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A História repete-se

A História repete-se

226 episodes — Page 3 of 5

São Francisco de Assis: pobreza e igualdade por amor a uma fé e ao próximo

Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a vida de Giovanni di Pietro di Bernardone, mais conhecido por São Francisco de Assis, que viveu entre 1182 e 1226 e foi uma das figuras mais impactantes da época medieval. Francisco de Assis nasceu num tempo em que a Santa Sé enfrentava vários movimentos, alguns considerados “heréticos”, que reclamavam um maior despojamento do Clero e o regresso aos ideais do cristianismo primitivo. Por volta de 1205, Francesco, ou “pequeno francês”, sentiu um apelo interior, que identificou como a voz de Jesus Cristo, e que o estimulou a despojar-se dos seus bens materiais e viver para pregar o Evangelho e assistir os pobres. O seu carisma e convicção tornou-o a figura central de uma comunidade que vivia, nos seus primórdios, de forma errante e em pobreza absoluta. S. Francisco, o fundador da “ordem dos irmãos menores”, rejeitou que esta tivesse uma hierarquia ou bens materiais. Tal provocou várias debates no interior da Ordem, pois alguns irmãos sustentavam que esta devia oferecer condições mínimas para os seus integrantes poderem cumprir a sua missão  e, até, dedicar-se ao trabalho intelectual. Em 1223, a Santa Sé aprovou por fim a regra da Ordem dos Irmãos menores, enquadrando-a definitivamente na ortodoxia religiosa, algo que, de resto, S. Francisco nunca contestou. A partir de então, S. Francisco viveu os seus últimos anos de vida sobretudo em ermitérios e meditação, alturas em que passava por estados de êxtase. Morreu em 1226, com aura de santidade e fama de milagreiro, tendo sido canonizado dois anos depois pelo Papa Gregório IX, que, enquanto cardeal, fora responsável por fixar a regra dos franciscanos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 16, 202549 min

S1 Ep 3As Origens Intelectuais do 25 de Abril (III): a História e as Ciências Sociais foram uma arma contra o Estado Novo?

Neste episódio especial, gravado ao vivo na Biblioteca Nacional, exploramos as raízes intelectuais que moldaram a Revolução de 25 de Abril de 1974. Com a moderação de Victor Pereira, o debate reúne os ilustres convidados João Leal, Jorge Pedreira, Maria de Lurdes Rosa e Miriam Halpern Pereira para discutir as influências e inovações historiográficas que desafiaram o regime ditatorial do Estado Novo. O ponto de partida é o manifesto de Ernesto Melo Antunes, lido em Cascais a 5 de março de 1974, onde se defende que a solução para o problema ultramarino é política e não militar. Esta ideia, também expressa por António de Spínola em "Portugal e o Futuro", reflete os verdadeiros interesses do povo português e os seus ideais de justiça e paz. Durante o Estado Novo, muitos cientistas sociais, tanto em Portugal como no exílio, desafiaram a visão imposta pela ditadura. Eles investigaram a história e a sociedade portuguesa, desvendando os bloqueios e desigualdades, e desconstruindo a propaganda do regime. Apesar das adversidades, as suas obras circularam amplamente, influenciando o pensamento crítico e preparando o terreno para a revolução. Neste episódio, discutimos as contribuições de António Borges Coelho, António Henrique de Oliveira Marques, Miriam Halpern Pereira e Vitorino Magalhães Godinho, e como as suas pesquisas moldaram a compreensão da história de Portugal durante um período de grandes mudanças sociais e económicas. Também exploramos a recepção dessas obras nas vésperas do 25 de Abril e o impacto duradouro que tiveram na sociedade portuguesa. Oiça aqui o debate gravado na Biblioteca Nacional.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 15, 20251h 20m

A derrota dos nazis: os últimos meses da II Guerra Mundial na Europa

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram Rui Cardoso, jornalista e estudioso da II Guerra Mundial, para conversar sobre a última fase deste conflito na Europa. No princípio de 1945, as forças aliadas comandadas pelo general americano Dwight D. Eisenhower chegavam às margens do rio Reno, enquanto, a leste, o Exército Vermelho liderado pelo marechal Zhukov avançava em passos largos até Berlim, depois de derrotar os nazis na Polónia e de comprovar o horror dos campos de extermínio que aqueles abandonaram precipitadamente. No campo político e diplomático, os lideres dos então chamados “três grandes” - Roosevelt, presidente dos Estados Unidos; Estaline, secretários geral do PCUS; e Churchill, primeiro-ministro britânico - reuniram-se em Yalta entre 4 a 11 de fevereiro de 1945 para discutir o pós-guerra, sendo já evidentes as suas diferentes abordagens e objectivos. Em abril, no mesmo mês em que Roosevelt morreu e foi substituído na presidência dos Estados Unidos por Henry Truman, o Exército Vermelho avançou para a conquista de Berlim, isto já com os aliados ocidentais dentro da fronteira alemã. De forma insana, Hitler, refugiado no seu bunker, exortou os berlineses a continuarem a lutar. A capital alemã foi então defendida com recurso a crianças e jovens da juventude hitleriana, e a milícias de cidadãos que não tinham treino militar. A 30 de abril, Hitler suicidou-se no bunker da chancelaria do Reich e a 2 de maio Berlim rendeu-se ao Exército Vermelho. Por fim, a capitulação incondicional dos nazis chegou a 7 e 8 de maio, por intermédio do general Alfred Jodl. Depois de milhões de mortes, de um sofrimento indescritível, e de um rasto de destruição, a guerra terminara na Europa e o pesadelo nazi chegava ao fim.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 9, 202549 min

S1 Ep 2As Origens Intelectuais do 25 de Abril (II): que papel desempenharam no 25 de Abril os livros africanos, franceses e ingleses sobre o colonialismo?

Depois do primeiro episódio em que ouvimos falar sobre livros portugueses que contribuíram para o processo revolucionário do 25 de Abril, vamos agora focar a nossa atenção na literatura anticolonial, cujos contornos são mais internacionais, mas mais difíceis de definir. A lista de livros a discutir começa pelas obras do jornalista Basil Davidson da década de 1950, do antropólogo norte-americano Marvin Harris, Portugal's African "Wards" - A First-Hand Report on Labor and Education in Moçambique (1958) e de James Duffy, Portuguese Africa (1959). A esta configuração anglo-americana pertencem, igualmente: o livro do jornalista português António de Figueiredo, que terá sido ajudado, tanto por Harris como por Davidson, na publicação do seu livro intitulado Portugal and its Empire: the Truth (1961); bem como o de Perry Anderson, Portugal and the End of Ultra-Colonialism (1962). Do lado francês, a revista Présence Africaine acolheu nacionalistas angolanos nas suas lutas pela independência, como foi o caso de Mário Pinto de Andrade e do escritor Castro Soromenho. O Padre Robert Davezies, conhecido por ter denunciado as atrocidades da Guerra da Argélia, emprestou a sua voz à causa de Angola, num primeiro livro Les Angolais (1965), a que se seguiu La Guerre d'Angola (1968). São também lembrados os textos de dois combatentes pela libertação da Guiné e de Moçambique: é o caso de Amilcar Cabral, que escreveu a introdução à obra de Basil Davidson, The Liberation of Guiné: Aspects of an African Revolution (1969), bem como de Eduardo Mondlane, The Struggle for Mozambique (1969). Nesta sequência, é ainda considerada a intervenção do Padre Hastings na denúncia do massacre de Wiriamu, ocorrido em 1972. São ainda referidas obras mais dispersas e até de certa forma híbridas, como é o caso de ‘Negritude e humanismo’, um opúsculo publicado pela Casa dos Estudantes do Império em 1964, de Alfredo Margarido. O escritor e investigador construiu uma articulação rara entre produção literária e investigação histórica e antropológica. Esta última tinha, aliás, raízes na criatividade dos surrealistas, representados na passagem de Cruzeiro Seixas por Angola, iniciada na década de 1950. Paralelamente, a tradução portuguesa de Os condenados da terra de Frantz Fanon, com prefácio de Jean-Paul Sartre, aponta para um outro facto editorial conseguido na contra-corrente da censura, em meados da década de 1960. O debate é moderado por Isabel Castro Henriques e conta com a participação de Aurora Santos, Bernardo Cruz, José Augusto Pereira, Manuela Ribeiro Sanches, Nuno Domingos e Víctor Barros.  See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 8, 20251h 43m

