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Livros da semana: Um romance, um debate já antigo, outro romance e uma exposição
Há muitas formas de contar a história dos últimos 50 anos. O escritor Alexandre Andrade escolheu contá-la por intermédio de vozes anónimas, numa multiplicidade de histórias reunidas no romance “Democracia”. De há 50 anos vem um debate interessante agora revisitado num pequeno livro intitulado “Cristianismo e Marxismo - em debate nos anos 70”, um diálogo entre o padre João Resina e o filósofo Sottomayor Cardia. Quase a chegar em tradução portuguesa, já circula em Portugal “Knife” (Faca), a memória auto-biográfica em que Salman Rushdie nos confronta com o atentado de que foi vítima e que quase o matou em 2022. Finalmente, em vez de mais um livro, uma exposição: no Fundão, reúnem-se até ao final de junho, na Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, trabalhos do cartunista José Vilhena sob o lema “Crónica de uma Revolução”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Promessas, influências e línguas soltas
Caiu um governo de maioria absoluta, mas afinal parece que não era nada. A montanha pariu um rato. A operação Influencer já influenciou decisivamente a política portuguesa. Entretanto, conlcui-se que as promessas de Montenegro precisam de melhor escrutínio. Afinal, o apregoado choque fiscal foi desencadeado pelo governo de Costa. O novo governo limitou-se a acrescentar-lhe mais uns pózinhos. Tal como acontecera com as promessas relativas aos pensionistas na pré-campanha eleitoral, o que Montengro promete precisa de tradução. Enquanto isso, Passos Coelho trocou a reserva pela loquacidade. Soltou-se-lhe a língua e já não esconde um certo ressentimento em relação a dois antigos aliados: Portas e Montenegro. À suivre.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: vergonha, bd, contos e memórias
Na estante desta semana, há uma explicação para o crescimento da direita radical na Europa: chama-se O Fim da Vergonha e o autor é o cientista político português de Oxford, Vicente Valentim; lemos também A Estrada, romance notável de Cormac McCarthy, mas na versão de banda desenhada do talentoso Manu Larcenet; atiramo-nos aos Contos Completos de Machado de Assis, no primeiro de quatro volumes que reunir a ficção curta de um dos mais notáveis autores de língua portuguesa; e a menos de uma semana da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril, registamos as memórias de dois protagonistas políticos de antes e de depois de Abril: Carlos Antunes e Manuel Alegre.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: cravos e cardos, revolução, censura e O’Neill
Na estante do programa a que ainda há quem chame Governo Sombra (nós não, evidememnte, abrenúncio!), temos um alemão que já se tornou português, Thomas Fischer, a anotar os hábitos dos portugueses “Entre Cravos e Cardos”; a reedição de entrevistas de Maria João Avillez com alguns dos protagonistas da Revolução; uma iniciativa do Público dando a conhecer livros outrora proibidos pela censura; e, também em reedição, revista e aumentada, a biografia literária que Maria Antónia dedicou ao poeta Alexandre O’Neill.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Passos, Montenegro e umas orelhas a arder
Saudemos a importância do livro. Não é todos os dias que a publicação de um infólio abala a vida pública. As “forças vivas” do combate ao “não é não” reuniram-se sob a égide do seu timoneiro, Passos Coelho. Ventura rejubilou, Montenegro terá ficado com as orelhas a arder. Nada pode ter sido por acaso, evidentemente, na semana em que o governo da AD derrotou duas moções de rejeição e em que entrou plenamente em funções, depois da discussão do seu programa de acção. Um programa para quanto tempo, é coisa que ninguém se atreve a vaticinar. Mas as coisas andam tão depressa que já há um ministro acabado de empossar sob suspeita judicial. Também se fala da necessidade de um regresso ao serviço militar obrigatório, por falta de magalas; e de uma condecoração clandestina. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Quinas, castelos e um cheirinho a pré-campanha
Montenegro chegou ao palacete de São Bento, depois dos 3049 dias de poder socialista, e a primeira coisa que fiz foi imitar Costa. Levou a cabo, de imediato, uma reversão. O logotipo do Governo voltou a ser o do tempo de Passos, com as quinas e os castelos. Apesar de Marcelo ter aconselhado o novo primeiro-ministro a partir os problemas aos bocadinhos, Montenegro entrou com tudo. Quis colocar os socialistas entre a espada e a parede. Quem não esteve lá para ouvir foi o secretário-geral do PS. Acompanhado, na ausência, pelos restantes líderes da esquerda parlamentar. Há quem diga que não gostam de vernissages. O caminho do governo é tão estreito que anda no ar um cheirinho a pré-campanha. E talvez já não seja só a das europeias, marcadas para Junho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livro da semana: Matos Gomes, Scruton, Tarantino e Pina
Na estante desta semana, as memórias do capitão de Abril Carlos de Matos Gomes são o retrato da "Geração D", a que trouxe Portugal da ditadura à democracia; a nostalgia da infância leva o conservador Roger Scruton - em "Inglaterra - Uma Elegia" - a traçar um retrato sombrio do seu país; a BD está ao serviço da cinefilia em “Quentin por Tarantino"; e o fotógrafo João Pina encontrou no espólio da família um testemunho pungente do sofrimento no campo de concentração do "Tarrafal".See omnystudio.com/listener for privacy information.

