PLAY PODCASTS
Rui Tavares: haverá Livre para lá do seu coordenador?

Rui Tavares: haverá Livre para lá do seu coordenador?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

July 9, 20241h 29m

Audio is streamed directly from the publisher (traffic.omny.fm) as published in their RSS feed. Play Podcasts does not host this file. Rights-holders can request removal through the copyright & takedown page.

Show Notes

Em 2019, Rui Tavares chega ao parlamento como deputado único e, desde então, o Livre tem subido, conseguido eleger quatro deputados nas últimas eleições legislativas e tendo ficado à porta do Parlamento Europeu, numas eleições que também não foram isentas de polémica, por causa do seu sistema de primárias abertas para a escolha de candidatos. Nas autárquicas, manteve um acordo em Lisboa com o PS de Fernando Medina. No país, foi aprovando Orçamentos de António Costa, mesmo quando o seu voto não era necessário. O Livre nasceu há dez anos, sempre muito marcado pela figura de Rui Tavares, que começou a sua vida político-partidária como eurodeputado independente eleito pelo Bloco de Esquerda. Num momento em que a esquerda está em recuo, em Portugal, o Livre vai crescendo. Europeísta e ecologista, o Livre conquista alguns votos à direita, mas fragmenta um espaço cada vez mais diminuto. Entre o deve e o haver, se verá o que se ganha e perde. Independentemente disso, o seu crescimento eleitoral sustentado é um feito notável em tempo de crise no espaço da esquerda.

See omnystudio.com/listener for privacy information.