A Abrilada de 1961 ou “Golpe Botelho Moniz”: uma tentativa de afastar Salazar e evitar a guerra em África

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre o chamado “golpe Botelho Moniz”, ocorrido a 13 de abril de 1961, e que consistiu na tentativa de levar o Presidente da República a demitir Salazar da presidência do Conselho. O general Júlio Botelho Moniz era ministro da Defesa desde a remodelação governamental de 1958. Antes, tinha sido ministro do Interior e adido militar em Washington e Madrid. O contacto com a realidade internacional levou-o a perceber que a posição de Portugal sobre as suas então designadas “províncias ultramarinas” era insustentável. A convicção de Botelho Moniz reforçou-se em janeiro de 1961, aquando da eleição de JF Kennedy para a presidência dos Estados Unidos, pois este era a favor da autodeterminação dos povos. Durante os meses seguintes, o general Botelho Moniz procurou convencer Salazar a rever a política colonial de Portugal. Depois de perceber que os seus esforços eram vãos, resolveu apelar ao Presidente da República, almirante Américo Tomás, pedindo-lhe que demitisse Salazar. Perante a recusa deste, Botelho Moniz decidiu avançar para uma discreta demonstração de força dos altos comandos militares. No entanto, o seu plano foi anulado pela rápida reação de Salazar, que afastou-o aos microfones da Emissora Nacional, no mesmo famoso discurso em que declarou: “Para Angola, rapidamente e em força”. Era o início de uma guerra a que o regime ditatorial não conseguiu por fim.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 2, 202545 min

S1 Ep 1As Origens Intelectuais do 25 de Abril: as Opções Políticas dos Livros que ajudaram a fazer a Revolução Portuguesa

Portugal conheceu, a partir da década de 1960, os grandes dilemas que vão anunciar a mudança política que desembocou no 25 de Abril de 1974: um acelerado processo de crescimento económico e de mudança social, marcado sobretudo pelo reforço dos laços com a então chamada Europa Ocidental; o desenvolvimento do colonialismo tardio e de Guerras Coloniais; e, finalmente, o crepúsculo do Ditador e a sua substituição por Marcelo Caetano, que protagonizou as contradições de uma modernização autoritária falhada. Desenharam-se nessa década as “opções políticas” que iriam marcar o processo de transição para a democracia. Neste primeiro debate, dedicado às “opções políticas”, percorremos algumas obras marcantes da fase final da Ditadura, expressando a diversidade política e ideológica que marcava o autoritarismo tardio: ‘Portugal Amordaçado’, ‘Na Hora da Verdade’, ‘Católicos e Política’, ‘Rumo à Vitória’, ‘Portugal e o Futuro’ e ‘As conversas de Marcello Caetano’ são os livros em destaque no primeiro episódio do podcast ‘As Origens Intelectuais da Revolução’. Oiça aqui a sessão gravada no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal com António Araújo, Jaime Nogueira Pinto, Rita Almeida Carvalho, Tiago Fernandes e António Costa Pinto.  See omnystudio.com/listener for privacy information.

Apr 1, 20251h 34m

As Origens Intelectuais do 25 de Abril. Oiça aqui a apresentação do novo podcast do Expresso

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Quais foram os livros que influenciaram o 25 de Abril? Como podemos interpretá-los e avaliar a sua relevância para o movimento revolucionário? Com base num ciclo de debates gravados na Biblioteca Nacional de Portugal, o Expresso apresenta um podcast especial de cinco episódios que o leva à descoberta das obras literárias que abriram caminho ao processo revolucionário.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 31, 20250 min

Mónaco, Liechtenstein ou Andorra: as Histórias dos microestados da Europa e de como conservaram a sua independência

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre as Histórias dos seis microestados do continente Europeu: Vaticano, Malta, Andorra, Liechtenstein, San Marino e Mónaco. Estes são estados de origens e passados diversos, mas que têm em comum áreas inferiores a 500 km2. Também, e cada um de sua forma, estes territórios são representantes de um tempo anterior à Idade Contemporânea, quando a Europa era composta por estados de pequena dimensão e diferentes graus de soberania: principados, bispados, ducados, senhorios, repúblicas aristocráticas, ou cidades-estado. Como foi que os atuais microestados europeus sobreviveram a guerras e partilhas e chegaram à época contemporânea?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 26, 202546 min

Quando a Polónia perdeu a sua independência e foi “retalhada” pela Rússia, Prússia e Áustria (1772-1795)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a rica e dramática História da Polónia, com foco no processo que conduziu à perda da sua independência, em finais do século XVIII.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 19, 202544 min

A moção de confiança que provocou a queda do primeiro governo de Mário Soares (dezembro de 1977)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre o contexto da moção de confiança apresentada pelo I governo constitucional, executivo minoritário liderado por Mário Soares, a 7 de dezembro de 1977, e que acabou rejeitada por PPD, CDS, PCP e UDP. Este governo resultou das eleições legislativas de 25 de abril de 1976, as primeiras realizadas em Democracia, e tomou posse a 23 de julho. O contexto era complexo, pois Portugal absorvia o impacto económico e social do PREC, sobretudo das nacionalizações e da reforma agrária. Durante cerca de um ano e meio, o I governo constitucional concretizou medidas relevantes, como o pedido de adesão de Portugal à CEE, e a aprovação da “lei Barreto”, que começou a reverter a “reforma agrária” do tempo do PREC. No entanto, a crise económica obrigou o ministro das Finanças, Medina Carreira, a pedir um empréstimo ao FMI. A política económica foi justamente a causa próxima da moção de confiança apresentada pelo governo. Após a sua rejeição, o Presidente da República, general Ramalho Eanes, optou por não dissolver a AR, e por dar posse a um governo que resultou de um acordo de incidência parlamentar entre PS e CDS, também liderado por Mário Soares.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 12, 202546 min

Luis II, o rei “louco” da Baviera (1845-1886)

