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Pergunta Simples

Pergunta Simples

260 episodes — Page 2 of 6

Ep 210Como nasce uma mentira com cara de verdade? Filipe Pardal

Descubra como se forma uma ilusão convincente e suas consequências. Entenda "Como nasce uma mentira com cara de verdade

May 28, 20251h 7m

Ep 209Que histórias ainda não ousámos contar? Filipa Martins

Filipa Martins, que esteve na Ucrânia em plena guerra, explora reflexões sobre o que nos impede de compartilhar experiências. Que histórias ainda não ousámos contar?

May 21, 202554 min

Ep 208Estamos a ouvir verdadeiramente os adolescentes? Tânia Gaspar

A comunicação com os adolescentes é crucial. Vamos refletir sobre isso em "Estamos a ouvir verdadeiramente os adolescentes?

May 14, 20251h 7m

Ep 207O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino

Na segunda-feira em que Portugal ficou sem eletricidade durante várias horas, muitos portugueses fizeram a mesma pergunta: “O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino” e “O que se passa?” E ficaram sem resposta. Sem redes sociais, sem tv, sem telemóvel. Sobrou a rádio. Sempre no ar. A velhinha rádio provou que está pronta para responder à emergência. E isso é uma boa notícia. É fundamental entender a resposta para a pergunta: O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino. Compreendendo a Crise: O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino A crise desta segunda-feira tem uma vertente técnica, sobre o que aconteceu, como se recuperou e como se previne o futuro. E outra, mais importante para o programa, de comunicação. Como se comunica durante um evento inesperado e com potencial para provocar disrupção. O apagão iluminou vulnerabilidades, como sempre acontece nas crises., mas também nos oferece um ponto de partida: como se deve comunicar quando acontece o inesperado? Que papel têm os líderes, as empresas e os media? E o que significa, afinal, estar preparado para uma crise? Convidei a especialista em comunicação de crise Mariana Victorino, professora na Universidade Católica, que lembra: “A crise não começa quando algo corre mal. Começa quando ninguém sabe o que dizer.” Uma crise não é somente um problema técnico. É um momento de exceção, onde há risco para a segurança, para a reputação ou para a confiança numa organização ou país. Pode ser um apagão, um acidente, uma falha grave de serviço ou até uma polémica pública. E numa crise, o tempo conta. Há uma ideia chave em comunicação de crise: a golden hour - a hora de ouro — a primeira hora. É nesse intervalo que se decide muito do que virá depois: a confiança, a perceção pública, o tom da resposta. Para Mariana Victorino, há três ingredientes essenciais para qualquer resposta inicial: 1. Reconhecer o problema — mesmo sem admitir culpa;2. Expressar empatia — sobretudo se houver pessoas afetadas;3. Explicar o que está a ser feito — mesmo que seja apenas “estamos a recolher informação”. Quem deve comunicar? Depende. Mas alguém deve. A comunicação de crise exige que haja uma estrutura definida, com papéis claros: quem decide, quem coordena, quem comunica. Idealmente, o líder toma decisões e pode ser a cara pública em momentos-chave. Mas a figura do porta-voz — preparado, humano, credível — é central. Esse porta-voz deve conhecer os media, os públicos, os canais. E deve conseguir manter a calma, reconhecer a realidade e inspirar confiança. Fundamental é a preparação previa. Preparar antes, agir durante, aprender depois. A comunicação de crise começa muito antes da crise. Implica treino, simulações, planos escritos e revistos, mensagens preparadas para diferentes cenários — e sobretudo uma cultura de responsabilidade e transparência. Também é importante saber onde e como comunicar. Durante o apagão, por exemplo, muitos canais digitais falharam — mas a rádio manteve-se no ar. Era aqui que se se poderia ter investido mais. E depois da crise? Avaliar. Aprender. Ajustar procedimentos. E comunicar também a recuperação. A boa notícia: é possível fazer melhor A conversa com Mariana Victorino é clara: não é preciso adivinhar o futuro. Mas é preciso treinar o presente: preparar equipas, alinhar mensagens, construir confiança com o público — antes que a crise nos obrigue a improvisar. E é possível fazê-lo bem. E aproveitar a luz para prevenir a sombra. Talvez este apagão, que durou entre o pico da do meio-dia até ao fim da hora do busco fusco , tenha vindo para nos avisar que temos de estar preparados e de comunicar melhor. Principalmente quando algo corre mal. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:02:14 Viva Mariana Vitorino! 00:00:02:14 - 00:00:40:13 Possa tentar que, como uma especialista em crises, acho que sim. Essa Santa Bárbara bom formalmente doutorada em Ciências da Comunicação Pública Católica Portuguesa e professora na Faculdade de Ciências Humanas, especialista em Comunicação Estratégica e em Comunicação de Crise. Ligam me muitas vezes quando quando estão em dificuldades. Às vezes é verdade. Existe sempre essa tendência, porque é uma situação bastante comum, mais comum do que aquilo que pensamos que tem a ver com aquele ditado português casa roubada, trancas à porta. 00:00:40:13 - 00:01:06:20 Ou seja, as pessoas normalmente só se lembram de que, nesse caso específico, não ligam a ter algum tipo de conselho de tentar obter as respostas quando já se está muito em cima do acontecimento. E isso acontece também nas empresas, nas organizações. E por isso, respondendo à tua pergunta, sim, às vezes acontece ligarem me a última da hora a dizer vou agora ter que dar uma entrevista para a televisão ou para a rádio salva me, salva me. 00:01:07:00 - 00:01:26:17 Exatamente o que? O que nos faz tão pouco previdentes? Porque todos sabemos que volta e meia há alguma coisa que pode correr mal e que acaba por correr mal

May 7, 202548 min

Ep 206Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes

Se há algo que não falta durante uma campanha eleitoral… são sondagens. Como se escuta um país em campanha eleitoral? Antônio Gomes Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes é uma pergunta que muitos fazem durante o período eleitoral. Diariamente somos bombardeados com gráficos, percentagens, setas para cima, setas para baixo, empates técnicos, surpresas, coligações imaginadas e quedas espetaculares. A cada novo estudo, há quem se entusiasme e quem duvide. Quem diga “isto confirma o que eu já sabia” e quem desconfie: “isto tem dedo de alguém”. Mas afinal… como se fazem as sondagens? Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes: Uma Análise Profunda Essa questão de Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, envolve metodologias complexas e a interpretação de dados sociais. Os resultados de Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, muitas vezes revelam nuances do comportamento dos eleitores. Os estudos sobre Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes proporcionam insights valiosos para analistas e políticos. Ao explorar Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, percebemos a importância da coleta de dados fiáveis. A pesquisa sobre Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, deve ser conduzida com rigor científico. Compreender Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, é essencial para a democracia e a participação cidadã. Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes Como se escolhe quem é ouvido? Como se garante que aquilo que nos mostram é mesmo o que o país pensa? E, mais importante ainda: o que as pessoas respondem… quando alguém lhes pergunta? Neste episódio do Pergunta Simples, vou procurar respostas com quem sabe. António Gomes, diretor-geral da GfK Metris e uma das pessoas que melhor conhece os bastidores da opinião pública em Portugal. Portanto, a questão de Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes deve ser central nas discussões políticas atuais. Há mais de 30 anos que António lidera equipas que estudam o que pensamos, o que desejamos, do que temos medo. Faz sondagens eleitorais, estudos de mercado, inquéritos qualitativos e quantitativos. E já viu de tudo: vitórias inesperadas, derrotas mal digeridas, candidatos ofendidos com os dados, e eleitores a esconder aquilo que verdadeiramente pensam. Nesta conversa falámos de tudo isso — com a calma de quem já passou por muitas campanhas e com o humor de quem sabe que, na política, nem sempre a lógica vence. Começámos pelo princípio: como se faz uma sondagem séria? António explicou-nos os diferentes métodos de recolha — por telefone, presencial, ‘online’ — e a ciência por detrás da construção de uma amostra representativa. Falámos de margens de erro, de amostras estratificadas, de critérios técnicos que, para o público, são muitas vezes invisíveis. E falámos do que acontece quando, apesar de tudo isso, a sondagem falha. Falámos de erros estatísticos. Mas falámos, sobretudo, de erros humanos. Das recusas. Das portas que não se abrem. Dos estratos difíceis de preencher. E das situações em que, por mais que se controle sexo, idade e região, saindo da amostra é… uma surpresa. Uma dessas histórias inclui um ‘fax’, uma jornalista célebre de televisão, um resultado inesperado e um telefonema a dizer: “Isto só pode estar errado”. Mas estava certo. Ou, pelo menos, era aquilo que os dados evidenciavam naquela semana. António também nos explicou o que é o fenómeno do votante envergonhado. Aquela pessoa que vota num partido, mas tem vergonha de o assumir. Que diz uma coisa ao entrevistador… e faz outra na urna. Já aconteceu um par de vezes em Portugal e voltar a acontecer com qualquer partido que, num dado momento, esteja no centro da polémica ou do julgamento social. Finalmente, todos devemos refletir sobre Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes e suas implicações sociais. Mas será que as pessoas mentem mesmo? “Não mentem por maldade”, diz António Gomes. Muitas vezes, mentem a si próprias. Porque o tempo passou, porque se arrependem, porque querem parecer coerentes. Às vezes, quando lhes perguntamos como votaram há cinco anos, respondem com base no que gostariam de ter feito. Não no que fizeram. Este episódio é também uma lição de psicologia eleitoral. Afinal, compreender Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes é um desafio constante. Por tudo isso, Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes deve ser estudado de forma crítica. Falámos do uso das sondagens pelos partidos. Não somente para medir intenções de voto, mas para testar ideias, frases, cartazes. Há uma parte do que vemos nas campanhas que vem diretamente dos dados. Desde o tipo de fotografia que se escolhe para um cartaz gigante na rua, até à linguagem usada num debate. Não é manipulação, é estratégia — é afinação estratégica com base em evidência. E sim, falámos dos políticos. Antó

Apr 30, 202552 min

Ep 2055 desafios ao noticiar uma campanha eleitoral na televisão? Nuno Santos

Até 18 de maio, e nas semanas seguintes, até tudo estabilizar, veremos a dança de vários tipos de comunicação: a política, a do ‘marketing’ e a institucional. Todas a rodar no palco mediático. Media que ora fazem o papel de observadores, ora de criadores de agendas públicas. É neste contexto que convido Nuno Santos, jornalista e diretor do canal de notícias mais visto da televisão por cabo, a CNN Portugal. Nuno Santos passou pela RTP, pela rádio pública, onde coincidimos, pela SIC e pela TVI. Ora no lado das notícias, ora no lado do entretenimento. Na dupla função de diretor de informação da TVI e do canal CNN Portugal, montar a gigantesca operação de cobertura eleitoral. Antes, durante e depois. Como noticiar uma campanha eleitoral na televisão? Nuno Santos Como noticiar uma campanha eleitoral na televisão? Nuno Santos Os “5 desafios” discutidos na entrevista: Planeamento editorial antes da campanha Gestão de debates e critérios de imparcialidade Mudança dos hábitos de consumo informativo Pressões externas e internas sobre o jornalismo Concorrência entre redes sociais e media tradicionais Esta edição contém boas pistas de como se organizam os debates entre os candidatos ao lugar de Primeiro-ministro. Como se escolhem os temas, como se negoceiam as regras comuns. Quais os interesses dos jornalistas mas também dos candidatos. Os debates já começaram, as equipas de reportagem estão na rua e as caravanas políticas também. As mensagens já enchem as redes sociais. Estão aí as eleições. Mais uma vez, o país vai escolher um governo e, como sempre, a imprensa é chamada a cumprir o seu papel de relatar, explicar, analisar. Nada de novo, certo? Talvez não seja bem assim. Porque se há coisa que muda mais depressa do que as vontades do eleitorado, é a maneira como recebemos e consumimos informação. E é aqui que as coisas se complicam. Porque a verdade, aquela verdade sólida, bem fundamentada e confirmada, tem hoje uma concorrência feroz. As redes sociais tomaram de assalto o espaço público. Opiniões, factos mal digeridos, "soundbites", teorias da conspiração… está tudo ali, à distância de um gesto de dedos. O jornalista deixou de competir com o seu camarada da estação concorrente e passou a competir com o mundo inteiro. Gente que publica o que quer, quando quer, como quer. Sem editores, sem filtros, sem regras. Tantas vezes sem ética. Muitas outras de forma mal intencionada. E depois há outra coisa: o público que mais cresce nas redes, e que já olha com desconfiança para o jornalismo tradicional, é publico o mais jovem. Aqueles que preferem ouvir uma notícia no TikTok, em 20 segundos, do que assistir a um telejornal completo. São milhões que consomem informação em pedaços soltos, descontextualizada, sem critérios claros. O ‘sexy’, panfletário ou incendiário é escolha do algoritmo para servir constantemente. E o que fazem os jornalistas perante isto? Tentam adaptar-se. Tentam perceber como se faz jornalismo relevante e apelativo num mundo que está sempre a correr para a próxima coisa. E é aqui que entram projetos como a CNN Portugal. Os outros meios onde se faz informação a sério. Confiável, credível, escrutinada. A CNN Portugal nasceu com a promessa de trazer um jornalismo sério, factual, com um selo de qualidade que carrega décadas de história da marca-mãe, dos Estados Unidos. Mas será que isso é suficiente num país onde a informação já não é recebida, é disputada? Porque hoje não basta fazer bem. É preciso que alguém, do outro lado, queira ver e ouvir. A campanha eleitoral que agora começa vai ser um teste real a este modelo. Porque cobrir uma eleição em 2025 não é o mesmo que em 2015 ou em 2005. Agora, cada acontecimento é imediatamente esmiuçado, comentado, até distorcido, e partilhado por milhões de pessoas, muitas vezes antes mesmo de chegar aos canais oficiais. E então? Como se trabalha assim? Como se garante que o jornalismo de qualidade sobrevive e se faz ouvir num mundo onde a gritaria é mais audível do que a conversa sensata? Há outra questão que também se impõe: a da credibilidade. Porque, se o jornalismo perdeu a sua aura de autoridade intocável, isso não aconteceu por acaso. Os erros existiram e continuam a existir. Os enviesamentos, intencionais ou não, acontecem. E a verdade é que o público, hoje, está mais atento e mais desconfiado. Falar sobre eleições é falar sobre imparcialidade. E, mais do que nunca, essa imparcialidade tem de ser sentida, não somente proclamada. Porque de nada serve repetir que um canal é independente se depois não se nota esse esforço na prática diária. Neste episódio, vamos explorar tudo isto. Vamos perceber como um canal como a CNN Portugal se prepara para cobrir um evento tão relevante como umas eleições legislativas, num ambiente mediático no qual a verdade não tem só concorrentes… tem inimigos declarados. A CNN Portugal apresenta-se como um projeto ambicioso. Um projeto que quer recuperar a confiança do público ao oferecer jornalismo sério e rigoroso, mas que també

Apr 9, 202559 min

Ep 204O que é a comida? Ricardo Dias Felner

Sim, chef, pronto chef. A sair, chef Portugal é um país que come por prazer. Não tenho dúvidas. O que é a comida? Ricardo Dias Felner O que é a comida? Ricardo Dias Felner Às vezes temos mais olhos que barriga. Outras vezes não temos barriga para tanta gula. Ou temos demasiada gula para tão pouco dinheiro para gastar restaurantes mais estrelados que os ovos. Comemos e falamos do que comemos. Fazemos disso um ritual, uma celebração. E é fácil perceber por quê. Somos um país pequeno, com uma cozinha rica e variada, construída por séculos de encontros e desencontros com o mundo. Cada povo que nos invadiu, cada imigrante que chega ou emigrante que regressa traz um livro de receitas. E os misturamos tudo e reenviamos sabores. A comida, para os portugueses, é muito mais do que aquilo que se mete no prato. É aquilo que se conta à volta dele. Dizem que nós, portugueses, somos bons a queixar-nos. Digo que somos bastante bons a falar de comida. Porque não há prato que não mereça um comentário, um elogio ou um desabafo. Ao almoço falamos do que vamos comer ao jantar. E todos sabemos que os grandes problemas do mundo resolvem-se não numa reunião, mas à volta dos comes e bebes. Podemos estar na conversa mais séria do mundo — e de repente aparece alguém a dizer que descobriu um restaurante incrível numa aldeia perdida que faz o melhor cabrito de sempre. E toca a organizar uma expedição ao dito sítio. Ou que o arroz de polvo da mãe é impossível de bater Que a carne de porco à alentejana que comemos na festa de aniversário do amigo do amigo era má, péssima, incomestível. Mas já que lá estávamos, comemos, claro.. E quando não é o prato, é o preço. Ou como o serviram. Ou a espera, que foi longa demais. Ou o facto de, naquele restaurante, não aceitarem reservas e termos ficado 40 minutos à espera, para depois nos sentarem numa mesa junto à casa de banho. Ou na porta. Ou, pior, ofenderem.nos descaradamente dizendo: já não há lugar para si, Mas isto é Portugal. E com jeitinho tudo se desenrasca. Os portugueses falam de comida como falam do tempo ou do futebol. Porque a comida, para nós, é mais do que sabor. É identidade. É memória. É território. É desafio e tradição. Há quem ache que, neste país, o bom e barato acabou. Que agora se come bem, mas paga-se um balúrdio. Outros defendem que as tascas continuam a existir, contudo é preciso procurar melhor. O que é certo é que as referências mudaram. Há 30 anos, um bom restaurante era o que servia muito e barato. Depois passou a ser o que tinha um prato bem-feito, com sabor e sem grandes artifícios. Agora, é o que nos tira uma fotografia bonita para as redes sociais. Que nos serve um prato que queremos partilhar com o mundo, mas que vamos comentar com os amigos ao vivo, numa esplanada, enquanto pedimos um fino e uns tremoços. Porque, se há coisa que o português gosta, é de contrariar a moda. Dizer que já foi a esse restaurante de que todas as pessoas falam e não gostou. Que a nova estrela Michelin o deixou indiferente. Que o menu de degustação não vale nem metade do que cobram. “Comia melhor na minha aldeia por metade do preço”, é uma frase que já ouvimos todos, mais do que uma vez. E depois há as comparações. Porque o português gosta de medir. O melhor pastel de nata. A melhor bifana. O melhor arroz de pato. A melhor feijoada. A melhor chanfana. A melhor caldeirada. Discutimos comida como se discutem jogadores de futebol. “O melhor é o meu”, dizemos, com um orgulho que só quem gosta de comer compreende. Mas o mais interessante é que, mesmo quem não sabe cozinhar, sabe falar de comida. Sabe avaliar. Sabe criticar. E sabe dizer, com a certeza de um especialista, que o bacalhau estava seco, que o arroz de tomate precisava de mais caldo, que o polvo estava tenro, mas podia ter mais sabor. Talvez seja por isso que temos tantos chefs talentosos. Porque, desde sempre, fomos educados a ter opinião sobre o que está no prato. Seja o cozido à portuguesa da avó, seja o ‘sushi’ de fusão daquele restaurante da moda, seja o café que nos serviram à pressa, com espuma a mais e sabor a queimado. A gastronomia portuguesa é feita de contrastes. Entre o tradicional e o moderno. Entre o barato e o caro. Entre o gourmet e o que se come na tasca. E é feita, acima de tudo, de histórias. Porque, quando um português fala de comida, raramente fala só de comida. Fala do que aconteceu antes, do que se passou durante e do que ficou depois. Fala do caminho para chegar ao restaurante, da conversa que teve à mesa, do prato que pediu porque tinha saudades da infância. E, depois, há a simplicidade. Porque a nossa cozinha é de improviso, de aproveitamento, de invenção. O que fazer com o que há. As sopas que nascem do fundo do tacho. As pataniscas que se fazem com o resto do bacalhau. O arroz que se estica para dar para mais um. A comida que se partilha, que se reparte, que se recria. E o curioso é que, mesmo com tanta conversa, com tanto julgamento, com tanta comparação, continuamos a gostar de descobrir. Continuamos a

Apr 2, 20251h 4m

Ep 200E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques

Susan Sontag escreveu no seu livro “A doença como metáfora” E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques “A doença é o lado noturno da vida, uma cidadania mais onerosa. Todos que nascem têm dupla cidadania: no reino dos sãos e no reino dos doentes.” E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques Quando Susan Sontag escreveu isto, em 1978, estava a falar de cancro. Mas podia estar a falar de solidão. De ressentimento. Daquela dor difusa de quem se sente por dentro fora de lugar. Porque a verdade é esta: há uma doença que não aparece nas radiografias, que não se vê ao microscópio, que não se trata como as outras. Ao questionar: E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques, somos levados a refletir sobre a importância das relações humanas. É a doença da falta de relação. E essa, está em todo o lado. Vivemos cercados de tecnologia, mas cada vez mais distantes. Na abordagem de Rui Marques, E se a empatia fosse obrigatória?, destaca-se a necessidade de fortalecer nossas conexões. Nunca estivemos tão ligados — e nunca estivemos tão sós. A produtividade sobe, os gostos digitais disparam, mas o silêncio entre duas pessoas que vivem na mesma casa, escritório ou aldeia, vai crescendo. Chamamos-lhe esgotamento, chamamos-lhe ansiedade, chamamos-lhe stresse crónico — mas muitas vezes é só isto: défice relacional. Falta de cuidado. Falta de olhar. Rui Marques chamou-lhe saúde relacional. E dá-lhe corpo. E nome. E método. Não é uma metáfora. É literal. Há pessoas que adoecem porque não têm com quem falar. Há pessoas que saram porque alguém lhes sorriu no momento certo. E não é só uma intuição: é ciência. Um estudo de Harvard que há mais de 80 anos acompanha centenas de pessoas chegou à conclusão mais simples e mais desarmante de todas: o que mais contribui para uma vida feliz — e mais longa — é a qualidade das relações. Não o dinheiro. Não o estatuto social. São As relações. É fácil esquecer isto. Sobretudo num mundo que corre. Que empurra. Que valoriza o fazer mais do que o estar. Que trata as pessoas como recursos. Como números. Como peças. Mas a verdade volta sempre. E a verdade é esta: sem relação, não há saúde. As crises que vivemos — na educação, nas organizações, nas instituições públicas — são provavelmente e antes de tudo, crises relacionais. Não se resolvem somente com planos, orçamentos ou reformas estruturais. Resolvem-se na qualidade do vínculo entre as pessoas. No modo como se escutam. No modo como se respeitam. No modo como se reconhecem. Rui Marques fala de literacia relacional. Como quem diz: isto aprende-se. Treina-se. Trabalha-se. Há oficinas. Há modelos. Há maneiras de regenerar relações que foram danificadas. Porque o que nos adoece não é só o conflito — é o conflito não resolvido, mal digerido, ignorado. E isso, sim, tem impacto direto na saúde física, mental e social. Há relações que nos elevam. E há relações que nos esvaziam. E depois há o digital. Que entra na equação como uma espécie de perturbação crónica. Crianças que nunca treinaram o conflito real, que não subiram árvores nem discutiram cara a cara, e que agora são adolescentes ansiosos, hiperconectados e emocionalmente frágeis. Adultos que se refugiam a percorrer, com o dedo no écran, infinitivamente as últimas novas das redes sociais, para não ter de lidar com o desconforto do silêncio. Relações filtradas, encenadas, mediadas — mas raramente inteiras. A saúde relacional também passa por aqui: por reaprender o toque, o olhar, o tempo partilhado sem agenda. Por aceitar o silêncio sem o preencher com barulho. Por ter conversas difíceis sem medo do erro. Por construir confiança — esse oxigénio invisível que sustenta qualquer equipa, qualquer família, qualquer sociedade. E passa, claro, pelo cuidado. Cuidar não é uma palavra delicodoce. É uma palavra difícil. Cuidar exige tempo, exige atenção, exige compromisso. Não é um botão que se carrega — é um caminho que se percorre. E nesse caminho, todos falhamos. Todos tropeçamos. Todos erramos. Mas também todos temos a possibilidade de voltar. De pedir desculpa. De escutar melhor. De tentar outra vez. A saúde relacional é isto: não é sobre relações perfeitas. É sobre relações vivas. Com tensão, com conflito, com sombra — mas com vontade de permanecer. A metáfora da doença que Sontag combateu — a de que o doente é culpado, ou fraco, ou castigado — precisa de ser substituída por outra: a de que o humano é relacional por natureza. E que, quando nos afastamos disso, adoecemos. Por isso, mais do que nunca, é tempo de reaprender o básico: ver o outro. Estar com o outro. Reconhecer o outro. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:32:11 por vir. Rui Marques é uma daquelas pessoas que nunca descansa e olha que para para a vida do Rui Marques é desde ir a Timor no navio desmontar academias de liderança, desde que criada, pois há refugiados a uma missão. Claramente. E é um gosto estar aqui, Primeiro que tudo, agradecer este convite, saudar quem nos ouve, enfim, uma frase que às vezes me inspira. 00:00:3

Mar 26, 202552 min

Ep 202O humor pode salvar-nos? Nuno Markl

Hoje vamos explorar como o humor pode transformar nossas vidas e a importância deo humor. "O humor pode salvar-nos? Nuno Markl".

