
O Assunto
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Ep 382Sucessão no Congresso, parte 2
No segundo de dois episódios sobre a troca de comando no Legislativo Federal, Renata Lo Prete conversa com o filósofo Marcos Nobre, professor da Unicamp e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o Cebrap. Ele prevê união sólida entre o presidente Jair Bolsonaro e o deputado Arthur Lira (PP-AL), agora no comando da Câmara. “Um casamento de chantagem mútua, em que os dois são o mesmo lado da moeda". Mas com trepidações, até porque Lira dificilmente conseguirá entregar tudo o que prometeu aos 302 colegas que votaram nele. A chamada “agenda de costumes”, eufemismo para retrocessos em diferentes áreas, tem agora condições de prosperar. “Rodrigo Maia foi um biombo”, diz Nobre. Nesse aspecto, “o verdadeiro governo Bolsonaro começa agora”. Ao mesmo tempo, ele vê um “me engana que eu gosto” na ideia, expressa pelo mercado e pelo próprio ministro Paulo Guedes, de que Lira venha a abraçar reformas amplas ou qualquer pauta mais fiscalista da agenda econômica. Nobre concorda que o impeachment foi afastado do horizonte por um bom tempo ou mesmo definitivamente. Apenas pondera que ele nunca chegou a ser uma perspectiva real, nem na era Maia.

Ep 381Sucessão no Congresso, parte 1
O ano legislativo começou com vitória maiúscula de Jair Bolsonaro, que emplacou seus candidatos na presidência da Câmara (Arthur Lira, PP-AL) e do Senado (Rodrigo Pacheco, DEM-MG). Um fôlego e tanto para um governo que lida com a dupla pressão do fiasco no enfrentamento da pandemia e da recuperação econômica que não veio. Na Câmara, a vitória é antes de tudo do Centrão, que volta a ocupar a segunda cadeira mais importante da República seis anos depois da ascensão de Eduardo Cunha. Como foram construídos os resultados desta segunda-feira? E que impacto terão sobre o biênio final do mandato de Bolsonaro? É o que O Assunto vai procurar responder em dois episódios. Neste primeiro, Valdo Cruz, comentarista da Globo News em Brasília, detalha o quadro no Senado. E Bruno Carazza, colunista do jornal Valor Econômico e autor do livro "Dinheiro, Eleições e Poder", esmiúça as manobras do Palácio do Planalto para amarrar apoio a seus candidatos. "Oportunismo, criatividade e muita negociação de bastidor”, resume Carazza ao descrever a operação que destinou R$ 3 bilhões em créditos extraordinários do Orçamento do ano passado a 250 deputados e 35 senadores, viabilizada por uma decisão do TCU no apagar das luzes de 2020. “Abriram um balcão em que os parlamentares indicavam obras que serão contratadas pelo governo ao longo deste ano”. Sem deixar de reconhecer que Bolsonaro venceu, Carazza avalia que o preço a pagar será elevado: um presidente cada vez mais refém do Centrão.

Ep 380A vida de Ana no covidário em Manaus
Na faculdade, Ana Galdina se encantou com a infectologia por ser a especialidade que permite olhar simultaneamente para “o doente, a doença e sua inserção no ambiente”. Estudou as pandemias do passado, mas jamais imaginou as cenas que há 11 meses fazem parte de seu cotidiano na ala de pacientes graves de Covid-19 no Hospital 28 de Agosto, maior porta de entrada para atendimento na devastada capital do Amazonas. “No começo, era o medo do desconhecido”, recorda, referindo-se ao sentimento dela e de colegas diante dos sintomas e da evolução dos primeiros casos. “Hoje, nosso medo é da desassistência”. No relato de Ana Galdina, 42, a Renata Lo Prete se misturam angústia, frustração e resiliência. Em sua voz, a pressão sem trégua a que estão submetidos os profissionais da linha de frente. Na sucessão interminável de plantões, a lembrança de muitas datas se perdeu, mas de duas ela não esquece: 15 de abril de 2020, quando 21 pessoas morreram em seu turno, e 14 de janeiro de 2021, o dia em que o oxigênio acabou nas UTIs de Manaus. “A gente já teve que escolher, sim, quem receberia. E ainda tem que escolher”, diz. Casada, mãe de dois filhos, ela conta que, em face de tanto sofrimento, nem voltar para eles é simples. “Eu tenho minha rotina: chego em casa e vou tomar banho. Lá eu choro, choro e choro. Preciso dessa passagem para poder estar com minha família”.

Ep 379Vacina: vale usar todas na 1ª dose?
Enquanto o governo federal diz não ter pressa para decidir se fará uma compra adicional de 54 milhões de doses da Coronavac, o Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19 segue em marcha lenta, e o país debate a conveniência de atrasar a segunda dose, ampliando em troca o número de pessoas que estão recebendo a primeira. Presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Aurelio Safadi explica neste episódio o mecanismo pelo qual a vacina protege o indivíduo e o quanto é possível adiar a aplicação do reforço sem comprometer a imunização desejada -o intervalo máximo varia a depender do tipo de vacina e mesmo de uma marca para outra. Tudo considerado, Safadi aprova a adoção da estratégia neste momento: “É importante reconhecer que o Brasil tem carência de doses”. Outro que vota a favor é o médico sanitarista Gonzalo Vecina, um dos fundadores da Anvisa e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP. Mas com uma condicionante: tem que haver um cronograma crível de chegada de novas remessas, de forma a garantir que as pessoas recebam a segunda dose em prazo aceitável. Sem isso, “é muito arriscado”. Vecina acrescenta que a medida seria apenas paliativa, e que o fundamental é o governo comprar mais doses sem demora. Daí ele julgar inexplicável a atitude do Ministério da Saúde quanto aos 54 milhões do Instituto Butantan. “Neste momento, há tanta desconfiança em relação ao Ministério da Saúde que eu tiraria o comando da campanha da pasta e entregaria ao Conselho Nacional dos Secretários de Saúde”, afirma.

Ep 378O auxílio emergencial vai voltar?
Pandemia agravada, vacinação ainda incipiente. Amarrada ao destino da crise sanitária, a economia custa a se recuperar, e no momento tem quase nada a oferecer a milhões de brasileiros que, desde a virada do ano, estão privados da tábua de salvação de 2020: o auxílio emergencial. É nesse contexto que se desenrola um cabo-de-guerra em Brasília. De um lado, a equipe econômica, liderada pelo ministro Paulo Guedes, resiste à recriação de uma despesa gigantesca, num quadro fiscal explosivo. De outro, lideranças do Congresso e do próprio Executivo defendem o resgate do programa, de olho no risco de turbulência social e no efeito negativo do fim do benefício sobre a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. "Dentro do governo, muitos ministros acham que o auxílio não deveria ter acabado", conta Ribamar Oliveira, colunista do jornal Valor Econômico, um dos entrevistados neste episódio. Ele desfaz uma confusão frequente ao explicar que "o auxílio não é um problema de teto de gastos, mas sim de dívida pública". Participa também Cecília Machado, professora da Escola Brasileira de Economia e Finanças da FGV. Cecília reconhece que, num cenário econômico de grande incerteza, cujo elemento principal são as dúvidas quanto ao avanço da vacinação, a volta do auxílio cumpriria um papel essencial: “É o responsável pela segurança alimentar de muitas famílias”. Mas ela considera que ele só poderia voltar com alcance e valor mais modestos, e acompanhado de corte de outras despesas, para afastar o perigo de insolvência das contas públicas.

Ep 377Público x privado: fila paralela da vacina?
Sem doses suficientes nem mesmo para o primeiro dos grupos prioritários, o Brasil vê surgir uma discussão que em outros países não prosperou, em torno de delegar à iniciativa privada parte da compra e da oferta de imunizantes contra a Covid-19. A Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas propôs a aquisição de 5 milhões de doses da indiana Covaxin. E nesta terça o presidente Jair Bolsonaro confirmou ter dado sinal verde para que um grupo de empresários encomende 33 milhões de doses da AstraZeneca - metade iria para funcionários e familiares dos compradores, metade para o SUS. Problema: a farmacêutica já avisou que, neste momento da pandemia, não tem como atender clientes privados. “A gente precisa concentrar todos os recursos disponíveis para vacinar as pessoas mais vulneráveis", diz o médico sanitarista Adriano Massuda, pesquisador do Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da FGV, um dos entrevistados de Renata Lo Prete neste episódio. Ele lembra que os vulneráveis, no caso, não são apenas idosos e portadores de comorbidades, mas amplas fatias da população brasileira especialmente expostas ao contágio - e que não teriam acesso à vacina na rede particular. Com isso, o objetivo central, de alcançar a imunidade coletiva, ficaria cada vez mais distante. Participa também Geraldo Barbosa, presidente da associação das clínicas. “Vamos somar, não concorrer", defende ele.

