
O Assunto
1,786 episodes — Page 18 of 36

Ep 928Apostas esportivas: o risco de resultado manipulado
Um levantamento que monitorou mais de 850 mil jogos de mais de 70 esportes no mundo concluiu que o Brasil foi o país com o maior número de suspeitas de manipulação de resultado no ano passado. O caso mais simbólico é o escândalo de suborno de atletas que atuaram na Série B do Brasileirão em 2022 para interferirem em determinadas partidas – uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Goiás, que cogita também manipulações nos estaduais Gaúcho e Mineiro. Já em Brasília, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), olha para o setor de apostas online como um potencial fonte de recursos para melhorar o ambiente fiscal. Ele anunciou que deve regulamentar e taxar a atividade, que podem gerar até R$ 6 bilhões ao ano em arrecadação. Para explicar todo o universo das apostas eletrônicas, Natuza Nery conversa com Gabriela Moreira, repórter de esportes da Globo que teve acesso a documentos e áudios da investigação do caso da Série B, e com Pierpaolo Bottini, advogado e professor de direito penal na USP.

Ep 927INÉDITO - Novos dados sobre aborto no Brasil
Dados inéditos, que serão publicados na Pesquisa Nacional de Aborto – Brasil, revelam que em 2021 o número de mulheres que admitiu ter realizado o procedimento caiu em relação a 2010: são 10% das brasileiras, ante 15% da década passada. O trabalho também identifica que em 52% das vezes, o aborto ocorreu quando a mulher tinha menos de 19 anos. A antropóloga Debora Diniz, uma das autoras do estudo, conversa com Natuza Nery para revelar mais descobertas e análises da pesquisa. Neste episódio: - Debora descreve o perfil da mulher que faz aborto no Brasil: é muito jovem, tem religião e está em todas as classes sociais, cores e regiões do país - mas há concentração em negras e indígenas, de baixa escolaridade e que vivem no Nordeste. “Estamos falando de meio milhão de mulheres por ano”, afirma; - Ela informa que uma a cada duas mulheres finaliza o aborto no hospital, resultado da “insegurança e clandestinidade” do procedimento: “Com a criminalização, não conseguimos cuidar das mulheres”; - A antropóloga alerta para o “aumento nas barreiras para a mulher no sistema de saúde” dos últimos 4 anos. E fala sobre a expectativa para que o atual governo enfrente a questão de direitos reprodutivos como “política de saúde pública”; - Debora também destaca a “maré verde” que tomou a América Latina nos últimos anos, em contraste ao que aconteceu nos Estados Unidos. “Agora é a região do mundo de mais avanço na legislação do aborto”.

Ep 926Lula rumo à China e a nova relação com Pequim
A partir do domingo (26), o presidente lidera uma comitiva de ministros, governadores, parlamentares e mais de 200 empresários para o outro lado do planeta. Numa das viagens diplomáticas mais importantes do ano, o governo federal tenta refazer laços com seu principal parceiro comercial – uma relação prejudicada pelo discurso sinofóbico da gestão anterior. Para dimensionar o tamanho da China para a economia brasileira e a posição estratégica dessa relação, Natuza Nery conversa com Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de relações internacionais da FAAP. Neste episódio: - Fernanda esclarece o que a China “representa para o Brasil” hoje: além de principal parceiro comercial, realiza investimento em áreas de infraestrutura e é aliado na defesa de mecanismos multilaterais de diplomacia. “É uma viagem importante, estratégica e simbólica”; - Ela descreve os últimos movimentos da “triangulação China-EUA-Brasil": enquanto a economia chinesa avança para ocupar espaço em tecnologia e inovação, Washington passa a ver Pequim como “competidora e concorrente”. “O Brasil é mais um desses espaços de disputa”, afirma; - Fernanda também explica por que uma abordagem “econômica e pragmática” na relação com a China é a melhor para o Brasil. “Temas políticos, como a guerra da Ucrânia, são espinhosos”, conclui.

Ep 925Juros – como eles afetam você e a economia
O Comitê de Política Monetária, o Copom, anuncia nesta quarta-feira (22) se mantém a taxa básica de juros no patamar atual. O presidente Lula já demonstrou reiterada vezes que considera “absurda” a manutenção da Selic a 13,75% - maior taxa de juros reais (descontada a inflação) do mundo. A decisão do Copom vale até a próxima reunião do comitê, agendada para o início de maio, e pode ser decisiva para o crescimento do PIB brasileiro. Para explicar a repercussão da taxa de juros na vida real, Natuza Nery recebe o economista Robson Gonçalves, consultor da FGV-SP. Neste episódio: - Robson explica o que é a Selic e a função dos juros na economia. “Pode ser entendido como um remédio contra a inflação”, define, e pondera que, na dose errada, tem “efeitos colaterais como frear o crescimento econômico”; - Ele opina sobre a decisão que será anunciada pelo Copom e aposta que haverá um racha dentro do comitê para manter a Selic ou para baixá-la. “Precisa reconhecer que não temos uma inflação de demanda”, afirma; - O economista também alerta para o perigo da “taxa de juros alta demais” até para o sistema bancário, e comenta a decisão do governo em baixar à força a taxa para o empréstimo consignado do INSS; - Por fim, Robson relaciona como a taxa de juros pode determinar o aquecimento do mercado de trabalho – e o peso que ela tem na decisão de grandes montadoras em congelar a produção.

Ep 924Lula 3 e a reciclagem de programas petistas
Nesta segunda-feira (20), o presidente anunciou o retorno do programa Mais Médicos, numa versão repaginada em relação àquele que entrou em vigor na gestão Dilma Rousseff, em 2013. E não foi a primeira repaginada do terceiro mandato. O governo federal relançou o Minha Casa Minha Vida com novidades e começou a pagar o novo Bolsa Família, no valor mínimo de R$ 600. Para detalhar o que os programas têm de diferente e o que motiva a volta dessas marcas petistas, Natuza Nery conversa com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: - Bernardo destaca o aspecto “vale a pena ver de novo” do terceiro mandato de Lula (PT): na falta de uma “marca nova” para esta gestão e diante de uma relação mais difícil com o Congresso e a oposição, o presidente investe em um “passado mais cor de rosa do que realmente era”; - Ele destaca a especificidade do Mais Médicos, que foi lançado no mandato de Dilma e alvo de muitas críticas pelas entidades da categoria. Na nova versão do programa, Lula "reage às críticas do bolsonarismo” e prioriza médicos brasileiros; - O jornalista explica também que o modelo seguido pelo presidente é o do mandato Lula 2 – e como o governo busca evitar ser associado ao governo Dilma. "A fórmula é a mesma”, afirma Bernardo, em relação ao período de 2007 e 2010. “É a ideia que o Estado tem papel importante na economia”.

Ep 923Dor nas costas – um problema de saúde mundial
Os sintomas se multiplicam como um contágio. Dores na coluna, na lombar e no pescoço, cuja origem se dá no modo de vida: muito tempo sentado e pouca ou nenhuma atividade física - um quadro que se acentuou na pandemia e que lidera as motivações para afastamentos do trabalho. Para tratar do tema, Natuza Nery conversa com o médico Francisco Sampaio Júnior, neurocirurgião especialista em coluna vertebral do hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Neste episódio: - Francisco Sampaio justifica por que estamos, em sentido figurado, diante de uma “epidemia de dores nas costas”: 80% das pessoas tem, teve ou terá este problema, segundo a OMS; - Ele relata que recebe em consultório pacientes com menos de 10 anos, e alerta que é um quadro ainda mais grave porque crianças estão em “desenvolvimento ósseo, articular e muscular”. “Essa geração vai sofrer mais e antes”, lamenta; - O médico explica o que é um “pescoço de texto”, uma condição identificada recentemente, e que se relaciona com o aumento no uso de smartphones e tablets: “Aumento de 100% a 150% de carga nos discos intervertebrais”; - E, por fim, Francisco alerta para a importância dos exercícios físicos para evitar a sobrecarga na região. “O corpo humano não foi feito para ficar parado. Parou, deu problema”, conclui.

Ep 922Terror no Rio Grande do Norte: a situação carcerária
Desde o início da semana, mais de 30 cidades do estado – entre elas a capital Natal – foram tomadas por uma onda de crimes: atentados a tiros e incêndios a prédios públicos, comércios e veículos. Ao longo dos dias, a violência dos ataques aumentou, sob a orientação de líderes de facções criminosas que estão detidos no sistema prisional. A Força Nacional de Segurança desembarcou no estado com 100 militares e deve ser reforçada por mais 120 homens para dar fim à situação. Para entender o que motivou o levante contra a população, Natuza Nery conversa com Bárbara Coloniese, perita do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, e Juliana Melo, antropóloga e pesquisadora da UFRN. Neste episódio: - Bárbara revisitou unidades prisionais do estado e relata que pouco mudou desde o massacre de Alcaçuz, em 2017. Ela descreve condições “insalubres” para os detentos: alimentação “precária e imprópria para consumo”, acesso limitado à agentes de saúde, superlotação e agressões de agentes penitenciários; - Juliana explica como e por que os detentos se revoltaram contra a tutela do Estado: eles sofrem “violações de direitos” - como choques elétricos e maus tratos com familiares – e apelam à violência. “Quanto mais uma prisão é violenta, mais uma sociedade é”, afirma; - A antropóloga descreve a origem e o avanço das organizações criminosas pelo território brasileiro. No caso do Rio Grande do Norte, explica que as duas facções mais poderosas podem ter se unido; - E ela demonstra ceticismo em relação à política de enviar as lideranças de facções para presídios federais: “Mais violações de direitos humanos e expansão do crime organizado”.

