
Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer
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Votos, lágrimas e farsa
Quantos votos vale a exibição pública das emoções de um candidato? Regada com lágrimas ainda deve valer mais. Quanta simpatia pública perderam os polícias ao cercar o Capitólio? Dito assim, parece ter sido um caso gravíssimo, como o de Washington, mas foi afinal apenas uma cena no Parque Mayer; a versão portuguesa da célebre frase de Marx segundo a qual a História se exprime em primeiro lugar como tragédia para se repetir mais tarde como farsa. Falemos ainda (como não?!) de cenários pós-eleitorais, dos temas que na pré-campanha não foram debatidos e do espanto de mantermos tanta gente acordada até tão tarde. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os Livros da Semana: filosofia, bibliotecas, tradutores e um protagonista discreto
No Festival literário Correntes d’Escritas, os tradutores também são autores e há agora uma antologia que os celebra: O Irresístivel Charme da Tradução. Saído do espólio de Paulo Tunhas, surge uma adenda inédita para alterar agora qualquer coisa: “Filosofia”. Há ainda tempo e espaço para uma biografia de Emílio Rui Vilar; e uma pequena volta a Portugal em bibliotecas. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: ditadores 2.0, um facínora à solta, conservadorismo e a imagem dos heróis
Na estante desta semana, há uma ‘Introdução ao Conservadorismo’, da autoria de Miguel Morgado; fotografias icónicas da Revolução sob a lente de Alfredo Cunha, em ‘25 de Abril, Quinta-feira’; a história de Josef Mengele, o médico das tenebrosas experiências nazis, que durante 20 anos viveu incógnito no Brasil, contada em ‘Baviera Tropical’; e um ensaio intitulado ‘A Ditadura Adapaptada aos Século XXI’, sobre o modo como uma nova estirpe de ditadores trocou as botas cardadas por pezinhos de lã. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Debates, Justiça e o ‘sub-cão’
Quem será o ‘sub-cão’ no debate da próxima segunda-feira entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos? (Calma, o intuito não é ofensivo; trata-se apenas de um tradução abaixo de cão da expressão inglesa ‘underdog’.) Ou seja, na gestão de expectativas qual dos dois candidatos terá mais a perder e qual dos dois terá mais a provar? Os frente-a-frente estão a chegar ao fim e começa a ser altura de perguntar que percepção pública ficou de duas semanas de despiques televisivos. Um tema que demorou a ser discutido mas que entretanto se impôs é o da Justiça. Depois de um juiz de instrução ter determinado que, no processo que fez cair o governo da Madeira, “não há qualquer indício de crime”, o Ministério Público está agora em xeque. E a Procuradora-Geral da República em silêncio. Que efeito terá isto na campanha ainda ninguém sabe. Por último mas não menos importante: na semana em que Trump anunciou que, se for presidente, encorajará Putin a atacar os países da NATO com quotas em atraso na Aliança Atlântica, o principal opositor do presidente russo morreu numa cadeia de alta segurança. Como dizia o outro: agora pensem.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A avó Mortágua, a tentativa de fuga de Montenegro e o embaraço insular do PS
Já houve debates para todos os gostos - e mais haverá. Já houve carrosséis e escorregas num parque infantil, estribilhos rimados e boas doses de artilharia retórica. E uma das protagonistas foi a avó de Mariana Mortágua. Enquanto isso, Montenegro tentou desvalorizar adversários, anunciando a decisão de se fazer substituir pelo líder de um partido aliado sem representação parlamentar. Não lhe correu bem, ninguém aceitou a manobra e o líder do PSD terá mesmo de debater com Rui Tavares e Paulo Raimundo. As regiões autónomas também estão na ordem do dia. A Madeira, pela investigação que provocou a queda do governo que, embora demitido, ainda não caiu. Os Açores, porque o novo quadro parlamentar abriu brechas no interior do PS, quando à atitude a tomar face a um governo minoritário do PSD.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: uma história das vacinas, um clássico da mangá, ensaios sobre cinema e as cabeças dos líderes políticos
Na estante desta semana cabe o livro mais recente do historiador Simon Schama, ‘Corpos Estranhos - Pandemias, vacinas e a saúde das nações’; o primeiro volume da série de mangá ‘Monster’, de Naoki Urasawa; ensaios sobre a sétima arte de Germaine Dulac sob o título ‘O que é o cinema?’; e as biografias políticas dos líderes partidários das três maiores forças políticas em disputa nas eleições de 10 de Março; ‘Na Cabeça de Pedro Nuno’, ‘Na Cabeça de Montenegro’ e ‘Na Cabeça de Ventura’.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Polícias, agricultores e crescimento económico
As ilhas estão na berlinda. Montenegro foi para os Açores mesmo sem ter sido convidado. Os resultados de domingo terão inevitavelmente leituras nacionais. Tal como a investigação judicial na Madeira. Enquanto a macroeconomia sorri, com uma descida histórica da dívida pública e um valor recorde do crescimento, a insatisfação de polícias e agricultores volta a tomar as ruas. Ouça O Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer em podcast.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: a mulher mais poderosa do mundo, correspondência afetuosa de discordâncias, José Paulo Fafe e... uma exposição?
