
Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer
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Livros da semana: O mar, a fé, o filósofo conservador e contos para dormir descansado
Depois das férias, tempo para olhar a história a partir do mar com “O Mar e a Civilização - Uma História Marítima do Mundo”, tempo também para olhar para a fé com “Um Cristianismo Sinodal em Construção - a Fé Cristã na Atual Sociedade”, e escutar Roger Scruton, filósofo conservador e, para dormir em paz, “Uma Noite Descansada - Dez Contos Tradicionais Politicamente Correctos”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Geoff Dyer, Voltaire, Aretino e uma novela gráfica
Na estante da semana, a última antes de férias, há poesia badalhoca com um clássico de Pierro Aretino, há o Mar Negro numa novela gráfica sobre o fim do verão, há uma deambulação sobre o modo como tudo acaba na acumulação de pequenas histórias do inglês Geoff Dyer e há uma reflexão poética de Voltaire sobre o terramoto de Lisboa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O perde-ganha, o Professor Marcelo e a maldição de Picoas
Os espanhóis vetaram o Vox no governo e deram à direita uma vitória inútil. A incógnita do momento é saber se Sánchez consegue manter-se na Moncloa - e a que preço - ou se ainda este ano terá de haver novas eleições. Apesar de Espanha ainda não ter conseguido assimilar o que aconteceu, será possível extrair ilações da situação espanhola na política portuguesa? E que ilações retirar de mais um desentendimento institucional entre Belém e S. Bento. Uma coisa é certa, a popularidade de Marcelo deve ter aumentado em flecha esta semana entre a classe docente. Em contrapartida, vai ser necessário um estudo aturado para entender aquilo a que já se pode chamar “a maldição de Picoas”. Até há já quem sugira - como vão poder ouvir aqui - que se há ocasião em que é lícito usar o verbo “mamar”, esta é uma delas. E para mamar é preciso uma teta: seja a AlTetice ou a PTeta. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Diagnósticos ao cair do pano
Houve desagrado ou não houve desagrado. O Ministro da Cultura diz que não. A frase do colega de governo demonstra que sim. Um ministro a manifestar desagrado por um conteúdo editorial não é coisa bonita de se ver. Isto numa altura em que se instalou o deixa-dar. As pessoas não gostam do governo? As pessoas querem trocar o governo por outro? Tal como as coisas estão, também não. Está feito o resumo do estado da nação. Falta saber se o diagnóstico deve ser considerado derrotista ou apenas melancólico. E depois há Rio,as buscas ao nascer do sol e os tampões nos ouvidos para dormir. Foi uma semana com muitas decisões sobre decisões.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da Semana: Repouso, Direita, alimentação e progressiva
Nos Livros da Semana do Programa Cujo Nome…, Carlos Vaz Marques traz “Uma História de Repouso”, João Miguel Tavares fala na obra “História Global da Alimentação Portuguesa”, Pedro Mexia divulga “Cultura de Direita” e Ricardo Araújo Pereira refere a obra de Susan Neiman, ainda sem tradução portuguesa, “Left is not Woke”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ministros loquazes e lições de ironia
Filmes de série b e buscas domiciliárias combinam bem. E, para ajudar ao espectáculo, uma polémica sobre um cartoon. Onde a coisa já começa a tomar outras proporções é quando um ministro liga para a administração da televisão pública a dizer que não gosta da programação. Será que esse membro do Governo tem condições para continuar a exercer funções como se nada fosse? Já é normal um ministro interferir em critérios de programação? Enquanto isso, o país discutia acaloradamente se um outro ministro devia ou não ter criticado, nos termos em que criticou, os deputados da comissão de inquérito à TAP. E um político na reforma foi arrancado à sua tranquilidade por buscas domiciliárias. O espectáculo de ironia que entretanto proporcionou foi a demonstração prática de que quem ler aquilo que vem a público demasiado ao pé da letra pode não entender nada da realidade em que vivemosSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Moscatel, fortimel e outras coisas sérias
A comissão de inquérito à TAP, conclui-se do relatório preliminar, não encontrou razões para a realização de uma comissão de inquérito. Como também não terá havido razões para a demissão do ministro da tutela que se demitiu. António Costa, que prometeu tirar ilações no fim dos trabalhos, talvez devesse pedir a Pedro Nuno Santos que reconsidere e regresse ao cargo. Em França, a polícia cometeu um crime, a raiva juvenil partiu montras e incendiou carros e durante uma semana houve um cheirinho a guerra civil. Nos Açores, um chefe de gabinete do governo regional não gostou de um livro e ameaçou um escritor. E o bispo que preside à Jornada Mundial da Juventude achou por bem confessar em público os seus delitos automobilísticos à espera de perdão com a vinda do Papa a Portugal. Que ninguém diga deste moscatel (e deste fortimel) não beberei.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Patricia Highsmith, Montefiore, Proust e um treinador de futebol