Ep 921Etarismo – como ele leva a outras violências
O caso da universitária de 40 anos alvo de piadas de três estudantes no interior de São Paulo não é isolado. Com a população vivendo cada vez mais, é preciso desconstruir preconceitos sobre a idade “padrão” para cumprir determinadas tarefas. E o chamado etarismo – ou idadismo - é porta para outros tipos de agressão. A OMS calcula que 15% da população idosa do planeta sofre com algum tipo de violência: agressões, maus-tratos, violência psicológica e roubos dentro da própria família. Para entender o que é o etarismo e os meios para combatê-lo, Natuza Nery conversa com Naira Dutra Lemos, professa da Unifesp e membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerentologia, e Bibiana Graeff, professora do curso de gerentologia da USP. Neste episódio: - Naria diz que o etarismo, a discriminação por idade, não é exclusiva do envelhecimento: “é quando a idade faz com que o preconceito aconteça”, citando também casos contra crianças e adolescentes; - Ela explica por que o preconceito em relação às pessoas mais idosas é a porta para casos de violência física e psicológica; - Bibiana detalha os tipos mais frequentes de violência contra idosos: “negligência, abandono, e depois, todos os tipos de violência psicológica”, situações que levam ao “silenciamento” de pessoas idosas; - E aponta caminhos para desconstruir o preconceito de idade, com investimento em políticas públicas e educação formal e informal sobre o envelhecimento; “a base de tudo é a educação e a cultura”, conclui.

Ep 920A falência do banco SVB e os efeitos no Brasil
A maior corrida bancária da história dos EUA aconteceu na semana passada. Em um dia, as retiradas chegaram a US$ 42 bilhões, depois que o Silicon Valley Bank resolveu vender parte de seus investimentos – reflexo da alta dos juros da maior economia do mundo. Com os saques recordes, logo ficou claro que o SVB não teria dinheiro suficiente para pagar seus clientes. Resultado: o banco quebrou. Dois dias depois, o Signature Bank também precisou de intervenção federal. O temor de uma crise parecida com a de 2008, fez o governo Joe Biden anunciar medidas para evitar um efeito dominó. Para entender as causas e as consequências da quebra do banco, Natuza Nery recebe a economista Monica de Bolle, professora e pesquisadora que fala direto de Washington.

Ep 919Navalny: o homem que desafiou Putin
Crítico do líder russo, Alexey Navalny jogou luz em alguns dos escândalos do Kremlin e mobilizou protestos no início da década de 2010. Em 2020, seu nome se tornou mundialmente conhecido, depois de ele ter sido envenenado. Tratado na Alemanha, o opositor de Vladimir Putin retornou à Rússia e foi preso – seu paradeiro é até agora desconhecido. A investigação sobre a tentativa de matá-lo, conduzida pelo próprio Navalny, é o tema de um documentário premiado no Oscar. Para entender quem é o homem considerado “pedra no sapato” do presidente russo e explicar seu passado contraditório, Natuza Nery recebe a jornalista brasileira Marina Darmaros, que entrevistou Navalny em 2011, e Daniel Sousa, comentarista da GloboNews e criador do podcast Petit Journal. Neste episódio: - Marina relembra a efervescência de protestos em 2010, quando Navalny emergiu como líder da oposição, e por que o ativista resolveu voltar ao país depois de ser envenenado: “Não existe carreira política no exterior”, ao lembrar que uma de suas ambições era tornar-se presidente; - Ela relata o encontro que teve com ativista em 2011 e o “clima de suspense” que já havia em torno de Navalny à época; - Daniel aponta como Navalny é “uma liderança política extremamente popular” e, mesmo preso, mantém a posição de principal antagonista do presidente russo; - Ele analisa como a maneira com que Putin trata o opositor revela o status da Rússia atual, “um regime que vem se fechando ao longo do tempo”, diz. E conclui como é interessante para Moscou manter Navalny vivo.

Ep 9185 anos do assassinato de Marielle Franco
Às 21 horas da noite de 14 de março de 2018, a vereadora pelo Psol e seu motorista, Anderson Gomes, foram emboscados e executados no centro do Rio de Janeiro. Imediatamente, autoridades brasileiras e representantes de quase todo o mundo condenaram o crime de motivação evidentemente política e cobraram que houvesse investigação independente e rápida identificação dos assassinos. Cinco anos depois, dois ex-policiais militares foram acusados pela execução, mas ainda não se sabem quem e por que encomendou a morte de Marielle. Agora, sob determinação do ministro da Justiça, Flávio Dino, a PF abriu inquérito do caso e vai atuar em uma força-tarefa com a polícia civil e o MP do Rio. Para recapitular cada detalhe das investigações e esclarecer o status jurídico do caso, Natuza Nery recebe Vera Araujo, repórter que cobre o crime desde o início pelo jornal O Globo e autora do livro “Mataram Marielle”, e Rafael Borges, presidente da comissão de segurança pública da OAB-RJ e coordenador da pós-graduação em advocacia criminal do Ceped. Neste episódio: - Vera aponta as falhas que atrapalharam a investigação, as acusações de interferência no caso e os episódios nos quais delatores tentaram desviar a atenção dos policiais, em um jogo de poder entre milícias em guerra. “Eles não tinham ideia de que o assassinato teria tanta repercussão”, afirma; - a jornalista conta a reação da família de Marielle diante das investigações e o que motivou o pedido – e a recusa do STJ – de federalização do caso. “Já estava no governo Bolsonaro e a família não confiava na esfera federal”; - Rafael explica o que significa a abertura de inquérito pela PF e quais são os requisitos necessários para a federalização do caso: “É inegável que os agentes da PF poderiam ter contribuído muito mais se estivessem na investigação desde o início”; - Ele recorda que a execução de Marielle ocorreu sob intervenção e a “segurança pública do estado era cuidada por um general do Exército” - o interventor era Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice de Bolsonaro.

Ep 917Coronel Cid: o faz-tudo de Bolsonaro
Oficial com mais de 20 anos de Exército, Mauro Cid foi escalado para a função de ajudante de ordens do ex-presidente pouco antes da posse, em 2018. Nos quatro anos de mandato, ultrapassou todos os limites de suas funções e conquistou a confiança irrestrita de Bolsonaro – com quem esteve envolvido em diversos escândalos, entre eles a divulgação de fake news em lives presidenciais, a suspeita de rachadinha no Planalto e o mais recente, o das joias milionárias enviadas pelo governo saudita. Para definir o perfil de Mauro Cid e relatar seus passos nos bastidores, Natuza Nery recebe Guilherme Mazui, repórter do g1 em Brasília, e Andréia Sadi, colunista do g1 e apresentadora e comentarista da GloboNews. Neste episódio: - Guilherme descreve as funções do tenente-coronel como ajudante de ordens da Presidência: ajudava em lives, filmava o “cercadinho” e até encaminhava pagamento de demandas particulares da família Bolsonaro: “Ganhou confiança e se tornou conselheiro do presidente”; - Sadi conta que até o último dia de mandato de Bolsonaro, o ajudante de ordens “se escalou como o artilheiro” do governo: Cid teria se oferecido para ir pessoalmente à alfândega do aeroporto de Guarulhos para resgatar as joias trazidas da Arábia; - Ela explica o papel de Mauro Cid na tentativa de livrar o ex-presidente do escândalo das joias, e como o discurso muda a cada passo da investigação: “A justificativa deles é de que uma coisa é o presidente, outra é a Presidência”; - Por fim, Sadi detalha a quais investigações o tenente-coronel está submetido – inclusive aquela na qual ele pagaria as contas de Bolsonaro irregularmente. E informa que os dois, o ex-presidente e seu ajudante de ordens, seguem em contato: “Uma fonte me disse que, se alguém sabe de Bolsonaro, com certeza é o Cid”.

Ep 916A ditadura da Nicarágua e a relação Lula-Ortega
Ao mesmo tempo em que o ditador Daniel Ortega acirra sua cruzada autocrática para permanecer no poder, uma comissão independente enviada pela ONU ao país reforçou que o governo vem cometendo violações graves e sistemáticas contra opositores. No Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, dos oito países que produziram o documento, apenas um se recusou a condenar os crimes: o Brasil. Para explicar o que vem acontecendo no país da América Central e as relações entre Ortega e Lula (PT), Natuza Nery conversa com Paulo Abrão, professor visitante na Universidade Brown (EUA) e assessor sênior da ONG Artigo 19, e com o sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista do jornal Folha de S.Paulo e autor do livro “PT, uma história”. Neste episódio: - Paulo relata a escalada de protestos e de repressão violenta por parte do governo e de grupos paramilitares que marcou a guinada autoritária de Ortega, em 2018: “O tempo aprofundou o Estado de exceção e submeteu o povo a práticas de terrorismo de Estado”; - Ele lembra que, assim que eclodiu a crise política no país, a Igreja Católica “assumiu o papel de mediação” com o governo, mas, posteriormente, entrou na lista de organizações perseguidas, junto de partidos de oposição, ONGs e a imprensa; - Celso retoma as relações entre a fundação do PT (1980) e a revolução sandinista (1979), que compartilhavam do ideal de “socialismo democrata”, para explicar o silenciamento do partido em relação aos desvios do regime de Ortega: “É um erro do PT”; - O sociólogo compara e aponta as diferenças entre o momento político internacional em que Lula assumiu seu primeiro mandato e agora: “Havia muitos países com esquerda democrática. Agora, uma ditadura pode queimar o filme da esquerda em todo o continente”.

