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A Agenda de Ricardo Salgado. O banqueiro de Kadafi?
Episode 4

A Agenda de Ricardo Salgado. O banqueiro de Kadafi?

A Agenda de Ricardo Salgado · Pedro Coelho

August 22, 202431m 57s

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Show Notes

Este verão o Expresso recupera o melhor do primeiro semestre de 2024: oiça aqui o podcast de Pedro Coelho sobre Ricardo Salgado e a queda do BES.

Se não fossem o petróleo e o gás líbios, se não fossem as riquezas naturais do feudo de Kadafi, que o ditador controlava e geria a seu belo gosto e prazer, as marcas das 270 mortes, provocadas pelo atentado ao avião da Pan Am, em 1988, essas marcas jamais teriam sido apagadas.

Em Portugal, o primeiro-ministro Durão Barroso abriu a porta. José Sócrates, assim que tomou o poder, em 2005, escancarou-a. Em menos de cinco anos, o primeiro-ministro português visitou a Líbia quatro vezes.

Certamente discreto, como convém aos que gostam de passar pelos filtros do poder, silenciosamente e sem atrito, lá estava Ricardo Salgado. O banqueiro integrou a comitiva na segunda visita oficial de José Sócrates à Líbia. E essa presença discreta terá servido de primeiro empurrão para que o banqueiro do regime se deixasse tentar pelos milhões que brotavam de tão extravagante geografia.

Oiça aqui o quarto episódio da Agenda de Ricardo Salgado, um podcast sobre 2268 dias de vida do velho banqueiro, originalmente publicado a 28 de maio de 2024.

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Se não fossem o petróleo e o gás líbiosse não fossem as riquezas naturais do feudo de Kadafique o ditador controlava e geria a seu belo gosto e prazeras marcas das 270 mortesprovocadas pelo atentado ao avião da Pan Amem 1988essas marcas jamais teriam sido apagadas. Em Portugalo primeiro-ministro Durão Barroso abriu a porta. José Sócratesassim que tomou o poderem 2005escancarou-a. Em menos de cinco anoso primeiro-ministro português visitou a Líbia quatro vezes. Certamente discretocomo convém aos que gostam de passar pelos filtros do podersilenciosamente e sem atritolá estava Ricardo Salgado. O banqueiro integrou a comitiva na segunda visita oficial de José Sócrates à Líbia. E essa presença discreta terá servido de primeiro empurrão para que o banqueiro do regime se deixasse tentar pelos milhões que brotavam de tão extravagante geografia. Oiça aqui o quarto episódio da Agenda de Ricardo Salgadoum podcast sobre 2268 dias de vida do velho banqueiro.O dinheiro e a realpolitik viajam juntos nos bolsos da influência políticaamparada num pragmatismo que fecha os olhos aos direitos humanos … Foi basicamente isso que o mundo ocidental fez depois de reabilitar Muamar Kadafy. Enterrou a cabeça na areia e deixou acontecer. MÚSICA LÍBIA O mesmo mundo que condenou kadafy por terrorismoconsiderando-o autor moral do atentado de Lockerbiereabilitou-oatribuindo-lhe o estatuto de amigo excêntrico … E aos excêntricospor conveniência ou por graçatudo é permitidotudo deve ser desculpado. Se não fossem o petróleo e o gás líbios … se não fossem as riquezas naturais do feudo de kadafyque o ditador controlava e geria a seu belo gosto e prazer… SOM DE AVIÃO … … as marcas das 270 mortesessas marcas jamais teriam sido apagadas. O mundo ocidental atribuía a kadafy a autoria moral da tragédia que se abateuliteralmentesobre a cidade escocesa de Lockerbie … o próprio ditador aceitou indemnizar as famílias das vítimas … e esse foi o gesto que apressou a entrada em cena da realpolitik. As apertadas sanções ao regime do ditador Muamar Kadafi terminaram em 2003. Em Portugalo primeiro-ministro Durão Barroso abriu a porta … José Sócratesescancarou-a. A Líbia transformou-se numa oportunidade para o socialistapouco depois de ter tomado posse; em menos de cinco anoso Primeiro-ministro português visitou