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Como educar melhor? José Pacheco
Episode 160

Como educar melhor? José Pacheco

Pergunta Simples · Jorge Correia

January 10, 202442m 38s

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Show Notes

Hoje falamos de um dos mais especiais e extraordinários fins da comunicação: educar. Desde o útero até ao fim. Da mãe até aos bisnetos, todos temos a sorte e a necessidade de aprender com todos. Mas o ser humano, na sua infinita criatividade, e a chamada revolução industrial, quis que todos aprendêssemos, formalmente, na escola, da maneira mais massificada e impessoal que se conseguiu. O resultado está à vista. Estamos a formar mais peças de fábricas do que cidadãos. Mas este programa não é sobre o que correu mal. É mais sobre a esperança de mudança. Com quem já fez e continua a fazer pequenas revoluções na educação. Sim, há maneiras diferentes de fazer. TÓPICOS DE CONVERSA: A falência do sistema educativo (00:00:12) Discussão sobre a abordagem massificada e impessoal da educação formal, resultando na formação de "peças de fábricas". A importância da mudança radical na educação (00:03:55) Abordagem sobre a necessidade de uma mudança radical no sistema educativo, destacando a importância de uma abordagem integral e personalizada para a educação. A visão da Escola da Ponte (00:12:30) Exploração dos princípios e história da Escola da Ponte, destacando a importância da relação entre professores e alunos e a necessidade de uma nova educação centrada no aluno. A necessidade de uma nova educação (00:15:57) Discussão sobre a necessidade de uma nova educação integral, centrada na relação e na aprendizagem significativa, destacando movimentos de integração e mudança na educação. O futuro da educação (00:17:06) Apelo para a subscrição do podcast e a importância do apoio para encontrar e convencer novos comunicadores para gravar programas. O tempo do ensino clássico (00:17:35) Discussão sobre o ensino tradicional e sua insatisfação por parte de alunos, professores e comunidade. A necessidade de mudanças na educação (00:18:20) Abordagem sobre a necessidade de uma abordagem integral e personalizada na educação. A formação de professores (00:18:49) Reflexão sobre a formação de professores e a necessidade de uma nova abordagem. A nova educação (00:20:00) Visão do Professor José Pacheco sobre a necessidade de uma nova educação e sua experiência em diferentes comunidades. A situação da educação em Portugal (00:21:20) Comparação da educação em Portugal com outros países e críticas ao sistema educativo. A mudança na educação (00:23:05) Discussão sobre a necessidade de mudanças na educação e a introdução de um novo modelo. A transformação da educação (00:25:05) Abordagem sobre a transformação da educação, envolvendo professores, comunidades e valores. O paradigma da instrução (00:26:24) Reflexão sobre o paradigma da instrução e a necessidade de uma nova abordagem na educação. A organização da escola (00:31:20) Exploração da organização da escola e a definição de uma nova ordem baseada em valores e convivência. A influência dos professores na infância (00:33:08) O impacto de diferentes professores na vida do Professor José Pacheco e sua formação. A importância de uma pergunta (00:34:19) A influência de um padre que ensinou a importância de fazer perguntas e buscar respostas. Influência de professores na adolescência (00:35:20) O papel de um professor de língua portuguesa e história universal e de uma professora de francês na vida do Professor José Pacheco. A abordagem individualizada na educação (00:37:33) A história de um jovem com síndrome de down que encontrou na Escola da Ponte uma abordagem personalizada e alcançou sucesso. Desenvolvimento do senso crítico na educação (00:39:18) A importância de desenvolver o senso crítico e habilidades de pesquisa, seleção e comunicação de informações na educação. Hoje não há aula. A professora não veio. Ou ainda não veio. Ou não aberto o concurso. Ou esgotou-se. Hoje há aula, mas o tema parece profundamente desinteressante. Os conteúdos são despejados nos ouvidos dos alunos. O objetivo e passar no teste. Sobreviver à média. Como numa fábrica, fazer o que há para fazer. De forma mecânica. Não criativa. Não curiosa. Quase não humana. Depois vem o teste que procura o Santo Graal do conhecimento empinado, mas raramente apreendido. Decora Jorge, decora. Não penses muito. É só para fazer. Mais uma vez sem nenhuma emoção que não o medo de chumbar. Quem chumba é colocado simbólica ou realmente nas últimas filas. Como quem já não interessa para a média. Para a forma criada. As mais das vezes acusado de não querer aprender. Mas quase ninguém se pergunta por quê? E por isso recordo com magia o contrário disto tudo: O professor de filosofia que queria ser chamado de Sócrates porque sabia ser a sua alcunha nos corredores. E que nas aulas usava os filósofos para nos divertir ou estimular a curiosidade. O