Ep 915O déficit de mulheres na política
Nas eleições de 2022, o número de candidatas eleitas à Câmara dos Deputados cresceu, mas ainda de forma muito tímida: enquanto as mulheres são 53% do eleitorado, ocupam 17,7% das cadeiras no parlamento. Em 2020, dos 5.560 municípios brasileiros, apenas 677 elegeram prefeitas. São números que classificam o Brasil na 140ª posição entre os 190 países avaliados por um ranking global de representatividade feminina. Os problemas enfrentados por mulheres em cargos políticos, no entanto, são globais: as primeiras-ministras de Finlândia, Nova Zelândia e Escócia, já sofreram com ataques misóginos. Para analisar esse cenário, Natuza Nery conversa com a cientista política Mônica Sodré, diretora executiva da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade. Neste episódio: - Mônica avalia o peso da violência e da falta de apoio financeiro que as mulheres enfrentam dentro de estruturas partidárias e de poder público - e de que modo as mudanças na legislação vêm ajudando na inclusão de gênero: “Mas ainda não são suficientes”; - Ela explica que os partidos políticos são “fundamentais para o jogo eleitoral e institucional” da democracia, mas são majoritariamente dirigidos por figuras masculinas: “A primeira barreira é a campanha, a segunda é a eleição e a terceira barreira é dentro do parlamento”; - A cientista política aponta quais modelos adotados internacionalmente apresentaram resultados melhores na atração e manutenção de mulheres em cargos públicos, e apresenta proposta para garantir espaço a deputadas e vereadoras nas mesas diretoras do Legislativo.

Ep 914As joias da Arábia para Michelle Bolsonaro
Em outubro de 2021, a comitiva liderada pelo então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque desembarcou no aeroporto de Guarulhos carregando pelo menos duas malas com joias – que, supostamente, foram enviadas pelo governo saudita. A mala que trazia presentes para a ex-primeira-dama ficou retida pela Receita Federal – a outra, chegou às mãos da Presidência. Desde então, o governo Bolsonaro envolveu militares, três ministros e até a alta cúpula da Receita para reaver as peças cravadas em diamante, estimadas em R$ 16,5 milhões. Para desfazer os nós dessa história, que vai ser investigada pela Polícia Federal, Natuza Nery conversa com Vladimir Netto, repórter da Globo em Brasília, e com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: - Vladimir detalha a cronologia do caso, desde o embarque da comitiva na Arábia Saudita até a última das oito tentativas do governo Bolsonaro de reaver de forma irregular as joias retidas na alfândega: “Investigadores têm indícios fortes de que o governo queria esconder a entrada desses itens”; - Ele lista quais os crimes investigados pela PF e conta quem são os alvos do inquérito aberto nesta segunda-feira (6): descaminho, peculato, lavagem de dinheiro, contrabando, tráfico de influência e corrupção; - Bernardo questiona as circunstâncias em que as joias chegaram às mãos do ex-ministro Bento Albuquerque e as motivações para que tenham entrado escondidas no Brasil: “É um caso revelador do caráter do governo Bolsonaro”; - Ele afirma que, do ponto de vista de imagem pública, este caso pode ser “mortal” para Jair e Michelle Bolsonaro: “Já tem muito político tentando se afastar”.

Ep 913George Santos e suas mentiras nos EUA
Filho de brasileiros, o primeiro republicano abertamente gay foi eleito no ano passado para o Congresso dos Estados Unidos. Depois de conseguir o feito inédito, George Santos passou a ser acusado de mentiras, e se tornou famoso pela soma de histórias falsas. Entre casos inventados, exagerados, e um passado desconhecido, ele agora é investigado pelo Comitê de Ética da Câmara dos Deputados. Para contar a sequência de mentiras e onde o processo aberto na semana passada pela Câmara dos EUA pode parar, Natuza Nery conversa com o repórter da revista piauí João Batista Jr., e com Carolina Cimenti, correspondente da TV Globo em Nova York. Neste episódio: - João Batista Jr., o primeiro jornalista brasileiro a falar com Santos, conta como o deputado mentia repetidamente sobre seu currículo antes mesmo de ser eleito; - O repórter avalia o que pode estar por trás de algumas das mentiras mais graves, como a ocultação das razões do crescimento do patrimônio e do financiamento da campanha do republicano; - Carolina relata que as investigações abertas no Congresso envolvem principalmente suspeitas de atividades ilegais durante a campanha do ano passado; - Ela descreve as baixas chances da apuração parlamentar prosperar. "O Comitê de Ética não é conhecido por conduzir investigações agressivas", diz.

Ep 912Redpill - a misoginia como lucro
A ameaça do auto titulado “coach de masculinidade” Thiago Schutz à atriz Livia La Gatto por uma paródia de um de seus vídeos é o mais recente episódio de um comportamento que ganha volume nas redes sociais. Avolumam-se conteúdos com discurso de ódio direcionado a mulheres e movimentos como os ‘redpills’, ‘incels’ e ‘mgtows’ encontram terreno fértil para propagar teorias criminosas – tudo isso sob uma lógica de distribuição em rede que rende muito dinheiro. Natuza Nery conversa com a cientista política Bruna Camilo, pesquisadora da PUC-MG sobre misoginia e redes de ódio, e com Tainá Aguiar Junquilho, pesquisadora do Instituto de Tecnologia e Sociedade. Neste episódio: - Bruna traduz o significado de termos que integram o debate de gênero, entre eles o “masculinismo” - ela se infiltrou em grupos extremistas e observou o uso de termos ofensivos como “diabolheres” e “merdalheres”; - Bruna explica a relação entre a formação desses grupos misóginos com a expansão da extrema-direita e a radicalização política: “Gênero é categoria de poder”; - Tainá relata a dificuldade que o Judiciário enfrenta para punir discursos de “microviolência”, ou seja, que não representam crimes, mas “reforçam a cultura machista”; - Ela descreve o funcionamento dos algoritmos em rede para amplificar falas odiosas, e como as grandes empresas de tecnologia podem reprimi-las.

Ep 911O caso das vinícolas e trabalho escravo
Presos sob o controle de uma empresa que atende a três grandes vinícolas da Serra Gaúcha, 207 trabalhadores foram libertados em uma ação da Polícia Federal e do Ministério Público do Trabalho. De acordo com a investigação, eles foram submetidos também a situações de tortura – espancados com choques e spray de pimenta – depois de serem aliciados na Bahia com a promessa de trabalho remunerado em Bento Gonçalves (RS). Não se trata de um caso isolado: em 2022, mais de 2,5 mil pessoas foram resgatadas em situações análogas à escravidão. Coordenador da Conaete (Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas), Italvar Medina conta a Natuza Nery os detalhes da operação. Natuza conversa também com Natalia Suzuki, coordenadora do programa “Escravo nem pensar”, o primeiro do tipo em alcance nacional. Neste episódio: - Italvar relata como foi o resgate dos trabalhadores da região produtora de vinhos no Rio Grande do Sul: “Foram constatados condição de trabalho degradante, servidão por dívidas e trabalho forçado, com agressões”; - Ele afirma que o episódio das vinícolas gaúchas não é caso isolado, e que em outros ramos de atividade também é comum que grandes empresas patrocinem mão de obra escrava; - Natalia reforça que o trabalho escravo é “recorrente e constitutivo da forma de produção” de vários setores: “Temos falhado em resolver este problema de forma muito séria”; - Ela comenta a fala “absurda, racista e preconceituosa” do vereador de Caxias do Sul, que culpabiliza os trabalhadores pela condição a que estavam submetidos: “Infelizmente, esse discurso é recorrente entre os empregadores”.