Mar 19, 20251h 0m

Ep 201Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca

Num mundo onde a palavra “igualdade” já faz parte do discurso oficial, o que falta para que ela se torne realidade? Como comunicamos o que ainda não foi alcançado? E, mais importante: como comunicar de forma eficaz num contexto de resistência, desconfiança ou mesmo hostilidade? Neste episódio, na semana que assinala em semana do Dia Internacional da Mulher, refletimos sobre o papel da comunicação pública na promoção (ou bloqueio) da igualdade de género. Neste contexto, a questão que se coloca é: Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca e o seu papel nesse processo. O papel da comunicação na igualdade de género: Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca A convidada deste episódio é Sara Falcão Casaca, professora catedrática no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), socióloga, investigadora, especialista em desigualdade de género, mercado de trabalho e políticas públicas. Atualmente, lidera o Observatório Género, Trabalho e Poder, e coordena a recém criada comissão de prevenção do assédio no ensino superior, um espaço onde a comunicação — ou a falta dela — pode fazer toda a diferença. Este é um episódio sobre comunicação. Comunicação que pode ser uma ferramenta de transformação ou, se mal usada, um mecanismo de bloqueio. Falamos sobre como os media continuam a construir imagens públicas das mulheres em lugares de liderança. Falamos sobre os estereótipos que ainda marcam as narrativas políticas, empresariais e mediáticas. Falamos sobre o desafio de comunicar dados difíceis de compreender, como o fosso salarial entre homens e mulheres, sem que se tornem somente mais um número a circular sem impacto real. Mas também refletimos sobre o papel das redes sociais, que democratizam a comunicação, mas que são palco de ataques dirigidos a mulheres que ousam ocupar o espaço público. Como se constrói uma narrativa de igualdade num ambiente polarizado? E como se lida com o discurso de ódio sem abdicar do espaço público? Este episódio passa ainda pela comunicação invisível nas organizações: como se falam — ou não se falam — os problemas de assédio, as desigualdades salariais, a falta de mulheres em posições de topo. E pela linguagem silenciosa das escolhas institucionais, desde a escolha das lideranças até à ausência de mulheres em debates, painéis ou cargos de poder. Falamos também de um desafio central na comunicação pública da igualdade: como envolver os homens neste debate? Como evitar que a igualdade de género seja comunicada como um “tema de mulheres para mulheres”? Num país onde se registam avanços importantes — desde a maior participação de mulheres na política até à adoção de códigos de conduta para a igualdade — ainda falta uma narrativa pública consistente, que traduza em palavras, exemplos e políticas o que se diz defender. Por isso, este episódio não é apenas sobre o que falta fazer em termos de igualdade de género, mas sobre o como comunicar tudo o que falta fazer, sem desistir de tentar, mesmo quando a comunicação se torna difícil. Porque a comunicação pública, quando bem-feita, não é só uma descrição do mundo como ele está. É uma ferramenta para o mudar. A conquista de qualquer direito social implicou sempre alguma forma de luta. A cultura, a tradição, o fizemos sempre assim, será sempre um obstáculo. Mesmo nas coisas mais óbvias, mudar demora sempre tempo. Muito tempo. Qualquer mudança substantiva é lenta e gradual. A comunicação pode ajudar a criar entendimentos e coligações. Mas não resolve tudo. Ajuda, mas não resolve. A resistência à mudança é um valor cultural intrincado. E quando tema gravita à volta da questão do poder e da sua divisão equitativa, quem o tem não gosta de o perder. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:17:24 Viva Sara Falcão Casaca, professora catedrática do ISEG e uma especialista em sociologia económica e das organizações, dedica muito do seu tempo e da sua investigação a investigar esta coisa da desigualdade de género no mercado de trabalho e as questões das políticas de igualdade. 00:00:18:01 - 00:00:44:12 E porque se me perguntar e tu, onde é que estão as mulheres? Estamos a falar dos mesmos para o público e o mesmo falam as mulheres falam muito pouco no espaço, têm muito pouca visibilidade ainda no espaço público. E porque há uma coisa que nós podemos contar às pessoas, Quando nós estivemos a combinar esta conversa e eu confidenciei que é sempre muito mais difícil convencer uma mulher, neste caso a Zara, me convencer facilmente. 00:00:44:13 - 00:01:06:23 É verdade. Mas vamos, vamos lá, vamos gravar uma coisa, vamos gravar um programa, porque parece que aqui há uma limitação a um não, não apetece aparecer, Não quero ir. O que que o que faz com que, entre outras coisas, podemos fazer Um desfilar de argumentos, sim, faz com que as mulheres não apareçam no espaço público ou pareçam menos simples. 00:01:07:00 - 00:01:30:15 Quer dizer, eu acho que há vários, a vários fatores. Não é porque na verdade os homens continuam. E, aliás,

Mar 12, 202556 min

Ep 200Como contar histórias que realmente importam? Rui Cardoso Martins

Descubra como a escrita de Rui Cardoso Martins, um romancista e argumentista, revela "Como contar histórias que realmente importam? Rui Cardoso Martins".

Feb 26, 202553 min

Ep 199Como pensar bem? José Maria Pimentel

O conselho que sempre ouvimos foi: antes de falar, pense. Normalmente acompanhado de alguma história mais ou menos lendária de alguém que falou de mais, que disse o inconveniente ou que foi demasiado vocal para os ouvidos sensíveis da plateia. Esta edição é para todos os que tem capacidade de comunicar e vontade de pensar. De pensar bem. Neste caso da arte do pensamento crítico. Com José Maria Pimentel. Pensar bem é difícil. Mas alguém tem de o fazer. Até diria mais: todos temos de o fazer. O mundo está cada vez mais confuso. Somos bombardeados por informação constantemente, por todos os lados. Mas entre tanta notícia, opinião e ruído, há uma pergunta que vale a pena fazer: estamos a pensar bem? Estamos a tomar boas decisões? Estamos a ver o mundo como ele realmente é – ou apenas como queremos que ele seja? O nosso convidado de hoje dedica-se a responder precisamente a estas questões. José Maria Pimentel é economista, professor e autor do podcast 45 Graus, um espaço de reflexão onde tenta fazer o que as redes sociais e os debates televisivos raramente fazem: parar para pensar. Nesta conversa, falamos de pensamento crítico – essa coisa difícil, mas essencial, que nos obriga a questionar aquilo que sabemos e a forma como chegamos às nossas conclusões. Falamos de como a escola, sem querer, pode estar a treinar-nos para aceitar respostas fechadas, em vez de nos ensinar a pensar por nós próprios. Falamos das redes sociais e do efeito bolha, que nos leva a ouvir apenas quem confirma aquilo em que já acreditamos. E falamos, claro, de decisões. Porque pensar bem não é um exercício teórico. Na vida real, tomamos decisões todos os dias – algumas pequenas, outras enormes. Mas será que sabemos mesmo decidir? Será que conseguimos resistir à pressão, à pressa, ao ruído, ao ego? Será que conseguimos, de facto, ver a realidade como ela é – e não apenas como gostaríamos que fosse? José Maria Pimentel explica porque é que nem sempre o argumento mais sonante é o mais forte. Porque é que nem sempre o especialista tem razão – mas também porque é que confiar cegamente no primeiro influencer que nos aparece no feed pode ser um erro monumental. Falamos também da inteligência artificial. Vamos confiar nela para pensar por nós? Ou será que, ao automatizar tarefas, a IA nos está a deixar apenas com os problemas realmente difíceis, aqueles que nenhuma máquina pode resolver por nós? E, claro, falamos de podcasts. Do 45 Graus, um projeto que nasceu da necessidade de ter conversas mais pausadas, mais fundamentadas, menos apressadas. Um espaço onde a pressa dá lugar à profundidade e onde as perguntas são mais importantes do que as respostas fáceis. Se gosta de pensar – e de pensar bem – esta conversa é para si. No Pergunta Simples, exploramos os desafios da comunicação e do pensamento. Neste episódio, José Maria Pimentel ajuda-nos a perceber porque é tão fácil cairmos em armadilhas mentais e porque é tão difícil pensar de forma verdadeiramente crítica. Entre a lógica, a emoção e a desinformação, há um campo de batalha onde cada um de nós precisa de aprender a mover-se melhor. Falámos de argumentação, de vieses cognitivos, do impacto das redes sociais e da dificuldade em distinguir factos de narrativas. E falámos de decisões – essas escolhas que fazemos todos os dias, quase sempre sem tempo para refletir. Pensar bem é como comunicar bem: dá trabalho, mas será que podemos dar-nos ao luxo de não o fazer? LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 0:13 Vivam bem vindos ao pergunta simples, o vosso podcast sobre comunicação. O conselho que sempre ouvimos foi, antes de falar, pensa normalmente acompanhado. De alguma história mais ou menos lendária? De alguém que falou de mais, que disse o inconveniente ou que foi demasiado vocal para os ouvidos sensíveis de uma plateia que tem, no fundo, o coração ao pé da boca? 0:36 Nesta edição, é para todos aqueles que têm capacidade de comunicar e vontade de pensar, de pensar bem. Neste caso, de aprender um pouco mais sobre a arte. Do pensamento crítico. 0:59 Pensar bem é difícil, mas alguém tem de o fazer a teatiria mais. Todos temos de o fazer. O mundo está cada vez mais confuso. Já o notaram? Somos todos bombardeados por informação a toda a hora, de todos os lados, mas entre tanta notícia, opinião e ruído. 1:16 Há uma pergunta que vale a pena fazer, estamos a pensar bem? Estamos a tomar boas decisões? Estamos a ver um mundo como ele realmente é ou apenas como queremos que ele seja? O nosso convidado de hoje dedica se a responder precisamente a estas questões. 1:31 José Maria Pimentel é economista, professor e autor de um podcast ou 45°, um espaço de reflexão onde tenta fazer o que as redes sociais e os debates na televisão raramente fazem. Parar para pensar nesta conversa, falamos do pensamento crítico, essa coisa difícil, mas essencial, que nos obriga a questionar sobre aquilo que sabemos e a forma como chegamos às nossas conclusões. 1:57 Falamos de como escola sem querer pode estar a treinar nos para aceitar respos

Feb 19, 202552 min

Ep 198Vai chover? Bruno Café

Quiseram os deuses da chuva e do sol fazer coincidir com a publicação deste episódio a chegada de um comboio de tempestades ao nosso país. Já vos explico o que quer dizer a expressão “comboio" de tempestades embora a coisas seja mais ou menos intuitiva de entender. Quero deixar duas notas: a primeira é que quando ocorrem estes fenómenos típicos é mais difícil prever o tempo que vai fazer. A segunda é que esta conversa foi gravada há semana e meia e por isso é importante situar no tempo, o do relógio, quando foi criado este episódio. Em todo o caso a conversa é muito interessante e aprendi muito sobre a fascinante ciência meteorológica. E o que tem a vez com comunicação? Tudo. Dizer que vai chover, que vem ventania ou vai ficar um calor de. Rachar cria uma expectativa. E na nossa cabeça a previsão passa rapidamente a certeza absoluta e não a uma probabilidade mais ou menos certa. Em caso de dúvida vá à janela e observe com atenção. Isso ajuda. Se ainda tiver incertezas inultrapassáveis, leve o guarda-chuva. Se não chover batize o instrumento como guarda-sol. A meteorologia é uma ciência de precisão… mas também de incerteza. Ouvimos a previsão na rádio, vemos os mapas na televisão, conferimos a ‘app’ no telemóvel–e, no final, ou confiamos, ou desconfiamos. “Mas afinal vai chover ou não?” é talvez a pergunta mais repetida a um meteorologista, e esta semana traz-nos um cenário perfeito para explorar essa questão: um verdadeiro “comboio de tempestades” está já a chegar a Portugal. Se nos últimos dias tem sentido o tempo instável, prepare-se porque a tendência não vai mudar tão cedo. Um bloqueio anticiclónico sobre as ilhas britânicas está a funcionar como um muro invisível, empurrando depressões diretamente para a Península Ibérica. Os ingleses quiseram experimentar o clima algarvio e mandaram chuva cá para baixo. O resultado? Uma sequência de tempestades que nos vão atingir quase dia sim, dia não, com chuva intensa no sul já que começou nesta terça-feira e previsões de instabilidade pelo menos até ao fim de semana. E a questão que se coloca é: podemos confiar totalmente nas previsões? Se tudo depende de modelos matemáticos e observações, porque é que por vezes a chuva anunciada nunca chega ou, pelo contrário, uma tempestade inesperada varre tudo sem aviso? Para responder a isto, convidei Bruno Café, meteorologista do IPMA, um dos rostos da previsão do tempo em Portugal. Se já o viu na televisão ou ouviu na rádio, sabe que tem o dom de explicar a meteorologia claramente e sem rodeios. E nesta conversa, ele ajuda-nos a perceber como tudo funciona nos bastidores: como se fazem previsões, que instrumentos são usados, o que mudou na meteorologia nos últimos anos e por que motivo a incerteza nunca desaparece completamente. A pergunta chave é: Como se prevê o tempo? Sabia que diariamente são lançados balões meteorológicos que sobem na atmosfera para medir pressão, vento, temperatura e humidade? E que os radares meteorológicos conseguem detetar em tempo real a formação de tempestades? Mas mesmo com esta tecnologia, há fatores que tornam algumas previsões mais difíceis do que outras–como os famigerados aguaceiros isolados, que podem cair forte num local e deixar outro completamente seco a poucos quilómetros de distância. O que permite o desejo de poder ter afinal chuva no nabal e sol na eira. Bruno Café explicou-me como os meteorologistas trabalham com milhares de dados e recorrem a modelos matemáticos complexos, mas também precisam de experiência e análise humana para interpretar a informação. A meteorologia não é um jogo de certezas absolutas, mas sim de probabilidades bem calculadas. Então e os fenómenos atípicos.? O impacto das alterações climáticas. Afinal, temos mais fenómenos extremos ou apenas mais atenção sobre eles? Bruno Café explica como os dados mostram um aumento real de temperaturas e eventos severos, mas também como as redes sociais e a mediatização dos fenómenos fazem com que estejamos mais conscientes do que nunca. As tempestades datuaissão mais fortes do que as de há 30 anos? As cidades estão mais vulneráveis à chuva intensa? E o que acontece quando um ano inteiro de precipitação cai em apenas um dia, como já aconteceu em algumas regiões da Península Ibérica? Volta e meia recebemos alerta, nnos ‘media’ou no nosso telemóvel.. São os chamados alertas ou avisos de tempo severo. Estes avisos meteorológicos: são úteis ou alarmistas? Quando o IPMA emite um aviso laranja ou vermelho, há sempre quem critique: “Disseram que vinha tempestade e afinal não aconteceu nada!” Mas, como Bruno explica, os avisos são feitos com base na probabilidade de risco, não numa certeza absoluta. E se a tempestade acabar por não ser tão grave num determinado local, é sinal de que as previsões falharam – ou de que simplesmente tivemos sorte? Falamos ainda da inteligência artificial na meteorologia, uma tecnologia que já começa a ser usada para prever padrões climáticos de forma ainda mais rápida e precisa. Será que um dia a I

Feb 12, 202545 min

Ep 197A ciência conta boas histórias? Sara Sá

A relação entre cientistas e jornalistas, entre investigadores e comunicadores é uma relação de amor-ódio. Os cientistas tentam sempre chegar à descoberta que sonham revolucionar o mundo. São escravos do método e adoradores do rigor absoluto. Nem que para isso tudo se diga com tal complexidade que só eles entendem. Os jornalistas, pelo seu lado, buscam a história que vai fazer a próxima manchete. E confrontados entre o rigor absoluto e a máxima comunicação, tendem as escolher a simplicidade radical. É bom de ver que apesar de precisarem uns dos outros para que a ciência e o conhecimento chegue mais longe, a relação tem alguma tensão. No meio desta batalha estão os comunicadores da ciência, Uma espécie de tradutores da complexidade dos cientistas e advogados. Da simplificação quase absurda da comunicação para o grande público. Uma edição para se falar de histórias e factos, mitos antigos e pós-verdades. E de desvendar finalmente porque são tão poderosas as histórias, mesmo aquelas que contrariam a mais elementar evidencia científica. Sara Sá é hoje comunicadora de ciência. Mas traz a bagagem de 20 anos de jornalismo. Além disso, começou por estudar engenharia espacial. Hoje, no Pergunta Simples, falamos de ciência, de jornalismo e de boas histórias. Ou melhor, falamos de como se conta uma boa história. E para isso, quem melhor do que Sara Sá? A Sara é jornalista, ou foi jornalista, é comunicadora de ciência e alguém que passou os últimos 20 anos a contar histórias sobre saúde, ciência e inovação. Agora, trabalha no INESC- ID, onde ajuda cientistas a comunicar melhor o que fazem. Mas a essência do seu trabalho continua a ser a mesma: procurar a lógica que faz uma boa história funcionar. Como rigor, e simplicidade. Mas sempre uma boa história. E isso leva-nos ao primeiro dilema da conversa: o jornalismo e a ciência são amigos ou inimigos? De um lado, os jornalistas que querem simplificar, traduzir conceitos complicados para toda a gente perceber. Do outro, os cientistas, rigorosos, meticulosos, nem sempre muito pacientes para explicar os detalhes. Durante muito tempo, estes dois mundos desconfiaram um do outro. Mas hoje, mais do que nunca, precisam de trabalhar juntos. O problema é que, no meio disto, há sempre um risco: até onde se pode simplificar sem deturpar? Como se pode contar uma boa história sem perder o rigor? A Sara diz que o truque está na coerência e na lógica. Se um argumento não faz sentido, se um mito não bate certo, o cérebro dela dispara um alerta. E esse radar já evitou muita asneira. Depois, claro, falamos de inteligência artificial. No INESC, a Sara acompanha projetos que aplicam IA à saúde, como o Halo — um sistema que ajuda pessoas com doenças graves que impedem a fala a voltarem a comunicar, recriando digitalmente a sua própria voz. A IA está a transformar tudo, mas será que sabemos mesmo o que estamos a fazer? A Sara diz que há dois tipos de pessoas neste debate: os otimistas, que veem a IA como uma ferramenta incrível, e os pessimistas, que acham que estamos a brincar com fogo. No INESC, onde se trabalha com os conceitos de base da IA há mais de 25 anos, a perspetiva é clara: é preciso separar o mito da realidade. E, já que falamos de mitos, entramos num dos temas mais divertidos da conversa. Será que só usamos 10% do nosso cérebro? Será que o frio causa constipações? E, já agora, será que fazer sexo queima tantas calorias como um treino no ginásio? (Alerta expectativas: não, exceto caso estejamos a fazer algo mesmo muito inovador. E atlético. ) A verdade é que adoramos acreditar em histórias simples. E é por isso que os mitos sobrevivem. Porque encaixam bem, porque explicam o que não conseguimos entender e, muitas vezes, porque dão jeito a alguém. Como aqueles cursos que te prometem desbloquear os outros 90% do seu cérebro. A Sara escreveu um livro sobre isto — Cem Mitos, Sem Lógica — onde desmonta estas histórias com ciência e bom humor. Mas o problema das fake news e da desinformação vai muito além dos mitos do dia a dia. Com a IA generativa, os vídeos e áudios falsos tornam-se cada vez mais convincentes. Como nos protegemos disso? Como ensinamos os mais novos a distinguir o que é real do que é falso? No final, a conversa com a Sara Sá é sobre como percebemos o mundo à nossa volta — seja através do jornalismo, da ciência ou das histórias que escolhemos contar. As boas vitórias têm sempre que começar bem, forte, de forma direta ou enigmática. Podemos contar logo o fundamental na primeira linha ou deixar correr a narrativa oferecendo novos dados. Se começar bem é crítico para que nos ouçam, fechar bem é garantir que ficamos na memória dos outros. Pode ser uma frase que ressoa. Pode ser um riso franco. Nem precisa de ser explicado. É universal. Tal como as grandes histórias. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:24:10 A Sara Sá, jornalista, comunicadora de ciência, tem passado a tua vida nos últimos 20 anos, pelo menos na visão do jornalismo. E agora tratar de comunicação d

Feb 5, 202548 min

Ep 196A inteligência artificial sabe responder a crises sanitárias? Miguel Ribeiro

Quando há uma crise de saúde, terramoto, fogo ou inundação de escala cataclismica todos os países de mobilizam para responder. Seja uma pandemia de gripe, um sismo na Turquia ou uma guerra no centro de África. Ou em plena Europa. As primeiras equipas de socorro precisam de chegar e instalar.-se depressa. E esse movimento é um desafio gigantesco em contra relógio. Um desafio de logística e de comunicação. Qual é o melhor sítio para aterrar? Onde se colocam os hospitais de campanha? Como se distribuem as equipas de ajuda? É para resolver rapidamente estes problemas que uma equipa de portugueses criou uma ferramenta com o curioso nome de TERRATACTIX. Mas o que é, afinal, o Terratactix? Imagine um sistema que combina imagens de satélite em 3D, realidade aumentada e inteligência artificial para ajudar equipas médicas de emergência a planear operações em qualquer canto do mundo. É como se juntássemos tecnologia espacial, algoritmos avançados e um guia prático de organização — tudo ao serviço de salvar vidas. O Terratactix permite que estas equipas definam previamente onde colocar tendas de campanha, incineradores, veículos ou outros recursos, tudo com base em dados precisos. Mais do que isso, ele ajuda a prever situações críticas, como cheias, incêndios ou mesmo os efeitos de desastres naturais, permitindo que as decisões sejam tomadas com segurança e eficiência antes mesmo de se chegar ao terreno. Este é apenas um exemplo prático de como a inteligência artificial está a mudar a forma como enfrentamos problemas globais. Afinal, a inteligência artificial já não é apenas um conceito futurista ou algo que vemos nos filmes. Ela é usada para gerir crises de saúde, prever desastres naturais, otimizar a logística de operações em tempo real e até para simular o comportamento humano em situações críticas, como a evacuação de um estádio. Nos próximos minutos, vamos explorar este universo de possibilidades e desafios. Vamos falar sobre como a inteligência artificial funciona, o que está por trás de expressões como “algoritmos” e “nuvem”, e, porque é que estamos tão fascinados — e, ao mesmo tempo, um pouco assustados — com esta tecnologia. Vamos desmistificar o que parece complicado e mergulhar nas questões mais profundas: •Será que estamos no caminho para uma inteligência artificial verdadeiramente independente? •O que ainda falta para a Europa alcançar outros países no desenvolvimento destas tecnologias? •E mais importante: onde é que entra o papel do ser humano neste processo? Se é verdade que a inteligência artificial pode substituir tarefas repetitivas e resolver problemas complexos, também é verdade que nunca deixará de depender da criatividade humana, da visão do “sonhador”. Afinal, máquinas podem processar dados em velocidades impressionantes, mas são os humanos que conseguem imaginar o que não existe e transformar ideias em realidade. Falaremos ainda sobre como esta tecnologia pode ser democratizada. Hoje, com ferramentas como o ChatGPT e outros modelos de linguagem natural, qualquer pessoa consegue interagir com sistemas avançados de IA sem precisar de ser programador. Isso significa que a IA não é apenas para especialistas — ela está acessível a todos, desde que saibamos como usá-la conscientemente. E, claro, não podíamos deixar de discutir a questão da privacidade. Num mundo onde quase tudo está na nuvem — desde as nossas fotografias até dados de saúde, sensíveis por definição —, como protegemos as informações mais pessoais? Será que modelos locais, instalados nas próprias organizações, podem ser a solução para minimizar os riscos? Ao invés das grandes nuvens de servidores? Os servidores são na prática computadores gigantes que armazenam e distribuem informação. Hoje, no Pergunta Simples, vamos descomplicar o complexo, celebrar os avanços tecnológicos e refletir sobre o que ainda precisa de ser feito. O Terratactix, com o seu reconhecimento pela OMS, é apenas uma amostra de como a IA já salva vidas. Mas será que estamos prontos para este futuro tão avançado? LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:24:12 Viva Miguel Ribeiro! Posso apresentá lo como especialista em modelos de inteligência artificial e quejandos. Outras tecnologias aplicadas a esta área da saúde, em particular, podem ajudar a criar operações de resposta emergências públicas. Dedica se a pensar o quê? Ou a pedir ajuda de dita inteligência artificial, seja lá o que isso for. 00:00:24:14 - 00:00:50:04 E também quer saber sobre isto? Certo. A inteligência artificial é o chavão que é usado hoje em dia, em qualquer organização ou em qualquer pessoa que fique com quem falar muito com que falemos hoje em dia. Vai falar Inteligência artificial é esse É um chavão. Mas, na verdade, a inteligência artificial não é mais do que uma série de algoritmos, ou seja, de programas informáticos que vão ocorrendo no computador. 00:00:50:06 - 00:01:09:06 A diferença é que eles não estão a ocorrer na nossa máquina localmente, estão a correr na cloud. E o que é que

