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Fumaça

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491 episodes — Page 8 of 10

Como aconteceu a agressão racista no Porto (Reportagem)

Daniela Mendes, 20 anos, estudante, é uma das duas amigas de Nicole Quinayas, brutalmente agredida no Porto, que presenciou tudo. Uma conversa em bruto, quando ainda se sabia pouco e a história não tinha vindo a público. Lê mais em: http://apenasfumaca.pt/agressao-racista-porto-como-aconteceuJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 29, 20181h 5m

Carla Fernandes sobre racismo, lugar de fala e ativismo negro (Entrevista)

Uma conversa sobre lutas, visibilidade e reconhecimento das pessoas negras; a “Campanha por outra Lei da Nacionalidade”; a “Década Internacional de Afrodescendentes 2015-2024”, decretada pela ONU, e a violência do preconceito. Lê mais e vê aqui a entrevista: http://apenasfumaca.pt/entrevista-carla-fernandes-racismo-lugar-fala-ativismo-negroJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 28, 201855 min

Passos Perdidos: Tiago Barbosa Ribeiro sobre trabalho (Entrevista)

Uma conversa com o deputado do Partido Socialista sobre aumento do salário mínimo nacional, a contratação de trabalhadores precários do Estado e as mudanças à legislação laboral propostas pelo Governo e Parlamento. CORREÇÃO: Há um erro na introdução da entrevista feita ao Tiago Barbosa Ribeiro. Diz-se que foi candidato pelo BE nas listas do Porto, em 2015 (em 18º lugar), em vez de 2005. Foi um lapso, como se lê neste texto (http://apenasfumaca.pt/passos-perdidos-tiago-barbosa-ribeiro-trabalho/) que acompanha o trabalho. As nossas desculpas ao deputado Tiago Barbosa Ribeiro e demais visados. Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 26, 201856 min

Palestina, Histórias de Um País Ocupado Ep. 3: Hebron, o labirinto do apartheid (Série)

Em Hebron, há ruas só para colonos, bairros só para colonos, onde os palestinianos não podem passar. Palestinianos e colonos vivem separados por checkpoints em forma de jaula, redes de metal e pano e soldados armados por todo o lado. É nesta cidade que se passa este episódio.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 21, 20181h 20m

A Pequena Sereia, o Caçador e a Amália (Reportagem)

Tiago Lila e João Caçador são o duo Fado Bicha. Ao som das suas músicas, descobrimos quem são, falamos de Fado, da origem das Marchas do Orgulho e das lutas por igualdade da comunidade LGBTI - lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexuais. Lê mais em http://apenasfumaca.pt/reportagem-fado-bicha-direitos-lgbtiJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 14, 20181h 17m

Sílvia Cópio sobre ensino doméstico (Entrevista)

Há cada vez mais alunos em regime de ensino doméstico. Sílvia Cópio é mãe de três filhos que ensinou em casa. Pensa que a escola tem que mudar de paradigma, uma das missões da Associação Movimento Educação Livre, a que preside.Lê e vê mais em: http://apenasfumaca.pt/entrevista-silvia-copio-ensino-domestico/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 7, 20181h 0m

Luís Sousa Ferreira sobre cultura (Entrevista)

Designer, produtor, programador cultural, Luís Sousa Ferreira é diretor do festival Bons Sons, do 23 Milhas - o projeto cultural do Município de Ílhavo - e do Caminhos, que envolve 13 câmaras da região do Médio Tejo. Uma conversa sobre cultura, de entretenimento, de apoios públicos às artes, de cidades e aldeias, de poder, de litoral e interior, de ego e falta dele, de saber-fazer.Lê mais em: www.apenasfumaca.pt/entrevista-luis-sousa-ferreira-cultura/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 5, 20181h 6m

Palestina, Histórias de Um País Ocupado Ep. 2: Belém, do milagre da vida à banalidade da morte (Série)

Neste episódio, até Belém, conhecer a história e o dia-a-dia de Anas, que coordena uma associação de jovens. Como é viver no Aida Camp, um campo de refugiados palestinianos onde todos os dias o exército israelita faz rusgas, atira bombas de gás lacrimogéneo, granadas de atordoamento, canhões de água de esgoto e dispara armas de fogo?Lê a transcrição e tradução em: http://apenasfumaca.pt/palestina-episodio-2-belem-do-milagre-da-vida-a-banalidade-da-morte/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 29, 20181h 14m

Petróleo em Aljezur: "Exigimos que se demita" (Reportagem)

Ambientalistas entregaram ao ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, olhos nos olhos, uma carta pedindo a sua demissão por causa do apoio do Governo ao furo de prospecção de petróleo em Aljezur. Lê a Carta Aberta em http://apenasfumaca.pt/ativistas-pedem-demissao-ministro-ambiente/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 28, 201844 min

André Barata sobre o tempo (Entrevista)

Trabalho, capital, produtividade, propriedade, desigualdade, espaço público. Que tem isto que ver com o Tempo? Para o filósofo André Barata, tudo. Todas estas dimensões estão relacionadas e vivem condicionadas pela aceleração. É preciso parar, diz, para passarmos a viver e deixarmos de sobreviver. Lê e vê a entrevista aqui.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 24, 20181h 1m

[Inglês] Ilan Pappé sobre a ocupação israelita da Palestina (Entrevista)

Ilan Pappé, historiador israelita, acusa o seu país de levar a cabo um processo de "limpeza étnica" na Palestina e de implementar um Estado colonial de Apartheid, afirmando que este deve ser julgado por crimes de guerra.Sabe mais em www.fumaca.pt [English] Ilan Pappé, an Israeli historian, accuses his country of carrying out a process of ‘ethnic cleansing’ in Palestine and implementing an Apartheid colonial state, saying that it should be tried for war crimes. Read more at www.fumaca.pt Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 17, 201830 min

Palestina, Histórias de Um País Ocupado Ep. 1: Ramallah, a cidade artificial (Série)

De Ramallah vê-se Telavive, é perto. Não fosse o muro, os postos de controlo, o exército, o trânsito caótico, que separam as capitais da Palestina e de Israel. Uma viagem de 4 horas, com tempo para perceber como há décadas um povo coloniza outro. Lê mais em apenasfumaca.pt/palestina-ramallah-cidade-artificialJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 15, 201857 min

Marcelo anda a brincar com o fogo (Opinião)

Como é possível alguém usar de forma tão despudorada a tragédia do último ano para dar a ideia de que ela condiciona a sua própria vida política, de que no fundo também ele é vítima?Este editorial é escrito pelo Pedro Santos.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 13, 20188 min

Pombal, esta cidade não é para ciganos (Reportagem)

O Bairro Margens do Arunca, de construção municipal, enclausura uma comunidade cigana em Pombal. O IC2, o Rio Arunca, uma zona industrial e uma linha férrea são obstáculos à vida de quem lá mora. Lê mais em: apenasfumaca.pt/pombal-nao-e-para-ciganos/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 11, 201834 min

A imprensa precisa de mais tempo para ser mais livre (Opinião)

O editorial desta semana foi escrito pelo Ricardo Ribeiro.Mas não só de prisões, de mortes e de perseguições se faz a falta de liberdade de imprensa. Faz-se de tempo. Ou da falta dele.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 4, 20187 min

João Carlos Correia sobre imprensa regional (Entrevista)

Nos últimos 20 anos Portugal perdeu perto de quatro centenas de jornais, revistas e rádios locais. Que importância têm os média locais? Terão futuro? João Carlos Correia, professor na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, ensaia algumas respostas.Lê mais em: http://apenasfumaca.pt/entrevista-joao-carlos-correia-sobre-imprensa-regional/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 3, 20181h 10m

Pedro Bingre Do Amaral sobre florestas e incêndios (Entrevista)

