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Parentalidade: por que é que os pais de hoje vivem angustiados e com sentimentos de culpa?

Parentalidade: por que é que os pais de hoje vivem angustiados e com sentimentos de culpa?

Que voz é esta? · Joana Pereira Bastos e Helena Bento

October 30, 202359m 34s

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Show Notes

De uma maneira geral, as relações entre pais e filhos nunca foram tão próximas e afetuosas. Por que razão então os pais de hoje vivem angustiados e com sentimentos de culpa? Como gerem a falta de tempo para estar com os filhos? A que se deve a necessidade de hiperproteção das crianças e que impacto é que isso tem no seu desenvolvimento? E o que devem fazer em caso de birras insistentes ou adolescentes desafiantes? No novo episódio do podcast “Que Voz é Esta?” falamos de parentalidade, com as explicações do psiquiatra Daniel Sampaio e da psicóloga Laura Sanches

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De uma maneira geralas relações entre pais e filhos nunca foram tão próximas e afetuosas. Por que razão então os pais de hoje vivem angustiados e com sentimentos de culpa? Como gerem a falta de tempo para estar com os filhos? A que se deve a necessidade de hiperproteção das crianças e que impacto é que isso tem no seu desenvolvimento? E o que devem fazer em caso de birras insistentes ou adolescentes desafiantes? No novo episódio do podcast “Que Voz é Esta?” falamos de parentalidadecom as explicações do psiquiatra Daniel Sampaio e da psicóloga Laura SanchesLaura Sanchespsicóloga clínica dedicada ao desenvolvimento infantil e ao aconselhamento parentalestá habituada a ouvir os pais desabafarem no seu consultório sobre os sentimentos de culpa que muitas vezes enfrentampela falta de tempo que têm para estar com as crianças ou por situações em que se descontrolam na gestão de birraspor exemplo. “As mães às vezes vêm muito preocupadas porque se zangamgritam e fazem coisas que não queriam ter feito. Mas isso faz parte das relações. As crianças não precisam de mães que estão sempresempre calmas. Precisam de mães que também sabem assumir as suas responsabilidades”sublinha.Nunca como hoje os pais estiveram “tão conscientes do impacto que a educação tem na criança” e da importância decisiva da infância na construção da auto-estima e da personalidade. “Já há muita investigação nessa área e chegámos à conclusão que realmente a criança organiza o seu mundo interno e externo em função das suas relações mais importantes nos primeiros anos de vida. A forma como os pais respondem à criança vai moldando aquilo que ela aprende sobre si mesma e aquilo que aprende a esperar das relações com os outros”explica. Por issoos pais temem que muita coisa possa traumatizar os filhosmas Laura Sanches diz que é importante relativizar: “De facto o que nós fazemos tem impactomas as crianças não são frágeis. Estão programadas para resistir a algumas adversidades e isso é saudável e importante. Ajuda-as a ganharem resiliência”. A EDUCAÇÃO DO MEDO A promoção da autonomia das crianças é fundamental epara issoé necessário correr alguns riscos. O problema é que muitas famílias têm hoje um “medo completamente excessivo” de tudo o que possa acontecer aos filhosacabando por protegê-los em demasiaalerta Daniel Sampaio. “As crianças de hoje não podem brincar na ruanão podem subir a uma árvorenão podem estar sozinhas na praceta ao pé de casanão veem a cidade a não ser pela carrinha da escola ou pelo automóvel dos pais. Esta educação muito possessivamuito controladoraé má para o desenvolvimento da criança em termos futuros”avisa o psiquiatra.Nas últimas décadaso modelo de parentalidade alterou-se substancialmentetornando-se muito menos severo: os pais deixaram de ser tão autoritáriosos castigos físicos deixaram de ser admissíveis e a criança passou a ter uma palavra a dizer no seio da famíliao que foi uma “conquista muito importante”salienta o psiquiatra. O problema é que “muitos pais têm hoje dificuldade em definir regras e em exercer a sua autoridade”. Em muitos casospassou-se do oito ao oitentaadotando-se um modelo de parentalidade excessivamente permissivoo que também tem impactos negativos . “Há pais que deixam as crianças escolherem a escola para onde vãoa que horas dormem ou aquilo que comem. Isso deixa os miúdos completamente ansiosos e perdidos. É pô-los num lugar de decisão que não é deles”realça a psicóloga Laura Sanches. Um dos principais problemas tem a ver com a falta de tempo que muitos pais têm para estar com os filhoso que faz com que por vezes tentem compensar as crianças com prendas exageradas ou que sejam mais permissivos. Já tive pais na minha consulta que me dizemmas eu estou tão pouco tempo com eleso tempo que estou com eles ainda tenho que estar a dizer nãoainda tenho que estar a ouvir chorofaz parte de ser pai e mãenão é?