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O Assunto

O Assunto

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Ep 978O desafio da alfabetização no Brasil

Levantamento recente do Ministério da Educação concluiu que apenas 4 em cada 10 crianças do 2º ano do Ensino Fundamental estão alfabetizadas. Resultado de um histórico de fragilidades na formação educacional, somado à gestão desastrosa dos anos nos quais houve a necessidade de isolamento social. Para explicar os retrocessos provocados pela pandemia e quais os desafios para alfabetizar as crianças brasileiras, Natuza Nery entrevista a pedagoga Isabel Frade, presidente emérita da Associação Brasileira de Alfabetização e pesquisadora do centro de alfabetização, leitura e escrita da UFMG; e fala também com Gabriel Corrêa, economista e diretor de políticas públicas no Todos pela Educação. Neste episódio: - Isabel explica a evolução do conceito de alfabetização ao longo dos anos e como “mudanças no uso da escrita na sociedade” impuseram a ideia de letramento no contexto educacional. “A expectativa hoje é que a criança, além de decifrar o sistema de escrita e dominar os instrumentos de escrita, seja leitora e produtor de texto”, afirma; - Ela demonstra porque o processo de alfabetização não é apenas uma questão de gestão ou pedagógica: “A desigualdade tem que ser colocada em primeiro plano". E, do lado de dentro da escola, além da universalização do acesso à educação, é preciso “metodologias, materiais, formação de professores e condições de trabalho”; - Gabriel diz que “não há bala de prata” para resolver a educação no Brasil, mas aponta ações cuja eficácia já foi observada: foco na formação de professores, melhor gestão escolar e avaliações mais precisas. Para isso, destaca que “estados e governo federal precisam apoiar e dar incentivo para aos municípios”; - Ele também chama a atenção para a “tragédia silenciosa” de não alfabetizar as crianças no tempo ideal. “É preciso uma ação emergencial para evitar que isso prejudique toda a continuidade de suas vidas”, clama.

Jun 12, 202325 min

Ep 977O brasileiro endividado – e o impacto na economia

O governo lançou um programa que pode atender até 70 milhões de brasileiros inadimplentes. O Desenrola vai ajudar quem ganha até 2 salários-mínimos e tem dívidas de até R$ 5 mil a renegociar e parcelar seus débitos a juros muito abaixo da prática do mercado. Para explicar como o programa irá funcionar e sua repercussão na economia, Natuza Nery entrevista Renato Meirelles, fundador do Instituto Locomotiva e do Data Favela, e Rafael Pereira, ex-presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital e cofundador da fintech Crédito Open Co. Neste episódio: - Renato lembra como as classes D e E foram as que mais sofreram durante a pandemia: enfrentaram alta da inflação dos alimentos e perda de emprego formal e informal. “Isso acaba com a ideia de que as pessoas estão inadimplentes porque são perdulárias”, afirma; - Ele revela que grande parte da população inadimplente adquiriu a dívida “com crédito concedido enquanto tinha renda formal” e que, agora, dispõem das mais diversas estratégias para conseguir pagar as necessidades básicas: “61% dos endividados têm o hábito de fazer rodízio de contas para escolher que compromissos poderão honrar”; - Renato avalia o potencial econômico de R$ 800 bilhões do contingente de brasileiros que estão negativados: uma vez com o nome limpo, esse brasileiro “vai gastar com o seu cartão de crédito" fazendo varejistas "vender mais e, assim contratar mais gente”. Por isso o programa, explica, deve ser encarado “como auxílio aos mais necessitados” e como estímulo para um “ciclo econômico virtuoso”; - Rafael analisa de que modo muitas famílias recorrem ao crédito como um adicional à renda para compensar a corrosão do poder de compra imposta pela inflação: “É a lógica de vender o almoço para pagar o jantar. Isso não funciona e gera um problema social enorme”.

Jun 7, 202324 min

Ep 976Junho de 2013: as manifestações que abalaram o país

Os protestos começaram tímidos, contra o aumento de 0,20 centavos nas passagens do transporte público e com a reivindicação da tarifa zero. Conforme os atos ganhavam adesão popular, mais violenta a repressão policial: em poucos dias, as ruas das maiores cidades brasileiras estavam tomadas por milhões de manifestantes. Um terremoto que sacudiu a sociedade, criou diferentes movimentos sociais e lançou novos atores no cenário político. Para entender o impacto dos protestos na última década, Natuza Nery conversa com Roberto Andrés, professor da escola de arquitetura da UFMG e autor do livro “A razão dos centavos: crise urbana, vida democrática e as revoltas de 2013”. Neste episódio: - Roberto recorda que as revoltas contra aumentos tarifários remontam desde o século 19, um sinal de que “a questão da mobilidade urbana nunca foi bem endereçada”. No momento das manifestações de 2013, havia um novo elemento em jogo: as redes sociais. “De positivo, houve mais democratização nos eventos. De negativo, o debate ficou mais superficial”, analisa; - Ele lembra que o pós-junho de 2013 foi marcado pela profusão de movimentos populares, e que o acirramento da polarização política começa a aparecer no contexto das eleições presidenciais de 2014. “Os autoritários de extrema-direita surgem na segunda metade da década com falsas soluções para os mesmos problemas”; afirma; - Ele também observa que a pauta da tarifa zero, uma demanda vista como “irrealista e impossível” em 2013, teve um salto no Brasil desde então: hoje, são mais de 70 cidades que adotam a política, servindo mais de 3,5 milhões de pessoas. “As manifestações colocaram a ideia no centro do debate”; - Roberto afirma que, dez anos depois da revolta, “quem está melhor posicionado na política brasileira é o Centrão”. E conclui que, com a eleição do Lula, fica evidente que “as agendas demandadas lá atrás ainda não foram absorvidas pela esquerda”.

Jun 6, 202324 min

Ep 975Bruno e Dom, 1 ano do crime no Vale do Javari

No dia 5 de junho de 2022, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram vítimas de uma emboscada próxima à comunidade de São Rafael, região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Na ocasião, apontam as investigações da polícia, eles foram executados com tiros nas costas por pescadores ilegais, a mando de financiadores do crime organizado. Para esclarecer o que se sabe deste crime um ano depois e as consequências dele no Vale do Javari, Natuza Nery conversa com Sônia Bridi, repórter do Fantástico e diretora do documentário “Vale dos isolados: o assassinato de Bruno e Dom”, disponível no Globoplay. Neste episódio: - Sônia relata os mais de 70 dias que passou no Vale do Javari para a gravação do documentário. “O cenário da Amazônia era outro e a água tinha abaixado mais de 3 metros em relação ao dia do crime”, recorda. Assim, ela acompanhou amigos e ex-colegas de Bruno numa incursão em busca de objetos pessoais dele e do jornalista: foram encontrados documentos, um caderno de anotações e um celular, cujas imagens “deixam clara a dinâmica do que aconteceu”; - Ela também explica a história de violência desmedida contra os indígenas que aflige há décadas o Vale do Javari. Há mais de 40 massacres relatados e registrados – em pelo menos dois deles, ocorridos em 1989 e 1995, assassinos têm relação com os executores de Bruno e Dom. E agora, a polícia tem indícios de que o mandante da morte dos dois é também responsável pelo homicídio do indigenista Maxciel Pereira, em 2019; - A jornalista apresenta uma figura importante no crime organizado da região, o Colômbia. É ele o suspeito de mandar matar Bruno, Dom e Maxciel, além de financiar a pesca ilegal e de estar relacionado à lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. “Eu fui até a balsa onde operava o negócio do Colômbia, e fui intimidada e colocada para fora por policiais peruanos”, revela; - Sônia recorda as conversas que teve com os indígenas sobre o trabalho de Bruno no Vale do Javari: “Eles diziam que o Bruno era ‘parte de nós’, que era um parente”. Eles também contaram à jornalista que, em termos de segurança, nada mudou neste último ano. “As pessoas continuam sendo ameaçadas e com medo”, afirma.

Jun 5, 202337 min

Ep 974Zanin, o indicado de Lula ao STF

Desde que o Supremo anulou todas as condenações e devolveu a elegibilidade a Lula, o nome do advogado Cristiano Zanin aparecia no topo da lista de possíveis indicações à Corte caso o petista voltasse ao Palácio do Planalto. Lula venceu a eleição e, com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski, confirmou o favoritismo de seu advogado pessoal na saga que travou contra a Lava Jato – agora, seu nome precisa ser também aprovado no Senado por maioria simples. Para analisar as contradições de Lula nas indicações ao STF e os desafios de Zanin para superar desconfianças, Natuza Nery entrevista Felipe Recondo, sócio-fundador da plataforma Jota e autor de dois livros sobre o Supremo, e Conrado Hubner Mendes, doutor em direito e ciência política e professor de Direito Constitucional na USP. Neste episódio: - Recondo descreve os 23 anos de carreira de Zanin: os grandes casos em que trabalhou; sua atuação na Lava Jato; e o que pensa sobre pautas que transitam pelo Supremo. “Ele tem sensibilidade para a estabilidade do setor produtivo, e não vai se alinhar nem aos ministros mais progressistas, nem aos conservadores”, afirma; - Ele também comenta as reações dos ministros da Suprema Corte à indicação: “Eles sabem que a realidade é que Zanin estava na cabeça e no coração de Lula”. Isso porque, agora no terceiro mandato, Lula assumiu que a indicação para o STF seria “da sua confiança e de sua responsabilidade”; - Conrado observa que o provável ingresso de Zanin no Supremo é a manutenção “da tradição oitocentista” em relação à diversidade – uma maioria de 95% de homens brancos entre todos os ministros. “Um tribunal mais diverso é um tribunal mais inteligente e com mais força para cumprir sua missão”; - Para o futuro da Corte, ele afirma que Zanin carrega consigo um “fardo de desconfiança para o STF”. E que o fato do presidente indicar um aliado pessoal e uma “incógnita jurídica” dá todos os sinais de que seus critérios são “pouco republicanos e pouco constitucionais” - Rosa Weber se aposenta até outubro e Lula indicará o substituto.

Jun 2, 202335 min

Ep 973Lula, a desarticulação e o poder de Lira

Foi aos 45 do segundo tempo, mas o governo conseguiu aprovar na Câmara a Medida Provisória que mantém a atual estrutura do Planalto, com 37 ministérios. O texto final recebeu alterações, enfraqueceu os ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas e correu o risco de ficar fora da pauta no dia limite para a votação. Tarde da noite desta quarta-feira (31), véspera do dia em que perderia a validade, a MP passou com 337 votos a favor e 125 votos contrários. Agora, o texto será votado nesta quinta (1º) no Senado – e a expectativa é que seja aprovado. Para explicar as vitórias e derrotas do Executivo diante do Congresso e a tensa relação entre Lula (PT) e Arthur Lira (PP-AL), Natuza Nery conversa com Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, comentarista da rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, na TV Cultura. Neste episódio: - Vera imputa a Lira “responsabilidade total” na resistência da Câmara em aprovar a MP governista: “Lira é uma entidade que detém a maioria dos deputados” - e ganha mais poder diante de um “governo fraco” politicamente no Parlamento; - Ela comenta a “ausência de Lula na articulação política”, que resulta de sua atenção excessiva com as relações exteriores e que pode “inviabilizar o governo na largada”: assim como enquadrou Bolsonaro com dezenas de pedidos de impeachment na mão, Lira pode colocar o atual presidente contra a parede ao pautar as CPIs; - Vera também revela a conversa que teve com um influente parlamentar: “Ele falou: ‘ganhou a eleição por 80% a 20%? Não, foi por 51% a 49%’. E é essa ideia que vai nortear tudo nesses quatro anos”, afirma. Assim, avalia, Lula corre o risco de ter um governo mais regressivo do que o do próprio Bolsonaro - “estão achando mais confortável passar a boiada sem o Bolsonaro para atrapalhar”; - A jornalista analisa a pressão do Congresso sobre o STF na questão do marco temporal das terras indígenas. “A Corte está dividida”, revela, sobre o julgamento em relação à constitucionalidade do tema, pautado para 7 de junho.