Na estante da semana há uma ciência nova, só para fanáticos da bola, com nome de treinador de futebol: a Schmitologia. Há Proust em registo breve. Há pequenas biografias de grandes figuras por um historiador que oferece melhores serviços do que a Wikipedia. E há a mente tortuosa de uma autora que deixou nos diários pessoais a confissão de que pode ser ténue, por vezes, a fronteira entre o crime e a literatura.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Javardeira e brincadeiras parvas
Escoltados pela autoridade do Estado e envergando a farda GNR, sete militares agrediram e humilharam imigrantes estrangeiros em Vila Nova de Milfontes. O tribunal de Beja condenou-os, a relação de Évora reduziu-lhes as penas e considera aceitável que continuem na Guarda. Brincadeiras parvas, disseram eles. E não se estavam a referir à nova sentença. Talvez também tenha sido só uma brincadeira parva, a agressão de um deputado do Chega a um jovem árbitro num jogo dos infantis. Parece que se exaltou por ter um filho em campo. Javardeira no hemiciclo ainda é como o outro, agora ofender assim a dignidade do desporto é que não se aceita. Também se fala, esta semana, de Centeno, Santos Silva e até há espaço para reles uma imitação de Rogeiros e Milhazes. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Rulfo, Sousa Lobo, Mandelstam e Sontag
Duas reedições de textos já consagrados preenchem metade da estante desta semana. A cidade fantasma de “Pedro Páramo” e o modo como encaramos a doenças, analisado pela inteligência fulgurante de Susan Sontag, são leituras ou releitura sempre oportunas. A descoberta dos ensaios gráfico de um expatriado, dividido entre Portugal e a Inglaterra vai surpreender muita gente. E a desesperançada autobiografia de Nadejda Mandelstam, viúva do grande poeta russo Osip Mandelstam, é a prova de que mesmo a mais feroz ditadura nada pode contra a conjugação da memória com a coragem.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Costa foi à bola e outros temas candentes
O primeiro-ministro foi à bola com Órban, mas não disse nada a ninguém. O Presidente voltou a tomar o papel de porta-voz de Costa e forneceu duas explicações diferentes. Foi este o casinho da semana. Uma semana em que foi desmantelada uma academia de futebol, sob a suspeita de tráfico de seres humanos. E uma semana em que o governo teve falta de comparência na homenagem às vítimas dos incêndios de Pedrógão. Mas por mais palpitante que possa ser a actualidade nacional, os olhos do mundo estão a leste. A insurreição dos mercenários do grupo Wagner é um assunto em desenvolvimento. Russos contra russos - um filme que altera por completo o guião da guerra tal como o conhecemos até agora.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Rui Cardoso Martins, Patrícia Mamona, Voltaire e uma comédia racial
Um livro de fotografia sobre a campeã Patrícia Mamona dá a ver a arte fotográfica de José Pedro Cortes; Voltaire escreveu um “Tratado sobre a tolerância” talvez mais citado do que lido; o escritor negro George Schuyler criou uma distopia que põe em causa as noções de identidade racial em “Negro nunca mais”; e Rui Cardoso Martins reuniu os contos que escreveu nos últimos vinte anos em “Passagem pelo vazio e outros contos” e publicou-os numa pequena editora alentejana, a Filigrana.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ramos mortos, caricaturas e funerais políticos
A semana começou vitivinícola, mas para os “ramos mortos” a que aludiu o Presidente da República foi necessária exegese. A política está a ficar recheada de figuras de estilo e talvez fosse útil que, por uns tempos, se tornasse meramente literal. Para que se perceba se andamos todos a falar das mesmas coisas. Agora que terminaram os trabalhos da comissão de inquérito à gestão pública da TAP é altura do lavar dos cestos e de começar a pensar na próxima vindima (o 10 de Junho na Régua continua presente a nível metafórico); uma coisa já nos foi garantida: o lavar dos cestos não implica remodelação governamental: João Galamba está de pedra e cal no governo. Tal como Pedro Nuno Santos está de pedra e cal na política. Quem lhe fez um funeral político ainda recentemente estava bem enganado. Talvez seja esta a principal conclusão a retirar das três últimas audições na comissão de inquérito. No meio de tudo isto, uma caricatura grosseira do primeiro-ministro deu azo a uma polémica em que o racismo foi chamado à baila. Também se fala disso, nesta conversa em que ainda passamos pela morte do pioneiro Berlusconi, pelo pedido de intervenção da Interpol na tentativa de sancionar uma piada e pela guerra, em que sobra sofrimento e começa a faltar jornalismo. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da Semana: Nada, Nada, Nada, Ensaio Histórico, Salazar Confidencial e A Vida Airada de Dom Perdigote
