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Fumaça

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468 episodes — Page 8 of 10

Miguel Hirota sobre dinheiro e moedas sociais (Entrevista)

Miguel Hirota, investigador e promotor de moedas sociais, explica como as políticas económicas e monetárias não são determinadas pela vontade popular. Fala ainda de moedas sociais como resposta às deficiências do sistema económico. Lê mais aqui: www.apenasfumaca.pt/entrevista-miguel-hirota-dinheiro-moedas-sociaisJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 17, 201851 min

Netanyahu: “PRESS” não significa alvo (Opinião)

O exército israelita assassinou, nas últimas duas semanas, pelo menos 31 palestinianos que protestavam em Gaza. Entre eles, Yasser Murtaja, jornalista que vestia um colete claramente identificado com a palavra “PRESS”.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 12, 20184 min

Carolina Rocha sobre Lula, Marielle e a intervenção militar no Rio de Janeiro (Entrevista)

Carolina Rocha, poeta brasileira e socióloga, fala de “genocídio” da população negra e da “ameaça de ditadura” no Brasil. Explica ainda como a morte de Marielle Franco é um recado para quem desafia as estruturas políticas do Brasil. Ouve aqui a entrevista.Lê mais em www.apenasfumaca.pt/carolina-rocha-sobre-o-brasil-lula-marielle-e-a-intervencao-militar-no-rio-de-janeiroJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 12, 201843 min

"Terra Fértil (Em memória de Marielle Franco)", por Carolina Rocha (Especial)

Lançaremos no dia 12 de Abril uma entrevista com Carolina Rocha, escritora, poeta brasileira, historiadora, socióloga e militante anti-racista. No final da entrevista, declamou o poema que podes ler e ouvir aqui. Subscreve em http://apenasfumaca.pt/subscrever/ para receberes a entrevista em primeira mão.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 11, 20182 min

Demolições no bairro 6 de Maio e feminismo negro (Opinião)

O editorial desta semana foi escrito pela Maria Almeida e fala das demolições no Bairro 6 de Maio que já deixaram várias famílias sem casa e sem alternativa. Ouve aqui a narração e subscreve em apenasfumaca.pt/subscrever para receberes os próximos.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 11, 20184 min

Trilogia do imigrante: trabalhar, descontar, esperar (Reportagem)

A Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa, foi ocupada por imigrantes que exigiam documentos para todos. Sentaram-se à frente do SEF, na estrada, e cortaram o trânsito, num protesto que trouxe à capital, desde o litoral alentejano, largas dezenas de imigrantes.Lê mais em http://apenasfumaca.pt/na-rua-trilogia-do-imigrante-trabalhar-descontar-esperarJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 10, 201815 min

Desalojados do bairro 6 de Maio ocupam Ministério do Ambiente (Reportagem)

Cerca de três dezenas de pessoas ocuparam hoje, 9 de Abril, o Ministério do Ambiente, exigindo uma reunião com a secretaria de Estado da habitação. Entre elas, encontravam-se várias pessoas moradoras do Bairro 6 de Maio na Amadora, que sofreu mais uma série de demolições na passada terça-feira ao abrigo do Programa Especial de Realojamento, deixando pelos menos duas pessoas sem casa. O Programa Especial de Realojamento, iniciado em 1993, tinha como objetivo erradicar bairros de barracas da zona de Lisboa e Porto, e tem vindo a demolir casas e despejar centenas de famílias em bairros como o 6 de Maio nos últimos anos.Esta é já a segunda ocupação do Ministério do Ambiente no espaço de uma semana, depois de, sem efeito, terem feito o mesmo no dia das últimas demolições. Hoje, três pessoas foram finalmente recebidas: Amália, moradora do Bairro 6 de Maio e duas pessoas do Habita, uma associação que tem dado apoio às famílias na luta pelo seu direito à habitação. Logo após a reunião, conversámos com a Rita Silva, que faz parte do colectivo Habita, e com quem já conversámos no ano passado.No É Apenas Fumaça, estamos a acompanhar este caso de perto e iremos lançar uma reportagem na próxima semana sobre os despejos e demolições no Bairro 6 de Maio. Subscreve para receber o episódio em apenasfumaca.pt/subscreverJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 9, 20185 min

Luzia Moniz sobre feminismo negro (Entrevista)

Luzia Moniz, angolana, jornalista, socióloga, presidenta da PADEMA, fala-nos sobre feminismo negro, a importância das zungueiras e da economia informal, de neo-colonialismo e da sua admiração por Winnie Mandela.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 5, 201855 min

Os direitos dos emigrantes e a morte da radio (Opinião)

Este editorial fez parte da newsletter enviada no dia 29 de Março de 2018. Subscreve a newsletter para receberes estes conteúdos e o episódio da semana: http://apenasfumaca.pt/subscrever/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 4, 20182 min

Rock in Riot: bater o pé à especulação imobiliária (Reportagem)

Rock in Riot. No protesto-festa com o lema “Ocupar as Ruas, Reclamar a Cidade” dançou-se contra a especulação imobiliária, os despejos e a dificuldade de conseguir arranhar casa para viver em Lisboa. Ouve aqui.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 29, 201819 min

Chelas City, a capital de Lisboa (Reportagem)

Notícias de tiroteios, perseguições de última hora, agressões à polícia e nas escolas. É assim que Chelas é apresentada nos telejornais e nas manchetes dos jornais portugueses. Um antro de violência a menos de dez estações de metro ou 15 minutos de carro da Praça do Comércio, onde turistas queimados pelo sol bebem gins tónicos e comem petiscos “portugueses” de óculos escuros na cara. Para muita gente, Chelas é só mais um "bairro periférico”. Mas o estatuto de periferia é uma decisão política - Chelas não é mais longe da Praça do Comércio do que as Amoreiras, o Areeiro, Campo de Ourique, Campolide, Parque das Nações ou Alcântara. Ainda assim, taxistas não conduzem para o bairro, pizzarias recusam-se a levar lá comida.“Esta zona não tem entregas.”, disse-me a Telepizza quando tentava encomendar uma pizza para Chelas. "Porquê?”, perguntei. “Estas zonas geralmente são consideradas zonas... perigosas (…) Na Zona J têm de ir buscar na esquadra”. "Zonas perigosas".Quem lá vive sente esta ou outras discriminações, todos os dias. Em entrevistas de trabalho, há quem esconda onde mora para não ficar de fora. Na escola, segundo o Sandro Santos, quem é do bairro também fica de fora : “Se no meio de 20 alunos tens três ou quatro do bairro social, esquece, esses já foram.”. O Carlos, ou MC Bambam, conta-nos como, para as autoridades, é suspeito quem vive no bairro: "Para eles [a polícia], somos sempre a mesma coisa, somos todos iguais. Por isso, não vale a pena. Branco, cigano ou preto, não interessa. Se és de um bairro social, (estão) em cima de ti…”. As discriminações constantes geram a frustração de quem se sente suspeito por tudo e por nada e destrói sonhos, vidas. Mas será a violência que faz as manchetes. Ou são as manchetes que fazem a violência?O MC Bambam e o Sandro Santos fazem parte do Bataclan 1950, um grupo de jovens, alguns MC’s [Mestre de Cerimónias, designação dada aos cantores de rap que escrevem e cantam as suas próprias letras], que têm vindo a denunciar através através do rap a discriminação e a violência policial de que sofrem no bairro. Foi com eles que conversámos nesta reportagem gravada no Bairro do Condado, em Chelas. Ouve a reportagem aqui.Edição: Bernardo Afonso, Frederico Raposo, Maria Almeida, Pedro Santos e Ricardo RibeiroReportagem: Maria Almeida, Ricardo RibeiroMontagem e mistura de som: Bernardo AfonsoMúsica: MC Bambam e Bataclan 1950Agradecimentos aos BAGABAGA STUDIOS, sem os quais esta reportagem não seria possível.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 16, 201840 min

Carlos Farinha Rodrigues sobre pobreza e desigualdade (Entrevista)

Ter um emprego estável não significa uma vida livre de privações. Não significa sequer escapar à pobreza e pode significar ter de apagar as luzes, mesmo quando a luz que entra pela janela não chega.O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que, em 2016, já com a Geringonça no poder e as actualizações ao salário mínimo nacional em vigor, 10,8% dos trabalhadores portugueses permaneciam em risco de pobreza. O que significa isto? Estar em risco de pobreza significa – apesar da tentativa de branqueamento da realidade que o nome do indicador parece procurar – ser-se pobre. Não há como dar a volta. Significa estar-se abaixo do limiar da pobreza. Em Portugal, receber o salário mínimo é viver entre a espada e a parede.Isabel Nascimento, retratada pelo semanário Sol na reportagem “Viver com o salário mínimo: o milagre da multiplicação”, de 2014, era uma das faces desta realidade. Recebia o salário mínimo e via-se obrigada a falar aos jornalistas às escuras. Dos 431,65 euros que recebia, 300 perdiam-se imediatamente na renda da casa que dividia com o marido, desempregado, e os dois filhos. Teve que apagar as luzes para poupar. Isabel faz parte daqueles que recebem o salário mínimo nacional. São “trapezistas equilibrados num fio muito fino”. Quem o disse, num artigo do jornal Público, foi Susana Peralta, investigadora e professora na Universidade Nova de Lisboa. O número de trabalhadores a receber o salário mínimo passou de “5% em 2008 para cerca de 25% no final de 2016”. “Preocupante”, considera a economista.A pobreza em Portugal é uma realidade demasiado abrangente. Em 2016 o INE contava 2,4 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social em Portugal. É o mesmo que dizer 23,3% da população do país, menos 1,8 pontos percentuais em relação a 2015. Mas se a taxa de risco de pobreza desceu neste período, o mesmo não pode dizer-se da taxa de intensidade da pobreza, que mede quão distantes estão os rendimentos mais baixos relativamente ao limiar definido para a pobreza. De 2015 para 2016 esta taxa subiu 0,3 pontos percentuais, para os 27%. A subida é curta, é certo, mas revela uma intensificação da pobreza entre os mais pobres dos pobres.“A cada 2 dias” aparece um novo bilionário e 82% de toda a riqueza gerada acaba nos bolsos das 1% mais ricas. “Nada para as 50% mais pobres”. Foi assim em 2017, segundo o relatório “Reward Work, Not Wealth”, lançado em 2018 pela Oxfam International. O nome do relatório revela o desejo, longínquo: “Recompensar o Trabalho, Não a Riqueza”. Mas o fosso não para de aumentar, sobretudo quando comparamos os mais ricos e os mais pobres.Esta semana fomos até ao Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) falar com Carlos Farinha Rodrigues, doutorado em Economia e professor naquela instituição de ensino superior. É coordenador científico do Observatório das Desigualdades do CIES-IUL, assessor do INE e um dos mais proeminentes especialistas em pobreza e desigualdade em Portugal.Qual é o caminho para eliminar a pobreza e reduzir a desigualdade?Terão os estados os recursos que lhes permitam acabar com a pobreza, quando nas últimas décadas o denominador comum tem sido o declínio generalizado do capital público perante o aumento desmesurado do capital privado? Quão importante é o papel das transferências sociais na redução da pobreza e da desigualdade? Terá Pedro Ferraz da Costa razão, quando afirma que “as pessoas não querem trabalhar”, ou estaremos nós perante um problema pandémico de precariedade no emprego que nos está a conduzir a situações de pobreza?Texto: Frederico RaposoPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Pedro Santos e Ricardo RibeiroCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 9, 20181h 9m

Mamadou Ba sobre racismo e violência policial (Entrevista)

