
Fumaça
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Adrià Alsina Leal sobre a independência da Catalunha (Entrevista)
No dia 1 de Outubro, há pouco mais de um mês atrás, mais de 2 milhões dos cerca de 5,4 milhões de catalães e catalãs foram às urnas votar a independência da Catalunha. As imagens da guarda civil e polícia espanholas a arrastar e carregar quem pacificamente tentava fazer valer o seu voto correram o mundo. O número de feridos multiplicou-se durante o dia chegando a mais de 800 até ao cair da noite. Quando tudo parecia mais calmo, ao final do dia, Mariano Rajoy, Primeiro-Ministro espanhol, dizia num comunicado ao país: “Fizemos o que tínhamos de fazer e cumprimos a nossa obrigação, atuando dentro da lei e sempre dentro da lei”. Nas semanas anteriores ao referendo de dia 1 de Outubro, a repressão do Governo e das autoridades espanholas fazia-se já sentir na Catalunha. Adrià Alsina Leal, o nosso convidado de hoje, conta que se montou “uma grande operação da polícia espanhola e dos serviços de inteligência com várias centenas de agentes em Barcelona a procurar as urnas, a procurar os papéis de voto, a procurar e investigar qualquer pessoa que pudesse estar ligada à organização do referendo.”O Adrià é uma dessas pessoas. Catalão e português, é jornalista, politólogo, e professor de jornalismo e comunicação na Universidade de Vic. É também chefe de comunicação da Assembleia Nacional Catalã (ANC), uma organização a favor da independência que foi reprimida durante este processo, tendo sido o seu líder, Jórdi Sànchez, preso preventivamente no dia 16 de Outubro.Um mês após o referendo, no dia 2 de Novembro, foram presos preventivamente e incondicionalmente - sem possibilidade de pagarem uma caução para sair da prisão - 8 membros do governo catalão. 7 dias depois, a 9 de Novembro, mais 6 membros da mesa do parlamento catalão, incluindo a presidente do parlamento, Carme Forcadell, foram ouvidos pela justiça espanhola em Madrid. 4 deles saíram em liberdade obrigados a pagar uma multa de 25,000€. Carme Forcadell foi obrigada a passar a noite na prisão até pagar uma caução de 150,000€ no dia seguinte. O restante não teve qualquer medida de coação.O Governo espanhol acionou o artigo 155º da Constituição espanhola, nunca antes usado, e despediu o governo catalão, marcando eleições antecipadas para o dia 21 de Dezembro.Mas qual é a relevância de marcar eleições antecipadas enquanto 8 membros do governo que estava em funções estão na prisão? Esta foi uma das perguntas que fizemos. Conversámos também sobre como foi votar no dia 1 de Outubro, sobre as razões porque catalãs e catalães querem a independência e sobre o que pode acontecer daqui para a frente.Até já,Ricardo Ribeiro.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação de som: Maria Almeida e Ricardo RibeiroEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Manuel Loff sobre a independência da Catalunha (Entrevista)
A 18 de Junho de 2006 foi aprovado em referendo pelos Catalães e Catalãs o novo Estatuto de Autonomia da Catalunha. Este novo estatuto, que vinha substituir o de 1979 aprovado com o fim da ditadura de Franco, dizia, no seu preâmbulo, que a Catalunha era uma “nação”. O novo documento, aprovado também pelo Congresso dos Deputados e Senado Espanhol, dava mais poderes administrativos e fiscais à Catalunha e equiparava a língua catalã à castelhana. No entanto, apesar deste estatuto ter entrado em vigor a 9 de Agosto de 2006, foram várias as acusações de inconstitucionalidade. O Partido Popular, do agora primeiro ministro espanhol Mariano Rajoy, foi o que mais se fez ouvir, denunciando 187 artigos. Foi então que em 2010, o Tribunal Constitucional decidiu retirar do documento 14 artigos e alterar 27, incluindo a parte do preâmbulo que se referia à Catalunha como uma “nação”. Com a crise económica e financeira fortemente sentida em Espanha, seguida das políticas de austeridade do governo espanhol, e um estatuto de autonomia em grande parte alterado, não tardou até que o povo Catalão saísse às ruas nos anos seguintes. Como disse Manuel Loff, o nosso convidado do episódio de hoje, entre 1977-81 e 2012, “apesar das tensões, os catalães pareciam ter encontrado o seu lugar em Espanha.” Mas a 27 de Outubro deste ano, a Catalunha, através do seu parlamento, escolheu perder esse lugar em Espanha e declarou a independência. Como é que chegámos aqui? Como é que o movimento independentista cresceu tanto? Quem faz parte deste movimento? Os Catalães devem ou não escolher se querem fazer parte de Espanha? E como tem sido a resposta do governo espanhol? Hoje conversamos com Manuel Loff, historiador, professor na Universidade do Porto e investigador no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, sobre a Catalunha. Falámos não só do que tem acontecido nos últimos meses mas também da história daquela que é uma das regiões mais economicamente poderosas de Espanha. Quisemos perceber o porquê deste movimento independentista, falar sobre o que conduziu a Espanha e a Catalunha até este momento, e analisar a resposta do governo de Mariano Rajoy.Ouve aqui o novo episódio.Até já,MariaTexto: Maria AlmeidaPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Fernando Rosas sobre os 48 anos da ditadura portuguesa (Entrevista)
“Que o estado seja tão forte que não necessite ser violento” lia-se num panfleto de propaganda do Estado Novo. Era este o lema de Salazar. Matar era uma falha do sistema. O que se queria, antes, era que o povo não pensasse na política, não se manifestasse, não falasse, não saísse à rua, não reagisse.O Estado Novo, ao contrário de outras ditaduras, não matou centenas de milhares de pessoas. Mas nem por isso foi menos violento, defende Fernando Rosas, o nosso convidado de hoje. Segundo o historiador, havia uma “violência invisível” e preventiva que era exercida no quotidiano dos Portugueses e que era mais eficaz do que qualquer outra. E foi essa violência, esse “coeficiente óptimo do terror”, como definiu o sociólogo Hermínio Martins, uma das razões para que o regime durasse tanto tempo e para que hoje ainda se sintam marcas da ditadura. A ditadura portuguesa foi a mais longa ditadura da história moderna da Europa Ocidental. No total, o regime de Óscar Carmona, António de Oliveira Salazar e Marcello Caetano durou 48 anos - meio século de medo, silêncio e repressão. Mas, porquê? Como conseguiu o Estado Novo durar tanto tempo? Porque não caiu mais cedo?A verdade é que a ditadura portuguesa foi ultrapassando ao longo dos 48 anos todas as crises que poderiam pôr em causa a sua autoridade. Sobreviveu à Greve Geral Revolucionária de 1934, às greves operárias dos anos 40, sobreviveu aos protestos anti-fascistas no fim da 2ª Guerra Mundial, à eleição de 1958 e ao “terramoto político” que foi Humberto Delgado, à "onda de anarquia (que) tinha invadido a Universidade de Coimbra” em 1969, como descreve José Hermano Saraiva, na altura ministro da educação do regime, e ao golpe de Beja em 1961, mesmo quando todos já tinham percebido que “o Estado Novo tinha praticamente acabado” como recordou Mário Soares em 2011 numa entrevista à agência Lusa..No episódio de hoje, conversamos com Fernando Rosas, historiador, professor catedrático jubilado na FCSH e investigador no Instituto de História Contemporânea, sobre o Estado Novo e o porquê de ter durado tanto tempo. Falámos sobre como Salazar controlava as Forças Armadas; como era para si importante o apoio da Igreja Católica; como o regime de corporativismo enfraquecia o poder dos trabalhadores; sobre como operavam as violências do regime: a preventiva e a repressiva; e sobre que marcas deixa ainda o Estado Novo no povo Português.Ouve aqui a nossa conversa.Até já,RicardoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Gonçalo Marcelo sobre o rendimento básico incondicional (Entrevista)
Suíça, 5 de Junho de 2016. O Rendimento Básico Incondicional vai a votos, num referendo feito à população Suíça e é esmagado com 77% de votos contra. Não era desta que o RBI chegava à Suíça, embora a discussão do mesmo estivesse presente nos meios académicos deste país desde a década de 80 do século passado.Mas a ideia de uma renda básica é ainda mais antiga. Nomes como Thomas Moore, Virginia Woolf ou Milton Friedman abordaram o assunto algures nas suas vidas, dando-lhe diferentes formas e feitios.Quisemos saber mais sobre como é pensado o conceito de um Rendimento Básico Incondicional nos dias que correm, sobretudo na realidade Portuguesa e Europeia. Falámos com o Gonçalo Marcelo, Investigador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, professor na Católica Porto Business School e dirigente da Associação pelo Rendimento Básico Incondicional em Portugal.Será que o ser humano tem direito a ter as suas necessidades básicas asseguradas, sem ter de trabalhar para isso? Conseguimos passar a ter direito à preguiça? Como é que combatemos a precariedade e damos o poder a todas e a todos de dizer “não”, ou de dizer “sim”, a um trabalho? O RBI é a resposta para todas estas perguntas?Da nossa parte prometemos continuar a fazer Fumaça Incondicional.Oiçam aqui mais uma,Até já,Pedro Santos e Tomás PereiraJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Imigrantes em protesto dormem à porta do SEF (Reportagem)
Cerca de 20 imigrantes passaram a noite à porta do SEF em protesto contra a demora destes serviços em atribuir os títulos de autorização de residência.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Petição por outra lei da nacionalidade (Reportagem)
Foi entregue na Assembleia da República uma petição por outra lei da nacionalidade com 8 mil assinaturas. Estivemos lá e falámos com quem nasceu cá mas não é Português. Ouve aqui mais um Na Rua.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Anabela Rodrigues sobre os estrangeiros que nasceram em Portugal (Entrevista)
