
Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer
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Cabeça na lua, dedo não gatilho
Livros da semana: curiosidades, cores, cultura e matemática

A realidade a tropeçar em si própria
Que a guerra não nos afaste dos assuntos domésticos comezinhos e candentes: o congresso em que o PS entrou a ameaçar romper com o PSD e de que saiu disponível para convergências com o Governo; o relatório de segurança interna, com números para todo o tipo de narrativas: um aumento alarmante das violações e uma diminuição clara da criminalidade violenta; os diferentes conselhos a Montenegro sobre a necessidade de reformas: com o Chega (Passos Coelho) ou sem o Chega (Cavaco); e a polémica da leitura obrigatória no secundário. Mas depois, inevitavelmente, há a guerra, com o aumento dos combustíveis e das prestações da casa, e o fluxo permanente de declarações de Trump, contradizendo-se a cada dia que passa. Como acompanhar a realidade se a realidade tropeça em si própria a todo o instante?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Abril, Jesus, fascismo e palavras
Esta semana, temos na estante “Em Torno de Abril – 25 Anos que Mudaram Portugal (1961 / 1986)” , de José Miguel Sardica; em tempo pascal há “A História de Jesus para Pessoas com Pressa”, de Anthony Le Donne; folheamos a reedição de “O Fascimo Nunca Existiu”, de Eduardo Lourenço; e perscrutamos segredos linguísticos com “As Raízes da Língua - A história de 50 palavras portuguesas”, de Marco Neves.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Weinberger, Hermann, Wittgentein e Hitler
Desta vez temos na estante “Os Espíritos das Aves”, de Eliot Weinberger; “Old Pa Anderson + Redenção”, de Hermann, falecido esta semana; “Filosofia na Era dos Aviões”, uma biografia de Ludwig Wittgenstein, da autoria de Anthony Gottlieb; e “Os Irresponsáveis”, um ensaio de Johann Chapoutot sobre aqueles que puseram Hitler no poder. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Muita garganta, uma frase racista e um atentado falhado
A guerra ainda não acabou ou ainda não começou a sério? Trump, que continua a enviar tropas para a zona do Golfo Pérsico, diz que estão em curso negociações. Os iranianos respondem-lhe que não deve chamar acordo à sua derrota. De um lado e do outro não falta garganta. Isto, enquanto por cá se discutem lugares no Tribunal Constitucional - reclamados até por um partido que não gosta da Constituição. Também esteve na ordem do dia o cocktail molotov que não explodiu e que poderia ter provocado uma tragédia à frente do parlamento e o voto equivocado do PS aprovando uma reprimenda à deputada socialista que chamou racista ao deputado que a invectivou com uma frase racista. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Guerra, guerras e guerrinhas
Trump pediu ajuda, levou uma tampa e respondeu que afinal não queria ajuda nenhuma. Nem precisava. Estava só a testar os aliados, esses “cobardes”. O estreito de Ormuz continua fechado ao transporte de energia e talvez já só um Afonso de Albuquerque conseguisse resolver a situação e evitar a crise mundial que se anuncia. Enquanto isso, noutras guerras, mantém-se o impasse para o preenchimento das cadeiras vazias em órgãos como o Tribunal Constitucional e o novo Presidente da República continua sem equipa formada. A semana doméstica ficou marcada também por guerrinhas no Chega e pela controvérsia sobre crianças, lado a lado, a comerem refeições diferentes – umas melhores, outras piores – num refeitório escolar. E houve ainda um recorde no corrupio de advogados de José Sócrates: só num dia foram quatro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: poesia, aforismos, contos e coisas da língua