Ep 376A esnobada do Brasil na Pfizer
Em setembro, o diretor-executivo global da farmacêutica ofereceu ao país 70 milhões de doses de sua vacina anti-Covid. Ainda que, em dezembro, o Ministério da Saúde tenha anunciado a intenção de comprá-las, a Pfizer revela agora que jamais recebeu resposta. E o governo brasileiro reage classificando como “abusivas” as cláusulas apresentadas e atacando a empresa por supostamente almejar um efeito de marketing ao vender para o Brasil. A nova celeuma se desenrola enquanto o país volta ao patamar de mil mortes diárias por Covid-19. “E o que nós temos de vacina até agora não é suficiente nem para atender ao primeiro grupo prioritário”, lembra Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin, que atuou por duas décadas no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. Ela vê risco real de a vacinação ser interrompida, pois a conta de doses a chegar e do tempo que falta para o início da produção local ainda não fecha. Participa também do episódio o economista Thomas Conti, professor do Insper e integrante do Infovid, grupo interdisciplinar dedicado a divulgar informações sobre a doença. Ele desmonta ponto a ponto as alegações do governo para fustigar a Pfizer e alerta para a repercussão do caso: “O que mais preocupa é a negociação com outros laboratórios. Nossa prioridade deveria ser atrair e fazer acordos que não fizemos no ano passado. Estamos no caminho contrário”.

Ep 375Carteirada na fila da vacina
Prefeitos, secretários municipais, empresários, médicos, jovens sem comorbidade alguma: tem de tudo (até negacionistas) na lista de brasileiros que estão burlando a ordem de prioridades estabelecida no plano federal de imunização contra a Covid-19. O espetáculo desavergonhado do “eu primeiro” acontece mesmo diante da escassez de doses disponíveis -no momento, elas são insuficientes até para proteger o conjunto dos profissionais da saúde, prioridade das prioridades. Em Manaus, a mais devastada das capitais do país, a vacinação chegou a ser suspensa para que o Ministério Público investigue casos de fura-fila. Em entrevista a Renata Lo Prete, Daniel Dourado, médico e advogado do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da USP, lembra que burlar esse tipo de determinação das autoridades em plena pandemia configura crime previsto no artigo 268 do Código Penal, com punição que pode variar de um mês a um ano de detenção, mais multa. Ele explica o critério que deve nortear a sucessão de fases do plano: vacinar primeiro quem cuida dos doentes e, na sequência, as pessoas mais vulneráveis às formas mais graves da Covid, justamente aquelas que, se contaminadas, precisarão de leitos nos hospitais sobrecarregados. Um princípio fácil de entender quando se vê a vacina como proteção coletiva. “Mas há quem enxergue como benefício meramente individual”. Para Dourado, a falta de comunicação clara e de uma efetiva coordenação nacional contribui para as infrações.

Ep 374Brasil x China: como fica a vacina?
Depois de dois anos de provocações infantis do governo brasileiro, está nas mãos da superpotência emergente o futuro do nosso Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19. Ele só ganhará escala quando houver produção local. E tanto a Fiocruz quanto o Instituto Butantan dependem do IFA, insumo vindo da china. Correspondente do jornal “O Globo” em Pequim, Marcelo Ninio relata neste episódio as justificativas dadas pelo governo chinês para o atraso na liberação do material, todas de ordem burocrática. “O discurso é de interesse na colaboração com o Brasil”, diz. Mas ele não descarta que a China venha a aproveitar o episódio para reduzir as resistências à sua participação quando for introduzida aqui a tecnologia 5G. O outro convidado é Fausto Godoy, diplomata de carreira que serviu na embaixada brasileira em Pequim. Ele lembra que o interesse chinês no Brasil, essencialmente como provedor de alimentos, é de longo prazo e supera qualquer eventual desejo de retaliação pelos ataques de Jair Bolsonaro, do filho Eduardo e do chanceler Ernesto Araújo. Mas alerta que também não devemos esperar especial boa vontade na solução do impasse. E que, para além dele, o problema maior foi o atual governo ter colocado o Brasil na contracorrente do mundo, começando por negligenciar o papel que o século 21 reserva à China.

Ep 373Desafios de Biden na Casa Branca
Depois da transição mais conturbada da história, o democrata tomou posse como o 46º Presidente dos Estados Unidos. Biden assume um país em guerra interna, e que perde cerca de 4 mil vidas por dia para a pandemia de Covid-19. "A posse ocorre sobre o signo da divisão profunda da sociedade americana", diz Rubens Ricupero, convidado de Renata Lo Prete neste episódio. Historiador e diplomata, o ex-embaixador do Brasil em Washington traça um paralelo entre a posse de Biden e a de Abraham Lincoln, em 1861. Ricupero detalha como Biden terá que lidar com as consequências da recente invasão ao Capitólio e com o discurso do agora ex-presidente Donald Trump de que as eleições foram roubadas: "O grande primeiro desafio é esse, restabelecer a verdade dos fatos". O diplomata explica ainda como ficam as relações com China, Europa e com o resto do mundo. "Hoje esses parceiros todos estão cada um deles procurando seus próprios caminhos".

Ep 372Vacinação começou, e agora?
Depois da liberação da Anvisa para o uso emergencial, profissionais da saúde começaram a ser vacinados em todo o país. Mas as 6 milhões de doses da Coronavac que foram distribuídas não são suficientes para imunizar nem metade deste que é um dos grupos prioritários na fila da vacina. Outras 2 milhões de doses que devem vir da Índia não tem data para chegar. E além da escassez de doses, há ainda outro problema: a falta de insumos vindos da China para produzir localmente, o que daria mais capacidade e autonomia para uma vacinação em massa. "Ter doses é o grande gargalo", diz Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira em Imunizações, uma das convidadas de Renata Lo Prete neste episódio. Isabella lembra ainda que o Programa Nacional de Imunizações consegue vacinar muitos brasileiros em pouco tempo: "A gente sabe fazer". Participa também Fabiane Leite, jornalista da TV Globo especializada em saúde, que detalha quais são as metas estipuladas pelo Ministério da Saúde explica de onde vem o material que pode dar tração à produção local.

Ep 371Erros na pandemia: quem vai pagar?
Negação da ciência, incentivo às aglomerações, piadas sobre a vacina... Desde a chegada do coronavírus ao Brasil, o presidente Jair Bolsonaro colocou em dúvida e desafiou recomendações de autoridades de saúde para frear o avanço da pandemia. Mas não foi só ele. A tragédia assistida em Manaus expõe uma série de erros, passando pelo ministro da Saúde, pelo governador do Amazonas e o prefeito da capital. Existe espaço responsabilização dos agentes públicos? Para responder a esta questão, Renata Lo Prete recebe dois convidados neste episódio: Vanja Santos, integrante da Mesa Diretora do Conselho Nacional de Saúde, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, e Oscar Vilhena, diretor da FGV de São Paulo e integrante da Comissão Arns. Ela diz que ministério mal se reuniu com o conselho e não seguiu nenhuma de suas recomendações. "A gente fica meio à deriva", afirma ela ao contar sobre relação entre os dois órgãos. Oscar Vilhena detalha quais são as consequências jurídicas e políticas a que Bolsonaro e Eduardo Pazuello podem ser submetidos. "Há duas formas de enquadramento, uma de crime comum. Outras, de crime de responsabilidade", o último que pode acarretar processo de impeachment. Ele explica que autoridades estaduais e municipais também podem ser responsabilizadas. "Estamos pendurados na Câmara dos Deputados. A cobrança deve ser feita em relação aos deputados", ele conclui, ao lembrar que quem pode fazer andar um processo contra o presidente são esses parlamentares.

