
Pergunta Simples
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Ep 160Como educar melhor? José Pacheco
Hoje falamos de um dos mais especiais e extraordinários fins da comunicação: educar. Desde o útero até ao fim. Da mãe até aos bisnetos, todos temos a sorte e a necessidade de aprender com todos. Mas o ser humano, na sua infinita criatividade, e a chamada revolução industrial, quis que todos aprendêssemos, formalmente, na escola, da maneira mais massificada e impessoal que se conseguiu. O resultado está à vista. Estamos a formar mais peças de fábricas do que cidadãos. Mas este programa não é sobre o que correu mal. É mais sobre a esperança de mudança. Com quem já fez e continua a fazer pequenas revoluções na educação. Sim, há maneiras diferentes de fazer. TÓPICOS DE CONVERSA: A falência do sistema educativo (00:00:12) Discussão sobre a abordagem massificada e impessoal da educação formal, resultando na formação de "peças de fábricas". A importância da mudança radical na educação (00:03:55) Abordagem sobre a necessidade de uma mudança radical no sistema educativo, destacando a importância de uma abordagem integral e personalizada para a educação. A visão da Escola da Ponte (00:12:30) Exploração dos princípios e história da Escola da Ponte, destacando a importância da relação entre professores e alunos e a necessidade de uma nova educação centrada no aluno. A necessidade de uma nova educação (00:15:57) Discussão sobre a necessidade de uma nova educação integral, centrada na relação e na aprendizagem significativa, destacando movimentos de integração e mudança na educação. O futuro da educação (00:17:06) Apelo para a subscrição do podcast e a importância do apoio para encontrar e convencer novos comunicadores para gravar programas. O tempo do ensino clássico (00:17:35) Discussão sobre o ensino tradicional e sua insatisfação por parte de alunos, professores e comunidade. A necessidade de mudanças na educação (00:18:20) Abordagem sobre a necessidade de uma abordagem integral e personalizada na educação. A formação de professores (00:18:49) Reflexão sobre a formação de professores e a necessidade de uma nova abordagem. A nova educação (00:20:00) Visão do Professor José Pacheco sobre a necessidade de uma nova educação e sua experiência em diferentes comunidades. A situação da educação em Portugal (00:21:20) Comparação da educação em Portugal com outros países e críticas ao sistema educativo. A mudança na educação (00:23:05) Discussão sobre a necessidade de mudanças na educação e a introdução de um novo modelo. A transformação da educação (00:25:05) Abordagem sobre a transformação da educação, envolvendo professores, comunidades e valores. O paradigma da instrução (00:26:24) Reflexão sobre o paradigma da instrução e a necessidade de uma nova abordagem na educação. A organização da escola (00:31:20) Exploração da organização da escola e a definição de uma nova ordem baseada em valores e convivência. A influência dos professores na infância (00:33:08) O impacto de diferentes professores na vida do Professor José Pacheco e sua formação. A importância de uma pergunta (00:34:19) A influência de um padre que ensinou a importância de fazer perguntas e buscar respostas. Influência de professores na adolescência (00:35:20) O papel de um professor de língua portuguesa e história universal e de uma professora de francês na vida do Professor José Pacheco. A abordagem individualizada na educação (00:37:33) A história de um jovem com síndrome de down que encontrou na Escola da Ponte uma abordagem personalizada e alcançou sucesso. Desenvolvimento do senso crítico na educação (00:39:18) A importância de desenvolver o senso crítico e habilidades de pesquisa, seleção e comunicação de informações na educação. Hoje não há aula. A professora não veio. Ou ainda não veio. Ou não aberto o concurso. Ou esgotou-se. Hoje há aula, mas o tema parece profundamente desinteressante. Os conteúdos são despejados nos ouvidos dos alunos. O objetivo e passar no teste. Sobreviver à média. Como numa fábrica, fazer o que há para fazer. De forma mecânica. Não criativa. Não curiosa. Quase não humana. Depois vem o teste que procura o Santo Graal do conhecimento empinado, mas raramente apreendido. Decora Jorge, decora. Não penses muito. É só para fazer. Mais uma vez sem nenhuma emoção que não o medo de chumbar. Quem chumba é colocado simbólica ou realmente nas últimas filas. Como quem já não interessa para a média. Para a forma criada. As mais das vezes acusado de não querer aprender. Mas quase ninguém se pergunta por quê? E por isso recordo com magia o contrário disto tudo: O professor de filosofia que queria ser chamado de Sócrates porque sabia ser a sua alcunha nos corredores. E que nas aulas usava os filósofos para nos divertir ou estimular a curiosidade. O Professor Sócrates fazer uns testes intercalares notáveis. O último deles tinha uma única pergunta: “O que não sabes de filosofia e queres aprender?” Não chumbou ninguém. Todos aprendemos muito. E tudo fazia sentido. A dúvida, a curiosidade, a comunicação humana em movimento. A juntar aos poe

Como contar uma boa história? Joana Latino
Será que o jornalismo dos tempos em que vivemos está a ser demasiado snob? Uma forma de ser e estar em que aqueles que servem para testemunhar o mundo se demitem da sua função social primordial. Pode ser essa uma das bases da crise dos media clássicos de hoje? TEMAS & TÓPICOS DE CONVERSA: 📺 Televisão e Rádio: Bastidores Revelados Descubram comigo as ‘nuances’ de trabalhar em frente e atrás das câmaras. Aprenda sobre a adrenalina de entrevistar grandes nomes como Saramago sem um guião pré-definido e como a confiança na equipa é crucial na TV, enquanto na rádio, o peso das responsabilidades é imenso e mais individual. 🌐 Redes Sociais e Tecnologia: Uma Espada de Dois Gumes Debatemos a dualidade das redes sociais, que tanto nos conectam quanto podem nos expor a riscos. E não deixem de ouvir a visão de Joana Latino sobre a importância de educarmos as novas gerações para um uso consciente e responsável da tecnologia. 👀 A Imagem na Televisão: Conteúdo ou Aparência? Como uma "mulher real" que desafia os estereótipos da TV, compartilha as suas reflexões sobre a transição da rádio para a televisão e como a imagem pode tanto atrair o público quanto desviar a atenção do que realmente importa: o conteúdo. 📚 Educação e Tecnologia: O Papel dos Adultos Discutimos a responsabilidade dos adultos em orientar os jovens, comparando o uso da tecnologia com as lições de vida que experimentámos. 🎙️ Jornalismo com Coração Por fim, mergulhamos na arte de contar histórias que tocam o coração, e como um bom jornalismo deve sempre buscar a verdade que ressoa com a emoção e a empatia. CAPíTULOS: (00:03:07) A experiência televisiva Joana e o entrevistador discutem sobre a falta de perguntas escritas em entrevistas e momentos de pânico. (00:04:32) Trabalho em equipa na televisão e na rádio. Joana compara a dinâmica de trabalho em equipe na televisão e na rádio, destacando a vantagem da televisão. (00:07:15) A influência das redes sociais e da tecnologia na sociedade atual. A discussão aborda a fama, a construção imagética, e a influência das redes sociais na sociedade. (00:09:25) A responsabilidade dos adultos na educação sobre o uso adequado da tecnologia Joana fala sobre a responsabilidade dos adultos em educar as gerações mais jovens sobre o uso adequado da tecnologia. (00:14:45) A importância do conteúdo e da imagem na televisão. A importância do conteúdo e da imagem na televisão é discutida, ressaltando a relevância do embrulho e do conteúdo. (00:15:23) O início da carreira na televisão. Joana fala sobre a sua entrada na televisão e a sua experiência no Passadeira Vermelha. (00:17:03) A importância das boas histórias no jornalismo. Joana discute os princípios de uma boa história e a falta de foco no jornalismo atual. (00:19:14) A transformação do jornalismo e a influência das audiências. Joana aborda a transformação do jornalismo devido a interesses comerciais e a importância das emoções. (00:20:07) A representação do Portugal profundo na televisão Joana destaca a importância de retratar o Portugal mais verdadeiro na televisão. (00:22:17) A influência dos influenciadores e opinion makers Joana comenta sobre a influência das personalidades públicas e a mudança na forma como são chamadas. (00:24:25) A interação com pessoas no programa. Joana fala sobre a interação com pessoas no programa e como conquista a atenção delas. (00:26:19) A curiosidade e aprendizagem com as pessoas mais velhas. Joana destaca a sua humildade e curiosidade ao interagir com pessoas mais velhas no programa. (00:27:15) A importância da autenticidade Joana fala sobre a importância de capturar a autenticidade das pessoas ao contar histórias. (00:28:59) Momentos marcantes na carreira. Joana compartilha uma experiência marcante ao entrevistar mineiros numa mina desativada. (00:31:29) A festa de São João d'Arga. Joana descreve a experiência única da romaria de São João d'Arga, uma festa comunitária e espiritual. (00:38:32) A curiosidade como motor. Joana discute a importância da curiosidade e do olhar renovado na sua abordagem jornalística. (00:40:39) O desafio da seleção de imagens. Joana fala sobre o desafio de decidir quais imagens violentas devem ser mostradas no jornalismo. (00:40:57) A importância da linguagem visual Joana discute a importância de contar histórias visualmente e como a linguagem visual pode impactar emocionalmente os espectadores. (00:42:56) O poder das imagens Joana fala sobre a responsabilidade de apresentar imagens chocantes e como essas imagens podem afetar o público. (00:43:54) A narrativa emocional Joana explica como construiu uma peça jornalística emocional, destacando a importância de transmitir emoções através das histórias. (00:48:26) A assinatura do jornalismo. Joana discute como a sua forma de escrever e contar histórias é sua assinatura no jornalismo, e como isso influencia suas peças. (00:51:37) O futuro do jornalismo Joana e o entrevistador debatem sobre o futuro do jornalismo, incluindo a narrativa, a p

Ep 158Como fazer uma apresentação cativante?
Uma apresentação com impacto começa com uma narrativa que envolva e que capte a atenção do público desde o início. TEMAS DE CONVERSA NESTE EPISÓDIO Compreendendo o público (00:03:46)Dicas sobre como compreender o público-alvo de uma apresentação e adaptar o conteúdo para atender às suas necessidades e expectativas. Contando uma história cativante (00:04:46)A importância de começar uma apresentação com uma história interessante que envolva emocionalmente a audiência e crie empatia. Tendo um objetivo claro na comunicação (00:05:04)A importância de definir um objetivo claro para a apresentação e comunicar de forma persuasiva, informativa ou inspiradora, dependendo do objetivo desejado. Linguagem acessível e tempo de apresentação (00:07:27)Dicas sobre como utilizar uma linguagem simples e evitar termos técnicos em apresentações, além de gerir o tempo de forma adequada. Enfatizar benefícios e quebra de expectativas (00:08:45)A importância de enfatizar os benefícios do que está a ser apresentado e utilizar a quebra de expectativas para surpreender a audiência positivamente. Chamada à ação (00:09:53)A importância de encerrar a apresentação com uma instrução clara sobre o que a audiência deve fazer a seguir, como visitar um site, comprar um produto ou refletir sobre um tópico. Estruture o seu conteúdo de forma clara, dividindo-o em partes distintas com uma introdução cativante, desenvolvimento coerente e uma conclusão memorável. Utilize recursos visuais, como diapositivos ou gráficos, para ilustrar pontos-chave e tornar a apresentação mais visualmente atrativa. Alguns de nós somos mais auditivos, outros mais visuais. Mas todos, sem exceção, gostamos de variedade. Depois há a linguagem. Mantenha uma linguagem acessível e evite jargões excessivos, garantindo que a sua mensagem seja compreendida por todos. Se falam com linguagem técnica ou encriptada está a criar uma barreira à comunicação. Está a excluir os outros da conversa. Finalmente há o treino. E treine. Treinar. Treinar. Treinar. Pratique a sua dicção e os seus gestos, para transmitir confiança, e esteja preparado para responder perguntas. Finalmente, encerre com uma chamada à ação, incentivando a participação e a adesão do público. Vamos por partes: A pergunta é: COMO FAZER UMA APRESENTAÇÃO CATIVANTE? Compreensão do Público Entender o seu público significa conhecer quem está na audiência, quais são as suas necessidades e expectativas. Isso ajuda a personalizar a sua apresentação para ser mais relevante. Compreender o público é saber que problemas tem ou o que desejam. No fundo, falar para um público é responder às necessidades daquele público. E todos os públicos têm necessidades diferentes. Antes de lhes falar tente compreendê-los. Se não conhece o seu público, pergunte a quem conhece. Conte Uma História Cativante Começar com uma história interessante envolve emocionalmente a audiência, criando um vínculo e tornando a sua apresentação mais memorável. Uma história real. Com pessoas reais. Em sítios reais. Pessoas com dores, problemas e desejos. E isso gerará empatia no público. Exemplo: Se está apresentar sobre inovação, pode sempre contar a história de uma startup de garagem que se tornou um gigante da tecnologia, como a Apple. Já agora: quanto mais próxima for a história da sua audiência, melhor ela funciona. Se ela for portuguesa, já ganhou uns pontos extra. E se for uma história pessoal: UAU, é um bingo! Tenha Um Objetivo Claro Ter um objetivo claro significa que deve saber exatamente o que deseja alcançar com a sua apresentação, Só conheço três tipos de objetivo: persuadir, informar ou inspirar. No fundo, comunicar para que alguém seja convencido, se sinta informado ou inspirado pelas suas palavras. Exemplo: Se o objetivo da sua apresentação é persuadir investidores a financiar o seu projeto, deixe isso claro desde o início. Vale para negociar o empréstimo da casa, renegociar os juros ou convencer o patrão a aumentar-lhe o salário. Diga ao que vem. E isso permite uma conversa honesta e direta. Estrutura Lógica Organizar a sua apresentação de forma lógica ajuda a manter a clareza e a compreensão para a audiência, seguindo uma sequência natural. Pelo menos nas sua primeiras apresentações, use este método. Consegue sentir-se mais seguro e garantir um fio lógico para a conversa. O exemplo típico de uma estrutura de apresentação é o clássico: introdução, desenvolvimento (com tópicos principais) e conclusão, Mas há outras estruturas lógicas que funcionam também bem. Incluindo a que usam os jornalistas: primeiro a conclusão ou facto mais relevante e só depois o contexto. Podem escolher. E eu deixo um conselho: experimentem coisas diferentes e vejam o que funciona melhor convosco. Apresentem com recursos Visualmente Atraentes Recursos visuais, como gráficos e imagens, ajudam a ilustrar os seus pontos de forma mais impactante e mantêm a atenção da audiência. Os seus ouvintes mais visuais vão adorar. O exemplo mais básico e direto são os gráficos. Se está a aprese

Ep 157Como ouve o SNS os cidadãos? Mauro Serapioni
Já imaginaram quão complexa é uma máquina ou sistema, a que chamamos SNS, que está aberto 24 horas por dia e 365 dias por ano. E durante esse tempo, todo o tempo, e em todo o país, responde às necessidades de saúde. Podem ser coisas muito simples, como uma constipação mais agreste ou um colesterol acima do desejado. Ou podem ser coisas muito graves como um ataque de coração, uma queimadura grave ou múltiplos traumatismos resultado de uma queda ou acidente de viação. São milhões, sim, disse, bem, milhões de consultas, dias de internamento, tratamentos e cirurgias. Todos os dias. A todas as horas. Os doentes sabem disso. Os contribuintes também. Só dinheiro dos impostos há 15 mil milhões de euros para a saúde. Sem contar com o que cada cidadão usa do próprio bolso: por exemplo, para ir ao dentista. A máquina de preservar, cuidador, reparar e acompanhar-nos na saúde é definição complexa. É desde logo muito complexa na difícil organização dos meios humanos. Médicos, enfermeiras, administrativos, auxiliares… a lista pode ser gigante. Todos têm funções específicas, muitos têm saberes profundos e capacidades técnicas avançadas e todos interagem para fornecer o melhor cuidado. Além das pessoas, há a tecnologia. As máquinas, os tratamentos, a ciência estão cada vez mais avançados, logo mais complexos. E nós cidadãos, estamos cada vez mais exigentes. Exigentes porque queremos o melhor, mas, principalmente, exigentes porque estamos em média mais velhos e por isso com mais necessidades de saúde. Já repararam que as pessoas doentes de hoje tem não uma, mas várias áreas a que tem de dar atenção. Ora estas necessidades e complexidades obrigam a conversas cada vez mais francas e abertas na sociedade. E os sistemas de saúde começam a abrir portas para os cidadãos participarem nos seus processos de decisão. E eu fui em busca do Professor Mauro Serapioni é investigador sénior do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra desde 2009 e Professor Doutor em Ciências Sociais . E dedica-se a estudar exemplos de todo o mundo dos caminhos da participação dos cidadãos em sistemas de saúde. Será que os sistemas de saúde querem ouvir os cidadãos que servem? A voz dos cidadãos é cada vez mais importante e os sistemas como o SNS já se aperceberam disto. Será que uma maior participação pode auxiliar a, pelo menos, calibrar as expectativas e ajudar a organizar melhor as respostas do sistema de saúde? TÓPICOS DA CONVERSA: (00:00:12) - Sobre a complexidade do Sistema Nacional de Saúde (SNS) e a relação entre o SNS e os cidadãos. (00:02:35) - A importância de ter conversas francas e abertas entre os sistemas de saúde e os cidadãos. (00:04:00) - A dificuldade de os sistemas de saúde realmente ouvirem e incorporarem a voz dos cidadãos em suas decisões. (00:07:39) - Discussão sobre a limitação da participação dos cidadãos nos sistemas de saúde e a necessidade de espaços de verdadeira participação. (00:10:19) - Destaque para experiências positivas de participação dos cidadãos no sistema de saúde, como no Canadá, Brasil e o Reino Unido. (00:12:35) - Explanação dos princípios presentes na nova lei de bases da saúde que reconhecem a importância da participação dos doentes e utentes no sistema de saúde. (00:17:52) - Discute-se o problema da representatividade dos cidadãos nos sistemas de saúde e diferentes estratégias utilizadas em diferentes países. (00:21:22) - Aborda-se a falta de efetividade da participação dos cidadãos e como as suas opiniões muitas vezes não são consideradas pelas instituições de saúde. (00:25:20) - Destaca-se a importância de promover uma rede entre associações, movimentos, instituições e representantes institucionais para fortalecer a representação dos cidadãos. (00:25:57) - Sobre as dificuldades de acesso e as expectativas dos cidadãos relativamente ao sistema de saúde. (00:27:08) - É abordada a importância de criar espaços democráticos para os cidadãos poderem participar e a necessidade das instituições de saúde incorporarem algumas propostas dos representantes. (00:30:01) - Fala-se sobre a necessidade de os cidadãos estarem informados e preparados para participar no sistema de saúde, destacando a importância da literacia em saúde. (00:35:08) - Discute-se a importância da qualidade no sistema de saúde, abordando as dimensões técnica, organizacional e relacional na perspetiva do utente. (00:37:26) - Exploram-se os problemas metodológicos e de conteúdo nos questionários de satisfação, destacando a falta de perguntas sobre a perceção e experiência do paciente. (00:40:46) - Reflete-se sobre a importância da participação dos cidadãos no sistema de saúde, mencionando a queda na satisfação dos portugueses com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a possibilidade de uma maior participação ajudar a melhorar o sistema. LINKS ÚTEIS Aqui está uma lista de artigos importantes sobre a participação dos cidadãos no processo de decisão em saúde,para leitura adicional: "Os desafios da participação e da cidadania nos sistemas de s

