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“Aplaudo e subscrevo as ações dos ativistas” num país governado por um “capitão capaz”, com uma tripulação de “notórios incompetentes”

“Aplaudo e subscrevo as ações dos ativistas” num país governado por um “capitão capaz”, com uma tripulação de “notórios incompetentes”

Miguel Sousa Tavares de Viva Voz · Expresso

October 6, 202323m 25s

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Show Notes

Miguel Sousa Tavares traça o retrato de um país marcado por um pessimismo estrutural onde não faltam sinais de crise na Justiça, Habitação, Saúde e Educação. O cronista está do lado do Governo na contagem do tempo dos professores e critica a mudança de opinião no PSD que "cavalga a onda conforme o vento". Elogia o PM, apesar de criticar o desempenho do Governo "constituído por notórios incompetentes e que, todavia, mantêm-se em funções". E sobre as ações dos ativistas pelo clima, não tem qualquer dúvida: "estou do lado dos que aplaudem!". Sousa Tavares diz-se "farto da hipocrisia política sobre o ambiente".

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"Aplaudo e subscrevo as ações dos ativistas" num país governado por um "capitão capaz"com uma tripulação de "notórios incompetentes" Miguel Sousa Tavares traça o retrato de um país marcado por um pessimismo estrutural onde não faltam sinais de crise na JustiçaHabitaçãoSaúde e Educação. O cronista está do lado do Governo na contagem do tempo dos professores e critica a mudança de opinião no PSD que "cavalga a onda conforme o vento". Elogia o PMapesar de criticar o desempenho do Governo "constituído por notórios incompetentes e quetodaviamantêm-se em funções". E sobre as ações dos ativistas pelo climanão tem qualquer dúvida: "estou do lado do que aplaudem!". Sousa Tavares diz-se "farto da hipocrisia política sobre o ambiente"m “Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch” nada sucedia de diferente: frio glaciarfomenoites mal dormidasjornadas de 12 horas de trabalhos forçados no gulag soviético. Mas não havia espaço para lamentaçõespois que a pena pelo descontentamento manifesto não era menos do que a morte. Resistindo fisicamente e em silêncio como um dos condenados políticosAleksandr Soljenítsin haveria de escrever mais tarde este livro esobretudo e “de coração apertado” pelos que tinham morrido nos camposos três volumes do “Arquipélago Gulag” — um testemunho literário e factual arrasador sobre o “paraíso na terra.Totalmente a despropósitoconfessolembrei-me disto apenas a propósito do título do livro: neste nosso tão cantado “Portugal de Abril”em cada dia que passaparece que nada acontece de diferente — e já lá vão 50 anos. Em cada um destes anos e em cada dia destes anoshá sempre portugueses — nas ruasnas esquinasnos cafésnos empregos — a lamentar a sua sorte e a do país. Não sei se são a maioriamas pela atenção que conseguem atrair e pelas atenções e importância que todos lhes prestamassim parece — ao ponto de os seus estados de alma se confundirem com o sentimento profundo da nação. Diariamenteos jornais televisivos trazem-nos o retrato de um país cansadozangadofrustrado nas suas expectativassempre revoltado com quem nos governadesconfiado do próximosem horizontesem esperançatriste e acabrunhado. Se os dinamarqueses são o povo mais feliz do mundoos portugueses serãose não os mais infelizespelo menos os mais lamurientosos mais inconformados com a sua sorte. Esefazendo contasserá fácil deduzir que os dinamarquesesvia UEjá terão contribuído com muitos milhões para minimizar a nossa tristezatambém sou capaz de pensar em muitas outras razões pelas quais eles nos poderão invejar. Talvezpara irmos ao fundo das razões do nosso mal-estar endémicodevêssemos começar por enviar alguns dos nossos profissionais do descontentamento à Dinamarca para ver se entendem porque é que eles são tão estupidamente felizes: por exemploaqueles profetas da desgraça que todos os finais de Verão emergem de novo à superfícieesses simfelizes da vidapara nos anunciar que as escolas não vão abriros hospitais não vão atender doentes e os tribunais vão continuar a não funcionar. Esta semana portuguesa foi um bom exemplo daquilo a que poderemos chamar o estado da nação. Logo a abrirmultiplicou-se o número de hospitais a fecharem valências e serviços devido à recusa dos médicos em fazerem mais do que o limite de horas extraordinárias exigíveis por lei. Os funcionários judiciaiscuja greve suspende há oito meses o direito constitucional à justiçaouviram nova proposta da ministraqueao que parecenão os satisfaz. Os senhores Nogueira e Pestanatambém ouviram novas propostasmas enquanto não lhes derem os 6 anos6 meses