Luis II da Baviera, apelidado de “rei louco”, ou “rei lua”, por contraste sombrio com o “rei sol” Luis XIV, tinha uma personalidade excêntrica para os padrões da sua época. Subiu ao trono em 1864, numa altura em que Áustria e Prússia disputavam a hegemonia no espaço alemão, onde pairava uma atmosfera bélica. Contudo, Luis II preferia a literatura, o teatro e a música a temas militares. A 10 de  junho de 1886, Luis II foi deposto pelo governo da Baviera, que o considerou mentalmente incapaz para continuar a reinar. Três dias depois, foi encontrado morto, juntamente com o seu psiquiatra, no lago de Starnberg. O mistério da sua morte contribuiu para o nascimento da sua lenda. Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a sua vida e época. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Mar 5, 202543 min

A “guerra dos sete anos”, um conflito setecentista à escala global (1756-1763)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a chamada “guerra dos sete anos” considerada por Winston Churchill como a verdadeira primeira guerra mundial.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 26, 202552 min

De jogo de elite a “desporto rei”: a História do futebol

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram o jornalista e comentador desportivo António Ribeiro Cristóvão para conversar sobre a História e histórias do futebol.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 19, 202554 min

A Academia das Ciências de Lisboa: uma referência do Iluminismo português fundada em 1779

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram o jornalista e investigador António Valdemar, sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa, para conversar sobre a História desta instituição duas vezes centenária, que continua a ser uma importante referência cultural e científica.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 12, 202547 min

O regicídio do Terreiro do Paço (D. Carlos I e Príncipe Real D. Luis Filipe)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre o reinado de D. Carlos I e o regicídio que, a 1 de fevereiro de 1908, o vitimou, bem como ao seu filho mais velho e herdeiro, o Príncipe Real D. Luis Filipe. D. Carlos I, que reinou de 1889 a 1908, é um dos reis portugueses mais controversos. Os seus admiradores, salientam o seu patriotismo, o seu voluntarismo, e as suas qualidades diplmáticas, artísticas e científicas. Pelo contrário, os seus detratores consideram-no autoritário, frívolo e arrogante. Qualquer que seja a posição, o seu reinado de 19 anos é quase sempre abordado de forma simplista. Aquele foi um tempo complexo, que seguiu-se ao ultimato britânico e teve a crise económica e financeira por pano de fundo. No campo político, a monarquia constitucional era um regime verdadeiramente liberal (no sentido oitocentista do termo), mas exclusivista, pois a maioria da população não votava, logo, não gozava de cidadania plena.Neste contexto, o que poderia ter feito o rei? Assumir-se como um ator intervertivo, ou apenas como árbitro do sistema político? Procurar tornar o sistema mais representativo, ou apostar em escolhas pessoais? Qual o contexto político que culminou no Regicídio de 1 de fevereiro de 1908? E, para além dos seus executantes, Manuel Buiça e Alfredo Costa, é possível identificar quem foram os seus autores morais?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Feb 5, 202554 min

Irlanda: A longa luta pela independência do Reino Unido

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre o complexo processo de independência da Irlanda do Reino Unido. No final do século XIX, surgiram na Irlanda partidos que protagonizaram a longa luta dos irlandeses pelo auto governo do território. O parlamento do Reino Unido respondeu com três Home Rule Acts, que garantiam à Irlanda uma ampla autonomia. Tal foi contestado pelos unionistas, na sua maioria anglicanos que temiam perder privilégios. Em vésperas da grande guerra (1914), os irlandeses estavam profundamente divididos entre republicanos independentistas, que eram sobretudo católicos residentes no sul do território, e unionistas, protestantes residentes nos condados do Norte (Ulster). Na Páscoa de 1916, os republicanos proclamaram a independência da Irlanda. A revolta foi duramente controlada pelos britânicos, que executaram os principais lideres independentistas, como Patrick Pearse. Estas execuções voltaram boa parte da opinião pública irlandesa contra o Reino Unido. A “Easter Rebellion” de 1916 foi um momento marcante na luta dos independentistas por uma Irlanda soberana, processo violento e complexo que continuou com uma guerra contra os britânicos (1919-1921), uma guerra civil entre irlandeses (1922-1923), e que só terminou formalmente em 1949, com a desvinculação da República da Irlanda da Commonwealth.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 29, 202543 min

Os Diários de Thomaz de Mello Breyner: um testemunho da história contemporânea de Portugal

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram a investigadora Margarida de Magalhães Ramalho, autora do livro “Thomaz de Mello Breyner, Relatos de uma época”, que serviu de base à série recente da RTP2 “Os diários de Thomaz de Mello Breyner”, para conversar sobre este médico e professor universitário, que foi testemunha privilegiado da História recente de Portugal, desde as últimas décadas da monarquia, passando pela I república, a ditadura militar, e os princípios do Estado Novo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 22, 202557 min

Quando a monarquia foi restaurada por 25 dias (Monarquia do Norte, Janeiro de 1919)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a “Monarquia do Norte” - quando a monarquia foi restaurada, durante 25 dias, em boa parte do norte de Portugal -, quando passam por estes dias 106 anos. Este episódio pouco conhecido ocorreu na sequência do assassinato de Sidónio Pais (14 de dezembro de 1918). Então, o campo republicano estava dividido entre os defensores do regresso à “República velha” e à constituição de 1911, e os que defendiam a continuação do regime presidencialista instaurado por Sidónio Pais. No norte, os monárquicos aproveitaram o ascendente que ganharam durante o sidonismo para pegar em armas e proclamar a monarquia (19 de janeiro). Em Lisboa, os monárquicos concentraram-se em Monsanto e hastearam a bandeira azul e branca. Contudo, os monárquicos estavam tão divididos quanto os republicanos: Aires de Ornelas, lugar tenente do rei D. Manuel II, defendia desde Lisboa a monarquia liberal, enquanto Paiva Couceiro, o presidente da "Junta Governativa do Reino", defendia desde o Porto uma "nova de monarquia", livre dos antigos partidos “rotativos” e influenciada pelo "Integralismo Lusitano”. A 14 de fevereiro de 1919, as forças republicanas entraram no Porto, onde restauraram a República, pondo fim à última tentativa de restaurar a monarquia por via das armas. O que foram as “incursões monárquicas” de 1911-1912? Qual a evolução do movimento monárquico durante a “República velha” e o sidonismo? O que foi a “monarquia do norte” e como foi derrotada pelos republicanos?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 15, 202550 min

Especial em direto: a transladação dos restos mortais de Eça de Queiroz para o Panteão Nacional

Numa intervenção especial durante a emissão da manhã na SIC Notícias, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho são convidados para se debruçarem sobre a vida e a obra do escritor realista português, Eça de Queiroz. No dia em que decorreu a transladação do corpo deste símbolo da literatura nacional para o Panteão Nacional, a SIC Notícias abriu um espaço de comentário para homenagear a memória de Eça de Queiroz,1845-1900.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 8, 202521 min