Esta semana, as sugestões literárias dos comentadores passam por um livro sobre uma mulher de quem pouco se sabe, apesar de ser a mulher mais poderosa do país mais isolado do mundo, recordam a correspondência afetuosa de discordância entre Mário Cesariny e Antonio Tabucchi, reveladoras da incompatibilidade entre a universidade e o surrealismo, referem José Paulo Fafe e saem da estante para recomendar uma exposição (mais um momento sindical de Ricardo Araújo Pereira) em memória de Samuel Torres de Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Justiça e política, Sócrates e Albuquerque
À justiça o que é da política e à política o que é da justiça. A máxima de Costa não era bem esta, mas é agora esta que está em vigor. Uma investigação judicial entrou pela política madeirense adentro e a política madeirense, tal como a política açoriana, está a ter também o seu papel na política nacional em período de pré-campanha legislativa. O papel de Miguel Albuquerque é que já não é o que era. Em simultâneo, Sócrates voltou à ribalta e o processo Marquês, depois de ter ficado moribundo por acção do juiz Ivo Rosa, regressa agora em força com a recuperação das acusações de corrupção ao antigo primeiro-ministro. E com eleições no horizonte Nuno Melo desmentiu Nuno Melo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: um filósofo francês, um policial sueco, um clássico italiano e um polaco em inglês
Esta semana, na estante, temos uma reedição de um livro que tem de estar sempre disponível: ‘O Coração das Trevas’, de Joseph Conrad; de Itália vem um romance também já com umas décadas mas sempre actual: ‘O Dia da Coruja’, de Leonardo Sciascia; o policial nórdico tem agora mais um título de Jo Nesbo: ‘A Estrela do Diabo’; e o filósofo francês Frédéric Gros convida os leitores à deambulação em “Caminhar - Uma Filosofia’.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O avô fascista, Cavaco a ser Cavaco e um boné para Pedro Nuno
Pedro Nuno Santos anunciou a ambição de tornar Portugal “grande outra vez”. Já só lhe falta encomendar bonés com a frase - e pagar os royalties devidos a Donald Trump. A semana política ficou marcada pela aprovação das listas de candidatos a deputados da AD e pelo Congresso do Chega, onde Ventura foi brindado com uma reeleição albanesa e onde o próprio Ventura brindou os portugueses com promessas em que talvez nem ele acredite. Pelo meio, o “avô fascista” sentiu necessidade de voltar com a palavra atrás e vir dizer que “fascista” era ironia. Enquanto isso, um jornalista foi arrastado à força para fora de uma sala onde Ventura se reuniu com estudantes e Cavaco Silva foi muito elogiado num artigo de opinião na imprensa. Por quem? Por Cavaco Silva.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: ensaio, romance, cartas e poesia
Temos esta semana a relação epistolar de Luiz Pacheco com os filhos na reedição de Cartas na Mesa; a poesia reunida de Hilda Hilst e Sebastião Alba; o Hotel Savoy, de Joseph Roth, que teve a edição original há precisamente cem anos; e uma história concisa e equilibrada do conflito israelo-palestiniano da autoria do historiador inglês Michael Scott-Baumann. Boas leituras.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vítimas improváveis e o triunfo da gola alta
Deve doer muito não pagar. Calhando mais do que não receber o salário ao fim do mês. José Paulo Fafe foi ao parlamento declarar-se vítima da situação que se vive na Global Media. Os trabalhadores do grupo de comunicação social que tem salários em atraso e se prepara para um despedimento colectivo têm de ser compreensivos para com o sofrimento do seu CEO. No rescaldo do congresso do PS e da apresentação da nova AD, há quem já anteveja o fantasma de um cenário de mexicanização. A gola alta de Pedro Nuno Santos parece, para já, estar a ser mais eficaz do que o regresso ao passado de Montenegro. Mas ainda faltam três meses. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Tisanas, poesia mística, História de Arte e feminismo
Na estante desta semana, há dois poetas: S. João da Cruz, com a reedição da Poesias Completas, e Ana Hatherly, com as 463 Tisanas que publicou ao longo da vida; um místico e uma experimentalista fascinada pelo budismo zen. Há ainda “Variações”, um conjunto de ensaios da Raquel Henriques da Silva sobre a Arte Portuguesa dos séculos XIX e XX. E há uma obra seminal do movimento feminista: “Irmã Marginal”, de Audre Lorde.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vagas de fundo e dissoluções