Esta semana, na estante, temos a poesia de Elisa Costa Pinto em “Contra Corvos”; “A Sabedoria dos Clássicos”, de José Rincón e Núria Solsona; uma colectânea de contos de Luísa Costa Gomes intitulada “Triunfo do Triunfo”; e “À Flor da Língua”, de Gregório Duvivier.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: genocídio, verão quente, colonialismo e psicanálise
Esta semana, ma estante, temos “Genocídio – Uma história política e cultural”, de Paolo Fonzi; “No Terramoto de 1975”, de Tomás A. Moreira; “O Fantasma do Rei Leopoldo”, de Adam Hochschild; e “Análise - Notas do Divã”, de Vera Iaconelli.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Estabilidade e “ménage à trois”
A primeira semana do novo Presidente da República coincide com a segunda semana de guerra no Médio Oriente. Seguro enfatizou o discurso da estabilidade, com o mundo mergulhado na instabilidade. Ninguém sabe qual o plano da administração Trump para o Irão, mas sabe-se que não voltaremos ao frenesi de eleições nem que o orçamento seja chumbado. Até porque o “ménage à trois” eleitoral não dá sinais de se desfazer. No meio de tudo isto, há quem se sinta livre como um passarinho. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Guerra, alfinetadas e esquadras
“Fúria épica” parece título de filme, mas os mortos não são figurantes e a destruição não é só cenário. Trump já admitiu que quer intervir na escolha do sucessor do Aiatolá Kamenei, mas também confessa que os elementos identificados como possíveis interlocutores foram todos mortos. No PSD, Montenegro - cansado das alfinetadas de Passos Coelho - decidiu desafiá-lo para um duelo ao sol em Maio. O confronto directo em directas não vai acontecer, já foi recusado por Passos, e é previsível que o actual líder continue a ser frito em lume brando pelo líder de outrora. Enquanto isso, mais sete polícias da esquadra do Rato foram detidos sob a acusação de práticas muito feias. O novo ministro da administração interna vai ter de dar atenção às questões de segurança… em esquadras de polícia.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Gainsbourg, negociatas, marasmo e clássicos
Esta semana, temos na estante a única experiência literária do grande provocador da canção francesa: Serge Gainsbourg, com a novela “Evgueni Sokolov”; lemos duas vozes críticas da situação do país: o jornalista Gustavo Sampaio no livro “Negócios no Poder” e o colunista Nuno Gonçalo Poças em “Águas de Bacalhau - Do advento da Geringonça à ascenção do Chega”; e temos ainda os dois primeiros títulos de uma nova colecção de clássicos: “A Vida de Lazarilho de Tormes”, de autor anónimo, e “Robinson Crusoe”, de Daniel Defoe.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Passos, Montenegro, Trump, Epstein
Há um novo ministro da administração interna. A esquerda gostou, o Chega e Passos Coelho não aplaudem a escolha. Sobra uma pergunta: quem substituirá Luís Neves na direcção da Polícia Judiciária? Pormenor relevante: a PJ tem em mãos uma investigação ao primeiro-ministro. Montenegro esteve na berlinda como alvo de Passos Coelho. O antigo líder do PSD multiplicou-se em declarações, chegando a sugerir que o governo abra uma crise política se o pacote laboral for inviabilizado pela oposição. Enquanto isso, o escândalo Epstein continua a fazer estragos na Europa, com detenções e demissões, mas ainda não teve consequências judiciais nos Estados Unidos. Mesmo com suspeitas de que a administração Trump está a encobrir… Donald Trump.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: guerra, BD, teatro, Perec
Esta semana, na estante, temos “Se a Rússia Vencer”, de Carlo Masala; “Duas Raparigas Nuas”, de Luz; “A Vida do Drama”, de Eric Bentley; e “Um Homem que Dorme”, de George Perec.See omnystudio.com/listener for privacy information.