Carlos Vaz Marques aconselha um livro do pintor e escritor francês Francis Picabia que passou por tudo, pelo dadaísmo, pelo cubismo, até pelo surrealismo e sempre com um espírito provocatório e capaz de dinamitar mesmo aquilo em que se metia. Este livro – “Nada, nada, nada” – reúne textos em prosa do período dadaísta de Picabia e é uma boa introdução ao espírito de um autor ainda hoje desconcertante. Pedro Mexia aconselha “Ensaio Histórico sobre a Revolução de 25 de Abril” de José Medeiros Ferreira, José Miguel Tavares trás o livro de Marco Alves, “Salazar Confidencial” e Ricardo Araújo Pereira aconselha A “Vida Airada de Dom Perdigote” de Paulo Moreiras.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da Semana: Nada Mais do Que a Verdade, o Árabe do Futuro, Uma Família em Bruxelas e uma antologia de Osip Mandelstam
Carlos Vaz Marques traz um livro que é uma coletânea de artigos encontrados no computador de Anna Politkovskaia, a escritora e jornalista russa assassinada à porta de casa, em Moscovo. "Um livro que é uma espécie de libelo póstumo contra Vladimir Putin", diz o moderador do Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer. João Miguel Tavares traz o Árabe do Futuro, uma novela gráfica de Riad Sattouf, Pedro Mexia aconselha Uma Família em Bruxelas e Ricardo Araújo Pereira andou a ler Osip Mandelstam. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O xerife, os aforradores e o machismo cronológico
Aforradores (ou aforristas), este programa não é para vós. Procurai ajuda especializada. Ainda assim, a decisão do Governo de alterar as regras dos certificados de aforro proporcionou, esta semana, um raro momento de desenjoo, no topo da actualidade, dos casos decorrentes do inquérito à TAP. Mas foi sol de pouca dura. O regresso de Pedro Nuno Santos, depois de meses fora dos holofotes, demonstrou que o ex-ministro mantém, apesar das vicissitudes políticas por que passou, uma atitude de xerife. E o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro deu provas de que sabe responder a perguntas de sim e não, depois de semanas repletas de respostas evasivas. Mas sins e não também eles calculadamente evasivos. Para a história desta entrada em Junho fica ainda um capítulo novo na história do #MeToo: chamemos-lhe machismo cronológico. Que o ano de 1940 peça desculpas pelo que fez ao Professor Boaventura, sociólogo da sua circunstância.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Drones, politiquice e ventos de Espanha
Parecendo que não há uma guerra na Europa. E a ameaça de uma escalada militar, agora que vemos drones a atacar Kyiv mas também Moscovo. Por quanto tempo estará a maior central nuclear do mundo em segurança? Enquanto isso, as minudências sobressaltadas da nossa politicazinha dominam as parangonas: a troca de líder no Bloco de Esquerda, as operações Vórtex e Tuti Frutti, os radicais de direita que prometem tomar as ruas e juntam apenas o equivalente a assembleias de condóminos. Sobra da semana que termina ainda uma pergunta: que semelhanças e diferenças haverá entre os cenários políticos espanhol e português?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da Semana: Linda Nochlin, Ruy Castro, Colecção PERERÊ e Flaubert
“Por que não houve grandes mulheres artistas?” Linda Nochlin defende que a nossa percepção de como as coisas são no mundo está condicionada e deturpada pela forma como enunciamos as questões, cabendo a cada um de nós perguntar quem as está a fazer e com que objetivo. Ruy Castro apresenta um guia de escrita de biografia, técnicas e desafios da própria arte de biografar. A Colecção PERERÊ ensina, através dos maiores clássicos da literatura infanto‑juvenil brasileira, como a língua pode ser uma cor, a língua pode ser uma festa. Ler Gustave Flaubert é ler Madame Bovary, mas não só. Também escreveu sobre eremitas que se confrontavam com tentações e desejos reprimidos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da Semana: Céline, Mónica, Turgeniev e Miguens
Na estante semanal, sem sombra de governo, há a história rocambolesca dos papéis perdidos de Céline, misteriosamente reencontrados, do qual se extraiu agora o romance “Guerra”; romance ou autobiografia disfarçada? Há dois livros de Maria Filomena Mónica, a luta geracional analisada pelo russo Turgenev e filosofia explicada a leitores sofisticados.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cacharolete de coisas e coisinhas