Haverá uma vaga de fundo no horizonte ou é altura de começarmos já a fazer contas à terceira dissolução? A semana política entreteve-se com a descoberta de que o governo mandou comprar, em 2020, acções dos CTT; não todas, não a maioria: 0,24%. Para a semana já haverá outro caso. Vai ser assim até Março. Enquanto isso, os trabalhadores da Global Media continuam sem receber pelo trabalho que realizado em Dezembro. O fundo das Bahamas que prometia investimentos, ao fim de três meses já nem os salários paga. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: um Nobel e um clássico, auto-ajuda e História
Na estante desta semana, há um volume da Septologia do Nobel Jon Fosse; as “7 Regras para a vida”, de Arnold Schwarzenegger; a “Memória Vermelha” em que Tania Branigan conta o que foi a Revolução Cultural chinesa; e uma “Apologia dos Ociosos e outros ensaios”, em que o já clássico Robert Luís Stevenson nos explica porque não faz bem nenhum matarmo-nos a trabalhar.See omnystudio.com/listener for privacy information.

As figuras-sombra do ano
Quem diria há um ano que estaríamos à entrada de 2024 na antecâmara de eleições legislativas? Para honrar o ano que termina elegemos as três figuras-sombra do ano: Vítor, o Bibliófilo; Lacerda, o Genuíno; e Linda, o Falua. Também se fazem votos para o ano que vem, sem deixarmos de identificar quem é “quem”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: títulos a publicar em 2024
Na estante desta semana, à entrada de 2024, fica a proposta de livros que ainda cá não chegaram, mas que no ano que está a chegar merecem tradução e publicação. O relato de dois julgamentos menos icónicos mas tão interessantes como o de Nuremberga: ´Judgement of Tokyo’, de Gray J. Boss, e ‘France on Trial’, de Julián Jackson. Uma espécie de autobiografia cinéfila: ‘Cinema Speculation’ de Quentin Tarantino. A biografia de um judeu nada ortodoxo: ‘Mel Brooks. Disobedient Jew’, de Jeremy Dauber. E, em ano de eleições, um clássico que nos permitirá uma vigilância activa sobre aquilo que nos querem vender: ‘Propaganda’, de Edward Bernays.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sobre Fantasmas de Natais Passados (e, quiçá, futuros)
Vem aí uma nova AD. Desta vez sem monárquicos. O PPM já protestou. Não estará a sigla registada? É melhor que PSD e CDS verifiquem isso e, em caso extremo, se a coisa der para o torto, podem passar a chamar-se (não nos oporemos) ‘Coligação Cuja Sigla Estamos Legalmente Impedidos de Usar’. Fica no ouvido. Entretanto, Pedro Nuno Santos já é oficialmente aquilo que se diz que sempre quis ser. E na primeira grande entrevista como secretário-geral do PS foi ao programa de Júlia Pinheiro. Em pose humilde e conciliatória. Como é Natal, regressaram à ribalta duas ricas prendas: Sócrates e Passos Coelho. Vai haver quem diga, maldosamente, que andam por aí fantasmas de Natais passados.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Arrabal, Szymborska, Montesquieu e uma porca
Caro leitor/ouvinte, a estante desta semana chamou-lhe a atenção, confesse. A par de três grandes nomes da literatura aparece uma porca. É capaz de ser coisa para intrigar o mais fleumático. Para que conste, a porca chama-se Olívia e é a personagem que tornou famoso o ilustrador Ian Falconer em coloridos álbuns para os mais novos. Entretanto, regista-se a chegada do segundo volume dos Ensaios, de Montesquieu, o inventor do género - um acontecimento editorial. Este ano comemora-se o centenário de uma voz poética vinda de um país de poetas, a Polónia; efeméride que não seria necessária para tornar oportuna a leitura da breve uma nova antologia de poemas de Wislawa Szymborska, sob o título Um Inconcebível Acaso. Finalmente, como é tempo de presentes, que cada um elabore a sua lista de pedidos. O surrealista Fernando Arrabal fá-lo em Carta aos Reis Magos, sempre com um pé no absurdo, esse espelho da vida.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Roupa suja e traquinices
Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades. A campanha interna para a sucessão de Costa, trouxe alguma roupa suja e episódios pouco edificantes. O caso mais recente é uma insinuação de Porfírio Silva em que este vice-presidente da bancada parlamentar do PS sugere que José Luís Carneiro usou meios do Estado para que o cantor Tony Carreira lhe declarasse apoio político. Valha o que valer o apoio de Tony Carreira, este fim de semana se saberá quem sucede a Costa. Quem não tem dúvidas sobre as suas preferências é o Presidente da República; Marcelo gostaria que Costa continuasse líder do PS. Ironia ou traquinice? Que cada um decida por si. Em simultâneo, o caso do pistolão, que começou com Marcelo no papel de protagonista, tem agora como personagem principal Lacerda Sales; e em breve, quiçá, a própria secretária do ex-secretário de Estado. Há ainda as declarações de Rui Rio, exigindo a demissão da Procuradora-Geral da República, sem receio de entalar o seu sucessor na liderança do PSD. E há a “barafunda” dos Açores (expressão de António Costa), que provocou a marcação de eleições um mês antes das legislativas, com leituras inevitáveis a nível nacional. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Monbiot, Kaminsky, Thomaz e Hélia Correia
Na estante desta semana, uma recolha de contos de uma das maiores escritoras portuguesas vivas: Hélia Correia; um ensaio histórico de Luís Filipe Thomaz sobre os ‘Namban-Jin’, os portugueses que levaram o mundo ao Japão; a poesia de um autor ucraniano premiado, Ilya Kaminskinky, publicada pela Cutelo, uma pequena editora de Guimarães; e um ensaio - Regenesis - sobre a exaustão agrícola que está a devorar a Terra.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: os românticos, a tentação de Cristo, uma novela gráfica e o riso de Rabelais
Na estante desta semana, há um romance, uma novela gráfica, um ensaio histórico e um grande clássico. Este último é o segundo volume de “Gargântua e Pantagruel”, de Rabelais. O ensaio chama-se “Rebeldes Magníficos” e a autora, Andrea Wulf, conta a história do círculo de Jena, o grupo de génios que deu origem ao romantismo e que “inventou o Eu”. A novela gráfica, coreana, de Keum Suk Gendry-Kim, chama-se “A Espera”. Da Grécia, chega o romance de Nikos Kazentzákis que já deu origem a um filme de Martin Scorsese: “A Última Tentação de Cristo”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O Dr. Meu Filho e o pistolão, Montenegro e o grupo de trabalho
Na semana em que foi consumada a demissão do governo, o Presidente da República sentiu necessidade de vir explicar o seu envolvimento no “caso do pistolão”. Entrou em cena o Dr. Meu Filho. Um caso que também está a fazer mossa entre os socialistas, que parecem ter um problema com Lacerda: depois do “melhor amigo” Lacerda Machado, o ex-secretário de estado Lacerda Sales. Tudo isto em simultâneo com aquele que se julgava poder ser o último acto no, já longo de décadas, debate em torno do futuro aeroporto: a divulgação do relatório da comissão independente nascida de um acordo entre PS e PSD. Mas o folhetim afinal não acabou; o líder do PSD anunciou agora que depois das conclusões da comissão independente, se vier a ser primeiro-ministro, promoverá a criação de um grupo de trabalho. Também se fala, esta semana, de ferroadas entre socialistas, dos resultados desastrosos da avaliação do desempenho escolar e da ADSE. Não, não é essa; é a Aliança Democrática em situação de emergência. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oxímoros e tautologias entre a juventude de Évora
Perante uma plateia de jovens de Évora, no encerramento da Expo Estudante, o programa cujo nome, etc. voltou a ter direito à designação antiga que nós não podemos usar mas que a plateia não esqueceu e soube pronunciar. Falou-se, claro, da actualidade pré-eleitoral, com recurso a vocabulário que não costuma fazer parte dos debates políticos. Houve oxímoros, tautologias e trocadilhos com alusões históricas que obrigarão a estudantada a ir ao Google. Montenegro, Carneiro e um Santos que por qualquer razão costuma ser sempre referido pelos nomes próprios e não pelo apelido estiveram na berlinda. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: fascistas russos, atraso português, mitos da história de Portugal e o quotidiano à luz dos clássicos
