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O Assunto

O Assunto

1,854 episodes — Page 14 of 38

A prisão de Chiquinho Brazão em análise na Câmara

Seis anos depois do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, a Polícia Federal concluiu sua investigação e apontou como mandantes do crime o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa e os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, respectivamente, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ e deputado federal. A presença do parlamentar entre os suspeitos levou o caso ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro Alexandre de Moraes decidiu pela prisão de Chiquinho - não pelo assassinato, mas pelo que definiu como “flagrante delito pela prática do crime de obstrução de justiça em organização criminosa”. Como determina a Constituição, a detenção de um parlamentar precisa ser referendada no Congresso, o que está previsto para acontecer nesta quarta-feira (10): a Comissão de Constituição de Justiça retoma a sessão sobre o caso. Em seguida, o Plenário deve analisar a manutenção da prisão. Além disso, o Conselho de Ética deve instaurar o processo que pode cassar o deputado. Convidado de Julia Duailibi neste episódio, Pedro Figueiredo, repórter da Globonews no Congresso, revela o clima nos bastidores de Brasília para a manutenção ou não da prisão de Chiquinho. Participa também Gustavo Sampaio, professor de Direito Constituição da UFF, que analisa a pertinência jurídica das decisões de Moraes em relação ao foro privilegiado.

Apr 10, 202429 min

O embate Elon Musk x Alexandre de Moraes

A provocação do bilionário começou no último sábado, quando comentou em um post de janeiro do ministro do Supremo Tribunal Federal. Depois de atacar Moraes, o dono da plataforma X (antigo Twitter), ameaçou reativar contas suspensas bloqueadas pela Justiça brasileira por desrespeito à Legislação. Em resposta, uma canetada do ministro do STF incluiu Musk no inquérito das milícias digitais e determinou a abertura de uma nova investigação. A ação do bilionário é orquestrada com a divulgação de supostas conversas entre funcionários do antigo Twitter com críticas ao Judiciário brasileiro, inflando o discurso da extrema-direita. Um roteiro já visto em países como os Estados Unidos e o Reino Unido. Para entender como o dono do X atua para desacreditar informações confiáveis e instituições de Estado, Julia Duailibi conversa com a advogada Estela Aranha. Ex-assessora especial e secretária nacional para direitos digitais do Ministério da Justiça, Estela explica quem são os envolvidos nesta disputa, analisa as possíveis implicações legais contra Elon Musk e a urgência da regulação de redes sociais.

Apr 9, 202423 min

Ep 1187Ailton Krenak, primeiro indígena na ABL

Desde a sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras, apresentada por Machado de Assis em 20 de julho de 1897, mais de 250 escritores, poetas e intelectuais já ocuparam as 40 cadeiras mais célebres da cultura brasileira. Entre tantos gênios que se tornaram imortais, nenhum indígena até a última sexta-feira. Em uma cerimônia histórica, Aílton Krenak assumiu a cadeira número 5 da ABL – que já foi ocupada por Oswaldo Cruz e Rachel de Queiróz. “É uma esperança de que a nossa sociedade esteja melhorando a percepção sobre sua própria diversidade”, diz o novo imortal. Como liderança indígena, ele foi um dos protagonistas da luta dos povos tradicionais por direitos na Assembleia Constituinte. Como poeta e filósofo, Krenak assina mais de uma dezena de obras que versam sobre a relação da humanidade com os elementos da natureza, com a ancestralidade perdida e com a necessidade de – como diz em um de seus livros – buscar formas de adiar o fim do mundo: “Compreender o organismo da Terra, com sua magnifica potência de vida, é pacificar nossa fúria por consumo”.

Apr 8, 202433 min

A recaptura dos fugitivos de Mossoró

Foram 50 dias desde a fuga do presídio de segurança máxima de Mossoró (RN). Rogério Mendonça Deibson Nascimeto percorreram 1,6 mil km e foram capturados em Marabá (PA). Além da dupla, foram detidas outras quatro pessoas que ajudavam os criminosos na fuga. O bando estava no que o ministro da Justiça chamou de “comboio do crime”, em três carros, com um fuzil, e oito aparelhos celulares. Para entender como foram os últimos dias de buscas e como os investigadores interceptaram os criminosos, Natuza Nery conversa com o repórter da GloboNews Bruno Fontes. É ele quem relata como a dupla ligada ao Comando Vermelho recebeu ajuda desde a fuga no dia 14 de fevereiro. Bruno detalha como Rogério e Deibson viajaram durante 6 dias, de barco, do Ceará até o Pará: “eles iam cortar o estado do Pará para conseguir sair do país”, diz. Bruno afirma ainda como a polícia usou o monitoramento de celulares para conseguir informações de criminosos em outros Estados, inclusive no Rio de Janeiro, de onde saíram ordens e ajuda para que a dupla conseguisse escapar do cerco policial.

Apr 5, 202427 min

Netanyahu sob pressão de novo em Israel

O ataque contra um comboio na Faixa de Gaza matou 7 agentes humanitários de uma ONG internacional e aumentou a pressão sob o primeiro-ministro israelense. “Acontece em uma guerra”, disse Benjamin Netanyahu, ao falar sobre a ação. Agora até os Estados Unidos, um aliado histórico de Israel, questiona a condução da ofensiva israelense na Faixa de Gaza. Internamente, os protestos contra o governo crescem depois de um período de apoio ao premiê - antes dos ataques do Hamas, a figura de Netanyahu foi alvo de protestos por tentar uma reforma no Judiciário. Seis meses depois do início da guerra e sem a libertação total dos reféns sob poder do Hamas, a população israelense voltou às ruas para pedir novas eleições. Para entender as pressões contra o primeiro-ministro de Israel, e como a turbulência política afeta o futuro do conflito na Faixa de Gaza, Natuza Nery conversa com João Koatz Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil-Israel. Direto de Yiad, comunidade ao norte de Israel, João relata como o premiê está em situação crítica internamente – com sua coalizão de governo em risco. Para ele, a situação de Netanyahu é “desconfortável”, sem poder atender as demandas tanto de sua base governista quanto da oposição. E externamente, com a comunidade internacional pressionando por um cessar-fogo.

Apr 4, 202427 min

O caso Enel e o futuro das concessões

Na segunda quinzena de março, uma série de apagões atingiu a maior cidade do Brasil. Foram dias e dias de falhas no fornecimento de energia – sob responsabilidade da Enel, concessionária com contrato até 2028. Os casos se somaram ao apagão registrado meses antes, em novembro do ano passado, quando 2 milhões de clientes ficaram no breu depois de um temporal. Para além dos apagões, a Enel registrou 340 mil quedas de energia não programadas em 2023, uma alta de 37% em relação à média dos anos anteriores. Com a sucessão de casos, o ministro de Minas e Energia ameaça um processo para tirar a concessão da empresa, cujo contrato vai até 2028. Para entender a série de apagões em São Paulo, qual o papel da agência reguladora na fiscalização e as possíveis consequências do fim da concessão, Natuza Nery conversa com Rodrigo Bocardi, apresentador da TV Globo e da rádio CBN, e com Joísa Dutra, ex-diretora da Aneel e diretora do Centro de Regulação em Infraestrutura da FGV.