Ep 156Como saber comunicar como os actores? Cláudia Semedo
Hoje subimos ao palco.Para ter o sabor do que se sente em frente a um público.É provavelmente dos exercícios mais difíceis em comunicação.Temos uma mensagem, temos uma forma de mostrar essa mensagem e um público que, ao mesmo tempo, é ávido e exigente. TÓPICOS 00:00:12 - A arte da comunicação no teatroIntrodução do tema do episódio, destacando a importância da comunicação no teatro. 00:01:42 - A experiência de Cláudia Semedo como atrizCláudia Semedo fala sobre a sua experiência a trabalhar com dobragens e teatro. 00:03:03 - O processo de dobragem e o trabalho de concentraçãoCláudia Semedo explica como funciona o processo de dobragem, incluindo a sincronização da voz com as bocas das personagens e a necessidade de concentração durante o trabalho. 00:07:13 - O processo criativo de Cláudia SemedoCláudia Semedo fala sobre o seu processo criativo como atriz, encenadora e apresentadora, destacando a importância da observação do mundo e da reinvenção constante na arte. 00:09:29 - A inquietação social de Cláudia SemedoCláudia Semedo menciona a sua peça "Zé Alguém", que aborda a realidade dos sem-abrigo, e discute a crise habitacional e a falta de solidariedade na sociedade. 00:11:55 - A necessidade de pragmatismo e defesaCláudia Semedo argumenta que a dessensibilização social é uma forma de sobrevivência e defesa perante as injustiças e problemas estruturais do país, destacando a competição e a educação como fatores que contribuem para essa mentalidade individualista. 00:12:59 - A importância da educação para a criatividadeNeste trecho, a palestrante fala sobre a necessidade de uma educação que estimule a criatividade e o pensamento crítico. 00:14:06 - O medo do outro e o racismoNesta parte, discute-se o aumento do racismo e da xenofobia na sociedade, bem como a incompreensão do outro e o medo do desconhecido. 00:17:08 - A presença do racismo na sociedadeNeste momento, a palestrante aborda a presença do racismo estrutural na sociedade, destacando a marca da escravidão e da colonização. 00:20:10 - A experiência no programa de televisãoCláudia Semedo fala sobre a sua participação num programa de televisão de culinária e como foi uma experiência intensa e emocionalmente impactante. 00:22:20 - A paixão pela culináriaCláudia revela o seu amor pela culinária e como gostaria de ter estudado cozinha na escola de hotelaria, destacando a importância dos alimentos para a saúde. 00:23:39 - Lidando com o fracassoCláudia discute a sua postura relativamente ao fracasso, enfatizando que vê as experiências como processos e não como sucessos ou fracassos. 00:25:29 - A experiência de dobragem e teatroCláudia Semedo fala sobre a sua experiência a trabalhar com dobragem de desenhos animados e atuação no palco. 00:26:01 - A criação da receita de nuvem de ovoCláudia Semedo explica como inventou a receita de nuvem de ovo e os desafios que enfrentou durante o processo. 00:28:37 - A decisão de sair de um programa de culináriaCláudia Semedo fala sobre a sua decisão de sair de um programa de culinária e os motivos que a levaram a tomar essa decisão. 00:31:49 - A decisão difícilOs palestrantes discutem um dilema difícil de resolver sobre a agenda de espetáculos e gravações de um programa. 00:32:59 - Sentimentos no palcoCláudia Semedo fala sobre as suas diferentes experiências e emoções ao atuar no palco. 00:36:17 - Personagens desafiadorasOs palestrantes discutem a importância de atores saírem da sua zona de conforto e interpretarem personagens que são diferentes da sua personalidade. 00:37:07 - O trabalho de dobragem e teatroCláudia Semedo fala sobre sair da zona de conforto na dobragem e teatro, explorando personagens diferentes. 00:37:27 - A direção no teatroDiscussão sobre a direção no teatro e como vai além de apenas ler o texto, envolvendo modulação e estímulos diferentes. 00:39:11 - Os desafios das mulheres no teatroCláudia Semedo fala sobre a dificuldade das mulheres em conseguir espaço e poder no teatro, destacando a luta pela equidade nos círculos de poder. 00:43:18 - A importância da comunidade no teatroCláudia Semedo fala sobre a estrutura de uma companhia de teatro como uma casa e uma família que adora criar. 00:43:49 - A importância de discutir e discordarCláudia Semedo defende a importância de discutir e discordar, enfatizando que cada pessoa tem a sua própria subjetividade e experiência. 00:45:03 - A importância de ouvir e entender diferentes perspetivasCláudia Semedo destaca a importância de estarmos abertos a ouvir e entender de que lugar outra pessoa está a falar, valorizando as diferentes perspetivas . Os actores sentem todos os dias esse desejo de comunicar bem, de fazer sentir emoções e de ser julgados a todo o momento.A arte do entretenimento só funciona verdadeiramente pelo reconhecimento do público. E nesse processo de entregar emoções através do gesto e da palavra, cada actor entrega-se totalmente. O que significa prazer e nervos. Num exercício de alma, corpo e voz. A voz pode contar grandes histórias.Pela e

Ep 155Como descobrir talentos? Tiago Forjaz
Já ouviram falar de caça-talentos? Não é muito diferente de caça-tesouros. Mas na versão: os melhores e mais dotados seres humanos para realizar uma tarefa ou feito. O meu convidado de hoje, Tiago Forjaz, prefere ser visto mais como um descobridor e estimulador de talento do que propriamente um caçador. É um libertador mais do que um perseguidor. E partilha algumas das suas ferramentas. A conversa toca as coisas que vivemos diariamente. A ida à entrevista de emprego. Ou o momento de entrevistar candidatos. A maneira como lemos as pessoas. Ou como funciona o nosso instituto para descobrir o talento dos outros e também os nossos. De caminho falámos de líderes formais e informais. E de como se dá ou se bloqueia um processo de transformação. Mas o principal é mesmo o talento. Sim, aquela coisa que nos faz brilhar os olhos ou ver o brilho nos olhos do outros. É algo que se vê, mas muito difícil de medir. Se os nossos talentos tiverem espaço e tempo para fluir, seguramente a nossa vida será mais bem vivida. E do que aprendi hoje deu para entender que o talento e a desempenho tem uma relação bastante contraditória. O talento é a magia. O desempenho é medido com réguas rígidas. E tu, como exploras os teus talentos únicos? TÓPICOS & TEMPOS (00:00:12) - A procura pelo talento(00:02:51) - Libertar o talento(00:04:06) - A entrevista de emprego(00:06:36) - A importância de perguntas e curiosidade numa entrevista de emprego(00:06:52) - A ideia de caça talentos e a importância de libertar o talento das pessoas(00:09:49) - O potencial e o desempenho do talento(00:12:53) - O que é talento?(00:14:56) - Observar e elogiar(00:16:01) - Diversidade cognitiva(00:19:27) - A importância de libertar o talento das pessoas(00:20:09) - A confusão entre líderes e chefes(00:23:15) - A responsabilidade dos líderes em desenvolver talentos(00:24:23) - O papel dos líderes e o elogio(00:26:00) - A mudança nas estruturas organizacionais(00:27:20) - A disponibilidade e permeabilidade dos líderes(00:29:32) - A importância da transformação(00:30:23) - A falácia da transformação em cascata(00:33:21) - Liderança informal na transformação(00:34:38) - A importância de libertar o talento das pessoas(00:37:03) - Identificar talentos nas pessoas(00:39:14) - O que fazer com os talentos identificados(00:39:54) - A importância do talento nas organizações(00:40:21) - A confusão entre talento e habilidade(00:42:49) - A multiplicidade de talentos dentro de uma pessoa(00:45:24) - Explorar o talento das pessoas(00:45:53) - A importância da atitude de confiança(00:46:44) - Um dia bom para Tiago Forjaz Mais informação sobre o tema: Lista de fontes específicas sobre talento em Portugal: Instituto de Educação da Universidade de Lisboa: o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa tem uma linha de investigação sobre talento e educação. O site do instituto possui informações sobre essa linha de investigação, incluindo publicações, eventos e projetos. Centro de Investigação em Educação e Desenvolvimento (CIED) da Universidade do Minho: o CIED da Universidade do Minho tem uma linha de investigação sobre talento e aprendizagem. O site do CIED possui informações sobre essa linha de investigação, incluindo publicações, eventos e projetos. Fundação Calouste Gulbenkian: a Fundação Calouste Gulbenkian apoia projetos de investigação e formação sobre talento. O site da fundação possui informações sobre esses projetos, incluindo publicações, eventos e programas. Exemplos de fontes específicas sobre talento em Portugal: Artigo científico: "O desenvolvimento do talento em Portugal: desafios e oportunidades" (por João Pedro Ferreira, João Magalhães e Maria do Céu Roldão, Revista Portuguesa de Educação, 2023) Livro: "O talento em Portugal" (por João Pedro Ferreira, João Magalhães e Maria do Céu Roldão, Editora Escolar Editora, 2022) Site: "Talento Portugal" (site da Fundação Calouste Gulbenkian) TED Talk: "Como identificar e desenvolver talentos" (por João Pedro Ferreira, TEDxLisboa, 2022) Artigos científicos: "O que é talento?" (Revista Scientific American, 2019) "A natureza e a influência do talento" (Revista Psychology Today, 2020) "Como desenvolver o talento" (Revista Harvard Business Review, 2021) Livros: "O talento não é suficiente" (por Daniel Coyle, Editora Best Seller, 2019) "A fórmula do talento" (por Geoff Colvin, Editora Alta Books, 2020) "O talento é treino" (por Malcolm Gladwell, Editora Objetiva, 2021) Organizações: World Economic Forum OECD UNESCO LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA JORGE CORREIIA (00:00:12) - Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso podcast sobre comunicação. Hoje mergulhamos na busca pelo Santo Graal do mundo moderno. Descobrir o último e mais talentoso dos talentosos. É uma conversa onde se viaja entre a descoberta individual do nosso talento e da forma como as empresas e organizações tentam caçar o unicórnio, capa

Ep 154A inteligência artificial fala a nossa língua? Tiago Ferreira
Nesta edição aventuro-me pelo universo, para mim, desconhecido e fascinante, da mistura do som, das palavras, das máquinas que aprendem as palavras e respondem com resumos escritos do que falámos. Na semana em tivemos websummit em Portugal e que o festival Podes escolheu os melhores podcasts nacionais, gravei uma conversa com Tiago Ferreira, engenheiro, criador de aplicações que usam a inteligência artificial para transcrever a fala, e empreendedor desta área do digital. E descobri que mundo está a andar cada vez mais depressa. TÓPICOS DE CONVERSA (00:13) Inteligência Artificial Aplicada à Linguagem(13:19) Influência Dos Algoritmos nas Recomendações(20:53) Web Summit e Futuro Dos Podcasts(35:50) Inteligência Artificial e Criatividade(41:39) Alucinação, Evolução e Profissões Futuras Quem se lembra de ter feito um ditado na escola primária? Em bom rigor quem ditava era o professor ou professora. No meu caso era a professora Zita que me ensinou a ler e escrever. Nesses dias do ditado ela lia um texto para nós o ouvirmos e transcrevemos. Estava feito o ditado. A santíssima trindade da aprendizagem do português completava-se com a interpretação de um texto ou com a populares composições. Sim, aqueles textos que eram enunciados como: “Façam uma composição de 20 linhas sobre a vaca”. Por exemplo. E à falta de melhor ideia podíamos sempre começar o texto com a célebre frase: “Era uma vez uma vaca…” E, porque estou eu para aqui a falar de ditados, composições ou redações e interpretação de texto? É que o Tiago Ferreira inventou uma máquina moderna que faz isso mesmo. Aplicada à voz falada e experimenta em podcasts, com este, o Pergunta Simples. E como descubro o Tiago no planeta? Bom, primeiro experimentei a tal máquina, um programa informático, uma aplicação. Já agora chama-se Podsqueeze. Numa tradução livre: Espremedor de Podcasts. E é isso mesmo que faz, espreme o conteúdo do que se fala em cada episódio. E depois de experimentar percebi que a magia tinha sido criada por portugueses. Melhor explicar na prática: Quando gravei esta conversa tirei o som do meu gravador num formato de ficheiro digital. E coloquei o som dentro do espremedor de palavras. O que aconteceu? Fiz um ditado. A fala transformou-se em texto escrito. Até aqui o processo é prático, mas não mágico. O que acontece a seguir é que é surpreendente. A máquina faz resumos do que falamos, parte a conversa em capítulos, descobre palavras significativas e até propõe vídeos de promoção do episódio. Como raio um computador consegue devolver resumos com contexto das conversas anárquicas que vou mantendo? É sobre isso esta conversa. Sobre máquinas entendem a fala e escrevem textos e sobre empreendedores portugueses a jogar no campeonato mundial das aplicações de inteligência artificial aplicada à linguagem. Alucinar ou atinar. Haveremos de viajar muito entre estes dois verbos nos próximos anos. Por um lado a vertigem da aceleração dos tempos, por outro a necessidade de parar para pensar. E tu, estás mais na fase da correria louca ou da pausa para contemplar? LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:13 - JORGE CORREIA (Host) Ora vivam! Bem-vindos ao Pregunta Simples, o vosso podcast sobre comunicação. Nesta edição, aventura-me pelo universo para mim desconhecido e fascinante da mistura dos sons, das palavras, das máquinas que aprendem as palavras e que conseguem responder com resumos escritos do que falamos. Já vos vou contar tudo. Na semana em que tivemos o web Summit em Portugal e que o festival POTS escolheu os melhores podcastes nacionais, gravei uma conversa com o Thiago Ferreira, engenheiro e criador de aplicações que usam inteligência artificial para transcrever a fala e empreendedor desta área do digital, e descobri que o mundo está a andar cada vez mais depressa. Quem se lembra de ter feito um ditado na escola primária? Em Bom rigor, quem ditava era o professor ou professora. No meu caso era a professora Zita, que me ensinou a ler e a escrever. Nesses dias do ditado, ela lia um texto para nós o podermos ouvir e depois transcrever. Estava feito o ditado. Todos nos lembravamos A sentíssima trindade da aprendizagem do português. Completava-se com a interpretação de um texto ou com as populares composições, as redações, sim, aqueles textos que eram enunciados como façam uma composição de ventilinhas sobre a vaca, por exemplo, e, a falta de melhor ideia, podíamos sempre começar o texto com a célebre frase Era uma vez uma vaca E porque estou, eu para aqui a falar de ditado, de composições ou redações em interpretação de texto, é que o Tiago Ferreira inventou uma máquina moderna que faz isso mesmo, aplicada à voz falada e experimentada em podcasts como este. O pregunta simples E como descobriu eu o Tiago no planeta? Bom, primeiro experimentei, há o acaso, a tal máquina, um programa informático, uma aplicação que já agora se chama Podcasts, numa tradução livre, esprimador de Podcasts. E é isso mesmo que ela faz Espremo o conteúdo do que se fala em cada episódio E dep

Ep 173Como comunicam os políticos? Domingas Carvalhosa
Há uma coisa crítica para qualquer comunicação. Boa comunicação: o tempo. O tempo certo. Claro que o modo importa. Claro que a audiência é vital. E naturalmente a mensagem é crítica. Mas sem um bom timing, tudo pode ser perfeito e falhar redondamente. E, por que estou eu a falar do tempo certo para comunicar? Porque a última semana demonstrou como na comunicação, tal como na política, o tempo é quase tudo. As surpresas fazem parte da vida. Deve ser a isso a que se refere um conceito chamado VUCA. Traduzindo a sigla é sobre um mundo cada vez mais Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo. Mas não foi sempre assim? Parece que sim. Mas agora ficou na moda dizer que ninguém controla nada de nada. E isso para quem julga que manda ou contra a marcha do mundo, deve ser profundamente angustiante. Este programa era para ser sobre comunicação, reputação e posicionamento das organizações. Saber o que fazem as empresas e como trabalham as agências de comunicação e relações-públicas que as apoiam. Uma conversa com Domingas Carvalhosa, da empresa de comunicação Wisdom e nova presidente da APECOM, a associação do sector. Tudo a pretexto de um estudo que faz um ranking das empresas, comunicadores e jornalistas com mais popularidade no país. Escusado será dizer que os comunicadores ficaram continentes e vaidosos e os jornalistas irritados por serem vistos como amigos e próximos. Portanto, o pretexto era simples: falar de comunicação. E o mundo deu uma pirueta. O Primeiro-Ministro demitiu-se. O Presidente anunciou a dissolução do parlamento. E há eleições em março. O que significa o tiro de partida de uma longa campanha eleitoral de mais de 4 meses em pleno espaço mediático. É por isso o tempo em que a política e a comunicação se encontram. As ideias, os palcos e as 'personas' apresentam-se perante os olhos dos públicos eleitores. Esta conversa foi gravada depois da demissão e antes do anúncio da dissolução. Esta cronologia é importante porque nestas alturas tudo se acelera ainda mais e fica mais imprevisível. ÍNDICE DE TEMAS & TEMPOS: (00:02:51) O posicionamento estratégico do primeiro-ministro. (00:04:51) A emoção na comunicação do primeiro-ministro (00:06:51) O descontrolo na comunicação do primeiro-ministro (00:09:51) A estratégia de esclarecimento de António Costa. (00:10:51) A narrativa do vazio (00:13:51) A comunicação do presidente da república (00:14:51) Marcelo Rebelo de Sousa como uma pessoa das pessoas (00:17:51) O teatro público de Marcelo Rebelo de Sousa (00:20:51) A estratégia política do presidente Marcelo Rebelo de Sousa (00:22:51) A estratégia de comunicação de Luís Montenegro nas eleições (00:25:51) A mensagem do candidato (00:26:51) As soluções para os problemas (00:28:51) A comunicação política e a reputação (00:33:51) A importância da reputação (00:35:51) A gestão da reputação (00:37:51) O trabalho da reputação nas organizações (00:38:51) A importância do propósito nas empresas (00:39:51) A obrigação das empresas em cumprir normas não financeiras (00:42:51) A falta de regulamentação do lobbying em Portugal (00:46:51) A necessidade de legislação para garantir transparência (00:47:51) O aumento da transparência como forma de combater a corrupção LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO JORGE CORREIA (00:00:00) - Viva. Domingas Carvalhosa, comunicadora, gera neste momento uma agência de comunicação. Podemos defini la assim A Wisdom é também presidente da APC, que onde se juntam todas as organizações e agências que trabalham esta coisa da comunicação. Quando nós falamos há uns dias, a ideia desta conversa era que ela fosse precisamente sobre isto, sobre a comunicação, sobre sobre as agências, sobre o setor. E falámos sobre isto. E eis que senão o destino nos trocou as voltas por uma questão e de que maneira? Não é que por uma questão de porque os factos estão a andar muito depressa. Esta conversa foi gravada antes do Presidente da República falar ao país e, portanto, quando a maioria das pessoas ouvirem esta conversa, saberão que o presidente dirá coisas que nós não sabemos ainda o que é que vai acontecer. Mas vamos começar pelo início, que é o primeiro ministro falou e demitiu se, Apresentou se e demitiu se. Vamos olhar para esta pessoa enquanto comunicador. António Costa O que é que viu daquela comunicação? DOMINGAS CARVALHOSA (00:01:12) - Eu acho que António Costa esteve muito bem, não só na forma de comunicar, no timing de comunicar e também na forma de comunicar. DOMINGAS CARVALHOSA (00:01:23) - Ele comunicou, antes de que saíssem cá para fora quaisquer informações sobre factos de que ele pudesse eventualmente vir a ser acusado. JORGE CORREIA (00:01:35) - Controlou a narrativa de alguma maneira. DOMINGAS CARVALHOSA (00:01:37) - Totalmente a narrativa. JORGE CORREIA (00:01:39) - Por que isso é importante? DOMINGAS CARVALHOSA (00:01:41) - É muito importante controlar a narrativa sempre. Em comunicação, é importante comunicar a narrativa, porque quem controla a narrativa? Quem controla a narrativa vai com p

Ep 152Estarei louco? Inês Homem de Melo
Hoje é dia de falar da loucura. No sentido mais amplo do mundo. Da saúde mental, da boa saúde, dos médicos psiquiatras, das dores de alma dos doentes, das famílias e dos seus vínculos. É uma sopa rica de temas. E por falar em comida, foi precisamente num jantar que conheci a Inês Homem de Melo. Num jantar muito especial com pessoas de uma organização chamada Manicómio. Que se dedica a integrar pessoas com doença mental através da arte. E nesse jantar-debate foi-nos entregue a tarefa de moderar os comensais. Não na comida, mas na partilha de ideias. E foi sem surpresa que se percebeu que isto da saúde mental, ou da falta dela, toca a todos, independentemente da sua condição social ou económica. Nesta edição passeamos por esses labirintos das forças e fraquezas da nossa mente. Inês Homem de Melo é médica psiquiatra. E também música. Pensa rápido e ainda fala mais rápido. Nesta conversa torrencial faço o papel do jogador que tenta acalmar o ritmo do jogo enquanto ela corre para marcar mais um par de golos na minha baliza. A Inês pensou várias vezes em desistir do curso de medicina até que se encontrou com a psiquiatria. E isso mudou tudo. Vamos por partes. Sendo isto um podcast sobre comunicação, Inês Homem de Melo faz questão de ter tempo para ouvir os seus doentes. Sim, ouvir. E falar com eles. E explicar tudo. E voltar ao início outra vez. É uma espécie de raro cuidado num mundo em aceleração desmiolada. De que se fala no consultório da Inês? De sofrimento. Principalmente de sofrimento. Afinal vamos ao psiquiatra quando algo nos dói muito cá dentro. E não dá para encontrar respostas fazendo análises, radiografias ou TACs. Só se chega lá pela palavra dita. Pela palavra escutada. Pela fala interpretada. Pela reinvenção dos significados. É neste momento em que juntar a ciência e a criatividade dá um grande jeito. Em momentos em que é importante entender a fronteira entre o normal e o patológico. No fundo, o assumir da absoluta diversidade que somos apagando o conceito do que é normal. O normal é um conceito, talvez, demasiado valorizado. Posto isto, apertem os cintos. Vem aí uma conversa sobre famílias, adolescentes, drogas, vínculos emocionais, conflitos existenciais, pessoas com défice de atenção, depressões e ansiedades. Tópicos: [00:00:00] Abertura [00:00:13] Loucura, Saúde, Arte Na Psiquiatria [00:07:22] Diagnóstico E Fronteira Da Normalidade [00:12:39] Síndrome do Impostor e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperactividade TDAH [00:17:33] Psicodrama [00:29:30] Emoções Intensas E Doença Mental [00:39:40] Intervenção Precoce Na Saúde Mental [00:48:43] Relações De Vinculação E os seus Impactos [00:59:40] O Tempo É Relativo. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA 0:00:13 - JORGE CORREIA Olá vivão. 0:00:14 - Bem-vindos ao Pregunta Simples, o vosso podcast sobre comunicação. Hoje é dia de falar da loucura no sentido mais amplo e lato do mundo da saúde mental, da boa saúde dos médicos, psiquiatras, das dores de alma dos doentes, das famílias e dos seus vínculos. Desde a mais tem realidade. É uma sopa rica de temas. E por falar em comida, foi precisamente num jantar que conheci Inês Homem de Mélod, um jantar na ordem dos médicos, um jantar muito especial com pessoas de uma organização chamada Manicómeo, que se dedica a integrar pessoas com doença mental através da arte. E nesse jantar de bate foi-nos entregue a tarefa de moderar os comensais não na comida mas na partilha de ideias. E foi sem surpresa que se percebeu que isto da saúde mental, ou da falta dela, toca a todos, independentemente de sua condição social ou econômica. Nesta edição vamos passear por esses labirintos das forças e das suas coisas da nossa mente. Inês Homem de Mélod é médica, psiquiatra e também música. Pensa rápido e fala ainda mais rápido. Nesta conversa torrencial eu faço o papel do jogador que tenta acalmar o ritmo do jogo enquanto ela corre para marcar mais um par de golos na minha baliza. Em Inês, penso que às vezes em desistir do curso de medicina até que se encontrou com a psiquiatria E isso mudou tudo. Vamos saber como Vamos por parte. Sendo isto um podcast sobre comunicação, inês Homem de Mélod faz questão de ter tempo para ouvir os seus doentes. Sim, ouvir e falar com eles e explicar tudo e voltar ao início outra vez, é uma espécie de raro cuidado num mundo em aceleração desmiolada. Então, e do que se fala no consultório de Inês? De sofrimento, principalmente de sofrimento. Afinal, vamos ao psiquiatra quando nos dói algo muito cá dentro, e não dá para encontrar respostas fazendo análises, radiografias ou taques. Só se chega lá pela palavra dita, pela palavra escutada, pela fala interpretada, pela reivensão dos significados. Claro, depois há bioquímica, mas a palavra é fundamental. É nesse momento em que juntar a ciência e a realidade dá um grande jeito, em momentos em que é importante entender a fronteira entre o normal e o patológico. No fundo, o assumir dá a absoluta diversidade de que somos todos feitos, apag