Jan 29, 202537 min

Ep 173Como se escreve um bom livro? Patrícia Reis

O meu fascínio pelas boas histórias é lendário,E a minha curiosa de sobre a maneira como os escritores trabalham é sempre grande.Por isso vamos lá mergulhar de cabeça na arte de criar estórias, escritas no papel.Nessa fabulosa invenção chamada livro. Sempre quis saber como escrevem os autores os seus livros.De onde nascem as ideias, como se criam personagens e se escorem as histórias.Por isso convidei Patrícia Reis, jornalista e escritora, para nos levar numa viagem ao coração do seu universo criativo.Ela partilha como constrói as suas histórias, como lê os livros que a inspiram e aborda temas que vão além da literatura, tocando questões sociais e culturais atuais. Para Patrícia Reis, a escrita começa sempre com as personagens. Elas não surgem apenas como ideias abstratas, mas como figuras completas — com histórias, personalidades e uma necessidade urgente de serem contadas. É a partir delas que os seus livros ganham forma. Num processo quase intuitivo, ela rejeita esquemas rígidos de narrativa, preferindo deixar as histórias fluírem naturalmente, numa descoberta constante. Por vezes, as personagens assumem tal autonomia que alteram completamente o rumo que ela inicialmente imaginava. A leitura, por outro lado, é descrita como um refúgio, uma fonte de inspiração e, acima de tudo, uma experiência transformadora. Patrícia acredita que cada livro tem um momento certo na vida do leitor que a sua interpretação muda com a idade e a experiência. Alguns livros resgatam-nos em tempos difíceis, outros desafiam-nos a ver o mundo de uma nova perspetiva. E há ainda os que nos deixam órfãos ao terminarem, tamanha é a sua profundidade e impacto. Para além da escrita e da leitura, falámos de temas sociais e culturais que atravessam os dias de hoje.Patrícia Reis é uma voz ativa na defesa do papel da mulher no mundo.O feminismo, por exemplo, surge como uma luta por igualdade e justiça, longe de qualquer polarização. Ela reflete sobre como as mulheres em posições de poder enfrentam ataques específicos, como as críticas diretas e maldosas ao corpo das mulheres na espera pública, e sobre a persistência de desigualdades salariais e sociais. As redes sociais também entram na conversa como um espelho das dinâmicas sociais atuais. Patrícia questiona o impacto que a polarização e o discurso de ódio têm sobre o diálogo e a construção de pontes entre pessoas com opiniões diferentes. Para ela, a falta de espaço para conversas abertas e para a troca de ideias é um dos maiores desafios da era digital. Claro que falamos também de jornalismo,Sobre a importância do jornalismo. Patrícia Reis defende que uma democracia saudável depende de um jornalismo que aprofunde contextos, promova pensamento crítico e mantenha a sociedade informada. Aponta, no entanto, os desafios do setor, como a precariedade das redações e a superficialidade de muitos conteúdos na atualidade. Este episódio é uma oportunidade para explorar o poder transformador das palavras — escritas e lidas. A biografia dos escritores está sempre expressa nos livros que escrevem. Ao escolher os temas, ao imaginar uma história os autores escolhem as armas com que nos vão ora encantar, ora desassossegar. Na página do Pergunta Simples está lá a informação dos livros que Patrícia Reis escreveu até agora. Vale sempre a pena ler. Livros de Patrícia Reis A Desobediente (2024) Da Meia Noite às Seis (2021) As Crianças Invisíveis (2019) A Construção do Vazio (2017) Contracorpo (2013) Mistério no Benfica - O Roubo da Taça dos Campeões Europeus (2012) Assalto à Casa Fernando Pessoa (2012) Por Este Mundo Acima (2011) Mistério no Oceanário (2011) Mistério na Primeira República (2010) Um Mistério em Serralves (2010) Mistério no Museu da Presidência (2009) Antes de Ser Feliz (2009) O Que nos Separa dos Outros por Causa de um Copo de Whisky (2014) No Silêncio de Deus (2008) A fada Dorinda e a Bruxa do Mar (2008) Mistério no Museu de Arte Antiga (2008) Xavier, o livro esquecido e o dragão enfeitiçado (2007) Morder-te o coração (2007) Amor em Segunda Mão (2006) Beija-me (2006) Cruz das Almas (2004) Vasco Santana: o bem amado (1999) Paris 1889 (1994) Conhecer a Arte – Andy Warhol Conhecer a Arte – Mona Lisa O Mistério da Máscara Chinesa A Nossa Separação Carolina gogirls O Diário de Micas LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:00 - 00:00:36:04 Estás confortável com o jornalista escritor? O perfeito escritor é absolutamente igual e igual. Absolutamente. Olha, tu está desligado. Está tranquilo assim. Provavelmente porque é só porque os momentos chatos dos telefones têm. Tem essa coisa tremenda de zurrar, quando não, quando não devem fazer aquela palminha para vos irritar, aquietar a malta, para irritar a malta, para evitar a malta do do som, que é o que acontece habitualmente aqui é que é que a malta viva. 00:00:36:06 - 00:01:14:23 Patrícia Reis, Jornalista, escritora. Hoje chega aí uma carga de trabalho. Antes de mais nada, isto é uma escritora. Boa pergunta. Não sei se tem dias, tem dias. Eu sinto me semp

Jan 22, 202552 min

Ep 194Como é ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro? Gonçalo Borges Dias

Ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro é uma missão que mistura dedicação, intensidade e um profundo sentido de responsabilidade. Documentar o dia a dia de uma figura política tão relevante exige muito mais do que técnica; é necessário capturar a essência dos acontecimentos e transmitir, através das imagens, uma narrativa que comunique tanto com a população quanto com os públicos institucionais. O trabalho de Gonçalo Borges Dias envolve acompanhar viagens, eventos diplomáticos e toda a agenda oficial, sempre para criar registos que reflitam a energia, o carisma e a seriedade da função do chefe do governo. Cada fotografia precisa de contar uma história, respeitando as dinâmicas protocolares e, ao mesmo tempo, mantendo a espontaneidade. Só isso pode representar uma tensão no momento de fazer “aquela” fotografia que todos vemos nos canais de comunicação do governo. Tudo é importante. O gesto, o enquadramento, o ângulo, a luz. Tudo vale para contar a história. A experiência acumulada no fotojornalismo mostrou-se crucial para lidar com a pressão e a velocidade do trabalho. Ele traz para o seu dia a dia a capacidade de captar momentos que misturam a beleza da composição com o significado noticioso. No entanto, o ritmo intenso é comparado ao de uma equipa de alta competição, onde cada segundo é precioso. Uma parte essencial deste trabalho é a comunicação com o fotografado. Hoje Luís Montenegro. Como antes com mil pessoas noticiáveis. Ou de fazer retratos mais cuidados e sem a pressão diária da agenda mediática- A necessidade de criar um ambiente de conforto e confiança é constante, especialmente com uma figura que está sempre sob os holofotes. O objetivo é capturar o melhor lado da pessoa, não apenas em termos estéticos, mas também emocionais e humanos. Aprendi que a luz desempenha um papel central na fotografia. Cada tipo de iluminação é pensado para criar imagens que sejam coerentes com o momento e causadoras de impacto para quem as observa. Seja usando luz pontual para destacar o protagonista ou matricial para capturar o todo, a atenção aos detalhes é uma constante. Outro aspeto interessante do trabalho é a narrativa visual. A intenção é construir um registo documental que tenha princípio, meio e fim. Mesmo com as limitações impostas pelos protocolos, há uma busca por retratar não apenas o lado político, mas também o humano. As imagens visam mostrar o Primeiro-Ministro não apenas como uma figura de estado, mas também como pessoa. Este tipo de fotografia tem os seus desafios únicos, principalmente quando comparada ao fotojornalismo tradicional. O trabalho requer um olhar crítico constante para criar imagens que sirvam tanto ao registo histórico quanto à comunicação política. Há uma preocupação em equilibrar o lado estético com o significado político e institucional de cada imagem. Não é jornalismo, é comunicação institucional. O papel do fotógrafo oficial é também um trabalho de equipa. A sintonia com os assessores de comunicação, protocolo e outros profissionais é fundamental para garantir que cada momento seja capturado com qualidade e alinhado à narrativa pretendida. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Transcrição automatica 00:00:00:00 - 00:00:44:20 Ora, vivam. Bem vindos ao Pergunta simples o vosso caso sobre comunicação. Imaginem que vossa vida, nos próximos meses ou anos, será como sombra em todos os passos do Primeiro-Ministro. Neste caso, sombra e luz, principalmente luz. Apresento vos Gonçalo Borges Dias, fotógrafo profissional e agora fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro Luís Montenegro. Vai a todo lado. Está sempre lá e oferece nos a história ao ritmo de um click da sua máquina fotográfica. 00:00:44:22 - 00:00:57:06 Em todo lugar, a todo o momento. 00:00:57:08 - 00:01:23:02 Ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro é uma missão que mistura dedicação, intensidade e um profundo sentido de responsabilidade. Documentar o dia a dia de uma figura política tão relevante como o Primeiro-Ministro exige muito mais do que técnica. É necessário capturar a essência dos acontecimentos e transmitir através das imagens uma narrativa, uma história que comunique tanto com a população em geral como com públicos mais institucionais. 00:01:23:04 - 00:01:52:20 O trabalho de Gonçalo Borges Dias envolve acompanhar viagens, eventos diplomáticos e toda a agenda oficial do Primeiro-Ministro, sempre com o objectivo de criar registos que reflitam a energia, o carisma e a seriedade da função do chefe de Governo. Cada fotografia precisa de contar uma história, respeitando as dinâmicas protocolares e, ao mesmo tempo, mantendo a espontaniedade. Só isso pode representar uma tensão no momento de fazer aquela fotografia que todos vemos nos canais de comunicação do governo. 00:01:53:01 - 00:02:14:21 Tudo é importante. O gesto, o enquadramento, o ângulo, a luz, tudo vale para contar uma boa história. A experiência acumulada do fotojornalismo mostrou se crucial para lidar com a pressão e com a velocidade do trabalho. Ele traz para o

Jan 15, 202546 min

Ep 193Para onde está a ir o meu dinheiro? Pedro Brinca

Nunca tiveram a sensação de que o dinheiro se está a esvaziar na nossa carteira? É a economia, estúpido, dizem-me vocês, cheios de razão. Se há realidade que se altera por decisão das pessoas, essa realidade é a economia. Talvez isso explique porque é tão difícil fazer previsões económicas ou comunicar estas coisas do dinheiro. Se anunciamos a crise, as pessoas acautelam-se e compram menos. Em princípio é inteligente. Cautelas e caldos de galinha não fazem mal a ninguém. O será que fazem? Se todos ficarmos com medo, gastamos menos, compramos menos, logo vende-se menos e com isso produz-se menos. Daí à queda dos impostos cobrados e ao desemprego é um saltinho. E basta um susto. E lá se vai a expectativa por aí abaixo. Ou então o contrário: uma súbita euforia, um par de informações que nem conhecemos bem, e desata tudo a comprar este mundo e o outro como se o planeta tivesse acelerado. E o ciclo torna-se magicamente otimista. No fundo, isto da economia é uma espécie de montanha-russa: se acreditares vai, se não, agarra-te. Esta primeira edição de ano novo é sobre o dinheiro. O que temos, o que desapareceu, o que devemos e o que esperamos ter. Para onde está a ir o meu dinheiro? O custo de vida, a inflação, os salários e as escolhas económicas que definem o nosso futuro. Decidi meter-me num molho de binóculos e tentar descomplicar assuntos que, à primeira vista, parecem técnicos, mas que estão presentes no nosso dia a dia. Mas não venho sozinho. Convidei Pedro Brinca, professor na Nova SBE e especialista em macroeconomia. A economia dos grandes. A que acaba por mandar nos nossos tostões. Por que razão os preços dispararam? Pense no supermercado: o tomate que costumava custar um euro agora está o dobro, e a conta final já não parece a mesma. Durante a pandemia, muitas cadeias de produção pararam, e isso gerou um efeito dominó. Produtos essenciais começaram a escassear, e mesmo após o regresso à normalidade, a energia mais cara e os custos de transporte mantiveram os preços altos. Essa realidade chegou também à produção agrícola: os fertilizantes, dependentes de energia, tornaram-se mais caros, e isso reflete-se em alimentos básicos que consumimos diariamente. Mas será que é só isso? Ou aproveitando a maré, alguém fez subir a conta mais do que o aumento do custo das coisas? Outro exemplo prático vem do crédito à habitação. Se tem um empréstimo, já sentiu o peso das prestações a subir. Agora parece finalmente aliviar um bocadinho. Mas subiu muito nos últimos anos. Para muitas famílias, isso significa apertar o cinto, cortar viagens, refeições fora ou outras despesas que antes eram possíveis. É carestia da vida em todo o seu fulgor. Este fenómeno não é apenas uma coincidência. As taxas de juro são ajustadas pelos bancos centrais para reduzir a inflação, retirando dinheiro do consumo. Mas será justo que tantas famílias suportem esse fardo? Há também uma reflexão sobre as características da economia portuguesa. Pense nos pequenos negócios, como salões de cabeleireiro ou cafés. Apesar de serem fundamentais para a comunidade, a dependência excessiva deste tipo de empresas dificulta o crescimento do país. Negócios pequenos têm menos capacidade de gerar empregos com bons salários ou de competir no mercado global. É por isso que as economias mais dinâmicas apostam em grandes empresas e em inovação, algo que Portugal continua a desenvolver. E o que dizer dos salários? Ai que dor. Muitas pessoas sentem que, mesmo ganhando mais, o dinheiro simplesmente desaparece. Isso é explicado pela “ilusão monetária”: se os preços sobem mais rápido que os salários, o poder de compra reduz-se. Parece que se está sempre a correr atrás do prejuízo, e isso é uma das maiores preocupações para quem tenta equilibrar o orçamento doméstico. Mas há pontos positivos. A sério. Por exemplo, em comparação com outros países, os salários reais em Portugal têm mostrado sinais de recuperação, e o poder de compra está a ser restabelecido em algumas áreas. Portanto, toca a passar do pessimismo ao otimismo. Diz que pessoas felizes são boas para a economia. Além disso, há cada vez mais discussões sobre como melhorar as políticas públicas, atrair investimento e criar condições para um futuro mais sustentável e competitivo. Porque a vida não é só economia, refletimos também sobre como o desporto e outras paixões podem equilibrar a racionalidade com a emoção. Porque, no fundo, comunicar bem é essencial, seja para entender os problemas, seja para inspirar soluções. Sabiam que Pedro Brinca é um fervoroso benfiquista? Portanto, um importante pensador económico tem dentro de si um fervoroso e pouco racional adepto. Eu, que sou do FC Porto nem arrisquei contrariá-lo. Sabe deus o que poderia acontecer à dívida, inflação ou ao preço do dinheiro. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:02:07:17 - 00:02:32:14 . Um dos desafios na Europa hoje tem uma marca de um construtor de telemóveis europeu. Mas eles entraram pela net e não gostaram de ouvir. Não querem? Pois eles não. A Eu

Jan 8, 202555 min

Ep 192Para que serve o Natal? Miguel Vasconcelos

Há 2024 anos nasceu Jesus. Assim reza a história e tradição cristã. E hoje ainda vale celebrar o natal? Hoje, temos uma conversa que promete iluminar muitos aspetos da nossa existência e nos levar a refletir sobre questões essenciais da vida, da fé e do mundo em que vivemos. Da fé, mas não só. O convidado é o Padre Miguel Vasconcelos, capelão da Universidade Católica de Lisboa, Alguém que se sonhou engenheiro e acabou a ser ordenado sacerdote, O Padre Miguel consegue explicar coisas tão complexas e misteriosas como a fé em três frases. Nesta conversa, exploramos o significado do Natal, mas também muito mais do que isso. Falamos de como, em tempos de escuridão – sejam eles conflitos no mundo, crises pessoais ou simples dúvidas existenciais —, o Natal pode ser uma luz. Não uma solução mágica para os problemas, mas um convite a acreditar na possibilidade de recomeçar. Discutimos o simbolismo do presépio como uma mensagem de vulnerabilidade e esperança, que nos desafia a sermos mais humildes e disponíveis para o outro. Mas não paramos por aí. Entramos também numa questão central: Deus. A ideia de Deus. Deus existe? Quem é Deus? E como lidamos com a dúvida, o silêncio ou até mesmo a sensação de abandono em momentos difíceis? Miguel Vasconcelos reflete sobre a complexidade desta relação, reconhecendo que a experiência de Deus é tanto transcendente quanto profundamente íntima. É um diálogo constante entre o que é infinitamente grande e aquilo que é infinitamente pequeno em nós. Há também espaço para uma reflexão sobre o papel da religião no mundo contemporâneo. Falamos de como, muitas vezes, a fé é vista como algo distante ou solene, quando na realidade está profundamente ligada à celebração da vida e até ao riso e à festa. Questionamos se a religião é um caminho de respostas, ou antes, um espaço para levantar as grandes perguntas da existência. Para o Padre Miguel, a fé não elimina a dúvida; pelo contrário, vive ao lado dela como um motor de busca e de encontro com o eterno. E claro, sendo o Padre Miguel um orador experiente, quis ouvi-lo sobre a arte de comunicar em público. O que significa falar de Deus para uma audiência, ou mesmo escutar as dores e os dilemas de alguém no confessionário? Para ele, a chave está na honestidade – seja na palavra ou na escuta – e em nunca transformar a mensagem num espetáculo, mas antes num ato genuíno de serviço. Este é um episódio sobre humanidade, espiritualidade e a busca por sentido, que promete trazer não só respostas, mas também muitas perguntas para refletirmos juntos. Feliz natal para todos.Até para a semana. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:00:11 - 00:00:30:24 . Viva Miguel Vasconcelos, padre de vocação, capelão da Universidade Católica de Lisboa. Estamos em tempos de Natal. Como é que ainda faz sentido celebrar o Natal? Como nós celebramos? Então, antes de mais, olá! Vão estar aqui sim, e acho que faz sentido. Será o Natal. E acho que nos tempos em que passamos, nos tempos que atravessamos, estava ainda seja mais evidente por que é importante celebrar agora o Natal. 00:00:31:01 - 00:00:58:16 . O mundo parece escuro à nossa volta. A gente vê as guerras. Estamos críticos, por assim dizer, às vezes sem grande promessa de melhoria. Vemos as flores e sonhos políticas e por aí fora. Vemos, enfim, tantos problemas que tive aqui elencar os que os que estão na moda, por assim dizer. Mas também sabemos que há muitos problemas mais discretos que que foi que preocupam a vida das pessoas e que afrontam a vida de qualidade de muitas pessoas. 00:00:58:18 - 00:01:26:20 . E acho que isso é um. Estes tempos são tempos em que a gente passa algum tempo a pensar o mundo parece escuro, mas também acho que é verdade que precisamente num contexto de alguma escuridão, a luz interessa nos. E eu penso que o Natal tem esse poder, tem essa capacidade de devolver alguma luz aos dias, os dias em que estamos, não que magicamente Deus vai resolver os problemas das pessoas, mas porque há uma alma expressa e sobretudo em quem tem fé. 00:01:26:20 - 00:01:54:22 . Mas eu acho que extravasa uma questão de. Extravasa meramente as questões da fé e é uma possibilidade de acreditar que as coisas podem recomeçar e que sermos todos postos diante da cena do presépio, com o recém nascido indefeso que se põe à mercê do que lhe quiserem fazer, é um motivo de esperança, é uma ideia de humildade que ali está desenhada, de humildade e de indispensabilidade. 00:01:54:22 - 00:02:21:06 . Estou no meio de agressividades que vemos à nossa volta. Está ali alguém indefeso. E eu penso que esse contraste, confrontarmos com esse contraste, como acaba por acontecer sempre no Natal, faz nos bem num mundo talvez difícil, agressivo, pesado. De repente, pormos os olhos numa criança recém nascida, indefesa, como dizia há pouco, à mercê do que lhe quiserem fazer oferecida, disponível. 00:02:21:08 - 00:02:39:07 . Acho que esse contraste tem força. O que que o que que é esse presépio? O presépio nos pode ensinar sobre a liderança e sob

Dec 25, 202457 min

Ep 191Como reconstruir vidas de crianças marcadas por histórias difíceis? Rui Godinho

Hoje, falamos de um tema urgente: a infância e como as experiências vividas nesta fase moldam o futuro. Tempo de necessidade máxima de amor e proteção. O que acontece quando a proteção falha? Como podemos ajudar crianças em risco? E o que podemos aprender sobre o papel das famílias, das escolas e da sociedade? Nesta conversa ouço Rui Godinho, psicólogo e diretor da Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia, um especialista com décadas de experiência a salvar, literal e simbolicamente, crianças maltratadas. Por vezes acordamos, chocados, com as consequências diretas de uma infância infeliz. Uma adolescente de 16 anos matou a irmã e, no tribunal, disse: “Estar na cadeia é melhor do que estar em casa.” Este caso, que começou com maus-tratos familiares e culminou numa tragédia, expõe um padrão: a comunidade, muitas vezes, não vê os sinais ou não age a tempo. “Este não foi um crime isolado”, ouvi eu explicar Rui Godinho. “Ele é o resultado de anos de negligência e violência.” Professores relataram que a jovem era agredida pelo pai à porta da escola, e ainda assim, ninguém interveio. Este caso levanta questões difíceis: por que motivo instituições como escolas ou centros de saúde não identificaram o problema antes? Provavelmente os sistemas de proteção estão desatualizados e focados apenas nos sinais mais óbvios, como pobreza extrema ou agressões físicas visíveis, enquanto maus-tratos psicológicos, mais subtis, continuam a ser ignorados. Quando a negligência ou maltrato é detetada, estas crianças são retiradas do seu ambiente familiar. Idealmente para encontrar uma vida melhor. Muitas crianças em risco são acolhidas por famílias ou colocadas para adoção. Entretanto, ficam à guarda de instituições financiadas pelo estado. Mas tanto o acolhimento como a adoção requerem mais do que boa vontade. “Estas crianças vêm de histórias difíceis”, ouvi eu “Muitas vezes, testam os limites dos novos cuidadores porque nunca tiveram estabilidade.” Rui Godinho dá um exemplo simples: quando uma criança finalmente encontra um ambiente seguro, pode desafiar os pais adotivos como forma a verificar se os laços são reais. Esse comportamento não é de rejeição, mas sim uma tentativa de construir confiança. De validar. Uma espécie de “vamos lá ver se gostas mesmo de mim a sério” O psicólogo sublinha a importância de preparar as famílias para lidarem com estas situações. Além disso, destaca que, em Portugal, ainda há uma cultura muito centrada em instituições, quando o ideal seria que mais crianças pudessem ser acolhidas em famílias. A lei tem hoje várias possibilidades: da clássica adopção, às famílias de acolhimento e até ao apadrinhamento civil. E o número de crianças em instituições tem vindo a descer. Nesta conversa olhamos também para as infâncias felizes. E ao extremo oposto: os pais demasiado protectores. Fixem o conceito “hiperparentalidade negligente”. Este tipo de proteção excessiva reflete um medo exagerado dos riscos, que impede as crianças de aprenderem a lidar com desafios. Ele sugere que os pais deixem espaço para os filhos experimentarem e errarem, de forma segura. É nesse equilíbrio entre proteção e liberdade que as crianças desenvolvem competências para a vida adulta. A educação na Primeira Infância é crítica. As diferenças no início da vida podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma criança. Aos 3 anos, uma criança de uma família com menos recursos pode conhecer 400 palavras, enquanto outra, de um contexto mais favorecido, pode chegar às 1200. Esta disparidade, explica, não é apenas numérica: é uma barreira que define o acesso ao conhecimento, à leitura e, mais tarde, ao emprego. A solução? Investir na educação desde cedo. Creches e pré-escolas de qualidade são fundamentais para reduzir estas desigualdades. Mais importante ainda, criar ambientes que estimulem as crianças a explorar, pensar e interagir com o mundo. Afinal comunicar. Saber ler e falar para o mundo. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:12:23 - 00:00:40:14 . Ora, viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Nesta edição retornamos à infância, aos tempos da meninice que sequer feliz, mimada e cheia de boas memórias. Mas nem sempre assim acontece. Hoje falamos de um tema urgente a infância. Como as experiências vividas nesta fase da nossa vida moldam o nosso futuro. Tempo de necessidade máxima de amor e protecção. 00:00:40:16 - 00:01:18:00 . E o que acontece quando essa protecção falha? Como podemos ajudar as crianças em risco? E o que podemos aprender sobre o papel das famílias, das escolas e da sociedade? Nesta conversa ouço Rui Godinho, psicólogo e diretor de Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, um especialista com décadas de experiência a salvar, literal e simbolicamente crianças que foram maltratadas pelo mundo. 00:01:18:02 - 00:01:45:18 . De vez em quando acordamos chocados com as consequências directas de uma infância infeliz. Dou um exemplo. Uma adolescente de 16 anos matou a irmã e, no

