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Geração 70

Geração 70

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Patrícia Reis: “Fiz muito sexo por boa educação. Era indigno e até chegava a ser humilhante, mas era assim. Sentia-me ameaçada enquanto mulher”

Lisboeta de gema, nasceu a 12 de dezembro de 1970 em Benfica. “Vivia num caldo muito estranho”, os pais “eram uns putos”, tinham apenas 17 anos quando nasceu, e “sempre foram de direita”. Patrícia Reis sempre votou “à esquerda”. Nesta conversa com Bernardo Ferrão, fala na atual maioria absoluta, “mal aproveitada” por um Governo que “não tem mãos para tocar a viola”. Sem tabus, refere o assédio de que foi vítima e diz mesmo que foi “penalizada” por ser feminista. “Fui muito penalizada por ser mulher. Por ter um palmo de cara, por ser loirinha, por ser novinha, depois por ter namorado mais velho e depois não sei por quê...” Escritora, jornalista, mãe e amante de livros, lembra ainda os loucos anos 80 e uma certa forma de fazer - e viver - o jornalismo que é cada vez mais rara nas redações. Oiça aqui o podcast Geração 70See omnystudio.com/listener for privacy information.

Aug 2, 202341 min

Carlos Moedas: “Éramos pobres, mas não tínhamos vergonha nem inveja. O grande ativo da minha família era o respeito que tinham pelo meu pai. A inteligência do meu pai era o nosso orgulho”

Carlos Moedas nasceu em Beja em 1970. É filho do histórico comunista da terra 'Zé' Moedas. O pai foi jornalista e a mãe costureira. Viviam com “zero privilégios”, mas Moedas “sempre quis lutar para ter as mesmas condições que os outros”. Numa conversa com Bernardo Ferrão, no podcast Geração 70, fala da infância pobre no Alentejo, do primeiro emprego em Paris, das dificuldades no tempo da Troika e do estado atual da política, marcado pela “incapacidade de combater o populismo”. Recorda ainda a passagem pela Comissão Europeia e o regresso à política nacional na Câmara de Lisboa: “a minha única ambição é governar a autarquia”, afirma.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 26, 202359 min

Cecília Meireles: “A minha irmã tinha uma deficiência profunda e morreu há dois anos. A forma como olhavam para nós na rua marcou-me muito”

Nasceu no Porto, em 1977, e cresceu em Guimarães, “na altura, a cidade dos novos ricos”. Da infância, recorda a luta da mãe para conseguir um lugar na escola para a filha - irmã de Cecília - que tinha uma deficiência profunda, e não esquece “a maneira como olhavam para nós, como apontavam o dedo” na rua. Cecília Meireles sempre quis ser a voz dessa irmã e, nesta conversa com Bernardo Ferrão, fala do seu caminho na política, da saída do CDS numa altura difícil para o partido, e do regresso à advocacia. “Não sou pessoa de andar a saltar de uma vida para a outra. Não vou regressar à política, não sou candidata a Bruxelas”, esclarece. Oiça aqui a conversa com Bernardo Ferrão, no podcast Geração 70See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 19, 202342 min

Marisa Matias: “Comecei a trabalhar aos 16 anos, primeiro nas limpezas, depois num bar. O meu primeiro salário foi de 350 euros”

Militante, dirigente do Bloco de Esquerda e eurodeputada, Marisa Matias é a mais recente convidada do Geração 70. Numa conversa com Bernardo Ferrão fala da infância pobre numa aldeia com cem habitantes, do salto para a cidade e da vida estudantil, que Marisa conciliava com trabalho nas limpezas e num bar, mas que - sublinha - era num tempo em que apesar de tudo se tinha muitas ‘expectativas no futuro’. Candidata à presidência da República por duas vezes, fala ainda do seu percurso político, as batalhas que travou e as que trava diariamente. Oiça aqui a entrevista em podcast See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 12, 202350 min

João Miguel Tavares: “Eu era um adolescente muito feio, com os dentes tortos, e a minha mulher estava muito acima da minha Liga. Casei com a primeira namorada”

João Miguel Tavares nasceu em Portalegre em 1973, é cronista e comentador político. A infância faz lembrar a quinta dos avós, o corte de cabelo “à tigela”, “cara redonda” e a "pouca sorte com as miúdas". Casou com a "primeira namorada" e é pai de quatro filhos. Quando regressa à cidade onde cresceu percebe que “Portalegre era mais povoada nos anos 80 do que agora." É um assumido crítico da “elite lisboeta", os pais eram funcionários públicos e assume-se como um "filho do Estado". Na esfera política aponta à "hegemonia do PS", à "erosão do PSD" e ao Chega: “André Ventura diz as coisas mais bárbaras, mas é falso que o Chega seja um partido antidemocrático.”See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jul 5, 202352 min