Acordos, birras e dissoluções
Já há governo e agora é esperar para ver. PSD e PS estão convencidos de que vai durar quatro anos. Até se entenderam para uma partilha do lugar destinado à segunda figura do Estado. Se não se tivessem entendido, talvez os deputados ainda continuassem agora em sucessivas rondas de votação. Houve votos em branco e houve votos em Branco. E uma birra do Chega que paralisou a Assembleia por causa do significado da palavra ‘acordo’. Entretanto, Marcelo, o dissolvente, voltou a dissolver. Costa despediu-se de forma “inchiunal”. E a TAP registou o maior lucro de sempre. A semana pascal foi animadíssima.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Kafka, Carrilho, Dongpo, Pedreira
Na estante desta semana, em ano de centenário de Kafka, surge a prosa curta reunida do autor de ‘O Processo’ no volume ‘Contos, Parábolas, Fragmentos’; folheamos ‘Razões e Paixões’ uma entrevista de vida a Manuel Maria Carrilho; detemo-nos na obra de um dos autores do cânone poético chinês, Su Dongpo; e lemos o mais recente romance de Frederico Pedreira, ‘Sonata para Surdos’.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vitórias, derrotas e vida de hotel
Contados os votos da emigração, confirmou-se a vitória da AD e o Presidente da República encarregou Luís Montenegro de formar governo. Que governo será, ainda ninguém sabe. Sabe-se, no entanto, que Ventura - apesar da insistência com que tem pedido para ter lugar à mesa do conselho de ministros - não fará parte da solução do líder do PSD. O Chega ganhou entre os emigrantes e Augusto Santos Silva foi o primeiro presidente do parlamento a não conseguir a reeleição. Debatemos as ilações a retirar desse facto. Também se fala esta semana de uma frase de António Costa em Bruxelas, da jogada de antecipação de Pedro Nuno Santos, das acusações que recaem sobre Boaventura Sousa Santos e das vantagens e inconvenientes de viver num hotel. Sobretudo se a PJ quiser saber quem paga.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Mestres, bandidos, artes tipográficas e kitsch
Na estante da semana, temos reedição das magistrais lições de George Steiner em ‘As Lições dos Mestres’, um estudo sobre ‘Bandidos’ que desafiam a ordem estabelecida sob o olhar aprovador do historiador marxista Eric Hobsbawm, a investigação de Victor Costa sobre a arte tipográfica em ‘Letras, história, arte e engenho’ e a ‘Nova Era do Kitsch’ descrita e analisada por Gilles Lipovetsky e Jean Serroy.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O ‘não é não’ e o jogo do perde-ganha
Os resultados eleitorais viraram a política portuguesa de pantanas. A AD ganhou à tangente, o PS perdeu mais de 40 deputados e o Chega quadruplicou a representação parlamentar. André Ventura, com os 18% que obteve, foi declarado o grande vencedor e foi rápido a exigir ter uma voz activa no que aí vem. Esquece, no entanto, que 82% do eleitorado não só não votou nele como explicitamente o rejeita. Luís Montenegro mantém-se fiel ao “não é não” e vê-se obrigado a encontrar uma solução de governo, mesmo antes de contados todos os votos. Até porque Pedro Nuno Santos, numa espécie de jogo do quem perde-ganha, teve pressa em declarar-se derrotado. Os próximos tempos vão ser animados.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: de Porcos Fascistas à memória do 25 de Abril
Na estante do programa a que ainda há quem chame Governo Sombra, mas nós não, claro, jamais, evidentemente, encontramos desta vez um ensaio de história intitulado Porcos Fascistas, mas porcos mesmo, não é insulto; temos também um livro de divulgação científica em banda desenhada: O Mundo Sem Fim; há ainda uma recolha de slogans e frases do tempo em que as paredes falavam, no período revolucionário, com o título No Princípio Era o Verbo; e por fim uma velha edição de um poema de T.S. Eliot, A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock, em homenagem ao tradutor Jorge Almeida Flor, falecido esta semana.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: uma fuga, uma celebração, um alerta e uma biblioteca