Professor Sócrates fazer uns testes intercalares notáveis. O último deles tinha uma única pergunta: “O que não sabes de filosofia e queres aprender?” Não chumbou ninguém. Todos aprendemos muito. E tudo fazia sentido. A dúvida, a curiosidade, a comunicação humana em movimento. A juntar aos poemas em francês da professora que gostava de Brel. Ou a Professora de português que trazia pedaço de Pessoa ou Sophia de Mello Breyner, que nem estavam no programa, para nos guiar para o melhor Camões. Foram exceções. Mágicas e únicas que ficaram escritas há 35 anos. Quase tão fortes como aquela ciência oculta chamada matemática onde 70% dos alunos tirava notas miseráveis e toda a gente achava normal. Tal como hoje. Metade de uma turma do secundário tira negativa e ninguém parece achar isto inaceitável. O que se passa? São os currículos? São as aulas? É o quê? Os resultados do índice PISA, que mede o sucesso escolar, caem em comparação com outros países. Algo não está a funcionar bem. “A educação precisa de uma mudança radical”. Esta frase não é minha. Esta frase resume aquilo que o Professor José Pacheco defende há 50 anos. Ele fundou a escola da Ponte em 1976. E abriu a possibilidade se experimentar uma nova forma de escola. Um novo modelo educativo. Não centrado nos currículos formais e rígidos. Tão-pouco centrado nos professores. Talvez nem mesmo centrado nos alunos. É uma escola centrada nas relações afetivas entre toda uma comunidade. O Professor José Pacheco, quer uma mudança radical. E diz, nesta conversa, que o modelo de escola, em particular a escola pública, falhou. Atribuindo a responsabilidade a toda a sociedade. Todos somos culpadas pela estagnação da educação. Um modelo que não mudou desde a sua invenção nos séculos XVIII e XIX, e por isso tornou-se irrelevante no mundo atual. O foco na aprendizagem mecânica, nos testes estandardizados e num currículo rígido não dá resposta às necessidades holísticas dos alunos. E como se muda isto? Ele defende a necessidade de uma educação integral que englobe não só as disciplinas académicas, mas também os domínios sócio-afetivos e sócio-emocionais. Acredita na humanização da educação, em que os alunos são vistos como indivíduos com necessidades e interesses únicos. Esta abordagem requer uma mudança do atual modelo de tamanho único para um sistema mais personalizado e inclusivo. O sucesso da Escola da Ponte e de outros modelos de educação alternativa na América do Sul, no Brasil, na Argentina e no Chile, mostra a eficácia desta nova abordagem. Ao dar prioridade à relação entre professor e aluno e ao criar um ambiente educativo que promove a aprendizagem holística, estas escolas produzem indivíduos completos que são não só academicamente proficientes, mas também social e emocionalmente competentes. Para conseguir isso, defende, é necessária uma mudança radical. A educação deve centrar-se nas necessidades e interesses individuais dos alunos, em vez de tentar encaixá-los num molde padronizado. Os currículos devem ser flexíveis e relevantes, permitindo aos alunos explorar as suas paixões e desenvolver competências aplicáveis ao mundo real. As avaliações devem ser autênticas e variadas, medindo não só os conhecimentos académicos, mas também a criatividade, o pensamento crítico, a resolução de problemas e a colaboração. Em Abril volta do Brasil, onde trabalha, para estimular uma comunidade de diretores de escolas públicas para recriar o modelo educativo português. Para quem o quiser encontrar e ouvir. Também pode ser encontrado, por mensagem do WhatsApp usando este número de telefone: +5561999295905 LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA (COM TODAS AS VANTAGENS E MAZELAS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICAL) JORGE CORREIA (00:00:12) - Vivam! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Hoje falamos de um dos mais especiais e extraordinários fins da comunicação educar e educar, desde o útero até ao fim da mãe até aos bisnetos. Todos temos a sorte e a necessidade de aprender com todos, mas o ser humano, na sua infinita criatividade e a chamada revolução industrial, quis que todos aprendêssemos formalmente na escola, da maneira mais massificada, aborrecida e impessoal que conseguiu. O resultado está à vista Estamos a formar mais peças de fábricas do que cidadãos. Mas este programa não é sobre o que correu mal. É mais sobre a esperança de mudança, o aprender sempre, o aprender bem, o aprender com curiosidade para aprender com quem já fez e continua a fazer pequenas revoluções na educação. Sim, há maneiras diferentes de fazer e há maneiras de educar melhor. Vamos ao programa. Vamos a isso. Hoje não há aula, a professora não veio, ou ainda não veio, ou ainda não abriu o concurso ou esgotou se hoje a aula. Mas o tema parece profundamente desinteressante. JORGE CORREIA (00:01:36) - Os conteúdos são despejados nos ouvidos dos alunos. O objectivo é passar no teste e sobreviver à média, como numa fábrica.