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Pergunta Simples

Pergunta Simples

282 episodes — Page 5 of 6

José Pedro Teixeira Fernandes | Como parar a guerra?

Os dias passam e a guerra continua. Está a acontecer o que sempre nos acontece: cansado-nos da repetição das notícias. Aconteceu com a COVID-19, acontece com a Ucrânia. Os picos de atenção e reação descem com o tempo. Até poderia ser uma coisa boa, se a guerra estivesse a um passo da paz. Todas as guerras terminam em paz. Releio a frase e, se fosse completamente rigoroso, diria: todas as guerras passadas terminaram num acordo de paz. Olhando a história as guerras extinguiam-se ou, porque uma das partes capitulava, ou de alguma maneira o agressor desistia. Na maneira mais clássica a guerra começava precisamente por uma declaração de guerra de um país a outro. E terminava num armistício. Contudo, esta guerra tem grandes diferenças e múltiplas incertezas. Em primeiro lugar ninguém declarou a guerra. A retórica do lado de Putin informa-nos que é uma operação militar. A segunda diferença é que ao contrário de todas as previsões iniciais o lado mais forte não está a ganhar facilmente. O que significa o arrastar do conflito. Com mais destruição. Mais vítimas. Mais sofrimento. Busco em José Pedro Teixeira Fernandes, Professor e especialista em Ciência Política e Relações Internacionais pistas para encontrar uma saída para a guerra. Esta conversa fala de combates, de palavras, de energia e de recursos. E a pergunta de sempre: como se pára isto? Olhando os movimentos geopolíticos em confronto na Ucrânia é mais ou menos óbvio que o tabuleiro é muito mais largo. Os valores da liberdade, democracia e modo de viver estão em choque. Mas a energia, com a transição energética e as energias limpas e renováveis versus o petróleo, carvão e gás estão também na mesa. E longe, mas perto, os gigantes Estados Unidos e China estarão a desenhar os planos de controlo geoestratégico do planeta nas próximas décadas.

May 10, 202253 min

José Manuel Rosendo | Como se conta uma guerra?

Fazer reportagem de guerra é uma arte jornalística que exige coragem, sangue-frio e bom senso. Diariamente há que enfrentar um dilema complexo: o que se mostra e o que se evita. O que se relata e o que se guarda só para nós? As grandes histórias do jornalismo tem um sinal em comum: o drama da condição humana. As histórias de vida e de morte, de desgraça e de superação são as que mais impacto tem na nossa mente. Conta-se, quase como mantra dos repórteres de guerra, que os jornalistas são aqueles que correm para um sítio de onde todos querem fugir. Vemos a guerra pelos olhos de quem é testemunha profissional. Sobram as perguntas. Como se conta uma guerra? Como se chega lá? Como se sobrevive? Como se descreve? O que sobra na ressaca da volta a casa? Nos últimos meses vários jornalistas portugueses percorreram a Ucrânia para nos contarem a guerra com a nossa maneira de ver o mundo. É isso que os jornalistas fazem num conflito militar como este. Vamos à Ucrânia com o repórter José Manuel Rosendo, jornalista da Antena 1 e da RTP. Um veterano de várias guerras e conflitos. Do médio oriente, ao norte de África e à Europa. Iraque, Egipto, Turquia, Líbia, Faixa de Gaza e agora Ucrânia. Esta conversa tem segredos revelados: como se movimenta um repórter na guerra? Onde se pode ir? Quem nos ajuda? E depois? Importa saber o que se traz na mala. (Foto tirada no Iraque em 2004 por Francisco J. Gonçalves)

May 3, 202239 min

Ep 80Pedro Brinca | Ficamos mais ricos ou mais pobres?

Vamos ficar mais ricos ou mais pobres? Suspeito que a resposta não seja fácil de dar. Talvez seja mesmo impossível. Por mais que os economistas saibam, por melhores computadores e dados que tenhamos, a economia depende de algo incontrolável: a expectativa. E a comunicação, em particular a perceção, joga um papel-chave. Aprendi nesta conversa que em economia o futuro interfere com o passado. Parece estranho. Mas de facto se cada um de nós souber ou entender que vai faltar pão — mesmo que isso seja falso — logo vamos reagir e comprar pão. E talvez comprar mais pão do que precisamos. Com esse simples movimento coletivo de açambarcamento o pão pode mesmo faltar. Não porque haja escassez, mas, porque o nosso medo esgotou o que havia nas prateleiras. Por estes tempos aparecem na minha cabeça, expressões que me lembro de quando era criança. Por exemplo, a carestia de vida. O efeito da inflação. O preço da gasolina. E de tudo o resto. Sempre a subir. Dos salários que pareciam que subiam muito em percentagem, mas menos que o aumento dos preços. Estaremos de novo aí? Está conversa é sobre economia. Como o Professor de Macroeconomia da Universidade Nova Pedro Brinca. Para mim a economia é uma espécie de ciência oculta. Mas uma ciência oculta que me fascina. Mas a pergunta é óbvia: vamos ficar mais ricos ou mais pobres? Quando economia fica mais turbulenta há que poupar e investir melhor. Embora este conselho possa provar desde já a minha incompetência a falar sobre economia. É que os maiores danos da subida dos preços é para as pessoas mais pobres. Quem tem menos recursos pode deixar de conseguir até comprar os bens mais básicos. Estou a falar de comida. Mas o efeito estende-se de forma contagiosa a todas as pessoas. Fecho com uma ideia que me deixa perplexo mostra porque nunca serei rico. Que raio de sociedade reduz cada vez mais o rendimento de quem produz batatas ou leite e pag -a mais a quem faz programas de computador ou telemóvel. Sim, eu sei, digam comigo: “É a economia, estúpido”

Apr 26, 202254 min

Ep 79Joaquim Furtado | Como se diz Liberdade?

Viva a Liberdade!Viva o 25 de Abril!Não tarda nada e comemoramos os 50 anos da revolução.Hoje é dia de falar do papel da comunicação e do seu contributo para a Liberdade.Sim, é dia de falar de liberdade de expressão, de jornalismo e de mensagens que marcaram o 25 de abril de 1974. Com a “voz” do 25 de abril.Às 4 da madrugada do dia 25 de abril de 1974, esta voz anunciou a revolução,Portugal celebra já hoje mais dias a viver em democracia e liberdade do que os dias que vivemos em ditadura.Em poucos dias celebramos mais um aniversário do dia inaugural que Sophia de Melo Breyner desenhou em 4 versos imortais “Esta é a madrugada que eu esperavaO dia inicial inteiro e limpoOnde emergimos da noite e do silêncioE livres habitamos a substância do tempo” A mensagem poética cruzada com o sincopado da mensagem militar.A revolução foi teve três D's: Democracia, Descolonização e Desenvolvimento.Os 13 anos de guerra colonial foram um dos principais motivadores do movimento dos capitães de abril.Esta conversa com Joaquim Furtado corre o tempo da Guerra Colonial, inscrita na série feita para a RTP, espreita o tempo do jornalismo atual e começa no momento zero: A madrugada da revolução dos cravos.

Apr 19, 202259 min

Ep 78Como sobreviver à guerra? | Vítor Cotovio

A inquietação. A inquietação que nos desassossega. Pode ser ansiedade. Pode ser medo. Pode ser até depressão. Não sei se vos está a acontecer, mas as notícias da guerra, em filme contínuo, provoca-me uma tensão na cabeça. Primeiro a surpresa do início da invasão à Ucrânia. A estupefação de ver um país invadir outro. Da ideia de guerra na Europa sair de qualquer possibilidade sensata. Os dias passam. As notícias de coisas terríveis invadem-nos constantemente. Sempre na rádio e televisões. Ao segundo nas redes sociais. Entre a verdade e a propaganda. E a nossa cabeça à roda. Entre a necessidade de parar de ver e o medo de perder algo importante. O acumular de tudo isto gera ansiedade. Gera esse desassossego que faz estragos no nosso espírito, na nossa mente. Convidei para esta conversa o médico psiquiatra e psicoterapeuta Vitor Cotovio em busca de chaves para despressurizar. Da guerra que sucede a uma pandemia. Como é que acontecimentos como a guerra e a pandemia de COVID-19 nos afectam a cabeça e como nos podemos defender melhor a nossa saúde mental? Numa conversa sobre a nossa mente na sociedade dos 5V e dos 5C. A saber, os 5V: volume (muito), velocidade, volatilidade, voracidade e vacuidade. Numa sociedade que vive os 5C: consumo (muito), competição, concorrência, cosmética e caos. O resultado não pode ser bom para a nossa cabeça.

Apr 12, 202252 min

Ep 77Maria de Belém Roseira | Como desenhar o futuro da Saúde?