Ep 370Polícia com mais poder: para quê?
Greves recorrentes apesar de ilegais, envolvimento crescente na política, letalidade em alta: é nesse ambiente, e com a simpatia do Palácio do Planalto, que corporações da segurança pública tentam fazer avançar no Congresso uma nova lei orgânica das polícias. Entre outras medidas de cunho autonomista, o texto retira dos governadores a prerrogativa de escolher o comandante-geral da PM (que passaria a sair de lista tríplice elaborada por coronéis), bem como de dispensá-lo, mesmo em situações de insubordinação ou crise de gestão (ele teria mandato fixo). O retrocesso é evidente. “A polícia não pertence aos policiais. Ela representa o braço armado do Estado, que tem, portanto, a obrigação fazer o controle disso”, pondera José Vicente da Silva Filho, coronel reformado da PM-SP, ex-secretário Nacional de Segurança Pública e um dos convidados deste episódio. Renata Lo Prete entrevista também Arthur Trindade, diretor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ele afirma que o projeto fere, além da Constituição, a própria lógica federativa, pela qual policiais civis e militares respondem aos governos estaduais, dos quais sai sua remuneração. O que está em curso é mais amplo, explica Trindade: “Não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro faz movimentos para cooptar as polícias”. E tem precedentes históricos: “Controle maior delas pelo poder central é algo típico de nossos períodos autoritários”. Para saber que filme é esse e como termina, o pesquisador recomenda olhar para a reforma feita na polícia de um país vizinho: a Venezuela.

Ep 369Enem da pandemia: chegou a hora
Adiado por causa do novo coronavírus, o exame que envolve quase 6 milhões de estudantes começa no domingo, 17 de janeiro. Apesar do apelo alunos, entidades e alguns prefeitos, a prova está mantida por decisão do TRF-3 - menos no Amazonas, onde a primeira instância suspendeu a realização. Mas como será fazer o exame neste momento de alta de casos de Covid? Neste episódio, Renata Lo Prete conversa com Luiza Tenente, repórter de educação do G1. Luiza explica as orientações em meio ao processo de judicialização e da carência de explicações do governo sobre o que vai acontecer com quem estiver em cidades onde a prova não será aplicada. Ela detalha cuidados a tomar e o que levar na hora de fazer a exame: máscara e caneta preta. "A recomendação dos médicos é que o estudante leve um lanche rápido", diz. E dá uma dica: ter foco e combater a ansiedade.

Ep 368Eleição no Congresso na reta final
Uma disputa sem povo, mas que determina muita coisa no país. Assim Maria Cristina Fernandes, colunista de política do jornal Valor Econômico, define a corrida para as presidências da Câmara e do Senado, que terá desfecho no início de fevereiro. Ainda que novos nomes possam surgir - e eventualmente surpreender - até a última hora, o quadro se afunilou para dois confrontos: entre os deputados Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP), e entre os senadores Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Simone Tebet (MDB-MS). Lira e Pacheco apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro. Rossi e Tebet, por grupos que pregam a independência do Parlamento na relação com o Palácio do Planalto. Em conversa com Renata Lo Prete, Maria Cristina explica o que está além dos termos mais simples dessa equação. “É uma disputa por espaços dentro e fora do Congresso”, que envolve negociação de cargos no governo, alianças com vistas a 2022 e até acerto de contas entre lavajatistas e seus críticos. Nos dois casos, ela indica quem tem a vantagem no momento, lembrando, porém, que sempre há tempo para surpresas e mudanças de lado nesse colégio eleitoral restrito, mas influente.

Ep 367A saída da Ford e o derretimento da indústria
Primeira montadora a se instalar no Brasil, em 1919, a Ford anunciou que vai fechar suas fábricas de produção aqui – a de Camaçari (BA) e a de Taubaté (SP), imediatamente; e a de Horizonte (CE), ainda em 2021. Reflexo da crise de um setor que amarga quedas desde meados da década passada e que se vê diante de duas importantes transformações: na matriz energética e na relação do consumidor com os carros. "A juventude não tem mais a ambição de comprar o carro e há um movimento de trocar os veículos a gasolina por elétricos”, mapeia o economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e sócio da MB Associados. Convidado de Renata Lo Prete neste episódio, Mendonça de Barros explica também por que as gigantes automobilísticas têm tanta influência nas decisões do governo federal e as consequências do emagrecimento do parque industrial brasileiro. “É indispensável à indústria do Brasil aumentar seu investimento em tecnologia e melhorar sua produtividade”, afirma. Participa também o repórter de economia do G1 Luiz Gerbelli. Ele relembra como este é mais um capítulo do processo de reestruturação da empresa, que fechou a tradicional fábrica do ABC em 2019. "Uma filial que precisa ser socorrida com frequência. A operação ficou inviável." Gerbelli explica ainda como a situação econômica contribui para a fuga. "O Brasil não tem mais força, pelas questões econômicas e pelas sucessivas crises, para fazer esse mercado crescer e absorver tantos veículos."

Ep 366Trump banido das redes
Na esteira de um inédito ato de insurreição estimulado pelo presidente dos Estados Unidos, outro movimento sem precedentes: sua remoção do Facebook e do Twitter. Quase ao mesmo tempo, Apple, Google e Amazon retiraram de suas lojas virtuais o aplicativo que mantinha ativa a rede social Parler, usada por apoiadores do presidente para organizar a invasão ao Congresso e pregar, entre outros crimes, o assassinato do vice Mike Pence. Tudo isso enquanto Washington se prepara, sob pesado esquema de segurança, para a posse de Joe Biden, no próximo dia 20. O expurgo digital do homem mais poderoso do mundo, que apenas no Twitter comandava 88 milhões de seguidores, suscita uma série de questões, que Renata Lo Prete discute neste episódio em entrevista com Pedro Doria, colunista do jornal O Globo e editor do Canal Meio. As gigantes de tecnologia passaram dos limites agora, praticando censura, ou demoraram a agir, tolerando, enquanto lucravam muito, quatro anos de seguidas incitações à violência e ilegalidades várias? “Estamos falando de um chefe de Estado, que ativamente usou como estratégia política bem mais do que mentir, mas criar uma realidade paralela", diz o jornalista. Se a conversa online exige marco regulatório, a quem cabe a arbitragem? “Se a gente pensa nas redes sociais como a praça pública, quem deve tomar a decisão sobre as regras é o povo, representado pelo Congresso”, afirma. Doria lembra ainda que a história não deve terminar no presidente americano, e vê o Brasil nesse roteiro: “Bolsonaro é quem mais imita Trump, é um caso-chave. Estamos no olho do furacão”.

Ep 365Covid: por que monitorar os viajantes
Num momento em que a pandemia se agrava em vários continentes, convém examinar os resultados obtidos por países que apostaram no controle de entrada, aliado a testagem e quarentena, como forma de erguer uma barreira de contenção do contágio. É o caso da Coreia do Sul, onde quem chega faz exame ainda no aeroporto e, na sequência, encara um rígido isolamento de 14 dias. “Um aplicativo no celular te monitora o tempo todo. Há estrangeiros que foram deportados por violar a quarentena”, conta Carlos Gorito, jornalista brasileiro que vive em Seul desde 2008. Fato é que, apesar de um rebote recente no número de casos, o país de 50 milhões de habitantes ostenta uma das mais baixas taxas de mortalidade por Covid-19. O episódio traz, além do depoimento de Carlos detalhando os protocolos sul-coreanos e seu impacto no cotidiano, entrevista de Renata Lo Prete com o médico Márcio Bittencourt, mestre em Saúde Pública que trabalha no Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica do Hospital Universitário da USP. Ele explica a função de cada uma das três fases de controle de fronteiras, destaca o uso da tecnologia para reduzir as transmissões e analisa a situação do Brasil: “Aqui, o maior problema é interno. Precisamos monitorar o fluxo entre cidades e entre Estados”, diz. E também do que jamais tivemos na pandemia: "Uma boa estratégia de comunicação, com mensagens uníssonas das autoridades”.