Reginaldo, mais conhecido por Pêra, nasceu em 1986 na Maternidade Magalhães Coutinho em Lisboa. É cenógrafo e curinga do Grupo de Teatro Fórum da Cova da Moura e do Zambujal, um dos grupos comunitários do Grupo do Teatro do Oprimido.Até hoje, apesar de ter nascido em Portugal e de sempre ter vivido cá, não é Português. Tem a nacionalidade dos pais e por isso tem de renovar regularmente a sua autorização de residência temporária no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Vive como um imigrante no país que o viu nascer e crescer.Como Reginaldo, existem muitas outras pessoas, filhas de imigrantes que nasceram em Portugal depois de 1981. Nesse ano, a lei foi alterada e passou a privilegiar o critério jus sanguinis em vez do jus soli, querendo isto dizer que filhos de Portugueses são Portugueses e que filhos de imigrantes nascidos cá não o são automaticamente. Estas pessoas adquirem por isso a nacionalidade dos pais, países onde muitas delas nunca estiveram.Em 2006, a lei foi novamente alterada, passando a dar a nacionalidade a filhos ou filhas de estrangeiros que nasçam em Portugal e concluam o 1º ciclo em Portugal. No entanto, esta lei não teve efeitos retroativos, e aqueles que nasceram entre 1981 e 2006 continuam embrulhados em burocracias para terem a nacionalidade Portuguesa. Para protestar contra esta lei, um conjunto de associações lançou em Janeiro deste ano uma campanha chamada “Por outra Lei da Nacionalidade”. Organizaram-se vários eventos e debates sobre o tema, e recolheram-se milhares de assinaturas numa petição a ser entregue na Assembleia da República. Uma das pessoas que esteve envolvida nesta campanha é a Anabela Rodrigues, vice-presidente do Grupo de Teatro do Oprimido em Lisboa, com quem hoje conversamos. Falámos sobre a lei da nacionalidade e de como pessoas que nascem em Portugal vivem como imigrantes. Perguntámos se esta lei é ou não racista, conversámos sobre a petição que reuniu mais de 40 associações, e sobre as consequências da mudança agora proposta. Amanhã, dia 19 de Outubro, o Reginaldo e muitas outras pessoas vão entregar a petição "Por outra Lei da Nacionalidade" na Assembleia da República. Ouve aqui o novo episódio.Obrigada e até já,Texto: Maria AlmeidaPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Manifestação "Contra a Poluição do Rio Tejo" (Reportagem)
O Tejo precisa de água. António Constantino, residente em Vila Nova da Barquinha, conta que o castelo de Almourol já foi “uma ilha” e “neste momento é simplesmente uma península”. O seu filho, Paulo Constantino, outro rosto destacado na luta contra a poluição do rio mais extenso da Península Ibérica, ilustra a situação: ”as roupas das crianças que mergulham nas águas do rio entram brancas e saem amarelas”.A 3ª Manifestação Contra a Poluição do Rio Tejo e Seus Afluentes, organizada pelo ProTejo – Movimento pelo Tejo, desfilou, este sábado, dia 14 de outubro de 2017, do Cais do Sodré ao Terreiro do Paço, tendo juntado cerca de 300 pessoas.O É Apenas Fumaça esteve Na Rua para esclarecer o que se passa com o Tejo.As mudanças estão a fazer sentir-se mais a montante. Talvez seja por isso que as pessoas em Lisboa ainda não respondem em peso à chamada. A resposta coube às organizações de proteção ambiental, mas mobilizou sobretudo cidadãos que vivem nas margens do rio Tejo, nos distritos de Santarém e Castelo Branco. Vêem-se em risco e fizeram questão de marcar presença, clamando “Por um Tejo vivo!”.É ali, consequência da seca extrema e de descargas ilegais, que as consequências são mais visíveis. São palpáveis. Os peixes morrem e a visível deterioração do estado do rio coloca em risco a própria actividade económica das terras e a saúde das populações locais.Coincidência, ou não, em Lisboa o rio também vai dando sinais a quem olha. Algo não corre como devia. Durante o desfile, aqueles que, ao passar pela Doca da Caldeirinha, que foi recentemente devolvida à vida, olharam para a água, depararam-se agora com um local de paragem de peixes mortos. Ali mesmo, no coração da Lisboa turística.Ouve aqui o episódio.Texto: Frederico RaposoPreparação e entrevistas: Frederico Raposo Captação de som: Frederico RaposoEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

David Crisóstomo sobre o trabalho nos bastidores da Assembleia da República (Entrevista)
Em Julho de 2017, multiplicavam-se as notícias sobre o trabalho dos deputados da Assembleia da República nos media portugueses. Faziam-se rankings dos mais faltosos, falava-se daqueles que até poderiam "chumbar" por faltas, e apontava-se o dedo àqueles que não abriam a boca no plenário. O Jornal de Notícias, por exemplo, indicava os "dez deputados que não abriram a boca", o Observador, por sua vez, dizia que Maria Luís Albuquerque estava "perto de chumbar" por faltas, e o Público, num tom contabilístico, alertava para as 1517 faltas dadas pelos deputados, adiantando que o PSD e PS eram os partidos "mais faltosos”. Mas, afinal, o que estavam estas notícias a dizer-nos? Será que os deputados eleitos pelos portugueses para a Assembleia da República não estavam a fazer o seu trabalho? Como poderiam faltar, e em alguns casos, nem sequer abrir a boca para falar no plenário? A verdade é que o trabalho dos deputados vai em muito para além das intervenções no plenário, que tanto nos habituámos a ver nos telejornais. Como nos disse o David Crisóstomo, no episódio que hoje lançamos, "existe uma imagem errada na sociedade portuguesa de achar-se que a essência do trabalho parlamentar é o plenário". Mas, então, o que faz um deputado na Assembleia da República? Que trabalho é que é feito nos "bastidores"? Como são produzidas as leis? Quem pode propor um projeto de lei? Um grupo de cidadãos pode fazê-lo? E qual é o papel do Presidente da República? Quando pode o Presidente usar o poder do veto? Quisemos saber mais sobre a Assembleia da República e o processo legislativo, e por isso, conversámos com o David Crisóstomo, co-fundador do Hemiciclo, um projeto que se destina a monitorizar a atividade parlamentar da Assembleia da República. Com explicações minuciosas, o David, que nos disse várias vezes que não é jurista, explicou-nos como funciona o parlamento, falou-nos do trabalho que é feito pelos deputados, no plenário e fora dele, esclareceu-nos sobre o processo legislativo, desde que um projeto de lei é apresentado na Assembleia até que é promulgado pelo Presidente, e falou-nos da falta de transparência que por vezes temos no parlamento português. Hoje, o É Apenas Fumaça está de volta e podem ouvir aqui o primeiro episódio desde que voltámos de férias. Obrigada e até já,Texto: Maria AlmeidaPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Domingos da Cruz sobre as eleições em Angola (Entrevista)
A 23 de Agosto, a única certeza, para uns, era a de que José Eduardo dos Santos abandonaria depois das eleições gerais em Angola o poder que ocupava desde há 38 anos atrás. O país viu apenas dois presidentes após a descolonização e apenas um partido no poder. "42 anos já pesa”, diriam alguns dos dissidentes Angolanos, ativistas pela democracia. Para outros, a certeza era clara: nada mudaria.Dizia-nos Domingos da Cruz, há uns meses atrás, que não é possível existir alternância de poder em regimes autoritários. E por isso não vota. Não votou ele nem votou o Sedrick de Carvalho, nem votaram muitos outros. Nenhum deles quis fazer parte do que chamam de “simulacro eleitoral.”.Passou exatamente uma semana desde o dia 23. Muito aconteceu, entretanto: desde comissários da Comissão Nacional Eleitoral que se demarcaram dos resultados provisórios; um partido que se auto-proclamou vitorioso ainda antes de qualquer resultado oficial; ou uma oposição que vai denunciando irregularidades quase todos os dias; até ao Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que reconheceu João Lourenço como presidente antes de qualquer resultado oficial.Hoje, no É Apenas Fumaça, aprofundamos tudo que tem acontecido e discutimos ainda o que acontecerá. Num episódio especial sobre as eleições angolanas, conversámos com o Domingos da Cruz, professor e investigador angolano, ativista pela democracia em Angola, e um dos 15+2; Manuela Serrano, parte do corpo de direção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda; Nelson Domingos António, doutorado em Ciência Política pela Universidade do Estado de Rio de Janeiro e professor em Luanda; Nvunda Tonet, psicólogo e jornalista; e Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista pela democracia em Angola que foi preso, tal como o Domingos da Cruz, durante 1 ano no processo 15+2.Ouve aqui a nossa entrevista com o Domingos da Cruz, professor e investigador angolano, ativista pela democracia em Angola que esteve preso durante um ano no processo 15+2.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nelson Domingos António sobre as eleições em Angola (Entrevista)
A 23 de Agosto, a única certeza, para uns, era a de que José Eduardo dos Santos abandonaria depois das eleições gerais em Angola o poder que ocupava desde há 38 anos atrás. O país viu apenas dois presidentes após a descolonização e apenas um partido no poder. "42 anos já pesa”, diriam alguns dos dissidentes Angolanos, ativistas pela democracia. Para outros, a certeza era clara: nada mudaria.Dizia-nos Domingos da Cruz, há uns meses atrás, que não é possível existir alternância de poder em regimes autoritários. E por isso não vota. Não votou ele nem votou o Sedrick de Carvalho, nem votaram muitos outros. Nenhum deles quis fazer parte do que chamam de “simulacro eleitoral.”.Passou exatamente uma semana desde o dia 23. Muito aconteceu, entretanto: desde comissários da Comissão Nacional Eleitoral que se demarcaram dos resultados provisórios; um partido que se auto-proclamou vitorioso ainda antes de qualquer resultado oficial; ou uma oposição que vai denunciando irregularidades quase todos os dias; até ao Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que reconheceu João Lourenço como presidente antes de qualquer resultado oficial.Hoje, no É Apenas Fumaça, aprofundamos tudo que tem acontecido e discutimos ainda o que acontecerá. Num episódio especial sobre as eleições angolanas, conversámos com o Domingos da Cruz, professor e investigador angolano, ativista pela democracia em Angola, e um dos 15+2; Manuela Serrano, parte do corpo de direção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda; Nelson Domingos António, doutorado em Ciência Política pela Universidade do Estado de Rio de Janeiro e professor em Luanda; Nvunda Tonet, psicólogo e jornalista; e Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista pela democracia em Angola que foi preso, tal como o Domingos da Cruz, durante 1 ano no processo 15+2.Ouve aqui a nossa entrevista com o Nelson Domingos António, doutorado em Ciência Política pela Universidade do Estado de Rio de Janeiro e professor em Luanda.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Sedrick de Carvalho, Manuela Serrano e Nvunda Tonet sobre as eleições em Angola (Entrevista)