Estamos na semana da saúde. Dia 7 de abril é o Dia Mundial da Saúde. Não precisávamos de uma pandemia para nos lembrarmos quão importante é a nossa saúde. E agradecer o facto de vivermos num país com um dos sistemas de saúde mais avançados do mundo. Sim, estamos sempre a reclamar. Sim, aborrece-nos que nem todas as pessoas tenham médico de família. Ou que a consulta do especialista demore mais do que esperávamos. Mas o SNS, os hospitais privados, as farmácias, os convencionados e o sector social oferecem uma rede redundante de cuidados de saúde que responde de forma adequada ao que precisamos. E depois há as exceções. As coisas que tem de correr melhor. Mas são infinitamente mais pequenas que os benefícios de ter uma saúde pública, universal, e quase gratuita quando precisamos de ajuda. Gratuita é uma palavra curiosa. Porque, a verdade é que a saúde é paga pelos cidadãos - contribuintes. É portanto paga antecipadamente. Com um princípio de que gosto muito: para o SNS cada um paga conforme o que pode e recebe cuidados conforme precisa. São os princípios que nos dão uma bússola e um mapa para navegar. No caso dos países democráticos liberais, como o nosso, há leis e regras universais a que todos estamos igualmente sujeitos. E essas regras são vitais. Esta conversa com Maria de Belém Roseira, jurista, humanista, duas vezes ministra e pessoa muito atenta aos direitos, liberdades e garantias era para ser sobre saúde. E tudo o resto. Mas o não respeito pelo direito internacional no caso da guerra em curso obrigou a começar por aqui.

Apr 5, 202255 min

Ep 76Nélson Olim | Como curar as feridas da guerra?

O olhar de um cirurgião de guerra português sobre o trabalho dos médicos em situação de catástrofe como as guerras e conflitos, mundo fora. A guerra na Ucrânia é apenas mais uma para Nelson Olim. Médico-cirugião português com passagens pela Cruz Vermelha Internacional e agora Organização Mundial da Saúde. Ele, como ninguém, aprendeu que o bisturi consegue reparar alguns feridos, mas nunca todos. Como cirurgião de guerra responde no meio do caos. Ordenado por um método escrito num livro sem palavras onde lhe cabe escolher que ferido deve ser operado primeiro. Também que muitos dos não escolhidos vão morrer. Por os ferimentos serem extensos. Porque as equipas médicas não chegam. Porque as balas, granadas, mísseis, obuses e outros engenhos foram feitos para matar. E nem os deuses conseguem parar esta carnificina. As Ucrânia é só mais uma história na vida das guerras dos humanos. Nelson Olim perdeu a conta às missões. Esteve, por exemplo, no Iémen, Sudão do Sul, Nigéria ou Afeganistão. Nesta conversa recolho o seu olhar sobre as imagens que nos chegam da guerra na Ucrânia. Sobre a maneira como as equipas médicas respondem. Como comunicam entre si. Como sobrevivem e ajudam a sobreviver.

Mar 29, 202254 min

Ep 75Rui Mergulhão Mendes | Como ler uma pessoa?

Hoje é dia de tirar-vos a "pinta". Conhecem a expressão: tirar a "pinta"? Ou, de forma mais descritiva, é um programa que explica alguns dos mistérios da avaliação quase relâmpago que fazemos das outras pessoas. Quando comunicamos somos imediatamente avaliados pela nossa audiência. Seja uma plateia gigante ou simplesmente um só interlocutor. Comunicar não é um simples momento em que debitamos palavras. Ou em que pensamos, falámos e escutamos à vez. Não, comunicar é muito mais vasto do que isso. Grande parte da comunicação é não verbal. Os nossos gestos, a postura, a maneira como olhamos e somos olhados. O timbre de voz, o movimento dos olhos, da boca ou das sobrancelhas. Tudo em simultâneo. E nessa dança há micro expressões que reforçam a verdade das nossas palavras ou denunciam mentiras mais ou menos dissimuladas. Há toda uma ciência à volta da interpretação destes sinais. Muito úteis, por exemplo, para uma investigação criminal ou validação da credibilidade de uma testemunha num tribunal. Ciência ou arte?

Mar 22, 20221h 4m

Ep 74Mónica Dias | Como fazer as pazes?

É preciso dar espaço à Paz. Levamos 19 dias de guerra na Ucrânia. Com incontáveis vítimas. Mortos, feridos. Militares e civis. Com imagens chocantes em todo o lado. Somos diariamente encharcados com histórias, relatos, visões do horror. Para fugir à guerra centenas de milhares formam uma coluna de refugiados para dentro das fronteiras da União Europeia. A guerra é feia. Nesta edição procuramos com Mónica Dias perceber o tabuleiro da guerra. As motivações. As decisões e as consequências. E uma inquietante imprevisibilidade. Ela é professora na Universidade Católica. Mónica Dias é uma estudiosa da Paz. Nem que seja da paz imperfeita como escreve nas primeiras palavras do título do seu doutoramento. Mas todo o saber do mundo não a impede de ficar apreensiva com esta Guerra

Mar 15, 20221h 9m

Ep 73Como explicar a guerra? Mendes Dias

Guerra. Dizer a palavra arranha-me a garganta. Fui tentar compreender a guerra. Rapidamente percebi que o nevoeiro da guerra nos impede de saber muitas coisas importantes. Num conflito a verdade é sempre uma vítima. As partes envolvidas tem objetivos, narrativas, caras, ações e intenções. A informação, contrainformação e a propaganda são armas usadas deliberadamente na contenda. A conversa de hoje tenta chegar a um modo de visão mais alargada, menos emocional. O que é difícil. A guerra na Ucrânia é uma guerra em casa. Isso choca-nos. A destruição. A morte de pessoas. Os refugiados. Por que razão a guerra aparece sempre desde tempos imemoriais quando os homens não se entendem? O convidado desta edição é um militar com sólida formação em assuntos de geoestratégia global, em relações internacionais e ciências Sociais. É o Coronel Mendes Dias. Ele esteve na guerra da Bósnia, a última antes desta. A ideia inicial da conversa era falar da maneira como a comunicação é usada num conflito. Mas tudo se alargou a uma lição de geografia e sede de poder ao longo da história. A zona da Ucrânia e da Polónia foi sempre palco central da cobiça de vários impérios. Dos Vikings, aos Romanos e otomanos, aos nazis e aos russos. Aquelas fronteiras foram mil vezes redesenhadas. Milhões de pessoas sofreram. Mas agora vemos o conflito ao vivo e em direto. Nas redes sociais. Na televisão. Por isso a pergunta que mais me inquieta: como explicamos a guerra às nossas crianças? Logo agora que todos lhes tínhamos prometido paz, educação, prosperidade e felicidade. A pergunta que me sobra não tem resposta fácil. Como se resolve este problema? Como se calam as armas? Como se protegem os indefesos? Como voltamos a algo parecido com a normalidade? Quatro perguntas ao invés de uma. A diplomacia e a comunicação tem agora um papel-chave.

Mar 8, 202258 min

Filipe Duarte Santos | Como explicar a ameaça do clima?

As alterações climáticas são um tema sério e sentido diariamente. Apesar de tudo, fingimos preocupação, mas pouco fazemos pessoalmente. Por que razão não estão as mensagens do clima a ser eficazes? Neste inverno em que faz sol. Demasiado sol. E quase nada de chuva. Vemos a consequência: seca. Com isso começamos a perceber melhor aquilo a que os mais entendidos chamam alterações climáticas. O tema é sério. E pouco falamos dele. Ou melhor, falar, falámos. Mas mudar hábitos ou comportamentos é francamente mais difícil. Falar de alterações climáticas é falar da vida dos nossos netos. Assim dito até parece estranho. Mas se pensarmos que abusar do carro, consumir e deitar fora sem regra ou desperdiçar sem freio tem um impacto nas próximas gerações, então podemos começar a ficar angustiados. Quando combinei esta conversa com Filipe Duarte Santos tinha uma ideia de pergunta inicial para abrir o caminho: por que razão num tema tão importante, as mensagens não passam? Sim, todos vemos os efeitos do aquecimento global. Sim, todos estamos a sentir, a ver a olhos vistos, as barragens a secar , as florestas a arder e o mar a subir. Sim, aqui, em Portugal. Não num sítio longínquo. Não noutro povo. E, todavia todos continuamos na mesma vidinha. É um facto que vamos reciclando. Que os sacos plásticos do supermercado já tem alternativas reutilizáveis. Que os passes dos transportes públicos são agora mais acessíveis. Mas o uso do automóvel é permanente. Cada vez há mais carros. Mais estradas boas e cidades com demasiadas pessoas concentradas. A agricultura consegue produzir alimentos em vários ciclos anuais, com consumos de água astronómicos e a industrialização, por exemplo, da eletrónica inventa aparelhos que se cansam num par de anos, porque há outro novo na loja. E porque não ligamos as duas coisas na nossa cabeça? As nossas escolhas enquanto sociedade e os efeitos que eles têm no planeta-casa-terra?

Mar 1, 202235 min

Duarte Cordeiro | Como ganhar uma maioria absoluta?