Jun 1, 202329 min

Ep 972Gripe aviária no Brasil – quais os riscos?

Nos últimos anos, surtos de contaminação com o vírus H5N1 vem se espalhando pelo globo, e se aproximando cada vez mais do Brasil. O país, que nunca registrou sinais de gripe aviária em granjas, identificou dois casos em aves silvestres no Espírito Santo; desde então, novos focos apareceram. São 13 até agora - além do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também têm casos. Para mensurar o risco que a doença oferece, Natuza Nery fala com Paula Salati, repórter de agro do g1, e com o economista Fernando Henrique Iglesias, analista e consultora da Safras & Mercado. Neste episódio: - Paula explica as características do vírus H5N1, um subtipo do Influenza que afeta predominantemente as aves. Ele foi detectado pela primeira vez em 1996, na China, onde também foi registrado o primeiro contágio humano – nos últimos anos, tem se disseminado pelas Américas. “É um vírus que se espalha rapidamente e tem alta taxa de mortalidade”, afirma; - A jornalista justifica a decisão do Ministério da Agricultura de decretar estado de emergência zoossanitária: “A principal preocupação é evitar que a gripe chegue às granjas”. Caso haja contaminação nos produtores dedicados ao comércio de carnes e ovos, é preciso sacrificar todas as aves, explica; - Fernando dimensiona o tamanho do mercado de aves no Brasil: segundo maior produtor do mundo, maior exportador e prevê a produção de 15 milhões de toneladas de carne de frango até o fim do ano. E ressalta que, embora “o Brasil siga os mais rigorosos protocolos sanitários animais”, o mercado pode sofrer um baque caso a gripe chegue às granjas comerciais; - Ele também comenta o impacto da crise zoossanitária na Europa e nos Estados Unidos, onde houve desabastecimento e boom inflacionário na comercialização de ovos. No Brasil, avalia, “será preciso ter um descontrole muito grande” para que a inflação geral de preços seja pressionada.

May 31, 202323 min

Ep 971Lula com Maduro, e a relação Brasil-Venezuela

Nesta segunda-feira (29), Lula (PT) recebeu o chefe de Estado venezuelano no Palácio do Planalto antes da cúpula dos países da América do Sul. A efusiva recepção do presidente brasileiro culminou em uma coletiva de imprensa na qual teceu elogios a Nicolás Maduro e defendeu a suposta democracia da Venezuela - país que já foi denunciado pela ONU por violação dos direitos humanos. Para explicar o que Lula busca na aproximação com a Venezuela, Natuza Nery conversa com o analista político Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais na FGV-SP. Neste episódio: - Oliver elogia a “decisão pragmática” de reestabelecer relações com o país vizinho, com o qual o Brasil divide uma fronteira de 2.200 mil km, mas pondera: “Lula foi bastante longe com os comentários simpáticos a Maduro, e ganha muito pouco com isso”; - Ele afirma que a relação com a Venezuela é inevitável, mesmo que, hoje, “o país não seja uma democracia”. No entanto, os elogios de Lula ao regime promovem a “polarização” e causam “a festa dos grupos bolsonaristas”; - O analista político comenta a situação econômica da Venezuela, ultra dependente dos recursos provenientes da venda de petróleo: “um colapso” que se soma a uma inflação alta e a um quadro de “erosão democrática”. “É um Estado falido”, resume; - Oliver explica que a cúpula entre os líderes sul-americanos tem como objetivo “reiniciar o diálogo” na região, depois de anos de ausência brasileira. O desafio, aponta, é “avançar nas questões técnicas” em detrimento das diferenças ideológicas. “Lula mantém a capacidade de manter laços com líderes de esquerda e direita”, afirma.

May 30, 202328 min

Ep 970Mata Atlântica sob risco de extinção

Terceiro maior bioma do território nacional – onde está 70% da população brasileira – e berço de uma biodiversidade com mais de 2 mil espécies animais e 20 mil espécies de plantas. Toda a riqueza da Mata Atlântica foi alvo de exploração desde a chegada dos portugueses ao Brasil: hoje, resta dela apenas 12,4% da cobertura de vegetação original. E pode piorar. Na última semana, a Câmara aprovou a Medida Provisória que afrouxa ainda mais a proteção ao bioma – o texto ainda pode ser vetado pelo presidente Lula (PT). Para apresentar a importância da Mata Atlântica e o risco da aprovação da MP, Natuza Nery ouve Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da fundação SOS Mata Atlântica. Neste episódio: - Malu justifica por que a MP, que libera construção de obras de infraestrutura sem compensação, é “muito grave”, um “retrocesso” e uma “afronta” ao patrimônio nacional; - Diante de o contexto global de emergência climática, ela explica a importância da vegetação nativa se preservada. A mata age na umidade do ar, no lençol freático, no solo e nos rios, evita catástrofes como a que ocorreu em São Sebastião (SP) no início do ano e cumpre “uma função de reguladora do clima”; - A ambientalista aponta o risco de desertificação de outros biomas, caso a Mata Atlântica seja extinta – colocando em risco a segurança alimentar do país e gerando mais vítimas em eventos climáticos extremos. “Seria um suicídio geral”, afirma; - Por fim, ela comenta a repercussão internacional no caso de Lula não vetar o pacote contra o meio ambiente aprovado na Câmara: sofreria o agronegócio, o país perderia credibilidade e “todas as portas seriam fechadas”.

May 29, 202325 min

Ep 969Carro mais barato para quem?

A pandemia e, depois, a guerra da Ucrânia provocaram uma crise nas cadeias de produção global. Desde 2020, o preço dos carros no Brasil escalou para seu patamar mais alto – o que resultou no envelhecimento da frota nas ruas e na queda de vendas. Agora, de olho na classe média, o governo decidiu agir: nesta quinta-feira (25), o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, anunciou um programa de estímulos para o carro popular. É um pacote de desoneração de impostos que atende até veículos de R$ 120 mil. E que promete reduzir o preço de saída dos carros 0 km de quase R$ 70 mil para menos de R$ 60 mil. Sobre isso, Natuza Nery conversa com o jornalista André Paixão, editor da revista AutoEsporte, e com Carlos Góes, economista que faz PhD na Universidade da Califórnia e é fundador do Instituto Mercado Popular. Neste episódio: - André analisa a “extinção” dos carros populares no Brasil, um segmento que foi enorme no mercado automobilístico décadas atrás: “São carros que dão menos lucro para os fabricantes”; - O jornalista informa quais veículos devem ser barateados com a redução dos impostos – que seguirão três critérios: preço, emissão de poluentes e cadeia de produção. E lembra que, embora a questão ambiental tenha sido citada pelo governo, “o estímulo não contempla nenhum carro elétrico ou híbrido”; - Carlos explica que as pesquisas econômicas mais recentes apontam que uma “política industrial ótima deve incentivar os setores da base da cadeia produtiva e provêm insumos para os outros”. Ou seja, para ele, o anúncio do governo incentiva um setor que é “exatamente o contrário disso”; - Ele recorda que a política de desoneração fiscal para estímulos setoriais do governo Dilma Rousseff resultou na “maior recessão brasileira em 100 anos”. Para Carlos, tal política pode se justificar com investimentos específicos em pesquisa e desenvolvimento, mas “há risco daquela situação voltar a acontecer”.

May 26, 202325 min

Ep 968Porte de drogas na pauta do STF

A apreensão de 3 gramas de maconha em posse de um presidiário dentro do sistema prisional paulista avançou todas as instâncias da justiça brasileira e chegou à Suprema Corte como um caso de repercussão geral. Ou seja, esse julgamento – pautado para voltar ao plenário nesta semana, depois de 8 anos paralisado – irá decidir se o porte de drogas para uso pessoal é crime. Antes do pedido de vista, o placar registrava 3 a 0 a favor da liberação ao menos da maconha. Para entender o que está em jogo e as repercussões gerais na Justiça e no sistema prisional, Natuza Nery entrevista o criminalista Pierpaolo Bottini, professor de direito penal da USP e autor do livro “Porte de drogas para uso próprio e o STF”, e Cristiano Maronna, diretor do Justa, organização que analisa dados sobre financiamento e gestão do sistema de Justiça. Neste episódio: - Pierpaolo esclarece o mérito do voto dos três ministros que já apresentaram suas posições no Supremo. O argumento central, afirma, é o direito constitucional da “dignidade humana, ou seja, que não se pode criminalizar qualquer tipo de prática ou conduta que diga respeito apenas a mim mesmo”; - Ele avalia que, “dadas as características dos ministros que compõem a Corte”, deve-se chegar a uma maioria a favor da descriminalização. Pierpaolo afirma também que este julgamento é uma “oportunidade para traçar o limite objetivo entre uso e tráfico” para que a decisão tenha impacto significativo; - Cristiano relaciona a política de combate às drogas com o atual estágio de encarceramento em massa no Brasil - são aproximadamente 1 milhão de detentos, terceiro maior contingente do mundo. “A lei de drogas é o principal vetor encarcerador hoje e um exemplo de lei aplicada de forma disfuncional e com efeitos negativos”, afirma; - Ele também afirma que o Brasil é um dos últimos países que ainda criminalizam a posse de drogas (especificamente a maconha) para uso pessoal e “tem uma das piores políticas de drogas do mundo”. E que o STF tem agora a chance de “reduzir a insegurança que existe hoje na lei de drogas”.

May 25, 202326 min

Ep 967CPI do MST - os objetivos do governo e da oposição

Desde a posse de Lula (PT), a bancada da oposição no Congresso se articula para criar uma comissão parlamentar de inquérito contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O ambiente político para isso se fortaleceu no mês passado: em abril - mês no qual o MST realiza ações para lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás (PA), em 1996 – foram registradas ao menos 12 invasões, entre elas em terras do Incra e da Embrapa. Nesta terça-feira (23), a CPI foi aberta com os bolsonaristas Coronel Zucco (Republicanos-RS) e Ricardo Salles (PL-SP), respectivamente, na presidência e na relatoria da comissão. Para analisar impactos políticos e sociais da CPI, Natuza Nery conversa com Luiz Felipe Barbiéri, repórter do g1 em Brasília, e com o sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista do jornal Folha de S. Paulo e autor do livro “PT, uma história”. Neste episódio: - Luiz Felipe conta como os deputados bolsonaristas se organizaram para abrir a CPI e “tirar a atenção da comissão sobre os atos golpistas de 8 de janeiro”, na qual muitos deles são alvo. E relata que os deputados governistas veem a CPI do MST como um “termômetro” para as investigações sobre os atos golpistas; - Ele descreve o “clima tenso” do primeiro dia da comissão: deputados bateram boca, tiveram microfone cortado e deram até tapas na mesa. Para os próximos passos, ele antecipa que ministros do governo serão convocados à comissão para “levar pra frente a narrativa bolsonarista”; - Celso corrobora a análise de que os deputados bolsonaristas irão instrumentalizar a CPI para “ganhar a visibilidade que não tinham conseguido até agora” - e que a oportunidade para debater a sério a reforma agrária no país será perdida. “Se os parlamentares conseguirem usar a CPI para se blindarem vai ser muito ruim”; - O sociólogo explica como PT e MST, que nasceram no mesmo período histórico e tinham forte aproximação ideológica, cultivaram a tensão entre si: “Na década de 90, o PT se modera e o MST se radicaliza mais”. Ainda assim, partido e movimento se mantiveram próximos, numa relação que afasta o agronegócio do governo petista. A única alternativa a Lula, afirma, “é apresentar políticas bem boladas para os dois setores”.