a Líbia quatro vezes. VIVO JOSÉ SÓCRATES JS 19 julho 2008 A libia é parceiro absolutamente estratégico para Portugal (CONTINUAR ESTE VIVO) MÚSICA LÍBIA Estávamos em julho de 2008 … Nessa segunda visita de José Sócrates à Líbiao Primeiro-ministro chefiou uma delegação de vários ministros e secretários de estado… Luís Amadoo responsável pelos negócios estrangeiros e Manuel Pintoo ministro da economiaestavam entre os governantes… Certamente discretocomo convém aos que gostam de passar pelos filtros do poder silenciosamente e sem atritolá estava Ricardo Salgado… o banqueiro integrou a comitiva na visita oficial de José Sócrates à Líbia…. E essa presença discreta terá servido de primeiro empurrão para que o banqueiro do regime se deixasse tentar pelos milhões que brotavam de tão extravagante geografia. GENERICO INICIAL Este é o quarto episódio da Agenda de Ricardo Salgadoum podcast sobre 2268 dias de vida do velho banqueiro. Eu sou o Pedro Coelho. FECHO GENERICO MÚSICA LÍBIA A primeira paragem desta viagem sonora à Líbia é em Portugal. OUVE-SE SOM DE RUA E FLASHES DE FOTOGRAFIAS Casaco e colete brancoscachecol preto. Capa preta amparada pela largura dos ombros. Cabeleira pretaainda fartaapesar dos muitos anos de vidabigode de contornos retoscomo o de Hitlermas menos fartobarba ralaquase invisível… Flashes dos repórteres fotográficos autorizados a cobrir a cerimónia disparam sem freio. FLASHES São 21 horas e 22 minutosMuamar Kadafy foi o penúltimo líder africano a chegar ao palácio da ajuda. Só ficou a faltar Teodoro Obiang. O ditador em exercício na Guiné Equatorial só chegaria meia hora depois. É dia 9 de dezembro de 2007 e o salão de festas do Palácio da Ajudano andar superiorjá está repleto de chefes de estado e de governo. Lisboa acolhe a cimeira União Europeia – África. SOM DE BOTAS A BATEREM NO CHÃO DE MADEIRA Kadafy entra calmamente no hallno piso térreo do palácio. Dois sorridentes portugueses aguardam o ditador para lhe darem a mão. Aníbal Cavaco Silva coloca o chefe de estado da Líbia à sua direitaentre ele e José Sócrates. Os 3 posam para a fotografia oficial. Cavaco fala com kadafy quemoderadamentesorri. Não conseguimos escutar o que disse o presidente da república. Pela reação de kadafypercebemos que o ditador também não. VIVO IMAN Gaddafi governed Libya for 42 yearsalmost 42 years. And it was a brutal time and long time also. Tradução: Kadafy governou a Líbia durante 42 anosquase 42 anos. E foram tempos brutais. E também foi muito tempo. As palavras da professora universitária Iman Bugaighuis pesam na consciência do mundo ocidental. Em 2007a Europa recebia com vetusta elegância o homem que perseguiu a família de Iman. He didn't have any problem in killing peopleassassinatinghanging them on the streets to make others scared and frightened. Tradução: ele não tinha qualquer problema em matar pessoasenforcá-las nas ruaspara que as outras pessoas tivessem medo. Iman Bugaighuis refugiou-se em Portugal já depois do afastamento de Kadafi. Quando um país começa tortotarde ou nunca se endireita… Muamar kadafy deixou feridas profundasque não saram. Unfortunately for the LibyansLibya was veryand stillit's a very rich country with small populations. He thought that it's better to keep them always oppressed and always in need so he could control them in a better way. Tradução: Infelizmente para os líbiosa Líbia era e ainda é um pais muito ricomas com poucos habitantes. Kadafy pensava que era melhor manter o povo sempre oprimido e sempre com necessidadespara o poder controlar de uma forma mais eficaz. É para este país de avessos que Portugal se volta… SOM DE JIPE NA ESTRADA José Sócrates revela especial predileção por Muamar kadafy. Na sua terceira viagem oficial à Líbiaem março de 2010o Primeiro-ministro viaja uma hora e meia de carropelo desertopara ir ao encontro do