As máquinas eleitorais são uma das coisas que mais me fascinam. São na prática organizações políticas, com ideias e pessoas que querem convencer os seus concidadãos que tem uma forma melhor de resolver os problemas de todos.A máquina pode ser quase unipessoal, com a das candidaturas às juntas de freguesia. Como o candidato, a mulher, os filhos e pouco mais.Ou ser grande, nacional e envolver milhares de pessoas. Desde militantes, quadros do partido e fornecedores.Quem teve de organizar uma dessas máquinas complexas foi Duarte Cordeiro, coordenador da campanha do PS nas últimas eleições.Conquistar o poder é o objetivo de qualquer partido político.Conseguir uma maioria absoluta é o pináculo desse sonho.É que com uma maioria absoluta o partido que a conquista conseguirá aplicar sem ter de fazer grandes concessões o programa eleitoral com que se candidatou.O sistema eleitoral português está feito para dificultar a conquista de maiorias absolutas.A começar pela forma de distribuição proporcional de deputados eleitos por círculo. Ao contrário de outros sistemas onde o partido vencedor de um círculo elege um representante e os outros nada.Nas últimas eleições o partido vencedor conquistou 41,5% e até agora 119 deputados. Faltam atribuir os 2 mandatos do círculo europeu.O homem escolhido por António Costa para organizar a campanha eleitoral foi Duarte Cordeiro.Ele passou os últimos anos na posição de Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares como negociador entre os partidos e o governo. Em particular a dura negociação do orçamento do estado.Mas não só. Tinha outra missão: perguntar aos ministros se cumpriam o acordado com os partidos da oposição.Esta conversa é também sobre negociação. Entre agendas, pessoas, objetivos e sobre sincronismo.

Feb 22, 202255 min

Ep 70Luís Paixão Martins | Como perder uma eleição?

Ganhar três maiorias absolutas é obra.E o feito não está no currículo de nenhum político, mas sim de um homem da comunicação. Luís Paixão Martins era o estratega da comunicação do PS e do candidato António Costa nas últimas eleições.Dirá ele, entre a sua visão da verdade, alguma humildade e uma fina ironia, que apenas foi o consultor.Como se alguém, que não ele, criasse o plano de batalha de comunicação que levou à maioria absoluta socialista.Sim, a campanha era dirigida pessoalmente pelo candidato e experiente político, mas também "marketeer" António Costa, mas por alguma razão o reeleito primeiro-ministro o foi buscar à pacata reforma em Idanha-a-nova. Luís Paixão Martins tem um histórico, esteve no papel do estratega de comunicação na segunda eleição de Cavaco Silva como Presidente da República e com José Sócrates na primeira maioria de sempre do PS. Agora esteve na maioria de António Costa.Mas a política é apenas uma parte do seu percurso. Locutor e jornalista desde 1971 e relações-públicas a partir de 1986 ele cria a LPM uma empresa que introduz o conceito de comunicação híbrida entre organizações e grande público.Mas finda a campanha, aproveitei o pretexto para ver por dentro os segredos de uma batalha eleitoral, mas não só.Esta conversa tem uma metalinguagem. Tem que é dito, o não dito e o sugerido.É sobre boa comunicação, controlo da mensagem e motivações.

Feb 15, 202254 min

Duarte Nuno Vieira | Os mortos falam?

Hoje vamos falar muito do silêncio.De fazer perguntas a quem já não consegue responder de viva voz.Mas dá respostas. E essas respostas são pistas para descobrir a verdade.Caminhos que explicam o que aconteceu a alguém num determinado momento.Sim, hoje vamos falar de ouvir os mortos.Mas não só.Todos já vimos as séries com os CSI nas televisões.O trabalho da polícia cientifica é muito esse: descobrir pistas, contextos, tempos e factos que ajudem a esclarecer um crime.E aqui a medicina legal e forense dá uma grande ajuda.Duarte Nuno Vieira é um especialista nesta área com trabalho feito em meio fundo.Da autópsia mais simples, se é que há isso de autópsia simples, até à investigação de casos de tortura algures no globo terrestre.E a minha curiosidade em pulgas para saber como se interrogam aqueles de quem já não podem usar as palavras.Os mortos falam?

Feb 8, 202248 min

Desidério Murcho | Lógica ou falácia?

Saber a causa das coisas é um dos principais motores da curiosidade humana.As dúvidas filosóficas são uma maneira de organizar o nosso mundo.Quem somos?De onde viemos?Para aonde vamos?Mas convidar um filósofo para esta edição teve uma motivação inicial:Saber se estamos a usar bem as ferramentas do entendimento e decisão para construir um país melhor. Um mundo melhor. E chegamos a dois temas em que o filósofo Desidério Murcho tem pensamento e fala habitualmente.Estou a falar da lógica, pois claro, da lógica, do raciocínio lógico.E das falácias.Sim, isso mesmo.Das coisas que se dizem e nos parecem verdadeiras, mas são falsas.Sim, declarações que juntam a retórica com retalhos de lógica, pouco lógica.No fundo, comunicação pouco verdadeira ou com intenção de manipular.

Feb 1, 202235 min

Isabel Nery | O que sentimos ao ler reportagens escritas como livros?

Este é um programa cheio de histórias e narrativas cruzadas.Não fora a convidada uma jornalista, escritora e investigadora do jornalismo que se faz.Isabel Nery escreveu, por exemplo, a biografia de Sophia de Mello Breyner e como doente, súbita e urgente, descreveu o que sentiu deitada numa maca, sem ninguém acertar com o diagnóstico.Durante vários anos escreveu na Visão.E escreveu num modo que junta factos, dos quais os jornalistas são escravos, com uma escrita praticamente literária.Estes rios de experiências, formas de ver e contar o mundo, redundaram na tese de doutoramento que defendeu recentemente.A tese avalia o impacto que os textos jornalísticos têm em nós.Comparando textos escritos da forma mais comum, das notícias do dia-a-dia, com textos do chamado jornalismo literário.São, por exemplo, as crónicas escritas em grandes reportagens.Se leram Ernest Hemingwey está lá tudo.Todavia não são romances. São descrições de factos e emoções reais.Neste caso usando uma das mais belas descrições de um dos mais terríveis acontecimentos da humanidade: o retrato da vida dos sobreviventes (e vítimas) da bomba atómica em Hiroxima, no Japão.Este é um programa sobre a honestidade subjetiva da fórmula jornalística moderna. A foto de Isabel Nery foi tirada por Marcos Borga

Jan 25, 20221h 2m

Henrique Barros | O que aprendemos com a pandemia?

Como falamos e entendemos a pandemia? Como aceitamos ou protestamos contra as restrições? Como somos mais prevenidos ou pelo contrário mais avessos a medidas de proteção da saúde de todos nós.

Jan 18, 202245 min

Como Contar Histórias Difíceis com Dignidade? Cláudia Pinto

Como entrevistar alguém que está a sofrer? Como ouvir histórias de luto, doença ou superação — e transformá-las em jornalismo digno? Qual é o impacto real de uma boa pergunta? Neste episódio do Pergunta Simples, converso com a jornalista Cláudia Pinto, autora do livro O Intervalo da Vida e uma das vozes mais humanas do jornalismo português. A Cláudia escreve sobre saúde, doença, esperança, luto, saúde mental e tudo aquilo que fica nas entrelinhas de uma história difícil — mas necessária. Falamos da arte de ouvir, da dor de perder entrevistados, da pressão dos editores, da saúde mental dos jornalistas e dos dilemas éticos de quem escreve sobre vidas reais. 🎧 TEMAS EM DESTAQUE NESTE EPISÓDIO Como se faz uma entrevista em contexto de fragilidade O papel das perguntas difíceis (e quando não as fazer) A diferença entre empatia e sensacionalismo O impacto dos títulos e da edição nos media O peso emocional de entrevistar quem está doente Jornalismo freelancer: desafios, limites e liberdade O que ainda falta contar sobre saúde mental em Portugal As histórias que a Cláudia gostaria de poder noticiar um dia 📌 VÊ E OUVE O PERGUNTA SIMPLES EM TODAS AS PLATAFORMAS 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://bit.ly/3i6P5a3 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website oficial: https://www.perguntasimples.com O jornalismo de causas é um género pouco praticado por cá.São histórias de pessoas que de forma tantas vezes heróica conseguem superar-se dia a após dia. As histórias de superação são sempre atrativas para qualquer audiência.Tem sempre um condimento de vulnerabilidade extrema a par da superação. E nem todas acabam bem. Ou sequer ganham espaço na imprensa. Para conversar sobre estas histórias convidei uma boa amiga, jornalista "freelance", e uma das pessoas que mais conta este tipo de histórias. Cláudia Pinto não tem um emprego com secretária numa redação principal de um jornal.O que faz é encontrar boas histórias e depois propo-las aos editores de várias publicações. Ou então transformar essas histórias em livros, ou diretos no Instagram com a marca “No intervalo da vida”. Muitas destas histórias são sobre casos de saúde.E algumas deixaram cicatrizes fundas em quem as escreveu. Afinal escrever notícias implica honestidade, mas nem sempre neutralidade asséptica. As grandes histórias estão sempre aí para serem descobertas e contadas.E vale aprender algumas das técnicas que ouvimos neste programa.Ouvir os outros, fazer parte da sua história e contar com emoção o que levamos de cada conversa.Já imaginaram se conseguíssemos fazer isso em todo e qualquer momento da nossa vida?Adeus monólogos aborrecidos.Adeus reuniões monocórdicas.Adeus pessoas vazias de sentido e poesia. É como as grandes histórias: são utopias para perseguir todos os dias. Pensem nisso quando tiverem que falar a outras pessoas.Criem um momento único e inspirador.

Jan 11, 202251 min

Ep 65António Costa Pinto | O que nos dizem os políticos?

