no futuro será uma doença de todos, por estarmos a viver cada vez mais, a maioria dos cancros serão tratáveis. “Alguns terão mesmo cura.” Sobre si, diz que tem tido uma ‘sorte de gaiola’ – sorte grande, leia-se – por nunca ter tido grandes problemas de saúde até agora, nos seus dinâmicos 69 anos. Assume ter medo do escuro ainda hoje, mas o seu grande fantasma é a reforma. “Não me imagino a parar e a ir para casa. Mas receio que não me deixem continuar.” Uma conversa que passa pela infância, o futuro, a música e o cinema – um dos seus grandes prazeres. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Qualquer mulher com voz neste país é considerada 'histérica'. Houve homens que me disseram que devia estar calada, na cozinha”
A apresentadora de televisão Rita Ferro Rodrigues, feminista convicta, defensora da causa LGBTI e co-fundadora do site e associação Capazes considera que o país ainda está demasiado ‘ferido’ pela misoginia e machismo. Tanto à esquerda como à direita. E que há ainda mulheres que sofrem desse mal. “As pessoas não percebem que nós não queremos ser iguais aos homens. Queremos é ter os mesmos direitos cívicos dos homens. Sem discriminações.” Prestes a apresentar o novo programa da SIC, “Juntos à Tarde”, ao lado de João Baião, com estreia marcada para o dia 1 de março, recorda o dia em que entrevistou Amália Rodrigues, com 12 anos; o bullying e assédio que sofreu na adolescência; a descoberta precoce da televisão; a desilusão pelo jornalismo e as razões que a levaram ao ativismo social. Uma conversa para ouvir e refletir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miss Suzie: a mulher que faz da vida um espetáculo
Suzie Peterson tem mais do que sete vidas nos palcos. E fora deles também. Em maio será uma sexy corista no novo filme de Bruno de Almeida, ”Cabaret Maxime”, para o qual assinou o guarda-roupa, e está a criar os figurinos do novo espaço boémio do chefe José Avillez. “Plumas, lantejoulas e cabaré sou eu! Vivo a vida a trazer fantasia aos outros.” Uma conversa genuína onde assume as dores, as feridas e perdas, a fase de rebeldia e escuridão, e como agarrou ‘a vida pelos cornos’. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cruzeiro Seixas, uma vida surrealista entre o céu e o inferno: “Fui mais reprimido como homossexual depois do 25 de Abril"
É o último representante vivo do surrealismo português. Mário Cesariny foi o homem que mais amou. “Ainda me faz muita falta...” Aos 96 anos, o pintor e poeta Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas afirma que só viveu metade do que queria e mantém a curiosidade pelo amanhã. “Viver é uma loucura espantosa. É a maior loucura.” Sobre o passado, lamenta ter sido mais perseguido após a revolução, “enquanto o Partido Comunista esteve no poder”. A ideia de partir não o assusta. “Não estou preocupado para onde vou. Já andei por céus e infernos cá por este lado.” Uma conversa especial para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sofia Aparício, a eterna mulher camaleão: “Não me arrependo de nada, nem das drogas. Mas não gosto de hábitos, gosto de experiências”
Aos 13 anos o estilista José Carlos descobriu-a num cabeleireiro que a mãe frequentava e Sofia tornou-se a manequim portuguesa mais icónica dos anos 90. Viveu os loucos anos 80 e 90 do Bairro Alto, não se privou de nada, nem das drogas. “Adoro que isso faça parte da minha vida. Também porque deixou de fazer. Não sou adicta a nada.” A sua grande luta é que a deixem de escolher para os papéis das mulheres bonitas. Porque ambiciona ser tão camaleão nos palcos como foi nas passerelles. Uma conversa franca para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

O bom escultor, o mau paroquiano e os vilões no poder da ilha da Madeira
Amândio de Sousa, um dos mais interessantes escultores portugueses do século XX, com obra premiada no país, morrerá convicto de que poderia ter sido muito mais do que foi. Mas um grande amor levou-o a regressar à Madeira, a terra onde nasceu, de onde fugiu, mas da qual nunca escapou. Porque às vezes só o amor importa. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Só para adultos: estas loiras vão seduzir-vos e matar-vos de riso
Paula Porca vive na “Avenida Q” e é o tipo de mulher que todos os homens quiseram e nunca puderam ter. Inês Aires Pereira é a atriz que lhe dará voz num irreverente musical para adultos, original da Broadway. A estreia deste espetáculo está marcada para 8 de fevereiro, no Teatro da Trindade, em Lisboa, numa mistura da estética dos Marretas com assuntos para gente crescida. A incluir até sexo ao vivo... mas com bonecos fofinhos. Uma conversa bem-disposta para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

É vosso dever gostar desta ‘señorita’
Mitó Mendes é a voz da banda feminina que deu que falar em 2016. Junto com Sandra Baptista (no acordeão e baixo elétrico) forma a dupla “Señoritas” com o álbum de estreia “Acho Que É Meu Dever não Gostar”. E é vosso dever conhecê-las e ouvi-las. Um projeto nascido depois do adeus d´A Naifa (a banda criada por João Aguardela e Luís Varatojo) com temas que vão fundo nas feridas, frustrações e raivas de tantos de nós. Além de cantora e musica, Mitó é também terapeuta de medicina chinesa e estudiosa de técnicas ancestrais de cura. “Já vivi várias vidas nesta vida e espero viver muitas mais”. Uma conversa cheia de histórias e revelações e um balanço musical do ano que passou. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

A entrevista de vida de Tolentino Mendonça, no podcast A Beleza das Pequenas Coisas
Foi em Angola onde ouviu as primeiras histórias. A avó analfabeta foi a sua ‘primeira biblioteca’, ao contar-lhe mundos de realismo mágico. Aos onze anos entrou no seminário do Funchal por um chamamento que não sabe explicar de onde veio. Padre, poeta e professor universitário acaba de ser distinguido com o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes pelo seu livro “A Noite Abre Meus Olhos”. Para o ano promete mais duas obras e continuar a ser um homem das margens, do acolhimento das diferenças, sempre atento à cultura e aos ares deste tempo. Uma conversa rica de histórias, reflexão e poesia para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, originalmente publicado em 2016See omnystudio.com/listener for privacy information.