
Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer
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Uma crónica queirosiana
Eça já está no Panteão. E o que ele se riria disso. Ou não. * Ventura esteve aos gritos no Parlamento. Até que o microfone o calou. * Trump quer a Gronelândia. E etc. * Em Moçambique, há agora dois presidentes. Um deles auto-proclamado sobre uma carrinha de caixa aberta. * A comédia do mundo mereceria bem uma crónica queirosiana. Mas já chegámos tarde. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: não-ficção, fotografia e romance
Na estante desta semana, temos uma memória familiar que resultou num filme de sucesso: “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, que deu origem à película com que Fernanda Torres ganhou o Globo de Ouro de melhor actriz; há também um livro que percorre a Nacional 2 em fotografias a preto e branco: “N2, O Signo e a Paisagem”; e recomenda-se ainda o romance que conquistou o prémio Booker Internacional: “Kairos”, de Jenny Erpenbeck.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Originalidade e sentido visual
O salário original era uma originalidade. Quem pagará agora a factura política por uma controvérsia em que o protagonista não gostou do filme em que se viu metido? E o que terá levado o primeiro-ministro a passar de um estado atónito ao reconhecimento de uma situação anómala? Sejamos muito honestos (parafraseando Montenegro): nem sempre se gosta de ver certas coisas no sentido visual do termo. E como comentar os comentadores comentando os comentários do Presidente da República no primeiro dia do ano? Cumpriu-se a função de parte a parte e quem não ouviu, ouvisse. No sentido auditivo do termo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os Livros da Semana: mulheres, viagens e Dadá
Esta semana, na estante do Governo Sombra, há uma antologia de textos femininos e originais; chama-se “Os Imbecis – e outros textos clássicos de escritoras russas”. Há dois livros com cidades como pano de fundo: a novela gráfica “Crónica de Jesusalém”, de Guy Delisle; e “Viena - Como a cidade das ideias criou o mundo moderno”, de Richard Cocket. E ainda uma história do dadaísmo intitulada “En Avant Dada”, de Richard Huelsenbec.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Isaltino, o influencer
Na despedida de 2024, fomos à procura de um influencer que nos ajudasse a interpretar o ano que agora termina. De caminho, formularam-se desejos para 2025. Há quem peça civilidade, quem queira bons políticos em vez de maus políticos e quem pretenda receber o Presidente da República para lhe poder preparar um banquete. É o caso do nosso convidado para o balanço do ano. Adivinha-se até que já nem estará a pensar no atual Chefe de Estado, mas naquele que deseja que venha a seguir. O mesmo que o condecorou na véspera de ele lhe ter declarado apoio na corrida a Belém. Sim, porque o nosso convidado, nos tempos livres entre tachos, tasquinhas e vídeos nas redes sociais, é o presidente da Câmara de Oeiras. Senhoras e senhores, o influencer Isaltino Morais.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: desacontecimentos, gatos, capas e desenhos
Na estante do Governo Sombra, esta semana, temos a estreia em Portugal de uma escritora brasileira a descobrir: Eliane Brum, com o livro “Meus desacontecimentos”; um livro-disco de Amélia Muge, que é uma homenagem poética aos gatos: “um gato é um gato”; um álbum de cartoons de João Fazenda intitulado “Arena”; e um volume sobre o design do livro em Portugal, de José Bártolo e Jorge Silva: “Para ser eterno basta ser um livro”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Percepções, previsões e alguns aleijões
A polícia pôs dezenas de pessoas de cara contra a parede, no Martim Moniz, em Lisboa, alegadamente para fomentar o sentimento de segurança. Fomentou a dúvida sobre percepções de segurança e sobre o conceito de polícia de proximidade. * O governo da Madeira caiu e ninguém se surpreendeu. Albuquerque diz estar pronto para mais uma campanha; alapado, comentou Jardim, que não morre de amores pelo seu sucessor mas que, como bom insular, há-de gostar de umas boas lapas. * Mário Centeno anunciou previsões sobre o regresso do défice nas contas públicas. Ficou a dúvida sobre o papel em que fez o anúncio, considerando as movimentações em curso com Belém no horizonte. * Movimentações também de alguns autarcas, que já se colocaram na primeira fila de apoio declarado a um candidato que ainda não o é. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: monstros, crianças, caricaturas e Camões
Esta semana, na estante do Governo Sombra, há um livro sobre grandes artistas que são más pessoas: “Monstros”, de Claire Dederer; uma reunião de caricaturas de escritores com o traço de André Carrilho: “Linha, Ponto e Vírgula”; dois livros em que protagonista é Camões: o “Teatro” do poeta e a biografia que Aquilino Ribeiro lhe dedicou; por fim, três livros infantis: “Olívia e as Princesas”, “Brincamos na Neve”, de Verónica Fabregat, e “Como Criar uma Biblioteca”, de Inês Fonseca Santos e André Letria.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Compadres, comadres e esquecimentos oportunos