Este é o mês da campanha eleitoral.Dia 30 de janeiro vamos a votos.São as eleições legislativas.Vamos eleger 230 deputados.E desta eleição nasce o apoio ao governo escolhido para os próximos 4 anos. Então, o que nos dizem os políticos?O que nos dizem os candidatos?Os partidos?As correntes ideológicas? Os partidos políticos têm como objectivo principal chegar ao poder.E para isso precisam de conquistar votos dos eleitores.Para isso tem narrativas.A maneira como nos contam a sua história.Como se apresentam na busca da confiança dos eleitores.Além das ideias, oferecem candidatos.Aqueles que querem merecer a confiança dos cidadãos.É dessa mistura de pessoas e ideias que se faz os projetos de poder e governação.Esta edição serve para entender melhor a maneira como os políticos comunicam connosco e como nós entendemos as suas mensagens

Jan 4, 202240 min

Ep 77Rui Neves Moreira | Como responder ao imprevisto?

A Organização Mundial de Saúde reconheceu um hospital português pelas suas boas práticas na comunicação em benefício da saúde pública. O hospital de S. João no Porto viu reconhecidas em bom rigor 3 áreas: as urgências, os cuidados intensivos e o departamento de comunicação. Dois serviços de medicina pura e dura, e o serviço que assegura a voz do hospital. É neste serviço que mergulhamos nesta edição. Para saber como se organizou um hospital-cidade com 6 mil pessoas a trabalhar para falar com a comunidade. Os tempos são de COVID por isso muita da informação gerada foi fixada neste tema da agenda pública. No total do ano 2020 foram geradas mais de 18 mil notícias com fonte ou base no hospital de S. João. Mas mais de 40% das notícias nada tiveram que ver com a COVID. Foram outras histórias. Este programa não é só sobre comunicação pública. É também sobre preparação, coordenação, antecipação e liderança. A boa ou má comunicação é normalmente sintoma da saúde de qualquer organização. Rui Neves Moreira tem a seu cargo as relações com a imprensa. E partilha alguns dos segredos da maneira de funcionar da equipa de comunicação. Das regras básicas de transparência e honestidade ao treino nos porta-vozes e à sua resposta ágil e rápida. E a sobrecarga de gerir horas com 50 chamadas perdidas e incontáveis mensagens. Um retrato da célula de crise do Hospital de S. João no papel das notícias.

Dec 28, 202147 min

Ep 76Rita Marrafa de Carvalho | Como se mata alguém?

Crime, disse ela. Crimes, reportou ela Crimes mediáticos, chocantes, surpreendentes, brutais, violentos, planeados ou simplesmente aconteceram. Toda esta edição é sobre a natureza humana na sua forma mais negra, mais dramática, mais sanguinária. O crimes, como qualquer acontecimento radical da vida humana dão grandes histórias na imprensa. No fundo, cumprem desde logo todos os critérios editoriais que fazem de uma notícia, noticia. Em particular os crimes que nos aconteceram. À porta de casa. Em Portugal ou envolvendo portugueses. Mas a notícia do crime tem dois condimentos insuperáveis na narrativa jornalista: a emoção e a interrogação permanente. Quem matou? Quem morreu? Porque matou? Onde, quando, para quê? Além das perguntas formais sobra a raiva ou a compaixão. E tantas vezes o mistério. Nunca sabemos ou saberemos tudo. Rita Marrafa de Carvalho, jornalista da RTP fez uma série de reportagens e agora um livro que revista os crimes que mais impacto tiveram nos últimos anos em Portugal. Momento para a minha interrogação primária: porque nos fascina a todos o crime? Os mistérios da morte, da violência e da natureza humana vão sempre deixar-nos perguntas por responder. Mas todas as histórias que ouvimos são de tal maneira avassaladoras que é impossível ficar indiferente. Talvez o instinto de matar e o de viver estejam sempre numa luta feroz. E a vontade de contar como somos e o que fizemos seja o instinto da comunicação em todo o seu esplendor. Seja no olhar das testemunhas. No silêncio dos culpados ou na curiosidade dos que espreitam pelo buraco da fechadura.

Dec 21, 202149 min

Carlos Manuel de Oliveira | O que é o ‘marketing’ pós-digital?

Quantas vezes já se matou o ‘marketing’? E quantas vezes o marketing ressuscitou? O marketing moderno oferece sempre como música de fundo que a pessoa está no centro. Estou desconfiado que esse centro é apenas retórico e, no fundo, no fundo, o que está no centro é a influência sobre o momento em que o consumidor decide comprar. Não sei se vos acontece o mesmo: mas quando sou vítima de estratégias de ‘marketing’ agressivo ou invasivo tendo a rejeitar qualquer produto que me tentaram impingir à força. No fundo, fico com uma motivação gigantesca de contrariar o planeta inteiro. Em particular a marca que quis com toda a força entrar na minha vontade. Ora o atual ‘marketing’ dito digital veio oferecer boas ferramentas para ajudar a encontrar o produto certo para o cliente certo. Mas também veio criar um monstro de aborrecimento. Que Pode ter várias formas. As incontáveis chamadas de centros de contacto que começam por fingir estar muito interessadas no nosso pensamento ou sentimento para rapidamente anunciar que a chamada vai ser gravada como prova de transação comercial. E eu fico de cabelos em pé. Talvez por isso fui à procura de Carlos Manuel Oliveira Que descreve o seu olhar sobre o futuro do ‘Marketing’ Pós-Digital. Com uma frase que faz toda a diferença “O ‘marketing’ à medida do ser humano” O ‘marketing’ utópico citado por Carlos Manuel de Oliveira pode afinal ser um verdadeiro ovo de Colombo. Será o caminho do propósito e do fazer o bem que mais venderá do que propriamente o vender muito e em massa. E como sabemos em qualquer boa história, a utopia, o sonho maior, faz andar para a frente. Mesmo que o sonho demore tempo, ou seja, imperfeito ou impossível já se andou.

Dec 14, 202141 min

Sena Santos | Como ser uma testemunha profissional?

Contar as notícias de forma rigorosa, ritmada e direta. Com ele aprendi a fazer títulos de 7 palavras. E a contar histórias complexas em 50 segundos. O que define um Mestre? Provavelmente a marca que perdura nos seus discípulos. As manhãs da telefonia eram sempre trepidantes. No ar das 7 as 10. Acordados desde as 4 e pico da manhã. Reunião de equipa às 5h. Com cheiro e sabor de café fresco. E depois 10 pessoas lançavam-se no desafio de contar Portugal e o Mundo nos noticiários da Antena 1. Sena Santos assumia a liderança da equipa. Escolhia as notícias. O que se conta e o que já não cabe. Distribuía tarefas. Rápido. Tudo rápido. Mas tantas vezes aceitava sugestões, ângulos, ideias loucas. Tudo resumido a uma frase: conta-me a tua história. E tínhamos uns 10 segundos para fixar o valor do que tínhamos para “vender” em antena. Vender é convencer o editor que o que temos merece ser contado no noticiário. Por estes tempos aprendi muito sobre a arte da pergunta. Sobre como ser eternamente um aprendiz. Sobre o olhar do repórter enquanto testemunha profissional. A honestidade. O rigor ambicionado. O equilíbrio entre pontos de vista. O contraditório. E a simplificação quase absurda de realidades complexas. Ou sobre como ter coragem, lata ou até inconsciência de acordar poderosos às 6 da manhã. Tantas vezes com notícias difíceis. E há pessoas com péssimo acordar. Fixámos, nesta conversa, um olhar atual sobre o nosso mundo. De olhos postos no relógio. Afinal tudo começa com o sinal horário. E esse sinal, repetido cinco vezes, cinco traços de som marcados pelo relógio preto com pontos vermelhos. O sinal horário. O sinal do tempo.

Dec 7, 202146 min

Ana Isabel Pedroso | Qual é o teu maior medo?

O programa de hoje é sobre o medo.O sobre a superação do medo.E vem mesmo a calhar.Logo agora que já nos tínhamos quase esquecido da pandemia e o vírus decidiu mudar de máscara.O SARS-COV₂ tem agora a figura da variante Omicron.As variantes dos vírus são mudanças mais ou menos importantes em particular na capa destes organismos.E, porque nos interessa o tema?Porque o nosso sistema imunitário aprende a defender-se reconhecendo os vírus como ameaças.Aliás, as vacinas são exatamente formas de treinar o nosso sistema imunitário para as verdadeiras ameaças. Se o vírus muda de forma, muitas perguntas ficam no ar:É mais agressivo?As vacinas funcionam?Transmite-se mais? O que sabemos à hora que gravo este programa é que o Omicron mudou 50 zonas do virus conhecido. E 10 dessas mudanças são naquela espécie de coroa de espinhos que ele usa para nos infetar.Dentro de uma unidade de cuidados intensivos, ou numa ambulância rápida do INEM a médica Ana Isabel Pedroso confronta-se diariamente com a fina linha que separa a vida da morte.E decidiu escrever o livro “Para além do medo”, que retrata muita da sua experiência na luta corpo a corpo contra a COVID-19Nestes tempos em voltamos a ver os números a subir. Cá e na Europa.A quinta vaga já não é um medo.É uma realidade.Uma conversa para ouvir com medo ou coragem

