
Pergunta Simples
260 episodes — Page 5 of 6
Sena Santos | Como ser uma testemunha profissional?
Contar as notícias de forma rigorosa, ritmada e direta. Com ele aprendi a fazer títulos de 7 palavras. E a contar histórias complexas em 50 segundos. O que define um Mestre? Provavelmente a marca que perdura nos seus discípulos. As manhãs da telefonia eram sempre trepidantes. No ar das 7 as 10. Acordados desde as 4 e pico da manhã. Reunião de equipa às 5h. Com cheiro e sabor de café fresco. E depois 10 pessoas lançavam-se no desafio de contar Portugal e o Mundo nos noticiários da Antena 1. Sena Santos assumia a liderança da equipa. Escolhia as notícias. O que se conta e o que já não cabe. Distribuía tarefas. Rápido. Tudo rápido. Mas tantas vezes aceitava sugestões, ângulos, ideias loucas. Tudo resumido a uma frase: conta-me a tua história. E tínhamos uns 10 segundos para fixar o valor do que tínhamos para “vender” em antena. Vender é convencer o editor que o que temos merece ser contado no noticiário. Por estes tempos aprendi muito sobre a arte da pergunta. Sobre como ser eternamente um aprendiz. Sobre o olhar do repórter enquanto testemunha profissional. A honestidade. O rigor ambicionado. O equilíbrio entre pontos de vista. O contraditório. E a simplificação quase absurda de realidades complexas. Ou sobre como ter coragem, lata ou até inconsciência de acordar poderosos às 6 da manhã. Tantas vezes com notícias difíceis. E há pessoas com péssimo acordar. Fixámos, nesta conversa, um olhar atual sobre o nosso mundo. De olhos postos no relógio. Afinal tudo começa com o sinal horário. E esse sinal, repetido cinco vezes, cinco traços de som marcados pelo relógio preto com pontos vermelhos. O sinal horário. O sinal do tempo.
Ana Isabel Pedroso | Qual é o teu maior medo?
O programa de hoje é sobre o medo.O sobre a superação do medo.E vem mesmo a calhar.Logo agora que já nos tínhamos quase esquecido da pandemia e o vírus decidiu mudar de máscara.O SARS-COV₂ tem agora a figura da variante Omicron.As variantes dos vírus são mudanças mais ou menos importantes em particular na capa destes organismos.E, porque nos interessa o tema?Porque o nosso sistema imunitário aprende a defender-se reconhecendo os vírus como ameaças.Aliás, as vacinas são exatamente formas de treinar o nosso sistema imunitário para as verdadeiras ameaças. Se o vírus muda de forma, muitas perguntas ficam no ar:É mais agressivo?As vacinas funcionam?Transmite-se mais? O que sabemos à hora que gravo este programa é que o Omicron mudou 50 zonas do virus conhecido. E 10 dessas mudanças são naquela espécie de coroa de espinhos que ele usa para nos infetar.Dentro de uma unidade de cuidados intensivos, ou numa ambulância rápida do INEM a médica Ana Isabel Pedroso confronta-se diariamente com a fina linha que separa a vida da morte.E decidiu escrever o livro “Para além do medo”, que retrata muita da sua experiência na luta corpo a corpo contra a COVID-19Nestes tempos em voltamos a ver os números a subir. Cá e na Europa.A quinta vaga já não é um medo.É uma realidade.Uma conversa para ouvir com medo ou coragem

Ep 58Como o Marketing Social Pode Mudar o Nosso Comportamento? Beatriz Casais
Será que nos convencem melhor pelo medo ou pela esperança? A pandemia trouxe a comunicação para o centro da vida coletiva. Máscaras, vacinas, confinamentos e expectativas de “regresso ao normal” foram acompanhados de mensagens públicas que nem sempre corresponderam à realidade. O episódio do Pergunta Simples com a professora Beatriz Casais, especialista em marketing social na Universidade do Minho, mergulha nesta questão essencial: como comunicar para mudar comportamentos que beneficiam o indivíduo e a sociedade? Comunicação, pandemia e gestão de expectativas Beatriz Casais lembra que a comunicação em saúde durante a COVID-19 enfrentou um paradoxo difícil: por um lado, era necessário criar esperança e mobilizar as pessoas para adotarem comportamentos de proteção; por outro, a realidade mostrava avanços e recuos, com novas ondas, novas variantes e sucessivos reforços da vacinação. Esse desfasamento entre expectativa e realidade gerou frustração. E colocou em cima da mesa a questão central: como gerir a perceção pública sem criar desilusão permanente? Segundo a investigadora, o segredo está na perceção de eficácia. As pessoas só aceitam sacrifícios — usar máscara, adiar encontros, tomar vacinas — se acreditarem que a ação é eficaz e traz benefícios reais. Se essa confiança falhar, cai por terra todo o esforço de comunicação. Medo ou estímulos positivos? O marketing social tem duas ferramentas principais: apelos negativos (medo, choque, culpa) e apelos positivos(benefícios, bem-estar, qualidade de vida). Estudos mostram que, no curto prazo, os estímulos negativos funcionam melhor: imagens chocantes nos maços de tabaco, campanhas rodoviárias de choque ou a dramatização do risco durante a pandemia. Mas, a médio e longo prazo, estes estímulos saturam e até provocam rejeição. O verdadeiro desafio é criar hábitos consistentes. E para isso é preciso mostrar o lado positivo: o prazer de uma vida mais saudável, a qualidade de vida que advém de mudar comportamentos, a sensação de bem-estar coletivo quando cada um faz a sua parte. O custo e o benefício Um dos conceitos centrais do marketing é a relação de custo-benefício. Para mudar comportamentos sociais, a lógica é a mesma: O custo pode ser o desconforto de usar máscara, o preço de um produto mais sustentável, ou o esforço de acordar cedo para fazer exercício. O benefício tem de ser claro: proteção da saúde, impacto ambiental positivo, qualidade de vida futura. Sem este equilíbrio, a comunicação não resulta. Por isso, as campanhas eficazes combinam incentivos concretos (como o IVAucher ou deduções fiscais nas faturas) com a criação de barreiras aos comportamentos indesejados (como a proibição de fumar em espaços públicos fechados ou a dificuldade de acesso ao tabaco). O consumo ético e a contradição humana Beatriz Casais também investiga o chamado consumo ético: escolher produtos sustentáveis, justos e socialmente responsáveis. O problema é que entre a intenção e a ação abre-se muitas vezes uma lacuna. Queremos comprar produtos mais éticos, mas cedemos ao preço mais baixo, à conveniência do supermercado ou ao apelo emocional de outros produtos. E é aqui que entra o papel das empresas e do sistema: democratizar o consumo ético. Tornar produtos sustentáveis acessíveis em preço e em distribuição, para que a escolha “certa” não seja um luxo para poucos, mas uma prática possível para muitos. Caso contrário, o “green” arrisca tornar-se apenas o novo símbolo de status. A geração que vai mudar o mundo Um dos pontos mais entusiasmantes da conversa é o retrato da nova geração. Jovens adultos informados, críticos e exigentes, que avaliam as empresas não apenas pelo salário, mas também pelos valores. Hoje, já não são apenas os recursos humanos a “contratar” pessoas: são também os jovens que decidem se contratam a empresa. Se não houver políticas de sustentabilidade, responsabilidade social e qualidade de vida, simplesmente recusam trabalhar lá. Este movimento está a transformar o mercado de trabalho e o consumo. De um lado, gera pressão para que as empresas se tornem mais verdes, mais éticas e mais humanas. Do outro, está a criar novos estilos de vida, mais simples e focados no essencial: tempo, bem-estar, natureza, relações humanas. Do marketing comercial ao marketing social No fundo, o que esta conversa mostra é que o marketing não serve apenas para vender sapatos. Pode ser usado para salvar vidas, promover saúde, proteger o ambiente ou gerar mais justiça social. Mas para ser eficaz, não pode limitar-se à sensibilização. Tem de estruturar sistemas de incentivos e barreiras, reduzir obstáculos e, sobretudo, mostrar de forma clara que o benefício compensa o sacrifício. Conclusão No Pergunta Simples, Beatriz Casais deixa-nos uma ideia clara: o futuro da comunicação socialmente relevante passará por alianças entre comunicação, políticas públicas e empresas. O marketing social pode ser uma ferramenta poderosa para mudar comportamentos e melhorar a vida em comunidade — mas só se for
Francisco Ferreira | Como salvar o planeta Terra?
