PLAY PODCASTS
Jorge Moreira da Silva. Há esperança para Gaza?

Jorge Moreira da Silva. Há esperança para Gaza?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

February 6, 20241h 32m

Audio is streamed directly from the publisher (traffic.omny.fm) as published in their RSS feed. Play Podcasts does not host this file. Rights-holders can request removal through the copyright & takedown page.

Show Notes

Longe dos olhares do mundo, com o acesso jornalístico a Gaza bloqueado por Israel, dois milhões de pessoas passam fome e estão sem hospitais e sem cuidados médicos. Perante a indiferença das grandes nações, tem sido António Guterres a tentar centrar o que está em causa numa região com demasiada história, mas onde o tempo escasseia. A visita de Jorge Moreira da Silva a Gaza, como representante máximo da UNOPS, a agência da ONU para as infraestruturas e gestão de projetos, não passou despercebida. As suas declarações mostram como poucos ficam indiferentes ao ver o que se está a passar neste minúsculo território. Com 6000 funcionários, a UNOPS é a quinta maior agência da ONU e desenvolve mil projetos por ano em mais de 85 países, alguns em situações de rutura como Afeganistão, Iémen, Ucrânia, Moçambique, Somália ou Sudão. Numa conversa centrada em Gaza, mas com paragem noutros conflitos onde a UNOPS marca presença e no próprio papel das Nações Unidas, Daniel Oliveira recebe Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral das Nações Unidas e diretor Executivo da UNOPS

See omnystudio.com/listener for privacy information.