Nov 30, 202144 min

Ep 58Como o Marketing Social Pode Mudar o Nosso Comportamento? Beatriz Casais

Será que nos convencem melhor pelo medo ou pela esperança? A pandemia trouxe a comunicação para o centro da vida coletiva. Máscaras, vacinas, confinamentos e expectativas de “regresso ao normal” foram acompanhados de mensagens públicas que nem sempre corresponderam à realidade. O episódio do Pergunta Simples com a professora Beatriz Casais, especialista em marketing social na Universidade do Minho, mergulha nesta questão essencial: como comunicar para mudar comportamentos que beneficiam o indivíduo e a sociedade? Comunicação, pandemia e gestão de expectativas Beatriz Casais lembra que a comunicação em saúde durante a COVID-19 enfrentou um paradoxo difícil: por um lado, era necessário criar esperança e mobilizar as pessoas para adotarem comportamentos de proteção; por outro, a realidade mostrava avanços e recuos, com novas ondas, novas variantes e sucessivos reforços da vacinação. Esse desfasamento entre expectativa e realidade gerou frustração. E colocou em cima da mesa a questão central: como gerir a perceção pública sem criar desilusão permanente? Segundo a investigadora, o segredo está na perceção de eficácia. As pessoas só aceitam sacrifícios — usar máscara, adiar encontros, tomar vacinas — se acreditarem que a ação é eficaz e traz benefícios reais. Se essa confiança falhar, cai por terra todo o esforço de comunicação. Medo ou estímulos positivos? O marketing social tem duas ferramentas principais: apelos negativos (medo, choque, culpa) e apelos positivos(benefícios, bem-estar, qualidade de vida). Estudos mostram que, no curto prazo, os estímulos negativos funcionam melhor: imagens chocantes nos maços de tabaco, campanhas rodoviárias de choque ou a dramatização do risco durante a pandemia. Mas, a médio e longo prazo, estes estímulos saturam e até provocam rejeição. O verdadeiro desafio é criar hábitos consistentes. E para isso é preciso mostrar o lado positivo: o prazer de uma vida mais saudável, a qualidade de vida que advém de mudar comportamentos, a sensação de bem-estar coletivo quando cada um faz a sua parte. O custo e o benefício Um dos conceitos centrais do marketing é a relação de custo-benefício. Para mudar comportamentos sociais, a lógica é a mesma: O custo pode ser o desconforto de usar máscara, o preço de um produto mais sustentável, ou o esforço de acordar cedo para fazer exercício. O benefício tem de ser claro: proteção da saúde, impacto ambiental positivo, qualidade de vida futura. Sem este equilíbrio, a comunicação não resulta. Por isso, as campanhas eficazes combinam incentivos concretos (como o IVAucher ou deduções fiscais nas faturas) com a criação de barreiras aos comportamentos indesejados (como a proibição de fumar em espaços públicos fechados ou a dificuldade de acesso ao tabaco). O consumo ético e a contradição humana Beatriz Casais também investiga o chamado consumo ético: escolher produtos sustentáveis, justos e socialmente responsáveis. O problema é que entre a intenção e a ação abre-se muitas vezes uma lacuna. Queremos comprar produtos mais éticos, mas cedemos ao preço mais baixo, à conveniência do supermercado ou ao apelo emocional de outros produtos. E é aqui que entra o papel das empresas e do sistema: democratizar o consumo ético. Tornar produtos sustentáveis acessíveis em preço e em distribuição, para que a escolha “certa” não seja um luxo para poucos, mas uma prática possível para muitos. Caso contrário, o “green” arrisca tornar-se apenas o novo símbolo de status. A geração que vai mudar o mundo Um dos pontos mais entusiasmantes da conversa é o retrato da nova geração. Jovens adultos informados, críticos e exigentes, que avaliam as empresas não apenas pelo salário, mas também pelos valores. Hoje, já não são apenas os recursos humanos a “contratar” pessoas: são também os jovens que decidem se contratam a empresa. Se não houver políticas de sustentabilidade, responsabilidade social e qualidade de vida, simplesmente recusam trabalhar lá. Este movimento está a transformar o mercado de trabalho e o consumo. De um lado, gera pressão para que as empresas se tornem mais verdes, mais éticas e mais humanas. Do outro, está a criar novos estilos de vida, mais simples e focados no essencial: tempo, bem-estar, natureza, relações humanas. Do marketing comercial ao marketing social No fundo, o que esta conversa mostra é que o marketing não serve apenas para vender sapatos. Pode ser usado para salvar vidas, promover saúde, proteger o ambiente ou gerar mais justiça social. Mas para ser eficaz, não pode limitar-se à sensibilização. Tem de estruturar sistemas de incentivos e barreiras, reduzir obstáculos e, sobretudo, mostrar de forma clara que o benefício compensa o sacrifício. Conclusão No Pergunta Simples, Beatriz Casais deixa-nos uma ideia clara: o futuro da comunicação socialmente relevante passará por alianças entre comunicação, políticas públicas e empresas. O marketing social pode ser uma ferramenta poderosa para mudar comportamentos e melhorar a vida em comunidade — mas só se for

Nov 23, 202140 min

Francisco Ferreira | Como salvar o planeta Terra?

Se parássemos um bocadinho para pensar, um bocadinho somente, ficaríamos em pânico. Não quero assustar-vos. Se calhar até dava jeito. Mas caminhamos a passos largos para fim da vida na Terra. Esta edição é sobre a surdez humana e insensibilidade radical à mais que certa transformação do planeta num forno. As mensagens ambientais não são eficazes. Os cientistas avisam e mostram provas. Os ativistas fartam-se de gritar ‘slogans’. E nós, nada. É um mistério. Saber que a extinção da vida na Terra num prazo mais ou menos curto nada preocupa os seus habitantes. Sim, isto está mais quente, há plásticos a boiar em todo o lado e só não estacionamos o carro ao lado da cama porque não conseguimos. Todos reclamamos que a gasolina está cara demais e todos assobiamos para o lado quando conduzimos a poluir. Todos suspeitamos que a carne em excesso nos faz mal à saúde e faz mal ao ambiente. Todos consumimos muitas vezes mais do que o necessário para ter uma vida confortável. E o planeta paga a sobrecarga. Esgota-se. Suja-se. Mas fingimos nem saber. Que paradoxo é afinal este? Em semana de , em Glasgow, converso com Francisco Ferreira, ambientalista a associação Zero, e arauto dos tempos que aí vem. Gravamos há um par de dias, ele estava em plena cimeira, na esperança de tentar travar a marcha dos acontecimentos. E a única certeza que sai desta cimeira é a incerteza.

Nov 16, 202134 min

Rosa Azevedo | Como escolher um bom livro para ler?

Como descobrir um grande livro para ler? Ler um bom livro é um dos maiores prazeres que qualquer leitor tem. Procurar e encontrar o próximo livro pode ser em simultâneo, fascinante ou ansioso. Como descobrimos um grande livro na imensidão quase infinita de todos os livros que se escreveram? Mesmo no grupo dos livros mais clássicos ou populares como descobrimos o que se encaixe no nosso gosto ou necessidade de leitura atual? Quando me assaltam estas dúvidas vou em busca de pessoas como a Rosa Azevedo. Ela ensina a procurar bons livros, oferece menus inteiros de boas leituras e treina-nos a encontrar o que intuímos precisar de ler. Rosa Azevedo tem uma livraria gourmet. Explico-me. Na Livraria Snob estão autores e publicações que escapam ao circuito dos livros mais vendidos. São livros que se encontram habitualmente nas pequenas livrarias independentes. Mas nada isso muda a pergunta inicial: como se escolhe um bom livro para ler?

Nov 9, 202146 min

Ivone Patrão | Como se faz uma cirurgia digital?

Dia 4 de outubro de 202. A ‘internet’ veio abaixo. Talvez esteja a exagerar. As redes sociais vieram abaixo. Talvez ainda haja algum exagero nisto. Vamos aos factos: no dia 4 de outubro o Facebook, o Instagram, o Messenger e o WhatsApp foram abaixo. Tudo ficou em suspenso por 6 horas. Um apagão geral nestas 4 redes do universo de Zuckerberg. E uma estranha sensação de orfandade entre os mais frenéticos e viciados utilizadores destas redes sociais. Descobrimos de súbito que as redes sociais já são mais que uma coisa divertida. Já são parte de nós. Para o bem e para o mal. Já fazem parte da nossa vida. São poderosos meios de comunicação, informação e entretimento. Esta conversa, por exemplo, foi precisamente iniciada por WhatsApp. Para convidar Ivone Patrão e termos uma conversa sobre estas coisas das redes e da nossa dependência psicológica. Ivone Patrão é psicóloga clínica, professora do ISPA e tem um curioso projeto de investigação chamado Geração Cordão. Entre outros projetos e linhas de investigação procura compreender o efeito da ‘internet’ nas mentes das crianças e jovens. No dia do apagão tirou umas horas para descanso e leitura. Por isso nem deu conta em tempo real que alguém desligara o interruptor das mais populares redes sociais.

Nov 2, 202135 min

António Mocho | Como sobreviver a uma crise de reputação?