Na estante desta semana, há o relato de uma fuga da Coreia do Norte, em Um Rio na Escuridão; a comemoração dos 50 anos do 25 de Abril, com As Vozes da Liberdade; a crítica ao wokismo, em A Esquerda não é Woke; e um ensaio sobre a marginália dos livros lidos por um grande escritor, em A Biblioteca de Vergílio FerreiraSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dia de reflexão (sem mordaça)
Já está tudo a refletir? As sondagens garantem que ainda são muitos os indecisos. Enquanto não abrem as urnas de voto, analisa-se a campanha: tentamos entender as cabeças dos cabeças de cartaz, discutimos como decorreu a caça ao voto, revisitamos os momentos mais marcantes - tanto dos partidos parlamentares, como daqueles que vão a jogo apenas por desporto. Tudo isto enquanto refletimos. Porque para refletir não é preciso remetermo-nos ao silêncioSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Tinta verde, campanha ao rubro
Passos Coelho, o aborto e uma lata de tinta verde entram numa campanha eleitoral. Não é uma anedota, é o resumo possível da primeira semana de caça oficial ao voto. A AD esteve no centro do debate. Por boas ou más razões, é o que cada eleitor decidirá por si próprio. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: poesia zen, uma novela gráfica, a biografia de um político e ensaios de um mestre
Na estante desta semana, a escolha recai sobre os textos de Hélder Macedo reunidos no volume intitulado Pretextos, inclui a biografia de Lucas Pires por Nuno Poças Falcão com o título O Príncipe da Democracia, tem também a novela gráfica Patos, de Kate Beaton, e aproxima-se do silêncio com a poesia zen do mestre japonês Ryokan na antologia Tal Como És. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Votos, lágrimas e farsa
Quantos votos vale a exibição pública das emoções de um candidato? Regada com lágrimas ainda deve valer mais. Quanta simpatia pública perderam os polícias ao cercar o Capitólio? Dito assim, parece ter sido um caso gravíssimo, como o de Washington, mas foi afinal apenas uma cena no Parque Mayer; a versão portuguesa da célebre frase de Marx segundo a qual a História se exprime em primeiro lugar como tragédia para se repetir mais tarde como farsa. Falemos ainda (como não?!) de cenários pós-eleitorais, dos temas que na pré-campanha não foram debatidos e do espanto de mantermos tanta gente acordada até tão tarde. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os Livros da Semana: filosofia, bibliotecas, tradutores e um protagonista discreto
No Festival literário Correntes d’Escritas, os tradutores também são autores e há agora uma antologia que os celebra: O Irresístivel Charme da Tradução. Saído do espólio de Paulo Tunhas, surge uma adenda inédita para alterar agora qualquer coisa: “Filosofia”. Há ainda tempo e espaço para uma biografia de Emílio Rui Vilar; e uma pequena volta a Portugal em bibliotecas. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: ditadores 2.0, um facínora à solta, conservadorismo e a imagem dos heróis
Na estante desta semana, há uma ‘Introdução ao Conservadorismo’, da autoria de Miguel Morgado; fotografias icónicas da Revolução sob a lente de Alfredo Cunha, em ‘25 de Abril, Quinta-feira’; a história de Josef Mengele, o médico das tenebrosas experiências nazis, que durante 20 anos viveu incógnito no Brasil, contada em ‘Baviera Tropical’; e um ensaio intitulado ‘A Ditadura Adapaptada aos Século XXI’, sobre o modo como uma nova estirpe de ditadores trocou as botas cardadas por pezinhos de lã. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Debates, Justiça e o ‘sub-cão’
Quem será o ‘sub-cão’ no debate da próxima segunda-feira entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos? (Calma, o intuito não é ofensivo; trata-se apenas de um tradução abaixo de cão da expressão inglesa ‘underdog’.) Ou seja, na gestão de expectativas qual dos dois candidatos terá mais a perder e qual dos dois terá mais a provar? Os frente-a-frente estão a chegar ao fim e começa a ser altura de perguntar que percepção pública ficou de duas semanas de despiques televisivos. Um tema que demorou a ser discutido mas que entretanto se impôs é o da Justiça. Depois de um juiz de instrução ter determinado que, no processo que fez cair o governo da Madeira, “não há qualquer indício de crime”, o Ministério Público está agora em xeque. E a Procuradora-Geral da República em silêncio. Que efeito terá isto na campanha ainda ninguém sabe. Por último mas não menos importante: na semana em que Trump anunciou que, se for presidente, encorajará Putin a atacar os países da NATO com quotas em atraso na Aliança Atlântica, o principal opositor do presidente russo morreu numa cadeia de alta segurança. Como dizia o outro: agora pensem.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A avó Mortágua, a tentativa de fuga de Montenegro e o embaraço insular do PS