A 23 de Agosto, a única certeza, para uns, era a de que José Eduardo dos Santos abandonaria depois das eleições gerais em Angola o poder que ocupava desde há 38 anos atrás. O país viu apenas dois presidentes após a descolonização e apenas um partido no poder. "42 anos já pesa”, diriam alguns dos dissidentes Angolanos, ativistas pela democracia. Para outros, a certeza era clara: nada mudaria.Dizia-nos Domingos da Cruz, há uns meses atrás, que não é possível existir alternância de poder em regimes autoritários. E por isso não vota. Não votou ele nem votou o Sedrick de Carvalho, nem votaram muitos outros. Nenhum deles quis fazer parte do que chamam de “simulacro eleitoral.”.Passou exatamente uma semana desde o dia 23. Muito aconteceu, entretanto: desde comissários da Comissão Nacional Eleitoral que se demarcaram dos resultados provisórios; um partido que se auto-proclamou vitorioso ainda antes de qualquer resultado oficial; ou uma oposição que vai denunciando irregularidades quase todos os dias; até ao Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que reconheceu João Lourenço como presidente antes de qualquer resultado oficial.Hoje, no É Apenas Fumaça, aprofundamos tudo que tem acontecido e discutimos ainda o que acontecerá. Num episódio especial sobre as eleições angolanas, conversámos com o Domingos da Cruz, professor e investigador angolano, ativista pela democracia em Angola, e um dos 15+2; Manuela Serrano, parte do corpo de direção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda; Nelson Domingos António, doutorado em Ciência Política pela Universidade do Estado de Rio de Janeiro e professor em Luanda; Nvunda Tonet, psicólogo e jornalista; e Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista pela democracia em Angola que foi preso, tal como o Domingos da Cruz, durante 1 ano no processo 15+2.Ouve aqui uma discussão com Manuela Serrano, parte do corpo de direção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda; Nvunda Tonet, psicólogo e jornalista; e Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista pela democracia em Angola que foi preso durante 1 ano no processo 15+2.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

José Pereira sobre o Serviço Nacional de Saúde (Entrevista)
"A «empresarialização» de hospitais constitui um vector essencial da reforma da gestão hospitalar em curso (...)”É assim que começa o segundo parágrafo da Resolução do Conselho de Ministros de 7 de Março de 2002, meses depois de António Guterres, Primeiro-Ministro do XIV governo, ter pedido a demissão. Um governo a 10 dias de novas eleições legislativas aprova, assim, uma resolução que urge tornar os hospitais públicos “mais vincadamente empresariais”.Mas será que um hospital deve ser gerido como uma empresa?Luís Filipe Pereira, Ministro da Saúde do governo seguinte, liderado por Durão Barroso, abraçou de uma maneira clara a reforma iniciada pelo seu antecessor. No mesmo ano, 31 hospitais passaram a ter o estatuto de sociedades anónimas de capitais públicos (mais tarde chamadas entidades pública empresariais (EPEs)). As EPEs continuaram a crescer nos anos seguintes, e um processo iniciado também em 2002 levou a que hoje tenhamos 4 hospitais em regime de Parcerias Público Privadas (PPPs).Ao mesmo tempo que isto acontecia, as taxas moderadoras dos hospitais públicos aumentavam drasticamente - em 2016, o custo para o doente de um serviço de urgência polivalente num hospital público custava o dobro do que custava 6 anos antes. A falta de médicos faz-se sentir por todo o SNS e o uso de médicos que trabalham para empresas prestadoras de serviços é a única forma de manter alguns hospitais em funcionamento. Estes médicos, chamados “tarefeiros”, fazem exatamente os mesmos trabalhos que os médicos do quadro, mas num regime flexível, sem terem contrato com o Estado. Muitas vezes, os próprios chefes de equipa não sabem quem são as pessoas que vão constituir a equipa no próprio dia.Porque não se contratam os médicos em falta?Para conversar sobre este assunto, temos hoje connosco o José Pereira, médico interno de um hospital do SNS e ex-dirigente associativo na Associação Académica da Universidade de Lisboa. Quais têm sido as consequências da empresarialização do Serviço Nacional de Saúde? Porque é que o custo das taxas moderadoras têm aumentado drasticamente? O que é a ADSE e porque existe? Porque é que os médicos fizeram greve durante esta legislatura? Porque faltam tantos médicos ao SNS e porque não são contratados?Até já,Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dito Dalí sobre as eleições angolanas (Entrevista)
A campanha eleitoral angolana teve início ontem, exatamente um mês antes das eleições gerais. 5 partidos e 1 coligação irão a votos. Na liderança do MPLA estará João Lourenço, atual Vice-Presidente do MPLA e Ministro da Defesa.Quanto ao atual presidente, José Eduardo dos Santos, não se recandidatará pela primeira vez e tudo indica que deixará a presidência de Angola passados 38 anos. Desde 2 de Maio que não aparece publicamente. Rafael Marques, jornalista e fundador do Maka Angola, escreve sobre o assunto dizendo que "ao que tudo indica, Dos Santos terá perdido a capacidade da fala, uma vez não se pronuncia publicamente desde finais de Abril passado.”. Segundo informações de familiares de José Eduardo dos Santos e da Angop, agência noticiosa detida pelo Estado angolano, o presidente angolano tem-se deslocado várias vezes a Barcelona para tratamentos de saúde. Para Dito Dalí, com quem conversamos hoje, José Eduardo dos Santos pode até estar morto: “Neste exato momento, não sabemos o paradeiro do José Eduardo dos Santos, se está morto ou não está.”. Ouve aqui o novo episódio:Enquanto isto, também o vice-presidente angolano, Manuel Vicente, se encontra fora do país "em visita privada temporariamente”. Um Despacho publicado em Junho e assinado por José Eduardo dos Santos designa o general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, como o representante do vice-presidente na sua ausência e portanto a figura mais alta do Estado. Esta foi uma decisão histórica e que já muitos angolanos vieram denunciar como inconstitucional e que Isaías Samakuva, líder da UNITA, classificou como “golpe de estado constitucional”.Mas afinal, quem governa Angola?Conversámos com o Benedito Jeremias “Dito Dali”, ativista angolano pela democracia em Angola que esteve preso durante um ano em 2015 no processo dos 15+2, acusado de crime de atos preparatórios de rebelião.Quisemos perceber melhor o que se passa em Angola desde que José Eduardo dos Santos se apresentou publicamente pela última vez, e quem hoje lidera o governo angolano. Enquanto se fala em golpe de Estado quisemos perceber quem é o general “Kopelipa”, e qual o seu papel no governo angolano. Até já,Ricardo Ribeiro e Bernardo Afonso.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Piménio Ferreira sobre as comunidades ciganas em Portugal (Entrevista)
A 1 de Março de 2017 a comunidade cigana de Santo Aleixo da Restauração acordou com os muros e paredes da sua freguesia pintados. Nesses muros lia-se "Morte aos Ciganos".Mas as ameaças não ficaram por aqui. Um cavalo foi envenenado, uma igreja incendiada, casas e carros queimados, caixões colocados à porta das casas, e bombas lançadas para os quintais, segundo uma denúncia da SOS Racismo.Nesta freguesia do concelho de Moura, no Alentejo, vive uma única família cigana que lá reside há mais de 15 anos em casas que foram comprando ao longo dos anos. Até 2016, nunca houve qualquer conflito. No entanto, casos de ciganofobia como o de Santo Aleixo da Restauração em Moura não são únicos em Portugal. Ainda este mês, em Beja, o Presidente da Junta de Freguesia de Cabeça Gorda, Álvaro Nobre, recusou o enterro e velório de José António Garcia, cigano e residente na freguesia. “Nem para morrer se pode ser cigano”, escreveram várias associações.Mas porquê? Por que é que existe tanta ciganofobia em Portugal? Conversámos com o Piménio Ferreira, engenheiro físico e ativista cigano, sobre as comunidades ciganas em Portugal neste novo episódio.Há quanto tempo vivem pessoas ciganas em Portugal? Estas comunidades auto-excluem-se? Vivem de subsídios? As crianças ciganas não vão à escola? As mulheres ciganas são oprimidas nestas comunidades? Falámos com o Piménio sobre o que é ser cigano, sobre o racismo que estas comunidades sofrem, sobre todos os mitos que existem e que alimentam o estereótipo, e falámos dos movimentos sociais que foram sendo criados nos últimos anos dentro destas próprias comunidades. Ouve aqui o novo episódio.Até já,Maria Almeida, Bernardo Afonso e Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Sedrick de Carvalho sobre as eleições angolanas (Entrevista)