e 23 dias de promoções congeladas lá atrásnada feitopois que a última das suas preocupações é que os alunos tenham aulas e os pais tenham onde deixar os filhos para irem trabalhar. E assistimos a manifestações em várias cidades pelo mais elementar dos direitos: ter uma casa para viver. Como se não bastassepara baralhar as coisaso PSD de Montenegro resolveu dar duas cambalhotas em simultâneo: está disposto a ceder aos professoresabrindo uma excepção no tratamento do funcionalismo públicoe um lóbi capitaneado pelo “intelectual” Pinto Luzde Cascaisjá não quer esperar pelo parecer dos técnicos e defende a impensável solução do futuro aeroporto de Lisboa em Santarém. Ou seja: quem visse as notícias do dia e lhe acrescentasse o panorama das contas públicaso nível extremo da carga fiscalo peso da dívida pública e dos seus juros e as expectativas económicas de uma Europa estrangulada pela guerra na Ucrâniaconcluía que o país não tinha saída. E quando o Estado cobra os impostos que cobra eem trocanenhum dos seus serviços parece funcionarseguramente que estamos a ser mal governados. Se grasna como um pato e voa como um pato... Há por aí alguém que tenha outro rumooutra bússola e melhor timoneiro para conduzir esta nau das lamentações? Porémà noite o primeiro-ministro foi à TVI ecom excepção da questão da habitaçãoonde reconheceu a “frustração” de ter falhado as promessas e os objectivosem tudo o resto foi desarmante. Na saúdeacenou com aumentos salariais entre 12% e 30% para os médicos dos cuidados de saúde primários e de 30% para os que aceitarem dedicação plena nos hospitaisacentuando que desde que é primeiro-ministro o orçamento do SNS subiu 56%. Na política de rendimentosenumerou todos os apoios sociais em vigor e referiu que no último ano as contribuições para a Segurança Social aumentaram 13%sendo 5% devido a mais inscritos e 8% a aumentos salariais. E rematou: “Desde que sou primeiro-ministrohá oito anosa inflação acumulada subiu 13% mas o salário mínimo 51% e o salário médio 31%.” Quanto aos professores (e os números são sempre dele)referiu que 98% dos horários de aulas já estão preenchidos; que os quadros pedagógicos passaram de 10 para 63encurtando as distâncias de deslocação dos professores; que ao fim de três anos na mesma escola estes só mudam se quiserem; e que 8 mil já se vincularam este ano. Só não cede às promoções retroactivas porque teria de o fazer para toda a Função Pública. E também não vai baixar o IRS a não ser para isentar progressivamente os jovens durante cinco anosmas prometeu baixar a colecta do IRS em 2 mil milhões até final da legislatura. Depois de ouvir António Costa pela enésima vez nestes oito anosacabo baralhado. Parece um capitão de navio numa nau à deriva no meio de uma tormentaem que ele é o único que não está em perdição e parece saber o que faz. Manifestamenteo seu grau de preparação e segurança faz dele o melhor dos membros do Governo. Mas quando se chefia um governo em que pelo menos metade dos ministros não presta e não se vislumbra rasgo nem visão de futuroisso não faz dele um bom primeiro-ministro. O navio avança aos baldõesretido por uma âncora de arrasto que ninguém solta. Mas há por aí alguém que tenha outro rumooutra bússola e melhor timoneiro para conduzir esta nau das lamentações? 2Nós somospor naturezaesquecidos e ingratos. Há menos de dois anos ainda estávamos todos os 7 biliões de habitantes deste exaurido planeta Terra em pânico frente a uma ameaça que as nossas gerações desconheciam: o SARS-CoV-2vulgo covid-19. Muitos morrerammuitos escaparam por poucomuitos ficaram marcados para sempretodos viram as suas vidas mudar do dia para a noite. E todos esperámossuspensos e entrincheiradospela única notícia que nos pudesse dar alentoainda que distante: a descoberta de uma vacina salvadora. Mas quando os chineses descodificaram e divulgaram o genoma da covidem apenas dez mesesa investigadora húngara Katalin Karikó e o americano Drew Weissman (dispensados da Universidade da Pensilvânia porque a sua investigação não era rentável)apresentavam uma vacina com o selo da Pfizerda BioNTech e da Moderna. A vacinacuja descoberta envolveu investimentos públicos e privados imensosnão só derrotou a covidcomo também abriu caminho ao combate ao VIHà maláriaao ébola e a formas de cancro e de doenças auto-imunesbaseando-se num método revolucionário em queem lugar de injectar proteínas (medicamentos) se injectam moléculas que fazem o organismo combater o vírus. Aos dois investigadores foi agora concedido o Nobel da Medicinaum curto agradecimento a quem a Humanidade tanto ficou a dever.miguel sousa tavaresde viva vozpolíticaclimagovernosaúdeurgênciasportugalpaula santos