A família Assad já não mora em Damasco. O mundo divide-se entre os que vêem a queda do ditador sobretudo como um motivo de celebração ou acima de tudo com inquietação quanto ao futuro. A actualidade política nacional da semana ficou marcada, por sua vez, pela troca de acusações entre ministros da cultura: a atual e o antecessor. Falou-se de compadrio, mas há que veja o episódio, acima de tudo, como uma guerra de comadres. Entretanto, o Chega foi protagonista de dois episódios parlamentares caricatos. Entregou um relatório elogiando uma nomeação, querendo no dia seguinte retirá-lo para dizer que a dita nomeação é péssima. Foi um engano, esclareceu o partido; “fizemos copy/paste do texto errado”. Na segunda situação, o Chega - que prometera ser duro nas perguntas que faria ao antigo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa Pedro Santana Lopes - não vai afinal fazer pergunta nenhuma: esqueceu-se de enviar as questões dentro do prazo previamente estipulado. Facto curioso: Santana Lopes foi esta semana o convidado de honra das jornadas parlamentares do Chega. Sabendo-se que Santana Lopes quer ser candidato a qualquer coisa e que o Chega procura candidatos a uma coisa qualquer, que cada um tire as suas conclusõezinhas.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Uma candeia, alguns pardais e reputações estragadas
A sabedoria popular oferece adágios para todas as ocasiões. Diz-se, por exemplo, que “candeia que vai à frente alumia duas vezes”. Mas também se garante que “o primeiro milho é dos pardais”. Qual dos provérbios reflectirá melhor o ponto de situação nos preparativos para a corrida a Belém? O Almirante parece firme ao leme, mas até um palhaço já entra nas contas. Assim, fica difícil levar a sério os estudos de opinião. Enquanto isso, no PS começa a haver vozes sugerindo que os socialistas devem inclinar-se ao lado para que sopra o vento. O importante é perceber com quem está o povo. No folhetim do medicamento caro administrado às gémeas luso-brasileiras, a comissão parlamentar de inquérito continua a produzir versões contraditórias. Em todo o caso, já há pelo menos um suspeito designado: o antigo secretário de estado da saúde não sairá desta investigação com a reputação intacta.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: uma parábola, uma caderneta de cromos, um ensaio e um catálogo
Na estante do Governo Sombra, esta semana, encontramos a reedição do último livro de Joseph Roth, “A Lenda do Santo Bêbedo”; uma colecção de crónicas - “Prova de Vida”, de António Araújo - sobre figuras públicas afastadas de ribalta; um ensaio literário já antigo, mas só agora publicado em Portugal, da poeta canadiana Ann Carson intitulado “Eros”; e o catálogo da exposição “Livre”, dedicada a João Abel Manta.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Barulho só de fachada
Foi uma semana daquelas em São Bento. Ventura decidiu poluir a fachada do Palácio. O primeiro-ministro rodeou-se de fardas no Palacete, em horário nobre. E o Parlamento celebrou em sessão solene uma data redonda, redondinha: os 49 anos do 25 de Novembro. E há quem já tenha os olhos noutro Palácio: o almirante vai abandonar o barco do serviço militar para se atirar ao mar encapelado da política; e António José Seguro levou a sério o facto de Pedro Nuno Santos o ter incluído numa lista de presidenciáveis. Problema: o secretário-geral do PS (o actual) fez saber esta semana que já se arrenpendeu de ter divulgado o conjunto de nomes em que meteu ao barulho o pretérito secretário-geral socialista. Ouça a versão podcast do Programa Cujo Nome Estamos Legalmente impedidos de Dizer, emitido na SIC Notícias a 29 de novembro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: bebedeira e Nobel, o poder da imagem e a ciência
Esta semana, na estante do Governo Sombra, há uma “Breve História da Bebedeira”, de Mark Forsyth; uma novela gráfica que vai dar um filme, intitulada “Aqui” e assinada por Robert McGuire; o último volume - “Um Novo Nome” - da Septalogia do Nobel John Fosse; e uma provocatória recolha de factos e de conhecimentos científicos: o tipo de livro, segundo o autor, David Marçal, em que está a receita para “Como Perder Amigos Rapidamente”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apocalipse e lana caprina
Passaram mil dias desde que as tropas russas invadiram a Ucrânia. Joe Biden, enquanto arrumava as gavetas da Sala Oval, deu um presente aos ucranianos: já podem utilizar o armamento americano que lhes foi oferecido contra alvos em território russo. Putin decidiu alterar de imediato a filosofia militar russa: agora até um ataque com armamento convencional poderá desencadear uma resposta nuclear. Os mais pessimistas já vêm o fim do mundo ao virar da esquina. * Seria irónico o mundo acabar já, sem ser dada oportunidade a José Sócrates de se defender em tribunal daquilo que ele considera ser “uma guerra de extermínio”. Passaram dez anos sobre a detenção do antigo primeiro-ministro. * Também se assinala esta semana um recorde: nunca, como este ano, foram apresentadas tantas propostas de alteração a um orçamento. Foram mais de duas mil. Só o Chega avançou com mais de seiscentas. Vai ser votar até às tantas ao longo da próxima semana. E há tudo: de grandes medidas a minudências de pequena política.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: História e mais História, Poesia e a biografia de um poeta