Será que estamos mesmo no ano 2025? Histórias da contagem do tempo

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho aproveitam o início do ano de 2025 para conversar sobre a História da contagem do tempo. Atualmente, a maioria dos países segue o chamado “calendário gregoriano” (do papa Gregório XIII, que o decretou em 1582), aceitando-o como padrão internacional. No entanto, muitos países e comunidades seguem um segundo calendário, que adoptam a nível interno, ou privado. Segundo o calendário hebraico, por exemplo, vivemos no ano 5785 (desde a criação do mundo, segundo a bíblia hebraica), e o primeiro mês do ano coincide com a Páscoa. Já para os muçulmanos, vivemos no ano de 1446 (o calendário começa a contar a partir da Hégira, em 622 dc). A partir de 38 ac, o mundo romano regeu-se pela “era de César” que, desde o século VI dc, coexistiu com a “era de Cristo”. Esta foi estabelecida pelos cálculos do monge e matemático Dioníso. No entanto, o próprio Dioníso enganou-se na identificação do ano do nascimento de Jesus Cristo, que terá ocorrido quatro anos antes do estabelecido, ou seja, em 4 ac. Em rigor, estaríamos pois no ano de 2029, o que só confirma o quanto o tempo é relativo.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 8, 202541 min

A Revolução Cubana de Fidel Castro e Che Guevara

A 1 de janeiro de 1959, as forças opositoras ao Presidente Fulgencio Batista, um governante corrupto e oportunista, tomaram o poder em La Havana, capital de Cuba. Entre os insurretos, estavam os guerrilheiros do “Movimiento 26 de Julio” que, desde a Sierra Maestra, resistiram e combateram o regime de Baptista durante mais de dois anos. Estes guerrilheiros eram comandados por dois revolucionários que ficariam célebres: o advogado Fidel Castro e o médico argentino Che GuevaraSee omnystudio.com/listener for privacy information.

Jan 1, 202551 min

O dia de Natal do ano 800: a coroação de Carlos Magno pelo papa Leão III

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre Carlos Magno, rei dos francos e dos lombardos, que foi coroado imperador pelo papa Leão III no dia de Natal do ano 800. Carlos Magno foi o primeiro imperador do ocidente desde o ano de 476 dc, quando o imperador Rómulo Augusto foi deposto pelo godo Odoacro. Carlos Magno nasceu num tempo distante, em que, com excepção do mediterrâneo, o mundo urbano quase tinha desaparecido do que é hoje a Europa, e onde pessoas e bens não circulavam. Boa parte da população ainda era pagã, e o bispo de Roma, ou papa, dependente do imperador bizantino, estava condicionado pelos patrícios romanos. Entre 768 e 814, Carlos Magno protagonizou a primeira tentativa de unificação do ocidente desde a chamada “queda do império romano do ocidente”, em 476. Tal valeu-lhe ser coroado imperador em Roma, pelo papa Leão III, no dia de Natal do ano de 800. Qual a importância de Carlos Magno para a História do ocidente medieval?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 25, 202451 min

25 anos da transferência da soberania de Macau para a China

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram António Salavessa da Costa, coronel de Infantaria e antigo secretário adjunto para a comunicação, turismo e cultura do último governo de Macau nomeado pela república portuguesa, para conversar sobre a História de Macau e o processo de transição do exercício de soberania sobre este território de Portugal para a China, que teve o dia 20 de dezembro de 1999 como data culminante. Quais as etapas fundamentais da História de Macau? Qual o legado cultural português e até que ponto se mantém presente em Macau? Como correu e como avaliar o processo de transição ocorrido há 25 anos?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 18, 202454 min

Sidónio Pais, o “presidente-rei” da “república nova“

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho, efémero e carismático presidente da República, que foi assassinado na Estação do Rossio, a 14 de dezembro de 1918. A 5 de dezembro de 1917, o major Sidónio Pais, lente da Universidade de Coimbra e embaixador da república portuguesa em Berlim até à declaração de guerra da Alemanha a Portugal (março de 1916), liderou uma revolução que, ao fim de três dias de combate, afastou o governo de Afonso Costa e forçou a resignação do presidente Bernardino Machado. Perante o vazio de poder, Sidónio Pais assumiu-se como o principal protagonista da “República nova”, que significou um corte com os primeiros anos da I República. Chefe do executivo a 11 de dezembro e Presidente interino desde 27 de dezembro, Sidónio Pais passou a andar sempre fardado e compôs uma figura com traços de populismo. A sua ideia era impor um sistema presidencialista e uma República social e ordeira que integrasse todos os afastados pelo exclusivismo de Afonso Costa, entre estes, católicos, socialistas e monárquicos. O regime presidencialista instaurado por decretos ditatoriais não foi porém capaz de contrariar a grave crise económica e social, acentuada pela participação de Portugal na grande guerra. A 14 de dezembro, o presidente Sidónio Pais foi assassinado na Estação do Rossio, onde ia apanhar o comboio para o Porto para procurar acalmar a agitação entre as forças militares do norte do país. Pouco depois da sua morte, correu o boato que terá dito, no momento fatídico em que foi alvejado, “Morro bem, salvem a Pátria!”, o que contribuiu para a construção do mito em torno da figura.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 11, 202455 min

100 anos de Mário Soares: 'Portugal Amordaçado', o pensamento e a personalidade do primeiro líder do PS

bonus

O que achava Mario Soares do ambiente universitário na década de 1940? E das eleições condicionadas? Que caminho propunha para Portugal? O que pensava de opositores e aliados políticos? E quais os traços distintivos da sua personalidade? A propósito das comemorações do centenário de Mário Soares, o Expresso recupera o episódio originalmente publicado em 27 de dezembro de 2023, no qual Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidam José Manuel dos Santos, coordenador da comissão das comemorações do centenário do socialista, para uma conversa em redor do livro Portugal Amordaçado, escrito por Mário Soares no exílio e recentemente reeditado.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 6, 202459 min

O “grande salto em frente” e a “revolução cultural”: a China comunista de Mao Tsé-Tsung (1949-1976)

Este líder do Partido Comunista Chinês ganhou protagonismo após a Longa Marcha, quando conduziu parte do Exército vermelho comunista ao longo de 12 mil quilómetros, por entre provações inimagináveis. Esta eopeia provocou milhares de mortes e um sofrimento atroz, mas livrou o Exército vermelho de uma previsível derrota ante os nacionalistas de Chiang Kai-shek. Depois da rendição japonesa e do reinício da guerra civil, os comunistas levaram surpreendentemente a melhor sobre os nacionalistas. A 1 de outubro de 1949 foi proclamada a República Popular da China, que manteve sempre uma relação tensa com o outro grande estado comunista, a URSS. Sob a liderança de Mao Tsé-Tung, a China comunista procurou por em prática planos económicos e sociais irrealistas e desumanos, como o “Grande Salto em Frente” e a “Revolução Cultural” que, na prática, prolongou-se até à morte de Mao, em 1976. Como foi a guerra civil entre nacionalistas e comunistas? O que foi o “grande salto em frente” e a “revolução cultural”? Qual a importância do papel de Mao Tsé-Tung nas primeiras décadas da República Popular da China?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Dec 4, 202447 min

Ep 100Episódio 100: Qual a importância do 25 de novembro de 1975?, com António Vitorino

No episódio 100 do podcast A História Repete-Se, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram António Vitorino, antigo ministro da defesa, comissário europeu e diretor geral da Organização Internacional para as Migrações para conversar sobre o 25 de novembro de 1975. Nos últimos dias, a data esteve no centro do debate político, mas o que significou em termos históricos? O que estava então em causa? Quem foram os seus protagonistas? Por fim, qual a importância do 25 de novembro para o processo de democratização português?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 27, 202456 min

