
A Beleza das Pequenas Coisas
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“Quem me põe o rótulo de bombista é da direita assanhada: as Brigadas Revolucionárias não mataram ninguém e lutaram pela igualdade”
A médica endocrinologista Isabel do Carmo liderou nos anos 70 um movimento de guerrilha contra a ditadura que a levou à prisão. “Não me arrependo de nada. A luta armada era a única forma de contribuir para desgastar o antigo regime.” Isabel recorda ainda os 9 meses que esteve na ‘solitária’, as dificuldades por que passou para garantir comida no prato dos filhos e o longo caminho que fez até hoje. Além das bombas que agitaram o regime do Estado Novo e o Verão Quente de 75, Isabel fala de outras bombas, as bombas calóricas, dos mitos e os enganos alimentares: desconfia do equilíbrio da dieta vegan e considera um disparate a moda antiglúten e antilactose. E ainda nos dá (boa) música. “Vivo os anos mais tranquilos da minha vida.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Olga Roriz: “Vou dançar para sempre. Prefiro morrer num estúdio a ensaiar um aluno do que em casa”
Há cerca de três anos, a coreógrafa Olga Roriz, quando completava 60 anos de vida, 40 de carreira e 20 da sua companhia de dança, adoeceu. O corpo de bailarina com o qual sempre fora capaz de tudo revelou-se frágil. “Durante meses perdi o meu poder físico. E isso foi horrível. Foi na natação que redescobri esse poder. E a dança curou-me.” Olga ergueu-se dessa dura batalha e mostrou a fibra de quem decidiu dançar até ao fim. Na sua última criação, “Antes que Matem os Elefantes”, falou do drama da Síria e prepara-se para regressar ao tema na próxima coreografia, “Síndrome”, com estreia marcada para 30 de junho, no Teatro São Luiz, em Lisboa. “A guerra deixa-me zangada.” Numa conversa confessional, Olga fala do ‘fantasma’ da idade, das ‘demasiadas paixões’ que viveu, da solidão, da eterna comparação com a alemã Pina Bausch, das músicas que a acompanham e dos sonhos e vontades que ainda tem. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

“A única coisa de que me arrependo é de não ter estado à altura da pessoa que encontrei na minha vida e que a marcou para sempre”
O filósofo Eduardo Lourenço, um dos maiores pensadores do nosso tempo, abre o livro da sua vida. Fala do passado, do seu grande amor, o gosto pela música, pelo cinema e comenta o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros. Lourenço, que foi distinguido o ano passado com o prémio Vasco Graça Moura e é conselheiro de Estado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa revela ainda um encantamento com Catarina Martins e Mariana Mortágua, “pequenos Fidel Castros”. No dia em que faz 94 anos, o Expresso republica esta conversa íntima para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Ricardo Robles, candidato do BE a Lisboa: “Lisboa está uma cidade-montra. Qualquer dia estarão turistas a fotografar turistas”
O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa, Ricardo Robles, uma das vozes mais críticas do atual presidente da autarquia, Fernando Medina, acusa-o de estar a expulsar os lisboetas do centro para a periferia por “uma gula” económica e um “descontrolo” que está a dar lugar a cada vez mais hotéis e turistas. Considera um erro as propostas do PS e de Assunção Cristas para a expansão do metro e propõe como estações prioritárias Campolide, Campo de Ourique, Alcântara, Belém e Ajuda. Até agora pouco se sabia sobre Robles. Numa conversa descontraída, fala da nova aventura de ser pai de duas crianças pequenas, do gosto por andar de bicicleta na cidade, do fascínio pelo mar, da paixão pelo Benfica, do prazer das viagens [e recorda aquela que o levou durante três meses a percorrer a América do Sul] assim como das músicas que o acompanham. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os criadores do ‘Jovem Conservador de Direita’: “Havia muita direita com medo de uma ditadura do tipo Coreia do Norte. E esticámos a corda”
Os três inventores do colunista Jovem Conservador de Direita desvendam pela primeira vez a personagem, revelam os políticos em que se inspiraram, os ódios gerados e a desinformação criada nas manifestações antigeringonça. Para ouvir neste episódio do podcast "A Beleza das Pequenas Coisas"See omnystudio.com/listener for privacy information.