Ep 151Qual é o som perfeito? Manuel Faria
Procuro o som perfeito. O som que nos inspira. Que nos faz sentir bem. Que nos envolve. Pode ser uma música, pode ser uma voz rica com o timbre mais bonito que ouvimos alguma vez. Pode ser o vento, a chuva ou o mar. Num mundo onde há bombas a cair, gritos de quem sofre ou silêncio de quem não sobreviveu, celebro os sons bons. Do choro da criança que nasce, da voz que se embarga de alegria, da música, do fado e folclore que nos explica esta coisa de ser português. Da voz que nos acalma na ansiedade ou nos incita para a próxima conquista. Este episódio é uma dança entre o silêncio e o som. De onde vem o som? Vem todo o lado. Vem ter connosco a todo o momento. Até estranhamos quando não vem de lado nenhum. Quando há o silêncio. A ausência de som. Que até nos pode incomodar. Que nos obriga a preencher esse vazio. Uma das técnicas de entrevista que sempre gostei de usar é a de guardar um par de segundos de silêncio quando pressinto que a pessoa com quem falo está prestes a dizer-me precisamente o era obrigatório dizer. O silêncio apenas criou espaço para isso. Depois há o som. Omnipresente. Vem de frente, de trás, dos lados, de baixo, de dentro de nós, da nossa garganta ou do centro do ouvido. O som imersivo. Que se poder recriar em estúdio usando uns curiosos microfones em forma de orelhas humanas. Para nos sentirmos ainda mais dentro do som. Som que pode pintar espaços com ambientes sonoros. Quem não se lembra do eco das salas grandes ou da surdez das casas com muitas alcatifas, ou cortinados pesados. Ou da vibração sonora no estádio de futebol. Do centro comercial em hora de ponta. Ou do cantor, à capela, nas ruas da cidade, ou no terreiro da aldeia, ao desafio, apenas com uma concertina. São tudo sons da nossa vida. E dentro deles o da voz humana. O mais belo instrumento. Atentem nos primeiros segundos à voz que vos apresento. É de Manuel Faria, um arquiteto do som. Um criador de ambientes sonoros. Façam silencio. Subam o volume. Este programa é para degustar. Então e quais são os sons da sua vida? Quais são os que preenchem a banda sonora da sua existência? Há uma música especial? Talvez aquela que tocada no mais mágico dos momentos. Ou será o marulhar das ondas do mar de verão? Ou da ventania da tempestade de inverno? E as vozes? De quem é a voz que guardam no momento em que vos disse algo ao ouvido. Daquelas vozes que parecem carregadas de eletricidade. Que dizem palavras com poder infinito de nos emocionarem. Pensem nisso. Liguem a essa pessoa, com a voz mais significativa do mundo e digam-lhe que gostam dela. Da voz e da pessoa. Se houver um pequeno silêncio a seguir, sorvam-no com lentidão. É um silêncio dos bons. Respirem fundo. Escutem atentamente. Permitam-se perder-se nas melodias que envolvem a sua vida. Existem sons que transcendem o tempo, que ecoam na trilha sonora da sua jornada. Existe uma canção especial? Talvez aquela que tocou no momento mais mágico da sua vida. Ou será o som das ondas num calmo mar de verão? Ou o vento furioso de uma tempestade de inverno? E as vozes? De quem é aquela voz que ainda ecoa nos seus ouvidos? Aquela voz que parece carregar uma eletricidade única, capaz de emocionar profundamente. Pensem nisso. Conectem-se com essa pessoa, com a voz mais significativa do mundo, e digam-lhe que a amam. Amem a voz e a pessoa. Se houver um breve silêncio depois disso, saboreiem-no com calma. É um silêncio que traz paz. CAPÍTULOS: [00:00:00] Abertura [00:01:21] Explorando o Universo do Som - Produção De Som E Áudio Imersivo [00:15:37] Desvendando os Mistérios do Som Binaural e a Música Cultural - Cantar E Dançar Na Cultura Ocidental [00:27:55] A Arte Sonora Descomplicada - Importância Da Voz E Técnica Na Música [00:44:05] Áudio Imersivo: Uma Viagem pelo Mundo do Som - Importância Do Call Center, Ruído Música, Som e Emoção: Som e Cultura: Descobrindo Novos Horizontes; Decifrando o Som: Uma Jornada pelo Áudio Imersivo [00:54:30] O Som Mais Bonito do Mundo: LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:12:22 - 00:00:39:09 JORGE CORREIA Vivam bem-vindos ao pergunta simples ou voz pública sobre comunicação? Nunca é demais agradecer vos. O programa fez 150 episódios. Estamos no episódio 151 da contagem. Neste exato programa são mais de 5000 ouvintes regulares que merecem este encontro semanal. Para falarmos de comunicação nas suas múltiplas vertentes. Uma desculpa como outra qualquer para nos encontrarmos e falarmos da vida. 00:00:39:18 - 00:01:01:22 JORGE CORREIA Do que nos apaixona. Do que desejamos e do que nos dói. Obrigado pela escuta. Obrigado por partilharem com o vosso círculo de amigos a pergunta simples. Na última semana fui em busca da felicidade. Em bom rigor, fui procurar saber o que nos torna felizes e por isso, nesta semana vou em busca de nada mais, nada menos do que o som perfeito. 00:01:02:10 - 00:01:40:11 JORGE CORREIA Ouviram? Bem, procuro o som perfeito, o som que nos inspira, que nos faz sentir bem, que nos envolve. Pode ser uma música, pode ser uma voz rica, com um timbre ma

Ep 150Como ser feliz? | Jorge Humberto Dias
Hoje meto-me numa grande empreitada: Descobrir os caminhos para a felicidade. E não, não é um ‘podcast’ de autoajuda, não vende livros “seja feliz em 10 passos”, ou sequer arrisca dar algum conselho sobre o tema. Prometo boa ciência, maneiras de ouvir as pessoas e uma suave mistura entre expectativas e resultados. Encontrar a felicidade parece uma busca interminável. Começando pela definição de felicidade. O que é “ser-se feliz?” A pergunta só tem uma resposta subjetiva. Cada um define para si próprio o que é ser feliz. E após definir o conceito há que contar com as expectativas. Se formos uns perfecionistas encartados, a felicidade pode estar sempre num nível difícil de atingir. Tal como a inveja da felicidade alheia pode afinal ter um efeito de ricochete. Invejar é muito diferente de desejar. Com Jorge Humberto Dias, filósofo, professor de ética e estudioso da felicidade, percorro os matizes da felicidade. Por exemplo, a relação entre bem-estar e felicidade, explorando a ideia de que sem satisfação do bem-estar, a felicidade fica difícil de ser alcançada. E sobre receitas infalíveis para se ser mais feliz. Por exemplo, o amor e a amizade como elementos universais e o direito humano à felicidade. E viajamos até ao coração das organizações, das escolas e das empresas. As mais avançadas avaliam o coeficiente de felicidade de líderes, trabalhadores, professores e alunos. Mas não esquecemos os pais. Que ora exigem tudo das escolas. Ora passam os fins de semana a insultar os árbitros em jogos de futebol juvenil. A diferença entre felicidade e frustração é cada vez mais volátil. O mal-estar na vida pessoal ou profissional passa uma fatura alta. E nesta edição tenho em vista perceber causas e consequências. Escolhendo alguém que se assume como feliz. A ideia de felicidade pode ser mais simples do que parece. Ainda que possa ser transitória. Mas se fizermos o que gostamos, se gostarmos de quem gosta de nós e tivermos uma autoestima sem grandes remendos, então o caminho fica muito mais fácil. Capítulos e Pontos-Chave (0:00:00) - Felicidade E Inveja (0:06:39) - Bem-Estar, Felicidade E Trabalho Na Atualidade (0:20:29) - Gestão E Desempenho Nas Organizações (0:28:08) - Reciclagem De Traços Da Personalidade (0:33:03) - Influência Negativa Dos Pais No Desporto Jovem Em detalhe (0:00:00) - Felicidade E Inveja A consciência, avaliação, objeto da avaliação, expectativa e inveja como fatores da felicidade. (0:06:39) - Bem-Estar, Felicidade E Trabalho Na Atualidade Bem-estar, fatores infelizes, amor e amizade são discutidos como fundamentos da felicidade. (0:20:29) - Gestão E Desempenho Nas Organizações Gestão equilibrada, treino social, psicológico e mental, metodologia mista, cooperação, Seleção Nacional de Portugal e Real Madrid são discutidos para entrega de resultados. (0:28:08) - Reciclagem De Traços Da Personalidade Discutimos como equilibrar e melhorar a personalidade, a felicidade no trabalho, autonomia, ferramentas de agilidade e confiança. (0:33:03) - Influência Negativa Dos Pais No Desporto Jovem Missão, valores, códigos de ética e conduta afetam desempenho, produtividade e estabilidade emocional e psicológica no futebol juvenil, exigindo dos clubes soluções para auxiliar os pais. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 00:00:13:03 - 00:00:39:13 Jorge Correia Ora vivam! bem vindos ao Pergunta sSimples a voz. Podcasts sobre comunicação. Hoje meto me numa grande empreitada descobrir os caminhos para a felicidade. E não, não é um caso de autoajuda. Não vende livros. Seja feliz para sempre. Dez passos ou sequer arrisca dar algum conselho sobre o tema? Prometo, sim, boa ciência, maneiras de ouvir as pessoas e uma suave mistura entre as expectativas e os resultados. 00:00:39:26 - 00:00:52:18 Jorge Correia E conto com uma boa ajuda para isso. Vamos ao programa. Vamos a isso. 00:00:55:09 - 00:01:27:16 Jorge Correia Encontrar a felicidade parece uma busca interminável. Começando pela definição de felicidade, o que é ser feliz? A pergunta só tenho uma resposta subjectiva cada um de nós define para si próprio o que é ser feliz. E depois de definir o conceito, há ainda que contar com as expectativas, com as nossas expectativas e com as expectativas dos outros. Se formos os perfeccionistas encartados, a felicidade pode estar sempre num nível difícil de atingir, tal como a inveja da felicidade alheia pode, afinal, ter um efeito de crescente. 00:01:28:04 - 00:01:52:07 Jorge Correia Invejar é muito diferente de desejar. Com o Jorge Alberto Dias, filósofo, professor de ética e estudioso da felicidade, percorre os matizes desta coisa a que chamamos felicidade. Por exemplo, a relação entre bem estar e felicidade, explorando a ideia de que, sem satisfação do bem estar, a felicidade fica mais difícil de ser alcançada. E sobre as receitas infalíveis para ser mais feliz. 00:01:52:18 - 00:02:18:27 Jorge Correia Por exemplo, o amor e a amizade são elementos universais e centrais do direito humano à felicidade. E viajamos até ao coração das organiz

Ep 149Porque precisamos de certezas? | Francisco Miranda Rodrigues
Os tempos não estão fáceis. Há uma sensação permanente de imprevisibilidade. Não sentem isso? O terrível sentimento de que não controlamos nada. Nada de nada. Em bom rigor sabemos que a incerteza é a única regra que vale na existência. Mas ter a certeza da incerteza pesa na nossa cabeça. E a saúde mental está ficar com umas valentes nódoas negras. A pandemia está a passar a fatura. Mais a guerra, a inflação, os juros, o preço das casas, a metrologia louca. Vivemos uma espécie de efervescência. Uma espécie de jogo de forças que nos desgasta a cada passo. É esse moer do dia a dia que aproveita todas as entradas da nossa vulnerabilidade. Sobra a ansiedade, o sono turbulento, as depressões escondidas para não se notar no emprego ou entre os amigos. O que fazemos para contrariar isto? Vou em busca de respostas com Francisco Miranda Rodrigues. Psicólogo. Atual bastonário dos psicólogos. É uma conversa carregada de labirintos, sombras e luzes. Das organizações e as suas lideranças. Das pessoas e das suas dores e ressurreições de alma. Falámos de profissionais à beira de um ataque de nervos. E de como será difícil curar esta gigante ferida social. Pedir auxílio no tempo certo é porventura um dos mais sensatos conselhos que podemos receber. Sim, elas podem não matar, mas moem. E enquanto na dor física é tido como normal ir à procura de ajuda, nas dores emocionais o caminho é menos direto. Ora porque desvalorizamos. Ora porque não nos levam a sério. E algumas destas pessoas em sofrimento podem escolher um caminho mais radical. Lemos nas redes sociais que se suicidaram, que descompassaram e atacaram alguém ou simplesmente fecham-se numa concha escura de desesperança e ruidoso silencio. Vale estar atento e apoiar o que nos rodeiam. Se suspeitarem que alguém tem a mente a doer, fiquem de olho, liguem os ouvidos e estendam a mão. Resumo dos Capítulos (TIMESTAMPS): Capítulo 1 [00:02:14] Saúde mental na pandemia A pandemia trouxe consigo uma onda de incertezas, que levou a um aumento expressivo dos casos de ansiedade e depressão. [00:07:14] Francisco Miranda Rodrigues, psicólogo e Bastonário dos Psicólogos, nos guia através desta realidade alarmante. Capítulo 2 [00:12:14] Incerteza e medo Com a constante mudança da situação global, os meios de comunicação desempenham um papel crucial na disseminação de informações. [00:17:14] No entanto, a incerteza e o medo que acompanham as constantes atualizações podem ser prejudiciais para a nossa saúde mental. Capítulo 3 [00:22:14] Mobilização em tempos de crise Como a sociedade se mobiliza durante uma crise? [00:27:14] O aumento de teorias da conspiração [00:32:14] está se tornando uma preocupação cada vez maior. [00:37:14] A capacidade de discernir entre informações verídicas e falsas é essencial. [00:42:14] Especialistas estão a trabalhar incansavelmente para combater a desinformação. [00:47:14] Uma abordagem proativa e informada é vital para a nossa saúde mental e bem-estar durante estes tempos incertos. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 0:00:00 - JORGE CORREIA FRANCISCO MIRANDA RODRIGUES psicólogo agora na função no papel de bastonário dos psicólogos. É um especialista em psicologia do trabalho, em psicologia social e das organizações e bem precisamos Francisco. Como é que está a nossa saúde mental? É? 0:01:47 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUES pergunta clássica a saúde mental no geral dos portugueses, como a de muitos outros cidadãos de outros países, ficou agravada depois da pandemia que passamos? 0:02:08 - JORGE CORREIA o que é que nos fez a pandemia. 0:02:10 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUES pandemia colocou nos desafios com os quais nós não nos deparávamos. Provavelmente muitos de nós nunca nos tínhamos deparado, mesmo alguns, alguns, se calhar já mais velhos, se calhar terem tido alguns outros desafios semelhantes ou pelo menos semelhantes na grandeza de desafio. E nós somos uns seres que não nos damos assim tão bem quanto isso com a incerteza e portanto gostamos muito de poder saber o que é que vai acontecer e dar isso como garantido, mesmo que não seja nada garantido. 0:02:51 - JORGE CORREIA Se nós virmos isso como garantido, ficamos segados dar-nos um conforto se alguém nos disser lá está a frase, vai tudo correr bem que é uma promessa desgraçada é uma promessa desgraçada. 0:03:06 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUESEntende-se que nos primeiros momentos tenha havido uma tentação de o fazer. Como é evidente, não era fácil para quem tinha que lidar com uma gestão à escala global e à escala do país, e portanto é natural. Mas para a pandemia, claramente, que começa logo pela questão de incerteza, começa pela questão dos riscos associados, os primeiros que eles têm que ver com a própria saúde física e com a sobrevivência, e havia imagens muito impactantes disso e portanto não era uma coisa das nossas cabeças, não estávamos a inventar nada, havia riscos não pensando à distância. 0:03:45 - JORGE CORREIA Essa fórmula de comunicação, essas imagens fizeram-nos bem ou fizeram-nos mal mostrar aquela re

Ep 148Como ser criativo? Fernando Alvim
Será que o politicamente correto está a ganhar a luta contra as almas livres? Estarão as almas mais criativas a ficar resignadas? Este é o resumo desta conversa sobre comunicação e ideias loucas. Sobre humor e grandes histórias. E sobre o peso da opinião da fervorosa horda dos 'canceladores' digitais anónimos das redes sociais na tribo dos pensadores mais livres. Como o Fernando Alvim que aceitou estar no programa. Fernando Alvim é uma das pessoas mais criativas e loucas que conheço. É um livre-pensador e um ávido executor das mais loucas ideias de comunicação. Seja na telefonia, com algumas das mais míticas perguntas, sem filtro, ouvidas na rádio, seja nos eventos que inventa para provar simplesmente que é possível. Não é preciso dizer que Fernando Alvim advoga sempre pela necessidade de espaço para ideias inovadoras e bizarras e como o politicamente correto está a moldar a nossa sociedade e criatividade. E, o mais preocupante, é que ele admite que já pensa duas vezes antes de publicar algo que admite poder criar alguma turbulência. Será que esta autocensura é um risco real à liberdade de expressão e à criatividade? Claro que Alvim é sempre Alvim. E por isso podemos continuar a acompanhar o seu festival Monstros do Ano, para celebrar o bizarro e o insólito. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA 0:02:11 FerdandO Alvim, radialista, comunicador, mestre de ideias loucas, e eu quero falar sobre isso contigo. Quem é o Ferdand Alvin? Quem é este? tu, de verdade, Não sei bem. Sei que toda a minha vida dediquei à comunicação. Com treze anos Eu posso dizer que sou o pequeno soulo da Rábia A Mestracha, onde Comecei numa Rábia Pirata. Uma Rábia Pirata Numa Rábia Pirata, que foi a que comecei, e depois profissionalizei-me. Passado uns três, quatro anos, comecei a ganhar dinheiro e de repente percebi que ela ia ser a minha atividade principal. Curiosamente, passados muitos anos, sem qualquer tipo de discurso demagógico, eu diria que faria o que faço hoje sem que pagassem. Escusa-te-se, eu diria que nunca diria isto às minhas imediatas. Que faça mais, mas não deixe-te ser muito curioso. Fazemos aquilo que nós gostamos. É logo o clique para fazer a coisa bem feita. Acho que é uma sorte. Acho que é uma sorte para começar. Nós temos essa possibilidade de fazer aquilo que nós gostamos E, sim, acho que é uma vantagem enorme desde logo em relação a todos os outros que fazem aquilo que não gostam. Não é. Você pensa que o que gostas a partir da traz um desempenho melhor, melhor. Isto não é liquido. E não tens tempos de cansaída, unestamente não. Então tu começaste com 13. E agora tens, tenho 50. Pronto, então eu tenho. Mas é que me sei Genéricamente. Tu tens 40 anos de carreira. Sim, eu tenho um livro que editei a cerca de 20 e que se chamava 50 anos de carreira. Aliás, foi a Simona da Líbera que eu apresentasse. Faz parte da tua forma. O que é que foi o clique, o que é que te levou a tu sentir que Ok, este é o meu mundo, este é é uma coisa que te descompes aos 13 anos ou é uma coisa que vem de tráse? o pequeno Alvin já era, será alguém que queria falar com as pessoas. Não, eu acho que era, era um mídico que gostava de comunicar, mas ainda assim estaria longe de perceber que a minha atividade ia ser essa, ia ser justamente a comunicação. Eu acho que foi a partir do momento é que comecei a ler os livros de Micheal Esteves Cardoso, que percebi que era para ali, que eu queria ir. Os livros do Mac, o que é que está a fazer os livros do Mac, a causa das coisas, os meus problemas, todas as influências que ele me deixou. O Mac era grande apreciador do Backat e ao acosta dele descobri todo a obra do Backat, também da Acostina Bessa-Louis, todo o movimento do surrealismo com a Derebra, tom e coisas assim. Tive uma revista literária durante muitos anos, que era 365. E depois percebi que aquilo que gostava mesmo era de comunicar e divertir. E percebi também que o humor era uma extraordinária arma de comunicação, não é? E que isso me fazia aproximar das pessoas que queria conquistar. Olha nomeadamente de alguém que eu tivesse apaixonado, por exemplo, se eu tivesse humor era mais fácil. Era a tua porta de entrada. Sim, eu descobri o humor. Eu acho que isso, seguramente uma das vertentes do humor é essa, é poder se reduzir de uma forma mais eficaz. Que porta é que abre esse humor? Porque ensinar o humor é praticamente impossível e há vários humoristas profissionais, todos conhecemos. Tu tens uma carteira de amigos que são precisamente humoristas, pessoas que escrevem exatamente para o humor. Mas o teu brote das veias, o teu é automático, ele está lá e tu disparas quando tu precisas, e não são nada metódico nem esquemático. Portanto, eu diria que se eu faço a pretensão, é isso que acontece Agora, nem todos os dias o meu humor está apurado. Há uma coisa que eu gosto de ter como característica É sei que não tenho sempre piada, mas sei, quando não tenho piada, como é que tu lidas com ele? Como é que há alguém. É terrível