À espera de MAIs
Depois da tempestade vem o PTRR. Embora o governo não tenha conseguido a bonança com o anúncio. Um debate em que a oposição acusou Montenegro de ter falhado e que o governo devia ter feito mais, e Montenegro anunciou para a próxima semana um novo rosto para o MAI, que o substitua nas funções de ministro em exercício da Administração Interna em acumulação de funções. Apesar de ter sido o primeiro debate quinzenal depois de eleito o novo Presidente da República, as presidenciais foram esquecidas, atropeladas pelo comboio de tempestades. Quem também se sente maltratado é o secretário-geral do PS, sem resposta às cinco cartas que já escreveu ao primeiro-ministro. A semana viu também ressurgirem como protagonistas Duarte Lima e José Sócrates. Falta sempre qualquer coisa em processos desde há muito emperrados.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: luto, universidade, Nooteboom e Vila-Matas
Esta semana, na estante, temos o relato autobiográfico “Tudo na Natureza Apenas Continua”, de Yiyun Li; o ensaio “A Universidade”, de Maria Filomena Mónica; “O (Des)Caminho de Santiago, de Cees Nooteboom; e o novo romance do catalão Enrique Vila-Matas, “Cânone de Câmara Escura”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: consciência, censura, Pimenta e sentimentos
Esta semana, na estante, temos “A Consciência Contada por um Sapiens a um Neandertal”, de Juan José Millás e Juan Luis Arsuaga; “Os Filmes Rock’n’Roll e a Censura em Portugal”, de Abel Soares da Rosa; “TetraPhárMakos”, a caixa que reúne a reedição dos primeiros quatro livros de Alberto Pimenta; e “Sobre os Sentimentos”, de António de Castro Caeiro.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A abada de Seguro e as ralações de Montenegro
A intempérie fez estragos no país e no governo. A ministra da Administração Interna não resistiu e bateu com a porta. Montenegro, que só tem coisas que o ralem, ficou com o menino nos braços - isto é, com o busílis do socorro por sua conta, numa situação crítica. Inundações, população deslocada, comboios parados, a A1 com um rombo por tempo indeterminado. Tudo isto na semana em que António José foi eleito Presidente da República. Com a maior votação de sempre: uma abada. Ventura queixou-se de terem estado todos contra ele. Quis superar a votação da AD mas ficou longe do objectivo. Ganhou em Elvas, prémio de consolação com Badajoz à vista.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Votar ou não votar: nem se põe a questão
No domingo há eleições. O país vai escolher o futuro Presidente da República, mesmo com um dos candidatos a dizer que “ninguém está com cabeça para votos”. Apesar do alarme, apenas três concelhos decidiram adiar a votação devido ao estado de calamidade. A campanha eleitoral foi atropelada pelo comboio de tempestades que se abateu sobre o país. Uma intempérie que lançou o debate sobre a prontidão e a capacidade de resposta do governo nas zonas mais afectadas. A ministra da Administração Interna diz que estamos todos a aprender. Resistirá, depois da tormenta, ao período de estágio?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Facebook, renúncia, uma entrevista e um romance de despedida
Esta semana, na estante, temos a denúncia de “Gente Pouco Recomendável”, memória da desilusão que Sarah Wynn-Williams viveu na empresa que detém o Facebook; há também “Contra a Identidade - A sabedoria de escapar do eu”, de Alexander Douglas; “Susan Sontag, A Entrevista Completa da Rolling Stone”, de Jonathan Cott; e “Partida”, a despedida literária do romancista inglês Julian Barnes.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial ao vivo: Observatório do Imobiliário
bonusA SIC Notícias e a CENTURY 21 Portugal, apresentam o estudo “Observatório do Imobiliário”. Por isso o Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer não pôde deixar de estar presente, a 5 de fevereiro. A conferência contou com o apoio do Economist Impact, com o objectivo de discutir as principais tendências nesta área. Para reinventar as cidades, o acesso à primeira habitação, ao arrendamento, das políticas públicas às novas tendências no mercado, estão presentes também Carlos Vaz Marques, Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Tachos, cautelas e socorro