Portugal é o país com maior área relativa de eucaliptal no mundo. Só 2% da floresta portuguesa é propriedade exclusiva do Estado e não se sabe quem é dono de 1/3 dela. Mas o que tem isso que ver com os incêndios? Pedro Bingre do Amaral, professor no Instituto Politécnico de Coimbra, fala sobre isso.Lê mais em: www.apenasfumaca.pt/entrevista-pedro-bingre-do-amaral-sobre-florestas-e-incendiosJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 1, 201856 min

Sérgio Denicoli sobre TDT e o futuro da televisão (Entrevista)

Houve “conflito de interesses”. A televisão digital terrestre (TDT) não é o que podia ser. Sérgio Denicoli, jornalista e investigador na área dos média, denuncia a relação “simbiótica” entre Estado e Portugal Telecom, vencedora dos dois concursos de implementação da TDT em Portugal.Lê mais em: www.apenasfumaca.pt/sergio-denicoli-sobre-tdt-e-o-futuro-da-televisaoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 26, 201839 min

Zillah Branco, a mulher que viveu todas as revoluções (Entrevista)

Onde se conta a história desta mulher de 81 anos, que passou a vida a lutar pela Revolução e viveu os momentos mais determinantes da história do Brasil, do Chile e de Portugal. Da ditadura militar brasileira, ao regime socialista de Salvador Allende. Do 25 de Abril de 1974, à eleição de Lula da Silva.Lê mais em: www.apenasfumaca.pt/especial-25-abril-zillah-branco-a-mulher-que-viveu-todas-as-revolucoesJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 24, 20182h 6m

Síria: já vimos este filme antes (Opinião)

Há mais um grande “player” a contribuir para o degredo generalizado que é a abordagem da comunidade internacional à guerra na Síria: a comunicação social.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 23, 20183 min

Festival Política: Que papel para as comunidades ciganas? (Entrevista)

No dia 21 de Abril, estivemos em direto do Festival Política à conversa com três mulheres ciganas sobre o papel da mulher nas suas comunidades. Em palco, Cátia Montes, ativista, estudante de Educação Social e bombeira voluntária; Maria Gil, que faz parte da Associação Saber Compreender e é atriz no Colectivo PELE; e Toya, ativista, estudante, considerada cigana do ano pela Associação Letras Nómadas, em 2017.Ouve aqui a conversa moderado pelo jornalista Pedro Santos.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 22, 20181h 2m

Bairro 6 de Maio: ordem para limpar (Reportagem)

Dia 3 de abril, todo o bairro foi circundado por dezenas de polícias armados, enquanto casas eram demolidas. Ninguém podia entrar, ninguém podia sair. Mas a história não ficou por aqui. Uma grande reportagem sobre as demolições que têm destruído o 6 de Maio, na Amadora. Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 20, 201839 min

Governo mole, petróleo duro, tanto insiste que faz o furo? (Reportagem)

Onde estão planeados furos de petróleo e gás em Portugal? Que empresas querem que isso aconteça? Quem se opõe? E Governo, o que tem feito? Uma súmula da situação, a propósito da manifestação “Enterrar de vez o Furo, Tirar as petrolíferas do Mar”.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 18, 201828 min

Miguel Hirota sobre dinheiro e moedas sociais (Entrevista)

Miguel Hirota, investigador e promotor de moedas sociais, explica como as políticas económicas e monetárias não são determinadas pela vontade popular. Fala ainda de moedas sociais como resposta às deficiências do sistema económico. Lê mais aqui: www.apenasfumaca.pt/entrevista-miguel-hirota-dinheiro-moedas-sociaisJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 17, 201851 min

Netanyahu: “PRESS” não significa alvo (Opinião)

O exército israelita assassinou, nas últimas duas semanas, pelo menos 31 palestinianos que protestavam em Gaza. Entre eles, Yasser Murtaja, jornalista que vestia um colete claramente identificado com a palavra “PRESS”.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 12, 20184 min

Carolina Rocha sobre Lula, Marielle e a intervenção militar no Rio de Janeiro (Entrevista)

Carolina Rocha, poeta brasileira e socióloga, fala de “genocídio” da população negra e da “ameaça de ditadura” no Brasil. Explica ainda como a morte de Marielle Franco é um recado para quem desafia as estruturas políticas do Brasil. Ouve aqui a entrevista.Lê mais em www.apenasfumaca.pt/carolina-rocha-sobre-o-brasil-lula-marielle-e-a-intervencao-militar-no-rio-de-janeiroJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 12, 201843 min

"Terra Fértil (Em memória de Marielle Franco)", por Carolina Rocha (Especial)

Lançaremos no dia 12 de Abril uma entrevista com Carolina Rocha, escritora, poeta brasileira, historiadora, socióloga e militante anti-racista. No final da entrevista, declamou o poema que podes ler e ouvir aqui. Subscreve em http://apenasfumaca.pt/subscrever/ para receberes a entrevista em primeira mão.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 11, 20182 min

Demolições no bairro 6 de Maio e feminismo negro (Opinião)

O editorial desta semana foi escrito pela Maria Almeida e fala das demolições no Bairro 6 de Maio que já deixaram várias famílias sem casa e sem alternativa. Ouve aqui a narração e subscreve em apenasfumaca.pt/subscrever para receberes os próximos.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 11, 20184 min

Trilogia do imigrante: trabalhar, descontar, esperar (Reportagem)

A Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa, foi ocupada por imigrantes que exigiam documentos para todos. Sentaram-se à frente do SEF, na estrada, e cortaram o trânsito, num protesto que trouxe à capital, desde o litoral alentejano, largas dezenas de imigrantes.Lê mais em http://apenasfumaca.pt/na-rua-trilogia-do-imigrante-trabalhar-descontar-esperarJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 10, 201815 min

Desalojados do bairro 6 de Maio ocupam Ministério do Ambiente (Reportagem)

Cerca de três dezenas de pessoas ocuparam hoje, 9 de Abril, o Ministério do Ambiente, exigindo uma reunião com a secretaria de Estado da habitação. Entre elas, encontravam-se várias pessoas moradoras do Bairro 6 de Maio na Amadora, que sofreu mais uma série de demolições na passada terça-feira ao abrigo do Programa Especial de Realojamento, deixando pelos menos duas pessoas sem casa. O Programa Especial de Realojamento, iniciado em 1993, tinha como objetivo erradicar bairros de barracas da zona de Lisboa e Porto, e tem vindo a demolir casas e despejar centenas de famílias em bairros como o 6 de Maio nos últimos anos.Esta é já a segunda ocupação do Ministério do Ambiente no espaço de uma semana, depois de, sem efeito, terem feito o mesmo no dia das últimas demolições. Hoje, três pessoas foram finalmente recebidas: Amália, moradora do Bairro 6 de Maio e duas pessoas do Habita, uma associação que tem dado apoio às famílias na luta pelo seu direito à habitação. Logo após a reunião, conversámos com a Rita Silva, que faz parte do colectivo Habita, e com quem já conversámos no ano passado.No É Apenas Fumaça, estamos a acompanhar este caso de perto e iremos lançar uma reportagem na próxima semana sobre os despejos e demolições no Bairro 6 de Maio. Subscreve para receber o episódio em apenasfumaca.pt/subscreverJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 9, 20185 min

Luzia Moniz sobre feminismo negro (Entrevista)

Luzia Moniz, angolana, jornalista, socióloga, presidenta da PADEMA, fala-nos sobre feminismo negro, a importância das zungueiras e da economia informal, de neo-colonialismo e da sua admiração por Winnie Mandela.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 5, 201855 min

Os direitos dos emigrantes e a morte da radio (Opinião)

Este editorial fez parte da newsletter enviada no dia 29 de Março de 2018. Subscreve a newsletter para receberes estes conteúdos e o episódio da semana: http://apenasfumaca.pt/subscrever/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 4, 20182 min

Rock in Riot: bater o pé à especulação imobiliária (Reportagem)

Rock in Riot. No protesto-festa com o lema “Ocupar as Ruas, Reclamar a Cidade” dançou-se contra a especulação imobiliária, os despejos e a dificuldade de conseguir arranhar casa para viver em Lisboa. Ouve aqui.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 29, 201819 min

