PLAY PODCASTS
“Foi um erro grave criar a expetativa de que os problemas na Saúde que afligiam o Governo do PS e que foram instrumentais para a sua queda de popularidade seriam resolvidos de imediato”

“Foi um erro grave criar a expetativa de que os problemas na Saúde que afligiam o Governo do PS e que foram instrumentais para a sua queda de popularidade seriam resolvidos de imediato”

As Causas de José Miguel Júdice · SIC Notícias

August 14, 202426m 46s

Audio is streamed directly from the publisher (traffic.omny.fm) as published in their RSS feed. Play Podcasts does not host this file. Rights-holders can request removal through the copyright & takedown page.

Show Notes

"O bombo da festa, pelo menos até ao final do verão". José Miguel Júdice argumenta que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tornou-se alvo principal das críticas desde o início do governo, especialmente devido às altas expectativas em torno da solução para os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O advogado aponta que a saúde é uma das maiores preocupações dos portugueses, agravada pelo envelhecimento populacional. Segundo o próprio comentador residente, resolver esses problemas levará tempo e reformas profundas, mas a ministra enfrenta uma pressão intensa e imediata, mesmo com o apoio do primeiro-ministro e Presidente da República. Júdice afirma que, embora não tenha havido promessas de soluções milagrosas para este verão, a expectativa terá sido criada e manipulada pelos órgãos de comunicação social. Nesta emissão de As Causas de 13 de agosto, Ana Paula Martins, tal como Leonor Beleza no passado, deve persistir com seu programa reformista para sobreviver politicamente.

See omnystudio.com/listener for privacy information.