Simulacro eleitoral. É assim que Sedrick de Carvalho define o ato eleitoral que acontecerá em Agosto de 2017 em Angola. As eleições presidenciais, agendadas para o dia 23, marcarão o final da presidência de José Eduardo dos Santos, 38 anos depois de ter sido empossado pela primeira vez em 1979. Pelo MPLA, partido que está atualmente no poder, concorrerá João Lourenço, atual Ministro da Defesa e vice-presidente do partido.Mas o que vai mudar em Angola?A repressão - física e judicial - existe desde há muito. Em Portugal, foi notícia o processo “15+2” que levou à prisão de 17 jovens, acusados de tentativa de golpe de estado, porque liam e discutiam um livro. Debatiam diferentes soluções para transitar de um sistema autoritário para uma democracia reforçada. Falavam da Primavera Árabe e das ideologias de desobediência civil não violenta. António Luvualu de Carvalho, embaixador Angolano Itinerante para as questões políticas, classificou o tal livro que liam, “Da Ditadura à Democracia”, de Gene Sharp, como subversivo, enquanto debatia com José Eduardo Agualusa, escritor angolano, na RTP:-Este livro é altamente subversivo. - dizia Luvualu de Carvalho-Eu concordo consigo, é um livro altamente subversivo mas em regimes totalitários. Não é subversivo em Democracias. Este livro não leva ao derrube de Democracias. - respondeu José Eduardo Agualusa.Sedrick de Carvalho é um dos 15+2. Foi acusado em 2015 de crime de “atos preparatórios de rebelião”. Esteve preso durante um ano.Dois anos depois, a repressão continua. Segundo o estudo lançado pelo Domingos da Cruz este ano, 1 em cada 3 professores angolanos acredita poder ser perseguido ou morto. Jornalistas são condicionados - Rafael Marques do Maka Angola foi acusado de “crime de injúria e ultraje a órgão de soberania” depois de revelar alegadas práticas corruptas desempenhadas pelo Procurador Geral da República. Os canais da SIC foram retirados das plataformas televisivas angolanas DSTV e Zap depois da SIC ter lançado uma série de reportagens sobre a desigualdade, a pobreza, a corrupção e as condições desumanas em que crianças vivem no país. Ativistas e manifestantes continuam a ser reprimidos fisicamente e até presos - como foi o caso de David Saley, Paulo Mabiala, António Mabiala, Mário André, Nzunzi Zacarias Mabiala, Waldemar Aguinaldo e Adão Bunga, presos durante uma manifestação e condenados a 45 dias de prisão no passado Maio.Quando falta pouco mais de 1 mês para que os angolanos sejam chamados a votar, começamos a cobrir as eleições angolanas no É Apenas Fumaça. Durante as próximas semanas, teremos várias entrevistas focadas neste tema, procurando aprofundar este assunto antes e depois do dia 23. Hoje conversamos com o Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista angolano pela democracia em Angola. Falámos sobre o que se tem passado durante o processo de preparação para as eleições e sobre que expectativas tem ele em relação ao futuro do país.Ouve aqui o novo episódio com o Sedrick de Carvalho sobre as eleições Angolanas.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Regina Queiroz sobre neoliberalismo e populismos (Entrevista)
Conversámos com a Regina Queiroz, doutorada em Filosofia Política pela Universidade de Lisboa. Falámos da União Europeia, de Portugal e da Troika, de Donald Trump, de Le Pen, e do porquê disto tudo.Uma conversa sobre neoliberalismo, democracia e populismos para ouvir aqui.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Sérgio Vitorino sobre o movimento LGBTI português (Entrevista)
Junho é o mês do Orgulho por causa dos acontecimentos no Stonewall-Inn, um bar em Nova Iorque, onde a 28 de junho de 1969 teve lugar uma das primeiras revoltas das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Intersexo (LGBTI) contra as agressões policiais. Há celebrações em todo o mundo e também por cá, como a Marcha do Orgulho de Lisboa e do Porto ou o Arraial Pride.Falámos com Sérgio Vitorino, ativista de mil e uma causas pela igualdade, co-fundador da Marcha do Orgulho de Lisboa e do coletivo Panteras Rosa, entre outros, para entender o que tem sido a história dos movimentos arco-íris em Portugal, nas últimas décadas. Orgulho e preconceito. Ouve aqui o novo episódio.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

10,000 pessoas encheram as ruas de arco-íris na Marcha do Orgulho LGBT (Reportagem)
Mais de 10,000 pessoas preencheram as ruas em Lisboa do Príncipe Real à Ribeira das Naus, no Sábado, com as cores do arco-íris, em mais uma Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa. O É Apenas Fumaça esteve Na Rua e na marcha para falar com muitas destas pessoas que se manifestaram. Ouve aqui o episódio.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Pedro Bingre do Amaral sobre gentrificação, direito à habitação e propriedade (Entrevista)
Aconteceu no ano passado, em novembro. Saí de casa e o prédio da frente tinha uma fachada nova. Tapado por andaimes com uma rede verde, dava nas vistas uma grande tela, com design a armar ao pingarelho, a anunciar: “Nasceu um novo projeto em Lisboa feito a pensar em si”. Outrora anódino e sem graça, daqui a uns meses abrirá portas como "LuxResidence". Onde antes se viam alguns andares abandonados e varandas ocupadas por pombos está a renascer um imóvel que oferece “Lounge Executive, Lounge Fitness, Restaurante/Bar, Beauty Space, Sauna, SPA”. Há para todos os gostos, de T1 a T3 duplex. É escolher freguesas e fregueses. É escolher. Cereja no topo do bolo, os promotores do empreendimento prometem nada mais, nada menos, do que “rentabilidade garantida: 38,5%, em cinco anos”.Desvio o olhar e sigo caminho quando noto que o parquímetro mais próximo tem também algo de diferente. Uma folha A4, segura a fita-cola, anuncia:“Aluga-se camas, em quartos partilhados. Cama (quarto de 4 camas) 100€ Cama (quarto de 2 camas) 200€ Cama (quarto de 2 camas com WC) 225€ (todas as despesas incluídas)” Inclui o número de telefone e um ícone a apregoar a existência de internet sem fios.De um lado da estrada o prédio para ricos. Do outro, mesmo em frente, o regresso ao sistema da cama-quente anunciado na caixa das esmolas de quem usa automóvel.É entre estes extremos que vivem hoje as pessoas nas maiores cidades do país, com destaque para Lisboa e Porto. Resiste que tem dinheiro para isso.Quem diria que em Portugal a discussão sobre o direito à habitação ia ser tema de conversa depois do pico da crise e não durante os anos duros da Troika, como aconteceu em Espanha?Quem diria que o clamor pelo direito a viver no centro e a ter uma casa saltasse para as capas das revistas e jornais?A falta de casas para pessoas desfavorecidas sempre existiu. Associações de moradores dos subúrbios, de imigrantes e outras minorias denunciam há anos a dificuldade em arranjar um teto digno, que possam pagar.Mas as alterações no mercado imobiliário chegaram à intelligentsia nacional. E, também por isso, passou a falar-se do aumento do preço das rendas, dos problemas com o alojamento local, do eventual excesso de turistas, das leis que não protegiam as pessoas mais velhas, jovens, sem emprego, precárias.Ganharam destaque novas palavras e expressões: gentrificação, turistificação, Airbnb, economia da partilha. Para perceber o que se está a passar falámos com Pedro Bingre do Amaral, professor no Instituto Politécnico de Coimbra, investigador nas áreas do Ordenamento do Território e Ambiente.Até já, Pedro Santos.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rua do Mundo: Reino Unido: para quê fazer simples quando se pode fazer complicado? (Opinião)
Vais ouvir conteúdo original Rua do Mundo, um podcast sobre assuntos internacionais de Bernardo Pires de Lima, Rui Tavares e Sofia Lorena.Neste episódio contamos com Mafalda Dâmaso, correspondente da Rua do Mundo em Londres, e Ricardo Alexandre, editor de política internacional da RTP, para fazer o rescaldo das eleições britânicas, a projeção das suas consequências nas negociações do Brexit e a análise dos bons resultados do Labour de Jeremy Corbyn.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Tiago Gillot sobre precariedade (Entrevista)
“(…) A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre. Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários. Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato. Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos. Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia. E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa. Obrigado.”Fará 10 anos em setembro que João Pacheco, jornalista, proferiu estas palavras na cerimónia de entrega dos Prémios Gazeta 2006, os mais importantes galardões do jornalismo nacional. Tinham-lhe concedido o Gazeta Revelação, destinado a jovens jornalistas com menos de 30 anos. Na plateia, as palavras foram ouvidas por entre reações de incómodo e sorrisos amarelos de condescendência. Cavaco Silva, Presidente da República, estava lá e, por isso, os recados do jovem jornalista tornaram-se notícia. A precariedade era uma palavra estranha no léxico português. A solução de quem lutava contra relações laborais baseadas em falsos recibos verdes, sucessivos contratos a prazo ou a intermitência das empresas de trabalho temporário era fazer guerrilha política. Usar a imaginação, o exagero, a ação direta para colocar o problema no centro do debate público e político. Pacheco, na altura ativista nos Precários Inflexíveis, um grupo informal conhecido como “os PI”, usou a oportunidade. Muito se andou. Grupos, associações formais ou informais de trabalhadores fizeram um combate que engrossou na última década e talvez tenha tido o seu momento alto meses antes da queda do Governo Sócrates e da entrada da Troika em Portugal, no Protesto da Geração à Rasca, a 12 de março de 2011. Os Precários Inflexíveis, que hoje são uma “associação de combate à precariedade” têm sido o sindicato do precariado, liderando a organização da resistência e contestação nas ruas e as propostas políticas e legislativas no Parlamento, como a Lei Contra a Precariedade. Falámos com Tiago Gillot, uma das caras mais conhecidas dos PI, sobre trabalho, as origens da precariedade, os seus efeitos e, ainda, sobre uma das maiores conquistas políticas que estas e estes trabalhadores tiveram nos últimos anos: o lançamento, pelo Governo, do PREVPAP - Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública.Até já, Pedro Santos e Tomás PereiraJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Shahd Wadi sobre a ocupação da Palestina (Entrevista)
