
Mulheres Reais | Geração que apanhou dos pais leva as próprias frustrações para a educação dos filhos
Colunistas Eldorado Estadão · Rádio Eldorado
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Show Notes
Conversar com a psicanalista Elisama Santos é se sentir envolvida em um abraço. Na primeira parte da entrevista ao quadro Mulheres Reais, a escritora explica que vem do passado a crença de que a educação se dá a partir da dor. “É uma perspectiva essencialmente europeia, ocidental, que acabou dominando o mundo. Os povos originários não têm na violência a base da educação. Isso é algo que foi trazido. Na época em que o Brasil foi invadido, os padres relataram surpresa com o fato de os índios não baterem nos filhos”, detalha. "Países que foram mais violentados pela colonização terão uma marca maior de relações violentas, estrutura que necessita dos obedientes para se manter viva”, pontua.
Segundo Elisama Santos, a percepção de que o adulto que apanhou na infância não coleciona traumas é falsa. “A infância não passa, vivemos pisando nesse passado esburacado”, analisa a psicanalista. “Quando eu questiono a forma que eu educo uma criança, confronto, automaticamente, a forma com a qual eu fui educada. E nem todo mundo tem estrutura para assumir que, talvez, a relação mais importante e afetuosa que ela teve foi permeada por episódios de violência. Não é sobre querer, é sobre saber se eu dou ou não conta disso. Não tem como desver”.
De acordo com a escritora, a sociedade é especialista em ensinar à criança qual é o limite do outro, mas não o seu próprio. Também em silenciar seus desejos. E adivinha quem terá dificuldade em se posicionar com segurança nas relações quando crescer?
A segunda parte da entrevista com Elisama Santos vai ao ar na próxima semana. O Mulheres Reais é apresentado pelas jornalistas Luciana Garbin e Carolina Ercolin
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