Na estante do Governo Sombra, há desta vez ideias antigas para problemas presentes e futuros, no ensaio “História para Amanhã”, de Roman Krznaric; há uma investigação de vários autores, coordenada por Pedro Aires Oliveira e João Vieira Borges sobre “as guerras de descolonização”, sob o título “Crepúsculo do Império”; a poesia chega com a assinatura de um prosador, Valério Romão, no livro “Mais uma Desilusão”; e há poesia também, naturalmente, na biografia de Du Fu investigada por Michael Wood em “O Maior Poeta Chinês”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Grossman, Napoleão, Herbert e Bethencourt
Esta semana, na estante do Governo Sombra, os ensaios sobre Israel e a Palestina (com o título ‘O Coração Pensante’) de um escritor israelita (David Grossman) alarmado com a deriva extremista, de parte a parte; a monumental biografia de ‘Napoleão, o Grande’, por Andrew Roberts; a ‘Poesia Quase Toda’, de Zbigniew Herbert, o poeta polaco de quem o Nobel não se lembrou a tempo; e um estudo sobre a ascensão e queda da elite mercantil cristã-nova, pelo historiador Francisco Bethencourt, sob o título ‘Estranhos na Sua Terra’.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Conflito de interesses? Qual conflito de interesses?
Quantas horas têm os dias da ministra da saúde? Será que Ana Paula Martins está a ver-se obrigada a horas extraordinárias para ajudar a sua secretária de estado a distinguir “anemia” de “amnésia”? Do que já não restam dúvida é que o governo da Madeira tem os dias contados. Será Albuquerque defenestrado pela moção de censura ou, ainda antes, na votação do orçamento para 2025? Nos Estados Unidos, as escolhas de Trump tornam claro que, para a nova administração, o conceito de “conflito de interesses” é letra morta. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Vencidos, vencedores e sarrafuscas várias
Qual a pergunta certa: ‘como é que Trump ganhou’ ou ‘como é que os democratas perderam’? Vamos ter pela frente quatro anos para encontrar a resposta. Numa coisa a eleição do futuro inquilino da Casa Branca foi diferente da anterior: os vencidos aceitaram a derrota sem ranger de dentes nem violência. Na realidade mais comezinha da política nacional, uma deliberação autárquica controversa desencadeou uma sarrafusca interna entre socialistas. Com o regresso a uma animosidade evidentemente, mas não nomeada, entre o anterior e o actual secretários-gerais do PS. Enquanto isso, há duas ministras na corda-bamba. Começa a pairar o fantasma da remodelação governamental, o que já obrigou o primeiro-ministro, em ambos os casos, a vir defendê-las em público. Em Espanha, nem uma tragédia com mais de duzentos mortos fez esquecer a guerrilha política entre o governo socialista e o poder autonómico que reúne a direita tradicional e a extrema-direita.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: tirania, revoluções, religião e morte
Na estante do Governo Sombra, temos esta semana um ensaio de dois professores de Harvard sobre as disfunções da política americana: “A Tirania da Minoria”, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt; uma reflexão, com enquadramento histórico, em que Fareed Zakaria expõe argumentos sobre o momento presente, a que chama “Era de Revoluções”; há ainda um diálogo sobre as crenças religiosas de um dos grandes nomes do cinema contemporâneo: “Conversas sobre a Fé”, entre Martin Scorsese e António Spadaro; e de um especialista italiano na cultura clássica, Dino Baldi, “Mortes Fabulosas dos Antigos”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Lixo, queixas-crime e tasers
Não é com 'tasers’ que nos protegemos da realidade, evidentemente. Claro que as armas de electro-choques, que faltam à polícia, também não impedirão frases grotescas de dirigentes políticos com assento parlamentar. Declarações que merecem censura generalizada, embora daí a considerá-las crime, como pretende quem se queixa delas em tribunal, vá um passo perigoso que, paradoxalmente, pode vir a conceder uma vitória ao infractor. Para o desconcerto do mundo ser completo, só falta consumar-se o cenário de turbulência política que se adivinha a partir da próxima terça-feira, depois da palavra-chave da semana ter sido “lixo”. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livro da semana: surrealismo, heroísmo, auto-ficção e revolução
Na estante do Governo Sombra, esta semana, encontramos um livro decisivo para a chegada do surrealismo a Portugal, que nunca tinha tido tradução portuguesa: "História do Surrealismo", de Maurício Nadeau, as memórias póstumas de um mártir russo: "Patriota", de Alexei Navalny; o romance mais recente de Rachel Cusk: "Desfile", e o catálogo da exposição “Unidos Venceremos! Protesto, Greves e Sindicatos no Marcelismo (1968-1974)”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A semana de todos os perigos