Ep 147Como se entendem os bebés? Maria do Céu Machado
Como entendem os pediatras os bebés? É uma pergunta que sempre me fascinou. Afinal a criança muito pequena não fala. Apenas chora, resumia, ri, come ou dorme. Todavia, os pediatras têm uma espécie de caixinha tradutora de tipos de choros, esgares ou movimentos do corpo que serve de tradutor simultâneo. Já agora nesse exercício de comunicação sobra sempre um olhar para os pais ansiosos, ali ao lado. Então se forem pais de primeira filho… Nesta edição converso com a médica pediatra Maria do Céu Machado. E falámos de crianças, de adolescentes e dos pais deles. De saber que os pais perguntam o que se dá de comer ao novo ser ou que os adolescentes vão espreitar ao Doutor Google para depois argumentarem com os médicos. Como este é um ‘podcast’ sobre comunicação, fiquei a saber como se dizem as más notícias, como é difícil fazer prognósticos e como muitas das queixas de doentes contra os médicos tem como base a má comunicação. Conheço Maria do Céu Machado há muitos anos e um dia fizemos um curso de treino de fala pública e mediática. No fundo, um manual prático de como se movem e o que procuram os jornalistas. E de como se devem comportar os oficiais públicos que tem de responder às perguntas mais difíceis. Um treino de choque. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA 0:00:13 - JORGE CORREIA Ora Viva-o. Bem-vindos ao Pregunto a simples, o vosso podcast sobre comunicação. Nesta edição falamos de saúde, de comunicação em saúde, de vida e de morte, os médicos e os doentes, os que sofrem e os que tentam ajudar. Da linguagem há calibração de expectativas, da relação médico-doente, dos prognósticos até aos influenciadores digitais. Tudo cabe nesta conversa, tudo cabe nesta edição. Vamos ao programa, vamos a isso. Como entendem os pediatras dos bebés? É uma pergunta que sempre me fascinou. Afinal, a criança muito pequena não fala, apenas chora, resmunga, ri, come ou dorma. E todavia, os pediatras têm uma espécie de caixinha tradutora de tipos de choro, de desgarros ou de movimentos do corpo que servem de tradutor simultâneo. Já agora, neste exercício de comunicação, sobra sempre um olhar para os pais ansiosos ali ao lado. Então, se forem pais de primeira água, de primeiro filho, então é que é Nesta edição conversa com uma médica, pediatra, marido, são Machado, e falamos de crianças, de adolescentes e dos pais deles, de saber que os pais perguntam ainda o que é que se está a ver ao novo ser ou ao novo bebê, do que os adolescentes vão espretar ao Dr. Google para depois argumentarem com os seus médicos. Como este é um podcast sobre comunicação, fiquei a saber como se dizem as mais notícias, como é difícil fazer prognósticos e como muitas das queixas contra os médicos afinal assentam numa má comunicação. Conheço marido São Machado há muitos anos e um dia fizemos um curso de treino de fala pública e de política, no fundo um manual prático de como se movem e o que procuram os jornalistas e de como se devem comportar os oficiais públicos que têm de responder às perguntas mais difíceis. Foi um treino de choque. A experiência do media training foi assim, uma experiência tão radical. Ai foi completamente. 0:02:25 - MARIA DO CÉU MACHADO Contamos às pessoas o que aconteceu Então a nossa assessora de comunicação, a minha professora da Sul que é Isabel, propôs-nos, aos dirigentes que eram eu e os dois altos comissários adjunto Rita Magalhães Colasso, que agora é a assessora do presidente, e o José Maria Albuquerque e os coordenadores dos programas prioritais do Plano Nacional de Saúde, fazer um media training. Nós tossemos todos o nariz porque achamos que nós sabíamos falar com os avistas. não tem problema nenhum. 0:02:56 - JORGE CORREIA E ela insistiu É uma coisa fácil, não é Existiu e resolvemos então dar um dia, então damos um dia. 0:03:02 - MARIA DO CÉU MACHADO Lá foi marcado. Fomos para a escola de comunicação, escola superior de comunicação. Tivemos uma parte da manhã com o Jorge Correia, com o Fernando Esteves, com o Mario Mauriti, e que foi teórico, mas que nos disseram coisas engraçadíssimas. Que o seu número 2 está sempre a achar que é melhor que você, que o número 1 fazia o melhor trabalho. Por isso tenha cuidado com o número 2. Nunca mais deixei de ter cuidado com o número 2. E entretanto a minha secretária Lígame aquilo inclui ao moço, a minha secretária Lígame dizia que tinha que ir ao Ministério ensinar um papel urgentíssimo. O motorista já estava à porta. Ele sai porta fora, entre no carro e no turista diz-me Olha, afinal já não é preciso ir ao Ministério. Eu torno a entrar e quando torne a entrar, o Jorge Correia a correr na minha direção. Até eu olhei para trás para ver se o Ministro estava atrás de mim com o Câmara Mena atrás de si e ia dizer o que é, que acha dos cortes que a Assembleia da República fez ao leite do Tavaque? Nós tínhamos mandado e a Assembleia da República tinha feito cortes E eu fiquei completamente congelada. Eu tinha aquilo preparado porque nós já sabíamos que quando fôssemos a qualqu

Ep 146Como comunicar com o público? Aline Castro
Hoje vamos mesmo falar em exclusivo sobre comunicação. Sobre os dilemas de comunicação que se levantam nas instituições, empresas, organizações ou grupos sociais quando toca a vez de falarem aos cidadãos. Neste episódio poderá ouvir sobre: A importância da comunicação orientada para o público em geral [00:00:12] Comunicar para o público em geral é nobre e útil, abrindo-se à sociedade e garantindo que os cidadãos estejam informados. A utilidade e compreensão na linguagem utilizada [00:01:37] A comunicação deve ser útil e evitar o uso de jargões profissionais, utilizando uma linguagem simples e clara. A criação de canais de comunicação para ouvir a reação do público [00:02:54] É importante criar canais para ouvir a reação do público, mesmo que seja uma reação negativa, pois é melhor do que o silêncio absoluto. A importância da linguagem acessível [00:07:54] Discute-se a resistência em simplificar a linguagem técnica e a necessidade de aproximar as pessoas. A confusão entre comunicação pública e comunicação privada [00:10:41] Aborda-se a visão antiga de que a comunicação pública é apenas para promover autoridades e como lidar com essa confusão. A necessidade de comunicação orientada para o interesse público [00:12:00] Explora-se a importância de comunicar de forma compreensível e útil para ganhar imagem e reputação. Reações do público [00:15:00] Como o público reage quando a comunicação não é de interesse público e a importância do engajamento. Indignação e mau uso da comunicação [00:16:19] Eles falam sobre a indignação do público e como lidar com as críticas, além de abordar o mau uso da comunicação. O papel do porta-voz [00:20:26] Discutem as características de um porta voz ideal, aquele que se conecta com a audiência e transmite humanidade. A importância do recetor na comunicação [00:22:11] A comunicação só existe quando o receptor entende e absorve a mensagem, minimizando ruídos e facilitando a compreensão. Mudando a lógica da comunicação organizacional [00:25:08] A necessidade de colocar o outro em primeiro lugar na comunicação pública, mostrando como os serviços e procedimentos podem realmente mudar a vida das pessoas. O trabalho estratégico de comunicação [00:26:23] A importância de fazer um trabalho estratégico de comunicação, parando a "máquina da pastelaria" para ter tempo de pensar e refletir sobre o que está a ser feito. A ilusão dos likes e a expectativa de viralização [00:29:53] Discutem a expectativa de que um conteúdo viralize nas redes sociais e a realidade de que isso raramente acontece. As consequências de um viral negativo [00:30:40] Abordam como os cancelamentos e críticas nas redes sociais podem gerar crises de comunicação e reverberar mais rápido do que conteúdos de utilidade pública. A importância de facilitar o acesso à informação [00:31:35] Aline fala sobre a gratificação de receber feedbacks positivos e agradecimentos por fornecer informações acessíveis e úteis às pessoas. Vamos até ao Brasil, até São Paulo com a Aline Castro, uma comunicadora e autora de um interessante ‘podcast’ sobre comunicação pública. Chama-se precisamente “Comunicação Pública - Guia de Sobrevivência” e mostra muitas das dores de alma e pequenas vitórias dos comunicadores nas organizações que servem. Comunicar para o público em geral é das coisas mais nobres e úteis que um a organização pode levar a cabo. Significa abrir-se à sociedade, garantir que os cidadãos estão informados e criar condições para acolher o ponto de vista do público na organização. No fundo, a comunicação quer criar elos de ligação entre pessoas. E por isso deve ser sempre orientada por dois princípios fundamenta: as utilidade e o entendimento. Dou um exemplo: se a comunicação for apenas um veículo de propaganda e de massagem do ego da organização e a sua liderança, ela não funciona. O público é inteligente e rapidamente esse tipo de comunicação torna-se irrelevante ou mesmo contraproducente. Por isso a primeira pergunta que um comunicador colocar é: para que serve isto aos olhos do público que aspiramos atingir. É uma informação útil? Vai ajudar o público a decidir melhor? A saber o que fazer? E depois há a segunda parte: a linguagem. Como tornar a informação facilmente percebida. Fugindo do jargão, da linguagem técnica ou de todas as palavras ou frases que são vazias ou, pura e simplesmente, impossíveis de entender por todos. Finalmente há que criar boas condições para que se crie uma ligação, que haja canais para ouvir a reação do público. É que mesmo uma reação menos simpática ou irada é melhor que o silêncio absoluto. A Aline Castro tem essa experiência. Nos últimos 14 anos esteve a liderar a comunicação de um tribunal em S. Paulo no Brasil. Mas os seus dilemas e arte para os resolver não se esgotam apenas no universo judiciário. Se pensarem bem, a linguagem da boa comunicação estende-se por todos os organismos que fazem serviço público ou prestam serviços ao público. E em caso de emergência socorram-se de um bóia de salvament
Vitorino de Almeida | A música conta boas histórias?
Descrever esta conversa como uma entrevista é claramente uma ideia errada. Nem quero arriscar ir por aí. Talvez pudesse dizer que é desconcertante. Mas no mais belo sentido da palavra. O Maestro António Vitorino de Almeida é uma ‘persona’ ...

Ep 144Sabe pela vida? José Avillez
Já voltaram de férias? Foram boas? Divertiram-se? Comeram e beberam? Riram-se e abraçaram? Nadaram ou fizeram boas caminhadas? Ou simplesmente leram um bom livro e ficaram a ver as estrelas nas noites quentes? Os frescas. Que este verão está a ser ventoso. Nesta edição falámos de alta cozinha. E já vamos falar do bom que é saborear grandes, frescos e suculentos alimentos cozinhados com quem sabe muito de sabores. Mas quero ainda deixar um pé nas férias para notar que os preços estão pela hora da morte. A vida está cara, mas o sector do turismo está a abusar. A desgraçada da inflação de 10% transforma-se como que por multiplicação dos pães em 20 a 30% na fatura dos restaurantes e hotéis. Os pratos mais banais, da omeleta de pouco mais que ovos ao bitoque subiram dos 10 euros para os 13. Os pratos especialidade da cada dos 12 para os 19. Com aquele detalhe irritante do acompanhamento agora vir quase sempre à parte com mais 3 ou 4 euros extra. As sobremesas cresceram em preço e diminuíram de tamanho e o café dos 70 cêntimos passou para um euro por rotina ou euro e meio para ser bebido na esplanada. Mas a questão dos preços no turismo não tem só a ver com euros. Também tem a ver com serviço. Notei nos últimos meses que estão a desaparecer os empregados de sempre dos nossos cafés e restaurantes. O empregado simpático, bom comunicador, conhecedor dos nossos gostos e até, às vezes, desgostos. Mas principalmente capazes de nos mimarem de ter connosco boas ainda que breves interações. Para onde foram estas pessoas? Porque vieram outras pessoas, mais mecânicas, menos comunicadoras, mais viradas para fazer o que há para fazer, e menos para cuidar, para acolher. Como se o ato de ir comer ou dormir num sítio bom fosse um mero ato burocrático, ou administrativo. Essa reflexão fez-me querer recuperar a conversa que o Chef José Avillez me ofereceu. Tudo sobre acolhimento, excelência e relação. Alta qualidade e com preços a condizer. Hoje é dia de ficar com a boca cheia de água. De experimentar a gula a todo o vapor. De ler nas texturas dos alimentos. De cheirar. De provar. De depenicar. De petiscar. De empanturrar barriga e olhos das mais belas iguarias. Com um mestre, um Cheff, José Avillez, português, mas sempre na lista dos 100 melhores cozinheiros do mundo. Este programa é sobre comida, alimentos, ingredientes, povos e culturas. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Esta transcrição foi gerada automaticamente. A sua exatidão pode variar. 0:12 Pessoa 1 Ora, vivam. Bem-vindos ao pergunta simples do vosso podcast sobre comunicação, já voltaram de férias por um boas divertiram-se, comeram e beberam, riram se e abraçarão nadarão ou fizeram boas caminhadas ou simplesmente ler um bom livro. 0:28 Ficaram a ver as estrelas nas noites quentes. Ô frescas, que este verão está a ser francamente ventoso. Nesta edição, falamos de alta cozinha e já vamos falar do que bom no saborear de grandes, frescos, suculentos e bem cozinhados alimentos por quem sabe muito sabores. 0:48 Mas e o cara? Ainda deixaram apenas férias para notar que os preços estão plo hora da morte. Já notaram? Não é a vida destacará, mas o setor do turismo está a abusar, a desgraça da inflação de 10% transforma-se, afinal, quase como por multiplicação dos pães em 20 a 30% a mais na fatura dos restaurantes e hotéis, os pratos mais banais do muleta, que tem pouco mais que ovos, e o bitoque. 1:15 Subiram dos 10 para os 13 EUR e os pratos, especialidade da casa, subiram rapidamente dos 12 para os 19. Com aquele detalhe irritante do acompanhamento, vir agora, quase sempre à parte com mais 3 ou 4 EUR extra é sobremesas cresceram em preço e diminuíram de tamanho e o café dos tenta cêntimos passou por 1 EUR por rotina ou euro. 1:37 E-mail para ser bebido na Esplanada. Mas a questão dos preços no turismo não tem só a ver com euros. Tem também a ver com comunicação, tem a ver com o serviço, notei nos últimos meses que estão a desaparecer os empregados de sempre, dos nossos cafés e restaurantes. 1:53 O empregado simpático, bom comunicador, conhecedor dos nossos gostos e até às vezes, dos nossos desgostoso, mas principalmente capazes. Quando nos mimarem de terem sempre conosco boas, apesar de Breves interações, Breves conversas. Para onde é que foram essas pessoas e por que que vieram outras pessoas mais mecânicas, menos comunicadoras, mais viradas para fazer? 2:15 O que é para fazer e menos para falar, para cuidar, para acolher como se o ato de ir comer ou dormir num sítio bom fosse um mero ato burocrático administrativo, esta reflexão fez-me crer e ouvir a conversa que o chefe José avillez, me ofereceu, que é tudo o contrário disto, é tudo sobre acolhimento, sobre excelência, sobre relação alta qualidade e, claro, com preços a condizer. 2:41 Hoje é dia de ficar com a boca cheia dágua, de experimentar a gula a todo vapor, de ler nas texturas dos alimentos, de cheirar, de provar, de depenicar, de petiscar. Tem tanto RA barriga e os olhos das mais belas iguarias com o chefe José villez, o

Ep 141José Gameiro | O psiquiatra ajuda a resolver as crises?
Hoje é dia de ir ao psiquiatra. Revisitámos uma conversa com José Gameiro, a meados de setembro de 2021. E lembrei-me deste episódio por causa do último livro que escreveu, o “Ser Psiquiatra” com um retrato subjetivo dos seus 40 anos de profissão. José Gameiro ouve, todos os dias, pessoas que sofrem. Pessoas que lhe entram no consultório com pedidos de ajuda. Com demandas para ser guia de um certo regresso à felicidade. Ou pelo menos a alguma harmonia. A ideia romântica do que somos ou queremos ser persegue-nos sempre. E o choque com a realidade acorda-nos. O dia em que gravámos coincidiu com a semana em que deixamos de usar as máscaras cirúrgicas populares na pandemia. E as máscaras foram um bom mote No jogo das máscaras que todos jogamos uns com os outros há terrenos férteis para imaginários, felicidades e dores. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA 0:00:00 - JORGE CORREIA Houve o quê, o que que é que a gente quer dizer que houve Coiso de tudo. Por que que o procuram? 0:00:06 - JOSÉ GAMEIRO Porque estão a se fornecer, ou seja. O seforimento pode ser uma doença psiquiátrica com o rótulo, com o diagnóstico, ou pode ser um seforimento de relação com alguém, um seforimento interior que não tem relação direta com ninguém, mas que é interno. As pessoas só vão. A ideia é que havia que as pessoas vão ao psiquiátra, ao psiquiátra sobretudo por lá, cá, aquela pália, um pequeno luxo, é mentira. É mentira A psiquiátrica quando estão a se fornecer, quando estão a se fornecer, quando acham que não conseguem ultrapassar porque às vezes já exageram o tempo que deixam estar sem procurar ajuda E aquilo vai inquistando, que tudo vai inquistando, não é? E portanto a ideia é que isso não é verdade. As pessoas procuram, quando estão a se fornecer, e querem, querem, por um lado, alviar o seforimento e, por outro lado, que o seforimento faça algum sentido na sua história, ou seja perceber um bocadinho o que é que está a passar. Não é Perceber um bocadinho o que está a passar porque às vezes é possível. Às vezes é mais difícil. 0:01:00 - JORGE CORREIA E consegue se tipificar o tipo de sofrimentos ou Nem psiquiatria ou os diagnósticos. 0:01:06 - JOSÉ GAMEIRO Seja bem. Seja bem, pois é. Boa parte da clínica não será de diagnósticos, provavelmente ditos. Não posso pôr um conto nas pessoas, mas consegue se perceber o que é, que é uma pessoa que está ansiosa, que é uma pessoa que está triste, uma pessoa que está deprimida, uma pessoa que prefere num caso extremo psicótico e atreverante, etc. Eu trabalho muito com casais, portanto as coisas são um pouquinho diferentes. Que é o sofrimento da relação e o programa da relação, mas é sempre o sofrimento. Em casos raros não há sofrimento. A pessoa vai ao psiquiatra porque é pressionada para ir por coisas comportamentais e não há sofrimento. E um bocado, ao contrário. Temos que levar a pessoa até ao sofrimento. É um bocadinho às vezes. 0:01:42 - JORGE CORREIA Terá de ter uma autoconsciência do que é que aconteceu, do que é que causou, outro É o que é que causou outro, e ir até ao sofrimento e provocar. 0:01:49 - JOSÉ GAMEIRO Se é possível dizer a palavra na própria pessoa, alguma pessoa de sofrimento está a provocar nos outros, que às vezes não existe. 0:01:54 - JORGE CORREIA Como é que se escutam as pessoas? Tem uma caixinha com empatia, com o tempo para ouvir. 0:02:01 - JOSÉ GAMEIRO Tempo. Tenho Primeiro consulto. Eu sou muito rigido com as horas. Sou um bocado germânico. 0:02:07 - JORGE CORREIA Comece a hora certa acaba a hora certa. Posso te perguntar porquê? 0:02:12 - JOSÉ GAMEIRO Não sei, sempre fui assim. Aquilo que eu encontro mais próximo a minha mãe era uma pessoa muito rigorosa. Elas são as horas, por exemplo. A minha família era muito rigorosa, meu pai não, mas o lado da minha mãe sobretudo deve ter ficado daí, mas não sei porquê, porque a minha irmã, por exemplo, faleceu há um ano e tal, e que era também psiquiatra. Não era nada rigorosa com as horas E eu sou completamente a minha mulher, que costuma dizer tu é o gajo menos interessante do mundo porque chega às acaso e repara uma hora. Se não der sá assim vão tirar a engrafada. Eu sei que elas tu vais chegar, é previsível. Agora já não faço até às 10,. Agora a pandemia de Ruzi. Eu não faço até às 10, mas eu fazia consultórios até às 10 para às 8. O quarto para às 8, acho que a última se consultará cheia de ter noite. Eu faço, se é uma primeira, uma hora, se é uma segunda é uma dizinha de minuto E portanto eu acabo sem mamão. Agora é como a noite de moto a toda a vida. Eu chegava à casa 20 minutos depois. 0:03:03 - JORGE CORREIA Rápido e só um minuto 45 dessa segunda consulta estiverem a pessoa. 0:03:10 - JOSÉ GAMEIRO Eu sei que essa pergunta faz todo sentido. As pessoas são avisadas quando marcam uma consulta. Se não me conhecem, são avisadas para secretar e que eu sou super pontual. Primeira coisa E, ao contrário do que se pensa, quando as pessoas, quando os médicos são claros, têm a tradição de se atrasar muito
Catarina Furtado | Quanto vale a empatia?
Meio de agosto já lá vai e setembro está à porta. Não tarda nada e começamos o novo ciclo anual de trabalho. Reabrem as escolas, regressam os adultos também ao trabalho. E por isso lembrei-me desta conversa com Catarina Furtado que reedito hoje. A raz...
Alexandre Monteiro | Como Descodificar a Linguagem do Corpo?
Hoje usamos o silêncio para provar que nem sequer são precisas palavras faladas para entender os outros. Vamos Descodificar a Linguagem do Corpo. É tempo de recuperar uma das conversas mais intrigantes e fascinante que tive para o Pergunta Simples. Um...