Se parássemos um bocadinho para pensar, um bocadinho somente, ficaríamos em pânico. Não quero assustar-vos. Se calhar até dava jeito. Mas caminhamos a passos largos para fim da vida na Terra. Esta edição é sobre a surdez humana e insensibilidade radical à mais que certa transformação do planeta num forno. As mensagens ambientais não são eficazes. Os cientistas avisam e mostram provas. Os ativistas fartam-se de gritar ‘slogans’. E nós, nada. É um mistério. Saber que a extinção da vida na Terra num prazo mais ou menos curto nada preocupa os seus habitantes. Sim, isto está mais quente, há plásticos a boiar em todo o lado e só não estacionamos o carro ao lado da cama porque não conseguimos. Todos reclamamos que a gasolina está cara demais e todos assobiamos para o lado quando conduzimos a poluir. Todos suspeitamos que a carne em excesso nos faz mal à saúde e faz mal ao ambiente. Todos consumimos muitas vezes mais do que o necessário para ter uma vida confortável. E o planeta paga a sobrecarga. Esgota-se. Suja-se. Mas fingimos nem saber. Que paradoxo é afinal este? Em semana de , em Glasgow, converso com Francisco Ferreira, ambientalista a associação Zero, e arauto dos tempos que aí vem. Gravamos há um par de dias, ele estava em plena cimeira, na esperança de tentar travar a marcha dos acontecimentos. E a única certeza que sai desta cimeira é a incerteza.
Rosa Azevedo | Como escolher um bom livro para ler?
Como descobrir um grande livro para ler? Ler um bom livro é um dos maiores prazeres que qualquer leitor tem. Procurar e encontrar o próximo livro pode ser em simultâneo, fascinante ou ansioso. Como descobrimos um grande livro na imensidão quase infinita de todos os livros que se escreveram? Mesmo no grupo dos livros mais clássicos ou populares como descobrimos o que se encaixe no nosso gosto ou necessidade de leitura atual? Quando me assaltam estas dúvidas vou em busca de pessoas como a Rosa Azevedo. Ela ensina a procurar bons livros, oferece menus inteiros de boas leituras e treina-nos a encontrar o que intuímos precisar de ler. Rosa Azevedo tem uma livraria gourmet. Explico-me. Na Livraria Snob estão autores e publicações que escapam ao circuito dos livros mais vendidos. São livros que se encontram habitualmente nas pequenas livrarias independentes. Mas nada isso muda a pergunta inicial: como se escolhe um bom livro para ler?
Ivone Patrão | Como se faz uma cirurgia digital?
Dia 4 de outubro de 202. A ‘internet’ veio abaixo. Talvez esteja a exagerar. As redes sociais vieram abaixo. Talvez ainda haja algum exagero nisto. Vamos aos factos: no dia 4 de outubro o Facebook, o Instagram, o Messenger e o WhatsApp foram abaixo. Tudo ficou em suspenso por 6 horas. Um apagão geral nestas 4 redes do universo de Zuckerberg. E uma estranha sensação de orfandade entre os mais frenéticos e viciados utilizadores destas redes sociais. Descobrimos de súbito que as redes sociais já são mais que uma coisa divertida. Já são parte de nós. Para o bem e para o mal. Já fazem parte da nossa vida. São poderosos meios de comunicação, informação e entretimento. Esta conversa, por exemplo, foi precisamente iniciada por WhatsApp. Para convidar Ivone Patrão e termos uma conversa sobre estas coisas das redes e da nossa dependência psicológica. Ivone Patrão é psicóloga clínica, professora do ISPA e tem um curioso projeto de investigação chamado Geração Cordão. Entre outros projetos e linhas de investigação procura compreender o efeito da ‘internet’ nas mentes das crianças e jovens. No dia do apagão tirou umas horas para descanso e leitura. Por isso nem deu conta em tempo real que alguém desligara o interruptor das mais populares redes sociais.
António Mocho | Como sobreviver a uma crise de reputação?
Conter uma crise é das coisas mais difíceis de fazer.Há todo um campo de estudos sobre isso na comunicação.Damos-lhe genericamente o nome de comunicação de crise. Quando uma organização, instituição ou pessoa sofre os efeitos de um acidente, ou incidente, com potencial para afetar a sua reputação há ativar o plano de crise. Esse plano de crise tem normalmente dois braços. E ambos são críticos para sobreviver. São simultâneos, interligam-se, mas não são a mesma coisa. O primeiro dos braços é o que tem de resolver a crise. Reduzir impactos, resolver problemas, mitigar efeitos. No fundo, resolver o problema causado pelo incidente O segundo é o da comunicação. Como explicar o que aconteceu de forma clara, transparente e equilibrada. E a defesa da boa reputação depende da forma como se conseguir fazer estas duas coisas: resolver o problema e comunicar no contexto com públicos tão diferentes com os diretamente afetados, os jornalistas ou o governo. Nesta edição conversamos com António Mocho.Ele viveu, pensou e trabalhou em organizações que passaram por crises mais ou menos graves E recolhe essas reflexões e experiências pessoais no livro“Crise nas Empresas Comunicação com os Media - Guia para Emergências e Catástrofes”. Nele encontrei dicas e pistas para organizar a resposta a uma potencial crise muito antes dela bater à porta.
Isa Alves | Como comunicar com empatia e assertividade?