Já houve debates para todos os gostos - e mais haverá. Já houve carrosséis e escorregas num parque infantil, estribilhos rimados e boas doses de artilharia retórica. E uma das protagonistas foi a avó de Mariana Mortágua. Enquanto isso, Montenegro tentou desvalorizar adversários, anunciando a decisão de se fazer substituir pelo líder de um partido aliado sem representação parlamentar. Não lhe correu bem, ninguém aceitou a manobra e o líder do PSD terá mesmo de debater com Rui Tavares e Paulo Raimundo. As regiões autónomas também estão na ordem do dia. A Madeira, pela investigação que provocou a queda do governo que, embora demitido, ainda não caiu. Os Açores, porque o novo quadro parlamentar abriu brechas no interior do PS, quando à atitude a tomar face a um governo minoritário do PSD.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: uma história das vacinas, um clássico da mangá, ensaios sobre cinema e as cabeças dos líderes políticos
Na estante desta semana cabe o livro mais recente do historiador Simon Schama, ‘Corpos Estranhos - Pandemias, vacinas e a saúde das nações’; o primeiro volume da série de mangá ‘Monster’, de Naoki Urasawa; ensaios sobre a sétima arte de Germaine Dulac sob o título ‘O que é o cinema?’; e as biografias políticas dos líderes partidários das três maiores forças políticas em disputa nas eleições de 10 de Março; ‘Na Cabeça de Pedro Nuno’, ‘Na Cabeça de Montenegro’ e ‘Na Cabeça de Ventura’.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Polícias, agricultores e crescimento económico
As ilhas estão na berlinda. Montenegro foi para os Açores mesmo sem ter sido convidado. Os resultados de domingo terão inevitavelmente leituras nacionais. Tal como a investigação judicial na Madeira. Enquanto a macroeconomia sorri, com uma descida histórica da dívida pública e um valor recorde do crescimento, a insatisfação de polícias e agricultores volta a tomar as ruas. Ouça O Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer em podcast.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: a mulher mais poderosa do mundo, correspondência afetuosa de discordâncias, José Paulo Fafe e... uma exposição?
Esta semana, as sugestões literárias dos comentadores passam por um livro sobre uma mulher de quem pouco se sabe, apesar de ser a mulher mais poderosa do país mais isolado do mundo, recordam a correspondência afetuosa de discordância entre Mário Cesariny e Antonio Tabucchi, reveladoras da incompatibilidade entre a universidade e o surrealismo, referem José Paulo Fafe e saem da estante para recomendar uma exposição (mais um momento sindical de Ricardo Araújo Pereira) em memória de Samuel Torres de Carvalho. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Justiça e política, Sócrates e Albuquerque
À justiça o que é da política e à política o que é da justiça. A máxima de Costa não era bem esta, mas é agora esta que está em vigor. Uma investigação judicial entrou pela política madeirense adentro e a política madeirense, tal como a política açoriana, está a ter também o seu papel na política nacional em período de pré-campanha legislativa. O papel de Miguel Albuquerque é que já não é o que era. Em simultâneo, Sócrates voltou à ribalta e o processo Marquês, depois de ter ficado moribundo por acção do juiz Ivo Rosa, regressa agora em força com a recuperação das acusações de corrupção ao antigo primeiro-ministro. E com eleições no horizonte Nuno Melo desmentiu Nuno Melo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: um filósofo francês, um policial sueco, um clássico italiano e um polaco em inglês