Sobre o assunto da semana, não há muito a dizer. Uma calamidade não se discute, lamenta-se. Só depois do socorro às vítimas será tempo de analisar o comportamento dos poderes públicos. Enquanto isso, vamos observando o comportamento dos candidatos, numa altura em que decorre a campanha para a segunda volta das presidenciais. No debate televisivo que pôs frente-a-frente Seguro e Ventura, imperou a cautela. Ventura só por uma vez usou a palavra “bandalheira”. E lançou uma proposta de que se arrependeu pouco tempo depois: que o procurador-geral da República passe a ser escolhido pela “corporação” dos magistrados do Ministério Público. Uma correcção à proposta do Chega, no Parlamento, para que a escolha seja do Presidente da República. Contraditório? Mais contradição, menos contradição, quem é que ainda está a contabilizar? Por exemplo, o número de tachos autárquicos do partido que se insurge contra o “tachismo”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: espionagem, BD, poesia e Kundera
Esta semana, na estante, temos “Estamos Todos na Mira”, de Matt Potter; “Rever Comanche”, de Romain Renard; ”A Salvo de Deus”, de Paulo José Miranda e “A Cortina - Ensaio em sete partes”, de Milan Kundera.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A aventura de um primeiro-ministro seguro (piscadela de olho)
Montenegro quer manter-se neutro para a segunda volta das presidenciais. Embora, no primeiro discurso público que fez depois da primeira volta, tivesse usado o adjectivo “seguro” por seis vezes. Terá sido uma forma insólita de contrapor seis seguros aos três salazares de Ventura? À parte essa contabilidade e os temas de campanha que vão dominar as próximas duas semanas, há ainda muito para analisar: a hecatombe de Marques Mendes, o facto de Cotrim ter ficado mais longe da segunda volta do que as últimas sondagens previram, a saída de cena sem glória do Almirante ou o eclipse da esquerda à esquerda do PS. Enquanto isso, o mundo continua refém do Big Show Trump.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: conjunções, poderosos, O’Neill e Camilo
Esta semana, na estante, temos “A Mais Rara Conjunção", de Luísa Cardoso; “O Tribunal dos Poderosos”, de António José Vilela; a reedição de “Abandono Vigiado”, de Alexandre O’Neill; e “Corografia Sentimental”, um dicionário toponímico e geográfico da obra de Camilo Castelo Branco.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial 25 anos da SIC Notícias: transformações, gafes e episódios patuscos
bonusGafes, momentos históricos e outros inusitados para celebrar os 25 anos da SIC Notícias, com o Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer, com Carlos Vaz Marques, João Miguel Tavares, Ricardo Araújo Pereira e Pedro Mexia, gravado em podcast e ao vivo no Edifício Francisco Pinto Balsemão. Os habituais protagonistas, desta vez ministros sem pasta, fazem uma viagem no tempo pelos 25 anos da SIC Notícias. Vamos ao baú da memória – em busca não só dos grandes momentos e dos grandes protagonistas, mas também de alguns instantes insólitos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Reflitamos, então
As sondagens foram as grandes protagonistas da campanha eleitoral. Mais do que candidatos ou programas políticos. Os eleitores vão escolher no domingo a sondagem a que darão razão. E dessa escolha sairá o par para a grande final de Fevereiro. Depois de um longo período de debates, arruadas e picardias é tempo de decisões. Indiferente, o mundo continua em convulsão. Os iranianos decidiram que chegou o momento de fazer frente ao regime teocrático. A repressão brutal dos mullahs não se fez esperar, Trump prometeu aos manifestantes que a ajuda já ia a caminho, mas até agora ainda não se viu nada.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: Política, bonecos, diplomacia e riso
Na estante, esta semana, temos “A Máquina de Fazer Ganhar as Direitas”, de Yves Citton, “Bonecos para o Povo”, de Pedro Piedade Marques, “O Divórcio das Nações”, de João Vale de Almeida e “Riso, Troça e Aplauso”, de Maria Virgílio Cambraia Lopes.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Petróleo, ordinarices e falta de macas
