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“O Chega pode ter um resultado histórico. A AD tem motivos de preocupação”

“O Chega pode ter um resultado histórico. A AD tem motivos de preocupação”

Luís Marques Mendes · SIC Notícias

January 15, 202434m 25s

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"Não chega fazer diagnóstico, a AD tem de apresentar ideias", considera Luís Marques Mendes no seu comentário semanal em podcast. "Analisando distrito a distrito, nota-se que o PSD é o partido mais afetado com o crescimento do ChegaSe o Chega tiver um resultado [perto dos] 15%, ou mais, a AD não ganha as eleições. Nunca Luís Montenegro chegará a primeiro-ministro", avisa Marques Mendes. O advogado defende que "é preciso surpreender com um pensamento alternativo e com propostas alternativas, um projeto transformador, e não há muito tempo para o apresentar". E traça a meta: "a Convenção do próximo domingo é o limite para o fazer com eficácia". Este comentário é de 14 de janeiro.

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"Não chega fazer diagnósticoa AD tem de apresentar ideias"considera Luís Marques Mendes no seu comentário semanal em podcast“O Chega pode ter um resultado histórico. A AD tem motivos de preocupação”considera Luís Marques Mendes no seu comentário semanal em podcast. "Analisando distrito a distritonota-se que o PSD é o partido mais afetado com o crescimento do Chega. Se o Chega tiver um resultado [perto dos] 15%ou maisa AD não ganha as eleições. Nunca Luís Montenegro chegará a primeiro-ministro"avisa Marques Mendes. O advogado defende que "é preciso surpreender com um pensamento alternativo e com propostas alternativasum projeto transformadore não há muito tempo para o apresentar". E traça a meta: "a Convenção do próximo domingo é o limite para o fazer com eficácia". Este comentário é de 14 de janeiro.OS PROTESTOS DOS POLÍCIAS Este protesto dos agentes da PSP e da GNR não surpreende. É mesmo a coisa mais legítima do mundo. Eles sentem-se legitimamente injustiçados. Então atualiza-se o suplemento de missão na PJ e deixa-se de fora a PSP e a GNR? Então na PSP e na GNR também não há riscodesgaste e penosidade? Nada a opor ao que foi feito na PJ. Masa haver atualização na PJdevia ter havido atualização também no subsídio equivalente que há na PSP e na GNR. Isto é elementar. Não tendo havido um critério de equidadea "revolta" é mais do que compreensível. As assimetriasas disparidades e as injustiças relativas agravam-se. Isso só poderia causar mal-estar na PSP e na GNR. O próprio PR chamou a atenção. O MAI está a ser fortemente criticado. E tem a sua responsabilidade. Podia e devia ter batido o pé. Mas a grande responsabilidade é do PM. António Costa é o Chefe do Governo. É o único governante que tem o dever de ter uma visão geral e global. Cada Ministro gere "a sua casa". O PM é que deve olhar para o conjunto e cuidar de haver equidadeequilíbrio e justiça relativa entre todas as partes. Não cuidou. O PM parece ter dois pesos e duas medidas. No caso dos professoresrecusou haver uma recuperação integral do tempo de serviço porque dizia não haver condições para fazer o mesmo nas demais carreiras da função pública. Então e agora? O PM mudou de critério? Agorano caso da PSP e da GNRjá não se preocupa com a igualdade de tratamento entre os vários setores? Onde está a coerência? Está criado um enorme "berbicacho" para o próximo governo. Que só se pode resolver com duas condições: negociações sérias com os sindicatos; e apelo aos agentes da PSP e GNR para que protestem sempre dentro da legalidadesem afetar a segurança e o Estado de Direito. A DISSOLUÇÃO DA AR Amanhã é dissolvido o Parlamento. Agoraa campanha passa a ser mais a sério. Mas hádesde jáum balanço que pode ser feito desta pré-campanha. Fazendo a média das quatro sondagens divulgadas em dezembroe promovendo uma simulação de distribuição de deputadoschegamos aos seguintes resultados: o PS com 82 deputados (29%); a AD também com 82 (289%); o Chega com 37 (155%); o BE com 15 (71%); a IL com 10 (61%); o PAN com 2 (24%); o PCP com 1 (27%); o Livre com 1 (23%). Este "retrato" deve ser visto com cautelamas é muito útil. Ele permite extrair duas indicações claras: saber quem ganhará as eleições vai ser uma incerteza até final; gerar um governo estável vai ser um problema. Indo por partes: O PS tem uma grande queda face à maioria absoluta atual. Mas mantém intactas as possibilidades de ganhar as eleições. Pedro Nuno Santos começou bem a sua liderança: saiu-se bem no Congressosuperou as expectativas que existiambeneficiou de o lançamento da AD ter ficado aquém do esperado e está a tentar refazer a sua fragilizada imagem governativa. Se tudo isto resulta em votoslogo se verá. A AD tem motivos de preocupação. Depois do desgaste de 8 anos de Governoa AD tinha a obrigação de estar à frente nas sondagens. O PSD fez bem em criar a AD e em ir buscar independentes. Mas está com dificuldade em perceber que não chega criticar. É preciso surpreender com um pensamento alternativo e com propostas alternativas. É preciso um projeto transformador. E não há muito tempo para o apresentar. A Convenção do próximo domingo é o limite para o fazer com eficácia. O maior problema de todos é a estabilidade governativa. Com estes resultados dificilmente será possível formar um governo estável. À esquerda ou à direita. À esquerdamesmo que o PS ganhe as eleiçõesdificilmente consegue reeditar a geringonça. Os três partidosPSPCP e Blocodificilmente terão uma maioria de deputados. À direitapode haver uma maioria aritmética de deputados. Mas dificilmente esta maioria aritmética se converte em maioria política. O País pode ficar bloqueado e num impasse. A não ser que os portugueses decidam a 10 de março desbloquear o impasse. O CRESCIMENTO DO CHEGA O Chegaem Convenção este fim de semanaé um caso curioso. Podia querer moderar o seu discurso para se "transformar" em partido de governo. Fez a opção contrária: reforçar a sua natureza de partido de protesto e de contestação. Podia apresentar nomes que "sinalizassem" uma preocupação de aceder ao governo. Nem um. Podia ter propostas de sinal governativo. Não houve. A escolha continua a ser tentar crescer como partido de protesto. Aí tem tido sucesso. Usandouma vez maisa média das sondagens de dezembro de 2023há seis factos relevantes a registar: O Chega cresce de 12 para 37 deputados. Elege deputados em quase todo o paíscom exceção de BragançaPortalegre e círculos da emigração. Cresce mais a sul que a nortesobretudo em LisboaSetúbal e Alentejo. Em Setúbal e Beja fica mesmo à frente da AD em votosembora empate em número de deputados. Em Évora empate com a ADem votos e deputados. Em quase todos os distritos do paíscom exceção de Bragança e Portalegreconquista deputados na maioria absoluta do PS. Com estes indicadores há três conclusões analíticas inevitáveis: A primeira é que o Chega pode ter um resultado histórico. Por estes dadostriplica o número de deputados que atualmente tem na AR. A segundaé queao contrário do que habitualmente se dizo Chega não conquista apenas votos à direita. Conquista à esquerda e à direita. Em qualquer casoanalisando distrito a distritonota-se que o PSD é o partido mais afetado com o crescimento do Chega. Se o Chega tiver um resultado desta dimensão (15%)a AD não ganha as eleições. Nunca Luís Montenegro chegará a PM. Um grande resultado do Chega ajuda PNS a chegar a PM. Já não é uma questão de opinião. São os números que o dizem. TRANSFERÊNCIA DE DEPUTADOS? Parece que o Chega anda a tentar "conquistar" deputados do PSD. Percebe-se a ideia: tentar mostrar que votar na AD ou no Chega é a mesma coisa. Mensagens políticas à partetodo este espetáculo é lamentável. É lamentável que um deputado se desfilie de um partido e se mantenha como deputado na ARsó para não perder o salário e as mordomias de deputado. Por uma razão simples: em Portugal não há círculos uninominais. Os deputados são eleitos pelos partidos. Orase são eleitos por partidosno momento em que abandonam