Guerra do Vietname: o grande trauma americano da Guerra Fria

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a guerra do Vietname, um conflito complexo que, numa perspetiva abrangente, durou cerca de 30 anos (1945-1975), e que ganhou mediatismo com o envolvimento direto dos Estados Unidos, o que aconteceu entre 1964 e 1973. Quais as origens da guerra do Vietname? Como é que os Estados Unidos se envolveram no conflito?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 20, 202450 min

D. João V, um Rei amado e odiado como símbolo do “Antigo Regime”

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram Pedra Sena-Lino, autor de “El Rei Eclipse - Biografia de D. João V”, para conversar sobre este Rei de Portugal. D. João V, que nasceu em 1689, começou a reinar em 1706 e morreu em 1750, desperta opiniões contraditórias. Ao longo do tempo, foi enaltecido pelos tradicionalistas e criticado por liberais e republicanos. Quem foi este símbolo do “Antigo regime”? Será que a atenção que deu ao aparato, à construção monumental, como o palácio de Mafra, ou à cultura, compensaram a forma como, gradualmente, Portugal ficou dependente dos britânicos? E a população portuguesa, será que beneficiou por ser governada por um rei apodado de magnânimo? Por fim, e no referente ao Brasil, será que, no reinado de D. João V, os portugueses nada mais fizeram para além de extrair e trazer para a Europa as riquezas deste território?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 13, 20241h 5m

Juan Domingo Péron, o presidente mais controverso da Argentina

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre Juan Domingo Péron, o político mais controverso da História da Argentina. Oficial de Infantaria, o coronel Péron foi eleito Presidente da Argentina pela primeira vez em 1946. Então, fundou o partido Justicialista e iniciou uma política assente nas ideias de justiça social, soberania política e independência económica da Argentina. Juan Domingo Péron morreu em julho de 1974, poucos meses depois de ter tomado posse como presidente da República, tendo sido sucedido pela sua terceira mulher, Maria Estela Martinez, até então vice presidente. Péron fez escola na Argentina e, já em democracia, inspirou figuras também controversas, como os presidentes Carlos Menem, Nestor e Cristina Kirchner.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Nov 6, 202450 min

Erasmo de Roterdão: elogio da loucura e apologia da tolerância (1467-1536)

Desiderius Erasmus nasceu em Roterdão em 1467, filho natural de um sacerdote. Aos 18 anos, professou no mosteiro dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho. Contudo, não se adaptou à vida monástica e, graças ao bispo de Cambrai, obteve uma bolsa para estudar teologia na Universidade de Paris. A partir de então, Erasmo iniciou um percurso verdadeiramente autónomo, sem depender de instituições ou de patronos. Viajou pela Europa, correspondeu-se com os principais filósofos e teólogos de então, como Thomas Moore e Martinho Lutero, e desenvolveu um pensamento próprio, baseado no conhecimento dos clássicos e das escrituras, e assente nas ideias de concórdia e tolerância. A sua passagem por Itália e o contacto com a cúria romana motivou-o a escrever “O elogio da loucura”, uma sátira que constata, com erudição, amargura e realismo, que a estupidez tende a prevalecer sobre a sensatez. Até à sua morte, em 1536, Erasmo, que nunca rompeu com o catolicismo, manteve-se equidistante no conflito entre a Cúria Romana e Martinho Lutero, o que valeu-lhe críticas e incompreensão dos dois lados. No entanto, Erasmo procurou construir pontes entre católicos e luteranos. Em sua casa, havia sempre lugar para estudantes e humanistas, e para debates livres e tolerantes. Morreu em 1536 em Basileia, cidade que tinha aderido à reforma protestante. Pouco antes de morrer, publicou “A amável concórdia das igrejas”, uma última tentativa para conciliar católicos e protestantes.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 30, 202441 min

A “Noite Sangrenta" e o assassinato do primeiro-ministro António Granjo  (19 de Outubro de 1921)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram o historiador João Miguel Almeida, autor do livro “A noite mais sangrenta”, para conversar sobre um dos episódios mais sombrios da História de Portugal: a “noite sangrenta” de 19 de outubro de 1921. Na manhã desse dia, sete mil elementos da Guarda Nacional Republicana comandados pelo coronel Manuel Maria Coelho ocuparam posições na Rotunda, no Parque Eduardo VII e no Terreiro do Paço. Os revoltosos tinham como principal objectivo forçar a demissão do primeiro-ministro António Granjo, um republicano moderado, e inverter a recente relação de forças entre o partido democrático, hegemónico até então, excepto durante o mandato presidencial de Sidónio Pais, e o Partido Liberal Republicano. Em paralelo com a revolução militar, iniciou-se um movimento de carácter difuso, composto por militares e civis, que procurou ajustar contas com o “sidonismo”. Na noite de 19 de outubro, uma “camioneta fantasma” conduzida pelo cabo Abel Olímpio, conhecido por “dente de ouro”, andou pelas ruas de Lisboa a prender e matar de forma sumária e indiscriminada. Entre as vitimas, estavam o primeiro-ministro António Granjo, bem como dois dos principais protagonistas do 5 de Outubro, Machado dos Santos e José Carlos da Maia. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 23, 202450 min

A Revolução Bolchevique de Outubro (Rússia, 1917)

A 25 de outubro de 1917 (7 de novembro, no calendário juliano. então usado na Rússia), os bolcheviques assumiram o governo da Rússia, na sequência da tomada do Palácio de Inverno. Impuseram o seu poder pela força, eliminando a oposição e estruturando um Estado, a URSS. Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre um dos episódios marcantes do século XX: a revolução bolchevique de outubro de 1917.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 16, 202450 min

Os Estados Pontifícios - mais de mil anos de poder temporal dos Papas

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a história dos mais de mil anos de poder temporal dos papas. Este começou no muito longínquo ano de 756, quando Pepino, o Breve, rei dos francos, derrotou os lombardos e entregou o território conquistado ao papa Estevão II. Então, o Papa era eleito pelos patrícios romanos e estava formalmente sujeito ao imperador bizantino. Em 1929, pelo tratado de Latrão, Itália reconheceu à Santa Sé a soberania sobre a cidade estado do Vaticano, o estado mais pequeno do mundo, que hoje exerce uma diplomacia de “soft power”, herdeira de uma tradição política milenar.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 9, 202445 min

Luís Vaz de Camões, por Isabel Rio Novo

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho, convidaram a investigadora e escritora Isabel Rio Novo, autora de “Fortuna, Caso, Tempo e Sorte - biografia de Luís Vaz de Camões”, para uma conversa sobre a vida e obra do poeta. A conversa percorreu a biografia de Camões, partindo das interrogações sobre o seu local de nascimento, à provável frequência da Universidade de Coimbra e depois da Corte, passando pela vida errante que o levou ao Norte de África, à India e a Macau, e terminando no seu regresso a Portugal, à edição de "Os Lusíadas”, e à sua morte na pobreza. Quem foi o homem para além da figura histórica que cedo ganhou contornos de mito?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Oct 2, 202458 min