Topics

"O bombo da festapelo menos até ao final do verão". José Miguel Júdice argumenta que a ministra da SaúdeAna Paula Martinstornou-se alvo principal das críticas desde o início do governoespecialmente devido às altas expectativas em torno da solução para os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS). O advogado aponta que a saúde é uma das maiores preocupações dos portuguesesagravada pelo envelhecimento populacional. Segundo o próprio comentador residenteresolver esses problemas levará tempo e reformas profundasmas a ministra enfrenta uma pressão intensa e imediatamesmo com o apoio do primeiro-ministro e Presidente da República. Júdice afirma queembora não tenha havido promessas de soluções milagrosas para este verãoa expectativa terá sido criada e manipulada pelos órgãos de comunicação social. Nesta emissão de As Causas de 13 de agostotal como Leonor Beleza no passadodeve persistir com seu programa reformista para sobreviver politicamente."Estava escrito nos astros que a ministra da Saúde seria o bombo da festa"afirma José Miguel Júdice nesta emissão de As Causas em podcastDesta vez deu-me para dedicar o programa a temas que têm em comum a sua relação com duetos (não musicais)mas em que a relação ou comparação entre duas personalidades ressalta clara. Admito que é um artifíciomas foi no que pensei a propósito de temas tão diversos como a Saúdea Catalunha e o mais que verão também em fotos. SAÚDE E BOMBO DA FESTA Desde a tomada de posse do Governohá 4 mesesque estava escrito nos astros que a Ministra da Saúde seria o principal bombo da festa pelo menos até ao final do Verão. As razões eram óbvias e previsíveis: A Saúde parece ser a principal preocupação dos portugueses e sê-lo-á cada vez maisdevido ao envelhecimento crescente que nos define; A solução para os problemas da Saúde que já eram dominantes nos governos socialistas - a ser possível – demora anos e implica profundas mudanças estratégicas; A Ministra quer fazer mudanças paradigmáticas e sempre que isso acontece mobilizam-se os que perdem (ou temem perder) e não os que possam vir a ganhar com elas; O ambiente de concorrência de 5 canais televisivos noticiosos 24 horas por dia (mercados muito maiores não têm nada que se pareça) exige que se forneçam de modo permanente visões muito pessimistas e se aproveitem e potenciem todas as situações críticas para agarrar os telespetadores. Mesmo assimfiquei surpreendido pela intensidade e inclemência das críticas: menos de dois meses após o debate do programa de Governo já se ouviam vozes a pedir a sua demissão. QUE FEZ (OU NÃO FEZ) A MINISTRA? Alguns fatores – consideradoscorretamente ou nãoresponsabilidade da Ministra – surgem a acentuar as críticas. Veja-se o que se revela numa rápida pesquisa na Google: Não ter mantido o CEO do SNSFernando Araújoassumindo-se que isso seria possível e serviria de “para-raios” de proteção para os problemas; Ter criticado a competência de alguns administradores hospitalares e ter “entrado a matar” em relação a eles e aos presidentes das ULS (Unidade Locais de Saúde)que é humilhante e injustosem que ninguém procure investigar se tem ou não razão; Ser alegadamente arrogantemesmo que se não perceba de onde nasce essa tese; Querer acabar com o SNSapesar de o único sinal é não ser agressiva contra a medicina privada e social; Ter fraca gestão políticapor não evitar ter mais ruído de demissões do que os seus colegas de Governo; Ser confrontacionalpor muito que eu – que apenas me cruzei com ela uma vez – não perceba como; O problema do INEMem que o tempo de antena foi todo para os que se afastaram da sua gestão. Mas acima e mais de tudo isso é realçado o “grave erro” de se ter criado uma expetativa de que os problemas que afligiam o Governo PS e que foram instrumentais para a sua queda de popularidade seriam resolvidos de imediatoem concreto que os problemas das urgências não existiriam já este Verão. Para isso cita-se uma frase de LM (que iria dar “resposta urgente e imediata aos constrangimentos do SNS”)que não entendo poder ser interpretada razoavelmente como criando expetativas como as que agora se afirma terem sido avançadas. E seguramente que quase ninguém leu o “Plano de Emergência da Saúde” (com 209 páginas e divulgado em 29 de maiohá pouco mais de 2 meses)com a definição e calendarização das medidas “urgentes” (objetivo de obter resultados tangíveis num período de até três meses) “prioritárias” e “estruturantes”nem creio que algum meio de comunicação tenha feito um debate sério e contraditório sobre o Plano ou demonstrado que dele resultam as chamadas promessas ainda não cumpridas. SNS: NÃO TEM SOLUÇÃO A MÉDIO PRAZO E SEM REFORMAS É evidentemente um facto que entra