Dec 18, 202455 min

Ep 190Cancro: Quão importante é a palavra esperança? Susana Almeida

Oficialmente é médica psiquiatra Na prática, é uma ouvidora profissional ajudando pessoas a quem foi diagnosticado cancro. Ouve doentes, famílias e profissionais que tratam esta doença no IPO do Porto. Susana Almeida dirige o serviço de psiquiatria deste hospital. Mas de facto é uma especialista em transformar dor em narrativa, sofrimento em resiliência e perda em oportunidade de crescimento. No seu dia-a-dia aprendeu que a “A nossa cara diz muito sobre nós”, explicando que o trabalho de um psiquiatra começa antes mesmo de o doente nem sequer abrir a boca. É no detalhe que Susana encontra o primeiro capítulo de cada história. O olhar desviado, a hesitação ao caminhar, a escolha das palavras — tudo é revelador. Voltamos à observação da linguagem não verbal. Onde o gesto fala. E diz coisas que aa pessoas não conseguem colocar em palavras. É como se a palavra angústia estivesse em cada trejeito, tremura ou olhar vago. Claro, há o gesto e a palavra. Mas comunicar é também não comunicar. Explico-me: o não dito é uma forma de dizer. O desafio de Susana Almeida não é apenas escutar o que é dito, mas decifrar o que fica por dizer. A sua experiência diz-lhe que o confronto com uma doença grave é, muitas vezes, um momento de balanço. O momento da nostalgia do que poderíamos ter sido. O confronto com as escolhas da vida. Porque escolhi ser isto e não aquilo. Porque decidi estar com esta pessoa e não outra. Ou nenhuma. Perguntas sem resposta apaziguadora. E sem tempo para reviver. Depois há o confronto com o corpo. Com a possível ou real mutilação. Com o impacto no lar. Ouvi a história de uma mulher que recusava a ideia de ter de tirar uma mama porque os seios eram parte fundamental e inegociável da sua identidade pessoal. Mas este episódio não é só dor. É uma conversa carregada de energia e esperança. De pacificação, crescimento e possibilidade. Bem-vindos à discussão milenar da condição humana. Vale ouvir. Vale partilhar. A luta contra as grandes adversidades recolhe forças nos dias bons. Nos dias que passaram, nos dias que hão de vir. A alegria de um momento robusto de afetos funciona sempre como uma bateria. E as esperança do melhor como dínamo de energia. Vale sempre ouvir. Vale falar. Vale ser humano. Na mais universal das definições. RESUMO No Instituto Português Oncologia do Porto, num gabinete repleto de histórias não contadas, a psiquiatra Susana Almeida enfrenta diariamente as fragilidades da condição humana. Diretora do serviço de Psiquiatria, Susana Almeida é especialista em transformar dor em narrativa, sofrimento em resiliência e perda em oportunidade de crescimento. “A nossa cara diz muito sobre nós”, começa por explicar, sublinhando que o trabalho de um psiquiatra começa antes mesmo de o doente abrir a boca. É no detalhe que Susana encontra o primeiro capítulo de cada história. O olhar desviado, a hesitação ao caminhar, a escolha das palavras — tudo é revelador. “A observação do não verbal é essencial. Como alguém chega à consulta pode dizer mais do que qualquer exame.” No IPO, onde os doentes frequentemente enfrentam diagnósticos de cancro, estes sinais tornam-se ainda mais importantes. “Muitas vezes, as pessoas não conseguem verbalizar a angústia, mas ela está lá, evidente nos gestos e na postura.” O desafio de Susana não é apenas escutar o que é dito, mas decifrar o que fica por dizer. A sua experiência diz-lhe que o confronto com uma doença grave é, muitas vezes, um momento de balanço. “Há quem se foque no presente, mas muitos são assombrados pela nostalgia do que poderia ter sido. Escolhas que não fizeram, caminhos que não tomaram, relações que não cultivaram. É como se o tempo parasse num passado idealizado, mas a verdade é que o que não foi vivido não é garantia de nada melhor.” Entre os relatos que marcaram o seu percurso, Susana recorda uma paciente que recusava a ideia de uma mastectomia. “Ela dizia: ‘As minhas mamas são parte crítica da minha identidade.’ Cada pessoa atribui valor ao corpo de forma única, e o papel do médico é ajudá-la a reconstruir essa relação consigo mesma.” Este apoio vai além da saúde física — trata-se de restaurar um sentido de identidade e dignidade. Mas e quando a saúde mental de um doente colide com a dinâmica do lar? Susana explica que as relações, tal como os corpos, sofrem transformações sob o peso da doença. “Se o casal já tem uma boa comunicação, é mais fácil enfrentar os desafios juntos. Mas, se há lacunas ou tensões, estas tornam-se evidentes.” Em muitos casos, Susana convida os parceiros para as consultas, criando um espaço seguro para as dificuldades poderem ser discutidas. “A ideia é encontrar novas formas de conexão e intimidade. Muitas vezes, é um momento de reconstrução para ambos.” Há um fio condutor que atravessa o trabalho da psiquiatra: a esperança. “A esperança é uma força motriz épica. Nunca devemos castrá-la”, afirma com a convicção de quem já viu o pior e o melhor da natureza humana. Mesmo em cenários de prognósticos difíceis, a escolha das pala

Dec 11, 202453 min

Ep 189Quem conta as histórias do bairro? António Brito Guterres

A maneira como narramos as histórias conta. Como contamos o que vemos. Como ignoramos o que não queremos ver. Neste episódio vamos ao bairro. Ao bairro que insistimos em não ver. O bairro são muitos bairros. Mas todos, sem exceção, são chamados periféricos ou de intervenção social. Um lugar onde tudo é difícil. Da vida até às histórias que se contam dele. O bairro veio ao Pergunta Simples. E simples é tudo o que o bairro não é. António Brito Guterres é um alquimista dos estudos urbanos. Da formação em assistência social ao trabalho diário nos bairros onde é mais difícil viver. Ele assume-se como um narrador das vidas que por lá se vivem. Ou sobrevivem. No seu trabalho, ele escuta as comunidades, observa os seus gestos, compreende as suas dores e, mediante narrativas genuínas, auxilia-as a ressignificar as suas realidades. É alguém que acredita que toda a história merece ser contada — principalmente aquelas que ainda não saltaram os “muros” das periferias e que, por isso, permanecem invisíveis para grande parte da sociedade. Como urbanista e investigador, António tem estado na linha da frente da reflexão sobre como as cidades são desenhadas, quem nelas vive e como podemos construir espaços mais justos e inclusivos. Ele trabalha nos “pontos de dor”, como ele próprio descreve, onde as contradições do nosso sistema ficam expostas: bairros marginalizados, escolas com altas taxas de retenção, espaços urbanos negligenciados e vidas empurradas para o silêncio. Durante a conversa, exploramos como as desigualdades estruturais perpetuadas pelo urbanismo, pelas políticas públicas e pela comunicação. Falámos muito sobre Importância das Narrativas: Como as histórias das periferias são frequentemente limitadas a narrativas de crime ou tragédia nos ‘media’ tradicionais, ou nas redes sociais. As mesmas redes socais que abrem caminhos para exemplos de resistência narrativa, como movimentos culturais que emergem desses bairros, desafiando preconceitos e estigmas. Músicos que nem sabíamos existirem até terem milhões de ouvintes, poetas escondidos que fazem as letras para a cantiga de protesto, artistas plásticos que mais depressa ganham um prémio internacional do que aparecem na televisão portuguesa. Quão surdos estamos para não querer ouvir estas vozes? Quão alto é o muro criado pelo urbanismo do betão feio? Do Urbanismo como ferramenta de exclusão ou emancipação: Falámos da forma como a arquitetura pode ser usada para segregar comunidades e criar “gaiolas” em vez de trampolins sociais. Da forma como a educação pode ajudar ou deixar que se repita o ciclo da Pobreza: Mas não desistimos por aqui. Porque navegamos na cultura como Forma de resistência: A ascensão de artistas periféricos, como rappers e criadores culturais, que usam a arte para reescrever as narrativas dos seus territórios. Proponho que viajemos aos bairros. Ouvir. Simplesmente, ouvir. Há uma história que precisa de ser recontada. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:12:24 - 00:00:44:07 JORGE CORREIA Uma dádiva. Um Bem vindos ao. Pergunta simples O vosso pecado sobre a comunicação. A maneira como narramos as histórias conta como contamos o que vemos, como ignoramos o que não queremos ver. Neste episódio vamos ao bairro, ao bairro que insistimos em não ver o bairro. São muitos bairros, mas todos, sem exceção, são chamados de periféricos ou de intervenção social, num lugar onde tudo é mais difícil da vida e das histórias que se contam dele. 00:00:44:13 - 00:01:01:00 JORGE CORREIA Do bairro veio a pergunta simples e simples é tudo aquilo que o bairro não é? 00:01:01:02 - 00:01:30:16 JORGE CORREIA António Guterres é um alquimista dos estudos urbanos, da formação em essência social, ao trabalho diário nos bairros onde é mais difícil viver e assume se como um narrador das vidas que por lá se vivem ou sobrevivem. No seu trabalho, ele escuta as comunidades, observa os seus gestos, compreende as suas dores e, através de narrativas narrativas genuínas, ajuda a ressignificar, a criar novos significados para as suas realidades. 00:01:30:18 - 00:01:56:04 JORGE CORREIA É alguém que acredita que toda a história merece ser contada, principalmente aquelas histórias que ainda não saltaram os muros das periferias e que, por isso, permanecem invisíveis para grande parte da sociedade. Como urbanista e investigador, António tem estado na linha da frente da reflexão sobre como é que as cidades são desenhadas, quem nelas vive, como podemos construir espaços mais justos e inclusivos? 00:01:56:06 - 00:02:27:00 JORGE CORREIA Ele trabalha nos chamados pontos de dor, como ele próprio o descreve, onde as contradições do nosso sistema ficam expostas. Bairros marginalizados, escolas com altas taxas de retenção com alunos chumbar logo nos primeiros anos, espaços urbanos negligenciados e vidas empurradas para o silêncio. Durante esta conversa, exploramos como as desigualdades estruturais que são perpetuadas com a ajuda do urbanismo, pelas políticas públicas e pela comunicação pela tal narrativa. 00

Dec 4, 202459 min

Ep 188O que nos ensina o futebol sobre comunicação? Helena Costa

Dizem que há três linguagens universais: a música, a matemática e o desporto. No desporto, o futebol destaca-se como a língua franca mais consensual. É um idioma que todos parecemos entender, independentemente da idade, do género ou da geografia. São 11 jogadores contra outros 11. Um campo, uma bola, e tudo o que fazem parece ser compreendido por todas as pessoas. De José Mourinho ao adepto mais comum na bancada ou em casa. Todos sabemos quando era penálti. Todos vemos a genialidade de um passe ou sentimos que o falhanço podia ter sido o nosso, mesmo que só joguemos no sofá. Mas o futebol é um paradoxo de comunicação: da simplicidade absoluta de “marcar um golo” à complexidade tática de uma equipa que joga rápido, bem e em harmonia. O futebol também é emoção. Hoje, o treinador é o melhor do mundo. Amanhã, devia ser despedido sem pestanejar. E tudo depende de uma coisa tão simples como a bola entrar ou não entrar. Mas será que o futebol é só isso? Emoções e golos? Para entendermos melhor a linguagem deste jogo universal, convidei uma das melhores treinadoras portuguesas de futebol: Helena Costa. Atualmente, Helena aparece nos grandes estádios da Europa, explicando-nos os jogos como poucos conseguem — de forma simples, acessível e direta, que até eu consigo entender. Helena Costa tem no currículo momentos extraordinários. Participou na formação de talentos de elite, como Bernardo Silva, quando treinava nas escolinhas do Benfica. Aceitou o desafio de ir ao Qatar para criar, do zero, uma seleção nacional feminina. E foi até ao Irão, um país onde a cultura e a condição feminina levantam barreiras que poucos ousam enfrentar. Esta conversa é sobre a comunicação no desporto de alta competição. Mas também é sobre talento, liderança e a melhoria constante do desempenho. A nossa convidada não é apenas treinadora e comentadora desportiva. Ela é também scout, ou seja, 'olheira' de talentos. Helena tem o olhar treinado para identificar o que separa um bom jovem jogador de alguém que, um dia, vestirá a camisola da seleção nacional. E spoiler: não é só a técnica que conta. É também a rapidez de pensamento, a leitura tática e a capacidade de ver o jogo como um todo — a sua equipa, o adversário e o momento certo para agir. No entanto, mesmo os craques, ou talvez especialmente eles, nem sempre lidam bem com as críticas dos treinadores. Porque, no futebol, o talento só é suficiente quando é acompanhado de resiliência, disciplina e a vontade de melhorar. E é aqui que entra a comunicação. É através dela que treinadores e jogadores se afinam, que talentos se desenvolvem e que equipas se tornam campeãs. Esta pode parecer uma conversa sobre futebol, mas é muito mais do que isso. É sobre liderança, sobre ultrapassar limites e, acima de tudo, sobre a condição humana. TEMPOS E TEMAS [00:00] Introdução ao PodcastTítulo: Boas-vindas e Introdução ao TemaResumo: O apresentador dá as boas-vindas aos ouvintes e introduz o tema do episódio, que explora a comunicação no futebol, destacando a universalidade do desporto e a complexidade da comunicação envolvida. [00:35] Apresentação da ConvidadaTítulo: Apresentação de Helena Costa Resumo: O apresentador apresenta Helena Costa, uma treinadora e comentadora desportiva de renome, mencionando a sua experiência em treinar jovens talentos e a sua atuação em diferentes países, incluindo Qatar e Irão. [01:35] Comunicação e Emoções no FutebolTítulo: A Complexidade da Comunicação no FutebolResumo: Discussão sobre como o futebol é um paradoxo de emoções e comunicação, onde a simplicidade de marcar um golo contrasta com a complexidade tática do jogo. [02:53] O Papel do Treinador e do ScoutTítulo: A Missão de Identificar TalentosResumo: Helena fala sobre a importância da comunicação na formação de jogadores e como ela visa identificar talentos que podem se destacar no futebol. [04:09] Desafios de Ser Mulher no FutebolTítulo: Desafios de Ser TreinadoraResumo: Helena discute as dificuldades que enfrenta como mulher num ambiente predominantemente masculino e a importância da competência no seu trabalho. [05:24] A Influência dos Resultados no FutebolTítulo: A Pressão dos ResultadosResumo: Conversa sobre como os resultados impactam a carreira dos treinadores e a dinâmica dos clubes, além da relação entre treinadores e direções desportivas. [07:58] A Comunicação no TreinoTítulo: A Importância da Comunicação no TreinoResumo: Helena fala sobre como a comunicação varia entre diferentes faixas etárias e géneros, e a necessidade de adaptar a abordagem conforme o público. [10:04] Gestão de Conflitos no BalneárioTítulo: Gerindo Tensão no BalneárioResumo: Discussão sobre como lidar com a tensão entre jogadores mais jovens e experientes, e a importância da meritocracia no futebol. [12:32] O Olhar do ScoutTítulo: O Que Procura um ScoutResumo: Helena explica o que considera talento num jogador e como a capacidade de pensar o jogo à frente dos outros é crucial. [14:50] Desenvolvimento de Jovens TalentosTítulo: Trab

Nov 27, 202455 min

Ep 187Como usar a comunicação para influenciar? Pedro Coelho dos Santos

Pedro Coelho dos Santos revela como a comunicação estratégica pode moldar percepções, inspirar ações e influenciar decisões. Descubra técnicas práticas, histórias reais e lições que transformam líderes em comunicadores eficazes. Uma conversa imperdível sobre empatia, simplicidade e impacto. Uma conversa sobre liderança e técnicas de comunicação usadas por todos os melhores e mais visionários líderes do mundo. Assim como por cá.

Nov 20, 202455 min

Ep 186A MÁQUINA DAS PERCEPÇÕES: QUER SABER A MAGIA? SUSANA SALGADO

Hoje falamos da mais profissional, eficaz e eficiente máquina de criação e gestão das expectativas: a política. Usando as ferramentas da comunicação, os políticos de todo o mundo criam percepções favoráveis às suas causas. São essas percepções que permitem um suporte da opinião pública para as posições e decisões que os políticos tomam no nosso nome. E essa máquina das percepções obedece a regras e estratégias muito bem definidas. Pelo menos assim era no tempo dos ‘media’ tradicionais. Agora há um novo mapa a ser desenhado: o mundo alimentado pelas redes sociais. Trocaram-se os editores e jornalistas por robôs e algoritmos. E a comunicação política repensou a sua forma de fazer o que sempre fez: influenciar o pensamento da opinião pública. Com um refrescado conceito chamado polarização. Não é novo. Mas está na moda. Do telejornal às manchetes dos jornais. Da voz na manhã da telefonia até aos programas de debate. Do contacto direto com os cidadãos até à transmissão em direto de eventos criados precisamente para serem transmitidos. E agora as redes sociais: o velhinho Facebook onde todos continuamos a estar. O Twitter agora batizado de X, por onde correm as mais disputadas e virulentas discussões políticas e sociais. Ou mesmo o Instagram e o TikTok, lançados para criar atenção pela beleza da foto-autorretrato ou da dança da moda, entretanto transformadas em máquinas de ‘marketing’ directo. Estes dois mundos são o palco do mundo moderno. E quem deseja mandar no mundo, no planeta, do país, município, aldeia ou grupo sabe que tem de usar estes canais e criar receitas que nos agradem. Este programa é sobre o cruzamento da arte da comunicação com o da política. Numa frase: a comunicação política e a política na comunicação. A convidada é Susana Salgado, investigadora deste campo do saber no Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Exploramos como os media e as redes sociais desempenham um papel crucial na maneira como as pessoas entendem a política e tomam decisões. A conversa aborda temas como a polarização, o efeito dos algoritmos das redes sociais e o impacto dos preconceitos cognitivos, que criam uma espécie de “bolha” em que cada um de nós vive, condicionando como recebemos e interpretamos as mensagens políticas. Um dos principais pontos de reflexão neste episódio é o impacto da comunicação polarizadora. Segundo ela, a política contemporânea tende a afastar os cidadãos do debate e a empurrá-los para os extremos, limitando a capacidade de entendimento e troca de ideias. Ela explora como, muitas vezes, os temas mais sensíveis ou “incómodos” são excluídos da discussão pública, não por falta de relevância, mas por uma espécie de censura social. Isso faz com que pessoas que partilham de opiniões não convencionais sejam empurradas para a margem, onde encontram espaço em movimentos ou partidos mais radicais. Esse fenómeno é reforçado pelas redes sociais, onde o anonimato e a liberdade de expressão permitem que as pessoas exponham visões mais extremas do que fariam em interações presenciais. Nesta conversa aprendi muito sobre o conceito de criação de agendas públicas. Em particular, como criar estratégias para colocar o nosso tema na agenda e criar percepções favoráveis ao nosso ponto de vista. Criar agenda, enquadrar factos e apontar o foco de luz para o que mais no interessa. Ou criar distrações para desviar a atenção geral para o que não nos interessa discutir. Susana Salgado explica como estas estratégias ajudam a moldar as perceções dos cidadãos, enfatizando certos temas e desviando a atenção de outros. Estes mecanismos são, segundo ela, particularmente eficazes para criar uma “máquina de perceções” onde o que ganha é visibilidade mediática, interpretada como sendo mais relevante, muitas vezes à custa de temas de interesse real para a população. Real ou percebido como real? Nem sempre a resposta é directa e fácil. E podemos sempre citar a frase um político que diz “em política o que parece é” Sabendo destes mecanismos do uso da comunicação poderemos conhecer melhor como funciona a opinião pública. Como reage. Como suporta ou nega propostas de decisão, ou ideias políticas. Sabendo que muitas das mais importantes decisões são muitas vezes mal percepcionadas. E outras, muito vistosas, são pouco relevantes. Há uma coisa onde política e a comunicação tem em comum: o tempo, o timng. Não adianta ter razão antes do tempo ou explicar tarde demais. Tópicos e Tempos [00:00:00] Introdução à Comunicação Política • Assunto: Susana Salgado apresenta-se e introduz a importância da comunicação para políticos, que usam estratégias para moldar perceções públicas. • Resumo: A comunicação é essencial para os políticos, mas não basta transmitir mensagens; é preciso conectar-se com as preocupações reais do público. [00:01:22] Qualidades de um Bom Comunicador Político • Assunto: Discute-se o que faz um bom comunicador e a necessidade de uma comunicação adaptada ao público e ao contexto. • Resumo: Um bom comunicador sab

Nov 13, 202437 min

Ep 185COMO SUPERAR O MEDO DE DANÇAR? BRUNO RODRIGUES

Hoje vamos dançar. A forma mais natural em que acertamos o nosso movimento ao ritmo dos sons ou até dos pensamentos. Sim, hoje acertamos os passo na arte humana da dança. Dos mais talentosos dos bailarinos ao mais descoordenado dos seres. Eu pecador de confesso. E por isso convidei o actor, coreógrafo e bailarino Bruno Rodrigues para me ensinar sobre o movimento do corpo. Sou o mais descoordenado dos seres a habitar sobre a terra. Poderia dizer que tenho dois pés esquerdos, o que até poderia ser elogioso porque até se dá o caso de eu ser canhoto. Por isso simplifico: não tenho jeitinho nenhum para dançar. O que me angustia porque o meu sentido de ritmo é bom. Acho eu. Sinto que sim. Ritmo dentro da minha cabeça. Depois os braços e as pernas é que não acompanham. Parecem ter vida própria, lançando no espaço pernas e braços num louco, levemente assustador e definitivamente esquisito movimento. E um dia conheci o Bruno. Num evento experimental sobre o movimento. E aprendi que todos temos uma espécie de biblioteca de movimentos. E nessa biblioteca estão os livros de instruções para nos mexermos. É só ler esses livros. Embora muitos de nós nem sequer nos atrevemos a pegar neles. Nos livros. Nas ancas, rótulas, ombros ou pescoço. Volto ao movimento. Basta respirar, diz ele, o Bruno, e o movimento aparece naturalmente. Esta conversa é sobre isso. Sobre o movimento. Sobre a maneira como dançamos. Na conversa saberemos como alguém descobre que a sua vocação, como experimenta e aprende sobre a arte da dança. Hoje é coreógrafo, actor e formador na área do movimento. Naturalmente falámos da maneira como o nosso corpo fala, como comunica. E de como a dança pode ser uma ferramenta social de inclusão e partilha. Aprendi que todos podemos dançar. E sabemos dançar. À nossa maneira, mas é uma maneira tão certa como qualquer outra. Saia lá daí, da frente do espelho. E liberte-se. Claro que depois há o bailado, como expressão plástica maior. A expressão do belo e do sublime. Afinal o uso do corpo para nos fazer sentir as emoções. O corpo como espelho da alma. O movimento e a dança como uma forma universal de nos entontarmos mutuamente. De olhos nos olhos. De mão na mão. Num compasso certo dos pés que seguem num movimento síncrono. Isto nas danças a dois. Mas também valem os grupos que dançam num concerto. Ou até aquele que dança sozinho na praia, sem música, apenas ao ritmo dos pensamentos. E tudo se move. E tudo dança. Até os planetas à volta do sol. Ou o sentir. Ao ritmo dos batimentos do coração. O ritmo primordial da dança da vida. Da Química à Dança: O Início da Jornada Inicialmente estudante de Engenharia Química, Bruno descobriu a dança por acaso, quando uma colega o convidou a experimentar uma aula. Essa experiência revelou-lhe um novo caminho, onde se sentiu verdadeiramente “em casa”. O que começou como uma simples curiosidade tornou-se rapidamente a sua paixão e carreira. No episódio, ele descreve o momento inicial, numa sexta-feira de outubro, que marcou o encontro com a dança. A sensação de “pertença” era tão intensa que ele a lembra com detalhes, incluindo as cores, os cheiros e a música daquela primeira aula. A Dança Como Forma de Comunicação e Intervenção Bruno vê a dança como uma linguagem universal, acessível a todos e não apenas a quem se dedica profissionalmente a esta arte. Para ele, todos dançam a partir do momento em que respiram, pois a base do movimento é a respiração. Ele explora a ideia de que a dança está presente nos pequenos gestos do dia a dia e que cada movimento entre duas poses ou “fotografias” forma uma coreografia única. O Movimento do Corpo e a Relação com a Identidade A entrevista toca em questões profundas sobre como o movimento expressa a relação de cada um consigo mesmo. Bruno reflete sobre a relação entre corpo e identidade, afirmando que a maneira como nos movemos espelha a nossa auto perceção e até as nossas cicatrizes emocionais. Para ele, o corpo manifesta tudo o que está “cá dentro”, e cuidar dele é uma forma de cuidar da nossa própria história. Este ponto é enfatizado com um exemplo de um workshop que conduziu com jovens bailarinos cegos, onde observou como o movimento pode ajudar a superar limitações e abrir novas possibilidades de expressão. Desafios do Teatro Imersivo Bruno também fala sobre as suas experiências em teatro imersivo, onde os atores e o público compartilham o mesmo espaço físico e a interação vai além da palavra. Um exemplo é o espetáculo “E Morreram Felizes Para Sempre”, realizado no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa. Neste tipo de teatro, o público movimenta-se livremente entre os atores, e isso exige uma preparação intensa dos performers, que precisam estar preparados para atuar em 360 graus, sem uma “quarta parede” convencional. Bruno partilha como a atenção aos detalhes e a criação de rituais auxiliam os atores a manter-se fiéis às suas personagens, mesmo sob pressão e proximidade do público. Da Técnica à Emoção: A Expressão Completa do Artista No final do e