ditadorcuja tenda tinha sido levantada em local não revelado. A guarda de kadafytoda composta por mulheresmantinha-o numa espécie de redoma de que só os mais próximos se acercavam. SOM DE SÓCRATES A CUMPRIMENTAR KADAFY Noite cerrada; o desejado encontro; três beijos… José Sócrates respeitou todas as cenas do guião do ditador líbio. JS 00.30 venho aqui com duplo objetivo: melhorar relaçao poltiica e investir na relaçao ec com maior ambiçao e os contactos com o governo libio e kadafi forma mto imp para desenvolver novas perspetivas de negócios Ao mesmo tempo que o governo português se ia deixando tentar pelo potencial da LíbiaRicardo Salgado põe em marcha o plano gizado em 2008quando acompanhou o Primeiro-ministro na visita oficial ao feudo de kadafy. Em dezembro de 2008a 1112 e 18Salgado recebeno gabinetena avenida da Liberdadeem Lisboaum homem de confiançaalto quadro do Grupo Espírito Santo – Alexandre Barreto. Barretocomo o próprio nos confessa por escritolevou ao presidente do BES e do GES notícias frescas da Líbia que lhe tinham sido passadas por um amigo. VOZ DE RUI GUIMARÃES O Dr Fernando Costa Freire disse-me que tinha um contacto no fundo soberano da Líbia que poderia ter interesse como potencial investidor no GES. Nesse sentido quis saber a minha opinião sobre colocar essa possibilidade ao Líder do Grupo. O número que Alexandre Barreto colocou em cima da mesa deve ter feito brilhar os olhos de gato do presidente executivo do BES: 180 mil milhões de dólares - a parcela dos fundos soberanoso bolo de dinheiro público diretamente controlado por kadafyque a Líbia previa gastar entre 2008 e 2010. Salgado foi oficialmente informado que parte dessa verba poderia ser investida no grupo espírito santo. RESPIRA MÚSICA O amigo de Alexandre Barretoo tal Fernando Costa Freirepassa a ser visita assídua no gabinete de Ricardo Salgado. Estáaliás68 vezes referenciado na agendacomo nos confirma na entrevista que nos deu por escrito. VOZ DE ANDRE PALMA Enquanto consultordeverão ter sido essas todas as vezes que tive contacto com o Dr. Salgadoou sejamais ou menosuma vez por mês ao longo desse longo período. Costa Freire era o homem das notícias frescas da Líbia. Salgado rapidamente dispensou a intermediação de Alexandre Barretocontratando Costa Freireque tinha sido assessor diplomático de Durão Barrosocomo consultor para a Líbia. SONS DE VOZES EM ÁRABE A estratégia de Ricardo Salgado para a Líbia envolve outras duas figuras. Adel Dajanium advogado líbiofluente em inglês e Farhat Bengdarao governador do banco central libioo homem que controlava diretamente os fundos soberanos. Terá sido Bengdara quem aconselhou Ricardo Salgado a assumir o controlo de gestão de um pequeníssimo banco líbioo Aman Bankpara mais efetivamente poder chegar aos fundos soberanos. Havia que contornar o protecionismo localque impedia países estrangeiros de assumirem posições em bancos líbios …mas quando se tem o governador do banco central ao lado não existem impossíveis. RESPIRA MÚSICA No dia 15 de abril de 2010a estratégia tem um desfecho. 40 por cento do aman bank passam para o BESpor 398 milhões de euros. A aquisição trouxe acoplado o controlo de gestão do banco. As contratações de Ricardo Salgado resultaram em pleno. Para comprar o pequeno banco líbioo banqueiro contratou Fernando Costa Freirecontratou Adel Dajani e contratou Farhat Bengdaraquando este estava no pleno exercício das funções de governador do banco central. FOLHEAR DOCUMENTOS Uma ata da Comissão executiva do BESque encontrámos na pilha de documentos a que tivemos acessoprova queem 2013Salgado pretendia pagar 875 mil euros aos três executores da estratégia de comprar um banco e – por essa via – chegar aos fundos soberanos. Na entrevista que nos dá por escritoFernado Costa Freire assume ter sido pago pelos serviços prestadosmas não se alonga em