Maduro caiu, mas a ditadura venezuelana mantém-se. Aliás, a repressão policial aumentou. Trump anunciou a nova era do petróleo, não a da liberdade. Voltámos à diplomacia da canhoneira. Enquanto isso, a chamada “tracking poll” diária está a dominar as percepções eleitorais na corrida presidencial. Com Marques Mendes em queda, o último debate televisivo reavivou o conflito que o opõe a Gouveia e Melo; um confronto a que não faltaram acusações de “ordinarice”. A roubar protagonismo à campanha eleitoral, o momento crítico na saúde (urgências entupidas, mortes por falta de resposta do INEM) pode ser também um calcanhar de Aquiles para o candidato apoiado pelo Governo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os livros da semana: ficção distópica, nazis, Freud e mitologia
Esta semana, na estante, temos “Últimos e Primeiros Homens”, de Olaf Stapledon; “Uma Aldeia no Terceiro Reich”, de Júlia Boyd; “Delírio e Sonhos na Gradiva de Jensen”, de Sigmund Freud; e “A Mitologia Grega de A a Z”, de Luc Ferry.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Palpites, desejos e pedidos
Entramos em 2026 a olhar o que aí vem, mas também o que está na ordem do dia. O ano vai ser em grande medida condicionado pela escolha de 18 de Janeiro. A campanha eleitoral para as presidenciais começa oficialmente este domingo e nas próximas duas semanas é de prever um clima crescente de alta tensão política. Quanto ao resto do ano, todos temos vatícinios, todos formulamos desejos, todos pedimos o melhor - embora, evidentemente, “o melhor” não signifique o mesmo para todos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Olhando pelo retrovisor: uma elegia a 2025
Quem terá saudades de 2025? Elegemos, na última emissão do ano, o melhor, o pior e o nem por isso. Trump, o sintomático, dominou o mundo e deu gás aos neo-iliberalismos. Luís Montenegro, num inédito número de equilibrismo político, foi a figueira nacional do ano, agora que o sistema se tornou triangular. O Papa Francisco morreu e subiu ao trono de São Pedro Leão XIV. A chamada diplomacia pela força conseguiu gerar uma ténue esperança no Médio Oriente, calando as armas depois da destruição de Gaza, mas foi incapaz de acabar com a guerra na Ucrânia. Houve deslumbramento e receios de apocalipse perante a revolução tecnológica da inteligência artificial. E ainda não foi este ano que acabaram os jornais em papel, mas já faltou mais.See omnystudio.com/listener for privacy information.

A prenda: spinumviva, spinummorta
A lei da nacionalidade, proposta pelo governo, faleceu. O executivo de Montenegro averbou a derrota, mas com uma incomodidade moderada. Quem se manifestou de um modo mais ruidoso, paradoxalmente, foi o principal partido da oposição. No partido de Ventura, a decisão do Tribunal Constitucional foi considerada uma “traição a Portugal”. Na mesma semana em que se viu derrotado pelo Constitucional, Montenegro recebeu a famigerada prenda de Natal, anunciada pelo PGR. O caso Spinumviva foi arquivado. O primeiro-ministro, no entanto, não se mostrou nada agradecido. A justiça e a comunicação social foram verberadas por Montenegro, zangado com o escrutínio público de que foi alvo. Também sob escrutínio esteve uma frase equívoca do ministro da educação e a actividade profissional do candidato a Belém Marques Mendes. Tudo indica que o mês que falta para as presidenciais vai ser rasgadinho.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Atropelamentos e fuga
Houve greve geral. Inexpressiva, diz o governo. Apesar dos serviços encerrados e da união, inédita em mais de uma década, das duas centrais sindicais. Um protesto a coincidir com a distinção da revista The Economist, que considerou Portugal “a economia do ano”. Quem foi que disse que o país está melhor, as pessoas é que não? Na pré-campanha presidencial, dois debates picados agitaram as águas. Mendes atropelou Cotrim e Seguro afundou o almirante. Mas ainda falta mais de um mês para o tira-teimas. Enquanto isso, o PGR diz que o interpretam mal e que até nem quer estar onde está. Talvez alguém possa fazer-lhe um favor e acabar-lhe com o sofrimento.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: crueldade, tipos, poesia e humor