Esta semana, na estante, temos uma reedição de um livro que tem de estar sempre disponível: ‘O Coração das Trevas’, de Joseph Conrad; de Itália vem um romance também já com umas décadas mas sempre actual: ‘O Dia da Coruja’, de Leonardo Sciascia; o policial nórdico tem agora mais um título de Jo Nesbo: ‘A Estrela do Diabo’; e o filósofo francês Frédéric Gros convida os leitores à deambulação em “Caminhar - Uma Filosofia’.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O avô fascista, Cavaco a ser Cavaco e um boné para Pedro Nuno
Pedro Nuno Santos anunciou a ambição de tornar Portugal “grande outra vez”. Já só lhe falta encomendar bonés com a frase - e pagar os royalties devidos a Donald Trump. A semana política ficou marcada pela aprovação das listas de candidatos a deputados da AD e pelo Congresso do Chega, onde Ventura foi brindado com uma reeleição albanesa e onde o próprio Ventura brindou os portugueses com promessas em que talvez nem ele acredite. Pelo meio, o “avô fascista” sentiu necessidade de voltar com a palavra atrás e vir dizer que “fascista” era ironia. Enquanto isso, um jornalista foi arrastado à força para fora de uma sala onde Ventura se reuniu com estudantes e Cavaco Silva foi muito elogiado num artigo de opinião na imprensa. Por quem? Por Cavaco Silva.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: ensaio, romance, cartas e poesia
Temos esta semana a relação epistolar de Luiz Pacheco com os filhos na reedição de Cartas na Mesa; a poesia reunida de Hilda Hilst e Sebastião Alba; o Hotel Savoy, de Joseph Roth, que teve a edição original há precisamente cem anos; e uma história concisa e equilibrada do conflito israelo-palestiniano da autoria do historiador inglês Michael Scott-Baumann. Boas leituras.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vítimas improváveis e o triunfo da gola alta
Deve doer muito não pagar. Calhando mais do que não receber o salário ao fim do mês. José Paulo Fafe foi ao parlamento declarar-se vítima da situação que se vive na Global Media. Os trabalhadores do grupo de comunicação social que tem salários em atraso e se prepara para um despedimento colectivo têm de ser compreensivos para com o sofrimento do seu CEO. No rescaldo do congresso do PS e da apresentação da nova AD, há quem já anteveja o fantasma de um cenário de mexicanização. A gola alta de Pedro Nuno Santos parece, para já, estar a ser mais eficaz do que o regresso ao passado de Montenegro. Mas ainda faltam três meses. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Tisanas, poesia mística, História de Arte e feminismo
Na estante desta semana, há dois poetas: S. João da Cruz, com a reedição da Poesias Completas, e Ana Hatherly, com as 463 Tisanas que publicou ao longo da vida; um místico e uma experimentalista fascinada pelo budismo zen. Há ainda “Variações”, um conjunto de ensaios da Raquel Henriques da Silva sobre a Arte Portuguesa dos séculos XIX e XX. E há uma obra seminal do movimento feminista: “Irmã Marginal”, de Audre Lorde.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vagas de fundo e dissoluções
Haverá uma vaga de fundo no horizonte ou é altura de começarmos já a fazer contas à terceira dissolução? A semana política entreteve-se com a descoberta de que o governo mandou comprar, em 2020, acções dos CTT; não todas, não a maioria: 0,24%. Para a semana já haverá outro caso. Vai ser assim até Março. Enquanto isso, os trabalhadores da Global Media continuam sem receber pelo trabalho que realizado em Dezembro. O fundo das Bahamas que prometia investimentos, ao fim de três meses já nem os salários paga. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: um Nobel e um clássico, auto-ajuda e História
Na estante desta semana, há um volume da Septologia do Nobel Jon Fosse; as “7 Regras para a vida”, de Arnold Schwarzenegger; a “Memória Vermelha” em que Tania Branigan conta o que foi a Revolução Cultural chinesa; e uma “Apologia dos Ociosos e outros ensaios”, em que o já clássico Robert Luís Stevenson nos explica porque não faz bem nenhum matarmo-nos a trabalhar.See omnystudio.com/listener for privacy information.