Em 1948, cerca de 700,000 palestinianos fugiram ou foram expulsos das suas terras. Israel, para os palestinianos um “estado colonizador”, vinha ocupando parcelas de terreno que pertenciam à Palestina histórica, exigindo para si que esta fosse a sua casa, o seu país. O conflito entre Israel e Palestina dura há quase 100 anos e ainda hoje, passados 69 desde a Nakba - o exílio de 700,000 palestinianos em 1948 - a maioria das famílias palestinianas refugiadas guardam consigo a chave das suas casas. “É o símbolo do regresso dos palestinianos.”, diz-nos a Shahd Wadi, doutorada em Estudos Feministas.Contudo, o regresso a casa parece hoje mais difícil do que nunca, e o número de palestinianos refugiados vem acumulando histórias de vida com o passar do tempo. Em 2015, segundo a ONU, existiam 5 milhões de refugiados palestinianos.A Shahd é palestiniana, apesar de ter nascido no Egipto e vivido toda a sua infância na Jordânia. “Cada palestiniano diz ao filho que é palestiniano.”. Caso contrário, parte do seu povo desapareceria. Neste episódio, conversámos com ela sobre a história da Palestina e da criação do Estado de Israel e de como a família da Shahd a acompanhou. Conversámos também sobre como é hoje viver na Palestina, sobre qual deveria ser a resposta da comunidade internacional, sobre o papel da luta feminista dentro da luta palestiniana, e também sobre os presos palestinianos encarcerados em celas israelitas.Oiçam aqui este novo episódio.Até já, Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Centenas dizem não à cultura da violação (Reportagem)
Estivemos na concentração “Mexeu com uma, Mexeu com TODAS. Não à cultura da Violação!”. As mulheres em discurso direto, pelo direito a não serem abusadas. Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mojana Vargas sobre dados étnico-raciais (Entrevista)
Depois das eleições legislativas de 2015, 230 deputados ocuparam os seus lugares na Assembleia da República . Apenas um desses deputados e deputadas era negro. . Hélder Amaral, do CDS-PP, contava por cerca de 0,43% do número total de deputados que representam pouco mais de 10 milhões de habitantes.Será que em Portugal temos apenas 0.43% de negros e negras? Há quem diga que não, que estupidez, que o número é até maior do que 10%. Outros diriam que sim, que é capaz de estar 0,43% perto da verdade. Ora, a verdade é que não se sabe. Não se sabe ao pesquisar no Google, nem ao procurar por documentos oficiais do Governo. Isto acontece porque, ao contrário de países como o Brasil, os Estados Unidos da América, o Chipre, o Reino Unido, a Irlanda, a Hungria, a Jamaica, o Senegal, o México, a Austrália, a Croácia, a República Checa (entre outros), Portugal não recolhe dados relativos a categorias étnico-raciais quando produz censos ou outros inquéritos oficiais.O debate sobre esta matéria tem pelo menos dois lados: o lado de quem acha que perguntar qual a raça ou etnia com que cada pessoa se identifica é, em si, perpetuar o racismo; e o lado de quem acredita que apenas quando se tiver dados e estatísticas credíveis sobre o assunto se consegue atuar eficazmente com políticas anti-racistas, como é o caso de Mojana Vargas com quem hoje falamosAs estatísticas que hoje Portugal deixa de fora são obviamente desconfortáveis. Na prática, podem resultar na conclusão de que o país é factualmente racista, e que o Estado acaba por institucionalizar o racismo com as suas políticas. Será que as pessoas negras em Portugal ganham menos de salário que as brancas? A cor da pele conta para a nota? Estarão as pessoas de etnia cigana a serem discriminadas nas ofertas de emprego? Será que a pobreza afeta mais a uma etnia?Conversámos com a Mojana, doutoranda em Estudos Africanos no ISCTE-IUL e co-organizadora da conferência “Activisms in Africa” sobre Racismo Institucional e sobre como as estatísticas que Portugal não recolhe resultam nas políticas que Portugal não toma. Ouve aqui este episódio.Até já,Ricardo Ribeiro e Maria Almeida.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Manifestação "Diretas Já! Fora Temer!" (Reportagem)
Durante a tarde do dia de ontem, dezenas de pessoas juntaram-se na Praça Luís de Camões, em Lisboa, manifestando-se contra o Governo brasileiro liderado pelo Presidente Temer. Ao som de festa que a música brasileira trazia consigo, gritavam "Fora Temer" e por novas eleições diretas.Desde o impeachment de Dilma Roussef em 2016 que continuam as manifestações do povo brasileiro contra as reformas do novo Governo que configuram cortes sociais em áreas como a Educação e a Saúde. A isto, juntou-se na última semana a divulgação de denúncias e gravações de conversas em que expõem práticas de corrupção do presidente Michel Temer. A resposta do povo brasileiro foi o instensificar das manifestações, enchendo as ruas do Brasil e um pouco por todo o mundo.O É Apenas Fumaça acompanhou a manifestação "Diretas JÁ! FORA Temer!" em Lisboa e deu voz a alguns dos manifestantes. Podem ouvir tudo neste novo episódio Na Rua.Até já, Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rua do Mundo: Brasil, enquanto se espera por mais um impeachment? (Opinião)
Vais ouvir conteúdo original Rua do Mundo, um podcast sobre assuntos internacionais de Bernardo Pires de Lima, Rui Tavares e Sofia Lorena, hoje em conversa com Mathias de Alencastro, corresponde em São Paulo.O Brasil parece ter interrompido a sua caminhada para a normalização democrática e deixado sem resposta os anseios de modernização e justiça da sua população. Pouco mais de um ano após o impeachment da Presidente Dilma, novas denúncias e gravações expõem as práticas de corrupção nos mais altos escalões da República, desde o Presidente Temer até ao ex-candidato Aécio Neves. Conversamos com o cientista político Mathias de Alencastro para saber quais são os cenários de futuro para o país, se há hipóteses de reformar o sistema político brasileiro, como está a reagir a sociedade brasileira a esta enorme frustração de expectativas e quais são as ramificações internacionais das enfermidades brasileiras, dos EUA a Angola e a Portugal.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

José Semedo Fernandes sobre a Lei da Nacionalidade (Entrevista)
Hoje, quem nasce em Portugal não é automaticamente português. Segundo a lei, quem nascer em território português apenas tem a nacionalidade se tiver pai ou mãe portuguesa, ou se os seus os seus pais forem estrangeiros e "aqui residam com título válido de autorização de residência há, pelo menos, 6 ou 10 anos, conforme se trate, respectivamente, de cidadãos nacionais de países de língua oficial portuguesa ou de outros países”.Milhares de pessoas sofreram e sofrem ainda hoje impactadas por uma lei que os trata como imigrantes no país onde nasceram. Dizem-lhes que terão de submeter-se ao processo exigido pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras até serem considerados imigrantes legais caso queiram ter parte dos seus direitos assegurados, ou a qualquer altura poderão ser deportados para uma terra que nunca pisaram.Conversámos sobre isso e sobre como esta lei pode mudar; sobre casos de pessoas que perdem a nacionalidade; sobre como conduzir sob o efeito do alcool (entre outros crimes) pode fazer com que alguém veja para sempre negado o direito a ser português; e como hoje o processo de deportações em Portugal expulsa centenas de pessoas do país.Ouve aqui um novo episódio.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mariana Mortágua sobre a dívida (Entrevista)
A discussão sobre se as finanças devem estar no topo das preocupações políticas é importante, mas o importa ainda mais perceber são as consequências que a sua linguagem traz para a ligação das pessoas à política.É recorrente hoje em dia ler-se notícias e ouvir-se representantes a utilizar jargão financeiro e económico enquanto se debruçam sobre os problemas portugueses e as soluções para o país. "Troika ainda tem mais de um quarto da dívida pública portuguesa", diz o Jornal de Negócios, "FMI melhora previsão do défice para 1,9% em 2017", diz a SIC Notícias, "Juros da dívida de Portugal a subir a 2, 5 e 10 anos", diz o Diário de Notícias. É preocupante para a democracia que o tipo de linguagem utilizado nas notícias em destaque nos jornais sejam acessíveis apenas a uma pequena parte da população. O restantes, ficarão de fora.A relevância das finanças no discurso político não será novidade para ninguém, mas o que parece interessante é perceber a evolução dessa relevância. Será que os números do défice e da dívida pública foram sempre tão importantes como hoje são? Porque é que hoje parece interessar mais a dívida pública do que a taxa de desemprego? Quem está por detrás dos limites do défice impostos pela União Europeia?Foi por isso que quisemos, hoje, trazer a Mariana Mortágua - deputada à Assembleia da República e dirigente do Bloco de Esquerda - ao É Apenas Fumaça. Conversámos sobre o que é o défice, a dívida soberana, dívida pública e os juros da dívida, e muito mais. A quem deve dinheiro o Estado português? O que quer dizer uma renegociação de dívida? Como é criada a dívida? Porque é que hoje se fala tanto sobre finanças?Podes ouvir aqui este novo episódio.Até já, Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Marcha Global da Marijuana (Reportagem)
A legalização da canábis é um assunto que começa a aparecer na ordem do dia em vários países. Algo que há uns anos atrás era impensável nos Estados Unidos, concretizou-se já em alguns dos seus estados, sendo o caso mais falado e debatido, o do estado do Colorado. Outros países, como o Uruguai ou o Canadá, estudam agora modelos de legalização da marijuana.Este assunto trouxe também para a rua mais de uma centena de pessoas no Sábado passado, dia 6 de Maio, que fizeram o percurso entre o Rato e o Miradouro de S. Pedro de Alcântara, entoando palavras de ordem contra "a Finança" e o actual governo, e pedindo Marijuana legal, "como a Imperial".Estivemos mais uma vez Na Rua, para perceber o que achavam os manifestantes das eventuais implicações económicas, legais, e de saúde de um acesso regulado à cannabis. Tentámos perceber também como estão a funcionar modelos de regulação noutros países, e se é apenas a canábis que deve estar neste debate, e não outras drogas.Falámos com a Joana Simões, enfermeira, com o João e o Fábio, da Cannativa, uma associação de estudos sobre a canábis, com o Luís Branco, do podcast Quatro e Vinte, e com outros manifestantes entre os quais a Maria e o Fernando.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rua do Mundo: Na França de Macron: e depois da festa? (Opinião)