Conter uma crise é das coisas mais difíceis de fazer.Há todo um campo de estudos sobre isso na comunicação.Damos-lhe genericamente o nome de comunicação de crise. Quando uma organização, instituição ou pessoa sofre os efeitos de um acidente, ou incidente, com potencial para afetar a sua reputação há ativar o plano de crise. Esse plano de crise tem normalmente dois braços. E ambos são críticos para sobreviver. São simultâneos, interligam-se, mas não são a mesma coisa. O primeiro dos braços é o que tem de resolver a crise. Reduzir impactos, resolver problemas, mitigar efeitos. No fundo, resolver o problema causado pelo incidente O segundo é o da comunicação. Como explicar o que aconteceu de forma clara, transparente e equilibrada. E a defesa da boa reputação depende da forma como se conseguir fazer estas duas coisas: resolver o problema e comunicar no contexto com públicos tão diferentes com os diretamente afetados, os jornalistas ou o governo. Nesta edição conversamos com António Mocho.Ele viveu, pensou e trabalhou em organizações que passaram por crises mais ou menos graves E recolhe essas reflexões e experiências pessoais no livro“Crise nas Empresas Comunicação com os Media - Guia para Emergências e Catástrofes”. Nele encontrei dicas e pistas para organizar a resposta a uma potencial crise muito antes dela bater à porta.

Oct 26, 202157 min

Isa Alves | Como comunicar com empatia e assertividade?

Várias pessoas com quem trabalhei ao logo da minha carreira que precisavam de ajuda para comunicar pediam uma de duas coisas: Ou pediam uma receita, uma fórmula para comunicar bem, ou então eram ainda mais pragmáticos e económicos: “Faz-me aí umas mensagens” Como é fácil perceber estes pedidos assim expressos nunca podem transformar alguém num bom comunicador. Porque o processo de comunicação não é simplesmente uma técnica, uma caixa de ferramentas, para poder pegar e usar. A principal ferramenta de comunicação somos nós próprios.Não só no que dizemos e como dizemos, mas principalmente no que sentimos e acreditamos. Os nossos valores, a nossa missão de vida. E só depois vem os nossos objetivos e a forma de dizer o que queremos. Isso implica uma entrega pessoal e intransmissível.Ninguém nos vai fazer um fato ou vestido à nossa medida.Nós somos os alfaiates da nossa forma de comunicar. É preciso descobrir dentro de nós quem somos, o que nos motiva e finalmente como o dizemos aos outros. E isso aplica-se em todo o tipo de comunicação: Da interpessoal à de massas, da familiar à empresarial. No fundo, todos queremos ser entendidos e depois reconhecidos. Nesta edição converso com uma amiga de longa data. Isa Alves, é uma comunicadora e apoiou múltiplas organizações e lideres a construir as suas narrativas.A contar a sua história. Nos últimos tempos dedicou-se a desenvolver um método de treino e desenvolvimento pessoal.E tal e qual um treinador trabalha pessoalmente com cada um para desenvolver várias competências críticas para bem comunicar. Fiquem com estas duas palavras: empatia e assertividade.Os dois ingredientes do segredo do método. Afinal qual é segredo?

Oct 19, 202152 min

Ricardo Mexia | Como ganhar umas eleições?

Uma campanha eleitoral para umas eleições são batalha com muitas frentes. Mas o objetivo final é sempre conseguir mais votos que os adversários. A estratégia geral da campanha tem sempre uma forte componente de comunicação. O candidato tem de falar ora para as massas em comícios, ora para o povo, em múltiplos contactos pessoais, corpo a corpo, olhos nos olhos. Mas principalmente através dos ‘media’ para chegar mais longe, mais depressa, de forma mais eficaz num tempo escasso. As campanhas são cada vez mais palcos para criar o cenário perfeito para a mediatização. Os gestos, as músicas, as palavras, as frases para ficar no ouvido. Nesta edição vamos em busca desse aroma de uma campanha. Neste caso da eleição autárquica à câmara de Lisboa. Como diretor de campanha do candidato aparentemente derrotado pelas sondagens, Ricardo Mexia aceita a dupla missão de liderar a campanha de Carlos Moedas e correr pessoalmente à junta de freguesia do Lumiar Este é o retrato de um médico de saúde pública com um grande fraquinho pela política que contrariou as sondagens e ganhou duplamente. Mas o caminho não foi fácil. Fiquem com o manual de instruções de uma vitória eleitoral.

Oct 12, 202141 min

Nuno Azinheira | Como treinar a força de vontade?

Esta semana retratamos a força de vontade.Provavelmente já ouviram falar ou leram algo sobre a importância da força de vontade.De querer muito.E de nesse jogo em que nos treinamos para conseguir vamos repetindo a nós mesmos verdadeiros mantra.Como o “vou conseguir, vou conseguir”Quando falamos de motivação o processo de comunicação é chave.O nosso cérebro tem um estranho e guloso apetite por palavras. As ouvidas e até as pensadas.Por isso dizer aos outros ou dizer-mo-nos coisas tem normalmente efeito. É sobre isso que o convidado desta semana nos vem falar.Nuno Azinheira, jornalista, embora diga agora que é ex-jornalista, como se isso fosse possível, criou uma plataforma chamada “Escolher Viver”Ele diz que é sobre nutrição, bem-estar e saúde.Eu digo que é sobre a força de vontade.

Oct 5, 202149 min

João Carlos Brito | Como fala o povo?

Ditos, escritos, códigos, calão e expressões mais ou menos agrestes ou sorridentes. É dia da língua dos que não são doutores, mas sabem tudo sobre a vida.A língua é a nossa biblioteca da alma.Falar e entender português não é simples e mecânica operação de palavras e regras gramaticais. Quando os poetas inventam a língua rasgam estradas no nosso modo de ver.Mas quando povo reinventa palavras e expressões, aperceberemo-nos no mais fundo da cultura popular. Este é o programa em que vos digo "-bai-m’à loja (e traz-me o troco)" Dito assim de forma jocosa. Ou se preferir o mais carinhoso"-vem para a minha beira"Expressão do norte que replica um mais selecto: "anda para o pé de mim" Nesta edição cabem 12 mil expressões populares recolhidas por João Carlos Brito num livro chamado de “Dicionário de Calão do Norte" Cum carago, João, é preciso comer muita broa para ler isto tudo.

Sep 28, 202132 min

Miguel Prata Roque | Como se faz a Lei da Liberdade?

Hoje o tema do programa é a Liberdade.A liberdade filmada. A liberdade vista e pensada por máquinas ditas inteligentes.O Pergunta Simples é sobre comunicar sobre a nossa forma de ser humano. Sobre o ar que se respira.Sobre namorar num banco de jardim sem ser visto por alguém com uma câmara autorizada a filmar potenciais criminosos. A expressão “Sorria, está a ser filmado” sempre me causou arrepios.Tenta usar o fino gume da faca do humor para anunciar que a minha imagem é agora de alguém, e a minha liberdade individual reduziu-se. Nas últimas semanas a imprensa dá eco a um novo conjunto de leis que vai permitir mais câmaras, mais filmagens, mais observações em espaço público. Por exemplo, permitindo às polícias usar e ver as imagens das câmaras de vigilância não só públicas mas também privadas. Recorrendo à inteligência artificial. E recolha de dados biométricos. E a minha bolha da intimidade e liberdade de ser e estar ficou de súbito mais pequena. Nestes tempos em que a cada ameaça, real ou comunicada com especial intensidade, tem como consequência uma nova regra é difícil perceber o que está a acontecer-nos a todos. Esta é uma conversa sobre a Liberdade. E como os cidadãos entendem as leis e as regras.

Sep 21, 202154 min

José Gameiro | Como se ouvem as mentes?

Todos os dias ouve pessoas que sofrem.Pessoas que lhe entram no consultório com pedidos de ajuda.Com demandas para ser guia de um certo regresso à felicidade.Ou pelo menos a alguma harmonia.José Gameiro é médico psiquiatra e sonhou-se como médico daqueles que salva o doente contra o relógio.Seria um Doctor House ou um enviado especial do INEM para ressuscitar um sobrevivente impossível?A ideia romântica do que somos ou queremos ser persegue-nos sempre. E o choque com a realidade acorda-nos. Esta conversa esteve aprazada para antes das férias, mas ainda bem que aconteceu agora.Deu tempo para respirar.Simbolicamente esta é a semana em que caem as máscaras das nossas caras, enquanto nos mostramos aos outros na rua. No jogo das máscaras que todos jogamos uns com os outros há terrenos férteis para imaginários, felicidades e dores. As famílias e em particular os casamentos têm bíblias de amores e caneladas.Quando algo corre mal, por crise ou rotina, é a pessoas como José Gameiro que recorremos em busca de uma bússola e de um mapa. A maioria de nós lida mal com a incerteza. E a vida é incerta por natureza.José Gameiro acreditou que a pandemia seria transitória e com poucas nódoas negras na nossa alma. Hoje pensa diferente. E eu quis saber se este período de tréguas a que chamamos férias - para os que puderam - ajudou a equilibrar o nosso mundo interior.

Sep 14, 202150 min

Anabela Mota Ribeiro | Como se faz uma boa pergunta?