Ep 364EUA sob ataque de Trump, parte 2
O dia em que o presidente americano incitou uma turba a invadir o Congresso foi seguido por uma madrugada na qual deputados e senadores ratificaram a vitória de Joe Biden. Mas os eventos da quarta-feira em Washington continuam a reverberar. Desdobraram-se em baixas na Casa Branca, na suspensão de Trump do Facebook por tempo indeterminado e, principalmente, num movimento de parte do establishment para removê-lo do cargo antes do próximo dia 20, data da posse de Biden. Pressão suficiente para levar o presidente a divulgar, na noite desta quinta, um vídeo em que, pela primeira vez, fala em tom conformado sobre a iminente saída do poder. Tudo isso tem consequências que vão além do prazo de validade do atual governo - e muito além das fronteiras dos Estados Unidos. Para avaliá-las, Renata Lo Prete recebe neste episódio o cientista político Houssein Kalout, pesquisador da Universidade Harvard. “Trump rebaixou a estatura da democracia americana", diz ele. Embora enxergue pouca chance de impeachment ou outra saída antecipada prosperar a esta altura, Kalout acredita que os atos de insurreição e vandalismo não ficarão impunes. “Pessoas morreram. Alguém terá que responder por isso". Para ele, o Partido Republicano está "diante de um teste de fogo: ou se reinventa, ou afunda com Trump". Kalout explica ainda o que significa para o mundo a percepção de fragilidade da democracia americana. O que inclui o Brasil: “O roteiro para 2022 está dado".

Ep 363Congresso invadido, Trump fora de controle
Era para ser apenas um rito formal no processo de transição, mas virou um dia inédito na história dos EUA. Incitados pelo presidente Donald Trump, manifestantes invadiram o Capitólio, onde congressistas estavam reunidos para ratificar a vitória de Joe Biden no Colégio Eleitoral. Extremistas interromperam a cerimônia, parlamentares foram retirados às pressas e uma mulher morreu baleada. "O que estamos vendo aqui é um grande teatro", diz Daniel Wiedemann, coordenador do escritório da TV Globo em Nova York, em entrevista a Renata Lo Prete. Ele relembra a estratégia de Trump, como a eleição na Geórgia selou a derrota dos republicanos e o que esperar até dia 20 de janeiro, quando Biden toma posse. Participa também Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV em São Paulo. Stuenkel analisa como, mesmo derrotado, Trump continua sendo a figura mais popular do Partido Republicano e como fica a relação entre ele e seu vice, Mike Pence: "está instalada uma espécie de guerra civil no partido." Stuenkel esmiúça como a instabilidade política interna pode afetar a influência norte-americana no mundo: "Biden vai ter que gastar muito tempo e energia para pacificar." E conclui como a troca de poder nos EUA pode complicar a vida de populistas ao redor do mundo, entre eles do presidente Jair Bolsonaro.

Ep 362Manaus de volta ao inferno da Covid
“Não há macas, não há leitos, não há nada." Assim o repórter Alexandre Hisayasu, da Rede Amazônica, resume a situação. Em conversa com Renata Lo Prete, ele conta que, em hospitais sobrecarregados, até o espaço antes usado por funcionários para bater ponto agora abriga pacientes de maneira precária. Acompanhando a pandemia no Estado desde os primeiros casos, Hisayasu tem a sensação de assistir a uma reprise trágica: nove meses depois de Manaus apresentar ao Brasil o colapso produzido pelo novo coronavírus, está de volta a via crucis de ambulâncias que não têm onde deixar os doentes. Assim como a adaptação de cemitérios onde falta espaço para sepultar os mortos. Participa também do episódio o infectologista Júlio Croda, pesquisador da Fiocruz, que até março de 2020 respondia pelo Departamento de Imunizações do Ministério da Saúde. Ele atribui a vulnerabilidade de Manaus, antes de tudo, à estrutura hospitalar do Amazonas, a pior do país em termos de leitos de UTI por 100 mil habitantes. Qualquer aumento no número de casos (e o atual é expressivo) leva o sistema ao limite. E frisa que nunca houve imunidade de rebanho por lá, ao contrário do que alguns chegaram a especular: "A imunidade coletiva depende das medidas preventivas". Croda é assertivo: "Vacina é a única forma segura de superar a pandemia".

Ep 361O estrago da versão mais contagiosa do corona
A mutação B.1.1.7 do coronavírus já foi registrada em mais de 30 países, entre eles o Brasil. Primeiro a identificá-lo, o Reino Unido registra mais de 50 mil casos diários há uma semana. Para tentar conter o avanço da nova variante, o premiê Boris Johnson reagiu e decretou o terceiro lockdown no país - este, mais longo, pode durar até março. Para explicar a trajetória desta variação do vírus e suas particularidades, Renata Lo Prete entrevista a jornalista da TV Globo em Londres Natalie Reinoso e a imunologista Ester Sabino, professora da Faculdade de Medicina da USP e primeira cientista a sequenciar o genoma do coronavírus no Brasil. Natalie detalha as medidas de restrição no Reino Unido e os dados de contágio atualizados. Ester explica por que esta é a mutação que mais preocupa e sugere o que podemos fazer para frear sua disseminação: "Deveria ter um cuidado maior com as pessoas que estão chegando de fora do Brasil". Segundo ela para "diminuir o número de entradas" da nova variante por aqui. Ester fala que este é o momento de manter os cuidados para evitar a propagação: "Não tem outra saída até que a vacina esteja disponível para toda a população".

Ep 360A matemática da vacinação
O biólogo Fernando Reinach descreve 2021 como a pista de uma corrida a ser disputada entre o novo coronavírus e a imunização, para ver quem chega antes às pessoas. Na largada, o primeiro está em clara vantagem. As posições se inverterão quando o mundo “vacinar mais do que o vírus contamina”, explica neste episódio Reinach, autor do livro “A Chegada do Novo Coronavírus no Brasil” e colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”. No caso brasileiro, ele calcula que seria necessário aplicar cerca de 500 mil doses por dia, ao longo dos 365 dias deste ano, “para a vida do vírus ficar muito difícil”. Desafio imenso, especialmente quando se leva em conta que, à diferença de cerca de 40 países, não começamos a vacinar nem temos data definida para fazê-lo. Na entrevista a Renata Lo Prete, Reinach diz que começar é necessário, mas que o mais importante a observar é quantas pessoas conseguiremos imunizar por dia e qual será a taxa de eficácia do produto usado -variável essencial na hora de estimar quantos brasileiros precisarão ser vacinados até que se chegue ao controle da doença.

Ep 359Revisitando Maria em Ingazeira
Neste final de ano, O Assunto resgata quatro de seus episódios mais marcantes, protagonizados por brasileiros que tiveram a vida duramente transformada pela pandemia. Da escassez de testes à sobrecarga dos hospitais, da falta de emprego ao luto sem despedida, suas histórias representam as grandes dificuldades do país no enfrentamento do novo coronavírus. Aqui você vai ouvi-los em dois momentos: o do relato original feito a Renata Lo Prete e agora. No quarto e último da série, a entrevistada é a agricultora pernambucana Maria Assunção Araújo, 40 anos, representante de um fenômeno social explicado na participação do doutor em demografia José Eustáquio Diniz Alves: a migração de retorno. Maria é uma entre muitos brasileiros que partiram em busca de oportunidades nos grandes centros do eixo Sul-Sudeste e, sob o efeito combinado de covid e crise econômica, terminaram por voltar à terra natal. Ouvida em 13 de julho, quando havia acabado de se instalar novamente em Ingazeira, Maria resumia assim sua experiência de um ano na cidade grande, com marido e filho pequeno: “São Paulo é bom pra passear. Mas São Paulo é uma ilusão". Cinco meses depois do retorno ao sertão, trabalho ainda é problema, mas dá-se um jeito: “Estamos estabelecidos, compramos uns animaizinhos, alguns deram cria, então a gente tá repondo o que vendeu”. E a mensagem para 2021 é de esperança: “Que seja um ano de paz e prosperidade pra todo mundo, que a pandemia se afaste e que volte a reinar a saúde”.