Na estante, desta vez, predomina a não-ficção. O historiador britânico Ian Garner traça um retrato perturbante da Geração Z, os jovens russos inclinados para uma estética fascista aliada ao militarismo de Putin. Outro historiador, o português Nuno Palma, identifica aquilo que entende serem As Causas do Atraso Português. A nosso passado é ainda objecto da análise do historiador francês Yves Léotard em História da Nação Portuguesa. E a filóloga e classicista espanhola Irene Vallejo identifica, no passado clássico, elementos de uma sabedoria que continua a descodificar muito do que somos hoje; por isso, conclui que nesse tempo já longínquo Alguém Falou de Nós.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: nomadismo, colonialismo, surrealismo e loucura
Esta semana, temos o caso da invulgar antologia inédita, assinada por Mário Cesariny logo a seguir ao 25 de Abril, intitulada “Poemas do Amor, da Revolta e da Náusea”. Também histórico é o clássico “O Elogio da Loucura”, de Erasmo de Roterdão, traduzido pela primeira vez do latim em que foi escrito. Depois, há ainda dois ensaios de autores britânicos sobre temas históricos: “Colonialismo, Um Juízo Moral”, de Nigel Biggar, e “Nómadas. Povos em movimento, uma história por contar”, de Anthony Sattin. Boas leituras.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Da conxiunalidade da zaragata nas inxuições
Foi uma semana de intensa intriga política. Só com uma dedicação a tempo inteiro é possível seguir a par e passo os episódios da zaragata inxiunal, para citarmos o ainda primeiro-ministro, entre Belém e São Bento. Apanhada no furacão da intriga, a Procuradora-Geral da República quebrou finalmente o silêncio. Mas foi mais o que deixou por dizer do que aquilo que esclareceu. Enquanto isso, os socialistas, em campanha para a escolha de um novo líder, têm pelo menos o conforto de uma sondagem segundo a qual qualquer dos dois principais candidatos à liderança do PS tem condições para derrotar Montenegro e o PSDSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rei (quase) morto, rei (em breve) posto
A semana não correu bem ao Ministério Público e a Procuradora-Geral da República continua em silêncio. Mesmo depois de se saber que foi de sua autoria o parágrafo que António Costa invocou para se demitir. Mesmo depois dos erros detectados no processo de investigação. Incompetência ou malevolência? Calma, talvez a procissão ainda vá no adro. E com tudo o que esta crise política tem de original, houve esta semana uma originalidade adicional: um ministro a demitir-se de um governo, ele próprio, demissionário. Enquanto isso, os socialistas preparam-se para praticar a velha máxima de “rei morto, rei posto” e animam-se na escolha do sucessor de Costa. Pelo mundo, as guerras continuam, agora já quase só em rodapé, e em Espanha há uma geringonça que inclui gente até ainda há bem pouco tempo fugida à polícia. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Baptista, Raposo, Baldwin e Tolstói (aliás, Saramago)
Esta semana, a estante do “Programa Cujo Nome (ainda) etc. e Tal” reúne ficção, poesia e ensaio. A poesia ganha (pelo menos em volume) porque é uma antologia pessoal de Amadeu Baptista com quase mil páginas; chama-se Danos Patrimoniais. A secção de ensaio conta com um título que foi importante no movimento pelos direitos civis na América: “Da Próxima Vez, o Fogo”, de James Baldwin. Na ficção, temos um clássico e uma estreia. A estreia do cronista Henrique Raposo no romance com “As Três Mortes de Lucas Andrade”. E uma nova versão do imortal “Anna Karenina”, de Tolstói na tradução, a partir da língua francesa, de José Saramago. Boas leituras.See omnystudio.com/listener for privacy information.

E de repente… acabaram as guerras
O Ministério Público entrou pela residencial Primeiro Ministro adentro e descobriu o pé-de-meia do chefe doo gabinete guardado em livros e caixas de garrafas de vinho. Foi o parágrafo, no entanto, que precipitou a demissão de António Costa e, com ela, a decisão do Presidente da República de deitar abaixo a maioria absoluta socialista. Quanto saberia Costa do que se passava no seu círculo mais próximo é a questão que cabe à Justiça apurar. E ao Ministério Público cabe provar que estão reunidas provas sólidas para que tenha sido possível derrubar o governo. Enquanto isso, as máquinas partidárias já estão a aquecer os motores para uma corrida eleitoral que será longa. Consequência imediata da crise política: as guerras acabaram (nas televisões).See omnystudio.com/listener for privacy information.