Sabemos como começam fenómenos destes, não podemos saber como acabam. Um homem morreu numa intervenção da polícia. Ainda antes de qualquer inquérito concluído, a PSP emitiu um comunicado justificando a acção policial. O homem estaria armado com uma faca e o agente da autoridade agiu em legítima defesa perante uma arma branca. Versões posteriores contradizem esta narrativa. A polícia, além de matar, mentiu? Na periferia de Lisboa a dúvida foi pretexto para quatro noites de violência e vandalismo. Foram queimados vários autocarros e há um motorista da Carris internado em estado grave. Perante este quadro que aconselharia prudência e responsabilidade, o líder parlamentar do terceiro maior partido na Assembleia não se coíbe de dizer que “se calhar, se (os polícias) disparassem mais a matar o país estava mais na ordem”. O mundo está perigoso. Perante isto o episódio dos insultos do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros ao Chefe de Estado-Maior da Força Aérea parece uma brincadeira. Mas não é. Como não foi a brincar que o primeiro-ministro desfraldou a bandeira política do combate à disciplina de educação para a cidadania sob uma ovação do congresso do PSD. Quem parece ter sido apanhado na curva foi o ministro da Educação, admitindo que este não é o problema mais importante na área que tutela. São as guerras culturais a que temos direito. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Albânia, arte no feminino, entrevistas políticas e os malefícios do amor
Esta semana, na estante do Governo Sombra, encontramos uma memória pessoal da ditadura de Enver Hohxa, no livro “Livre”, de Lea Ypi; uma “História de Arte”, assinada por Katy Heller, diferente de todas as outras: “Sem Homens”; as entrevistas de Maria João Avillez a grandes protagonistas políticos portugueses em “Eu Estive Lá”; e um clássico da literatura latina: “Remédios Contra o Amor”, de Ovídio.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O drama do pedestal (e as novelas que se seguem)
E daqui em diante como viveremos nós sem a novela do orçamento? Ainda há a das gémeas, é certo. Temos agora a do julgamento do caso BES (mas com 18 arguidos, estando em causa 300 crimes e arroladas 700 testemunhas, são tantas as personagens que rapidamente perderemos o fio à meada). E há a corrida à Casa Branca, que promete emoção (e angústia) até ao fim. Enquanto isso, com o orçamento virtualmente aprovado, em breve se verá como evolui a relação de Pedro Nuno Santos com os comentadores socialistas (desalinhados) no seu “pedestal”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Patino, Barreto, um clássico infantil e política com p pequeno
Na estante desta semana, vamos do excesso de informação a um compêndio de trica política, passando por um belo livro infantil e por uma reflexão sobre os 50 anos da Revolução. Neste caso, António Barreto reúne um conjunto de textos e intervenções no volume ‘Abril’. A respeito do mesmo período, o meio século de democracia, Liliana Valente e Filipe Santos Costa investigaram e reuniram episódios saborosos de pequena política (com um protagonista em destaque: Marcelo Rebelo de Sousa). O ensaísta francês Bruno Patino faz, num ensaio significativamente intitulado ‘Submersos’, um diagnóstico preocupado da sobrecarga de estímulos e informação com que estamos confrontados na sociedade contemporânea. Por fim, para não nos acusarem de sermos (apenas) cínicos, fica a recomendação de um belo livro infantil com mais de meio século e pela primeira vez traduzido e editado em Portugal: ‘Harold e o Lápis Púrpura’, de Crockett Johnson.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O irrevogável Natal dos auriculares
O folhetim do orçamento ainda está para durar. O PS continua sem dizer se viabiliza a proposta do Governo. O Chega já disse tudo e o seu contrário. A palavra “irrevogável” talvez precise, aliás, de um novo verbete nos dicionários. Enquanto isso, a despesa pública corrente está a crescer a um ritmo que já não se via há mais de trinta anos. Em simultâneo com uma promessa de redução das receitas fiscais. Já é Natal e ninguém nos tinha avisado. Para a RTP é que não será: vai deixar de ter publicidade. Com menos 22 milhões por ano, televisão e rádio públicas um dia destes terão de começar a cortar nos auriculares dos repórteres. E depois quem é lhes sopra as perguntas ofegantes de que Montenegro não gosta? Livros da semanaSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Gardeazabal, Applebaum, Sousa Braga e o Haiti
Na estante do Governo Sombra, arrumamos esta semana o romance “Origami”, de José Gardeazabal, um novo ensaio de Anne Applebaum intitulado “Autocracia, Inc.”, o mais recente volume de poesia do poeta Jorge Sousa Braga, “Flor Cadáver”, e uma história da revolução haitiana, escrita em 1939 e agora redescoberta, com o título “Os Jacobinos Negros”. Episódio completoSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Joana Artificial Dias
E se de repente fizéssemos este programa com inteligência? (Inteligência artificial, bem entendido, que não estamos aqui para o auto-elogio.) Fomos a um encontro de geeks tecnológicos - que passaram dois dias a discutir as questões legadas à inteligência artificial - e convidámos a Joana. Houve quem lhe chamasse Joana Artificial Dias. Perante os especialista do IDC Directions não se saiu nada mal.See omnystudio.com/listener for privacy information.