As figuras-sombra do ano
Quem diria há um ano que estaríamos à entrada de 2024 na antecâmara de eleições legislativas? Para honrar o ano que termina elegemos as três figuras-sombra do ano: Vítor, o Bibliófilo; Lacerda, o Genuíno; e Linda, o Falua. Também se fazem votos para o ano que vem, sem deixarmos de identificar quem é “quem”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: títulos a publicar em 2024
Na estante desta semana, à entrada de 2024, fica a proposta de livros que ainda cá não chegaram, mas que no ano que está a chegar merecem tradução e publicação. O relato de dois julgamentos menos icónicos mas tão interessantes como o de Nuremberga: ´Judgement of Tokyo’, de Gray J. Boss, e ‘France on Trial’, de Julián Jackson. Uma espécie de autobiografia cinéfila: ‘Cinema Speculation’ de Quentin Tarantino. A biografia de um judeu nada ortodoxo: ‘Mel Brooks. Disobedient Jew’, de Jeremy Dauber. E, em ano de eleições, um clássico que nos permitirá uma vigilância activa sobre aquilo que nos querem vender: ‘Propaganda’, de Edward Bernays.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sobre Fantasmas de Natais Passados (e, quiçá, futuros)
Vem aí uma nova AD. Desta vez sem monárquicos. O PPM já protestou. Não estará a sigla registada? É melhor que PSD e CDS verifiquem isso e, em caso extremo, se a coisa der para o torto, podem passar a chamar-se (não nos oporemos) ‘Coligação Cuja Sigla Estamos Legalmente Impedidos de Usar’. Fica no ouvido. Entretanto, Pedro Nuno Santos já é oficialmente aquilo que se diz que sempre quis ser. E na primeira grande entrevista como secretário-geral do PS foi ao programa de Júlia Pinheiro. Em pose humilde e conciliatória. Como é Natal, regressaram à ribalta duas ricas prendas: Sócrates e Passos Coelho. Vai haver quem diga, maldosamente, que andam por aí fantasmas de Natais passados.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Arrabal, Szymborska, Montesquieu e uma porca
Caro leitor/ouvinte, a estante desta semana chamou-lhe a atenção, confesse. A par de três grandes nomes da literatura aparece uma porca. É capaz de ser coisa para intrigar o mais fleumático. Para que conste, a porca chama-se Olívia e é a personagem que tornou famoso o ilustrador Ian Falconer em coloridos álbuns para os mais novos. Entretanto, regista-se a chegada do segundo volume dos Ensaios, de Montesquieu, o inventor do género - um acontecimento editorial. Este ano comemora-se o centenário de uma voz poética vinda de um país de poetas, a Polónia; efeméride que não seria necessária para tornar oportuna a leitura da breve uma nova antologia de poemas de Wislawa Szymborska, sob o título Um Inconcebível Acaso. Finalmente, como é tempo de presentes, que cada um elabore a sua lista de pedidos. O surrealista Fernando Arrabal fá-lo em Carta aos Reis Magos, sempre com um pé no absurdo, esse espelho da vida.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Roupa suja e traquinices
Zangam-se as comadres, sabem-se as verdades. A campanha interna para a sucessão de Costa, trouxe alguma roupa suja e episódios pouco edificantes. O caso mais recente é uma insinuação de Porfírio Silva em que este vice-presidente da bancada parlamentar do PS sugere que José Luís Carneiro usou meios do Estado para que o cantor Tony Carreira lhe declarasse apoio político. Valha o que valer o apoio de Tony Carreira, este fim de semana se saberá quem sucede a Costa. Quem não tem dúvidas sobre as suas preferências é o Presidente da República; Marcelo gostaria que Costa continuasse líder do PS. Ironia ou traquinice? Que cada um decida por si. Em simultâneo, o caso do pistolão, que começou com Marcelo no papel de protagonista, tem agora como personagem principal Lacerda Sales; e em breve, quiçá, a própria secretária do ex-secretário de Estado. Há ainda as declarações de Rui Rio, exigindo a demissão da Procuradora-Geral da República, sem receio de entalar o seu sucessor na liderança do PSD. E há a “barafunda” dos Açores (expressão de António Costa), que provocou a marcação de eleições um mês antes das legislativas, com leituras inevitáveis a nível nacional. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Monbiot, Kaminsky, Thomaz e Hélia Correia
Na estante desta semana, uma recolha de contos de uma das maiores escritoras portuguesas vivas: Hélia Correia; um ensaio histórico de Luís Filipe Thomaz sobre os ‘Namban-Jin’, os portugueses que levaram o mundo ao Japão; a poesia de um autor ucraniano premiado, Ilya Kaminskinky, publicada pela Cutelo, uma pequena editora de Guimarães; e um ensaio - Regenesis - sobre a exaustão agrícola que está a devorar a Terra.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: os românticos, a tentação de Cristo, uma novela gráfica e o riso de Rabelais