pelos olhos dentro que não era possível colocar a funcionar bem uma realidade com problemas estratégicos e sistémicos e que não tem solução evidente pelo menos a médio prazo. Entre outrospara além do diagnóstico do já citado “Plano de Emergência da Saúde”recordo: Há falta de médicos para as urgências e em geral os médicos preferem trabalhar no setor privado; Há excesso de hospitais com urgências; Exigem-se em termos regulatórios médicos para tarefas que poderiam ser feitos por enfermeiros especialistascomo nos partosmas faltam também enfermeiros em geral; Há reformas em curso (como sejam os Centros de Referência quesegundo diz o site do SNSforam “concebidos para melhorar a capacidade de diagnóstico e de tratamento de patologias médicas e cirúrgicas de elevada complexidadee para maximizar o potencial inovador das ciências médicas e das tecnologias da saúde”)em que o Professor Eduardo Barroso se mantém como Presidente da Comissão Nacionalque não podem produzir resultados imediatosmas que são naturalmente disruptivas como quaisquer reformas; Não existe (devido a preconceitos ideológicossobretudo) uma articulação real entre os setores públicoprivado e social do Sistema Nacional de Saúde. Por issose e na medida em que tenha sido criada a expetativa de soluções milagrosas para este Verãofoi cometido um erro disparatado e desnecessário. Mas não consegui encontrar nenhum sinal de que isso tivesse ocorrido. Não faz malpois uma ideia (útil) ainda que falsa ou distorcida tem sempre sucesso nos mediae se for repetida sistematicamente torna-se oficialmente verdadeira. Mas também é verdade que o Governo está a falhar em não explicitar o que está a acontecer com o “Plano de Emergência da Saúde”. Um pequeno exemplo: tenho vistode forma perentória em jornais de referênciaque “das 54 ações apresentadas para salvar o SNSdois meses volvidos só uma está pronta e foi um ajuste” diretocomo afirma o Expresso da passada semana. Oranessa notícia assinada por Vera Arreigosonão se inclui a posição do Ministério (ou a afirmação que foi tentado obtê-la)o que seria uma falha deontológica demasiada séria para eu admitir que só pode ter resultado da recusa ministerial de dar o seu ponto de vista. É sabido queao contrário do que legitimamente fazem outros comentadores (com este e com o anterior governo)não contacto nem aceito ser contatado por dirigentes políticos ou governamentais para receber “cachas” ou informações. Por isso só posso dizer que visto de fora me parece absurdo que o Governo fique caladoaté porque a rápida leitura que fiz (sem me ter sido encomendada) do “Plano de Emergência da Saúde” leva-me a concluir que há mais coisas já feitas e que o prazo para alcançar “resultados tangíveis” nas “urgentes” só termina no final de agosto). Por isso faz todo o sentido o que fez e disse o Presidente da República: não que tenha “ameaçado” o Governo como disse em tonta manchete o Observadormas que é cedo para criticar este Verãomas será tarde para desculpar no Verão de 2025. ANA PAULA MARTINS COMO LEONOR BELEZA? Dito istocreio que será muito difícil – a menos que surja outro tema de outro ministério que seja mais útil para as audiências – que a Ministra da Saúde se livre desta corveia. Assumindo que seja assimAna Paula Martins nada tem a perder se for determinada e incansável a lançar e concretizar um programa reformista. Se optar por issopode falharmas sobreviverá. Os jornalistas que bebem do finosobretudo do Expressorevelam que o Governo está preocupadoque acha que ela cometeu erros desnecessáriosmas que vai ser apoiada sem uma falha por LMcomo Leonor Beleza fora apoiada por Cavaco Silva. As Causas. Duetos políticos Esta é uma interessante conclusão. Beleza foi Ministra da Saúde de 1985 a 1990. Poucos se lembrarãopassados quase 35 anosmas eu não me esqueci: Nunca houve nenhum titular do ministério da Saúdemais violentamente perseguido do que Leonor Belezacom inequívocos laivos de crueldade e de misoginia; Ela tentou como ninguém fazer reformas da Saúde e tinha um pensamento estruturado para o setor; Os seus inimigos implacáveis deram cabo da sua vida política: ela tinha tudo para suceder a Cavaco em S. Bento e depois em Belém; Mas quando um dia se fizer uma história séria da 3ª Repúblicaela estará entre os (poucos) nomes incontornáveis. O MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DA CATALUNHA O que se passou na Catalunha com Puigdemont foi bem resumido há dias pelo Expresso: “chegoudiscursoudesapareceu e fez pouco do Estado de Direito”. A origem do problema é clara. Os independentistas catalães (mais o Junts do que o ERCpois este se aliou ao PSOE permitindo que este partido governe a Catalunha) entendem que são um movimento de libertação