Apr 3, 202431 min

Sergio Moro na mira da Justiça Eleitoral

Começou nesta segunda-feira (1°) o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que pode levar à cassação do senador Sergio Moro (União Brasil). No primeiro dia de análise na Justiça Eleitoral, o relator do caso entendeu que as acusações contra o senador por abuso de poder econômico na eleição de 2022 não procedem. A partir da quarta-feira (3), outros seis desembargadores vão votar – num julgamento cujo desfecho é considerado imprevisível. As ações foram propostas pelo PT – partido do presidente Lula, alvo de Moro durante a Lava Jato – e pelo PL de Bolsonaro, de quem Moro foi aliado e ministro. Para entender o que pesa contra o ex-juiz, eleito para um mandato até 2030, Natuza Nery conversa com Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo e da rádio CBN. Malu explica o ineditismo das ações contra o senador e como o momento político no Congresso pode complicá-lo: “ele é um político isolado no Senado e localmente”, diz. “Não há alianças que podem segurá-lo no cargo”, avalia. Malu analisa ainda o possível desfecho do caso, cuja tendência é ser levado para votação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E conclui como a futura composição do TSE – com a saída de Alexandre de Moraes e a entrada de André Mendonça - pode ajudar o senador.

Apr 2, 202427 min

Ep 118260 anos do golpe militar e a nova tentativa de conciliação

Iniciou-se no dia 1º de abril de 1964 a sessão do Congresso Nacional na qual o então presidente do Senado Auro de Moura Andrade declarou vaga a Presidência da República. João Goulart foi deposto, e a eleição prometida para o ano seguinte nunca aconteceu. O Brasil, então, viu nascer um de seus momentos mais sombrios assim que o general Humberto Castelo Branco deu início ao período de 21 anos de governos militares. A retomada democrática instituída a partir de 1985 nunca afastou os fantasmas de um novo golpe – e as investigações da Polícia Federal indicam que, ao fim do mandato de Jair Bolsonaro (PL), o governo civil com a maior quantidade de militares da história recente, houve risco real de outra ruptura. Agora, sob ordens de Lula (PT), o governo federal vetou todos os eventos sobre a memória dos crimes cometidos pela ditadura militar. Ao colocar panos quente sobre o passado, ele tenta buscar uma harmonia entre os poderes de Estado e a cúpula das Forças Armadas. “Lula concedeu até o mínimo do mínimo, mas nós não sabemos as contrapartidas que ele está esperando”, alerta Conrado Hübner Mendes, professor de Direito da USP, em entrevista à Natuza Nery. Para ele, o país vive “mais uma oportunidade perdida se de proteger dessa ameaça permanente”. Neste episódio participa também Rafael Schincariol, coordenador de relações institucionais do Instituto Herzog. Ele explica a importância da votação iniciada no STF para definir os limites da atuação das Forças Armadas, regulamentados pelo Artigo 142 da Constituição Federal – o relator, o ministro Luiz Fux, já votou para extinguir a tese de que sejam o “poder moderador” da República.

Apr 1, 202434 min

Ep 1181A operação dos EUA contra o golpe no Brasil

A invasão ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021 estremeceu a democracia americana. Em jogo, estava a certificação de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos – ele que havia vencido a eleição contra o então presidente Donald Trump, que alegou fraude nas urnas, sem apresentar provas. Em Brasília, o discurso trumpista encontrou eco em Jair Bolsonaro e acendeu um alerta na Casa Branca. Já sob a gestão Biden, altos oficiais do governo americano agiram no Brasil para mitigar as ações golpistas de Bolsonaro, acuar os comandantes militares que aderiram ao projeto antidemocrático e garantir eleições livres no país. Em entrevista a Natuza Nery, quem descreve o passo a passo dessa operação - que garantiu até que chips chegassem às urnas eletrônicas a tempo para as eleições - é Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV-SP.

Mar 28, 202428 min

Ep 1180Bolsonaro e a visita misteriosa a embaixada

“Algum crime nisso?”, respondeu Jair Bolsonaro ao ser questionado por jornalistas sobre a revelação de que havia passado duas noites de fevereiro na embaixada da Hungria em Brasília. A estadia inusitada foi revelada pelo jornal americano The New York Times e levantou suspeitas, já que dias antes o ex-presidente havia sido alvo de uma operação da Polícia Federal em que teve o passaporte apreendido. A PF resolveu apurar se Bolsonaro desrespeitou medidas cautelares impostas pelo STF – investigado por uma tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente está proibido de deixar o Brasil. Para entender se o ex-presidente descumpriu ou não a ordem do Supremo e as possíveis implicações deste ato, Natuza Nery conversa com o advogado criminalista Augusto de Arruda Botelho e com a professora da Faculdade de Direito da USP Maristela Basso. Com visões diferentes sobre o tema, Augusto de Arruda Botelho e Maristela Basso discorrem sobre as implicações da estadia do ex-presidente na embaixada e analisam as consequências políticas de uma possível prisão preventiva.

Mar 27, 202428 min

Caso Marielle – o Estado dentro do crime

A relação íntima entre milícias, policiais e políticos foi desnudada com a prisão dos três suspeitos da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Domingos Brazão (conselheiro do TCU-RJ) e Chiquinho Brazão (deputado federal) são apontados pela Polícia Federal como mentores do assassinato da vereadora. E Rivaldo Barbosa (ex-chefe da Polícia Civil do RJ), foi quem planejou o crime, segundo os investigadores. O trio evidencia a presença enraizada de agentes públicos no crime organizado, em um Estado “loteado”, como aponta César Tralli em conversa com Natuza Nery neste episódio. “Rivaldo Barbosa agora é um fio de novelo que vai se desdobrar em outros inquéritos”, diz Tralli, jornalista e apresentador da TV Globo e da GloboNews. Tralli revela que novas investigações devem ser abertas para apurar a promiscuidade entre criminosos e agentes públicos. Participa também Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP. Autor do livro “República das Milícias”, Bruno indica como um depoimento de Orlando Curicica em 2018 – mesmo ano da morte de Marielle – evidenciou o poder de influência das milícias dentro da polícia do RJ. Bruno desenha também o histórico da relação entre milícia e política, e avalia como o esclarecimento do assassinato da vereadora pode ser uma oportunidade para reorganizar o Rio de Janeiro.

Mar 26, 202445 min

Ep 1178A prisão dos suspeitos de mandar matar Marielle

Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Rivaldo Barbosa foram presos no início da manhã do domingo (24) suspeitos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo a investigação da Polícia Federal, o crime foi encomendado por Domingos, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e pelo irmão Chiquinho, deputado federal (ex-União Brasil-RJ). Ainda segundo a PF, o delegado Rivaldo Barbosa foi o responsável por arquitetar o assassinato. À época, Rivaldo era chefe da Polícia Civil do RJ, nomeado um dia antes do crime. Para entender as suspeitas que recaem sobre cada um deles, Natuza Nery conversa com Bruno Tavares, jornalista da TV Globo que primeiro informou sobre a prisão dos três. Bruno detalha como foi a operação para prender o trio e quais as motivações para o assassinato, segundo a investigação da Polícia Federal.