Kuku4 de Janeiro de 2009. Era noite quando a uma equipa da Polícia de Segurança Pública da Amadora detetou um carro que, segundo a PSP, se encontrava furtado e por apreender. Entre os jovens se encontravam dentro do carro, estava Elson Sanches, Kuku. 14 anos, residente na Amadora, aluno numa escola na Reboleira. Seguiu-se uma perseguição policial no bairro de Santa Filomena, tendo Kuko, que fugia, sido apanhado. Minutos depois, era baleado pela polícia. A arma encontrava-se a menos de 20 centímetros da sua cabeça, confirmou uma análise forense (o primeiro relatório da polícia afirmava que se encontraria a 2 metros). Não há testemunhas. A acusação do Ministério Público levou o agente responsável pelo disparo a tribunal, a um julgamento que se arrastou quase 4 anos. Foi absolvido.MC SnakeNuno Manaças, rapper conhecido como MC Snake, conduzia o seu carro em Alcântara, Lisboa, na madrugada de 15 de Março de 2010, quando desobedeceu a uma ordem de paragem numa “operação stop” da PSP. Foi perseguido por uma carrinha policial, onde se encontravam o agente Nuno Moreira e outros quatro agentes da polícia. Depois de pararem a carrinha à frente do carro de MC Snake, na Radial de Benfica, dispararam três vezes. Nem uma delas para os pneus do carro. MC Snake, que não estava visivelmente armado, morreu devido aos ferimentos causados pela bala que lhe atravessou as costas. O Ministério Público acusou o agente responsável pelo disparo de homicídio qualificado, tendo sido condenado por homicídio por negligência grosseira. 20 anos, pena suspensa.MussoMusso Borges, 16 anos, morador no Bairro 6 de Maio, na Amadora, foi detido a 10 de Maio de 2013 na sequência de um alegado furto no interior de um supermercado.Foi colocado em liberdade no próprio dia. A 12 de Maio, Musso dá entrada no Hospital Amadora-Sintra, ficando internado por alguns dias queixando-se de dores de cabeça e de ter sido torturado pela polícia. Um mês mais tarde viria a morrer já internado no hospital, onde se tinha deslocado com as mesmas dores de que se queixava antes. A PSP abriu um inquérito ao caso mas ninguém foi responsabilizado.Estes são apenas três dos vários casos de violência policial que têm morto e torturado jovens negros em Portugal às mãos das forças de segurança portuguesas. Mamadou Ba, dirigente da associação SOS Racismo e nosso convidado de hoje fala-nos da “cultura de impunidade” que existe no país: “Nos últimos 15 anos, mais de dez jovens negros morreram nas mãos da polícia.”. Kuko, MC Snake, Musso, Toni, Teti são apenas alguns destes nomes.O Comité Anti-Tortura do Conselho da Europa lançou esta semana, a 27 de Fevereiro, um relatório revelador. Segundo o comité, Portugal é dos países da Europa Ocidental com o maior número de casos de violência policial. O comité acusa também Portugal de discriminação, dizendo que os riscos de abusos são maiores para afrodescendentes e estrangeiros. O que o relatório afirma não é novidade. Várias outras instituições e organizações de direitos humanos europeias e mundiais têm vindo a destacar práticas racistas e violência policial no país. O relatório anual da Amnistia Internacional, publicado a 22 de Fevereiro, dá como exemplo o caso de 18 agentes da PSP, da esquadra de Alfragide, Amadora, acusados de acusados pelo Ministério Público dos crimes de tortura, sequestro, injúria e ofensa à integridade física qualificada, agravados pelo ódio e discriminação racial contra seis jovens da Cova da Moura, também na Amadora. Violência policial, as lutas travadas sobre a memória, o mito do Portugal não racista, o racismo no acesso à habitação, a recolha de dados étnico-raciais e a Lei da Nacionalidade foram alguns dos temas sobre os quais conversámos na entrevista que lançamos hoje com Mamadou Ba e que podes ouvir aqui.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 2, 20181h 10m

Casa ocupada em Lisboa ou a utopia do direito à habitação (Reportagem)

15 de Setembro de 2017. Dezenas de pessoas entravam pela porta do número 69 da Rua Marques da Silva, em Arroios, Lisboa, que se encontrava devoluto e abandonado há mais de 2 anos, reivindicando-o para si e para quem o quisesse renovar. Lia-se no manifesto publicado nesse mesmo dia na página de Facebook da Assembleia de Ocupação de Lisboa (AOLX) que “nos últimos anos, o direito a habitar na cidade de Lisboa tem sido alvo de diversos ataques.”, e também que “a recomposição destrutiva dos modos de vida na cidade, agora reservada a quem consegue pagar mais caro, é ilustrada pelos sucessivos casos de despejo.”. A ocupação do número 69 era um ato político que tinha expressão na faixa que enfeitava a fachada do prédio: “A cidade é de quem a ocupa” . E os turistas passavam e olhavam e fotografavam a faixa. E sorriam.O prédio, pertencente à Câmara Municipal de Lisboa, tinha servido de habitação a várias famílias eventualmente realojadas noutras casas camarárias. Tanto o número 69 como o prédio vizinho, o número 67, tinham sido desocupados. Eram agora casa sem gente, quando há cada vez mais gente sem casa. Em 2016 e 2017, segundo o Ministério de Justiça, foram despejadas cerca de 5 famílias por dia em Portugal. As rendas em Lisboa aumentam entre 30% e 40% desde 2014. Os pobres são empurrados para fora da cidade e para fora das suas casas A cidade, essa, fica para quem a pode pagar.A AOLX avançava com obras de renovação do edifício e, durante cerca de 4 meses, o que outrora fora um prédio degradado por consequência do abandono - água entrava pelo telhado, criando infiltrações, as escadas principais do prédio estavam em más condições, a parede lateral da entrada estava podre - parecia agora pronto para alojar gente. E alojava. Duas pessoas vivam já no 69 da rua Marques da Silva.O sonho chegou ao fim e a ocupação terminou a 30 de Janeiro quando, sob ordens de Manuel Salgado, vereador do Planeamento, Urbanismo, Património e Obras Municipais de Lisboa, os ocupas foram despejadas e a porta de entrada emparedada com cimento e tijolo. Hoje, nada se lê na fachada do prédio - está abandonado em vez de ocupado.Esta é uma reportagem gravada na ocupa sobre o direito à habitação e à ocupação. O que vais ouvir são uma série de testemunhos de quem ocupou a casa, de quem a viveu e também de quem a visitou.Texto: Ricardo RibeiroEntrevistas: Ricardo Ribeiro e Catarina LealCaptação de som: Ricardo Ribeiro e Catarina LealEdição de som: Bernardo AfonsoMúsica: Ayton, um dos ocupas do nº69 da Rua Marques da SilvaJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 23, 201854 min

José Sócrates sobre os seus anos de governo (Entrevista)

José Sócrates foi Primeiro-Ministro cerca de 6 anos. Tomou posse em 2005 e saiu, demitindo-se a meio do segundo mandato, em 2011. Antes, ocupou os cargos de Secretário de Estado-Adjunto do Ministro do Ambiente e de Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território. É uma das figuras que mais influenciou as decisões políticas em Portugal nas últimas duas décadas, com consequências que moldam o presente.A presença de Sócrates na vida mediática nacional sempre foi constante. Seja como objeto de notícia, pelos cargos que ocupava, como comentador político na estação pública ou, mais recentemente, como "cabeça de cartaz" da Operação Marquês, em que é acusado pelo Ministério Público de 31 crimes, Sócrates nunca desapareceu.Ainda assim, desde que abandonou a governação, poucas vezes foi confrontado com as suas próprias decisões, de forma aprofundada, crítica. Quando um político ou uma política deixa de ser governante, o seu passado como representante deixa de ter interesse para a comunicação social. Interessa o presente. Interessam as ideias para o futuro. José Sócrates não é caso único. Pedro Passos Coelho, Rui Rio, Pedro Santana Lopes, Marques Mendes, Jorge Coelho, são apenas alguns dos nomes, poucas vezes confrontados com o fizeram nos Verões passados. Embora tenham exposição e espaço mediático, as suas decisões parecem confortavelmente esquecidas.No É Apenas Fumaça, acreditamos que o papel do jornalismo é escrutinar a Democracia: questionar as decisões tomadas, responsabilizar os representantes, dar voz aos representados. Para isso, é necessário contrariar o presentismo e remexer o passado, confrontando quem decidiu com as suas decisões - é a isto que se refere José Sócrates, quando batiza o nosso trabalho de “arqueologia política”.Esta entrevista é sobre os anos de Governo de José Sócrates. Sobre as suas decisões e as consequências. Escolhemos aprofundar 3 temas: Ambiente, falando sobre o Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH) e sobre a reforma das florestas, rejeitada e adiada até hoje; Economia e Finanças, escrutinando as consequentes mudanças aos programas apresentados pelo seu governo e a austeridade imposta já em 2009; Educação, abordando o sistema de avaliação de professores, numa altura em que se deram as maiores manifestações de professores em Portugal e a Parque Escolar, questionando sobre a derrapagem orçamental que se seguiu à sua apresentação. Falámos ainda sobre os múltiplos casos judiciais em que José Sócrates se tem visto envolvido nas últimas duas décadas e sobre a sua relação com os média, nomeadamente as pressões sobre o Jornal Nacional de sexta-feira na TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes.Podem ouvir e ver aqui esta entrevista exclusiva de José Sócrates ao É Apenas Fumaça, em parceria com BAGABAGA STUDIOS.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Bernardo Afonso, Frederico Raposo, Maria Almeida, Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoVídeo: Diogo Cardoso e Ricardo Lopes (BAGABAGA STUDIOS)Acreditamos que o papel da comunicação social é escrutinar a democracia: questionar as decisões tomadas, responsabilizar os representantes, dar voz aos representados. Se acreditas no mesmo e queres continuar a ouvir governantes a serem responsabilizados pelas suas decisões, contribui em http://apenasfumaca.pt/contribuir/Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 14, 20181h 54m

[Inglês] Falastine Dwikat sobre a prisão de Ahed Tamimi (Entrevista)

