
Mulheres Reais | ‘Pais têm de enxergar nos filhos sinais que eu não consegui ver’, diz mãe de jovem que atacou escola
Colunistas Eldorado Estadão · Rádio Eldorado
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Na tarde de 19 de agosto de 2022, Adriana tinha acabado de chegar de uma viagem de férias dos Estados Unidos quando recebeu a notícia que mudaria drasticamente a vida de toda a sua família. Seu filho Henrique, de 18 anos, que ela pensava estar no mercado, tinha acabado de invadir a Escola Municipal Éber Louzada Zippinotti, em Vitória (ES), com seis facas ninjas, arco com 59 flechas, três bestas e quatro coquetéis molotov. Após ter acesso negado no portão, ele escalou a grade de seu ex-colégio e chegou a ameaçar estudantes e funcionários, mas acabou detido por policiais e seguranças e ninguém se feriu.
Autuado em flagrante por tentativa de homicídio qualificada por motivo fútil, está preso desde então.
Na última semana, Adriana reviveu todo o drama, ao saber do ataque à Escola Thomazia Montoro, na Vila Sônia, em São Paulo, que terminou com a morte de uma professora de 71 anos. E é assim a cada novo ataque. “Sofro muito a cada morte dessas. A vontade que tenho é de abraçar esses familiares dessas vítimas, pedir perdão pelo medo e pavor que meu filho causou”, diz ela, que pediu para não terem o sobrenome divulgado por causa das ameaças.
Ataque em escola: o que fazer com adolescentes que cometem ou planejam violência?
Para Adriana, discussões como a da redução da maioridade penal não resolverão o problema, pois os agressores são cada vez mais jovens. Mas os pais precisam ficar alertas para sinais que ela na época enxergou como sendo típicos da adolescência, como ficar horas no quarto com computador ou celular e se tornar mais frio, distante e agressivo, e hoje enxerga que tinham a ver com o processo de radicalização do filho. “Meu filho nunca teve problema de saúde, a gente não tem problema de dinheiro, a gente não tem problema de educação, não tem problema de amor. O que levou meu filho a fazer isso eu não sei. Do mesmo jeito que um monte de mãe e pai aí está achando que esse comportamento (do filho) é normal e ele pode ser o próximo agressor.”
Adriana alerta também para comunidades de ódio na internet que endeusam autores de massacres e estimulam novos ataques. “Eu não sei como que eles capturam esses jovens, eu não sei como que eles seduzem esse jovens, mas parece que eles pescam mesmo essas possíveis vítimas para poderem fazer de soldado deles”, diz. “Não estou tirando a culpa e a responsabilidade do meu filho de jeito nenhum. Ele está respondendo na justiça, ele está preso, mas eu acho que tem muita coisa por trás disso, sabe? Eu não acredito que sejam só jovens que se juntam e ficam planejando isso, tem que ter alguém encabeçando, liderando, alguém ganhando com isso.”
O Mulheres Reais vai ao ar às segundas-feiras, a partir das 8h, no Jornal Eldorado. O quadro é apresentado por Luciana Garbin e Carolina Ercolin
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