Vais ouvir conteúdo original Rua do Mundo, um podcast sobre assuntos internacionais de Bernardo Pires de Lima, Rui Tavares e Sofia Lorena, hoje com a participação de Catarina Falcão, correspondente em Paris.As eleições presidenciais em França foram seguidas com ansiedade na Europa e no mundo. Depois de um ano em que o nacional-populismo celebrou a vitória do Brexit no Reino Unido e de Trump nos EUA, importava saber se essa tendência se confirmaria com um resultado positivo para Le Pen, ou se seria contida com uma vitória de Emmanuel Macron. Na noite da vitória de Macron foi celebrada uma barragem efetiva à Frente Nacional, ainda que desta vez sem "frente republicana". Mas depois da festa, importa perguntar: qual será o significado da vitória de Macron na política francesa e europeia?Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Sofia Branco sobre mutilação genital feminina (Entrevista)
Em 1999 a Sofia Branco, com quem conversamos no episódio de hoje e que na altura trabalhava no Público, foi a única jornalista a assistir a uma conferência de imprensa em Lisboa. Falava-se de mutilação genital feminina.A partir desse dia trabalhou o tema afincadamente, que na época era completamente desconhecido na sociedade Portuguesa. Meninas em África eram mutiladas, cortavam-lhes os genitais a sangue frio, e marcavam-nas para a vida. Hoje, passados 18 anos, o fenómeno persiste. Segundo a UNICEF pelo menos 200 milhões de mulheres e meninas foram submetidas à mutilação genital feminina. Em países como a Somália, de acordo com a mesma organização, isto representa cerca de 90% da população feminina entre os 15 e 49 anos de idade, e na Guiné Bissau, antiga colónia Portuguesa e que conta com vários imigrantes viver em Portugal, é 50%. Mas porquê? Como é que uma mãe poderá fazer isto a uma filha? Será um problema do islão? Acontece em Portugal? E como é que se combate?Falámos sobre tudo isto com a Sofia Branco, ativista, feminista, e atualmente jornalista na Agência Lusa e Presidente do Sindicato dos Jornalistas. Foi também jornalista no Público, e é autora dos livros “Cicatrizes de Mulher” sobre a mutilação genital feminina, e “As Mulheres e a Guerra Colonial”.Quisemos perceber o que é a mutilação genital feminina, em que contexto acontece, onde e porquê, e o que se tem feito para erradicar este ritual. No final do episódio ainda sobrou tempo para falarmos de jornalismo, se deve existir um jornalismo de causas, e qual o estado do jornalismo de investigação em Portugal.Ouve aqui mais um episódio.Até à próxima.MariaJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Festival Política: Qual é o papel do jornalismo independente na democracia? (Entrevista)
O Pedro Santos, do É Apenas Fumaça, moderou, na primeira edição do Festival Política, um debate sobre jornalismo independente. Na mesma mesa, juntou-se a ele a Carla Fernandes, da Rádio AfroLis, o Diogo Cardoso, da Divergente, e o Paulo Querido, da newsletter Hoje.Debateu-se o papel do jornalismo independente e a diferença entre ele os media tradicionais e como se financiam estes projetos.Podem ouvir o debate completo, aqui.Até já, Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nas ruas pediu-se um 25 de Abril para a Europa (Reportagem)
O É Apenas Fumaça esteve Na Rua mais uma vez e desceu a Avenida da Liberdade acompanhado por milhares de pessoas que celebravam o 43º aniversário do 25 de Abril e se manifestavam para que a revolução continue.Dezenas de associações e causas se representaram enquanto gritavam e cantavam à liberdade. Conversámos com algumas das pessoas que sairam à rua e falámos sobre o que para eles significa esse dia. Ouvimos quem viveu a revolução, a quem ela lhe foi contada e quem a conta hoje aos seus filhos e família.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

25 de Abril: as estórias que a história não conta (Especial)
“Foi bonita a festa, pá”, é o que diz Chico Buarque, brasileiro, e o que diz também o povo português sobre o 25 de Abril. Uma festa com cravos e sem escravos, e sem combates, e sem mortes, e sem tiros de espingarda mas com flores dentro dos seus canos. Uma festa em que o povo saiu à rua depois da "Grândola Vila Morena" e do “E Depois do Adeus” e seguindo os militares que iam ao Terreiro do Paço desde Santarém.Esta é a história oficial, aquela que é contada pelos livros e a que contam os professores e as professoras aos seus alunos enquanto elaboram sobre a coragem dos capitães de Abril a tomar a liberdade contra o regime.A importância do 25 de Abril para Portugal é inegável e muito há que celebrar quem o cumpriu, mas teria havido 25 de Abril não houvessem Lutas de Libertação Nacional? O que é feito dos não heróis? Daqueles que não vão hoje apertar a mão ao Presidente da República durante as comemorações? O que foi feito dos que, tendo nascido nas ex-colónias, deixaram de ser portugueses de um momento para o outro? Hoje lançamos um episódio especial do É Apenas Fumaça, em co-produção com a Divergente - uma publicação que conta estórias que exploram silêncios - sobre um outro lado do 25 de Abril. "25 de Abril: as estórias que a História não conta” é um debate em que nos sentamos à mesa com Abdulai Djaló, comando africano das Forças Armadas portuguesas na Guiné, Joana Craveiro, directora artística do Teatro do Vestido, Joana Lopes, ativista anti-fascista, e Miguel Cardina, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.Conversámos também sobre os movimentos sociais antes e depois do 25 de Abril e sobre o que foi realmente o PREC, que hoje parece ser coletivamente lembrado como "o período dos excessos da extrema esquerda”. A Joana Lopes diz-nos que durante o Processo Revolucionário em Curso se achava que Portugal seria um país socialista a sério, mas o que foi vivê-lo? Passados 43 anos do 25 de Abril e estando as pessoas que o viveram a desaparecer, falámos sobre importância da memória e de como a História é narrada para perceber o que se passa nos dias de hoje. Até já,Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Festival Política 2017 (Reportagem)
O É Apenas Fumaça esteve na sexta-feira e no sábado passados na primeira edição do Festival Política, para mais um Na Rua. O festival teve uma série de debates, workshops e filmes sobre o afastamento da política por parte das pessoas, tendo como tema central a abstenção.Conversámos com a Ermelinda Kuka Bragança sobre se a taxa de abstenção é representativa das pessoas que não se interessam por política e sobre a Democracia como algo que se cumpre todos os dias, e não apenas no dia de voto. O João Miguel falou-nos sobre como os jovens têm participado nos movimentos sociais em Portugal e como os media tradicionais não os têm coberto. A Margarida falou-nos sobre se o voto obrigatório deveria ser implementado em Portugal e o Jair Rattner, jornalista brasileiro, contou-nos sobre como o voto funciona no Brasil, onde é obrigatório.Até já,Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Deniz Mardin sobre o referendo na Turquia (Entrevista)
A 15 de Julho de 2016 os destaques dos jornais em Portugal falavam da possibilidade do governo turco, chefiado pelo presidente Tayyip Erdogan, cair. Uma tentativa de golpe de estado Estado militar liderada pelas Forças Armadas Turcas tentava derrubar o regime. Por dois dias se manteve a dúvída, e por dois dias manteve, o regime, a ideia de que tudo estava controlado. "Há medo de se expressar, mesmo nas redes sociais. Com um só Tweet, podes ser preso.". Este é, segunda a Deniz Mardin, o resultado do estado de emergência implementado depois da tentativa de golpe de Estado de há mais de 8 meses e consecutivamente prolongado desde aí. Desde a tentativa de golpe de Estado que mais de 100 organizações de media foram fechadas e mais de 40000 pessoas foram presas, segundo o Turkey Purge. Hoje, a Turquia é o país do mundo com mais jornalistas detidos.Foi com este clima que no último domingo um referendo para uma alteração constitucional foi a votos na Turquia, terminando com a vitória do "Sim" apoiado pelo regime. As alterações da constituição foram por nós já abordadas quando conversámos com o Sinan Eden, no passado domingo e, hoje, conversámos com a Deniz, ativista e médica membro da comissão de Direitos Humanos da Câmara de Médicos de Istambul, e que está a viver em Lisboa por 6 meses. Falámos sobre qual tem sido a resposta da população turca ao referendo, sobre o que se passou durante a votação, e sobre o que tem sido viver na Turquia no pós tentativa de golpe de Estado. Conversámos também sobre a crise de refugiados e Curdos e sobre a maneira como têm sido tratados pelo regime.Até já,Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Manifestação contra campos de concentração para gays na Tchetchénia (Reportagem)
A 1 de Abril de 2017 o jornal russo, Novaya Gazeta, publicou uma reportagem que denunciava a existência de campos de concentração para homossexuais na Tchetchénia, uma das repúblicas da federação Russa. Falavam de cerca de 100 homens detidos, torturados, e forçados a revelarem os nomes de outros homossexuais na região, e 3 mortos. De acordo com Svetlana Zakhorova, membro de uma associação russa de direitos LGBT que falou com o jornal MailOnline, há testemunhos de homossexuais que conseguiram escapar e que contam que as autoridades tchetchenas colocavam entre 30 a 40 homens na mesma sala para serem eletrocutados, espancados, levando mesmo até à morte de alguns deles.O governo regional da Tchetchénia já veio negar a existência destes campos através do porta voz Alvi Karimov afirmando que "não existem homossexuais na Tchetchénia" e que os homens daquela região "têm estilos de vida saudáveis, fazem desporto, e têm só uma orientação, que é aquela determinada no momento da criação".Esta opressão a pessoas LGBT na Rússia já é história de longa data. Desde 2013 que vigora uma lei que proíbe a "propaganda" gay na Rússia, sendo que a lei não usa a palavra homossexualidade mas "orientações sexuais não tradicionais". Também um estudo de 2013 chamado "The Global Divide on Homosexuality" do Pew Research Centre, revelava que 74% da população Russa dizia que a homossexualidade não deveria ser aceite pela sociedade.No entanto, desde a publicação do Novaya Gazeta a jornalista que escreveu a reportagem fugiu para evitar represálias e a notícia espalhou-se um pouco por todo o mundo.Multiplicaram-se os protestos e foi feita pressão no governo Russo para que acabe com esta perseguição a gays, e Portugal não foi excessão. Ontem, dia 18 de Abril, perto do final da tarde, concentraram-se cerca de 400 pessoas em frente à embaixada da Rússia exigindo o fim desta opressão. Seguravam cartazes, bandeiras com o arco-íris, fotografias de Putin com maquilhagem, e flores para serem simbólicamente colocadas à porta da embaixada.O É Apenas Fumaça esteve na manifestação e falou com algumas das pessoas que lá estavam.Conversámos com o André Faria, membro da rede ex aequo - associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexo e apoiantes, com a Beatriz, ativista e apoiante das causas LGBT, com o Matthew Carrozo, americano a viver em Portugal, com o Nuno Pinto, Presidente da Direção da ILGA Portugal, e com a Mafalda, ativista.Ouve aqui mais um Na Rua.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Sinan Eden sobre o referendo na Turquia (Entrevista)