Chelas City, a capital de Lisboa (Reportagem)

Notícias de tiroteios, perseguições de última hora, agressões à polícia e nas escolas. É assim que Chelas é apresentada nos telejornais e nas manchetes dos jornais portugueses. Um antro de violência a menos de dez estações de metro ou 15 minutos de carro da Praça do Comércio, onde turistas queimados pelo sol bebem gins tónicos e comem petiscos “portugueses” de óculos escuros na cara. Para muita gente, Chelas é só mais um "bairro periférico”. Mas o estatuto de periferia é uma decisão política - Chelas não é mais longe da Praça do Comércio do que as Amoreiras, o Areeiro, Campo de Ourique, Campolide, Parque das Nações ou Alcântara. Ainda assim, taxistas não conduzem para o bairro, pizzarias recusam-se a levar lá comida.“Esta zona não tem entregas.”, disse-me a Telepizza quando tentava encomendar uma pizza para Chelas. "Porquê?”, perguntei. “Estas zonas geralmente são consideradas zonas... perigosas (…) Na Zona J têm de ir buscar na esquadra”. "Zonas perigosas".Quem lá vive sente esta ou outras discriminações, todos os dias. Em entrevistas de trabalho, há quem esconda onde mora para não ficar de fora. Na escola, segundo o Sandro Santos, quem é do bairro também fica de fora : “Se no meio de 20 alunos tens três ou quatro do bairro social, esquece, esses já foram.”. O Carlos, ou MC Bambam, conta-nos como, para as autoridades, é suspeito quem vive no bairro: "Para eles [a polícia], somos sempre a mesma coisa, somos todos iguais. Por isso, não vale a pena. Branco, cigano ou preto, não interessa. Se és de um bairro social, (estão) em cima de ti…”. As discriminações constantes geram a frustração de quem se sente suspeito por tudo e por nada e destrói sonhos, vidas. Mas será a violência que faz as manchetes. Ou são as manchetes que fazem a violência?O MC Bambam e o Sandro Santos fazem parte do Bataclan 1950, um grupo de jovens, alguns MC’s [Mestre de Cerimónias, designação dada aos cantores de rap que escrevem e cantam as suas próprias letras], que têm vindo a denunciar através através do rap a discriminação e a violência policial de que sofrem no bairro. Foi com eles que conversámos nesta reportagem gravada no Bairro do Condado, em Chelas. Ouve a reportagem aqui.Edição: Bernardo Afonso, Frederico Raposo, Maria Almeida, Pedro Santos e Ricardo RibeiroReportagem: Maria Almeida, Ricardo RibeiroMontagem e mistura de som: Bernardo AfonsoMúsica: MC Bambam e Bataclan 1950Agradecimentos aos BAGABAGA STUDIOS, sem os quais esta reportagem não seria possível.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 16, 201840 min

Carlos Farinha Rodrigues sobre pobreza e desigualdade (Entrevista)

Ter um emprego estável não significa uma vida livre de privações. Não significa sequer escapar à pobreza e pode significar ter de apagar as luzes, mesmo quando a luz que entra pela janela não chega.O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que, em 2016, já com a Geringonça no poder e as actualizações ao salário mínimo nacional em vigor, 10,8% dos trabalhadores portugueses permaneciam em risco de pobreza. O que significa isto? Estar em risco de pobreza significa – apesar da tentativa de branqueamento da realidade que o nome do indicador parece procurar – ser-se pobre. Não há como dar a volta. Significa estar-se abaixo do limiar da pobreza. Em Portugal, receber o salário mínimo é viver entre a espada e a parede.Isabel Nascimento, retratada pelo semanário Sol na reportagem “Viver com o salário mínimo: o milagre da multiplicação”, de 2014, era uma das faces desta realidade. Recebia o salário mínimo e via-se obrigada a falar aos jornalistas às escuras. Dos 431,65 euros que recebia, 300 perdiam-se imediatamente na renda da casa que dividia com o marido, desempregado, e os dois filhos. Teve que apagar as luzes para poupar. Isabel faz parte daqueles que recebem o salário mínimo nacional. São “trapezistas equilibrados num fio muito fino”. Quem o disse, num artigo do jornal Público, foi Susana Peralta, investigadora e professora na Universidade Nova de Lisboa. O número de trabalhadores a receber o salário mínimo passou de “5% em 2008 para cerca de 25% no final de 2016”. “Preocupante”, considera a economista.A pobreza em Portugal é uma realidade demasiado abrangente. Em 2016 o INE contava 2,4 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social em Portugal. É o mesmo que dizer 23,3% da população do país, menos 1,8 pontos percentuais em relação a 2015. Mas se a taxa de risco de pobreza desceu neste período, o mesmo não pode dizer-se da taxa de intensidade da pobreza, que mede quão distantes estão os rendimentos mais baixos relativamente ao limiar definido para a pobreza. De 2015 para 2016 esta taxa subiu 0,3 pontos percentuais, para os 27%. A subida é curta, é certo, mas revela uma intensificação da pobreza entre os mais pobres dos pobres.“A cada 2 dias” aparece um novo bilionário e 82% de toda a riqueza gerada acaba nos bolsos das 1% mais ricas. “Nada para as 50% mais pobres”. Foi assim em 2017, segundo o relatório “Reward Work, Not Wealth”, lançado em 2018 pela Oxfam International. O nome do relatório revela o desejo, longínquo: “Recompensar o Trabalho, Não a Riqueza”. Mas o fosso não para de aumentar, sobretudo quando comparamos os mais ricos e os mais pobres.Esta semana fomos até ao Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) falar com Carlos Farinha Rodrigues, doutorado em Economia e professor naquela instituição de ensino superior. É coordenador científico do Observatório das Desigualdades do CIES-IUL, assessor do INE e um dos mais proeminentes especialistas em pobreza e desigualdade em Portugal.Qual é o caminho para eliminar a pobreza e reduzir a desigualdade?Terão os estados os recursos que lhes permitam acabar com a pobreza, quando nas últimas décadas o denominador comum tem sido o declínio generalizado do capital público perante o aumento desmesurado do capital privado? Quão importante é o papel das transferências sociais na redução da pobreza e da desigualdade? Terá Pedro Ferraz da Costa razão, quando afirma que “as pessoas não querem trabalhar”, ou estaremos nós perante um problema pandémico de precariedade no emprego que nos está a conduzir a situações de pobreza?Texto: Frederico RaposoPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Pedro Santos e Ricardo RibeiroCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 9, 20181h 9m

Mamadou Ba sobre racismo e violência policial (Entrevista)