O xerife, o chefe de turma e o banana da sala
Quem quer casar com a carochinha orçamental? Pedro Nuno Santos faz finca-pé nas suas linhas vermelhas. Luís Montenegro acusa o líder do PS de radicalismo e inflexibilidade. André Ventura garante que não será “o banana da sala”. Mas sempre acrescenta que tudo fará para evitar uma crise política. Talvez seja desta que o adjectivo “irrevogável” ganha, em definitivo, uma nova acepção no dicionário. Enquanto isso, vacinada (atenção à chalaça) contra políticos profissionais, a maioria dos inquiridos numa sondagem sobre presidenciais está disposta a eleger uma farda. Siga a Marinha. Mais apostado em consolidar o lugar de chefe de turma do que a candidatura a chefe do governo, Pedro Nuno Santos foi visitar o país real afectado pelos incêndios - mas só em autarquias socialistas. Em Lisboa, o presidente da Câmara mandou a polícia municipal começar a fazer detenções. Depois logo se vê o que dizem os pareceres jurídicos sobre o assunto. Ah, xerife!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Carlos Fiolhais, Maria Filomena Mónica, Luísa Costa Gomes e Teresa Veiga
Esta semana, na estante do Governo Sombra, ou lá como se chama isto agora, há contos, contos, contos. E física divertida. “Toda a Física Divertida”, de Carlos Fiolhais. Os novos contos de Teresa Veiga em “Vermelho Delicado”. Os novos contos de Luísa Costa Gomes em “Visitar Amigos”. E crónicas autobiográficas de Maria Filomena Mónica reunidas no volume “Sonata de Inverno”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ai, meu “rico povo”
Uma tragédia não se discute. Certo. Mas se não se importam vamos ter de debater a resposta política à calamidade. O primeiro-ministro, fazendo voz grossa, acusou os “interesses que sobrevoam” aquilo que aconteceu nesta semana que pôs o país de luto. Importa-se de esclarecer a que interesse se refere? A ministra da administração interna, em parte incerta durante quatro dias, regressou com os fogos a entrarem na fase de rescaldo para ler uma longa “fita do tempo” e para elogiar o nosso “rico povo”; o que terá sido pior: a emenda ou o soneto? Mas nesta “roda em que apodrecemos” (O’Neill) há outras questões que reaparecem a cada momento: voltou o caso judicial na Madeira, voltou a controvérsia em torno dos abusos sexuais na Igreja, voltou a ameaça da queda do Governo e da dissolução do Parlamento. Ó Portugal, se fosses só três sílabas de plástico, que era mais barato!See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Rousseau, Auster, mangá e exposições
Na semana em que a floresta ardeu, a estante-sombra registou a chegada de um livro que faz o elogio dos passeios na Natureza: “Devaneios do Caminhante Solitário”, de Jean-Jacques Rousseau; também folheámos, evocando um dos temas centrais da política norte-americana em tempo de eleições, o último livro do recentemente desaparecido Paul Auster: “Banho de Sangue Americano”; entretivemo-nos com mangá nos três volumes de “Sunny”, de Taiyo Matsumoto; e evocámos duas exposições evocativas dos 50 anos do 25 de Abril, a partir dos respectivos catálogos: uma do cartoonista António, a outra em torno da figura de Amílcar Cabral: “Cabral Ka Mori”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Memes e acrobacias
Não há cão nem gato que não tenha comentado o debate presidencial norte-americano. Ao nível do meme Trump perdeu, aliás, ganhou. Foi dele o protagonismo total. Que efeito terá isso no resultado eleitoral, é a pergunta para um milhão de memes. Enquanto na América se discute o futuro de todos nós, entre nós faz-se a dança da discussão orçamental. Com muita acrobacia política e mais retórica do que matemática. Também está em equação o perfil de quem vai tomar conta do Ministério Público e a restrição dos telemóveis nas escolas. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Estantes, badanas e estrelas (episódio especial sobre livros e leitores)
bonusA tribo da leitura juntou-se no Museu do Oriente. A segunda edição do encontro Book 2.0, iniciativa da APEL, convocou especialistas, nacionais e internacionais, e vários altos dignitários: do Presidente da República ao ministro dos negócios estrangeiros. Mas também baixos dignitários: um ministro das badanas, um ministro das estantes e um ministro das estrelas (daquelas com que se avaliam livros no pouco espaço que ainda lhes é dedicado na imprensa). Leitores de todo o mundo, uni-vos (mas em silêncio para não incomodarem quem está a ler).See omnystudio.com/listener for privacy information.

