
O Assunto
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Ep 1002Deflação: queda nos preços e o futuro da inflação
Pela primeira vez no ano, o IPCA fechou um mês no negativo. Junho registrou queda de 0,08% na média geral de preços, puxado, principalmente, pelo comportamento dos alimentos (um recuo de 4% no consolidado de 12 meses) e dos transportes (devido à redução dos combustíveis). Resultado que tem impactos no acesso à alimentação para as famílias de baixa renda e também na autoridade monetária, mais pressionada para reduzir a taxa de juros. Para explicar as consequências da deflação na economia brasileira, Natuza Nery entrevista o economista André Braz, coordenador do núcleo dos preços ao consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV-RJ. Neste episódio: - André avalia que a tendência da inflação é acelerar, mas destaca uma “boa notícia”: “A alimentação deve seguir com variação próxima de zero ou até negativa”. Isso porque o momento é de “trégua” em relação aos impactos inflacionários dos últimos anos, como pandemia e guerra na Ucrânia - ainda que as safras de alimentos estejam sob o risco do fenômeno El Niño; - Ele projeta os efeitos do retorno integral dos tributos federais sobre os combustíveis na formação de preço geral da economia e analisa a fase atual na curva da inflação à luz do acumulado dos últimos 12 meses: “A renúncia fiscal do segundo semestre do ano passado rendeu forte queda de inflação”, afirma, sobre o pacote de medidas assumido pelo governo anterior nas vésperas da eleição; - O economista comenta a manutenção da taxa Selic no atual patamar de 13,75%, levando em consideração os ainda elevados preços do setor de serviços. “Apesar de números distantes da meta, o processo de redução da inflação está acontecendo, mas lentamente”, avalia. “Caberia corte de juros na próxima reunião [do Copom]? Caberia, talvez de 0,25, que é o consenso de mercado”.

Ep 1001Autismo: desafios do diagnóstico e da inclusão
Cada vez mais pessoas vêm identificando que determinados comportamentos e experiências estão relacionadas a uma condição mais ampla, o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Um levantamento realizado nos Estados Unidos demonstra o salto no número de diagnósticos: há 20 anos, havia 1 caso de autismo a cada 150 crianças; agora, identifica-se 1 caso a cada 36 crianças. No Brasil, o contingente identificado no TEA já passa de 2 milhões. E se, por um lado, a descoberta do diagnóstico avança, por outro, ainda falta muito para que toda essa população esteja devidamente integrada – pelo menos 85% dos autistas ainda não são absorvidos pelo mercado de trabalho. Para explicar tudo que está relacionado ao espectro autista, Natuza Nery conversa com o quadrinista Fúlvio Pacheco, autor dos livros Relatos Azuis e Relatos Autistas e coordenador da Gibiteca de Curitiba e do núcleo paranaense da Associação Abraça de Pessoas Autistas, e com Joana Portolese, neuropsicóloga e coordenadora do programa de diagnóstico do TEA do Hospital das Clínicas, na USP. Neste episódio: - Fúlvio conta como a notícia do diagnóstico foi um “divisor de águas” em sua vida. Uma investigação que começou depois do nascimento de seu filho mais novo, Murilo, diagnosticado ainda na primeira infância: “Quando ele começou a fazer as terapias, eu comecei a me ver, lembrando de quando tinha a idade dele. E não só eu, mas meu pai e meu irmão também têm algum grau de autismo”, afirma; - Ele também relata os episódios de discriminação que sofreu com Murilo, cujo grau no TEA baixou de 3 (severo) para 2 (moderado): “A criança autista às vezes tem colapsos, e as pessoas olham, criticam e teve até um caso em que uma senhora deu um tapa nele”. E, diante de um contexto no qual a aceitação aos autistas ainda é um desafio, ele advoga em prol das cotas. “No mercado de trabalho, uma pessoa autista pode ser até mais interessante do que uma pessoa neuro típica”, conclui; - Joana descreve as características do espectro autista, as diferenças entre os três graus da condição: que pode variar entre uma vida completamente funcional e capacidade cognitiva muito elevada até uma situação de não-verbalidade e alta dificuldade de viver autonomamente. “No nível leve, é comum que as pessoas tenham o diagnóstico mais tardio, e esse é um momento de autoconhecimento e liberação”, afirma; - Ela apresenta as hipóteses do crescimento no número de crianças diagnosticadas com autismo nos últimos anos. Uma delas se relaciona à “qualificação dos profissionais, ao número de pesquisas feitas e o acesso dos pais a mais informação” - elementos que levam também à possibilidade de identificar a condição na infância. “Quanto mais precoce a descoberta, melhor o desenvolvimento”, resume.

Ep 1000AO VIVO – Endividamento, e como sair dele
No dia em que o podcast O Assunto chega ao episódio 1.000, Natuza Nery conversou ao vivo com Myrian Lund, planejadora financeira e professora de finanças na FGV do Rio de Janeiro. Com mais de 78% das famílias brasileiras endividadas, a especialista responde perguntas enviadas pela audiência e dá dicas sobre como lidar com dívidas que se arrastam e com aquelas que ainda vão vencer. Neste episódio: - Myrian explica como compras picadas podem levar ao descontrole no longo prazo. "Quando a gente tá muito endividado, acaba comprando por compensação, e o barato sai caro"; - A analista explica quais são os tipos de conta que vale a pena parcelar. No Brasil, há mais cartões de crédito do que pessoas, e a maior parte das famílias tem dívidas atreladas ao cartão. "Cartão de crédito você deve ter um só", destaca; - A planejadora também explica por onde começar a se organizar financeiramente. "O primeiro passo é relacionar receitas e despesas." Segundo Myrian, saber o que se tem para gastar todo mês é essencial para não perder controle do dinheiro.

Ep 999ESPECIAL: Natuza Nery entrevista Fernando Haddad
Nesta segunda-feira (10), na semana em que o podcast O Assunto comemora 1000 episódios, Natuza Nery entrevistou ao vivo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele fala sobre a relação com o PT e a pressão externa, além da articulação política no Congresso e as negociações com os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP) e Rodrigo Pacheco (PSD). Também fala sobre a reforma tributária, investimentos no Brasil, as eleições e os bastidores da foto com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para o ministro, a grande marca do terceiro mandato de Lula pode ser a transição ecológica, e o Ministério da Fazenda está fazendo planos para que isso aconteça. - Haddad diz que, nos últimos meses, tanto o "fogo amigo" como o "inimigo" diminuíram. “O amigo e o inimigo. O fogo diminuiu. Eu tô me sentindo menos na frigideira do que eu estava três meses atrás." Ele afirma que, depois de 23 anos de vida pública, está acostumado com os altos e baixos, e vê com naturalidade as discordâncias dentro do PT: "O meu partido tá cheio de gente de opinião, que pensa diferente, que estudou outra coisa. Eu não deixo também de conversar com o PT, de ir às reuniões da executiva, de explicar o que eu tô fazendo". - Sobre a relação com Lira, Haddad afirma que ela significa a "volta da política com P maiúsculo". O ministro conta que, desde o início da transição, tentou garantir que o processo fosse feito da maneira mais harmônica possível, surpreendendo inclusive a pessoas com quem nunca tinha tido contato. “Eu nunca desrespeitei a institucionalidade da Câmara e do Senado. Eu negociei a PEC da transição, e foi quando conheci o Lira." - O ministro confirma que se reunirá com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), nesta terça-feira (11), para discutir a reforma tributária e a tramitação do projeto no Senado, depois da aprovação do texto na Câmara dos Deputados na última semana. “Nós temos que concluir a tramitação da PEC no Senado, mas nós não vamos aguardar o final da tramitação para mandar para o Senado a segunda fase da reforma”, explica. - O ministro afirma que, depois de uma "década trágica" na economia, a expectativa é de um novo ciclo de crescimento. "De 2013 a 2022, foram 10 anos que vão marcar a nossa história e são anos que vão ensejar muitos estudos para saber o que de fato aconteceu. Espero que essa década tenha ficado para trás e que 2023 inaugure um novo ciclo."

Ep 999CONVITE: Natuza Nery entrevista Fernando Haddad
O Assunto vai ter um episódio especial, transmitido ao vivo direto de Brasília, nesta segunda-feira (10), a partir das 11h. Natuza Nery entrevista Fernando Haddad, ministro da Fazenda. O episódio vai ficar disponível, na íntegra, no g1 e nas plataformas de áudio. E na semana em que o podcast completa 1.000 episódios, O Assunto vai passar ter cortes, em vídeo, publicados no g1 e nas redes sociais.

Ep 998Adeus a Zé Celso, o revolucionário do teatro
Nesta quinta-feira (6), a dramaturgia brasileira perdeu um de seus mais importantes nomes. José Celso Martinez Corrêa morreu depois de um incêndio em seu apartamento em São Paulo, onde vivia com o marido, o ator Marcelo Drummond – com quem mantinha um relacionamento de quase 40 anos, cujo último ato foi a cerimônia de casamento um mês atrás. No Teatro Oficina, fundado em 1958, Zé Celso escreveu, adaptou e dirigiu peças que entraram para a história da cultura brasileira e que formaram artistas ao longo de seis décadas. Para dimensionar o tamanho da história e da contribuição do artista ao Brasil, Natuza Nery ouve Pascoal da Conceição, ator, diretor e produtor cultural que começou a carreira no Teatro Oficina e que era amigo íntimo de Zé Celso. Neste episódio: - Pascoal conta quais eram os planos profissionais do dramaturgo: a adaptação do livro "A Queda do Céu", com pensamentos do xamã yanomami Davi Kopenawa, para uma peça que seria exibida em comunhão com a natureza no parque do Teatro Oficina. “Ele anunciou que este seria o trabalho mais importante da vida dele”, relata; - O ator comenta as qualidades de Zé Celso como diretor de teatro: “Ele faz trabalhos coletivos e tem a capacidade de catalisar o trabalho de muita gente”. E recorda como as atuações que fez na TV como Dr. Abobrinha, do Castelo Ra-Tim-Bum, e no teatro com Hamlet tiveram influência de sua direção. “Ele falava que não existe atuação no particular, ela é sempre pública”, lembra; - Ele também detalha a história do Teatro Oficina, alvo de censura e perseguições pela repressão da ditadura militar: atores e atrizes foram agredidos e houve até um incêndio criminoso. E, mais recentemente, a tentativa do dramaturgo em comprar o terreno – que está em disputa judicial com o Grupo Silvio Santos. “Ele foi até o Banco Central e disse: que economia você quer pro Brasil, a dos que fazem teatro ou carnê?”, conta; - Por fim, Pascoal recupera a ideia de Zé Celso que “não somos drama, somos tragédia” para explicar sua morte. E justifica porque ele tinha o apelido de ‘fênix’. “É obrigado a levantar e sair à luta, sair pra vida”, conclui.