Ep 140Pereira de Almeida | Deus Existe?
Estamos no pós-jornadas mundiais da juventude e até para um não crente é impossível não observar toda uma sequência de momentos, palavras e emoções que criaram um acontecimento único na cidade de Lisboa. Na perspetiva da comunicação, o Papa é detentor de uma poesia muito própria na sua linguagem. Não são só as palavras. São as pausas. São os olhares. Para os crentes há um olhar sobre a sua fé. Para os outros um olhar sobre a sua humanidade. O Papa que fala a centenas de milhares de pessoas em Lisboa é o mesmo que falou — sem dizer uma única palavra — para uma Praça de S. Pedro vazia no tempo da pandemia. Este aparente contraste faz-me ir recuperar uma conversa tida com José Manuel Pereira de Almeida em fins de maio de 2020, mesmo na saída de um dos confinamentos da COVID 19. Pereira de Almeida é professor de ética, padre e médico. E se a parte da conversa sobre a pandemia sabe, felizmente, a um tempo antigo, todas as outras palavras são de uma atualidade permanente. Gostei em particular do momento em que partilha connosco a importância de acolher o outro, de sorrir, de ouvir. Uma linguagem universal que ajuda a perceber uma forma de viver ao serviço dos outros. Talvez algo ainda mais importante do que a certeza ou dúvida que sempre paira sobre a existência de deus. Mas a curiosidade existe e vale sempre a pena fazer a pergunta “Deus Existe?” LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Transcrição automática 0:00:11 - JORGE CORREIA sOra Viva-o. Bem-vindos à segunda edição do podcast Pregunta Simples. Depois de passar pela televisão com Clara de SouSa, é tempo de ouvir palavras que vêm do púlpito de um altar. As igrejas têm normalmente uma excelente acústica, um som característico com um ecoinimitável, mas também podem ser palavras de cátodara, de um mestre que ensina teologia na universidade, ou de um médico que sabe ler pedaços da nossa carne, chama-lhe tecidos, mas que intui o espírito das pessoas num piscar de olhos. Chama-se José Manuel Pereira de Almeida e é o convidado desta edição. É médico, é padre, é professor, mas estes são rótulos mais formais. Lá dentro tem muito mais coisas para mostrar. Conhecemos-nos numa Comissão Diética. Todos nessa Comissão sabiam muito do tema da Eética. Acheto eu. O meu papel nessa Comissão era o de Preguntador Ignorante. Seguramente fui convidado porque nada sabia de nada. Não me dei mal na função ao longo da vida não saber nada de nada e perguntar sobre tudo. Desde esses tempos ouvi-o sempre com atenção, muito por aquilo que sabia e tanto por aquilo que dizia. Não saber ou duvidar E assumir isso só está ao alcance dos sábios ou dos mestres. Este é um podcast sobre comunicação e o convidado desta edição usa a palavra e o silêncio para comunicar. Começamos com a mais óbvia e fácil das perguntas E Deus existe. 0:01:56 - PEREIRA DE ALMEIDA Para muitos pode ser uma pergunta, creio mesmo que para aqueles que defendem que não existe, será mesmo a pergunta da vida. Neste tempo que é o nosso, creio que para os cristãos recebemos de Paulo VI uma e do patriarcto Atenágoras ao tempo, na visita à Jerusalém, em que ele reconhecia o texto é conjunto e editem francês, porque a língua internacional que é o Espírito Santo fala às nossas igrejas, portanto à igreja oriental e à igreja ocidental, através do ateísmo dos nossos irmãos e irmãs. E portanto, isto para dizer, se calhar, estamos todos nessa procura, alguns mais conscientes, outros menos, uns pela negação, outros pela convicção de que, a partir de uma determinada via, há uma procura de sentido que faz denominar alguém de Deus eu estou a dizer alguém, porque é a tradição cristã e que diz que Deus é pai ou mãe de todo somado, mas estamos lá no seu coração, ou seja que Deus mora no nosso coração, mas sínteme, particularmente próximo daqueles que sobre isto não sabem dizer nada. Há uma tradição importante da teologia cristã que é a teologia negativa, quer dizer que nós fazemos melhor serviço a Deus não dizendo nada do que dizendo as tontices que às vezes em algumas teologias aparece. 0:04:04 - JORGE CORREIA Como é que é ser padre e subitamente os fiéis desapareceram da igreja. Imagine que desapareceram. 0:04:11 - PEREIRA DE ALMEIDA Claro que desapareceram E como desaparecemos todos de todo lado. é da convivialidade e portanto para o padre, é essa da igreja vazia ou, naquela imagem tão difundida e que eu creio que atingiu a todos, falou da mesma maneira crentes e não crentes do Papa numa praça de São Pedro Vazia. É uma imagem fortíssima, digo eu. 0:04:39 - JORGE CORREIA Como é que viu esse momento. 0:04:41 - PEREIRA DE ALMEIDA Sim, como profecia, no que diz respeito a poder comungar da dor e da aflição em tantos outros sítios diferentes, que se haviam confinados que é agora um termo que a gente também aprendeu numa intimidade não querida, numa escolha de uma closura não desejada. E portanto, o que é um padre e uma igreja vazia é outra vez tomar a consciência de que claro que nós somos, na tradição cristã, a assembleia que é conta, não é O sujeito que
Ágata Roquette | Como vencer a balança?
Estamos no mês de agosto, mês em que o Pergunta Simples faz a sua pausa de verão. Mas este ano estive a olhar para lista dos melhores episódios de sempre e decidi escolher e voltar a publicar os mais populares ou os que geraram mais comentários e as vo...
Os teus olhos gostam de mim? Dulce Bouça
O programa de hoje é uma viagem sobre a fala do corpo e as dores da alma. Fala de profundas contradições e de estranhos equilíbrios. Fala de seres humanos e ser-se humano. Se vos disser que é uma edição sobre comportamento alimentar, doenças, causas e ...
Joana Rita Sousa | Como se aprende a perguntar?
Hoje sinto-me na idade dos porquês. Porque? Porquê? Porquê? Porque sim! Porque sim não é resposta, dir-nos-à qualquer criança munida de mil perguntas difíceis para fazer. Nesta edição é convidada a filósofa e perguntóloga Joana Rita Sousa. Mestre na ar...

Ep 136Como se conta uma boa história? João Tordo
Ler um livro é das coisas que mais prazer me dá. Acontece convosco o mesmo? Quando entramos num livro passamos a habitar num mundo novo. Um mundo construindo entre as palavras do escritor e a nossa imaginação. Esta edição roda à volta das palavras. As escritas em livros. As escritas para serem ditas por atores no teatro, filme ou série. E por isso hoje em um dia muito especial. O convidado desta edição é um dos mais conhecidos e premiados escritores portugueses de nova geração. João Tordo, autor de 19 livros, entre romances, ensaios e policiais. E co-argumentista da série Rabo de Peixe. João Tordo é um confesso leitor compulsivo. E um documentado autor prolixo. Escreve em abundância e qualidade. E por isso não fiquei surpreendido quando me disse que a folha em branco não lhe causa nenhuma angústia. É um escritor matinal e um leitor noctívago. E deu para falar de tudo. Da maneira como escreveu Rabo de Peixe. Como se preparou. Como juntou ideias com os outros co-autores e como desenhou a uma das mais animadas cenas da série: o assalto à cabana de 'Uncle' Joe por Arruda. Um embate entre Pepe Rapazote e Albano Jerónimo. Uma oportunidade para falar de livros e de personagens que amiúde contrariam o autor. Das conversas com os leitores com pedidos para escrever mais sobre algum personagem. E o autor faz-lhes a vontade, continuando a saga dos personagens mais queridos. No caso de Rabo de Peixe vem aí a segunda temporada e João Tordo pode continuar a escrever para o reviver da história. Já agora sabiam que ao se escrever uma série como Rabo de Peixe há mesmo uma “Sala de Escritores”? Isso mesmo, a sala onde os argumentistas trocam as ideias mais loucas e radicais, desenham as cenas e escrevem as falas dos actores. Escrever não deve ser um exercício sem efeitos secundários. E este alívio ao entregar o manuscrito para publicação dá uma dimensão desse misto de dor e de alívio. Mas se o leitor e escritor João Tordo aceita essa compulsão das palavras só podemos seguir a torrente e ler o que escreve. Dos seus viciantes policiais até aos ensaios que nos colocam perante o espelho da condição humana. É essa condição, humana e insular, que espero ver no Rabo de Peixe, segunda temporada. Entretanto, entretenho-me a ler o seu livro “Felicidade”. Uma história de um amor que mete trigémeas. Preciso de dizer mais alguma coisa? TÓPICOS [00:00:00] . Sobre livros e a escrita da série Rabo de Peixe nos Açores. [00:06:44] Plataformas pagavam impostos nos EUA, ICA favorecia cinema português. [00:11:08] Cinema português precisa de mais apoio financeiro. [00:18:42] Tripulante escapa da prisão e história morre. [00:21:49] Arruda, antagonista de Eduardo, personagem interessante. [00:27:05] Obsessão pelos livros desde criança, desvio para outras áreas, volta à escrita ficcional. [00:35:54] Recentemente, comecei a gostar das minhas palavras. [00:40:52] Lendo diversos livros diferentes e interessantes. [00:46:03] Traçar fronteiras e limites é difícil. Crescimento pessoal requer enfrentar conflitos e amadurecer. Aceitar o sofrimento transforma em aceitação. [00:53:39] Personagem contraria-se e altera os planos. Criatividade nasce da incompatibilidade com a realidade. Infância marcada por turbulência familiar. [00:59:46] Mãe lê os meus livros e somos próximos. Troco viagens por almoços em família. Títulos de livros são difíceis de escolher. Ajuda colaborativa é importante. [01:02:38] Escrever é como usar sapatos apertados. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA Jorge Correia [00:00:00]: ♪ Ora vivam, bem-vindos ao Pergunta Simples, o vosso podcast sobre comunicação. Ler um livro é das coisas que mais prazer me dá. Acontece o mesmo convosco? Quando entramos num livro passamos a habitar num mundo novo. Um mundo construído entre as palavras do escritor e a nossa própria imaginação. Toda esta edição roda à volta das palavras, as escritas em livros, as escritas para serem ditas por atores no teatro, nos filmes ou em séries. E por isso mesmo, hoje é um dia especial. O convidado desta edição é um dos mais conhecidos e premiados escritores portugueses de nova geração. João Tordo, autor de 19 livros, entre romances, ensaios e policiais, e co-argumentista da série Rabo de peixe. Vamos ao programa? Vamos a isso. João Tordão confesse-se o leitor compulsivo e um documentado autor prolixo. Ele escreve em abundância e escreve em qualidade. Por isso não fiquei surpreendido quando me disse que a Folha em Branco não lhe causa nenhuma angústia. É um escritor matinal e um leitor nótivago. E deu para falar de tudo. Da maneira como escreveu Rabo de Peixe, como se preparou, como juntou ideias com outros co-autores e como desenhou uma das mais animadas e fantásticas cenas da série, o assalto à cabana do Oncle Joe, pelo Arruda, um embate entre Pepe Rapazotti e Albano Jerónimo, dois autores dentro das suas personagens. Uma oportunidade também hoje para falar de livros e de personagens que a miúde contrariam o autor. Das conversas com os leitores c

Ep 135Nuno Sousa | Cérebro, mente ou alma?
Hoje viajamos pelo universo do cérebro. Pela maneira como comunicamos, como aprendemos, como sabemos quem somos e como somos. Ou pelo menos sabemos qualquer coisa, do tanto que ignoramos. Já imaginaram que a nossa máquina de pensar tem 86 mil milhões de neurónios? E 16 mil milhões são uma espécie de células VIP, vivendo numa assoalhada chamada córtex cerebral? Já que estamos em modo de curiosidade enciclopédica, descobri que o cérebro, apesar de ter apenas 2% do peso do corpo, consome 25% da energia total. O que me dá uma boa desculpa para comer muito. Afinal é comida para o pensamento. Agora a sério, este é um programa sobre a casa do pensamento. Aqui em cima, na cabeça. Embora haja neurónios espalhados até pelo tubo digestivo. Veem? Mais uma boa desculpa para comer bem. A magia do funcionamento do cérebro humano é hipnotizante. Há um infinito mistério quando tentámos compreender como um quilo e meio de células cinzentas consegue pensar tanto. O tamanho pode até não ser tão importante. Mas a capacidade de aprender, conhecer e recordar é provavelmente o segredo da inteligência humana. A capacidade de pensar. De imaginar. De criar algo novo. De criar relações entre coisa, pensamentos e emoções. Lá dentro, na caixa negra, por acaso cinzenta, há milhares de ligações, milhares de contactos. Ou serão milhões de sinais elétricos? É nesse cérebro onde guardamos as palavras que aprendemos. Que as agrupamos em frases, poemas e livros. Que podemos imaginar, chamar alma ou simplesmente perguntar quem somos, de onde vivos e para onde vamos. Cérebro onde tem provavelmente morada a consciência. E seguramente a nossa forma de ser e pensar. Será alma? Será biologia? Em busca de respostas vou em busca de um perguntador-cientista, Nuno Sousa um escutador profissional das neurociências, um hábil comunicador e tradutor simultâneo do que quer dizer a grande ciência. Uma conversa que me deu que pensar. Do nada, pouco, tanto ou tudo que podemos saber ou ignorar. TÓPICOS: O funcionamento do cérebro humano [00:00:12]Nuno Sousa discute a complexidade do cérebro humano e a sua capacidade de pensar, aprender e criar. A natureza do conhecimento [00:03:23]Os diferentes níveis de conhecimento e a angústia de nunca saber tudo. A influência das neurociências [00:06:48]Como o conhecimento das neurociências pode influenciar as nossas decisões de compra e votos políticos. O cérebro humano se adapta [00:09:22]Como o cérebro humano possui capacidades plásticas para se adaptar aos estímulos e ao contexto que o rodeia. A importância da conectividade cerebral [00:11:44]A importância da conectividade entre diferentes redes e regiões do cérebro, e como isso influencia a forma como nos comunicamos. A complexidade do cérebro humano [00:14:11]Sobre a complexidade do cérebro humano, que permite antecipar o futuro, ter consciência de si mesmo e criar um sistema de valores próprio. O funcionamento do cérebro humano [00:15:40]Neste tópico, é discutida a forma como o cérebro humano funciona, incluindo a criação de uma escala de valores pessoal e a importância de necessidades básicas como comida e frio. A inteligência artificial [00:17:14]Nesta parte, é abordada a temática da inteligência artificial, sendo mencionado o potencial e os limites dessa tecnologia, assim como a sua influência na sociedade. A influência das tecnologias na vida cotidiana [00:19:11]Neste tópico, é discutido o impacto das tecnologias, como o Google e os algoritmos de busca, na forma como as pessoas pesquisam e consomem informações, e como isso afeta a sociedade. O uso da tecnologia na medicina [00:23:22]Discussão sobre o uso da tecnologia na medicina e como preparar os profissionais de saúde para utilizá-la de forma adequada. A influência da máquina nas decisões clínicas [00:24:07]Conversa sobre a possibilidade da máquina resolver melhor os problemas de saúde e a importância de manter o controle sobre as decisões clínicas. A relação entre médico e paciente [00:25:52]Exploração da importância de os médicos se preocuparem com o ser humano à sua frente, além de se fascinarem com a tecnologia. Discriminação na escolha de modelos educacionais [00:30:56]Discussão sobre a falta de capacidade socioeconómica das famílias para proporcionar diferentes modelos educacionais aos seus filhos. Previsões sobre o futuro dos cuidados de saúde [00:31:18]Exploração das previsões sobre o uso da tecnologia, a sofisticação da incorporação de dados e a importância das competências comunicacionais e de trabalho em equipe. A importância da comunicação na área da saúde [00:35:43]Ênfase na importância da comunicação entre profissionais de saúde, pacientes e seus cuidadores, e a necessidade de desenvolver habilidades de comunicação adequadas às diferentes gerações. Responsabilização cultural [00:38:37]Discussão sobre a mudança cultural na responsabilização individual e a complexidade dos processos sociais. Inteligência coletiva [00:40:23]Exploração da expansão da inteligência coletiva e o surgimento de um cérebro

Ep 134Sandra Maximiano | Porque está cara a vida?
Como vai a vossa carteira? A minha emagrece olhos vistos. E digo para mim mesmo “é a economia, estúpido, é a economia” Os salários são agora mais pequenos que as compras. Inflação e juros a subir, E uma pergunta fundamental: se Portugual está a ficar todos os anos mais rico, porque estamos nós, cidadãos e donos do país, mais pobres? Será só a economia? O meu fascínio pela matemática dos grandes números é inversamente proporcional à minha compreensão desse lado da barricada. Sou das letras, penso em forma de letras, palavras, frases e poemas. E fico hipnotizado quando me falam do PIB, da dívida pública, dos indicadores macroeconómicos e das perspetivas de crescimento. É uma dança de muitos mil milhões de euros, difíceis de imaginar, mas com impacto na nossa carteira. E aí já todos sabemos a matemática da vida real. Portanto esta edição não vai tentar perceber o que é uma imparidade, que nas contas dos bancos quer dizer “buraco” Nem tão pouco perceber os multiplicadores da economia, os rácios de divida ou inebriantes dança das flutuações cambiais do euro, dólar ou libra. Hoje falámos da vida real. De vidas normais. De contas de supermercado. De empréstimos para comprar a casa ou o carro. E até de raspadinhas, totolotos e lotarias. Para isso pedi a ajuda de Sandra Maximiano, professora do ISEG e colunista regular nos jornais. É que ela dedica-se a explicar a economia real e a tentar perceber como funciona a mente dos seres humanos nessa relação com o dinheiro. O dinheiro que temos, o que gastamos, o que devemos e o que gostaríamos de ter. Um caldo que mete salários, inflação, juros dos depósitos e dos empréstimos. E, confesso, a minha primeira intenção era tentar perceber porque está o pais cada vez mais rico, com o tal PIB a crescer, mas a nossa carteira cada vez mais magrinha Quem se lembrou de dizer que o dinheiro não traz felicidade? Se calhar deveríamos postular: Quem não tem dinheiro é menos feliz. Quem tem algum dinheiro e vê a inflação, gulosa, desvalorizá-lo fica ansioso. Esta coisa de empobrecer é uma ideia que me aborrece. E a equação ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres precisa de ser arranjada. Se não, a economia deixa de ser uma respeitável ciência e passa a ser uma descarada desculpa. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA 00:00:12:03 - 00:00:12:05 JORGE CORREIA A. 00:00:12:22 - 00:00:38:17 JORGE CORREIA Obra viva. Um bem vindos ao pergunta simples voz, podcasts sobre comunicação. Então como é que vai a vossa carteira? A minha emagreça a olhos vistos e digo para mim mesmo é a economia, estúpido! E a economia? Os salários são agora mais pequenos do que as compras. A inflação e os juros estão a subir. E tenho uma pergunta fundamental se Portugal está a ficar todos os anos mais rico, cada vez com mais PIB. 00:00:39:05 - 00:00:53:06 JORGE CORREIA Porque estamos nós, cidadãos e donos do país, afinal mais pobres? Será só economia? 00:00:55:19 - 00:01:22:14 JORGE CORREIA O meu fascínio pela matemática dos grandes números é inversamente proporcional à minha compreensão desse lado da barricada. Nas letras, penso em forma de letras, palavras, frases e poemas e fico hipnotizado quando falam do PIB, da dívida pública, dos indicadores macroeconómicos e das perspetivas de crescimento. É uma doença de muitos 1000 milhões de euros. Difíceis de imaginar, mas com um impacto real na nossa carteira. 00:01:23:03 - 00:01:55:23 JORGE CORREIA E aí já todos sabemos a matemática da vida real. Portanto, esta edição não vai tentar perceber o que é uma imparidade nas contas dos bancos. O que quer dizer buraco? Nem tão pouco perceber os multiplicadores da economia, os rácios da dívida ou as inebriantes flutuações cambiais do euro, dólar ou da libra? Os falamos da economia real, da vida real, das vidas normais, de contas de supermercado, de empréstimos para comprar a casa ou carro e até de raspadinhas, totoloto e lotarias. 00:01:56:15 - 00:02:21:16 JORGE CORREIA Para isso, pedia ajuda de Sandra Maximiano. Ela é professora do ISEG e colunista regular nos jornais. É que ela se dedica a explicar a economia real e a tentar perceber como funciona a mente dos seres humanos nesta nossa relação com o dinheiro. O dinheiro que temos. O que gastamos? O que devemos e o que gostaríamos de ter. Um caldo que mete salários, inflação e juros dos depósitos e dos empréstimos. 00:02:21:23 - 00:02:34:02 JORGE CORREIA E confesso, a minha primeira intenção era tentar perceber porque está o país cada vez mais rico, com o tal PIB a crescer. Mas a nossa carteira cada vez mais magrinha. 00:02:35:17 - 00:02:53:13 SANDRA MAXIMIANO Estamos numa altura também de grande inflação. Portanto, apesar de a inflação estar a dar algumas tréguas. Mas ainda são sem tréguas, ainda muito tímidas, no sentido em que não vemos os preços ainda a descerem. O que vimos é uma desaceleração da inflação e, portanto, eles. 00:02:53:13 - 00:02:54:09 JORGE CORREIA Continuam a crescer. 00:02:54:18 - 00:03:39:13 SANDRA MAXIMIANO E alguns preços cont

Ep 133O que é que Rabo de Peixe nos ensina sobre comunicar melhor? Augusto Fraga
Rabo de Peixe é mais do que uma série — é um espelho do país. Com Augusto Fraga, falamos de mérito e destino, de desigualdade e esperança, e da arte de comunicar a verdade sem caricatura. Entre o mar e a câmara, o realizador revela como se constrói uma história que emociona o mundo sem perder o sotaque local. Uma conversa sobre foco, ética, linguagem e o poder de filmar o que somos — mesmo quando custa olhar.

