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Miguel Carvalho e Vítor Matos: o que querem o Chega e Ventura?

Miguel Carvalho e Vítor Matos: o que querem o Chega e Ventura?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

April 4, 20241h 28m

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Show Notes

André Ventura recebeu os resultados eleitorais das legislativas de 2022 com euforia, dizendo na própria noite que o Chega era a terceira força política e que tinha vindo para ficar. Tinha razão. Dois anos depois, o Chega transformou o mapa político português. Vítor Matos, jornalista do Expresso, editou recentemente um livro, “Na Cabeça de Ventura”, e Miguel Carvalho, jornalista freelancer que tem estudado exaustivamente o Chega são os convidados desta edição do podcast Perguntar Não Ofende. No último mês, os que se habituaram a pensar que a extrema-direita nunca teria sucesso no último país a descolonizar e com índices altíssimos de rejeição da classe política, correram a apresentar, com a mesma simplicidade do passado, o cardápio de medidas e soluções para esvaziar a extrema-direita. Como alguns inquéritos sociais já mostravam há vários anos, os portugueses estavam mais do que prontos para aderir a um discurso de rejeição da diferença, seja ela a imigração, dos ciganos ou da classe política. Ventura foi o primeiro a saber interpretar essa disposição e a saber mobilizá-la a seu favor. 