Várias pessoas com quem trabalhei ao logo da minha carreira que precisavam de ajuda para comunicar pediam uma de duas coisas: Ou pediam uma receita, uma fórmula para comunicar bem, ou então eram ainda mais pragmáticos e económicos: “Faz-me aí umas mensagens” Como é fácil perceber estes pedidos assim expressos nunca podem transformar alguém num bom comunicador. Porque o processo de comunicação não é simplesmente uma técnica, uma caixa de ferramentas, para poder pegar e usar. A principal ferramenta de comunicação somos nós próprios.Não só no que dizemos e como dizemos, mas principalmente no que sentimos e acreditamos. Os nossos valores, a nossa missão de vida. E só depois vem os nossos objetivos e a forma de dizer o que queremos. Isso implica uma entrega pessoal e intransmissível.Ninguém nos vai fazer um fato ou vestido à nossa medida.Nós somos os alfaiates da nossa forma de comunicar. É preciso descobrir dentro de nós quem somos, o que nos motiva e finalmente como o dizemos aos outros. E isso aplica-se em todo o tipo de comunicação: Da interpessoal à de massas, da familiar à empresarial. No fundo, todos queremos ser entendidos e depois reconhecidos. Nesta edição converso com uma amiga de longa data. Isa Alves, é uma comunicadora e apoiou múltiplas organizações e lideres a construir as suas narrativas.A contar a sua história. Nos últimos tempos dedicou-se a desenvolver um método de treino e desenvolvimento pessoal.E tal e qual um treinador trabalha pessoalmente com cada um para desenvolver várias competências críticas para bem comunicar. Fiquem com estas duas palavras: empatia e assertividade.Os dois ingredientes do segredo do método. Afinal qual é segredo?
Ricardo Mexia | Como ganhar umas eleições?
Uma campanha eleitoral para umas eleições são batalha com muitas frentes. Mas o objetivo final é sempre conseguir mais votos que os adversários. A estratégia geral da campanha tem sempre uma forte componente de comunicação. O candidato tem de falar ora para as massas em comícios, ora para o povo, em múltiplos contactos pessoais, corpo a corpo, olhos nos olhos. Mas principalmente através dos ‘media’ para chegar mais longe, mais depressa, de forma mais eficaz num tempo escasso. As campanhas são cada vez mais palcos para criar o cenário perfeito para a mediatização. Os gestos, as músicas, as palavras, as frases para ficar no ouvido. Nesta edição vamos em busca desse aroma de uma campanha. Neste caso da eleição autárquica à câmara de Lisboa. Como diretor de campanha do candidato aparentemente derrotado pelas sondagens, Ricardo Mexia aceita a dupla missão de liderar a campanha de Carlos Moedas e correr pessoalmente à junta de freguesia do Lumiar Este é o retrato de um médico de saúde pública com um grande fraquinho pela política que contrariou as sondagens e ganhou duplamente. Mas o caminho não foi fácil. Fiquem com o manual de instruções de uma vitória eleitoral.
Nuno Azinheira | Como treinar a força de vontade?
Esta semana retratamos a força de vontade.Provavelmente já ouviram falar ou leram algo sobre a importância da força de vontade.De querer muito.E de nesse jogo em que nos treinamos para conseguir vamos repetindo a nós mesmos verdadeiros mantra.Como o “vou conseguir, vou conseguir”Quando falamos de motivação o processo de comunicação é chave.O nosso cérebro tem um estranho e guloso apetite por palavras. As ouvidas e até as pensadas.Por isso dizer aos outros ou dizer-mo-nos coisas tem normalmente efeito. É sobre isso que o convidado desta semana nos vem falar.Nuno Azinheira, jornalista, embora diga agora que é ex-jornalista, como se isso fosse possível, criou uma plataforma chamada “Escolher Viver”Ele diz que é sobre nutrição, bem-estar e saúde.Eu digo que é sobre a força de vontade.
João Carlos Brito | Como fala o povo?
Ditos, escritos, códigos, calão e expressões mais ou menos agrestes ou sorridentes. É dia da língua dos que não são doutores, mas sabem tudo sobre a vida.A língua é a nossa biblioteca da alma.Falar e entender português não é simples e mecânica operação de palavras e regras gramaticais. Quando os poetas inventam a língua rasgam estradas no nosso modo de ver.Mas quando povo reinventa palavras e expressões, aperceberemo-nos no mais fundo da cultura popular. Este é o programa em que vos digo "-bai-m’à loja (e traz-me o troco)" Dito assim de forma jocosa. Ou se preferir o mais carinhoso"-vem para a minha beira"Expressão do norte que replica um mais selecto: "anda para o pé de mim" Nesta edição cabem 12 mil expressões populares recolhidas por João Carlos Brito num livro chamado de “Dicionário de Calão do Norte" Cum carago, João, é preciso comer muita broa para ler isto tudo.
Miguel Prata Roque | Como se faz a Lei da Liberdade?
Hoje o tema do programa é a Liberdade.A liberdade filmada. A liberdade vista e pensada por máquinas ditas inteligentes.O Pergunta Simples é sobre comunicar sobre a nossa forma de ser humano. Sobre o ar que se respira.Sobre namorar num banco de jardim sem ser visto por alguém com uma câmara autorizada a filmar potenciais criminosos. A expressão “Sorria, está a ser filmado” sempre me causou arrepios.Tenta usar o fino gume da faca do humor para anunciar que a minha imagem é agora de alguém, e a minha liberdade individual reduziu-se. Nas últimas semanas a imprensa dá eco a um novo conjunto de leis que vai permitir mais câmaras, mais filmagens, mais observações em espaço público. Por exemplo, permitindo às polícias usar e ver as imagens das câmaras de vigilância não só públicas mas também privadas. Recorrendo à inteligência artificial. E recolha de dados biométricos. E a minha bolha da intimidade e liberdade de ser e estar ficou de súbito mais pequena. Nestes tempos em que a cada ameaça, real ou comunicada com especial intensidade, tem como consequência uma nova regra é difícil perceber o que está a acontecer-nos a todos. Esta é uma conversa sobre a Liberdade. E como os cidadãos entendem as leis e as regras.
José Gameiro | Como se ouvem as mentes?
Todos os dias ouve pessoas que sofrem.Pessoas que lhe entram no consultório com pedidos de ajuda.Com demandas para ser guia de um certo regresso à felicidade.Ou pelo menos a alguma harmonia.José Gameiro é médico psiquiatra e sonhou-se como médico daqueles que salva o doente contra o relógio.Seria um Doctor House ou um enviado especial do INEM para ressuscitar um sobrevivente impossível?A ideia romântica do que somos ou queremos ser persegue-nos sempre. E o choque com a realidade acorda-nos. Esta conversa esteve aprazada para antes das férias, mas ainda bem que aconteceu agora.Deu tempo para respirar.Simbolicamente esta é a semana em que caem as máscaras das nossas caras, enquanto nos mostramos aos outros na rua. No jogo das máscaras que todos jogamos uns com os outros há terrenos férteis para imaginários, felicidades e dores. As famílias e em particular os casamentos têm bíblias de amores e caneladas.Quando algo corre mal, por crise ou rotina, é a pessoas como José Gameiro que recorremos em busca de uma bússola e de um mapa. A maioria de nós lida mal com a incerteza. E a vida é incerta por natureza.José Gameiro acreditou que a pandemia seria transitória e com poucas nódoas negras na nossa alma. Hoje pensa diferente. E eu quis saber se este período de tréguas a que chamamos férias - para os que puderam - ajudou a equilibrar o nosso mundo interior.
Anabela Mota Ribeiro | Como se faz uma boa pergunta?
