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As Origens Intelectuais do 25 de Abril (II): que papel desempenharam no 25 de Abril os livros africanos, franceses e ingleses sobre o colonialismo?
Season 1 · Episode 2

As Origens Intelectuais do 25 de Abril (II): que papel desempenharam no 25 de Abril os livros africanos, franceses e ingleses sobre o colonialismo?

A História repete-se · Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho

April 8, 20251h 43m

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Show Notes

Depois do primeiro episódio em que ouvimos falar sobre livros portugueses que contribuíram para o processo revolucionário do 25 de Abril, vamos agora focar a nossa atenção na literatura anticolonial, cujos contornos são mais internacionais, mas mais difíceis de definir.

A lista de livros a discutir começa pelas obras do jornalista Basil Davidson da década de 1950, do antropólogo norte-americano Marvin Harris, Portugal's African "Wards" - A First-Hand Report on Labor and Education in Moçambique (1958) e de James Duffy, Portuguese Africa (1959).

A esta configuração anglo-americana pertencem, igualmente: o livro do jornalista português António de Figueiredo, que terá sido ajudado, tanto por Harris como por Davidson, na publicação do seu livro intitulado Portugal and its Empire: the Truth (1961); bem como o de Perry Anderson, Portugal and the End of Ultra-Colonialism (1962).

Do lado francês, a revista Présence Africaine acolheu nacionalistas angolanos nas suas lutas pela independência, como foi o caso de Mário Pinto de Andrade e do escritor Castro Soromenho.

O Padre Robert Davezies, conhecido por ter denunciado as atrocidades da Guerra da Argélia, emprestou a sua voz à causa de Angola, num primeiro livro Les Angolais (1965), a que se seguiu La Guerre d'Angola (1968).

São também lembrados os textos de dois combatentes pela libertação da Guiné e de Moçambique: é o caso de Amilcar Cabral, que escreveu a introdução à obra de Basil Davidson, The Liberation of Guiné: Aspects of an African Revolution (1969), bem como de Eduardo Mondlane, The Struggle for Mozambique (1969). Nesta sequência, é ainda considerada a intervenção do Padre Hastings na denúncia do massacre de Wiriamu, ocorrido em 1972.

São ainda referidas obras mais dispersas e até de certa forma híbridas, como é o caso de ‘Negritude e humanismo’, um opúsculo publicado pela Casa dos Estudantes do Império em 1964, de Alfredo Margarido. O escritor e investigador construiu uma articulação rara entre produção literária e investigação histórica e antropológica. Esta última tinha, aliás, raízes na criatividade dos surrealistas, representados na passagem de Cruzeiro Seixas por Angola, iniciada na década de 1950.

Paralelamente, a tradução portuguesa de Os condenados da terra de Frantz Fanon, com prefácio de Jean-Paul Sartre, aponta para um outro facto editorial conseguido na contra-corrente da censura, em meados da década de 1960.

O debate é moderado por Isabel Castro Henriques e conta com a participação de Aurora Santos, Bernardo Cruz, José Augusto Pereira, Manuela Ribeiro Sanches, Nuno Domingos e Víctor Barros.

 

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Depois do primeiro episódio em que ouvimos falar sobre livros portugueses que contribuíram para o processo revolucionário do 25 de Abrilvamos agora focar a nossa atenção na literatura anticolonialcujos contornos são mais internacionaismas mais difíceis de definir. A lista de livros a discutir começa pelas obras do jornalista Basil Davidson da década de 1950do antropólogo norte-americano Marvin HarrisPortugal's African "Wards" - A First-Hand Report on Labor and Education in Moçambique (1958) e de James DuffyPortuguese Africa (1959). A esta configuração anglo-americana pertencemigualmente: o livro do jornalista português António de Figueiredoque terá sido ajudadotanto por Harris como por Davidsonna publicação do seu livro intitulado Portugal and its Empire: the Truth (1961); bem como o de Perry AndersonPortugal and the End of Ultra-Colonialism (1962). Do lado francêsa revista Présence Africaine acolheu nacionalistas angolanos nas suas lutas pela independênciacomo foi o caso de Mário Pinto de Andrade e do escritor Castro Soromenho. O Padre Robert Daveziesconhecido por ter denunciado as atrocidades da Guerra da Argéliaemprestou a sua voz à causa de Angolanum primeiro livro Les Angolais (1965)a que se seguiu La Guerre d'Angola (1968).São também lembrados os textos de dois combatentes pela libertação da Guiné e de Moçambique: é o caso de Amilcar Cabralque escreveu a introdução à obra de Basil DavidsonThe Liberation of Guiné: Aspects of an African Revolution (1969)bem como de Eduardo MondlaneThe Struggle for Mozambique (1969). Nesta sequênciaé ainda considerada a intervenção do Padre Hastings na denúncia do massacre de Wiriamuocorrido em 1972. São ainda referidas obras mais dispersas e até de certa forma híbridascomo é o caso de ‘Negritude e humanismo’um opúsculo publicado pela Casa dos Estudantes do Império em 1964de Alfredo Margarido. O escritor e investigador construiu uma articulação rara entre produção literária e investigação histórica e antropológica. Esta última tinhaaliásraízes na criatividade dos surrealistasrepresentados na passagem de Cruzeiro Seixas por Angolainiciada na década de 1950. Paralelamentea tradução portuguesa de Os condenados da terra de Frantz Fanoncom prefácio de Jean-Paul Sartreaponta para um outro facto editorial conseguido na contra-corrente da censuraem meados da década de 1960. O debate é moderado por Isabel Castro Henriques e conta com a participação de Aurora SantosBernardo CruzJosé Augusto PereiraManuela Ribeiro SanchesNuno Domingos e Víctor Barros.podcasthistoriaafricaluta anticoloniallivrosobrasamilcar cabralBasil DavisonEduardo MondlaneMário Pinto de AndradeAmílcar CabralFrantz Fanon e Gérard Chaliand são os principais autores dos livros em destaque no segundo episódio do podcast ‘As Origens Intelectuais da Revolução’. Oiça aqui o debate gravado pelo Expresso no auditório da Biblioteca Nacional para assinalar as celebrações dos 50 anos do 25 de Abril