Trolai-vos uns aos outros
Quem sabe conjugar o verbo trolar? Esta semana percebeu-se que não é só Marcelo, o traquinas, que os amigos recordam a tocar às campainhas das portas e a fugir. João Galamba, o ministro que o Presidente da República quis ver despedido, e o próprio primeiro-ministro, ao escolhê-lo para encerrar o debate da proposta de orçamento na generalidade, demonstraram que trolam e trolarão com tanto à vontade como trolou em tempos o agora mais alto magistrado da nação. Nesta conversa também se fala da guerra de palavras que a tragédia da guerra está a provocar; da vantagem dos médicos em longas maratonas negociais de horas e horas a fio; e de uma pergunta que vem substituir a clássica “comprava um carro a este homem?”: actualmente o que há a perguntar é: “deixava este homem vender um avião usado?”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Montefiore, Jähner, Fleur e Horácio
Esta semana, descobrimos que Horário, o poeta latino do celebrado “carpe diem”, não gostava de alho; ler a poesia completa deste clássico, em mais uma tradução esmerada de Frederico Lourenço, dá-nos, pois, ensinamentos valiosos. Nos livros aprende-se muito; lendo A Hora dos Lobos, de Harald Jähner, por exemplo, ficamos com uma ideia do que fez dos alemães, depois da devastação do nazismo, o povo mais rico da Europa. Simon Sebag Montefiores estuda, no livro “O Mundo”, com mais de 1300 páginas de sabedoria, como as dinastias moldaram o mundo. Mas uma vez que nem só de não-ficção vive uma estante há uma autora nunca antes traduzida em Portugal que promete alegrias literárias a quem a ler: a italiana Fleur Jaeggy, autora de Felizes Anos de Castigo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Lobo Antunes, Gramsci, guerra fria e algoritmos
Na estante desta semana, a ficção foi posta de lado. As “Outras Crónicas”, de António Lobo Antunes, surgem como uma espécie de despedida do autor à “piscina para crianças” onde exercitava a mão para a arte (para ele) maior do romance. Um ensaio de grande fôlego contribui para se entender melhor como os Estados Unidos se tornaram a potência cultural dominante no período da Guerra Fria: chama-se “O Mundo Livre” e é da autoria de Louis Menand. Um outro ensaio monumental tem agora um primeiro volume em português; trata-se do clássico “Cadernos do Cárcere”, do marxista italiano Antonio Gramsci. Por fim, uma síntese breve sobre o elemento mais discreto (mas decisivo) da tecnologia que usamos diariamente: “Algoritmo”, aquela coisa (palavra que dá para tudo) que sabe mais sobre nós do que nós próprios.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vácuo, trincheiras, abacates e melancias
Foram apenas dez palavras, em inglês: “the attacks by Hamas did not happen in a vacuum.” Em torno desta declaração do secretário-geral das Nações Unidas, desatou-se uma controvérsia que cavou trincheiras, uma vez mais, também em Portugal. Foi também no fosso dessas trincheiras que caiu o responsável pela Web Summit, vítima de um processo que volta a colocar na ordem do dia a chamada cultura de cancelamento. Na frente do activismo climático, os jovens que gostam de pintar ministros de verde perceberam esta semana que não contam com o apoio do Bloco de Esquerda; vale a pena ir ler o que propõem e perceber que não é apenas o clima que os move. Está lançado o mote para uma salada de frutas que mete melancias e abacates.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Rituais, política decente, mulheres iranianas e Dom Camilo
Na estante da semana, há um ensaio sobre comportamentos humanos que aparentemente não produzem qualquer resultado prático no mundo exterior: chama-se simplesmente “Ritual”; a autora do famoso Persépolis, Marjane Satrapi, regressa à banda desenhada com uma homenagem às mulheres iranianas em “Mulher Vida Liberdade”; no domínio da filosofia política, há um ensaio que usa a designação de “liberal” como adjectivo: chama-se “A Luta por uma Política Decente”; e com a reedição de “Dom Camilo e o seu Pequeno Mundo” regressa um clássico do humor que junta, numa aldeia italiana, o padre Dom Camilo e o Peppone, o presidente de câmara comunista, numa relação de inimigos íntimos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

O rei vai seminu… e outras pérolas da semana
