
Mosaicos Culturais #162: Protesto em forma de música sobre a degradação política da época da pandemia
Com mais de 40 anos de trajetória, Ratos do porão é uma banda que mescla hardcore, punk e rock, com influências do trash metal. Fundada em 1981 por Jão (João Carlos Molina Esteves), Roberto Massetti e Jarbas Alves, a formação atual conta com João Gordo
December 12, 20247m 8s
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Show Notes
Com mais de 40 anos de trajetória, Ratos do porão é uma banda que mescla hardcore, punk e rock, com influências do trash metal. Fundada em 1981 por Jão (João Carlos Molina Esteves), Roberto Massetti e Jarbas Alves, a formação atual conta com João Gordo (João Francisco Benedan), Jão, Boka (Maurício Alves Fernandez) e Juninho (Paulo Sergio Sangiorgio Júnior).
A banda se consolidou como um marco na história do punk nacional em 1982, ao participar do festival O começo do fim do mundo no SESC Pompeia, em São Paulo. O evento reuniu cerca de 20 bandas pioneiras do movimento punk no Brasil, colocando o Ratos de Porão em destaque na cena.
Com uma discografia de 13 álbuns de estúdio, a banda alcançou reconhecimento internacional e uma legião de fãs. Entre seus feitos, destacam-se apresentações no Rock in Rio e o documentário Guidable — A verdadeira história do Ratos de porão (2007), que traz vídeos inéditos e entrevistas com todas as formações da banda.
Seu 13º e mais recente álbum Necropolítica, (2022), traz críticas contundentes à realidade política e social do Brasil e do mundo. Pela primeira vez, as músicas foram compostas separadamente por instrumentos, um processo que começou de forma inusitada: após Jão derrubar seu celular no vaso sanitário, ele rapidamente enviou aos colegas as bases de guitarra antes que o aparelho parasse de funcionar (com informações da Wikipédia).
O termo "necropolítica", que dá nome ao álbum, foi cunhado pelo filósofo camaronês Achille Mbembe em 2003. Segundo a Academia Brasileira de Letras, refere-se ao uso do poder político e social para decidir, por ações ou omissões, quem pode viver e quem deve morrer, especialmente em contextos de desigualdade, exclusão e violência.
Uma das faixas do álbum, Passa Pano pra Elite, composta por João Gordo, denuncia a corrupção e critica a elite brasileira. A letra enfatiza:
“O agro é pop! / O agro é top! / O agro é tech! / O agro é morte!” O trecho evidencia o papel do agronegócio na atual conjuntura de problemas sociais e ambientais no País. (com informações do letras.mus).
Ao som de Passa pano pra elite, Caique Jorge Veríssimo, estudante de Publicidade e Propaganda na Escola de Comunicações e Artes da USP, participou da enquete do programa Mosaicos Culturais, da Rádio USP. Caique destacou que canções de protesto e com questões sociais têm maior impacto quando possuem coerência e um ritmo que desperta o ouvinte.
Ouça o podcast no link acima
O programa celebra a diversidade cultural, a riqueza da música brasileira e cria um senso de comunidade. O objetivo é dar voz aos estudantes da USP por meio de entrevistas sobre gostos e percepções musicais. Este podcast reproduz a experiência de escuta no programa Mosaicos Culturais – Ouça o que estudantes ouvem, transmitido nos dias 10 e 11 de dezembro de 2024.
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Por Regina Lemmi
Estagiária sob supervisão de Magaly Prado