Kuku4 de Janeiro de 2009. Era noite quando a uma equipa da Polícia de Segurança Pública da Amadora detetou um carro que, segundo a PSP, se encontrava furtado e por apreender. Entre os jovens se encontravam dentro do carro, estava Elson Sanches, Kuku. 14 anos, residente na Amadora, aluno numa escola na Reboleira. Seguiu-se uma perseguição policial no bairro de Santa Filomena, tendo Kuko, que fugia, sido apanhado. Minutos depois, era baleado pela polícia. A arma encontrava-se a menos de 20 centímetros da sua cabeça, confirmou uma análise forense (o primeiro relatório da polícia afirmava que se encontraria a 2 metros). Não há testemunhas. A acusação do Ministério Público levou o agente responsável pelo disparo a tribunal, a um julgamento que se arrastou quase 4 anos. Foi absolvido.MC SnakeNuno Manaças, rapper conhecido como MC Snake, conduzia o seu carro em Alcântara, Lisboa, na madrugada de 15 de Março de 2010, quando desobedeceu a uma ordem de paragem numa “operação stop” da PSP. Foi perseguido por uma carrinha policial, onde se encontravam o agente Nuno Moreira e outros quatro agentes da polícia. Depois de pararem a carrinha à frente do carro de MC Snake, na Radial de Benfica, dispararam três vezes. Nem uma delas para os pneus do carro. MC Snake, que não estava visivelmente armado, morreu devido aos ferimentos causados pela bala que lhe atravessou as costas. O Ministério Público acusou o agente responsável pelo disparo de homicídio qualificado, tendo sido condenado por homicídio por negligência grosseira. 20 anos, pena suspensa.MussoMusso Borges, 16 anos, morador no Bairro 6 de Maio, na Amadora, foi detido a 10 de Maio de 2013 na sequência de um alegado furto no interior de um supermercado.Foi colocado em liberdade no próprio dia. A 12 de Maio, Musso dá entrada no Hospital Amadora-Sintra, ficando internado por alguns dias queixando-se de dores de cabeça e de ter sido torturado pela polícia. Um mês mais tarde viria a morrer já internado no hospital, onde se tinha deslocado com as mesmas dores de que se queixava antes. A PSP abriu um inquérito ao caso mas ninguém foi responsabilizado.Estes são apenas três dos vários casos de violência policial que têm morto e torturado jovens negros em Portugal às mãos das forças de segurança portuguesas. Mamadou Ba, dirigente da associação SOS Racismo e nosso convidado de hoje fala-nos da “cultura de impunidade” que existe no país: “Nos últimos 15 anos, mais de dez jovens negros morreram nas mãos da polícia.”. Kuko, MC Snake, Musso, Toni, Teti são apenas alguns destes nomes.O Comité Anti-Tortura do Conselho da Europa lançou esta semana, a 27 de Fevereiro, um relatório revelador. Segundo o comité, Portugal é dos países da Europa Ocidental com o maior número de casos de violência policial. O comité acusa também Portugal de discriminação, dizendo que os riscos de abusos são maiores para afrodescendentes e estrangeiros. O que o relatório afirma não é novidade. Várias outras instituições e organizações de direitos humanos europeias e mundiais têm vindo a destacar práticas racistas e violência policial no país. O relatório anual da Amnistia Internacional, publicado a 22 de Fevereiro, dá como exemplo o caso de 18 agentes da PSP, da esquadra de Alfragide, Amadora, acusados de acusados pelo Ministério Público dos crimes de tortura, sequestro, injúria e ofensa à integridade física qualificada, agravados pelo ódio e discriminação racial contra seis jovens da Cova da Moura, também na Amadora. Violência policial, as lutas travadas sobre a memória, o mito do Portugal não racista, o racismo no acesso à habitação, a recolha de dados étnico-raciais e a Lei da Nacionalidade foram alguns dos temas sobre os quais conversámos na entrevista que lançamos hoje com Mamadou Ba e que podes ouvir aqui.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 2, 20181h 10m

Casa ocupada em Lisboa ou a utopia do direito à habitação (Reportagem)

15 de Setembro de 2017. Dezenas de pessoas entravam pela porta do número 69 da Rua Marques da Silva, em Arroios, Lisboa, que se encontrava devoluto e abandonado há mais de 2 anos, reivindicando-o para si e para quem o quisesse renovar. Lia-se no manifesto publicado nesse mesmo dia na página de Facebook da Assembleia de Ocupação de Lisboa (AOLX) que “nos últimos anos, o direito a habitar na cidade de Lisboa tem sido alvo de diversos ataques.”, e também que “a recomposição destrutiva dos modos de vida na cidade, agora reservada a quem consegue pagar mais caro, é ilustrada pelos sucessivos casos de despejo.”. A ocupação do número 69 era um ato político que tinha expressão na faixa que enfeitava a fachada do prédio: “A cidade é de quem a ocupa” . E os turistas passavam e olhavam e fotografavam a faixa. E sorriam.O prédio, pertencente à Câmara Municipal de Lisboa, tinha servido de habitação a várias famílias eventualmente realojadas noutras casas camarárias. Tanto o número 69 como o prédio vizinho, o número 67, tinham sido desocupados. Eram agora casa sem gente, quando há cada vez mais gente sem casa. Em 2016 e 2017, segundo o Ministério de Justiça, foram despejadas cerca de 5 famílias por dia em Portugal. As rendas em Lisboa aumentam entre 30% e 40% desde 2014. Os pobres são empurrados para fora da cidade e para fora das suas casas A cidade, essa, fica para quem a pode pagar.A AOLX avançava com obras de renovação do edifício e, durante cerca de 4 meses, o que outrora fora um prédio degradado por consequência do abandono - água entrava pelo telhado, criando infiltrações, as escadas principais do prédio estavam em más condições, a parede lateral da entrada estava podre - parecia agora pronto para alojar gente. E alojava. Duas pessoas vivam já no 69 da rua Marques da Silva.O sonho chegou ao fim e a ocupação terminou a 30 de Janeiro quando, sob ordens de Manuel Salgado, vereador do Planeamento, Urbanismo, Património e Obras Municipais de Lisboa, os ocupas foram despejadas e a porta de entrada emparedada com cimento e tijolo. Hoje, nada se lê na fachada do prédio - está abandonado em vez de ocupado.Esta é uma reportagem gravada na ocupa sobre o direito à habitação e à ocupação. O que vais ouvir são uma série de testemunhos de quem ocupou a casa, de quem a viveu e também de quem a visitou.Texto: Ricardo RibeiroEntrevistas: Ricardo Ribeiro e Catarina LealCaptação de som: Ricardo Ribeiro e Catarina LealEdição de som: Bernardo AfonsoMúsica: Ayton, um dos ocupas do nº69 da Rua Marques da SilvaJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 23, 201854 min

José Sócrates sobre os seus anos de governo (Entrevista)

José Sócrates foi Primeiro-Ministro cerca de 6 anos. Tomou posse em 2005 e saiu, demitindo-se a meio do segundo mandato, em 2011. Antes, ocupou os cargos de Secretário de Estado-Adjunto do Ministro do Ambiente e de Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. É uma das figuras que mais influenciou as decisões políticas em Portugal nas últimas duas décadas, com consequências que moldam o presente.A presença de Sócrates na vida mediática nacional sempre foi constante. Seja como objeto de notícia, pelos cargos que ocupava, como comentador político na estação pública ou, mais recentemente, como "cabeça de cartaz" da Operação Marquês, em que é acusado pelo Ministério Público de 31 crimes, Sócrates nunca desapareceu.Ainda assim, desde que abandonou a governação, poucas vezes foi confrontado com as suas próprias decisões, de forma aprofundada, crítica. Quando um político ou uma política deixa de ser governante, o seu passado como representante deixa de ter interesse para a comunicação social. Interessa o presente. Interessam as ideias para o futuro. José Sócrates não é caso único. Pedro Passos Coelho, Rui Rio, Pedro Santana Lopes, Marques Mendes, Jorge Coelho, são apenas alguns dos nomes, poucas vezes confrontados com o fizeram nos Verões passados. Embora tenham exposição e espaço mediático, as suas decisões parecem confortavelmente esquecidas.No É Apenas Fumaça, acreditamos que o papel do jornalismo é escrutinar a Democracia: questionar as decisões tomadas, responsabilizar os representantes, dar voz aos representados. Para isso, é necessário contrariar o presentismo e remexer o passado, confrontando quem decidiu com as suas decisões - é a isto que se refere José Sócrates, quando batiza o nosso trabalho de “arqueologia política”.Esta entrevista é sobre os anos de Governo de José Sócrates. Sobre as suas decisões e as consequências. Escolhemos aprofundar 3 temas: Ambiente, falando sobre o Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH) e sobre a reforma das florestas, rejeitada e adiada até hoje; Economia e Finanças, escrutinando as consequentes mudanças aos programas apresentados pelo seu governo e a austeridade imposta já em 2009; Educação, abordando o sistema de avaliação de professores, numa altura em que se deram as maiores manifestações de professores em Portugal e a Parque Escolar, questionando sobre a derrapagem orçamental que se seguiu à sua apresentação. Falámos ainda sobre os múltiplos casos judiciais em que José Sócrates se tem visto envolvido nas últimas duas décadas e sobre a sua relação com os média, nomeadamente as pressões sobre o Jornal Nacional de sexta-feira na TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes.Podem ouvir e ver aqui esta entrevista exclusiva de José Sócrates ao É Apenas Fumaça, em parceria com BAGABAGA STUDIOS.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Bernardo Afonso, Frederico Raposo, Maria Almeida, Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoVídeo: Diogo Cardoso e Ricardo Lopes (BAGABAGA STUDIOS)Acreditamos que o papel da comunicação social é escrutinar a democracia: questionar as decisões tomadas, responsabilizar os representantes, dar voz aos representados. Se acreditas no mesmo e queres continuar a ouvir governantes a serem responsabilizados pelas suas decisões, contribui em http://apenasfumaca.pt/contribuir/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 14, 20181h 54m