Em 1991, Israel assinou a convenção internacional sobre os direitos da criança da Organização das Nações Unidas. No seu artigo 37º pode ler-se “a captura, detenção ou prisão de uma criança devem ser conformes à lei, serão utilizadas unicamente como medida de último recurso e terão a duração mais breve possível”.Ahed Tamimi, uma criança palestiniana de 17 anos (tinha 16 quando foi detida), permanece presa desde a noite de 19 de Dezembro, quando soldados israelitas apareceram no seu quarto para a levar, depois de um vídeo que mostrava Ahed a dar uma bofetada a um soldado se ter tornado viral. O mês passado, um tribunal militar israelita decidiu mantê-la presa a aguardar julgamento sem data conhecida. Podem ser semanas, podem ser meses.Ahed está agora a ser julgada nos tribunais militares israelitas, tal como acontece a qualquer criança palestiniana que se encontre detida e ao contrário do que acontece a crianças israelitas. De acordo com a Defence for Children International, desde 2000, pelo menos 8000 crianças palestinianas foram presas e julgadas num tribunal militar israelita, não tendo variadíssimas vezes acesso a direitos básicos como o de poder estar com a família num claro desrespeito do direito internacional, e sofrendo, 3 em cada 4 crianças, de violência física durante a detenção, transferência ou interrogatório. O historial de desobediência a convenções das Nações Unidas por parte de Israel é já longo e, segundo Falastane Dwikat, ativista palestiniana com quem falamos hoje, “o sistema atual de apartheid israelita e o sistema de ocupação têm como objetivo esmagar os palestinianos e as palestinianas”. Incluindo crianças.Falastine falou-nos desde Ramallah, uma cidade palestiniana a 20 quilómetros de Nabi Saleh, a vila onde vive a família Tamimi, incluindo Ahed. Falastine tem sido uma das mais ativas pessoas na campanha #FreetheTamimis, estando presente nas variadíssimas ações de protesto não violentas contra a prisão da Ahed, Nariman (a mãe de Ahed) e outros membros da família Tamimi que tantas vezes foram presos.A prisão de Ahed, as acusações que enfrenta, a normalidade que é uma criança palestiniana ser detida indefinidamente e a ocupação israelita foram temas que abordámos nesta conversa.   [English] In 1991, Israel signed the United Nations International Convention on the Rights of the Child. Article 37 states that “the arrest, detention or imprisonment of a child shall be in accordance with the law, shall be used only as a measure of last resort and shall be of the shortest possible duration”. Ahed Tamimi, a 17-year-old Palestinian child (she was 16 when arrested), has been held since the night of December 19, when Israeli soldiers showed up at her room to take her away, after a video showing Ahed slapping a soldier went viral. Last month, an Israeli military court decided to hold her pending trial with no known date. It could be weeks, it could be months. Ahed is now being tried in Israeli military courts, as is the case with any Palestinian child in detention and unlike Israeli children. According to Defense for Children International, since 2000, at least 8,000 Palestinian children have been arrested and tried in an Israeli military court, often without access to basic rights such as being able to spend time with their families, in clear disregard for international law, and with 3 out of 4 children suffering physical violence during detention, transfer or interrogation. Israel has a long history of disobeying UN conventions and, according to Falastane Dwikat, a Palestinian activist we spoke to today, “the current Israeli apartheid system and the occupation system are aimed at crushing Palestinians”. Including children. Falastine spoke to us from Ramallah, a Palestinian town 20 kilometers from Nabi Saleh, the village where the Tamimi family lives, including Ahed. Falastine has been one of the most active people in the #FreetheTamimis campaign, taking part in the many non-violent protests against the imprisonment of Ahed, Nariman (Ahed's mother) and other members of the Tamimi family who have been arrested so many times. Ahed's arrest, the charges she faces, how normal it is for a Palestinian child to be detained indefinitely and the Israeli occupation were all topics we discussed in this conversation.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 7, 201822 min

Rita Silva sobre direitos dos animais e veganismo (Entrevista)

Fez cinco anos este mês que morreu Dinis Janeiro, 18 meses, vítima de graves lesões no crânio, após ter sido atacado pelo pit bull da família, Zico, em Beja. A trágica história não saiu das páginas dos jornais durante meses. Pediu-se a execução imediata do bicho. O país envolveu-se numa contenda entre quem defendia a morte do cão e quem exigia a sua reabilitação. Rita Silva, presidente da associação ANIMAL, deu a cara pelo canídeo. Depois de petições, programas de televisão, crónicas inflamadas e muitas reviravoltas nos tribunais conseguiu, para espanto de muitos, impedir que fosse abatido e ficar com a sua guarda. O animal foi reabilitado, passou a chamar-se Mandela. Os tribunais absolveram a família e nenhum adulto foi responsabilizado pelo que aconteceu à criança. Durante meses, acompanhei o “caso Zico” com atenção. Lembro-me de ir a Beja, falar com os avós do pequeno Dinis, visitar o local onde tudo aconteceu. Lembro-me de andar entre os Tribunais Judicial e Administrativo e Fiscal de Beja para poder consultar os vários processos. Lembro-me das explicações de Cláudia Estanislau, a treinadora que o reabilitou. Lembro-me da sessão fotográfica com o cão que a lei classifica como perigoso, mas que de tão amedrontado parecia inofensivo. De lá para cá, muito mudou. As redes sociais amplificam casos de abusos e maus tratos a animais instando as autoridades a agir. Nos últimos anos a Assembleia da República alterou várias leis, para que os animais de companhia deixassem de ser juridicamente iguais a coisas e quem lhes fizesse mal fosse punido. Com a entrada do PAN no Parlamento a causa ganhou uma visibilidade e força nunca antes vista. Os hábitos de comer e vestir têm mudado e o veganismo e o vegetarianismo são mais populares do que alguma vez foram. Contudo, a tourada está de pedra e cal e parece não haver vontade política de acabar com esta prática de tortura que muita gente entende como manifestação de cultura e tradição. Nos circos, continuam a usar-se animais como estrelas de cartaz. Conversámos com Rita Silva para nos explicar como têm evoluído os Direitos dos Animais em Portugal e de que forma as leis aprovadas recentemente são aplicadas. Será que deixaram mesmo de ser “coisas”? Que quem lhes fizer mal é realmente punido? Será que as entidades públicas - das Câmaras Municipais à Direção-Geral de Alimentação e Veterinária - aplicam, de facto, a lei? Talvez não seja bem assim…Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 24, 20181h 3m

José Pedro Monteiro e Miguel Bandeira Jerónimo sobre a "missão civilizadora" portuguesa (Entrevista)

Gorée, 13 de Abril de 2017. Marcelo Rebelo de Sousa visitava, no Senegal, este antigo entreposto de tráfico de escravos nas rotas atlânticas. Antes dele, o Papa João Paulo II e o ex-presidente brasileiro Lula da Silva tinham já pedido perdão pelo sofrimento causado. Em Portugal, algumas pessoas esperavam o mesmo do presidente português.Marcelo não pediu perdão. Pelo contrário, vangloriou o a adesão a "um ideal humanista" quando, em 1761, Portugal “aboliu a escravatura” pela mão de Marquês de Pombal. Mas terá sido "um ideal humanista” que levou Marquês de Pombal a fazê-lo? E será que, até, a escravatura foi realmente abolida nessa data?Cristina Nogueira da Silva, Professora na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, escreve poucos dias depois (link) que "Em 1761 o marquês de Pombal não aboliu a escravatura em lugar algum. O que fez, por meio de um alvará publicado nesse ano, foi proibir o transporte de escravos para o Reino de Portugal, declarando livres todos os que, a partir daquela data, aí desembarcassem.” e que "Com este alvará não se queria abolir a escravatura no Reino, mas sim canalizar o maior número possível de escravos para os territórios ultramarinos, onde eles eram centrais para o funcionamento da sociedade e da economia.”.A escravatura foi apenas abolida legalmente em 1875, mais de um século depois, mas esta deu lugar ao trabalho forçado e ao Regulamento do Trabalho do Indígena, que obrigava os “indígenas” das ex-colónias a trabalhar - sob pena de lhes ser “imposto o cumprimento” - e que continuou inscrito na lei até 1962, há pouco mais de 50 anos. O trabalho era civilizador, era a ideologia por detrás de tais leis.É sobre essa “missão civilizadora”, sobre a forma como se materializava no trabalho forçado, no sistema de educação, e sobre como faz parte da narração da história colonial portuguesa, que falamos hoje. Como convidados, temos hoje José Pedro Monteiro e Miguel Bandeira Jerónimo, ambos investigadores e historiadores no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e autores de vários livros, a solo e em conjunto, sobre colonialismos, imperialismos.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Pedro Santos e Ricardo RibeiroCaptação de som: Bernardo AfonsoEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 19, 20181h 24m

Paula Simões sobre neutralidade da internet, direitos digitais e direitos de autor (Entrevista)

Pode parecer - é pelo menos essa a ideia que a cobertura mediática tem feito passar -, mas o fim da neutralidade da internet não é a única ameaça à liberdade que o meio digital proporciona a milhares de milhões de cidadãos. Se o comprometimento com a neutralidade da internet estremece nos Estados Unidos da América, na União Europeia é a fiscalização dos direitos de autor e dos direitos conexos a ameaçar a Web como a conhecemos.No dia 14 de Dezembro, a maioria republicana na FCC, entidade que regula as comunicações nos Estados Unidos da América, votou para acabar com regras que até então asseguravam a neutralidade da internet. Fica a ideia de que os grandes fornecedores de serviços de internet daquele país, como a Verizon ou a Comcast, passam a poder, com o rasgar da neutralidade da rede, acelerar, abrandar ou até bloquear determinados sites, aplicações ou conteúdos. Passa a existir uma internet que opera a várias velocidades, discrimina conteúdo e limita a liberdade das pessoas no espaço digital.A neutralidade da internet não é, contudo, o único perigo que paira sobre a liberdade de movimentos e a livre disseminação de informação e conteúdos numa rede que fora - e talvez ainda o seja - livre, neutra e sem uma regulação que estrangula. Bem no seio da União Europeia, discute-se uma proposta de diretiva que tem escapado ao escrutínio dos meios de comunicação, mas representa um potencial de alteração profundo de um contexto atual caracterizado pela partilha profusa de conteúdos protegidos por direitos de autor.Utilizar excertos de artigos, partilhar links, músicas ou visitar sites e aplicações com notícias de várias fontes. Estas são ações dos nossos dias, sem as quais já não passamos. Mas a sua continuidade pode ter os dias contados.Que diretiva é, afinal, esta? Vamos deixar de poder partilhar links? E, para começar, o que é o direito de autor? É possível proteger este direito sem colocar entraves à livre partilha de conteúdos? E a neutralidade da internet, o que é? Que perigos representa a decisão da FCC?O facto de alguns tarifários de operadoras móveis em Portugal oferecerem tráfego gratuito na utilização de um número restrito de aplicações tem conquistado tração em meios de comunicação internacionais. Isto é uma violação dos princípios da neutralidade da rede? O que é o zero rating? Esta semana falamos com a Paula Simões, presidente da associação Ensino Livre e investigadora na Universidade de Coimbra. A Paula é uma voz ativa nas questões dos direitos digitais, livre acesso e domínio público e foi com ela que procurámos perceber as alterações que a nossa vida digital pode vir a sofrer.Texto: Frederico RaposoPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Maria Almeida, Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraCaptação de som: Bernardo AfonsoEdição de som: Bernardo AfonsoFotografia: Glenn Carstens-PetersJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 20, 201759 min

Quem manda nesta democracia? (Reportagem)

O É Apenas Fumaça esteve, no passado 7 de Dezembro, na conversa “Quem manda nesta democracia?”, organizada pelo Corporate Europe Observatory (CEO), pelo Climáximo e pela plataforma Não aos Tratados TTIP / CETA / TISA.Numa sala com pouco mais de uma dezena de pessoas, falaram Lora Verheeke e Margarida Silva, ambas do CEO, expondo a maneira como a União Europeia (UE) funciona desde Bruxelas. Conversou-se sobre a maneira como o TTIP e CETA estão a ser negociados, a influência das grandes empresas e organizações de lobby na produção de legislação na UE, a falta de transparência dentro das instituições europeias e as portas giratórias que representantes das instituições europeias cruzam entre os cargos públicos e as grande empresas privadas.Ouve aqui o episódio de hoje, em que conversamos com a Lora, a Margarida e também com o João Vasco.Texto: Ricardo RibeiroEntrevistas: Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraPreparação: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Tomás PereiraCaptação de som: Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 18, 201721 min

Gustavo Sampaio sobre corrupção e portas giratórias (Entrevista)