Topics

Em 2019Rui Tavares chega ao parlamento como deputado único edesde entãoo Livre tem subidoconseguido eleger quatro deputados nas últimas eleições legislativas e tendo ficado à porta do Parlamento Europeunumas eleições que também não foram isentas de polémicapor causa do seu sistema de primárias abertas para a escolha de candidatos. Nas autárquicasmanteve um acordo em Lisboa com o PS de Fernando Medina. No paísfoi aprovando Orçamentos de António Costamesmo quando o seu voto não era necessário. O Livre nasceu há dez anossempre muito marcado pela figura de Rui Tavaresque começou a sua vida político-partidária como eurodeputado independente eleito pelo Bloco de Esquerda. Num momento em que a esquerda está em recuoem Portugalo Livre vai crescendo. Europeísta e ecologistao Livre conquista alguns votos à direitamas fragmenta um espaço cada vez mais diminuto. Entre o deve e o haverse verá o que se ganha e perde. Independentemente dissoo seu crescimento eleitoral sustentado é um feito notável em tempo de crise no espaço da esquerda.Rui Tavares: haverá Livre para lá do seu coordenador?Rui Tavares: Haverá Livre para lá de Rui Tavares? O Livre nasceu há dez anossempre muito marcado pela figura de Rui Tavaresque começou a sua vida político-partidária como eurodeputado independente eleito pelo Bloco de Esquerda. Historiadordivulgador de história e colunistanão foi ele que estreou a cadeira do Livre na Assembleia da República. A estreia foi traumáticacom Joacine Katar Moreiraque acabaria por abandonar o partido. Em 2019Rui Tavares chega ao parlamento como deputado único econseguido eleger quatro deputados nas últimas eleições legislativas e tendo ficado à porta do Parlamento Europeunumas eleições que também não foram isentas de polémicapor causa do seu sistema de primárias abertas para a escolha de candidatos. Nas autárquicasmanteve um acordo em Lisboa com o PS de Fernando Medina. No paísfoi aprovando Orçamentos de António Costamesmo quando o seu voto não era necessário. Num momento em que a esquerda está em recuoo Livre vai crescendo. Europeísta e ecologistao Livre conquista alguns votos à direitamas fragmenta um espaço cada vez mais diminuto. Entre o deve e o haverse verá o que se ganha e perde. Impendentemente dissoo seu crescimento eleitoral sustentado é um feito notável em tempo de crise no espaço da esquerda. No mês passadoque fechou com um espatifando de Joe Biden no debate com Donald Trump e a vitória da extrema-direita em Françaadensando as nuvens negras que pairam sobre o mundoo Livre propôs encontros à esquerda para trabalharem desde já em convergências políticas e eleitorais nas autárquicas. E Françao último dique ao crescimento da extrema-direita foi uma aliança das esquerdas capaz de conquistar voto jovemsuburbano e de trabalhadores. Declaração de interesses: sou amigo de Rui Tavares há 35 anos. Essa amizade é pública e foi construída fora da políticaonde não nos faltaram divergênciasaliás. Uma e outra coisa não me impedirá de fazer a mesma entrevista que faria noutras circunstânciastentando mantermesmo que em esforçoo tratamento que usoaquicom todos os líderes partidários. Rui Tavaresmuito obrigado por ter aceitado este convite. 1 – Desafiou os partidos de esquerda para encontros com vista a debater convergências. O Bloco já o tinha feito. A melhor forma de trabalhar entendimentos são reuniões com jornalistas à porta? O apelocomo o do Blocoaliásparece ter caudado incómodo PS... - Até onde acha que podem ir os entendimentos à esquerda? Para LisboaPorto e Presidenciais? Para mais do que isso? - A recusa do PCP em participar nessas convergências não dificulta este processo? - As convergências podemem algumas autarquiasfazer-se sem o PS? As conversas com o Bloco abriram portas para isso? 2 – Foi criticado por ter feito pouca campanha nas Europeiassabendo-se que este não era o candidato apoiado pela direção. Sente-se responsável pela não eleição de Francisco Paupério? 15’ - Respondeu que acusam o Livre de ser unipessoal aparece sempre e que agora o acusam do oposto. Mas há uma diferença: este foi um candidato que se sabe que direção não desejava... - Francisco Paupério teveem percentagemo melhor resultado de sempre do Livre. Pensa que terá um papel relevante no partidodepois de ter passado este testequando todo o resto da esquerda caiu? - Houve os episódios com Joacine Katar Moreira. Não há o risco das pessoas pensarem que sempre que o Rui Tavares não é candidato há problemas? 3 - A reação de mal-estar evidente da direção com esta escolha pode não ter sido compreendida pelos eleitores do partido. É supostonas primáriascada candidato mobilizar eleitores fora partido. Foi o que Paupério fez. O problema não será um partido demasiado pequeno para ter primárias abertaso que leva uma facílima destorção dos resultados quando alguém consegue ser mais eficaz? - Depois deste episódiopensam mudar alguma coisa nas primárias? Não temem quecrescendohaja uma vontade de usar o vosso modo de escolha de candidatos para tomar o partido por fora? Não é demasiado frágileste sistema? 30’ 4 – Na realidadeo funcionamento interno do Livre apela um pouco a uma espécie de empreendedorismo políticoem que cada candidatoindividualmentefaz campanha por si dentro do partidoe não por uma equipa. Não hádo ponto de vista culturaluma proximidade do Livre com a cultura liberal e individualista deste tempo? - A esquerda está em recuo em Portugal (e não só). O Livrepelo contráriotem crescido. Dizem que têm sido o único partido a ir buscar votos à direita. Como sabeos eleitores fazem o discurso dos partidos. Esse crescimento não implicará – não estará a implicar jáneste momentouma viragem à direita? - Luis Aguiar-Conraria escreveu que a Iniciativa Liberal e o Livre são dois partidos liberais – um defende as liberdades positivasoutro as liberdades negativas. Revê-se nesta ideia? - Olhando para o vosso crescimentoele segue o padrão que o Bloco teve no início. E o Bloco ensinou-nos que esse caminho tem um limite – até demográfico e sociológico – e quepassada a novidadeé perciso alargar para um eleitorado mais popular. Sentem-se capazes de vir a dar esse passo? O seu discurso ou a estrutura do partido permitirá isso? 5 – Estamos a fazer esta gravação no dia 4 de julho. Quando formos para o ar já saberemos os resultados da segunda volta em França. É certo que a extrema-direita está muito próxima de uma maioria absoluta. Como explica o que se está a passar em Françana Europanos Estados Unidos? 45’ - Quando olhamos para o discurso dos conservadores britânicos ou a CDU alemã sobre a imigraçãoquando percebemos como Meloni foi normalizada na União – que é o que eu acho que acontecerá com Le Pen –ainda faz sentido falar de cordões sanitários e de frentes democráticas? A absorção de parte dos valores da extrema-direita pela direita tradicional não é já um facto? - Sabendo-se que a vitória da direita na Europa e nos Estados Unidos corresponderá à desistência ou recuo no combate às alterações climáticas e que as alterações climáticas vão impor uma enorme pressão migratóriaserá possível a esquerda continuarpor muito tempoa resistir à imposições de limites maiores à entrada de imigrantes sem ficar isolada na sociedade? 6 - Tem-se responsabilizado a esquerda pela incapacidade de representar o desencantamento. Mas a verdade é quequando olhamos para a demografia do votopercebemos que a Nova Frente Popular conseguiucom forte contributo da França Insubmissamas não sóconquistar o voto jovem e das classes trabalhadoras e suburbanas das grandes cidades. O que aprendemos com esta experiência? - Em Portugal passa-se o opostosobretudo em relação aos jovens. Independentemente de algum sucesso do Livre nos jovens – e resistência do BE nesse eleitorado -o Chega e a IL têm muita penetração nesse eleitorado? É um descontentamento com quem esteve no poder? Em Portugal o PS e a esquerdaem França Macron e o centro? O que se passa em França é transponível para cá? 7 – Com Meloni e provavelmente Le Pena que se juntam vários países de lesteo peso da extrema-direita na União Europeia será cada vez maior. E já se percebeu que ela está disposta a abandonar o euroceticismo para usar os poderes da União. Ouvi-o dizer várias vezes que a UE é um clube de democracias sem ser uma democracia. Eno entantotem os poderes das democracias. Como feroz europeístanão corre o risco de estar a defender o mais poderoso instrumento imposição neoliberalismo aos povos - não foi por acaso que Hayek defendeu o federalismoque afastava o poder do povo – edepois dissovir a estar a defender uma União que serve para a agenda xenófoba da extrema-direita? O Pacto das Migrações já é issoum pouco... 1.00’ 8 - O Livre não tem líder eo Rui Tavares épara toda a gentelíder do Livre. Não é mais democrático formalizar uma liderança que o é de facto? - Podemos imaginar o Livre sem Rui Tavares?