[Inglês] Falastine Dwikat sobre a prisão de Ahed Tamimi (Entrevista)

Em 1991, Israel assinou a convenção internacional sobre os direitos da criança da Organização das Nações Unidas. No seu artigo 37º pode ler-se “a captura, detenção ou prisão de uma criança devem ser conformes à lei, serão utilizadas unicamente como medida de último recurso e terão a duração mais breve possível”.Ahed Tamimi, uma criança palestiniana de 17 anos (tinha 16 quando foi detida), permanece presa desde a noite de 19 de Dezembro, quando soldados israelitas apareceram no seu quarto para a levar, depois de um vídeo que mostrava Ahed a dar uma bofetada a um soldado se ter tornado viral. O mês passado, um tribunal militar israelita decidiu mantê-la presa a aguardar julgamento sem data conhecida. Podem ser semanas, podem ser meses.Ahed está agora a ser julgada nos tribunais militares israelitas, tal como acontece a qualquer criança palestiniana que se encontre detida e ao contrário do que acontece a crianças israelitas. De acordo com a Defence for Children International, desde 2000, pelo menos 8000 crianças palestinianas foram presas e julgadas num tribunal militar israelita, não tendo variadíssimas vezes acesso a direitos básicos como o de poder estar com a família num claro desrespeito do direito internacional, e sofrendo, 3 em cada 4 crianças, de violência física durante a detenção, transferência ou interrogatório. O historial de desobediência a convenções das Nações Unidas por parte de Israel é já longo e, segundo Falastane Dwikat, ativista palestiniana com quem falamos hoje, “o sistema atual de apartheid israelita e o sistema de ocupação têm como objetivo esmagar os palestinianos e as palestinianas”. Incluindo crianças.Falastine falou-nos desde Ramallah, uma cidade palestiniana a 20 quilómetros de Nabi Saleh, a vila onde vive a família Tamimi, incluindo Ahed. Falastine tem sido uma das mais ativas pessoas na campanha #FreetheTamimis, estando presente nas variadíssimas ações de protesto não violentas contra a prisão da Ahed, Nariman (a mãe de Ahed) e outros membros da família Tamimi que tantas vezes foram presos.A prisão de Ahed, as acusações que enfrenta, a normalidade que é uma criança palestiniana ser detida indefinidamente e a ocupação israelita foram temas que abordámos nesta conversa.   [English] In 1991, Israel signed the United Nations International Convention on the Rights of the Child. Article 37 states that “the arrest, detention or imprisonment of a child shall be in accordance with the law, shall be used only as a measure of last resort and shall be of the shortest possible duration”. Ahed Tamimi, a 17-year-old Palestinian child (she was 16 when arrested), has been held since the night of December 19, when Israeli soldiers showed up at her room to take her away, after a video showing Ahed slapping a soldier went viral. Last month, an Israeli military court decided to hold her pending trial with no known date. It could be weeks, it could be months. Ahed is now being tried in Israeli military courts, as is the case with any Palestinian child in detention and unlike Israeli children. According to Defense for Children International, since 2000, at least 8,000 Palestinian children have been arrested and tried in an Israeli military court, often without access to basic rights such as being able to spend time with their families, in clear disregard for international law, and with 3 out of 4 children suffering physical violence during detention, transfer or interrogation. Israel has a long history of disobeying UN conventions and, according to Falastane Dwikat, a Palestinian activist we spoke to today, “the current Israeli apartheid system and the occupation system are aimed at crushing Palestinians”. Including children. Falastine spoke to us from Ramallah, a Palestinian town 20 kilometers from Nabi Saleh, the village where the Tamimi family lives, including Ahed. Falastine has been one of the most active people in the #FreetheTamimis campaign, taking part in the many non-violent protests against the imprisonment of Ahed, Nariman (Ahed's mother) and other members of the Tamimi family who have been arrested so many times. Ahed's arrest, the charges she faces, how normal it is for a Palestinian child to be detained indefinitely and the Israeli occupation were all topics we discussed in this conversation.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 7, 201822 min

Rita Silva sobre direitos dos animais e veganismo (Entrevista)

Fez cinco anos este mês que morreu Dinis Janeiro, 18 meses, vítima de graves lesões no crânio, após ter sido atacado pelo pit bull da família, Zico, em Beja. A trágica história não saiu das páginas dos jornais durante meses. Pediu-se a execução imediata do bicho. O país envolveu-se numa contenda entre quem defendia a morte do cão e quem exigia a sua reabilitação. Rita Silva, presidente da associação ANIMAL, deu a cara pelo canídeo. Depois de petições, programas de televisão, crónicas inflamadas e muitas reviravoltas nos tribunais conseguiu, para espanto de muitos, impedir que fosse abatido e ficar com a sua guarda. O animal foi reabilitado, passou a chamar-se Mandela. Os tribunais absolveram a família e nenhum adulto foi responsabilizado pelo que aconteceu à criança. Durante meses, acompanhei o “caso Zico” com atenção. Lembro-me de ir a Beja, falar com os avós do pequeno Dinis, visitar o local onde tudo aconteceu. Lembro-me de andar entre os Tribunais Judicial e Administrativo e Fiscal de Beja para poder consultar os vários processos. Lembro-me das explicações de Cláudia Estanislau, a treinadora que o reabilitou. Lembro-me da sessão fotográfica com o cão que a lei classifica como perigoso, mas que de tão amedrontado parecia inofensivo. De lá para cá, muito mudou. As redes sociais amplificam casos de abusos e maus tratos a animais instando as autoridades a agir. Nos últimos anos a Assembleia da República alterou várias leis, para que os animais de companhia deixassem de ser juridicamente iguais a coisas e quem lhes fizesse mal fosse punido. Com a entrada do PAN no Parlamento a causa ganhou uma visibilidade e força nunca antes vista. Os hábitos de comer e vestir têm mudado e o veganismo e o vegetarianismo são mais populares do que alguma vez foram. Contudo, a tourada está de pedra e cal e parece não haver vontade política de acabar com esta prática de tortura que muita gente entende como manifestação de cultura e tradição. Nos circos, continuam a usar-se animais como estrelas de cartaz. Conversámos com Rita Silva para nos explicar como têm evoluído os Direitos dos Animais em Portugal e de que forma as leis aprovadas recentemente são aplicadas. Será que deixaram mesmo de ser “coisas”? Que quem lhes fizer mal é realmente punido? Será que as entidades públicas - das Câmaras Municipais à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária - aplicam, de facto, a lei? Talvez não seja bem assim…Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 24, 20181h 3m

José Pedro Monteiro e Miguel Bandeira Jerónimo sobre a "missão civilizadora" portuguesa (Entrevista)