Ep 132Dulce Salzedas | Como perguntar sobre a saúde?
Nesta conversa sabemos o que sente a doente súbita Dulce na maca de um hospital e deambulamos sobre percurso de qualquer português nos corredores do SNS. Talvez por causa desse ímpeto de missão ao serviço dos outros na encruzilhada da saúde com a comunicação, Dulce Salzedas informa uma pessoal e intransmissível decisão: suspender a sua carreira como jornalista e iniciar-se ao serviço do SNS.

Ep 131Tânia Gaspar | Estamos à beira de um ataque de nervos?
As pessoas estão a sofrer. Isso mesmo, sofrem por causa do trabalho. O tema não é muito discutido, mas algo de grave está a acontecer. Olhem os números. Os crus números dum estudo feito a uma amostra de 2 mil trabalhadores: 80% confessa que sente pelo menos uma destas coisas: tristeza, irritabilidade, exaustão e cansaço extremo. E 63% dos respondendentes tem 3 destes sintomas.
Paula Rebelo | O que é notícia na saúde?
O que é uma grande história de saúde na televisão? Este é o mote para falar de critérios editoriais, fator humano, tecnologia e esperança no futuro. Onde falámos da importância da saúde, das notícias mais interessantes e das pessoas que sabem muito da ...
Eduardo Zugaib | Como atingir grandes objetivos?
Já ouviram a expressão “partir o elefante às postas?” Sim, quando o problema é demasiado grande ou o objetivo demasiado longínquo. Sim, partir os elefantes aos pedaços ajuda na sua digestão e assusta menos. As organizações têm este problema todos os di...
Ana Sanchez | Como comunicam os cientistas?
Hoje viajamos pela arte de comunicar ciência. Os cientistas passam os dias metidos em laboratórios ou algures a observar o mundo. Pensam, inventam hipóteses, fazem experiências. E no momento Eureka!, há que pensar em como se conta a descoberta ao povo....

Ep 126Pedro Vieira | Quais são os princípios da influência?
Nesta edição detalhamos as fórmulas de comunicação que todos usamos para nos influenciarmos uns aos outros. Influenciar é um ato natural entre seres humanos. De forma consciente ou inconsciente todos tentamos convencer os outros da nossa verdade. Pode ser nas coisas mais simples: “já viste a última série de tv?” Ou um “vês como o meu clube de futebol joga bem e vai ganhar o campeonato?” Uma forma de dizer: “junta-te a nós!”. No desporto, na política, nos negócios, na cultura. Normalmente os processos de influência até tem um bom objetivo final: ajudar-nos a viver melhor. Se essa influência partir de alguém que pensa genuinamente em nós. O pior é se quem nos quer influenciar tem uma chamada “agenda escondida”. Quer-nos levar a fazer coisas que apenas servem, ou principalmente servem, os interesses do influenciador. E aqui as coisas tornam-se desonestas. Porque a maioria destas técnicas usa ratoeiras emocionais que exploram as nossas vulnerabilidades. E por isso há que estar-lhes atento. Neste programa converso com Pedro Vieira. Ele é um treinador de pessoas, ou como dizem os ingleses, um 'coach'. E ele explora este tema que cruza comunicação com a influência, com mestria. Em particular os 6 princípios da influência, de Roberto Cialdini. Por exemplo, o princípio da prova social, autoridade, afinidade, escassez, compromisso e consistência, e reciprocidade. Estes princípios podem ser usados para manipular as decisões e ações das pessoas, e por isso é importante estar ciente destas táticas para se defender contra elas. Por isso importa que haja honestidade na influência, anunciando claramente as suas intenções desde o início. Esta é a chave para uma influência positiva e produtiva. Já agora não pense que isto da influência menos transparente tem só a ver com os outros. Sim, todos podemos ser assim. E é por isso é importante ser autoconscientes na compreensão das nossas próprias intenções. O encantamento faz seguramente parte caixa de ferramentas de um bom influenciador. Também alguém que honestamente nos convence a decidir . A fronteira entre a influência positiva e honesta da manipuladora e dissimulada é estreita. Vale estar atento e perceber desde o início porque nos estão a hipnotizar de forma simbólica. Assim tomaremos decisões mais conscientes e menos sensíveis aos cantos de sereia. TEMAS Trabalho de um coach [00:02:27]Os speakers explicam como um coach ajuda as pessoas a explorarem caminhos e possibilidades para alcançar seus objetivos. Influência e manipulação [00:07:23]A diferença entre influência e manipulação, e como ambas usam os mesmos mecanismos de comunicação. Interesses na comunicação [00:08:36]A importância de ter clareza sobre os interesses das pessoas envolvidas na comunicação e como isso pode afetar a influência exercida. Princípios da influência [00:09:48]Os seis princípios da influência, segundo o psicólogo Robert Cialdini, são discutidos, com destaque para a diferença entre influência e manipulação. Afinidade ou simpatia [00:13:05]O princípio da afinidade ou simpatia é explicado, com ênfase na sua exploração por manipuladores para gerar empatia e constrangimento. Inconsciente e tomada de decisão [00:11:22]A ativação subconsciente de ideias e mecanismos que levam a tomada de decisões que não correspondem à vontade consciente. Princípio da Autoridade [00:15:27]Como a autoridade é utilizada para exercer influência e manipulação nas relações interpessoais. Coerência e Compromisso [00:19:02]Explicação de como o princípio da coerência e compromisso é utilizado para manipular as pessoas a cumprirem com as suas promessas e sentirem-se constrangidas caso não o façam. Sentido Crítico [00:18:49]O alerta sobre a importância de se ter um senso crítico relativamente à autoridade e à credibilidade atribuída a uma pessoa, mesmo que ela se apresente como especialista ou autoridade em determinado assunto. Princípio da consistência [00:20:51]Explicação sobre como o manipulador utiliza perguntas para ativar o princípio da consistência e compromisso. Princípio da escassez [00:22:52]Discussão sobre como o princípio da escassez é utilizado para promover uma tomada de decisão mais rápida e como é importante ter cuidado para perceber se a escassez é real ou uma pressão adicional. Princípio da prova social [00:25:06]Explicação sobre como o princípio da prova social é utilizado para mostrar que a escolha é segura e como é mais seguro fazer o que a maioria das pessoas já está a fazer. Princípio da Carneirada [00:26:48]Discutem sobre como seguimos a multidão e como isso afeta as nossas escolhas. Princípio da Reciprocidade [00:27:58]Explicam a diferença entre reciprocidade saudável e manipulação, e como empresas usam isso para vender. Defesa contra más influências [00:30:47]A importância de ter clareza sobre as intenções das pessoas envolvidas na comunicação e como isso pode afetar a influência exercida. Anunciar a intenção [00:32:25]A importância de anunciar claramente as intenções para que a influência não s
Ep 128Augusto Canário | Como se canta ao desafio?
Neste episódio do ‘podcast’ Perguntas Simples, é explorada a tradição do Cantar ao Desafio, uma prática de cantar de improviso típica das Romarias do Alto Minho, mas que também se encontra noutras regiões de Portugal, como o Alentejo ou os Açores. O me...

Ep 125Como funciona a psicanálise? Sandro Cavallote
Hoje vamos todos para o divã. O divã onde se deitam os que aceitam ser analisados a fazer psicanálise. Estão prontos? Mesmo que não queiram deitar-se no divã, pelo menos sentem-se confortavelmente e escutem com atenção. Freud explica. Esta promessa é francamente exagerada. Mas gosto da expressão: Freud explica. Nela podemos ler o momento preciso em que dizemos algo que não queríamos assumir. O lapso freudiano. Mas também a promessa de que o psicanalista Sigmund Freud tinha todas as respostas a todas as neuras humanas. Não é verdade, mas o mito insiste em existir. Desde Freud muitos outros psicanalistas e psicoterapeutas reinventam o procedo da cura pela arte da palavra. Na forma mais clássica o paciente, cada um de nós, deita-se no divã e confessa todas as suas angústias e desejos ao psicoterapeuta que o escuta na cabeceira deste leito onde se tenta reorganizar o mundo em convulsão. Para tentar perceber este mistério da cura pela palavra, da cura pela fala, pela psicoterapia, viajei até ao Brasil. Para ouvir da voz de Sandro Cavallote a maneira como tudo acontece no seu consultório. Dos desejos às frustrações. Do querer agradar a todo o mundo até à coragem de dizer não. Descobri Sandro Cavallote através do seu podcast ‘Comunicação & Psicanálise”, onde descreve em pormenor como é a sua vida profissional. Quase me parece que este ‘podcast’ é também uma forma de ele se curar falando da sua vida. Vale começar pelo princípio.§ Venha comigo. Vamos saber tudo o que se passa numa sessão de terapia. Entre, feche a porta e ouça a explicação de Sandro Cavallote Enfrentar medos, traumas e desejos reprimidos não é fácil. A tentação de acusar os outros pelas suas próprias dores ou falta de iniciativa é grande. É isso que dificulta o processo de cura pela arte da fala. Implica assumir que só há um responsável pelo escrita da vida: cada um de nós. Sim, claro que há expectativas, sonhos e frustrações. Mas principalmente um impulso de agradar aos outros ou ter ideias que desfocam a realidade. A cura pela palavra é afinal um caminho guiado por um técnico, mas onde o mapa é o seu. Preparados para a mágica viagem interior? E para a viagem chamada vida? RESUMO Neste episódio do "Pergunta Simples", falámos sobre o tema da análise psíquica e contemporânea, com foco na psicanálise e na terapia pela fala. O objetivo é esclarecer dúvidas sobre o assunto e desmistificar alguns mitos em torno da figura de Sigmund Freud e da psicanálise em geral. O psicanalista Sandro Cavallote é o entrevistado e explica como funciona a psicanálise e como a terapia pode ajudar indivíduos a lidar com seus traumas e emoções passadas.Também discutimos a importância do auto-cuidado e aprendizagem contínua para psicanalistas e pacientes. O episódio encoraja os ouvintes a explorar os benefícios da terapia e a entender que a busca de ajuda é um sinal de força e não de fraqueza. LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Jorge (00:00:13) - viva um vindos ao pergunta simples o vosso públicas sobre comunicação. Hoje vamos todos para o viva. Não pode ver para dormir, Vamos para viver onde se deitam. Os que aceitam ser analisados e fazer psicanálise estão prontos, mesmo que não queiram deitar, Se tiver, pelo menos sentem se confortavelmente. Discutem com atenção. Se quiserem, fiquem só espreitar pelo buraco da fechadura. Nesse caso, a prova tempo para subscrever a pergunta Sempre nosso pode vai no google ou na ápoca ou em qualquer outra plataforma que prefiram envie este episódio alguém que tem curiosidade de saber tudo sobre a análise psíquica e contemporânea e não foi, nem sempre explica tudo. Freud explica Esta promessa é francamente exagerada, mas eu gosto da expressão fraude, explica. Nela podemos ler o momento preciso em que dizemos algo que não queríamos assumir um lapso freudiano. Pois claro, mas também a promessa de que o psicanalista Sigmund Freud tinha todas as respostas a todas as neuras humanas não é verdade, mas o mito insiste e persiste em existir desde Freud que muitos outros psicanalistas e psicoterapeutas reinventam o processo de cura pela arte da palavra. Jorge (00:01:41) - Na forma mais clássica, o paciente, cada um de nós deitasse no divã e confessa todas as suas angústias e desejos ou psicoterapeuta que escuta na cabeceira do leito, com detentas reorganizar o mundo em convulsão, O nosso mundo, para tentar perceber este mistério da cura pela palavra da cura, pela fala, pela psicoterapia virgem até ao Brasil, para tentar ouvir da voz do centro Carlotti a maneira como tudo acontece no seu consultório, dos desejos, as frustações do querendo agradar a todo mundo, até a coragem de dizer não descobri Sandro Ka volte através do seu ponto de Castro. O gasto de comunicação e psicanálise que recomendo vivamente que possam ouvir uma publicação dele, escrevem para o menor. Como é a sua vida profissional? Quase me parece que este caso é também uma forma de ele próprio assegurar falando da sua vida. Vale começar pelo princípio venha comigo. Vamos saber tudo

Ep 124A liberdade e a democracia estão em risco? Adolfo Mesquita Nunes
Este programa é uma reflexão sobre a complexidade das crenças humanas na política. Uma conversa sobre a complexidade das questões políticas e a importância de entender diferentes perspetivas. Abordamos as limitações humanas e como elas mudaram ao longo do tempo, além de destacar a importância da diversidade e do respeito no debate político. A conversa também destaca os desafios da comunicação política em tempos de redes sociais e a importância de evitar a distorção da realidade. Em resumo, o episódio oferece importantes reflexões sobre a política e a comunicação em nossa sociedade atual. Falámos também sobre como muitas pessoas se estão a afastar da política - com é o caso de Adolfo Mesquita Nunes - e de como os indivíduos são frequentemente categorizados em caixas ideológicas. Também abordamos questões como casamento entre pessoas do mesmo sexo, barrigas de aluguer, aborto e a eutanásia. Oportunidade de enfatizar a complexidade das crenças humanas e a necessidade de ir além das categorizações ideológicas simplistas. Discutimos a relevância do espectro político esquerda-direita na sociedade atual e como a dicotomia entre as duas não captura totalmente a principal dicotomia do nosso tempo. Em vez disso, a principal questão é como gerir a mudança e a velocidade, com duas tendências a emergir: a abertura à mudança e diversidade, e medo e protecionismo em relação ao novo e diferente. Também discutimos o desafio que as democracias enfrentam em atender às expectativas de uma sociedade que valoriza a velocidade e o mediatismo, bem como os perigos do autoritarismo e a necessidade de as democracias competirem com as soluções tentadoras oferecidas por líderes autoritários. Ao longo da conversa, destacamos a importância da comunicação eficaz e do entendimento de diferentes perspetivas na política. Também discutimos o papel das redes sociais na política e como elas podem distorcer a realidade. No geral, este episódio foi uma reflexão fascinante sobre as complexidades da política e os desafios que as democracias enfrentam. Como disse um dos nossos convidados, "a democracia é um trabalho em andamento". Celebrar a Liberdade Estamos no mês da liberdade. No mês em que celebramos a liberdade. Em que celebramos a democracia. É um bom tempo para pensar sobre a maneira como estamos a estimar, desenvolver ou desgastar a nossa democracia. Os tempos são de grande desafio. A velocidade, a expectativa e a exigência dos cidadãos coloca sob pressão os políticos que tem de decidir a melhor forma de nos governarem. Este é um episódio sobre liberdade para pensar. E sobre uma guerra em curso. Não, não a guerra que se vive na Ucrânia. Mas a guerra entre os que querem acolher, que aceitam a diversidade e tratam os que pensam de forma diferente como parte integrante de uma democracia saudável. É de novo um tempo de resistência. E os outros que querem construir muros, fechar portas e olhar para o outro lado como se estivessem perante um inimigo. Pode não parecer, mas é. A democracia pode estar a enfrentar um dos seus maiores desafios: sobreviver a si própria. A aceleração do tempo, a rapidez da exigência das respostas e a ilusão de que uma solução populista pode resolver todos os problemas do mundo de forma imediata, coloca a democracia em cheque. O ambiente geral de comunicação é cada vez mais agressivo. Mais impaciente. Mais intolerante. E a comunicação política, entre eleitos e eleitores, fica cada vez menos suave. O dia-a-dia está cheio de discussões públicas de factoides sem interesse nenhum. Que são substituídos amanhã por outros factoides irrelevantes, mas ruidosos. E disparam uma espiral de palavras atiradas entre todos. Enquanto as coisas verdadeiramente importantes ficam suspensas num universo congelado. Quis ouvir uma das vozes mais livres e modernas que conheço na reflexão que faz sobre o estado das coisas. Adolfo Mesquita Nunes é advogado, é, ouvi foi político, mas principalmente é uma espécie de grilo falante do meio do nevoeiro dos dias. Com ele falei de comunicação política, das contradições humanas e do seu mais forte impulso para criar uma sociedade mais livre e inclusiva. E há áreas onde ser de esquerda ou de direita conta muito pouco. É o caso das chamadas causa fraturantes. Aquelas que tem a ver com o início e o fim de vida, por exemplo. Mas não só. Aborto, eutanásia, adoção, barrigas de aluguer, casamento entre pessoas do mesmo sexo. No fundo, causas de direitos humanos onde chocam vários mundos. Causas que Adolfo Mesquita Nunes recusa serem apenas propriedade da esquerda. Jorge [00:00:13] - ora viva, bem vindos ao pergunta sim, pelas novas públicas sobre a comunicação. Estamos no meio da liberdade do mês em que celebramos a liberdade em que celebramos a democracia. É um bom tempo para pensar sobre a maneira como estamos a estimar a e a desenvolver a nossa democracia. Pelo contrário, da maneira como estamos a desgastar, os tempos são de grande desafio. A velocidade, a expectativa e a exigência dos cidadãos estã

Ep 123Como alimentar corpo e alma? Linda Ferreira
Quem conhece a Linda da Tasquinha da Linda? Quem ainda não conhece vai adorar. Uma conversa sobre comida, pessoas, afetos e risos. Um episódio épico. Uma conversa única. Pode a vida moldar a nossa forma de comunicar com o mundo? E a mentalidade pode fazer com que o caminho do sucesso seja mais claro? Esta semana viajamos até Viana do Castelo onde ouvimos o percurso de uma mulher nascida em criada na ribeira, a trabalhar desde os 9 anos e que hoje lidera negócios de sucesso na área do peixe e restauração. Uma conversa inimitável onde se usam todas as palavras. Mesmo todas. Hoje estou em Viana do Castelo. É o regresso simbólico a casa. À cidade onde nasci. E onde permanece a minha alma de alto-minhoto. Alma que permanece na voz do povo, do meu povo, da sua maneira de falar, da sua maneira de entender o mundo. Ouve-se a cada momento. Expressa-se na comida. Na fala. No olhar. E posso resumir essa forma de estar no mundo com a frase: é preciso fazer, ninguém faz por nós, vamos fazer. No fundo, é uma energia gigante partilhada por todos naquele pedaço de terra. Quero deixar um pequeno alerta para os ouvidos mais sensíveis: a maneira de falar à Viana incluiu palavras que podemos definir como do vernáculo, palavrões ou asneiras. Mas essas palavras são parte da forma de falar. Não são ditas de forma gratuita nem ofensiva. São uma forma de incluir a energia transformadora na fala. E este programa tem um par de momentos em que essas palavras são ditas. E bem ditas. Por isso decidi mantê-las sem as apagar ou esconder num piiii castrador. Estão todos avisados e assim podem decidir se querem continuar a ouvir. Mas digo-vos: vale mesmo a pena. As coincidências marcam a minha vida. A vossa também? A sucessão de bons acasos sempre me guiou. Posso chamar-lhes intuição, sorte, possibilidades, ofertas. E este episódio nasceu assim: de uma sorte. Não só sorte, mas seguramente uma conjugação inesperada. E dessa sorte apareceu esta conversa, gravada num sábado de manhã, com chuva lá fora, na doca de Viana do Castelo. Estamos sentados na Tasquinha da Linda. A Linda, ela própria, e eu. Vazio das pessoas que hão de vir almoçar e ainda com os vapores da comida que ontem se serviu aos que aqui vieram. Na sexta-feira de véspera cheguei a Viana com a ideia de gravar uma conversa com Augusto Canário, mestre do canto ao desafio. Não tarda partilho esta conversa também. Bom, cheguei a Viana, com passagem rápida por Carreço, onde está a origem dos meus genes, de onde levei os meus pais e tios a comer à Tasquinha. Na minha cabeça havia um robalo do mar, escalado, pintado de sal e grelhado. Tão simples. Tão fresco. Tão sublime. Podia ser uma sopa de peixe, uma cataplana, ou um marisco. Mas dessa noite levei mais do que o meu apetite saciado. Levei o rumor da alma do Minho comigo. Nessa noite conheci esta voz que vão ouvir. E fiquei fascinado. Já vão perceber o porquê Combinei gravar a conversa no dia seguinte. Esta conversa. Não revelarei muito. Gostava que seguissem o seu ritmo, a sua fala, as suas alegrias, as suas cicatrizes. Esta é uma conversa sobre comida, sobre pessoas, sobre liderança, sobre subir a pulso na vida. Mas vai sempre, a cada minuto, tornando-se mais profunda, mais pessoal e, ao mesmo tempo mais universal. Está tudo aqui. Da comida que só se serve absolutamente fresca, das pessoas que vem não só para comer, mas para falar com ela. Do início de vida difícil, com trabalho duro desde os 9 anos, até à gravidez juvenil. Dos momentos de alegria e de tristeza, a relação com santos e deuses e um sorriso grande de acolhimento. Podia ficar horas a falar da forma como comunica. E como usa todas as palavras. Todas mesmo. Ficam avisados. Apresento-vos a Linda, da Tasquinha da Linda de Viana, a mulher para quem as palavras contam, um sério aviso para não confundir tasca com tasquinha.