É caso para dizer que o diabo está nos detalhes. Embora o primeiro-ministro, depois de se ter mostrado agastado com os “casos e casinhos”, queira evitar que se entre na discussão em torno de “horas e horinhas”. Por estas e por outras, Cavaco Silva veio sugerir um acto de eutanásia política a António Costa. A reacção nas hostes socialistas não se fez esperar. Talvez esquecendo o que Mário Soares disse, em tempos, do governo da altura. Para lá disto, há vários cacharoletes na ordem do dia: o tutti-fruti reunindo suspeitas sobre os dois maiores partidos do sistema; aquele que junta vários protagonistas de notícias em que os novos proibicionistas estão nas suas sete quintas; e o de António Costa, ainda ele, vendo populistas em tudo o que mexe.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Galambada, Pinheiro e Maria Eugénia
São tantos os pormenores, que acompanhar esta novela não é para meninos. Há o essencial e o acessório. No acessório, zaragata, ameaças e telefonemas de um ministro para boa parte do Governo. No essencial, dúvidas sobre o que estará no computador da discórdia, sobre o modo como foram accionados os serviços de informações e sobre como tudo acabou por se descontrolar. Para ajudar a sistematizar o drama atribuem-se três pelouros: o da galambada, o do Pinheiro e o da Maria Eugénia. Mas também se fala, a propósito de outro despropósito, do Gorila e do Indiana Jones; e de tabaco, filatelia passadista e pichagens.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Kiarostami, António Araújo, Raul Brandão e Luísa Neto Jorge
Na estante há, esta semana, poesia e poesia, um clássico de literatura de viagens portuguesa e um livro para crianças que fará com que os pais também aprendam. Neste último caso, o tema é a história do azulejo. A visita guiada leva-nos aos Açores, a bordo da riqueza literária de Raul Brandão. E os poetas de serviço são Luísa Neto Jorge e o cineasta iraniano Abbas Kiarostami.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Chamem a Judite
António José Seguro ressuscitou em São Domingos de Rana. Luís Montenegro não aceita que lhe perguntem pelo casarão de Espinho. E em Inglaterra ser republicano pode dar direito a detenção; a monarquia, quando se celebra a si própria com pompa, não gosta de gente que a ponha em causa. Mas a principal animação da semana em que a economia do país deu sinais de estar mais robusta do que a da maioria dos portugueses, ainda teve a ver com a sarrafusca no gabinete ministerial. O primeiro-ministro diz que houve roubo, mas como o SIS foi chamado parece que não foi cometido, afinal, nenhum crime. Não bate a bota com a perdigota. Alguém que investigue, s.f.f. Chamem a Judite!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da Semana: Kafka, Espada, Mann (mas o Heinrich, não o Thomas) e Rabelais
Um autor que deu origem a um adjectivo internacional tem que se lhe diga; agora estão disponíveis em português os contos completos de Franz Kafka. João Carlos Espada faz o elenco dos seus heróis liberais num ensaio que se recomenda. Viu o filme? Leia agora o livro. O romance que deu origem a uma obra cinematográfica magistral que imortalizou Marlene Dietrich, o filme O Anjo Azul, acaba de chegar. Mas o grande acontecimento é a edição do primeiro volume do magistral Gargântua e Pantagruel, de Rabelais. Brindemos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da Semana: Salman Rushdie, viagens, Putin e diários de Rentes de Carvalho
“Linguagens da Verdade”, textos escritos por Salman Rushdie entre 2003 e 2020, um livro de viagens de André Gide, prémio Nobel em 1947, um livro sobre Vladimir Putin escrito por Martin Galeotti e um livro de diários de Rentes de Carvalho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gelados sob um céu bonito, imaturidade e indignações
Nada como um pouco de distracção. Olhem o céu, está tão bonito. Agora o que ia bem era um geladinho; três sabores: limão, framboesa e chocolate. Assim se refresca um pouco o ambiente político tórrido na semana rocambolesca que colocou Costa e Marcelo em rota de colisão. Costa, o habilidoso, que derrotou as previsões de todo o comentariado. Marcelo, o hiperactivo, que promete estar a partir de agora “ainda mais atento”. Para quando declarações políticas às três da madrugada? Os reis da táctica estão bem um para o outro. Enquanto isso, um youtuber foi insultar o primeiro-ministro na tribuna do hemiciclo de S. Bento a convite da Iniciativa Liberal; o partido que há uma semana se indignou por o terem acusado de imaturidade. E o presidente da câmara de Lisboa, tão honrado e satisfeito, há menos de um ano, com um iniciativa para homenagear Vasco Gonçalves, está agora muito indignado com a ideia. Talvez tenha ido à Wikipédia.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os Livros da Semana: Paul Schrader, teatro de revista, fosforozitos de Robert Walser e o agente Jorge Jardim
