
Episode 194
Como é ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro? Gonçalo Borges Dias
Pergunta Simples · Jorge Correia
January 15, 202546m 36s
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Show Notes
Ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro é uma missão que mistura dedicação, intensidade e um profundo sentido de responsabilidade.
Documentar o dia a dia de uma figura política tão relevante exige muito mais do que técnica; é necessário capturar a essência dos acontecimentos e transmitir, através das imagens, uma narrativa que comunique tanto com a população quanto com os públicos institucionais.
O trabalho de Gonçalo Borges Dias envolve acompanhar viagens, eventos diplomáticos e toda a agenda oficial, sempre para criar registos que reflitam a energia, o carisma e a seriedade da função do chefe do governo.
Cada fotografia precisa de contar uma história, respeitando as dinâmicas protocolares e, ao mesmo tempo, mantendo a espontaneidade. Só isso pode representar uma tensão no momento de fazer “aquela” fotografia que todos vemos nos canais de comunicação do governo.
Tudo é importante. O gesto, o enquadramento, o ângulo, a luz.
Tudo vale para contar a história.
A experiência acumulada no fotojornalismo mostrou-se crucial para lidar com a pressão e a velocidade do trabalho.
Ele traz para o seu dia a dia a capacidade de captar momentos que misturam a beleza da composição com o significado noticioso. No entanto, o ritmo intenso é comparado ao de uma equipa de alta competição, onde cada segundo é precioso.
Uma parte essencial deste trabalho é a comunicação com o fotografado.
Hoje Luís Montenegro. Como antes com mil pessoas noticiáveis.
Ou de fazer retratos mais cuidados e sem a pressão diária da agenda mediática-
A necessidade de criar um ambiente de conforto e confiança é constante, especialmente com uma figura que está sempre sob os holofotes. O objetivo é capturar o melhor lado da pessoa, não apenas em termos estéticos, mas também emocionais e humanos.
Aprendi que a luz desempenha um papel central na fotografia. Cada tipo de iluminação é pensado para criar imagens que sejam coerentes com o momento e causadoras de impacto para quem as observa. Seja usando luz pontual para destacar o protagonista ou matricial para capturar o todo, a atenção aos detalhes é uma constante.
Outro aspeto interessante do trabalho é a narrativa visual. A intenção é construir um registo documental que tenha princípio, meio e fim. Mesmo com as limitações impostas pelos protocolos, há uma busca por retratar não apenas o lado político, mas também o humano. As imagens visam mostrar o Primeiro-Ministro não apenas como uma figura de estado, mas também como pessoa.
Este tipo de fotografia tem os seus desafios únicos, principalmente quando comparada ao fotojornalismo tradicional. O trabalho requer um olhar crítico constante para criar imagens que sirvam tanto ao registo histórico quanto à comunicação política. Há uma preocupação em equilibrar o lado estético com o significado político e institucional de cada imagem. Não é jornalismo, é comunicação institucional.
O papel do fotógrafo oficial é também um trabalho de equipa. A sintonia com os assessores de comunicação, protocolo e outros profissionais é fundamental para garantir que cada momento seja capturado com qualidade e alinhado à narrativa pretendida.
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Transcrição automatica
00:00:00:00 - 00:00:44:20
Ora, vivam. Bem vindos ao Pergunta simples o vosso caso sobre comunicação. Imaginem que vossa vida, nos próximos meses ou anos, será como sombra em todos os passos do Primeiro-Ministro. Neste caso, sombra e luz, principalmente luz. Apresento vos Gonçalo Borges Dias, fotógrafo profissional e agora fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro Luís Montenegro. Vai a todo lado. Está sempre lá e oferece nos a história ao ritmo de um click da sua máquina fotográfica.
00:00:44:22 - 00:00:57:06
Em todo lugar, a todo o momento.
00:00:57:08 - 00:01:23:02
Ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro é uma missão que mistura dedicação, intensidade e um profundo sentido de responsabilidade. Documentar o dia a dia de uma figura política tão relevante como o Primeiro-Ministro exige muito mais do que técnica. É necessário capturar a essência dos acontecimentos e transmitir através das imagens uma narrativa, uma história que comunique tanto com a população em geral como com públicos mais institucionais.
00:01:23:04 - 00:01:52:20
O trabalho de Gonçalo Borges Dias envolve acompanhar viagens, eventos diplomáticos e toda a agenda oficial do Primeiro-Ministro, sempre com o objectivo de criar registos que reflitam a energia, o carisma e a seriedade da função do chefe de Governo. Cada fotografia precisa de contar uma história, respeitando as dinâmicas protocolares e, ao mesmo tempo, mantendo a espontaniedade. Só isso pode representar uma tensão no momento de fazer aquela fotografia que todos vemos nos canais de comunicação do governo.
00:01:53:01 - 00:02:14:21
Tudo é importante. O gesto, o enquadramento, o ângulo, a luz, tudo vale para contar uma boa história. A experiência acumulada do fotojornalismo mostrou se crucial para lidar com a pressão e com a velocidade do trabalho. Ele traz para o seu dia a dia a capacidade de captar momentos que misturam a beleza da composição com o significado noticioso narrativo.
