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Vasco Lourenço: para que serve esta comemoração do 25 de novembro?

Vasco Lourenço: para que serve esta comemoração do 25 de novembro?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

November 25, 20241h 22m

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O coronel Vasco Lourenço tem 82 anos, é presidente da Associação 25 de Abril, ator e autor central do 25 de novembro. Um dos principais obreiros do 25 de novembro recusa a equiparação com o 25 de abril e não aceitou estar presente na sessão solene de hoje. Diz que esta é a festa dos que também foram derrotados nesse dia, que queriam transformar numa vingança e num retrocesso. O presidente da Associação foi uma das principais figuras do próprio 25 de novembro. Membro da chamada ala moderada do MFA, foi um dos nove do grupo dos nove, liderança política do golpe ou contragolpe (conforme o ponto de vista). A sua escolha para comandante da Região Militar de Lisboa, substituindo Otelo Saraiva de Carvalho, foi o gatilho dos acontecimentos. E teve um papel político e militar absolutamente central naqueles dias.

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Vasco Lourenço: Para que serve esta comemoração do 25 de novembro? Até o dia 25 de novembro de 2024as comemorações do 25 de abril pretendiam sintetizar todo o longo processo que levou à democracia. Até porque nele está a queda da ditaduraem 1974as eleições que levariam à aprovação de uma nova Constituiçãoem 1975e as primeiras eleições legislativasjá depois do 25 de novembroem 1976. Nesse processo estão datas como o 28 de setembro ou o 11 de marçoquando foram derrotadas tentativas da direita radical para dar um passo atráse o 25 de novembroquando foram derrotados setores radicais da esquerda que se afastavamaos olhos da maioria dos militares da abrilda promessa democratizadora do programa do MFA. O 25 de abrildata quecomo se viu nas comemorações populares deste anoune quase todo os portuguesesfazia a síntese feliz de um período cheio de contradiçõespermitindo que o país olhe para o futuronão se perdendo em guerras culturais. 50 anos depoisa maioria parlamentar de direita muito condicionada pelo Chega decidiu organizar uma sessão solene anualequivalente à do 25 de abriltentando equiparar as duas datas. Como sempre acontece nestas coisas da memória históricaos objetivos têm mais a ver com o presente do que o passado. A esquerda diz que se quer dar a parte da direita um papel quepor contingências históricasnão teve. Que se quer equiparar uma ditadura de meio século com meses conturbados e contraditórios. E equiparar o PCP ao Estado Novopodendoassimnormalizar a extrema-direitada mesma forma que o PCP foi normalizadopara queno futuro próximotambém possa contar para maiorias governativas. A direita diz que apenas quer prestar homenagem ao que considera ser o momento em que a democracia foi garantida. A verdade é quemeio século depoisabrem-se feridas que estavam cicatrizadas. E que foram resolvidas pelos próprios autores do 25 de novembro. Na sessão solene haverá uma ausência que não pode deixar de ser notada: a da Associação 25 de abrilque junta os militares que abriram as portas da liberdade e da democracia. E não é fácil alimentar a acusação de revanchismo. O presidente da Associação foi uma das principais figuras do próprio 25 de novembro. Membro da chamada ala moderada do MFAfoi um dos nove do grupo dos noveliderança política do golpe ou contragolpe (conforme o ponto de vista). A sua escolha para comandante da Região Militar de Lisboasubstituindo Otelo Saraiva de Carvalhofoi o gatilho dos acontecimentos. E teve um papel político e militar absolutamente central naqueles dias. É um dos principais obreiros do 25 de novembro a recusar a equiparação com o 25 de abril e a não aceitar estar presente na sessão solene. Diz que esta é a festa dos que também foram derrotados nesse diaque queriam transformar numa vingança e num retrocesso. O tenente-coronel Vasco Lourenço tem 82 anosé presidente da Associação 25 de Abrilator e autor central do 25 de novembro e estará comigo na próxima hora e meia. 1 - Comecemos por alguma pedagogia histórica. Sem ser exaustivoqual era a situação política no dia 24 de novembro? - A 12 de novembro houve o cerco dos trabalhadores da construção civil ao parlamento. Eduardo Lourenço disse: “não sei quem ganhou ao certoembora creia que tenha sido a Revolução possível e lúcida. Mas sei quem perdeu — o verbalismoo mimetismo ultrarrevolucionário