Ep 997A ofensiva histórica de Israel na Cisjordânia
O saldo da maior operação militar israelense em duas décadas, na região de Jenin, foi de 12 mortos, dezenas de feridos e uma retaliação violenta de um integrante do grupo radical Hamas em Tel Aviv. O novo e sangrento capítulo da tensão histórica foi engatilhado quando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou a construção de novos assentamentos em território reivindicado pela Autoridade Palestina. Para explicar o cenário do conflito, Natuza Nery recebe Guga Chacra, comentarista da Globo e da GloboNews em Nova York e colunista do jornal O Globo. Neste episódio: - Guga descreve o que é a Cisjordânia, a composição de sua população e como seu território está dividido atualmente: Israel controla 60% e é responsável pela administração e controle militar; e apenas 18%, separados em agrupamentos “ilhados”, está completamente sob domínio palestino. “Isso inviabiliza completamente a possibilidade de um Estado palestino ali”, afirma; - Ele explica como o governo de Netanyahu se aliou aos setores da extrema-direita e se tornou o “mais radical de todos os tempos” em Israel. E como, do outro lado, a liderança da Autoridade Palestina é “incompetente e enfraquecida” e vê partes do território submetidas ao Hamas; - O jornalista avalia quais são as perspectivas reais para a resolução do conflito. “Sou do grupo dos céticos”, afirma. Para ele, na prática, há dois caminhos: a manutenção do status quo ou a criação de um Estado palestino. “Israel já decidiu que quer o status quo, mas pros palestinos é uma situação insustentável”, conclui;

Ep 996A diferença de salário entre homens e mulheres
A legislação trabalhista determina igualdade de condições e remuneração independentemente do gênero, mas a realidade aponta que mulheres ainda recebem, em média, salários 30% menores que os homens na mesma função. Agora, a nova lei para paridade de gênero, sancionada pelo presidente Lula (PT) na segunda-feira (3), estabelece critérios objetivos a serem cumpridos pelas empresas e até o pagamento de multa equivalente a 10 vezes o salário da profissional discriminada. Para explicar a nova regra e propor soluções para o problema ainda mais complexo das condições de trabalho e carreira de mulheres, Natuza Nery conversa com a procuradora Danielle Olivares, vice coordenadora nacional de promoção de igualdade de oportunidades do Ministério Público do Trabalho, e Carmen Migueles, professora e pesquisadora da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da FGV-RJ. Neste episódio: - Danielle detalha as regras da nova lei: das obrigações das empresas à aplicação de penalidades e multas. “Ela traz possibilidade efetiva de corrigir as distorções entre a remuneração de homens e mulheres”, afirma; - Ela avalia que a nova lei trará benefícios ao exigir das empresas plano de ação do porquê da distorção salarial de gênero e da discrepância entre homens e mulheres nos cargos de gerência e diretoria. “É um grande passo no combate à discriminação”, resume; - Carmen informa que a massa salarial feminina é, em média, 30% menor do que a masculina. Entre as causas estão a “difícil questão da preferência das mulheres por empregos menos remunerados” e a “dupla jornada” de trabalho remunerado e de cuidado doméstico - que atingem a todas as classes sociais: “De um lado, mulheres desistem de se candidatar a cargos de diretoria; de outro, aceitam empregos de baixa remuneração”; - Ela aponta a “correlação direta entre a falta de suporte para a mãe que trabalha e a pobreza no Brasil e no mundo”. Para reverter isso, sugere a criação de creches 24 horas para crianças e idosos e de “redes de fraternidade feminina”.

Ep 995Reforma tributária – como ela afeta sua vida
O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PL-AL), iniciou a semana com a promessa de pautar até sexta-feira (7) a votação em plenário da mais aguardada reforma do sistema econômico brasileiro. O texto negociado entre o Ministério da Fazenda, sob comando de Fernando Haddad (PT), e o grupo de Lira na Câmara, tem como principal objetivo a simplificação do sistema de impostos pela via da criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Para explicar o novo modelo e esclarecer quem é contra e quem é a favor, Natuza Nery conversa com Manoel Ventura, repórter do jornal O Globo, em Brasília. Neste episódio: - Manoel conta por que o andamento da reforma na Câmara “ganhou tração” nos últimos meses: a busca por protagonismo de Lira e o empenho dos ministros da Fazenda e do Planejamento pela pauta. “É uma reforma muito importante para reduzir a complexidade do sistema tributário brasileiro, e possibilitar atração de investimentos”, afirma; - O jornalista descreve de que modo o IVA deve ser aplicado: será dividido em dois, um federal e outro estadual. “A peculiaridade é que a alíquota deve ser a mesma [para todos os estados; hoje, cada um aplica a sua de modo independente]”, afirma – a mudança desagrada governadores; - Ele exemplifica com os casos do bombom, perfume e sorvete as distorções do sistema tributário brasileiro – resultado de lobby setorial e de estratégias do governo para incentivo de determinados produtos. No texto da reforma, sabe-se que “serviços de educação e saúde terão alíquotas 50% menores que a alíquota geral”; - Manoel esclarece a introdução do ‘cashback’ para os consumidores de baixa renda e dependentes de programas sociais, como o Bolsa Família: “Assim, focaliza-se a política pública”.

Ep 994O Brasil na Copa e o futuro do futebol feminino
Nesta segunda-feira (3), a seleção que vai representar o país na Copa do Mundo embarca rumo ao mundial. Entre os dias 20 de julho e 20 de agosto, as 23 escolhidas de Pia Sundhage, técnica da seleção, disputarão a Copa na Austrália e na Nova Zelândia: um plantel com número recorde de novatas e que tem também a maior artilheira da história do torneio, a “Rainha” Marta. Para analisar as chances do Brasil na Copa e contextualizar o momento do futebol feminino no país, Natuza Nery conversa com Renata Mendonça, comentarista de futebol da Globo. Neste episódio: - Renata avalia as condições reais da seleção no mundial. O Brasil hoje ocupa a 8ª colocação no ranking da Fifa e vê as equipes dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Alemanha e da Suécia à frente. Ela diz, no entanto, que “dá para nos animarmos” com um bom resultado; - A jornalista analisa a importância de Marta – que está em sua sexta Copa do Mundo – para o desenvolvimento do futebol feminino: “Quando se fala de futebol no Brasil, precisa falar de Pelé. E de futebol feminino, de Marta”, afirma. Para Renata, a participação de Marta no grupo, bastante renovado em relação ao último mundial, “representa a transformação” do esporte; - Renata questiona a resistência de clubes e organizações em relação ao futebol feminino. E acredita que a Copa pode colocar a Seleção, e o esporte, “na vida das pessoas”. “A bola de futebol pode fazer parte da vida de meninos e meninas igualmente. É a mudança real”, conclui.

Ep 993EXTRA: Bolsonaro inelegível e o futuro bolsonarista
Por 5 votos a 2, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral condenaram o ex-presidente pela prática de abuso de poder político e pelo uso indevido de meios de comunicação nas eleições de 2022. Desse modo, Bolsonaro (PL) fica inelegível para qualquer cargo público por 8 anos. No TSE ainda tramitam mais 15 processos contra ele – que avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Para explicar o que acontece agora no campo político bolsonarista e as perspectivas para as próximas eleições, Natuza Nery ouve o cientista político e filósofo Marcos Nobre, professor do departamento de Filosofia da Unicamp, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e autor do livro “Limites da democracia: de junho de 2013 ao governo Bolsonaro”. Neste episódio: - Marcos Nobre avalia que o “bolsonarismo continuará operando porque é, sobretudo, uma organização digital”. Para ele, “o partido digital bolsonarista” deve continuar em atividade latente até as próximas eleições presidenciais, quando buscará “protagonismo político” e “hegemonia sobre a direita e a extrema-direita"; - Ele também aponta o sucesso da união entre este partido digital e o PL, legenda tradicional do Centrão, na eleição de 2022 – e como ela deve se manter. Para Marcos, Bolsonaro vai promover uma “guerrilha subterrânea” nessa aliança para manter sua influência e poder de decisão nas disputas eleitorais; - O analista político pondera que, mesmo com 25% da preferência do eleitorado, será difícil o ex-presidente fazer uma transferência direta de votos. “O bolsonarismo só vai conseguir funcionar ao criar um inimigo, e o inimigo será o governo Lula”, afirma. Mas Bolsonaro será um “grande cabo eleitoral”; - Marcos afirma que Bolsonaro tentará emplacar a imagem de “vítima do sistema” como uma comprovação de que sofre perseguição política e como modo de “reagrupar suas tropas”. “A luta contra o autoritarismo é uma luta de anos e não será resolvida rapidamente agora”, conclui o filósofo.

Ep 992O recorde de 110 milhões de refugiados
No Aeroporto Internacional de Guarulhos, um grupo de 200 afegãos passou dias acampado esperando acolhimento – o Ministério da Justiça resolveu abrigá-los em hotéis provisoriamente. Do outro lado do Oceano Atlântico acumulam-se naufrágios de embarcações com imigrantes da África e do Oriente Médio rumo à Europa – o número de mortos já passa de mil só em 2023. Resultado de guerras, fome, problemas climáticos e perseguições étnicas, religiosas e de identidade. Neste cenário, o mundo registra o maior número de refugiados da história. Para explicar as razões do fluxo inédito de pessoas entre países, Natuza Nery conversa com Luiz Fernando Godinho, porta-voz do Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) para a América do Sul. - Godinho justifica a crescente procura pelo Brasil como destino de refúgio por “sua liderança regional consolidada e sua legislação muito avançada”. “O país tem imagem de aberto e onde pessoas podem encontrar a proteção que necessitam”, afirma; - Ele também comenta o crescimento no número global de refugiados – os principais motivos são guerras, conflitos e perseguições; insegurança alimentar e mudanças climáticas também são relevantes. “Crises que se sobrepõem umas às outras”, diz; - O porta-voz da Acnur analisa as possíveis soluções para garantir segurança jurídica e mesmo física para que as pessoas possam chegar a seus destinos. “Muitas dessas pessoas são vítimas de crimes organizados de tráfico de pessoas”, alerta; - Godinho esclarece que a decisão de deixar um país é uma “situação extrema que ninguém quer passar” e que a maioria das pessoas gostaria de voltar para suas casas. Mas, segundo ele, são necessárias "várias condições para que as pessoas possam retornar”, pondera.

Ep 991Censo: o impacto de a população crescer menos
O Brasil conheceu, depois de 12 anos, a resposta para a pergunta: quantos somos? Depois de ser adiado por dois anos devido à pandemia e a problemas orçamentários, o Censo foi realizado apenas em 2022 – e teve alguns de seus dados divulgados nesta quarta-feira (28) pelo IBGE. A descoberta mais importante é a contagem de habitantes: somos 203 milhões de brasileiros, um número quase 5 milhões abaixo das estimativas. Para explicar o que isso significa e destrinchar os dados disponíveis, Natuza Nery entrevista Suzana Cavenaghi, doutora em demografia pela Universidade do Texas (EUA) e ex-coordenadora, professora e pesquisadora da pós-graduação da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE. Neste episódio: - Suzana chama a atenção para a menor taxa de crescimento populacional em 150 anos: “Daqui a pouco precisamos chamar de [taxa de] variação, porque ela vai ficar até negativa”. E projeta que já na próxima década não só o crescimento vai ser reduzido como a população total irá diminuir. “Vamos ter que ajustar a economia, a educação, o mercado de trabalho e o acesso à saúde”, reforça; - Ela lamenta o “péssimo trabalho” feito pelo país nas últimas décadas de bônus demográfico. E aponta dois motivos: mercado de trabalho incapaz de absorver toda força produtiva e falta de investimento adequado para a educação. “O problema é que se passarmos a ser um país envelhecido antes de dar um salto à renda alta, nunca mais vamos conseguir isso”, afirma; - A demógrafa comenta o baixo índice de resposta ao questionário do IBGE, um fenômeno que se repete em todo o mundo e demonstra a “exaustão das pessoas” em atender pesquisas. “Falta consciência de cidadania”, avalia. “[Responder] ajuda o país a se conhecer e a garantir o bom uso dos recursos públicos”.