comentários. VOZ DE ANDRÉ PALMA Não conheço quaisquer actas da Comissão Executiva do BESnem faço ideia de quaisquer intenções de pagamento da mesmasendo que também não conheço o Dr. Farhat Bengdara. SOM DE TELEFONE A MARCAR AS TECLAS E A AGUARDAR SINAL DE CHAMADA Ligámos diversas vezes para a Companhia Líbia do Petróleoo novo posto de trabalho de Farhat Bengdaramas nunca conseguimos falar com o antigo governador do banco central libio. Numa ata da comissão executiva do BESdescobrimos queem 2012Bengdara já tinha um rendimento fixo anual de 300 mil euros mais despesas de representação para aconselhar a administração do BES sobre oportunidades de negócio. RESPIRA MÚSICA Com o mundo financeiro a ruirainda a viver as sequelas da crise do mercado hipotecário norte-americanoRicardo Salgadoem contracicloassegura um polo do BES num dos países africanos mais problemáticos. A efetivação da compra aconteceu entre duas visitas de Sócrates à Líbia. A primeira em marçonas vésperas da aquisição formala segunda em setembrocinco meses antes da morte de Kadafy. Há fortes sinais de que os planos do banqueiro para controlar um banco na Líbia tenham recebido o impulso de Sócrates. O ministro das finanças de José SócratesFernando Teixeira dos Santosadmite isso mesmona entrevista que nos deu para esta investigação. 57:51 Nós já somos suficientemente crescidos para saber que não há coincidênciasnão é? É evidente que havia uma aposta forteeu diria mesmo estratégicana altura do governo. Havia na altura uma forte aposta em relação com a Líbiae o primeiro ministro apostou muito nessa relaçãodaí as visitas que fez à Líbiae maise como sendo um mercado onde poderia ser um mercado importante para abrir-se para Portugalquer no ponto de vista de transações comerciaisquer também de investimento. Não seinão seimas porventura fará todo o sentidonão me admiraria que essa tomada de posição do BES na Líbia procurasse alinhar por esse tipo de orientação política que o governo estava a tomar. Entre maiomês que se seguiu à compra do Aman Banke agosto de 2010Ricardo Salgado convoca quatro vezes o nome de José Sócrates na agenda. O banqueiro reúne duas vezes com o ministro dos negócios estrangeirosLuís Amado. Antes de Sócrates se deslocar pela última vez à Líbiaa 1 de setembro de 2010Salgado escreve na agenda: VOZ DE IMITADOR Entregar a Vítor Escária papel sobre o Aman Bank dirigido ao primeiro-ministro. Estávamos a 26 de agosto de 2010. Sócrates chegaria à Líbia a 1 de setembro. Vítor Escáriao assessor económico de José Sócrates e que assumiu protagonismo no papel de chefe de gabinete de António Costanunca nos quis explicar que papel seria esse que o assessor deveria entregar a Sócratesantes que o primeiro-ministro aterrasse na Líbia. MÚSICA LÍBIA Em abril de 2010quando o Aman Bank passa para as mãos de Ricardo Salgadoninguém poderia prever queno final desse anoa 17 de dezembroestalaria a primavera árabe – revolta dos oprimidos das ditadurasque emergiu na Tunísia e quedois meses depoisacabaria por chegar à Líbia. IMAN BUGAIGUIS 17th of February when the revolution startedthe day of the revolution it was my birthday also. Sowe were there and the youth camejoined us and then they started asking for changing of the regime. So justall the fear from all of us came out. Tradução – A 17 de fevereiroquando a revolução começouo dia da revolução foi também o dia dos meus anos. Portanto estávamos lá e os jovens juntaram-se e começaram a pedir a mudança de regime. Todo o medo que sentíamos dentro de nós veio à tona. Iman Bughaiguis fugiu para Portugal quando percebeu que a revolução ia em sentido oposto ao que os revoltososque ela ajudou a liderarpretendiam. Em fevereiro de 2011a Líbia dividiu-se em duas metades. Iman estava em Bengazia cidade onde estalou a revolta. As tropas de kadafi controlavam Tripolia capital. A guerra