A ideia de fazer este podcast foi sempre a falar sobre o dilema da comunicação. Comunicar é um acto fracamente democrático. Todos podemos fazê-lo. Mas comunicar é, em simultâneo, um ato de simplicidade e de complexidade extrema. E eu sempre adorei os paradoxos da vida. A escolha dos vários convidados que aceitaram criar diálogos comigo, teve um critério principal: a existência de uma curiosidade iniciática, um tema, afirmação ou interrogação que fosse detonador para uma vontade de querer saber. Claro que depois se misturou a subjetividade individual, a maneira de comunicar e aquilo que todos podemos fazer uns com os outros: aprender. Por isso fui à procura de inspiradores, criadores, líderes, visionários ou simplesmente crentes na alma humana. Se conseguiram ouvir algo disto no Pergunta Simples então a sua missão está cumprida. Escolhi Anabela Mota Ribeiro criar a edição de hoje. A Anabela é jornalista, tem centenas de entrevistas nos currículo e uma curiosidade insaciável. Coincidimos na telefonia. Na rádio pública algures entre 2008 e 2010. Ela correspondente em Londres. Mas já a tinha descoberto muito antes do que isso. Ao ler aquelas entrevistas lentas escritas em revistas ou jornais de fim-de-semana a pessoas cheias de coisas para contar. Muitas dessas entrevistas estão no site dela https://anabelamotaribeiro.pt/ e podem ser descobertas ou relidas. Mas esta conversa é principalmente sobre uma única coisa: a arte de perguntar. Como se fazem boas perguntas? O que é uma grande pergunta? Foto de Estelle Valente
Carlos Fiolhais | Para que nos serve a ciência?
Nesta semana o tema podia ir daqui atéa Lua.Do movimento dos astros até a teoria da relatividade.Vamos falar de física, de ciência, de biologia.E o que tem a ver isto com a comunicação?Tudo. Todos os físicos que eu tive oportunidade de conhecer na vida tem o dom da comunicação.O convidado desta semana. Tem-no em doses generosas.O segredo só pode ser uma fórmula secreta: junta pensamento estruturado, simplicidade de linguagem, subversão permanente e humor efervescente. Carlos Fiolhais é professor de física na universidade de CoimbraE como todos sabemos os físicos sabem os segredos do universo.Carlos Fiolhais não se limita a saber os segredos. Passou a vida toda a contar a toda a gente o que sabia.E quando digo toda a gente é mesmo toda a gente.É um dos mais importantes divulgadores de ciência portugueses.E tem uma maneira francamente bem humorada de ver o mundo.Neste diálogo percorremos 40 minutos sem pausas nem para respirar.Falou de ciência, da incrível resposta à covid, da internet, como se inventou e afinal para o que serve.E falou - em todas as palavras - do seu compromisso com os factos. Com a verdade.O pretexto desta conversa foi uma última aula.Que afinal foram duas.Talvez isto de dar a última aula seja uma realidade francamente elástica.Os cientistas buscam sempre provas para hipóteses. E quem faz comunicação depende de bons factos para inspirar boas percepções.Pode não ser física quântica nem matemática aplicada, mas todos precisamos de confiar no que nos dizem.E para isso há que escolher fontes fidedignas e bem intencionadas.Regra deste jogo: perguntar primeiro, acreditar depois.
Afonso Cruz | Como se contam boas histórias?
Os escritores são enigmas.E perguntadores por excelência.Não sei se vos acontece, mas a mim os livros enchem-me de perguntas e de legendas de tradução do mundo.Parti para esta edição com a pergunta inicial: “Como se contam boas histórias?” Ninguém melhor que um escritor para explicar como se desenha uma narrativa.Neste caso mais do que um escritor. Afonso Cruz, é escritor mas também realizador, “designer”, ilustrador e músico. Muitos instrumentos para uma voz única.Descobri-o no livro “Para onde vão os guarda-chuvas”. E acabei de devorar o “Vício dos Livros”. Com 50 anos escreveu 30 livros.Afonso Cruz é um homem de mil ofícios criativos.
Rui Correia | Como ensinar bem?
Hoje falámos da arte de ensinar.E das formas de aprender. Partilhar conhecimento é um ato de comunicação.E os alunos uma audiência exigente. É dia para falar de fórmulas para enviar e aprender melhor.A escola aborrecia-me muito.Em particular a escola secundária.As matérias eram na sua grande maioria aborrecidas e o estímulo à curiosidade era normalmente baixo.E cá fora, no mundo, havia tanta coisa interessante.Tantos porquês, tantos temas fascinantes.Mas a escola era uma obrigação por isso era para fazer e levar a sério.Mesmo quando pensava que muito daquele conhecimento não me ia oferecer grande coisa.Mas a reduzir o meu percurso pela escola a isto é claramente insuficiente.É que houve momentos de fulgor, de curiosidade, de frenesim do conhecimento. Hoje é para mim fácil perceber quer esses momentos aconteciam quando se juntavam três coisas: um professor com capacidade de gerar em mim emoções, a matéria gerar curiosidade e, principalmente, a minha possibilidade de reinventar essa informação dentro da minha cabeça. Havia também um fator X: Os professores que acreditavam nos alunos e aqueles que cultivavam uma espécie de indiferença. Fui em busca de um professor que tem esse fator X.O professor Rui Correia, das Caldas da Rainha.É professor de história e escreveu um livro a contar como cativa os alunos.O livro pode ser encontrado aqui Cá Dentro - O Lugar da Escola nos Nossos Miúdos Cá Dentro - O Lugar da Escola nos Nossos Miúdos Mas para já fiquem com a conversa. Eu quis saber desde logo o que leva este professor a ter uma paixão indisfarçável pela arte de ensinar.
Silva Graça | O que aprendemos com os vírus?
Passei 19 anos a falar sobre temas de saúde na rádio pública.E não conhecia, nunca entrevistei até agora, e apenas conheço pelo telejornal. Chama-se António Silva Graça e é médico infeciologista.Coube-lhe explicar-nos os passos do vírus que nos inferniza a vida. Confesso que a forma como a imprensa cobriu a pandemia, e ainda agora cobre, não me satisfaz. Aparecem números. Aparecem estatísticas. Aparecem reportagens dos casos mais emocionais.Mas faltaram muito os “porquês”O contexto. Porque se multiplica o vírus aqui ou ali?Quem são estes grupos de pessoas?Porque chegou a estes e não a outros? Responder aos porquês ajuda-nos a perceber as coisas. A compreender a causa das coisas. Ora foi isso mesmo que Silva Graça nos veio oferecer na televisão.Veio oferecer uma palavra de contexto.Explicar as tendências. Ajudar-nos a perceber melhor. E os próximos tempos serão ainda de dificuldade.As novas variantes. A maneira como as novas gerações interpretam a ameaça que representa este vírus. Para quem dedicou a vida a combater vírus e bactérias, cada nova ameaça é uma nova história.
Sara Batalha | Como treinar para ser um bom comunicador?