Gorée, 13 de Abril de 2017. Marcelo Rebelo de Sousa visitava, no Senegal, este antigo entreposto de tráfico de escravos nas rotas atlânticas. Antes dele, o Papa João Paulo II e o ex-presidente brasileiro Lula da Silva tinham já pedido perdão pelo sofrimento causado. Em Portugal, algumas pessoas esperavam o mesmo do presidente português.Marcelo não pediu perdão. Pelo contrário, vangloriou o a adesão a "um ideal humanista" quando, em 1761, Portugal “aboliu a escravatura” pela mão de Marquês de Pombal. Mas terá sido "um ideal humanista” que levou Marquês de Pombal a fazê-lo? E será que, até, a escravatura foi realmente abolida nessa data?Cristina Nogueira da Silva, Professora na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, escreve poucos dias depois (link) que "Em 1761 o marquês de Pombal não aboliu a escravatura em lugar algum. O que fez, por meio de um alvará publicado nesse ano, foi proibir o transporte de escravos para o Reino de Portugal, declarando livres todos os que, a partir daquela data, aí desembarcassem.” e que "Com este alvará não se queria abolir a escravatura no Reino, mas sim canalizar o maior número possível de escravos para os territórios ultramarinos, onde eles eram centrais para o funcionamento da sociedade e da economia.”.A escravatura foi apenas abolida legalmente em 1875, mais de um século depois, mas esta deu lugar ao trabalho forçado e ao Regulamento do Trabalho do Indígena, que obrigava os “indígenas” das ex-colónias a trabalhar - sob pena de lhes ser “imposto o cumprimento” - e que continuou inscrito na lei até 1962, há pouco mais de 50 anos. O trabalho era civilizador, era a ideologia por detrás de tais leis.É sobre essa “missão civilizadora”, sobre a forma como se materializava no trabalho forçado, no sistema de educação, e sobre como faz parte da narração da história colonial portuguesa, que falamos hoje. Como convidados, temos hoje José Pedro Monteiro e Miguel Bandeira Jerónimo, ambos investigadores e historiadores no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e autores de vários livros, a solo e em conjunto, sobre colonialismos, imperialismos.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Pedro Santos e Ricardo RibeiroCaptação de som: Bernardo AfonsoEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 19, 20181h 24m

Paula Simões sobre neutralidade da internet, direitos digitais e direitos de autor (Entrevista)

Pode parecer - é pelo menos essa a ideia que a cobertura mediática tem feito passar -, mas o fim da neutralidade da internet não é a única ameaça à liberdade que o meio digital proporciona a milhares de milhões de cidadãos. Se o comprometimento com a neutralidade da internet estremece nos Estados Unidos da América, na União Europeia é a fiscalização dos direitos de autor e dos direitos conexos a ameaçar a Web como a conhecemos.No dia 14 de Dezembro, a maioria republicana na FCC, entidade que regula as comunicações nos Estados Unidos da América, votou para acabar com regras que até então asseguravam a neutralidade da internet. Fica a ideia de que os grandes fornecedores de serviços de internet daquele país, como a Verizon ou a Comcast, passam a poder, com o rasgar da neutralidade da rede, acelerar, abrandar ou até bloquear determinados sites, aplicações ou conteúdos. Passa a existir uma internet que opera a várias velocidades, discrimina conteúdo e limita a liberdade das pessoas no espaço digital.A neutralidade da internet não é, contudo, o único perigo que paira sobre a liberdade de movimentos e a livre disseminação de informação e conteúdos numa rede que fora - e talvez ainda o seja - livre, neutra e sem uma regulação que estrangula. Bem no seio da União Europeia, discute-se uma proposta de diretiva que tem escapado ao escrutínio dos meios de comunicação, mas representa um potencial de alteração profundo de um contexto atual caracterizado pela partilha profusa de conteúdos protegidos por direitos de autor.Utilizar excertos de artigos, partilhar links, músicas ou visitar sites e aplicações com notícias de várias fontes. Estas são ações dos nossos dias, sem as quais já não passamos. Mas a sua continuidade pode ter os dias contados.Que diretiva é, afinal, esta? Vamos deixar de poder partilhar links? E, para começar, o que é o direito de autor? É possível proteger este direito sem colocar entraves à livre partilha de conteúdos? E a neutralidade da internet, o que é? Que perigos representa a decisão da FCC?O facto de alguns tarifários de operadoras móveis em Portugal oferecerem tráfego gratuito na utilização de um número restrito de aplicações tem conquistado tração em meios de comunicação internacionais. Isto é uma violação dos princípios da neutralidade da rede? O que é o zero rating? Esta semana falamos com a Paula Simões, presidente da associação Ensino Livre e investigadora na Universidade de Coimbra. A Paula é uma voz ativa nas questões dos direitos digitais, livre acesso e domínio público e foi com ela que procurámos perceber as alterações que a nossa vida digital pode vir a sofrer.Texto: Frederico RaposoPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Maria Almeida, Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraCaptação de som: Bernardo AfonsoEdição de som: Bernardo AfonsoFotografia: Glenn Carstens-PetersJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 20, 201759 min

Quem manda nesta democracia? (Reportagem)

O É Apenas Fumaça esteve, no passado 7 de Dezembro, na conversa “Quem manda nesta democracia?”, organizada pelo Corporate Europe Observatory (CEO), pelo Climáximo e pela plataforma Não aos Tratados TTIP / CETA / TISA.Numa sala com pouco mais de uma dezena de pessoas, falaram Lora Verheeke e Margarida Silva, ambas do CEO, expondo a maneira como a União Europeia (UE) funciona desde Bruxelas. Conversou-se sobre a maneira como o TTIP e CETA estão a ser negociados, a influência das grandes empresas e organizações de lobby na produção de legislação na UE, a falta de transparência dentro das instituições europeias e as portas giratórias que representantes das instituições europeias cruzam entre os cargos públicos e as grande empresas privadas.Ouve aqui o episódio de hoje, em que conversamos com a Lora, a Margarida e também com o João Vasco.Texto: Ricardo RibeiroEntrevistas: Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraPreparação: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Tomás PereiraCaptação de som: Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 18, 201721 min

Gustavo Sampaio sobre corrupção e portas giratórias (Entrevista)

Entre 1999 e 2001, 4 Parcerias Público-Privadas para a construção de autoestradas foram assinadas com a Ascendi, que na altura pertencia ao Grupo Mota-Engil: as autoestradas do Norte, Costa de Prata e Beiras Litoral e Alta. Jorge Coelho era então Ministro de Estado e do Equipamento Social. Luís Parreirão era Secretário de Estado Adjunto e das Obras Públicas. Os dois tutelavam a pasta das Obras Públicas. Os 2 assinaram estes acordos.Não foi preciso esperar muito para que, 1 ano depois, em 2002, Luís Parreirão, já fora do governo, aceitasse um convite para ser administrador de várias empresas do Grupo Mota-Engil, incluindo a própria Ascendi. Em 2008, foi a vez de Jorge Coelho. Coube-lhe assumir a presidência executiva da Mota-Engil. Os casos de Jorge Coelho e de Luís Parreirão não são únicos nos Ministérios que tutelaram as Obras Públicas ao longo das últimas décadas. Dezenas de governantes juntaram-se a empresas como a Mota Engil (e outras) depois cumprirem as suas funções governamentais. Luís Valente de Oliveira era Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação em 2002, quando foi assinada mais uma PPP para a concessão de outra autoestrada com a mesma Ascendi. Um ano mais tarde, em 2003, foi para o Conselho de Administração da Mota-Engil. Joaquim Ferreira do Amaral era Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações à data em que se negociava com a Lusoponte a concessão da Ponte Vasco da Gama, 1995. Em 2008 foi nomeado para o Conselho de Administração da mesma empresa.O benefício direto a que governantes têm acesso, ao assinarem contratos, parcerias, e legislarem sobre assuntos que diretamente convêm às empresas para as quais trabalharão mais tarde mostra a promiscuidade entre o poder político e as empresas privadas. Empresas como a EDP, a Caixa Geral de Depósitos, a Mota Engil, a Lusoponte, o Grupo José de Mello, a Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, a Cuatrecasas, entre outras, recrutam dezenas e dezenas de políticos que cruzam portas giratórias entre o privado e o público. Tudo legal, dizem. E tudo às claras.Gustavo Sampaio, jornalista com quem falamos no episódio desta semana, chama-lhe o “capitalismo de compadrio”. O Gustavo trabalha na redação do Jornal Económico e tem vindo a investigar, desde há muito, a corrupção, as portas giratórias e a influência das grandes empresas privadas e das sociedades de advogados nas decisões políticas e nos governantes, tendo já escrito 3 livros - “Os Privilegiados”, “Os Facilitadores” e “Porque Falha Portugal?”.Uns dias depois da comemoração do Dia Internacional contra a Corrupção, celebrado a 9 de Dezembro, conversamos sobre casos concretos: qual a influência da Mota Engil na política portuguesa? O que tem a EDP a ver com a decisão de avançar com o Plano Nacional de Barragens? Está o governo “amarrado” à EDP? Porque tantos Ministros e Ministras da Saúde vêm de seguradoras privadas e de empresas de saúde privadas?Texto: Ricardo RibeiroEntrevista: Ricardo Ribeiro Preparação: Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 13, 20171h 1m