Na estante desta semana, temos o cruel Conde de Lautréamont e um capítulo autónomos dos “Cantos de Maldoror”: “Mervyn”; há “Uma Ode à Tipografia”, de Pablo Neruda, em composições gráficas originais; lemos a poesia completa de Kaváfis no volume “Aquele Belo Rapaz”; e regozijamo-nos com a tradução portuguesa de uma clássico do humor: “Simplississimus”, de Hans Jakob Grimmelsshausen.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Especial ao vivo: Juramento de Hipócrates 2025
bonusNo Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer apadrinhado por Hipócrates, ao vivo da Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota, em dezembro de 2025, Ricardo Araújo Pereira declarou-se bexigoso, Pedro Mexia sentiu-se seguro, e João Miguel Tavares apresentou-se como missionário. No Porto, a convite da Secção Norte da Ordem dos Médicos, o Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer assistiu ao juramento de Hipócrates e deu os parabéns a cerca de 650 novos médicos que passaram a estar aptos a tratar da saúde aos portugueses.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Narcos, esclavagismo e mentiras
O teor de conversas privadas de António Costa, enquanto era primeiro-ministro, veio esta semana a público. O Ministério Público acha que o que há a fazer não é apurar a origem da mensagem, mas processar o mensageiro. Ao mesmo tempo, os elementos das forças de segurança acusados de escravizar imigrantes no Alentejo saíram em liberdade por uma minudência processual. E o líder da força política que mais tem atacado os imigrantes, reivindicando para si o papel de defensor da ordem e das polícias, só com muito esforço foi capaz de dizer em surdina que a situação era condenável. Embora tenha publicado nas redes sociais um vídeo de maus-tratos a animais com a acusação de que seriam imagens da comunidade cigana. Na verdade, era uma filmagem de há sete anos, no Egipto, e sem ninguém nela de etnia cigana. Interrogado sobre se sabia que aquilo que publicou era uma falsidade, não respondeu. Enquanto isso, o mundo também continua sem resposta acerca das intenções de Trump para a Venezuela. O pretexto para a acção norte-americana é o narcotráfico, mas - ironia da ironias - Trump perdoou esta semana um antigo presidente das Honduras, condenado a 45 anos de prisão por… narcotráfico.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: Oriente, BD, biografia e algoritmo
Esta semana, na estante, temos “Ó-Yone e Ko-Haru”, de Wenceslau de Moraes, o mais recente título do catálogo de uma editora exclusivamente dedicada a temas orientais: a Livros de Bordo; temos “Corpo de Cristo”, de Bea Lema, BD desenhada e bordada; há também “Uma biografia” de Jane Austen, da autoria de Claire Tomalin; e os segredos dos algoritmos e suas consequências em “Algoritmocracia”, de Adolfo Mesquita Nunes.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: analfabetismo, histórias, Jesus e o xadrez
Na estante desta semana, temos o relato autobiográfico “A Analfabeta”, da húngara Agota Kristof; um ensaio sobre a nossa necessidade de histórias: “Storytelling - Como as histórias nos tornam humanos”, de Jonathan Gottschall; uma introdução ao cristianismo para leitores japoneses em “Uma Vida de Jesus”, de Shusaku Endo; e ainda “Gambitos da Imaginação - O Xadrez como Ferramenta para Pensar”, de Diniz Cayolla Ribeiro. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Indignações, flores e a paz dos cemitérios
Foi uma espécie guerra de alecrim e manjerona, mas com cravos e rosas; a floricultura tomou conta do parlamento no 25 de Novembro. Em simultâneo, houve quem assinalasse os dez anos da geringonça: Pedro Nuno Santos ensaiou um meia-culpa. Na frente presidencial tivemos definições sui generis do conceito de sentido de Estado e um candidato incomodado com uma pergunta óbvia. Sócrates embaraçou Gouveia e Melo com o seu apoio e o governo indignou Sócrates com a nomeação do juiz Carlos Alexandre para vedor da corrupção no SNS. Enquanto isso, Trump e Putin voltaram a unir-se pela paz… do cemitério ucraniano.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Debates, deselegâncias e invectivas: cala-te, porca!