Comunicar precisa de treino.Não chega só treinar.Mas ser bom a comunicar é normalmente um misto entre boas aptidões e treino intensivo.Nos últimos anos a comunicação pública, a fala aos jornalistas, à imprensa, rádio e tv., ganharam expressão. Pessoas e organizações querem cada vez mais participar no diálogo público.Dar a sua visão e influenciar a marcha do mundo. Muitos dos candidatos a aparecer nos média não tinham ou não tem competências para comunicar bem neste palco. E recorrem muitas vezes a empresas que dão formação em media training.Mas estas formações evoluíram igualmente muito nos últimos anos. A convidada desta semana é Sara Batalha, especialista no treino de comunicação e desempenho público de líderes sociais, comunitários e empresariais. Nesta conversa aprendi como se descobrem tópicos e assuntos verdadeiros para depois partilhar com o público. Afinal todos queremos ver e ouvir pessoas interessantes a falar em público.
Luís Campos | Como será o hospital do futuro?
Como será o hospital do futuro? Nesta edição falamos de saúde.O segundo episódio de uma série de dois em que falámos da maneira com o sistema de saúde responde aos cidadãos.Como os ouve, como responde às suas necessidades.Aproveitando o fórum anual dos administradores hospitalares, vamos fazer um retrato do que temos e precisamos para uma saúde mais ajustada às nossas necessidades. Na primeira edição dessa série ouvimos Alexandre Lourenço.Hoje ouvimos Luís Campos, médico internista e pensador regular da forma como se deve organizar o SNS para melhor servir os cidadãos. Os hospitais estão no limiar iniciar uma verdadeira revolução na sua relação com os doentes.Criados para receber doentes em grandes edifícios, para responder em massa a doenças muito prevalentes e de tratamento agudo, tem agora novas necessidades para responder. Os doentes têm agora e cada vez mais doenças crónicas. Não uma, mas várias doenças.As doenças agudas são tratadas rapidamente e o doente volta à sua casa. E pode precisar de apoio. Muitas das cirurgias, exames e procedimentos já se fazem em ambulatório. E agora vem aí a revolução digital.Caminho certo para o desenvolvimento da telemedicina. Mas por outro lado, e a ciência diz-nos isso, muitas doenças são afinal um sintoma de uma sociedade que se cuida pouco. Se previne pouco. Que se deixa ir. Num país um índice de pobreza muito alto, num país rico, mas com pobres.As repostas têm de ser encontradas mais que em hospitais.É na comunidade, no centro de saúde ou no lar, na farmácia local.E de preferência em casa, com qualidade e humanidade
Margarida Gaspar de Matos | Como se comportam as pessoas?
A comunicação é uma das formas mais eficaz de conseguir que uma comunidade saiba como se deve comportar.O que cada um de nós deve fazer de forma individual, ou todos, de forma coletiva, para nos podermos proteger uns aos outros. A questão dos comportamentos é um dos campos do estudo da psicologia. Quando nos informam que devemos usar máscara, ou manter dois metros de distância, essa informação é entendida por cada pessoa de forma diferente. Os que acreditam, os que duvidam.Ou ainda, aqueles que são indiferentes a esta informação. Mesmo entre aqueles que acreditam no que lhes foi dito, nas provas da bondade, ou na ciência, nem isso garante que se comportem como deveriam. O comportamento humano depende de muitas variáveis. A informação, o conhecimento, as emoções. E hoje em dia, o cansaço.Estar farto da covid, estar farto da pandemia, estar farto de tudo, faz com que se afrouxe a guarda. Para tentar medir os modos de estar e fazer dos portugueses face à pandemia a psicóloga, psicoterapeuta e professora Margarida Gaspar de Matos lidera um grupo de sábios do entendimento do comportamento. Vão procurar chaves. Legendas para o nosso comportamento coletivo. E tem como missão aconselhar o governo. A fotografia é de Carlos Ferreira
Alexandre Lourenço | Como ter melhores serviços de saúde?
Durante 15 meses a Saúde esteve a braços com a mais grave crise dos últimos anos. A pandemia de COVID-19 testou até ao limite a capacidade, resiliência e agilidade do Serviço Nacional de Saúde. No centro desta resposta estiveram os hospitais. Que tiveram de se reinventar em tempo real! Circuitos de doentes. Urgências, internamentos e cuidados intensivos. Os limites foram quase elásticos. Mas não infinitos. E as dores também foram sentidas. Com a COVID em fase de controlo - com incidência baixa e imunidade crescente - graças principalmente à gigantesca campanha vacina em curso, sobra o futuro. Com problemas novos e antigos: A saber:Como recuperar os doentes não COVID?Fazer mais consultas, tratamentos e cirurgias. Como melhor organizar e financiar os hospitais?Como colocar os hospitais adaptados às necessidades dos cidadãos. Num país a envelhecer, com doenças crónicas a somar, mas com cada vez mais e melhores respostas em tecnologia e na inteligência dos dados.Isto no contexto de financiamento apertado e de permanente debate sobre a sustentabilidade. Do SNS, dos hospitais e de todos os parceiros da saúde O convidado é Alexandre Lourenço, Presidente da APAH, Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares.
Salvador da Cunha | Quanto vale a reputação?
Para que serve ter boa fama?Falarem bem de nós?Ou, simplesmente, pensarem coisas boas da maneira como nos comportamos.A tudo isto se chamam “percepções”E normalmente são medidas através de inquéritos, de estudos de reputação.O convidado de hoje é Salvador da Cunha. Lidera a Lift Consulting. Uma agência de comunicação que aconselha os seus clientes sobre como se devem mostrar aos olhos do mundo.A agência Lift representa em Portugal o Reputation Institute. E desenvolve um centro de conhecimento chamado Rep.Circle.Onde a opinião pública e as lideranças refletem os que pensam das marcas e das empresas.Num mundo em que parecer é às vezes mais importante que ser, a regra pode ser desmentida no tópico da reputação.E além de medir é importante valorizar.Afinal quanto vale ter uma boa reputação?Fazer o bem paga o preço.E no capítulo da reputação essa moeda tem um valor alto.Da próxima vez em que pensarem em alguém ou em alguma organização pensem: O que de bem faz esta pessoa pela sociedade?Podem aplicar a mesma régua ao vosso comportamento e contributo.Depois é só verem os vossos créditos a subir.Só mais um detalhe: digam a toda a gente que fazem coisas boas.De forma aberta, transparente e verdadeira.E aí sim! As coisas boas vêm volta.
Marina Costa Lobo | Como se ganham eleições?
Hoje é dia de falar de política.Eleger e ser eleito.O mundo da narrativa política é absolutamente fascinante.Os políticos estão geralmente bem munidos de palavras.E constroem história que ressoam no mais íntimo de nós.Eles sabem como ativar os nossos desejos ou acalmar receios.Os políticos, lato senso, são treinados para ouvir, reagir, ajustar, decidir.Mas principalmente para ganhar eleições.Eles detestam perder.Perder uma eleição. Perder um cargo. Mas principalmente perder popularidade. A convidada desta edição é Marina Costa Lobo, politóloga ou cientista política.Num diálogo entre esquerda e direita. Entre populistas e institucionalistas.E com um olhar muito especial sobre Marcelo Rebelo de Sousa, agora reeleito para um segundo mandato. Se quiser seguir os passos do Presidente esta é uma boa oportunidade para saber como se consegue ser eleito.
Alexandre Monteiro | Como ler pessoas?