Ep 990O agronegócio e o desafio da sustentabilidade
O Plano Safra para o biênio 2023-2024 foi lançado nesta terça-feira (27) e terá o maior valor já investido da história: estão previstos R$ 364 bilhões em créditos rurais para médios e grandes produtores. E além do recorde de recursos financeiros – houve um acréscimo de 27% em relação à última edição – o plano prevê novidades em relação aos critérios ambientais com o objetivo de expandir a agricultura de baixo carbono. Para analisar o status atual da relação entre o agronegócio e as pautas sustentáveis, Natuza Nery entrevista Marcelo Morandi, ex-chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, e Roberto Rodrigues, professor emérito e coordenador do Centro de Agronegócios da FGV-SP e ministro da Agricultura entre 2003 e 2006. Neste episódio: - Marcelo comenta a importância de empregar técnicas sustentáveis para a produção de comida e para garantir a segurança alimentar da população brasileira. Ele afirma que “há conhecimento científico” suficiente para crescer a produção de forma sustentável - e que o Plano Safra pode garantir o crédito para isso; - Ele também destaca quais são as principais tecnologias que garantiram ao Brasil o cumprimento da meta de emissão de carbono no ciclo de 2010 a 2020. Agora, na segunda fase de metas, o país terá que alcançar um objetivo cinco vezes maior: “Está de acordo com as ambições do Brasil nos acordos internacionais”; - Roberto detalha a cadeia produtiva do agronegócio no Brasil e afirma que apenas 2% de todo o desmatamento é feito por agricultores; os 98% restantes são “aventureiros e criminosos”. Mas que, para conquistar os mercados internacionais, é preciso “eliminar todas as ilegalidades” para se sobrepor às barreiras tarifárias ambientais; - O ex-ministro afirma que, ao agro, cabe apenas “trabalhar de acordo com a lei”; a fiscalização cabe exclusivamente ao governo. “Por outro lado, a sociedade como um todo não pode eleger quem não trabalha contra as ilegalidades”, conclui.

Ep 989A rebelião que desafiou o poder de Putin
Desde as primeiras ações da invasão russa na Ucrânia, o exército de Moscou tem o apoio do grupo armado de mercenários Wagner – nome que faz referência ao compositor favorito de Adolf Hitler. Nos últimos dias, o chefe do grupo, Yevgeny Prigozhin, anunciou um motim contra as lideranças militares do Kremlin e prometeu uma campanha em direção a Moscou. A ofensiva do até então aliado de Putin foi interrompida com a promessa do governo russo de anistiar os soltados e lideranças que aderiram ao motim, mas não sem consequências para a imagem de Putin. Para explicar os impactos dessa rebelião na política russa e no conflito contra a Ucrânia, Natuza Nery conversa com Tanguy Baghdadi, professor de Política Internacional na Universidade Veiga de Almeida e fundador do podcast Petit Journal . Neste episódio: - Tanguy descreve quem é Prigozhin, suas relações com o alto poder de Moscou e como ele ascendeu até o comando do Grupo Wagner. “Ele fez parece que invadir a Rússia não era tão difícil assim”, afirma; - O professor comenta a situação atual de Putin diante da opinião pública interna e da comunidade internacional: “Pela primeira vez em mais de 20 anos, Putin parece não ser mais intocável”. Mas aposta que o líder russo não vai “cruzar os braços” e que irá trabalhar para reocupar seu status e “esmagar” os opositores; - Tanguy também analisa como Prigozhin tenta se colocar como um dos mais importantes atores na política russa, mas sem bater de frente com Putin – que tem toda a máquina de Estado a seu favor e é muito popular. “Pela primeira vez, se fala sobre a sucessão de Putin. E Prigozhin sente o cheiro da oportunidade”, conclui.

Ep 988Câncer: a terapia revolucionária que cura
Paulo Pelegrino tem 61 anos, e viveu os últimos 13 sob contínuos tratamentos para se livrar do câncer. Em 2023, conseguiu. Durante 1 mês, Paulo foi submetido a uma terapia experimental que está sendo desenvolvida e aplicada no Brasil pela USP, em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto. Trata-se da CAR-T Cell, tecnologia celular aplicada em alguns pacientes na Europa e nos EUA - lá, o tratamento custa cerca de R$ 2 milhões; aqui, o SUS irá disponibilizá-la gratuitamente assim que for aprovada pela Anvisa. Paulo relata a Natuza Nery o que ele passou nos últimos anos. Participa também o médico Dimas Covas, diretor do Hemocentro de Ribeirão Preto, professor da USP na mesma cidade e coordenador do Centro de Terapia Celular da instituição. Neste episódio: - Paulo conta o que sentiu ao ver as imagens de seus exames antes e depois da terapia: a primeira mostra um corpo tomado por tumores, e a segunda “era como se tivessem passado uma borracha naquilo”. “A ficha não caiu ainda”, celebra; - Para Paulo, o desfecho de sua história é uma “ressureição”. Ele diz se sentir “envaidecido” de ter sido um dos 14 pacientes cobaia deste experimento, realizado gratuitamente pelo SUS e que devolve às pessoas “a crença na ciência e a esperança na cura”; - Dimas Covas explica o que é a terapia CAR-T Cell e descreve seu funcionamento: as células T do paciente são extraídas e, no laboratório, são modificadas geneticamente para perseguirem e atacarem as células cancerígenas. De volta ao corpo, ele afirma, “essas células conseguem em 15 a 20 dias destruírem completamente o tumor”; - Ele anuncia que “o próximo desafio é levar o tratamento aos pacientes do SUS”. Para isso, o primeiro passo é registrar a terapia na Anvisa e, depois, “em um prazo máximo de um ano e alguns meses” poderemos ver este tratamento disponibilizado no SUS. “O CAR-T Cell será a nova fronteira do tratamento de câncer em geral”, conclui.

Ep 987A implosão do submersível rumo ao Titanic
Cerca de 1 hora e 45 minutos depois de submergirem no Oceano Atlântico, os cinco passageiros que desciam ao fundo do mar para ver os destroços da mais famosa embarcação do mundo perderam o contato com a base. Eles estavam dentro da cápsula Titan, com 6,5 metros de altura e 3 metros de largura - uma estrutura modesta controlada por um joystick de videogame. A busca pela embarcação mobilizou equipamentos de vários países e atraiu a atenção do mundo. Na manhã desta quinta-feira (22), chegou-se ao desfecho: o submersível implodiu, e todos os passageiros morreram. Para explicar toda essa história, Natuza Nery conversa com Candice Carvalho, correspondente da Globo que fala direto de Boston, onde a Guarda Costeira americana coordenava as buscas, e com o médico Camilo Saraiva, especialista em medicina do mergulho e diretor médico da Divers Alert Network. Nesse episódio: - Candice relata toda a operação de buscas até a confirmação da implosão do submersível: “Era o que as autoridades temiam desde o início”. Isso porque, a despeito de aspectos amadores de seu padrão de segurança, o Titan tinha sete planos de emergência para salvar os passageiros. “Mas em caso de implosão, não tem o que fazer”; - A jornalista descreve os desafios que as equipes de busca enfrentaram: ondas de 2 metros de altura e ventos fortes em um dos lugares mais inóspitos do Oceano Atlântico, a 600 km da costa canadense; tudo isso numa profundidade de 3.800 metros. “Poucos equipamentos no mundo chegam a uma profundidade tão grande porque a pressão da água é enorme”, afirma; - Camilo explica o que acontece no corpo humano ao ser submetido a diferentes intensidades de pressão em ambiente aquático. “No caso do submarino, a pressão é quase 400 vezes maior que na superfície da praia”, esclarece; - Ele descreve o que provavelmente aconteceu com o equipamento, de acordo com as informações da Guarda Costeira americana: “Ele cedeu à pressão bruscamente e foi implodido pela força da água”, conclui.

Ep 986Bolsonaro julgado no TSE: risco da inelegibilidade
A partir desta quarta-feira (22), o ministro do Tribunal Superior Eleitoral Benedito Gonçalves, relator da ação, iniciará a leitura de seu voto. Ele será o primeiro dos 7 ministros a decidir o futuro político de Bolsonaro, que corre o risco de ficar até 2030 impedido de disputar eleições. O TSE analisa o episódio no qual o ex-presidente convocou embaixadores para, sem provas, denunciar o processo eleitoral brasileiro e questionar a lisura da urna eletrônica. Para explicar o processo judicial e os argumentos de acusação e defesa, Natuza Nery conversa com Fernanda Vivas, produtora da TV Globo em Brasília especialista no Judiciário, e Oscar Vilhena, professor de direito na FGV-SP e autor do livro “Constituição e sua reserva de Justiça”. Neste episódio: - Fernanda descreve o mérito da ação que será analisada pelos ministros do TSE: abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. “Se analisares que a ação procede, Bolsonaro fica inelegível”; - A jornalista também menciona os diversos processos que tramitam no Supremo contra o ex-presidente. “São ações de ordem criminal e foram enviadas às instâncias inferiores, agora que Bolsonaro não tem mais foro privilegiado”, explica - são esses casos que podem até levá-lo à prisão; - Oscar destaca a “peculiaridade” da situação enfrentada por Bolsonaro, que teve processos contra ele represados pela inação da PGR e da Câmara. “Agora esses processos têm o devido procedimento”, afirma; - Ele analisa o funcionamento da justiça eleitoral e sua “jurisprudência robusta” contra abuso de poder econômico e abuso de poder político: “O que não tínhamos era abuso de poder para conspirar contra o próprio processo democrático”. E, caso confirmada a inelegibilidade do ex-presidente, Oscar entende que o tribunal “sinaliza para o futuro que novas conspirações não serão toleradas”.

Ep 985El Niño - como evitar a catástrofe climática
O inverno no hemisfério sul começa nesta quarta-feira (21), e este ano ele será muito mais quente que o normal. Resultado do fenômeno El Niño, que deve alterar profundamente o regime de chuvas e pode elevar a temperatura em até 2,5°C - o que configuraria um raro “Super El Niño”. Para entender as consequências do fenômeno e o que fazer para mitigar seus danos, Natuza Nery entrevista Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e integrante do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU. Neste episódio: - Paulo Artaxo detalha o que é o fenômeno, e como ele impacta as temperaturas e, principalmente, o ciclo hidrológico do planeta. Devido ao aquecimento anormal das águas dos oceanos, informa, este ano deve ter “aquilo que a gente chama de Super El Niño”, com efeito na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos; - O professor detalha o mecanismo de como o El Niño age sobre o território brasileiro: “Ele faz com que massas de ar mais secas cheguem ao Nordeste, e massas de ar com mais umidade cheguem ao Sul”. Assim, haverá menos precipitações na Amazônia e no Cerrado e chuvas torrenciais no Sul, em ambos os casos com “danos socioeconômicos”; - Artaxo destaca “uma das várias vulnerabilidades do Brasil em relação às mudanças climáticas”: uma economia muito dependente de uma única atividade, o agronegócio - setor que terá impacto negativo na produtividade; - O cientista recorda que há mais de 50 anos já se alerta sobre os riscos das mudanças climáticas, “mas os governos não agiram e, hoje, há impactos no mundo todo”. Para remediar isso, ele afirma, é preciso reduzir a emissão de carbono (com foco em zerar desmatamento e reduzir o uso de combustíveis fósseis) e se adaptar ao novo clima, nas cidades e na agricultura.