Mar 25, 202432 min

Robinho preso e a queda de ídolos do futebol

Condenado a 9 anos de prisão pela Justiça da Itália, Robinho foi preso nesta quinta-feira (21) em Santos para cumprir a pena por estupro coletivo contra uma albanesa. A prisão aconteceu após o STF negar um pedido de habeas corpus feito pela defesa do ex-jogador, um dia depois de o STJ decidir que Robinho deve cumprir a sentença no Brasil, já que o país não extradita brasileiros. Neste episódio, Natuza Nery conversa com o jornalista André Rizek para entender como o caso de Robinho mudou a forma de lidar com violência de gênero no futebol. Apresentador do sportv, Rizek relata como era a vida do jogador à espera da decisão do STJ e a maneira com que clubes lidam com ídolos envolvidos em caso de estupro e abuso sexual. E conclui como a declaração da presidente do Palmeiras, Leila Pereira – hoje à frente da delegação brasileira da CBF – vai na contramão do “silêncio ensurdecedor” recorrente de dirigentes e jogadores sobre episódios de violência de gênero.

Mar 22, 202421 min

Caso Marielle: a reta final da investigação

Desde o dia 14 de março de 2018, ecoa a pergunta “quem mandou matar Marielle?”. Preso um ano depois do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o ex-PM Ronnie Lessa é considerado peça-chave para a resposta. Seis anos após o crime, Ronnie Lessa teve o acordo de delação premiada homologado no Supremo Tribunal Federal – o caso corre no STF sob segredo de Justiça por suspeita de envolvimento de pessoas com foro privilegiado. Para entender o que levou à delação de Ronnie, o status da investigação e as perguntas ainda em aberto, Natuza Nery recebe neste episódio Cesar Tralli. O jornalista detalha os passos que levaram à delação de Ronnie Lessa e por que investigadores acreditam estar perto da elucidação de ordenou o assassinato da vereadora. Tralli revela ainda que o mês de abril é considerado crucial para a conclusão do caso.

Mar 21, 202434 min

Ep 1175Bolsonaro - 'o fio' que levou ao indiciamento

A fraude em carteiras de vacinação rendeu a Jair Bolsonaro seu primeiro indiciamento – feito nesta terça-feira (19) pela Polícia Federal. É nesta investigação que Mauro Cid foi preso e teve o celular apreendido. O aparelho se mostrou uma espécie de “caixa-preta” e levou às investigações sobre a tentativa de um golpe de Estado, e a da venda de joias recebidas por Bolsonaro de autoridades estrangeiras. Para entender como a investigação sobre a fraude na carteira de vacinação, Natuza Nery conversa com o ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho. Ele detalha como e quando começou a investigação que agora funciona como espinha-dorsal de todas as outras. Participa também a jornalista Bela Megale, colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN. Bela relata o que muda a partir do indiciamento, os próximos passos deste caso e de outros em que Bolsonaro pode ser condenado.

Mar 20, 202433 min

Putin reeleito e o avanço do autoritarismo no mundo

Para surpresa de ninguém, Vladimir Putin foi reeleito presidente da Rússia e se manterá à frente do Kremlin até 2030. No poder desde 1999 (alternando entre os cargos de primeiro-ministro e presidente), Putin conquistou 87% dos votos apurados na eleição realizada neste último domingo (17) - da qual nenhum de seus rivais políticos pode participar. A vitória dele rapidamente recebeu os cumprimentos de outros chefes de Estados, como o chinês Xi Jinping, o venezuelano Nicolás Maduro e o indiano Narendra Modi – os dois últimos, inclusive, disputarão reeleições este ano e são considerados favoritíssimos. Em comum, Putin e seus aliados tentam, com a chancela das urnas, dar verniz democrático a suas autocracias. É o que explica neste episódio Marina Slhessarenko Barreto, pesquisadora do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo e do núcleo Direito e Democracia do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), em entrevista a Natuza Nery.

Mar 19, 202420 min

Educação: os alunos que ficam para trás

A jornada escolar ideal começa aos 4 anos e termina aos 17, com a conclusão do Ensino Médio. Mas uma pesquisa inédita mostra que, na realidade brasileira, apenas metade dos estudantes conclui o Ensino Fundamental no tempo certo. No Ensino Médio, esse número cai ainda mais: só 41% dos alunos terminam com a idade prevista. Divulgada em primeira mão neste episódio, pesquisa da fundação Itaú Social revela os fatores que dificultam a permanência de crianças e adolescentes na escola. Para entender as causas e consequências deste resultado, Natuza Nery conversa com Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social. Patricia detalha como as taxas de evasão aumentam a partir do 6° ano do Ensino Fundamental, período considerado “esquecido” pelas políticas públicas. Ela aponta também as medidas mais urgentes para reter crianças e adolescentes no ensino, como medidas voltadas para etapas de transição do aluno, revertendo um movimento que acentua as desigualdades.

Mar 18, 202417 min

EXTRA - Bolsonaro no comando do golpe

O sigilo de depoimentos dos ex-comandantes das Forças Armadas foi retirado nesta sexta-feira (15). Com isso, surgiram novas peças do quebra-cabeças que coloca Jair Bolsonaro à frente da trama de um golpe de Estado. Neste episódio extra de O Assunto, Natuza Nery conversa com Bernardo Mello Franco para entender como os depoimentos do general Marco Antonio Freire Gomes (Exército) e do comandante Baptista Jr. (Aeronáutica) apontam para o ex-presidente como figura central na tentativa de impedir que Lula assumisse a presidência. Colunista do jornal O Globo e comentarista da rádio CBN, Bernardo avalia que a estratégia de defesa de Bolsonaro caiu por terra. Juntos, Natuza e Bernardo traçam quais devem ser os próximos passos do inquérito contra o ex-presidente, e como militares e ex-ministros de Bolsonaro se complicam cada vez mais nas investigações sobre a tentativa de rompimento com a democracia.

Mar 16, 202425 min

Ep 1171O alerta amarelo aceso no governo Lula

Pesquisas divulgadas nas últimas semanas revelaram uma queda na popularidade e na avaliação positiva do presidente, principalmente entre seu eleitorado mais fiel. Para entender os motivos que levam à queda e como o Planalto reagiu, Natuza Nery conversa com o cientista político Antonio Lavareda e com Ana Flor, colunista do g1 e comentarista da GloboNews. Neste Assunto a 3, o cientista político aponta como é preciso olhar o histórico das sondagens desde o início do governo Lula 3. Ele aponta ainda fatores conjunturais, como a alta no preço dos alimentos. Ana Flor revela as reações dentro do Planalto e analisa como a falta de agilidade na comunicação em redes sociais atrapalha a administração federal.

Mar 15, 202430 min

O fantasma da intervenção em estatais

No fim da semana passada, o Conselho da Petrobras decidiu não pagar aos acionistas os chamados dividendos extraordinários - fatia extra do lucro da empresa. Junto com a desvalorização das ações, surgiram críticas sobre o intervencionismo político na Petrobras – uma história já vivida no passado recente. Para discutir os limites da atuação do governo nas empresas em que é acionista, Natuza Nery conversa com Miriam Leitão, jornalista da TV Globo, da GloboNews, do jornal O Globo, e da rádio CBN. Juntas, elas analisam como os últimos movimentos do governo Lula em relação às estatais revelam sobre disputas internas e a condução da pauta econômica. Miriam explica por que movimentos intervencionistas deram errado no passado – e darão no futuro – e como essa crise afeta as metas do ministro Fernando Haddad à frente da Fazenda.