Ep 910Militares golpistas - a investigação no STF
Desde o resultado do 2º turno das eleições presidenciais, se avolumaram manifestantes golpistas nas portas dos quartéis do Exército. E nada foi feito. Quando as sedes dos três Poderes foram invadidas, em 8 de janeiro, há indícios de que não só os militares nada fizeram, como colaboraram com o ato terrorista. De lá para cá, a justiça civil denunciou mais de 900 pessoas, enquanto a justiça militar, zero. Na segunda-feira (27), o ministro Alexandre de Moraes decidiu atender a um pedido da PF e trouxe a investigação militar do tribunal correspondente para seu gabinete no STF. Para relatar e analisar esta história, Natuza Nery recebe Rafael Moraes Moura, repórter do jornal O Globo em Brasília, e o historiador Carlos Fico, professor da UFRJ. Neste episódio: - Rafael detalha quais são as 8 apurações preliminares no Ministério Público Militar e aponta a “dúvida do MPM” em relação à decisão de Alexandre de Moraes; - O jornalista também traduz o que significa o afago do presidente do Supremo Tribunal Militar à decisão de Moraes: “Aparar as arestas”. E informa que ministros do STM estão desconfortáveis com a sinalização de que o STF “não gosta e nem confia na justiça militar”; - Carlos Fico explica o surgimento da Justiça Militar, que estabeleceu o “primeiro tribunal superior do Brasil”. Uma instituição, afirma, que em vários momentos “se degenerou, sobretudo nas ditaduras do Estado Novo e do governo militar”; - O historiador justifica por que o ataque de 8 de janeiro é especialmente grave para a instituição militar: as Forças Armadas sempre fizeram questão, afirma, da garantia dos poderes constitucionais, mas “quando os três Poderes foram atacados, os militares fizeram muito pouco ou foram lenientes”.

Ep 909A volta do imposto sobre combustíveis
Quando o preço do litro da gasolina bateu recordes pelo Brasil em 2022, Jair Bolsonaro (PL) aprovou às pressas, em junho do ano passado, um pacote de desoneração dos impostos sobre os combustíveis - tendo em vista as eleições que seriam realizadas em outubro. A medida avaliada como eleitoreira à época foi mantida por Lula (PT), válida por 60 dias a partir do momento de sua posse. Com a aproximação do fim do prazo, o presidente teve que decidir se arcaria com o peso político da alta nas bombas ou com o risco fiscal de abrir mão de quase R$ 29 bilhões: Lula optou por dar fim à desoneração. Para desenhar as peças neste tabuleiro, Natuza Nery recebe o jornalista Alvaro Gribel, colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Alvaro explica a “bomba que Bolsonaro deixou armada” e porque fica “cada vez mais difícil para o atual governo justificar a desoneração” - é preciso olhar para frente e não para o curto prazo, afirma: “Vai colher benefícios como queda dos juros e crescimento da economia”; - Ele aponta como a desoneração dos combustíveis fósseis é um “contrassenso do ponto de vista ambiental”, sobretudo enquanto o governo busca lapidar uma agenda verde; - O jornalista projeta as ações de longo prazo de Lula para lidar com as variações no preço internacional do petróleo e do câmbio interno: “Criar um fundo de estabilização”; - Por mim, Alvaro diz por que a exposição pública das divergências internas nas pautas econômicas se traduz em “efeito negativo, ruído e incerteza”. Por outro lado, afirma, se Haddad conseguir um “projeto que traga confiança” a economia pode voltar a crescer – mas, caso seja um pacote fraco, “o efeito será exatamente o contrário”.

Ep 908Burnout no pós-pandemia
Exaustão física e mental, insônia, falta de concentração, desânimo, irritabilidade, aversão ao trabalho... Estes são alguns dos sintomas que fazem alguém “se queimar por dentro”, daí o nome burnout. A síndrome está relacionada ao esgotamento do trabalho e registrou alta durante o período de isolamento social por causa da pandemia. Mas mesmo com o fim do isolamento, as notificações continuam em alta, com profissionais expostos à sobrecarga prolongada, com demandas maiores e prazos menores. Neste episódio, Natuza Nery conversa com Bruno Chapadeiro, psicólogo, professor da UFF e perito judicial em saúde mental, e com Joana Story, professora adjunta da Escola de Administração de Empresas da FGV. Neste episódio: - Bruno diferencia o burnout de outros quadros de stress e ansiedade: “É um conjunto de sinais e sintomas”, que representam uma exaustão sempre relacionada ao trabalho; - Ele chama a atenção para a necessidade de encarar saúde mental e saúde física de maneira integrada. “Se a pessoa tem insônia ou dor na coluna, ela passa a se culpar por essas dores estarem superiores à sua capacidade de produzir”, diz; - Joana explica como a saúde mental do trabalhador está diretamente relacionada ao equilíbrio entre demanda e recursos. “Quando temos muito mais demandas do que recursos, é um indício de que poderemos entrar em esgotamento emocional”, explica; - A professora aponta ainda bons e maus exemplos de liderança que podem amenizar ou potencializar o risco de burnout, e como os próprios profissionais podem impor limites para afastar a síndrome: “Uma das coisas mais difíceis, mas que é necessário, é impor limites e dizer não”.

Ep 9071 ano de guerra: como está a vida na Ucrânia
No dia 24 de fevereiro de 2022, após discurso nacionalista inflamado, o presidente russo Vladimir Putin anunciou que o “exercício militar” de seu exército invadiria o território do país vizinho. Era o começo de uma guerra que, no início, muitos analistas apostavam que duraria poucos dias. Mas os russos não conseguiram tomar Kiev, e, turbinada por armas e milhões de dólares concedidos pelas maiores potências ocidentais, a Ucrânia equilibrou o conflito. Avizinhando-se à data simbólica de 1 ano de invasão russa, as tensões se acirraram de lado a lado: Zelensky recebeu Joe Biden na capital e Putin abandonou o acordo nuclear que mantinha com os EUA. Para analisar o momento da guerra, Natuza Nery conversa com Felipe Loureiro, professor de relações internacionais da USP. Antes, Rodrigo Carvalho, enviado especial da Globo à Ucrânia, descreve como estão hoje as principais cidades do país e conta o que pensam os ucranianos. Neste episódio: - Rodrigo conta suas impressões de Kiev, capital onde a “rotina ainda é muito invadida pela guerra”: os moradores precisam conviver com o risco de bombardeios e sob o som das sirenes - tão recorrentes que são até ignoradas por muitos ucranianos; - Ao visitar outras cidades, ele diz ter visto “mais destruição do que reconstrução” nos prédios e casas e muitas pessoas ainda traumatizadas pelos violentos ataques do exército russo: “É a morte como cenário”; - O jornalista também relata a condição das crianças no país invadido: de acordo com a Unicef, são 7 milhões no país e todas elas sofrem de estresse traumático da guerra, e metade ainda não voltou à escola; - Felipe Loureiro explica por que está “pessimista” em relação à possiblidade de um cessar fogo ou pelo fim da guerra: “A situação atual é uma corrida por ofensivas”.

Ep 906Racismo religioso – o ódio para além do culto
A punição para quem pratica o crime de intolerância religiosa está mais dura desde o meio de janeiro – a pena passou de 1 a 3 anos de prisão para até 5 anos para quem empregar violência contra manifestações ou práticas religiosas. Uma medida necessária para frear o crescimento acelerado de crimes de fundo religioso. Em 2022, foram mais de 1.200 ocorrências no Brasil, o que significa um aumento de 45% em relação a dois anos antes. Em entrevista a Natuza Nery, Magali do Nascimento Cunha, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, explica os motivos que levam ao aumento do número de casos. Natuza conversa também com o babalorixá Adailton Moreira, responsável pelo terreiro de candomblé Ilê Omijuarô. Ele fala sobre o impacto da violência na vivência das religiões de matriz africana. Neste episódio: - Magali descreve como se construiu o “casamento entre grupos religiosos e grupos políticos” no Brasil, uma relação que se fortaleceu a partir de 2010 e culminou na eleição de Bolsonaro em 2018 e no combate ao que supostamente seria uma “cristofobia”; - Ela explica o processo histórico no qual a “demonização” das religiões não cristãs se soma à intolerância racial para consolidar o que hoje se chama de “racismo religioso”; - Adailton relata o crescimento dos ataques contra religiões de matriz africana nos últimos 4 anos e cobra do Estado a responsabilidade para proteger a liberdade religiosa; - Ele conta como o racismo religioso e a violência “afetam profundamente” a todos que professam crenças de matrizes africanas: “Crianças não podem se manifestar, e isso é negar sua identidade e a sua cultura”.

Ep 905A tragédia no litoral de SP e a questão da moradia
O Litoral Norte de São Paulo, principalmente a cidade de São Sebastião, sofreu a mais poderosa tempestade que o Brasil já viveu: em 15 horas, a precipitação foi de 683 milímetros de água, mais do que choveu em todo o verão passado. A enxurrada levou ao desabamento de terra da Serra do Mar e, somada à falta de planejamento urbano e ao enxugamento crescente dos recursos para atendimentos de emergência climática, destruiu dezenas de casas e deixou cerca de 50 mortos e mais de 40 desaparecidos. Morador da Vila do Sahy há mais de 20 anos, Moisés Teixeira Bispo, líder da Central Única das Favelas (Cufa) em São Sebastião, viveu a tragédia e relatou a Natuza Nery a situação na região. Natuza recebe também Anderson Kazuo Nakano, professor do Instituto das Cidades da Unifesp. Neste episódio: - Moisés conta como a comunidade da Vila do Sahy cresceu e foi avançando para áreas de risco, situação que classifica como “entre a cruz e a espada”: “É muita desigualdade. Se a gente desce, fica muito caro. Se a gente sobe o morro, é perigoso”; - Anderson explica o que é o “nó da terra”: a dificuldade para acessar e conseguir terra urbanizada, com infraestrutura e bem localizada para construções populares, uma vez que os terrenos são caros e estão sob ataque especulativo; - Ele justifica o “grande paradoxo” urbanístico do Brasil: embora a maioria das cidades sejam urbanas e exista um “ordenamento jurídico-urbanístico muito bom”, não existe política urbana bem consolidada entre os entes federativos; - O professor descreve como as comunidades de baixa renda são “espremidas” entre os condomínios de alto padrão – mais próximos do mar – e as áreas em risco de desabamento.