civil entrou no quotidiano dos líbios. Iman Bugaighuis aceitou ser a porta-voz do governo de transiçãosediado em Bengazi. VIVO IMAN 18.50 there were a flood of people who want to communicate. Most of themthey don't speak Arabic. SoI became the spokesperson … Of the revolution and also of the Transitional National Council. TRADUÇÃO – Havia muitas pessoas estrangeiras que precisavam comunicar e que não falavam árabe. Então tornei-me a porta-voz da revolução e também do conselho nacional de transição. O mundo inteiro iade novotirando o tapete ao ditador… O Primeiro-ministro portuguêsJosé Sócratescontinuou a apoiar o regimeapesar de todos os sinais nos revelarem um Kadafy cada vez mais isolado. SOM DE GUERRA - DISPAROS O ditador é morto em Sirtea 20 de outubro de 2011um mês depois de Paulo Portasnovo ministro dos negócios estrangeiros portuguêssaído das eleições de junho de 2011ter feito uma visita oficial a Bengazisede do governo nacional de transição e território dos opositores a kadafy. VIVO PP ARQUIVO 7 SETEMBRO 2011 A libia significa do ponto de vista da relação ec e cultural uma enorme oportunidade para portugal. SOM DE GUERRA Sete de setembro de 2011. Paulo Portas era ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros há menos de 3 meses. A cor política do governo português mudou; Kadafy estava barricado na cidade natalSirtesem apoios ou caminhos por onde fugir; mas nada disso interessava. A instabilidade do território líbio não poderia servir de pretexto a Portugal para que as oportunidades de negócio fossem desprezadas. Paulo Portas justifica-nos por escrito este seu afã de ir à Líbia 3 meses depois de ter tomado posse: VOZ DE PEDRO MIGUEL COSTA Portugal foitanto quanto pude reconstituiro 14º país da UE a reconhecer o Conselho Nacional de Transição da Líbia. Era uma decisão inevitável. Com Paulo Portas aos comandos da política internacionala relação de Portugal com a Líbia pós kadafy entra numa outra dimensão. O ministro dos negócios estrangeiros volta-sesobretudopara os interesses das empresas portuguesas na Líbia. Em especialPortas volta-se para uma delas: o Aman Bank. RESPIRA MÚSICA Paulo Portas era um recurso habitual na agenda do banqueiro. Entre jantares restritosencontros sociais e reuniões de trabalhoRicardo Salgado nomeia-o 27 vezes. Por escritoPaulo Portas reduz o convívio a meras questões de função. VOZ DE PEDRO MIGUEL COSTA Era uma relação normal. No período consideradocontactei frequentes vezes com responsáveis do sistema financeiro porque tinha responsabilidade política e orgânica pelas exportações e pela atração de investimento .... Faço notar que o BES era instituição financeira líder no sector exportador. Os documentos que analisámoso rigor da linha do tempoapontam-nos a possibilidade de o envolvimento especial do ministro Paulo Portas com o Aman Bankde Ricardo Salgadoter tido uma justificação diferente. RESPIRA MÚSICA Portugal era membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU desde 5 de janeiro de 2011. GUERRA A guerra civilque estalou em fevereiro de 2011levou a ONU a impor à Líbia eaos interesses próximos de Muamar Kadafyum apertado esquema de sanções. Quando Paulo Portas assume a pasta dos negócios estrangeirosa 21 de junho de 2011o governo anterior tinha colocado o embaixador Moraes Cabral na presidência do Comité de Sanções à Líbia. Os bancos líbios foram todos impedidos de funcionar. Todosmenos um: o aman bankde Ricardo Salgado. MIGUEL TIAGO INTERROGA PP NA CPI — Simum banco que é do mesmo grupo económico quepor exemploa Escomque trabalha na área das armasque é uma das áreas que estava sob embargo das Nações Unidasécuriosamenteo único que consegue total liberdade para funcionar sob vigilância do Governo da República Portuguesa Na audição do vice-primeiro-ministropaulo portasna comissão de inquérito ao BESo deputado comunista