Júlia Pinheiro: “‘A Noite da Má Língua’ deixou-me uma bactéria perigosa. Acredito no lado justiceiro da televisão”
Foi há 23 anos que Júlia Pinheiro apresentou o programa que dessacralizou a forma como se falava da classe política na televisão, ao lado de um painel de ilustres personagens de cabeça fascinante e língua afiada. Eram eles Miguel Esteves Cardoso, Rita Blanco, Rui Zink e Manuel Serrão. “A pena que eu tive de não haver ‘A Noite da Má Língua’ agora, com os escândalos todos dos bancos. Doeu-me tanto...”. Uns bons anos antes, foi a visita do Papa João Paulo II a Lisboa, e em particular o fascínio de observar o repórter que o acompanhava, que a fez trocar a antropologia pelo jornalismo. Ao longo do seu percurso já fez um pouco de tudo na rádio e na ‘caixinha mágica’. Do ‘trash’ ao jornalismo justiceiro, aquele que muda vidas, como o que faz diariamente no programa “Queridas Manhãs”, na SIC. Júlia é a nossa Oprah. Mas sem poder entregar carros ao público. “Não temos essa escala. Mas quando consigo resolver alguns problemas dos meus entrevistados vou mais contente para casa.” Nesta conversa, Júlia fala das suas escolhas, do passado, dos filhos e das ‘armadilhas’ da maternidade, do futuro da televisão, das músicas que a acompanham e do que ainda sonha fazer. “Num programa sem palmas e sem [ter de anunciar o número] 760, eu era muito feliz.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Bagão Félix: “A política felizmente não foi trampolim para nada. Depois de ministro nunca mais recebi qualquer convite”
Há doze anos que Bagão Félix está afastado da política. Foi ministro da Segurança Social e das Finanças nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes e é com orgulho que diz não ter tido nenhum ‘tacho’ decorrente dessa experiência. Mas assume que pagou um preço: “Fiquei com uma marca de ministro das Finanças. É a consequência das regras do monopólio”. Amante do mistério da botânica, em particular das árvores, Bagão Félix encontra na sua quinta no Alentejo o melhor lugar para se ouvir melhor. Apaixonado pelo Benfica, tem um papagaio chamado Pelé que com ele aprendeu a cantar “A Marselhesa”. E para as suas netas é o “avô enciclopédia”, o avô que sabe tudo. Até contar anedotas, que nos conta também. “Sou um eterno curioso. A curiosidade é a única coisa que não envelhece connosco. Espero morrer na busca de uma última curiosidade.” Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza Das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Celeste Rodrigues, aos 94 anos: “A vida todos os dias é uma aventura. Gostava de chegar aos 100 e gravar um último disco”
Celeste Rodrigues, fadista, irmã de Amália, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Celeste Rodrigues: “A vida todos os dias é uma aventura. E a música torna as pessoas mais bonitas”
Celeste Rodrigues, fadista, continua a cantar aos 94 anos e a deliciar os que a ouvem com a profundidade da sua voz que tem tudo: sentimento, beleza, emoção e sabedoria. A sua história é maior do que a vida, e é sempre arrepiante assistir à maneira como se entrega de cada vez que sobe ao palco ou atua numa casa de fados. Foi nos anos 50 que Celeste, irmã de Amália Rodrigues, atingiu a notoriedade com o tema ‘Olha a Mala’. “Nessa altura deixei de ser chamada ‘a irmã da Amália’. Passei a ser a ‘olha a mala’.”, brinca. Êxitos à parte, Celeste garante que ‘no fado não há mortos nem caídos’ e quer ser recordada mais como ser humano do que como artista. “Nunca tive ambição. Nem a Amália teve. Nunca pensámos ser artistas. Aconteceu tudo de improviso. Ela porque tinha uma voz fantástica. E a minha não é desagradável. Não acordo ninguém. Embalo. É o segredo.” Um episódio especial para ouvir no podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Herman José: “Não posso dizer tudo o que quero. Ainda sou novo para ser velho, mas quando for velhote serei absolutamente insuportável”