os partidos devem também abandonar a AR. Questão de coerência! É lamentável que um deputado passe de repente de um partido para outro. Seja em que partido for. Devia guardar um período de "nojo"como sublinhoue bemo líder parlamentar do PSBrilhante Dias. Doutra formasoa a oportunismocarreirismo e falta de escrúpulos. A política fica cada vez mais parecida com o futebol. E a futebolização da política não garante credibilidade. É lamentável que um partido ande à "pesca" de deputados de outros partidos. Agoraé o Chega. Já antes PS e PSD fizeram o mesmo com a transferência de Presidentes de Câmara. Com exemplos assimnão se admirem que muitos cidadãos vejam a política cada vez mais como "cadastro" e não como um exercício de convicção ou serviço público. Falando da escolha de deputadoso mais importante agora é escolher pelo mérito e pela competência. De eleição para eleiçãoo Parlamento tem perdido demasiada qualidade. Claro que a falta de círculos uninominais favorece a mediocridade e não o mérito. Mas era bom que os líderes partidáriosem especial no PS e no PSDinterrompessem este ciclo de degradação. AS FALHAS NA HABITAÇÃO Muito boa gente questiona: por que é que se falha tanto nas políticas da habitação? Por que é que a habitação é um pesadelo? Por que é que as rendas são tão altas? Duas explicações podem encontrar-se em factos divulgados esta semana: arrendamento acessível e construção de fogos ao abrigo do PRR. Comecemos pelo arrendamento acessível. Foi um programa criado em 2019para promover rendas a custos acessíveis. Os senhorios beneficiariam de isenções fiscais se baixassem as rendas 20% abaixo da mediana do mercado. Cinco anos volvidoso programa é um verdadeiro flop. Face à totalidade dos arrendamentos privados existentes (870 mil)só 012% dos arrendamentos têm renda acessível. Face a novos contratospós 2019 (330 mil)3% dos novos arrendamentos têm renda acessível. Em ambos os casosmuito longe dos 20% de contratos a abranger que prometia o Governo. Um fiasco completo. O segundo programa tem a ver com o PRR – construir ou reabilitar 26 mil fogos até 2026. Também aqui os números não são brilhantes: As candidaturas para construir ou reabilitar casas podem surgir até março de 2024. Masaté agorasó surgiram cerca de 16 mil. Das candidaturas apresentadassó 7.500 é que foram aprovadas: um número muito baixo. E em quase dois anos de PRRapenas duas mil casas foram efetivamente construídas. Muito pouco face às expectativas e às necessidades. OS JOVENS QUE EMIGRAM O Expresso publicou dados impressionantes sobre a emigração portuguesa: somos o país da UE que mais emigra e o oitavo do mundo; a grande maioria dos que emigram são jovens em idade de terem filhos; esta situação contribui seriamente para o país perder população e para envelhecer. Tudo isto é sérioevidentemente. Mas não é o mais sério. Com a emigraçãoPortugal perde população. Mas o país compensa com os imigrantes que têm entrado no nosso país. Com a emigração de jovenshá uma perda de nascimentos. Logoum envelhecimento da nossa população. Mas o país compensa com os imigrantes que entram. São igualmente jovens e rejuvenescem a nossa sociedade. O aspeto mais grave desta situação coloca-se no plano da qualificação. Aquisimas consequências são mais sérias e não têm compensação possível. Em 2014ano que foi um pico de emigraçãoa maioria das pessoas que emigrava tinha baixas qualificações (53% com ensino básico). Em 2021último ano com dados do INEquase metade dos que saíram de Portugal tinham altas qualificações (48% com o ensino superior). Este é o problema. Desperdiçamos talento. Deixamos sair do País os mais dinâmicos e empreendedoras da sociedade. Perdemos energia e capacidade inovadora. Eaqui sima imigração não compensa a emigração. Os novos trabalhadores que entram em Portugal não têm tão altas qualificações quanto os que saem do país. Esta é a consequência de uma economia que cresce pouco e não gera salários competitivos. Até quando? Que propostas para mudar o perfil da nossa economia?