A ideia de fazer este podcast foi sempre a falar sobre o dilema da comunicação. Comunicar é um acto fracamente democrático. Todos podemos fazê-lo. Mas comunicar é, em simultâneo, um ato de simplicidade e de complexidade extrema. E eu sempre adorei os paradoxos da vida. A escolha dos vários convidados que aceitaram criar diálogos comigo, teve um critério principal: a existência de uma curiosidade iniciática, um tema, afirmação ou interrogação que fosse detonador para uma vontade de querer saber. Claro que depois se misturou a subjetividade individual, a maneira de comunicar e aquilo que todos podemos fazer uns com os outros: aprender. Por isso fui à procura de inspiradores, criadores, líderes, visionários ou simplesmente crentes na alma humana. Se conseguiram ouvir algo disto no Pergunta Simples então a sua missão está cumprida. Escolhi Anabela Mota Ribeiro criar a edição de hoje. A Anabela é jornalista, tem centenas de entrevistas nos currículo e uma curiosidade insaciável. Coincidimos na telefonia. Na rádio pública algures entre 2008 e 2010. Ela correspondente em Londres. Mas já a tinha descoberto muito antes do que isso. Ao ler aquelas entrevistas lentas escritas em revistas ou jornais de fim-de-semana a pessoas cheias de coisas para contar. Muitas dessas entrevistas estão no site dela https://anabelamotaribeiro.pt/ e podem ser descobertas ou relidas. Mas esta conversa é principalmente sobre uma única coisa: a arte de perguntar. Como se fazem boas perguntas? O que é uma grande pergunta? Foto de Estelle Valente

Jul 27, 202147 min

Carlos Fiolhais | Para que nos serve a ciência?

Nesta semana o tema podia ir daqui atéa Lua.Do movimento dos astros até a teoria da relatividade.Vamos falar de física, de ciência, de biologia.E o que tem a ver isto com a comunicação?Tudo. Todos os físicos que eu tive oportunidade de conhecer na vida tem o dom da comunicação.O convidado desta semana. Tem-no em doses generosas.O segredo só pode ser uma fórmula secreta: junta pensamento estruturado, simplicidade de linguagem, subversão permanente e humor efervescente. Carlos Fiolhais é professor de física na universidade de CoimbraE como todos sabemos os físicos sabem os segredos do universo.Carlos Fiolhais não se limita a saber os segredos. Passou a vida toda a contar a toda a gente o que sabia.E quando digo toda a gente é mesmo toda a gente.É um dos mais importantes divulgadores de ciência portugueses.E tem uma maneira francamente bem humorada de ver o mundo.Neste diálogo percorremos 40 minutos sem pausas nem para respirar.Falou de ciência, da incrível resposta à covid, da internet, como se inventou e afinal para o que serve.E falou - em todas as palavras - do seu compromisso com os factos. Com a verdade.O pretexto desta conversa foi uma última aula.Que afinal foram duas.Talvez isto de dar a última aula seja uma realidade francamente elástica.Os cientistas buscam sempre provas para hipóteses. E quem faz comunicação depende de bons factos para inspirar boas percepções.Pode não ser física quântica nem matemática aplicada, mas todos precisamos de confiar no que nos dizem.E para isso há que escolher fontes fidedignas e bem intencionadas.Regra deste jogo: perguntar primeiro, acreditar depois.

Jul 20, 202142 min

Afonso Cruz | Como se contam boas histórias?

Os escritores são enigmas.E perguntadores por excelência.Não sei se vos acontece, mas a mim os livros enchem-me de perguntas e de legendas de tradução do mundo.Parti para esta edição com a pergunta inicial: “Como se contam boas histórias?” Ninguém melhor que um escritor para explicar como se desenha uma narrativa.Neste caso mais do que um escritor. Afonso Cruz, é escritor mas também realizador, “designer”, ilustrador e músico. Muitos instrumentos para uma voz única.Descobri-o no livro “Para onde vão os guarda-chuvas”. E acabei de devorar o “Vício dos Livros”. Com 50 anos escreveu 30 livros.Afonso Cruz é um homem de mil ofícios criativos.

Jul 13, 202136 min

Rui Correia | Como ensinar bem?

Hoje falámos da arte de ensinar.E das formas de aprender. Partilhar conhecimento é um ato de comunicação.E os alunos uma audiência exigente. É dia para falar de fórmulas para enviar e aprender melhor.A escola aborrecia-me muito.Em particular a escola secundária.As matérias eram na sua grande maioria aborrecidas e o estímulo à curiosidade era normalmente baixo.E cá fora, no mundo, havia tanta coisa interessante.Tantos porquês, tantos temas fascinantes.Mas a escola era uma obrigação por isso era para fazer e levar a sério.Mesmo quando pensava que muito daquele conhecimento não me ia oferecer grande coisa.Mas a reduzir o meu percurso pela escola a isto é claramente insuficiente.É que houve momentos de fulgor, de curiosidade, de frenesim do conhecimento. Hoje é para mim fácil perceber quer esses momentos aconteciam quando se juntavam três coisas: um professor com capacidade de gerar em mim emoções, a matéria gerar curiosidade e, principalmente, a minha possibilidade de reinventar essa informação dentro da minha cabeça. Havia também um fator X: Os professores que acreditavam nos alunos e aqueles que cultivavam uma espécie de indiferença. Fui em busca de um professor que tem esse fator X.O professor Rui Correia, das Caldas da Rainha.É professor de história e escreveu um livro a contar como cativa os alunos.O livro pode ser encontrado aqui Cá Dentro - O Lugar da Escola nos Nossos Miúdos Cá Dentro - O Lugar da Escola nos Nossos Miúdos Mas para já fiquem com a conversa. Eu quis saber desde logo o que leva este professor a ter uma paixão indisfarçável pela arte de ensinar.

Jul 6, 202145 min

Silva Graça | O que aprendemos com os vírus?

Passei 19 anos a falar sobre temas de saúde na rádio pública.E não conhecia, nunca entrevistei até agora, e apenas conheço pelo telejornal. Chama-se António Silva Graça e é médico infeciologista.Coube-lhe explicar-nos os passos do vírus que nos inferniza a vida. Confesso que a forma como a imprensa cobriu a pandemia, e ainda agora cobre, não me satisfaz. Aparecem números. Aparecem estatísticas. Aparecem reportagens dos casos mais emocionais.Mas faltaram muito os “porquês”O contexto. Porque se multiplica o vírus aqui ou ali?Quem são estes grupos de pessoas?Porque chegou a estes e não a outros? Responder aos porquês ajuda-nos a perceber as coisas. A compreender a causa das coisas. Ora foi isso mesmo que Silva Graça nos veio oferecer na televisão.Veio oferecer uma palavra de contexto.Explicar as tendências. Ajudar-nos a perceber melhor. E os próximos tempos serão ainda de dificuldade.As novas variantes. A maneira como as novas gerações interpretam a ameaça que representa este vírus. Para quem dedicou a vida a combater vírus e bactérias, cada nova ameaça é uma nova história.

Jun 29, 202141 min

Sara Batalha | Como treinar para ser um bom comunicador?

Comunicar precisa de treino.Não chega só treinar.Mas ser bom a comunicar é normalmente um misto entre boas aptidões e treino intensivo.Nos últimos anos a comunicação pública, a fala aos jornalistas, à imprensa, rádio e tv., ganharam expressão. Pessoas e organizações querem cada vez mais participar no diálogo público.Dar a sua visão e influenciar a marcha do mundo. Muitos dos candidatos a aparecer nos média não tinham ou não tem competências para comunicar bem neste palco. E recorrem muitas vezes a empresas que dão formação em media training.Mas estas formações evoluíram igualmente muito nos últimos anos. A convidada desta semana é Sara Batalha, especialista no treino de comunicação e desempenho público de líderes sociais, comunitários e empresariais. Nesta conversa aprendi como se descobrem tópicos e assuntos verdadeiros para depois partilhar com o público. Afinal todos queremos ver e ouvir pessoas interessantes a falar em público.

Jun 22, 202150 min

Luís Campos | Como será o hospital do futuro?

Como será o hospital do futuro? Nesta edição falamos de saúde.O segundo episódio de uma série de dois em que falámos da maneira com o sistema de saúde responde aos cidadãos.Como os ouve, como responde às suas necessidades.Aproveitando o fórum anual dos administradores hospitalares, vamos fazer um retrato do que temos e precisamos para uma saúde mais ajustada às nossas necessidades. Na primeira edição dessa série ouvimos Alexandre Lourenço.Hoje ouvimos Luís Campos, médico internista e pensador regular da forma como se deve organizar o SNS para melhor servir os cidadãos. Os hospitais estão no limiar iniciar uma verdadeira revolução na sua relação com os doentes.Criados para receber doentes em grandes edifícios, para responder em massa a doenças muito prevalentes e de tratamento agudo, tem agora novas necessidades para responder. Os doentes têm agora e cada vez mais doenças crónicas. Não uma, mas várias doenças.As doenças agudas são tratadas rapidamente e o doente volta à sua casa. E pode precisar de apoio. Muitas das cirurgias, exames e procedimentos já se fazem em ambulatório. E agora vem aí a revolução digital.Caminho certo para o desenvolvimento da telemedicina. Mas por outro lado, e a ciência diz-nos isso, muitas doenças são afinal um sintoma de uma sociedade que se cuida pouco. Se previne pouco. Que se deixa ir. Num país um índice de pobreza muito alto, num país rico, mas com pobres.As repostas têm de ser encontradas mais que em hospitais.É na comunidade, no centro de saúde ou no lar, na farmácia local.E de preferência em casa, com qualidade e humanidade

Jun 15, 202137 min

Margarida Gaspar de Matos | Como se comportam as pessoas?