As Invasões Napoleónicas de Portugal

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram o jornalista Rui Cardoso, autor do livro “Mapa cor de sangue”, para conversar sobre as invasões de Portugal pelos exércitos napoleónicos, que ocorreram entre 1807 e 1811. Em finais de 1806, o imperador Napoleão Bonaparte controlava a Europa continental mas não tinha uma esquadra naval capaz de rivalizar com a britânica. Assim, decidiu o bloqueio dos portos continentais ao comércio britânico. Portugal ficou então perante um dilema de difícil resolução: se fechasse os seus portos ao comércio britânico, arriscava-se a perder o Brasil para o Reino Unido; se não o fizesse, arriscava-se a ser invadido pelo exército napoleónico. Como Portugal não aderiu ao bloqueio continental, o país foi invadido em novembro de 1807 por um exército francês comandado pelo general Junot. Dias antes, a Família Real, a Corte, o governo, e parte da administração, tinham embarcado apressadamente para o Brasil. A partir de junho de 1808, o invasor francês encontrou forte resistência dos portugueses, com a proclamação da "Junta provisória do Supremo Governo do Reino” e a acção das guerrilhas. O fracasso das três invasões napoleónicas não ficou pois a dever-se apenas ao exército britânico, que desembarcou pela primeira vez em Portugal em agosto de 1808, mas também à resistência popular, nas suas múltiplas facetas, e ao exército português, reorganizado então sob comando britânico.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 25, 202450 min

Quando Inglaterra foi uma República

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre as décadas mais conturbadas do já de si muito conturbado século XVII inglês. Em 1603, o rei Jaime VI da Escócia tornou-se também rei de Inglaterra, isto após a morte sem herdeiros diretos da rainha Isabel I Tudor. As primeiras décadas da dinastia Stuart ficaram marcadas pela oposição entre rei e parlamento, pelo antagonismo religioso entre anglicanos, puritanos e católicos, e pela tensão entre ingleses, escoceses e irlandeses. Jaime I de Inglaterra (Jaime VI da Escócia), foi um rei hábil que, a custo, conseguiu manter o delicado equilíbrio entre os polos de instabilidade. O mesmo não aconteceu com seu filho e sucessor, Carlos I Stuart (1625-1649). Tal como seu pai, Carlos I acreditava que reinava por direito divino e não estava disponível para partilhar a soberania com o parlamento. Este foi encerrado pelo rei em 1629, que só o voltou a convocar novamente em 1640, isto para obter ajuda para combater as rebeliões na Escócia e Irlanda. No entanto, o parlamento recusou aprovar legislação sem que o rei se comprometesse como a "Petition of Rights" que lhe foi apresentada. A tensão resultou em guerra civil, e esta na prisão e julgamento do rei, que foi decapitado por alta traição em janeiro de 1649. Seguiu-se uma república parlamentar controlada pelos puritanos, que não foi capaz de diminuir a instabilidade política e social (Commonwealth de Inglaterra, Escócia e Irlanda). Por fim, em 1653, o parlamento entregou o poder a Oliver Cromwell, um parlamentar que se tinha destacado na guerra civil. Este assumiu o titulo de “Lord Protector”, governou com o apoio do exército e, a partir de 1655, sem o parlamento. Paradoxalmente, Oliver Cromwell, um opositor da monarquia absoluta, concentrou todo o poder como Lord Protector. Após a sua morte em 1658, o cargo passou para seu filho Richard Cromwell que, de forma sensata e altruísta, renunciou ao poder em 1659. No ano seguinte, o parlamento convidou o filho do rei decapitado em 1649 para voltar a Inglaterra e assumir o trono. Este rei foi Carlos II (1660-1685), o marido da princesa portuguesa D. Catarina de Bragança. A monarquia inglesa foi então restaurada, situação que perdura até aos dias de hoje.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 18, 202447 min

O Califado de Córdova, o principal Estado do al-Andalus

Em 711, um exército composto maioritariamente por berberes do Norte de África, mas que integrou também árabes e sírios, derrotou as forças de Rodrigo, o ultimo rei Visigodo. Os comandantes do exército invasor estabeleceram então o al-Andalus, estrutura política de matriz muçulmana. Até 750, o al-Andalus esteve na dependência do califado de Damasco, altura em que os abássidas substituíram a dinastia Omiada e transferiram a capital do califado para Bagdad. Seis anos depois, o único sobrevivente da dinastia Omiada deposta em Damasco chegou à península ibérica e proclamou-se emir de um estado independente.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 11, 202448 min

Leonor de Aquitânia, uma mulher medieval, poderosa e insubmissa

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre Leonor, duquesa de Aquitânia, e por casamento, Rainha de França e, depois, Rainha de Inglaterra. Nascida em Poitiers, em 1124, numa corte que cultivava a poesia trovadoresca, Leonor teve uma educação erudita para os padrões da época. Aos 13 anos, tornou-se duquesa de Aquitânia por morte de seu pai, o duque Guilherme X. Nesse mesmo ano, casou-se com o rei de França Luis VII, então com 17 anos. Em 1147, Leonor fez questão de acompanhar o seu marido na segunda cruzada, o que era pouco usual. Quando regressou, obteve a anulação do seu casamento com o Rei de França e casou-se com Henrique Plantageneta, conde de Anjou. Em 1154, este tornou-se o primeiro rei de Inglaterra da sua dinastia. Leonor, duquesa de Aquitânia, tornou-se então Rainha de Inglaterra. O casal teve nove filhos, entre os quais Ricardo, “Coração de Leão” e João, “Sem terra”, popularizados pela saga de Robin Hood. A sua relação com Henrique começou a deteriorar-se a partir da década de 1170, isto por Leonor não se conformar com a relação do marido com Rosamund Clifford. Leonor de Aquitânia apoiou então a rebelião dos seus filhos e dos barões ingleses contra Henrique II. O rei dominou a rebelião e aprisionou Leonor, situação que se manteve por 16 anos. Leonor recuperou a liberdade com a morte de Henrique II, em 1189. Tinha então 65 anos. Nos últimos anos da sua vida, continuou a governar o ducado da Aquitânia, foi regente de Inglaterra em nome de seu filho, Ricardo, "Coração de Leão", ausente na cruzada, e contribuiu para que o seu filho mais novo, João, "Sem Terra", fosse o sucessor de Ricardo. Morreu em 1204, com 80 anos, uma idade muito avançada para a época. A sua vida, e o seu espírito insubmisso, inspiraram romances e estiveram na origem de várias lendas medievais.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Sep 4, 202443 min