Drama, comédia e tragédia (não necessariamente por esta ordem)
Jogar com uma tripla nem sempre é garantia de que se acerta. Montenegro entrou na nova temporada política a distribuir promessa. Em três sectores: saúde, transportes e pensões. Haverá eleições no horizonte? Por vezes, se toda a gente esticar a corda ao mesmo tempo, ela acaba por partir. O que torna desafiadora esta rentrée é a quantidade de incógnitas com que nos deparamos: as guerras trágicas na Ucrânia e no Médio Oriente, as dramáticas eleições americanas e algumas comédias caseiras, como os folhetins em torno do orçamento para 2025 e das presidenciais de 2026.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Novo podcast Decisão América: A semana perfeita de Kamala Harris na companhia dos Obama e de Oprah
São já consideradas as eleições mais relevantes dos últimos anos, por isso Germano Almeida, na nova rubrica da SIC Notícias, 'Decisão América', analisa os principais acontecimentos nas campanhas dos democratas e dos republicanos. Esta semana em foco a semana de Kamala Harris e os vários discursos inspiradores e mobilizadores de Michelle e Barack Obama, Bill Clinton e da apresentadora e produtora de televisão Oprah Winfrey, que apareceu de surpresa. "Kamala Harris confirmou que é alguém que está bem preparada, bem formada, rigorosa, mas sem o brilho retórico de Barack Obama ou de Michelle Obama". O convidado especial desta semana é João Vieira Borges, Major-General do Exército, presidente da Comissão Portuguesa de História Militar e coordenador do Observatório de Segurança e Defesa da SEDES.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ep 3A Agenda de Ricardo Salgado. Uma amizade com Durão Barroso iluminada pela China
Este verão o Expresso recupera o melhor do primeiro semestre de 2024: oiça aqui o podcast de Pedro Coelho sobre Ricardo Salgado e a queda do BES. A 15 de setembro de 2023, no dia em que Cavaco Silva lançou o livro “O Primeiro-ministro e a Arte de Governar”, o autor poderia ter sido o único protagonista. E, mesmo que a divisão do palco não seja o forte do homem que, a seguir a António de Oliveira Salazar, mais anos esteve no centro do poder, naquele dia, Cavaco partilhou as honrarias com uma antiga criação sua, José Manuel Durão Barroso. Há 48 referências a José Manuel Durão Barroso na agenda de Ricardo Salgado. Na maioria delas, o, à época, presidente da Comissão Europeia é apresentado, apenas, pelas iniciais – JMDB. Quatro dezenas das referências ao nome de Durão Barroso na agenda de Ricardo Salgado correspondem a reuniões ou a notas que o banqueiro ia escrevendo. Em algumas delas, Salgado convocava Barroso para lhe dar conselhos, noutras pré-anunciava pedidos de ajuda muito concretos. Oiça aqui o terceiro episódio da Agenda de Ricardo Salgado, um podcast sobre 2268 dias de vida do velho banqueiro, originalmente publicado a 21 de maio de 2024.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ep 2A Agenda de Ricardo Salgado. Um manual de influência política do banqueiro do regime
Este verão o Expresso recupera o melhor do primeiro semestre de 2024: oiça aqui o podcast de Pedro Coelho sobre Ricardo Salgado e a queda do BES. A agenda de Ricardo Salgado não pode ser considerada um objeto pessoal. Não é um diário da intimidade do banqueiro, que o presidente executivo do BES ia escrevendo nas quebras da pesada rotina. Não. A agenda profissional de Ricardo Salgado é o retrato hiper-realista de um país que tarda em desligar-se de homens providenciais. Ao seu jeito, Ricardo Salgado era – na cabeça dos que aspiravam a ter poder e a conservá-lo – um homem providencial – que abria e fechava as portas do poderoso reino da influência aos dispostos a servir, ambicionando – sem esforço gigante – elevarem-se social ou politicamente. Ricardo Salgado era amigo de alguns dos poderosos da República que desfilam na agenda do banqueiro. Mas a maior parte dos que alcançam estatuto para ocuparem pedaços dos longos e intensos dias do presidente executivo do BES serão relações de circunstância, mesmo que algumas circunstâncias se tenham prolongado muito no tempo. Oiça aqui o segundo episódio da Agenda de Ricardo Salgado, um podcast sobre 2268 dias de vida do velho banqueiro, emitido originalmente a 14 de maio de 2024.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ep 1A Agenda de Ricardo Salgado por Pedro Coelho. 2268 dias na vida do velho banqueiro: oiça o primeiro episódio