Entre 1999 e 2001, 4 Parcerias Público-Privadas para a construção de autoestradas foram assinadas com a Ascendi, que na altura pertencia ao Grupo Mota-Engil: as autoestradas do Norte, Costa de Prata e Beiras Litoral e Alta. Jorge Coelho era então Ministro de Estado e do Equipamento Social. Luís Parreirão era Secretário de Estado Adjunto e das Obras Públicas. Os dois tutelavam a pasta das Obras Públicas. Os 2 assinaram estes acordos.Não foi preciso esperar muito para que, 1 ano depois, em 2002, Luís Parreirão, já fora do governo, aceitasse um convite para ser administrador de várias empresas do Grupo Mota-Engil, incluindo a própria Ascendi. Em 2008, foi a vez de Jorge Coelho. Coube-lhe assumir a presidência executiva da Mota-Engil. Os casos de Jorge Coelho e de Luís Parreirão não são únicos nos Ministérios que tutelaram as Obras Públicas ao longo das últimas décadas. Dezenas de governantes juntaram-se a empresas como a Mota Engil (e outras) depois cumprirem as suas funções governamentais. Luís Valente de Oliveira era Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação em 2002, quando foi assinada mais uma PPP para a concessão de outra autoestrada com a mesma Ascendi. Um ano mais tarde, em 2003, foi para o Conselho de Administração da Mota-Engil. Joaquim Ferreira do Amaral era Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações à data em que se negociava com a Lusoponte a concessão da Ponte Vasco da Gama, 1995. Em 2008 foi nomeado para o Conselho de Administração da mesma empresa.O benefício direto a que governantes têm acesso, ao assinarem contratos, parcerias, e legislarem sobre assuntos que diretamente convêm às empresas para as quais trabalharão mais tarde mostra a promiscuidade entre o poder político e as empresas privadas. Empresas como a EDP, a Caixa Geral de Depósitos, a Mota Engil, a Lusoponte, o Grupo José de Mello, a Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, a Cuatrecasas, entre outras, recrutam dezenas e dezenas de políticos que cruzam portas giratórias entre o privado e o público. Tudo legal, dizem. E tudo às claras.Gustavo Sampaio, jornalista com quem falamos no episódio desta semana, chama-lhe o “capitalismo de compadrio”. O Gustavo trabalha na redação do Jornal Económico e tem vindo a investigar, desde há muito, a corrupção, as portas giratórias e a influência das grandes empresas privadas e das sociedades de advogados nas decisões políticas e nos governantes, tendo já escrito 3 livros - “Os Privilegiados”, “Os Facilitadores” e “Porque Falha Portugal?”.Uns dias depois da comemoração do Dia Internacional contra a Corrupção, celebrado a 9 de Dezembro, conversamos sobre casos concretos: qual a influência da Mota Engil na política portuguesa? O que tem a EDP a ver com a decisão de avançar com o Plano Nacional de Barragens? Está o governo “amarrado” à EDP? Porque tantos Ministros e Ministras da Saúde vêm de seguradoras privadas e de empresas de saúde privadas?Texto: Ricardo RibeiroEntrevista: Ricardo Ribeiro Preparação: Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 13, 20171h 1m

Ziyaad Yousef sobre Jerusalém e a decisão de Trump (Entrevista)

“Quando iniciei funções, prometi olhar para os desafios mundiais de olhos abertos e com um novo pensamento.” Estas foram as primeiras palavras de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos da América (EUA), ao iniciar o discurso da passada quarta-feira, 6 de Dezembro, na Casa Branca. Atrás de si estava Mike Pence, vice presidente, que ouviu, como ouviram milhões de outras pessoas, o reconhecimento oficial de Jerusalém como capital de Israel e a indicação da mudança da embaixada dos Estados Unidos da América desde Tel Aviv para Jerusalém.A deslocalização da embaixada, a concretizar-se, fará dos Estados Unidos o primeiro país do mundo a ter a sua embaixada em Jerusalém, havendo 85 outrasnações, neste momento, como embaixada em Tel Aviv.Ziyaad Yousef, membro do membro do Comité de Solidariedade com a Palestina e ativista no movimento BDS - Boicote, Desinvestimento e Sanções, alerta, no entanto, que “a política nos Estados Unidos não mudou”. Barack Obama, ex-presidente dos EUA disse, em 2008, enquanto candidato às presidenciais que viria a ganhar: “Jerusalém vai manter-se a capital de Israel e deve manter-se indivisível”. A declaração foi feita durante um discurso numa conferência do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee), um dos mais poderosos grupos de lobby americano. Na mesma conferência, anos antes, tinham já George W. Bush e Bill Clinton defendido a mudança de cidade da embaixada para Jerusalém. A pensamento não é novo.Jerusalém está ocupada por Israel desde 1967, depois do seu exército militar ter tomado controlo da cidade. Desde então, dezenas de resoluções das Nações Unidas têm vindo a pedir aos sucessivos governos israelitas o fim da ocupação da parte oriental de cidade.Ziyaad falou-nos de como o discurso de Trump é a continuação da política dos Estados Unidos em relação a Israel e Palestina e de como "Trump está a abrir a porta para a ocupação perpétua”. Falámos também sobre como os feridos e mortos diários na Palestina sempre existem, há décadas, e não são apenas uma consequência desta decisão, e de como a PLA (Palestinian, Liberation Authority) é controlada por Israel e pela União Europeia, não representando o povo palestiniano.Texto: Ricardo RibeiroEntrevista e preparação: Ricardo RibeiroCaptação de som: Ricardo RibeiroEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 12, 201719 min

André Amálio sobre descolonização (Entrevista)

André Amálio recebeu-nos na sua casa, em Lisboa, e foi aí mesmo que nos contou como uma aluna de doutoramento na Universidade de Coimbra foi impedida pelos seus próprios orientadores de investigar massacres levados a cabo pelo regime português durante o colonialismo. E fez questão de vincar que isto aconteceu agora. Não é coisa de há décadas atrás. A aluna, censurada, viu-se forçada a desistir da sua investigação. O colonialismo ainda é tabu.Estava habituado a olhar para toda *“aquela história grandiosa dos nossos heróis”*. A verdade, conta André, é que precisou de *“ir para o estrangeiro para olhar para o passado colonial português de uma outra forma”*. Hoje, o Padrão dos Descobrimentos dá-lhe *“umas voltas ao estômago tremendas”*. E *“está tudo dito ali, naquele monumento”*.Será que a nossa sociedade obedece, ainda, a uma lógica colonial? Hoje, em pleno século XXI? Por que é que continua a evitar-se este debate, a todo o custo?Parecemos insistir, colectivamente, numa visão romântica do colonialismo português. Na escola, ainda somos desviados de uma realidade violenta para sermos doutrinados com a ideia de que fomos bons colonizadores, de que promovíamos uma presença civilizadora, integradora e mestiça. Orgulhamo-nos de termos sido o primeiro país a acabar com a escravatura. Afinal, é isso que nos é ensinado, mas a escravatura continuava, escancarada, fora do território europeu. E mesmo quando Portugal, sob pressão internacional, se viu obrigado a terminar com esta prática, não tardou em substituí-la pela lei do trabalho forçado, que perdurou até 1961.Durante o colonialismo, o racismo era institucional, estava presente na legislação e era visível nas fronteiras das urbes coloniais: o centro urbano, organizado e europeizado, para os brancos; os musseques, em redor, para os negros. E os bares, só para brancos e assimilados. E, depois, as cabeças espetadas em paus, os bombardeamentos de napalm, os fuzilamentos, as decapitações: os crimes de guerra. Devíamos pagar por eles? Devemos um pedido de desculpas?Em 1965, durante as lutas de libertação nacional, Salazar contava aos portugueses que a guerra era motivada por movimentos subversivos de terroristas estrangeiros, não era a “explosão do sentimento de povos” que procuravam a sua independência. Seria desonesto abordar a descolonização sem a relacionar com o fim da ditadura em Portugal. Em 1971, era Amílcar Cabral quem mencionava uma “ligação íntima” entre as lutas de libertação “e a luta antifascista em Portugal”. Estava convencido de que os movimentos de libertação africanos seriam uma peça essencial para a libertação que chegou com o 25 de Abril.André, ator e encenador, fundador da companhia Hotel Europa e co-criador de uma trilogia de teatro documental sobre o fim do colonialismo, sente que chega de “viver com um conto de fadas”. Quer lançar uma discussão urgente e abrangente, capaz de formar uma consciência coletiva que obedeça à verdade dos factos, que não coloque uma venda nos olhos perante aquilo que foi colonialismo português. Se “temos tanta facilidade em apontar o dedo aos outros”, “por que é que não olhamos também para nós e apontamos o dedo a nós, àquilo que nós fizemos?”Até já,Frederico RaposoTexto: Frederico RaposoPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação de som: Bernardo AfonsoEdição de som: Bernardo AfonsoA partir de hoje já podes contribuir regularmente para o É Apenas Fumaça. Se acreditas que devemos continuar a dar voz a quem não tem e a fazer jornalismo sobre direitos humanos e sociais, ajuda-nos. Contribui aqui: https://www.patreon.com/apenasfumacaJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 6, 20171h 3m

Miguel Carvalho sobre a rede terrorista de extrema direita no pós-25 de Abril (Entrevista)

Sábado passado assinalaram-se 42 anos sobre o 25 de novembro de 1975.Nos livros da escola, nas conversas de café, nas retóricas dos partidos do centrão, a data é apresentada como o dia em que se travou o vírus comunista em Portugal. O país dera, então, os passos decisivos a caminho da Liberdade. Chegara o tempo da “normalização democrática”, contam-nos. E se não tiver sido assim?Sabemos que as tensões vividas desde a queda formal do Estado Novo e durante todo o Processo Revolucionário em Curso (PREC) se acumularam de tal forma no Verão Quente de 1975 que há poucas dúvidas de que o país estivesse próximo de uma Guerra Civil.Nos quartéis, os militares estavam divididos. Liderando o país, os atores que tinham feito o 25 de abril e criado o Movimento das Forças Armadas não se entendiam. Cada partido político queria um Portugal diferente. Bebendo avidamente da Liberdade, as gentes permitiam-se fazer tudo o que antes só sonhavam: greves, plenários, ocupar terras, fábricas, casas.Mas as décadas de ditadura fascista, da PIDE, do medo e do respeitinho tinham pouco de passado. Pelo sim, pelo não, as armas foram sendo distribuídas livremente ao Povo, não fosse dar-se o caso de ser necessário contar espingardas. Entre os que defendiam o Socialismo Revolucionário, os que se apresentavam como moderados e os envergonhadamente saudosistas do Antigo Regime, parecem ter perdido os primeiros.Mas e se a História for menos óbvia e com mais contradições? E se o 25 de novembro de 1975 não tiver significado a pacificação de coisa nenhuma?Miguel Carvalho, grande repórter na revista VISÃO, escreveu 560 páginas que defendem esta tese. “Quando Portugal Ardeu. Histórias e segredos da violência política no pós-25 de Abril” (Oficina do Livro, 2017) fala-nos da rede terrorista de extrema direita que matou, espancou, pôs bombas e incendiou sedes de partidos de esquerda em Portugal nos primeiros anos de Democracia.Para o portuense nascido a 25 de novembro, mas de 1970, a história foi outra. “É estranho que a memória, neste país, demore tanto tempo a fazer. (…) Continuamos a ouvir a narrativa do costume: o 25 de novembro de 75 travou a ditadura comunista; o PS nunca foi financiado pela CIA; os americanos é que nos ajudaram a conquistar a Liberdade e a Democracia”.E as conclusões também. “Aquilo que Portugal viveu nessa época foi o risco de resvalar novamente para uma ditadura de extrema-Direita. Partilho desta convicção. Deixei margem para que a investigação dissesse o contrário. Não disse. Reforçou-a. (…) A convicção com que fico depois deste livro, que reforcei com as entrevistas que fiz, é que o Dr. Mário Soares se valeu de tudo, de tudo, para pôr o PS como a cabeça deste regime e atribuir ao PCP aquilo de que o PCP, em grande parte, não é responsável.”Até já,Pedro SantosTexto: Pedro SantosEntrevista: Pedro Santos e Ricardo RibeiroPreparação: Maria Almeida, Pedro Santos, Ricardo Ribeiro e Tomás PereiraCaptação de som: Pedro ZuzarteEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 29, 20171h 0m

Sílvia Ouakinin e Patrícia Câmara sobre saúde mental (Entrevista)