Mar 14, 202429 min

O país esquecido mergulhado no caos

Gangues armadas, instabilidade política, metade de população assolada pela fome, terremotos... O Haiti tem em sua história recente uma série de tragédias que levaram o país de 11,5 milhões de habitantes ao caos social. Na mais recente crise, gangues armadas ameaçaram uma guerra civil caso o primeiro-ministro Ariel Henry continuasse no poder. Depois de semanas de escalada de violência, Henry renunciou ao cargo e, agora, em uma história que se repete, o Haiti se vê à espera de ajuda internacional. Para entender como a primeira nação a conquistar a independência por meio de uma revolta virou um país onde as crises se acumulam, Natuza Nery conversa com João Finazzi, pesquisador da história haitiana e doutor em relações internacionais. Ele explica o legado da Minustah, missão de paz que teve a participação brasileira, e os riscos de grupos paramilitares tomarem o poder. Participa também o brasileiro Neno Garbers; vivendo no país há 12 anos, ele relata, direto da capital Porto Príncipe, a rotina de áreas dominadas por gangues.

Mar 13, 202429 min

Portugal: o avanço da extrema direita e a xenofobia

Mesmo sem ter conquistado a maioria dos votos entre os eleitores portugueses, o Chega é considerado o grande vencedor das eleições do último domingo. Com 18% dos votos, o partido pulou de 12 para 48 cadeiras no Parlamento. O êxito foi conquistado com um discurso de extrema direita que ecoa entre outras nações europeias, como Itália, Holanda e Hungria. Para entender como esta onda chegou a Portugal, Natuza Nery conversa com David Magalhães, professor de Relações Internacionais da PUC e coordenador do observatório da extrema direita. David explica o que acontece após uma eleição em que nenhum dos dois tradicionais partidos que dominam a política há cinco décadas conseguiram maioria dos votos. Natuza ouve também a brasileira Thais Brito. Mestranda em Políticas Públicas no Instituto Universitário de Lisboa, ela vive no país há 5 anos e relata episódios em que foi vítima de discriminação por ser brasileira, inclusive dentro da universidade.

Mar 12, 202427 min

Ep 1167A nova cesta básica e o cerco aos ultraprocessados

“Uma grande vitória”. É assim que a chef de cozinha Rita Lobo resume o decreto do governo que atualiza os itens da cesta básica da alimentação dos brasileiros. A novidade é o veto total aos produtos ultraprocessados. Agora, a lista passa a priorizar os alimentos in natura. Na conversa com Julia Duailibi, Rita Lobo, que é autora de 11 livros sobre comida e criadora Panelinha e do programa Cozinha Prática, no GNT, explica como a nova cesta básica se inspira no “Guia alimentar para a população brasileira” e avalia os potenciais impactos na saúde geral da população - e também dá dicas de como se alimentar de forma saudável. Participa também deste episódio a pesquisadora Ana Paula Bortoletto, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP e integrante do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde. Ela relata como foi a longa negociação para que a Anvisa aprovasse a nova regra de rotulagem dos alimentos, que levou à obrigatoriedade dos alertas para alto teor de açúcar, sódio e gordura saturada nas embalagens.

Mar 11, 202438 min

Ep 1166A mulher fora do mercado formal de trabalho

Do contingente de 98 milhões de pessoas economicamente ativas no Brasil, 52% são mulheres. Mas, quando se observa a taxa de ocupação, a discrepância entre gêneros se escancara: estão trabalhando 66% dos homens e apenas 46% das mulheres. E grande parte desse percentual está alocada no mercado informal de trabalho – um total de 16 milhões de trabalhadoras sem carteira assinada e direitos laborais assegurados. Convidada de Julia Duailibi neste episódio, a economista Janaína Feijó, pesquisadora da FGV-IBRE, analisa alguns dos fatores para este fenômeno, como o impacto da maternidade (e o déficit de vagas em creches públicas) e da formação educacional na carreira das mulheres. Ela também avalia o potencial do programa apresentado pelo governo federal para absorver a força de trabalho feminina no mercado formal.

Mar 8, 202419 min

Ep 1165Imigração no centro da disputa Biden x Trump

O tema aparece no topo da lista de preocupações dos norte-americanos: para 28% dos eleitores, questões relacionadas à fronteira são o principal problema do país. Durante a gestão do democrata Joe Biden, o número de imigrantes bateu recorde – em um período de 12 meses, mais de 2,5 milhões de pessoas foram presas ao tentar fazer a travessia ilegal. E este foi justamente um dos temas citados por Trump ao comemorar sua vitória entre os pré-candidatos republicanos na superterça. Para entender como esta virou uma questão central na disputa pela Casa Branca, Julia Duailibi conversa com Felipe Santana, correspondente da Globo que flagrou a tentativa de imigrantes entrarem nos EUA ao cruzar um rio na fronteira com o México, e com Carlos Gustavo Poggio, professor de Ciência Política do Berea College, no Kentucky.

Mar 7, 202426 min

Ep 1164A avaliação racial de alunos cotistas

Adotadas nas universidades públicas para evitar fraudes no sistema de cotas raciais, as chamadas bancas de heteroidentificação julgam se a cor de um candidato corresponde à autodeclaração. Mas, em um país onde quase metade da população se identifica como parda, esses grupos de classificação têm levantado questionamentos. Nos casos mais recentes, alunos autodeclarados pardos recém-admitidos na USP tiveram suas matrículas canceladas depois da avaliação da banca julgadora – parte deles recorreu à Justiça para ter o direito de cursar a universidade. Para entender como as bancas nasceram e quais os desafios para aprimorá-las, Julia Duailibi conversa com o antropólogo Jocélio Teles dos Santos, um dos responsáveis pela criação do programa de cotas da Universidade Federal da Bahia, e com Paulo César Ramos, sociólogo e pesquisador do núcleo Afro do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).

Mar 6, 202421 min

Ep 1163Dengue: o que falta para o Brasil ter sua própria vacina?

A primeira campanha nacional de imunização contra a dengue começou em fevereiro. A expectativa era imunizar crianças entre 10 e 11 anos até o fim de março - mas o que se vê até aqui é uma baixa adesão: menos de 15% do público-alvo está vacinado. As doses usadas no SUS são da QDenga, produzidas pelo laboratório japonês Takeda - é com esta fabricante que a Fiocruz negocia para iniciar a produção nacional, único meio de o país ter uma campanha de imunização em massa. Para falar da campanha de vacinação em curso e explicar a estratégia do Ministério da Saúde, Julia Duailibi conversa com Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, e com Gonzalo Vecina, um dos fundadores da Anvisa e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Ethel diz que a estratégia do ministério com a atual campanha é de “médio prazo” e detalha a previsão de chegada de novas doses da QDenga. Gonzalo explica os processos envolvidos na transferência de tecnologia para a produção de doses no Brasil e as lacunas que fizeram o imunizante desenvolvido pelo Butantan atrasar.

Mar 5, 202426 min

Ep 1162O fim da reeleição na mira do Senado

Em 1997, terceiro ano do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso como presidente da República, a proposta para que ocupantes de cargos executivos tentassem um novo termo foi aprovada. No ano seguinte, FHC se reelegeu, assim como seus sucessores Lula e Dilma Rousseff – em 2022 pela primeira vez um presidente não conseguiu um segundo mandato. Entre prefeitos e governadores a taxa de sucesso também é alta. Para o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), chegou a hora de avaliar se os efeitos da reeleição foram positivos ou negativos para o país. No Senado, Pacheco pretende levar a plenário a proposta de acabar com o mecanismo e, consequentemente, mudar a extensão dos mandatos de 4 para 5 anos – no caso dos senadores, de 8 para 10 anos. Para avaliar o timing político da pauta e analisar os prós e contras da reeleição nestas últimas três décadas, Julia Duailibi conversa com o cientista político Fernando Abrucio, professor da FGV-SP.