Ep 984Juros altos e a pressão sobre o Copom
A partir desta terça-feira (20), o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne mais uma vez para decidir a taxa básica de juros. A decisão sai na quarta-feira (21), e a expectativa do mercado é de que ela seja mantida em 13,75%, o maior patamar em 6 anos e meio. O ciclo de queda deve começar somente a partir da reunião de agosto. Diante dos índices positivos no cenário econômico – PIB mais alto que o esperado, e inflação, câmbio e juros futuros em baixa – até mesmo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já ameaça vocalizar contra o Banco Central e o presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Para analisar as pressões e as consequências da Selic nas alturas, Natuza Nery conversa com a economista Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for Internacional Economics. Neste episódio: - Monica ratifica as críticas ao BC e afirma que a instituição “já está atrasada no processo de redução de juros”. E, afirma, não será agora. Por dois motivos: a necessidade de comunicação prévia, via atas do Copom, e o “cenário turvo” que os bancos centrais de todo o mundo enfrentam diante da resistência da inflação nos países desenvolvidos; - Ela explica por que o efeito da redução da Selic só tem efeito na economia pelo menos 6 meses depois. E que a “relutância do BC em reduzir os juros causa perplexidade”, mesmo diante dos desafios do cenário externo e do “embate político” com o Palácio do Planalto; - A economista relata que desde o início do ano as condições de crédito já "eram muito ruins” e pressionam empresas e famílias em direção ao endividamento. “Quanto mais tempo as taxas de juros estiverem altas, menos capacidade de pagamento elas têm”, resume.

Ep 983Everest: temporada mortal no topo do mundo
Todos os anos, cada vez mais turistas encaram o desafio de subir ao ponto mais alto do mundo, a 8.849 metros de altura. Não é exagero: o número de alpinistas (profissionais e amadores) dispostos a essa aventura cresceu tanto que houve até um recente episódio de congestionamento nos metros finais da subida. A superlotação aumenta o risco – assim como os ventos cortantes de 100 km/h e a temperatura que chega a -50°C. Para contar a experiência de subir o Everest e explicar todos os perigos envolvidos, Natuza Nery entrevista Clayton Conservani, jornalista de esporte do Grupo Globo. Neste episódio: - Clayton analisa os fatores climáticos que resultaram em uma temporada especialmente perigosa para os alpinistas no Everest: “Os principais obstáculos para alcançar o topo são a velocidade dos ventos e a falta de oxigênio”. Quando isso se soma a temperaturas muito baixas, como neste ano, há uma “combinação fatal”; - Ele, que já subiu o monte duas vezes, relata o passo a passo da expedição, que dura cerca de dois meses – e destaca o perigo de cruzar a “cascata de gelo” e de entrar na “zona da morte”. “O corpo humano não foi feito para suportar grandes altitudes”, afirma. “Acima dos 5.000 metros, é como respirar com um pulmão só, e você se sente morrendo lentamente”; - O jornalista recorda o impacto do terremoto de 2015 no Nepal e como foram os 10 dias de cobertura: “Estávamos lá durante o pior terremoto dos últimos 80 anos”. Ele relata a destruição que viu em Katmandu e também na montanha – e como isso prejudicou o turismo no Nepal e incentivou a emissão de mais licenças para alpinistas no Everest; - Clayton conta como foi a tentativa de chegar ao cume da montanha em 2005, quando ficou 79 dias em expedição e perdeu cerca de 15 kg – e como seu amigo, um dos maiores alpinistas brasileiros, Vitor Negrete, morreu horas depois de chegar ao ponto mais alto do mundo.

Ep 982Blindagem de políticos: aprovação a toque de caixa
A toque de caixa, a Câmara aprovou um projeto de lei que pune “discriminação contra políticos”. O texto foi apresentado pela deputada Dani Cunha (União Brasil), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Entre os pontos, está a punição para quem negar crédito a quem for “politicamente exposto” - uma lista de 99 mil pessoas com muito poder, além de parentes, sócios e colaboradores de políticos. Para entender o projeto e o que a tramitação relâmpago dizem sobre a política em Brasília, Natuza Nery conversa com Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e da rádio CBN. Neste episódio: - Maria Cristina Fernandes explica os pontos do projeto e como ele foi “incluído de supetão” na pauta da Câmara. “A verdade é que na noite de quarta-feira ninguém sabia exatamente o que estava sendo votado”, diz; - “Os partidos estão em uma cruzada para ampliar a margem de atuação e descriminalizar a atuação dos dirigentes partidários”, diz, ao citar o interesse de parlamentares de blindar partidos e dirigentes na gestão de recursos dos fundos Partidário e Eleitoral; - A jornalista aponta para a importância de entender o momento em que o texto foi aprovado na Câmara, quando há “tentativa do Centrão de ampliar a todo custo seu espaço no governo”; - E conclui como a relação entre o presidente Lula e o deputado Arthur Lira, que comanda a Câmara, explica as circunstâncias da votação do texto.

Ep 981As igrejas evangélicas e a comunidade LGBT+
O mês de junho marca as comemorações do orgulho LGBT+, e é também quando acontece a Marcha para Jesus. Evidenciando um discurso pela inclusão de fieis de diferentes orientações e identidades, enquanto parte conservadora dos evangélicos resiste. Para entender como grupo evangélicos acolhem a comunidade LGBT+, e a reação a este movimento, Natuza Nery recebe dois pastores. Hermes Carvalho Fernandes, da Igreja Reina, psicólogo, teólogo e autor de “Homossexualidade: da sombra da lei à luz da graça”, e Fellipe dos Anjos, doutorando em Ciências da Religião na Universidade Metodista de São Paulo. Neste episódio: - Hermes expõe o que o fez lutar pela causa da inclusão e explica quais trechos da Bíblica são usados para justificar a homofobia. Ele cita “interpretações equivocadas” e explica a leitura que faz destes mesmos trechos: “Não encontramos uma única passagem que fale sobre homoafetividade”, diz; - O pastor fala de perseguições sofridas ao acolher a diversidade, e é categórico ao dizer que não trocaria este acolhimento para ter um número ainda maior de fieis. “Aquela pessoa que nós acolhemos, para onde iriam?”, questiona. "De que adianta arrastar multidões com conservadorismo doentio?”; - Fellipe dos Anjos explica o surgimento de alas progressistas entre os evangélicos, grupo religioso em crescimento no Brasil nas últimas décadas. “Os evangélicos não só cresceram, mas também se pluralizaram”, afirma – ao citar minorias teológicas, sociais, raciais, culturais, políticas e sexuais; - Ele analisa por que grupos mais conservadores “se fecham” à pluralidade. E conclui: “o que explica um recrudescimento do fundamentalismo é uma aliança com a extrema-direita cultural e política”.

Ep 980Colômbia: como resgate de 4 irmãos uniu militares e indígenas
No dia 1° de maio, um avião com 7 pessoas decolou para fazer o trajeto entre as cidades colombianas de Araracuara e San Jose del Guaviare. Sinais de alerta de falha foram emitidos pelo piloto pouco antes da queda que matou 3 adultos. Começava ali a operação Esperança, que por 40 dias buscou 4 crianças sobreviventes – elas foram resgatadas na última sexta-feira de helicóptero, desnutridas, desidratadas e com picadas de insetos. Para entender como a história dos 4 irmãos indígenas revela a situação política do país, Natuza Nery conversa com Carlos de Lannoy, enviado especial da Globo à Colômbia, e Thiago Vidal, diretor de análise política para a América Latina da consultoria Prospectiva. Neste episódio: - Direto de Bogotá, Lannoy monta o quebra-cabeças do período em que os irmãos ficaram perdidos na selva: “Elas sobreviveram graças ao conhecimento que tinham da floresta”, explica. Ele descreve uma região onde chove torrencialmente até 16 horas por dia, com mata densa, animais venenosos e predadores; - O jornalista relata como o resgate às crianças indígenas engajou “um país dividido” há décadas por conflitos armados. Ele relembra o caso “dos falsos positivos”, indígenas acusados por militares de fazer parte de grupos guerrilheiros. E como “colombianos estão surpresos ao ver militares e indígenas juntos na floresta nas buscas”; - Thiago Vidal relembra a relação conflituosa entre indígenas e guerrilheiros na Amazônia colombiana. “Comunidades agrícolas e indígenas foram as mais prejudicadas pelo avanço do narcotráfico”, explica, ao lembrar os “desplazados”, pessoas obrigadas a sair de suas terras pelo avanço do tráfico e das guerrilhas; - O analista conclui como um recente cessar-fogo anunciado com o ELN (Exército de Libertação Nacional) e o resgate das crianças interferem no momento político do presidente Gustavo Petro, o primeiro de esquerda a governar a Colômbia.

Ep 979O celular de Cid e a CPI dos Atos Golpistas
Preso desde que a Polícia Federal deflagrou uma operação sobre a falsificação nos cartões de vacina de Jair Bolsonaro (PL), o ex-ajudante de ordens da Presidência se complicou ainda mais diante da descoberta de novas evidências de crime em seu celular. A PF encontrou conversas sobre tramas e tratativas para inviabilizar a posse de Lula (PT) como presidente. E também a troca de documentos propostos para legitimar uma ação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e a favor de um golpe de Estado. Para explicar os impactos e repercussões desse novo elemento no desenrolar da CPI dos Atos Golpistas, Natuza Nery conversa com Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Neste episódio: - Malu avalia que as novas evidências encontradas no celular do ex faz-tudo de Bolsonaro “complicam bastante” a situação dele e reforçam a tese de que Cid atuava “para justificar um golpe de Estado”; - Ela analisa os movimentos do governo e da oposição para assumir o protagonismo da CPI dos Atos Golpistas: “Até agora, embora os atos de 8 de janeiro tenham sido claramente fomentados por bolsonaristas, é o governo que parece acuado”. Um dos motivos, informa, é a presença do ex-chefe do GSI, Gonçalves Dias, no Palácio do Planalto no dia da invasão; - Malu chama a atenção para o fato de que, pela primeira vez, uma CPI terá que convocar e, possivelmente, indiciar generais. “É uma coisa muito séria que o governo Lula queria evitar, agora que a situação entre governo e militares está mais calma”, afirma; - A jornalista também comenta, à luz das novas evidências contra Mauro Cid, o que deve acontecer no julgamento de Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (agendado para o dia 22 de junho): “É fato político que pode interferir”. Ela informa que “até os advogados de Bolsonaro” acham que a corte deve decidir pela inelegibilidade e que o “ex-presidente está com muito medo de ser preso”.

Ep 978O desafio da alfabetização no Brasil
Levantamento recente do Ministério da Educação concluiu que apenas 4 em cada 10 crianças do 2º ano do Ensino Fundamental estão alfabetizadas. Resultado de um histórico de fragilidades na formação educacional, somado à gestão desastrosa dos anos nos quais houve a necessidade de isolamento social. Para explicar os retrocessos provocados pela pandemia e quais os desafios para alfabetizar as crianças brasileiras, Natuza Nery entrevista a pedagoga Isabel Frade, presidente emérita da Associação Brasileira de Alfabetização e pesquisadora do centro de alfabetização, leitura e escrita da UFMG; e fala também com Gabriel Corrêa, economista e diretor de políticas públicas no Todos pela Educação. Neste episódio: - Isabel explica a evolução do conceito de alfabetização ao longo dos anos e como “mudanças no uso da escrita na sociedade” impuseram a ideia de letramento no contexto educacional. “A expectativa hoje é que a criança, além de decifrar o sistema de escrita e dominar os instrumentos de escrita, seja leitora e produtor de texto”, afirma; - Ela demonstra porque o processo de alfabetização não é apenas uma questão de gestão ou pedagógica: “A desigualdade tem que ser colocada em primeiro plano". E, do lado de dentro da escola, além da universalização do acesso à educação, é preciso “metodologias, materiais, formação de professores e condições de trabalho”; - Gabriel diz que “não há bala de prata” para resolver a educação no Brasil, mas aponta ações cuja eficácia já foi observada: foco na formação de professores, melhor gestão escolar e avaliações mais precisas. Para isso, destaca que “estados e governo federal precisam apoiar e dar incentivo para aos municípios”; - Ele também chama a atenção para a “tragédia silenciosa” de não alfabetizar as crianças no tempo ideal. “É preciso uma ação emergencial para evitar que isso prejudique toda a continuidade de suas vidas”, clama.