Ep 904Natuza Nery tem um recado neste Carnaval
O Assunto volta com episódio novo na quarta-feira (22). Até lá, a apresentadora Natuza Nery tem um convite para você: dá para aproveitar o feriado e maratonar.

Ep 904Ministério da Saúde - reconstrução pós-Bolsonaro
Nos últimos quatro anos, a pasta teve cinco ministros – sendo um deles o militar que “não conhecia o SUS” - e enfrentou a mais severa pandemia dos últimos 100 anos. E fracassou retumbantemente. O presidente de turno insistiu em tratamentos comprovadamente ineficazes. O programa nacional de imunização, outrora orgulho nacional, demorou a receber as vacinas e registra as mais baixas taxas de vacinação infantil em décadas. E o país chega ao quarto ano da crise sanitária com média de mortes por Covid quase três vezes maior que a mundial. A atual gestão, liderada pela ex-presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, se dedica a reconstruir o ministério, mas até aqui apresenta resultados tímidos. Para fazer o balanço dos primeiros 45 dias do mandato Lula (PT) na saúde e apontar onde estão as principais urgências, Natuza Nery recebe Luana Araújo, infectologista e especialista em saúde pública. Neste episódio: - Luana analisa a demora por parte do atual governo em adotar ações efetivas, mas pondera que o ministério foi encontrado “totalmente destruído”; - Ela afirma que agora, período em que o país está entre ondas de Covid, é o momento certo para iniciar uma campanha de imunização. E reforça a necessidade de o Ministério assumir a coordenação com estados e munícipios; - A infectologista também avalia a quantidade de médicos a serviço do SUS: “Nosso problema hoje não é a falta de médicos, é a distribuição e retenção desses profissionais”. E pede para que a nova gestão trabalhe para interiorizá-los e para que dê a eles a estrutura adequada.

Ep 903Novo Ensino Médio: os avanços e as lacunas
Aprovada em 2017, a Lei que instituiu a reforma do ensino médio estabeleceu que o novo currículo seria obrigatório a partir de 2022. Concluído o ano letivo que se passou, os primeiros problemas se apresentaram em escolas de todo o país. Agora, diante da ampliação do currículo prevista para este ano e para 2024, o chefe do Ministério da Educação tem sido pressionado para revogar o modelo vigente. Para apresentar os erros e acertos do Novo Ensino Médio, Natuza Nery entrevista a pedagoga Anna Helena Altenfelder, doutora em psicologia da educação e presidente do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária). Neste episódio: - Anna afirma que é fundamental repensar o formato educacional, com mais liberdade de escolha aos alunos e levando em conta o mundo do trabalho. Mas lembra que o modelo já apresentava “lacunas importantes” desde o início; - Ela apresenta também os dois principais problemas do Novo Ensino Médio como está previsto: a desigualdade de oportunidades para os alunos e a falta de estrutura, apoio e treinamento para professores e gestores; - A pedagoga explica por que a reforma traz o grande risco de estados trabalharem muito isoladamente – e sugere a criação de um sistema nacional de educação, nos moldes do SUS.

Ep 902O que está por trás do caso dos OVNIs nos EUA
Nos últimos 8 dias, a Força Aérea americana abateu 4 objetos voadores entre a costa leste da Carolina do Sul e o Alasca, do outro lado do continente norte-americano. Criou-se um mistério tal que o governo envolveu o departamento de Defesa, o FBI e a Nasa para encontrar uma resposta – o porta-voz presidencial teve até que vir a público para negar a hipótese de uma invasão alienígena. Pelo contrário, a suspeita da Casa Branca é que seja uma atividade bastante humana: espionagem. O primeiro objeto, um balão, seria um artefato de espionagem enviado pelo governo chinês; Pequim nega. Para explicar a lógica da espionagem internacional e os impactos do atual incidente, Natuza Nery recebe Gunther Rudzit, professor de relações internacional da ESPM, e Thiago de Aração, diretor da Arko Advice e pesquisador do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos de Washington. Neste episódio: - Gunther justifica por que os Estados Unidos são, de fato, “a grande potência” do planeta: seu sistema de inteligência tem mais 300 satélites de uso militar em órbita; - Ele também analisa a “paranoia americana” herdada dos anos de Guerra Fria: “são temores antigos do subconsciente coletivo que estão voltando”, afirma, mas, agora, em relação à China; - Thiago diz que episódios como este podem ter acontecido “muitas vezes”, mas que, agora, diante do conhecimento público, exige de Joe Biden e Xi Jinping uma “narrativa diferente e mais agressiva”; - Ele especula sobre os avanços do nacionalismo chinês: caso a economia derrape, aumentam as possibilidades de uma ofensiva sobre Taiwan.

Ep 901A Turquia pós-terremoto vista de perto
Os tremores de terra que abalaram o país e a Síria há uma semana provocaram a maior tragédia natural da história recente das duas nações: o número de mortos já passa de 37 mil e, segundo a ONU, pode até dobrar. Uma destruição que se reflete em milhares de edifícios tombados e numa população que chora suas perdas e não tem um teto para dormir. O jornalista Murilo Salviano, correspondente da TV Globo em Londres, passou a última semana entre as cidades turcas de Adana, Antáquia, Kahramanmaras, Ilicek e Gaziantep, as mais afetadas pelos terremotos. Ele conta à Natuza Nery o que viu e sentiu durante seu período no país. Neste episódio: - Murilo descreve os “sentidos” diante da tragédia: sons de máquinas de resgate e choro de familiares de vítimas, cheiros de fumaça e poeira, e sensação de frio de até -10°C; - O jornalista relata os “milhares de quilômetros de destruição” que testemunhou e a dificuldade das equipes de resgate para vencer os escombros em busca de sobreviventes – e como a demora no atendimento gerou “revolta” da população; - Ele recorda as conversas que teve com os bombeiros turcos – eles chamam a atenção para quais tipos de prédios foram destruídos. Murilo informa ainda qual o status das investigações sobre os responsáveis pela queda de construções: são mais de 100 presos até agora; - Murilo se emociona ao lembrar do abraço que recebeu de uma mulher turca que perdeu o filho, o neto e a nora na tragédia.

Ep 900O caminho do ouro ilegal da Terra Yanomami
A operação liderada pelo governo federal para acabar com a atividade criminosa dentro da terra indígena já expulsou do território milhares de garimpeiros e apreendeu parte do maquinário necessário para a extração mineral. Mas esta é só a ponta de um esquema que envolve financiamento para o garimpo, lavagem de ouro ilegal e envolvimento de crime organizado de tráfico de drogas e mercado internacional de joias. Para entender a logística por trás da atividade garimpeira, Natuza Nery conversa com Ana Magalhães, coordenadora de jornalismo da Repórter Brasil que há anos investiga o tema. Neste episódio: - Ana relata as investigações feitas pela sua equipe e pelos agentes da Polícia Federal, e como chegou à conclusão de que “quem mais lucra com o crime são empresas de faturamento milionário”; - Ela detalha os caminhos da lavagem do ouro da Terra Yanomami: vai a Boa Vista, é vendido ilegalmente na “rua do ouro” e depois revendido para as empresas intermediárias, onde é produzida uma nota fiscal fraudada. Por fim, já regularizado, é exportado para o mundo inteiro; - A jornalista ainda critica a falta de fiscalização para as DVTMs (empresas que têm autorização do Estado para comercializar o ouro): “Em tese, quem deve fiscalizar é o Banco Central, mas seu trabalho é muito frágil”.

Ep 899Lula com Biden, e a retomada da diplomacia
Desde que venceu a eleição em outubro do ano passado, o presidente discursa sobre a necessidade de dar uma guinada na política externa brasileira. Nos primeiros 40 dias de governo, Lula retomou o Fundo Amazônia, reforçou o compromisso com o Mercosul em visita à Argentina e, agora, está em Washington para um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos – atendendo a um convite feito pelo próprio Joe Biden no pós-atentado golpista de 8 de janeiro. Para fazer a leitura dos novos rumos da diplomacia brasileira, Natuza Nery recebe Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior e ex-embaixador do Brasil em Washington e em Londres. Neste episódio: - Rubens critica a relação de Bolsonaro com Donald Trump, na qual o brasileiro buscava “vantagens pessoais”, e afirma que o encontro Lula-Biden marca a “retomada da relação institucional” entre Brasil e EUA; (4:45) - Para ele, o tema central da agenda dos presidentes será o combate à extrema-direita e a manutenção da democracia: “Os EUA e o Brasil passaram pela mesma experiência”; - O diplomata explica por que Lula está retomando a tradição “da política externa brasileira presidencial” e como ele tentará recompor as relações com diferentes blocos econômicos; - E conta como o corpo de diplomatas do Itamaraty resistiu, nos últimos 2 anos, aos ataques do governo Bolsonaro à tradição diplomática brasileira.