Miguel Tiago foi o único a fazer uma pergunta sobre o Aman Bankquestionandoexatamentecom que artes e magias foi possível libertar do esquema de sanções internacionais um único bancoainda por cima portuguêso país que presidia ao comité das sanções…. RESPIRA PAULO PORTAS … SR. DEPUTADO … SR DEPUTADO… Paulo Portas não estava preparado para tão inusitada pergunta. Afinalo Aman bank nunca fora notícianem motivo de preocupação. Não foi edepois deste episódio na comissão parlamentar de inquérito ao BESa 17 de março de 2015voltou a não ser. PP CPI BES Da minha reconstrução dos factosno Comité de Sanções para a Líbiaa questão do Aman Bank não foi matéria de agenda portuguesa. Sr. Deputadotanto quanto eu me lembroa situação do Aman Bank era a de que este era supervisionado pelo Banco Central da Líbia. O governador do Banco Central da Líbia era um avençado de Ricardo Salgadoque se manteve no cargo até março de 2011mês em queapertado pela guerra civilfugiu para a Turquia. MÚSICA RESPIRA Depois da fuga de Farhat Bengdarao maior aliado de Ricardo Salgado na Líbiao banqueiro português voltou-separa o governo de Portugalpedindoque o ministro dos negócios estrangeiros interviesse junto do governo de transição. E Paulo Portaspelo menos por duas vezescumpriu o guião. A primeira foi logo em setembro de 2011quandona primeira visita à Líbiacolocou na comitiva um enviado de Ricardo Salgado que entregou um memorando ao presidente do governo de transiçãoa garantir que o BES tinha o apoio do comité das sanções da ONUa que Portugal presidiapara continuar a operar livremente. É isso mesmo que Ricardo Salgado diz a Mokthar Eshilipresidente não executivo do Aman Bank e sócio do banqueiro portuguêsa 30 de janeiro de 2012. Eshili estava preocupado por estar na mira das sanções internacionais; afinalo líbio tinha sido próximo de Kadafy. Com a Líbia em plena ebuliçãoRicardo Salgado é apanhadonuma escuta da polícia judiciáriaa sossegar o sócio. VOZ DE IMITADOR “Tenho um compromisso com o governo português. Através do governo português poderei neutralizar as sanções das nações unidas ... O Comité das sanções é liderado por um português” Em março de 2012dois meses depois desta conversa escutada pela Polícia JudiciáriaPaulo Portas vaipela segunda vezà Líbia. O ministro português marcou uma reunião com o novo governador do banco centrala entidade a quem competia aplicar e supervisionar o apertado esquema de sanções aos bancos líbios. Na resposta que nos dá por escritoPaulo Portas garante quenessa conversanão fez quaisquer pedidos ao novo governador para que o Aman Bankcontinuasse livre do peso das sanções internacionais. VOZ DE PEDRO MIGUEL COSTA Interessei-me pela questão do Aman Bank no plano da segurança. Era uma instituição com capital português (do BES) e foitanto quanto me recordoatacada com violênciavárias vezespor milícias armadas. Quando visitei a Líbia em 2012conforme programa que é públicotive um encontro com o Governador do Banco Central da Líbiasolicitando-lhe que desse proteção à referida instituição. Se Paulo Portascomo nos garantenão falou das sanções com o governador do banco central da Líbia na conversa que ambos tiveramo ministro portugues reagiu imediatamente aos apelos de Ricardo Salgado quandoa 4 de junhoo aman bank foi mesmo colocado na lista das sanções. O fecho do banco de Ricardo Salgado na Líbia ficounesse diapreso por um fio. MÚSICA RESPIRA Rui Guerrao administrador do BES África - a entidade chapéu que deveria preocupar-se com o Aman Bank - acalmatodaviaa administração do BES. Numa carta que escreve ao administrador Rui SilveiraGuerra pede que não se preocupemuma vez que Paulo Portas estava a tentar libertar o aman bankintercedendo pelo telefone e por carta junto do governo de transição líbio e junto do governador do banco centrala tal figura tutelar das sanções com quem o