May 24, 202328 min

Ep 966Vinícius Jr. e a reação contra o racismo na Espanha

No último domingo (21), a partida entre Real Madrid e Valencia, pelo Campeonato Espanhol, foi o cenário do mais grave ataque racista contra o atacante brasileiro. Nos últimos minutos do jogo, Vini Jr. identificou os torcedores que iniciaram os gritos e cânticos criminosos, e exigiu alguma reação da arbitragem. No meio da confusão, trocou agressões com um adversário e foi expulso pelo árbitro - ele foi o único punido em campo. Para explicar por que Vini Jr. é o principal alvo de uma cruel campanha de ódio racial na Espanha e o que vem sendo feito para punir os criminosos, Natuza Nery conversa com dois jornalistas: Fernando Kallás, correspondente de esportes da Reuters na península ibérica, e Paulo Cesar Vasconcellos, comentarista da TV Globo e do Sportv. Neste episódio: - Kallás descreve as dez denúncias de racismo contra Vini Jr. abertas apenas nesta temporada do futebol espanhol – e como esses casos “foram arquivados e nunca foram julgados como delito de ódio”. Dentro do contexto esportivo, ele afirma que “nenhum clube sofreu nenhuma punição” pelos atos racistas de seus torcedores; - Ele relata que, pela primeira vez desde que a onda de ataques racistas começou, o atleta está “mais do que arrasado, está revoltado”. Além das ofensas, Vini Jr. precisa lidar com a inação da La Liga (organizadora do campeonato espanhol) e com o racismo velado da imprensa local. “Tudo isso começou em um programa de televisão, com racismo e xenofobia”; - PC Vasconcellos analisa "o silêncio e a omissão” de diversos atores sociais para que o racismo chegasse ao atual estágio no futebol espanhol. E destaca as “boas notícias” que resultam deste caso: o posicionamento do presidente brasileiro, o acordo de colaboração entre Brasil e Espanha contra o racismo e a xenofobia e o fato de “um jovem preto de 22 anos se manifestar e chamar a atenção do mundo”; - PC relaciona o crescimento no número de episódios de racismo ao “avanço da extrema direita pelo mundo”, e afirma que as punições “se mostram insuficientes para a situação ser modificada”. “A minha razão é de pessimismo, mas quando vejo um comportamento como o do Vinícius passo a ficar mais otimista”, conclui.

May 23, 202334 min

Ep 965Mortalidade materna: como combater

No momento mais agudo da pandemia, 70% das gestantes que morreram em decorrência da Covid eram brasileiras. E diante da sobrecarga do sistema de saúde, mulheres não puderam realizar exames adequados para a gestação. Assim, doenças como a pré-eclâmpsia, historicamente a principal causa da mortalidade materna, não tiveram o atendimento médico necessário. Na média, em todos os dias de 2021, 8 mulheres grávidas morreram – trata-se do maior número em mais de duas décadas. No Dia Mundial de Prevenção da Pré-eclâmpsia, Natuza Nery recebe Fatima Marinho, assessora técnica sênior da Vital Strategies, organização global de saúde pública, e a obstetra Maria Laura Costa Nascimento, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Neste episódio: - Fatima fala do “grande retrocesso dos últimos anos”, quando o movimento de queda nos índices de mortalidade materna foi revertido: com o “aumento de casos durante a pandemia”, o número de mortes voltou ao patamar de 1990 – apenas entre 2019 e 2021, os óbitos saltaram de aproximadamente 1.500 para mais de 3 mil; - Fatima também avalia os dados de mortalidade por estado. “Chama atenção o crescimento no Sul, onde havia a menor razão de mortes maternas”, informa – e a principal hipótese para isso é a recusa da vacina contra a Covid. Por outro lado, Pernambuco registrou o melhor resultado; - Laura conta por que a pré-eclâmpsia é a principal causa de mortes maternas no Brasil, embora “evitável em 99% dos casos”. Trata-se de uma síndrome que ataca a pressão arterial e altera órgãos como rins, fígado, cérebro e placenta; - A obstetra detalha o tratamento para a síndrome e como os médicos agem para preparar mãe e bebê para um parto prematuro mais seguro. “Mesmo depois do parto, as mulheres precisam de acompanhamento clínico”, completa.

May 22, 202326 min

Ep 964A crise que faz o varejo fechar lojas

Logo no início do ano, uma das gigantes do setor no Brasil divulgou inconsistências contábeis na casa dos R$ 40 bilhões. A Americanas, então, entrou com pedido de recuperação judicial e suas ações derreteram na bolsa de valores. Diante de um cenário de queda nas vendas do comércio, mais empresas de varejo passaram a apresentar resultados ruins, seguidos de prejuízo nos balanços e fechamento de lojas – num setor que emprega mais de 8 milhões de pessoas e depende do consumo das famílias, cada vez mais endividadas. Para esclarecer as causas e consequências desta crise, Natuza Nery entrevista Guilherme Mercês, diretor de economia e inovação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. Neste episódio: - Guilherme elenca fatores que levaram empresas e famílias a se endividar na pandemia e como o elas “levaram um grande baque com a taxa de juros, que subiu muito”. O resultado é que, hoje, 80% das famílias estão endividadas e uma a cada cinco delas gasta mais da metade da renda para pagar dívidas; - Ele explica como o contexto macroeconômico colaborou para o colapso da Americanas – na esteira dela, outras empresas também pediram recuperação judicial e até falência. “Isso agravou ainda mais o cenário e, obviamente, o custo do crédito sobe”; - O economista também observa a crise em escala internacional durante a intersecção da pandemia com a guerra na Ucrânia: assim como o Brasil, nas economias desenvolvidas houve aumento de juros e alta do endividamento. “Foi todo mundo surpreendido”, afirma, “e um exemplo disso são as big tech, que estão demitindo funcionários no mundo todo”; - Por fim, Guilherme comenta o atual momento de “transformação tecnológica”. Para ele, depois de superar o contexto “turbulento que deve durar até 2026”, as empresas precisam investir na “revolução tecnológica” no médio e longo prazo.

May 19, 202320 min

Ep 963Deltan Dallagnol cassado pelo TSE

Figura proeminente da força-tarefa da Operação Lava Jato, o ex-procurador foi o deputado federal mais votado do Paraná em 2022, pelo Podemos. Ao deixar o Ministério Público para entrar na carreira política, Deltan ficou livre de 15 procedimentos administrativos que poderiam condená-lo à exoneração e deixá-lo inelegível para cargos públicos, com base na Lei da Ficha Limpa. Na terça-feira (16), o Tribunal Superior Eleitoral decidiu por unanimidade que a manobra de Deltan configura “fraude” e cassou o mandato dele na Câmara – seu substituto será o Pastor Itamar Paim (PL). Para explicar a decisão do tribunal eleitoral e o futuro político dos envolvidos na Lava Jato, Natuza Nery recebe o advogado Henrique Neves, ex-ministro do TSE, e Valdo Cruz, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. Neste episódio: - Henrique traduz o voto do relator do processo no TSE, o ministro Benedito Gonçalves: “Se considerou que Deltan fraudou a lei”. Na decisão, explica Henrique, o ministro afirma que o ex-procurador teria “cometido a manobra” de se aposentar para fugir dos processos administrativos que corriam no Conselho Nacional do Ministério Público contra ele; - O ex-ministro do TSE aponta as diferenças entre os processos de Deltan e os do senador Sergio Moro (União-PR). No caso de Moro, o tribunal analisou os casos de forma “completamente diferente”, uma vez que Moro deixou o MP não para uma candidatura, mas para assumir um ministério; - Valdo analisa as chances de Deltan conseguir reverter a cassação no Supremo Tribunal Federal: “São pequenas. E vamos lembrar que ele já começa o julgamento perdendo de 3 a 0”, ao citar os ministros do STF que também estão no TSE. Valdo conta que o deputado cassado tenta até “criar um ambiente” para pressionar o Supremo, ainda que “não tenha clima favorável dentro da Câmara” para isso; - O jornalista revela o comportamento de duas alas do governo Lula em relação a ex-integrantes da força-tarefa da Lava Jato: “uma ala tem mágoa e ressentimento, e fala em ir à forra”, enquanto outro grupo defende “deixar o passado para lá” para reduzir o ruído da polarização política.

May 18, 202327 min

Ep 962Petrobras e a nova política de preços

Durante a campanha eleitoral de 2022, Lula (PT) prometeu que, caso eleito presidente, daria fim à política de paridade de importação para a formação de preços dos combustíveis, a PPI - adotada pela estatal em 2016 como principal medida para recuperá-la de três anos seguidos de prejuízos. Nesta terça-feira (16), Jean Paul Prates, presidente da Petrobras, anunciou a substituição da PPI por uma política que irá “abrasileirar” os preços. Para explicar o que muda na formação do valor do combustível na bomba e quem ganha e quem perde com a transição, Natuza Nery conversa com o economista Breno Carvalho Roos, especialista em petróleo e professor da UFRN, e com Manoel Ventura, repórter de economia do jornal O Globo, em Brasília. Neste episódio: - Breno avalia que o “consumidor ganha” com a nova política, ainda que o comunicado oficial não seja claro em relação à fórmula de precificação que será adotada. Para ele, a estatal tende a reduzir a volatilidade e a “cobrar preços mais baixos”, ao mesmo tempo que "deve manter sua saúde financeira no longo prazo”; - O economista descreve o “peso do preço dos combustíveis na inflação” e suas repercussões macroeconômicas. “Se você tem preços compatíveis, arrefece a pressão inflacionária”, afirma. E no aspecto da demanda, acredita que pode crescer a comercialização de combustível e haver “aumento nas receitas da Petrobras”; - Manoel comenta a reação do mercado financeiro, onde as ações da estatal subiram nesta terça-feira: a mudança na política de preços já estava “precificada” e havia expectativa “pelo pior”, mas a avaliação foi majoritariamente positiva em relação ao anúncio da nova política de preços; - Ele entende que o governo avaliou o melhor momento político para anunciar o fim da PPI: a pauta positiva “mostra que o presidente tem poder para cumprir promessas de campanha”, acena para a base governista e pressiona o Congresso para a aprovar o texto da PEC do arcabouço fiscal, que deve ir ao plenário essa semana.

May 17, 202330 min

Ep 961Turquia rumo ao 2º turno histórico

Chefe de Estado desde 2003 (quando a função ainda era desempenhada pelo primeiro-ministro), Recep Tayyip Erdogan saiu na frente na votação do domingo (14): com 49,51% dos votos válidos e maioria no Parlamento. Então favorito nas pesquisas e líder da coalização de seis partidos de oposição, Kemal Kilicdaroglu obteve 44,8% dos votos. Para analisar os rumos da democracia turca, e como ela reverbera na geopolítica global e no avanço da extrema-direita pelo mundo, Natuza Nery entrevista o economista Maurício Moura, sócio do fundo Zaftra e professor da Universidade George Washington, e Marina Slhessarenko Barreto, pesquisadora do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo e uma das autoras do livro “O caminho da autocracia: estratégias atuais de erosão democrática”. Neste episódio: - Depois de passar 10 dias na Turquia, Maurício relata o clima de “engajamento, polarização e tensão” em cidades pequenas e médias e em metrópoles como Istambul e Ancara. Lá, ele visitou comícios da situação e da oposição, onde foi detido por policiais: “Dá uma noção do clima tenso que envolve política na Turquia”; - O economista explica como a inflação galopante, que já superou os 80% ao mês, age como “principal cabo eleitoral da oposição” nesta eleição, em contraponto ao “domínio da máquina pública” pelo grupo político de Erdogan. E embora Kilicdaroglu tenha também o apoio majoritário dos empresários, ele aposta na vitória do atual presidente; - Marina avalia a “força persistente” de Erdogan, que elegeu maioria no Parlamento turco, e chega ao 2º turno com mais de 2,6 milhões de votos de vantagem. Ela conta como ele conseguiu superar uma tentativa de golpe de Estado e “transformar a Turquia de parlamentarista em presidencialista” para se manter no poder; - A pesquisadora comenta os movimentos de “experimentação e exportação transnacional” de tecnologia política entre a rede de países alinhados à extrema-direita global – caso de Turquia, Hungria, EUA (sob governo Trump) e Brasil (sob Bolsonaro). E destaca o aparelhamento da educação, do espaço cívico e da segurança pública como ferramentas de “autocratização”.