Ep 898Lula x BC – o atrito sobre a política de juros
Indicado por Jair Bolsonaro (PL), Roberto Campos Neto é o primeiro presidente do Banco Central a assumir a função sob a lei que garante autonomia operacional e um mandato de 4 anos, até dezembro de 2024. Desde o segundo semestre do ano passado, diante de um quadro de erosão fiscal e inflação em dois dígitos, o BC elevou a Selic para 13,75%, taxa mantida na última reunião do Copom. A reação foi imediata: Lula (PT) deu início a uma série diária de críticas a Campos Neto. Para desvendar os nós da relação entre a taxa básica de juros, a autonomia do BC e o estresse com o Executivo, Natuza Nery conversa com o economista Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central. Neste episódio: - Tony fala sobre a expectativa do mercado financeiro e da equipe econômica do governo para a curva de juros após a divulgação da ata do Copom: “Aprovadas as medidas econômicas de Haddad, podemos ter queda de juros este ano”; - Interpreta a justificativa do Copom para a manutenção da Selic. Para Tony, Campos Neto reforça que irá buscar o centro da meta de inflação, de 3,25% em 2023, mas sinaliza a Lula que cabe ao Executivo assumir uma nova meta; - Explica o peso da PEC da Transição, do pacote de medidas de Fernando Haddad, da nova âncora fiscal e da eventual aprovação de uma reforma tributária na política de juros: “Esse vai ser um ano de certo sacrifício, mas 2024 pode ser um ano muito bom para a economia brasileira”; - Avalia o clima político entre Lula e Campos Neto, flagrado em um grupo de mensagens com ministros bolsonaristas: “Vamos ter uma crise no país por isso? Eles têm que ter uma relação institucional”, conclui.

Ep 8971 mês dos atos golpistas de 8 de janeiro
O mais grave atentado contra o Estado democrático de direito no Brasil tem consequências criminais e políticas. Na esteira da invasão às sedes dos Três Poderes, um governador foi afastado, um ex-ministro está preso e mais de 650 pessoas foram denunciadas – entre elas políticos, policiais e financiadores. Para fazer o balanço deste último mês, Natuza Nery recebe dois convidados: a jornalista Camila Bomfim, apresentadora do Conexão GloboNews, e Oscar Vilhena, professor de Direito Constitucional da FGV-SP e integrante da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns. Neste episódio: - Camila identifica as quatro frentes de investigação da Polícia Federal: a busca pela identificação de incitadores e executores; policiais militares omissos; mentores intelectuais e políticos; financiadores. - Ela descreve como os agentes estão atuando para identificar os envolvidos, e conclui como o “núcleo político vai ser bem maior", no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está na lista de investigados; - Oscar analisa de que modo a legislação brasileira pode enquadrar os golpistas e como a PEC apresentada pelo ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), atende as demandas do pós 8 de janeiro – a exemplo da “feliz troca” da Força Nacional de Segurança para uma Guarda Nacional; - E explica como os ministros do Supremo avaliam a concentração de processos no gabinete de Alexandre de Moraes: avaliam desmembrar e distribuir os casos aos juízes da vara criminal do DF ou levar a julgamento em plenário.

Ep 896O terremoto na Turquia e na Síria, e os refugiados
Um tremor devastador de magnitude 7,8 deixou milhares de mortos e feridos nos dois países nesta segunda-feira (6). A região mais atingida é a fronteira, onde está concentrado um grande número de refugiados da guerra civil na Síria. A situação é agravada por um inverno rigoroso e pela falta de infraestrutura, destruída depois de mais de uma década de conflito. Para entender como esse terremoto agrava a situação de refugiados, Natuza Nery conversa com Guga Chacra, correspondente da Globo em Nova York e colunista do Jornal O Globo. Neste episódio: - Guga explica que a ajuda humanitária externa deve vir de todos os lados. Pelo lado turco, o governo tem condições de acolher a população afetada. Mas do outro lado da fronteira, o “catastrófico empobrecimento da Síria” deixa milhares sem o cuidado adequado; - Analisa de que modo o presidente turco Recep Tayyip Erdogan pode capitalizar em cima da tragédia, e suas chances de vitória nas eleições que ocorrem neste ano – ele é favorito e tende a “não jogar limpo” com a oposição; - Relembra o histórico da Guerra da Síria, que já levou a mais de 5 milhões de refugiados no mundo, e descreve a situação atual do conflito.

Ep 895ChatGPT: a ferramenta com linguagem humana
Treinado com textos feitos por humanos, o chat criado pela empresa OpenAI foi lançado em novembro de 2022 e atingiu 100 milhões de usuários em apenas 2 meses. "Funciona como uma rede neural artificial treinada por linguagem”, como define o próprio ChatGPT, respondendo a uma pergunta da produção de O Assunto. Para entender como essa inteligência artificial funciona, seus mecanismos e suas deficiências, Natuza Nery conversa com Nina da Hora. Cientista da computação, Nina é pesquisadora e especialista em Inteligência Artificial e Cibersegurança no Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas. Neste episódio: Nina explica o mecanismo por trás do ChatGPT – e como em poucos segundos ele cumpre comandos como “escrever um discurso presidencial como se fosse um rapper” ou “escrever uma mensagem motivacional”; Define que o robô do momento produz “uma colagem de várias informações que ele conseguiu aprender em determinado período e ele compartilha como se fosse algo criado independente do cérebro humano”; Natuza e Nina discutem os riscos de descumprimento de direitos autorais da ferramenta, além da disseminação de informação não verificada e de notícias falsas; E Nina aponta como o setor de Inteligência Artificial tem como desafio desenvolver sistemas de maior impacto social: “a tecnologia precisa estar alinhada com a sociedade", diz. E cita o exemplo de robôs que já conseguem ajudar na identificação de pessoas com mais risco de ter câncer de pele.

Ep 894Guerra na Ucrânia: o reforço de EUA e Alemanha
No momento em que o conflito chega a um novo momento decisivo, Volodymyr Zelensky reassegurou o apoio de seus aliados ocidentais. Diante de mais uma ofensiva russa, Kiev recebe nesta sexta-feira (3) uma cúpula com a presença de líderes europeus, um movimento de “renovação de votos” em favor da Ucrânia. Mais importante ainda é a decisão de Joe Biden e Olaf Scholz de enviar mais tanques e munição para abastecer o exército ucraniano – o que, de acordo com Vladimir Putin, configura interferência externa e pode levar o conflito “a outro nível”. Para contextualizar o momento da guerra, Natuza Nery conversa com Tanguy Baghdadi, professor de relações internacionais da Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal. Neste episódio: - Tanguy explica por que este é um momento de “agora ou nunca” no conflito: com as recentes vitórias russas no leste ucraniano, Moscou pode tomar o controle de novos territórios; - Ele avalia como “muito sério para a imagem ucraniana” o conjunto de denúncias de corrupção no coração do governo de Zelensky; - O professor também comenta a recusa de Lula (PT) em enviar à Ucrânia munições brasileiras. “É uma questão de coerência”, afirma, em relação à longa “tradição de neutralidade em relação a conflitos”.

Ep 893A reeleição de Pacheco e Lira no Congresso
Logo depois de tomar posse neste 2 de fevereiro, parlamentares votaram para eleger os comandantes das duas Casas Legislativas. No Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) conquistou 49 votos e derrotou o ex-ministro bolsonarista Rogério Marinho. Na Câmara, Arthur Lira (PP) bateu um recorde e recebeu 464 dos 513 votos possíveis. Mantidos em suas cadeiras, ambos fizeram discursos exaltando a democracia, marcando a reação aos atos terroristas de 8 de janeiro. Nesta conversa, gravada na antessala do gabinete de Arthur Lira, Natuza Nery recebe Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Neste episódio: - Bernardo explica como Pacheco e Lira – que enfrentaram disputas em contextos diferentes – mandaram “recados” ao STF em seus discursos pós-vitória; - Diz que a vitória de Pacheco é uma boa notícia para o Planalto, que nos últimos dias estava “assustado com a hipótese de virada” de Rogério Marinho, para quem Bolsonaro fez campanha: “uma virada criaria um problema enorme para a governabilidade”; - Avalia como a eleição do Senado era importante para a defesa da democracia, já que “[Rogério] Marinho era a grande aposta do bolsonarismo para se reagrupar depois do 8 de janeiro”, e lembra como o ex-presidente Bolsonaro fez campanha para seu ex-ministro; - E analisa o que a vitória superlativa de Lira significa para o futuro do governo Lula: “Lira sai mais forte do que estava na véspera”, mas pondera que é preciso "ver se esse acordo vai valer para os próximos dois anos”.