e que vivem numa situação colonial. Por ser assimacham que não se lhes pode aplicar o racional da luta política em regimes democráticoscomo isso também não era admitido pelos movimentos de libertação africanos contra o Reino UnidoFrança ou Bélgica nos anos 50 e 60 do século passadoque tiveram sucessocomo se sabe. Esta teoria não faz político-sociologicamente qualquer sentido no século XXInão é admitida pela União Europeiae a independência não tem sequer o apoio maioritário na Catalunha. O que poderia fazer sentido era um partido que defendesse a independência como objetivo finalmas lutasse dentro do sistema democrático para obter vantagens para a Catalunha no quadro espanhol. Esta parece ser a posição do ERCmais à esquerda do que o Junts etalvez por issomenos revolucionário no seu nacionalismo do que os setores de classe média que – como o PNV vasco – seriam votantes do PP se não fosse a questão nacional. A opção do Junts e do seu líder Puigdemont está a destruir a estratégia de Pedro Sanchezque é tentar fazer aos partidos independentistas o que Mitterrand fez ao PCF e o que o Labour anda a tentar fazer ao Partido Nacional Escocês. As Causas. Duetos políticos É quemesmo que Sanchez não caia por falta de condições para a necessária moção de censura construtivao Governo não consegue sequer aprovar um Orçamentonem evidentemente legislação essencial. E o Governo espanhol está a desfazer-se: Recente sondagem revela o PP com mais 35 deputados do que o PSOE (crescendo 22 desde as eleições de 2023) e que o partido de Sanchez e os seus aliados Sumar e Podemos (de extrema-esquerda) teriam agora menos 21. E a situação só pode piorar. Os barões regionais socialistas estão de cabeça perdida com os privilégios dados ao ERC para obter o acordo na Catalunhaque os prejudica junto dos seus eleitores. É absurdo que o Junts aposte no “quanto piormelhor”? Claro que nãoessa foi sempre e será sempre a estratégia dos partidos revolucionárioscomo são os que se tomam por movimentos de libertação nacional e agem como tal. O ELOGIO Na passada 5ª feira os Professores Eduardo Barroso e José Fragata foram ouvidos da SIC Notícias. Há muito tempo que não ouvia sobre a Saúde e o seu estadoo SNS e o seu futurofalar pessoas tão qualificadastão experientestão independentestão serenas e tão construtivas. As Causas. Duetos políticos Merecem elogiomas por isso não acredito que tenham futuro nos media. E é pena. LER É O MELHOR REMÉDIO Entre os autores incontornáveis da segunda metade do Século XX português está Jorge de Sena. A reedição de “O Reino da Estupidez” (Guerra e Paz) de 1978 (há outro volume de 1961) é de saudar. A coleção de ensaios foi feita por Sena “para glória e ilustração da estupidez sempre reinante”revela um intelectual livreiconoclasta e que nos obriga a pensar. As Causas. Duetos políticos Também incontornável é Mário Cláudio. Acaba de sair “Diário Incontínuo” (D. Quixote)iniciado em 1958 e que exprime também a coragemliberdade e entrega sem o que a Arte não vai longe. Não deixem de ler estes dois livros. E quaisquer outros destes dois gigantes da nossa contemporaneidade. A PERGUNTA SEM RESPOSTA É muitas vezes verdade: elogia-se um político e logo a seguir temos de o criticar. Falo do barão PS de LisboaMiguel Coelhoque preside à Freguesia de Santa Maria Maior. Agora lançou um abaixo-assinado a opor-se à intenção da CML de fazer no bairro da Mouraria um “hotel social” (eufemismo para designar um alojamento de emergência para sem-abrigo e outras pessoas em situação de especial vulnerabilidade). Com o habitual “politiquês”afirma que percebe e apoia a necessidademas que devem ir para outra freguesia onde não haja pessoas sem-abrigo. As perguntas: não teme cair no ridículo? Nem ficar parecido com o CHEGA? A LOUCURA MANSA Se tivéssemos dúvida sobre o estado de muito do jornalismo portuguêspara perder as ilusões bastava ler o seguinte subtítulo de uma notícia do Público de hojeassinada por Fernando Costa: “Comunistas tendem a apoiar regimes anticapitalistas e anti-imperialistasmesmo que com democracias questionáveis”. O jornalista não consegue manifestamente que seja tratado o PCP como trataria o CHEGA se fosse Ventura a apoiar Maduroditadores em geral e regimes totalitários. Afinal insere-se na conhecida teoria “poissão os comunistasmas lutaram contra o Estado Novo como ninguém” ... que seguramente subsistirá daqui a séculosquando já ninguém se lembrar de Estaline e do seu totalitarismo sanguinário que o PCP sempre apoiou sem uma hesitação. O que éporémmais extraordinário é assumir-se como um facto que são essas ditaduras são “regimes anticapitalistas e anti-imperialistas” e apenas como opiniãodiscutívelque são “democracias questionáveis”.