Este verão o Expresso recupera o melhor do primeiro semestre de 2024: oiça aqui o podcast de Pedro Coelho sobre Ricardo Salgado e a queda do BES. Objeto em formato digital, a agenda do banqueiro apenas me chegou e pronto. Não veio embalada em nenhum compromisso, em nenhuma troca, em nenhuma cedência da minha parte. Mas a agenda não era só a agenda. Ela vinha no topo de um pacote virtual com mais de 3 mil ficheiros, alguns com centenas de páginas. Estavam ali 2268 dias da vida do velho banqueiro Ricardo Salgado, mais e-mails, relatórios, pareceres, rascunhos, apelos, descrições de estados de alma… Jamais poderia pegar em todo aquele pacote de informação sozinho. Precisava de navegar por tudo aquilo, mas precisava, sobretudo, de filtrar, verificar, criar um fio condutor. Fizemo-lo em dez meses. Eu - Pedro Coelho, o Filipe Teles, o Micael Pereira e o Paulo Barriga. Oiça aqui o primeiro episódio da Agenda de Ricardo Salgado, um podcast sobre 2268 dias de vida do velho banqueiro, publicado originalmente a 07 de maio de 2024.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Discriminações, reviravoltas e telenovelas
As crianças filhas de pais desempregados, nos Açores, vão passar a ser discriminadas no acesso às creches gratuitas. A maioria liderada pelo PSD açoriano aceitou um requerimento do Chega nesse sentido e a decisão está tomada. Bolieiro volta a ignorar as linhas vermelhas de Montenegro. Mas claro que o acontecimento político da semana, a nível global, foi a passagem de testemunho de Joe Biden para Kamala Harris. A corrida eleitoral à Casa Branca, de repente, deixou de ser o confronto entre um vigoroso septuagenário e um diminuído octogenário; passou a ser o duelo entre uma antiga procuradora, habituada a acusar criminosos, e um milionário já condenado em tribunal e com muitos outros processos judiciais às costas. Enquanto isso, por cá, qual telenovela, o folhetim do caso das gémeas arrasta-se na comissão parlamentar onde até já há quem queira ler a correspondência privada do Presidente da República.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: um refugiado, o diário de um escritor, um marquês e dois poetas
Esta semana, na estante para as férias, há o humor agridoce de um refugiado bósnio chamado Volibor Colic, que se tornou um escritor francês e escreveu O Livro das Despedidas; há o primeiro volume da obra completa do Marquês de Pombal; há o Diário Incontínuo, com algum mexerico literário à mistura, do escritor Mário Cláudio; e há dois poetas para o Verão: o brasileiro Eucanaã Ferraz, com Sob a Luz Feroz do Teu Rosto, e Rita Taborda Duarte, Não Desfazendo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: distopia em dose dupla, ensaio e autobiografia
Na estante desta semana está (distopia nº 1) o mais recente vencedor do prémio Man Booker: Canção do Profeta, de Peter Lynch; e (distopia nº 2) um estudo sobre o efeitos dos telemóveis nos adolescentes, em Geração Ansiosa, Jonathan Haidt; há um ensaio de Diogo Pires Aurélio sobre a ideia de um poder absoluto e intemporal, intitulado Soberania Popular; e ainda a memória pessoal, traumática, ainda sem edição portuguesa, do escritor americano Shalom Auslander, criado numa família de judeus ortodoxos; no original chama-se Feh, o que em ídiche significa "que nojo". See omnystudio.com/listener for privacy information.

De Descartes ao trumpismo: penso, logo existo
Trump levou um tiro de raspão e o espectro de uma guerra civil em território norte-americano pareceu de repente tornar-se real. Mas o atentado, que podia ter resultado numa tragédia, acabou numa imagem burlesca. Os apoiantes de Trump, adaptando a velha máxima cartesiana à sua maneira, decidiram declarar ‘penso, logo existo‘ – cada um com o seu penso na orelha direita em sinal de comunhão com o candidato já entronizado na corrida à Casa Branca. No nosso mais comezinho estado da nação, enquanto se fazem contas de cabeça quanto à viabilização do próximo orçamento, os líderes partidários encavalitaram acusações mútuas, num triângulo de toques e remoques de que lá para o Outono se conhecerá o desfecho. Com que devemos preocupar-nos mais: com o estado da nação ou com o estado do mundo?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Espalhafato e marialvismo
O governo completou 100 dias no poder, sem saber quantos mais lá estará. No verão prepara-se o outono e os preparativos incluem o fandango de uma troca de galhardetes marialva: “atreve-te!”, diz um; “não penses que tenho medo!”, responde o outro. Enquanto isso, a Procuradora-Geral da República, que não gosta de “espalhafato”, deu a primeira entrevista desde que está no cargo. Não admite erros na actuação do Ministério Público, não tem desculpas a pedir e abriu guerra ao poder político. Em França, “c’est le bordel”, sem perspectivas de uma solução de governo. E Joe Biden, cercado pelos seus próprios correligionários, continua a resistir. Mesmo chamando Putin a Zelensky e Trump a Kamala.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: enganos, fotografia, teatro e wokismo
Esta semana, na estante do programa a que há quem chame Governo Sombra, temos um ensaio sobre o modo como a dissimulação e o engano, que não são um exclusivo humano, têm um papel importante na selecção natural das espécies: chama-se “Os Mentirosos da Natureza e a Natureza dos Mentirosos”; recolhemos uma obra de referência intitulada “Livros de Fotografia em Portugal”; encontramos “Remédio”, um livrinho de teatro de Enda Walsh, autor irlandês que vai estar no Festival de Teatro de Almada, ao mesmo tempo que a companhia que o leva à cena, os Artistas Unidos, perdeu de novo o espaço onde tinha o palco, na Politécnica; e a terminar há um ensaio sobre uma das polémicas associadas às chamadas guerras culturais do nosso tempo: “Racismo Woke”, de John McWorthen.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A guerra dos trocos e o meme da semana
