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Presidenciais 2026 com António José Seguro: é útil a esquerda votar em Seguro?

Presidenciais 2026 com António José Seguro: é útil a esquerda votar em Seguro?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

December 23, 20251h 5m

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Show Notes

António José Martins Seguro, assim aparecerá nos boletins de voto, foi candidato muito antes de o ser. Malquerido por muitos dos seus camaradas, apoiado por tantos outros, tornou-se, perante a ausência de outras alternativas no espaço socialista, na escolha inevitável do PS. O mal-estar tem mais de uma década, mas nem assim ficou enterrado num passado traumático. Apresenta-se como um candidato para lá dos partidos, apesar de ser, como Marques Mendes, Cotrim de Figueiredo e Catarina Martins, ex-líder partidário. Além disso, foi secretário-geral da JS, deputado, eurodeputado, ministro e secretário de Estado. A diferença é que está, de facto, afastado da vida partidária há muito tempo. Apresentou-se acima do estatuto que lhe deu visibilidade e, talvez por isso, hesitou dizer que é de esquerda e socialista e recebeu de braços abertos apoios de passistas. O ex-secretário-geral socialista é o convidado deste episódio do Perguntar Não Ofende.

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António José Seguro: é útil a esquerda votar em Seguro? António José Martins Seguroassim aparecerá nos boletins de votofoi candidato muito antes de o ser. Malquerido por muitos dos seus camaradasapoiado por tantos outrostornou-seperante a ausência de outras alternativas no espaço socialistana escolha inevitável do PS. O mal-estar tem mais de uma décadamas nem assim ficou enterrado num passado traumático. Apresenta-se como um candidato para lá dos partidosapesar de sercomo Marques MendesCotrim de Figueiredo e Catarina Martinsex-líder partidário. Além dissofoi secretário-geral da JSdeputadoeurodeputadoministro e secretário de Estado. A diferença é que estáde factoafastado da vida partidária há muito tempo. Apresentou-se acima do estatuto que lhe deu visibilidade etalvez por issohesitou dizer que é de esquerda e socialista e recebeu de braços abertos apoios de passistas. Um candidato a Presidente da República não apresenta um programa eleitoral. Tem o seu património de valores políticosque Seguro começou por tentar afastar do focopara falar para todos os portugueses. E tem o seu passadoo elefante na sala da esquerda. É o facto de ter passado que tem permitido que António José Seguro digaprovavelmente com razãoque Henrique Gouveia e Melo não tem experiência para ser Presidente da República e ele sim. Tenho insistidoem todas estas entrevistasno percurso político dos candidatos. No caso de Seguroo tempo da troika foi o momento em que teve um cargo suficientemente importante para determinar o futuro do País. Ele estarácomo é evidentepresente nesta entrevista. Em algumas sondagensAntónio José Seguro aparece como candidato a disputar uma ida à segunda voltanoutras com menor possibilidade. Com tudo em abertodisputará o voto útil para não termos uma segunda volta entre os candidatos de um governo de direita e de um partido de extrema-direita. O próximo mês determinará se conta para esse combate. 1 - Tem ensaiado o apelo ao voto útil da esquerda. No entantonuma entrevista ao “Público”resistiu dizer que era de esquerda e socialista. Corrigiu depoisé verdade. Mas as convicções não são tema em que uma pessoa se engane. Não é um pouco estranho pedir o voto útil de um espaço político quepor razões táticascomeçou por ter dificuldades em assumir como seu? - Para o que é relevante para a sua candidaturafoi líder da Juventude Socialistapresidente do Conselho Nacional de Juventude (por via desse cargo) e de outros órgãos a isto ligado. Foi secretário de Estado e ministro do governo de António Guterresdo PS. Foi eurodeputado pelo PS. Foi deputado do PS. Foi líder parlamentar do PS. Foi secretário-geral do PS. Toda a sua vida cívica foi ligada à vida partidária. Como podecom este currículoquer aparecer como um candidato de fora dos partidos? [O seu argumento é a sua falta de popularidade no seu partido?] [Nos anos seguintes teve calado. Não contam.] 2 – No lançamento da sua candidaturadisse que se afastou quando podia dividir e voltou agora para unir. Na realidadenão se afastoufoi afastado. E não consegue unir o seu partido. O facto de ter sido afastado por dezenas de milhares de militantes e simpatizantes do Partido Socialista não era um sinal que dificilmente uniria o seu espaço político original? - Apresentou a sua candidatura sabendo não ter condições unir esquerda ou o PS. Ao fazê-lonão bloqueou solução mais abrangente à esquerdaque podiacom mais facilidadeestar a lutar por uma ida à segunda volta? 15’ - Já fez as pazes com António Costa? Em 2014disse que ele representava um programa de interesses. Os oito anos de poder do PS confirmam essa sua convicção? 