Ep 3582020 em frases e sons
Covid-19, Sars-CoV-2, pandemia, lockdown, recessão, vacina: as palavras mais repetidas deste ano que ninguém vai esquecer remetem todas para a mesma história, que começou na China, perto da virada do ano anterior, espalhou-se literalmente por todo o mundo e entrará em 2021 ainda no centro do noticiário. Palavras que estão na dor das famílias, nos alertas da ciência, nas declarações das autoridades, nos resultados eleitorais, nos eventos cancelados, na vida em suspenso. E que alimentam este episódio especial de O Assunto, cápsula sonora do ano que termina.

Ep 357Legítima defesa da honra: ameaça resiste
Esse argumento jurídico usado por décadas para livrar de punição assassinos de mulheres ganhou perspectiva de sobrevida com uma decisão da Primeira Turma do STF publicada pouco antes do Natal. Por 3 votos a 2, os ministros descartaram a possibilidade de anulação, seguida de novo julgamento, de absolvições proferidas pelo Tribunal do Júri, mesmo quando na contramão das provas. Em outro recurso, a matéria ainda será analisada pelo plenário do Supremo. E o que for pacificado ali terá repercussão geral - ou seja, valerá para todas as pendências futuras a esse respeito. O advogado criminalista Luís Francisco Carvalho Filho, entrevistado por Renata Lo Prete neste episódio, lembra que, pelo novo entendimento, Doca Street jamais teria enfrentado um segundo julgamento e cumprido pena de prisão pelo assassinato, em 1976, de Ângela Diniz. No primeiro, mais célebre exemplo do uso da tese da legítima defesa da honra, na prática a condenada foi a vítima, morta a tiros. Por uma conjunção do noticiário, a decisão da Primeira Turma chegou ao conhecimento do público quase ao mesmo tempo da morte de Doca, aos 86 anos, e de mais um caso brutal de feminicídio: o da juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, assassinada pelo ex-marido com 16 facadas diante das 3 filhas. Carvalho Filho alerta: conferir a jurados autorização ilimitada de clemência vai beneficiar, além de criminosos de gênero, policiais que atiram quando não deveriam, milicianos, matadores profissionais e mandantes poderosos.

Ep 356Revisitando Alboino na UTI
Neste final de ano, O Assunto resgata quatro de seus episódios mais marcantes, protagonizados por brasileiros que tiveram a vida duramente transformada pela pandemia. Da escassez de testes à sobrecarga dos hospitais, da falta de emprego ao luto sem despedida, suas histórias representam as grandes dificuldades do país no enfrentamento do novo coronavírus. Aqui você vai ouvi-los em dois momentos: o do relato original feito a Renata Lo Prete e agora. No terceiro capítulo da série, o personagem é Alboino Lucena, médico de 27 anos que se divide entre cinco UTIs de Covid no Ceará. No episódio que foi ao ar em 22 de junho, ele relatou, em tempo real, duas noites de plantão na terapia intensiva. “Teve dia em que fiz 15 entubações”, contou. “Algumas pessoas que estão na linha de frente não estão psicologicamente bem. Eu mesmo estou um pouco abalado e com medo”. Seis meses depois, Alboino constata com otimismo que o número de casos graves na região onde atua diminuiu, mas ressalva que a taxa de letalidade da doença, para quem precisa de UTI, segue alta. “Dos cinco pacientes que atendi naquela noite, fizemos de tudo, tudo, mas eles não resistiram”, relembra. E ainda resume que aprendeu em quase um ano de luta: “as grandes coisas estão nos pequenos detalhes. A principal arma contra o coronavírus é água e sabão”.

Ep 355Revisitando Vanda no Parque das Tribos
Neste final de ano, O Assunto resgata quatro de seus episódios mais marcantes, protagonizados por brasileiros que tiveram a vida duramente transformada pela pandemia. Da escassez de testes à sobrecarga dos hospitais, da falta de emprego ao luto sem despedida, suas histórias representam as grandes dificuldades do país no enfrentamento do novo coronavírus. Aqui você vai ouvi-los em dois momentos: o do relato original feito a Renata Lo Prete e agora. No segundo capítulo da série, a entrevistada é a técnica de enfermagem Vanda Ortega Witoto, da etnia do mesmo nome, que vive no Parque das Tribos, em Manaus. O episódio com ela foi ao em 3 de junho e teve a participação mais do que especial de Ailton Krenak, escritor e líder indígena, fundador da Aliança dos Povos da Floresta. Já naquela altura, ele nos convidava a uma reflexão mais ampla sobre a pandemia: “a Terra está reagindo à predação que nós temos de alguma maneira colaborado para que aconteça”. Vanda, que coordena os cuidados com os doentes de Covid no parque, contava que ali o número de casos e óbitos superava em muito os registros oficiais e desabafava: “Não temos assistência do Estado. Até na morte nossa identidade é negada”. Seis meses depois, ela relata que a comunidade segue sem socorro oficial até mesmo para cestas básicas, desprovida de uma Unidade Básica de Saúde e às voltas com um drama acentuado pela pandemia: a ausência de trabalho. “Tem famílias inteiras desempregadas", diz.

Ep 354A prisão de Crivella e a crise política do Rio
Na última semana de seu turbulento mandato, o prefeito do Rio foi parar na prisão, mas recorreu ao STJ e conseguiu prisão domiciliar com o uso de tornozeleira. Crivella foi preso por envolvimento com o chamado QG da propina, comandado pelo empresário Rafael Alves. A prisão do prefeito coloca o Rio sob comando do vereador Jorge Felippe, presidente da Câmara Municipal. E expõe um Rio de crise política, onde cinco ex-governadores foram presos desde 2016. Neste episódio, Julia Duailibi recebe Berenice Seara, colunista do jornal Extra no Rio. Berenice explica o que é o QG da propina, as acusações contra Crivella e como o prefeito sobreviveu a nove pedidos de impeachment, mas foi pego pelo Ministério Público. Ela relata também a estreita relação entre Crivella e Rafael Alves, fala de um Rio devastado por escândalos políticos e como tudo isso pode afetar a transição para a gestão da prefeitura de Eduardo Paes.

Ep 353Revisitando Thiago, que perdeu o pai para Covid
Neste final de ano, O Assunto resgata quatro de seus episódios mais marcantes, protagonizados por brasileiros que tiveram a vida duramente transformada pela pandemia. Da escassez de testes à sobrecarga dos hospitais, da falta de emprego ao luto sem despedida, suas histórias representam as grandes dificuldades do país no enfrentamento do novo coronavírus. Aqui você vai ouvi-los em dois momentos: o do relato original feito a Renata Lo Prete e agora. Quem abre a série é Thiago Ladislau, 33, pequeno comerciante de Paulista, na região metropolitana do Recife. No episódio que foi ao ar em 11 de maio, ele descreveu a via crucis em busca de atendimento para o pai, seu José, 74, que morreu na fila de espera por um leito de UTI. Não houve velório, e a lembrança de Thiago é a do pai “no caixão fechado, na gaveta escrito Covid-19". Decorridos sete meses, ele conta que "a gente vai continuando as nossas vidas, rindo mais, chorando menos, nas lembranças. E é isso, esperança e fé na ciência". E reflete: "Nosso maior desafio é não normalizar a doença”.

Ep 352Escolas fechadas, desastre social
No Brasil, as aulas presenciais desapareceram na altura do registro da primeira morte no país pelo novo coronavírus e da declaração de pandemia pela OMS, nove longos meses atrás. Desde então, atividades menos essenciais e mais propensas à aglomeração foram retomadas, mas o ensino segue quase todo remoto - e apenas para quem pode. Quando deveria ser o contrário, diz Priscila Cruz, co-fundadora e presidente do movimento Todos pela Educação: “A escola tem que ser a última a fechar e a primeira a reabrir". Como acontece em muitos países do hemisfério Norte que, mesmo convivendo com medidas rigorosas para contenção da segunda onda, optaram por manter em sala de aula especialmente os alunos mais novos, menos equipados para aprender à distância. Em conversa com Renata Lo Prete, Priscila reconhece que carências básicas da nossa rede pública tornam mais difícil a reabertura com a pandemia ainda em curso, mas afirma que é preciso atacá-las com providências emergenciais e elegendo prioridades: “Garantir primeiro o retorno daqueles que mais precisam. Alunos em situação de vulnerabilidade, de fome, que não têm acessibilidade nem conectividade nenhuma”. Ela compara o estrago a consertar ao de um pós-guerra. No momento em que a rede paulista, de longe a maior do país, anuncia o retorno das aulas presenciais para fevereiro, convém ouvir o que a ciência diz sobre a transmissão do vírus por crianças e o contágio em ambiente escolar. Segundo o médico Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, também entrevistado neste episódio, as respostas são animadoras. Crianças não só adoecem como contaminam pouco. E na escola o contágio não é maior do que em outros lugares. “É injusto colocar na conta da atividade escolar um peso que ela não tem".

