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“Perante o horror, não há maneira de pôr virgulas na condenação”, o OE “demasiado otimista” e o 25 de novembro: “Soares estaria aos saltos”

“Perante o horror, não há maneira de pôr virgulas na condenação”, o OE “demasiado otimista” e o 25 de novembro: “Soares estaria aos saltos”

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz · Expresso

October 13, 202324m 44s

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Show Notes

Miguel Sousa Tavares não poupa nas palavras para condenar o que está a passar em Israel e teme que se transforme num conflito regional, embora acredite que os EUA estão a "fazer pressão para segurar Israel". Na edição do podcast, fazemos ainda a leitura de um Orçamento que merece nota positiva para o cronista que sublinha, porém, o facto de não prever as dificuldades de uma nova guerra. As críticas vão para o PSD e para a reação "patética" de Montenegro. Em relação à polémica sobre a celebração do 25 de novembro,  Sousa Tavares relembra a história para considerar que se trata de uma data indissociável do 25 de abril e que é "uma data do PS de Soares e da esquerda democrática", o que torna menos compreensível a "posição de sonambulismo" de Santos Silva.

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Miguel Sousa Tavares não poupa nas palavras para condenar o que está a passar em Israel e teme que se transforme num conflito regionalembora acredite que os EUA estão a "fazer pressão para segurar Israel". Na edição do podcastfazemos ainda a leitura de um Orçamento que merece nota positiva para o cronista que sublinhaporémo facto de não prever as dificuldades de uma nova guerra. As críticas vão para o PSD e para a reação "patética" de Montenegro. Em relação à polémica sobre a celebração do 25 de novembroSousa Tavares relembra a história para considerar que se trata de uma data indissociável do 25 de abril e que é "uma data do PS de Soares e da esquerda democrática"o que torna menos compreensível a "posição de sonambulismo" de Santos Silva.les são animais e vamos tratá-los como tal”esta declaração do ministro da Defesa de IsraelYoav Galantreferindo-se aos palestinianos do Hamas (ou a todos os de Gaza?)ficará para a históriamas está errada. Os animais não fazem aquilosó os homens são capazes de matar a sangue-frio inocentes por ódio irracionalpor simples prazer ou em nome de Deus. Neste casoem nome de Aláo Misericordioso. Por temorchamamos bestas aos animais que nos assustammas é a bestialidade humana que caminha connosco desde sempre e que faz da História da Humanidade um relatório incompreensível de atrocidades sem fim. Mas se elas são inexplicáveis à luz daquilo que nos imaginamos sera sua classificação moral é tão mais simples quanto maior é o horror. O ataque do Hamas de 7 de Outubrovisando essencialmente civis indefesosé o horrora bestialidade em estado puro. Cada um daqueles atacantesno seu prazer assassinonão tem perdão nem justificação alguma. E sobre este ponto não há mais nada a dizer. O que não significa que isto possa ser o início ou o fim da conversa. Esta história dura há 78 anos e é uma interminável saga de conflitosguerras e massacresque talvez um dia acabem por pegar fogo a todo o planeta. Dura desde a criação do Estado de Israel por deliberação da ONUem 1948e ocupando 77% do território da Palestinaonde quase todos eram palestinianos. Hoje74% são judeus e 21% palestinianos e o Estado de Israelà revelia das Resoluções da ONUocupa 90% do territórioincluindo Jerusalém Estetem 250 mil colonos ilegalmente instalados na Cisjordânia e fez de Gazaonde vivem mais de 2 milhões de palestinianos cercados por um muro“a maior prisão a céu aberto do mundo”nas palavras do ex-Presidente francês Sarkozy. Nenhum povonenhuma nação do mundoexcepto a mais desprezíveldeixaria de se revoltare pelas armas tambémcontra aquilo que necessariamente veria como uma ocupação da sua terra. O “nosso” lado da narrativa pode chamar terrorista ao outro ladocomo outrora a Autoridade Inglesa na Palestina chamava terroristas aos comandos judeus — dos quais um viria a ser primeiro-ministro de Israel. Sem dúvida que podemos chamar terroristas aos militantes do Hamas que atacaram um festival de músicamatandomutilando e raptando inocentes: vimos as imagens do ataquevimos os corpos dos mortos e a proximidade da violência não permite outra linguagem. Mas o que chamaremos aos pilotos dos F-16 israelitas queem retaliação (e antes atépor várias vezes) atacam edifícios de habitação em Gazasabendo que lá dentro estão civisvelhosmulherescrianças? A única diferença é que aqui as vítimas não estão num festival de música mas em suas casaseembora morram às dezenas de cada vez e sob cada bombanão os vemos a morrer nem temos imagens da proximidade dessa violência. Mas não ignoramos que há um piloto treinado para a guerra que deliberadamente ataca alvos onde sabe que pode causar mais mortes civis. E há um Estado ocupante que se reserva o direito de cortar a águaa alimentaçãoa electricidade e a energia a mais de 2 milhões de civis cercados por um muro que ele ergueue manifestamente empenhado em fazê-los desaparecer todos dalide uma vez por todas. E onde estão agora as vozes daqueles que tanto se