Um grande livro sobre ninharias de um autor de culto, a biografia de um figura bigger than life do tempo da outra senhora, reflexões sobre cinema e os arquivos do teatro de revista.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Arruaça e fúria gelada - em exibição no Canal Parlamento
A fúria serve-se fria. Fria, não, gelada, garantiu Santos Silva no petit comité das mais altas figuras do Estado. É certo que faltou “urbanidade, cortesia e educação” na sessão solene de recepção ao Presidente brasileiro, mas sobraram motivos de controvérsia. Entre eles, a conversa supostamente privada que teve transmissão no Canal Parlamento. A arruaça protagonizada por doze deputados com as caras atrás de cartazes e as reacções subsequentes do Presidente da Assembleia da República concentraram as atenções, em mais um aniversário do 25 de Abril. O caso está para durar. Talvez não tanto, contudo, como a saga do novo aeroporto. Depois de mais de setecentas propostas ficaram 17 e, esta semana, das 17 ainda sobraram nove. Também está para durar, mas ao fim de 50 anos já qualquer espera adicional será curta. Fala-se ainda, esta semana, da eleição do presidente do Tribunal Constitucional, depois de um impasse duradouro, e da confirmação de que, na América, a política não é para novos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os Livros da Semana
Antecipando a comemoração de mais um aniversário do 25 de Abril recupera-se o humor corrosivo dos cartoons de João Abel Manta e do gin tónico de Mário-Henrique Leiria, que nascem há cem anos. Os viciados na política têm agora em português de Oxford com O Essencial da Política Portuguesa. E a literatura sem ficção tem um novo título de Susana Moreira Marques interrogando a condição feminina na esteira de Maria Lamas. See omnystudio.com/listener for privacy information.

IVA zero, rabos ao léu e o parecer que nunca existiu
O governo recusou-se a entregar ao Parlamento o parecer com a fundamentação para despedir os mais altos responsáveis pela TAP, mas entretanto lembrou-se de que o parecer que não queria entregar afinal não existe. A despesa estrutural do Estado não podia aumentar, mas afinal vai haver um aumento extraordinário de pensões, que há-de permanecer para o futuro. E a eliminação do IVA em certos produtos alimentares, que era uma péssima ideia, segundo o ministro das Finanças, entrou esta semana em vigor. Tudo isto na semana em que o PS completou meio século de existência, António Costa retirou a José Sócrates a medalha de pioneiro das maiorias absolutas à esquerda e um grupo de activistas, num protesto climático, baixou as calças durante a festa de anos socialista. O clima não está fácil.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os Livros da Semana: natureza sagrada, ilustração portuguesa e um enquadramento de Boaventura
Na estante do Governo Som…, perdão, do Programa Cujo Nome, etc. e tal, temos esta semana Karen Armstrong entre a natureza e o sagrado, um Florilégio poético, ilustração portuguesa e um oportuno enquadramento teórico de Boaventura Sousa Santos e Bruno Sena Martins.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Casos, casinhos e paredes que falam
Será desta que temos um #MeToo à portuguesa? As paredes de Coimbra começaram a falar em 2018 mas até agora ninguém lhes tinha dado ouvidos. Quem terá feito tais denúncias? Já que o neo-liberalismo foi entretanto chamado ao caso, será de considerar suspeita a “mão invisível” de Adam Smith? A vida política tem sido fértil em casos e descasos. Esta semana, foi a mulher de um ministro a ser trazida à boca de cena. E ainda não se sabe bem quem convocou, afinal, a reunião preparatória da audição da CEO da TAP na comissão parlamentar de economia. Estamos em clima de política de algibeira. O Presidente e o líder do PSD trocam apropriadamente indirectas sobre quem estará, afinal, no bolso de quem. É caso para perguntar se a política portuguesa corre o risco de vir a cair nas mãos de um vulgar carteirista? See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os Livros da Semana: Poesia beat, a pesca da sardinha, ficção científica filosófica e amor, aliás, Amor
Esta semana no Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer, Carlos Vaz Marques traz Beat, uma pequena antologia poética, João Miguel Tavares traz Sardinha, o Sem Fim da Pesca do Cerco, de Hélder Luís, sobre "a pesca das pescas do mar português". Pedro Mexia traz a Voz do Dono, de Stanislaw Lem, um "livro de ficção científica de pendor filosófico" e Ricardo Araújo Pereira aconselha Amor, um ensaio de Jorge de Sena, que fica "entre a literatura, o amor, o obsceno e o sexo"See omnystudio.com/listener for privacy information.