Ep 351Covid em crianças: alta nas internações
A grande maioria das crianças é assintomática ou desenvolve quadros leves da Covid-19. Algumas poucas precisam de hospitalização e, no geral, mesmo essas se recuperam de forma rápida. De março a outubro, mais de 6.300 pacientes com menos de 10 anos foram hospitalizados no Brasil apresentando quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave decorrente do novo coronavírus. O dado, de levantamento inédito da consultoria em saúde Vital Strategies, representa menos de 1% do total de internações da pandemia, mas desperta um alerta por revelar uma curva ascendente. Uma dessas crianças é Rodrigo, que completa 7 anos neste sábado. "Menino raiz, joga bola, nada, anda de bicicleta, brinca na rua. Não tinha ideia do que era uma internação", descreve o pai, Rodrigo Bernardes, em entrevista a Renata Lo Prete. Rodrigo pai tinha acabado de atravessar mais de dez dias de UTI com Covid quando o menino começou a apresentar sintomas como cansaço, pescoço rígido e fortes dores abdominais. De início, ninguém associou à doença. O quadro piorou bastante até vir o diagnóstico da rara Síndrome Inflamatória Multissistêmica, que ataca uma pequena parcela de crianças que tiveram Covid, muitas vezes de forma completamente assintomática. “A palavra é troca de valores”, diz o pai sobre sobre ver o filho na UTI tão pouco tempo depois de estar na mesma situação. “Não sei de onde tirei força. Se fosse necessário dar a minha vida pela dele, sem dúvida eu teria dado". Participa também do episódio a médica Daniela Carla de Souza, que trabalha nas UTIs pediátricas do Sírio Libanês e do Hospital Universitário da USP. Ela indica em que as famílias precisam prestar atenção e qual é a senha para procurar um médico. "Febre acima de 38 graus, que não cede com antitérmicos, e criança prostrada".

Ep 350Contagem regressiva para o fim do auxílio
Criado em abril para socorrer os brasileiros das limitações de circulação e da escassez de trabalho na pandemia, o pagamento emergencial - primeiro de R$ 600, e a partir de setembro de R$ 300 - beneficiou diretamente 68 milhões de pessoas, amortecendo a queda livre da atividade. Para dimensionar o impacto do programa que deixa de existir no próximo 31 de dezembro, o economista Pedro Fernando Nery, um dos convidados deste episódio, faz a seguinte comparação: “o auxílio emergencial transferiu, em nove meses, o mesmo volume de recursos que o Bolsa Família transferiu em dez anos”. Ele teme que o fim dos pagamentos, num contexto econômico ainda muito deprimido e com desemprego elevado, reverta automaticamente a redução de quase 24% da pobreza que o auxílio conseguiu. E, mesmo reconhecendo as restrições fiscais, defende algum tipo de “pouso suave” que prorrogue o benefício, ainda que em valor menor. Participa também o jornalista Valdo Cruz, que relembra como o auxílio nasceu e ganhou sobrevida e as idas e vindas do governo na malsucedida tentativa de criar um novo programa social permanente. Que primeiro ia se chamar Renda Brasil, depois Renda Cidadã e no final, diz Valdo, “vamos entrar em 2021 sem renda nenhuma".

Ep 349As encrencas dos filhos de Bolsonaro
01, 02, 03, 04. Respectivamente, Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan. Todos protagonizaram histórias nebulosas no entorno do governo do pai. A mais explosiva até aqui é a da rachadinha, que tem no centro 01 e acaba de ganhar novo capítulo com a revelação de relatórios que a Agência Brasileira de Inteligência teria produzido para municiar a defesa do senador. Guilherme Amado, jornalista da revista Época que noticiou em primeira mão tanto os relatórios quanto, meses antes, uma reunião no Palácio do Planalto da qual participaram o próprio presidente, o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), o delegado Alexandre Ramagem (Abin) e duas advogadas de Flávio, é um dos convidados deste episódio. Diante dos esclarecimentos pedidos pela ministra do Supremo Carmen Lúcia e pelo procurador-geral da República, Amado diz: “Tem uma pessoa que resolve todas as dúvidas se falar. Chama-se Flávio Bolsonaro. É só ele dizer de quem recebeu [os relatórios]". 01 ainda não disse nada. Participa também Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional. Ele tipifica condutas que podem ser associadas ao caso, a depender do que concluir a investigação. De improbidade administrativa e prevaricação até crime de responsabilidade, caso fique caracterizado envolvimento de Bolsonaro em uso de órgãos de Estado em benefício do filho. “É algo que ameaça muito mais do que a luta contra a corrupção. Ameaça o Estado democrático de direito."

Ep 348Vacina: como salvar o plano brasileiro
Os EUA começaram a imunizar sua população contra o novo coronavírus nesta segunda-feira, mesmo dia em que o país ultrapassou a marca de 300 mil óbitos. No Brasil, segundo no ranking de óbitos na pandemia, o Ministério da Saúde finalmente entregou um plano ao Supremo - ainda repleto de incógnitas. Em entrevista a Renata Lo Prete neste episódio, Gonzalo Vecina, fundador da Anvisa, ex-secretário nacional de Vigilância Sanitária e professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, critica o escopo limitado da proposta, a aposta num único imunizante e o “genocídio" que se desenha com a exclusão de presidiários do grupo prioritário para receber as doses. Para Vecina, os militares que ocuparam o Ministério da Saúde podem entender de logística armada, mas de logística de vacina não entendem nada e deveriam ter a humildade de chamar de volta os técnicos que foram escanteados no governo Bolsonaro. Participa também Cristiana Toscano, infectologista e epidemiologista que integra o Grupo de Trabalhos em Vacinas para a Covid-19 da OMS. Ela explica por que poucos países terão vacinação em massa no curto ou médio prazo e analisa os critérios para priorizar grupos e reduzir os impactos da doença. Cristiana considera “bem razoável" o prazo de dez dias que agora a Anvisa estipula para analisar pedidos de registro.

Ep 347Covid à solta nas baladas da pandemia
Alheias ao avanço do contágio em boa parte do país, muitas pessoas - sobretudo jovens - estão desafiando as limitações impostas ao funcionamento de bares e outros estabelecimentos, além de se aglomerar em festas clandestinas. “Mano, tá rolando normal” e “eu não consigo ficar em casa” foram algumas das impressões que O Assunto ouviu conversando com frequentadores da noite na região central de São Paulo. Já a repórter Isabela Leite, da GloboNews, conta a Renata Lo Prete como as festas são organizadas, nos bairros ricos e nas periferias das grandes cidades, abaixo do radar da fiscalização e com grande facilidade. São eventos que chegam a reunir mil pessoas, amontoadas e sem máscara. Cientes do quanto as festas do verão no hemisfério norte contribuíram para o agravamento do quadro na Europa e nos Estados Unidos, especialistas se preocupam particularmente com o risco representado por comemorações de Ano Novo. Participa também do episódio o estatístico e doutor em psicologia Altay de Souza, pesquisador da Unifesp e apresentador do podcast de divulgação científica Naruhodo. Ele diz que a questão do autocontrole (ou falta de) ajuda a explicar o comportamento de quem coloca a si e ao próximo em perigo. “Os jovens são menos aptos a pensar no futuro longínquo do que no prazer imediato”, afirma. “Para eles, é mais difícil associar ação com resultado”. Ele analisa o estímulo das redes sociais e sugere práticas, individuais e coletivas, que podem ajudar na conscientização.