May 16, 202328 min

Ep 960Ghosting - o 'sumiço' em relacionamentos

Fenômeno presente há séculos na cultura dos relacionamentos, o “desaparecer” da vida de alguém, sem dar explicação alguma, ganhou impulso em uma sociedade em que redes sociais e aplicativos de encontro são onipresentes. O sofrimento provocado pelo abandono expõe a dificuldade que temos de lidar com o medo da solidão. Para falar sobre esse comportamento – retratado há mais de 2 séculos por Jane Austen no romance “Razão e Sensibilidade” – Natuza Nery conversa com Natalia Timerman, psiquiatra e autora do livro “Copo Vazio”, em que a personagem principal tem que lidar com o sumiço de um amor, e Ana Suy, psicanalista e professora da PUC-PR, ela é autora de “A gente mira no amor e acerta na solidão”. Neste episódio: - Natalia conta sobre como superou um “perdido” e escreveu um romance, sem saber que tinha sido vítima de ghosting: “Intuí que era algo que não dizia só a mim”. Isso porque, argumenta, quando a ruptura acontece sem explicações, “a dor é muito maior”; - A escritora aponta que o ghosting ocorre entre homens e mulheres, e em relacionamentos hetero e homoafetivos: “É como um tiro no pé, porque o amor é uma potência humana”. No entanto, Natalia pondera que a prática é potencialmente mais prejudicial ao gênero feminino. “No imaginário das pessoas, o relacionamento tem peso maior para as mulheres”, afirma; - Ana analisa as motivações de homens e mulheres para praticar ghosting: “Há dificuldade em falar o que sentimos para o outro”, aponta, lembrando que “pode ser ainda mais difícil dizer o que sentimos para nós mesmos”. E acrescenta que “sumir” é entendido como uma forma de não lidar com a decisão de um rompimento; - Para ela, o medo do abandono e da solidão “se enlaçam em questões muito primitivas em nós” - e podem levar à incompreensão do próprio sofrimento. A psicanalista aponta como a chamada responsabilidade afetiva entra como resposta a isso, mas pode “tolher a naturalidade e espontaneidade” das pessoas nas relações.

May 15, 202326 min

Ep 959Economia do cuidado: o trabalho invisível

Mães e mulheres sobrecarregadas, exaustas, esgotadas. Aspectos das disparidades de gênero nas relações de trabalho. Na média, mulheres passam o dobro do tempo que homens em funções domésticas e de cuidado com filhos e/ou demais familiares. Somadas as horas de trabalho não remunerado de meninas e mulheres em todo o mundo, o total seria equivalente ao quarto maior PIB do mundo, uma geração de US$ 10,8 trilhões por ano. Para debater os vários aspectos do trabalho invisível, Natuza Nery conversa com a jornalista e escritora Vanessa Barbara, autora do livro “Mamãe está cansada”, e com Maíra Liguori, diretora da ONG Think Olga. Neste episódio: - Vanessa recorda dos momentos em que ficou isolada com a filha na pandemia - período que rendeu a ideia para o livro. "É insano achar que uma pessoa só seja capaz de cobrir todos os aspectos de desenvolvimento de uma criança”, afirma. “É mentalmente e fisicamente impossível para a mãe”; - Para ela “a sociedade ainda não entendeu” o peso da sobrecarga da múltipla jornada de trabalho (que contempla trabalho formal, funções domésticas e cuidado com filhos). Os exemplos, aponta, são a falta de investimento em creches, escolas, parques e equipamentos de lazer. “As cidades são hostis com crianças”, conclui; - Maíra resume do que se trata o conceito de economia do cuidado: “A contribuição de maneira gratuita e invisível do trabalho de geração e manutenção da vida”; - Ela argumenta que a atribuição do cuidado centralizado nas mulheres é resultado de um processo cultural presente em todo o mundo, que tem início ainda na primeira infância: “Trata-se de uma imposição cultural”.

May 12, 202328 min

Ep 958Governo e mercado: estranhamento e aproximação

Nesta quarta-feira (10), uma nova edição da pesquisa Genial/Quaest indicou ligeira contradição dentro do mercado financeiro: enquanto agentes seguem mal-humorados em relação a Lula (PT) - cuja avaliação é negativa para 86% dos entrevistados – a avaliação positiva sobre Fernando Haddad (PT), no comando da Fazenda, subiu 16 pontos percentuais. Diante do morde e assopra dos dois lados, o mais recente movimento de aproximação feito pelo governo foi a indicação de Gabriel Galípolo, atual número 2 de Haddad, para a mais importante diretoria do Banco Central. Para avaliar o atual status da relação governo-mercado, Natuza Nery conversa com o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, e com o próprio Gabriel Galípolo. Neste episódio: - Felipe explica como Fernando Haddad se tornou o “malvado favorito” da Faria Lima: aprovação ao arcabouço fiscal, revisão de renúncias fiscais e iminente queda na taxa de juros. Mas pondera como Lula segue por um caminho diferente e “ainda não comprou o mercado”; - O cientista político descreve as atribuições do diretor de política monetária do BC: “Uma posição que fala muito com o mercado financeiro”. E revela que a expectativa dos agentes econômicos é de que, ao assumir o cargo, Galípolo esteja integrando um “estágio de um ano e meio antes de virar presidente do BC” - o mandato de Campos Neto vai até o fim de 2024; - Galípolo diz que sua indicação à diretoria do BC se deve ao “excelente diálogo” que tem com o atual presidente da instituição - com quem, diz, “conversa quase todo dia”. E afirma que isso faz parte de um movimento para “harmonizar as políticas fiscal e monetária”; - O economista avalia a opinião do mercado sobre a atuação do governo e responde que “o mercado oferece outra ferramenta muito boa, que são os preços dos ativos”. Para Galípolo, é natural que os agentes financeiros tenham recebido as propostas da Fazenda com ceticismo – que, argumenta, “só será vencido com ações e com vitórias”.

May 11, 202330 min

Ep 957Rita Lee, a majestade do rock, por Ney Matogrosso

Morreu aos 75 anos a voz mais importante do rock ‘n roll brasileiro – mas que não se limitava ao gênero e experimentou diversos ritmos ao longo de 5 décadas de carreira e 40 álbuns publicados, que renderam a ela mais de 55 milhões de exemplares vendidos. Rita Lee nasceu em São Paulo e explodiu para a cena musical na década de 1960, durante o movimento tropicalista, quando integrava os Mutantes. Depois, em carreira solo – mas sempre em parceria com seu companheiro de vida, Roberto de Carvalho, com quem teve três filhos – colecionou hits e sucessos. Além do talento, deixa um legado de autenticidade e liberdade. Para dar conta de contemplar diversos aspectos desta rica personalidade, Natuza Nery conversa com Ney Matogrosso, uma das maiores vozes da música brasileira e amigo de Rita. Neste episódio: - Ney conta que observa Rita Lee desde antes de ser artista e o quanto a imagem dela de “noiva grávida” na década de 1960 imprimiu nele uma marca da revolução e da transgressão. “Me fez sentir como sua alma gêmea”, afirma; - Ele recorda as características da cantora que a faziam “diferente” e algumas das canções que a parceira escreveu para que ele cantasse: “Ela me sacava. Eu via a letra e pensava que era eu. Mas era ela também”; - Ney também fala sobre a forma como Rita Lee fazia questão de se mostrar uma representante de São Paulo: “Ela era uma representação dessa cidade desvairada”; - Ele explica como a artista venceu a resistência de um cenário “careta” na música brasileira e “reforçou a visão de que a música brasileira é antropófaga”.

May 10, 202330 min

Ep 956O nº 2 de Haddad indicado ao Banco Central

Gabriel Galípolo entrou no governo como secretário executivo da Fazenda, indicação direta do chefe da pasta, Fernando Haddad (PT) - de quem se tornou homem de confiança. Agora, em mais um capítulo da guerra fria entre Lula (PT) e Roberto Campos Neto (presidente do Banco Central) sobre a taxa básica de juros, Galípolo foi o nome escolhido pelo Executivo para assumir a diretoria de política monetária da instituição. Para analisar a indicação e o futuro dos juros e da inflação, Natuza Nery recebe Solange Srour, economista-chefe do banco Credit Suisse Brasil. Neste episódio: - Solange descreve as funções do diretor de política monetária, responsável pela política cambial e por implementar a Selic: “É uma das diretorias mais técnicas do Banco Central”; - Ela conta que, para o mercado, Galípolo já desponta como favorito para assumir a presidência do BC em 2024, mas que ele não deve intervir na taxa de juros no curto prazo. Pesa sobre Galípolo, avalia a economista, dúvidas sobre sua visão em relação à meta de inflação e sua disposição em “fazer uma virada total” na política monetária; - Solange afirma que o “desafio de Galípolo é muito grande” para estabilizar um quadro no qual a inflação, de fato, está “muito alta” e com expectativas de futuro também elevadas. Ele deve assumir com a aprovação do “sistema político”, mas vai precisar também da confiança do mercado; - A economista apresenta sua avaliação de que o BC “não está errando a mão” ao manter os juros em 13,75% ao ano, e que o Brasil pode entrar em breve em um "ciclo de afrouxamento monetário”. Para ela, ainda falta confiança na "votação do arcabouço fiscal e a definição na meta de inflação”.

May 9, 202327 min

Ep 955A política de valorização do salário mínimo

Quando deixou a Presidência, em 2010, depois de dois mandatos, Lula (PT) creditou ao salário mínimo (que teve ganho real de 67% ao longo daqueles 8 anos) parte significativa das conquistas que seu governo teve na redução da pobreza - além do crescimento econômico. Agora em seu terceiro mandato, Lula anunciou um compromisso com o aumento anual do valor acima da taxa de inflação - e, inclusive, encaminhou ao Congresso Nacional um projeto para que o reajuste se torne lei. Para explicar o impacto do salário mínimo na economia brasileira e no combate à desigualdade, Natuza Nery entrevista Clara Brenck, doutora em economia pela New School, em Nova York, e pesquisadora associada do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP. Neste episódio: - Clara demonstra porque o “efeito mais direto de valorizar o salário mínimo acima da inflação é a redução das desigualdades”: trata-se do valor base do mercado de trabalho formal e, no Brasil, tem um valor adicional para os benefícios previdenciários, justifica; - Ela também avalia o risco de que a política permanente de reajuste do salário mínimo acima da inflação impacte nos níveis de contratação formal. “O mais importante para esta equação é que os postos de trabalho formal aumentem. E isso vai acontecer se a economia crescer”; - A economista menciona o impacto de outros fatores, como a taxa básica de juros, o alcance e valor do Bolsa Família e o efeito da nova regra fiscal, para o crescimento econômico. E valoriza o poder de compra das famílias como “efeito multiplicador”.

May 8, 202316 min

Ep 954A coroação de Rei Charles III

Neste sábado (6), o primogênito da mais longeva rainha da história britânica ascende oficialmente ao trono do Reino Unido. Charles, que aos 4 anos viu sua mãe ser coroada Rainha Elizabeth II, 70 anos atrás, numa luxuosa cerimônia na Abadia de Westminster, será agora o protagonista de uma celebração repleta de rituais que remontam à Idade Média. Depois de coroado rei, será o chefe de Estado de uma monarquia que enfrenta problemas econômicos e a crescente insatisfação de nações que integram a comunidade de ex-colônias britânicas. Para descrever o clima e as particularidades da cerimônia de coroação e os desafios do futuro rei, Natuza Nery recebe Cecilia Malan, repórter da TV Globo em Londres, e Renato de Almeida Vieira e Silva, autor do livro “God Save the Queen – o imaginário da realeza britânica na mídia”. Neste episódio: - Cecília relata como estão as ruas da capital inglesa e o status atual da popularidade da monarquia. Por um lado, revela, há imagens de Charles por todos os cantos, por outro, grupos se organizam para protestar contra a Coroa: “É difícil dissociar a Família Real da identidade britânica e também ignorar os milhões de turistas atraídos pela realeza”; - A jornalista conta também os detalhes da cerimônia: o uso das joias da realeza e dos luxuosos trajes bordados a ouro, os protocolos das carruagens e os ritos públicos e privados do evento – uma conta que vai integralmente para o cofre britânico. “Gera dinheiro para o governo, mas há críticas sobre os privilégios reais”, afirma; - Renato comenta o posicionamento dos países que tem o rei como chefe de Estado e dos que compõem a Commonwealth diante da monarquia britânica. Há um grupo de nações, afirma, “que é contrário a qualquer coisa que os lembre seu passado colonial”, mas pondera que “alguns desses países são dependentes economicamente do Reino Unido”; - Ele avalia que o maior desafio enfrentado pelo Rei Charles III será “tornar o Reino Unido relevante no século 21”. Para acertar o tom, afirma, “será preciso estar o mais perto possível das pessoas mais jovens” com pautas de meio-ambiente e de diversidade.