Na estante desta semana, há um romance, uma novela gráfica, um ensaio histórico e um grande clássico. Este último é o segundo volume de “Gargântua e Pantagruel”, de Rabelais. O ensaio chama-se “Rebeldes Magníficos” e a autora, Andrea Wulf, conta a história do círculo de Jena, o grupo de génios que deu origem ao romantismo e que “inventou o Eu”. A novela gráfica, coreana, de Keum Suk Gendry-Kim, chama-se “A Espera”. Da Grécia, chega o romance de Nikos Kazentzákis que já deu origem a um filme de Martin Scorsese: “A Última Tentação de Cristo”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O Dr. Meu Filho e o pistolão, Montenegro e o grupo de trabalho
Na semana em que foi consumada a demissão do governo, o Presidente da República sentiu necessidade de vir explicar o seu envolvimento no “caso do pistolão”. Entrou em cena o Dr. Meu Filho. Um caso que também está a fazer mossa entre os socialistas, que parecem ter um problema com Lacerda: depois do “melhor amigo” Lacerda Machado, o ex-secretário de estado Lacerda Sales. Tudo isto em simultâneo com aquele que se julgava poder ser o último acto no, já longo de décadas, debate em torno do futuro aeroporto: a divulgação do relatório da comissão independente nascida de um acordo entre PS e PSD. Mas o folhetim afinal não acabou; o líder do PSD anunciou agora que depois das conclusões da comissão independente, se vier a ser primeiro-ministro, promoverá a criação de um grupo de trabalho. Também se fala, esta semana, de ferroadas entre socialistas, dos resultados desastrosos da avaliação do desempenho escolar e da ADSE. Não, não é essa; é a Aliança Democrática em situação de emergência. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oxímoros e tautologias entre a juventude de Évora
Perante uma plateia de jovens de Évora, no encerramento da Expo Estudante, o programa cujo nome, etc. voltou a ter direito à designação antiga que nós não podemos usar mas que a plateia não esqueceu e soube pronunciar. Falou-se, claro, da actualidade pré-eleitoral, com recurso a vocabulário que não costuma fazer parte dos debates políticos. Houve oxímoros, tautologias e trocadilhos com alusões históricas que obrigarão a estudantada a ir ao Google. Montenegro, Carneiro e um Santos que por qualquer razão costuma ser sempre referido pelos nomes próprios e não pelo apelido estiveram na berlinda. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: fascistas russos, atraso português, mitos da história de Portugal e o quotidiano à luz dos clássicos
Na estante, desta vez, predomina a não-ficção. O historiador britânico Ian Garner traça um retrato perturbante da Geração Z, os jovens russos inclinados para uma estética fascista aliada ao militarismo de Putin. Outro historiador, o português Nuno Palma, identifica aquilo que entende serem As Causas do Atraso Português. A nosso passado é ainda objecto da análise do historiador francês Yves Léotard em História da Nação Portuguesa. E a filóloga e classicista espanhola Irene Vallejo identifica, no passado clássico, elementos de uma sabedoria que continua a descodificar muito do que somos hoje; por isso, conclui que nesse tempo já longínquo Alguém Falou de Nós.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Da conxiunalidade da zaragata nas inxuições
Foi uma semana de intensa intriga política. Só com uma dedicação a tempo inteiro é possível seguir a par e passo os episódios da zaragata inxiunal, para citarmos o ainda primeiro-ministro, entre Belém e São Bento. Apanhada no furacão da intriga, a Procuradora-Geral da República quebrou finalmente o silêncio. Mas foi mais o que deixou por dizer do que aquilo que esclareceu. Enquanto isso, os socialistas, em campanha para a escolha de um novo líder, têm pelo menos o conforto de uma sondagem segundo a qual qualquer dos dois principais candidatos à liderança do PS tem condições para derrotar Montenegro e o PSDSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: nomadismo, colonialismo, surrealismo e loucura