Vai ser uma maratona. Vinte e oito debates até ao Natal. O primeiro demonstrou que em certos momentos o papel mais difícil será o do moderador. A juntar à enxurrada de debates prevê-se uma chuva de sondagens. As duas destas semana colocam em primeiro lugar o mesmo protagonista, mas têm resultados com diferenças suficientemente significativas para alimentarem horas de especulação. Também se especulou muito, nos últimos dias, à volta da ida de Cristiano Ronaldo à Casa Branca integrado numa comitiva saudita. A visita teve como ponto alto o momento em que o homem forte da Arábia foi confrontado com o assassinato de um jornalista crítico do regime, cortado às postas. Trump não gostou da pergunta da jornalista e deixou no ar a ideia de retirar a licença à cadeia de televisão que ela representa. A liberdade de expressão já não é o que era. A não ser para o próprio Trump que, interrogado por outra jornalista a respeito do caso Epstein, lhe respondeu apenas, de dedo em riste: “quiet, piggy”; “cala-te, porquinha”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Giga-sonhos, giga-ministros e outras jiga-jogas
Sócrates conquistou mais vinte dias. A juíza acabou por ter de lhe dar tempo para procurar advogado. E daqui a pouco mete-se o Natal e a Passagem de Ano. O Procurador-Geral da República afirmou que o processo “Influencer” ainda não avançou porque haveria um recurso a empatá-lo no Tribunal da Relação. Resposta da Relação: não temos cá recurso nenhum. Parece que foi resolvido em Setembro e ninguém avisou o PGR. Enquanto isso, UGT e CGTP convocaram uma greve geral. Montenegro acusa as centrais sindicais de estarem ao serviço dos interesses de PS e PCP. Se quiser ver o pacote laboral aprovado no parlamento só lhe resta o Chega. E Chega não se compromete esperando para ver em que param as modas. Jiga-jogas tácticas na semana em que o giga-ministro Matias prometeu giga-fábricas em Sines e uma liderança portuguesa da inteligência artificial a nível mundial. Giga-sonhemos, então.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: imaginação, Vergílio, Clarice e Pimenta
Esta semana, temos na estante o ensaio “Imaginação: Cores, Deuses, Viagens e Amores”, de Francisco Louçã; o terceiro volume da “Conta-Corrente”, de Vergílio Ferreira; contos de Clarice Lispector em “A Legião Estrangeira”; e a reedição (aumentada) de “O Silêncio dos Poetas”, de Alberto Pimenta.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: filosofia, história, antropologia e bonitos cadernos
Esta semana, na estante, temos, em verso, um dos primeiros livros de Umberto Eco: “Filósofos em Liberdade”; “Histórias da PIDE”, de José Pedro Castanheira; a reedição de um clássico da antropologia portuguesa: “Ricos e Pobres no Alentejo (Uma sociedade rural portuguesa)”, de José Cutileiro; e a reunião dos cadernos ilustrados do Nobel da literatura Orhan Pamuk em “Memória de Montanhas Distantes”.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Queixinhas e golpes de teatro
Terá a moda dos “debates interruptus” vindo para ficar? Ventura aproveitou todo o tempo de antena televisivo que tinha à disposição e um instante antes de lhe agradecerem e de se despedirem dele, levantou-se, arrancou o microfone da lapela e fez o número do ofendido. A semana foi marcada, entretanto, pelo debate sobre as condições da Ministra da Saúde para se manter no cargo. Até foi noticiado que a própria já terá tirado senha para poder ter alta do governo; mas terá ficado em lista de espera. Também à espera de uma conclusão do julgamento de José Sócrates, que não está para breve, o país assistiu esta semana a mais um golpe de teatro. O acusado perdeu o advogado, mas parece ser o menos incomodado por não ter agora quem o defenda em tribunal. Nos Estados Unidos, os democratas ganharam em toda a linha quatro votações importantes. O trumpismo não está em risco, mas percebeu-se que não é invulnerável. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rábulas, gavetas e cêntimos
A rábula dos três salazares, três vezes repetida, percorreu a semana política. Os cartazes também vieram ajudar na campanha desesperada pela obtenção de tempo de antena por parte do candidato que o tem tido abundantemente. Siga o circo, portanto. Outro candidato (ao contrário do primeiro, que afirmou três vezes) por três vezes negou a sua pertença ideológica; parece que por uma questão de gaveta. Há quem diga que para não correr o risco de ir parar à gaveta onde Mário Soares em tempos, celebremente, disse ter metido o socialismo. Entretanto, o orçamento passou viabilizado pelo PS, enquanto o PSD se entendia com o Chega para definir as regras da arte de ser português. Enquanto se fala de imigrantes e nacionalidade, não se fala tanto de saúde e habitação. E dos 10 cêntimos de aumento no subsídio de refeição. (Calma, não é já: só a partir de 2027.) See omnystudio.com/listener for privacy information.