O pesadelo da tutela
Reuniões secretas, preparação de testemunhas, troca de acusações, emails e ésseémeésses. A inquirição à crise na TAP fez do caso um folhetim que está a expor zonas de sombra perigosas nas relações da tutela política com a administração da empresa pública. Até o Presidente da República, à sua própria revelia, já foi convocado para o turbilhão do “pior pesadelo”. E tudo indica que isto ainda poderá ser só o início. A reunião desta semana tem o alto patrocínio da “comissão parlamentar de inquérito à tutela política da gestão da TAP”See omnystudio.com/listener for privacy information.

A globalização do disparate e etc.
Um crime de delito comum faz salivar qualquer populista que se preze. Se envolver um refugiado, pior ainda; “melhor ainda”, dirá o populista sem escrúpulos. O caso da semana não foi excepção. Entretanto, foi aprovado o cabaz. O IVA zero - ainda há quinze dias rejeitado pelo governo - passa a vigorar em 44 produtos. Mas é capaz de faltar um: coerência. Ao largo da Madeira, continua a saga do Mondego. Parece uma erro de geografia mas é só mais um capítulo de uma crónica cómico-marítima, que alguém há-de escrever um dia. Enquanto isso, a França está a ferro e fogo e Trump, acusado judicialmente, conta também com os ânimos incendiário dos seus apoiantes para transformarem essa acusação num troféu. Quanto a Agatha Christie, que nos livros que escreveu matou gente com fartura, viu chegada a altura (é uma forma de dizer, uma vez que já cá não está para isso) de ser ela a vítima. Não de um qualquer crime de delito comum, mas do lápis azul dos chamados leitores de sensibilidade. Será que a moda chega um dia destes até nós? Para já, não há notícia disso, mas não é de desprezar o inegável potencial da globalização do disparate.See omnystudio.com/listener for privacy information.

É o burlesco que nos salva
Citando João César Monteiro, o que nos cabe em sorte, em termos náuticos, é “o cacilheiro de Potemkin”; com mais revolta ou menos revolta, ainda estamos à espera do desenlace no caso do Mondego que mete água e do almirante a navegar com os olhos postos na estrelinha de Belém. Mas esse é um folhetim que já vem da semana passada. Esta semana, tivemos o Presidente da República a desfazer o melão, que antes admitiu ser preciso provar, e o primeiro-ministro a citar um sketch famoso para gozar com quem não trabalha e, segundo ele, só fala, fala, fala. Também tivemos a revelação de que os juízes do Tribunal Constitucional, coisa que nem aos iogurtes toleramos, estão fora de prazo. Ainda na Justiça, há uma dúvida sobre se Sócrates está a beneficiar de uma ajudinha deliberada ou de simples incompetência; como se costuma dizer: enquanto o incidente de recusa vai e vem, folga o acusado - que talvez nunca chegue a ir a julgamento. E está aí uma nova aventura de Enyd Blyton: os cinco e o leitor de sensibilidade. Para já não falar da cigana que rogou uma praga a Ventura. Há burlesco com fartura para todos os gostos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rezas, queixas e triplo salto de chapéu
Parece que o Mondego mete água. Os marujos insubordinaram-se e ficaram em terra. À hora do jogo do Benfica. Com russos ao largo. Está, pois, montado o folhetim em que o protagonista é agora um proto-candidato presidencial. Dois campeões de atletismo desentenderam-se em público. Aguarda-se o torneio que dirima o conflito, com um deles a saltar de leggings e chapéu. As perninhas dos banqueiros tremeram, esta semana. Como o sistema bancário é uma ciência oculta, quem souber rezar que reze. Rezar pelo controlo do preço das cebolas e das cenouras é que não vale a pena. Até porque o Governo anunciou a criação de um Observatório dos Preços - que já criou em 2015.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A semana horribilis da Igreja
O ministro das finanças promete seriedade, daqui em diante, na TAP; estaria a sugerir que até aqui a taxa de alcoolémia explica o que se passou até agora na Transportadora Aérea (ainda) Portuguesa? A semana foi horribilis para a cúpula da Igreja Católica. Ainda haverá remissão possível, depois da incapacidade da conferência episcopal para tirar conclusões do relatório devastador onde se revelaram os abusos do clero? Nos Açores, há borrasca política e o Presidente da República acha a maioria de Governo “requentada” e “cansada”. Animação não falta.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tudo sobre trafulhice (alegada trafulhice), hélas!