Nov 6, 202453 min

Ep 184O GESTO CONTA? SOFIA FERNANDES

O gesto é tudo. Ou quase tudo. No mundo onde o silêncio quase absoluto reina é o gesto que nos liga. Nesta edição falamos, ouvimos e gesticulamos. Um mergulho no mundo na língua que as pessoas surdas usam para ouvir e falar. A língua gestual portuguesa. Em cima de um palco, no cantinho da nossa televisão, numa aula na escola, numa consulta médica ou a responder num tribunal. A vida dos intérpretes de língua gestual portuguesa é uma correria entre todos os lugares do país onde alguém que não ouve, não aprendeu falar ou até a ler e escrever, precisa de entender o mundo. Conheci a Sofia Fernandes em cima do palco no auditório do IPO do Porto. Ela traduzia o que os vários participantes do evento diziam. A rapidez do gesto é fascinante. Não só das mãos. Todo o corpo participa. Gestos nos dedos, braços, ombros e a cara. Sim, as expressões faciais estão sempre a dizer qualquer coisa. A dizer o espanto, a dizer a alegria, a sofrer a tristeza. Naquele palco ouvi-a depois falar de viva voz. Da maneira como ajuda a comunidade das pessoas surdas a comunicar. A ouvir, se é que posso usar esta palavra, e a dizer o que quer. E o que ouvi não podia ficar só ali. Tinha de o partilhar convosco. Esta conversa é sobre comunicação. Todas as conversas do Pergunta Simples são sobre comunicação. Mas esta tem um nível de complexidade difícil de entender para quem ouve. Para os ouvintes regulares do ‘podcast’. Mas neste caso o programa não tem só áudio, ou vídeo, com legendas. Neste caso este episódio está também traduzido em lingua gestual graças à generosidade da Sofia. Pode ser visto em www.perguntasimples.com e nos YouTube desta vida. Portanto, não só veio contar tudo o que sabe, como, no fim ainda teve de trabalhar. Eu disse generosidade? Acrescento uma palavra: torrencial. E eu aprendi como se diz com um só gesto a mais bela palavra do mundo O QUE APRENDI NESTE EPISÓDIO A interpretação é muito mais do que traduzir palavras. Entendi que a língua gestual portuguesa não pode ser feita palavra por palavra porque é uma língua com gramática própria e ‘nuances’ específicas. O trabalho do intérprete é captar o sentido e adaptar o que está a ser dito, principalmente em temas complexos ou pouco familiares. Adaptar-se ao momento é essencial. Percebi que, em interpretações ao vivo, como num telejornal, o intérprete precisa de uma grande agilidade para adaptar o contexto e corrigir interpretações, quando necessário. Sofia explicou que, ao não perceber uma palavra ou perder uma parte da conversa, procura “proteger-se” e transmitir algo literal até conseguir encaixar o contexto completo. A carga emocional nas interpretações delicadas. Nas consultas médicas ou em audiências judiciais, o intérprete é obrigado a usar a primeira pessoa, dizendo “eu”. Esta proximidade com a situação pode ser emocionalmente exigente, especialmente ao lidar com histórias de dor ou sofrimento. A acessibilidade continua a ser uma grande barreira. A falta de intérpretes e de recursos acessíveis é evidente, e Sofia sublinhou a dependência que muitas pessoas surdas têm de amigos e conhecidos para fazer coisas simples, como ir ao médico ou tratar de assuntos burocráticos. Conhecer o contexto é chave. Quanto mais o intérprete entende o contexto, melhor consegue interpretar com fidelidade. Por exemplo, Sofia menciona como recorre a amigos surdos para confirmar se usa os gestos mais adequados, tornando a interpretação mais rica e natural. O impacto emocional e cultural do seu trabalho. A experiência de Sofia a interpretar um hino no estádio do Dragão revelou como momentos de grande visibilidade têm um impacto emocional e fortalecem a cultura surda. Percebi que a presença de intérpretes em momentos públicos dá poder à comunidade e fortalece a sua identidade. A língua gestual portuguesa é uma língua própria, não uma “linguagem”. Aprendi que há uma diferença entre língua e linguagem: enquanto a linguagem gestual é mais universal, a língua gestual portuguesa é uma língua completa, com gramática e evolução cultural. Apoiar a comunidade surda vai além do trabalho. Sofia mostrou-me que ser intérprete não é só uma profissão, é também um compromisso com a comunidade surda. Ela ajuda os seus amigos surdos no dia a dia, seja numa urgência médica, seja numa situação burocrática. Esse apoio contínuo é essencial para a inclusão. Ainda há resistências nos serviços públicos e escolas. Sofia mencionou que enfrenta resistência ao interpretar em hospitais e escolas, pois nem todos entendem o papel do intérprete como facilitador da comunicação e, muitas vezes, veem-no como uma “ameaça”. Dedicação e formação contínua são indispensáveis. Percebi que ser um bom intérprete não se limita à habilidade técnica; é preciso ter empatia, ser dedicado e estar disposto a evoluir constantemente. A interpretação exige o domínio da cultura surda e o compromisso de servir como ponte de comunicação. Essas aprendizagens mostram-me o valor da interpretação na comunicação acessível e como ela é fundamental para pr

Oct 30, 202445 min

Ep 183A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL MUDARÁ A NOSSA SAÚDE? RICARDO BAPTISTA LEITE

Hoje é dia de falar de saúde, máquinas inteligentes e líderes inspirados. Para o caso d ainda não terem notado as máquinas que falam connosco como se fossem humanas estão a invadir o nosso dia-a-dia. Seja numa página de ‘internet’, na relação com o nosso banco ou com uma qualquer empresa que nos fornece um serviço. Estes robôs são programados para serem simpáticos, perguntam muitas coisas e querem que carreguemos vezes infinitas em números no telemóvel ou que respondamos a mil perguntas. E lá vamos andando. São ainda bastante básicos e eu, confesso, quando fico sem paciência, repito para a máquina “quero falar com um ser humano.” Ora esses robôs estão também aparecer na área da saúde. E além deles há outros bastante mais espertos que conseguem organizar gigantescas quantidades de dados e até chegar a melhores conclusões que os humanos. Mas já la vamos. Este é um episódio com Ricardo Baptista Leite, um jovem médico português que integra a lista da Fundação Obama dos mais promissores líderes mundiais do futuro. Todos o conhecemos pelo seu percurso na política, mas agora trabalha no desenvolvimento e regulação da chamada “inteligência artificial”. Em particular na área da saúde. A tecnologia acelera e a dita “inteligência artificial” carrega algumas das mais interessantes promessas de que o mundo será melhor. Ainda com alguns pontos de interrogação, mas já com um vislumbre do que pode ser o futuro onde homem e máquina se fundem para funcionar melhor. Será o advento de uma nova espécie humana? Do homem biónico ou apenas do homem assistido pelas máquinas? Já para não pensar na assustadora ideia onde as máquinas passam a controlar tudo ao arrepio da decisão humana. Ricardo Baptista Leite traz-nos uma visão muito interessante sobre como a tecnologia pode transformar a nossa forma de viver e, sobretudo, o nosso sistema de saúde. Ele acredita que a inteligência artificial não é só mais uma moda, mas algo que pode realmente fazer a diferença na forma como diagnosticamos e tratamos doenças. amos falar de como as máquinas, em algumas áreas, já superam os médicos humanos na precisão e na rapidez dos diagnósticos, como na radiologia. E, ao mesmo tempo, exploremos os riscos. Será que esta tecnologia acabará por beneficiar apenas um pequeno grupo de pessoas, deixando muitos de fora? Na conversa falamos sobre a necessidade de mudarmos ou adaptarmos o nosso sistema de saúde. Ele acredita que trabalhamos reativamente, ou seja, a tratar a doença depois de ela aparecer, que é preciso uma viragem para um modelo mais proativo, focado na prevenção e na promoção da saúde. E sabem o que é curioso? O Ricardo acha que a inteligência artificial, se usada corretamente, pode ser a chave para essa mudança. Mas a nossa conversa não se fica apenas pela tecnologia. A empatia é outro tema importante que abordámos. Sabiam que, num estudo recente, os assistentes virtuais, os robôs, os chatbots, foram considerados mais empáticos que os próprios médicos? Sim, máquinas a mostrar mais empatia que humanos! Isso diz muito mais de nós humanos do que da habilidade das máquinas. Durante esta hora de conversa falámos muito sobre o futuro. Como ele vê a evolução dos cuidados de saúde com a introdução de tecnologias avançadas como a inteligência artificial? E o mais importante, como garantimos que essas inovações são usadas de forma ética e justa, TÓPICOS Nomeação para a Fundação Obama • Ricardo Batista Leite foi reconhecido como um dos futuros líderes pela Fundação Obama, integrando um grupo que aposta em mudanças sociais a partir das comunidades locais. De político a especialista em inteligência artificial • Ricardo Batista Leite fez uma transição da política para a área da inteligência artificial, explicando o potencial revolucionário desta tecnologia no setor da saúde. A promessa da tecnologia • Abordámos como grandes inovações tecnológicas nem sempre trazem benefícios para todos. Será que a inteligência artificial seguirá esse mesmo caminho? Reformar o sistema de saúde • Ricardo Batista Leite defende que é necessário transformar o sistema de saúde, passando de um modelo reativo, focado na doença, para um modelo preventivo e promotor da saúde. O trabalho na Agência Global de Inteligência Artificial Responsável • A missão de Ricardo Batista Leite na Agência Global é garantir que a inteligência artificial seja implementada de forma segura e inclusiva, trazendo benefícios para todos os cidadãos. Privacidade e cibersegurança na saúde • Com o avanço da inteligência artificial, surgem também desafios relacionados com a proteção de dados de saúde. Ricardo Batista Leite discute os riscos e as medidas necessárias para garantir a segurança digital. Portugal como hub de inovação na saúde • Ricardo Batista Leite vê Portugal como um potencial laboratório para novas tecnologias na saúde, atraindo investimentos e criando oportunidades no setor. O poder da empatia no sistema de saúde • A empatia e o humanismo são fundamentais nos cuidados de saúde, melhorando tanto a

Oct 23, 202452 min

Ep 182O QUE DIZEM AS PALAVRAS SOBRE NÓS? Marco Neves

Falar bem português e escrever em bom português é absolutamente crítico para comunicar na nossa língua. E sim, calhou-nos uma língua complexa na rifa, difícil, cheia de palavras e regras. Algumas até de difícil compreensão ou mesmo aparentemente contraditórias. Deixem-me dar-vos o exemplo das vírgulas. Onde se põem as vírgulas. Das várias fontes que consultei há, em princípio, 4 regras principais. Mas depois são afinal 11 que até podem ser 15. Se alguém tem outro número queira mandar uma mensagem ou deixar um comentário. Mas o exemplo das vírgulas é tão fascinante que até há uma regra opcional. Leio no ciberdúvidas que a frase 'Depois, vamos sair para jantar.' pode ter essa vírgula, ou, simplesmente, se quiser dar mais ritmo à frase, pode escrever sem vírgula 'Depois vamos sair para jantar.' Esta é conversa sobre línguas, sobre pontuações e até sobre palavrões. Que são umas palavras muito especiais. Cada língua leva dentro de si a cultura de um povo. Mas não só. Sim o poeta Fernando Pessoa disse: “Minha Pátria é minha língua.” Mas a frase continua assim: “Pouco se me dá que Portugal seja invadido, desde que não mexam comigo.” Dificilmente encontramos uma frase que nos defina melhor, ao longo da história. Volto às línguas. Elas não são actos de cultura e comunicação. Foram nascidas e talhadas como arma política. Os franceses não falavam francês. Os italianos também não falavam a língua com que os ouvimos hoje descrever as mais belas coisas do mundo. E as palavras tem significados literais e simbólicos. São as chamadas expressões idiomáticas. O “prego” italiano não é para pregar tábuas nem pregar aos peixes. Será o nosso “de nada” E o “Raconter de salades” não é contar saladas, mas sim “contar uma história.” E a história tem muito peso nesta coisa das línguas. Porque a língua foi um instrumento político de unificação de um estado. E, portanto, imposto ao povo. Muitas vezes usando o fio da espada. Com esse conceito da língua enquanto norma, levamos todos com a mil regras a cumprir. Mas as línguas continuam vivas, recebendo influências das outras ou dos nossos brilhantes pontapés na gramática. Se o pontapé for numa pedra, com força, e de pé descalço, então também recorremos à língua. Usando os palavrões. Palavras escondidas no subsolo do nosso cérebro. São tabu, mas aliviam as dores. As palavras contam. As que dizemos. As que alguém entendeu, ou desentendeu. Há palavras de que gosto. Pode ser pelo significado ou pode ser, simplesmente, pelo som que se produz ao dizê-la. A minha palavra preferida é “óbvio” Gosto do som e do significado. É simples, mas obriga a uma definição de sons. Uma dança entre o B e o V. E é obviamente uma palavra aberta logo na primeira letra. Olhem, obviamente volto para a semana. E vocemessês também. É óbvio. E agora dai-me licença para fechar este parlatório. Ou deveria dizer palratório? Quem é Marco Neves? Marco Neves nasceu em Peniche e vive em Lisboa. Tem sete ofícios, todos virados para as línguas: tradutor, revisor, professor, leitor, conversador e autor. Não são sete? Falta este: é também pai, com o ofício de contar histórias. É professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e diretor do escritório de Lisboa da Eurologos. Escreve regularmente no blogue Certas Palavras. Já publicou os livros Doze Segredos da Língua Portuguesa, A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa e o romance A Baleia que Engoliu Um Espanhol. Publicou também um ensaio literário, José Cardoso Pires e o Leitor Desassossegado. Regressa às dúvidas e subtilezas da nossa língua com a Gramática para Todos: O Português na Ponta da Língua. O que aprendi neste episódio*: O Poder da Língua: Reflexões sobre Normas, Resistência Cultural e Transformações Linguísticas A língua, mais do que um simples meio de comunicação, é um reflexo das complexas dinâmicas de poder, história e cultura de uma sociedade. No mais recente episódio de “Pergunta Simples”, explorei o papel da língua na criação de normas, no estímulo à resistência cultural e na adaptação às transformações modernas. Durante a conversa, muitos pontos interessantes surgiram, que nos ajudam a entender melhor o que está por trás da forma como falamos e como nos expressamos. Um dos temas centrais da conversa foi a relação entre a padronização da língua e a insegurança que isso pode causar. Desde que os estados começaram a criar normas linguísticas e a impô-las através da educação, o sentimento de inadequação ou erro tornou-se comum. Isso é especialmente evidente quando falamos da língua portuguesa. A forma como falamos, as palavras que escolhemos, e até o sotaque, muitas vezes fazem-nos sentir fora da norma, como se estivéssemos constantemente a cometer erros. Na verdade, essa sensação de inadequação está enraizada numa longa história de imposição de padrões linguísticos. “A língua também é sempre alguma fonte de insegurança, porque a forma como é que é dizer por usar um enquadramento histórico, a partir do m

Oct 16, 202459 min

Ep 181Como comunicar eficazmente em crises de saúde? Graça de Freitas

Há dois tipos de comunicação especialmente difíceis e arriscados. Porque são complexos, porque acontecem em conta-relógio e porque a audiência está particularmente sensível nesse espaço de tempo. Esses dois tipos de comunicação, são a comunicação de crise e a comunicação de risco. Trocando por miúdos, a comunicação de crise é aquela que temos de usar quando algo correu mal: um acidente, um incêndio, um qualquer evento onde existe um dano real ou potencial a pessoas, ou bens. Principalmente pessoas. A comunicação de risco em saúde pública é aquela que todos beneficiamos aquando da pandemia de COVID-19. Essa comunicação teve como face principal Graça de Freitas, médica de saúde pública e ao tempo diretora-geral da saúde. Esta conversa é sobre a dificuldade de planear, reagir e responder de forma credível a uma das maiores ameaças que vivemos na nossa vida coletiva. Um manual do uso da comunicação tem tempos sem livro de instruções. Todos sentimos: A incerteza era o dia-a-dia. Quando chega a pandemia? Quando chega o vírus? Vai matar-me? Como me salvo desta? Lembram-se? Era este o ambiente que todos vivemos quando percebemos que a anunciada pandemia chegou. Vivemos o receio, o medo, a dúvida. Vivemos a angústia de ficar presos em casa por decreto geral. Das escolas que fecharam. Dos lares com dezenas de idosos doentes. Com hospitais cheios. Com ambulâncias em marcha. Isto foi o que todos vimos em casa. Mas no olho do furacão pandémico, no centro de crise e resposta está Graça de Freitas. Não está sozinha, mas tem uma equipa muito curta. A ela cabe-lhe conseguir consensos entre cientistas e boas explicações e prognósticos para os decisores políticos. No meio de tudo isto há que explicar aos cidadãos o que está a acontecer, como nos protegemos, como vivemos com isto. No tempo das redes sociais. Onde a opinião do mais sabedor dos cientistas parece valer tanto ou menos que o cidadão dedicado à arte nacional da opinião gratuita sobre tudo. Mas mesmo no centro de comando, onde toda a informação chegava, onde todos os pensadores filtravam e tentavam entender o mundo, mesmo aí, havia demasiada informação, demasiadas contradições e um avassalador relógio que corria mais do que qualquer evidência. Mais do que nunca o teste à credibilidade das fontes é critico. Mas a rapidez da comunicação digital e localizada não podia ser ignorada. A pandemia deveria ser por si só um objeto de estudo detalhado da comunicação de risco. Eu já comecei a ler esse livro. A Comunicação em Tempos de Informação Imperfeita Um dos temas mais fascinantes abordados neste episódio é o desafio de comunicar quando a informação está longe de ser completa ou perfeita. “A informação era imperfeita, os dados mudavam a toda a hora”, lembra Graça Freitas, explicando que, muitas vezes, as diretrizes que comunicava ao público eram baseadas em informação que podia ser revista ou até desmentida pouco depois. “O grau de imperfeição era grande”, confessa, num tom honesto que caracteriza toda a sua participação no podcast. Este cenário reflete um dos maiores dilemas da comunicação em saúde pública: como ser honesto e transparente quando as certezas são escassas? Graça optou sempre pela clareza e pela sinceridade. Reconhece que, em muitos momentos, teve de comunicar incertezas e explicar o que ainda não se sabia. Este equilíbrio entre a informação e a cautela foi uma linha ténue que teve de trilhar durante todo o período pandémico. Medo, Resiliência e o Lado Pessoal da Pandemia Outro ponto alto da conversa é quando Graça Freitas reflete sobre o medo. No início, confessa, não teve tempo para sentir medo pessoal, pois estava absorvida em compreender o que estava a acontecer. No entanto, à medida que o número de casos aumentava, especialmente em Itália, e o mundo começava a fechar as suas portas, o medo tornou-se uma realidade inevitável. Mas talvez o relato mais surpreendente seja o momento em que a Dra. Graça começa a receber proteção policial devido a ameaças. “Nunca pensei que precisaria de proteção”, revela, descrevendo o choque de saber que um segurança estaria à porta da casa todos os dias. Este episódio mostra o lado mais humano da crise: a carga emocional e pessoal que quem esteve na linha da frente teve de carregar. Memes e Piadas: Rir para Não Chorar Num tom mais leve, Graça Freitas fala sobre os memes e piadas que circularam nas redes sociais a seu respeito durante os momentos mais difíceis da pandemia. Ela admite que achou graça a muitos deles. O humor, para ela, foi uma forma de a população lidar com a tensão constante, e, em alguns momentos, também serviu para ela própria aliviar o peso da responsabilidade. No entanto, Graça confessa que o que mais a magoou não foram as piadas, mas a ausência de defesa de algumas pessoas que a conheciam bem e que, durante os momentos de maior crítica, escolheram o silêncio. “Doeu mais não ouvir um ‘ela não é assim tão má’ do que as críticas em si”, diz com honestidade. Lições sobre Comunicação em Saúde Pública Este epis

Oct 9, 202458 min

Ep 180Onde guarda as palavras o cérebro? Joaquim Ferreira

O cérebro humano e o seu funcionamento. A caixa onde guardamos as palavras, os sentimentos e os movimentos. O cérebro enquanto caixa de comando e guardador de memórias e identidades. O cérebro que se molda plasticamente para compensar danos, bloqueios e faltas de ar. O cérebro do juízo e da consciência. Da alma ou apenas como fundação biológica.

Oct 2, 202448 min

Ep 179Como ganhar umas eleições? Germano Almeida

Faltam menos de 2 meses para ser eleito o novo presidente dos Estados Unidos. E a campanha segue a todo o vapor. Uma campanha eleitoral é por definição o momento em que candidatos e eleitores dialogam sobre o futuro de um país. Tempo para se conhecerem aqueles que querer governar e as expectativas dos cidadãos eleitores.