Ziyaad Yousef sobre Jerusalém e a decisão de Trump (Entrevista)

“Quando iniciei funções, prometi olhar para os desafios mundiais de olhos abertos e com um novo pensamento.” Estas foram as primeiras palavras de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos da América (EUA), ao iniciar o discurso da passada quarta-feira, 6 de Dezembro, na Casa Branca. Atrás de si estava Mike Pence, vice presidente, que ouviu, como ouviram milhões de outras pessoas, o reconhecimento oficial de Jerusalém como capital de Israel e a indicação da mudança da embaixada dos Estados Unidos da América desde Tel Aviv para Jerusalém.A deslocalização da embaixada, a concretizar-se, fará dos Estados Unidos o primeiro país do mundo a ter a sua embaixada em Jerusalém, havendo 85 outrasnações, neste momento, como embaixada em Tel Aviv.Ziyaad Yousef, membro do membro do Comité de Solidariedade com a Palestina e ativista no movimento BDS - Boicote, Desinvestimento e Sanções, alerta, no entanto, que “a política nos Estados Unidos não mudou”. Barack Obama, ex-presidente dos EUA disse, em 2008, enquanto candidato às presidenciais que viria a ganhar: “Jerusalém vai manter-se a capital de Israel e deve manter-se indivisível”. A declaração foi feita durante um discurso numa conferência do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee), um dos mais poderosos grupos de lobby americano. Na mesma conferência, anos antes, tinham já George W. Bush e Bill Clinton defendido a mudança de cidade da embaixada para Jerusalém. A pensamento não é novo.Jerusalém está ocupada por Israel desde 1967, depois do seu exército militar ter tomado controlo da cidade. Desde então, dezenas de resoluções das Nações Unidas têm vindo a pedir aos sucessivos governos israelitas o fim da ocupação da parte oriental de cidade.Ziyaad falou-nos de como o discurso de Trump é a continuação da política dos Estados Unidos em relação a Israel e Palestina e de como "Trump está a abrir a porta para a ocupação perpétua”. Falámos também sobre como os feridos e mortos diários na Palestina sempre existem, há décadas, e não são apenas uma consequência desta decisão, e de como a PLA (Palestinian, Liberation Authority) é controlada por Israel e pela União Europeia, não representando o povo palestiniano.Texto: Ricardo RibeiroEntrevista e preparação: Ricardo RibeiroCaptação de som: Ricardo RibeiroEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 12, 201719 min

André Amálio sobre descolonização (Entrevista)

André Amálio recebeu-nos na sua casa, em Lisboa, e foi aí mesmo que nos contou como uma aluna de doutoramento na Universidade de Coimbra foi impedida pelos seus próprios orientadores de investigar massacres levados a cabo pelo regime português durante o colonialismo. E fez questão de vincar que isto aconteceu agora. Não é coisa de há décadas atrás. A aluna, censurada, viu-se forçada a desistir da sua investigação. O colonialismo ainda é tabu.Estava habituado a olhar para toda *“aquela história grandiosa dos nossos heróis”*. A verdade, conta André, é que precisou de *“ir para o estrangeiro para olhar para o passado colonial português de uma outra forma”*. Hoje, o Padrão dos Descobrimentos dá-lhe *“umas voltas ao estômago tremendas”*. E *“está tudo dito ali, naquele monumento”*.Será que a nossa sociedade obedece, ainda, a uma lógica colonial? Hoje, em pleno século XXI? Por que é que continua a evitar-se este debate, a todo o custo?Parecemos insistir, colectivamente, numa visão romântica do colonialismo português. Na escola, ainda somos desviados de uma realidade violenta para sermos doutrinados com a ideia de que fomos bons colonizadores, de que promovíamos uma presença civilizadora, integradora e mestiça. Orgulhamo-nos de termos sido o primeiro país a acabar com a escravatura. Afinal, é isso que nos é ensinado, mas a escravatura continuava, escancarada, fora do território europeu. E mesmo quando Portugal, sob pressão internacional, se viu obrigado a terminar com esta prática, não tardou em substituí-la pela lei do trabalho forçado, que perdurou até 1961.Durante o colonialismo, o racismo era institucional, estava presente na legislação e era visível nas fronteiras das urbes coloniais: o centro urbano, organizado e europeizado, para os brancos; os musseques, em redor, para os negros. E os bares, só para brancos e assimilados. E, depois, as cabeças espetadas em paus, os bombardeamentos de napalm, os fuzilamentos, as decapitações: os crimes de guerra. Devíamos pagar por eles? Devemos um pedido de desculpas?Em 1965, durante as lutas de libertação nacional, Salazar contava aos portugueses que a guerra era motivada por movimentos subversivos de terroristas estrangeiros, não era a “explosão do sentimento de povos” que procuravam a sua independência. Seria desonesto abordar a descolonização sem a relacionar com o fim da ditadura em Portugal. Em 1971, era Amílcar Cabral quem mencionava uma “ligação íntima” entre as lutas de libertação “e a luta antifascista em Portugal”. Estava convencido de que os movimentos de libertação africanos seriam uma peça essencial para a libertação que chegou com o 25 de Abril.André, ator e encenador, fundador da companhia Hotel Europa e co-criador de uma trilogia de teatro documental sobre o fim do colonialismo, sente que chega de “viver com um conto de fadas”. Quer lançar uma discussão urgente e abrangente, capaz de formar uma consciência coletiva que obedeça à verdade dos factos, que não coloque uma venda nos olhos perante aquilo que foi colonialismo português. Se “temos tanta facilidade em apontar o dedo aos outros”, “por que é que não olhamos também para nós e apontamos o dedo a nós, àquilo que nós fizemos?”Até já,Frederico RaposoTexto: Frederico RaposoPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação de som: Bernardo AfonsoEdição de som: Bernardo AfonsoA partir de hoje já podes contribuir regularmente para o É Apenas Fumaça. Se acreditas que devemos continuar a dar voz a quem não tem e a fazer jornalismo sobre direitos humanos e sociais, ajuda-nos. Contribui aqui: https://www.patreon.com/apenasfumacaJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 6, 20171h 3m

Miguel Carvalho sobre a rede terrorista de extrema direita no pós-25 de Abril (Entrevista)