Ep 346Vacina no Reino Unido: lições a aprender
Enquanto o Ministério da Saúde demora em fazer o necessário e confunde o público com informações desencontradas, longe daqui alguns brasileiros já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19. É o caso de Kerlane Jackman, de 41 anos, que vive há oito no Reino Unido e conquistou lugar na fase inicial de imunização por trabalhar como cuidadora de idosos num asilo do sistema público de saúde, o NHS. “Foi um alívio inexplicável”, diz. Na entrevista a Renata Lo Prete, Kerlane conta como se inspirou na mãe, agente de saúde em Manaus, ao escolher a profissão. Relata os anos de estudo até ser admitida no NHS - que nos anos 80 serviu de modelo para a criação do nossos SUS. E as dificuldades para atender a faixa etária mais vulnerável ao novo coronavírus. “Nessa hora, é só o amor mesmo. A gente faz pelo amor de ajudar as pessoas”. Participa também do episódio Rodrigo Carvalho, correspondente da Globo em Londres. Rodrigo explica como o governo britânico conseguiu aprovar a vacina Pfizer-BioNTech e iniciar sua aplicação em menos de uma semana - inaugurando a imunização em países do Ocidente. Fala do papel estratégico da comunicação governamental permanente e uniformizada das informações sobre a pandemia. E destaca também o que as autoridades têm evitado por lá: divulgar cronogramas de vacinação impossíveis de cumprir.

Ep 345A queda do ministro do laranjal
Marcelo Álvaro Antônio carrega há mais de ano uma denúncia do Ministério Público pelo protagonismo no esquema de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais. Ainda assim, o presidente da República não viu problema em mantê-lo à frente da pasta do Turismo, até que vieram a público, nesta quarta-feira, desabafos dele contra o colega Luiz Eduardo Ramos, coordenador político do governo, num grupo de WhatsApp do primeiro escalão federal. Marcelo qualificou o general da reserva de “traíra”, e o acusou de pagar um preço “nunca antes visto na história” em troca de apoio no Congresso. Essa demissão “pode parecer uma defesa de Ramos”, diz a comentarista da GloboNews Natuza Nery em conversa com Renata Lo Prete. “Mas é a defesa do próprio governo à exposição das vísceras do governo”. Neste episódio, as duas explicam a relação entre a mudança no Turismo e o objetivo maior de Jair Bolsonaro daqui até o início de fevereiro: emplacar o deputado Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara. Nesse contexto, a substituição do demitido por Gilson Machado, atual presidente da Embratur, pode ter prazo de validade. Esse e outros cargos estão na roda para uma eventual reforma ministerial, antes ou logo depois da eleição das Mesas do Congresso.

Ep 344O Rio das crianças mortas a bala
Anna Carolina, João Vitor, Luiz Antônio, João Pedro, Douglas Enzo, Kauã Vitor, Rayane, Ítalo Augusto, Maria Alice, Leônidas Augusto. A eles se juntaram, no fim de semana passado, Emilly Victoria e Rebecca Beatriz. Crianças entre 4 e 14 anos, todas negras, que perderam a vida este ano no Estado do Rio de Janeiro. “Balas perdidas que encontram sempre os mesmos corpos”, escreveu a jornalista Flávia Oliveira, da GloboNews e da CBN, uma das entrevistadas deste episódio. Ela resgata histórias de famílias devastadas pela perda de suas crianças - e aponta o racismo como um elemento constitutivo dessa tragédia. O outro é a falta de consequência - dos 12 casos ocorridos desde o início do ano, em apenas um se chegou à autoria do crime. Participa também o sociólogo Daniel Hirata, professor da Universidade Federal Fluminense e pesquisador do Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos. Ele explica por que as operações policiais nas comunidades - em tese suspensas durante a pandemia, por decisão do Supremo - estão no centro do problema. E lança um alerta: “A violência que vem dos grupos armados não pode espelhar a atuação das polícias”.

Ep 343Maia e Alcolumbre: como fica a sucessão
Depois de três dias de votação via plenário eletrônico, o STF surpreendeu boa parte dos analistas e vetou a possibilidade de recondução dos atuais presidentes da Câmara e do Senado. A maioria do tribunal divergiu do relator da matéria, ministro Gilmar Mendes. E agora? Para entender o significado da decisão do tribunal e explorar suas consequências, Renata Lo Prete recebe neste episódio a jornalista Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor Econômico. Ela começa por explicar o desconforto de vários ministros com a interpretação heterodoxa que se pretendia dar ao artigo 57. “Pode valer tudo contra o presidente Jair Bolsonaro, menos afrontar a Constituição de forma tão aberta”, diz. E sugere que pesou também a repercussão negativa que a perspectiva da manobra gerou. Maria Cristina avalia que, com os atuais titulares fora do jogo, a sucessão nas duas Casas do Congresso “embaralhou bastante” e será jogada até o último instante (a eleição, interna, é no início de fevereiro). Ainda assim, ela examina os principais nomes colocados. “O governo precisa fazer o presidente, principalmente na Câmara”, afirma. Dois motivos principais: as pautas econômicas pós-pandemia e os mais de 50 pedidos de impeachment que dormem nos escaninhos da Casa.

Ep 342Epidemia eterna na terra yanomami
Em três meses, o números de casos de Covid-19 deu um salto de 250% na maior reserva indígena do Brasil, que se estende pelos Estados do Amazonas e de Roraima, onde vivem cerca de 27 mil índios das etnia Yanomami e Ye'kwana. Lá o novo coronavírus, combinado à ressurgência da malária, deixa um rastro de mortes bem conhecido do povo, que ao longo de décadas foi dizimado por gripe, sarampo e outras doenças trazidas pelo homem branco. Em especial pelos garimpeiros -na estimativa dos yanomamis, eles são hoje cerca de 20 mil, praticando atividade ilegal no território e contaminando sua população com o novo coronavírus. “O garimpo pra gente é uma doença, que mata a pessoa, que mata o ambiente, que mata os rios”, diz em entrevista a Renata Lo Prete Dario Kopenawa, filho de Davi e vice-presidente da Associação Hutukara, que representa os yanomamis. Dario estabelece a relação entre os períodos de avanço do garimpo e a sucessão de epidemias que foram ceifando a etnia. Ele também explica o trabalho dos xamãs, dos “médicos da floresta”, e do autocuidado para compensar a progressiva omissão do poder público. E relata em detalhes o encontro que teve em julho com o vice-presidente Hamilton Mourão para formalmente dar ciência dos crimes que estão ocorrendo na reserva. Desde então, nada aconteceu para interromper esse processo. Dario fala ainda da destruição da Amazônia: “Se vocês não pararem de desmatar, a Terra vai ser muito brava com vocês”.

Ep 341ESPECIAL ELEIÇÕES: Efeitos das novas regras nas urnas
Nestas eleições municipais começou a valer a proibição de coligações em cargos proporcionais – neste ano, vereadores. O efeito já foi sentido em 2020, com a redução no número de partidos que elegeram vereadores, especialmente em cidades menores. Mas agora o próximo ponto a observar é 2022, ano em que a nova regra será aplicada à escolha de deputados federais e estaduais. E quando partidos terão uma cláusula de desempenho mais rigorosa a cumprir. Quais siglas estão ameaçadas de extinção? Estamos prestes a ver uma temporada de fusão de partidos? Na Câmara dos Deputados, já há um movimento para derrubar a regra. Qual a chance de este movimento prosperar e o que significaria se isso acontecesse? No décimo episódio da série de O Assunto sobre as eleições municipais de 2020, Renata Lo Prete recebe Silvana Krause e Jairo Nicolau para discutir estas e outras questões. Silvana é professora do programa de pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Jairo é pesquisador do CPDOC da FGV e especialista em sistemas eleitorais. Juntos, eles analisam os resultados das mudanças. Silvana fala sobre como há um movimento para tentar reverter as regras e como políticos "vão se adaptar e criar alternativas, como a migração". Jairo analisa como o PSD se tornou o grande polo de atração de deputados, e como as siglas se mexem para diminuir a fragmentação: "ter mais partidos significa dividir o pouco tempo de televisão, o fundo eleitoral e o fundo partidário". Este é o último dos dez episódios da série, todos lançados aos sábados.