May 5, 202328 min

Ep 953Bolsonaro e a carteira de vacinação

Na manhã desta quarta-feira (3) a Polícia Federal bateu à porta do ex-presidente da República. Os agentes cumpriam um mandado de busca e apreensão na casa dele em Brasília, onde passaram três horas e apreenderam o celular do ex-presidente. A operação da PF – que atendeu a mais 15 mandados e prendeu 6 suspeitos, entre eles o tenente-coronel Mauro Cid, o faz-tudo de Bolsonaro (PL) – agiu em busca de indícios e provas da suposta fraude no cartão de vacinação de Jair e de sua filha de 12 anos. Trata-se do resultado de uma investigação iniciada dentro do inquérito das milícias digitais que envolve troca de favores com políticos regionais e até um diálogo sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. Para explicar o que levou a PF à casa de Bolsonaro e o futuro dele e de Cid na Justiça, Natuza Nery conversa com Bruno Tavares, repórter da TV Globo, e Eloísa Machado, doutora em Direito pela USP e professora de Direito na FGV-SP. Neste episódio: - Bruno descreve como a investigação chega a Mauro Cid e o episódio de fraude da carteira de vacinação dele, da mulher e das filhas: “Havia ansiedade e insistência em cometer esses crimes”. Depois de uma tentativa frustrada em Goiás, ele apelou a um “aliado político de Bolsonaro em Duque de Caxias”; - Ele avalia a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que autorizou a operação Venice e sugere que o ex-presidente tinha total ciência do esquema fraudulento. Um dos indícios, afirma, é que o acesso ao sistema ConecteSUS para emitir o certificado de vacinação de Bolsonaro foi realizado via “um ID de acesso atribuído a Mauro Cid”; - O jornalista também recupera o diálogo entre o militar da reserva Ailton Barros e Mauro Cid, no qual suspeita-se “uma troca de favores”: Ailton intermediaria a emissão de um cartão falso de vacina em Duque de Caxias, valendo-se da influência do ex-vereador Marcello Siciliano; então Cid agiria para facilitar a obtenção de um visto americano para Siciliano; - Eloísa lista a série de crimes nos quais Jair Bolsonaro pode ser incriminado por sua conduta na resposta à Covid. “Nos casos de crimes mais graves, pode ter como resultado uma condenação à pena de prisão”; - Ela também comenta a atuação “ínfima” da PGR para “obstar as medidas equivocadas” do governo Bolsonaro. “Houve a colaboração do principal órgão de controle para que a pandemia fizesse o estrago que fez no Brasil”, afirma.

May 4, 202341 min

Ep 952A guerra em torno do PL das Fake News

Na noite desta terça-feira (2), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), adiou a votação do Projeto de Lei 2630 a pedido do relator, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP). A proposta que tramita desde 2020, e já passou pelo Senado, esteve no centro de uma polêmica que envolveu propaganda do Google contra o projeto - o que provocou forte reação do governo. Para analisar a tensão das big techs com o texto e os prós e contras de uma possível aprovação, Natuza Nery conversa com Pablo Ortellado, coordenador do monitor do debate público digital, professor da USP e colunista do jornal O Globo, e Marie Santini, diretora do NetLab, da UFRJ, autora do estudo que apontou suposto abuso de poder econômico das plataformas digitais. Neste episódio: - Ortellado explica o que muda para as plataformas caso o PL seja aprovado: o modelo, que se assemelha ao adotado nos países europeus, exige que as empresas tenham "o dever de moderar conteúdos”; - Ele comenta o que pensam os três grupos que estão contra o projeto. “O principal argumento é que empresas vão tirar conteúdo”, com medo de punições e multas, afirma; - Marie explica o modelo de negócio das big techs: “São empresas de publicidade que não querem nenhuma limitação para o negócio delas”. E ressalta que elas precisarão investir muito para garantir a transparência exigida pelo PL, caso aprovado; - Ela justifica a importância do PL para garantir “transparência e responsabilidade” dos algoritmos das plataformas: “A atuação delas compromete o processo eleitoral e a própria democracia”.

May 3, 202333 min

Ep 951Yanomamis de novo sob ataque do garimpo

No último final de semana, a tensão voltou a subir dentro do maior território indígena do Brasil - três meses depois de o governo federal iniciar uma megaoperação para acabar com a atividade criminosa e atuar contra a crise sanitária de malária. No sábado, um ataque de garimpeiros terminou com a morte de Ilson Xiriana e mais dois indígenas feridos. No dia seguinte, agentes do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal foram recebidos a tiros em uma operação contra o garimpo – o conflito armado terminou com quatro garimpeiros mortos. Para atualizar a situação dos yanomami, Natuza Nery conversa com Rubens Valente, escritor e jornalista da Agência Pública que passou mais de 20 dias dentro da Terra Indígena. Neste episódio: - Rubens endossa as denúncias de lideranças indígenas sobre a presença de garimpeiros em grande escala dentro do território yanomami – e eles estão se preparando para novos ataques. “Isso demonstra a força armada desses garimpeiros”, afirma; - Ele avalia também a operação empreendida pelo governo, que falha pela falta “de coordenação central, embora seja um avanço”. E revela a pressão de entidades e organizações civis pela colaboração dos militares no combate ao crime: “É a hora da verdade para as Forças Armadas”; - O jornalista, por outro lado, elogia a ação do governo e das Forças Armadas no atendimento à emergência sanitária dos yanomami. Mas aponta os problemas do “apagão de dados” no Ministério da Saúde e do “expressivo número de contaminações por malária”; - Ele relata o status das operações em outras 6 Terras Indígenas no Norte do país que também sofrem com o garimpo ilegal: “Devem ser esvaziadas até dezembro”, afirma.

May 2, 202326 min

Ep 950O caso Cuca e a violência de gênero no futebol

Em julho de 1987, o quarto 204 do Hotel Metropole, em Berna, foi o cenário do crime de estupro de vulnerável contra uma menina de 13 anos. Os acusados – que seriam condenados 2 anos depois pela Justiça suíça - eram quatro jogadores do Grêmio: são eles Eduardo, Fernando, Henrique e Alexi, conhecido desde aquela época como Cuca. O caso de Berna ficou esquecido até que um movimento contra a violência de gênero no futebol se consolidou após a condenação de Robinho por estupro na Itália, três décadas depois. Ao assinar com o Corinthians, o agora treinador sofreu rejeição inédita e, sob pressão da torcida e imprensa, pediu demissão. Para explicar o que a Justiça da Suíça afirma sobre o crime e o que mudou no mundo do futebol desde então, Julia Duailibi recebe André Rizek, apresentador do SporTV, e Gabriela Moreira, repórter de esportes da Globo. Neste episódio: - Rizek recorda como a imprensa e a sociedade trataram os atletas na época do crime: os quatro, afirma o jornalista, “receberam tratamento de vítima e foram recepcionados como heróis em Porto Alegre” e nem a condenação na Suíça impediu que seguissem suas carreiras; - Ele apresenta a alegação de Cuca de que nunca teria sido reconhecido pela vítima no processo, mas pondera que a “informação provavelmente é falsa”. Isso porque o advogado da vítima desmente essa versão e afirma que não só a menina identificou Cuca, como ainda teve comprovada por um exame laboratorial a presença do sêmen dele em seu corpo; - Rizek também avalia o posicionamento da torcida do Corinthians, que se posicionou pela saída do treinador em protestos públicos, reuniões internas e redes sociais – uma reação que avalia ter sido “mal dimensionada” pela diretoria ao contratar Cuca; - Gabriela justifica por que este episódio “já representa uma mudança de comportamento” do mundo do futebol em relação à violência de gênero. “É um avanço e as mulheres já não pregam mais sozinhas”, afirma; - A jornalista explica sua posição em relação à “ressocialização de condenados”: para ela, Cuca precisa “mostrar que prestou contas à sociedade” e, embora tenha tido a chance de refletir e se posicionar sobre o que fez, "não foi assim que ele agiu”.

Apr 28, 202329 min

Ep 949Vacinação - baixa adesão e os desafios do Brasil

Eficaz contra as variantes da ômicron do coronavírus, a vacina bivalente praticamente encalhou nos postos de saúde. Até o momento, foram aplicadas 10,5 milhões de doses para os grupos prioritários - ou seja, apenas 20% do público-alvo previsto pelo Ministério da Saúde. É o episódio mais recente de um movimento baixa adesão às vacinas, que reduziu, e muito, a cobertura brasileira contra doenças que já haviam sido erradicadas, caso da poliomielite, do sarampo e da meningite. Para explicar o que aconteceu e como refazer do Plano Nacional de Imunização (PNI) um orgulho nacional, Julia Duailibi conversa com o médico Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria. Neste episódio: - Renato Kfouri justifica por que, neste momento, a vacina bivalente contra a Covid é “a melhor disponível”. E fala sobre a importância da vacinação em massa com a bivalente para proteção contra eventuais novas subvariantes, principalmente com a aproximação do inverno; - Ele destaca a necessidade de “ter abastecimento de vacina”, “capacitação de profissionais” e “campanhas de comunicação” para o PNI atingir suas metas – e pondera que a falta de orçamento pode ser o “gargalo” para o setor: “Tivemos boas sinalizações do governo e vimos vontade de avançar nestes pontos”, afirma; - O médico analisa a acentuada queda da vacinação no país desde 2017 e fala sobre seu receio da volta de doenças já erradicadas. Para reverter esse fenômeno, ele acredita que o caminho “começa pelo maior ente federativo do país, o Ministério da Saúde”.

Apr 27, 202323 min

Ep 948O rastro de Bolsonaro no 8 de janeiro

Nesta quarta-feira (26), o ex-presidente volta a ficar frente a frente com agentes da Polícia Federal. Agora, para prestar depoimento sobre a invasão de golpistas bolsonaristas à sede dos três Poderes em Brasília. Para explicar o que levou Bolsonaro ao centro da investigação e quais suas estratégias de defesa, Julia Duailibi conversa com Bela Megale, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, e Vera Magalhães, colunista e comentarista nos mesmos veículos e, também, apresentadora do Roda Viva, da TV Cultura. Neste episódio: - Bela informa que elementos da órbita de Bolsonaro o aproximaram das investigações: posts contra o sistema eleitoral, a proximidade com Anderson Torres e a minuta do golpe; - Ela fala também sobre as principais preocupações do entorno do ex-presidente e cita o caso da reunião com os embaixadores na qual Bolsonaro mentiu sobre a urna eletrônica - “e que tem grande potencial para deixá-lo inelegível” - e o caso das joias milionárias da Arábia Saudita - “que põe pressão em Jair, Michelle e o PL”; - Vera explica por que “sem Bolsonaro não existiria o 8 de janeiro”. A lista de evidências varia entre ameaças a ministros do STF, divulgação de fake news a respeito do sistema eleitoral, estímulo ao aquartelamento de apoiadores nos quarteis e a articulação para por a PRF nas estradas durante o segundo turno da eleição; - Ela ainda analisa o cerco a dois importantes personagens: o General Augusto Heleno e o ex-ministro da Justiça. Isso porque, avalia Vera, as imagens do Palácio do Planalto revelam “servidores militares e cadeia de comando” próximos ao General Heleno e a “fragilidade emocional” de Torres preocupa Bolsonaro.