Anda há mais de quarenta anos a fazer-nos rir, e o nosso humor não seria o mesmo sem ele. Herman José tem sido genial na arte de subverter e caricaturar o país. Ao longo do seu percurso já teve momentos bons e menos bons, alguns particularmente desafiantes, mas soube reinventar-se na TV e fora dela, regressando à estrada e aos espetáculos ao vivo. Foi numa pausa das gravações do seu programa “Cá por Casa”, na RTP1, que Herman nos recebeu na sua quinta, em Azeitão, o seu refúgio e laboratório criativo. Uma conversa que revisita o seu passado, desfaz mitos, revela algumas mágoas e alegrias e os seus prazeres e luxos. “A felicidade está imenso nos bens materiais. Mas apaixonei-me sempre por pessoas tesas.” Herman garante que respeita as pessoas que têm fé, mas considera que sofrem muito mais na vida: "A divindade nunca se mexeu para nada". Herman, o verdadeiro artista, para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Anabela Moreira: “A peregrinação a Fátima não é um caminho santo. São só pessoas no limiar do sofrimento. Eu cheguei perto da loucura”
Há dois anos a atriz Anabela Moreira andou mais de 400 quilómetros, entre Bragança e Fátima, para sentir no corpo e na pele, o que significa esse longo caminho de fé até ao lugar dos "milagres", que celebra este ano o seu centenário. Foi uma experiência dura, de laboratório, que Anabela fez para poder representar a personagem Céu, no filme “Fátima”, de João Canijo, com estreia marcada para o próximo dia 27 de abril. As restantes 10 atrizes do elenco passaram por episódios semelhantes. “Acho que foi a maior loucura que todas nós fizemos por um realizador. Certamente foi a maior loucura que fiz na vida. Porque, às tantas, estava em causa a nossa saúde. Andámos por estradas perigosas, sem bermas, junto a camiões, sem qualquer segurança. Por vezes senti-me louca. Ninguém imagina o sofrimento que é.” Este é o mote para uma conversa generosa no seu teatro, o Teatro Turim, em Benfica, onde recorda o caminho pessoal, o passado na moda, os vários métodos para chegar à verdade das personagens, a descoberta da realização, as angústias e tormentos, os prazeres da mesa e as músicas que lhe alimentam a alma. Para ouvirem neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Herberto Smith: “Ser negro neste país é ainda carregar um manto pesado. Mas ser-se português não é sinónimo de se ser branco”
São os jovens negros apagados do retrato, arrumados no gueto, ignorados ou malfalados, que vivem na pele a ‘thug life’, o racismo, a falta de emprego, a marginalidade, aqueles que cativam a atenção da lente do fotógrafo Herberto Smith. “Quero encontrar o lado vulnerável, belo e humano desses rapazes dos bairros problemáticos. Dar-lhes rosto, voz e ‘empoderá-los’, trazer-lhes autoestima, integrá-los e tirá-los dos guetos. Ainda vou erguer um exército de criativos africanos.” Uma conversa que vai fundo na experiência de se ser negro em Portugal, pela voz de um fotógrafo que nos anos 90 viveu no epicentro da noite, da moda e que hoje tem uma missão maior: retratar e rescrever a memória africana em Portugal. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gisela João: “Cada vez que canto estou a lamber as minhas feridas. E espero lamber também as feridas dos que me ouvem”
Quem ouvir esta conversa corre o risco de ficar tomado pela voz desta mulher e da sua simplicidade, também ela complexa. Foi há dois anos que Gisela João pisou pela primeira vez os palcos dos Coliseus. Mas, antes, esta minhota de Barcelos lançara o seu primeiro disco (2013), que foi logo um espanto, e recebeu um aplauso generalizado que lhe ditou o destino: viver todas as vidas através do fado. Em palco, os sapatos saem-lhe depressa dos pés, para o sentimento ser mais livre. No próximo dia 31 sobe ao palco do Coliseu do Porto e a 7 de abril estará no Coliseu de Lisboa para apresentar o seu último disco, “Nua”. E promete dar-se por inteiro. “Quero que seja uma festa. Que as pessoas fiquem felizes pra ‘carago’. Que aconteça fado!”. Neste encontro, Gisela revela o que lhe vai na alma, recorda a infância, os escapes, os prazeres, os talentos ‘do cacete’ e o que a move na vida. Tudo isto neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Isabel Moreira: “Eu só quero ser um espírito livre. E pago o preço disso com a solidão. Os homens têm medo de mulheres livres”
É uma mulher corajosa, lutadora, afirmativa, que vive permanentemente atormentada com os problemas de uma multidão de gente que espera que ela abra caminho para um país mais livre, sem preconceitos. “Luto todos os dias por uma sociedade menos sexista e homofóbica. A luta pela igualdade é aditiva. Entranha-se na pele. É um comboio que se apanha para a vida. É para sempre.” A deputada socialista Isabel Moreira recorda como foi crescer à esquerda numa família conservadora de direita e como ganhou o gosto pela política por causa do pai, o histórico democrata cristão Adriano Moreira. Uma conversa de verdade, onde Isabel recorda a infância, o que a levou à política, a solidão que vive, o passado de violência que ainda a atormenta, o prazer pela escrita, pela dança e as músicas que a levam a agitar-se na pista como se a vida estivesse para acabar. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Lena d’Água, a alma danada: “Desculpem lá se não morri jovem e bela”