Por vezes é impossível evitar os lugares comuns. O desta semana voltou a ser este: a primeira vítima da guerra é a verdade. Esta semana, com o episódio do ataque a um hospital de Gaza, foi eloquente a esse respeito. Na frente interna, o regresso dos debates quinzenais no Parlamento proporcionou um curioso emendar de mão do primeiro-ministro. Em tribunal, um antigo ministro tornou possível que se deixe cair a palavra “alegadamente” quando alguém se referir a ele como “aldrabão”. E o PSD assumiu o voto contra a proposta de orçamento do Governo, mas com a afirmação pífia de que “o rei vai… seminu”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Aqui há pipis (e não se evita a palavra massacre)
Há quem tenha dificuldade em chamar massacre a um massacre. O estado de guerra no Médio Oriente trouxe à tona velhas clivagens e reactivou uma animosidade malsã. Enquanto, no xadrez geopolítico, há agora mais uma guerra a pôr em causa a precária estabilidade mundial, nós por cá entretemo-nos com as minudências da chamada bolha político-mediática. O orçamento da maioria absoluta - entregue desta vez a tempo e horas e em horário diurno - deixou a direita à procura de discurso. O PSD, pela voz de Montenegro, encontrou-o na palavra pipi. Mas como adjectivo, atenção, não enquanto substantivo. Também se fala de elogios envenenados, de sondagens e do ex-ministro ainda a aprender a ser comentador.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: jazz, Fernão Mendes, uma pessoa comum e o estigma da depressão
bonusNa estante desta semana, Andrew Solomon demonstra em O Demónio da Depressão que o sentido de humor não está obrigatoriamente arredado de um tema de tal gravidade; um neto, Jorge Pinto, homenageia uma avó, pessoa comum, especial como todas as avós para os seus netos, em “Tamem Digo”; a Peregrinação volta a levar-nos por este rio acima, como grande clássico que é; e o segredo mais bem guardado da música que se faz em Portugal - a Orquestra de Jazz de Matosinhos - festeja 25 anos de existência com uma biografia assinada pelo escritor Paulo Moura.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: arquitectura, paisagem nas artes, guerras culturais e um clássico
As propostas de leitura da semana trazem-nos títulos surpreendentes e com que muito se aprende. Aprende-se, por exemplo, que os peixes influenciam a arquitectura, como se descobre em Arquitectura do Bacalhau. Aprende-se, em Ecofagias, de que modo a paisagem natural é mitificada na literatura e nas artes do último século. Também se descobre que há uma componente religiosa na cultura do activismo; ideia expressa em A Religião Woke. E regressa-se com o mesmo prazer de sempre ao panteonável Eça de Queirós numa nova edição de O Conde d’Abranhos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Não é o futebol que nos vai salvar? Pois não, agora só nos falta saber o que será
No meio do entusiasmo pela organização (conjunta) do mundial de futebol de 2030, o ministro da economia não teve acesso ao argumentário oficial e soltou uma das frases da semana: “não é o futebol que nos vai salvar”. A outra declaração dos últimos dias que merece registo é do primeiro-ministro, frustrado por ver que “a realidade” tem sido “muito mais dinâmica do que a capacidade de resposta política”. Será isto humildade ou passa-culpas. Também se falará de mais um momento político-teatral do Chega, do sínodo dos bispos católicos onde pela primeira vez há mulheres com direito de voto e do activismo climático, que se tornou actividade quotidiana. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Fanáticos de todo o mundo, uni-vos
Foi uma semana belissimamente recheada de vibrantes fanatismos: gente convencida daqui que julga ser a sua razão, de megafone em punho, tentou censurar um livro; outra gente, empanturrada de boas razões, foi atirar bolas de tinta verde contra um ministro, quando ele se preparava para falar num evento patrocinado por empresas do sector energético; e ainda uma terceira categoria de pessoas decidiu, sem o citar, evocar Lenine e a frase em que ele defendia “liberdade de expressão absoluta, excepto para os nossos inimigos”. Enquanto isso, a Madeira foi a votos, Miguel Albuquerque desdisse-se, o PAN tornou-se o azimute da estabilidade regional e António Costa, na noite da hecatombe socialista, nem vê-lo. Esta é a ementa da semana; e parafraseando o velho Marx (calma, não é esse): são estes os nossos temas, mas se não gostarem deles temos outros.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Martim Moniz, Gabo, mulheres atrás das câmaras e o fim de um regime
Um livro sobre o Martim Moniz trazido por Carlos Vaz Marques, Memórias de Gabriel García Marques sugerido por José Miguel Tavares, Cinema Português no Feminino recomendado por Pedro Mexia e memórias de um jornalista como sugestão de Ricardo Araújo PereiraSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Almodovar, design gráfico, o primeiro ludita e o diabo de Marketing Twain