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Miguel Carvalho e Vítor Matos: O que querem o Chega e Ventura? André Ventura recebeu os resultados eleitorais das legislativas de 2022 com euforiadizendo na própria noite que o Chega era a terceira força política e que tinha vindo para ficar. Tinha razão. Dois anos depoiso Chega transformou o mapa político português. O bipartidarismo que marcou cinco décadas de democracia parece ameaçado como nunca tinha sido. Ao contrário do que aconteceu em 1985com o PRDo crescimento do Chega parece ser estrutural e em linha com o que varre toda a Europa e os Estados Unidos. No último mêsos que se habituaram a pensar que a extrema-direita nunca teria sucesso no último país a descolonizar e com índices altíssimos de rejeição da classe políticacorreram a apresentarcom a mesma simplicidade do passadoo cardápio de medidas e soluções para esvaziar a extrema-direita. Como alguns inquéritos sociais já mostravam há vários anosos portugueses estavam mais do que prontos para aderir a um discurso de rejeição da diferençaseja ela a imigraçãodos ciganos ou da classe política. Ventura foi o primeiro a saber interpretar essa disposição e a saber mobilizá-la a seu favor. Mas quem éafinalesse homem que mudou um mapa político de cinco décadasdeslocou todo o país para a direita e tem marcado a agenda política nos últimos dois anos? O que pensa verdadeiramente o líder de um partido que prometia acabar com o estado socialhá menos de cinco anose agora é o campeão dos apoios sociais? Que partido é este que lidera? Quem são os seus dirigentes e militantes? Que relação mantém com a rede europeia de extrema-direita e qual o seu caminho a partir daqui? Para responder a parte disto estareina próxima hora e poucocom dois dos jornalistas que mais têm estudado o posicionamento de André Ventura e as relações do Chega com a extrema-direita e os principais interesses económicos do país. Vítor Matosjornalista do Expressoeditou recentemente um livro“Na Cabeça de Ventura”e Miguel Carvalhojornalista freelancer que tem estudado exaustivamente o Chega são os convidados desta edição de “Perguntar Não Ofende”. 1 - VM/MC – Os resultados de 10 de março mudaram a natureza do sistema políticopassando de um modelo bipartido para agora termos três partidos preponderantes. Quais são as ambições de Ventura? Quer partir o PSDtrazendo o centro político cada vez mais para a direitaou quer mesmo o chegar ao podermas como força dominante? - VM - Ninguém se lembra de o ouvir defender as posições que defende hoje. Que motivação tem ele? É o poder? É a fama? 2 - MC –André Ventura tem vindo a limpar a oposição interna em congressos quase semestraismas 24 dos 50 deputados têmou tiveramproblemas com a justiça. Sabemos muito pouco sobre quem são os milhares de pessoas que fazem parte do Chega. Vieram de ondeque tipo de atividade é a suasão mais jovensmulheres ou homens? Para lá do Venturaque partido é este? - VM – O crescimento tão rápido levanta problemas na qualidade dos seus quadrosmas o cheiro a poder pode atrair melhores quadros e candidatos. Que papel é que as autárquicas podem ter na implantação do Chega no país? 3 - VM – Em menos de cinco anos o programa do Chega passou de defender o fim do Ministério da Educação e a ausência quase total do Estado de prestação de serviços tão básicos como as estradaspara ser campeão dos apoios sociais e do peso do Estado. É uma cópia do reposicionamento da Frente Nacional e outros partidos da extrema-direitaou foi a perceção que o país não queria ouvir o discurso mais liberal? 15’ - VM - Com um governo de direitase estiverem na oposiçãoé de esperar que este pendor mais social se reforce? - MC – Há dois anosVentura anunciou que o partido iria criar uns sindicatos e entrar no movimento sindical. Parece ter preferido a ligação ou infiltração em movimentos inorgânicosque marcaram as lutas e a oposição ao governo nos últimos anos. A aposta no sindicalismo é para levar a sério? 4 - MC - Por trás do discurso supostamente mais socialo Chega continua a defender a manutenção dos vistos golda liberalização do Alojamento Local ou uma versão mais radical da taxa plana. Na lista de financiadoreshá dois sectores de atividade que se destacam: o turismo e a construção civil. Até que ponto o programa do Chega serve os propósitos dos seus financiadores? - MC – A lista de financiadores inclui as maiores famílias económicas do paísdos Mello aos Champalimauddo dono da Barraqueiro a Félix da Costa. O que é que aproxima a elite económica do país de um partido que até há pouco tempo ninguém imaginaria no poder e com um discurso tão extremado? 5 - VM – Até que ponto a religiosidade de André Venturaque em alguns momentos até parece excessiva e radicalcomo a parte do suplício físicoé um elemento verdadeiro na estrutura mental de quem não parece professar grande parte das posições sociais da Igrejaou foi apenas instrumental como forma de ascensão socialao facilitar a sua formação? Ou foi uma aproximação mais racional do que emocional... 30’ - VM – Quando o tema das restrições ao aborto ocupou uns dias na campanha André Ventura veio imediatamente demarcar-se. Mesmo no caso dos direitos de homossexuais e da legalização da prostituição. Isto apesar do seu percurso religioso. Imagino que isto resulte de saber que a sua base eleitoral é menos religiosa que a do resto da direita. O pragmatismo de Ventura vai ao ponto de renegar toda a sua biografiamesmo a mais pessoal? - VM – Isso pode prometer uma moderação em nome do poder? Ser uma Meloni? 6 - VM – Numa das entrevistas citadas no teu trabalho de fundo sobre o que pensa André Venturao líder do Chega aparece a garantir que será mesmo Presidente da República. Isso é mesmo uma ambição deletem mesmo esse propósito e ambiçãoou é mais uma tirada quecomo tantaso próprio já esqueceu? - VM – Se for esse o casoa janela será já na próxima eleição. Isso não poderia ter impacto na forma como gere a sua relação com o PSD? Chumbar um orçamentopor exemploconduzindo o país a mais umas eleições antecipadas que a população nunca gostanão o poderá levar a refrear as suas posiçõespor forma a não prejudicar as suas ambições presidenciais? 7 - MC – Poucos minutos depois da votação para o Presidente da República as redes sociais estavam a ser inundadas de conteúdos do Chegatotalmente alinhados. A conversa era sobre “não serem espezinhados” e agora tem de “ser ouvidos”que se voltou a repetir agora. Faz lembrar o modelo emotivo e tribal dos debates de futebol. Há ligações com as redes de extrema-direitae mais ainda de Steve Bannonnesse know how e profissionalismo que não encontramos em mais nenhum partido nacional? 45’ - MC – No que é que se traduzpara lá desse domínio das redes sociaisa integração com as redes da extrema-direita europeia? Aprendem que temas são mais relevantestrocam casos de sucessotécnicas de manipulação e criação de fake news? Como é que funciona e até que ponto é importante na consolidação e formação dos seus quadros? 8 - MC/VM – O Chega foi o segundo partido mais votado entre os jovens. A força do Chega até aos 34 anos é esmagadoraassim como a sua presença nas redes sociais. Rita Matias deve ser a deputada mais conhecida nas escolas secundáriasonde há dois anos que está praticamente em tournée pelo país. O Chega fica por aquiou ainda tem potencial para crescer? - VM – Que papel tem exatamente Rita Matias? É ela o fenómeno ou poderia ser outra pessoa qualquer? 9 - MC – Nas últimas semanas falámos muito de Diogo Pacheco de Amorim. Que papel é que tinha verdadeiramenteno MDLPuma organização extremista considerada culpada pelo crime de homicídio? Numa entrevista ao Públicoele disse: “que eu saibanunca pusemos bombas...”. É óbvio que não só não é verdadecomo é impossível que ele não saiba. - MC – Pacheco Amorim defende que Portugal devia ter mantido as colónias e que a origem da Europa é branca. A ligação a alguns elementos próximos do Estado Novo ainda é marcantemas tem peso real no partido? 1.00’ - VM - Qual é o verdadeiro papel de Pacheco Amorim no Chega? Durante algum tempo foi considerado o ideólogo do partidomas é mesmo assim? Ouvindo ou lendo as suas entrevistas muito longe desse papel intelectualou até de ter os conhecimentos e dinâmicas demonstradas pelo Chega. 10 – VM/MC – Que outros deputados devemos ter na mira da nossa atenção nos próximos meses? 1.10’