ministro português tinha reunido em março de 2012. Por escritouma vez maisPaulo Portas esforça-se por ser didático. VOZ DE PEDRO MIGUEL COSTA Ao invocar as normas internacionais de proteção de investimentos creio ter feito o meu dever. ... Imagino que qualquer outro ministro dos negócios estrangeiros o faria. Acho possível e normal que a Embaixada ou o meu gabinete tenham informado o BES das diligências feitas - tanto quanto pude reconstituiro anúncio da estatização ou nacionalização do Aman Bank estava a causar uma “corrida aos depósitos”. A corrida aos depósitos nunca terá sido uma preocupação de Ricardo Salgado. O Aman Bank nunca teve regrasnunca teve controlonuncaefetivamentefoi supervisionado. Se antes da guerra Ricardo Salgado tentouatravés do Aman Bankaproximar-se do fundo soberano da Líbiacontrolado por Kadafydepois da queda do regimeo banqueiro português fez o que pôde para que o banco nunca fosse colocado na lista das sanções. É o ex-deputado do PCPMiguel Tiagoquem verbaliza o que os factos que apurámos nos demonstram: VIVO MIGUEL TIAGO um banco que tinha participações DE UM banco portuguêster sido o único banco de todo o universo financeiro da Líbia a poder furar o bloqueio...portanto sendo a única porta aberta... nem imaginonão podemos imaginar quanto dinheiro terá passado por aí. SONS DE RUA Uma investigação do Los Angeles Timesem 2011quando começa a sentir-se acossadoKadafy dá indicações para movimentar mais de 200 mil milhões de dólares. Toneladas de dinheiro que só teriam uma via aberta para escapar do paíso Aman Bank. Uma fonte dos serviços secretos da república portuguesacom quem fomos conversando durante esta investigaçãorevela-nos a informação que recebeu de um agente dos serviços secretos líbios quenum encontro a doiso alertou para as elevadas comissões que o Aman Bank andava a cobrar por cada transferência … MÚSICA O que Ricardo Salgado teria perdido se o banco fechasse… o que terá ganho com o banco a funcionar em pleno durante a guerra civilservindo os dois lados do conflito? A 19 de dezembro de 2023quando é ouvido como testemunha no caso EDPonde é arguido o ex-ministro da EconomiaManuel PinhoJosé Sócrates aproveitou para cortar com Ricardo Salgado. O nome do ex-primeiro ministro aparece 32 vezes na agenda do banqueiro… A Líbia esteve nos corações de Sócrates e de Salgado a bater ao mesmo tempo e com o mesmo fulgor… Mas Sócrates foi mais um dos que publicamente cortou com Salgado. PEÇA JULGAMENTO EDPJN "esta ideia que o Dr. Ricardo Salgado era dos amigos socialistas não tem a mínima sustentaçãoé falso + toda a gente sabe que o Dr. Ricardo Salgado tinha amigos na Direitanão na esquerda" Ricardo Salgado tinha amigoscertamentemas a amizade e a cor política sãocomo ouvimos neste quarto episódiomero adereço nesta trama. RESPIRA MÚSICA No quinto episódio vamos poder observar um gestor de influências a agir sem freio… Chama-se Miguel Relvas e foi ministro adjunto de Pedro Passos Coelho. Eu sou o Pedro Coelho e este é o podcast A Agenda de Ricardo Salgado - 2268 dias de vida do velho banqueiro. Este episódio contou com a colaboração dos jornalistas Filipe TelesMicael Pereira e Paulo Barriga e teve o apoio à produção de Ana Adriano Mota. A sonoplastia é de João Martins. O som das entrevistas foi captado por João Venda. A pré-edição é do Andrés Gutierrez e na voz de Ricardo Salgado temos o ator Bruno Ferreira. A capa é de… e a coordenação ficou a cargo de Joana Beleza. A voz de Alexandre Barreto é do jornalista Rui Guimarães. A voz de Fernando Costa Freire é do jornalista André Palma. A voz de Paulo Portas é do jornalista Pedro Miguel Costa. A voz de Ricardo Salgado é do ator Bruno Ferreira. A Agenda é também uma grande reportagem televisivacom produção de Diana Matiasque pode ser vista em OPTO.SIC.PT com coordenação de Jorge Araújo e direção de Ricardo Costa.