Ep 977O brasileiro endividado – e o impacto na economia
O governo lançou um programa que pode atender até 70 milhões de brasileiros inadimplentes. O Desenrola vai ajudar quem ganha até 2 salários-mínimos e tem dívidas de até R$ 5 mil a renegociar e parcelar seus débitos a juros muito abaixo da prática do mercado. Para explicar como o programa irá funcionar e sua repercussão na economia, Natuza Nery entrevista Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva e do Data Favela, e Rafael Pereira, ex-presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital e cofundador da fintech Crédito Open Co. Neste episódio: - Renato lembra como as classes D e E foram as que mais sofreram durante a pandemia: enfrentaram alta da inflação dos alimentos e perda de emprego formal e informal. “Isso acaba com a ideia de que as pessoas estão inadimplentes porque são perdulárias”, afirma; - Ele revela que grande parte da população inadimplente adquiriu a dívida “com crédito concedido enquanto tinha renda formal” e que, agora, dispõem das mais diversas estratégias para conseguir pagar as necessidades básicas: “61% dos endividados têm o hábito de fazer rodízio de contas para escolher que compromissos poderão honrar”; - Renato avalia o potencial econômico de R$ 800 bilhões do contingente de brasileiros que estão negativados: uma vez com o nome limpo, esse brasileiro “vai gastar com o seu cartão de crédito" fazendo varejistas "vender mais e, assim contratar mais gente”. Por isso o programa, explica, deve ser encarado “como auxílio aos mais necessitados” e como estímulo para um “ciclo econômico virtuoso”; - Rafael analisa de que modo muitas famílias recorrem ao crédito como um adicional à renda para compensar a corrosão do poder de compra imposta pela inflação: “É a lógica de vender o almoço para pagar o jantar. Isso não funciona e gera um problema social enorme”.

Ep 976Junho de 2013: as manifestações que abalaram o país
Os protestos começaram tímidos, contra o aumento de 0,20 centavos nas passagens do transporte público e com a reivindicação da tarifa zero. Conforme os atos ganhavam adesão popular, mais violenta a repressão policial: em poucos dias, as ruas das maiores cidades brasileiras estavam tomadas por milhões de manifestantes. Um terremoto que sacudiu a sociedade, criou diferentes movimentos sociais e lançou novos atores no cenário político. Para entender o impacto dos protestos na última década, Natuza Nery conversa com Roberto Andrés, professor da escola de arquitetura da UFMG e autor do livro “A razão dos centavos: crise urbana, vida democrática e as revoltas de 2013”. Neste episódio: - Roberto recorda que as revoltas contra aumentos tarifários remontam desde o século 19, um sinal de que “a questão da mobilidade urbana nunca foi bem endereçada”. No momento das manifestações de 2013, havia um novo elemento em jogo: as redes sociais. “De positivo, houve mais democratização nos eventos. De negativo, o debate ficou mais superficial”, analisa; - Ele lembra que o pós-junho de 2013 foi marcado pela profusão de movimentos populares, e que o acirramento da polarização política começa a aparecer no contexto das eleições presidenciais de 2014. “Os autoritários de extrema-direita surgem na segunda metade da década com falsas soluções para os mesmos problemas”; afirma; - Ele também observa que a pauta da tarifa zero, uma demanda vista como “irrealista e impossível” em 2013, teve um salto no Brasil desde então: hoje, são mais de 70 cidades que adotam a política, servindo mais de 3,5 milhões de pessoas. “As manifestações colocaram a ideia no centro do debate”; - Roberto afirma que, dez anos depois da revolta, “quem está melhor posicionado na política brasileira é o Centrão”. E conclui que, com a eleição do Lula, fica evidente que “as agendas demandadas lá atrás ainda não foram absorvidas pela esquerda”.

Ep 975Bruno e Dom, 1 ano do crime no Vale do Javari
No dia 5 de junho de 2022, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram vítimas de uma emboscada próxima à comunidade de São Rafael, região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Na ocasião, apontam as investigações da polícia, eles foram executados com tiros nas costas por pescadores ilegais, a mando de financiadores do crime organizado. Para esclarecer o que se sabe deste crime um ano depois e as consequências dele no Vale do Javari, Natuza Nery conversa com Sônia Bridi, repórter do Fantástico e diretora do documentário “Vale dos isolados: o assassinato de Bruno e Dom”, disponível no Globoplay. Neste episódio: - Sônia relata os mais de 70 dias que passou no Vale do Javari para a gravação do documentário. “O cenário da Amazônia era outro e a água tinha abaixado mais de 3 metros em relação ao dia do crime”, recorda. Assim, ela acompanhou amigos e ex-colegas de Bruno numa incursão em busca de objetos pessoais dele e do jornalista: foram encontrados documentos, um caderno de anotações e um celular, cujas imagens “deixam clara a dinâmica do que aconteceu”; - Ela também explica a história de violência desmedida contra os indígenas que aflige há décadas o Vale do Javari. Há mais de 40 massacres relatados e registrados – em pelo menos dois deles, ocorridos em 1989 e 1995, assassinos têm relação com os executores de Bruno e Dom. E agora, a polícia tem indícios de que o mandante da morte dos dois é também responsável pelo homicídio do indigenista Maxciel Pereira, em 2019; - A jornalista apresenta uma figura importante no crime organizado da região, o Colômbia. É ele o suspeito de mandar matar Bruno, Dom e Maxciel, além de financiar a pesca ilegal e de estar relacionado à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. “Eu fui até a balsa onde operava o negócio do Colômbia, e fui intimidada e colocada para fora por policiais peruanos”, revela; - Sônia recorda as conversas que teve com os indígenas sobre o trabalho de Bruno no Vale do Javari: “Eles diziam que o Bruno era ‘parte de nós’, que era um parente”. Eles também contaram à jornalista que, em termos de segurança, nada mudou neste último ano. “As pessoas continuam sendo ameaçadas e com medo”, afirma.

Ep 974Zanin, o indicado de Lula ao STF
Desde que o Supremo anulou todas as condenações e devolveu a elegibilidade a Lula, o nome do advogado Cristiano Zanin aparecia no topo da lista de possíveis indicações à Corte caso o petista voltasse ao Palácio do Planalto. Lula venceu a eleição e, com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski, confirmou o favoritismo de seu advogado pessoal na saga que travou contra a Lava Jato – agora, seu nome precisa ser também aprovado no Senado por maioria simples. Para analisar as contradições de Lula nas indicações ao STF e os desafios de Zanin para superar desconfianças, Natuza Nery entrevista Felipe Recondo, sócio-fundador da plataforma Jota e autor de dois livros sobre o Supremo, e Conrado Hubner Mendes, doutor em direito e ciência política e professor de Direito Constitucional na USP. Neste episódio: - Recondo descreve os 23 anos de carreira de Zanin: os grandes casos em que trabalhou; sua atuação na Lava Jato; e o que pensa sobre pautas que transitam pelo Supremo. “Ele tem sensibilidade para a estabilidade do setor produtivo, e não vai se alinhar nem aos ministros mais progressistas, nem aos conservadores”, afirma; - Ele também comenta as reações dos ministros da Suprema Corte à indicação: “Eles sabem que a realidade é que Zanin estava na cabeça e no coração de Lula”. Isso porque, agora no terceiro mandato, Lula assumiu que a indicação para o STF seria “da sua confiança e de sua responsabilidade”; - Conrado observa que o provável ingresso de Zanin no Supremo é a manutenção “da tradição oitocentista” em relação à diversidade – uma maioria de 95% de homens brancos entre todos os ministros. “Um tribunal mais diverso é um tribunal mais inteligente e com mais força para cumprir sua missão”; - Para o futuro da Corte, ele afirma que Zanin carrega consigo um “fardo de desconfiança para o STF”. E que o fato do presidente indicar um aliado pessoal e uma “incógnita jurídica” dá todos os sinais de que seus critérios são “pouco republicanos e pouco constitucionais” - Rosa Weber se aposenta até outubro e Lula indicará o substituto.

Ep 973Lula, a desarticulação e o poder de Lira
Foi aos 45 do segundo tempo, mas o governo conseguiu aprovar na Câmara a Medida Provisória que mantém a atual estrutura do Planalto, com 37 ministérios. O texto final recebeu alterações, enfraqueceu os ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas e correu o risco de ficar fora da pauta no dia limite para a votação. Tarde da noite desta quarta-feira (31), véspera do dia em que perderia a validade, a MP passou com 337 votos a favor e 125 votos contrários. Agora, o texto será votado nesta quinta (1º) no Senado – e a expectativa é que seja aprovado. Para explicar as vitórias e derrotas do Executivo diante do Congresso e a tensa relação entre Lula (PT) e Arthur Lira (PP-AL), Natuza Nery conversa com Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, comentarista da rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, na TV Cultura. Neste episódio: - Vera imputa a Lira “responsabilidade total” na resistência da Câmara em aprovar a MP governista: “Lira é uma entidade que detém a maioria dos deputados” - e ganha mais poder diante de um “governo fraco” politicamente no Parlamento; - Ela comenta a “ausência de Lula na articulação política”, que resulta de sua atenção excessiva com as relações exteriores e que pode “inviabilizar o governo na largada”: assim como enquadrou Bolsonaro com dezenas de pedidos de impeachment na mão, Lira pode colocar o atual presidente contra a parede ao pautar as CPIs; - Vera também revela a conversa que teve com um influente parlamentar: “Ele falou: ‘ganhou a eleição por 80% a 20%? Não, foi por 51% a 49%’. E é essa ideia que vai nortear tudo nesses quatro anos”, afirma. Assim, avalia, Lula corre o risco de ter um governo mais regressivo do que o do próprio Bolsonaro - “estão achando mais confortável passar a boiada sem o Bolsonaro para atrapalhar”; - A jornalista analisa a pressão do Congresso sobre o STF na questão do marco temporal das terras indígenas. “A Corte está dividida”, revela, sobre o julgamento em relação à constitucionalidade do tema, pautado para 7 de junho.

Ep 972Gripe aviária no Brasil – quais os riscos?
Nos últimos anos, surtos de contaminação com o vírus H5N1 vem se espalhando pelo globo, e se aproximando cada vez mais do Brasil. O país, que nunca registrou sinais de gripe aviária em granjas, identificou dois casos em aves silvestres no Espírito Santo; desde então, novos focos apareceram. São 13 até agora - além do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também têm casos. Para mensurar o risco que a doença oferece, Natuza Nery fala com Paula Salati, repórter de agro do g1, e com o economista Fernando Henrique Iglesias, analista e consultora da Safras & Mercado. Neste episódio: - Paula explica as características do vírus H5N1, um subtipo do Influenza que afeta predominantemente as aves. Ele foi detectado pela primeira vez em 1996, na China, onde também foi registrado o primeiro contágio humano – nos últimos anos, tem se disseminado pelas Américas. “É um vírus que se espalha rapidamente e tem alta taxa de mortalidade”, afirma; - A jornalista justifica a decisão do Ministério da Agricultura de decretar estado de emergência zoossanitária: “A principal preocupação é evitar que a gripe chegue às granjas”. Caso haja contaminação nos produtores dedicados ao comércio de carnes e ovos, é preciso sacrificar todas as aves, explica; - Fernando dimensiona o tamanho do mercado de aves no Brasil: segundo maior produtor do mundo, maior exportador e prevê a produção de 15 milhões de toneladas de carne de frango até o fim do ano. E ressalta que, embora “o Brasil siga os mais rigorosos protocolos sanitários animais”, o mercado pode sofrer um baque caso a gripe chegue às granjas comerciais; - Ele também comenta o impacto da crise zoossanitária na Europa e nos Estados Unidos, onde houve desabastecimento e boom inflacionário na comercialização de ovos. No Brasil, avalia, “será preciso ter um descontrole muito grande” para que a inflação geral de preços seja pressionada.