Sep 25, 202449 min

Ep 178Como praticar a arte da escuta? Júlio Machado Vaz

Busco a escuta perfeita. Não a escuta do som, mas também essa. Busco essa afinação perfeita entre a fala e o silêncio. Onde cada respiração pode descobrir a raiz de uma dor de alma. E onde a empatia é o instrumento que abre espaço à confiança obrigatória para que quem sofre possa falar, e quem ouve possa escutar. Sigmund Freud inventou o sofá que fala. O sofá onde todos nos podemos deitar para falar connosco próprios sabendo haver um psiquiatra, psicanalista ou psicólogo na cabeceira dessa cama existencial para nos ajudar nessa caminhada por entre sintomas, dores, desejos e desejadas ressurreições de alma. Nesta edição vou guiado pelo psiquiatra que conheci como ouvinte há mais de 30 anos quando ficava colado à telefonia para ouvir o seu programa “O sexo dos anjos” Um roteiro que começou por ser uma ideia de programa para falar de sexualidade, mas acabou por ser um manual sobre a natureza humana. Portanto, conheci o homem da rádio muito antes do psiquiatra e do professor de antropologia médica. Esta conversa poderia demorar 10 horas. Até poderia ser um diálogo em associação livre, mas escrevi demasiadas perguntas para tantas respostas. É uma lição sobre como ouvir os outros, como praticar a arte da escuta e de aceitar e compreender o outro como ele é. Falámos de diálogos, palavras e silêncios. A empatia a par das nódoas negras e das grandes alegrias são provavelmente a única receita para a partilha entre seres humanos. Compreender os outros implica-nos a todo o momento. E as máquinas, capazes de calcular rapidamente e guardar acervos de informação gigantescos não tem alma. Podem saber. Podem fingir. Mas nunca sentiram a palpitação dos grandes amores nem o sabor das lágrimas. Nem sequer lágrimas de óleo ou taquicardias elétricas. TÓPICOS: Início (00:00:00) Introdução ao Tema da Escuta (00:00:12)Discussão sobre a escuta e a importância da empatia na comunicação. Apresentação do Convidado (00:02:27)Júlio Machado Vaz é apresentado como médico psiquiatra e influenciador. O Programa "O Sexo dos Anjos" (00:02:50)Júlio fala sobre o seu livro e a história do programa de rádio. Impacto do Programa (00:03:14)Discussão sobre a influência do programa na sexualidade e na sociedade. Relação entre Rádio e Televisão (00:05:02)Comparação entre os meios de comunicação e as suas diferenças na recepção do público. Censura nos Média (00:06:21)Júlio compartilha experiências de censura e a diferença entre rádio e televisão. Mudança de Horário do Programa (00:07:16)Discussão sobre a mudança de horário do programa e o impacto na audiência. Experiências de Censura (00:09:41)Relato sobre censura num programa de televisão, especialmente em relação à homossexualidade. Fascículos Não Publicados (00:12:20)História sobre fascículos encomendados pelo jornal "Expresso" que nunca foram publicados. Reflexão sobre a Vida (00:13:39)Júlio reflete sobre o envelhecimento e como as prioridades mudam ao longo do tempo. Cuidado com a Manipulação (00:15:03)Discussão sobre a capacidade de nos enganarmos a nós mesmos e a diferença entre responsabilidade e culpa. Consultório e Trabalho (00:15:46)Júlio fala sobre a sua rotina no consultório e o prazer que sente em continuar a atender. Ritmo de Trabalho (00:16:56)Reflexão sobre a escrita e a falta de tempo devido à rotina intensa de trabalho. Agendas Complicadas (00:18:04)Desafios de compatibilizar horários entre colegas para gravações e compromissos. Visita Guiada à Agenda (00:19:07)Comentário sobre a complexidade das agendas de trabalho e compromissos. Reorganização de Trabalho (00:19:32)Impacto das mudanças de horários na rotina de trabalho dos colegas. Psicanálise e Trabalho (00:20:13)Reflexão sobre a importância do trabalho e a dificuldade de imaginar não trabalhar. Dia Típico no Consultório (00:21:09)Descrição de como varia a rotina diária de atendimentos e a importância da escuta. A Arte da Escuta (00:22:11)Discussão sobre a escuta na psiquiatria e a necessidade de estar presente para os pacientes. Desafios das Consultas (00:23:03)Variedade das queixas dos pacientes e a experiência pessoal de Júlio com problemas psicológicos. Aprendizado com a Depressão (00:24:11)Júlio compartilha a sua experiência com a depressão e como isso influenciou o seu trabalho. Importância da Psicanálise (00:25:01)Reflexão sobre o papel da psicanálise na vida de Júlio e a gratidão ao seu psicanalista. Silêncio na Terapia (00:25:50)Discussão sobre a natureza do silêncio nas sessões de terapia e o seu significado. Silêncios Confortantes (00:26:30)Exploração dos diferentes tipos de silêncios e como eles podem ser reconfortantes. Dificuldade em Expressar Sentimentos (00:26:51)Júlio fala sobre a dificuldade dos pacientes em expressar as suas emoções durante a terapia. Caminho Difícil da Terapia (00:27:30)Reflexão sobre a escolha de enfrentar a dor em vez de optar por soluções mais fáceis. A percepção da responsabilidade (28:07)Discussão sobre como a percepção de ser vítima pode distorcer a realidade. Reconstru

Aug 3, 20241h 8m

Ep 179Portugal, quando começas a jogar? Rui Miguel Tovar

Ser adepto não é fácil. Seguramente ser jogador de alta competição parece ser ainda mais difícil. A linguagem dos corpos em movimento é muitas vezes mais honesta que as respostas nas conferências de imprensa. Seja no mais belo dos movimentos, seja no esgotamento desenhado nas caras dos jogadores ao minuto 120. O selecionador e treinador de Portugal Roberto Martinez parece ser um bom comunicador. Mas o que diz parece não ligar com a realidade. O que me causa estranheza. Martinez é claramente um bom comunicador na forma. Mas depois há o conteúdo. Às perguntas difíceis responde desconversando. É o modo "pergunta-me o que quiseres, respondo o que me apetecer." A forma é sempre imaculada. O discurso, todavia parece plástico. As respostas são sempre de um optimismo extremo. O jogo foi sempre magnifico. Os atletas insuperáveis e Ronaldo o maior de sempre e em todos os jogos. E o raio da estatística, fria e calculista, insiste em contrariar o otimismo da fórmula de comunicação do treinador. É uma boa lição para todos os comunicadores, ou como não fazer. A boa estética de comunicação não basta. As mensagens têm que ter suporte na realidade. Só assim emprestam credibilidade ao discurso. A menos que as teorias da pós-verdade tenham contaminado o futebol. Ou será que o futebol de alta competição é o precursor dessa forma de ver o mundo. Afinal no futebol o que hoje é verdade, amanha é mentira. Mas não há só comunicação menos real. Há excelentes surpresas também. Jogadores como Vitinha, Palhinha, Bruno Fernandes ou Bernardo Silva falam a linguagem das pessoas reais. Explicam o que fizeram, o que sentem, os sonhos e as dores. Sem fingimentos, olhando nos olhos. Vi o mesmo em Diogo Costa. As palavras da sua fala pública liga-se bem sua soberba prestação em campo. 4 defesas, 3 na ronda de penaltis que apurou Portugal para a próxima ronda do europeu. Em busca de aprender um pouco mais sobre o fenómeno do futebol fui ouvir Rui Miguel Tovar. Jornalista, comentador e historiador do melhor desporto do mundo. TÓPICOS & TEMAS Inicio (00:00:00) A importância da linguagem corporal (00:00:12)Discussão sobre a comunicação no futebol, destacando a linguagem corporal dos jogadores e treinadores. A comunicação do treinador Roberto Martínez (00:01:32)Análise da comunicação do treinador, abordando a estética e o conteúdo de suas mensagens. A surpreendente atuação do goleiro Diogo Costa (00:02:41)Destaque para a atuação surpreendente do goleiro Diogo Costa e sua comunicação autêntica. A dinâmica do jogo entre Portugal e Eslovénia (00:03:38)Discussão sobre a dinâmica do jogo, incluindo momentos de tensão e reviravoltas. O desenvolvimento de Rui Patrício (00:13:40)Discussão sobre a evolução do jogador nas mãos do treinador Paulo Bento e seu papel como herói no Euro 2016. Diogo Costa e suas características (00:14:11)Análise das habilidades e atuação do goleiro Diogo Costa, incluindo sua capacidade de sair aos cruzamentos e habilidades com os pés. O futuro de Diogo Costa (00:15:30)Questionamentos sobre a permanência do goleiro em Portugal e seu potencial para jogar em clubes europeus de alta categoria. Desempenho dos treinadores portugueses (00:16:25)Reflexão sobre a presença de treinadores portugueses em competições de alto nível, como a Liga dos Campeões, e suas conquistas. Análise das defesas de Diogo Costa (00:18:27)Discussão sobre as defesas do goleiro nos penáltis, destacando sua técnica e habilidade. Estratégias de batedores de penáltis (00:20:19)Análise das declarações de Bruno Fernandes e Diogo Costa sobre as estratégias e intuições utilizadas na marcação e defesa de penáltis. Marcadores canhotos de penáltis (00:22:53)Exploração da tendência de destros marcarem mais penáltis, com exemplos de jogadores canhotos que marcaram ou não marcaram penáltis. Influência de Cristiano Ronaldo e sua mentalidade (00:24:25)Reflexão sobre a influência de Cristiano Ronaldo, sua liderança e mentalidade no contexto da seleção portuguesa. Desempenho de Cristiano Ronaldo (00:26:13)Discussão sobre o desempenho de Cristiano Ronaldo e sua titularidade na seleção portuguesa, considerando seu histórico e contribuição para a equipe. 00:27:13 - Análise tática e posicionamento em campoDiscussão sobre a tática de jogo, posicionamento dos jogadores e críticas ao esquema tático da equipe. 00:29:29 - Desempenho das seleçõesComparação do desempenho das seleções de futebol, destacando a sincronização da equipe e a atuação da Espanha. 00:32:15 - Falta de dinamismo e movimentaçãoAnálise sobre a falta de movimentação e dinamismo da equipe portuguesa durante as partidas. 00:35:31 - Expectativas para o próximo jogoDiscussão sobre as expectativas e desafios para o próximo jogo da seleção portuguesa. 00:38:33 - Análise crítica do discurso do treinadorCrítica ao discurso do treinador e sua abordagem após os jogos, questionando a comunicação e as expectativas transmitidas. O jogo com a Eslovénia (00:40:33)Discussão sobre a atuação e desempenho do jogo entre Portuga

Jul 3, 202459 min

O futebol é bom para o marketing? Daniel Sá

Hoje é dia de falar do futebol enquanto máquina de marketing. Já repararam em toda a publicidade espalhada pelos estádios do Europeu de Futebol? E aquelas paredes de fundo carregadas de logótipos dos patrocinadores que aparecem atrás dos jogadores quando falam os jornalistas? Pois é: são os sinais da gigantesca máquina de mostrar anúncios a todos nós. Principalmente aos mais fervorosos dos adeptos. Portugal já recebeu 13 milhões de euros como compensação pela sua participação no europeu. Portugal, a federação portuguesa de futebol, bem entendo. Cada vitória vale 1 milhão. E o vencedor do europeu recebe um total acumulado de mais de 28 milhões de euros. E de onde vem este todo dinheiro? Principalmente da publicidade, do investimento das marcas e dos direitos de transmissão televisiva, radiofónica e imagens afins. Claramente o ‘marketing’ gosta do futebol e o futebol gosta do ‘marketing’. Olhemos por momentos para Cristiano Ronaldo. Ele tem quase mil milhões de fãs nas suas redes sociais. E mais do que um jogador Ronaldo é uma celebridade mundial. Portanto, todas as marcas associadas ao jogador recolhem o benefício da gigantesca notoriedade que Ronaldo tem. Basta ver a loucura nos estádios. Com miúdos e graúdos a invadir o campo, durante os jogos, em busca de tirar uma foto com o herói. Voltemos ao ‘marketing’. Quis ouvir Daniel Sá, o diretor do Instituto Português de Marketing, o IPAM. Para saber o que explica esta mútua paixão entre o ‘marketing’ e o desporto de alta competição. O futebol, sempre o futebol. Seja o ópio do povo ou uma boa desculpa para uma festa. Foi assim em 2016 com a vitória de Éder e mais 10. Ou na embriaguez coletiva de 2004 quando os gregos decidiram reinar em Lisboa. Talvez essa emoção das massas explique a paixão do ‘marketing’ pelo futebol. Conhecem melhor argumento para ajudar a comprar um produto ou serviço que a emoção? Sim, somos todos muito racionais. Mas como nos ensinou Damásio a emoção reina. Chuta Ronaldo!

Jun 26, 202444 min

Ep 175Como fotografar a emoção do futebol? – Miguel A Lopes

Começou o Europeu de Futebol. O Euro 2024, jogado na Alemanha. Uma boa oportunidade para seguir o percurso dos repórteres que seguem a competição. Neste edição há grande fotografias. Sim vamos saber tudo sobre o dia-a-dia de um fotojornalista num grande evento desportivo europeu. TÓPICOS & TEMAS Abertura - 00:00:00 O momento chave - 00:00:12 O apresentador introduz o contexto do episódio, destacando a importância das fotografias no futebol. Experiências no Euro 2016 - 00:01:39 Miguel A. Lopes fala sobre sua experiência cobrindo o Euro 2016, incluindo a fotografia do golo de Éder. Identidade e superstição - 00:03:06 Miguel A. Lopes explica a escolha de seu nome profissional e compartilha uma curiosidade sobre ser confundido com outro fotógrafo. Preparativos e deslocamentos - 00:04:16 Miguel A. Lopes descreve os preparativos e deslocamentos necessários para cobrir os jogos do Euro 2024. Motivação para cobrir o Euro - 00:05:32 Miguel A. Lopes explica por que escolheu cobrir o Euro 2024 e compartilha sua paixão pelo evento. Fotografando o golo de Éder - 00:06:41 Miguel A. Lopes descreve o momento em que fotografou o golo de Éder na final do Euro 2016. Contando a história do jogo - 00:10:01 Miguel A. Lopes discute a importância de contar a história do jogo através das fotografias. Celebração após a final - 00:12:32 Miguel A. Lopes compartilha suas emoções e experiências após a vitória de Portugal na final do Euro 2016. Fotografando a chegada da seleção - 00:14:32 Miguel A. Lopes descreve a energia e carga emocional ao fotografar a chegada da seleção portuguesa para o Euro 2024. O fenômeno Ronaldo (00:14:41) A popularidade de Cristiano Ronaldo entre os imigrantes e o impacto nos jogos do Euro 2024. A imagem de Cristiano Ronaldo (00:16:59) A representação de Cristiano Ronaldo como herói e a sua relação com a fotografia. O trabalho do fotojornalista (00:18:12) Os desafios e limitações do trabalho de um fotojornalista durante os jogos e treinos do Euro 2024. A busca pela foto perfeita (00:23:55) A importância de capturar momentos que contem a história do jogo e a preparação do fotojornalista para identificar os jogadores. Preparação para fotografar (00:27:43) Discussão sobre a escolha de posição no estádio e estratégias para capturar as melhores imagens. Posicionamento estratégico (00:28:24) Análise das vantagens e desvantagens de ficar em diferentes áreas do estádio para capturar os momentos importantes. Planejamento do jogo (00:29:20) Decisões sobre o local ideal para fotografar e como evitar a duplicação de trabalho. Fotografia remota (00:30:36) Explicação sobre o funcionamento das câmeras remotas e como são controladas durante o jogo. Antecipação e preparação (00:31:47) Discussão sobre a importância da antecipação e sorte na captura de momentos únicos durante o jogo. Fotografando os jogadores (00:35:05) Identificação dos jogadores mais interessantes de fotografar e suas características durante o jogo. Expectativas para o Euro 2024 (00:36:14) Reflexões sobre a preparação e expectativas para a competição com base na experiência passada. Interagindo com os treinadores (00:38:30) Comparação entre os treinadores e a interação fotográfica com eles durante a competição. União da equipe (00:39:23) Observações sobre a coesão e espírito de equipe dos jogadores durante a competição. Técnica fotográfica (00:40:11) Explicação sobre como focar e capturar imagens em meio a uma aglomeração de jogadores durante o jogo. Fotografar jogos de futebol (00:41:07) Miguel A. Lopes fala sobre a técnica de fotografar jogos de futebol, destacando a importância de capturar os momentos mais emocionantes. Desafios técnicos da fotografia esportiva (00:42:15) Discussão sobre os desafios técnicos de fotografar jogos à noite e durante o dia, com metade do campo na sombra. Técnicas de foco e composição (00:43:09) Miguel A. Lopes explica as técnicas de foco e composição que utiliza para capturar diferentes tipos de fotografias durante os jogos. Equilíbrio entre fato e emoção na fotografia esportiva (00:44:06) A importância de capturar emoção e ação nos jogos de futebol, equilibrando a narrativa visual com a notícia. Expectativas para o campeonato (00:45:00) Miguel A. Lopes compartilha suas expectativas para o restante do campeonato e sua esperança de capturar momentos marcantes. Variedade de experiências fotográficas (00:46:00) Miguel A. Lopes destaca a diversidade de experiências fotográficas que ele tem, incluindo eventos esportivos e políticos. Bastidores da vida de um fotojornalista (00:47:04) Discussão sobre os bastidores da vida de um fotojornalista, incluindo a logística e os desafios enfrentados durante os eventos esportivos. Desafios na obtenção de credenciais (00:48:00) Miguel A. Lopes compartilha experiências sobre os desafios na obtenção de credenciais para eventos esportivos, incluindo problemas enfrentados por colegas. Esperança para a final e a importância da fotografia (00:48:59) A esperança de ver Portugal ganhar e a importânci

Jun 18, 202449 min

Ep 174Como aprender a voar? José Correia Guedes

Hoje vamos voar. Sim, seguimos no habitáculo de um avião, especialmente atentos a todas as trocas de palavras que por lá são ditas. Entre pilotos, entre o avião e a torre de controlo ou entre o comandante, todos nós que seguimos sentados no papel de passageiros. Senhores passageiros, apertem os cintos, vamos descolar. TÓPICOS & TEMPOS 00:00:00 Introdução - Introdução à carreira do Comandante Guedes na aviação civil. 00:03:20 (Primeira experiência de voar sozinho) - As emoções contraditórias ao voar sozinho pela primeira vez. 00:05:36 (Primeira grande emergência) - O incidente de emergência após a descolagem e a falta de experiência para lidar com a situação. 00:07:41 (Lidar com o medo durante uma crise) - A ausência de medo durante a crise e o impacto emocional após o evento. 00:10:46 (Reflexão sobre a responsabilidade) - O peso da responsabilidade de ter vidas sob sua responsabilidade e o alívio ao deixar de voar. 00:11:24 (Início do sequestro) - O relato do início do sequestro durante um voo de Lisboa para Faro. 00:13:27 (Estratégias durante o sequestro) - A importância de obedecer durante um sequestro e as estratégias adotadas para lidar com a situação. 00:15:44 (Síndrome de Estocolmo) - A relação estabelecida entre assaltante e assaltado durante o sequestro. 00:16:11 (Escolha de confiança e comunicação) - O Comandante Guedes fala sobre a escolha do sequestrador para se comunicar e a estratégia de negociação. 00:16:53 (Negociação e intervenção policial) - Discussão sobre as negociações com o sequestrador e a intervenção das forças de segurança espanholas. 00:19:06 (Resposta do governo português) - O papel do governo português na negociação e a recusa do pedido de resgate. 00:20:10 (Concessões e negociações) - A estratégia de fazer concessões e o papel dos pilotos em situações de sequestro. 00:21:07 (Empatia e negociação) - A importância da empatia e negociação para resolver a situação de sequestro. 00:22:16 (Negociações finais e resolução) - As negociações finais e a proposta para resolver o problema do sequestro. 00:24:09 (Desfecho e consequências) - As negociações finais, desfecho do sequestro e as consequências para o sequestrador. 00:28:43 (Conclusão e reflexão) - O que o Comandante Guedes aprendeu com o episódio do sequestro e o percurso do sequestrador após a libertação. 00:29:13 (O percurso do Comandante Guedes) - Comentários sobre a trajetória profissional e pessoal do Comandante Guedes, incluindo um episódio específico de superação. 00:30:16 (Confiança nos pilotos) - Discussão sobre a confiança dos passageiros nos pilotos, especialmente em relação à presença de mulheres no cockpit. 00:30:46 (Mulheres na aviação) - Reflexões sobre a entrada de mulheres no cockpit, desafios e características positivas observadas. 00:35:22 (Tecnologia na aviação) - Exploração do papel da tecnologia na aviação, incluindo a confiança nos sistemas automáticos. 00:36:22 (Conflito entre humano e máquina) - Discussão sobre a potencial tensão entre a experiência do piloto e a confiança na tecnologia. 00:40:10 (Confiança na tecnologia) - Reflexões sobre a confiança dos mais jovens na tecnologia e a sua disposição para voar em aeronaves sem pilotos humanos. 00:41:34 (Erro humano e responsabilidade) - Análise de um incidente específico em que houve um equívoco na comunicação entre pilotos e as consequências disso. 00:42:26 (Problemas Mecânicos na Aviação) - Discussão sobre problemas técnicos em aeronaves e a importância do controle e manutenção. 00:44:37 (Concorrência na Indústria Aeronáutica) - Comparação entre as empresas Boeing e Airbus e suas inovações tecnológicas na aviação comercial. 00:47:04 (Problemas na Boeing) - Análise dos problemas enfrentados pela Boeing, incluindo questões de segurança e concorrência. 00:49:58 (Desafios de Treinamento Militar) - Dificuldades no treinamento de pilotos militares e a adaptação a novas tecnologias e idiomas. 00:51:55 (Impacto da Tecnologia Militar na Vida Civil) - Reflexão sobre como os avanços na tecnologia militar beneficiam a vida civil, incluindo a aviação comercial. 00:52:30 (Aprendizado com Guerras) - Discussão sobre como as guerras impulsionam o desenvolvimento tecnológico e a aprendizagem em diversas áreas, incluindo a aviação. 00:53:53 (Segurança na Aviação Comercial) - Abordagem da segurança na aviação comercial e estratégias para tranquilizar passageiros com medo de voar. 00:55:35 (Turbulência e correntes de jato) - Explicação sobre turbulência de ar limpo e correntes de jato. 00:57:19 (Importância do cinto de segurança) - Discussão sobre a importância do uso do cinto de segurança em aviões. 00:58:33 (Procedimentos em emergências) - Explicação sobre os procedimentos de emergência na aviação comercial. 00:59:50 (Comunicação e feedback) - Ênfase na importância da comunicação clara e do feedback entre os pilotos. 01:00:29 (Pilotagem manual e segurança na aviação) - Reflexão sobre a pilotagem manual e a evolução da segurança na aviação. 01:02:16 (Conclusão e agradecimen

Jun 10, 20241h 3m

Ep 173A palavra ódio mata? Carlos Alberto Poiares

A linguagem tem um efeito sobre as pessoas. E as palavras, mesmo que pareçam inócuas, entram na nossa cabeça e produzem uma influência. Afinal, pensamos através das palavras. Os rótulos que metemos na realidade. Palavras, imagens, gestos. Tudo é comunicação. Quando as palavras e as ações se conjugam para o mal, assistimos a crimes que dificilmente conseguimos perceber. É nesse momento em que a justiça e a psicologia se juntam. Para julgar e para entender as circunstâncias particulares desse crime. Os crimes com motivações de ódio estão nesta grande caixa do horror humano. Portugal pode estar a deixar de ser a exceção e a tornar-se mais um a ter de lidar com os fenómenos mais básicos da falta de respeito pela vida humana. Esta edição é uma busca incessante à pergunta: porquê? TÓPICOS & TEMPOS 00:00:00 Início 00:00:12 O efeito da linguagem na disseminação do ódioDiscussão sobre como as palavras e ações podem contribuir para crimes de ódio e a responsabilidade social associada. 00:01:30 Crimes de ódio em PortugalAnálise dos recentes casos de crimes de ódio em Portugal, incluindo propaganda nazista e violência contra pessoas vulneráveis e imigrantes. 00:02:38 Motivações por trás dos crimesExploração das possíveis motivações por trás dos crimes de ódio, incluindo a influência da ideologia totalitária nazista. 00:06:43 Aspectos políticos associados à violênciaDiscussão sobre a associação da violência com ideologias políticas e a responsabilidade política e social em lidar com esses crimes. 00:11:34 Comunicação, política e justiçaAnálise da interligação entre política, justiça e comunicação, e a influência da comunicação na disseminação de propaganda e ódio. 00:13:22 Desafios na comunicação da justiçaReflexão sobre os desafios da comunicação na área da justiça, incluindo a importância da precisão e autenticidade das informações. 00:15:26 Avaliação psicológica em casos de crimeDiscussão sobre a necessidade de avaliação psicológica em casos criminais para compreender a personalidade e motivações dos envolvidos. 00:16:02 O papel da avaliação psicológicaDiscussão sobre a importância da avaliação psicológica em casos criminais e a necessidade de psicólogos especializados. 00:19:04 A importância da individualização das penasExploração do papel da personalidade do arguido na fixação da pena e a necessidade de individualização das penas. 00:21:15 A análise do comportamento criminosoReflexão sobre a importância de compreender as razões e interações por trás de um crime e a necessidade de perguntas fundamentais. 00:24:10 A neutralidade da psicologia forenseDiscussão sobre a neutralidade da psicologia forense e seu papel em compreender os comportamentos criminosos. 00:26:25 A importância do diálogo entre psicologia e direitoExploração da necessidade de diálogo entre psicologia e direito, e a importância da comunicação acessível a todos os envolvidos. 00:30:08 Facilitando o diálogo entre psicologia e direitoDiscussão sobre a necessidade de guias para psicólogos e juristas e a importância do diálogo entre as duas áreas. 00:31:20 O papel do psicólogo no sistema judicialDiscussão sobre a importância do papel do psicólogo como perito em processos judiciais. 00:32:30 A interseção entre direito e psicologiaExploração da importância da interseção entre direito e psicologia na compreensão de casos criminais. 00:33:32 A evolução da abordagem à doença mental na justiçaAnálise da evolução da abordagem à doença mental na justiça ao longo do tempo. 00:37:10 A responsabilidade em casos de inimputabilidadeDiscussão sobre a responsabilidade de indivíduos com doenças mentais em casos criminais. 00:44:03 O impacto do discurso securitário na sociedadeAbordagem sobre o impacto do discurso securitário na sociedade e na mediatização do crime. 00:47:29 Manipulação da percepção da criminalidadeDiscussão sobre a manipulação e distorção da percepção da criminalidade na sociedade. 00:47:49 Discurso político e segurançaDiscussão sobre a manipulação política através do discurso populista e propaganda. 00:49:55 Aumento da criminalidade e leitura dos dadosAnálise da interpretação errada dos dados de criminalidade durante a pandemia. 00:50:58 Casos sem solução na justiçaReflexão sobre casos sem solução e a produção de conhecimento para futuras gerações. 00:53:40 Verdade judicial e históricaAnálise da diferença entre a verdade judicial e a verdade histórica em casos judiciais. As notícias ainda me ecoam na cabeça. A primeira informa que um jovem menor, do Porto, terá sido, alegadamente, o mandante de um crime no outro lado do atlântico, no Brasil. Uma rapariga de 17 anos morreu, em S Paulo. Há ainda mais 5 casos em investigação, na forma tentada. O traço comum destes casos é que foi usada uma rede social para espalhar propaganda nazi com forte componente de ódio. Com um apelo ao recurso a massacres violentos tal como são vistos a miúde nos Estados Unidos. Nos últioms dias aconteceram mais dois casos de violência em Portugal contra pessoas vulneráveis e m