Isabel Gordo: "Vou-me emocionar: I did it! Lembro-me de chegar à universidade e pensar no meu pai. Cumpri o sonho da família”

Nasceu em 1975, no Alentejo. A infância foi “comedida” e sem grandes luxos na pequena vila de Alter do Chão, em Portalegre. Os pais tinham a 4ª classe e "trabalharam muito para que os filhos pudessem estudar". O primeiro livro que leu chegou-lhe pela carrinha da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian. Portugal parecia demasiado pequeno para “perceber a origem da vida”. Doutorou-se em Genética Evolutiva na Universidade de Edimburgo, na Escócia, mas o coração esteve sempre em Portugal: “Só me reformo quando já não conseguir pensar. Devo isso ao meu país”. Numa conversa emocionada com Bernardo Ferrão, a investigadora Isabel Gordo fala sobre os perigos, receios e potencialidades das novas tecnologias, a valorização da Ciência e da “pandemia silenciosa” em que acredita que vivemos. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 28, 202346 min

Carlão: “Só gravei um disco dos Da Weasel sob o efeito de drogas. Íamos gravar e eu fazia uma desintoxicação... De certa forma, a música salvou-me no meio daquele caos todo”

Carlos Nobre, o Pacman que virou Carlão, cresceu num bairro de onde "saíram todo o tipo de pessoas" - de membros do Governo a bandidos e traficantes que acabaram presos. Nasceu em 1975, em Angola, em casa e ao "som dos tiros", que se ouviam na rua. Os pais fugiram para Portugal "com a roupa que tinham no corpo". Foi em Cacilhas, na margem sul, que se tornou um homem "sem luxos", que "acredita na esquerda, no ideal comunista e numa sociedade sem classes". Nesta conversa com Bernardo Ferrão, Carlão recorda os momentos altos e os mais sombrios da vida e da carreira. Fala ainda do regresso dos Da Weasel - 10 anos depois - com um brilho nos olhos.See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 21, 202347 min

Marta Temido: “Quando nasci o meu pai tinha 23 anos, a minha mãe 21. Sou a filha mais velha, era uma vida difícil nos anos 70, tudo era mais contado”

Nasceu em 1974, pouco antes do 25 de abril, e até aos 12 anos andou em viagem pelo país muito por força das profissões do pai, magistrado, e da mãe, professora. Marta Temido, a irmã mais nova e os pais num carro é uma memória ainda hoje presente, muito por causa do mau estado das estradas portuguesas: "era uma tortura, longas horas de viagem por estradas terríveis", diz. "Eu gostava muito de ler e tinha direito a comprar um livro por mês. O resto dos livros íamos buscar à biblioteca itinerante da Gulbenkian. Senti-me quase sempre uma privilegiada, porque o ambiente em minha casa era um ambiente com livros". Não fez parte de movimentos estudantis, porque era muito tímida e tinha dificuldade em entrar nos círculos políticos, mas fez parte da geração do movimento estudantil anti-propinas e participou em manifestações. "Hoje entendo melhor qual era a ideia dos governos da altura sem dúvida nenhuma", afirma a ex-ministra da Saúde, cuja irmã é... médica. Licenciada em Direito, administradora hospitalar, Marta Temido fala sobre as discussões em família na altura da pandemia, a pausa que decidiu fazer na vida política de saúde e muito mais. Oiça aqui a entrevista conduzida por Bernardo Ferrão, no novo podcast 'Geração 70'. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 14, 202329 min

Henrique Raposo: "Na minha família éramos muito, muito pobres. A minha avó quando me via com os livros dizia sempre assim: o que é que vai ser deste moço? Na cabeça dela, um rapaz como eu tinha que aprender um ofício"

Nasceu em 1979 no bairro do Mealheiro, na Portela da Azóia, em Loures, é cronista do Expresso e da Renascença. Estudou História e Ciência Política. Casado, com duas filhas, disse em tempos que se preparou na vida para ser odiado, pois gosta de cultivar um lado contracorrente. Nesta conversa com Bernardo Ferrão, Henrique Raposo fala das suas origens humildes, de como os livros e a escola o salvaram da pobreza do bairro onde cresceu, e partilha a música e o cinema que o acompanharam até à vida adulta. Hoje, olha para a classe política de forma crítica: "Nós não estamos a conseguir furar as chamadas bolsas de pobreza. Continuamos a ter essas bolsas de pobreza quer no campo quer nas cinturas suburbanas das cidades. Estamos a falhar, é preciso apostar na educação", diz sem rodeios. Oiça aqui o episódio de estreia do podcast de Bernardo Ferrão, uma série de entrevistas aos protagonistas da sua própria geração: a Geração 70. See omnystudio.com/listener for privacy information.

Jun 7, 202338 min