indignaramacusando a Rússiade usar “a arma da fome”quando estainvocandoe com razãoo incumprimento do acordo de exportação de cereais pelo Mar Negrorecusou a sua renovação?Podemos sempre dizer que não há inocentes nesta longa e fatídica história. Será verdade no que diz respeito ao terror e às retaliações mútuas sucessivasmas não o é no que diz respeito à História. Só por má-fé é possível ignorar que há um lado que funciona à revelia do direito internacional e das Resoluções do Conselho da Segurança da ONU e que tudo tem feito e fará para evitar que jamais exista um Estado Palestiniano viável ao lado do Estado de Israel. E há outro lado que tem o direito de não se conformar com isso. Israel tem direito à sua existência e à sua segurançaos seus cidadãos têm direito a uma vida normal na terra que escolheram. E o outro ladoos do outro ladotambém. Há dias vi na televisão o presidente da Associação de Amizade Portugal-Israellastimando-secompreensivelmenteque os seus familiares em Israel tivessem de estar a refugiar-se em bunkers para se protegerem dos rockets do Hamas. Gostaria de lhe ter perguntado seapesar de tudopreferia sabê-los aliprotegidos pelo Iron Dome israelita contra os pífios foguetes palestinianosou na Faixa de Gazaao alcance dos mísseis da Força Aérea e da artilharia de Israel. E não vale a pena virem com o argumento da superioridade moralpolítica e constitucional do Estado de Israel comparativamente ao mundo árabe. Claro que todos nós — eupelo menos — me revejo incomparavelmente mais no que são os valores de Israelsobretudo os seus valores fundadoresdo que naquilo que são os valores das sociedades islâmicas. Mas não só esses valores têm regredido drasticamente em Israel sob a influência sinistra dos ortodoxos e a liderança política desse traste que é “Bibi”ao ponto de hoje pouco distinguir o fanatismo religioso do poder israelita do dos islamistascomo foi Israel quem fomentou a emergência do Hamascontra o laico e muito mais moderado OLPsegundo o velho princípio de dividir para reinar. E quanto à questão de fundomesmo sem discutir o fundamento moral do argumentoacho que a História já nos deu suficientes lições para não valer a pena insistir na tese da ressurreição do espírito das Cruzadas. Depois do Iraque e do Afeganistãojá era tempo de este clube de idiotas que governam o mundo aprenderem alguma coisa de útil sobre o passado. Houve 70 anos para encontrar uma paz justa na Palestina e nada de sério foi feito. Agorachegados a este pontoé esperar que os animais à solta se transformem milagrosamente em seres humanos lúcidos Portantoafinal de contasnão é assim tão complicado: olhar o mal nos olhos e não desviar o olhar; entender a raiz do malsem o desculpar; procurar a solução que sabemos justa; e aplicar a mesma lei a todosamigos e inimigos. Houve 70 anos para fazer isto e nada foi feito. Agoraé esperar que os animais à solta se transformem milagrosamente em seres humanos lúcidos. 2 Se o Orçamento épor naturezauma gestão de expectativas futuraso meu receio é que este Orçamento seja optimista demais. Continuar com um superavit nas contas públicasmanter apoios sociaisarrancar a sério com o investimento público e cessar as cativaçõesbaixando para alguns os impostos directos e apostando numa descida da inflaçãoparece-me demasiado bom num ano que se anuncia com duas guerras no horizonte e instabilidade garantida nos mercados de combustíveis. Para quem paga impostosa grande notícia éfinalmentea actualização dos escalões do IRSpondo fim à sua indecente subida sub-reptícia todos os anose a descida das taxasmas só para quem ganha até €2 mil por mês — os outros são ‘ricos’. É quetal como explicou esta semana Pedro Nuno Santosos portugueses deviam deixar de pedir a descida do IRSpois que se só 58% deles é que o pagam edestessó 17% pagam a sériodescê-lo para todos significaria ter de cortar na despesa pública ou ter de deixar de viver dos poucos pagadores esforçados. Como sempreo Orçamento tem coisas boas e coisas máscuja análise não cabe agora aqui. Ecomo semprea oposiçãotoda elaé contra o Orçamento — todo ele. Certamente terá ocasião de justificar melhor e mais detalhadamente porquê. E seguramente irá um pouco mais fundo do que a apreciação do líder da oposiçãoao classificar o Orçamento como “pipi e betinho”. FrancamenteLuís Montenegro é candidato a quê — a ser o mais engraçadinho do Café Central de Espinho? P.S. — Sérgio Furtadojornalista da TVIque eu não conheço pessoalmenteacaba de receber o prémio Mário Mesquita de Jornalismoda Sociedade Portuguesa de Autoresde que confesso desconhecia a existência. Fraco reconhecimento para quem tem feito na Ucrânia um longo e reiterado trabalho de reportagem de guerra — autêntico e não encenadocomo alguns fazemnomeadamente os repórteres-vedeta da CNN Internacional. Corajosoobjectivoimparcial e despido de sensacionalismo: um verdadeiro exemplo daquilo que o jornalismo deve sermesmo nas mais difíceis circunstâncias. E neste país em quea começar pelo Presidente da Repúblicaa mais banal das personagens é alcandorada ao estatuto de heróieste homem que diz não querer “estar apenas de passagem” por um país em guerrapara melhor o compreenderé digno de todo o respeito e admiração. Que a sorte o acompanhe sempre!