3 - Tem defendido que a sua “abstenção violenta”num dos períodos mais dramáticos para os mais desprotegidosserviu para passar uma imagem de unidade perante o exterior. Não pode ter servido para dar tanta margem de manobra ao governo de Pedro Passos Coelho que este se sentiu à vontade para ir além da troika? Não desprotegeu os portuguesesque precisam de governosimmas também de oposição? - Em 2011não quis pedir a fiscalização sucessiva do Orçamento do Estado e do corte dos subsídios de férias e natal de funcionários públicos e pensionistas. Não só optou por não fazerao contrário do que José Luís Carneiro agora fez com a lei da nacionalidadecomo criticou e agiu ativamente para tentar evitar que 17 deputados do PS se juntassem aos do Bloco para pedir fiscalização do Orçamento. E já nem falo da ameaça de processo disciplinar a Isabel Moreiraporque a questão é mesmo a sua oposição. Só depois da primeira decisão do Constitucional aceitou pedirno ano seguinte e sem riscoa fiscalização do orçamento [de que se tinha “demarcado totalmente” (cito o seu líder parlamentar]. Sendo uma das principais missões do Presidente assegurar a defesa da Constituiçãoque garantias dá de que a sua atitude em Belém será diferente da que teve no Largo do Rato? -Na realidadepretendia ter ido mais longe. Em julho de 2013depois da crise aberta pela demissão de Paulo PortasCavaco Silva propôs um acordo de salvação nacional quena práticaimpedia o PS de fazer oposiçãorecebendoe trocaeleições antecipadas em 2014um ano antes do previsto. A negociação incluía cortes nas pensões e despedimentos na função pública. Segundo a interpretação de muitosforam as declarações de Mário Soares e Manuel Alegre que abortaram o acordo. Esta é uma versão errada da história? Esteve prestes a trocar reformas e despedimentos por eleições? 4 - Gouveia e Melo recordou que Soares disse que Seguro era “inseguro”que não percebia que nunca seria primeiro-ministro e não ouvia os críticos. Esta avaliação é relevante na hora do voto dos socialistasque têm como único critério a avaliação do seu passado? É possível que a resistência de vários camaradas seus à sua candidatura tenha a ver com o que aconteceu no único momento que teve poder para determinar o futuro do país? E que o apoio de alguns passistas também? 30’ 5 - Compreende queperante a possibilidade de uma segunda volta entre o candidato da extrema-direita e o candidato do governoalguns eleitores sejam tentados a votar útil em Gouveia e Meloo mais bem colocado para impedir esse cenário? 6 -Propôsnuma fase inicial da sua candidaturaque a oposição só pudesse chumbar um Orçamento de Estado se apresentasse uma alternativa. Como sabenão só o parlamento não tem poderes de iniciativa para apresentar uma lei do Orçamento de Estado (apenas pode alterá-lo)como não tem os instrumentos e a informação para isso. O que propôs não foi retiraro mais relevante poder de um parlamento? Não põe a estabilidade à frente da democracia parlamentar? - Faço a mesma pergunta que fiz a Gouveia e Melo e Marques Mendes: dissolverá o parlamento em caso de chumbo do Orçamento de Estado? - Dissolverá se os partidos de direita decidirem aproveitar a maioria de dois terços e fizeremsem o terem dito aos eleitoresa primeira revisão constitucional à margem dos dois principais partidos do arco constitucional? 7 - Sabemos qual a sua posição sobre o pacote laboral. Se for Presidente da Repúblicaterá de decidir como agir. Não sabe como será a leipromulgará sem que haja um acordo de sede de concertação social com pelo menos uma das centrais sindicais? 45’ - Teria vetado ou pedido verificação constitucionalidade da Lei dos Estrangeiros e da Lei da Nacionalidade. Antes do PS o ter feitodisse que só o faria se a lei foi desequilibradamas nunca defendeuaté essa alturade forma explicitaessa verificação. Ou está-me a falar alguma declaração sua? 8 - Há um debate sobre os novos juízes do Tribunal Constitucional. Está confortável com a ideia do Chega escolher um juiz para aquele órgão? - O legislador decidiu que estes juízes são eleitos por dois terçosnão pela eleição proporcional. Talvez o legislador tenha querido garantir que havia uma maioria de bloqueio a juízes fora do arco constitucional. Não o incomoda partido diz quee cito André Ventura“está-se nas tintas da Constituição”possa escolhe juízes que vão avaliar a constitucionalidade das leis. 9 - Dará posse a um governo minoritário do Chega ou procurará encontrar outras soluções? - Sendo Presidente da Repúblicateria dado posse a António Costaem 2015? E concordou com a solução da “geringonça”? 1.00’ 10 - Uma notícia do Expresso diz-nos que o governo já enviou para a Comissão Europeia propostas para aceder aos empréstimos para um investimento de 58 mil milhões em defesacom base em procedimentos secretos. Estamos a falar de investimentos brutais que fogem ao escrutínio público. Isto leva a duas perguntas. Se acha que 5% do PIB em defesaque só são cumpridos por três países em guerra e duas ditaduras e são bem mais do que os Estados Unidos gastaé meta realista. E se esta forma de o gastar é aceitávelnuma democracia. - Terá funções de política externa. Pensa que o governo português foi suficientemente claro na condenação do comportamento de Israel e suficientemente consequente e atempado nas decisões que tomou?