Todos vamos aos vários médicos do corpo, mas muitos poucos de nós fazem “check-ups” à mente. Há um estigma em falar de saúde mental, porque ter debilidades a nível psicológico é visto muitas vezes como um sinal de fraqueza do indivíduo. No entanto, é comum termos desordens na nossa mente.Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2013 mais de uma em quatro pessoas na Europa sofreram de algum tipo de desordem mental. O mercado de trabalho é apontado por muitos especialistas como um factor stressante, e que leva muitas vezes a um estado de “burnout”.Eventos mundiais como a crise de 2008 tiveram impacto, de várias formas diferentes, na saúde mental dos Portugueses, que dificilmente encontram resposta no para os seus problemas no Serviço Nacional de Saúde, e na aplicação prática do Programa Nacional para a Saúde Mental, descrito como um programa prioritário em teoria, mas com cada vez menos meios para ser aplicado.Mas, será que isto é tudo assim? Estigmatizamos de facto a Saúde Mental? Quando alguém sofre de alguma debilidade mental, a culpa é mesmo sua? O que é estar em “burnout”? A crise pôs-nos doentes da cabeça? Andamos todos malucos de há uns tempos para cá?Para nos ajudar a perceber os vários pontos deste tema tão pouco abordado, falámos com a Sílvia Ouakinin e a Patrícia Câmara, ambas dirigentes da Associação Portuguesa de Psicossomática. A Sílvia é médica psiquiatra nos hospitais de Santa Maria e na CUF Infante Santo, doutorada em Psiquiatria e Saúde Mental; a Patrícia psicóloga clínica, psicanalista e autora do livro “Depressão na Infância e Relações Objectais”.Sei o que estão a pensar: *“Psicossomática? Psiquiatria? Psicanálise? Psicologia? Tantos palavrões. Isto não é tudo a mesma coisa?”*. Se quiserem a resposta, nada como ouvir o episódio desta semana.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 22, 201751 min

Jéssica Lopes sobre os protestos de imigrantes em Portugal (Entrevista)

O último mês e meio trouxe mudanças significativas para a luta por “Documentos para todos” que o movimento de imigrantes em Portugal tem vindo a travar com as autoridades que regulam a imigração em Portugal.A agora ex-diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Luísa Maia Gonçalves, demitiu-se no início de Outubro depois de lhe retirada a confiança política por parte da Ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa. Quatro dias depois, demitiram-se também os dois Diretores Adjuntos do SEF, Joaquim Pedro Oliveira e António Carlos Patrício. Não foi preciso esperar mais do que duas semanas para que seguisse a eles a própria Ministra da Administração Interna, abalada pelo trágico verão de combate a incêndios.O novo Ministro da Administração Interna escolhido para o cargo, Eduardo Cabrita disse, ainda este ano, na conferência “Migração Global, Responsabilidade Global”, que quanto ao tema da imigração, Portugal está "do bom lado da História". Diz também que somos dos países que melhor recebe imigrantes. A Jéssica Lopes discorda: “quando ouvimos esse tipo de comentários parece-nos simplesmente que essas pessoas ou não conhecem a realidade dos imigrantes ou então é mesmo uma estratégia e uma comunicação propositada”.Os últimos protestos de imigrantes parecem, também, mostrar uma realidade bastante diferente da que o novo Ministro descreve. No mês passado, o É Apenas Fumaça cobriu um protesto de dezenas de imigrantes à porta do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, em Lisboa, contra a demora na entrega dos títulos de autorização de residência - alguns esperavam há mais de 2 anos.Conversámos com a Jéssica Lopes, aquando da nossa viagem à Zambujeira do Mar para o ImigrArte Itinerante sobre o processo por que passam imigrantes quando chegam a Portugal e sobre as mudanças e protestos que têm ocorrido nos últimos meses.Até já,Ricardo Ribeiro.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação de som: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo RibeiroEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 20, 201714 min

ImigrArte Itinerante na Zambujeira do Mar (Reportagem)

No passado domingo, dia 12 de Novembro, a equipa do É Apenas Fumaça saiu à rua, viajando de autocarro com várias dezenas de imigrantes e ativistas desde a Rua da Madalena, na Baixa de Lisboa, até à Zambujeira do Mar, em Odemira, no Alentejo, para dar voz ao ImigrArte Itinerante.A freguesia onde dezenas de milhares de pessoas passam todos os anos uma semana do seu Verão durante o festival MEO Sudoeste, é casa para centenas de imigrantes vindos dos mais variados países, e que dia sim dia sim, apanham as frutas e os legumes que enchem os supermercados do país, da capital e não só.Estes imigrantes, que são o coração e o pulmão da apanha de laranja, maçã, e morango e framboesas, quando é a época, são também deixados à espera meses e meses, anos e anos, para regularizarem a sua situação. “Espera” é uma palavra que todos e todas sabem, mesmo para os e as que ainda nem arranham o português. É a palavra que ouvem variadíssimas vezes enquanto tentam navegar através do processo que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras tem vindo a complicar ao longo do tempo.O ImigrArte Itinerante foi organizado pela Solidariedade Imigrantes e pela Associação de Nepaleses Residentes em Portugal, e contou com workshops, discussões, uma peça de Teatro e momentos musicais. Conversámos com imigrantes que ainda hoje esperam por documentos - alguns há mais de 2 anos - e também com ativistas que, do seu lado, fazem a luta. Pediu-se documentos para todos e uma Europa sem fronteiras, de igualdade, liberdade e fraternidade.Ouve aqui mais um Na Rua.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação de som: Frederico Raposo, Maria Almeida e Ricardo RibeiroEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 20, 201737 min

Adrià Alsina Leal sobre a independência da Catalunha (Entrevista)

No dia 1 de Outubro, há pouco mais de um mês atrás, mais de 2 milhões dos cerca de 5,4 milhões de catalães e catalãs foram às urnas votar a independência da Catalunha. As imagens da guarda civil e polícia espanholas a arrastar e carregar quem pacificamente tentava fazer valer o seu voto correram o mundo. O número de feridos multiplicou-se durante o dia chegando a mais de 800 até ao cair da noite. Quando tudo parecia mais calmo, ao final do dia, Mariano Rajoy, Primeiro-Ministro espanhol, dizia num comunicado ao país: “Fizemos o que tínhamos de fazer e cumprimos a nossa obrigação, atuando dentro da lei e sempre dentro da lei”. Nas semanas anteriores ao referendo de dia 1 de Outubro, a repressão do Governo e das autoridades espanholas fazia-se já sentir na Catalunha. Adrià Alsina Leal, o nosso convidado de hoje, conta que se montou “uma grande operação da polícia espanhola e dos serviços de inteligência com várias centenas de agentes em Barcelona a procurar as urnas, a procurar os papéis de voto, a procurar e investigar qualquer pessoa que pudesse estar ligada à organização do referendo.”O Adrià é uma dessas pessoas. Catalão e português, é jornalista, politólogo, e professor de jornalismo e comunicação na Universidade de Vic. É também chefe de comunicação da Assembleia Nacional Catalã (ANC), uma organização a favor da independência que foi reprimida durante este processo, tendo sido o seu líder, Jórdi Sànchez, preso preventivamente no dia 16 de Outubro.Um mês após o referendo, no dia 2 de Novembro, foram presos preventivamente e incondicionalmente - sem possibilidade de pagarem uma caução para sair da prisão - 8 membros do governo catalão. 7 dias depois, a 9 de Novembro, mais 6 membros da mesa do parlamento catalão, incluindo a presidente do parlamento, Carme Forcadell, foram ouvidos pela justiça espanhola em Madrid. 4 deles saíram em liberdade obrigados a pagar uma multa de 25,000€. Carme Forcadell foi obrigada a passar a noite na prisão até pagar uma caução de 150,000€ no dia seguinte. O restante não teve qualquer medida de coação.O Governo espanhol acionou o artigo 155º da Constituição espanhola, nunca antes usado, e despediu o governo catalão, marcando eleições antecipadas para o dia 21 de Dezembro.Mas qual é a relevância de marcar eleições antecipadas enquanto 8 membros do governo que estava em funções estão na prisão? Esta foi uma das perguntas que fizemos. Conversámos também sobre como foi votar no dia 1 de Outubro, sobre as razões porque catalãs e catalães querem a independência e sobre o que pode acontecer daqui para a frente.Até já,Ricardo Ribeiro.Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação de som: Maria Almeida e Ricardo RibeiroEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 15, 201757 min

Manuel Loff sobre a independência da Catalunha (Entrevista)

A 18 de Junho de 2006 foi aprovado em referendo pelos Catalães e Catalãs o novo Estatuto de Autonomia da Catalunha. Este novo estatuto, que vinha substituir o de 1979 aprovado com o fim da ditadura de Franco, dizia, no seu preâmbulo, que a Catalunha era uma “nação”. O novo documento, aprovado também pelo Congresso dos Deputados e Senado Espanhol, dava mais poderes administrativos e fiscais à Catalunha e equiparava a língua catalã à castelhana. No entanto, apesar deste estatuto ter entrado em vigor a 9 de Agosto de 2006, foram várias as acusações de inconstitucionalidade. O Partido Popular, do agora primeiro ministro espanhol Mariano Rajoy, foi o que mais se fez ouvir, denunciando 187 artigos. Foi então que em 2010, o Tribunal Constitucional decidiu retirar do documento 14 artigos e alterar 27, incluindo a parte do preâmbulo que se referia à Catalunha como uma “nação”. Com a crise económica e financeira fortemente sentida em Espanha, seguida das políticas de austeridade do governo espanhol, e um estatuto de autonomia em grande parte alterado, não tardou até que o povo Catalão saísse às ruas nos anos seguintes. Como disse Manuel Loff, o nosso convidado do episódio de hoje, entre 1977-81 e 2012, “apesar das tensões, os catalães pareciam ter encontrado o seu lugar em Espanha.” Mas a 27 de Outubro deste ano, a Catalunha, através do seu parlamento, escolheu perder esse lugar em Espanha e declarou a independência. Como é que chegámos aqui? Como é que o movimento independentista cresceu tanto? Quem faz parte deste movimento? Os Catalães devem ou não escolher se querem fazer parte de Espanha? E como tem sido a resposta do governo espanhol? Hoje conversamos com Manuel Loff, historiador, professor na Universidade do Porto e investigador no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, sobre a Catalunha. Falámos não só do que tem acontecido nos últimos meses mas também da história daquela que é uma das regiões mais economicamente poderosas de Espanha. Quisemos perceber o porquê deste movimento independentista, falar sobre o que conduziu a Espanha e a Catalunha até este momento, e analisar a resposta do governo de Mariano Rajoy.Ouve aqui o novo episódio.Até já,MariaTexto: Maria AlmeidaPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 8, 20171h 0m

Fernando Rosas sobre os 48 anos da ditadura portuguesa (Entrevista)

