
A Beleza das Pequenas Coisas
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Carla Madeira (parte 2): “Escrevo para lidar com a ideia do irreversível. Assusta-me quando não podemos mais alguma coisa. A felicidade é quando ainda é possível”
Carla Madeira (parte 1): “Somos complexos, confusos, misturados. Não somos só bem ou mal. Como escritora interessa-me explorar essa condição humana”
Luca Argel (parte 2): “Sou otimista por escolha, não por natureza. É fundamental não abrirmos mão dos sonhos, do encanto, da poesia. A arte pode ser útil nesse exercício”
Luca Argel (parte 1): “A vida não acontece, não se dá, se não houver espaço para a surpresa, para o inesperado. É preciso haver uma casa vazia no tabuleiro”
Joana Gama (parte 2): “Quero que seja tudo mais lento. Se pudesse dilatava o tempo. A minha ideia é deixar ouvir a ressonância das notas”
Joana Gama (parte 1): “Quanto menos falamos, mais pensamos e ponderamos. O silêncio tem para mim uma importância extrema: preciso dele para me ouvir”
Lucélia Santos (parte 2): “Acima do ser humano, luto pela floresta. É o que pode dar vias de sobrevivência a tudo o que vive”
Lucélia Santos (parte 1): “É difícil essa coisa do mito. Estou radicalmente fora da sociedade de consumo, de glamour, de falsidades, da exposição egóica”
Júlia Pinheiro (parte 2): “Nós já não estamos a pensar. Delegamos tudo à máquina. E não refletimos a mutação desse modo de vida. Isto deixa-me um elefante no peito”
Júlia Pinheiro (parte 1): “Não estou habituada a que me escutem. As pessoas sabem muita coisa sobre mim, mas se calhar não sabem nada…”
Filipa Leal (parte 2): “Quero ser melhor amiga, melhor amante e melhor pessoa. Também tento viver melhor e escrever melhor”
Filipa Leal (parte 1): “À medida que a vida me começou a doer, curiosamente, o humor entrou na minha poesia”
Susana Moreira Marques (parte 2): “A literatura é uma boa maneira de não formarmos opiniões rápidas. A boa literatura não nos fecha num ponto de vista”
Susana Moreira Marques (parte 1): “Escrevo para que as histórias sobrevivam à inevitabilidade do desaparecimento. As pessoas desaparecem, mas algo perdura”
Dalila Carmo (parte 2): “Acredito no poder da emoção e da fragilidade. É preciso ser-se muito forte para expôr vulnerabilidades”
Dalila Carmo (parte 1): “A minha intensidade está mais moderada. Já não me levo tão a sério. Estou sem pressa para nada e mais contemplativa”
Filipe Homem Fonseca (parte 2): “É de uma petulância enorme acharmos que vamos ser a última das gerações. Vêm aí tempos piores, mas creio nas futuras gerações”
Filipe Homem Fonseca (parte 1): “Acredito cada vez mais no vagar, na finitude e numa boa gargalhada”
Viriato Soromenho-Marques (parte 2): “A paz é uma das mais difíceis invenções da Humanidade. E é a grande invenção e projeto que temos de realizar”
Viriato Soromenho-Marques (parte 1): “Está a faltar-nos o espanto pela beleza do mundo. Uma vida boa deve extravasar a tecnologia e os ecrãs”
#5 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Madalena Sá Fernandes: “Procuro a resistência da alegria. Vivi uma fase escura. Agora trabalho para manter a alegria, o espanto e a curiosidade”
#4 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Vera Iaconelli: “A ideia de finitude é conselheira. Leva-me a viver o momento, sem nostalgia pelo passado ou ansiedade pelo futuro”
#3 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Filipe Vargas: “O egoísmo, a obsessão com o dinheiro, a falta de empatia desumaniza-nos. O povo desunido vai sempre ser vencido”
#2 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Pedro Ribeiro: “Sou competitivo. Mas para ganhar tenho de saber perder. Antes de sermos líderes, vivi a frustração de perder”
#1 Série especial ‘Os mais ouvidos’, com Margarida Vila-Nova: “Já não tenho tempo para me aborrecer com pessoas feias, que vão tornar o dia pesado e chato. O tempo urge!”