A comunicação é uma das formas mais eficaz de conseguir que uma comunidade saiba como se deve comportar.O que cada um de nós deve fazer de forma individual, ou todos, de forma coletiva, para nos podermos proteger uns aos outros. A questão dos comportamentos é um dos campos do estudo da psicologia. Quando nos informam que devemos usar máscara, ou manter dois metros de distância, essa informação é entendida por cada pessoa de forma diferente. Os que acreditam, os que duvidam.Ou ainda, aqueles que são indiferentes a esta informação. Mesmo entre aqueles que acreditam no que lhes foi dito, nas provas da bondade, ou na ciência, nem isso garante que se comportem como deveriam. O comportamento humano depende de muitas variáveis. A informação, o conhecimento, as emoções. E hoje em dia, o cansaço.Estar farto da covid, estar farto da pandemia, estar farto de tudo, faz com que se afrouxe a guarda. Para tentar medir os modos de estar e fazer dos portugueses face à pandemia a psicóloga, psicoterapeuta e professora Margarida Gaspar de Matos lidera um grupo de sábios do entendimento do comportamento. Vão procurar chaves. Legendas para o nosso comportamento coletivo. E tem como missão aconselhar o governo. A fotografia é de Carlos Ferreira

Jun 8, 202140 min

Alexandre Lourenço | Como ter melhores serviços de saúde?

Durante 15 meses a Saúde esteve a braços com a mais grave crise dos últimos anos. A pandemia de COVID-19 testou até ao limite a capacidade, resiliência e agilidade do Serviço Nacional de Saúde. No centro desta resposta estiveram os hospitais. Que tiveram de se reinventar em tempo real! Circuitos de doentes. Urgências, internamentos e cuidados intensivos. Os limites foram quase elásticos. Mas não infinitos. E as dores também foram sentidas. Com a COVID em fase de controlo - com incidência baixa e imunidade crescente - graças principalmente à gigantesca campanha vacina em curso, sobra o futuro. Com problemas novos e antigos: A saber:Como recuperar os doentes não COVID?Fazer mais consultas, tratamentos e cirurgias. Como melhor organizar e financiar os hospitais?Como colocar os hospitais adaptados às necessidades dos cidadãos. Num país a envelhecer, com doenças crónicas a somar, mas com cada vez mais e melhores respostas em tecnologia e na inteligência dos dados.Isto no contexto de financiamento apertado e de permanente debate sobre a sustentabilidade. Do SNS, dos hospitais e de todos os parceiros da saúde O convidado é Alexandre Lourenço, Presidente da APAH, Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.

Jun 1, 202136 min

Salvador da Cunha | Quanto vale a reputação?

Para que serve ter boa fama?Falarem bem de nós?Ou, simplesmente, pensarem coisas boas da maneira como nos comportamos.A tudo isto se chamam “percepções”E normalmente são medidas através de inquéritos, de estudos de reputação.O convidado de hoje é Salvador da Cunha. Lidera a Lift Consulting. Uma agência de comunicação que aconselha os seus clientes sobre como se devem mostrar aos olhos do mundo.A agência Lift representa em Portugal o Reputation Institute. E desenvolve um centro de conhecimento chamado Rep.Circle.Onde a opinião pública e as lideranças refletem os que pensam das marcas e das empresas.Num mundo em que parecer é às vezes mais importante que ser, a regra pode ser desmentida no tópico da reputação.E além de medir é importante valorizar.Afinal quanto vale ter uma boa reputação?Fazer o bem paga o preço.E no capítulo da reputação essa moeda tem um valor alto.Da próxima vez em que pensarem em alguém ou em alguma organização pensem: O que de bem faz esta pessoa pela sociedade?Podem aplicar a mesma régua ao vosso comportamento e contributo.Depois é só verem os vossos créditos a subir.Só mais um detalhe: digam a toda a gente que fazem coisas boas.De forma aberta, transparente e verdadeira.E aí sim! As coisas boas vêm volta.

May 25, 202144 min

Marina Costa Lobo | Como se ganham eleições?

Hoje é dia de falar de política.Eleger e ser eleito.O mundo da narrativa política é absolutamente fascinante.Os políticos estão geralmente bem munidos de palavras.E constroem história que ressoam no mais íntimo de nós.Eles sabem como ativar os nossos desejos ou acalmar receios.Os políticos, lato senso, são treinados para ouvir, reagir, ajustar, decidir.Mas principalmente para ganhar eleições.Eles detestam perder.Perder uma eleição. Perder um cargo. Mas principalmente perder popularidade. A convidada desta edição é Marina Costa Lobo, politóloga ou cientista política.Num diálogo entre esquerda e direita. Entre populistas e institucionalistas.E com um olhar muito especial sobre Marcelo Rebelo de Sousa, agora reeleito para um segundo mandato. Se quiser seguir os passos do Presidente esta é uma boa oportunidade para saber como se consegue ser eleito.

May 18, 202147 min

Alexandre Monteiro | Como ler pessoas?

Falar de gestos numa espécie de programa de rádio é uma experiência radical.Não vão ver nada.Só imaginar.E por isso, preciso mais do que nunca da vossa ajuda.Hoje o tema de conversa é a linguagem corporal.O corpo fala. E fala primeiro do que a voz.Aprender a decifrar a linguagem corporal é toda uma arte. Quem souber o seu abecedário tem uma porta aberta para entender melhor os outros.Alexandre Monteiro é um decifrador de pessoas.Mistura saberes teóricos com experiências documentadas como a da vida e trabalho dos espiões. Escreveu o livro “Os Segredos que o Nosso Corpo Revela”, uma espécie de manual de instruções para os ler o movimento dos corpos.

May 11, 202147 min

Martim Sousa Tavares

A música marca o tempo da nossa vida.Do cantarolar sussurrado ouvido no colo da mãe ao réquiem final.A nossa biografia tem sempre uma banda sonora.Sim, aquela música que nos transporta para festa da aldeia.Ou a que nos sobressalta o coração porque foi ouvida como pano de fundo numa festa, carro de vidros embaciados ou discoteca.A música é um ato de comunicação.Ritmo, tom, silêncios.A música que nos faz dançar ou simplesmente iluminar o espírito.E no ponto mais alto da escala estará a música clássica.Interpretada por uma orquestra.Liderada por um maestro.Martim Sousa Tavares é músico, comunicador, maestro.Mas tem um notório prazer em subverter os códigos.

May 4, 202142 min

Luís Aguiar-Conraria

Falar de dinheiro é um tabu. A quantidade de dinheiro que cada um tem ou não tem é um dos termómetros das desigualdades sociais. Hoje falamos de dinheiro.Do que temos. Do que nos falta. Do que desejamos. Do que nos emprestam. Da dívida pública à bazuca europeia. Por certo, quem batizou dinheiro que vem da União Europeia como bazuca necessita com urgência de conselhos para melhorar a comunicação. A bazuca é uma arma. Feita para matar pessoas.Este dinheiro que pagará o Plano de Recuperação Económica vem para salvar a economia. Convidei o professor de economia, comentador e pessoa francamente bem humorada Luís Aguiar-Conraria a ajudar-me a perceber algumas coisas. Quero desde já avisar que as folhas de cálculo angustiam-me.Talvez menos que ao ministro das finanças, quando conta o prejuízo vindo da pandemia. Só no ano passado ficamos todos mais pobres 7,6%. Os mais otimistas acreditam que a partir de agora a economia começa a recuperar com força. Tudo depende da resolução da pandemia. Mas com um buraco nas contas pública, desemprego a disparar e o vírus ainda sem dar tréguas, começo a suspeitar que vem aí uma conta para pagar. Serão impostos? Será um aumento da dívida pública? Será um subsídio europeu? Tentei disfarçar o meu pessimismo. E perguntei sem medos: Luís Aguiar-Conraria, estamos a caminho de uma nova bancarrota?

Apr 27, 202146 min

Eurico Reis

Os juízes têm que decidir.Seja como for, tem mesmo que decidir.Ouvidas as partes. Sabendo e interpretando a letra e espírito da lei, espera-se que decidam.Não interessa quão difícil é. Ou quanto tempo demora. Ou que argumentos validou para chegar a uma decisão.O Juiz Desembargador Eurico dos Reis tem larga experiência a avaliar casos e principalmente um olhar crítico sobe como funciona o sistema judicial.Mas não só. Conhece como poucos o sistema mediático. E como tribunais, jornalistas e sociedade interagem. A fúria anónima das redes social veio complicar tudo. Esta conversa não é sobre crime e castigo.Nem sobre casos judiciais concretos ou recentes.Mas não deixam de estar no fundo. É uma conversa sobre cidadania. Sobre poder. Sobre equilíbrios poder.Sobre cidadãos e a sua opinião. Dita de forma expontânea ou, alegadamente, construída nas redes sociais, por algum guião pre-escrito. A ideia de falar sobre a linguagem da justiça já vinha de trás.Mas a leitura por várias horas da decisão da instrução do conhecido Caso Marquês levantou-me uma pergunta fundamental. Ou várias: tinha de ser tão longa? Tão difícil de compreender? Tão complexa? Ou poderia ser mais compreensiva para os cidadãos?

Apr 20, 20211h 1m