A "Lei Seca", a Máfia e Al Capone: os loucos anos de 1920 nos Estados Unidos

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a época da “lei seca” nos Estados Unidos, que durou entre 1920 e 1933. Nos Estados Unidos, o movimento proibicionista do consumo de álcool tem raízes no tempo colonial, quando este era combatido não só por questões de saúde, mas também por ir contra os padrões puritanos de comportamento, que defendiam a austeridade e combatiam os excessos. No século XIX, esta mentalidade puritana chocou com alguns dos costumes de sociabilização dos recém chegados aos Estados Unidos, sobretudo irlandeses, alemães e italianos. Ainda, a expansão para oeste multiplicou o número de “saloons”, espaços de sociabilização, mas muitas vezes também de violência. Em resposta, surgiram vários movimentos de matriz puritana e evangélica que exigiam não apenas a moderação, mas sim a proibição do consumo de álcool, apontado como a principal causa de falta de rendimento no trabalho e, também, de violência pública e doméstica. À segunda tentativa, a emenda que proibiu o comércio e consumo de álcool nos espaços públicos foi aprovada em 1919, tendo entrado em vigor em 1920. De início, a 18ª emenda contou com o apoio de grande parte da população. Contudo, o proibicionismo de um costume enraizado acabou por dar o resultado oposto ao pretendido pelos seus defensores. Em pouco tempo, os gangs organizados das grandes cidades tomaram conta do negócio ilegal de álcool e de tudo o que girava à sua volta. Também, a primeira era mediática popularizou a figura dos gansgsters, das quais a mais célebre será Al Capone. O Crash de 1929 foi um dos pontos de partida para o fim da “lei seca". O estado perdia milhões de dólares em impostos com o comércio ilegal de álcool e, pelo contrário, gastava milhões em recursos para fiscalizar a aplicação da lei. Para além do mais, a corrupção e violência tinham aumentado de forma exponencial. Quando lançou a sua candidatura presidencial, o democrata Franklin D. Roosevelt prometeu que, caso fosse eleito presidente dos Estados Unidos, tomaria a iniciativa de propor ao congresso o fim da "lei seca". Logo em 1933, o Congresso aprovou a 21ª emenda à constituição americana, que revogou a 18ª emenda, o que voltou a permitir o comércio e consumo de álcool. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Aug 28, 202449 min

D. Dinis, o rei trovador

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre D. Dinis, que teve um dos reinados mais longos e importantes da História de Portugal. Dom Dinis nasceu em 1261, antes do casamento dos seus pais ser reconhecido pela Santa Sé. O facto levou o seu irmão mais novo D. Afonso, nascido já depois desse reconhecimento, a contestar o seu direito ao trono, o que originou vários confrontos entre ambos. Este foi um dos confrontos que o rei teve com o poder senhorial e com parentes próximos. A partir de 1314, teve de enfrentar a rebelião de outro D. Afonso, deste vez de seu filho e herdeiro do trono. A disputa foi uma autêntica guerra civil, que só terminou definitivamente com a morte de D. Dinis, em 1325. Para a História deste confronto ficou a intervenção da Rainha Isabel de Aragão, a Rainha Santa, que conseguiu que pai e filho assinassem a paz em 1324. Dom Dinis terá sido o primeiro rei português a receber uma educação erudita, a saber ler e escrever. Compôs várias canções trovadorescas, impôs o galaico-português como língua dos documentos oficiais e trouxe para Lisboa os Estudos Gerais, ou Universidade, depois transferidos para Coimbra. Tal só foi possível porque, em 1290, foi assinada a concordata com a Santa Sé que pôs fim ao interdito a que Portugal estava sujeito desde 1267. Este rei dedicou ainda especial atenção à segurança do território e à definição de fronteiras, fixadas pelo tratado de Alcanizes de 1297. Em 1319, obteve do Papa a bula que fundou a Ordem Militar de Cristo, criada com os bens da extinta Ordem dos Templários. Dom Dinis fez inúmeras inquirições às propriedades do clero e nobreza, outorgou várias cartas de foral e fomentou a realização de feiras. O primeiro tratado comercial com Inglaterra data também do seu reinado (1308). O seu longo reinado contribuiu pois, decisivamente, para a viabilização de Portugal como reino independente no contexto peninsular.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Aug 21, 202453 min

A Índia britânica e a independência do Paquistão e da Índia (14 e 15 de agosto de 1947)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a Índia britânica, o Raj britânico, que durou de 1858 a 1947. Em 1858, os territórios indianos sob administração da Companhia das Índias Orientais passaram para a administração direta das autoridades britânicas, isto na sequência da “revolta dos cípaios”. Seguiu-se um período de desenvolvimento do sub continente, que beneficiou os britânicos, mas não os indianos. A culminar esta fase, a Rainha Vitória foi proclamada Imperatriz da India, em 1876. As elites indianas, de início colaborantes com os britânicos, começaram a dar mostras de insatisfação com o modelo de colonização. Em 1885, foi criado o Congresso Nacional Indiano que, a partir de princípios do século XX, começou a reivindicar o autogoverno para a Índia. Os protestos tomaram diversas formas, como o boicote a produtos britânicos e outras ações não violentas. Estas foram lideradas a partir da década de 1920 por Gandhi. A independência da Índia era, porém, um processo complexo, pois o Congresso Indiano, de base hindu, defendia a existência de um único estado, enquanto que a Liga Muçulmana defendia a existência de dois estados separados, um para hindus, outro para muçulmanos. A II guerra mundial esgotou o Reino Unido e tornou-se claro que a independência da Índia iria concretizar-se a curto prazo. Em 1946, o primeiro ministro trabalhista Clement Atlee nomeou Lord Montbatten para vice Rei da Índia, com o objectivo de negociar a Independência até 1948. Montebatten conseguiu enquadrar os mais de 500 principados no novo estado da Índia, mas não conseguiu que a Liga Muçulmana aceitasse integrá-lo. A 14 de agosto de 1947, o Paquistão proclamou a sua independência, sendo que a Índia o fez no dia a seguir. O acordo de fronteiras, negociado de forma precipitada e secreta, originou um êxodo de milhões de hindus e muçulmanos, sobretudo na província do Punjab, e o início de um conflito entre Índia e Paquistão pela região de Caxemira.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Aug 14, 202443 min

A outra cruzada e a Inquisição Medieval: a “heresia” dos Cátaros

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre o movimento dos cátaros, considerado pela Igreja de Roma como uma “heresia”, e combatido por cruzadas e pela inquisição medieval. Com raízes no cristianismo primitivo, o catarismo foi particularmente popular durante os séculos XII e XIII no Languedoc, região da Occitânia, onde era praticado por cerca de metade da população e protegido pelos condes de Toulouse. Em 1119, o catarismo foi condenado como heresia no concilio de Toulouse e o papa enviou pregadores para o Languedoc com o objectivo de convertê-los. No entanto, esta pregação não produziu resultados. Em 1208, e depois do assassinato em Toulouse do legado papal, Inocêncio III decidiu pregar a cruzada contra os cátaros. No ano seguinte, cerca de 20 000 cavaleiros e 200 000 peões comandados por Simon de Monfort avançaram do norte de França para o Languedoc, onde cometeram as maiores atrocidades. Era o início de um conflito de décadas pelo controlo do Languedoc que, numa fase inicial, também envolveu o rei de Aragão. Como resultado, estas cruzadas fortaleceram o poder da Igreja de Roma e do Rei de França. Pelo contrário, significaram o fim do catarismo, o fim das ambições de Aragão em solidificar um estado transpirinaico, e um golpe nos traços distintivos da região da Occitânia, até então um dos expoentes da cultura medieval.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Aug 7, 202442 min

A Guerra de Sucessão de Espanha e a única vez que um exército português entrou em Madrid