Na estante desta semana, Carlos Vaz Marques traz O Último Sonho, de Pedro Almodôvar, João Miguel Tavares está a ler O Mundo Vai Continuar a Não Ser Como Era, 100 anos de design gráfico na coleção Carlos Rocha, Pedro Mexia traz um livro sobre o primeiro ludita, o "Ned Ludd e a Rainha Mab", de Peter Linebaugh, e Ricardo Araújo Pereira traz Mark Twain e o livro chama-se "Cartas da Terra"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Camilo, a censura e a TAP
Impávida e serena, a estátua assistiu a tudo com a maior tranquilidade. Horror: tira. Abaixo-assinado: deixa ficar. No entretanto, o primeiro-ministro anunciou a privatização das “novas caravelas”, perdão, da TAP. Fê-lo durante do debate que o Chega apresentou ao PSDSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Os Livros da semana: Coreias, Mulheres, Teatro e Machado de Assis
A estante desta semana reparte-se junta um clássico extraordinário da língua portuguesa, as ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, a três outras propostas mais recentes. Uma delas não tão recente assim: a ‘Longa Jornada para a Noite’, do Nobel Eugene O’Neill. Depois, um romance francês com um título sugestivo - ‘O Sexo das Mulheres’ - e uma radiografia da zona onde decorre o mais antigo estado de guerra do mundo: a península da Coreia.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Macavaquiavel e outros comandantes supremos
O mais alto magistrado da nação é o mais recente reforço da equipa de comentadores desportivos da televisão pública. Faremos o devido enquadramento técnico-táctico da questão. O anterior mais alto magistrado da nação escreveu mais um livro sobre “a arte de governar” com bom senso e alfinetadas políticas; veremos como virá a ser acolhida a lição do Macavaquiavel do Possolo. Um antigo professor de Direito admitiu em tribunal ter posto a circular calúnias sobre Pacheco Pereira; mais do que os 10 mil euros que terá de pagar ao ofendido, que seja a vergonha do acto o maior castigo do caluniador. Mas ainda há mais dois alto magistrado das respectivas nações na conversa desta semana; o do Brasil, reclamou firmemente o respeito pela independência do seu país, mas não respeitou, ele próprio, a independência do poder judicial brasileiro. Garantiu que vai convidar Putin e que no Brasil (mesmo sendo o Brasil país signatário do Tribunal Penal Internacional) ninguém há-de prender o mais alto magistrado da nação russa. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Silêncio que se vai falar do silêncio
Há silêncios e silêncios. E silêncios que dão que falar. Falemos então do silêncio de Costa e do que se disse sobre ele. Como havemos de falar igualmente do género epistolar. Neste caso não há relutância em meter o nariz em correspondência alheia porque o remetente a fez chegar ao destinatário e a quem a tornasse pública. Do que se continua a falar é de presidenciáveis. Pelo menos desta vez – num país em que tão frequentemente se critica o improviso – as coisas estão a ser preparadas com tempo. Há ainda a questão promiscuidade entre futebol e política; por uma vez, uma oportunidade para a política sair valorizada pela comparação. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Pina, Flaubert, BD e poesia
Na estante, desta vez, o "Teatro" que Manuel António Pina escreveu para o público infanto-juvenil, pela primeira reunido e, livro, o clássico póstumo "Bouvard et Pécuchet", de Gustave Flaubert, a arte da artista visual Joana Mosi em "O Mangusto" e poesia só de mulheres traduzida por um poeta que, como obstetra, as conhece bem: Jorge Sousa Braga.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Pinóquio, o “piquito” e a crise da habitação
No regresso depois de um mês de ausência, constatamos que, apesar de nós pararmos, o mundo não abranda. Já que a actualidade cometeu a deselegância de continuar a fornecer material de análise à nossa revelia, passamos em revista, retroactivamente, alguns dos momentos marcantes de Agosto; a apicultura do PS em resposta ao veto presidencial do pacote para a habitação: “tá bem, abelha”; o “índice Pinóquio” com que Moedas respondeu à escassez de notas deixadas pelos peregrinos da Jornada papal no comércio de Lisboa; o modo eficiente como o Kremlin organiza coincidências letais; o “piquito” de um dirigente espanhol do mundo da bola que não sabe comportar-se como o cavalheiro que não é nem na presença da família real; e o extraordinário filme de antecipação política em busca de um inquilino novo para o Palácio de Belém… em 2026. See omnystudio.com/listener for privacy information.