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Como Fazer Boas Perguntas?
Episode 211

Como Fazer Boas Perguntas?

Pergunta Simples · Jorge Correia

June 3, 202514m 48s

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Show Notes

Há perguntas que mudam tudo. Mudam o rumo de uma conversa. Mudam uma decisão. Às vezes, mudam mesmo uma vida. A tua. Ou a de alguém que te ouviu perguntar no momento certo. Mas o que é, afinal, uma pergunta poderosa? Não é uma pergunta para parecer esperto. É uma pergunta que cria espaço. Espaço para o outro pensar. Para se ouvir. Para ver com mais nitidez. Vivemos rodeados de respostas apressadas, diagnósticos de bolso e certezas com prazo de validade de 30 segundos. Mas talvez o mais transformador — hoje mais do que nunca — seja isto: Fazer uma pergunta com verdadeira curiosidade. Vamos explorar juntos a temática de Como Fazer Boas Perguntas? e entender sua importância. Hoje falo-te disso. Do poder da pergunta certa. De como se faz. E do que ganhamos quando deixamos de querer saber tudo — e começamos a querer entender melhor. O que é uma pergunta poderosa? Não é técnica. Não é estratégia. É uma forma de estar. É uma pergunta que não invade, não obriga, não empurra. É leve no gesto, mas profunda no efeito. Não tenta mostrar o que tu sabes. Tenta revelar o que o outro ainda não tinha visto. Ou o que talvez já soubesse — mas ainda não tinha dito em voz alta. E quase sempre… são perguntas simples. – O que é que ainda não foi dito? – O que te parece que te está a travar? – O que mudou, desde que começaste a pensar nisto? – O que é que ainda não foi dito? – O que te parece que te está a travar? – O que mudou, desde que começaste a pensar nisto? São perguntas que, quando bem feitas, não assustam. Desarmam. E o mais curioso é que não têm resposta imediata. Porque fazem pensar. Queres experimentar? Pensa numa decisão recente em que hesitaste. Agora, pergunta-te: “Se eu não tivesse medo… o que faria?” Fica aí. Vê o que aparece. Não forces. Só escuta. Este é o efeito de uma boa pergunta. Não resolve. Mas revela. E às vezes, é tudo o que precisamos. As perguntas que puxam por nós… e as que nos encolhem Já estiveste numa reunião onde alguém pergunta: “Porque é que ainda não trataste disto?” O ambiente muda. O corpo encolhe. A resposta encolhe. A conversa fecha. Agora imagina o mesmo momento, mas com outra pergunta: “O que te está a bloquear?” Ou: “O que é que ainda precisas para avançar com isto?” O conteúdo pode ser o mesmo. Mas o tom, o impacto e a disposição do outro… são totalmente diferentes. Há perguntas que abrem. E há perguntas que fecham. E depois, há aquelas perguntas que parecem neutras — mas são só julgamentos com ponto de interrogação no fim: “Não achas que devias ter feito diferente?” “Estás mesmo certo disso?” “Porque é que só falaste agora?” Estas perguntas não querem saber. Querem vencer. E quando sentimos isso, protegemo-nos. A pergunta poderosa, ao contrário, não exige resposta certa. Cria espaço para uma resposta verdadeira. Como se aprende a perguntar melhor? Como tudo o que importa: com prática. Fazer boas perguntas não é talento. É treino. É afinação. É como afinar o ouvido para a música. Ou o paladar para o vinho. Começa por escutar. Por reparar. E por parar de querer ter razão. Exercício simples: Escolhe uma conversa que vai acontecer esta semana — uma reunião, uma conversa difícil, um jantar. Prepara duas perguntas que gostavas de fazer. Só isso. Mas faz isto: – Escreve-as antes. – Lê-as em voz alta. – E pergunta a ti próprio: isto convida ou acusa? Se a pergunta for sincera — leva-a contigo. Se for uma opinião disfarçada de pergunta… deixa-a em casa. Outra prática que resulta bem: quando deres por ti prestes a dizer “eu acho que…” — trava. E tenta isto: “O que te faz pensar assim?” “Queres contar-me como chegaste a essa conclusão?” Ao fazer isso, estás a trocar julgamento por curiosidade. E a curiosidade é a argamassa de qualquer conversa que quer durar. A pausa como parte da pergunta Sabes o que quase ninguém faz? Esperar. Fazemos uma pergunta — e se o outro não responde em dois segundos, avançamos. Fazemos outra. Explicamos melhor. Preenchemos o vazio. Mas uma boa pergunta precisa de chão. Precisa de pausa. Precisa de silêncio. É nesse silêncio que muitas vezes a resposta aparece. O desconforto da pausa é, muitas vezes, o desconforto da verdade a chegar. Então aqui vai mais uma dica — e esta pode mesmo mudar a forma como falas com os outros: Depois de fazeres uma pergunta importante… cala-te. Conta até cinco. Aguenta. Deixa o outro chegar onde ainda não tinha estado. Treina em contextos informais Isto não é só para entrevistas ou coaching. Treina-se à mesa. Numa conversa no carro. Com amigos. Com filhos. Com quem confias — e com quem precisa de sentir que pode confiar em ti. Começa por trocar o “devias” por “já pensaste em…?” Começa por ouvir com intenção, não com pressa. E se quiseres mesmo elevar a fasquia, faz este desafio: Desafio para hoje: Durante um dia inteiro, sempre que te apetecer dar um conselho — faz uma pergunta em vez disso. Só por um dia. Repara no que muda. Talvez descubras que o outro não precisa que lhe digas o que fazer. Precisa só que lhe faças a pergunta certa… e que estejas lá para escutar a resposta. O que fazer — e o que não fazer E já que falamos de treino — deixa-me dar-te, assim de forma direta, aquilo que muitos procuram: o que fazer… e o que não fazer… quando queres fazer boas perguntas. Não é fórmula. Mas ajuda. ✅ 10 coisas a FAZER para perguntar bem: 1. Sê genuinamente curioso. 2. Mantém a pergunta curta. 3. Usa perguntas abertas. 4. Faz silêncio depois da pergunta. 5. Mostra que estás presente. 6. Valida o que ouves. 7. Reformula se necessário. 8. Ajusta ao estado emocional do momento. 9. Aponta boas perguntas que ouves. 10. Treina com pessoas em quem confias. ❌ 10 coisas a EVITAR: 1. Opiniões disfarçadas de pergunta. 2. Perguntas em catadupa. 3. “Porquês” em momentos delicados. 4. Perguntar só para parecer inteligente. 5. Perguntas de controlo. 6. Interromper a resposta. 7. Perguntas com a resposta já lá dentro. 8. Usar a pergunta para evitar dizer o que sentes. 9. Preencher silêncios à pressa. 10. Usar perguntas para manipular. Conclusão Fazer boas perguntas não é complicado. Mas exige presença, atenção, e um compromisso contigo próprio: o compromisso de querer mesmo ouvir. E se seguires isto — não como receita, mas como ponto de partida — talvez descubras que perguntar bem não é só comunicar melhor. É viver melhor com os outros.. Se este episódio te fez parar para pensar, partilha-o com alguém que vive cercado de certezas… mas talvez precise, como tu, de uma pergunta que lhe abra o chão debaixo dos pés. E deixo-te três, como sempre: 1. Qual foi a pergunta mais importante que te fizeram este ano? 2. A quem precisas de fazer uma pergunta — e ainda não tiveste coragem? 3. Que pergunta andas a evitar fazer… a ti próprio?