Desde uma tentativa falhada de golpe de Estado, em Julho de 2016, a Turquia vive debaixo de um estado de Emergência, decretado oficialmente. Na sequência do mesmo, mais de 40,000 pessoas foram detidas, algumas presas, e muitas mais demitidas de cargos públicos.Foi neste clima que se realizou, a 16 de Abril de 2017, um referendo que propunha alterações à Constituição Turca. A vitória do “Sim” neste referendo implica a alteração no sistema governamental turco, transformando-o efectivamente num sistema Presidencial, ao invés do sistema Parlamentar que vigora. As alterações previam ainda mais poderes para o Presidente como o de repetição de eleições, o de decisão do Orçamento de Estado, e o de nomeação de ministros e vice-Presidente.Falámos com o Sinan Eden, cidadão Turco que vive em Portugal há mais de 5 anos, sobre os resultados deste referendo, o que de facto ele se propunha a alterar em caso de aceitação popular, e as suas repercussões para a Turquia.No meio de forte contestação dos partidos da oposição (o CHP diz que mais de 1 milhão de votos inválidos foram contados como se fossem válidos. O HDP diz que vai contestar o resultado), e perante indícios de fraude eleitoral, procurámos perceber o que de facto se votou neste referendo, o que dizem os vários lados da barricada, e como está a ser a reação das pessoas aos resultados.Até jáTomás PereiraJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Maria João Pires sobre feminismo e as mulheres na sociedade (Entrevista)
A 27 de Dezembro de 2016, na capa do jornal Público lia-se escrito a vermelho e a amarelo: "O que esperar de 2017 - Dez cronistas do Público antecipam o que vai mudar em Portugal e no mundo". Logo abaixo deste título estavam enfileirados os tais 10 cronistas com as habituais fotografias que acompanham as suas crónicas regulares.Tudo teria passado mais ou menos despercebido não fosse o olhar atento de alguns e de algumas. Um desses olhares veio da página de Facebook Mulher Não Entra que foi rápida em realçar o facto de que daqueles 10 cronistas 0 eram mulheres. Não terão as mulheres nada para dizer sobre Portugal e o mundo? Ou não farão elas futurologia? Será esta capa do Público caso único? Não, não é caso único, e para confirmar esta falta de representatividade das mulheres no espaço público basta seguir-se a página do Mulher Não Entra. Várias são as denúncias do projeto, desde o comentário político a conferências em faculdades, onde as mulheres não estão representadas ou onde estão em clara minoria. E porquê? Como podem as mulheres em Portugal ter pouca palavra? Será Portugal uma sociedade machista? Será que a política ou a economia são coisas de homem, enquanto que a casa e os filhos coisas de mulher? Como é que se muda esta mentalidade? Será com nova legislação? As quotas resolvem o problema? Falámos sobre tudo isto com a Maria João Pires, membro do projeto Mulher Não Entra, e do projeto Geringonça, blogger em várias publicações como a Womenge a Trois, Sim No Referendo, 5Dias e Jugular, e ex-membro da direção do Livre. Conversámos sobre o aborto, antes e depois do referendo, e de como foi acompanhar de perto a luta pela sua despenalização. Falámos da lei da parentalidade em Portugal, e de como por cá se vê a mulher como mãe e cuidadora. Discutiu-se o papel das mulheres na política, e falou-se de feminismo. Ouve aqui o novo episódio, e diz-nos o que achaste. Obrigada e até à próxima,MariaJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rua do Mundo: Na Hungria de Orbán, as universidades também se abatem (Opinião)
Vais ouvir conteúdo original da Rua do Mundo, um podcast sobre política internacional com Bernardo Pires de Lima, Rui Tavares e Sofia Lorena — hoje com o correspondente em Budapeste, José Reis Santos.Olhamos para a Hungria e para os protestos contra a lei com que o governo de Orbán procura fechar a única universidade que ainda não controla no país. Falamos com José Reis Santos, historiador e investigador com vários anos de experiência na Central European University, fundada por George Soros, na capital húngara, para saber como estes protestos podem significar um ponto de viragem no país-pioneiro do nacional-populismo na União Europeia. E alargamos também a nossa conversa à realidade regional entre os 4 de Visegrado (Polónia, República Checa, Eslováquia e Hungria), os Balcãs ocidentais e, claro, a Rússia de Vladimir Putin. Da academia à sociedade, da política energética aos desafios para o estado de direito na UE, um dia cheio na Rua do Mundo.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Marcha Animal 2017 (Reportagem)
O É Apenas Fumaça esteve mais uma vez na rua este Sábado, desta feita na Marcha da ANIMAL, pela defesa dos direitos dos animais. A esta marcha, organizada oficialmente desde 1999, associaram-se cerca de cinquenta associações e cinco partidos políticos. Cerca de mil pessoas fizeram o trajecto desde o Campo Pequeno até ao Parlamento, debaixo de um sol escaldante, enquanto entoavam palavras de ordem contra as touradas, e pelo fim do sofrimento animal causado pelo ser humano. No rescaldo da aprovação de uma medida proposta pelo PAN na Assembleia da República, que tem como objectivo oferecer uma opção vegetariana em todas as cantinas públicas, quisemos também abordar este assunto com as pessoas presentes na marcha. Falámos com o Carlos Teixeira sobre a história das manifestações pelos direitos dos animais em Portugal. Falámos também com o Nuno Alvim, dirigente da Associação Vegetariana de Portugal, Antónia Gato vegana há 40 anos, e com uma senhora vegetariana há 16 anos, presente na marcha com os seus três filhos também vegetarianos, sobre o vegetarianismo e o veganismo. Falámos ainda com Rita Silva presidente da Associação ANIMAL, no rescaldo da marcha.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

José Oliveira e Sérgio Pedro sobre o TTIP e o CETA (Entrevista)
30 de Outubro de 2016. O CETA é assinado em Bruxelas. Depois de algumas semanas de incerteza, criadas pela resistência do Parlamento da Valónia, o acordo acabava por ser assinado. De um lado a maioria da classe política parece celebrar o resultado, do outro muitos activistas que o protestaram vêem os seus piores receios confirmados.Mas, afinal, o que esconde o CETA? Dará um poder desmesurado às grandes corporações? Vai pôr a saúde dos Europeus em risco? É um “cavalo de Tróia” para a entrada do TTIP? E estes tratados já foram aprovados?Procuramos esclarecer estas questões com os nossos convidados desta semana. José Oliveira e Sérgio Pedro, ambos membros da plataforma “Não ao Tratado Transatlântico”, procuraram esclarecer as muitas dúvidas que existem em relação ao CETA e ao TTIP, aquilo que realmente são, e qual o ponto da situação de aprovação dos mesmos.Numa altura de grande turbulência política na Europa, não quisemos deixar de dar alguma atenção a estes tratados, que podem alterar substancialmente a vida de muitas pessoas deste e do outro lado do Atlântico. Já podes ouvir mais uma Fumaça, aqui.Até já,TomásJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Singh e Timóteo Macedo sobre a revolta dos apanhadores de laranjas (Entrevista)
Os protestos têm como alvo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portimão, que os imigrantes acusam de desrespeitar os seus direitos legais. Em causa está o facto de o SEF rejeitar pedidos de autorização de residência aos imigrantes que já reúnem as condições para tal, alegando que as empresas para as quais trabalhavam têm dívidas à Segurança Social.Singh, líder improvisado da rebelião, é só mais um caso. No passado 29 de Março deslocou-se ao SEF de Portimão para uma reunião previamente agendada. Levava consigo 26 meses de descontos para a Segurança Social. Juntava ainda o comprovativo de entrada legal em Portugal e um contrato com a empresa para quem trabalha, cujo nome não revelou.Tudo tinha, achava ele, para poder dar mais um passo em frente na longa viagem até conseguir a autorização de residência, ao abrigo do artigo 88º, 2 da Lei 23/2007, conhecida como “Lei de Estrangeiros”. “Apanhar laranjas é um trabalho muito difícil. Quando estou a almoçar, o meu patrão diz que só me posso sentar 10 ou 20 minutos”, contou-nos Singh, por telefone, enquanto arranhava a língua inglesa. “A empresa não paga a comida nem paga o salário certo que está no contrato”. Custosa é também a relação do seu patrão com o Estado. E essa situação afeta-o diretamente. Chegado ao SEF, foi-lhe dito que o processo de aquisição de autorização de residência seria rejeitado por trabalhar para uma empresa não aceite por eles, explica Timóteo Macedo, presidente da Associação Solidariedade Imigrante, com sede em Lisboa. “Muitas vezes, quando as pessoas vêm aqui [à nossa sede], dizem: 'no SEF disseram-me que não me legalizam porque esta empresa onde eu estou a trabalhar é uma empresa que tem dívidas para a segurança social'.”Timóteo Macedo denuncia a existência de uma “lista negra” de empresas, não oficial, no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a cujos trabalhadores é recusada a concessão de autorização de residência, mesmo tendo estes toda a documentação necessária para a conseguir, invocando o artigo 88º nº2 da lei 23/2007. O SEF, contactado pelo É Apenas Fumaça, disse ter “conhecimento de empresas que não cumprem a obrigação legal de regularização perante a Segurança Social, circunstância suscetível de colidir com um dos requisitos para a concessão de Autorização de Residência, tendo-se verificado a ocorrência dessas circunstâncias com empresas de prestação de serviços.” não existindo uma lista, sendo os casos “sempre verificados individualmente e não apenas por empresa.”[Podem ler em apenasfumaca.pt resposta completa dada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras].Contudo, o dirigente da Solidariedade Imigrante revela o nome de alguns negócios na suposta “lista negra” das dívidas ao Estado, quase todos de empresários em nome individual: Páginas D'Outono - Unipessoal Lda., a Atalho Mágico - Unipessoal Lda., a Grinaldoásis - Unipessoal Lda., a Ideias de Outuno - Unipessoal Lda., a Regular Formula - Unipessoal Lda., e a Servi fruta - Unipessoal Lda. Timóteo tem acompanhado a situação dos trabalhadores e acusa a multinacional Randstad Recursos Humanos S.A. por servir de “Intermediária com outras empresas que trabalham na agricultura e com alguns patrões e latifundiários”. “São empresas que essencialmente fomentam um trabalho precário a todos os níveis. Não só a nível de contratação, [mas também de] condições de trabalho, salários baixos, e trabalhar horas sem fim, de sol a sol”. “Se a culpa é das empresas, apanhem o patrão. Porque é que apanham os trabalhadores? Os trabalhadores pagam segurança social, tudo. A culpa não é dos trabalhadores, é das empresas.”, disse-nos o Singh.Pedro Santos e Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