Ep 971Lula com Maduro, e a relação Brasil-Venezuela
Nesta segunda-feira (29), Lula (PT) recebeu o chefe de Estado venezuelano no Palácio do Planalto antes da cúpula dos países da América do Sul. A efusiva recepção do presidente brasileiro culminou em uma coletiva de imprensa na qual teceu elogios a Nicolás Maduro e defendeu a suposta democracia da Venezuela - país que já foi denunciado pela ONU por violação dos direitos humanos. Para explicar o que Lula busca na aproximação com a Venezuela, Natuza Nery conversa com o analista político Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais na FGV-SP. Neste episódio: - Oliver elogia a “decisão pragmática” de reestabelecer relações com o país vizinho, com o qual o Brasil divide uma fronteira de 2.200 mil km, mas pondera: “Lula foi bastante longe com os comentários simpáticos a Maduro, e ganha muito pouco com isso”; - Ele afirma que a relação com a Venezuela é inevitável, mesmo que, hoje, “o país não seja uma democracia”. No entanto, os elogios de Lula ao regime promovem a “polarização” e causam “a festa dos grupos bolsonaristas”; - O analista político comenta a situação econômica da Venezuela, ultra dependente dos recursos provenientes da venda de petróleo: “um colapso” que se soma a uma inflação alta e a um quadro de “erosão democrática”. “É um Estado falido”, resume; - Oliver explica que a cúpula entre os líderes sul-americanos tem como objetivo “reiniciar o diálogo” na região, depois de anos de ausência brasileira. O desafio, aponta, é “avançar nas questões técnicas” em detrimento das diferenças ideológicas. “Lula mantém a capacidade de manter laços com líderes de esquerda e direita”, afirma.

Ep 970Mata Atlântica sob risco de extinção
Terceiro maior bioma do território nacional – onde está 70% da população brasileira – e berço de uma biodiversidade com mais de 2 mil espécies animais e 20 mil espécies de plantas. Toda a riqueza da Mata Atlântica foi alvo de exploração desde a chegada dos portugueses ao Brasil: hoje, resta dela apenas 12,4% da cobertura de vegetação original. E pode piorar. Na última semana, a Câmara aprovou a Medida Provisória que afrouxa ainda mais a proteção ao bioma – o texto ainda pode ser vetado pelo presidente Lula (PT). Para apresentar a importância da Mata Atlântica e o risco da aprovação da MP, Natuza Nery ouve Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da fundação SOS Mata Atlântica. Neste episódio: - Malu justifica por que a MP, que libera construção de obras de infraestrutura sem compensação, é “muito grave”, um “retrocesso” e uma “afronta” ao patrimônio nacional; - Diante de o contexto global de emergência climática, ela explica a importância da vegetação nativa se preservada. A mata age na umidade do ar, no lençol freático, no solo e nos rios, evita catástrofes como a que ocorreu em São Sebastião (SP) no início do ano e cumpre “uma função de reguladora do clima”; - A ambientalista aponta o risco de desertificação de outros biomas, caso a Mata Atlântica seja extinta – colocando em risco a segurança alimentar do país e gerando mais vítimas em eventos climáticos extremos. “Seria um suicídio geral”, afirma; - Por fim, ela comenta a repercussão internacional no caso de Lula não vetar o pacote contra o meio ambiente aprovado na Câmara: sofreria o agronegócio, o país perderia credibilidade e “todas as portas seriam fechadas”.

Ep 969Carro mais barato para quem?
A pandemia e, depois, a guerra da Ucrânia provocaram uma crise nas cadeias de produção global. Desde 2020, o preço dos carros no Brasil escalou para seu patamar mais alto – o que resultou no envelhecimento da frota nas ruas e na queda de vendas. Agora, de olho na classe média, o governo decidiu agir: nesta quinta-feira (25), o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, anunciou um programa de estímulos para o carro popular. É um pacote de desoneração de impostos que atende até veículos de R$ 120 mil. E que promete reduzir o preço de saída dos carros 0 km de quase R$ 70 mil para menos de R$ 60 mil. Sobre isso, Natuza Nery conversa com o jornalista André Paixão, editor da revista AutoEsporte, e com Carlos Góes, economista que faz PhD na Universidade da Califórnia e é fundador do Instituto Mercado Popular. Neste episódio: - André analisa a “extinção” dos carros populares no Brasil, um segmento que foi enorme no mercado automobilístico décadas atrás: “São carros que dão menos lucro para os fabricantes”; - O jornalista informa quais veículos devem ser barateados com a redução dos impostos – que seguirão três critérios: preço, emissão de poluentes e cadeia de produção. E lembra que, embora a questão ambiental tenha sido citada pelo governo, “o estímulo não contempla nenhum carro elétrico ou híbrido”; - Carlos explica que as pesquisas econômicas mais recentes apontam que uma “política industrial ótima deve incentivar os setores da base da cadeia produtiva e provêm insumos para os outros”. Ou seja, para ele, o anúncio do governo incentiva um setor que é “exatamente o contrário disso”; - Ele recorda que a política de desoneração fiscal para estímulos setoriais do governo Dilma Rousseff resultou na “maior recessão brasileira em 100 anos”. Para Carlos, tal política pode se justificar com investimentos específicos em pesquisa e desenvolvimento, mas “há risco daquela situação voltar a acontecer”.

Ep 968Porte de drogas na pauta do STF
A apreensão de 3 gramas de maconha em posse de um presidiário dentro do sistema prisional paulista avançou todas as instâncias da justiça brasileira e chegou à Suprema Corte como um caso de repercussão geral. Ou seja, esse julgamento – pautado para voltar ao plenário nesta semana, depois de 8 anos paralisado – irá decidir se o porte de drogas para uso pessoal é crime. Antes do pedido de vista, o placar registrava 3 a 0 a favor da liberação ao menos da maconha. Para entender o que está em jogo e as repercussões gerais na Justiça e no sistema prisional, Natuza Nery entrevista o criminalista Pierpaolo Bottini, professor de direito penal da USP e autor do livro “Porte de drogas para uso próprio e o STF”, e Cristiano Maronna, diretor do Justa, organização que analisa dados sobre financiamento e gestão do sistema de Justiça. Neste episódio: - Pierpaolo esclarece o mérito do voto dos três ministros que já apresentaram suas posições no Supremo. O argumento central, afirma, é o direito constitucional da “dignidade humana, ou seja, que não se pode criminalizar qualquer tipo de prática ou conduta que diga respeito apenas a mim mesmo”; - Ele avalia que, “dadas as características dos ministros que compõem a Corte”, deve-se chegar a uma maioria a favor da descriminalização. Pierpaolo afirma também que este julgamento é uma “oportunidade para traçar o limite objetivo entre uso e tráfico” para que a decisão tenha impacto significativo; - Cristiano relaciona a política de combate às drogas com o atual estágio de encarceramento em massa no Brasil - são aproximadamente 1 milhão de detentos, terceiro maior contingente do mundo. “A lei de drogas é o principal vetor encarcerador hoje e um exemplo de lei aplicada de forma disfuncional e com efeitos negativos”, afirma; - Ele também afirma que o Brasil é um dos últimos países que ainda criminalizam a posse de drogas (especificamente a maconha) para uso pessoal e “tem uma das piores políticas de drogas do mundo”. E que o STF tem agora a chance de “reduzir a insegurança que existe hoje na lei de drogas”.

Ep 967CPI do MST - os objetivos do governo e da oposição
Desde a posse de Lula (PT), a bancada da oposição no Congresso se articula para criar uma comissão parlamentar de inquérito contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O ambiente político para isso se fortaleceu no mês passado: em abril - mês no qual o MST realiza ações para lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás (PA), em 1996 – foram registradas ao menos 12 invasões, entre elas em terras do Incra e da Embrapa. Nesta terça-feira (23), a CPI foi aberta com os bolsonaristas Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), respectivamente, na presidência e na relatoria da comissão. Para analisar impactos políticos e sociais da CPI, Natuza Nery conversa com Luiz Felipe Barbiéri, repórter do g1 em Brasília, e com o sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista do jornal Folha de S. Paulo e autor do livro “PT, uma história”. Neste episódio: - Luiz Felipe conta como os deputados bolsonaristas se organizaram para abrir a CPI e “tirar a atenção da comissão sobre os atos golpistas de 8 de janeiro”, na qual muitos deles são alvo. E relata que os deputados governistas veem a CPI do MST como um “termômetro” para as investigações sobre os atos golpistas; - Ele descreve o “clima tenso” do primeiro dia da comissão: deputados bateram boca, tiveram microfone cortado e deram até tapas na mesa. Para os próximos passos, ele antecipa que ministros do governo serão convocados à comissão para “levar pra frente a narrativa bolsonarista”; - Celso corrobora a análise de que os deputados bolsonaristas irão instrumentalizar a CPI para “ganhar a visibilidade que não tinham conseguido até agora” - e que a oportunidade para debater a sério a reforma agrária no país será perdida. “Se os parlamentares conseguirem usar a CPI para se blindarem vai ser muito ruim”; - O sociólogo explica como PT e MST, que nasceram no mesmo período histórico e tinham forte aproximação ideológica, cultivaram a tensão entre si: “Na década de 90, o PT se modera e o MST se radicaliza mais”. Ainda assim, partido e movimento se mantiveram próximos, numa relação que afasta o agronegócio do governo petista. A única alternativa a Lula, afirma, “é apresentar políticas bem boladas para os dois setores”.

Ep 966Vinícius Jr. e a reação contra o racismo na Espanha
No último domingo (21), a partida entre Real Madrid e Valencia, pelo Campeonato Espanhol, foi o cenário do mais grave ataque racista contra o atacante brasileiro. Nos últimos minutos do jogo, Vini Jr. identificou os torcedores que iniciaram os gritos e cânticos criminosos, e exigiu alguma reação da arbitragem. No meio da confusão, trocou agressões com um adversário e foi expulso pelo árbitro - ele foi o único punido em campo. Para explicar por que Vini Jr. é o principal alvo de uma cruel campanha de ódio racial na Espanha e o que vem sendo feito para punir os criminosos, Natuza Nery conversa com dois jornalistas: Fernando Kallás, correspondente de esportes da Reuters na península ibérica, e Paulo Cesar Vasconcellos, comentarista da TV Globo e do Sportv. Neste episódio: - Kallás descreve as dez denúncias de racismo contra Vini Jr. abertas apenas nesta temporada do futebol espanhol – e como esses casos “foram arquivados e nunca foram julgados como delito de ódio”. Dentro do contexto esportivo, ele afirma que “nenhum clube sofreu nenhuma punição” pelos atos racistas de seus torcedores; - Ele relata que, pela primeira vez desde que a onda de ataques racistas começou, o atleta está “mais do que arrasado, está revoltado”. Além das ofensas, Vini Jr. precisa lidar com a inação da La Liga (organizadora do campeonato espanhol) e com o racismo velado da imprensa local. “Tudo isso começou em um programa de televisão, com racismo e xenofobia”; - PC Vasconcellos analisa "o silêncio e a omissão” de diversos atores sociais para que o racismo chegasse ao atual estágio no futebol espanhol. E destaca as “boas notícias” que resultam deste caso: o posicionamento do presidente brasileiro, o acordo de colaboração entre Brasil e Espanha contra o racismo e a xenofobia e o fato de “um jovem preto de 22 anos se manifestar e chamar a atenção do mundo”; - PC relaciona o crescimento no número de episódios de racismo ao “avanço da extrema direita pelo mundo”, e afirma que as punições “se mostram insuficientes para a situação ser modificada”. “A minha razão é de pessimismo, mas quando vejo um comportamento como o do Vinícius passo a ficar mais otimista”, conclui.