Sábado passado assinalaram-se 42 anos sobre o 25 de novembro de 1975.Nos livros da escola, nas conversas de café, nas retóricas dos partidos do centrão, a data é apresentada como o dia em que se travou o vírus comunista em Portugal. O país dera, então, os passos decisivos a caminho da Liberdade. Chegara o tempo da “normalização democrática”, contam-nos. E se não tiver sido assim?Sabemos que as tensões vividas desde a queda formal do Estado Novo e durante todo o Processo Revolucionário em Curso (PREC) se acumularam de tal forma no Verão Quente de 1975 que há poucas dúvidas de que o país estivesse próximo de uma Guerra Civil.Nos quartéis, os militares estavam divididos. Liderando o país, os atores que tinham feito o 25 de abril e criado o Movimento das Forças Armadas não se entendiam. Cada partido político queria um Portugal diferente. Bebendo avidamente da Liberdade, as gentes permitiam-se fazer tudo o que antes só sonhavam: greves, plenários, ocupar terras, fábricas, casas.Mas as décadas de ditadura fascista, da PIDE, do medo e do respeitinho tinham pouco de passado. Pelo sim, pelo não, as armas foram sendo distribuídas livremente ao Povo, não fosse dar-se o caso de ser necessário contar espingardas. Entre os que defendiam o Socialismo Revolucionário, os que se apresentavam como moderados e os envergonhadamente saudosistas do Antigo Regime, parecem ter perdido os primeiros.Mas e se a História for menos óbvia e com mais contradições? E se o 25 de novembro de 1975 não tiver significado a pacificação de coisa nenhuma?Miguel Carvalho, grande repórter na revista VISÃO, escreveu 560 páginas que defendem esta tese. “Quando Portugal Ardeu. Histórias e segredos da violência política no pós-25 de Abril” (Oficina do Livro, 2017) fala-nos da rede terrorista de extrema direita que matou, espancou, pôs bombas e incendiou sedes de partidos de esquerda em Portugal nos primeiros anos de Democracia.Para o portuense nascido a 25 de novembro, mas de 1970, a história foi outra. “É estranho que a memória, neste país, demore tanto tempo a fazer. (…) Continuamos a ouvir a narrativa do costume: o 25 de novembro de 75 travou a ditadura comunista; o PS nunca foi financiado pela CIA; os americanos é que nos ajudaram a conquistar a Liberdade e a Democracia”.E as conclusões também. “Aquilo que Portugal viveu nessa época foi o risco de resvalar novamente para uma ditadura de extrema-Direita. Partilho desta convicção. Deixei margem para que a investigação dissesse o contrário. Não disse. Reforçou-a. (…) A convicção com que fico depois deste livro, que reforcei com as entrevistas que fiz, é que o Dr. Mário Soares se valeu de tudo, de tudo, para pôr o PS como a cabeça deste regime e atribuir ao PCP aquilo de que o PCP, em grande parte, não é responsável.”Até já,Pedro SantosTexto: Pedro SantosEntrevista: Pedro Santos e Ricardo RibeiroPreparação: Maria Almeida, Pedro Santos, Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraCaptação de som: Pedro ZuzarteEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 29, 20171h 0m

Sílvia Ouakinin e Patrícia Câmara sobre saúde mental (Entrevista)

Todos vamos aos vários médicos do corpo, mas muitos poucos de nós fazem “check-ups” à mente. Há um estigma em falar de saúde mental, porque ter debilidades a nível psicológico é visto muitas vezes como um sinal de fraqueza do indivíduo. No entanto, é comum termos desordens na nossa mente.Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2013 mais de uma em quatro pessoas na Europa sofreram de algum tipo de desordem mental. O mercado de trabalho é apontado por muitos especialistas como um factor stressante, e que leva muitas vezes a um estado de “burnout”.Eventos mundiais como a crise de 2008 tiveram impacto, de várias formas diferentes, na saúde mental dos Portugueses, que dificilmente encontram resposta no para os seus problemas no Serviço Nacional de Saúde, e na aplicação prática do Programa Nacional para a Saúde Mental, descrito como um programa prioritário em teoria, mas com cada vez menos meios para ser aplicado.Mas, será que isto é tudo assim? Estigmatizamos de facto a Saúde Mental? Quando alguém sofre de alguma debilidade mental, a culpa é mesmo sua? O que é estar em “burnout”? A crise pôs-nos doentes da cabeça? Andamos todos malucos de há uns tempos para cá?Para nos ajudar a perceber os vários pontos deste tema tão pouco abordado, falámos com a Sílvia Ouakinin e a Patrícia Câmara, ambas dirigentes da Associação Portuguesa de Psicossomática. A Sílvia é médica psiquiatra nos hospitais de Santa Maria e na CUF Infante Santo, doutorada em Psiquiatria e Saúde Mental; a Patrícia psicóloga clínica, psicanalista e autora do livro “Depressão na Infância e Relações Objectais”.Sei o que estão a pensar: *“Psicossomática? Psiquiatria? Psicanálise? Psicologia? Tantos palavrões. Isto não é tudo a mesma coisa?”*. Se quiserem a resposta, nada como ouvir o episódio desta semana.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 22, 201751 min

Jéssica Lopes sobre os protestos de imigrantes em Portugal (Entrevista)

O último mês e meio trouxe mudanças significativas para a luta por “Documentos para todos” que o movimento de imigrantes em Portugal tem vindo a travar com as autoridades que regulam a imigração em Portugal.A agora ex-diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Luísa Maia Gonçalves, demitiu-se no início de Outubro depois de lhe retirada a confiança política por parte da Ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa. Quatro dias depois, demitiram-se também os dois Diretores Adjuntos do SEF, Joaquim Pedro Oliveira e António Carlos Patrício. Não foi preciso esperar mais do que duas semanas para que seguisse a eles a própria Ministra da Administração Interna, abalada pelo trágico verão de combate a incêndios.O novo Ministro da Administração Interna escolhido para o cargo, Eduardo Cabrita disse, ainda este ano, na conferência “Migração Global, Responsabilidade Global”, que quanto ao tema da imigração, Portugal está "do bom lado da História". Diz também que somos dos países que melhor recebe imigrantes. A Jéssica Lopes discorda: “quando ouvimos esse tipo de comentários parece-nos simplesmente que essas pessoas ou não conhecem a realidade dos imigrantes ou então é mesmo uma estratégia e uma comunicação propositada”.Os últimos protestos de imigrantes parecem, também, mostrar uma realidade bastante diferente da que o novo Ministro descreve. No mês passado, o É Apenas Fumaça cobriu um protesto de dezenas de imigrantes à porta do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, em Lisboa, contra a demora na entrega dos títulos de autorização de residência - alguns esperavam há mais de 2 anos.Conversámos com a Jéssica Lopes, aquando da nossa viagem à Zambujeira do Mar para o ImigrArte Itinerante sobre o processo por que passam imigrantes quando chegam a Portugal e sobre as mudanças e protestos que têm ocorrido nos últimos meses.Até já,Ricardo Ribeiro.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação de som: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo RibeiroEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 20, 201714 min

ImigrArte Itinerante na Zambujeira do Mar (Reportagem)

No passado domingo, dia 12 de Novembro, a equipa do É Apenas Fumaça saiu à rua, viajando de autocarro com várias dezenas de imigrantes e ativistas desde a Rua da Madalena, na Baixa de Lisboa, até à Zambujeira do Mar, em Odemira, no Alentejo, para dar voz ao ImigrArte Itinerante.A freguesia onde dezenas de milhares de pessoas passam todos os anos uma semana do seu Verão durante o festival MEO Sudoeste, é casa para centenas de imigrantes vindos dos mais variados países, e que dia sim dia sim, apanham as frutas e os legumes que enchem os supermercados do país, da capital e não só.Estes imigrantes, que são o coração e o pulmão da apanha de laranja, maçã, e morango e framboesas, quando é a época, são também deixados à espera meses e meses, anos e anos, para regularizarem a sua situação. “Espera” é uma palavra que todos e todas sabem, mesmo para os e as que ainda nem arranham o português. É a palavra que ouvem variadíssimas vezes enquanto tentam navegar através do processo que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras tem vindo a complicar ao longo do tempo.O ImigrArte Itinerante foi organizado pela Solidariedade Imigrantes e pela Associação de Nepaleses Residentes em Portugal, e contou com workshops, discussões, uma peça de Teatro e momentos musicais. Conversámos com imigrantes que ainda hoje esperam por documentos - alguns há mais de 2 anos - e também com ativistas que, do seu lado, fazem a luta. Pediu-se documentos para todos e uma Europa sem fronteiras, de igualdade, liberdade e fraternidade.Ouve aqui mais um Na Rua.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação de som: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo RibeiroEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 20, 201737 min