Mar 4, 202423 min

Ep 1161A taxação de super-ricos

Fernando Haddad colocou à mesa no G20 a proposta brasileira para combater a fome, a desigualdade e a pobreza: uma tributação mínima global sobre grandes fortunas. Uma ideia que não é nova, e na qual o Brasil aposta para ter o apoio das 20 maiores economias do planeta. O tema, no entanto, desperta dúvidas. Para entender quais os desafios para discutir um imposto global e o que experiências de outros países podem ensinar ao Brasil, Julia Duailibi conversa com Lorreine Messias, pesquisadora do Insper, e com André Roncaglia, professor de economia da Unifesp.

Mar 1, 202424 min

Ep 1160Alta nos transplantes e a fila de doação do SUS

Em 2023 o Brasil registrou mais de 9 mil transplantes de órgãos, o maior número da última década. É o maior sistema público de transplantes do mundo, mas a fila de pessoas que seguem esperando por um órgão tem mais de 42 mil registros.

Feb 29, 202426 min

Ep 1159O uso da inteligência artificial nas eleições

A Justiça Eleitoral começou a discutir nesta terça-feira (27) novas regras para serem aplicadas já nas eleições municipais deste ano - entre as medidas aprovadas estão o banimento de deep fakes e a cassação de candidatos por uso irregular de inteligência artificial. Para entender como este tipo de ferramenta é usado por campanhas políticas e qual o impacto do material entre eleitores, Natuza Nery conversa com Bruno Hoffmann, estrategista político, e com Nara Pavão, cientista política e professora da Universidade Federal de Pernambuco. Bruno, que é presidente do Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político, participou das audiências públicas no Tribunal Superior Eleitoral para discutir as normas e dá exemplos de como deep fakes podem ser usadas para prejudicar candidatos. Nara revela o que pesquisas indicam sobre o real impacto de conteúdo falso entre eleitores.

Feb 28, 202424 min

Ep 1158Bolsonaro: o ato na Av. Paulista e o pedido de anistia

Quando as investigações da Polícia Federal fecharam o cerco sobre a participação do ex-presidente em uma suposta trama golpista, nomes proeminentes do bolsonarismo se engajaram para organizar uma manifestação em sua defesa. Neste domingo (25), o ato ocupou sete quadras da Avenida Paulista e reuniu pelo menos 185 mil pessoas, de acordo com um levantamento da USP – entre elas, os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás) e Jorginho Mello (Santa Catarina). “Ele conseguiu a foto”, resume Gerson Camarotti, comentarista da TV Globo e da GloboNews e colunista do g1, em conversa com Natuza Nery. Mesmo assim, a situação de Bolsonaro perante a Justiça se complicou. “Ele admite crimes”, completa Camarotti. Sobre o palanque, o ex-presidente ajustou sua versão sobre minutas golpistas encontradas com seu ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, e citadas por seu ex-ajudante de ordens, Mauro Cid.

Feb 27, 202432 min

Ep 1157Covid: alta em meio ao surto de dengue

Há exatos quatro anos – em 26 de fevereiro de 2020 -, o primeiro caso de Covid era confirmado no Brasil. De lá para cá, foram mais de 38 milhões de casos e quase 710 mil mortos. No auge da pandemia, mais de 4 mil vidas eram perdidas por dia. Agora, as vítimas chegam a 200 por semana, número “inaceitável” para uma doença com vacina, define a infectologista Rosana Richtmann. E as confirmações da doença estão em alta - resultado de dias de aglomeração, por causa do carnaval. Tudo isso enquanto o país vive o aumento exponencial de outra doença: a dengue. Para entender as diferenças de sintomas entre Covid e dengue, os riscos de uma nova variante de Covid e a importância da vacinação hoje em dia, Natuza Nery conversa com Rosana Richtmann, do Instituto Emilio Ribas e diretora do comitê de imunização da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Feb 26, 202421 min

Ep 1156A condenação de Daniel Alves por estupro

Preso preventivamente desde janeiro de 2023, o ex-jogador brasileiro ouviu nesta quinta-feira (22) a sentença por abuso sexual. A vítima alega que Daniel Alves a penetrou sem consentimento no banheiro de uma boate de Barcelona em dezembro de 2022. Daniel mudou de versão cinco vezes e pagou o equivalente a R$ 800 mil à vítima - o que atenuou sua sentença. O ex-jogador terá que ficar na cadeia por 4 anos e 6 meses, e anunciou que vai recorrer da decisão da justiça espanhola. Para entender por que a sentença foi menor do que a pedida pela promotoria e pela defesa da vítima, Natuza Nery conversa com o correspondente da TV Globo Guilherme Pereira. Ele, que acompanhou os depoimentos, o julgamento e o anúncio da sentença direto de Barcelona, explica o que o resultado do julgamento representa para a Espanha e para a proteção de vítimas de violência sexual.

Feb 23, 202424 min

Ep 1155Racismo: quando o agredido é tratado como agressor

O motoboy Everton Goandete da Silva foi ferido de raspão por um homem no último sábado em Porto Alegre (RS). No meio da confusão, a polícia foi chamada e, ao chegar, deteve Everton, um homem negro de 40 anos – a alegação é que ele estava agressivo e desacatou os policiais. O agressor, um homem branco de 72 anos, também foi levado à delegacia e, depois, foi liberado. Para Everton, o fato de ter sido detido tem outro motivo: racismo. Para entender as condições que permitem que casos como este ocorram, Natuza Nery conversa com Luiz Augusto Campos, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ.

Feb 22, 202417 min

Ep 1154Fuga de Mossoró - as brechas de segurança

Nascido em 2006, o sistema de presídios federais nasceu com a meta de isolar líderes de facções criminosas e presos de alta periculosidade. Nas cinco unidades federais de segurança máxima estão criminosos como Fernandinho Beira-Mar, Marcola, Marcinho VP e Nem da Rocinha. Em quase duas décadas, nenhuma fuga havia sido registrada. A história mudou no último dia 14, quando dois detentos do Regime Disciplinar Diferenciado conseguiram escapar da unidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Enquanto centenas de policiais e a Força Nacional estão mobilizados nas buscas, as brechas que permitiram a fuga começam a ser expostas: protocolos abandonados, falhas no projeto da prisão, estrutura desgastada e câmeras de monitoramento precárias. Para entender como é a rotina do Presídio de Mossoró e os fatores que permitiram este fato inédito, Julia Duailibi conversa com o jornalista Mahomed Saigg, que entrou no presídio de segurança máxima após a fuga, e também com Francisco Augusto Cruz de Araújo, professor e pesquisador que por dois anos deu aulas em Mossoró.