May 15, 202456 min

Ep 172Como aprendemos? Paula Marques

As perguntas e as respostas fazem parte da nossa vida. E são o motor fundamental para aprendermos coisas novas. Esta edição é sobre os talentos que precisamos de ter para enfrentar o mundo onde nenhuma resposta explica tudo e todas as perguntas valem muito mais que essas respostas. Afinal como aprendemos coisas novas? A nossa maneira de aprender é um dos tópicos que mais investigação tem merecido nos últimos anos. E com o advento do mundo volátil e sem certezas absolutas a única coisa certa é que precisamos de aprender sempre. Todos os dias. De forma contínua. Mas não foi sempre assim? Provavelmente sim. Mas agora o tema parece ter-se tornado um mantra das organizações e grupos mais inovadores. TÓPICOS & TEMPOS (00:00:00) - (00:03:42) - Introdução e Importância da Aprendizagem Contínua Jorge Correia apresenta o ‘podcast’, focando na relevância do aprendizado contínuo num mundo incerto. Paula Marques é introduzida como especialista em novas formas de trabalho. (00:03:42) - (00:07:24) - O Futuro do Trabalho e a Liderança Discussão sobre o futuro do trabalho, enfatizando a necessidade de líderes que valorizam perguntas em vez de respostas rápidas. (00:07:24) - (00:11:06) - Transformações no Trabalho Análise das mudanças no ambiente de trabalho e como as organizações estão se adaptando para enfrentar novos desafios num contexto global volátil. (00:11:06) - (00:14:48) - Identidade e Trabalho Reflexão sobre a ligação entre trabalho e identidade pessoal, e o impacto da reforma nessa relação. (00:14:48) - (00:18:30) - Tecnologia e Desemprego Exploração do impacto da automação e tecnologia nos empregos e a necessidade de requalificação dos trabalhadores. (00:18:30) - (00:22:12) - Educação e Preparação para o Futuro Discussão sobre como o sistema educativo pode preparar melhor os jovens para um mercado de trabalho em transformação. (00:22:12) - (00:25:54) - Desafios para a Juventude Análise dos desafios que os jovens enfrentam ao escolher carreiras e como alinhar as suas paixões com as oportunidades de mercado. (00:25:54) - (00:29:36) - O Papel das Perguntas no Desenvolvimento Profissional Debate sobre a importância de fazer perguntas certas para o desenvolvimento profissional e pessoal num contexto de rápidas mudanças. (00:29:36) - (00:33:18) - Impacto da Cultura Organizacional na Inovação Análise de como a cultura organizacional afeta a inovação das empresas e a importância de cultivar uma cultura que valorize a curiosidade e aprendizagem contínua. (00:33:18) - (00:37:00) - Conclusão e Reflexões Finais Quis aprofundar o tema com Paula Marques uma investigadora da Nova SBE com a missão de investigar as formas de trabalho do futuro. E de treinar os melhores líderes a fazer mais perguntas do que a dar respostas na ponta da língua. Mas acima de tudo este episódio é uma navegação sem bússola nem mapa ao futuro do mundo. Talvez a única fórmula com uma promessa de resposta é o uso intensivo das perguntas. E eu a pensar aqui para os meu botões: “tu queres ver que eu afinal ainda tenho futuro com o perguntador?” Venham daí. Oiçam, subscrevam, comentem. Façam perguntas. Todas as perguntas do mundo. Se houvesse uma partícula de deus da curiosidade infinita teríamos todo um mudo melhor. Nessa partícula das perguntas, do que querer saber, estaria a nossa forma eterna de aprender. No meu imaginário a partícula dos perguntadores criaria aquela centelha de brilho no olhar das crianças quando descobrem uma coisa nova. E tu, ai desse lado, no conforto da escuta, já perguntaste algo, hoje, que exija uma nova e criativa resposta? Então vai. Vai perguntar. É mágico e funciona. Até para quem tem todas as respostas. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA 00:00:13:14 - 00:00:37:18 Jorge Correia Bem vindos ao Perguntas Simples a vosso podcasts sobre comunicação. As perguntas e as respostas fazem parte da nossa vida e são o motor fundamental para aprendermos coisas novas. Esta edição é sobre os talentos que precisamos para ter de enfrentar todo um mundo onde nenhuma resposta explica tudo e todas as perguntas valem muito mais do que essas respostas. Vamos ao episódio. 00:00:37:20 - 00:00:48:21 Jorge Correia Vamos a isso. 00:00:48:23 - 00:01:16:07 Jorge Correia Afinal, como aprendemos coisas novas? A nossa maneira de aprender é um dos tópicos que mais investigação tem merecido nos últimos anos. E com o advento do mundo volátil e sem certezas absolutas, a única coisa certa é que precisamos de aprender sempre, todos os dias e de forma contínua. Mas não foi sempre assim? Provavelmente sim. Mas agora o mantra parece ter se tornado moda das organizações e dos grupos mais inovadores. 00:01:16:09 - 00:01:39:12 Jorge Correia Quis aprofundar o tema com Paula Marques. Ela é uma investigadora da nova SB com a missão de investigar novas formas de trabalho lá no futuro, no futuro que pode ser amanhã de manhã e de treinar os melhores líderes a fazer mais perguntas do que dar respostas na ponta da língua. Difícil, não é? Mas, acima de tudo

May 8, 202454 min

Ep 124O que perguntar ao médico? António Vaz Carneiro

Senhor doutor, o que tenho eu? Senhor doutor, o que me vai acontecer? Em linguagem médica pedimos sempre um diagnóstico. O resumo da nossa condição. E principalmente um prognóstico: com o que posso contar para o futuro. Implicitamente as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança. As duas perguntas resumem-se ao apelo: Senhor doutor "safe-me" lá desta maleita. Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos. TÓPICOS DE CONVERSA Início (00:00:00) A importância dos grandes números na saúde (00:00:12) Discussão sobre a relevância dos dados recolhidos pelo sistema de saúde e as perguntas a serem feitas. Comunicação médico-paciente (00:01:25) Exploração da importância da comunicação na relação médico-doente e das perguntas frequentes feitas pelos doentes. Motivação para ser médico (00:03:57) António Vaz Carneiro a compartilha a sua motivação para seguir a carreira médica. Evolução da carreira médica (00:04:18) António Vaz Carneiro fala sobre a evolução das suas especialidades médicas ao longo da carreira. Comunicação eficaz na prática clínica (00:06:50) Discussão sobre a importância da linguagem adaptada na comunicação médico-doente. Prognóstico e envolvimento do doente (00:08:37) Exploração do envolvimento do doente no tratamento e a importância do prognóstico positivo. Casos raros e avanços médicos (00:11:47) Relato de casos raros de recuperação de cancros avançados. Relação entre doenças cardiovasculares e oncológicas (00:13:01) Análise da relação entre a diminuição de doenças cardiovasculares e o aumento das doenças oncológicas. Importância dos grandes números de dados na área da saúde (00:14:26) Discussão sobre a disponibilização e interpretação dos dados clínicos para melhorar a prática médica. Benefícios dos dados para os doentes (00:14:48) Exploração dos impactos positivos dos dados na melhoria do tratamento e cuidado dos doentes. Utilização de dados clínicos na prática médica (00:15:10) Análise da disponibilidade e utilização de dados clínicos na prática médica diária. Monitorização da qualidade dos dados clínicos (00:16:23) Explicação da importância da monitorização da qualidade dos dados clínicos e o seu impacto na prática médica. Formação e educação baseadas em dados (00:17:35) Discussão sobre como os dados clínicos podem contribuir para a formação e educação médica. Segurança dos dados clínicos (00:18:24) Exploração da segurança e proteção dos dados clínicos dos doentes. Utilização de dados para a investigação científica (00:19:10) Análise do uso dos dados clínicos na pesquisa científica e na identificação de padrões de tratamento. Medicina de precisão e personalização do tratamento (00:18:05) Discussão sobre a importância dos dados na personalização e precisão do tratamento médico. Impacto da informação na prática clínica (00:24:13) Reflexão sobre como a informação influencia a prática clínica e o comportamento dos médicos. Organização e utilização prática da informação (00:25:03) Exploração da importância da organização e utilização imediata da informação clínica na prática médica. Inteligência Artificial e Medicina (00:26:32) Discussão sobre o papel da inteligência artificial na análise de grandes quantidades de dados biomédicos. Erro Médico e Reflexão (00:29:12) Reflexão sobre erros médicos e a necessidade de corrigi-los, com o impacto emocional envolvido. Informação e Desinformação na Saúde (00:31:09) Abordagem sobre a propagação de fake news na saúde e os perigos associados à desinformação. Impacto da Pandemia na Saúde (00:34:02) Análise do impacto da pandemia na saúde, incluindo o abandono de tratamentos e a gestão dos sistemas de saúde. Consequências Geracionais da Pandemia (00:38:24) Discussão sobre o impacto da pandemia na educação e desenvolvimento das crianças, com reflexão sobre as consequências a longo prazo. O medo na tomada de decisão (00:39:37) Discussão sobre a reação de medo e a dificuldade na tomada de decisões durante a pandemia. Desafios na tomada de decisões políticas na saúde (00:40:11) Abordagem sobre a complexidade e desafios na tomada de decisões políticas na área da saúde. Prioridades e gestão dos serviços de saúde (00:41:29) Discussão sobre a priorização e gestão dos serviços de saúde, incluindo a perceção das urgências hospitalares. Falsa urgência nos serviços de saúde (00:43:24) Reflexão sobre a perceção da urgência nos serviços de saúde e a necessidade de uma abordagem mais racional. Impacto ambiental do sistema de saúde (00:47:20) Análise do impacto ambiental do sistema de saúde e a necessidade de repensar práticas para reduzir a pegada ecológica. Reflexão sobre a evolução da medicina (00:51:45) Visão sobre a transformação do papel do médico e a gestão avançada da informação na medicina do futuro. A evolução das profissões de saúde (00:52:20) Discussão sobre a mudança no papel dos profissionais de saúde e a gestão de informação integrada. O futuro da medicina (00:52:38) Reflexão sobre o i

Apr 24, 202453 min

Ep 170O cliente tem sempre razão? Gisele Paula

Hoje falamos sobre a relação entre as empresas e os seus clientes. A maneira como dialoga. Se é que dialogam. Olhando para um mercado, as empresas criam e vendem produtos. E os consumidores compram e usam. Mas esta relação é bastante mais complexa que a mera transação. É uma relação emocional que vive de expectativas, de felicidades ou de amuos. Salvará a comunicação esta relação? O cliente tem sempre razão? Ou o dito é apenas uma boa desculpa retórica para reparar algo que correu mal? A relação com os clientes é um tópico capaz de encher muitos livros de conselhos e saberes. Mas nem sempre a teoria e a prática se juntam. Por exemplo, na forma como as organizações escutam ou descuram uma reclamação de um cliente. Há canais para ouvir o cliente ou apenas um enfadonho endereço de correio eletrónico ou um asséptico formulário com promessa de resposta sem prazo nem compromisso? Agora nesta relação empresa-cliente apareceram também os robôs automáticos com capacidade de responder às nossas perguntas. E esse diálogo acaba muitas vezes na ligação a uma página de perguntas e respostas que por coincidência ou o meu azar pessoal, tem raramente a resposta que queria ter à minha pergunta. E isso gera frustração. Por má comunicação. Por ausência de comunicação. Por lentidão no processo. Em busca de boas respostas, mais felicidade, decidi gravar uma conversa com Gisele Paula que lidera o Instituto Cliente Feliz e o sítio web Reclame Aqui. Portanto, cobre todas as possibilidades: a de tentar deixar o cliente feliz e de acolher a sua reclamação. Ela defende que só ouvindo os clientes em permanência, de preferência até com conselhos de clientes dentro da organização, é que se pode evoluir. E que em cada reclamação há uma boa oportunidade de melhorar. De tornar o cliente feliz. O tempo conta. E as expectativas também. Saber que as organizações nos ouvem e oferecem-nos mais do que produtos é um bom sentimento. Que consideram o que dizemos, que reparam o que correu mal imediatamente e que mudam o rumo aceitando sugestões. Só me sobra uma pergunta: se é assim tão óbvio porque raio de razão só as melhores empresa e organizações seguem a receita? Temos de falar sobre isto. TÓPICOS DE CONVERSA A importância da satisfação do cliente (00:00:00) Giselle Paula destaca a relevância da satisfação do cliente para o crescimento e prosperidade dos negócios. Trabalhando em três pilares (00:01:41) Giselle explica a necessidade das empresas trabalharem em três pilares: pessoas, processos e estrutura, para proporcionar uma experiência positiva ao cliente. Ouvindo atentamente os clientes (00:04:04) Giselle fala sobre a importância de ouvir atentamente os clientes, inclusive quando estão insatisfeitos, e de encarar as reclamações como oportunidades de melhoria. Criando um conselho do cliente (00:07:36) Giselle explica a criação de um conselho do cliente para trazer a perspectiva do cliente para o dia a dia da empresa. A reclamação como oportunidade de melhoria (00:13:12) Giselle ressalta que a reclamação é uma oportunidade para a empresa melhorar e uma forma de obter feedback valioso dos clientes. Importância de ouvir reclamações (00:16:14) Giselle destaca a importância de ouvir reclamações, mesmo que representem uma pequena parte dos clientes. Desafios do uso de chatbots (00:18:20) Discussão sobre o uso equivocado de chatbots e a importância de compreender quando os clientes desejam interagir com humanos. Relação emocional com o cliente (00:20:09) Giselle enfatiza a natureza emocional da relação com o cliente, mesmo em interações digitais. Impacto do mau atendimento (00:21:36) Destaque para o impacto negativo do mau atendimento, levando à perda de clientes e lucratividade. Interseção entre tecnologia e interação humana (00:23:17) Discussão sobre a importância de equilibrar a automação com a interação humana para atender às necessidades dos clientes. Cultura de atendimento ao cliente (00:27:11) Ênfase na importância da cultura organizacional e do papel da alta liderança na transformação da relação com o cliente. Convencendo os CEOs (00:28:02) Abordagem sobre a necessidade de falar a linguagem dos CEOs ao discutir a importância da experiência do cliente. Feedback e satisfação do cliente (00:29:45) Giselle compartilha sua abordagem como consumidora, enfatizando a importância do feedback e da busca por melhorias. Valorização do baixo esforço do cliente (00:31:18) Discussão sobre a valorização do tempo e da agilidade no atendimento ao cliente. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Esta transcrição foi gerada automaticamente. Por isso, ela pode não estar totalmente precisa. 0:12 Ora vivão, bem -vindos ao Pregunta Simples, o vosso podcast sobre comunicação. Hoje falamos sobre a relação entre as empresas e os seus clientes, a maneira como dialogam. Se é que dialogam? Como é que dialogam? Olhando para, o mercado as empresas criam e vendem produtos e os consumidores compram e usam. Mas, 0:32 esta relação é bastante mais complexa do que uma mera transação. É uma

Apr 17, 202435 min

Ep 169Como fotografar o momento certo? João Porfírio

Tirar uma fotografia para documentar um momento importante da vida é uma experiência que todos temos. Antigamente apenas fazíamos fotografias de momentos mesmo muito importantes. Como um casamento ou baptizado, como o baile debutante ou o militar fardado em idade de ir à tropa. Era momentos raros. Tinham rituais próprios, que incluíam ir ao fotógrafo ou retratista profissional, vestir as melhores roupas e fazer os melhores penteados. Era o tempo das fotografias analógicas. De chapa ou de rolo de película. Tinham de ser reveladas antes de as vermos. Hoje vivemos o tempo click digital. Rápido, preciso, visto logo que feita a foto. Pronta para enviar, por mensagem ou rede social. Mas há algo que não mudou. Mudaram os equipamentos e as tecnologias, mas a filosofia do fotojornalismo e a sua essência não mudou. É estar no sítio certo, à hora certa, e fotografar, como testemunha, um acontecimento relevante para as nossas vidas. Este programa é sobre essa arte do retrato da actualidade. Da política à guerra, da intimidade da imagem pessoal aos grandes movimentos que nos interpelam. TÓPICOS DE CONVERSA Início (00:00:00) Eleição do Presidente da Assembleia da República (00:04:38) João Porfírio fala sobre a eleição do presidente da Assembleia da República e a cobertura fotográfica do evento. Relação com Aguiar-Branco (00:06:42) João Porfírio discute sua interação com Aguiar-Branco e a abordagem fotográfica durante a eleição. Expressões e Emoções (00:08:51) João Porfírio fala sobre a busca por expressões faciais e corporais durante eventos políticos e eleições. Técnica Fotográfica (00:11:31) João Porfírio explica sua abordagem à escolha de ângulos e posicionamento para capturar as melhores imagens durante eventos políticos. Narrativa Fotográfica (00:13:53) João Porfírio discute a importância de capturar a perspectiva fidedigna das emoções dos políticos durante eventos políticos. A sorte do fotógrafo (00:13:56) João Porfírio fala sobre um momento inesperado durante a cobertura de um evento político. A presença de seguranças (00:16:35) Discussão sobre a presença de seguranças em eventos políticos e a influência na fotografia. A imagem pública de Pedro Nuno Santos (00:18:17) João Porfírio comenta sobre a imagem pública e a personalidade do político Pedro Nuno Santos. A imagem do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (00:19:36) Análise da relação do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa com o público e a fotografia. Neutralidade do fotógrafo (00:21:49) Discussão sobre a neutralidade emocional do fotógrafo em diferentes contextos de cobertura. Fotografando a emoção (00:23:42) João Porfírio fala sobre a abordagem para capturar emoções em suas fotografias. A guerra da Ucrânia (00:24:48) João Porfírio compartilha a sua experiência inesperada durante a cobertura da guerra na Ucrânia. Preparação para a Ucrânia (00:25:13) João Porfírio fala sobre a decisão de ir para a Ucrânia antes da invasão e a urgência em chegar lá. Entrando na Ucrânia (00:25:50) João Porfírio descreve a sua chegada à Ucrânia e a importância jornalística de entrar no país naquele dia. Contratação de um Fixer (00:27:53) João Porfírio explica o processo de recrutamento de um fixer e os custos envolvidos na cobertura de guerra. Vantagens de ser Português na Ucrânia (00:31:43) João Porfírio destaca as vantagens de ser português na Ucrânia e a empatia das pessoas em relação a Portugal. Impacto da Guerra em Kiev (00:34:22) João Porfírio descreve a sensação de guerra em Kiev e as restrições impostas durante o recolher obrigatório. Medo em Kiev (00:36:25) João Porfírio fala sobre o seu medo em Kiev e a sensação de segurança em comparação com outras regiões. Edição e Omissão (00:38:51) Discussão sobre a seleção e edição de fotos em zonas de conflito, equilibrando informação e dignidade humana. Crise de Refugiados (00:43:16) Comparação entre a crise de refugiados na Europa e a situação dos refugiados em zonas de guerra. Realidade nos EUA (00:46:42) A percepção da realidade nos EUA e a tensão racial e política na América profunda. Violência Policial (00:48:25) Descrição de um evento de violência policial nos EUA, resultando em tensões e confrontos. Acesso a candidatos políticos (00:49:21) Discussão sobre o acesso e a distância física ao fotografar candidatos políticos em comparação com Joe Biden. Segurança de candidatos (00:49:32) Comparação da segurança de Joe Biden e Donald Trump, incluindo o acesso a aeronaves e carros blindados. Definição de uma grande fotografia (00:50:42) João Porfírio discute o que para ele constitui uma grande fotografia e a sua abordagem jornalística à fotografia. João Porfírio é fotojornalista. Um dos mais premiados jovens fotojornalistas portugueses. Diz sentir-se mais jornalista que fotografo. Mas é recorrendo a uma câmara fotográfica que documenta o nosso mundo. Esta conversa é sobre fotografias de momentos que mudam o nosso mundo. O pretexto inicial foi o trabalho que fez recentemente na cobertura da última campanha eleitoral. A maneira como fot

Apr 3, 202452 min

Ep 168Como sonhar uma marca? Carlos Coelho

Fazer uma marca é mergulhar fundo na organização que a carrega. É por isso tudo menos cosmética. Sim, a cosmética moderna, o ‘marketing’, aparece para embelezar a marca. Mas o importante é o que está dentro. No fundo, a marca é a expressão comunicativa da identidade. Carlos Coelho tem um curioso método para decantar e libertar as marcas. Ele vai, nalguns casos, literalmente, viver e dormir nas organizações ou entidades que o contratam. Vai beber o ar que se respira. Cheirar o ambiente. Ouvir o ruminar das conversas. Falar, ouvir, comer, beber, estar, fazer parte, entender, ver e devolver uma fotografia. É com esse retrato que se funda marca. E que cores tem essa fotografia: algumas óbvias e evidentes: que cultura tem aquela organização, empresa ou região. Que missão reclama para si. E como planeia realizar essa missão no mundo. TÓPICOS DE CONVERSA (00:00:00) Início (00:00:12) A importância das marcas Discussão sobre a importância das marcas na identidade e filosofia de pessoas e entidades. (00:01:24) O método de imersão de Carlos Coelho Descrição do método de imersão de Carlos Coelho nas organizações para compreender a sua cultura e identidade. (00:02:40) Construção de marcas como edifícios e árvores Comparação da construção de marcas com edifícios e árvores, destacando a importância de pilares, raízes, imaginação e ambição. (00:03:57) A criação e desenvolvimento de marcas Exploração da metáfora de edifícios e árvores para explicar o processo de criação e desenvolvimento de marcas. (00:07:29) A intimidade com a marca Discussão sobre a importância de conhecer uma marca na intimidade, exemplificada com a experiência de dormir na livraria Lello. (00:09:19) Os cinco pilares da estrutura de uma marca Exploração dos pilares de patrimônio, ideologia, imagem, ambição e imaginação na estrutura de uma marca. (00:12:10) A importância da cultura na construção de marcas Discussão sobre a importância da cultura e identidade da organização na construção de marcas. (00:14:36) A falta de imaginação nas empresas Abordagem da falta de imaginação e ambição nas empresas na construção de marcas. (00:15:31) A importância da imaginação Discussão sobre a importância da imaginação e ambição na construção de marcas de sucesso. (00:16:21) Imersão nas organizações Exploração do método de imersão nas organizações para compreender a sua cultura e identidade. (00:17:37) Visão do futuro Reflexão sobre a importância de sonhar o futuro e a resistência em relação à imaginação. (00:19:50) Liderança na imaginação Discussão sobre a importância de ser líder na imaginação para inspirar e inovar. (00:24:20) Marcas políticas vs comerciais Comparação entre marcas políticas e comerciais e a importância da identidade e estrutura. (00:28:13) Cosmética de comunicação Reflexão sobre a ineficácia da cosmética tática na construção de marcas fortes. (00:28:56) Exemplo da TAP Abordagem sobre a resistência e resiliência da marca TAP ao longo dos anos. (00:29:32) A relação com a marca TAP Discussão sobre a relação de confiança e exigência com a marca TAP. (00:32:50) Marcas estrangeiras vs. marcas portuguesas Ênfase na preferência por marcas portuguesas e a importância de valorizar a marca Portugal. (00:33:36) Reputação da marca Portugal Análise da reputação e visibilidade da marca Portugal e a dificuldade em monetizar essa notoriedade. (00:35:47) Mentalidade em relação às marcas Discussão sobre a mentalidade em relação à valorização das marcas portuguesas e a necessidade de mudança. (00:37:14) Desenvolvimento de marcas em Portugal Reflexão sobre a capacidade de Portugal em desenvolver marcas sólidas e duradouras. (00:42:07) Desafios na construção de marcas coletivas Abordagem dos desafios e benefícios na criação de marcas coletivas em Portugal. (00:43:05) Importância da marca e liberdade do consumidor Discussão sobre a importância da marca na garantia de qualidade e liberdade do consumidor. (00:43:35) A importância da qualidade intrínseca Discussão sobre a importância do esforço, paixão e qualidade intrínseca na produção de produtos de alta qualidade. (00:44:09) A qualidade percebida e a comunicação das marcas Exploração da diferença entre qualidade intrínseca e qualidade percebida, e a importância da comunicação na valorização das marcas. (00:45:08) A estrutura da Coca-Cola e a relação com os consumidores Análise da estrutura da Coca-Cola e a importância da comunicação na relação com os consumidores para garantir a continuidade do consumo da marca. (00:46:24) A importância da comunicação na valorização das marcas Discussão sobre a importância da capacidade de comunicar na valorização dos produtos e marcas, e a relação entre a qualidade do produto e a comunicação. (00:47:59) Cuidado e responsabilidade na construção da marca pessoal Reflexão sobre a responsabilidade na construção da marca pessoal e a importância de cuidar da imagem e do conteúdo compartilhado. (00:50:13) Exploração e conhecimento do país para a construção de marcas Ênfase na importância de explo