Ep 892Como acabar com o garimpo na Terra Yanomami
Datam da década de 1980 os primeiros sinais da presença de garimpeiros ilegais na região onde historicamente vive a etnia. Quando o então presidente Fernando Collor assinou a demarcação da Terra Indígena, em novembro de 1991, estima-se que o garimpo tivesse cerca de 40 mil pessoas em atividade. Aquele foi o início de um bem-sucedido processo de desintrução: liderada pela Funai e pela Polícia Federal, a operação Selva Livre expulsou os garimpeiros e desobstruiu os rios que abastecem as aldeias com água e peixes. O presidente da Funai à época era Sydney Possuelo, um dos principais indigenistas do país - ele relata a Natuza Nery as ações que liberaram o território da atividade criminosa. Natuza conversa também com a jornalista Sônia Bridi, que acompanhou in loco a comitiva do governo que decretou estado de emergência para levar comida e resgatar indígenas doentes. Neste episódio: - Sônia recorda o que viu ao ir à região do garimpo em terras Yanomami: cenário de destruição, pessoas com fome, crianças muito abaixo do peso, muitos contaminados com malária. “E os relatos mais horríveis que você pode imaginar”, reforça; - Ela também conta a história por trás da imagem na qual está segurando um bebê no colo – uma ação de emergência para evitar que as crianças morressem; - Sydney compara a situação do garimpo ilegal de 1992 e a de agora. E conta como agiu a operação Selva Livre: fechamento do espaço aéreo e dos rios, ação de tropa em campo e corte no abastecimento de alimentação e combustível dos garimpeiros. “Não vejo maiores problemas em fazer isso”; - O indigenista pondera que, embora o contingente atual de garimpeiros seja metade daquele enfrentado em 92, eles são “mais eficazes na destruição ambiental”. Ele também questiona sobre a presença do crime organizado e do narcotráfico na região; - E conclui, sobre a urgência da interferência das Forças Armadas em prol dos yanomamis: “Se a gente fala em guerra, uma guerra não avisa quando chega. Basta uma ação rápida”.

Ep 891Reeleição em jogo na Câmara e no Senado
Nos bastidores do Congresso, dois cenários distintos definem o clima da véspera de eleição para a presidência das casas. Na Câmara, Arthur Lira (PP) tem a expectativa de chegar a quase 500 votos a favor de sua reeleição – um bloco muito heterogêneo que vai de PT a PL. No Senado, Rodrigo Pacheco (PSD) segue favorito a mais um mandato, mas o bolsonarista Rogério Marinho (PL) avança na construção de uma candidatura competitiva. Para explicar e desvendar o que deve acontecer nesta quarta-feira (1º), Natuza Nery recebe o jornalista Paulo Celso Pereira, editor-executivo do jornal O Globo. Neste episódio: - Paulo Celso explica por que a eleição dos presidentes das casas legislativas “é fundamental para definir o andamento do governo Lula”; - Ele recorda os “traumas do PT” nas eleições da Câmara em 2005 e 2015 e diz por que isso foi importante no apoio imediato do partido a Lira – e como o Centrão deve tirar proveito da situação; - E descreve as diferenças entre o espírito “ideológico” do Senado em contraste com o “fisiológico” da Câmara - o que significa, para o governo petista, a necessidade de garantir a vitória de Pacheco para evitar a oposição sistemática da casa; - O jornalista conclui que, uma vez que o Congresso eleito é “bastante conservador”, será difícil para Lula aprovar uma agenda progressista, embora tenha apoio quase consensual nas pautas reformistas.

Ep 890Relacionamento abusivo – os sinais e as saídas
Um alerta ao vivo para milhões de brasileiros chamou a atenção para um relacionamento dentro do BBB. O apresentador Tadeu Schimidt falou sobre “limites gravemente ultrapassados” dentro de uma relação - limites esses que milhões de mulheres sentem rompidos diariamente, vítimas de violência de gênero, seja ela psicológica, patrimonial ou física. Para falar sobre o funcionamento dos ciclos de abuso e alertar sobre seus sinais, Natuza Nery recebe a psicóloga e psicanalista Natalia Marques, mestre em psicologia da saúde. Neste episódio: - Natalia define o que é um relacionamento abusivo, explica que vai muito além de eventos de agressões físicas, e informa que sinais podem indicar uma relação inadequada: “A manipulação pode ser sutil”; - Ela afirma que “não há um perfil traçado” para identificar o agressor. Destaca também que qualquer mulher, independentemente do nível de educação formal ou renda, pode ser submetida à violência de gênero; - A psicóloga descreve as ações mais adequadas para conseguir sair de um relacionamento abusivo: “A relação não acaba no momento em que termina”.

Ep 889Caso Daniel Alves e o protocolo pós-abuso
Acusado de cometer estupro contra uma jovem de 23 anos dentro de uma boate em Barcelona, o atleta brasileiro completa uma semana de detenção. A Justiça espanhola agiu rápido para coletar provas e testemunhos sobre o caso – resultado de uma lei recém aplicada no país, que prevê atendimento imediato às vítimas de abuso sexual. Natuza Nery conversa com a jornalista Renata Mendonça, comentarista do Sportv que acompanha o caso Daniel Alves desde o início, e com a advogada Marina Ganzarolli, presidente do Me Too Brasil, iniciativa de enfrentamento à violência sexual. Neste episódio: - Renata recorda o que aconteceu imediatamente após o suposto estupro: “A vítima foi acolhida dentro da boate e foi levada a um hospital”; - A jornalista fala também sobre como o futebol é um ambiente tomado pela “cultura naturalizada do estupro” e conta episódios de assédio que viu ao longo da carreira; - Marina explica por que este caso teve uma resposta tão rápida da justiça: depois do caso “La Manada”, que chocou a Espanha, foram instituídas a campanha e a lei “Solo sí es sí”, de proteção sexual à mulher; - Ela compara as medidas de proteção à mulher no Brasil e na Espanha, e cita as leis do Minuto Seguinte e de Importunação Sexual: “O que nos falta é garantir que o protocolo que já existe seja aplicado”.

Ep 888Moeda comum e a relação Brasil-Argentina
Em seu primeiro discurso como presidente eleito, Lula (PT) revelou que a América Latina seria a prioridade nas relações internacionais durante seu terceiro mandato. Empossado, sua primeira viagem internacional foi à Argentina – seguida imediatamente pelo Uruguai – onde reforçou o compromisso com o Mercosul e apresentou um projeto conjunto com o governo da Casa Rosada para estudar a viabilidade de uma nova moeda, dedicada às transações bilaterais entre os dois países. Para explicar o que isso significa, Natuza Nery conversa com a economista Monica de Bolle, professora e pesquisadora de estudos latino-americanos e mercados emergentes da Universidade Johns Hopkins. Neste episódio: - Monica descreve as funcionalidades de uma moeda regular (como o Real e o Peso), e o que as difere do projeto de moeda que seria usada para transações comerciais; - Analisa o papel de liderança que o Brasil quer assumir na construção de um grande bloco comercial na América Latina: “Para nos inserirmos nos debates e negociações internacionais, precisamos ter coesão regional”; - Avalia a função do dólar como principal moeda da economia global, e diz por que ganha corpo a avaliação de que ele “não deve ter a escala que tem”.

Ep 887Yanomami: genocídio e outros crimes
Não começou em 2018, com a eleição à Presidência da República, a saga de Jair Bolsonaro (PL) pró-garimpo em terras indígenas. No ano de 1998, em pronunciamento na Câmara dos Deputados, onde era parlamentar, sugeriu “dizimar” os povos indígenas. Duas décadas depois, instalado no Palácio do Planalto, Bolsonaro liderou o desmonte das políticas públicas dedicadas a esta parcela da população brasileira e instigou a proliferação de garimpeiros ilegais em terras demarcadas. No centro do ataque está a maior delas, a Terra Indígena Yanomami, onde centenas sofrem com malária e desnutrição - tragédia humanitária que pode incriminar o ex-presidente por genocídio. Para explicar as ações e omissões do Governo Federal no caso da etnia Yanomami, Natuza Nery conversa com a advogada Juliana de Paula Batista, assessora jurídica do Instituto Socioambiental, e Eloísa Machado, professora de direito constituição na FGV-SP e uma das advogadas que atuam na denúncia contra Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional. Neste episódio: - Juliana lista as decisões da Justiça que obrigavam o Governo Federal a empregar medidas de proteção aos yanomamis: “Nada, ou quase nada, foi feito”, resume; - Ela descreve as responsabilidades do Ministério da Justiça, do Ministério do Meio Ambiente e do Exército na série de malfeitos que resultou na “explosão de garimpos” e suas consequências na saúde pública indígena; - Eloísa relaciona a “política anti-indígena” adotada na gestão Bolsonaro às denúncias de genocídio: “Tudo isso junto mostra intenção de destruir esse grupo”; - Ela explica a quais indiciamentos o ex-presidente pode responder no Tribunal Penal Internacional e o recente inquérito pedido pelo ministro da Justiça, Flávio Dino, à Polícia Federal.