Esta semana, temos o caso da invulgar antologia inédita, assinada por Mário Cesariny logo a seguir ao 25 de Abril, intitulada “Poemas do Amor, da Revolta e da Náusea”. Também histórico é o clássico “O Elogio da Loucura”, de Erasmo de Roterdão, traduzido pela primeira vez do latim em que foi escrito. Depois, há ainda dois ensaios de autores britânicos sobre temas históricos: “Colonialismo, Um Juízo Moral”, de Nigel Biggar, e “Nómadas. Povos em movimento, uma história por contar”, de Anthony Sattin. Boas leituras.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rei (quase) morto, rei (em breve) posto
A semana não correu bem ao Ministério Público e a Procuradora-Geral da República continua em silêncio. Mesmo depois de se saber que foi de sua autoria o parágrafo que António Costa invocou para se demitir. Mesmo depois dos erros detectados no processo de investigação. Incompetência ou malevolência? Calma, talvez a procissão ainda vá no adro. E com tudo o que esta crise política tem de original, houve esta semana uma originalidade adicional: um ministro a demitir-se de um governo, ele próprio, demissionário. Enquanto isso, os socialistas preparam-se para praticar a velha máxima de “rei morto, rei posto” e animam-se na escolha do sucessor de Costa. Pelo mundo, as guerras continuam, agora já quase só em rodapé, e em Espanha há uma geringonça que inclui gente até ainda há bem pouco tempo fugida à polícia. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Baptista, Raposo, Baldwin e Tolstói (aliás, Saramago)
Esta semana, a estante do “Programa Cujo Nome (ainda) etc. e Tal” reúne ficção, poesia e ensaio. A poesia ganha (pelo menos em volume) porque é uma antologia pessoal de Amadeu Baptista com quase mil páginas; chama-se Danos Patrimoniais. A secção de ensaio conta com um título que foi importante no movimento pelos direitos civis na América: “Da Próxima Vez, o Fogo”, de James Baldwin. Na ficção, temos um clássico e uma estreia. A estreia do cronista Henrique Raposo no romance com “As Três Mortes de Lucas Andrade”. E uma nova versão do imortal “Anna Karenina”, de Tolstói na tradução, a partir da língua francesa, de José Saramago. Boas leituras.See omnystudio.com/listener for privacy information.

E de repente… acabaram as guerras
O Ministério Público entrou pela residencial Primeiro Ministro adentro e descobriu o pé-de-meia do chefe doo gabinete guardado em livros e caixas de garrafas de vinho. Foi o parágrafo, no entanto, que precipitou a demissão de António Costa e, com ela, a decisão do Presidente da República de deitar abaixo a maioria absoluta socialista. Quanto saberia Costa do que se passava no seu círculo mais próximo é a questão que cabe à Justiça apurar. E ao Ministério Público cabe provar que estão reunidas provas sólidas para que tenha sido possível derrubar o governo. Enquanto isso, as máquinas partidárias já estão a aquecer os motores para uma corrida eleitoral que será longa. Consequência imediata da crise política: as guerras acabaram (nas televisões).See omnystudio.com/listener for privacy information.

Trolai-vos uns aos outros
Quem sabe conjugar o verbo trolar? Esta semana percebeu-se que não é só Marcelo, o traquinas, que os amigos recordam a tocar às campainhas das portas e a fugir. João Galamba, o ministro que o Presidente da República quis ver despedido, e o próprio primeiro-ministro, ao escolhê-lo para encerrar o debate da proposta de orçamento na generalidade, demonstraram que trolam e trolarão com tanto à vontade como trolou em tempos o agora mais alto magistrado da nação. Nesta conversa também se fala da guerra de palavras que a tragédia da guerra está a provocar; da vantagem dos médicos em longas maratonas negociais de horas e horas a fio; e de uma pergunta que vem substituir a clássica “comprava um carro a este homem?”: actualmente o que há a perguntar é: “deixava este homem vender um avião usado?”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Montefiore, Jähner, Fleur e Horácio
Esta semana, descobrimos que Horário, o poeta latino do celebrado “carpe diem”, não gostava de alho; ler a poesia completa deste clássico, em mais uma tradução esmerada de Frederico Lourenço, dá-nos, pois, ensinamentos valiosos. Nos livros aprende-se muito; lendo A Hora dos Lobos, de Harald Jähner, por exemplo, ficamos com uma ideia do que fez dos alemães, depois da devastação do nazismo, o povo mais rico da Europa. Simon Sebag Montefiores estuda, no livro “O Mundo”, com mais de 1300 páginas de sabedoria, como as dinastias moldaram o mundo. Mas uma vez que nem só de não-ficção vive uma estante há uma autora nunca antes traduzida em Portugal que promete alegrias literárias a quem a ler: a italiana Fleur Jaeggy, autora de Felizes Anos de Castigo.See omnystudio.com/listener for privacy information.