“Que o estado seja tão forte que não necessite ser violento” lia-se num panfleto de propaganda do Estado Novo. Era este o lema de Salazar. Matar era uma falha do sistema. O que se queria, antes, era que o povo não pensasse na política, não se manifestasse, não falasse, não saísse à rua, não reagisse.O Estado Novo, ao contrário de outras ditaduras, não matou centenas de milhares de pessoas. Mas nem por isso foi menos violento, defende Fernando Rosas, o nosso convidado de hoje. Segundo o historiador, havia uma “violência invisível” e preventiva que era exercida no quotidiano dos Portugueses e que era mais eficaz do que qualquer outra. E foi essa violência, esse “coeficiente óptimo do terror”, como definiu o sociólogo Hermínio Martins, uma das razões para que o regime durasse tanto tempo e para que hoje ainda se sintam marcas da ditadura. A ditadura portuguesa foi a mais longa ditadura da história moderna da Europa Ocidental. No total, o regime de Óscar Carmona, António de Oliveira Salazar e Marcello Caetano durou 48 anos - meio século de medo, silêncio e repressão. Mas, porquê? Como conseguiu o Estado Novo durar tanto tempo? Porque não caiu mais cedo?A verdade é que a ditadura portuguesa foi ultrapassando ao longo dos 48 anos todas as crises que poderiam pôr em causa a sua autoridade. Sobreviveu à Greve Geral Revolucionária de 1934, às greves operárias dos anos 40, sobreviveu aos protestos anti-fascistas no fim da 2ª Guerra Mundial, à eleição de 1958 e ao “terramoto político” que foi Humberto Delgado, à "onda de anarquia (que) tinha invadido a Universidade de Coimbra” em 1969, como descreve José Hermano Saraiva, na altura ministro da educação do regime, e ao golpe de Beja em 1961, mesmo quando todos já tinham percebido que “o Estado Novo tinha praticamente acabado” como recordou Mário Soares em 2011 numa entrevista à agência Lusa..No episódio de hoje, conversamos com Fernando Rosas, historiador, professor catedrático jubilado na FCSH e investigador no Instituto de História Contemporânea, sobre o Estado Novo e o porquê de ter durado tanto tempo. Falámos sobre como Salazar controlava as Forças Armadas; como era para si importante o apoio da Igreja Católica; como o regime de corporativismo enfraquecia o poder dos trabalhadores; sobre como operavam as violências do regime: a preventiva e a repressiva; e sobre que marcas deixa ainda o Estado Novo no povo Português.Ouve aqui a nossa conversa.Até já,RicardoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 2, 201747 min

Gonçalo Marcelo sobre o rendimento básico incondicional (Entrevista)

Suíça, 5 de Junho de 2016. O Rendimento Básico Incondicional vai a votos, num referendo feito à população Suíça e é esmagado com 77% de votos contra. Não era desta que o RBI chegava à Suíça, embora a discussão do mesmo estivesse presente nos meios académicos deste país desde a década de 80 do século passado.Mas a ideia de uma renda básica é ainda mais antiga. Nomes como Thomas Moore, Virginia Woolf ou Milton Friedman abordaram o assunto algures nas suas vidas, dando-lhe diferentes formas e feitios.Quisemos saber mais sobre como é pensado o conceito de um Rendimento Básico Incondicional nos dias que correm, sobretudo na realidade Portuguesa e Europeia. Falámos com o Gonçalo Marcelo, Investigador no Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra, professor na Católica Porto Business School e dirigente da Associação pelo Rendimento Básico Incondicional em Portugal.Será que o ser humano tem direito a ter as suas necessidades básicas asseguradas, sem ter de trabalhar para isso? Conseguimos passar a ter direito à preguiça? Como é que combatemos a precariedade e damos o poder a todas e a todos de dizer “não”, ou de dizer “sim”, a um trabalho? O RBI é a resposta para todas estas perguntas?Da nossa parte prometemos continuar a fazer Fumaça Incondicional.Oiçam aqui mais uma,Até já,Pedro Santos e Tomás PereiraJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 26, 201753 min

Imigrantes em protesto dormem à porta do SEF (Reportagem)

Cerca de 20 imigrantes passaram a noite à porta do SEF em protesto contra a demora destes serviços em atribuir os títulos de autorização de residência.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 26, 20176 min

Petição por outra lei da nacionalidade (Reportagem)

Foi entregue na Assembleia da República uma petição por outra lei da nacionalidade com 8 mil assinaturas. Estivemos lá e falámos com quem nasceu cá mas não é Português. Ouve aqui mais um Na Rua.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 24, 201717 min

Anabela Rodrigues sobre os estrangeiros que nasceram em Portugal (Entrevista)

Reginaldo, mais conhecido por Pêra, nasceu em 1986 na Maternidade Magalhães Coutinho em Lisboa. É cenógrafo e curinga do Grupo de Teatro Fórum da Cova da Moura e do Zambujal, um dos grupos comunitários do Grupo do Teatro do Oprimido.Até hoje, apesar de ter nascido em Portugal e de sempre ter vivido cá, não é Português. Tem a nacionalidade dos pais e por isso tem de renovar regularmente a sua autorização de residência temporária no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Vive como um imigrante no país que o viu nascer e crescer.Como Reginaldo, existem muitas outras pessoas, filhas de imigrantes que nasceram em Portugal depois de 1981. Nesse ano, a lei foi alterada e passou a privilegiar o critério jus sanguinis em vez do jus soli, querendo isto dizer que filhos de Portugueses são Portugueses e que filhos de imigrantes nascidos cá não o são automaticamente. Estas pessoas adquirem por isso a nacionalidade dos pais, países onde muitas delas nunca estiveram.Em 2006, a lei foi novamente alterada, passando a dar a nacionalidade a filhos ou filhas de estrangeiros que nasçam em Portugal e concluam o 1º ciclo em Portugal. No entanto, esta lei não teve efeitos retroativos, e aqueles que nasceram entre 1981 e 2006 continuam embrulhados em burocracias para terem a nacionalidade Portuguesa. Para protestar contra esta lei, um conjunto de associações lançou em Janeiro deste ano uma campanha chamada “Por outra Lei da Nacionalidade”. Organizaram-se vários eventos e debates sobre o tema, e recolheram-se milhares de assinaturas numa petição a ser entregue na Assembleia da República. Uma das pessoas que esteve envolvida nesta campanha é a Anabela Rodrigues, vice-presidente do Grupo de Teatro do Oprimido em Lisboa, com quem hoje conversamos. Falámos sobre a lei da nacionalidade e de como pessoas que nascem em Portugal vivem como imigrantes. Perguntámos se esta lei é ou não racista, conversámos sobre a petição que reuniu mais de 40 associações, e sobre as consequências da mudança agora proposta. Amanhã, dia 19 de Outubro, o Reginaldo e muitas outras pessoas vão entregar a petição "Por outra Lei da Nacionalidade" na Assembleia da República. Ouve aqui o novo episódio.Obrigada e até já,Texto: Maria AlmeidaPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 18, 201741 min

Manifestação "Contra a Poluição do Rio Tejo" (Reportagem)

O Tejo precisa de água. António Constantino, residente em Vila Nova da Barquinha, conta que o castelo de Almourol já foi “uma ilha” e “neste momento é simplesmente uma península”. O seu filho, Paulo Constantino, outro rosto destacado na luta contra a poluição do rio mais extenso da Península Ibérica, ilustra a situação: ”as roupas das crianças que mergulham nas águas do rio entram brancas e saem amarelas”.A 3ª Manifestação Contra a Poluição do Rio Tejo e Seus Afluentes, organizada pelo ProTejo – Movimento pelo Tejo, desfilou, este sábado, dia 14 de outubro de 2017, do Cais do Sodré ao Terreiro do Paço, tendo juntado cerca de 300 pessoas.O É Apenas Fumaça esteve Na Rua para esclarecer o que se passa com o Tejo.As mudanças estão a fazer sentir-se mais a montante. Talvez seja por isso que as pessoas em Lisboa ainda não respondem em peso à chamada. A resposta coube às organizações de proteção ambiental, mas mobilizou sobretudo cidadãos que vivem nas margens do rio Tejo, nos distritos de Santarém e Castelo Branco. Vêem-se em risco e fizeram questão de marcar presença, clamando “Por um Tejo vivo!”.É ali, consequência da seca extrema e de descargas ilegais, que as consequências são mais visíveis. São palpáveis. Os peixes morrem e a visível deterioração do estado do rio coloca em risco a própria actividade económica das terras e a saúde das populações locais.Coincidência, ou não, em Lisboa o rio também vai dando sinais a quem olha. Algo não corre como devia. Durante o desfile, aqueles que, ao passar pela Doca da Caldeirinha, que foi recentemente devolvida à vida, olharam para a água, depararam-se agora com um local de paragem de peixes mortos. Ali mesmo, no coração da Lisboa turística.Ouve aqui o episódio.Texto: Frederico RaposoPreparação e entrevistas: Frederico Raposo Captação de som: Frederico RaposoEdição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 16, 201725 min

David Crisóstomo sobre o trabalho nos bastidores da Assembleia da República (Entrevista)

Em Julho de 2017, multiplicavam-se as notícias sobre o trabalho dos deputados da Assembleia da República nos media portugueses. Faziam-se rankings dos mais faltosos, falava-se daqueles que até poderiam "chumbar" por faltas, e apontava-se o dedo àqueles que não abriam a boca no plenário. O Jornal de Notícias, por exemplo, indicava os "dez deputados que não abriram a boca", o Observador, por sua vez, dizia que Maria Luís Albuquerque estava "perto de chumbar" por faltas, e o Público, num tom contabilístico, alertava para as 1517 faltas dadas pelos deputados, adiantando que o PSD e PS eram os partidos "mais faltosos”. Mas, afinal, o que estavam estas notícias a dizer-nos? Será que os deputados eleitos pelos portugueses para a Assembleia da República não estavam a fazer o seu trabalho? Como poderiam faltar, e em alguns casos, nem sequer abrir a boca para falar no plenário? A verdade é que o trabalho dos deputados vai em muito para além das intervenções no plenário, que tanto nos habituámos a ver nos telejornais. Como nos disse o David Crisóstomo, no episódio que hoje lançamos, "existe uma imagem errada na sociedade portuguesa de achar-se que a essência do trabalho parlamentar é o plenário". Mas, então, o que faz um deputado na Assembleia da República? Que trabalho é que é feito nos "bastidores"? Como são produzidas as leis? Quem pode propor um projeto de lei? Um grupo de cidadãos pode fazê-lo? E qual é o papel do Presidente da República? Quando pode o Presidente usar o poder do veto? Quisemos saber mais sobre a Assembleia da República e o processo legislativo, e por isso, conversámos com o David Crisóstomo, co-fundador do Hemiciclo, um projeto que se destina a monitorizar a atividade parlamentar da Assembleia da República. Com explicações minuciosas, o David, que nos disse várias vezes que não é jurista, explicou-nos como funciona o parlamento, falou-nos do trabalho que é feito pelos deputados, no plenário e fora dele, esclareceu-nos sobre o processo legislativo, desde que um projeto de lei é apresentado na Assembleia até que é promulgado pelo Presidente, e falou-nos da falta de transparência que por vezes temos no parlamento português. Hoje, o É Apenas Fumaça está de volta e podem ouvir aqui o primeiro episódio desde que voltámos de férias. Obrigada e até já,Texto: Maria AlmeidaPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo Ribeiro Captação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 11, 201746 min

Domingos da Cruz sobre as eleições em Angola (Entrevista)

A 23 de Agosto, a única certeza, para uns, era a de que José Eduardo dos Santos abandonaria depois das eleições gerais em Angola o poder que ocupava desde há 38 anos atrás. O país viu apenas dois presidentes após a descolonização e apenas um partido no poder. "42 anos já pesa”, diriam alguns dos dissidentes Angolanos, ativistas pela democracia. Para outros, a certeza era clara: nada mudaria.Dizia-nos Domingos da Cruz, há uns meses atrás, que não é possível existir alternância de poder em regimes autoritários. E por isso não vota. Não votou ele nem votou o Sedrick de Carvalho, nem votaram muitos outros. Nenhum deles quis fazer parte do que chamam de “simulacro eleitoral.”.Passou exatamente uma semana desde o dia 23. Muito aconteceu, entretanto: desde comissários da Comissão Nacional Eleitoral que se demarcaram dos resultados provisórios; um partido que se auto-proclamou vitorioso ainda antes de qualquer resultado oficial; ou uma oposição que vai denunciando irregularidades quase todos os dias; até ao Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que reconheceu João Lourenço como presidente antes de qualquer resultado oficial.Hoje, no É Apenas Fumaça, aprofundamos tudo que tem acontecido e discutimos ainda o que acontecerá. Num episódio especial sobre as eleições angolanas, conversámos com o Domingos da Cruz, professor e investigador angolano, ativista pela democracia em Angola, e um dos 15+2; Manuela Serrano, parte do corpo de direção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda; Nelson Domingos António, doutorado em Ciência Política pela Universidade do Estado de Rio de Janeiro e professor em Luanda; Nvunda Tonet, psicólogo e jornalista; e Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista pela democracia em Angola que foi preso, tal como o Domingos da Cruz, durante 1 ano no processo 15+2.Ouve aqui a nossa entrevista com o Domingos da Cruz, professor e investigador angolano, ativista pela democracia em Angola que esteve preso durante um ano no processo 15+2.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Aug 31, 201728 min