De símbolo sexual do rock português dos anos 80 ao recato de uma aldeia no meio da natureza, passou uma vida. Muita coisa mudou, mas a voz doce e cristalina mantém-se intacta, assim como o seu jeito livre e desalmado de ser. Deu que falar nas últimas semanas por ter arriscado concorrer ao Festival RTP da Canção, o que representou para si uma espécie de “renascimento”. Mote para uma conversa que percorre os loucos anos do rock, os vícios, os amores e os desejos: “Vou gravar um disco e ainda quero encher o Coliseu. A idade é mais um assunto na cabeça dos outros do que para mim”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Rita Blanco: “Enquanto vivo outras vidas distraio-me da minha própria morte”
É uma das nossas melhores atrizes. Ao longo do seu caminho já foi muitas mulheres no cinema, no teatro e na televisão . “Estou velhinha de viver tantas vidas tão intensamente.” Fora dos palcos, Rita Blanco detesta as máscaras dos outros — a ‘teatra’ do quotidiano — e usa o humor para as desarrumar, para lhes encontrar um lado mais genuíno. “As pessoas protegem-se demasiado, raramente são verdadeiras. E quando não consigo comunicar com elas sai-me o ‘alien’ e fico disparatada e provocadora.” Aos 54 anos, a atriz diz que largou carga e está mais serena. “Já não me preocupa o que os outros acham de mim, nem preciso ser amada por todos. Já só preciso de poucas pessoas e poucas coisas perto de mim”. Uma conversa de verdade, que passa pelas angústias de ser mãe de uma adolescente, o amor aos animais, a tristeza pelo fim do Teatro da Cornucópia ou o momento em que esteve prestes a ser apresentada como a nova ‘chica’ para o realizador Pedro Almodôvar. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sobrinho Simões: “Daqui a 50 anos toda a gente vai ter cancro e mais do que um. Mas não vamos morrer disso”
O professor e investigador Manuel Sobrinho Simões, fundador do IPATIMUP e Prémio Pessoa, considerado em 2015 o patologista mais influente do mundo, revela ter medo de contrair cancro, “uma doença terrível se estiver avançada.” Mas apesar de garantir que no futuro será uma doença de todos, por estarmos a viver cada vez mais, a maioria dos cancros serão tratáveis. “Alguns terão mesmo cura.” Sobre si, diz que tem tido uma ‘sorte de gaiola’ – sorte grande, leia-se – por nunca ter tido grandes problemas de saúde até agora, nos seus dinâmicos 69 anos. Assume ter medo do escuro ainda hoje, mas o seu grande fantasma é a reforma. “Não me imagino a parar e a ir para casa. Mas receio que não me deixem continuar.” Uma conversa que passa pela infância, o futuro, a música e o cinema – um dos seus grandes prazeres. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

“Qualquer mulher com voz neste país é considerada 'histérica'. Houve homens que me disseram que devia estar calada, na cozinha”
A apresentadora de televisão Rita Ferro Rodrigues, feminista convicta, defensora da causa LGBTI e co-fundadora do site e associação Capazes considera que o país ainda está demasiado ‘ferido’ pela misoginia e machismo. Tanto à esquerda como à direita. E que há ainda mulheres que sofrem desse mal. “As pessoas não percebem que nós não queremos ser iguais aos homens. Queremos é ter os mesmos direitos cívicos dos homens. Sem discriminações.” Prestes a apresentar o novo programa da SIC, “Juntos à Tarde”, ao lado de João Baião, com estreia marcada para o dia 1 de março, recorda o dia em que entrevistou Amália Rodrigues, com 12 anos; o bullying e assédio que sofreu na adolescência; a descoberta precoce da televisão; a desilusão pelo jornalismo e as razões que a levaram ao ativismo social. Uma conversa para ouvir e refletir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Miss Suzie: a mulher que faz da vida um espetáculo