Ep 122Adalberto Campos Fernandes | Como decidir a política de saúde?
Esta semana navegamos no mar da política, da maneira como tomamos decisões e dos clubes do poder. Um mergulho na maneira como escolhemos os nossos líderes e como tomam eles as melhores ou piores decisões. Tudo num palco mediático gigante, com julgamentos ao minuto nas redes sociais e frases ditas para criar agenda ou espalhafato. O mágico momento em que a política, a comunicação e povo de encontram na praça pública para definir o futuro. Sim, falámos de saúde. Claro que falamos de saúde. E sim, falámos de política. Mas falamos principalmente da maneira como decidimos fazer as coisas. Como levamos o mundo para a frente ou jogamos para o empate. É um diálogo sobre liderança. Sobre grandes ideias congeladas por falta de dinheiro ou ideias desastrosas levadas avante por causa de agendas políticas, ou egos gigantes. Esta conversa dura há vários anos. Adalberto Campos Fernandes e eu falamos destas coisas há muito tempo. Sem microfones. Sem gravador. Apenas pelo gozo de interpretar, especular e medir a temperatura dos verdadeiros donos disto tudo. Antes dele ser ministro, depois dele ser ministro. Durante o tempo em que, também ele foi, à sua maneira, um dono disto tudo. Teve ideias, formou equipas, tomou decisões. Foi elogiado e metaforicamente espancado no palco político. No campo da saúde, todos os ministros e ministras podem fazer o melhor trabalho do mundo durante meses, mas estão sempre na linha de risco da popularidade medida nas sondagens. O doente que não teve consulta. Que não consegue a cirurgia. A ambulância que não chegou. O hospital que não respondeu. Em dezenas de milhões de atos em saúde, em todo o país, 24 horas por dia, 365 dias por anos, há sempre algo que não correu bem. E basta um momento para que o Primeiro-ministro decida refrescar a equipa, remodelar, repensar, dar um novo rumo. Até ao próximo acaso ou tempestade real, ou mediática. A saúde é demasiado importante e por isso a nossa exigência é máxima. Quis por isso, nesta semana do dia mundial da saúde, mergulhar na maneira como se tomam decisões políticas neste campo. Mas não só. Quis saber como funcionam os clubes do poder. As escolhas, as pessoas, as dinâmicas. Saber quem e como se tomam as decisões que mexem na nossa vida. Siga o pensamento de Adalberto Campos Fernandes aqui.

Ep 121Steven Gouveia | A inteligência artificial é boa médica?
As máquinas espertas são cada vez mais espertas. E cada vez mais inevitáveis. O limiar da chegada de uma qualquer forma de inteligência artificial parece cada vez mais realista. E as máquinas podem começar a fazer as coisas de forma melhor e mais consistente do que os seres humanos. No fundo, atravessar a fronteira entre serem umas calculadoras rápidas com muita informação para uns bichos eletrónicos capazes de criar sozinhos soluções melhores para os problemas atuais. Contudo, esta evolução não é moralmente inócua. Li num estudo que ouve especialistas em programação avançada de computadores que eles assumem um risco de que os computadores inteligentes possam decidir de forma autónoma destruir os seres humanos era de 5%. Mas pior do que isto é que estes mesmos especialistas consideram que o caminho da evolução é imparável e por isso nem vale a pena pensar no risco. E esta parte parece-me francamente assustadora: os seres humanos mais inteligentes a programar máquinas parecem demitir-se da sua responsabilidade de prevenir o risco, nem que fosse forçando o abrandar do comboio tecnológico ou até criando um botão de pânico “desliga tudo agora” Portanto, demitiram o seu pensamento moral sobre as coisas. Na conversa desta edição falo com o filósofo Steven Gouveia. Ele dedica-se a pensar no impacto da tecnologia dita inteligente em áreas como a medicina. Por exemplo sobre o problema da máquina do futuro que é ao mesmo tempo, mais eficiente que um médico a tratar um doente e a aprender rapidamente a tratar melhor, mas que ninguém compreende como funciona. É uma caixa negra esperta. E quando algum dia errar ninguém entende porquê. Nem sabe corrigir o que aconteceu porque tudo está encerrado dentro da calculadora. E o médico também não conseguiria explicar ao doente o que aconteceu. Tudo isto num ambiente onde a inteligência artificial não está programada escalas de valores moralmente aceitáveis. É fria, neutra, eficiente e desumana, no mais puro dos significados. Fará parte de uma lista futura dos perigos da inteligência artificial? Recorro por isso ao Steven Gouveia, um filósofo. A profissão que se dedica a pensar por todos nós. Para o ouvir sobre a inteligência artificial, as suas vantagens e desvantagens. E bem que precisamos de pensamento crítico. As decisões individuais acabam sempre por influenciar o futuro coletivo. Embora eu saia desta edição menos otimista. Perceber que as máquinas podem ultrapassar o nosso julgamento moral ou que a democracia afinal é um jogo de resultado pré-determinado deixam-me com uma desagradável sensação de asfixia. Será que a liberdade de expressão também pode afinal ser um jogo de fantasia? Vale a pena passarem na página de Steven Gouveia e verem alguns dos seus cursos de filosofia para o público em geral. São boas ferramentas para a aprender a pensar. Se tem interesse no tema da inteligência artificial aproveite para ouvir também este episódio: MÁRIO GASPAR DA SILVA | CHEGOU A ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL? LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Transcrição automática do episódio 00:00:00:02 - 00:00:06:21 Steven Gouveia Professor Stephan Gouveia, filósofo e filósofo, é uma profissão. O que é que faz um filósofo. 00:00:07:20 - 00:00:32:09 Steven Gouveia Um filósofo? Coisas que quase não faz? Não faz porque acha que é uma. É uma capacidade ou uma profissão que se calhar não é relevante e nós podemos resumir muito da atividade de um filósofo. Ou pensa ao pensar ou pensar sobre diversos objetos e realidades do mundo que talvez não interessam ou não interessem a grande parte das pessoas. 00:00:32:09 - 00:00:40:10 Steven Gouveia Mas é talvez também porque não são interessantes para o dia a dia, digamos assim, da vivência de acordar, comer, dormir. 00:00:40:27 - 00:00:43:21 Jorge Correia Então delegamos nos filósofos que pensem por nós. 00:00:44:28 - 00:01:20:03 Steven Gouveia A uma espécie de acordo tácito entre a sociedade e este grupo muito específico de seres humanos, em que a sociedade delega para essas pessoas o tempo e a energia para pensarem sobre assuntos diversos, enquanto que nós, sociedade, continuamos o nosso caminho para sul, para outras culturas, outros afazeres e outras profissões. Mas acho que o importante do papel do filósofo é pensar que o filósofo é um ser que tem uma expertise muito específica e que mais nenhuma profissão ou mais de um ser humano tem. 00:01:20:09 - 00:01:28:13 Jorge Correia Então, quais são as caixas de ferramentas que um filósofo tem para responder exatamente a essas, essas angústias da sociedade e essas perguntas? 00:01:29:08 - 00:01:59:17 Steven Gouveia Mas o filósofo é uma pessoa treinada normalmente na academia, mas isso não precisa de ser. Não é uma condição, digamos assim, suficiente para aproximar o filósofo. É uma condição necessária, pelo menos estudo das necessidades, primeiro. E, curiosamente, como é que grandes gênios da humanidade cometeram erros muito básicos sobre diversos assuntos, desde tentar definir o que é justiça, tentar definir o que é

Ep 120Márcia Tiburi | Como pensar um mundo novo?
Hoje é tempo de falar de filosofia. Isso mesmo: de usar a cabeça e pensar sobre a maneira como pensamos. O que nem sempre acontece. E por isso importa saber por quê. Afinal a mais difícil das perguntas: o porquê das coisas. A convidada é Marcia Tiburi, filósofa, professora e artista plástica brasileira. Ela desafia-nos a ter um pensamento mais progressivo e aberto sobre o mundo em que vivemos. E a sua forma apaixonada e frontal valeu-lhe ameaças de morte e uma fuga para a Europa em busca de um lugar mais seguro para pensar. O pensamento subjetivo é uma das maiores armas do diálogo democrático. Cada um pode pensar e partilhar o que pensa. E esse pensamento tem pelo menos duas avenidas: A primeira é aquilo a que gosto de chamar o pensamento especulativo. A segunda é um pensamento mais operacional. No meu desenho mental, o pensamento especulativo são aquelas reflexões que o pensamento faz sobre si próprio. Porque pensamos da maneira como pensamos? O que nos levou a este caminho? É legítimo ou ético pensar isto desta forma? Na avenida do pensamento operacional vem a resposta à pergunta “e se?…” E se eu fizesse assim? E se eu fosse por aqui ou por ali? Uma forma de pensamento que nos devolve a capacidade de decidir quem somos e o que queremos ser ou fazer? É uma forma de autoconsciência. Ora, toda a conversa com Márcia Tiburi é sobre isto. Sobre as razões que nos levam conscientemente a autodeterminar-mo-nos. A dizer o que somos e como somos. Ao invés de aceitar as etiquetas que nos colam à pele. Entre o ruído do mundo moderno há que parar para pensar. Pensar no pensamento e pensar no que somos, queremos e fazemos. E alguns grupos mais progressistas já o fazem de uma forma mais sistemática e desafiante em relação ao status quo. Quem tem poder normalmente não gosta muito destes desafios porque eles representam a capacidade de perguntar e principalmente de decidir a resposta certa. O mundo novo tem uma fórmula de pensamento muito própria. Onde os conceitos da ecologia, da igualdade e de uma justiça mais ampla tem um peso maior do que os caminhos do mundo antigo. A cooperação entre seres humanos para uma nova plataforma de bem comum está de alguma maneira já a sussurrar nas novas formas de dizer. Seja nas palavras, seja nos atos. Mas há uma batalha surda em curso: entre anestesia social e a pulsão do grito de revolta. Estaremos nós a entender o que está a acontecer?

Ep 119José Avillez | O que vamos comer hoje?
Hoje é dia de ficar com água na boca. De experimentar a gula a todo o vapor. De ler nas texturas dos alimentos. De cheirar. De provar. De depenicar. De petiscar. De empanturrar barriga e olhos das mais belas iguarias. Com um mestre, um chef, José Avillez, português, mas sempre na lista dos 100 melhores cozinheiros do mundo. Este programa é sobre comida, alimentos, ingredientes, povos e culturas. E sobre como conjugar uma disciplina quase militar a uma criatividade quase divina. A cozinha está aberta. A mesa posta. E os cheiros enchem a casa. Tudo está prestes a começar. Os clientes que reservaram mesa começam a chegar Mais os outros que nem se deram ao trabalho, mas tem fome. Do casal de namorados da mesa do canto ao trio que fecha um negócio, passando pelos turistas que estão a aprender Portugal pelos cheiros e sabores. Será que algum deles é crítico gastronómico? Ou tem a decisão final de atribuir mais uma estrela Michelin? Seja como for e neste preciso momento, todos são iguais. Tem fome. Tem vontade de comer. Tem expectativas. Tem desejo, gula e ansiedade nas papilas gustativas. Para além daquele balcão do fundo, com vista para a cozinha, há uma dezena de criadores de comida. São um misto de arquitetos, artistas se circo, pintores em pratos, recreadores de alimentos frescos ou reinventados, ou desconstruidos. As marinadas, temperos, cozeduras a tempos precisos, tempos de descanso e de fogo. Tudo para que a comunicação pela comida chegue na perfeição aos clientes. Mas nem tudo é arte. Há cronómetro. O sincronismo entre pratos. Entre pedaços de cada interpretação daqueles alimentos pelo chefe de cozinha. É um bailado quase militar. Uma conjugação de movimentos de equipa. Entre a rapidez e a precisão absoluta. Entre a cozinha e a mesa o chefe prova, embeleza, limpa o prato da pinga que caiu ao lado. Que raramente caiu ao lado. E logo de seguida canta o prato a sair ou o pedido a chegar. A criação é colocada a usufruto pelos comensais. Que só pensam em saborear algo que demorou dias a criar e anos a aperfeiçoar. Este programa é sobre este momento perfeito, de meter comida à boca, fechar os olhos e saborear. No balcão do fundo está alguém a observar e a pensar: missão cumprida. Este programa é conduzido pelo Chef José Avillez, um dos mais célebres e galardoados cozinheiros portugueses. E é muito mais do que um programa sobre comida. A comida é um dos melhores pretextos para celebrar a vida. E para encontros ou reencontros. Ou será que conhecem algum povo no mundo que ao almoço esteja a pensar no que vai comer ao jantar? A gastronomia é uma poderosa forma de comunicar. De cuidados dos outros. De compartilhar experiências. https://www.bairrodoavillez.pt/pt/ https://www.facebook.com/ChefJoseAvillez LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO Transcrição automática do episódio 00:00:12:22 - 00:00:37:24 Ora viva! Bem vindos ao pergunta. Simples o vosso podcasts sobre comunicação. Hoje é dia de ficar com a boca cheia de água e experimentar a gula a todo o vapor. De ler nas texturas dos alimentos, de cheirar, de provar, de duplicar, de petiscar, de empanturrar a barriga e os olhos das mais belas iguarias com o mestre, o chef José Avillez, português, mas sempre na lista dos 100 melhores cozinheiros do mundo. 00:00:38:08 - 00:01:07:16 JC Este programa é sobre comida, alimentos, ingredientes, povos e culturas e sobre como conjugar uma disciplina quase militar com uma criatividade quase divina. Se gostarem da comida e do programa, subscrevam em pergunta simples ponto como é que isso ajuda a convencer grandes convidados a falarem para si? Uma boa ideia, não acha? Vamos ao programa, vamos a isso. 00:01:11:11 - 00:01:30:24 JC A cozinha está aberta, a mesa está posta e os cheiros enchem a casa. Tudo está prestes a começar. Os clientes que reservaram mesa começam a chegar, mas os outros que nem se deram ao trabalho, mas têm fome na mesma do casal de namorados, da mesa no canto. Ao trio que fecha ali o negócio, passando pelos turistas que estão a aprender Portugal pelos cheiros e sabores. 00:01:31:08 - 00:01:54:00 JC Será que algum deles é o crítico gastronómico ou tem a decisão final de atribuir mais uma estrela Michelin? Seja como for, e neste preciso momento, todos são iguais. Têm fome, têm vontade de comer. Tem expectativas, tem desejos, gula e ansiedade nas papilas gustativas. Para além daquele balcão, ali no fundo, com vista para a cozinha, há uma dezena de criadores de comida. 00:01:54:00 - 00:02:30:01 JC São um misto de arquitetos, artistas de circo, pintores em pratos recriados de alimentos frescos ou reinventados ou desconstruídos, como se diz agora na linguagem moderna. As marinadas, os temperos, as culturas a tempo preciso, tempos de descanso e tempos de fogo. Tudo para que a comunicação pela comida chegue na perfeição aos clientes. Mas nem tudo é arte. Ao cronómetro, o sincronismo entre pratos, entre pedaços de cada interpretação daqueles alimentos pelos chefes de cozinha é um bailado quase militar, uma conjugação de moviment

Ep 118Mário Gaspar da Silva | Chegou a era da inteligência artificial?
Aproveitem este episódio que, não tarda nada, e é um computador robô que faz o Pergunta Simples. Um robô perguntador que interpela outro robô respondente. Tudo a uma velocidade estonteante, onde a máquina perguntadora dispara mil perguntas por segundo e o computador do outro lado responde com tudo na ponta da língua. De silício, pois claro. E claro, os ouvintes também tem de ser máquinas, para acompanhar o ritmo, para interpretar os bits e bytes das máquinas que fazem comunicação. Ufa! Não sei se gosto disto. Preciso de pessoas. Humanos lentos, falíveis e, principalmente, imprevisíveis, criativos, generosos, empáticos. Este é um programa sobre as máquinas que falam e sonham ser inteligentes. E sobre seres humanos que são inteligentes, mas ainda lutam por se entenderem. Ah! E não se vos disse: sou o robô-clone do Jorge porque ele está ali na praia a gozar a vida. Ou no desemprego porque se tornou inútil. Não se preocupem em subscrever o programa porque eu já sei tudo sobre vós. Onde escutam o programa e a que horas. Os temas que preferem e os que não gostam. E por isso decidi subscrever-vos automaticamente no Spotify e nas outras apps. Afinal vós humanos já disseram que sim aquelas irritantes listas que saltam no écran a dizer que aceitam os amistosos e inofensivos ‘cookies’ e assim alguém cuida das vossas preferências nos próximos anos. Afinal, o Big Brother não é o do Orwell nem o da TVI. É essa maquininha chamada telemóvel 'inteligente' que tem na mão. Houve um tempo em que os animais falavam. O tempo da fábulas. O tempo em que os animais se comportavam como humanos, dizendo coisas que os escritores punham na boca de patos, raposas ou burros, para não ofender os humanos que se comportavam da mesma forma. O triunfo dos porcos é provavelmente a mais saborosa metáfora que se me ocorre da nossa vida em sociedade. Agora estamos no tempo em que os computadores também decidiram começar a falar. A falar de forma escrita. A falar imitando a voz humana. A falar imitando a nossa imagem. Mas são só. Os computadores estão agora a imitar as nossas pinturas magistrais. Os Picassos, os Dalis. A nossa poesia maior: Um Camões, um Pessoa eletrónico. Será imitação ou mera estatística de palavras? Qualquer um de nós pode ir ao computador pedir a vários programas na ‘internet’ que pinte uma nossa fotografia com as cores e técnicas de um pintor famoso. Ou que nos escreva um relatório sobre a vida selvagem na Serra da Estrela. E os computadores escrevem. Porque estão cheios de informação e foram treinados a adivinhar estatisticamente as palavras que estão antes e depois. É o caso do chamado “Chat GPT” Será isto o primeiro vislumbre da chamada inteligência artificial? Ou um mero truque de magia destas calculadoras avançadas? Esta história da inteligência artificial complica-me os nervos. Por um lado fascina-me. Com todo o seu imenso potencial de resolver os nossos problemas humanos. Por outro, assusta-me. Pelo potencial de criar mil outros problemas que não existem hoje. Com mil génios dos computadores a tentar encontrar o Santo Graal da inteligência artificial, mas nenhum a conseguir sequer compreender como funciona o cérebro de uma mosca. Fui por isso com esta cesta de dúvidas bater à porta de Mário Gaspar da Silva. Professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa, estudioso dos temas da linguagem natural nos sistemas informáticos. E, detalhe muito importante, presidente da comissão de ética do instituto. É porque esta conversa das máquinas que falam e que, alegadamente, pensam, não é só uma coisa de porcas e parafusos. É também sobre propósito, utilidade e delicadas fronteiras éticas. Inteligência é uma palavra gigante onde cabem muitas coisas. Muitas ideias, conceitos, emoções, entendimentos. E por isso funciona como uma caixa negra fascinante. Não sabemos como funciona. Sabemos que a podemos alimentar e também sabemos que podemos esperar o inesperado. É isso que faz com que os seres humanos de superem. Porque imaginam soluções diferentes para cada velho problema. As máquinas são — até ver — mais previsíveis, mas mais aborrecidas. São calculadoras gigantes que por agora nos devolvem as nossas próprias palavras e conhecimentos em forma de letra eletrotónica no écran. Sabem imitar com rapidez e eficiência e descobrem padrões com grande facilidade. É isso que são as ferramentas como o Chat GTP e as outras que aí vem: máquinas automáticas de dialogar. Dependem da programação da pergunta e das respostas. Mas ainda parecem incipientes no grande jogo da inteligência. Até quando? Não sabemos. Transcrição do episódio (automática) 00:00:12:24 - 00:00:13:20Ou dádiva? 00:00:13:20 - 00:00:17:22Bem vindos ao perguntasimples ou voz pública sobre comunicação? 00:00:18:06 - 00:00:20:19Aproveitem este episódioque não tarda nada 00:00:21:06 - 00:00:24:05e um computador robôem que está a fazer perguntas simples 00:00:24:15 - 00:00:29:01a um robô perguntador que interpelaum outro robô correspondente. 00:00:29:11 - 00:00:32:23Tudo a uma