Lisa Vicente (parte 2): “Faz-me impressão o ‘achismo’ sobre o que não se domina. Isso pode ser feito no café, mas não veiculado para milhões de pessoas”
Lisa Vicente (parte 1): “É possível haver prazer sensual e sexual sem penetração. E pode até não passar pelos genitais. E é normal não haver sempre orgasmo”
Inês Marinho (parte 2): “Antes dizia que se há um fascista na mesa e te sentas, passam a ser dois fascistas. Mudei. É importante o diálogo”
Inês Marinho (parte 1): “Quando fui alvo de violência sexual, com partilha de ‘nudes’, tinha superado um cancro. Estava mais forte e segura”
Especial ao vivo na Feira do Livro com Luísa Costa Gomes e Rui Cardoso Martins (parte 2): “Escrever é para mim o antiabismo”
Especial ao vivo na Feira do Livro com Luísa Costa Gomes e Rui Cardoso Martins (parte 1): “A imperfeição é a grande arma da Humanidade”
Especial Dia Mundial da Criança (parte 2): Alice e Simão, de 15 anos, partilham ideias para o futuro e por onde andam os seus desejos e incertezas
Especial Dia Mundial da Criança (parte 1): Alice e Simão, de 15 anos, conversam sobre o que os entusiasma e inquieta na escola, no país e no mundo
Joana Gorjão Henriques (parte 2): “A revolução de género ainda não chegou aos lares. Apesar dos avanços, as mães continuam a grande força motora das famílias”
Joana Gorjão Henriques (parte 1): “O racismo não é uma questão de direita ou de esquerda. A democracia herdou esse racismo, ainda não o resolveu”
Maria do Carmo Fonseca (parte 2): “É preciso uma mudança radical no ensino. Que não seja só despejar conhecimento em cima dos jovens, mas que os estimule a terem pensamento crítico”
Maria do Carmo Fonseca (parte 1): “É possível atrasar o envelhecimento. O desafio da Ciência é levar-nos aos 100 anos com boa cabeça e qualidade de vida”
Ana Deus (parte 2): “A vaidade isola-nos e é ridícula. Já me escondi atrás da vaidade, na pose da artista. Não sou vaidosa, não quero falar do meu umbigo”
Ana Deus (parte 1): “Já não quero saber da opinião dos outros. É normal, quando se cresce. E não amarguei. Correu quase tudo bem. A minha vida podia ter descambado muito”
Eduardo Madeira (parte 2): “Já trabalhei com pessoas absolutamente execráveis, mas como artistas são brilhantes. Prefiro trabalhar com pessoas boas”
Eduardo Madeira (parte 1): “No humor gosto mais de apontar a mira aos poderosos, aos sobranceiros, aos arrogantes, aos chicos-espertos, aos donos disto tudo”
Grada Kilomba (parte 2): “Interessa-me o chão comum. Na arte quero criar um senso de humanidade, revelando e desmantelando a violência”
Grada Kilomba (parte 1): “É fundamental ser radical. Pode ser extremamente libertador e belo. A criação é um ato de absoluta radicalidade”
António Garcia Pereira (parte 2): “Atuei sempre de acordo com a minha consciência. Quando faço a barba e olho-me ao espelho, não tenho vergonha do que vejo”
António Garcia Pereira (parte 1): “Sou um otimista estratégico. Mas vêm aí tempos de luta muito dura pela defesa do pouco que resta da liberdade e democracia no país”
Carla Maciel (parte 2): “O tempo escapa-me das mãos e ainda sonho muito. Quero fazer um filme de terror e uma tragédia grega. Sou chata e insisto. Vou conseguir, nem que seja aos 70”
Carla Maciel (parte 1): “Acredito que tudo é definido pelo amor que colocamos nas coisas. O amor cura tudo. É o que nos define na vida”
Pedro Marques Lopes (parte 2): “Não descarto a possibilidade de vir a ter um cargo político. Não sei se alguém vai ter a inconsciência total de me propor tal coisa”
Pedro Marques Lopes (parte 1): “Estou motivado a não deixar crescer o terrível cancro que são os discursos discriminatórios na comunidade. Sinto essa responsabilidade”

Teolinda Gersão (parte 2): “Ainda não aprendemos que não pode ser a força bruta, do dinheiro ou das armas a reger o mundo. Eticamente não avançámos nada”
Ouça aqui a segunda parte da conversa com a escritora Teolinda Gersão, que revela o seu processo de escrita, a começar por uma fase indomável, danada, onde vai tudo parar ao papel, e ao ecrã do computador, vindo do inconsciente, sem nenhum filtro. A autora assume que está agora nesse lugar, na escrita do novo romance, o momento da sua literatura mais libertador e prazeroso. O que se segue é muito trabalho e dor até sentir ter escrito o que queria, o melhor que podia. Teolinda reflete ainda sobre os “loucos” que governam o mundo, o que o passado ensina, e o que espera do futuro. Teolinda Gersão recorda ainda a carta manuscrita e desenhada que um dia recebeu da pintora Paula Rêgo, depois de ter ficado maravilhada com a sua escrita e com um conto em particular sobre uma velha. E depois partilha algumas das músicas que a acompanham, lê um excerto de um dos seus contos, e outro de um livro de poesia do escritor e jornalista José Carlos de Vasconcelos e partilha uma sugestão cultural. Boas escutas! Músicas "Sonata Appassionata", por Alfred Brende, de Beethoven "Goldberg Variations", por Glenn Gould, de Bach "Partita nº2" por Martha Argerich, de Bach “Le métèque”, de George Moustaki Série A série da Netflix “O Museu da Inocência” , baseada no romance de 2008, muito biográfico, de Orhan Pamuk, com o mesmo nome. Livros "Autobiografia não escrita de Martha Freud", de Teolinda Gersão "Atrás da Porta e Outras Histórias", de Teolinda Gersão "Os Setes Sentidos e Outros Lugares", de José Carlos de VasconcelosSee omnystudio.com/listener for privacy information.