João Camargo sobre alterações climáticas (Entrevista)
2016 foi o terceiro ano consecutivo a ser considerado o mais quente de sempre. Fevereiro deste ano foi o segundo Fevereiro mais quente de que há registos históricos. As camadas de gelo nos polos atingiram recentemente mínimos nunca vistos, quando comparadas com a mesma época, em anos anteriores.Na comunidade científica, o aquecimento global é um facto mais do que consumado. Nas elites políticas globais, nem tanto. Para alguns dos que governam, a evidência dos factos é posta em segundo plano, sobretudo se isso se traduzir em mais um mandato no poder. Os cientistas têm dificuldade em passar a sua mensagem para a comunicação social, num panorama onde a verdade e os factos nem sempre parecem andar de mãos dadas.Engenheiro agrónomo, ativista em causas várias - da precariedade aos direitos humanos - ambientalista e investigador em alterações climáticas, João Camargo é o convidado do É Apenas Fumaça desta semana. Procurámos que ele nos explicasse este tema e esmiuçasse termos e conceitos muito usados, mas muitas vezes poucos compreendidos.Primazia dada à ciência, não deixámos a política ambiental de lado. Abordámos também a questão da central nuclear de Almaraz, os efeitos do capitalismo e do estilo de vida Ocidental no Planeta e as polémicas concessões para a exploração de petróleo e gás natural em Portugal.Até breve,TomásJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jéssica Lopes sobre imigração em Portugal (Entrevista)
Uma crise humanitária. É assim que a Jéssica Lopes define o que passam hoje os imigrantes indocumentados em Portugal na sua procura pela regularização no país. Falamos de quem viaja para cá à procura de uma vida melhor. De quem chega e encontra trabalho, de quem se esforça por ter um contrato, por descontar para a Segurança Social, e por pagar os seus impostos enquanto espera por notícias do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) sobre a sua regularização.Espera. É esta uma das palavras mais ouvidas por quem procura ter autorização de residência em Portugal. São meses e anos de espera no que será, para alguns, a viagem mais longa das sua vidas, mesmo que tenham ficado os seus países de origem a milhares de quilómetros de distância.Segundo a Jéssica, que é ativista na Solidariedade Imigrante e investigadora no CIES - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia de Lisboa, estes imigrantes estão hoje a pagar pelos erros e incompetências do SEF e do Governo português. Enquanto se submetem a condições de “escravatura” para que possam ter o contrato e os descontos necessários, faltam-lhes acessos básicos a saúde, habitação, educação.Conversámos sobre o que tem de passar um imigrante após chegar a Portugal, sobre quem e como decide quem fica no país ou é convidado a sair; sobre o que acontece grávidas imigrantes quando estão a pouco tempo de dar à luz; sobre a diferença de tratamento para quem tem dinheiro para investir e para quem apenas procura uma vida melhor; e sobre como é aliado da realidade o discurso intercultural que os portugueses promovem.Até já,Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Rua do Mundo: Turquia a partir de Amesterdão (Opinião)
Vais ouvir conteúdo original da Rua do Mundo, um podcast sobre política internacional com Bernardo Pires de Lima, Mónica Ferro, Rui Tavares e Sofia Lorena.Olhamos para a Turquia antes do referendo a partir das eleições na Holanda. Decretamos o óbito da relação entre Ancara e Bruxelas e damos um salto a Istambul, ao encontro do Pedro Penim. Houve Holanda para lá de Wilders mas parece não existir Turquia para lá de Erdogan.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Evento Cultural "Por Outra Lei da Nacionalidade" (Reportagem)
No passado sábado, o É Apenas Fumaça esteve no Evento Cultural Por Outra Lei da Nacionalidade onde mais de 200 pessoas fizeram política no Rossio, enquanto dançavam, cantavam e debatiam a Lei da Nacionalidade atual, e como dizem ser injusta para os filhos de emigrantes que nascem em Portugal. Hoje, quem nasce em Portugal não é automaticamente português. A lei diz que apenas nascem portugueses os que tiverem pai ou mãe portuguesa, ou os "filhos de estrangeiros que aqui residam com título válido de autorização de residência há, pelo menos, 6 ou 10 anos, conforme se trate, respectivamente, de cidadãos nacionais de países de língua oficial portuguesa ou de outros países”. Antes de 1981, ano em que esta lei da nacionalidade entrou em vigor, quem nascia em Portugal era português. Com a lei, isso mudou. E ao mudar, deixou milhares de pessoas que cá nasceram a lutarem para serem um dia portugueses. Hoje, muitos ainda não o são. Pelo meio, necessidades básicas deixaram de ser garantidas, e direitos humanos deixaram de ser respeitados a quem sempre achou que era português. A esses, o Estado pede-lhes que lutem por ser imigrantes legais.Conversámos com o Naki, que nos falou sobre os direitos que o seu filho de 2 anos tem negados por não ser português nascendo no país. Falámos também com o José Pereira, sobre a história da Lei da Nacionalidade e sobre como esta luta é, nas suas palavras, uma questão de justiça. Falámos com a Nancy Mendonça sobre os seus amigos que nasceram em Portugal e não são portugueses; com a Cyntia Sagna, a Cátia e a Telma, que contaram as suas histórias pessoais; e com o Vicente, que nos contou como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras trata mal os imigrantes.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Alexandre Farto (Vhils) sobre o ativismo pela arte (Entrevista)
Hoje temos novamente Fumaça, e conversamos com o Alexandre Farto (também conhecido por Vhils) sobre o ativismo pela arte.No Brasil, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos falavam alto, em dimensão, em dinheiro, em poder, e em mediatismo. O dinheiro que traziam para o Governo era muito, e o que se gastava nele era muito também. O Rio iria ser festa dois anos seguidos, e fora do país todo o mundo se juntava à excitação. A Copa e os Jogos Olímpicos no Brasil. Quem diria que não?Ao mesmo tempo, nas ruas do Brasil, passavam e gritavam aqueles sem dimensão, sem dinheiro, e sem poder. Falavam alto, mas sem mediatismo. As sondagens mostravam que mais de metade dos brasileiros não queriam que os Jogos Olímpicos fossem no seu país e vinham eles para a rua protestar os 12 a 20 mil milhões de dólares investidos, os cortes na saúde, na educação, e os mais de 80,000 despejos em 8 anos.Por consequência da construção de um teleférico a tempo dos JO, foi a vez do Morro da Providência, a favela mais antiga do Rio, ser ameaçada. Mais de uma centena de casas foi demolida e milhares de pessoas tiveram de ser realojadas. Num projeto chamado “Providência”, Vhils, com quem conversamos hoje, eternizou os retratos de quem foi forçado a sair e cravou-os nas casas que abandonavam.Este foi apenas um das dezenas de projetos que o Alexandre Farto (também conhecido por Vhils) fez ao longo dos últimos anos, com o objetivo de trazer aos olhos do mundo aquilo que é invisível. Desde o Brasil aos protestos da Ucrânia, à Europa e à Angela Merkel, à China e em Portugal, os seus graffitis e esculturas trazem carregadas mensagens políticas e sociais. Conversámos sobre os seus diferentes projetos, mas também sobre o papel do Estado na arte e na cultura, sobre as cidades e o que lhes está invisível, sobre o pós 25 de Abril e os seus murais, e sobre como o graffiti deve ou não ser ilegal.Oiçam aqui mais um episódio.Até já,Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Domingos da Cruz sobre a liberdade científica em Angola (Entrevista)
Domingos da Cruz, ativista angolano pela democracia em Angola que esteve preso por mais de um ano no processo 15+2, lança hoje um relatório com o nome “Democracia académica e liberdade científica em Angola” para o qual entrevistou mais de 100 professores e investigadores angolanos.Entre outras conclusões, o chocante estudo mostra que 1 em cada 3 inquiridos assume que "Acredita que pode ser perseguido, ameaçado, expulso do serviço ou morto por dar aulas seguindo o rigor científico" e 55% dizem que "existe ou conhecem estudantes que o seu papel é de agente secreto para vigiar professores e alunos".Conversámos o Domingos, neste episódio de Atualidade, sobre o que este relatório mostra, sobre o que se passa dentro comunidade científica em Angola, e sobre as eleições angolanas que se vão realizar este ano. Podes ler todo o relatório aqui. Para ouvires a nossa conversa sobre o Regime Angolano com o Domingos da Cruz, lançada há alguns meses atrás vai aqui.Até já,Ricardo RibeiroJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.