Feb 21, 202435 min

Ep 1153A fala de Lula sobre Israel

Em viagem à Etiópia, o presidente Lula comparou os ataques de Israel em Gaza ao holocausto promovido pelos nazistas contra os judeus – período em que mais de 6 milhões de pessoas foram exterminadas. A reação foi rápida e duríssima: Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, classificou as palavras de Lula como vergonhosas e graves; em seguida, o premiê deu uma reprimenda pública no embaixador brasileiro em Tel-Aviv e declarou Lula como “persona non grata” em Israel. O Itamaraty, por sua vez, convocou o embaixador israelense para dar explicações e trouxe de volta a Brasília seu representante no país. Para explicar por que a comparação feita por Lula é tão grave para os judeus e analisar as repercussões diplomáticas do entrevero entre Brasil e Israel, Natuza Nery conversa com Daniel Sousa, comentarista da GloboNews, criador do podcast Petit Journal e professor de economia do Ibmec, e com Guilherme Casarões, cientista político e professor de relações internacionais da FGV-SP.

Feb 20, 202430 min

Ep 1152O assassinato da oposição na Rússia

Nome mais forte dentre os poucos opositores que Vladimir Putin tem na política nacional, Alexey Navalny morreu na última sexta-feira (16). De acordo com a informação oficial do Kremlin, o ativista teria sofrido um mal súbito durante uma caminhada, sob custódia de um presídio localizado no Ártico. A explicação não convenceu a comunidade internacional – o presidente americano, Joe Biden, afirmou que Putin “é o responsável pela morte”. O caso de Navalny entra para a lista de acidentes suspeitos que, ao longo de quase três décadas, vitimaram todos aqueles que entraram em conflito com o líder russo. A morte do opositor acontece ainda um mês antes das eleições presidenciais marcadas para março, nas quais Putin tem o caminho aberto para ser mantido no comando do país - naquele que será seu quinto mandato. Para analisar os efeitos da morte suspeita de Navalny e o futuro da Rússia, Natuza Nery entrevista Vicente Ferraro, professor da FGV-SP e pesquisador do Laboratório de Estudos da Ásia da USP.

Feb 19, 202420 min

Ep 1151A enrascada jurídica do plano golpista

O vídeo da reunião entre Jair Bolsonaro, ministros e integrantes da alta cúpula das Forças Armadas foi citado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes como parte das condutas criminosas do ex-presidente para atentar contra a democracia e tentar dar um golpe. Neste Assunto a 3, Natuza Nery recebe os advogados criminalistas e professores Davi Tangerino (UERJ) e Frederico Horta (UFMG). Juntos, eles debatem quais as implicações jurídicas da reunião - analisando se o encontro se classifica como “conspiração” e “ato preparatório”, se ali já havia materialidade de crime, e quando as práticas criminosas começam. E discutem possíveis mudanças na lei para aprimorar medidas de controle e proteção do Estado Democrático de Direito.

Feb 16, 202436 min

Ep 1150Reconhecimento facial - o uso na segurança pública

Recife, Olinda, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador estão entre as cidades que usaram a tecnologia que alia câmeras, inteligência artificial e um enorme banco de imagens para identificar e capturar foragidos da Justiça durante o Carnaval. A capital baiana adotou o reconhecimento facial nos dias de folia pela primeira vez em 2019, quando a polícia conseguiu identificar e capturar um foragido - fantasiado com roupa de mulher - em meio à multidão com o auxílio da tecnologia. Em 2024, o resultado nas cidades não foi promissor: além do baixo índice de capturas, os sistemas cometem erros e levam à prisão de inocentes. No centro da crítica ao uso do reconhecimento facial pelas polícias estão a invasão da privacidade de cidadãos livres e o risco de abordagem racista das imagens. Para descrever como a tecnologia funciona, Natuza Nery ouve João Paulo Papa, professor do departamento de computação da Unesp e pesquisador do Recogna, laboratório de pesquisas sobre inteligência artificial. Ainda neste episódio, Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP e um dos organizadores do livro “Tecnologia, segurança e direitos: os usos e riscos de sistemas de reconhecimento facial no brasil”, debate as aplicações e os desafios éticos e aplicados da ferramenta.

Feb 15, 202424 min

Ep 1149Dengue e seus riscos neurológicos

O Ministério da Saúde já conta mais de 500 mil casos da doença nas primeiras semanas desse de 2024 – desse total, são pelo menos 75 mortes confirmadas. O ano caminha para ser o pior de todos os tempos: o governo federal estima 4,2 milhões de registros, um salto de 2,5 vezes em relação a 2015, ano que detém o recorde de quase 1,7 milhão de casos. A doença tem como sintomas febre, dor nas articulações e dor de cabeça. Quando evolui para dengue hemorrágica há riscos de lesão no fígado e no cérebro. Os perigos da doença, contudo, podem aparecer no longo prazo e se manifestar em efeitos neurológicos: a neurologista Marzia Puccioni alerta que entre 1% e 20% dos pacientes da dengue podem desenvolver encefalite (inflamação no cérebro), mielite (inflamação na medula), meningite (inflamação na meninge) e até síndrome de Guillain-Barré (quando o sistema imunológico ataca parte do sistema nervoso). Para explicar todos esses riscos, Marzia Puccioni, que também é professor da Escola de Medicina da Unirio e da pós-graduação em doenças infeccionais e parasitárias da UFRJ, é a convidada de Natuza Nery neste episódio.

Feb 14, 202422 min

Ep 1148EDIÇÃO EXTRA - A reunião golpista de Bolsonaro

Um festival de palavrões, ofensas, ameaças, conspirações e confissões de ilegalidades. A íntegra do encontro do então presidente da República Jair Bolsonaro com seus ministros no dia 5 de julho de 2022 chegou ao conhecimento público nesta sexta-feira (9), com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender o sigilo da íntegra da reunião. As imagens escancaram os objetivos e as estratégias do bolsonarismo para ignorar o processo eleitoral e passar por cima do resultado das urnas. Na organização para o golpe, Bolsonaro assumia o comando da operação: o então presidente reconheceu que perderia a eleição e convocou ministros a “agirem” antes de 2 de outubro. Os desvios de funções apareceram também nas falas dos então ministros da Defesa (Paulo Sérgio Nogueira, que se referiu ao TSE como “inimigo”), da Justiça (Anderson Torres, que alertou aos presentes que iriam “se f...”) e do Gabinete de Segurança Institucional (Augusto Heleno, que admitiu que pedira à Abin para “montar um esquema” para monitorar as campanhas adversárias à de Bolsonaro). Para analisar ponto a ponto o que foi dito na reunião, Natuza Nery conversa com Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo, âncora na rádio CBN e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura.

Feb 10, 202429 min

Ep 1147O cerco a Bolsonaro e a prisão de militares na trama golpista

Novos detalhes do plano golpista de Jair Bolsonaro foram revelados na quinta-feira (8), na operação Tempus Veritatis (Hora da Verdade) da PF. O ex-presidente teve o passaporte apreendido e agora está impedido de sair do Brasil. No mesmo dia, militares foram presos e a investigação chegou a militares de alta patente, aliados de primeira ordem do ex-presidente na tentativa de golpe contra a democracia. Para entender como a operação se aproxima do núcleo duro do governo passado e o ineditismo da prisão de militares, Natuza Nery recebe a jornalista Daniela Lima, apresentadora e comentarista da GloboNews e colunista do g1. Participa também Adriana Marques, professora e coordenadora do Laboratório de Estudos de Segurança e Defesa da UFRJ.