Falar de gestos numa espécie de programa de rádio é uma experiência radical.Não vão ver nada.Só imaginar.E por isso, preciso mais do que nunca da vossa ajuda.Hoje o tema de conversa é a linguagem corporal.O corpo fala. E fala primeiro do que a voz.Aprender a decifrar a linguagem corporal é toda uma arte. Quem souber o seu abecedário tem uma porta aberta para entender melhor os outros.Alexandre Monteiro é um decifrador de pessoas.Mistura saberes teóricos com experiências documentadas como a da vida e trabalho dos espiões. Escreveu o livro “Os Segredos que o Nosso Corpo Revela”, uma espécie de manual de instruções para os ler o movimento dos corpos.
Martim Sousa Tavares
A música marca o tempo da nossa vida.Do cantarolar sussurrado ouvido no colo da mãe ao réquiem final.A nossa biografia tem sempre uma banda sonora.Sim, aquela música que nos transporta para festa da aldeia.Ou a que nos sobressalta o coração porque foi ouvida como pano de fundo numa festa, carro de vidros embaciados ou discoteca.A música é um ato de comunicação.Ritmo, tom, silêncios.A música que nos faz dançar ou simplesmente iluminar o espírito.E no ponto mais alto da escala estará a música clássica.Interpretada por uma orquestra.Liderada por um maestro.Martim Sousa Tavares é músico, comunicador, maestro.Mas tem um notório prazer em subverter os códigos.
Luís Aguiar-Conraria
Falar de dinheiro é um tabu. A quantidade de dinheiro que cada um tem ou não tem é um dos termómetros das desigualdades sociais. Hoje falamos de dinheiro.Do que temos. Do que nos falta. Do que desejamos. Do que nos emprestam. Da dívida pública à bazuca europeia. Por certo, quem batizou dinheiro que vem da União Europeia como bazuca necessita com urgência de conselhos para melhorar a comunicação. A bazuca é uma arma. Feita para matar pessoas.Este dinheiro que pagará o Plano de Recuperação Económica vem para salvar a economia. Convidei o professor de economia, comentador e pessoa francamente bem humorada Luís Aguiar-Conraria a ajudar-me a perceber algumas coisas. Quero desde já avisar que as folhas de cálculo angustiam-me.Talvez menos que ao ministro das finanças, quando conta o prejuízo vindo da pandemia. Só no ano passado ficamos todos mais pobres 7,6%. Os mais otimistas acreditam que a partir de agora a economia começa a recuperar com força. Tudo depende da resolução da pandemia. Mas com um buraco nas contas pública, desemprego a disparar e o vírus ainda sem dar tréguas, começo a suspeitar que vem aí uma conta para pagar. Serão impostos? Será um aumento da dívida pública? Será um subsídio europeu? Tentei disfarçar o meu pessimismo. E perguntei sem medos: Luís Aguiar-Conraria, estamos a caminho de uma nova bancarrota?
Eurico Reis
Os juízes têm que decidir.Seja como for, tem mesmo que decidir.Ouvidas as partes. Sabendo e interpretando a letra e espírito da lei, espera-se que decidam.Não interessa quão difícil é. Ou quanto tempo demora. Ou que argumentos validou para chegar a uma decisão.O Juiz Desembargador Eurico dos Reis tem larga experiência a avaliar casos e principalmente um olhar crítico sobe como funciona o sistema judicial.Mas não só. Conhece como poucos o sistema mediático. E como tribunais, jornalistas e sociedade interagem. A fúria anónima das redes social veio complicar tudo. Esta conversa não é sobre crime e castigo.Nem sobre casos judiciais concretos ou recentes.Mas não deixam de estar no fundo. É uma conversa sobre cidadania. Sobre poder. Sobre equilíbrios poder.Sobre cidadãos e a sua opinião. Dita de forma expontânea ou, alegadamente, construída nas redes sociais, por algum guião pre-escrito. A ideia de falar sobre a linguagem da justiça já vinha de trás.Mas a leitura por várias horas da decisão da instrução do conhecido Caso Marquês levantou-me uma pergunta fundamental. Ou várias: tinha de ser tão longa? Tão difícil de compreender? Tão complexa? Ou poderia ser mais compreensiva para os cidadãos?
Joana Gonçalves de Sá
Hoje falamos do comportamento humano visto aos olhos de um grande macroscópico: os dados. E de discriminação. Do mundo real e do digital. Primeiro os dados. Os milhões de dados que se acumulam na nuvem dos grandes computadores.Por onde andas? Para onde vai? O que vês nas redes?Gosta no Facebook? Públicas no Twitter ou vês o Instagram? Sim, é para si que falo.Mesmo que não use quase nada.Há sempre o multibanco para pagar as compras do supermercado. E o supermercado que fica a saber que maçãs prefere ou se gosta mais de carne ou peixe. É o infinito mundo dos dados. Os ingleses chamam-lhe Big Data. Mas isto é só o início da conversa. Depois vem os algoritmos. Que aprendem connosco! E respondem cada vez melhor.É a inteligência artificialA cientista e professora do I.S. Técnico Joana Gonçalves de Sá usa grandes quantidades de dados para perceber os nossos comportamentos.Para explicar, por exemplo, porque acreditamos e republicamos notícias falsas.Mas neste mundo em que cada vez mais precisamos de competências digitais, de literacia digital, há um risco de discriminação, de segregação, entre os digitais e os analógicos.Entre o mundo do futuro e o do passado. Foto de Rogério Esteves
Paula Cordeiro
Como ser popular no Instagram?De forma fácil, rápida e mágica.Ou talvez não. Nesta edição olhamos a grande mentira das redes sociais.Paula Cordeiro é professora universitária, mulher da rádio e durante um tempo, provedora dos ouvintes da rádio pública.Durante 5 anos inventou, alimentou e fez crescer um chamado projeto digital.O Urbanista.Retratos de vida urbana, chique, de tendências, moderando, cheio de luz e brilho.Objectivo: criar do nada uma imensa comunidade. Uma tonelada de gostos. Uma miríada de comentários que aquecem o ego. Cinco anos volvidos escreveu o livro que autopsia a experiência. Aviso aos ouvintes: esta escuta pode fazer-vos perder a inocência.E mergulhar num mundo de robôs inteligentes que imitam seres humanos, de gulosos de comida exótica e de uso de produtos a fingir serem genuínos.É o mundo dos influenciadores dos tempos modernos.Mas a corrente mais profunda desta conversa é sobre a dor existência. Sobre uma crise de crescimento pessoal.
Paulo Duarte
A vida é uma jornada.Para os crentes pode ser até uma peregrinação. Um caminho.Nesta caminhada há momentos em que é preciso parar.Parar para pensar.Parar para nos escutarmos.O Padre Jesuíta Paulo Duarte tem uma dessas estações de serviço da alma.Dirige retiros de silêncio na Casa da Torre, no norte do país, perto de Braga.Sim, é para crentes.Mas não, não é só para crentes.De resto se a crença é para os que tem fé, a espiritualidade é para todos.E o Padre Paulo usa além da palavra a dança para nos pôr a falar mesmo mudos de sons.Este programa é um diálogo sobre sons e danças silenciosas.Sobre ouvir a alma e o eco das dores.