Ep 965Mortalidade materna: como combater
No momento mais agudo da pandemia, 70% das gestantes que morreram em decorrência da Covid eram brasileiras. E diante da sobrecarga do sistema de saúde, mulheres não puderam realizar exames adequados para a gestação. Assim, doenças como a pré-eclâmpsia, historicamente a principal causa da mortalidade materna, não tiveram o atendimento médico necessário. Na média, em todos os dias de 2021, 8 mulheres grávidas morreram – trata-se do maior número em mais de duas décadas. No Dia Mundial de Prevenção da Pré-eclâmpsia, Natuza Nery recebe Fatima Marinho, assessora técnica sênior da Vital Strategies, organização global de saúde pública, e a obstetra Maria Laura Costa Nascimento, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Neste episódio: - Fatima fala do “grande retrocesso dos últimos anos”, quando o movimento de queda nos índices de mortalidade materna foi revertido: com o “aumento de casos durante a pandemia”, o número de mortes voltou ao patamar de 1990 – apenas entre 2019 e 2021, os óbitos saltaram de aproximadamente 1.500 para mais de 3 mil; - Fatima também avalia os dados de mortalidade por estado. “Chama atenção o crescimento no Sul, onde havia a menor razão de mortes maternas”, informa – e a principal hipótese para isso é a recusa da vacina contra a Covid. Por outro lado, Pernambuco registrou o melhor resultado; - Laura conta por que a pré-eclâmpsia é a principal causa de mortes maternas no Brasil, embora “evitável em 99% dos casos”. Trata-se de uma síndrome que ataca a pressão arterial e altera órgãos como rins, fígado, cérebro e placenta; - A obstetra detalha o tratamento para a síndrome e como os médicos agem para preparar mãe e bebê para um parto prematuro mais seguro. “Mesmo depois do parto, as mulheres precisam de acompanhamento clínico”, completa.

Ep 964A crise que faz o varejo fechar lojas
Logo no início do ano, uma das gigantes do setor no Brasil divulgou inconsistências contábeis na casa dos R$ 40 bilhões. A Americanas, então, entrou com pedido de recuperação judicial e suas ações derreteram na bolsa de valores. Diante de um cenário de queda nas vendas do comércio, mais empresas de varejo passaram a apresentar resultados ruins, seguidos de prejuízo nos balanços e fechamento de lojas – num setor que emprega mais de 8 milhões de pessoas e depende do consumo das famílias, cada vez mais endividadas. Para esclarecer as causas e consequências desta crise, Natuza Nery entrevista Guilherme Mercês, diretor de economia e inovação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Neste episódio: - Guilherme elenca fatores que levaram empresas e famílias a se endividar na pandemia e como o elas “levaram um grande baque com a taxa de juros, que subiu muito”. O resultado é que, hoje, 80% das famílias estão endividadas e uma a cada cinco delas gasta mais da metade da renda para pagar dívidas; - Ele explica como o contexto macroeconômico colaborou para o colapso da Americanas – na esteira dela, outras empresas também pediram recuperação judicial e até falência. “Isso agravou ainda mais o cenário e, obviamente, o custo do crédito sobe”; - O economista também observa a crise em escala internacional durante a intersecção da pandemia com a guerra na Ucrânia: assim como o Brasil, nas economias desenvolvidas houve aumento de juros e alta do endividamento. “Foi todo mundo surpreendido”, afirma, “e um exemplo disso são as big tech, que estão demitindo funcionários no mundo todo”; - Por fim, Guilherme comenta o atual momento de “transformação tecnológica”. Para ele, depois de superar o contexto “turbulento que deve durar até 2026”, as empresas precisam investir na “revolução tecnológica” no médio e longo prazo.

Ep 963Deltan Dallagnol cassado pelo TSE
Figura proeminente da força-tarefa da Operação Lava Jato, o ex-procurador foi o deputado federal mais votado do Paraná em 2022, pelo Podemos. Ao deixar o Ministério Público para entrar na carreira política, Deltan ficou livre de 15 procedimentos administrativos que poderiam condená-lo à exoneração e deixá-lo inelegível para cargos públicos, com base na Lei da Ficha Limpa. Na terça-feira (16), o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por unanimidade que a manobra de Deltan configura “fraude” e cassou o mandato dele na Câmara – seu substituto será o Pastor Itamar Paim (PL). Para explicar a decisão do tribunal eleitoral e o futuro político dos envolvidos na Lava Jato, Natuza Nery recebe o advogado Henrique Neves, ex-ministro do TSE, e Valdo Cruz, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. Neste episódio: - Henrique traduz o voto do relator do processo no TSE, o ministro Benedito Gonçalves: “Se considerou que Deltan fraudou a lei”. Na decisão, explica Henrique, o ministro afirma que o ex-procurador teria “cometido a manobra” de se aposentar para fugir dos processos administrativos que corriam no Conselho Nacional do Ministério Público contra ele; - O ex-ministro do TSE aponta as diferenças entre os processos de Deltan e os do senador Sergio Moro (União-PR). No caso de Moro, o tribunal analisou os casos de forma “completamente diferente”, uma vez que Moro deixou o MP não para uma candidatura, mas para assumir um ministério; - Valdo analisa as chances de Deltan conseguir reverter a cassação no Supremo Tribunal Federal: “São pequenas. E vamos lembrar que ele já começa o julgamento perdendo de 3 a 0”, ao citar os ministros do STF que também estão no TSE. Valdo conta que o deputado cassado tenta até “criar um ambiente” para pressionar o Supremo, ainda que “não tenha clima favorável dentro da Câmara” para isso; - O jornalista revela o comportamento de duas alas do governo Lula em relação a ex-integrantes da força-tarefa da Lava Jato: “uma ala tem mágoa e ressentimento, e fala em ir à forra”, enquanto outro grupo defende “deixar o passado para lá” para reduzir o ruído da polarização política.

Ep 962Petrobras e a nova política de preços
Durante a campanha eleitoral de 2022, Lula (PT) prometeu que, caso eleito presidente, daria fim à política de paridade de importação para a formação de preços dos combustíveis, a PPI - adotada pela estatal em 2016 como principal medida para recuperá-la de três anos seguidos de prejuízos. Nesta terça-feira (16), Jean Paul Prates, presidente da Petrobras, anunciou a substituição da PPI por uma política que irá “abrasileirar” os preços. Para explicar o que muda na formação do valor do combustível na bomba e quem ganha e quem perde com a transição, Natuza Nery conversa com o economista Breno Carvalho Roos, especialista em petróleo e professor da UFRN, e com Manoel Ventura, repórter de economia do jornal O Globo, em Brasília. Neste episódio: - Breno avalia que o “consumidor ganha” com a nova política, ainda que o comunicado oficial não seja claro em relação à fórmula de precificação que será adotada. Para ele, a estatal tende a reduzir a volatilidade e a “cobrar preços mais baixos”, ao mesmo tempo que "deve manter sua saúde financeira no longo prazo”; - O economista descreve o “peso do preço dos combustíveis na inflação” e suas repercussões macroeconômicas. “Se você tem preços compatíveis, arrefece a pressão inflacionária”, afirma. E no aspecto da demanda, acredita que pode crescer a comercialização de combustível e haver “aumento nas receitas da Petrobras”; - Manoel comenta a reação do mercado financeiro, onde as ações da estatal subiram nesta terça-feira: a mudança na política de preços já estava “precificada” e havia expectativa “pelo pior”, mas a avaliação foi majoritariamente positiva em relação ao anúncio da nova política de preços; - Ele entende que o governo avaliou o melhor momento político para anunciar o fim da PPI: a pauta positiva “mostra que o presidente tem poder para cumprir promessas de campanha”, acena para a base governista e pressiona o Congresso para a aprovar o texto da PEC do arcabouço fiscal, que deve ir ao plenário essa semana.

Ep 961Turquia rumo ao 2º turno histórico
Chefe de Estado desde 2003 (quando a função ainda era desempenhada pelo primeiro-ministro), Recep Tayyip Erdogan saiu na frente na votação do domingo (14): com 49,51% dos votos válidos e maioria no Parlamento. Então favorito nas pesquisas e líder da coalização de seis partidos de oposição, Kemal Kilicdaroglu obteve 44,8% dos votos. Para analisar os rumos da democracia turca, e como ela reverbera na geopolítica global e no avanço da extrema-direita pelo mundo, Natuza Nery entrevista o economista Maurício Moura, sócio do fundo Zaftra e professor da Universidade George Washington, e Marina Slhessarenko Barreto, pesquisadora do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo e uma das autoras do livro “O caminho da autocracia: estratégias atuais de erosão democrática”. Neste episódio: - Depois de passar 10 dias na Turquia, Maurício relata o clima de “engajamento, polarização e tensão” em cidades pequenas e médias e em metrópoles como Istambul e Ancara. Lá, ele visitou comícios da situação e da oposição, onde foi detido por policiais: “Dá uma noção do clima tenso que envolve política na Turquia”; - O economista explica como a inflação galopante, que já superou os 80% ao mês, age como “principal cabo eleitoral da oposição” nesta eleição, em contraponto ao “domínio da máquina pública” pelo grupo político de Erdogan. E embora Kilicdaroglu tenha também o apoio majoritário dos empresários, ele aposta na vitória do atual presidente; - Marina avalia a “força persistente” de Erdogan, que elegeu maioria no Parlamento turco, e chega ao 2º turno com mais de 2,6 milhões de votos de vantagem. Ela conta como ele conseguiu superar uma tentativa de golpe de Estado e “transformar a Turquia de parlamentarista em presidencialista” para se manter no poder; - A pesquisadora comenta os movimentos de “experimentação e exportação transnacional” de tecnologia política entre a rede de países alinhados à extrema-direita global – caso de Turquia, Hungria, EUA (sob governo Trump) e Brasil (sob Bolsonaro). E destaca o aparelhamento da educação, do espaço cívico e da segurança pública como ferramentas de “autocratização”.

Ep 960Ghosting - o 'sumiço' em relacionamentos
Fenômeno presente há séculos na cultura dos relacionamentos, o “desaparecer” da vida de alguém, sem dar explicação alguma, ganhou impulso em uma sociedade em que redes sociais e aplicativos de encontro são onipresentes. O sofrimento provocado pelo abandono expõe a dificuldade que temos de lidar com o medo da solidão. Para falar sobre esse comportamento – retratado há mais de 2 séculos por Jane Austen no romance “Razão e Sensibilidade” – Natuza Nery conversa com Natalia Timerman, psiquiatra e autora do livro “Copo Vazio”, em que a personagem principal tem que lidar com o sumiço de um amor, e Ana Suy, psicanalista e professora da PUC-PR, ela é autora de “A gente mira no amor e acerta na solidão”. Neste episódio: - Natalia conta sobre como superou um “perdido” e escreveu um romance, sem saber que tinha sido vítima de ghosting: “Intuí que era algo que não dizia só a mim”. Isso porque, argumenta, quando a ruptura acontece sem explicações, “a dor é muito maior”; - A escritora aponta que o ghosting ocorre entre homens e mulheres, e em relacionamentos hetero e homoafetivos: “É como um tiro no pé, porque o amor é uma potência humana”. No entanto, Natalia pondera que a prática é potencialmente mais prejudicial ao gênero feminino. “No imaginário das pessoas, o relacionamento tem peso maior para as mulheres”, afirma; - Ana analisa as motivações de homens e mulheres para praticar ghosting: “Há dificuldade em falar o que sentimos para o outro”, aponta, lembrando que “pode ser ainda mais difícil dizer o que sentimos para nós mesmos”. E acrescenta que “sumir” é entendido como uma forma de não lidar com a decisão de um rompimento; - Para ela, o medo do abandono e da solidão “se enlaçam em questões muito primitivas em nós” - e podem levar à incompreensão do próprio sofrimento. A psicanalista aponta como a chamada responsabilidade afetiva entra como resposta a isso, mas pode “tolher a naturalidade e espontaneidade” das pessoas nas relações.