Feb 9, 202441 min

Ep 1146A nova cara dos concursos públicos

Um número recorde de candidatos no que já é considerado o maior concurso da história do país. O Concurso Nacional Unificado – cujas inscrições terminam nesta sexta-feira (9) - vai selecionar candidatos para mais de 6,6 mil vagas em instituições federais. A prova única, aos moldes do Enem, foi o caminho encontrado pelo governo federal para, segundo a ministra da Gestão e Inovação dos Serviços Públicos, democratizar o acesso ao funcionalismo público. Para entender o novo modelo do processo seletivo e analisar a situação do funcionalismo, Natuza Nery recebe Marco Antônio Araújo Jr., presidente da Associação de Apoio aos Concursos Públicos e Exames (Aconexa), e Félix Lopez, coordenador do Atlas do Estado Brasileiro, do Ipea. Neste episódio: - Marco aponta duas mudanças importantes no processo de seleção para o funcionalismo. A primeira se refere à estrutura da prova, e a segunda em relação ao conteúdo. Para ele, a tendência é “tirar o concurso da linha tradicional de decorar regras, trechos de lei e outros temas, e trazê-lo para uma linha de análise interpretativa crítica”; - Para ele, as mudanças trazidas pelo “Enem dos concursos” causam uma concorrência mais equilibrada, permitindo um processo de "democratização no acesso aos órgãos públicos”; - Félix avalia como equivocada a ideia de que funcionalismo brasileiro é inchado: “do ponto de vista comparativo, o Brasil tem 12% da população no serviço público, enquanto, em média, países da OCDE tem em torno de 20%”. Ele pontua ainda que o gasto com servidores públicos se manteve “praticamente estável no período de 2002 a 2020”; - Apesar da expectativa de que o concurso permita maior igualdade no acesso a cargos públicos, por ampliar o número de cidades que vão aplicar as provas e pelas políticas de cotas, Félix aponta que “as desigualdades estruturais na qualidade de ensino e de preparo para concursos públicos vão continuar”.

Feb 8, 202427 min

Ep 1145Chile – os incêndios mortais

O fogo que assola a costa chilena provocou a maior tragédia do país desde 2010. Mais de 130 pessoas morreram, centenas estão desaparecidas e outras milhares ficaram desabrigadas. No auge do verão, com temperaturas acima dos 40°C, os incêndios atingiram as cidades de Valparaíso e Viña del Mar, deixando um rastro de cinzas e destruição. Cerca de 43 focos já foram controlados, mas outras dezenas persistem. O presidente chileno, Gabriel Boric, decretou situação de emergência e convocou o Conselho de Segurança Nacional para solucionar as sequelas da tragédia, e também para investigar a causa dos incêndios avassaladores. Morador de Viña del Mar, o brasileiro Cleo Menezes Júnior descreve a Natuza Nery o horror pelo qual ele e família passaram para fugir do incêndio. Participa também Nilton Cesar Fiedler, coordenador do Núcleo de Pesquisas sobre Incêndios Florestais na Universidade Federal do Espírito Santo. Neste episódio: - Cleo detalha o momento em que percebeu a gravidade dos incêndios. Num primeiro momento, não estava preocupado, já que os incêndios acontecem anualmente no país, mas ao sair de casa, viu o céu alaranjado e uma forte fumaça: “entrei em modo de sobrevivência”; - O brasileiro relata que, conforme caminhava por áreas mais próximas dos focos de incêndio, viu o que parecia cena de filme, com pessoas desesperadas nas ruas, carros amontoados e abandonados, botijões explodindo nas casas já vazias, tomadas pelo fogo: “um cenário apocalíptico”; - Nilton Cesar Fiedler explica que incêndios "na grande maioria das vezes, começam pela ação humana”, mas que os chilenos foram potencializados por questões meteorológicas da região, como a vegetação local, altamente inflamável em tempos de seca elevada, principalmente em decorrência do El Niño; - O pesquisador conta que, em incêndios dessa magnitude, nas copas das árvores, “as temperaturas passam de 1000°C, e o vento leva esse material incandescente, como se fossem nuvens de fumaça, para regiões muito distantes”, aumentando o risco até em regiões distantes dos focos do fogo.

Feb 7, 202427 min

Ep 1144Lira x Planalto: o novo round da luta

Em seu discurso de abertura do ano parlamentar, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), mandou duros recados ao governo Lula. A tensa relação entre Executivo e a Câmara ganha um novo capítulo, com Lira na expectativa de receber apoio na construção de seu sucessor, além da pressão para liberar R$ 6 bilhões em emendas. Do outro lado, o governo busca cumprir a meta fiscal e aprovar as medidas que abrem espaço para investir em políticas públicas - tudo em um ano marcado pelas eleições municipais. Para analisar o atual status da relação entre Lira e o Planalto e o que esperar da relação do governo federal com o Congresso, Natuza Nery recebe Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da CBN. Neste episódio: - Maria Cristina analisa o discurso de Lira na abertura do ano parlamentar. Para ela, o presidente da Câmara “entregou as razões pelas quais não tem mais tanta força”. A jornalista pontua como, “na política, o tom elevado não é sinal de força”, ao citar o discurso de alguém que está “com menos tinta na caneta”; - Ela avalia que, neste ano eleitoral, a relação entre Executivo e Legislativo será mais difícil, não apenas por causa de Lira, mas por três fatores de estresse: as eleições municipais, a disputa pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, e também o futuro político de Arthur Lira e de Rodrigo Pacheco, atuais presidentes das duas Casas; - Maria Cristina diz que, ao não ceder a cabeça de Alexandre Padilha à pressão de Lira, Lula “quer mostrar ao Congresso que quem governa é ele [Lula]”, depois de anos de fortalecimento dos parlamentares; - A jornalista conclui sinalizando mudanças determinantes na relação de Lula com o Congresso em seu terceiro mandato. “Lula cede menos, aceita menos”, diz, em um momento em que o o Parlamento está com força redobrada. “O Congresso nos dois primeiros governos Lula não tinha a força que têm agora”, lembra.

Feb 6, 202428 min

Ep 1143O primeiro grande teste de Milei

Durante a campanha eleitoral, Javier Milei apareceu diante de seus apoiadores empunhando motosserras e bradando contra todo o sistema político e econômico da Argentina. Assim, foi eleito presidente e prometeu a “reconstrução” e uma “nova era” para o país. A primeira ação foi a apresentação de um pacotaço com 664 artigos ao Congresso argentino – na lista de medidas, cortes totais em subsídios setoriais, privatizações das mais importantes empresas estatais e poderes especiais para o Executivo. Apelidado de “Lei Ônibus”, o texto-base foi desidratado para menos de 360 artigos, mas manteve o tom ultraliberal característico de Milei e conseguiu a aprovação na Câmara dos Deputados na última sexta (2) – agora, os parlamentares vão analisar item a item e, depois, enviarão a versão final ao Senado, casa mais hostil às pautas do presidente argentino. Para explicar o que caiu e o que ficou do megapacote, e as possíveis consequências políticas e econômicas para os hermanos, Natuza Nery entrevista o jornalista Raphael Sibilla, correspondente da Globo em Buenos Aires, e a economista Carla Beni, professora da FGV. Neste episódio: - Sibilla descreve os principais pontos do projeto de lei apresentado pelo Executivo. Na economia, evidencia-se a “obsessão de Milei pelo fim do déficit fiscal”. No âmbito da política, busca sobrepor seus poderes ao Legislativo “para fazer com que leis sejam decretadas sem que os parlamentares possam barrá-las”; - O repórter descreve o clima das ruas da capital argentina, onde manifestantes protestam em frente ao Congresso e são reprimidos com violência pelas forças policiais: “Há tempos não se via uma Buenos Aires tão militarizada”. Mas reforça que, embora a oposição esteja nas ruas, o presidente eleito “mantém seu núcleo duro de apoiadores”; - Carla comenta como o pacotaço apresentado por Milei virou “um embrulhinho”: “É o que dá para ele no momento”. E, na política externa, ela avalia que o presidente argentino “perdeu uma grande oportunidade” de apresentar seu plano econômico no Fórum Econômico Mundial em Davos, em janeiro. “O plano estratégico ainda não existe. É cedo para falar se a economia vai para o caminho certo ou não”, resume.