A Comunicação no Hospital de Braga
Antigamente os hospitais não falavam com as pessoas.Há muito tempo.Para falar a verdade era um mal geral.As organizações, empresas ou marcas não falavam com as pessoas.Talvez apenas falassem para clientes.Através da publicidade.Mas isso não é a mesma coisa que falar com pessoas.Para que elas se sintam parte e não simples consumidores.Falar para pessoas é um ato de comunidade.A pandemia de COVID-19 veio mostrar como os grandes hospitais fazem grande comunicação num momento delicado e difícil.Todas as equipas de comunicação tiveram de se multiplicar.Para responder aos utentes, aos jornalistas, aos próprios profissionais.Lembrei-me por isso de falar para o Hospital de Braga.Um Hospital central que enfrentou logo com grande intensidade a primeira onda.A equipa de comunicação tem três pessoasA Sandra Silva que cuida de informar as 3200 pessoas que trabalham no hospital. Assegura a comunicação interna.O Diogo José Fernandes gere a comunicação digital.E a Catherine Pereira cuida da imprensa e comunidadeDesde o início cumpriram a primeira regra da comunicação de crise: usaram da transparência, abertura e honestidade. Catherine Pereira, Diogo Fernandes e Sandra Silva
Pedro Magalhães
Hoje falamos de percepçõesAs percepções contam.Contam tanto ou às vezes mais do que os factos.Na chamada opinião pública saber ou não saber é pouco relevante.É mais importante a forma como percebemos a realidade do que os factos ou provas científicas da própria realidade.No fundo a verdade que conta é a nossa.E a verdade provada é apenas um condimento para esse julgamento.Pedro Magalhães é um especialista na audição da opinião pública. São sondagens, são estudos de opinião.Pedro Magalhães é também um politólogo. Cruza intenções de eleitores com as ambições dos políticos. No Governo ou na oposição.Muito do seu trabalho é usar um termómetro de perguntas para conhecer as opiniões de todos nós sobre temas relevantes.

Paulo Pereira | Como liderar uma equipa?
Como funcionam os a diálogos entre jogadores de alta competição? Como se usam as palavras para curar as feridas de uma derrota amarga ou acalmar a euforia da vitória mais improvável? Está edição é sobre gestos, ânimos e falas a quente.E sobre virar o jogo em menos de um minuto no tempo morto pedido a meio do jogo.Mas é principalmente sobre a palavra certa no momento certo.Mas que seja a do erro cometido ou da jogada sublime. Quis saber de Paulo Pereira, selecionador nacional de andebol, como consegue convencer as suas equipas e atletas que é sempre possível superar-se e ganhar aos melhores dos melhores. Ter uma visão, numa estratégia e uma tática.Aprendemos isso todos os dias com os atletas e equipas de alta competição.E sabemos que as palavras são críticas para motivar todos os seres humanos.As que dizemos. As que ouvimos dos outros e até daquelas que dizemos a nós próprios no silêncio da nossa cabeça. Tudo é comunicação. Ler transcrição completa Transcrição 0:022 segundos[Música]0:1212 segundosora vivam sejam bem-vindos ao pergunta simples o vosso podcast sobre0:1818 segundoscomunicação nesta edição o tema é superação Agradeço desde já as vossas0:2525 segundossubscrições e partilhas na página perguntas simples.com tem todos os episódios e ligações para as melhores0:3232 segundosaplicações de telemóvel que permitem descarregar automaticamente os novos conteúdos os novos episódios hoje quero0:3939 segundosfazer um preâmbulo o convidado desta edição é Paulo Pereira treinador de Handbol e selecionador Nacional da0:4747 segundosequipa principal de Portugal gravamos esta conversa antes da tragédia que se abateu sobre o desporto nacional e o handball em particular a morte0:5656 segundosinesperada e súbita do guarda-redes da seleção nacional e do Futebol Clube do Porto Alfredo1:031 minuto e 3 segundosQuintana não tive coragem de ligar ao Paulo Pereira e pedir-lhe uma declaração sobre esta notícia não tive simplesmente1:111 minuto e 11 segundosnão tive coragem de lhe Telefonar nesta altura mas revisitando entrevista mesmo no final e já praticamente fora do1:181 minuto e 18 segundoscontexto o fluxo da conversa perguntei-lhe sobre quão especial são os guarda-redes porque fiz esta pergunta no1:261 minuto e 26 segundosfim não sei mas fiz e eu vi a resposta ser guarda-redes é ser algo especial ser1:341 minuto e 34 segundosguarda-redes nós estamos a falar de bolas que passam perto da cabeça 130 km horários portanto isto ser guardares1:421 minuto e 42 segundoseles têm que ser mesmo especiais eu eu quando eu aliás quando estamos no treino a minha posição é sempre 12 m e a baliza1:501 minuto e 50 segundoslá ao fundo porque pronto mas realmente é preciso é preciso ser ter ter uma coragem fora do normal para estar ali a1:591 minuto e 59 segundosreceber aqueles impactos porque aquilo eh não é para qualquer pessoa e depois ainda por cima é é um lugar um pouco isolado digamos assim portanto é o2:082 minutos e 8 segundosúltimo a ser batido é aquela coisa do ou é salvação ou i não consegui panto aquilo eles têm muitas emoções também2:162 minutos e 16 segundosali é preciso por isso é que eles estão sempre a falar um com o outro é quase como que para se apoiarem um ao outro Nós também ajudamos não é mas eles eles2:262 minutos e 26 segundoseles sabem o que é que sentem ali dentro eles os dois portanto a linguagem própria percebe claro que também falam de questões detalhes alguns2:342 minutos e 34 segundostáticos não é alguns de de porque é que sofreu o golo onde é que está o problema eles eles também comunicam entre eles e com o nosso treinador guarda-redes o2:422 minutos e 42 segundosTelmo Ferreira portanto Mas a questão do do do posto que estarem ali sozinhos2:492 minutos e 49 segundostambém também é até para isso é preciso serem especiais Alfredo Quintana morreu aos 32 anos de paragem cardiorrespiratória um choque e Tantas2:592 minutos e 59 segundosperguntas sem resposta e um dos mais especiais Alfredo Quintana3:043 minutos e 4 segundos[Música]3:133 minutos e 13 segundospartiu Volto à conversa com Paulo Pereira selecionador Nacional de handball treinador de Elite da modalidade e principalmente um3:213 minutos e 21 segundoscomunicador Nato com ele aprendi como se lida com atletas de alta competição como funcionam os diálogos entre jogadores3:293 minutos e 29 segundoscomo se usam as palavras para Curar as Feridas de uma derrota amarga ou acalmar a euforia da Vitória mais Improvável3:363 minutos e 36 segundosnesta edição falamos sobre gestos sobre ânimos sobre falas a quente e sobre virar o jogo em menos de um minuto no3:443 minutos e 44 segundostempo morto pedido a meio do jogo mas é precisamente sobre a palavra certa no momento certo quis saber de Paulo3:523 minutos e 52 segundosPereira Como consegue convencer as suas equipas e os atletas que é sempre possível superar-se e até ganhar ao os3:593 minutos e 59 segundosmelhores dos melhores uma coisa útil para alta competição e também para a nossa vida como é que como é que se4:074 mi
Mário Cruz
O que vê o Fotojornalista antes de fazer click na sua máquina oferecendo-nos o seu olhar fixado em luz?