Ep 117Isabel Galriça Neto | Quem tem medo de morrer?
Esta edição é sobre um tema tabu. Um tema de que não se fala. Que não se pensa. Que se reprime nos pensamentos. Que se foge enquanto se pode. Hoje falamos da morte. Do prazo de validade. E por isso falámos da vida. Da vida vivida intensamente. Da vida vivida com propósito. Vivida com sentido. Afinal, quem tem medo de morrer? E quem fala disso? Quem tem fome de viver? E que cumpre o que promete na resposta a esta pergunta. A condição humana impõe-nos um prazo. Essa espada de Damocles permanece sempre sob a nossa cabeça durante toda a vida. Mas raramente olhamos para cima. Fingindo que não existe. Que é uma fantasia longínqua. Se calhar é um esquecimento necessário para continuar a viver. Este episódio tem tudo a ver com isto. E nada a ver com isto. Gravei esta conversa com a médica Isabel Galriça Neto em busca de saber as vozes que ouviu ao longo de anos da boca de pessoas no limiar do fim de vida. De mais de 8 mil pessoas. De mais de 8 mil famílias. Todos a precisar de cuidados paliativos. De conforto. De humanização. De comunicação. De paz. Em Portugal vive-se em fulgurante desenrascar e morre-se em chocante desumanidade. Os hospitais inventados para tratar doentes agudos ou crónicos em movimento tem pouca vocação para paliar o sofrimento. As famílias encolheram, sobrevivem sem condições de suporte social próximo. E as unidades de acolhimento, cuidados continuados ou paliativos são escassas. Muito escassas. Mas este programa — o mais duro e difícil de gravar — é sobre a condição humana. Sobre os remorsos e arrependimentos do fim de vida, mas, principalmente, sobre os grandes feitos e afetos que deram sentido à nossa vida. Uma vida bem vivida é uma sucessão de dias bons. Mas todos sabemos que esta viagem inclui momentos difíceis, derrotas ou sentimentos de vazio. E nesse ondular existencial a comunicação tem um papel. Chamo-lhe modelar as expectativas.. O simples repetir dentro da nossa cabeça uma série de frases ora de optimismo, ora de resistência pode ter grandes efeitos. Comigo funciona. Não muda nada na realidade, mas muda tudo na perspetiva. E como sabemos, quase tudo é subjetivo, mesmo a mais objetiva das realidades.

Ep 116Miguel Crespo | Informar ou desinformar?
Tenho boas e más notícias. Os portugueses estão a consumir notícias. Boa notícia. Os portugueses sentem que estão a ser manipulados. E muitas vezes. Péssima notícia. Os portugueses têm milhares de fontes de informação. O que quer dizer diversidade. O que quer dizer informação mais localizada ou mais nacional. Excelente notícia. Mas quase 90% mesmo grupo de portugueses que respondeu a um inquérito do Observatório Ibérico IBERIFIER que estuda o fenómeno da desinformação e o seu impacto na sociedade, confessa que vê as notícias nas redes sociais. Será uma boa ou má notícia? São ambas: por um lado as redes sociais garantem acesso mais alargado, por outro as fontes nem sempre são fiáveis. Estamos a falar do Facebook da RTP, Expresso ou Antena 1? Ou contamos com as últimas publicações da tia Amélia, que adora cães, detesta a prima Ana e acredita em OVNI´s, milagres e nos produtos de televendas, embora faça um leite-creme divinal? Por isso não é de admirar que 97% dos respondentes dizem ter visto desinformação no último mês. E os temas da política e do futebol são estrelas neste campo. Além da publicidade que se faz passar por notícia para atrair cliques e visitantes aos sítios ‘web’ de vendas. A qualidade da informação tem muito a ver com a fonte. E 25% do território nacional não tem sequer uma publicação local a falar sobre as notícias da terra. Logo as fontes são tudo menos fiáveis, factuais ou neutras. Miguel Crespo é investigador do fenómeno da desinformação e no comportamento dos média e dos cidadãos. E o observatório de que faz parte tem agora uma fotografia da perceção dos cidadãos e um mapa. As notícias são feitas por pessoas e para pessoas. O que implica desde logo uma subjetividade. Por exemplo, na maneira como se escolhem os temas para dar notícia. E que ângulo, titulo ou forma damos ao contar uma história. Finalmente, e mesmo que tudo seja feito de forma honesta e equilibrada, tudo depende da forma como os leitores, ouvintes ou telespectadores recebem a informação e a interpretam. E essa passagem é todo um mundo novo. A mesma notícia é vista com lentes diferentes conforme o contexto dos recetores. As suas crenças, a sua condição social, as suas ideias, as ansiedades e desejos. É tudo menos matemático. Talvez isso explique o sucesso da informação que explora os temas mais populistas. O crime, o sexo, o poder. São temas populares, mas parece que estamos todos sempre a vê-los pelo buraco da fechadura. Também é uma maneira de olhar o mundo. Fiquem com os principais dados do estudo e ouçam um outra conversa com Miguel Crespo aqui: MIGUEL CRESPO | COMO COMBATER AS ‘FAKE NEWS’? “O Impacto da Desinformação na Indústria de Media em Portugal e Espanha”Estudo IBERIFIER87% dos inquiridos contacta com notícias através das redes sociais.37% depara-se com desinformação várias vezes por dia.97% detetou desinformação no último mês.77,6% identifica a fraca qualidade do jornalismo, nomeadamente erros factuais, cobertura simplista, como principal problema na desinformação.72,1% sublinha o problema dos factos parcialmente manipulados.48,5% destaca as peças que imitam notícias, mas que são, afinal, anúncios.71,3% aponta a política como o tema mais visado na desinformação.59,2% é a quantidade de respostas que sublinham o assunto guerra e conflito armado como o tema mais tratado sob efeito da desinformação.84% elege a política como o tema em que a desinformação mais preocupa.72% declara que deixou de confiar num meio de comunicação depois de ter detetado nele desinformação.23% diz que não se pode confiar nas notícias a maior parte das vezes.77,2% declara que não pode confiar na maior parte da informação das redes sociais.78,7% escolhe os cientistas e 56,2% os jornalistas como as fontes em quemais confiam. IBERIFIER LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO 0:13 Ora, vivam. Bem-vindos ao pergunta simples ou voz podcast sobre comunicação, isto é, o episódio 116 e vamos falar sobre informação sobre como nós nos informamos, de onde bebemos a informação que os jornais, que rádios que a televisões, o que Facebook, Twitter e afins usamos para saber como vai o mundo. 0:33 Se gostarem do episódio, partilhem com amigos que queiram ouvir ou pensar sobre estas coisas da comunicação subscreva gratuitamente na página perguntasempre.com ou no Spotify desta vida se é a primeira vez que está a ouvir este programa, aproveite e espreite outros episódios anteriores a lá. 0:50 Muitas conversas interessantes vamos ao programa, vamos a isso. 1:05 Tenho boas e más notícias. Os portugueses estão a consumir notícias. Boa notícia, os portugueses sentem que estão a ser manipulados e muitas vezes, péssima notícia. Os portugueses têm milhares de Fontes de informação, o que quer dizer diversidade, o que quer dizer informação mais localizada ou mais nacional? 1:27 Slant notícia, mas quase 90%, o mesmo grupo de portugueses que respondeu ao inquérito do Observatório ibérico que estuda o fenômeno da desinformação e o seu impacto na sociedade, confessa que vê as notícias

Susana Romana | Quanto vale uma boa história?
Este é um episódio torrencial.Um record absoluto de palavras ditas por minuto.De argumentos, piadas e perplexidades. De cada vez que um actor fala há um autor que lhe criou um texto para dizer.De cada vez que um apresentador aparece seguro de si a olhar para a câmara e a dizer as palavras certas na hora certa, então, muito provavelmente, há um argumentista que lhe escreveu o texto.No fundo, todos os conteúdos de entretenimento como as peças de teatro, filmes ou séries, ou telenovelas tem o dedo destes escribas.Nesta edição vamos ao fundo do baú dos escritos de Susana Romana.Ela tem mil palavras no currículo. Desde o seu “Macaquinhos No Sotão” da rádio M80, ao 5 para a meia-noite ou até, a mítica série “Inspector Max”, o cão que deslindava crimes.A conversa é torrencial, aviso já. E vai em excesso de velocidade.Deu para tudo: para falar da importância das histórias na nossa vida, do valor das palavras e da falta de capacidade das pessoas interpretarem o que foi dito ou escrito.O que se presta a discussões acirradas, mas profundamente binárias sobre a causa das coisas. Do humor, do riso e do choro.De todas as histórias que nos emocionam.E que convivem com o mais básico dos básicos, como as etiquetas que nos colocam.A começar pela definição do que somos ou fazemos. E quem diria que um cão de nome Max se ia tornar memória viva.É um excelente exemplo da força das histórias.E d e algumas histórias que saltam barreiras de gerações.Como o dos filmes portugueses de comédia dos anos 40 ou a guerra do Raul Solnado.São palavras que levam entranhadas a mitologia da cultura de Portugal.A par da grande poesia, do folclore ou da tradição oral escondida na memória dos velhos nas aldeias mais longínquas.Tudo boas histórias. Tudo boas narrativas.Basta estar atento e ser curioso.

Ep 114João Goulão | As drogas têm uma linguagem?
Nesta edição falamos das drogas que dão prazer, que anestesiam angústias ou que destroem vidas e famílias. As vozes sobre as drogas e o seu uso vão da exclusão proibicionista até à liberalização radical. E dessa contradição insanável entre o risco e a liberdade. Entre o prazer e a morte. Do consumidor recreativo ao traficante da rede de crime organizado. Num Portugal onde 1% da população chegou a ser dependente de drogas como a heroína. A somar às clássicas dependências do álcool e tabaco. As drogas são um dos temas a que dediquei uma parte da minha vida. Como observador, como perguntador profissional e como narrador de uma realidade que chegou a atingir grande parte das famílias portuguesas. A droga causa de mil sofrimentos. E de mil prazeres. Essa contradição cria uma tensão social, psicológica, humana. E isso expressa-se na linguagem. Nos rótulos. Nos preconceitos que cada um cola nas realidades para assim facilitar o processo de entendimento de realidades complexas. O fenómeno da toxicodependência tem todos esses matizes. Do slogan antigo “Droga, loucura e morte” do livro da minha adolescência “Os filhos da droga - Cristian F.” Até à proximidade com o fenómeno na escola secundária. Do mais inocente cigarro atrás do pavilhão desportivo a dramáticas histórias de amigos que acabaram no caminho da toxicodependência pesada. Da heroína injetada, da cocaína e das mil drogas sintéticas. E a sociedade reagiu como em tudo o mundo: ora a isolar os toxicodependentes como culpados de todos os males do mundo; ora a acolhê-los como doentes para os ajudar. É que as famílias descobriram rapidamente que os toxicodependentes não eram uns alienígenas marginais, mas sim os seus próprios filhos. É nessa linha que Portugal inventou uma fórmula de sucesso: redução de riscos, prevenção dos consumos e recuperação de pessoas. Descriminalizar sem despenalizar. Combater o tráfico, mas ver o toxicodependente como um doente crónico. É esse olhar que trago hoje aqui pela voz de João Goulão, médico de família e face da equipa que tornou Portugal único a responder a um problema complexo. Afinal, porque as drogas dão prazer e matam. O tempo é de reconstrução da estratégia de resposta à toxicodependência. Suspeito que com o agravar da crise económica o fenómeno do consumo das drogas terá um aumento significativo nos próximos anos. As crises criam desamparo e a algumas drogas oferecem anestesia para as dores de alma. É um caminho curto para se ficar dependente. Com um preço social e humano relevante.

Ep 113Márcio Barcelos | Como fazer um bom podcast?
Hoje é dia de falar de conteúdo. Pode ser recheio. Pode ser enchimento. Pode ser narrativa. Podem ser boas histórias. No fundo, conteúdo é uma expressão da gíria da comunicação que quer dizer o que se diz, faz, pinta, fotografa, relata, escreve ou filma. O conteúdo é a mais importante parte de um qualquer programa ou evento. Gosto de lhe chamar “carninha para o assador”. Tenho um amigo que se refere às longas horas em que é preciso inventar, literalmente, conteúdo para ocupar tempos de televisão ou rádio com a expressão “há que alimentar o cavalo”. Entenda-se falar, falar, falar. Ocupar espaço em antena. No fundo, conteúdo é a base. E esse conteúdo tem depois uma forma. Escrevemos um livro ou fazemos um programa de televisão? Fazemos uma foto ou pintamos um quadro? Este programa pode parecer um episódio sobre ‘podcasts’. Mas é, de facto, uma conversa sobre como criar e alimentar a comunidade com bons conteúdos. Neste caso, conteúdos para serem ouvidos. Por exemplo, os ‘podcasts’ são uma forma nova de fazer rádio? Ou uma maneira de juntar pessoas que se interessam pelo mesmo tema de conversa? Estas duas perguntas navegam na conversa que mantive com Márcio Barcelos. Ele desenvolveu durante os últimos cinco anos um Festival chamado Podes. A sua vertente mais conhecida culmina na atribuição de prémios aos melhores ‘podcasts’ portugueses. São 15 categorias para os 15 melhores ‘podcasts’ portugueses, por votação de um júri independente e numa das categorias, pelo público. Por exemplo, o prémio do melhor ‘podcast’ do ano foi atribuído ao 45 graus de José Maria Pimentel. O tema dos ‘podcasts’ é um pretexto para falarmos de criação de conteúdos, de discussão pública e do sentido de comunidade. Nesta edição passamos pelos melhores entre os melhores mas também por programas com menos qualidade. Ou qualidade de som, ou, pior ainda, falta de bom conteúdo. Por isso e desde já arrumamos esses programas sem bom som nem boa palavra. Sobrando a pergunta: como se faz um bom programa? Um bom ‘podcast’. Os bons programas ficam sempre na memória. Porque são bons. Porque nos disseram algo que nos marcou. Porque quando estivemos a partilhar um bom conteúdo sentimos-nos especiais. É que para conseguir oferecer essa sensação alguém pensou entregou algo bom para o nosso ouvido. Para o nosso cérebro. Para o nosso coração. Festival Podes - Melhores podcasts 2023 Podcast do Ano: 45 Graus Narrativa: Noite sangrenta Ciência, tecnologia e educação: 110 Histórias | 110 ObjetosNarrativa: Noite SangrentaEntrevista: Humor à Primeira vistaLifestyle: Cartão de Embarque:o podcast de todos os destinosRádio: Fala com ElaJogos e Passatempos: SupermegabitHumor: Duas Pessoas a conversarDesporto: MatraquilhosPolítica, Economia e Informação: 45 GrausCinema e Televisão: In VitroQuestões Sociais: O Ar é de TodosArte e Cultura: PBXPrémio Vozes: Um Género de ConversaPrémio do Público: IncompletaMente

Ep 112Eduardo Costa | Quanto vale a saúde?
Estou entre a matemática das coisas e a frase “é a economia, estúpido”. Estas coisas dos números sempre me fascinaram. Talvez um pouco menos do que as palavras. É que é mais difícil encontrar poemas numa folha de cálculo. Quero partilhar convosco a minha difícil relação com a matemática. Com aquela matemática das letras misturadas com números, de equações nublosas e resultados incompreensíveis. Fascinam-me estes desenhos de contas. De representação de uma realidade que não compreendo. Mas deixem-me por um momento contar a pequena história da minha relação com a matemática. Junta escola, e saúde. Eu era um bom aluno a matemática. Adorava aquilo. Fazia questão em resolver problemas em contra-relógio e tudo na matemática me fascinava. No fundo, dominava o código. Sabia daquilo. E de súbito o meu pequeno apêndice, uma espécie de pequena tripa aqui em baixo na barriga, do lado direito, decidiu inflamar. A mais clássica, típica e popular apendicite. O resto da história é o da viagem para o hospital de Viana do Castelo, uma bateria de análises e palpações, uma roda de médicos e um cirurgião a anunciar que eu ia direto e de imediato para a tábua cirúrgica onde as suas mãos munidas de um bisturi me iam salvar a pele. E assim fui. Contrariado e assustado. Talvez este momento tenha contribuído fortemente para a minha hipocondria. E, por isso, dediquei-me, mais tarde, ao estudo da política e da comunicação em saúde. Mas isso interessa pouco. Volto aos meus 12 anos, salvo pelo SNS e internado por uma semana no hospital. E depois mais uns dias sem escola, para recuperar, vestido com uma faixa tipo toureiro para me salvar de alguma hérnia. Esses 15 dias e uma perda de capacidade de me concentrar durante um par de meses foram fatais para a minha relação com a disciplina da matemática. Passei a ser, quase, o pior aluno do planeta. E a matemática uma ciência oculta para mim. Pelo menos a grande matemática. Das equações, modelos e engenharias financeiras várias. Esta pequena história cruza educação com saúde. Na educação, quando um aluno perde o pé, tem mais dificuldade ou simplesmente tira más notas, ganha uma etiqueta invisível de “não vale a pena investir nele”. Um bom aluno, pelo contrário, merece sempre mais apoio, estímulo e caminho. E já repararam como estes dois sistemas se comportam de forma completamente inversa na sua relação com os utilizadores: A educação investe mais nos bons alunos e menos nos piores. Na saúde a regra é a contrária: quanto pior está o doente, mais o SNS investe para o salvar. E quando custa esta solidariedade? Esta filosofia de lutar por todos e cada um? De investir na vida, na saúde, na batalha contra o fim. Uma balança emocional e técnica, de medicina e cuidados especializados, mas também de custos e benefícios. Para o cidadão e para a sociedade. É sobre isto este programa. Com Eduardo Costa cumpro a minha missão de tentar descodificar o orçamento da saúde. Quando gastamos, em que gastamos e para que gastamos. Só há uma certeza: quem paga a conta somos nós. Eduardo Costa é economista e professor na Nova SBE e um especialista em economia da saúde. Portanto, domina a explosiva arte que junta saúde com dinheiro. Uma conversa sem preço, mas de valor.

Ep 111Joana Azevedo | Como falar ao ouvido?
Nesta edição mergulhamos de cabeça na rádio em direto. Na mágica mistura da empatia, fluidez de discurso e criação permanente de uma relação entre quem fala e quem escuta. A fala da rádio é vertiginosa, inspiradora e entra-nos no ouvido. Mas aquilo que parece uma fala informal, com traços de quase improviso, esconde uma cuidada preparação e anos de experiência. Mas isso não chega. É preciso ter uma avassaladora paixão pela rádio e pela comunicação ante de dominar as regras do ofício. Nesta edição converso com Joana Azevedo uma das mais populares radialistas portuguesas. Podemos segui-la, diariamente, ao fim da tarde, na mais ouvida estação de rádio nacional: a rádio comercial. O que é surpreendente durante toda esta conversa é a mistura que a Joana Azevedo empresta ao seu olhar sobre a comunicação. A ideia do que se pode dizer ou deve evitar-se. Da relação que se cria com a audiência ou da maneira absolutamente desarmante como confessa que os erros são uma matéria-prima da fala pública. A viagem passa pelos podcasts, pela química no ar com Diogo Beja e com a mais contagiante gargalhada que ouvirão aqui. Ter a felicidade do trabalho ser uma paixão uma grande vantagem na vida. Falar com os outros não é um mero cumular de palavras organizadas em frases. Falar com os outros é uma forma de relação. Em cada palavra seguem emoções, sentimentos, ideias e oportunidades de continuar a conversa. Na dúvida, riam-se. Uma boa gargalhada é como uma janela aberta. Entra ar fresco, luz e abre-nos o mundo.