Topics

Jorge Moreira da Silva: Há esperança para Gaza? As Nações Unidas estão no centro do conflito entre Israel e a Palestina. Não apenas asseguram a fatia de leão da ajuda humanitária no terrenocom 12 mil funcionários direta ou indiretamente ao seu serviçocomo Israel tem vindo a fazer da organização o seu alvo diplomático preferencial. Sem a presença das Nações Unidas não há vida na Palestina. Da assistência alimentar a um território cercadoe onde quase nada entraaos cuidados médicos e sistema de ensinotudo acontece graças às agências da ONU. Longe dos olhares do mundocom o acesso jornalístico a Gaza bloqueado por Israeldois milhões de pessoas passam fome e estão sem hospitais e sem cuidados médicos. Perante a indiferença das grandes naçõestem sido António Guterres a tentar centrar o que está em causa numa região com demasiada históriamas onde o tempo escasseia. A visita de Jorge Moreira da Silva a Gazacomo representante máximo da UNOPSa agência da ONU para as infraestruturas e gestão de projetosnão passou despercebida. As suas declarações mostram como poucos ficam indiferentes ao ver o que se está a passar neste minúsculo território. Com 6000 funcionáriosa UNOPS é a quinta maior agência da ONU e desenvolve mil projetos por ano em mais de 85 paísesalguns em situações de rutura como AfeganistãoIémenUcrâniaMoçambiqueSomália ou Sudão. É com Jorge Moreira da Silva que conversarei na próxima hora e pouconuma edição do Perguntar Não Ofende centrada em Gazamas com paragem noutros conflitos onde a UNOPS marca presença e no próprio papel das Nações Unidas. Professor catedrático convidado na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e professor adjunto na Paris School of International Affairso seu currículo académico é tão impressionante quanto o seu papel em organizações internacionaisprimeiro na OCDE e agora na ONU. Líder da JSDfoi durante largos anos deputado europeuonde se notabilizou na área do ambientepasta que viria a tutelar como ministro no último governo PSD. Voltou à vida partidária para se candidatar à liderança do PSDtendo perdido contra Luís Montenegro. 1 – O New York Times divulgou uma carta pública de protesto assinada por mais de 800 funcionários dos Estados UnidosReino Unido e de dez países da União Europeiacriticando o apoio dos seus governos a Israel na guerra em Gaza. A maioria dos funcionários ou esteve lá em missão ou segue indiretamente o conflito. Passa a ideia de quem vai à Palestina exige medidas imediatas. Entrar em Gaza muda a forma de ver o conflito? - Como é que as posições que tem tomado sobre o conflito têm sido recebidas por Israel? 2 - De que forma é que o bloqueioque tem vindo a ser apertadocondiciona o dia a dia em Gaza e quais os impactos no curto prazo que pode gerar? - O Financial Times calculavahá mais de um mêsque a destruição no norte de Gaza era superior à de Dresdenna segunda guerra mundial. Que consequências sanitárias e humanas é que encontrou? Há o risco que as doenças e vírus se tornem um fator mais mortal que as bombas? - Como é que o trabalho da ONU é condicionado pelo cerco? 15’ 3 - Várias resoluções das Nações Unidas apontam para a solução de dois Estados como a chave para a resolução de um conflito com décadas. Não é só o Hamas que não reconhece Israelo Governo israelita já deixou claro que também não permitirá um Estado palestiniano. 30 anos passadosestamos mais longe da paz do que quando se assinaram os acordos de Oslo? - Não se imiscuindo na política internaque não é papel da ONUque importância é que o trabalho humanitário e de reconstrução das Nações Unidas tem para evitar a radicalização dos palestinianos? 4 - Na Palestina temos o descrédito e a erosão da autoridade moral e política da Autoridade Palestiniana; em Israela presença de vários partidos de extrema-direita na coligação de Governo. Ainda há espaço para forças moderadas? - Imagino que não pode aprofundar muitomas era importante haver uma mudança de protagonistas políticos dos dois lados? 5 – A agência da ONU na Palestinaa UNRWAestá no centro de uma polémicacom a acusação por Israel que 12 pessoas nos seus quadros estiveram envolvidas nos ataques de 7 de outubro. A ONU já anunciou uma investigação independente. Será o suficiente para recuperar a imagem de uma agência sem a qual Gaza não funciona? 30’ - A SKY News foi o único órgão de comunicação social a ter acesso aos documentos e diz que Israel faz várias acusações sem provas e que muitas das afirmaçõesmesmo que sejam verdadeirasnão implicam diretamente a agência. Israel já pediu que a ONU abandone Gaza depois do conflito. Não estaremos perante mais uma tentativa pararetirando a ONU do terrenominar ainda mais as condições de vida em Gaza e para a isolar definitivamente do resto do mundo? - Portugal acabou de reforçar o seu apoio com mais um milhão. É um sinal diplomático? - As relações de Israel com as Nações Unidas são cada vez mais tensas. A sua visita não terá sidoobviamenteexceção. A ONU não teme o corte total por parte de Israel e deixarcom issode ser um intermediário e de ser uma voz ouvida num conflito que está para durar? 6 – Indo para lá da Palestinatemos assistido ao recrudescimento de conflitosuma guerra em plena Europae novos alinhamentos regionais cada vez mais conflituais. A sensação que fica é que a ONU perdeu peso político e capacidade de influênciaexatamente quando mais precisávamos dela... - As forças extremistas têm atacado as Nações Unidas. A ideias como o consensodiálogo e negociaçãobase da missão da ONUnão são anacrónicas num mundo político cada vez mais extremado? 45’ - A ONU nasceu do pós-guerranum mundo que já não existe. A ascensão económica dos BRICS é acompanhada pela pretensãolegítimade um novo poder diplomático. Não está na altura de reformar o funcionamento do Conselho de Segurança da ONU? - Incluindo o fim do poder de veto dos países vencedores da Grande Guerraprincipal força de bloqueio na ONU? - Sente que António Guterresbastante atacado por quem nega a urgência das alterações climáticas e por causa de Israel e a Palestinatem estado à altura do clima criado? 8 – Candidatou-se e foi escolhidopor concurso internacionalpara liderar uma das agências menos conhecidas da ONU. O que faz o Serviços de Projetos das Nações Unidas? - Escolashospitaissaneamento básico ou garantir água potávelsão muitos dos trabalhos levado a cabo pela agência que lidera. O que nos parece básiconeste cantinho europeusão luxos na maioria dos países do planeta. Precisamos de reformular os montantes de ajuda internacional aos países mais pobres? 1.00’ - Um dos países onde estão a trabalhar é no Afeganistãouma das poucas agências ainda presentes num país afastado do mundo. Como é manter uma agência internacional a trabalhar num território dominado pelos talibãs? - A UNOPS tem projetos em Cabo Delgado. A situação no território saiu das notícias portuguesas. Está estabilizada? - O Iémen eraaté Gazapelo menosa maior catástrofe humanitária em curso. Sendo um país onde também intervêmpode testemunhar se o envolvimento do hutis no conflito com Israel pode piorar ainda mais a situação de um dos países mais miseráveis no mundo? 9 – Na Ucrâniaa ONUPS está a reconstruir um bairro destruído pela artilharia russa. Em cenário de conflitoantes dele terminaro que é que uma agência dedicada à construção de infraestruturas pode fazer? - É um conflito em cursosem resolução à vistamas no qual já se sente “cansaço” na opinião pública. Temos cada vez menos paciênciaenquanto comunidadepara tudo o que não são soluções imediatasnuma certa infantilização do mundo e das relações internacionais? 1.15’ 10 - As alterações climáticas estão no centro do debate público. Causadas pela industrialização dos países mais ricos do nortesão mais sentidas nos países mais pobres do sulque a seca vai empobrecer ainda mais. Não precisamos de mecanismos de compensação do norte para o sulpor uma questão de justiça e para evitar migrações massivas? - Começamos a assistir a uma reação contra as medidas ambientaiscomo os protestos dos agricultores. É possível avançar com esta agenda sem garantir que não são os mais pobres e as classes médias a pagá-la? – Uma das medidas que tomouquando esteve no Governofoi uma taxa cobrada pelos sacos de plástico descartáveis. Apesar de todas as críticasa utilização desceu 95%. Hoje mudámos comportamentos quando vamos aos supermercados. É possível vencer a resistência e envolver as pessoascom exemplos práticos de sucessoem pequenos passos que reduzem a produção e desperdício? 12 – Já foi governante e já se candidatou à liderança do PSD. Ocupaagoraum alto cargo internacional. Imagina-se a regressar à vida política em Portugal? - O mundo está cada vez mais polarizado e Portugal não é a exceção que muitos julgavam. Acredita em cercas sanitárias às forças extremistas no poderincluindo em Portugal?