Marina Caldas
Esta é uma história de vulnerabilidade. De falas por entre máscaras de oxigénio. De pessoas que já não conseguem dizer quem são. Não conseguem dizer o seu nome. Neste edição ouvimos o testemunho de viva voz de Marina Caldas. Foi jornalista, escreveu muito sobre saúde. É comunicadora e ocupa muitos dos seus dias a fazer perguntas em debates às pessoas da comunidade da saúde. Mas esta conversa não é sobre as grandes ideias da saúde mas sobre a grandeza da humanidade dentro do SNS.
Carla Guedes
Para que serve a reputação?Uma boa reputação.Todo este episódio anda à volta desta ideia central.A convidada é uma experiente comunicadora e que decidiu e escrever um livro sobre as suas percepções deste mundo da comunicação.Chama-se Carla Guedes e escreveu o livro “Insights da Comunicação”.São textos de reflexão sobre vários temas.A reputação como o resultado das várias ações de comunicação, de relações públicas mas não só.Não basta anunciar aos quatro ventos que somos merecedores da boa opinião pública ou da simpatia dos nossos clientes.Há que merecer confiança.A confiança é a moeda intangível que melhora a percepção dos outros sobre nós.
Nadim Habib
Hoje vamos falar de expectativas. Ter expectativas, criar expectativas, Esperar qualquer coisa. Nadim Habib é professor da Nova Business School. O braço da Universidade Nova que ensina economia e liderança. Mas o tema são as expectativas. De todos e de tudo esperar muito e depois ter de lidar com uma eventual frustração . Dos grandes comunicadores esperamos sempre grandes e entretidas conversas. Mas isso não quer dizer elogiar um grande comunicador como se fosse assim por herança divina e não fruto de um árduo e continuado trabalho.
Jorge Sequeira
Nesta edição conjugamos o verbo Motivar. A motivação. Um misto entre ter um motivo, uma causa e uma paixão. Motivar um grupo de pessoas ou motivar-mo-nos a nós mesmos é uma arte. Saber que queremos. Sentir o que desejamos. Enfrentar o que nos mete medo. As equipas de alto rendimento sabem o resultado final pode depender, e muito, da maneira como todos remam para o mesmo lado. Jorge Sequeira passa muito do seu tempo a motivar pessoas e equipas. Sabe quais são as teclas das nossas emoções e faz-nos acreditar em nós. [podcast_subscribe id="484"]
Catarina Furtado
Nesta edição falámos de empatia. Essa receita mágica da comunicação. Olhar o mundo pelos olhos do outros. Ou calçar os seus sapatos. Sentir pelo outro. Compreender, aceitar, ter compaixão e demonstrar um genuíno e desinteressado amor pelas pessoas. A empatia. Com Catarina Furtado [podcast_subscribe id="484"]
Germano Almeida
O poder da palavra é o diamante da comunicação. As palavras podem inspirar-nos, podem explicar-nos o mundo e podem apontar-nos o caminho. Mas as palavras são também apelos ao pensamento e à ação. Nesta edição vamos falar do poder das palavras dos líderes políticos. [podcast_subscribe id="484"]
Pedro Diogo Vaz
Fazer uma grande campanha de comunicação exige criatividade, narrativa e saber como se conquista um público. As marcas procuram sempre ser bem-vistas pelos consumidores e opinião pública. Vamos falar dessas marcas. E de agências que criam as suas histórias. Guiados pelo nosso convidado Pedro Diogo Vaz, que cria anualmente o concurso SuperBrands, vamos descobrir alguns segredos das melhores marcas. [podcast_subscribe id="484"]
Ep 18António Granado
Será que a ciência nos salva desta pandemia? A narrativa do vírus é forte. O bicho é minúsculo mas os estragos são bem visíveis. Os tempos modernos oferecem-nos em pleno palco, frente aos nossos olhos, a ciência a funcionar em tempo real. Os passos, as descobertas, o conhecimento. Mas também as dúvidas, os falhanços, as incertezas. E lidar com a incerteza é seguramente uma coisa que nós não sabemos fazer bem. Entre os cientistas e a opinião pública, fazendo pontes, traduções e criando histórias estão os jornalistas de ciência. O convidado desta edição é o jornalista e professor António Granado [podcast_subscribe id="484"]
Ep 17Ferreira Fernandes
Aos melhores jornalistas cabe a tarefa de serem grandes repórteres. São aqueles que correm para os sítios de onde todos os que podem fogem. Vão emprestar-nos os olhos e ouvidos e testemunhar as mais das vezes horrores, catástrofes e guerras. Outras vezes acompanhar grandes feitos ou eventos algures no mundo. Ferreira Fernandes faz parte deste exclusivo clube. Mas acrescentou-lhe outra habilidade: a arte de contar por via da crónica. [podcast_subscribe id="484"]
Ep 16Edson Athayde
Contar uma boa história é sempre um mais fascinantes exercícios de comunicação. E contar essa mesma história dentro dos 30 segundos de um anúncio de televisão, de forma bonita, apelativa e que consiga espalhar felicidade e vontade de comprar alguma coisa, é toda uma arte. Edson Athayde mostrou-nos nos últimos 30 anos como se contam grandes histórias. E algumas das dicas podem ser usadas por todos nós. [podcast_subscribe id="484"]
Ep 15Marta Crawford
Nesta conversa vamos saber coisas sobre afectos. Sobre amores e desamores. Sobre desejos calados e conversas francas. Conversas intimas. Sobre manipulação, poder, subjugação e sedução. [podcast_subscribe id="484"]
Ep 14Miguel Crespo | Como combater as ‘fake news’?
Porque razão correm mais depressa as histórias falsas do que os factos comprovados pela ciência nas redes sociais? Ou porque na aldeia o rumor e o boato do vizinho do lado se propaga como um vírus entre a comunidade? Na conversa deste episódio exploramos tudo isto com o investigador e professor de jornalismo digital Miguel Crespo [podcast_subscribe id="484"]
Ep 13Nelson Pereira
Mergulhamos na urgência dum grande hospital em tempos de pandemia para saber como se comunica com os doentes. Salvar muitos e, às vezes, anunciar que vão morrer. [podcast_subscribe id="484"]
Ep 12Carmo Afonso
Se quiser resumir esta edição com Carmo Afonso, nos 280 caracteres com que se escreve uma declaração no Twitter poderia ser assim: “Estamos todos a vive nas redes sociais. Não a viver a vida e a escrever no Twitter, Facebook ou Instagram. Não, estamos todos a viver, sentir, falar, comunicar dentro das redes sociais. Às vezes falamos e ouvimos. Outras vezes há uma gritaria anárquica insuportável.Quase uma luta” Um retrato do nosso tempo. [podcast_subscribe id="484"]
Ep 11António Gomes | Como escutar a opinião pública?
Nesta edição o tema é: ouvir. Ouvir com atenção. Escutar os outros. A ideia inicial desta edição era resolver o mistério daquela coisa a que podemos chamar de Opinião Pública. Escolhemos ouvir António Gomes, um sociólogo habituado a ouvir a voz da da opinião publica. Sobre todos os temas. Dos mais fáceis até aos chamados temas tabu. [podcast_subscribe id="484"]