Apr 26, 202329 min

Ep 947Governo x oposição na CPMI dos atos golpistas

A comissão parlamentar de inquérito que irá investigar no Congresso os atos golpistas de 8 de janeiro deve começar nesta semana – a expectativa é que a leitura do texto que irá abrir a comissão mista de Senado e Câmara ocorra quarta-feira (26). A base bolsonarista insiste na tese de que o atentado às sedes dos três Poderes ocorreu por ação ou omissão de agentes do governo federal – caso do ex-ministro do GSI, general Gonçalves Dias, identificado pelas imagens do circuito de segurança no Palácio do Planalto. O vazamento destes vídeos, inclusive, promoveu um cavalo de pau na orientação dos governistas: de refratários à comissão parlamentar de inquérito, passaram a apoiar sua criação e devem ter a maioria entre deputados e senadores. Para apresentar argumentos de lado a lado, Julia Duailibi conversa com os deputados federais Altineu Cortês (PL-RJ), líder de seu partido na Câmara, e Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo no Congresso. Neste episódio: - Altineu classifica os eventos de 8 de janeiro como “o maior ataque à democracia” do país e diz que a CPMI “deveria ser a prioridade do governo” para que a sociedade conheça aquilo que classifica como “verdade dos fatos”; - O deputado do PL critica a atuação do general Gonçalves Dias, a quem chama de “omisso”. Com base no depoimento de G. Dias à PF, ele afirma que o governo estava ciente do risco das invasões e que o “ex-ministro tem total responsabilidade” em relação à equipe do GSI; - Lindbergh argumenta por que o governo rejeitou, até a semana passada, a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito: “foco para trabalhar e aprovar nossos projetos” e confiança “na investigação séria comandada pelo ministro Alexandre de Moraes”; - O petista diz desconfiar que a motivação da oposição em mobilizar a CPMI é “atrapalhar a investigação”. E garante que, no Congresso, os governistas terão “maioria na comissão e o PL não vai conseguir nem a presidência e nem a relatoria” - e detalha como andam as negociações de bastidores.

Apr 25, 202328 min

Ep 946Saúde mental de adolescentes: riscos e ajuda

Ansiedade, depressão, síndrome do pânico... Antes mesmo da pandemia, um terço dos adolescentes de 13 a 17 anos já se diziam tristes “na maioria das vezes” ou “sempre”. Cenário agravado pelo período de isolamento pela Covid, quando escolas ficaram fechadas e jovens foram “empurrados” para as telas. Somado ao uso irrestrito de redes sociais, fatores que criaram uma “bomba relógio”. Para refletir sobre a deterioração da saúde mental nesta faixa etária, Julia Duailibi conversa com Vera Iaconelli, doutora em psicanálise pela USP, diretora do Instituto Gerar de Psicanálise e colunista do jornal Folha de S. Paulo. Neste episódio: - Vera explica como a adolescência é naturalmente um período de mais sofrimento, adaptações, crescimento e transformações, portanto de mais “vulnerabilidade psíquica”. Para ela, crianças e jovens têm sintomas que demonstram como o sofrimento típico desta fase da vida não está sendo solucionado; - Ela aponta como a pandemia “acelerou o processo” de exposição de crianças e jovens às telas, e consequentemente às redes sociais. Produtos com alto potencial de dependência psíquica, telas e redes sociais devem ter o uso controlado a partir de "ações dos pais, da sociedade e do Estado”, diz; - A psicanalista chama atenção para a importância de monitorar o uso de crianças e adolescentes nas redes sociais, evitando o uso irrestrito. Para ela, o uso sem monitoramento equivale a “deixar uma criança em praça pública e depois voltar para ver o que aconteceu”. E aponta como Estado e escola devem contribuir nesse processo; - Vera indica quais são os sinais de alerta para famílias buscarem ajuda, como mudanças de comportamento, na alimentação e nos cuidados com o corpo. E conclui sobre a importância de “escutar” crianças e adolescentes, “mais do que falar”, para entender o processo vivido nesta fase da vida.

Apr 24, 202325 min

Ep 945A queda do ministro Gonçalves Dias do GSI

Imagens inéditas reveladas nesta quarta-feira (19) mostram que o então ministro do Gabinete de Segurança Institucional, o militar da reserva Gonçalves Dias, estava no Palácio do Planalto durante a invasão golpista da sede dos Três Poderes em 8 de janeiro. A divulgação do vídeo desencadeou uma crise no governo, que culminou no pedido de demissão de G. Dias – substituído interinamente por Ricardo Capelli – e na adesão da bancada governista à abertura de uma CPI sobre os atos golpistas. Para analisar os efeitos da primeira queda de um ministro na gestão Lula 3, Julia Duailibi conversa com Guilherme Balza, repórter da GloboNews em Brasília, e com Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Neste epsódio: - Balza revela a repercussão das imagens nos bastidores do governo. Ele informa que Lula ficou “bastante decepcionado” e convocou duas reuniões - a primeira com ministros de confiança do presidente; na sequência, houve o pedido de demissão do ministro militar do GSI; - Bernardo fala sobre a antiga relação de Lula com Gonçalves Dias, que participou dos mandatos 1 e 2 do petista, quando recebeu o apelido de “sombra” de Lula, e que Dias foi indicação “da cota pessoal” do presidente para o ministério; - Ele explica o que está por trás do desejo da oposição em criar a CPI de 8 de janeiro: “desviar o verdadeiro foco das pessoas presas, do financiamento e das investigações”, que está com a PF. Bernardo avalia também o “erro” do governo em menosprezar o risco desta comissão parlamentar se concretizar e, agora, em como os bolsonaristas “devem usar as imagens” de G. Dias; - O jornalista comenta a relação conflituosa da esquerda com as Forças Armadas - tensão acentuada depois dos 4 anos de governo Bolsonaro. Para ele, “consolidar a democracia” e “barrar o movimento golpista com participação militar” são os principais desafios da atual gestão.

Apr 20, 202327 min

Ep 944A ambição brasileira de mediar a guerra da Ucrânia

Ao prometer a volta do Brasil ao centro da diplomacia global, Lula (PT) propôs a criação de uma comissão de nações independentes para negociar o fim do conflito. Desde então, manda sinais contraditórios ao cenário internacional. Nas reuniões da ONU, o Itamaraty votou pela retirada das tropas russas do território ucraniano. Diante dos microfones, Lula equiparou as responsabilidades de Putin e Zelensky pela guerra e disse que a decisão pelo conflito foi tomada pelos dois países - uma versão equivocada, que o presidente foi obrigado a esclarecer no dia seguinte. Para explicar as expectativas, os erros e os acertos da diplomacia brasileira na questão ucraniana, Julia Duailibi conversa com Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil na França e na Argentina e conselheiro emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cerbi). Neste episódio: - O embaixador comenta o desejo de Lula fundar um “clube da paz” - e como as recentes declarações do presidente “claramente desqualificam o país como confiável para encontrar a fórmula da paz”; - Azambuja aprova o discurso brasileiro de “colaboração para a construção da paz”, embora nem sempre “com as ferramentas ideais” para atingir este objetivo. “O Brasil está no caminho certo, mas não pode se oferecer para ser mediador”, avalia; - Ele também duvida dos benefícios de uma eventual viagem de Lula à Ucrânia: “O Brasil não pode cair nas armadilhas de grupos em contradição e confronto”. Para ele, o país deve “atuar em um perfil mais baixo” e construir um discurso “sereno e preciso”; - Por fim, o embaixador afirma “categoricamente” que a diplomacia brasileira é mais influente sob o governo Lula em relação a Bolsonaro. “O Brasil voltou ao palco internacional e a ser um país com razão para se dar bem com todos”, conclui.

Apr 19, 202323 min

Ep 943Os atos de 8/01 em julgamento no STF

Nesta terça-feira (18), o Supremo Tribunal Federal começa o julgamento dos primeiros 100 denunciados pelos atos golpistas de 8 de janeiro – nesta etapa do processo, cabe aos ministros definir quais deles vão virar réus. O total de acusações soma 1.390 pessoas, e os crimes são vários, entre eles golpe de Estado e deterioração de patrimônio tombado – estima-se prejuízo superior a R$ 26 milhões. Para entender os meandros do maior processo que já chegou à Suprema Corte brasileira, Julia Duailibi conversa com Mariana Muniz, repórter do jornal O Globo em Brasília, e Rubens Glezer, professor da FGV Direito-SP e autor do livro “Catimba Constitucional”, sobre a história recente do Supremo. Neste episódio: - Mariana descreve quais são os crimes pelos quais os 100 primeiros denunciados podem virar réus e projeta que “muito em breve” deve haver uma segunda leva de acusações - neste momento, estão presos 294 suspeitos; - A jornalista diz que a expectativa é que o relator, ministro Alexandre de Moraes, concorde com o parecer da PGR e apresente os 100 votos individualmente. Depois, os demais ministros apresentarão seus pareceres: “Uma boa expectativa de placar é 8 a 2”, afirma; - Rubens comenta o ineditismo deste julgamento, em um momento de desgaste da imagem do Supremo – para ele, a Corte deve “tentar estabelecer um efeito simbólico e prático para tentar deter um golpismo que ainda está presente”; - Ele também avalia a “crescente desconfiança sobre o Estado democrático de direito” e a disposição de grupos organizados para atacá-los. “O caso brasileiro”, afirma, “pode ser o grande símbolo da retomada em prol desse pacto civilizatório”.

Apr 18, 202328 min

Ep 942A reconstrução da área ambiental no pós-devastação

Ao assumir para seu terceiro mandato, Lula (PT) garantiu que o meio ambiente e o clima seriam prioridades na agenda do governo. As primeiras ações na área foram a nomeação de Marina Silva (Rede) para o Ministério do Meio Ambiente, a retomada do Fundo Amazônia e a ação emergencial na Terra Indígena Yanomami contra o garimpo ilegal. Mas os dados do primeiro trimestre apontam que há muito mais a fazer: de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento na Amazônia e no Cerrado bateu recorde no mês de fevereiro e segue crescendo. Para entender as ações do governo e pensar em modelos de desenvolvimento sustentável, Julia Duailibi conversa com Daniela Chiaretti, repórter especial de meio ambiente do jornal Valor Econômico, e Ricardo Abramovay, professor titular da cátedra Josué de Castro da USP e autor do livro “Infraestrutura para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”. Neste episódio: - Daniela explica por que é “complicado reverter a curva de desmatamento”: um dos principais motivos é que hoje, na Amazônia, “existe uma ilegalidade associada ao crime organizado”; soma-se a isso o cenário de “terra arrasada” deixado pelo governo Bolsonaro; - Ela descreve como o ministério liderado por Marina Silva vem tentando recuperar sua capacidade de fiscalização. Um exemplo é o Ibama, que “está com metade dos servidores públicos que tinha no passado” e precisa de treinamento para agir em campo. Daniela também informa quantos milhões de reais o governo federal destinou à pasta; - Abramovay fala sobre o “extraordinário potencial da Amazônia em várias dimensões”, mas aponta que o uso sustentável dessa riqueza, hoje, está abaixo de outros países. Um exemplo é a “capacidade extremamente baixa da pecuária na Amazônia” - atividade que acaba maquiando ocupações ilegais e especulação latifundiária; - Ele explica o que significa a “agenda pós-desmatamento”: é preciso melhorar a assistência técnica aos produtores rurais e melhor aproveitamento dos produtos existentes na Amazônia; e também “beneficiar as cidades e seu potencial de serviços urbanos”.