Ep 959Economia do cuidado: o trabalho invisível
Mães e mulheres sobrecarregadas, exaustas, esgotadas. Aspectos das disparidades de gênero nas relações de trabalho. Na média, mulheres passam o dobro do tempo que homens em funções domésticas e de cuidado com filhos e/ou demais familiares. Somadas as horas de trabalho não remunerado de meninas e mulheres em todo o mundo, o total seria equivalente ao quarto maior PIB do mundo, uma geração de US$ 10,8 trilhões por ano. Para debater os vários aspectos do trabalho invisível, Natuza Nery conversa com a jornalista e escritora Vanessa Barbara, autora do livro “Mamãe está cansada”, e com Maíra Liguori, diretora da ONG Think Olga. Neste episódio: - Vanessa recorda dos momentos em que ficou isolada com a filha na pandemia - período que rendeu a ideia para o livro. "É insano achar que uma pessoa só seja capaz de cobrir todos os aspectos de desenvolvimento de uma criança”, afirma. “É mentalmente e fisicamente impossível para a mãe”; - Para ela “a sociedade ainda não entendeu” o peso da sobrecarga da múltipla jornada de trabalho (que contempla trabalho formal, funções domésticas e cuidado com filhos). Os exemplos, aponta, são a falta de investimento em creches, escolas, parques e equipamentos de lazer. “As cidades são hostis com crianças”, conclui; - Maíra resume do que se trata o conceito de economia do cuidado: “A contribuição de maneira gratuita e invisível do trabalho de geração e manutenção da vida”; - Ela argumenta que a atribuição do cuidado centralizado nas mulheres é resultado de um processo cultural presente em todo o mundo, que tem início ainda na primeira infância: “Trata-se de uma imposição cultural”.

Ep 958Governo e mercado: estranhamento e aproximação
Nesta quarta-feira (10), uma nova edição da pesquisa Genial/Quaest indicou ligeira contradição dentro do mercado financeiro: enquanto agentes seguem mal-humorados em relação a Lula (PT) - cuja avaliação é negativa para 86% dos entrevistados – a avaliação positiva sobre Fernando Haddad (PT), no comando da Fazenda, subiu 16 pontos percentuais. Diante do morde e assopra dos dois lados, o mais recente movimento de aproximação feito pelo governo foi a indicação de Gabriel Galípolo, atual número 2 de Haddad, para a mais importante diretoria do Banco Central. Para avaliar o atual status da relação governo-mercado, Natuza Nery conversa com o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, e com o próprio Gabriel Galípolo. Neste episódio: - Felipe explica como Fernando Haddad se tornou o “malvado favorito” da Faria Lima: aprovação ao arcabouço fiscal, revisão de renúncias fiscais e iminente queda na taxa de juros. Mas pondera como Lula segue por um caminho diferente e “ainda não comprou o mercado”; - O cientista político descreve as atribuições do diretor de política monetária do BC: “Uma posição que fala muito com o mercado financeiro”. E revela que a expectativa dos agentes econômicos é de que, ao assumir o cargo, Galípolo esteja integrando um “estágio de um ano e meio antes de virar presidente do BC” - o mandato de Campos Neto vai até o fim de 2024; - Galípolo diz que sua indicação à diretoria do BC se deve ao “excelente diálogo” que tem com o atual presidente da instituição - com quem, diz, “conversa quase todo dia”. E afirma que isso faz parte de um movimento para “harmonizar as políticas fiscal e monetária”; - O economista avalia a opinião do mercado sobre a atuação do governo e responde que “o mercado oferece outra ferramenta muito boa, que são os preços dos ativos”. Para Galípolo, é natural que os agentes financeiros tenham recebido as propostas da Fazenda com ceticismo – que, argumenta, “só será vencido com ações e com vitórias”.

Ep 957Rita Lee, a majestade do rock, por Ney Matogrosso
Morreu aos 75 anos a voz mais importante do rock ‘n roll brasileiro – mas que não se limitava ao gênero e experimentou diversos ritmos ao longo de 5 décadas de carreira e 40 álbuns publicados, que renderam a ela mais de 55 milhões de exemplares vendidos. Rita Lee nasceu em São Paulo e explodiu para a cena musical na década de 1960, durante o movimento tropicalista, quando integrava os Mutantes. Depois, em carreira solo – mas sempre em parceria com seu companheiro de vida, Roberto de Carvalho, com quem teve três filhos – colecionou hits e sucessos. Além do talento, deixa um legado de autenticidade e liberdade. Para dar conta de contemplar diversos aspectos desta rica personalidade, Natuza Nery conversa com Ney Matogrosso, uma das maiores vozes da música brasileira e amigo de Rita. Neste episódio: - Ney conta que observa Rita Lee desde antes de ser artista e o quanto a imagem dela de “noiva grávida” na década de 1960 imprimiu nele uma marca da revolução e da transgressão. “Me fez sentir como sua alma gêmea”, afirma; - Ele recorda as características da cantora que a faziam “diferente” e algumas das canções que a parceira escreveu para que ele cantasse: “Ela me sacava. Eu via a letra e pensava que era eu. Mas era ela também”; - Ney também fala sobre a forma como Rita Lee fazia questão de se mostrar uma representante de São Paulo: “Ela era uma representação dessa cidade desvairada”; - Ele explica como a artista venceu a resistência de um cenário “careta” na música brasileira e “reforçou a visão de que a música brasileira é antropófaga”.

Ep 956O nº 2 de Haddad indicado ao Banco Central
Gabriel Galípolo entrou no governo como secretário executivo da Fazenda, indicação direta do chefe da pasta, Fernando Haddad (PT) - de quem se tornou homem de confiança. Agora, em mais um capítulo da guerra fria entre Lula (PT) e Roberto Campos Neto (presidente do Banco Central) sobre a taxa básica de juros, Galípolo foi o nome escolhido pelo Executivo para assumir a diretoria de política monetária da instituição. Para analisar a indicação e o futuro dos juros e da inflação, Natuza Nery recebe Solange Srour, economista-chefe do banco Credit Suisse Brasil. Neste episódio: - Solange descreve as funções do diretor de política monetária, responsável pela política cambial e por implementar a Selic: “É uma das diretorias mais técnicas do Banco Central”; - Ela conta que, para o mercado, Galípolo já desponta como favorito para assumir a presidência do BC em 2024, mas que ele não deve intervir na taxa de juros no curto prazo. Pesa sobre Galípolo, avalia a economista, dúvidas sobre sua visão em relação à meta de inflação e sua disposição em “fazer uma virada total” na política monetária; - Solange afirma que o “desafio de Galípolo é muito grande” para estabilizar um quadro no qual a inflação, de fato, está “muito alta” e com expectativas de futuro também elevadas. Ele deve assumir com a aprovação do “sistema político”, mas vai precisar também da confiança do mercado; - A economista apresenta sua avaliação de que o BC “não está errando a mão” ao manter os juros em 13,75% ao ano, e que o Brasil pode entrar em breve em um "ciclo de afrouxamento monetário”. Para ela, ainda falta confiança na "votação do arcabouço fiscal e a definição na meta de inflação”.

Ep 955A política de valorização do salário mínimo
Quando deixou a Presidência, em 2010, depois de dois mandatos, Lula (PT) creditou ao salário mínimo (que teve ganho real de 67% ao longo daqueles 8 anos) parte significativa das conquistas que seu governo teve na redução da pobreza - além do crescimento econômico. Agora em seu terceiro mandato, Lula anunciou um compromisso com o aumento anual do valor acima da taxa de inflação - e, inclusive, encaminhou ao Congresso Nacional um projeto para que o reajuste se torne lei. Para explicar o impacto do salário mínimo na economia brasileira e no combate à desigualdade, Natuza Nery entrevista Clara Brenck, doutora em economia pela New School, em Nova York, e pesquisadora associada do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP. Neste episódio: - Clara demonstra porque o “efeito mais direto de valorizar o salário mínimo acima da inflação é a redução das desigualdades”: trata-se do valor base do mercado de trabalho formal e, no Brasil, tem um valor adicional para os benefícios previdenciários, justifica; - Ela também avalia o risco de que a política permanente de reajuste do salário mínimo acima da inflação impacte nos níveis de contratação formal. “O mais importante para esta equação é que os postos de trabalho formal aumentem. E isso vai acontecer se a economia crescer”; - A economista menciona o impacto de outros fatores, como a taxa básica de juros, o alcance e valor do Bolsa Família e o efeito da nova regra fiscal, para o crescimento econômico. E valoriza o poder de compra das famílias como “efeito multiplicador”.

Ep 954A coroação de Rei Charles III
Neste sábado (6), o primogênito da mais longeva rainha da história britânica ascende oficialmente ao trono do Reino Unido. Charles, que aos 4 anos viu sua mãe ser coroada Rainha Elizabeth II, 70 anos atrás, numa luxuosa cerimônia na Abadia de Westminster, será agora o protagonista de uma celebração repleta de rituais que remontam à Idade Média. Depois de coroado rei, será o chefe de Estado de uma monarquia que enfrenta problemas econômicos e a crescente insatisfação de nações que integram a comunidade de ex-colônias britânicas. Para descrever o clima e as particularidades da cerimônia de coroação e os desafios do futuro rei, Natuza Nery recebe Cecilia Malan, repórter da TV Globo em Londres, e Renato de Almeida Vieira e Silva, autor do livro “God Save the Queen – o imaginário da realeza britânica na mídia”. Neste episódio: - Cecília relata como estão as ruas da capital inglesa e o status atual da popularidade da monarquia. Por um lado, revela, há imagens de Charles por todos os cantos, por outro, grupos se organizam para protestar contra a Coroa: “É difícil dissociar a Família Real da identidade britânica e também ignorar os milhões de turistas atraídos pela realeza”; - A jornalista conta também os detalhes da cerimônia: o uso das joias da realeza e dos luxuosos trajes bordados a ouro, os protocolos das carruagens e os ritos públicos e privados do evento – uma conta que vai integralmente para o cofre britânico. “Gera dinheiro para o governo, mas há críticas sobre os privilégios reais”, afirma; - Renato comenta o posicionamento dos países que tem o rei como chefe de Estado e dos que compõem a Commonwealth diante da monarquia britânica. Há um grupo de nações, afirma, “que é contrário a qualquer coisa que os lembre seu passado colonial”, mas pondera que “alguns desses países são dependentes economicamente do Reino Unido”; - Ele avalia que o maior desafio enfrentado pelo Rei Charles III será “tornar o Reino Unido relevante no século 21”. Para acertar o tom, afirma, “será preciso estar o mais perto possível das pessoas mais jovens” com pautas de meio-ambiente e de diversidade.