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Duda Salabert | Café com Política
Season 144 · Episode 320

Duda Salabert | Café com Política

Café com Política

December 26, 202535m 30s

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Show Notes

A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) fez um balanço do ano legislativo de 2025 e afirmou que a entrada da Câmara dos Deputados em recesso representa uma “vitória para o povo brasileiro”. Em entrevista ao Café com Política, a parlamentar avalia que o Congresso atravessa um dos piores momentos de sua história recente, marcado, segundo ela, por retrocessos, chantagens políticas e enfraquecimento da democracia.

“O balanço é muito ruim. E ainda bem que a Câmara entrou em recesso. É a maior vitória que o Brasil teve, porque nesse período nenhum direito do cidadão vai ser retirado”, afirmou. Para a deputada, o ambiente no Legislativo se deteriorou a ponto de tornar a paralisação temporária uma forma de proteção social. “De dezembro até o começo de fevereiro, nenhum direito vai ser retirado, nenhuma legislação vai ser afrouxada”, completou.

Ao avaliar a condução da Câmara, Duda Salabert classificou a gestão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), como “fraquíssima”. Segundo ela, a ausência de pulso firme abriu espaço para que grupos mais radicalizados passem a ditar o ritmo do Parlamento. “Hoje, quem grita mais alto leva vantagem. Isso é péssimo para a democracia e para o parlamento”, criticou. Na avaliação da deputada, a piora do cenário político tem relação direta com a presidência da Câmara. “Se hoje nós estamos piorando consideravelmente a política do Brasil, isso tem a digital do Hugo Motta”, pontuou. 

Sobre as eleições de 2026, a deputada federal demonstrou preocupação com a estratégia da direita, que, segundo ela, passa pelo controle do Senado. “O maior projeto político da ultradireita não é a presidência, é o Senado”, afirmou, ao defender que o campo democrático concentre esforços na disputa pelas cadeiras da Casa. Em Minas, Duda apontou a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), como o principal nome progressista do Estado. “Quem defende a democracia tem que defender Marília Campos. Ela encarna hoje o grande nome da política democrática em Minas”.

Durante a entrevista, a deputada também avaliou positivamente a possibilidade de o deputado federal Mário Heringer  (PDT) disputar o Senado, como uma alternativa mais ao centro. “Seria um ótimo quadro. Minas ganharia muito com uma candidatura dele”, afirmou. Já sobre a ex-deputada Áurea Carolina (Psol), Duda reconheceu sua importância política, mas foi cautelosa quanto à viabilidade eleitoral. “Ela ajudou a renovar a esquerda em Minas, mostrou a importância da diversidade na política, mas as pesquisas têm mostrado que ela não tem grande chance de vitória. O grande nome para o Senado é Marília Campos”, avaliou.

Na disputa pelo governo de Minas Gerais, Duda Salabert defendeu abertamente o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), e cobrou responsabilidade do PT. “Se o PT tiver o mínimo de responsabilidade por Minas Gerais, tem que apoiar o Kalil”, afirmou. Segundo ela, Kalil representa uma opção de equilíbrio em um cenário polarizado e tem histórico reconhecido, especialmente pela condução da pandemia. 

Ao avaliar a gestão do governo do Estado, a deputada fez duras críticas ao governador Romeu Zema (Novo) e aos pré-candidatos ligados ao seu grupo político. Segundo Duda, Zema mantém uma relação de submissão às mineradoras. “O Zema é o office boy das mineradoras”, afirmou, ao criticar a condução da política ambiental e a tentativa de privatização da Copasa. Ela também atacou as pré-candidaturas do vice-governador Mateus Simões (PSD), que classificou como continuidade de um “projeto entreguista”, e do senador Cleitinho (Republicanos), a quem acusou de desprezar a população mais pobre. “Querer tirar o pobre do jogo político é desconhecer a Constituição”, disse.

No plano municipal, Duda Salabert classificou a gestão do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), como um “fracasso”. Segundo ela, a prefeitura foi fatiada para atender interesses do centrão e carece de um projeto estruturado para a cidade. “Não tem projeto educacional, não tem projeto ambiental, não tem projeto econômico. É a velha política do pão e circo”, criticou.

A deputada também condenou os gastos com embarcações na Lagoa da Pampulha, afirmando que a população foi colocada em risco. Segundo ela, o governo do Estado chegou a oferecer barcos gratuitamente por meio da Copasa, mas a prefeitura recusou. “Por vaidade, o Damião erra e erra feio”, disse.

Duda ainda acusou o prefeito de oportunismo no anúncio da tarifa zero aos finais de semana e feriados, feito após a Câmara rejeitar o projeto original. “O projeto foi construído pelos movimentos sociais e, depois da pressão popular, o prefeito anuncia como se fosse dele. Nunca foi pauta dele”, afirmou. Para a deputada, faltou humildade e reconhecimento do trabalho coletivo.

Na pauta ambiental, Duda Salabert comentou a Operação Rejeito, da Polícia Federal, e afirmou que o esquema de corrupção envolvendo a mineração em Minas Gerais é muito maior do que o já revelado. “É apenas a ponta do iceberg”, disse. Segundo ela, denúncias feitas ao longo dos anos subsidiaram a investigação. “Tem muito mais político envolvido: da Assembleia, do Congresso, das câmaras e das prefeituras”, afirmou, alertando que novas fases da operação devem ocorrer.

Ao avaliar a COP realizada em Belém, Duda reconheceu contradições e falhas, mas defendeu a realização do evento no Brasil. “Sem a COP seria pior”, afirmou. Para ela, a conferência se destacou pela ampla participação popular e pelos investimentos estruturais deixados na cidade. “Foi a COP com maior participação popular da história”, avaliou, defendendo, ainda assim, a necessidade de repensar o modelo global de negociação climática.