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre a guerra de sucessão de Espanha, que decorreu entre 1701 e 1713. Este conflito teve início após a morte sem descendência de Carlos II, o último rei de Espanha da dinastia Habsburgo. Então, o trono foi disputado entre Felipe de Bourbom, neto de Luis XIV de França e apoiado por este reino, e o arquiduque Carlos de Habsburgo, irmão de Leopoldo I, imperador do Sacro Império, que era apoiado pelo exército imperial, pelos ingleses e os holandeses. De início, Portugal apoiou o candidato francês mas, em 1703, juntou-se à aliança inglesa e holandesa e passou a apoiar o arquiduque Carlos de Austria. Foi neste contexto que, em 1706, um exército aliado, maioritariamente português e comandado pelo marquês das Minas, entrou em Madrid e aclamou o arquiduque austríaco como rei de Espanha. A guerra de sucessão de Espanha só terminou em 1713, com a assinatura da paz de Utrecht e o reconhecimento por quase todas as partes de Felipe V de Bourbom como rei de Espanha. Este desfecho resultou na aproximação de França e Espanha e na afirmação da Inglaterra como grande potência europeia. No caso português. marcou a opção decisiva pelo alinhamento diplomático e económico com a Inglaterra.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 31, 202447 min

A história e legado dos Templários

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre os Templários, a Ordem Militar mais célebre do ocidente medieval. Os Templários foram fundados em 1118 como “Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão”, com o objectivo de defender os peregrinos que se dirigiam à Terra Santa. Nas décadas seguintes, acumularam um património considerável, sobretudo através de doações. Com o fim do Reino cristão de Jerusalém e os sucessivos reveses das cruzadas, a ordem perdeu o seu objectivo original. No início do século XIV, os Templários constituíam uma força militar poderosa e um dos principais credores do Rei de França. Estes foram os motivos que levaram Filipe IV de França a procurar que a Ordem fosse extinta. Tal veio a acontecer por bula do Papa Clemente V, assinada em 1312. Em França, os bens dos Templários foram confiscados pela Coroa. Contudo, em Portugal, reverteram para a Ordem de Cristo, fundada em 1319 por iniciativa do rei D. Dinis. Qual a História dos Templários? Qual a importância desta Ordem na fundação de Portugal? E o que há de verdade e de mito no seu legado?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 24, 202448 min

A Rainha Vitória e Portugal (com a escritora Isabel Machado)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram a escritora Isabel Machado para uma conversa sobre a Rainha Vitória do Reino Unido e, em particular, sobre a sua relação com Portugal. Alexandrina Vitória de Saxe Coburgo e Hanover nasceu em 1819. Era filha do duque de Kent, o quarto filho do rei Jorge III. À partida, não estava destinada a reinar, mas a morte sem sucessores de seus tios Jorge IV, Frederico, duque de York, e Guilherme IV, fizeram-na herdar o trono em 1837. Vitória reinou durante 63 anos, um longo reinado apenas ultrapassado por sua bisneta, Isabel II. Ao contrário da ideia feita, e do que a expressão “moral vitoriana” deixaria supor,Vitória foi uma mulher apaixonada, caprichosa e imatura. Também foi preocupada e leal à família, sobretudo aos Saxe Coburgo. Entre estes, estavam os seus “primos portugueses”, de quem muito gostava, sobretudo de D. Maria II e D. Pedro V. Durante a conversa, Isabel Machado, autora do romance “Vitória de Inglaterra, a Rainha que amou e ameaçou Portugal”, revela mais sobre a vida e personalidade desta Rainha marcante, e sobre a sua ligação a Portugal, desde a amizade com D. Maria II ao Ultimato britânico de 1890.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 17, 202449 min

A prisão do Tarrafal (com o fotógrafo João Pina)

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram o fotojornalista João Pina, autor do livro “Tarrafal”, para conversar sobre a tristemente célebre prisão do Tarrafal. Esta foi inaugurada em outubro 1936 por 157 presos políticos, a maioria com ligações à greve geral de 1934 e ao PCP ou, então, à “revolta de marinheiros” de setembro de 1936. Recebeu então o nome oficial de “Colónia Penal de Cabo Verde”.Encerrada em 1954, em parte por pressão da comunidade internacional, a prisão do Tarrafal reabriu em 1961, então como “Campo de Trabalho do Chão Bom”. Entre 1961 e 1974, estiveram presos no Tarrafal vários líderes dos movimentos independentistas africanos. Como era o quotidiano no Tarrafal? Quais os castigos, o trabalho, e a relação entre guardas e prisioneiros? Em que medida contribuiu, embora involuntariamente, para a reorganização do PCP? E que testemunhos de homens privados da liberdade por motivos políticos chegaram até hoje?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 10, 202456 min

Maximiliano de Habsburgo, o príncipe austríaco que foi imperador do México

Maximiliano nasceu em Viena e era irmão de Francisco José I, imperador de Austria entre 1848 e 1916. De ideais liberais, foi vice rei da Lombardia e, mais tarde, um acordo entre a França de Napoleão III, Espanha e Reino Unido, colocou-o no trono imperial do México. O novo imperador nunca foi aceite por parte dos mexicanos. Também não foi reconhecido pelos Estados Unidos que, então, estavam em guerra civil. Em 1866, as tropas francesas que garantiam o trono de Maximiliano abandonaram o México. O imperador recusou-se a fazer o mesmo e decidiu ficar. Resistiu aos seus opositores até 1867, quando foi capturado e fuzilado junto com os poucos que lhe permaneceram fiéis. Quais os contornos desta História improvável de um príncipe austríaco posto no trono imperial do México por vontade de França, Espanha e Reino Unido?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 3, 202452 min

A vida e obra de Luís Vaz de Camões

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho convidaram Carlos Maria Bobone, crítico literário e autor do livro recentemente publicado “Camões, vida e obra”, para uma conversa em torno deste personagem fundamental da História de Portugal. O que será lenda, o que é provável, e o que pode comprovar-se sobre a vida do poeta? Será que o foco da obra épica "Os Lusíadas" é a História dos feitos dos portugueses e seus antepassados? Qual a importância da obra de Camões para a cultura portuguesa? Por fim, como foram os seus últimos anos, será que morreu pobre, amargurado e angustiado com o futuro de Portugal?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 26, 20241h 5m

O Império e a proclamação da República no Brasil

Neste episódio, Henrique Monteiro e Lourenço Pereira Coutinho conversam sobre as primeiras décadas do Brasil, da independência à proclamação da República. De 1822 a 1889 o Brasil foi um Império, a única monarquia estável do continente americano. O regime teve um papel importante na manutenção da unidade brasileira, e como ponto de equilíbrio entre os defensores de modelos antagónicos, o federal e o centralista. Estas foram décadas cruciais, com o crescimento do peso económico do café e de S. Paulo, o debate sobre a escravatura, a imigração, e a consolidação do Brasil como grande estado da América do Sul, sobretudo depois da guerra do Paraguai (1864-1870). Durante longos anos, o Brasil teve como chefe de estado um Imperador liberal e esclarecido, D. Pedro II, que, paradoxalmente, não via com maus olhos a transição da monarquia para a república após o fim do seu reinado. Como foi o percurso do Brasil monárquico? E como ocorreu a implantação da república brasileira em 1889? Será que o tema da escravatura foi importante para este desfecho? E quais as características do regime republicano instaurado a 15 de novembro de 1899?See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 19, 202453 min