Ep 340Rio de novo em colapso pela Covid
Falta de leitos e UTIs lotadas: a realidade da pandemia se agrava no Estado, e os números mostram alta na média móvel de novos casos. Depois de um breve respiro, com alívio em setembro e outubro, a segunda onda deixa mais de 80% dos leitos de UTIs ocupados; na capital, a taxa já supera os 91% na rede SUS, e está em quase 100% na particular. E o Comitê Científico da prefeitura da capital recomenda: as medidas de isolamento social devem ser endurecidas. Para tratar da situação, neste episódio Renata Lo Prete conversa com a neurologista Carolina Lucas, médica que atende em 4 hospitais no Rio e na região metropolitana, e com Victor Ferreira, repórter da TV Globo. Victor faz a cronologia que relaciona o abandono das regras de distanciamento com o aumento no número de casos, contextualiza a crise diante dos escândalos políticos no Estado e projeta que, nos próximos dias, as autoridades decidirão por um “recrudescimento das medidas”. Carolina faz um duro relato do dia a dia dentro das emergências, onde as UTIs nunca ficam vazias. Ela alerta que "o vírus não escolhe quem vai deixar em estado grave. Qualquer pessoa que contrai a doença pode ficar grave a qualquer momento” e relata como agora há "muito paciente jovem que procura atendimento" com sintomas mais complexos.

Ep 339Luz mais cara agora e o que esperar em 2021
O primeiro sinal de que algo não ia bem veio em outubro, quando o governo acionou termoelétricas e autorizou a importação de energia para poupar as hidrelétricas. Principal fonte de nosso sistema, os reservatórios estão com níveis baixíssimos, por causa da falta de chuva. Para tentar poupar as represas, a Agência Nacional de Energia Elétrica autorizou a tarifa vermelha, a mais cara de todas, que eleva a conta de consumidores residenciais e industriais. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe o repórter Bruno Fávaro, da afiliada TV Globo em Curitiba, e Fernando Camargo, economista e especialista em infraestrutura com foco no setor de energia, saneamento e logística. "Faltou água na torneira, a torneira perdeu a função", relata Fávaro, sobre o problema que começou a ser sentido na capital paranaense ainda no fim de 2019. Camargo explica por que, apesar do aumento da demanda, a alta no consumo não justifica tarifas mais elevadas: "no agregado do país como um todo, o consumo de energia está abaixo que o do ano passado. Espera-se que 2020 feche entre 1% e 1,5% abaixo de 2019". E fala ainda sobre como uma possível retomada da economia em 2021 pode agravar ainda mais a situação do setor de energia.

Ep 338Quando você será vacinado contra a Covid?
Para termos a resposta há dois passos essenciais: uma vacina eficaz e um plano de vacinação. Por aqui 4 imunizantes estão na fase 3 de testes, o Ministério da Saúde diz que só terá um plano completo quando a Anvisa liberar a vacina. Até agora, o que o governo apresentou é um esboço indicando metas e grupos prioritários, mas sem datas definidas. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe o repórter Fabiano Andrade, da Globo em Brasília, e Carla Domingues, epidemiologista que comandou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019. Carla detalha como a estrutura do PNI favoreceria a aplicação do imunizante logo após sua aprovação: "rapidamente entre 15 e 30 dias você já pode começar a fazer uma campanha de vacinação". Fabiano relata como o governo "deu perdido" após o Tribunal de Contas da União cobrar um plano completo para imunizar a população contra a Covid-19. E fala ainda das pistas dadas pelo Ministério da Saúde sobre qual vacina está na mira do governo para ser aplicada nos brasileiros.

Ep 337Pós-eleição, crise econômica e os rumos para 2022
Definido o tabuleiro político depois do pleito municipal, agora partidos e políticos com pretensões na disputa presidencial têm pela frente dois enormes problemas. A pandemia e a reconstrução de uma economia em frangalhos. Neste episódio, Renata Lo Prete entrevista Fernando Schuler, cientista político e professor do Insper. Para ele, a partir de agora a economia é "o grande eleitor". Schuler analisa a situação do presidente Jair Bolsonaro com o fim do auxílio emergencial no horizonte, fala da consolidação das vitórias de partidos de centro-direita e como as urnas mostraram "um cansaço da polarização".

Ep 336O saldo do 2º turno e os recados das urnas
Resultados rápidos, reeleições e poucas viradas... Na maioria das cidades em que os eleitores voltaram às urnas, vitórias de partidos do centro foram reforçadas. Enquanto isso, o bolsonarismo e o PT encolheram. Quem ganhou e quem perdeu neste domingo? O que os resultados mandam de recado para o presidente Jair Bolsonaro? E o que a nova conjuntura política já indica para 2022? Com Renata Lo Prete neste episódio, três jornalistas da Globo que cobriram intensamente o domingo de votação e apuração: Nilson Klava, Valdo Cruz e Julia Duailibi. Nilson detalha as taxas de abstenção, Valdo responde como a pandemia pautou este segundo turno e Julia aponta como lideranças de olho na disputa presidencial saem desta eleição municipal.

Ep 335ESPECIAL ELEIÇÕES: Covid marca reta final
Campanha mais curta, chances de virada, padrinhos políticos de olho na campanha de 2022... Além desses fatores, a disputa do segundo turno foi marcada pelo agravamento da pandemia em muitas capitais. Na maior delas, Guilherme Boulos foi diagnosticado com Covid-19 na antevéspera da eleição, tirando o adversário de Bruno Covas das ruas e do debate nesta reta final. Como tudo isso deve influenciar os resultados? Devemos esperar mais ou menos abstenção neste domingo? No nono episódio da série de O Assunto sobre as eleições municipais de 2020, Renata Lo Prete debate essas e outras questões com o jornalista Fabio Zambeli, analista-chefe do Jota, e o cientista político Jairo Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos em Política e Economia do Setor Público, da FGV. Zambelli fala como a pandemia se tornou mais presente: “os números que atestam essa possível segunda onda e o possível adiamento de medidas para o funcionamento do comércio de uma forma geral vieram a tona e estão muito presentes”. Jairo aponta capitais onde há claras chances de virada, algo raro entre um turno e outro. Para ele, o cenário é possível em Manaus, Maceió e Recife. A série tem dez episódios, lançados sempre aos sábados.

Ep 334Por que é tão difícil sair da pobreza no Brasil
Qual é a chance de uma pessoa nascida em família pobre conseguir ter o rendimento médio do brasileiro? Quanto tempo isso demora? A resposta: nove gerações. "Demoraria mais ou menos 160 anos", diz Paulo Tafner, economista e pesquisador associado da USP, convidado de Renata Lo Prete neste episódio. Diretor-presidente do recém-lançado Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social, Tafner detalha o círculo vicioso que mantém brasileiros em situação de pobreza e pobreza extrema nas mesmas condições de seus antepassados. No Brasil, "a história do indivíduo está determinada na barriga da mãe", explica o economista. Tafner detalha ainda quais são as barreiras para que haja mobilidade de classe e compara a situação brasileira com a de outros países.

Ep 333Maradona, o mais humano dos deuses
O futebol perdeu na quarta-feira, 25 de novembro, um dos mais geniais jogadores da história: Diego Armando Maradona, aos 60 anos. O argentino que provocou devoção nos gramados e controvérsias fora de campo, tudo sempre movido a muita paixão. Neste episódio, Renata Lo Prete recebe dois convidados que dão a dimensão da perda: Martín Fernandez e Ariel Palácios. Martín, jornalista esportivo do Grupo Globo, detalha como Maradona se encaixa no panteão do esporte: "Enquanto o Maradona jogou, ninguém jogou mais do que ele, numa era que tinha Zico, Platini e Rummenigge". Fala também da personalidade do craque: "sempre foi difícil de entender, tanto quanto o jogador foi difícil de marcar". Já Ariel Palácios, correspondente em Buenos Aires, descreve as várias facetas de Diego "um complexo quebra-cabeças que gera nos argentinos as mais variadas reações" e relata a relação turbulenta de amor do país com o craque.