Mar 20, 202455 min

Ep 167Como se relata o melhor golo do mundo? Nuno Matos

Minuto 109. Final do campeonato da Europa de 2016 Éder chuta e a bola entra na baliza francesa, tornando Portugal campeão. Em Paris. Nenhum destas linhas faz jus à emoção de ver em directo o momento. Nem há emoção carregada na voz dos jornalistas e narradores desportivos dessa noite, no estádio. É esse momento sublime da liturgia do relato de futebol que quero fotografar nesta edição. TÓPICOS DE CONVERSA O fascínio da bola e do futebol (00:00:12) Discussão sobre o fascínio da bola e do futebol na forma narrada, destacando a emoção do jogo. Preparação e experiência de Nuno Matos (00:01:35) Nuno Matos partilha a sua experiência e processo de preparação para relatos de futebol, salientando a importância da relação com as fontes, a parte emocional na narração e a evolução das tecnologias utilizadas. Preparação para uma competição (00:03:44) Nuno Matos fala sobre como se prepara para uma competição, incluindo o acompanhamento das equipas, treinos, lesões e a importância das fontes credíveis. Relato de futebol e relação com as fontes (00:06:13) Discussão sobre a relação de confiança com as fontes e a importância do timing na divulgação de informações sensíveis, como a convocatória de jogadores. Abordagem emocional no relato de futebol (00:08:30) Nuno Matos destaca a importância de ser informativo, descritivo e emocional no relato de futebol, transportando a paixão e a emoção do jogo para os ouvintes. Momento mágico na história do futebol português (00:10:08) Nuno Matos recorda o momento-chave da história do futebol português, a final do campeonato da Europa de 2016, destacando a emoção e a importância desse momento. Preparação Técnica (00:15:40) Discussão sobre a preparação técnica para relatos desportivos, incluindo problemas com a linha e soluções. Relatos em Condições Adversas (00:16:04) Narrador partilha experiências de relatos em condições adversas e a importância da confiança e profissionalismo. Ligação com os Ouvintes (00:18:11) Discussão sobre a importância da ligação com os ouvintes e a interação através das redes sociais. Emoção na Narração (00:19:58) Exploração da relação emocional do narrador com os clubes e a seleção, e a importância da imparcialidade no jornalismo desportivo. A Importância da Narração (00:21:09) Reflexão sobre a importância da narração desportiva e a responsabilidade de capturar momentos únicos. Impacto do Desporto na Imprensa (00:22:42) Análise do papel do desporto na imprensa e o impacto dos narradores desportivos na vida das pessoas. Momento Crucial no Futebol (00:25:36) Discussão sobre o momento crucial da lesão de Cristiano Ronaldo durante a final do campeonato europeu. Entrevistas no Jornalismo Desportivo (00:28:04) Reflexão sobre a profundidade das entrevistas no jornalismo desportivo e a busca por ângulos diferentes. Formação de Jornalistas (00:29:15) Análise da formação de jornalistas e a importância de procurar abordagens originais nas reportagens. O problema da comunicação nos clubes (00:30:05) Discussão sobre a má comunicação dos clubes e a falta de disponibilidade dos jogadores e treinadores para falar. Bernardo Silva e outros heróis do desporto (00:30:46) Elogio à capacidade de comunicação de Bernardo Silva e a importância de reconhecer heróis de outros desportos. Mudança de paradigma na cobertura desportiva (00:32:11) Reflexão sobre a mudança na cobertura dos jornais desportivos e a necessidade de valorizar outros desportos. Os treinadores no futebol português (00:33:01) Análise dos treinadores de futebol português, destacando as diferentes abordagens comunicativas de cada um. Trabalho emocional e mental no futebol (00:36:09) Ênfase na importância do trabalho emocional e mental dos jogadores e treinadores no futebol. Comunicação dos treinadores e seleção nacional (00:41:50) Discussão sobre a comunicação dos treinadores e a liderança na seleção nacional, com destaque para Roberto Martínez. Problemas nos jogos juvenis (00:42:54) Preocupação com o comportamento dos pais nos jogos juvenis e o impacto negativo na carreira dos jovens jogadores. 00:44:31 - Jogadores em destaque Discussão sobre jogadores promissores em clubes portugueses e o seu potencial de transferência internacional. 00:47:04 - Fadiga pós-jogo Nuno Matos fala sobre o seu estado físico e emocional após narrar intensamente durante um jogo. 00:47:52 - Reconhecimento internacional Nuno Matos menciona prémios e reconhecimento internacional pelo seu trabalho de narração desportiva. 00:49:02 - Cuidados pessoais e agradecimento Nuno Matos fala sobre a sua saúde e a importância da entrega emocional na sua narração, agradecendo o apoio do público. 00:50:15 - Conexão com os ouvintes no exterior Nuno Matos destaca a importância da rádio em aproximar os ouvintes no exterior com Portugal e o seu trabalho como narrador desportivo. 00:51:48 - Reconhecimento e humildade Nuno Matos menciona o reconhecimento de figuras importantes e destaca a importância de tratar todos os ouvintes com igualdade. 00:52:13 - Força do futebol

Feb 28, 202455 min

Ep 166O que diz o médico? Fernando Leal da Costa

Estar doente é recordar o nosso estatuto de seres mortais. A sensação de desamparo, medo, imprevisibilidade e necessidade de ajuda é real e verdadeira. Quanto mais séria for a condição de saída, mais aguda é essa necessidade. Necessidade de reparação. Física e psicológica. TÓPICOS E TEMPOS Escutar os Doentes (00:03:15) Como escutam os médicos os seus doentes, Fernando Leal da Costa fala sobre a importância da comunicação não verbal. Linguagem na Comunicação Médica (00:06:34) Fernando Leal da Costa discute a importância de traduzir as informações médicas para uma linguagem compreensível e de separar o que é importante do acessório, nos relatórios médicos. Impacto da Internet e Inteligência Artificial (00:08:09) A discussão aborda o impacto da ‘internet’ e da inteligência artificial na medicina, salientando a necessidade de orientar os doentes e o potencial tranquilizador ou inquietante destas ferramentas. Medicina Baseada na Evidência e Inteligência Artificial (00:10:47) A medicina baseada na evidência e o debate sobre a capacidade atual das máquinas em substituir o diagnóstico humano. Responsabilidade na Era da Inteligência Artificial (00:13:22) A discussão centra-se na responsabilidade e na confiança na era da inteligência artificial, abordando o papel do médico como mediador e a importância da confiança do doente. Lidar com a Incerteza na Prática Médica (00:16:17) A complexidade de lidar com a incerteza na prática médica, especialmente em situações de tratamento paliativo, e a importância de ser honesto com o doente. A Importância da Escuta Ativa (00:18:16) O médico discute a importância de mudar a conversa para assegurar que o doente seja ouvido. Adaptação à Doença (00:19:26) O médico aborda diferentes mecanismos de adaptação dos doentes à doença, incluindo a negação e a procura por informações. A Relação entre Pensamento Positivo e Prognóstico (00:21:19) É discutida a relação entre o pensamento positivo dos doentes e o prognóstico, especialmente em casos de cancro. Impacto da Pandemia nos Profissionais de Saúde (00:25:56) O médico fala sobre o impacto da pandemia nos profissionais de saúde, incluindo a perda de doentes e o medo das infeções respiratórias. Reorganização do Sistema de Saúde (00:29:22) O médico propõe uma reorganização do sistema de saúde para ampliar a resposta e assegurar acesso a qualquer médico disponível, público ou privado. Custo do Tratamento do Cancro (00:31:53) É abordado o aumento do custo do tratamento do cancro em comparação com a eficácia do tratamento. O Custo do Sucesso (00:32:12) Discussão sobre o aumento da procura por serviços de saúde, o fenómeno das urgências e a busca por atendimento médico. Falta de Médicos Experientes (00:36:20) Falta de médicos mais velhos para ensinar a nova geração, consequências das decisões políticas e distribuição etária dos médicos. Emigração de Médicos (00:38:27) Motivos da emigração de médicos portugueses para outros países da União Europeia e as condições de trabalho. Desafios da Nova Geração (00:41:30) A menor tolerância da nova geração para más condições de trabalho e a procura por um equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Adaptação às Mudanças (00:43:53) A evolução da medicina com a introdução da tecnologia e a necessidade de tornar o sistema mais amigável para os médicos. A Importância da Comunicação Médico-Paciente (00:44:41) Discussão sobre a vontade de conversar dos médicos mais novos e a necessidade de apoio e estímulo. Mudanças no Sistema de Saúde (00:45:38) Reflexão sobre a dinâmica da evolução da medicina e a distribuição desigual de médicos e enfermeiros em Portugal. Participação dos Cidadãos nas Decisões de Saúde (00:46:59) Debate sobre a voz dos cidadãos na política de saúde e a necessidade de maior inclusão e responsabilidade dos eleitos. O Futuro da Medicina (00:50:26) Reflexão sobre a satisfação profissional enquanto médico e a expectativa de avanços tecnológicos na medicina. Nesta edição ouço um médico com quem aprendi muitas coisas. Falei com ele ao longo da vida, e nos seus vários papeis, dezenas de vezes. Médico, pensador da saúde pública, alto funcionário do SNS e até, secretário de estado e finalmente ministro da saúde. Falo de Fernando Leal da Costa. É médico especialista em hematologia e oncologia. De forma mais direta e muito simplifica da: trata doentes com cancro no sangue. O que significa ouvir muitos doentes, explicar coisas difíceis, saber que nunca se sabe de tudo a todo o tempo e cultivar uma relação de confiança com outros seres humanos em grande sofrimento. É sobre esse momento quase sagrado da fala e da escuta que nos debruçamos nesta edição. O momento da pergunta e das respostas. Da esperança e dos limites da possibilidade humana de resgatar o outro. Entre a compaixão e o caminho que ainda falta percorrer. Com o diálogo necessário, delicado e negociado entre o médico e o doente. O que quer saber tudo. O que evita saber e delega tudo. A comunicação não inclui só palavras. Há os gestos e os não dito

Feb 21, 202452 min

Ep 165Como fotografar a Liberdade? Eduardo Gageiro

O 25 de abril de 1974. Celebramos, este ano, os 50 anos da Revolução dos Cravos O ano do advento da Liberdade. Esse dia foi retratado por um dos mais célebres e premiados fotojornalistas portugueses: Eduardo Gageiro. Encontrei-o num sábado na exposição de múltiplas fotografias que tirou desde 1957. Exposição na Cordoaria Nacional aberta e gratuita até 5 de maio. Esta conversa tem luz e sombra. É desse contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo. Esta edição é um testemunho da história. Viva a Liberdade TÓPICOS E TEMPOS (00:05:27) Convocado para a Revolução Eduardo Gageiro é convocado para fotografar a revolução. (00:06:50) Encontro com Salgueiro Maia Eduardo Gageiro conhece o comandante Salgueiro Maia. (00:07:49) Tensões e negociações Eduardo Gageiro testemunha negociações e tensões durante a revolução. (00:09:34) Medo e experiência anterior com a PIDE Gageiro relembra o seu medo e a sua experiência anterior com a PIDE. (00:12:44) Momento de confronto Descrição do momento de confronto entre Salgueiro Maia e a cavalaria sete. (00:14:39) A possibilidade de disparo evitada Eduardo Gageiro descreve o momento em que a possibilidade de alguém disparar um tiro foi evitada. (00:15:52) Exposição em Barcelos Eduardo Gageiro fala sobre uma exposição e um colóquio com participantes do 25 de abril. (00:17:26) O momento decisivo Conversa sobre um momento crucial da revolução e a relação pessoal entre dois homens. (00:18:53) Fotografando Salgueiro Maia Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando Salgueiro Maia durante o 25 de abril. (00:20:42) Desaparecimento das fotografias Discussão sobre o desaparecimento de fotografias importantes do 25 de abril. (00:22:52) Fotografia simbólica Eduardo Gageiro descreve uma fotografia simbólica do Salazar na sede da PIDE. (00:25:02) Paixão pela fotografia Eduardo Gageiro fala sobre a sua paixão pela fotografia desde jovem e sua influência social. (00:27:22) O mundo desconhecido Eduardo Gageiro descreve a perplexidade ao descobrir a corrupção na distribuição de alimentos durante a sua infância. (00:29:27) Influência e politização Gageiro fala sobre a influência de pessoas e livros na sua politização e formação como fotógrafo. (00:30:30) Início na fotografia Gageiro conta como começou a fotografar e recebeu orientações de um mentor sobre composição e técnica. (00:35:30) Primeiros prémios Gageiro relata a sua experiência ao ganhar o seu primeiro concurso de fotografia e o impacto disso na sua carreira. (00:39:00) Reconhecimento internacional Gageiro discute a importância dos prémios na sua carreira e como isso o levou a ser reconhecido internacionalmente. (00:39:20) Mudanças após o 25 de abril Eduardo fala sobre como a sua visibilidade mudou após a revolução. (00:40:46) Viagens e prémios internacionais Eduardo descreve as suas viagens pela China, Índia e outros países, e seus prémios. (00:43:23) Prêmio do Pravda Eduardo conta sobre o prémio que ganhou do jornal oficial do partido comunista russo. (00:45:16) Persona non grata Eduardo fala sobre como se tornou "persona non grata" após se filiar a um partido. (00:46:39) Documentando Portugal Eduardo explica a sua preferência por fotografar o ser humano e as lutas do país. (00:47:54) Fotografia de Salazar Eduardo compartilha a história por trás de uma fotografia que tirou de Salazar. (00:50:26) Estética na fotografia Eduardo discute a importância da estética e do equilíbrio na fotografia. (00:51:51) Fotografando o caixão de Salazar Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando o caixão de Salazar e a reação das autoridades. (00:55:53) Retratos de personalidades Gageiro fala sobre a importância da confiança para capturar retratos autênticos e destaca o retrato de Champalimaud. (00:58:36) Fotografando o presidente Gageiro descreve a sessão de fotos com o presidente, incluindo a persuasão para usar luvas de boxe. (01:01:12) Desafios na sessão de fotos Gageiro conta como convenceu o presidente a usar luvas de boxe e a interação durante a sessão de fotos. (01:04:36) A luta pela publicação das fotografias Eduardo Gageiro fala sobre o esforço para convencer a senhora a publicar as suas fotografias. (01:05:43) Histórias engraçadas e desagradáveis O fotógrafo compartilha experiências divertidas e desagradáveis ao fotografar personalidades. (01:06:33) O desafio de fotografar um político Gageiro revela a dificuldade em capturar a essência de um político durante uma sessão de fotos. (01:07:29) A força da fotografia de Amália Rodrigues O fotógrafo destaca a intensidade e a expressão da famosa fadista portuguesa nas suas fotografias. (01:09:08) Fotografando com energia e emoção Gageiro descreve o processo de fotografar Amália Rodrigues com intensidade e emoção. (01:09:46) Reflexões sobre o futuro de Portugal Eduardo Gageiro expressa as suas preocupações e desejos para um Portugal melhor e reflete sobre questões políticas globais. Liberdade. Subitamente passaram 50 anos. Para quem nasceu em finais de 1971 o 25

Feb 14, 20241h 12m

Ep 164Como votar bem? José Adelino Maltez

Nenhuma arte depende tanto da comunicação como a política. Seduzir os eleitores, negociar com outros políticos, explicar decisões difíceis, são tudo tarefas onde a comunicação tem papel-chave. Talvez seja por isso que quando algum decisor é percecionad...

Feb 7, 202455 min

Ep 163Como salvar o jornalismo? Luís Simões

É tempo de falar de jornalismo. Do bom jornalismo. Do jornalismo em crise. Das notícias que dão notícia de pagamentos em atraso, de publicações, jornais e rádios importantes, à beira do abismo. E do sector dos média que perderam receitas, cujo conteúdo aparece nas redes como se fosse gratuito e os leitores aparentemente têm menos vontade de subscrever qualquer serviço pago de notícias. Estaremos perante o fim do jornalismo, da verificação dos factos e das notícias feitas com curadoria humana? Ou é apenas uma crise passageira que renovará os votos entre os cidadãos e a informação independente e fidedigna? TÓPICOS DE CONVERSA A crise no jornalismo (00:00:12) Discussão sobre a crise no jornalismo, a diminuição do interesse dos jovens pela profissão e a necessidade de adaptar o jornalismo às novas realidades tecnológicas. A precariedade da profissão (00:01:39) Conversa sobre a precariedade da profissão jornalística, a diminuição do interesse dos jovens e a necessidade de adaptar o jornalismo às novas realidades tecnológicas. A paixão pelo jornalismo (00:03:33) Exploração da paixão pelo jornalismo, a experiência pessoal e a importância de atrair bons profissionais para a área. A crise enfrentada pelos média (00:09:25) Abordagem da greve geral dos jornalistas, a importância do jornalismo para a sociedade e a necessidade de investimento na comunicação social. O modelo de negócio e a valorização da informação (00:13:56) Discussão sobre o modelo de negócio do jornalismo, a gratuitidade da informação e a necessidade de valorizar o trabalho jornalístico. O perigo da desinformação (00:16:46) Discussão sobre a mistura de fontes de notícias, publicidade encapotada e fake news em plataformas ‘online’. Validação do jornalismo (00:17:43) Importância da validação e verificação das informações jornalísticas, respeitando o código deontológico. Fronteira entre jornalismo e publicidade (00:18:57) Abordagem sobre a demarcação clara entre jornalismo, publireportagem e publicidade, e a resistência em misturar conteúdos. Financiamento do jornalismo (00:20:17) Consequências da perda de mercado e a necessidade de encontrar fundos para sustentar as publicações. Papel do Estado na comunicação social (00:22:00) Discussão sobre a possibilidade de apoio estatal para salvar publicações e a importância de garantir transparência e equilíbrio. Desafios do jornalismo na atualidade (00:24:46) Reflexão sobre a necessidade de contar histórias reais e a responsabilidade dos jornalistas na crise do jornalismo. Impacto da proximidade na comunicação (00:27:25) Análise sobre a importância da proximidade na venda de jornais e na responsabilidade do jornalismo em informar todas as regiões. Desafios do jornalismo desportivo (00:28:26) Reflexão sobre a retórica limitada dos comentadores desportivos e a falta de espaço para os jogadores contarem as suas histórias. Futebol e comunicação dos clubes (00:31:24) Discussão sobre a falta de espaço para os jogadores contarem as suas histórias e a influência da comunicação dos clubes no jornalismo desportivo. O impacto da pandemia no jornalismo desportivo (00:32:28) Discussão sobre as barreiras sanitárias e a comunicação dos clubes durante a pandemia. Os desafios do jornalismo na era digital (00:34:22) Reflexão sobre o impacto dos algoritmos na disseminação seletiva de informações. A dificuldade de distinguir realidade e ficção (00:36:28) Exploração das dificuldades causadas pela evolução tecnológica e a disseminação de desinformação. O papel do jornalismo na desmontagem de notícias falsas (00:37:59) Abordagem sobre a importância do jornalismo na desconstrução de informações falsas e na preservação da verdade. A importância do jornalismo na defesa da democracia (00:39:28) Discussão sobre a relevância do jornalismo na preservação da democracia e da liberdade de expressão. O fascínio pessoal do jornalista pela África (00:43:28) Relato pessoal sobre a experiência do jornalista ao cobrir eventos desportivos em Angola e o fascínio pela cultura africana. O compromisso do jornalismo com a verdade e a humanidade (00:46:11) Reflexão sobre a missão do jornalismo em compartilhar histórias verdadeiras, honestas e humanas. O jornalismo português enfrente a maior crise de que há memória. Rádios como a TSF, jornais como o JN ou o DN lutam pela sua sobrevivência. Os jornais passaram para a ‘internet’. Os motores de busca e as redes sociais multiplicam os acessos, colhem os lucros publicitários e remuneram os autores das notícias com valores insuficientes para manter o negócio das notícias a funcionar. Contudo as notícias não são um mercado qualquer. O jornalismo é um dos pilares da democracia e sem sustentação económica arriscam uma função fundamental da nossa vida: o escrutínio dos poderes. A validação da informação. O separar o trigo do joio. Nesta edição converso com Luís Simões, presidente do Sindicato dos Jornalistas. Sobre os desafios do Jornalismo. Falamos da precariedade da profissão e a diminuição do interesse dos jovens,

Jan 31, 202447 min

Ep 183Por que acreditamos nas falácias? José Palma

Uma reflexão sobre impaciência, falácias cognitivas e o impacto das perceções na comunicação. José Palma aborda como a ciência pode ajudar a distinguir o relevante do acessório num mundo polarizado.

Jan 24, 20241h 11m

Ep 161A guerra é inevitável? Arnaut Moreira

O mundo está perigoso. E quanto menos dialogamos, mais risco corremos de fazer a guerra. Será uma inviabilidade da natureza humana? Ou um dos últimos traços da nossa forma animal e territorial de reagir? Este episódio é sobre as tensões e confrontos, latentes e reais, entre países e visões do mundo. A guerra começo há quase dois anos. A guerra começou há mais de 100 dias. A guerra começou esta semana. A guerra pode começar amanhã, outra vez. Todas estas guerras estão em curso. TÓPICOS / CAPÍTULOS O início da carreira militar (00:02:55)O orador fala sobre a sua transição para a academia militar devido ao fechamento das fábricas têxteis após a Revolução de Abril. A importância das regras na academia militar (00:04:16)Discussão sobre a importância das regras e da convivência pacífica na academia militar. A transição da família para a comunidade (00:06:58)Reflexão sobre a evolução da família para a comunidade e, posteriormente, para as nações. A evolução das nações para os estados (00:08:55)Abordagem sobre a transição das nações para os estados e a necessidade de leis escritas. Religião e nação (00:11:25)Exploração da relação entre religião e nação, e a transição para estados laicos. A inevitabilidade da guerra (00:13:06)Discussão sobre a ambição, a visão do futuro e a inevitabilidade dos conflitos que levam à guerra. O caminho para a guerra (00:15:56)Reflexão sobre as aspirações incompatíveis que levam a conflitos e a possibilidade de negociação. A guerra como última solução (00:18:25)Exploração da guerra como a última solução após crises e conflitos, e a expressão coletiva de vontade. A dinâmica do poder internacional (00:19:20)Discussão sobre a dinâmica do poder e a preparação da sociedade internacional para possíveis conflitos. Gestão de Crise (00:19:27)Discussão sobre a mecânica de provocar uma crise internacional e a gestão dessa crise. Religião e Civilização (00:24:45)Reflexão sobre os valores judaico-cristãos e a influência da religião na construção civilizacional. Conflito na Ucrânia (00:29:50)Análise da dinâmica do conflito entre a Ucrânia e a Rússia, e a influência de valores civilizacionais. Dinâmica Nuclear (00:33:13)Exploração das regras e práticas relacionadas ao uso de armas nucleares em conflitos internacionais. A doutrina das armas nucleares táticas (00:37:04)Discussão sobre a ambiguidade e a utilização potencial das armas nucleares táticas por Putin. O efeito da ambiguidade (00:38:22)Análise do efeito da ambiguidade na estratégia de guerra e nas negociações geopolíticas. A influência da tecnologia na guerra (00:41:17)Impacto da tecnologia, especialmente dos drones, na observação e planeamento das operações de guerra. As estratégias de guerra e a importância de Mariinka (00:47:51)Explicação sobre a importância estratégica de Mariinka e seu papel na guerra no Donbass. A situação atual e possíveis negociações (00:53:48)Reflexão sobre a situação atual do conflito e possíveis negociações para encerrar a guerra. A presença ucraniana na região de Odessa (00:54:47)Discussão sobre a importância da presença militar ucraniana na região de Odessa para garantir acessos marítimos. A ausência de mediadores credíveis (00:55:24)Reflexão sobre a falta de mediadores credíveis na guerra em Gaza e na Ucrânia. Interesses da China na guerra da Ucrânia (00:55:56)Análise dos interesses da China na guerra da Ucrânia e a sua postura em relação à vitória ocidental. Consequências da guerra da Ucrânia para a China (00:56:16)Exploração das possíveis consequências da guerra da Ucrânia para a China e a suas aspirações sobre o domínio do mar da China. Intimidação naval e envolvimento da China (00:58:39)Discussão sobre a intimidação naval e o envolvimento discreto da China no conflito da Ucrânia. A cautela da China (01:00:06)Análise da postura cautelosa da China no conflito da Ucrânia e a sua aversão a ficar do lado dos perdedores. Aumento de conflitos mundiais (01:01:04)Reflexão sobre o aumento de conflitos mundiais, incluindo a guerra civil no Sudão e a situação nos Balcãs. Valorização do instrumento militar (01:02:57)Análise da valorização do instrumento militar como solução para conflitos e a confrontação dos interesses ocidentais. Reequilíbrio de poder e injustiças (01:04:03)Discussão sobre o reequilíbrio de poder global e injustiças na avaliação das relações entre o ocidente e a Ásia. Transferência de conhecimento e poder para a Ásia (01:05:53)Reflexão sobre a transferência de conhecimento e poder para a Ásia pelo ocidente, impactando a assertividade da região. Possibilidade de conflito entre EUA e China (01:06:53)Análise da possibilidade de um conflito quente armado entre os EUA e a China, com foco nas aspirações sobre Taiwan. A guerra da Rússia e da Ucrânia, que começou a 24 de fevereiro de 2022 quando as forças armadas russas entraram em território ucraniano. Aquilo a que chamaram operação especial. Mais perto no tempo a guerra entre Israel e o grupo Hamas, na faixa de Gaza. Começou há 100 dias. Masi abaixo no Mar Ver

Jan 17, 20241h 9m