Apr 17, 202332 min

Ep 941Bolsonaro sob risco da inelegibilidade

Em julho do ano passado, o então presidente convocou embaixadores para uma reunião no Palácio do Alvorada, e lá proferiu uma série de acusações mentirosas sobre o sistema eleitoral e a urna eletrônica. Um abuso de poder político que se repetiria em diversas oportunidades, como no caso das comemorações do 7 de Setembro. E que resultou em uma ação no Tribunal Superior Eleitoral, ingressada pelo PDT. Na quarta-feira, um parecer assinado pelo vice-procurador eleitoral Paulo Gonet Branco, do Ministério Público Eleitoral, afirma que as provas reunidas no processo configuram irregularidade e pede ao TSE a condenação de Bolsonaro, o que o tornaria inelegível por 8 anos. Para explicar o que vem pela frente nos tribunais, Julia Duailibi entrevista Flávia Maia, repórter em Brasília do Jota, plataforma especializada na cobertura do Judiciário, e Walber Abra, professor da Faculdade de Direito do Recife (UFPE), livre docente pela USP e advogado do PDT. Neste episódio: - Flavia descreve as acusações presentes nas 16 ações que tramitam no TSE contra o ex-presidente: abuso de poder político e econômico e uso indevido de meios de comunicação. E explica que, ainda que caiba recurso no STF, “já há ali uma convicção meio formada”; - Ela também comenta que o vazamento do parecer do MP Eleitoral é “sinal muito ruim para a defesa de Bolsonaro”. A expectativa era para o julgamento ser realizado em maio, mas, lembra a jornalista, que a defesa do ex-presidente entrou com pedido para investigar o parecer vazado; - Walber justifica por que entrou com a ação contra o ex-presidente: “Foi um ataque à legislação e ao sistema eleitoral. E isso tudo é auto evidente”. E menciona que “é muito claro que Bolsonaro sabia” sobre a minuta do golpe encontrada na casa de seu ex-ministro da Justiça; - O advogado também falou sobre a posição do MP Eleitoral em relação ao general Braga Netto, candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro. “Agora, cabe ao TSE analisar se mantém seu posicionamento”, conclui.

Apr 14, 202320 min

Ep 940EXCLUSIVO: N° 2 da Fazenda fala sobre taxação a sites chineses

"Não muda nada” para quem compra de maneira legal, afirma o secretário-executivo do Ministério da Fazenda em entrevista exclusiva a Julia Duailibi neste episódio de O Assunto. Gabriel Galípolo explica as motivações e as expectativas do governo com a medida. Com a nova regra, o governo espera arrecadar R$ 8 bilhões por ano – a expectativa apresentada por Fernando Haddad é de aumentar a receita entre R$ 110 bilhões a R$ 150 bilhões para cumprir a meta estabelecia na nova regra fiscal. A Receita vai cobrar imposto de 60% sobre o valor da mercadoria nas compras internacionais de até US$ 50 – o que afeta, sobretudo, a comercialização com sites chineses. Participa também Alberto Serrentino, consultor especialista em varejo e fundador da Varese Retail. Neste episódio: - Galípolo afirma que “quem compra produtos regularizados seguirá pagando o imposto que já paga”. Isso porque, explica, a cobrança sempre existiu na relação entre pessoa jurídica e pessoa física - e que, para evitar sonegação fiscal, a nova regra extingue a isenção para o comércio entre duas pessoas físicas; - O secretário-executivo da Fazenda diz que a medida “está colocando à luz do sol um problema que existe” e que a taxação das mercadorias compradas em sites internacionais é fundamental para garantir a isonomia entre empresas nacionais e estrangeiras: “Pode lesar o ambiente competitivo, pode lesar a economia brasileira e comprometer até a geração de empregos”, afirma; (12:40) - Ele também apresenta algumas ideias que irão aparecer na Medida Provisória a ser apresentada nos próximos dias; - Alberto explica o fenômeno do crescimento do comércio via cross border, acentuado durante a pandemia e que chegou às cifras de R$ 50 bilhões apenas por parte de compradores brasileiros. Com a tributação, afirma, a concorrência entre produtos nacionais e internacionais será mais justa e, também, “haverá impacto no aumento de preços”; - Ele critica o atual limbo regulatório e cobra regras tributárias mais claras e mais capacidade de fiscalização por parte da Receita. “Precisamos ter mais eficácia na arrecadação e maior alcance na tributação para descer a carga tributária geral e o consumidor poder comprar mais barato”, afirma.

Apr 13, 202332 min

Ep 939Dalai Lama – o líder budista em xeque

Nascido com o nome de Tenzin Gyatso, ele foi reconhecido ainda bebê como a 14ª encarnação de Buda – se tornando líder espiritual e chefe de estado do Tibete. Durante décadas, foi o símbolo da busca pela paz entre o governo central da China e os tibetanos, cujo território está sob o comando de Pequim. Sua história rendeu o prêmio Nobel da Paz em 1989 e homenagens em pelo menos dois filmes de Hollywood na década de 1990. Nos últimos anos, no entanto, sua imagem vem sendo arranhada por deslizes públicos, o mais grave deles registrado em vídeo, no qual tenta encostar a língua na boca de uma criança. Para descrever a trajetória do líder budista e o que ele representa na geopolítica local, Julia Duailibi recebe Marcelo Lins, apresentador e comentarista da GloboNews, e Paulo Menechelli, pesquisador da diplomacia cultural da China e cofundador da rede Observa China. Neste episódio: - Marcelo descreve como Tenzin foi identificado ainda na infância como Dalai Lama, e quais são as funções e responsabilidades do cargo. E justifica por que é “difícil desassociar os processos” de sua perda de prestígio internacional e do crescimento do poder econômico, político e cultural da China; - Ele também comenta os dois “episódios condenáveis” protagonizados por Dalai Lama. O primeiro deles, em 2019, quando fez “uma brincadeira de mau gosto e machista”. O mais recente, “ainda mais vergonhoso” e que tira dele “as condições de liderar seus seguidores”; - Paulo explica a estratégia de Xi Jinping de “contar bem as histórias da China”, e como isso se relaciona com o Tibete e o Dalai Lama, “temas sobre os quais Pequim não gosta que se fale na agenda internacional”; - Ele relata como a cobertura da mídia chinesa sobre o episódio de Dalai Lama com a criança integra “a narrativa chinesa de que ele fomenta a independência do Tibete por interesses estrangeiros” - e como Pequim tentará se aproximar ao máximo do processo de sucessão para o próximo líder tibetano.

Apr 12, 202322 min

Ep 938Redes sociais – os desafios para moderar conteúdo

A tentativa de golpe de 8 de janeiro impôs ao governo a pauta da regulamentação das redes sociais contra fake news e incitação ao crime. As tragédias em escolas de São Paulo e de Santa Catarina deflagraram a urgência de agir para limitar não só a produção, mas a divulgação de mensagens de ódio. A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar as redes e o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino (PSB), cobrou as empresas que controlam as maiores plataformas. Para apontar em que pé está este debate, Julia Duailibi conversa com Patrícia Campos Mello, repórter do jornal Folha de São Paulo e autora do livro “A Máquina do Ódio: notas de uma repórter sobre fake news e violência digital”, e Carlos Affonso Souza, professor da UERJ e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade. Neste episódio: - Patrícia relata que Lula (PT) e Dino trabalham numa regulação “que muda o cerne do Marco Civil da Internet”, para responsabilizar as empresas controladoras das redes sociais a agir contra conteúdos criminosos antes mesmo de ordens judiciais; - A jornalista também explica como a lei de regulação europeia e um episódio de terrorismo que virou caso na Suprema Corte americana inspiram o projeto enviado pelo governo, com foco na “transparência dos algoritmos”: “É algo que as redes sociais precisam se responsabilizar”, diz; - Carlos Affonso aprofunda o debate sobre a fronteira entre a necessidade de moderação e o risco de censura: “Uma lei sem regras claras pode criar mais confusão do que solução para este problema”, afirma; - Ele explica também que, além da questão do conteúdo, a cobrança do Estado é por “mais transparência e clareza sobre o funcionamento da publicidade”. E conclui que é preciso estabelecer uma entidade de controle sobre as regras que serão definidas em lei.

Apr 11, 202330 min

Ep 937Os 100 dias do governo Lula - balanço e projeções

O terceiro mandato presidencial de Lula (PT) teve início na grande festa da posse, que recebeu mais de 300 mil pessoas. Poucos dias depois, em 8 de janeiro, a mesma Brasília foi palco de um ataque terrorista protagonizado por bolsonaristas que tentaram um golpe de Estado – que fracassou. Na sequência, Lula se aproximou dos líderes dos três Poderes, ordenou a troca no comando do Exército e avançou na retomada de programas sociais que têm a marca das gestões petistas. Em seu ato mais recente, ofereceu um breve cessar fogo nas críticas contra a política de juros aplicada pelo Banco Central para que Fernando Haddad, ministro da Fazenda, apresentasse o projeto da regra fiscal que substituirá o teto de gastos – recebido com elogios e desconfiança pelo Congresso e mercado. Para explicar o que de mais importante aconteceu até aqui e projetar o futuro deste governo, Julia Duailibi conversa com Fábio Zambeli, vice-presidente executivo de assuntos públicos da Ágora e jornalista dedicado à cobertura política há três décadas. Neste episódio: - Zambeli afirma que o processo de transição foi totalmente alterado após o 8 de janeiro, mas que Lula fez “dos limões, uma limonada”: “Funcionou como um validador institucional para o governo” e ajudou na relação com o Congresso, com o Supremo e com os entes federativos; - Ele também comenta o cenário econômico. Na pasta da Fazenda, Haddad “busca validações do mercado, do sistema financeiro, dos empresários e da indústria” e enfrenta resistências dentro do próprio PT. Na guerra contra os juros, Lula conquista sua “grande vitória política”; - Na relação com as Forças Armadas, Zambeli entende que o 8 de janeiro “permitiu ao Lula ejetar o antigo comandante do Exército”, de perfil bolsonarista, e substitui-lo pelo General Tomás Paiva, responsável pelo discurso de despolitização dos militares. A troca, afirma, “foi uma segunda posse de Lula”; - O jornalista ainda aponta os desafios que o petista irá enfrentar pelos próximos anos, a começar pela variação no preço do petróleo e seu potencial “efeito cascata na economia”. E, no médio prazo, caso o PIB não atenda às expectativas, a questão que se coloca é se “Lula vai acelerar o desenvolvimentismo, na linha Dilma, ou se vai trabalhar com os pés no chão, seguindo a cartilha do Haddad”.

Apr 10, 202334 min

Ep 936Ataque em escolas – como falar com as crianças

Nesta quarta-feira, 4 crianças foram mortas e outras 5 ficaram feridas em um ataque a uma creche de Blumenau, em Santa Catarina. Horas depois da tragédia, o governo federal anunciou R$ 150 milhões para a segurança de escolas, além da formação de um grupo para discutir e apresentar propostas em até 90 dias. No contexto de tanta violência - são 24 ataques em instituições de ensino em 20 anos – surge a dúvida de como falar sobre os ataques com crianças e adolescentes. Para orientar famílias e professores, Julia Duailibi recebe a pedagoga Elvira Pimentel, pesquisadora do Grupo sobre Educação Moral e do Instituto de Estudos Avançados, ambos na Unicamp. Neste episódio: - Elvira aponta a dificuldade de blindar as crianças de terem acesso a notícias de ataques a escolas e que as famílias devem responder às demandas apresentadas, adequando a fala de acordo com a idade. “Se a criança apresentar medo, valide o sentimento dela”, recomenda; - Em relação aos adolescentes, ela explica a importância de “se conectar com os sentimentos deles” e orientá-los em relação ao discurso de ódio: “a ideia é que seja uma conversa, não um confronto”; - A pedagoga comenta a importância da ação do governo de lançar olhar sobre este tema, ouvindo profissionais de várias áreas. “Na escola, é fundamental a construção de uma política que fomente a convivência”, conclui.