Nelson Domingos António sobre as eleições em Angola (Entrevista)

A 23 de Agosto, a única certeza, para uns, era a de que José Eduardo dos Santos abandonaria depois das eleições gerais em Angola o poder que ocupava desde há 38 anos atrás. O país viu apenas dois presidentes após a descolonização e apenas um partido no poder. "42 anos já pesa”, diriam alguns dos dissidentes Angolanos, ativistas pela democracia. Para outros, a certeza era clara: nada mudaria.Dizia-nos Domingos da Cruz, há uns meses atrás, que não é possível existir alternância de poder em regimes autoritários. E por isso não vota. Não votou ele nem votou o Sedrick de Carvalho, nem votaram muitos outros. Nenhum deles quis fazer parte do que chamam de “simulacro eleitoral.”.Passou exatamente uma semana desde o dia 23. Muito aconteceu, entretanto: desde comissários da Comissão Nacional Eleitoral que se demarcaram dos resultados provisórios; um partido que se auto-proclamou vitorioso ainda antes de qualquer resultado oficial; ou uma oposição que vai denunciando irregularidades quase todos os dias; até ao Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que reconheceu João Lourenço como presidente antes de qualquer resultado oficial.Hoje, no É Apenas Fumaça, aprofundamos tudo que tem acontecido e discutimos ainda o que acontecerá. Num episódio especial sobre as eleições angolanas, conversámos com o Domingos da Cruz, professor e investigador angolano, ativista pela democracia em Angola, e um dos 15+2; Manuela Serrano, parte do corpo de direção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda; Nelson Domingos António, doutorado em Ciência Política pela Universidade do Estado de Rio de Janeiro e professor em Luanda; Nvunda Tonet, psicólogo e jornalista; e Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista pela democracia em Angola que foi preso, tal como o Domingos da Cruz, durante 1 ano no processo 15+2.Ouve aqui a nossa entrevista com o Nelson Domingos António, doutorado em Ciência Política pela Universidade do Estado de Rio de Janeiro e professor em Luanda.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Aug 31, 201728 min

Sedrick de Carvalho, Manuela Serrano e Nvunda Tonet sobre as eleições em Angola (Entrevista)

A 23 de Agosto, a única certeza, para uns, era a de que José Eduardo dos Santos abandonaria depois das eleições gerais em Angola o poder que ocupava desde há 38 anos atrás. O país viu apenas dois presidentes após a descolonização e apenas um partido no poder. "42 anos já pesa”, diriam alguns dos dissidentes Angolanos, ativistas pela democracia. Para outros, a certeza era clara: nada mudaria.Dizia-nos Domingos da Cruz, há uns meses atrás, que não é possível existir alternância de poder em regimes autoritários. E por isso não vota. Não votou ele nem votou o Sedrick de Carvalho, nem votaram muitos outros. Nenhum deles quis fazer parte do que chamam de “simulacro eleitoral.”.Passou exatamente uma semana desde o dia 23. Muito aconteceu, entretanto: desde comissários da Comissão Nacional Eleitoral que se demarcaram dos resultados provisórios; um partido que se auto-proclamou vitorioso ainda antes de qualquer resultado oficial; ou uma oposição que vai denunciando irregularidades quase todos os dias; até ao Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, que reconheceu João Lourenço como presidente antes de qualquer resultado oficial.Hoje, no É Apenas Fumaça, aprofundamos tudo que tem acontecido e discutimos ainda o que acontecerá. Num episódio especial sobre as eleições angolanas, conversámos com o Domingos da Cruz, professor e investigador angolano, ativista pela democracia em Angola, e um dos 15+2; Manuela Serrano, parte do corpo de direção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda; Nelson Domingos António, doutorado em Ciência Política pela Universidade do Estado de Rio de Janeiro e professor em Luanda; Nvunda Tonet, psicólogo e jornalista; e Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista pela democracia em Angola que foi preso, tal como o Domingos da Cruz, durante 1 ano no processo 15+2.Ouve aqui uma discussão com Manuela Serrano, parte do corpo de direção da Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda; Nvunda Tonet, psicólogo e jornalista; e Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista pela democracia em Angola que foi preso durante 1 ano no processo 15+2.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Aug 31, 20171h 11m

José Pereira sobre o Serviço Nacional de Saúde (Entrevista)

"A «empresarialização» de hospitais constitui um vector essencial da reforma da gestão hospitalar em curso (...)”É assim que começa o segundo parágrafo da Resolução do Conselho de Ministros de 7 de Março de 2002, meses depois de António Guterres, Primeiro-Ministro do XIV governo, ter pedido a demissão. Um governo a 10 dias de novas eleições legislativas aprova, assim, uma resolução que urge tornar os hospitais públicos “mais vincadamente empresariais”.Mas será que um hospital deve ser gerido como uma empresa?Luís Filipe Pereira, Ministro da Saúde do governo seguinte, liderado por Durão Barroso, abraçou de uma maneira clara a reforma iniciada pelo seu antecessor. No mesmo ano, 31 hospitais passaram a ter o estatuto de sociedades anónimas de capitais públicos (mais tarde chamadas entidades pública empresariais (EPEs)). As EPEs continuaram a crescer nos anos seguintes, e um processo iniciado também em 2002 levou a que hoje tenhamos 4 hospitais em regime de Parcerias Público Privadas (PPPs).Ao mesmo tempo que isto acontecia, as taxas moderadoras dos hospitais públicos aumentavam drasticamente - em 2016, o custo para o doente de um serviço de urgência polivalente num hospital público custava o dobro do que custava 6 anos antes. A falta de médicos faz-se sentir por todo o SNS e o uso de médicos que trabalham para empresas prestadoras de serviços é a única forma de manter alguns hospitais em funcionamento. Estes médicos, chamados “tarefeiros”, fazem exatamente os mesmos trabalhos que os médicos do quadro, mas num regime flexível, sem terem contrato com o Estado. Muitas vezes, os próprios chefes de equipa não sabem quem são as pessoas que vão constituir a equipa no próprio dia.Porque não se contratam os médicos em falta?Para conversar sobre este assunto, temos hoje connosco o José Pereira, médico interno de um hospital do SNS e ex-dirigente associativo na Associação Académica da Universidade de Lisboa. Quais têm sido as consequências da empresarialização do Serviço Nacional de Saúde? Porque é que o custo das taxas moderadoras têm aumentado drasticamente? O que é a ADSE e porque existe? Porque é que os médicos fizeram greve durante esta legislatura? Porque faltam tantos médicos ao SNS e porque não são contratados?Até já,Texto: Ricardo RibeiroPreparação e entrevista: Maria Almeida e Ricardo RibeiroCaptação e edição de som: Bernardo AfonsoJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 28, 20171h 2m

Dito Dalí sobre as eleições angolanas (Entrevista)

A campanha eleitoral angolana teve início ontem, exatamente um mês antes das eleições gerais. 5 partidos e 1 coligação irão a votos. Na liderança do MPLA estará João Lourenço, atual Vice-Presidente do MPLA e Ministro da Defesa.Quanto ao atual presidente, José Eduardo dos Santos, não se recandidatará pela primeira vez e tudo indica que deixará a presidência de Angola passados 38 anos. Desde 2 de Maio que não aparece publicamente. Rafael Marques, jornalista e fundador do Maka Angola, escreve sobre o assunto dizendo que "ao que tudo indica, Dos Santos terá perdido a capacidade da fala, uma vez não se pronuncia publicamente desde finais de Abril passado.”. Segundo informações de familiares de José Eduardo dos Santos e da Angop, agência noticiosa detida pelo Estado angolano, o presidente angolano tem-se deslocado várias vezes a Barcelona para tratamentos de saúde. Para Dito Dalí, com quem conversamos hoje, José Eduardo dos Santos pode até estar morto: “Neste exato momento, não sabemos o paradeiro do José Eduardo dos Santos, se está morto ou não está.”. Ouve aqui o novo episódio:Enquanto isto, também o vice-presidente angolano, Manuel Vicente, se encontra fora do país "em visita privada temporariamente”. Um Despacho publicado em Junho e assinado por José Eduardo dos Santos designa o general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, como o representante do vice-presidente na sua ausência e portanto a figura mais alta do Estado. Esta foi uma decisão histórica e que já muitos angolanos vieram denunciar como inconstitucional e que Isaías Samakuva, líder da UNITA, classificou como “golpe de estado constitucional”.Mas afinal, quem governa Angola?Conversámos com o Benedito Jeremias “Dito Dali”, ativista angolano pela democracia em Angola que esteve preso durante um ano em 2015 no processo dos 15+2, acusado de crime de atos preparatórios de rebelião.Quisemos perceber melhor o que se passa em Angola desde que José Eduardo dos Santos se apresentou publicamente pela última vez, e quem hoje lidera o governo angolano. Enquanto se fala em golpe de Estado quisemos perceber quem é o general “Kopelipa”, e qual o seu papel no governo angolano. Até já,Ricardo Ribeiro e Bernardo Afonso.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 24, 201746 min

Piménio Ferreira sobre as comunidades ciganas em Portugal (Entrevista)

A 1 de Março de 2017 a comunidade cigana de Santo Aleixo da Restauração acordou com os muros e paredes da sua freguesia pintados. Nesses muros lia-se "Morte aos Ciganos".Mas as ameaças não ficaram por aqui. Um cavalo foi envenenado, uma igreja incendiada, casas e carros queimados, caixões colocados à porta das casas, e bombas lançadas para os quintais, segundo uma denúncia da SOS Racismo.Nesta freguesia do concelho de Moura, no Alentejo, vive uma única família cigana que lá reside há mais de 15 anos em casas que foram comprando ao longo dos anos. Até 2016, nunca houve qualquer conflito. No entanto, casos de ciganofobia como o de Santo Aleixo da Restauração em Moura não são únicos em Portugal. Ainda este mês, em Beja, o Presidente da Junta de Freguesia de Cabeça Gorda, Álvaro Nobre, recusou o enterro e velório de José António Garcia, cigano e residente na freguesia. “Nem para morrer se pode ser cigano”, escreveram várias associações.Mas porquê? Por que é que existe tanta ciganofobia em Portugal? Conversámos com o Piménio Ferreira, engenheiro físico e ativista cigano, sobre as comunidades ciganas em Portugal neste novo episódio.Há quanto tempo vivem pessoas ciganas em Portugal? Estas comunidades auto-excluem-se? Vivem de subsídios? As crianças ciganas não vão à escola? As mulheres ciganas são oprimidas nestas comunidades? Falámos com o Piménio sobre o que é ser cigano, sobre o racismo que estas comunidades sofrem, sobre todos os mitos que existem e que alimentam o estereótipo, e falámos dos movimentos sociais que foram sendo criados nos últimos anos dentro destas próprias comunidades. Ouve aqui o novo episódio.Até já,Maria Almeida, Bernardo Afonso e Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 17, 201759 min

Sedrick de Carvalho sobre as eleições angolanas (Entrevista)