Suzie Peterson tem mais do que sete vidas nos palcos. E fora deles também. Em maio será uma sexy corista no novo filme de Bruno de Almeida, ”Cabaret Maxime”, para o qual assinou o guarda-roupa, e está a criar os figurinos do novo espaço boémio do chefe José Avillez. “Plumas, lantejoulas e cabaré sou eu! Vivo a vida a trazer fantasia aos outros.” Uma conversa genuína onde assume as dores, as feridas e perdas, a fase de rebeldia e escuridão, e como agarrou ‘a vida pelos cornos’. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Cruzeiro Seixas, uma vida surrealista entre o céu e o inferno: “Fui mais reprimido como homossexual depois do 25 de Abril"
É o último representante vivo do surrealismo português. Mário Cesariny foi o homem que mais amou. “Ainda me faz muita falta...” Aos 96 anos, o pintor e poeta Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas afirma que só viveu metade do que queria e mantém a curiosidade pelo amanhã. “Viver é uma loucura espantosa. É a maior loucura.” Sobre o passado, lamenta ter sido mais perseguido após a revolução, “enquanto o Partido Comunista esteve no poder”. A ideia de partir não o assusta. “Não estou preocupado para onde vou. Já andei por céus e infernos cá por este lado.” Uma conversa especial para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sofia Aparício, a eterna mulher camaleão: “Não me arrependo de nada, nem das drogas. Mas não gosto de hábitos, gosto de experiências”
Aos 13 anos o estilista José Carlos descobriu-a num cabeleireiro que a mãe frequentava e Sofia tornou-se a manequim portuguesa mais icónica dos anos 90. Viveu os loucos anos 80 e 90 do Bairro Alto, não se privou de nada, nem das drogas. “Adoro que isso faça parte da minha vida. Também porque deixou de fazer. Não sou adicta a nada.” A sua grande luta é que a deixem de escolher para os papéis das mulheres bonitas. Porque ambiciona ser tão camaleão nos palcos como foi nas passerelles. Uma conversa franca para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

O bom escultor, o mau paroquiano e os vilões no poder da ilha da Madeira
Amândio de Sousa, um dos mais interessantes escultores portugueses do século XX, com obra premiada no país, morrerá convicto de que poderia ter sido muito mais do que foi. Mas um grande amor levou-o a regressar à Madeira, a terra onde nasceu, de onde fugiu, mas da qual nunca escapou. Porque às vezes só o amor importa. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Só para adultos: estas loiras vão seduzir-vos e matar-vos de riso
Paula Porca vive na “Avenida Q” e é o tipo de mulher que todos os homens quiseram e nunca puderam ter. Inês Aires Pereira é a atriz que lhe dará voz num irreverente musical para adultos, original da Broadway. A estreia deste espetáculo está marcada para 8 de fevereiro, no Teatro da Trindade, em Lisboa, numa mistura da estética dos Marretas com assuntos para gente crescida. A incluir até sexo ao vivo... mas com bonecos fofinhos. Uma conversa bem-disposta para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

É vosso dever gostar desta ‘señorita’
Mitó Mendes é a voz da banda feminina que deu que falar em 2016. Junto com Sandra Baptista (no acordeão e baixo elétrico) forma a dupla “Señoritas” com o álbum de estreia “Acho Que É Meu Dever não Gostar”. E é vosso dever conhecê-las e ouvi-las. Um projeto nascido depois do adeus d´A Naifa (a banda criada por João Aguardela e Luís Varatojo) com temas que vão fundo nas feridas, frustrações e raivas de tantos de nós. Além de cantora e musica, Mitó é também terapeuta de medicina chinesa e estudiosa de técnicas ancestrais de cura. “Já vivi várias vidas nesta vida e espero viver muitas mais”. Uma conversa cheia de histórias e revelações e um balanço musical do ano que passou. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

A entrevista de vida de Tolentino Mendonça, no podcast A Beleza das Pequenas Coisas
Foi em Angola onde ouviu as primeiras histórias. A avó analfabeta foi a sua ‘primeira biblioteca’, ao contar-lhe mundos de realismo mágico. Aos onze anos entrou no seminário do Funchal por um chamamento que não sabe explicar de onde veio. Padre, poeta e professor universitário acaba de ser distinguido com o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes pelo seu livro “A Noite Abre Meus Olhos”. Para o ano promete mais duas obras e continuar a ser um homem das margens, do acolhimento das diferenças, sempre atento à cultura e aos ares deste tempo. Uma conversa rica de histórias, reflexão e poesia para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, originalmente publicado em 2016See omnystudio.com/listener for privacy information.