“Hélas! O que já está, já está.” Foi com esta exclamação que Manuel Pinho confessou ter cometido o crime de fraude fiscal. Toda a gente o fazia, desculpa-se o antigo ministro de Sócrates. Ao ex-primeiro ministro é que ninguém arranca confissões. Tudo o que se investigue sobre ele é, para ele, uma devassa da vida privada. Mesmo a curiosa bandeirada das contratações suspeitas. A mais recente, já posterior à Operação Marquês. Serviços que não se conhecem pagos ao mesmo preço de outra contratação duvidosa anterior: 12500 euros mensais. E como o trunfo esta semana é trafulhice (sejamos rigorosos: alegada trafulhice) há também o espantoso caso do clube que era (alegadamente) roubado pelos próprios dirigentes. Para onde ia o dinheiro é coisa que se há-de apurar. Mas ver um actual dirigente do Benfica continuar em funções mesmo depois de suspeitas sobre um passado recente muito pouco glorioso, talvez torne pertinente a pergunta: o que saberá do que se passava sobre o que já está, já está? Hélas?See omnystudio.com/listener for privacy information.

O prato de resistência e o problema da habitação
Ruy Belo publicou O Problema da Habitação em 1962, mas sessenta anos depois ele continua por solucionar. A controvérsia ja chegou à Venezuela e à antiga RDA, com melões metafóricos à mistura. Teremos aqui a questão que há-de desempatar as intenções de voto em futuras sondagens? Uma coisa parece certa: ainda não é desta, apesar dos “casos e casinhos”, que os portugueses dão guia de marcha ao governo. Também se fala do anticristo, também se analisa a proibição de palavras como “feia” e “gordo”. Também se passa pelas acusações de corrupção ao Benfica. Mas o prato de resistência é a guerra. De resistência, sim. Um ano depois a invasão os ucranianos resiste.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Topiária, sotainas e puxões de orelhas
Enquanto noutras latitudes se derrubam estátuas, Lisboa exalta a saga colonial na arte da calçada portuguesa. Os brasões em topiária (é permitido consultar o dicionário) estão agora gravados na pedra. O assunto, que já foi polémico, parece no entanto um irrisório fait divers perante os crimes cometidos em surdina e de sotaina no seio da Igreja Católica: que Deus lhes perdoe; se puder. Também ficará para memória futura a despedida anunciada de Catarina Martins, depois de uma década à frente do Bloco de Esquerda. O que esperar da senhora que se segue? Do que não se estava à espera era do momento de fricção a que se assistiu esta semana entre o Presidente da República e o Presidente da Câmara de Lisboa. Marcelo deu um puxão de orelhas, em público, a Moedas e Moedas não se ficou. Mas que haverá de comum entre o “emigrante” Moedas e os imigrantes-vítimas que têm sido notícia, ultimamente, pelas piores razões?See omnystudio.com/listener for privacy information.