00:02:14:23 - 00:02:43:13
No entanto, o ritmo intenso é comparado ao de uma equipa de alta competição, onde cada segundo é precioso. Uma parte essencial desse trabalho é a comunicação com o fotografado. Neste caso, Luís Montenegro. Como antes, 1000 pessoas noticiadas ou a fazer retratos mais cuidados e sem a pressão diária da agenda mediática. A necessidade de criar um ambiente de conforto e de confiança é constante, especialmente com uma figura que está sempre sob os holofotes.
00:02:43:19 - 00:03:10:11
O objetivo é capturar o melhor lado da pessoa, não apenas em termos estéticos, mas também emocionais e humanos. Aprendi nesta edição que a luz desempenha um papel central na fotografia. Cada tipo de iluminação é pensado para criar imagens que sejam coerentes com o momento e cria um impacto a quem as observa. Seja usando a luz pontual para destacar um protagonista ou matricial mais larga para capturar o todo.
00:03:10:12 - 00:03:38:11
Atenção aos detalhes. Tudo é uma constante no dia a dia de um fotógrafo profissional. Outro aspecto interessante do trabalho é a narrativa visual. A intenção é construir um registo documental fotográfico que tenha princípio, meio e fim. Mesmo com as limitações impostas pelo protocolo, há uma busca por retratar não apenas o lado político, mas também o lado humano. As imagens têm como objetivo mostrar o Primeiro-Ministro não apenas como figura de Estado, mas também como pessoa.
00:03:38:13 - 00:04:07:11
Este tipo de fotografia institucional tem desafios únicos, principalmente quando comparada com o fotojornalismo tradicional. O trabalho requer um olhar crítico constante para criar imagens que sirvam tanto o registo histórico quanto a comunicação política. Há uma preocupação em equilibrar o lado estético com o significado político em sinal de cada imagem e, portanto, não é jornalismo, é comunicação institucional e comunicação política.
00:04:07:13 - 00:04:32:22
Viva Gonçalo Borges Dias, fotojornalista. Atualmente, não consideraria que as fotos não fossem da profissão, mas a decoração continuava a ter aqui 100% nos anos 60 e 100 hard core. O que é que define um fotógrafo? Um fotojornalista de um photo retratista? O que é que O que? Onde é que? Onde está o tempero desta cozinha? O que é?
00:04:32:24 - 00:05:01:14
O que é que os distingue, não é? Ora bem, o fotojornalista trabalha ao segundo. Não é em cima do acontecimento. Na fotografia, é o de cariz noticioso. Não interromper o curso natural dos acontecimentos, Estar sempre em cima da acção é pensar sempre, na minha opinião, que é essa a beleza, arte e notícia. Juntar as duas coisas e fixar um momento da realidade e ser testemunha profissional sem interferir nela, sem fim.
00:05:01:15 - 00:05:25:08
No curso natural dos acontecimentos, sem ferir, mas conseguir aliar arte, compor, embelezar, não dar, como se diz na teoria da perceção da forma. Não dar tudo ao observador, Deixar de viajar um pouco, dar notícia, mas criar arte ao mesmo tempo. Compor, desenhar, criar texturas, gráficos de luz, conseguir criar arte ao mesmo tempo criando o ser no veículo mensageiro da notícia.
00:05:25:10 - 00:05:54:15
É aquela fotografia que nós vemos no jornal ou numa revista que não nos diz tudo, mas conta nos a história toda apenas naquele boneco. Eu seria mentiroso, dissesse que isso costuma acontecer porque é o nosso desejo. Essa é a nossa grande meta. É uma fotografia conseguir ter os cinco dedos de uma mão e termos muito o carro que eu quando ando, porque é forma e o quer dizer, é muito difícil, mas tentamos ao máximo rechear a fotografia com todas as perguntas e questões.
00:05:54:16 - 00:06:22:15
E é difícil. Porquê? Porque? Porque o que é que exige o como é que se consegue essa fotografia perfeita? A fotografia perfeita? Não, não é não. Não é a fotografia que não é, que nós achamos perfeita ou a nossa freguesia favorita. É sempre que fazemos jazz que não existe. Estamos sempre na demanda, na busca da fotografia perfeita. Mas a verdade é que o elemento de é difícil, eu acho difícil.
00:06:22:17 - 00:06:45:10
Eu acho que só quando eu perder o prazer verdadeiro de fotografar é que se calhar já tenho a minha fotografia eleita, porque até à data de hoje tenho fotografias que gosto muitíssimo e que me marcam de forma mais racional e mais emocional. Mas a fotografia com tudo, com todos os cantos, com todos os os, os requintes de malvadez e todas as perfeições, é difícil de escolher e de chegar lá.
00:06:45:10 - 00:07:04:05
Acho que é sempre o dia. Qual é a tua foto perfeita? Quais são as que mais gostas das que tu fizeste? Eu aí vou ter que fugir ao jornalismo e ir para a facção do falecido fotógrafo puro e duro,