PLAY PODCASTS
Pedro Rousseff | Café com Política
Season 144 · Episode 244

Pedro Rousseff | Café com Política

Café com Política

July 25, 202530m 38s

Audio is streamed directly from the publisher (media.transistor.fm) as published in their RSS feed. Play Podcasts does not host this file. Rights-holders can request removal through the copyright & takedown page.

Show Notes

O vereador Pedro Rousseff (PT) criticou, em entrevista ao Café com Política, exibido nesta segunda-feira (28/7) no canal de O TEMPO no YouTube, a atuação da direita na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e cobrou uma postura mais ativa do presidente da Casa, Juliano Lopes (Podemos). Segundo ele, é necessário que o presidente intervenha para que haja debate sobre os projetos apresentados pela esquerda. Na avaliação do vereador, parlamentares têm utilizado o Legislativo como uma “fábrica de projeto pra ganhar like”.

“A Câmara de Belo Horizonte, até o dado momento, muito por conta da bancada bolsonarista, só fala e só propõe abobrinha”, afirmou o parlamentar, ao acusar a bancada da direita de priorizar pautas conservadoras que, em sua avaliação, não têm impacto prático na cidade. Para Rousseff, a Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) tem sido usada para barrar propostas progressistas com justificativas ideológicas. “O diálogo com o presidente Juliano é sempre muito bom, todas as semanas ele recebe a gente. Só que ele tem que atuar mais. Ele é o presidente da Câmara, não pode interferir na CLJ, mas tem que ajudar, porque a Câmara não pode ser legalmente, juridicamente, toda voltada para a direita. Tem que ter debate. Por isso, eu peço ajuda para que possamos, pelo menos, debater as ideias”, afirmou.

Ao ser questionado sobre a atuação do prefeito Álvaro Damião (União Brasil), Pedro Rousseff avaliou que o chefe do Executivo municipal está aberto ao diálogo com a esquerda, mas ponderou que sua missão é puxar o prefeito “o máximo possível para a esquerda” e convencê-lo da importância da parceria com o presidente Lula (PT). “O melhor para Belo Horizonte é a parceria com o Lula. Não pelo PT, não pelo Lula, mas pelas obras que a cidade precisa”, pontuou o vereador, citando investimentos federais em obras como o Anel Rodoviário e o Aeroporto Carlos Prates. “O prefeito não é de esquerda. E o meu trabalho como parlamentar do PT é pegar o prefeito e puxar ele o máximo pra esquerda. O nosso trabalho diário é mostrar para o prefeito que ele tem que apoiar o Lula”, completou Rousseff.

Após divergir da bancada da esquerda na Câmara ao votar a favor do projeto que transfere para o governo de Minas Gerais o terreno do antigo Hospital Galba Veloso, em Belo Horizonte, o parlamentar minimizou qualquer mal-estar com os colegas. Conforme publicado por O TEMPO, o caso extrapolou os corredores da Câmara e repercutiu nos bastidores da política petista, trazendo à tona resquícios da disputa interna pelo comando estadual do partido. Adversários do grupo de Rousseff — do qual também faz parte o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) — vincularam o voto favorável do vereador a uma suposta “retribuição” e “prova de lealdade” ao prefeito Álvaro Damião (União), que teria contemplado aliados do vereador em nomeações feitas na semana que antecedeu a votação. Rousseff, por sua vez, nega qualquer acordo ou troca de favores.

“Eu sou contra privatização, mas esse projeto não falava de privatização. Como eu ia voltar no bairro e explicar que votei contra a criação de um hospital público?”, justificou. “Eu, sinceramente, acho que houve uma falta de comunicação com a bancada, porque esse projeto é muito resumido. Independentemente se foi o Zema que mandou, se foi o Álvaro que mandou, se foi o Papa que mandou, se foi o Trump que mandou — se for para votar a favor da criação de um hospital 100% SUS, eu voto a favor”, completou o vereador, que também minimizou os conflitos internos ocorridos durante o Processo de Eleições Diretas (PED) do PT em Minas.


Segundo Rousseff, apesar das disputas naturais, o partido está unificado. “É normal ter briga. Assim como toda eleição: todo mundo briga. Mas terminou o nosso PED, nós estamos agora focados no ano que vem. O nosso 'racha' é durante as eleições internas; depois que acabou, está todo mundo junto de novo, porque não importam mais as eleições internas. O que importa agora é garantir o maior número de apoio e de voto para o presidente Lula. E isso independe se era com X, com Y ou com Z. O nosso trabalho, agora, é dar o máximo de apoio para a Leninha, para que ela faça um bom mandato como presidenta”, afirmou.

Sobre o cenário eleitoral de 2026, Pedro Rousseff reforçou que o PT precisa ter um palanque forte em Minas Gerais para impulsionar a campanha à reeleição do presidente Lula. Segundo ele, o nome favorito do partido é o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), mas há outros nomes viáveis caso Pacheco não aceite concorrer, como a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), o deputado federal Reginaldo Lopes (PT) e o ex-prefeito de BH, Alexandre Kalil (sem partido), que já teve apoio de Lula em 2022. “Nós precisamos ter um candidato que dê palanque para o presidente Lula e que não só ganhe em Minas Gerais contra o Nikolas e contra o Cleitinho, mas que também ajude na vitória do presidente contra Bolsonaro de novo”, argumentou.

Questionado sobre a possibilidade de disputar algum cargo em 2026, Pedro Rousseff disse que ainda não há definição, mas afirmou estar disposto a cumprir qualquer missão dada por Lula. O vereador negou também um suposto desconforto de outros parlamentares por conta de suas viagens e de sua atuação em bases eleitorais de outros deputados. “Não estou lá pra roubar base de ninguém. Estou lá pra pedir voto pro Lula”, afirmou.

O parlamentar também comentou as investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendeu medidas mais duras. Para ele, o uso de tornozeleira eletrônica já está defasado. “Tornozeleira era há dois anos. Agora é jaula. É prisão”, afirmou, ao criticar as supostas articulações de Bolsonaro e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), com aliados internacionais.