e a sua miragem frenética de sovietizar em dois tempos este País”. Por outro ladohavia a rede bombista do MDLP... O que acha que teria acontecido se não houvesse 25 de novembro? Existia um risco de guerra civil? - Foi um dos subscritores do documento do grupo dos 9onde também estavam Melo AntunesPezarat CorreiaCharaisCanto e CastroCosta NevesSousa e CastroVítor Alves e Vítor Crespo. A vossa resposta a outro documento“Aliança Povo/MFA”nem sequer advogava a social-democracia de tipo ocidentalmas uma terceira viaque recusava o socialismo soviético. Foi esta a base ideológica do 25 de novembro. Havia a convicção de que o PCP queria fazer entrar o país na esfera soviética? Esse risco era real? Ou havia apenas um descontrole do processo revolucionárioonde a extrema-esquerda até teria mais importância? 2 - O 25 de novembro foi um golpe ou um contragolpe? Contra quem? É hoje claro quem mandou sair os paraquedistas? - O golpe vinha da extrema-esquerda? O PCP tinha qualquer relação com ele? 15’ - Na madrugada do dia 25 de novembro foi declarado comandante da Região Militar de Lisboasubstituindo Oteloo que terá levado à reação dos paraquedistas. Qual foi o seu papel no 25 de novembro? - Que papel teve o Presidente Costa Gomes? - A IL usou o rosto de Jaime Neves para celebrar o 25 de novembro. Já vamos a como a data é tratada hoje. Jaime Neves foi comandante operacionalcom um papel militar indiscutível. Teve um papel político central ou a centralidade dada é por ter defendido a ilegalização do PCP? 3 - A relação preferencial do grupo dos nove era com o PS. Mas Melo Antunes chegou a acusar Mário Soares de se tentar aliar ao pior que havia da extrema-direita e havia a ideia de que o PS até ponderava uma intervenção externa. Que papel teve a aliança entre o PS e a direita no 25 de novembro? E como é que o grupo dos nove se relacionava com isso? 4- No dia 25 de novembroos militares próximos do PCP não resistiram. Há a tese de que Melo Antunes e Álvaro Cunhal poderão ter negociado essa passividade. Outros defendem que o PCP se limitou a recuarsabendo que a derrota era certa. O papel do PCP naqueles dias é das coisas menos claras de uma data que já éela próprianebulosa. Há base real para falar da neutralidade do PCP? 30’ - No dia 26 de novembro Ernesto Melo Antunes disse que o PCP era indispensável para construir a democracia portuguesa. Não houve qualquer tentativa de ilegalização ou perseguição e o PCP até continuou no VI governo provisório. Esta travagem do que a direita queria fazer faz parte do 25 de novembro? - Diz que a direita queria uma democracia musculada. Isso passava pelo quê? 5 - A Associação 25 de abril recusou estar presente na sessão solene do 25 de novembroque acontecerána Assembleia da Repúblicano dia em que este podcast vai para o ar. Sendo presidida por uma das principais figuras do próprio 25 de novembrocomo explica esta posição? - Acha que há uma tentativa de equiparar o 25 de novembro ao 25 de abril? São equiparáveis? - Estive a ouvir uma entrevista sua à RTPno dia 27 de novembro de 1975no Palácio de Belémem nome dos vitoriosos do 25 de Novembro e do Conselho da Revoluçãoem que dizia quetal como no 11 de março foi mais difícil travar a escalada de um extremismo de esquerda do que fazer frente ao ataque ao RALIStambém naquele momentocom a situação militar praticamente resolvidaas forças de direita estavam a deitar as garras de fora para se aproveitarem dessa situação. Numa entrevista mais recentedisse que a maior dificuldade que teve no terreno foi impedir que as forças extremistas à direita transformassem o 25 de novembro num 28 de maio. E que não aceita agradecimentos dos que foram vencidos. O que assistiremos na Assembleia da República éde forma simbólicauma continuação do aproveitamento que falava dois dias depois do 25 de novembro? 45’ 6 - Qual acha ser o objetivo desta equiparação? Diminuir o 25 de abril? Dar à direita um papel histórico que não teve no fim da ditadura? Equiparar o PCP aos fascistas? - Há um desconforto da direita com o 25 de abril? - Estas comemorações resultam do crescimento da extrema-direita? 7 - Diz que também comemora o 28 de setembro e o 11 de marçoem que foram travados golpes de direita. Que também comemora a derrota das tentativas de direita de travar o processo democrático. O 25 de abrilonde também estão incluídas as eleições para a Assembleia Constituinteem 1976consegue sintetizar todas essas datas? - Este debate faz sentido 50 anos depois? Isto diz alguma coisa as pessoas? 1.00’