O fundamental e o acessório
Quantas vezes já todos dissemos “se eu soubesse o que sei hoje”? O ministro dos Negócios Estrangeiros, que também já foi da Defesa, pôs-nos a pensar na sopa que não comemos na infância. A pertinência política desta associação de ideias pode não ser muita, mas demonstra uma vez mais que o fundamental num programa como este é por vezes acessório. O Bloco de Esquerda, que em tempos quis mudar o nome do cartão de cidadão para o tornar mais inclusivo, promete agora dedicar-se apenas ao “fundamental”. Veremos se a decisão será fracturante no interior do próprio partido e como reagirão os adeptos de certas causas e causinhas. Uma coisa é certa: Catarina Martins tem imunidade absoluta para exprimir as opiniões políticas que entender. Até mesmo ao chamar racista a quem já foi condenado em tribunal por descriminação racial. E o caso que há entre Montenegro e Rui Moreira ainda é só flirt ou já se poderá chamar namoro? A questão poderá parecer acessória mas para o futuro do PSD talvez venha a revelar-se fundamental.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Constitucionalismo para totós
Os custos do altar-palco acenderam a luz para o quarto escuro onde estava a ser preparada a vinda do Papa a Portugal. E o que se percebeu de repente é que vigorava a velha táctica do “tudo ao molho e fé em Deus”. Não está a ser bonito de se ver. A lei dos metadados, assunto árido, voltou esta semana à ribalta num caso afinal sem qualquer aridez teórica, extremamente concreto e de contornos dramáticos. Metadados metadoidos. A ambiguidade do PSD em relação ao Chega é cada vez mais um gato escondido com rabo de fora. O partido de Ventura ataca o partido de Montenegro mas Montenegro não se sente na obrigação de fechar a porta na cara a Ventura. Posto isto, a semana ficou marcada por uma bizantina questão gramatical, depois de o Tribunal Constitucional ter devolvido à procedência a despenalização da eutanásia. Podemos não saber nada de leis, mas todos nos vemos obrigados a discutir a Constituição como totós.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Emojis e roupa suja num palco milionário
O protesto trans subiu ao palco. A forma intempestiva e controversa como ganhou visibilidade terá ajudado a causa ou posto em causa o modo como ela é vista? E que dizer do espectáculo de passa-culpa em cena no altar-palco da vinda do Papa a Portugal? Ainda mais uma dúvida: será que depois de decisões de Estado formalizadas por WhatsApp ainda veremos chegar o dia em que se governará com emojis? Seja como for, para não dizerem que isto são só perguntas inconsequentes, deixemos aqui duas afirmações contundentes: se quiser corromper alguém não conte isso a ninguém pelo telefone; e cuidado com a roupa suja.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Às almas! Às almas!
Há greves e greves. Há anões e gigantes. Há canhões e cabrões. De tudo isto se fez a semana e se faz uma conversa por onde passa a indignação dos professores e a inquietação do governo. Inquietação não só com os tumultos no sistema educativo, mas também com as suspeitas que recaem sobre dois antigos autarcas agora em funções governativas; um deles, ministro das Finanças. No capítulo de anões e gigantes fala-se dos almoços de Passos Coelho que estão a alimentar especulações políticas. Quanto a canhões e cabrões, pode não parecer mas o que está em causa é o hino nacional. Às almas! Às almas!See omnystudio.com/listener for privacy information.

36 perguntas?! Bastava uma (pergunte-nos qual)
A máxima latina “dura lex, sed lex” não foi criada a pensar na lei das incompatibilidades. Era mais eficaz uma proibição de sobremesa durante três anos. Em Espinho, a passagem de testemunho entre mandatos autárquicos foi um sucesso; mesmo entre presidentes de cores políticas diferentes. No Brasil, foi o que se viu: como a experiência de assalto ao Capitólio tinha corrido bem os bolsonaristas acharam por bem repeti-la. E o léxico político português dispõe agora de uma nova palavra: “vetting”. Mas em vez do questionário de 36 perguntas, talvez bastasse só uma. Quem ouvir esta emissão ficará a saber qual.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Viva a estabilidade
O secretário de estado adjunto resistiu umas semanas, a secretária de estado do tesouro aguentou uns dias, a secretária de estado da agricultura só umas horas. Com treino o governo está a tornar-se mais rápido a reagir às controvérsias que surgem a cada nova nomeação. O ano de 2022 terminou com turbulência política e o ano de 2023 nasceu sob um signo politicamente turbulento. A máxima “ano novo, vida nova” perdeu o sentido. O que nos conforta e reconcilia com a maioria absoluta é a garantia do deputado Porfírio de que “não há socialistas gananciosos”. Viva a estabilidade!See omnystudio.com/listener for privacy information.

12 desejos para 23 e um secretário-geral
Na despedida de 2022, olhamos o ano que está a chegar e dedicamo-nos a uma tradição própria do réveillon: expressar doze desejos para 2023. As vontades pessoais ficam no foro íntimo, mas há desejos públicos e públicas vontades. Partilhamo-las com o protagonista-surpresa da política portuguesa em 2022. Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, é o convidado especial da última emissão do ano do Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer, já com os olhos no ano que está prestes a chegar. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Do pimbal à guerra já com 300 dias
O que há de comum entre Gandhi e Manuel Pinho? Responda quem souber. E ser PC, o que poderá ser para além da sigla de um determinado partido? Como poderá Pombal transformar-se em pimbal? A atualidade da semana até poderá ser estimulante, mas como pode competir com o líder de uma super-potência a ameaçar recorrer a armas nucleares? E com a farsa de um chefe de estado a desafiar outro para uma luta corpo a corpo num ringue? Trezentos dias depois da invasão da Ucrânia pelas tropas russas, a ameaça Putin continua ativa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

EXPRESSO 50 ANOS
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