Feb 5, 202423 min

Ep 1142Big techs sob pressão por mais segurança nas redes sociais

Uma audiência realizada pelo Congresso americano nesta semana escancarou alguns dos crimes aos quais crianças e adolescentes estão expostos nas redes sociais. Vítimas relataram abusos sexuais, cyberbullying e até indução ao suicídio frente a frente com representantes das principais plataformas do mundo – caso da Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), Tiktok, Snap, Discord e X (antigo Twitter). No Brasil, durante a abertura do ano de trabalho do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Alexandre de Moraes discursou duramente em prol da responsabilização das big tech nas redes sociais. Para entender o que está em jogo nas casas legislativas e judiciárias de EUA e Brasil e os riscos da internet como terra sem lei para crianças e adolescentes, Natuza Nery entrevista Kelli Angelini, advogada especialista em educação digital e autora do livro “Segredos da internet que crianças e adolescentes ainda são sabem”. Neste episódio: Kelli comenta o pedido de desculpas de Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, às famílias de vítimas de crimes em redes sociais: “Não sabemos a intenção, mas não muda o que está por vir. Nada tem sido eficaz o suficiente até aqui”; (3:05) Ela justifica que, ainda que não haja legislação específica para redes sociais no Brasil, as empresas precisam levar em consideração o que diz a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente em seus modelos de negócio. “A omissão também gera responsabilização”, resume; (6:00) A advogada cobra a aprovação de uma lei específica para a proteção de crianças e adolescentes na internet. “Agora, empresas estão lucrando com o uso delas nas redes sociais. Sem a responsabilização efetiva das big techs, nada as motivará”, afirma; (12:10) Kelli alerta para como os pais e responsáveis devem agir para garantir a segurança de menores de idade nas redes. (23:15)

Feb 2, 202424 min

Ep 1141Terra Yanomami - a guerra sem fim contra o garimpo

Em janeiro de 2023, as imagens de crianças e idosos yanomamis subnutridos e enfraquecidos por doenças infecciosas, parasitárias e respiratórias expuseram ao mundo o tamanho da crise humanitária dentro da maior terra indígena brasileira. O governo federal decretou estado de emergência no território para oferecer melhores condições de saúde pública aos indígenas e para expulsar de vez os cerca de 40 mil garimpeiros ilegalmente instalados lá. No começo, deu certo: 80% deles saíram da Terra Indígena. Mas desde o segundo semestre do ano passado o retorno dos criminosos se acelerou, e o governo não consegue deter o avanço do garimpo ilegal – enquanto Executivo e Forças Armadas vivem sob tensão velada a respeito das responsabilidades no enfrentamento do crime. Para entender o que acontece dentro do território do povo Yanomami, e as crises políticas decorrentes disso, Natuza Nery entrevista Rubens Valente, escritor e jornalista da Agência Pública. Neste episódio: Rubens relata como a presença dos garimpeiros ilegais voltou a crescer na Terra Indígena, sobretudo a partir do segundo semestre do ano passado. “O movimento de retorno coincide com a redução de fiscalização e controle, atividades que dependem muito das Forças Armadas”, afirma. “A grande crítica é de que o papel delas não tem sido eficaz”; Ele informa que até dezembro de 2023 havia cerca de 40 mil cestas básicas destinadas aos indígenas que não haviam sido entregues pelas Forças Armadas – o que motivou uma representação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) no Supremo sugerindo “sabotagem” dos militares. “Enquanto isso, 29 yanomamis morreram de desnutrição. Ou seja, havia comida, mas não chegou à boca dos indígenas”, lamenta; Rubens também fala sobre o clima no Palácio do Planalto em relação à crise dos Yanomami. Ele menciona a falta de firmeza de Lula (PT) ao cobrar o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, sobre a atuação dos militares. “O presidente tenta medir o solo onde pisa, mas isso é irrelevante para os indígenas. O que eles precisam é de ações duras, rápidas e imediatas para evitar que morram de fome”, conclui; O jornalista, por fim, comenta a “contaminação ideológica nas fileiras militares a respeito da Amazônia e das terras indígenas”.

Feb 1, 202426 min

Ep 1140A pá de cal no acordo entre Mercosul e União Europeia

Centenas de tratores estão ocupando as mais importantes rodovias da França. Os agricultores protestam contra impostos, contra preço dos combustíveis e, principalmente, contra o que chamam de crescente competição com o mercado externo – em outras palavras, eles pressionam o presidente francês, Emmanuel Macron, a fazer força para que o bloco econômico desista de vez de concluir o acordo com o Mercosul. As negociações para a assinatura final entre europeus e sul-americanos se arrastam desde 1999, ainda que um contrato tenha sido celebrado em 2019 e as partes tenham criado expectativa para que as últimas arestas fossem eliminadas até o fim do ano passado. Agora, para o presidente da segunda maior potência econômica do bloco europeu, isso teria se tornado “impossível”. Para analisar as remotas chances de sobrevivência do acordo e os impactos para a agricultura e indústria brasileiras, Natuza Nery entrevista Oliver Stuenkel, professor de relações internacional da FGV-SP, e Marcos Jank, coordenador do Centro Insper Agro Global e conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Neste episódio: Oliver avalia que o acordo entre os dois blocos econômicos subiu no telhado pois “a última janela de oportunidade foi no fim do ano passado”. Agora, diz, que Macron quer encerrar “de uma vez por todas” o assunto para agradar ao eleitorado francês, que é refratário à pauta; (3:00) O professor recorda que Lula travou a evolução das negociações pelo acordo durante seus dois primeiros mandatos, mas, agora, “os tempos são outros e ele mudou de opinião”. “Sem o acerto, Lula precisa definir quais são os próximos passos do Mercosul. Antes, ele precisa saber se os membros do bloco têm visão de mundo semelhante”, afirma; (9:30) Marcos avalia os eventuais benefícios do livre comércio entre Mercosul e União Europeia e lamenta que “o bloco perdeu essa oportunidade lá atrás”. “Agora, a Europa colocou novas restrições, especialmente na área ambiental, e não vejo mais nenhuma chance desse acordo avançar”, afirma; (16:00) Ele explica que a legislação ambiental da Europa ficou, de fato, mais rígida e que as exigências para os produtos do Mercosul agora impõem taxas de desmatamento zero. “Ficou rígido demais e o próprio governo brasileiro não quis ir à frente”, resume. (20:30)

Jan 31, 202424 min