A Bela e os monstros que transforma em arte
Bela é a sua obra, Bela é o seu nome e bela é a capacidade para transformar os ‘monstros’ do quotidiano (e da história) em objetos artísticos inspiradores. Este é o mês da artista plástica Bela Silva, que tem três exposições em simultâneo em Lisboa. Mas este é também o seu ano: chegou aos 50 e celebrou a vida numa viagem marcante até ao Peru. Um mote para uma conversa bem-disposta que mistura os caminhos da sua arte, com a aventura de subir de havaianas o Machu Picchu até ao engate azarado de uma amiga - a ‘madame caganita’. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Manu, a deusa do burlesco que sonha atuar um dia (de chicote na mão) para o deputado João Galamba
Manuela Rocha apresenta-se em palco há cinco anos como Manu de la Roche. Uma beldade do burlesco, natural de Aveiro, que anda pelo país e pelo mundo a protagonizar shows eróticos, de estilo vintage, sem nunca mostrar tudo. Ela é gata, ela é fera, ela é Cleópatra, ela é miss cabaret ou uma dominatrix de chicote na mão. Mas nunca fica totalmente nua. Porque o mistério é uma das armas da sua sensualidade e o desejo está mais no que não se vê do que no que se mostra. Dita Von Teese é a musa que a inspira. João Galamba é o deputado por quem suspira... e a quem gostava de mostrar a sua arte — assume-o com alguma timidez. Alguém que sabe seduzir uma plateia inteira, também o saberá fazer na vida? Quem é esta mulher sem o disfarce? É o ponto de partida para uma conversa com muita líbido e temperatura neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

A voz que gritou “demissão” a Passos Coelho condenada a seis meses de prisão: “Se a ideia é amedrontar, vão causar revolta"
Duas semanas depois de Ana Nicolau ter sido condenada a seis meses de prisão por ter gritado quatro singelas palavras, “demissão” e “metes nojo ao povo”, na Assembleia da República, no dia 11 de março de 2015 (ou ao pagamento de uma multa de 1440 euros), a realizadora e ativista recebeu-nos em sua casa, abriu uma garrafa de vinho e brindou “à liberdade de expressão”. Garantiu que vai recorrer e que não está só. “Fui pelos outros. Os outros somos nós e nós somos os outros.” Uma conversa para ouvir neste episódio do podcast "A Beleza das Pequenas Coisas", onde se fala também de música, cinema e de sonhosSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Júlio Isidro, que não quer ser mais aplaudido à entrada que à saída: “Estou à espera que alguém adoeça para voltar ao canal 1”
A primeira vez que fez testes para a televisão foi recusado por ser considerado feio. Mas o jeito que tinha para comunicar e para a 'bricolage' levou-o a estrear-se aos 15 anos num programa juvenil com o neurocirugião João Lobo Antunes e a atriz Lídia Franco. Desde aí fez um pouco de tudo na TV e na rádio. Ele é do tempo em que a caixinha era mesmo mágica e parecia mais à frente do que os novos tempos. Nos anos 80 levou os jovens portugueses a ouvir música na "Febre de Sábado de Manhã”, onde lançou inúmeras bandas rock e pop. E foi com o programa “Passeio dos Alegres” que, aos domingos à tarde, deu a conhecer aos portugueses António Variações, Rui Veloso ou as múltiplas personagens de Herman José. Neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”, Júlio abre o livro da sua vida, revela os segredos de bastidores dos seus 56 anos de carreira, as memórias – as boas e as más – sem nunca deixar de apontar para o futuro. Porque ele, mais do que passado, é um homem de regressos ao futuro e ainda tem muita televisão para fazer e sonharSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dina, uma celebração com amor, rock e dinamite
Foi a primeira cantautora da pop portuguesa. São várias as canções de Dina que nos ficaram no ouvido. Hinos ao amor e à vida. Foi três vezes ao Festival da Canção e acabou por vencer com “Amor de Água Fresca”. Mas a sua obra vai muito além dos festivais. Tem seis discos gravados e músicas que atravessam a pop, a folk, o funk e o rock. Em 2012 despediu-se do público porque a saúde obrigou-a a mais recato. Agora que completa 40 anos de carreira, será homenageada no dia 25 de Novembro no Festival Vodafone Mexefest por Ana Bacalhau, B Fachada, Best Youth, Da Chick, D´Alva, Márcia, Mitó e Tocha Pestana. A poucas semanas desse concerto (que promete encher sorrisos e corações), Dina abriu-nos a porta de casa e falou da sua obra, da sua vida, das suas escolhas, vitórias e arrependimentos. Uma conversa sem filtros para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Os desenhos de Sérgio salvaram-no quando a vida quase lhe escapava