Ep 886Yanomami: a emergência de saúde
Entre 2019 e 2022, durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL), pelo menos 570 crianças yanomami morreram de causas evitáveis — um aumento de quase 30% em relação aos 4 anos anteriores. Uma crise humanitária que envolve garimpo ilegal, desnutrição, epidemia de malária, falta de remédios e ausência total do Estado. Para dimensionar as perdas humanas e explicar a sucessão de decisões política que configura aquilo que o ministro da Justiça, Flávio Dino, afirma ser “forte materialidade de genocídio”, Natuza Nery conversa com André Siqueira, médico da Fundação Oswaldo Cruz e enviado do Ministério da Saúde à região, e Dario Kopenawa, vice-presidente da Associação Hutukara Yanomami. Neste episódio: - André relata as “condições angustiantes e bastante graves” as quais os indígenas estavam submetidos quando chegou à Terra Indígena: “É comovente, é uma dor coletiva”; - O médico aponta os fatores que contribuíram para a emergência sanitária: faltou suporte dos órgãos de Estado no diagnóstico de doenças e na assistência nutricional; - Dario acusa o governo Bolsonaro de ser aliado de empresários do garimpo ilegal e de saber desde o primeiro ano de mandato da situação do povo Yanomami: “Ele não tinha interesse em cumprir o seu papel como presidente da República”; - Sobre as trágicas imagens de crianças e idosos subnutridos que correram o mundo, o líder indígena explica por que na cultura de seu povo é proibido tirar fotos de quem está doente: “A fotografia também pega a alma da pessoa”.

Ep 885Militares na política: o intervencionismo
Durante cerca de dois meses, grupos golpistas se concentraram em frente a quartéis do Exército pelo país clamando por intervenção verde-oliva – o que, de acordo com a Constituição Federal, é crime. Não houve qualquer repressão. Pelo contrário, os grupos foram protegidos pelos oficiais militares, inclusive durante o ataque terrorista contra os prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro. O ministro da Defesa, José Múcio, balançou no cargo e o presidente Lula (PT) prometeu punição “não importa a patente”. Depois que a temperatura subiu entre o Alto Comando e o governo federal, uma reunião na última sexta-feira (20) aparentemente apagou o incêndio. Para entender esse cenário de alta instabilidade, Natuza Nery recebe o antropólogo Piero Leirner, professor titular da Universidade Federal de São Carlos, que pesquisa as Forças Armadas há mais de três décadas. Neste episódio: - Leirner esclarece que muitos daqueles que acamparam em quartéis integram a “Família Militar” e agem sob o “controle coletivo da instituição”; - Ele recorda que a construção da candidatura de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência começou em 2014, “no interior da instituição militar” antes de ganhar densidade e se consolidar; - O antropólogo descreve o modus operandi das Forças Armadas para impor suas “pautas corporativas” a outras instituições de Estado: “além da politização da caserna, é uma militarização da política”; - Por fim, ele diz acreditar que, entre governo e militares, “a reconciliação já está feita” - e explica os porquês.

Ep 884Americanas: o escândalo contábil
Surpresa e incredulidade tomaram o mercado assim que o recém-empossado presidente da gigante varejista anunciou “inconsistências contábeis” da ordem de R$ 20 bilhões. Seria o maior tombo já registrado pela empresa que nasceu como uma lojinha de rua em Niterói, em 1929, e convertida em uma companhia com mais de 40 mil funcionários, sob o controle acionário da 3G Capital, dos bilionários brasileiros Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. Ficaria ainda pior: a dívida revisada chega aos R$ 43 bilhões e a Americanas agora está em recuperação judicial. Neste episódio, Natuza Nery entrevista a jornalista Mariana Barbosa, editora da coluna “Capital” do jornal O Globo. - Mariana descreve a prática irregular na contabilidade da empresa que configurou a “fraude” que elevou a dívida de R$ 8 bilhões para mais de R$ 40 bilhões; - Explica o que é uma recuperação judicial e quais as consequências para a Americanas e para os fornecedores – e o que significa a forte reação do banco BTG Pactual; - E aponta os possíveis próximos capítulos: perda para pequenos investidores, venda de ativos de alto valor e muitas demissões.

Ep 883Natuza Nery entrevista Lula
Na manhã desta quarta-feira (18), o presidente Lula (PT) recebeu Natuza Nery e a equipe da GloboNews no Palácio do Planalto e concedeu sua primeira entrevista exclusiva desde que assumiu a Presidência da República pela terceira vez. Lula falou sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, a relação do Executivo com as Forças Armadas, o agrupamento internacional de forças para frear a extrema-direita, as negociações com o novo Congresso eleito e as prioridades do Orçamento federal. Neste episódio especial de O Assunto: - O presidente recorda como foi informado sobre os ataques aos Três Poderes em Brasília e o passo a passo da reação: “Fiquei com a impressão de que era o começo de um golpe de Estado”; - Recusa o tom de “caça às bruxas” contra as forças de segurança, mas diz ter “mágoa” da negligência: “Minha inteligência não existiu”. O presidente, agora, promete punição; - Conta que chamou os comandantes das Forças Armadas para uma conversa e fala sobre “despolitizar” as corporações militares; - Lista as lideranças globais com quem já falou sobre a necessidade de formar uma “unidade” para barrar o “ressurgimento do nazismo e do fascismo”; - Destaca suas discordâncias em relação ao teto de gastos e à independência do Banco Central, mas reforça seu compromisso com a agenda fiscal: “É preciso que haja uma contrapartida social. Nós queremos uma sociedade de classe média”; - Reforça a necessidade de realizar a reforma tributária com a promessa de campanha de isentar salários de até R$ 5 mil no Imposto de Renda. E diz estar otimista em formar maioria no Congresso para aprovar a proposta.

Ep 8828 de janeiro – a preocupação internacional
Dois anos depois do ataque ao Capitólio, nos EUA, o mundo voltou a ver um ato de terrorismo contra os poderes constituídos de uma democracia. Dessa vez, o palco do movimento de extrema-direita foi Brasília, e o Brasil entrou no centro da pauta de lideranças globais e de instituições multilaterais – que, unânimes, condenaram os atos de golpismo e reforçaram apoio à democracia brasileira. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o analista político Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV-SP e colunista do Estadão. - Oliver diz que, à luz dos ataques ao Capitólio e aos três Poderes em Brasília, analistas internacionais observam o risco de “uma onda de vandalismo contra parlamentos” nas principais democracias do mundo; - O analista político explica por que o “medo do contágio global” da erosão democrática coloca o Brasil em evidência e destaca a importância de uma “punição exemplar, rápida e visível” aos olhos da comunidade internacional; - Ele também destaca como “o apoio internacional à democracia” foi fundamental para pautar a atuação das Forças Armadas na crise do golpismo de 8 de janeiro.

Ep 881A farra do cartão corporativo
A queda do sigilo nos dados do cartão corporativo da Presidência da República durante os 4 anos de mandato de Jair Bolsonaro (PL) escancarou um gasto superior a R$ 27 milhões. Na fatura revelada pelo Planalto estão despesas superlativas em hospedagem de luxo (R$ 13,6 milhões ao todo) e na compra de marmitas (R$ 109 mil pagos a apenas uma lanchonete em Boa Vista, Roraima) e de sorvetes (mais de R$ 8 mil em um único dia). Para explicar as funções e as responsabilidades no uso do cartão corporativo, Natuza Nery conversa com Leopoldo Ribeiro, professor de orçamento e finanças públicas da Escola de Políticas Públicas e Governo da FGV-Brasília, e com o jornalista Luiz Fernando Toledo, cofundador da agência independente de jornalismo de dados Fiquem Sabendo. Neste episódio: - Leopoldo recorda a criação do dispositivo em 2002 e seu objetivo de dar “mais flexibilidade, agilidade e eficiência à administração pública”; - Ele detalha também a quais agentes da máquina pública é permitido o uso do cartão e sob quais regras: “o mais importante é que seja transparente”, diz; - Luiz Fernando explica por que a lei permite que todas as informações que ponham em risco a segurança do presidente - por exemplo, os gastos com hospedagem e alimentação - fiquem em sigilo durante todo o mandato; - O jornalista demonstra surpresa diante da discrepância nos números divulgados pelo governo federal e pelo Portal da Transparência: “são gastos só do presidente? Ainda não sabemos”.

Ep 880A defesa da democracia na prática
Os últimos meses registram o crescimento da onda golpista em reação ao resultado das urnas em outubro de 2022. A reação democrática se deu em manifestações de ruas, no discurso de autoridades e nas centenas de cartas e notas publicadas por instituições de Estado e da sociedade civil. Na agenda oficial, somam-se ações do Legislativo, do Judiciário e dos ministérios recém-empossados pelo novo governo federal. Para avaliar o que efetivamente pode ser feito nos próximos anos pelos Poderes em favor da ordem democrática, Natuza Nery entrevista Beto Vasconcelos, ex-secretário nacional de Justiça e professor no Insper no curso de Governança e Compliance. Neste episódio: - Beto avalia os riscos e cuidados associados à reformulação da legislação sobre terrorismo, assim como de uma procuradoria recém-criada pela Advocacia Geral da União e que foi alvo de críticas; - Analisa o papel que uma Comissão Parlamentar de Inquérito pode desempenhar na investigação dos atos criminosos do dia 8 de janeiro, somada a outras iniciativas como uma nova Comissão Nacional da Verdade; - Pondera os desequilíbrios que levaram ao protagonismo do Judiciário nos últimos anos desta missão.