Apr 6, 202318 min

Ep 935Bolsonaro de frente com a PF

O primeiro dos pacotes recheados de joias foi entregue em mãos pelas autoridades da Arábia Saudita ao ex-presidente. Outros dois – um deles carregado com itens que totalizam mais de R$ 16 milhões – chegaram ao Brasil junto da comitiva liderada pelo ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Além das peças milionárias, os três pacotes têm em comum o fato de terem entrado no país de forma ilegal. Para investigar os potenciais crimes cometidos nesta série de eventos, a PF abriu um inquérito e intimou Bolsonaro e diversos de seus aliados – entre eles o seu faz-tudo, o Coronel Mauro Cid. Para explicar essa história, Julia Duailibi conversa com Carlos Andreazza, colunista do jornal O Globo e apresentador da rádio CBN e do podcast Dois + Um. Neste episódio: - Andreazza aponta as diversas perguntas ainda sem respostas nos casos que envolvem o ex-presidente – inclusive a suspeita de lavagem de dinheiro com a ditadura saudita. “Jair Bolsonaro, mesmo usando o aparelho do Estado, agiu para reaver estes itens e levar pra casa”; - Ele afirma que a “possibilidade da inelegibilidade de Bolsonaro é concreta”, sobretudo em relação ao caso que corre na Justiça Eleitoral sobre a reunião de caráter golpista promovida pelo ex-presidente com embaixadores em 2022. E avalia que a descoberta de que seu ex-ministro da Justiça usou a PF e a PRF para realizar operações na data da votação do 2º turno pode comprometê-lo ainda mais, inclusive entre os eleitores; - O jornalista também analisa como Bolsonaro deve usar o discurso de perseguição para se fortalecer politicamente, mesmo em caso de inelegibilidade. “Será que o bolsonarismo sobreviveria sem Bolsonaro na eleição? Eu acho que sim”, afirma.

Apr 5, 202322 min

Ep 934Trump – acusação e futuro político

Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, um ex-presidente é acusado formalmente de cometer um crime. O republicano se apresentará a um tribunal de Nova York nesta terça-feira (4) e, de acordo com a imprensa dos EUA, ouvirá cerca de 30 acusações. Ele vai ter a oportunidade de se defender do suposto crime ocorrido em 2016, quando seu advogado teria subornado a ex-atriz pornô Stormy Daniels para se calar sobre a relação extraconjugal que ela afirma ter vivido com Trump – o que ele nega. Para a Justiça americana, o caso pode representar fraude eleitoral. Para explicar o futuro de Trump, e da corrida eleitoral à Casa Branca no ano que vem, Julia Duailibi recebe Guga Chacra, comentarista da TV Globo em Nova York e colunista do Jornal O Globo. Neste episódio: - Guga descreve o passo a passo do dia de Trump diante da Justiça americana: ele será fichado, fotografado e chamado a se pronunciar culpado ou inocente. Do lado de fora da corte, Guga relata que “foram convocadas manifestações, mas Trump não é popular na cidade”; - O jornalista relata o clima político depois do anúncio da acusação: o ex-presidente “conseguiu energizar a base trumpista” e recebeu o apoio de seus principais rivais dentro do Partido Republicano, sob alegação de “perseguição política”; - Guga também avalia que todas as demais acusações contra Trump “estão bem avançadas” e que são casos mais “sérios e mais perigosos para o ex-presidente". E afirma que, de acordo com a Constituição dos EUA, nenhuma acusação irá tirar dele o direito de ser candidato em 2024.

Apr 4, 202319 min

Ep 933O Brasil e a memória da ditadura

Pela primeira vez em 5 anos, as Forças Armadas não celebraram a data que marca o golpe militar de 1964. É mais uma sinalização de perda de poder político da instituição que sofreu dois reveses na última semana: a decisão inédita do TRF-2 de excluir da Lei de Anistia um sargento que estuprou uma presa política em 1971, e o retorno da Comissão de Anistia – composta de nomes indicados pelo presidente Lula (PT) – desta vez com a possibilidade de reavaliação de casos já negados. Para explicar estes recentes movimentos em favor da memória e reparação, Natuza Nery entrevista Rogerio Sottili, diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog. Neste episódio: - Rogério fala sobre a importância “simbólica e política” da reparação às vítimas da ditadura, um processo que foi interrompido com o impeachment de Dilma Rousseff e precarizado nos anos de Jair Bolsonaro. “O Brasil vive sob o manto da impunidade, que possibilita a violência diária ainda hoje”, afirma; - Ele comenta o julgamento do STF em relação à Lei de Anistia e defende que os crimes de lesa-humanidade (como tortura e estupro) não estão submetidos a ela: “Ninguém está preocupado com crimes do passado, mas com o presente e o futuro do Brasil”; - Rogério acusa os militares – que assumiram a Comissão da Anistia no mandato de Bolsonaro – de “sinalizarem ameaças” e "se confundirem sobre o seu papel” no regime democrático: “Uma visão completamente avessa à democracia”;

Apr 3, 202328 min

Ep 932A nova regra fiscal

Durante a campanha à presidência, Lula (PT) deixou claro que uma de suas prioridades na pauta econômica seria o fim do teto de gastos. Depois de quase 100 dias de mandato, finalmente a proposta que substituirá o teto foi apresentada publicamente. Sob comando do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a equipe econômica tentou um malabarismo para encontrar uma fórmula que unisse responsabilidade fiscal com expansão do investimento público - e a versão que veio a público recebeu elogios de políticos, agentes do mercado financeiro e até do presidente do Banco Central. Para analisar a regra e suas repercussões políticas e econômicas, Natuza Nery conversa com a jornalista Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da rádio CBN. Neste episódio: - Maria Cristina descreve as principais ideias apresentadas na proposta da nova regra fiscal: um limite para a expansão do gasto atrelado ao crescimento da receita, e um horizonte para o país alcançar superávit fiscal e estabilizar a dívida pública. “Haddad atingiu seu primeiro objetivo”, afirma; - A jornalista explica como o ministro da Fazenda conseguiu uma “virada surpreendente” na relação com o mercado financeiro. “Haddad costurou esse apoio, e sabia que seria mais fácil para ele do que para o presidente Lula”, diz; - Ao analisar a recepção dos parlamentares à proposta, Maria Cristina lembra que, nos últimos anos, o “Congresso colocou um garrote no governo" e criou o mecanismo das emendas de relator para driblar a restrição orçamentária. “O orçamento secreto é filho do teto de gastos”, resume; - Ainda no Congresso, ela aponta as dificuldades que o governo Lula irá enfrentar na tramitação do texto num momento de “divisão estabelecida entre Câmara e Senado”, resultado da queda-de-braço dos chefes das duas Casas pelo controle das comissões mistas.

Mar 31, 202326 min

Ep 931A explosão de violência dentro das escolas

Nesta segunda-feira (27), um adolescente de 13 anos, armado com uma faca, atacou colegas e professores na escola onde estudava, na Zona Oeste de São Paulo. Alvo de seu ex-aluno, a professora Elisabete Tenreiro, de 71 anos, morreu. Este ataque brutal não é ato isolado e tem características que se repetem nos mais de 20 massacres contabilizados em escolas brasileiras nas últimas duas décadas - um fenômeno que se acelerou desde agosto do ano passado, período no qual ocorre mais de um ataque por mês em todo o país. Na maior parte dos casos, os autores dos ataques, em ambiente online, publicam conteúdo e integram grupos com temas supremacistas e violentos. Para analisar este cenário, Natuza Nery recebe Talma Vinha, professora da Faculdade de Educação e coordenadora do grupo “Ética, Diversidade e Democracia na Escola Pública”, do Instituto de Estudos Avançados, ambos na Unicamp. Neste episódio: - Telma descreve o perfil dos alunos e ex-alunos que invadem as escolas em atos violentos: são do sexo masculino, brancos, jovens, misóginos, “vivenciaram bullying”, têm “gosto por violência” e apresentam “sinais de transtornos psiquiátricos”; - Ela relaciona os massacres ao “aumento da cultura da violência” e destaca os aspectos midiáticos destes eventos, que são abertamente debatidos em fóruns, comunidades e jogos online. “Nestes grupos, eles se sentem acolhidos”, afirma; - A pesquisadora explica os fatores de “adoecimento psíquico” que atingem estes jovens: empobrecimento pós-pandemia, falta de acesso a lazer e cultura e “nenhuma perspectiva de futuro”. E afirma que é fundamental “políticas públicas integradas” nas escolas; - Telma também aponta quais os sinais podem ser observados jovens com potencial violento: obsessão por armas de fogo e agressividade contra mulheres, negros e grupos menorizados.

Mar 30, 202326 min

Ep 930Ozempic - a caneta do emagrecimento

A Anvisa aprovou, pela primeira vez no Brasil, um medicamento dedicado ao tratamento da obesidade. Trata-se do Wegovy, que foi liberado em janeiro deste ano e cujo princípio ativo é a semaglutida – o mesmo do já conhecido Ozempic, remédio que trata a diabetes tipo 2, mas tem sido usado para a perda de peso. Injetado via caneta aplicadora, ele tem custo alto (quase R$ 1.000 por caneta), e é considerado seguro. Mas tem efeitos colaterais e deve ser usado só sob orientação médica. Para apresentar os benefícios e perigos da semaglutida e falar sobre métodos de controle de peso saudável, Natuza Nery conversa com Paulo Miranda, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, e com a nutricionista Sophie Deram, coordenadora do projeto sobre genética dos transtornos alimentares no Instituto de Psiquiatria da USP. Neste episódio: - Paulo explica como a semaglutida age no organismo e porque apresentou resultados tão promissores em estudos sobre controle de peso. “É o mais eficaz que já tivemos em todos os tempos”, resume; - O médico também alerta para o risco do uso inadequado do medicamento, sem acompanhamento de um profissional, buscando apenas “o desejo social da perda de peso” - o aumento das vendas sem prescrição, inclusive, pode levar ao desabastecimento nas farmácias; - Sophie questiona a cultura do emagrecimento, e diz que a desnutrição é efeito colateral padrão de dietas restritivas. “Será que perder peso é um ganho para a saúde?”, pergunta; - Ela afirma que a grande maioria das pessoas que fazem dietas restritivas recupera o peso perdido, e resume em três pontos a fórmula saudável para o emagrecimento: não fazer restrições abruptas, não comer ultraprocessado e cozinhar. “Comida fresca e cozinhar com frequência parecem elementos simples, mas não são fáceis”.

Mar 29, 202328 min

Ep 929Israel: protestos históricos e a democracia em xeque

Há três meses, ondas de manifestantes avançam sobre as ruas de diversas cidades israelenses – um fenômeno que culminou no maior dos atos, com mais de 600 mil pessoas, neste fim de semana, e decretou greve geral. O estopim foi a exoneração do ministro da Defesa, demitido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu depois de se opor à proposta do governo de uma reforma do Judiciário. Netanyahu se uniu aos partidos mais radicais e ultra religiosos para voltar ao poder em novembro do ano passado, após sucessivos escândalos de corrupção. Desde então, acentuou a guinada de Israel à extrema-direita. Para descrever os protestos contra a reforma judiciária e os riscos à democracia e à segurança dos grupos minoritários, Natuza Nery conversa com Paola de Orte, correspondente da GloboNews e do jornal O Globo no Oriente Médio, e com Michel Gherman, professor de sociologia da UFRJ e do Instituto Brasil-Israel. Neste episódio: - Paola narra o clima das ruas de Tel Aviv: o que dizem os manifestantes, os serviços paralisados, a reação da polícia e a ameaça de radicais conservadores. Ela alerta para o risco de que, em breve, "pode ser que comecem os atos de violência"; - A jornalista informa como a proposta de reforma polariza a sociedade israelense, gera oposição até de setores militares e “abala a segurança e a economia do país” - resultado da aliança inédita entre Netanyahu e os grupos extremistas religiosos: “Esse é um momento definidor”; - Michel descreve os “três pontos fundamentais” da reforma do Judiciário: a escolha dos juízes da Suprema Corte, a possibilidade do Parlamento de reverter decisões do Supremo e a perseguição a grupos minoritários. “É um projeto de autoritarismo e ditadura, sem sombra de dúvida”, afirma; - Ele também explica que Israel passa por um “momento inédito”, mas é também a ponta de lança de um movimento transnacional de extrema-direita e neofascista, do qual fazem parte Trump, Orban e Bolsonaro. “Quem vai salvar Israel é a sociedade civil. A extrema-direita perde diante da frente ampla”;

Mar 28, 202331 min