Livros da semana: comer, olhar, rezar e rir
Esta semana, temos na estante “Volúpia. A nona arte: a gastronomia”, de Alberto Forjaz Sampaio; as fotografias de Daniel Blufuks, em “Tentativa de Esgotamento (depois do adeus); o primeiro documento oficial do Papa Leão, com o título “Dilexi Te”; e o romance de estreia de um nosso velho conhecido, WoodyAllen, com o título “que se passa com o Baum?”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Analógicas analogias digitais
Foi uma semana fantasma. O parlamento legislou sobre uma questão inexistente: quantas burqas, burkas ou burcas viram, caros ouvintes, caros espectadores, na última semana? No último mês, vá? Outro exemplo fantasma: que segurança pode esperar-se de um cabo sem certificação para transporte de passageiros que estica quatro metros? Será um cabo de plasticina? E ainda: que papel fantasma terá sido o do intelectual que descobriu, ao fim de cinco anos, estar num partido dirigido por um “predador narcísico”. Já agora que tipo de predação preda um predador narcísico? Predar-se-á a si próprio? Tudo questões para as quais a inteligência artificial ainda não tem respostas. Embora o painel desta desbunda, apesar de integralmente analógico, tenha voltado a ser convidado para encerrar o Portugal Digital SummitSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Ricardo Araújo Pereira: “Balsemão era um verdadeiro democrata. Quando encontramos um, devemos valorizar. Já não há assim tantos”
bonusNa edição especial dedicada a Francisco Pinto Balsemão, Ricardo Araújo Pereira recorda o fundador da SIC e do Expresso como um verdadeiro democrata e defensor intransigente da liberdade. O humorista sublinha que, em cerca de duas décadas de colaboração com o grupo, nunca sentiu qualquer tipo de censura ou interferência, e elogia o facto de Balsemão proteger os criadores para que trabalhassem sem constrangimentos. Destaca ainda o seu espírito jornalístico e curiosidade intelectual, que o levaram a manter-se atento à inovação até ao fim da vida, interessando-se por temas como a inteligência artificial e os podcasts. Ricardo Araújo Pereira considera que a fundação de meios como a SIC Radical foi decisiva para o surgimento de novas gerações criativas, incluindo o Gato Fedorento. Lembra-o como um homem visionário, generoso e curioso, que acreditava na liberdade de expressão e na força da comunicação como instrumento essencial da democracia portuguesa.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Caldos e rescaldos
Durante a gravação deste episódio, registaram-se alguns problemas de rede que afectaram o áudio. Foi como em todas as eleições: houve vencedores vencedores, vencedores vencidos e os outros de que não reza a história. Montenegro deu mais uma vitória eleitoral ao PSD, nalguns casos com a habilidade de cooptar gente de outras proveniências: até uma antiga autarca comunista. De tal modo que os dois nomes de que se fala para a presidência da Associação Nacional de Municípios, no rescaldo das autárquicas, são os de Santana Lopes e Isaltino Morais, dois antigos barões laranja que abandonaram o partido e foram agora a votos como trunfos pródigos do PSD. Entretanto, com o lavar dos cestos a nível local, instala-se em força a vindima das presidenciais. E quando o PS se prepara para apresentar o apoio formal à candidatura de António José Seguro, o Expresso descobriu que, entre os apoiantes de Passos Coelho, Seguro é visto como o candidato ideal. Socialistas e passistas, estranho caldo. Será o empurrão que faltava ao candidato ou o beijo da mulher-aranha?See omnystudio.com/listener for privacy information.