Simulacro eleitoral. É assim que Sedrick de Carvalho define o ato eleitoral que acontecerá em Agosto de 2017 em Angola. As eleições presidenciais, agendadas para o dia 23, marcarão o final da presidência de José Eduardo dos Santos, 38 anos depois de ter sido empossado pela primeira vez em 1979. Pelo MPLA, partido que está atualmente no poder, concorrerá João Lourenço, atual Ministro da Defesa e vice-presidente do partido.Mas o que vai mudar em Angola?A repressão - física e judicial - existe desde há muito. Em Portugal, foi notícia o processo “15+2” que levou à prisão de 17 jovens, acusados de tentativa de golpe de estado, porque liam e discutiam um livro. Debatiam diferentes soluções para transitar de um sistema autoritário para uma democracia reforçada. Falavam da Primavera Árabe e das ideologias de desobediência civil não violenta. António Luvualu de Carvalho, embaixador Angolano Itinerante para as questões políticas, classificou o tal livro que liam, “Da Ditadura à Democracia”, de Gene Sharp, como subversivo, enquanto debatia com José Eduardo Agualusa, escritor angolano, na RTP:-Este livro é altamente subversivo. - dizia Luvualu de Carvalho-Eu concordo consigo, é um livro altamente subversivo mas em regimes totalitários. Não é subversivo em Democracias. Este livro não leva ao derrube de Democracias. - respondeu José Eduardo Agualusa.Sedrick de Carvalho é um dos 15+2. Foi acusado em 2015 de crime de “atos preparatórios de rebelião”. Esteve preso durante um ano.Dois anos depois, a repressão continua. Segundo o estudo lançado pelo Domingos da Cruz este ano, 1 em cada 3 professores angolanos acredita poder ser perseguido ou morto. Jornalistas são condicionados - Rafael Marques do Maka Angola foi acusado de “crime de injúria e ultraje a órgão de soberania” depois de revelar alegadas práticas corruptas desempenhadas pelo Procurador Geral da República. Os canais da SIC foram retirados das plataformas televisivas angolanas DSTV e Zap depois da SIC ter lançado uma série de reportagens sobre a desigualdade, a pobreza, a corrupção e as condições desumanas em que crianças vivem no país. Ativistas e manifestantes continuam a ser reprimidos fisicamente e até presos - como foi o caso de David Saley, Paulo Mabiala, António Mabiala, Mário André, Nzunzi Zacarias Mabiala, Waldemar Aguinaldo e Adão Bunga, presos durante uma manifestação e condenados a 45 dias de prisão no passado Maio.Quando falta pouco mais de 1 mês para que os angolanos sejam chamados a votar, começamos a cobrir as eleições angolanas no É Apenas Fumaça. Durante as próximas semanas, teremos várias entrevistas focadas neste tema, procurando aprofundar este assunto antes e depois do dia 23. Hoje conversamos com o Sedrick de Carvalho, jornalista e ativista angolano pela democracia em Angola. Falámos sobre o que se tem passado durante o processo de preparação para as eleições e sobre que expectativas tem ele em relação ao futuro do país.Ouve aqui o novo episódio com o Sedrick de Carvalho sobre as eleições Angolanas.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 6, 201753 min

Regina Queiroz sobre neoliberalismo e populismos (Entrevista)

Conversámos com a Regina Queiroz, doutorada em Filosofia Política pela Universidade de Lisboa. Falámos da União Europeia, de Portugal e da Troika, de Donald Trump, de Le Pen, e do porquê disto tudo.Uma conversa sobre neoliberalismo, democracia e populismos para ouvir aqui.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 30, 201747 min

Sérgio Vitorino sobre o movimento LGBTI português (Entrevista)

Junho é o mês do Orgulho por causa dos acontecimentos no Stonewall-Inn, um bar em Nova Iorque, onde a 28 de junho de 1969 teve lugar uma das primeiras revoltas das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Intersexo (LGBTI) contra as agressões policiais. Há celebrações em todo o mundo e também por cá, como a Marcha do Orgulho de Lisboa e do Porto ou o Arraial Pride.Falámos com Sérgio Vitorino, ativista de mil e uma causas pela igualdade, co-fundador da Marcha do Orgulho de Lisboa e do coletivo Panteras Rosa, entre outros, para entender o que tem sido a história dos movimentos arco-íris em Portugal, nas últimas décadas. Orgulho e preconceito. Ouve aqui o novo episódio.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 23, 201751 min

10,000 pessoas encheram as ruas de arco-íris na Marcha do Orgulho LGBT (Reportagem)

Mais de 10,000 pessoas preencheram as ruas em Lisboa do Príncipe Real à Ribeira das Naus, no Sábado, com as cores do arco-íris, em mais uma Marcha do Orgulho LGBT em Lisboa. O É Apenas Fumaça esteve Na Rua e na marcha para falar com muitas destas pessoas que se manifestaram. Ouve aqui o episódio.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 19, 201725 min

Pedro Bingre do Amaral sobre gentrificação, direito à habitação e propriedade (Entrevista)

Aconteceu no ano passado, em novembro. Saí de casa e o prédio da frente tinha uma fachada nova. Tapado por andaimes com uma rede verde, dava nas vistas uma grande tela, com design a armar ao pingarelho, a anunciar: “Nasceu um novo projeto em Lisboa feito a pensar em si”. Outrora anódino e sem graça, daqui a uns meses abrirá portas como "LuxResidence". Onde antes se viam alguns andares abandonados e varandas ocupadas por pombos está a renascer um imóvel que oferece “Lounge Executive, Lounge Fitness, Restaurante/Bar, Beauty Space, Sauna, SPA”. Há para todos os gostos, de T1 a T3 duplex. É escolher freguesas e fregueses. É escolher. Cereja no topo do bolo, os promotores do empreendimento prometem nada mais, nada menos, do que “rentabilidade garantida: 38,5%, em cinco anos”.Desvio o olhar e sigo caminho quando noto que o parquímetro mais próximo tem também algo de diferente. Uma folha A4, segura a fita-cola, anuncia:“Aluga-se camas, em quartos partilhados. Cama (quarto de 4 camas) 100€ Cama (quarto de 2 camas) 200€ Cama (quarto de 2 camas com WC) 225€ (todas as despesas incluídas)” Inclui o número de telefone e um ícone a apregoar a existência de internet sem fios.De um lado da estrada o prédio para ricos. Do outro, mesmo em frente, o regresso ao sistema da cama-quente anunciado na caixa das esmolas de quem usa automóvel.É entre estes extremos que vivem hoje as pessoas nas maiores cidades do país, com destaque para Lisboa e Porto. Resiste que tem dinheiro para isso.Quem diria que em Portugal a discussão sobre o direito à habitação ia ser tema de conversa depois do pico da crise e não durante os anos duros da Troika, como aconteceu em Espanha?Quem diria que o clamor pelo direito a viver no centro e a ter uma casa saltasse para as capas das revistas e jornais?A falta de casas para pessoas desfavorecidas sempre existiu. Associações de moradores dos subúrbios, de imigrantes e outras minorias denunciam há anos a dificuldade em arranjar um teto digno, que possam pagar.Mas as alterações no mercado imobiliário chegaram à intelligentsia nacional. E, também por isso, passou a falar-se do aumento do preço das rendas, dos problemas com o alojamento local, do eventual excesso de turistas, das leis que não protegiam as pessoas mais velhas, jovens, sem emprego, precárias.Ganharam destaque novas palavras e expressões: gentrificação, turistificação, Airbnb, economia da partilha. Para perceber o que se está a passar falámos com Pedro Bingre do Amaral, professor no Instituto Politécnico de Coimbra, investigador nas áreas do Ordenamento do Território e Ambiente.Até já, Pedro Santos.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 15, 201749 min

Rua do Mundo: Reino Unido: para quê fazer simples quando se pode fazer complicado? (Opinião)

Vais ouvir conteúdo original Rua do Mundo, um podcast sobre assuntos internacionais de Bernardo Pires de Lima, Rui Tavares e Sofia Lorena.Neste episódio contamos com Mafalda Dâmaso, correspondente da Rua do Mundo em Londres, e Ricardo Alexandre, editor de política internacional da RTP, para fazer o rescaldo das eleições britânicas, a projeção das suas consequências nas negociações do Brexit e a análise dos bons resultados do Labour de Jeremy Corbyn.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 10, 201731 min

Tiago Gillot sobre precariedade (Entrevista)

“(…) A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre. Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários. Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato. Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos. Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada – no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais – o que está em causa é a democracia. E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa. Obrigado.”Fará 10 anos em setembro que João Pacheco, jornalista, proferiu estas palavras na cerimónia de entrega dos Prémios Gazeta 2006, os mais importantes galardões do jornalismo nacional. Tinham-lhe concedido o Gazeta Revelação, destinado a jovens jornalistas com menos de 30 anos. Na plateia, as palavras foram ouvidas por entre reações de incómodo e sorrisos amarelos de condescendência. Cavaco Silva, Presidente da República, estava lá e, por isso, os recados do jovem jornalista tornaram-se notícia. A precariedade era uma palavra estranha no léxico português. A solução de quem lutava contra relações laborais baseadas em falsos recibos verdes, sucessivos contratos a prazo ou a intermitência das empresas de trabalho temporário era fazer guerrilha política. Usar a imaginação, o exagero, a ação direta para colocar o problema no centro do debate público e político. Pacheco, na altura ativista nos Precários Inflexíveis, um grupo informal conhecido como “os PI”, usou a oportunidade. Muito se andou. Grupos, associações formais ou informais de trabalhadores fizeram um combate que engrossou na última década e talvez tenha tido o seu momento alto meses antes da queda do Governo Sócrates e da entrada da Troika em Portugal, no Protesto da Geração à Rasca, a 12 de março de 2011. Os Precários Inflexíveis, que hoje são uma “associação de combate à precariedade” têm sido o sindicato do precariado, liderando a organização da resistência e contestação nas ruas e as propostas políticas e legislativas no Parlamento, como a Lei Contra a Precariedade. Falámos com Tiago Gillot, uma das caras mais conhecidas dos PI, sobre trabalho, as origens da precariedade, os seus efeitos e, ainda, sobre uma das maiores conquistas políticas que estas e estes trabalhadores tiveram nos últimos anos: o lançamento, pelo Governo, do PREVPAP - Programa de Regularização Extraordinária dos Vínculos Precários na Administração Pública.Até já, Pedro Santos e Tomás PereiraJunta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 8, 201751 min

Shahd Wadi sobre a ocupação da Palestina (Entrevista)

Em 1948, cerca de 700,000 palestinianos fugiram ou foram expulsos das suas terras. Israel, para os palestinianos um “estado colonizador”, vinha ocupando parcelas de terreno que pertenciam à Palestina histórica, exigindo para si que esta fosse a sua casa, o seu país. O conflito entre Israel e Palestina dura há quase 100 anos e ainda hoje, passados 69 desde a Nakba - o exílio de 700,000 palestinianos em 1948 - a maioria das famílias palestinianas refugiadas guardam consigo a chave das suas casas. “É o símbolo do regresso dos palestinianos.”, diz-nos a Shahd Wadi, doutorada em Estudos Feministas.Contudo, o regresso a casa parece hoje mais difícil do que nunca, e o número de palestinianos refugiados vem acumulando histórias de vida com o passar do tempo. Em 2015, segundo a ONU, existiam 5 milhões de refugiados palestinianos.A Shahd é palestiniana, apesar de ter nascido no Egipto e vivido toda a sua infância na Jordânia. “Cada palestiniano diz ao filho que é palestiniano.”. Caso contrário, parte do seu povo desapareceria. Neste episódio, conversámos com ela sobre a história da Palestina e da criação do Estado de Israel e de como a família da Shahd a acompanhou. Conversámos também sobre como é hoje viver na Palestina, sobre qual deveria ser a resposta da comunidade internacional, sobre o papel da luta feminista dentro da luta palestiniana, e também sobre os presos palestinianos encarcerados em celas israelitas.Oiçam aqui este novo episódio.Até já, Ricardo Ribeiro.Junta-te à Comunidade Fumaça: https://fumaca.pt/contribuirSee omnystudio.com/listener for privacy information.

May 31, 201753 min