Foi mais ou menos assim: não, nunca, nem pensar; está bem, pronto. O Chega não queria nem ouvir falar de um novo governo de Miguel Albuquerque na Madeira, mas a “limpeza” que preconiza, pelos vistos, não se aplica às regiões autónomas. No Parlamento, o anunciado cerco dos polícias não aconteceu. Aqueles que foram com os bolsos cheios de moedas de um cêntimo em resposta ao primeiro-ministro não conseguiram passar no detector de metais. O meme da semana foi a repetição incansável, pelo Dr. Nuno-meu-filho, de uma mesma frase enquanto era destratado pelos deputados: “pelas razões referidas, não respondo”. Para a próxima pode levar um tshirt estampada e poupa no latim. Enquanto isso, lá fora, o nosso destino também vai sendo parcialmente decidido nas eleições e nas campanhas eleitorais dos outros: na Grã-Bretanha, em França e nos Estados Unidos. Ouça aqui a versão podcast do Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer, emitido na SIC Notícias no dia 5 de julho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: juventude, revolução, cinema e escrita
Da estante deste Governo saem, esta semana, da Sombra os textos de juventude de “Eduardo antes de ser Lourenço”; “uma história do cinema” de Francisco Valente com o título “Espelho Mágico”; as crónicas de Manuel Vázquez Montalbán sobre a revolução portuguesa escritas quando ainda se podia dizer “Por Enquanto, o Povo Unido Ainda Não Foi Vencido”; e as lições de Miguel Esteves Cardoso sobre “Como Escrever”. Ouça o segmente mais um episódio do Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer, emitido na SIC Notícias no dia 5 de julho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Silêncio, vamos rir (para não chorar)
A Procuradora-Geral da República nunca deu uma entrevista. A ministra da Justiça, sim; esta semana; para dizer que quem suceder a Lucília Gago terá de pôr ordem na casa. Leia-se: no Ministério Público. Sublinhe-se: quem vier a seguir. Conclua-se: desta procuradora já não há nada a esperar. O que é que isto tem a ver com a escolha de António Costa para o cargo de Presidente do Conselho Europeu? Mais do que poderá parecer à primeira vista aos mais desatentos. Enquanto isso, a comissão de inquérito ao caso das gémeas prossegue; falta saber se focada no essencial ou mais inclinada para o reality show acessório. A cena internacional está, entretanto, dominada por duas eleições: uma, em França, que tem a primeira volta este fim de semana; a outra, em que vai ser escolhido o próximo inquilino da Casa Branca, tendo ficado claro, no primeiro frente-a-frente, que a escolha será entre um fanfarrão mentiroso e um idoso com dificuldades de ordem cognitiva. Está a ser um festim para os memes.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Johnson, Erva, Camões e o prémio Camões
Esta semana, na estante deste Governo, há uma reunião dos ‘Ensaios Sobre a Virtude e a Felicidade’, do escritor setecentista Samuel Johnson, autor, entre outras proezas, do primeiro dicionário da língua inglesa; há uma nova novela gráfica da artista sul-coreana radicada em França Keum Suk Gendry-Kim; há a poesia completa, em edição brasileira, de Adélia Prado, agora distinguida com o prémio Camões; e há Camões, o próprio, numa análise à sua vida e obra por Carlos Maria Bobone.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cunhas, escutas, nevoeiro e um reality show
Apesar da frase da semana - “invoco o meu direito ao silêncio” -, muito se disse sobre o caso do “pistolão”. Embora ainda pouco tenha sido apurado. A mãe das crianças doentes confessa ter errado numa gravação feita à sua revelia, em que dizia ter protecção política superior. Admite que foi “parva” e que o fez por “vaidade”. O antigo secretário de estado Lacerda Sales respondeu a pouco, refugiando-se no estatuto de arguido. E o filho do Presidente da República, depois de ter feito saber que não compareceria à chamada da comissão de inquérito, deu instruções ao advogado para abrir a porta à possibilidade de vir a responder aos deputados. O nevoeiro em torno do caso adensa-se e o reality show está para continuar. Outro folhetim que tem muito futuro pela frente é o da situação política na Madeira: Miguel Albuquerque-contra-todos, todos-contra-Albuquerque. O que continua pelas ruas da amargura é o segredo de justiça. Aquilo que o ex-primeiro-ministro disse ao telefone, sem relevância criminal, foi gravado, guardado pelo sistema de justiça, e veio a público. Transitou em escutado. Na semana em que António Costa está na corrida por um importante cargo europeu. Ele há coisas do demoSee omnystudio.com/listener for privacy information.