Há números de sorte, outros de azar. E há ainda aqueles que marcam a superação e o renascimento. Aos 48 anos, o ilustrador Sérgio Condeço foi subitamente hospitalizado com uma infeção no pâncreas e assim permaneceu durante 48 dias, valendo-lhe 48 agrafos cirúrgicos no abdómen. Durante essa temporada passou a ilustrar tudo o que o rodeava, todos os pensamentos, todas as histórias surreais contadas pelos outros doentes, as dores, os medos, a hora das visitas, as rotinas, os sonhos e até a viçosa nespereira que espreitava à janela da sala dos cuidados monitorizados. Esboços em papel que o salvaram. Doze desses desenhos estão expostos na Galeria Verso Branco, em Lisboa, e que inspiraram uma conversa cheia de tudo o que uma vida pode conter. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Eduardo Lourenço, o amor, o mundo, e o encantamento com Catarina Martins e Mariana Mortágua, “pequenos Fidel Castros”
Aos 93 anos, o filósofo Eduardo Lourenço, um dos maiores pensadores do nosso tempo, abre o livro da sua vida. Fala do passado, do seu grande amor, o gosto pela música, pelo cinema e comenta o futuro do país, da Europa e do mundo com uma lucidez, rapidez de raciocínio e vigor raros. Lourenço, que foi distinguido este ano com o prémio Vasco Graça Moura e é conselheiro de Estado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, faz um balanço do seu caminho e chega a comentar com uma nota nostálgica: “A única coisa de que me arrependo verdadeiramente é de não ter estado à altura da pessoa que encontrei na minha vida e que a marcou para sempre”. Uma conversa íntima para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Gonçalo Tocha, o foguetão criativo que vai da terra até à lua
Pode uma longa depressão ter como salvação a música, o cinema e o retrato das dores de uma vida? Pode. Gonçalo Tocha é a prova disso e conta-nos como a arte o ajudou a escapar da escuridão e a sonhar formas de partilhar alegria, amor e novos mundos aos outros. Descubram-noSee omnystudio.com/listener for privacy information.

No sofá vermelho com Marisa Matias, que não levou a peito o “engraçadinha” de Jerónimo. “Há misoginia a rodos na política”
A eurodeputada do Bloco de Esquerda foi a candidata improvável à Presidência da República e obteve quase meio milhão de votos, o melhor resultado de sempre do seu partido. Jerónimo chamou-a ‘candidata engraçadinha’, mas ela não levou a peito. O trabalho que Marisa Matias faz leva-a muitas vezes ao Líbano, à Síria, Jordânia e Egito enquanto presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com os países do Maxereque, onde conhece o lado infernal do mundo. Quanto à crise e os novos impostos, responde assim: “Não há austeridade de direita, nem de esquerda. A austeridade é estúpida. Ponto final”. Uma conversa íntima, sem o aborrecimento do politicamente correto, onde recorda o amigo Miguel Portas, conta as mezinhas que as pessoas lhe receitam por causa da voz rouca, a falta de jeito para conduzir ou as músicas que a acompanham. Para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mayra e o sonho com Bowie que a levou de novo às canções
Mayra Andrade, a voz de mel e mar que veio de Cabo Verde, afirmou-se em Paris mas encontrou em Lisboa a casa, os afetos e a luz que há tanto desejava. A sua biografia é uma longa viagem que começa em Cuba. Aos 17 anos foi viver sozinha para Paris caminhando na fronteira da tradição entre a morna, o jazz ou a pop. Tem quatro discos gravados e 15 anos de palco e canções. Um sonho recente com David Bowie levou-a de novo a compor. E conta-o com um pormenor delicioso e poético. Uma conversa ‘lovely’ para ouvir neste episódio do podcast “A Beleza das Pequenas Coisas” que recorda o velho rádio cor de rosa onde Mayra gravava programas de rádio, os ‘concursos de lambada’ e de ‘miss Ténis’ da infância até a fase recente em que descobriu como é bom combinar o amor com solitudeSee omnystudio.com/listener for privacy information.