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Presidenciais 2026 com Luís Marques Mendes: os portugueses querem mais um ovo no mesmo cesto?

Presidenciais 2026 com Luís Marques Mendes: os portugueses querem mais um ovo no mesmo cesto?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

November 7, 20251h 18m

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Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes. É este um dos nomes que lhe aparecerá no boletim de voto, a 18 de janeiro. Ex-líder do PSD, partilha com o António José Seguro não ter consigo chegar a ir a votos, em legislativas. Natural de Fafe, formado em direito, começou a sua vida política cedo, como vice-presidente da Câmara, ainda com 19 anos. Foi deputado em seis legislaturas, líder parlamentar quando o atual Presidente da República era presidente do PSD, secretário de Estado dos assuntos parlamentares, secretário de Estado da Presidência e ministro adjunto de Cavaco Silva, assim como ministro dos Assuntos Parlamentares de Durão Barroso. Como começa a ser hábito nos candidatos à presidência do centro-direita, foi comentador, em horário nobre, canal generalista e a solo, durante anos. Foi o primeiro candidato a tornar pública a sua candidatura. Nestas eleições, tem uma vantagem e uma desvantagem, que são a mesma: é o candidato apoiado pelo partido que governa. Vantagem, porque é o partido mais votado e, não se afastando dessa base de apoio, Marques Mendes têm aparecido, consistentemente, como forte candidato a ir a uma segunda volta. Desvantagem, porque é um partido que concentra tal poder, que a teoria soarista de que os portugueses não gostam de pôr os ovos todos no mesmo cesto seria, neste caso, esmagadora. Nunca tantos ovos pesaram no mesmo cesto porque nunca um partido teve o governo, o parlamento, duas regiões autónomas, a maioria das câmaras, incluindo as cinco mais populosas. Mesmo perante isto, a sua campanha tem estado bastante colada ao governo e à AD. Com tanta concorrência à direita, saberá que só conquista quem tem base sólida. E, ainda assim, segundo as sondagens, uma parte importante dessa base ainda está por conquistar.

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Presidenciais 2026 com Luís Marques Mendes: Os portugueses querem mais um ovo no mesmo cesto? Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes. É este um dos nomes que lhe aparecerá no boletim de votoa 18 de janeiro. Ex-líder do PSDpartilha com o António José Seguro não ter consigo chegar a ir a votosem legislativas. Natural de Fafeformado em direitocomeçou a sua vida política cedocomo vice-presidente da Câmaraainda com 19 anos. Foi deputado em seis legislaturaslíder parlamentar quando o atual Presidente da República era presidente do PSDsecretário de Estado dos assuntos parlamentaressecretário de Estado da Presidência e ministro adjunto de Cavaco Silvaassim como ministro dos Assuntos Parlamentares de Durão Barroso. Como começa a ser hábito nos candidatos à presidência do centro-direitafoi comentadorem horário nobrecanal generalista e a solodurante anos. Foi o primeiro candidato a tornar pública a sua candidatura. Nestas eleiçõestem uma vantagem e uma desvantagemque são a mesma: é o candidato apoiado pelo partido que governa. Vantagemporque é o partido mais votado enão se afastando dessa base de apoioMarques Mendes têm aparecidoconsistentementecomo forte candidato a ir a uma segunda volta. Desvantagemporque é um partido que concentra tal poderque a teoria soarista de que os portugueses não gostam de pôr os ovos todos no mesmo cesto serianeste casoesmagadora. Nunca tantos ovos pesaram no mesmo cesto porque nunca um partido teve o governoo parlamentoduas regiões autónomasa maioria das câmarasincluindo as cinco mais populosas. Mário Soares venceu as eleições para as presidenciaisera Cavaco Silva primeiro-ministro. Cavaco Silva venceuera José Sócrates primeiro-ministro. E Marcelo Rebelo de Sousa venceuera António Costa primeiro-ministro. Curiosamenteos três foram reeleitos com estes mesmos primeiros-ministros. A exceção a tudo isto foi Jorge Sampaiocuja vitória aconteceuainda assimmenos de três meses depois da chegada de António Guterres ao podermas depois de um longuíssimo período de poder do PSDquando o candidato às presidenciais da direita era quem tinha estado uma década a governar. Se Marques Mendes vencessefaltando três anos para as próximas legislativasseria o segundo caso de um Presidente que teria pelo menos grande parte do seu primeiro mandato com um governo da mesma área política. Sendo quecom Sampaioo início dos mandatos foram quase simultâneos. Mesmo perante istoa sua campanha tem estado bastante colada ao governo e à AD. Com tanta concorrência à diretasaberá que só conquista quem tem base sólida. Esegundo as sondagensuma parte importante dessa base ainda está por conquistar. 1 - Para chegar a esta candidatura fez o mesmo caminho que Marcelo Rebelo de Sousa. Passaram a ser as televisões a pre-selecionar os candidatos do centro-direita? A política não está a prescindir da sua própria autonomia? 2 - A maior critica que tem feito a Gouveia e Melo é à sua falta de experiência. Os seus primeiros outdoors são sobre isso mesmo. Num momento em que as pessoas dão tantos sinais de cansaçonão há o risco de se apresentar como o candidato do sistema? – Diz que não dissolverá o parlamento por violação dos compromissos eleitorais. Considera-se o menos presidencialista dos candidatos que as sondagens indicam que podem ir à segunda volta? 3 - Os orçamentos de Estado transformaram-se em moções de confiança anuais. Isto acaba por ser um elemento de instabilidade. O governo resolveu isso esvaziando o orçamento de políticamas ele não deixa de resultar de decisões políticas. Isto não seria diferente se o Presidente deixasse claro que a queda do governo resulta de moções de confiança ou de censuranão de chumbos de orçamentospara os quais estão previstas outras soluçõescomo governar com o orçamento anterior? - Desde a geringonça que ficou claro que o governo não tem de ser liderado pelo partido mais votadomas por quem consiga uma maioria para governarse ela existir. Desde Pedro Santana Lopes que ficou claro que um primeiro-ministro não tem de ser o que foi a votosporque não elegemos primeiros-ministros. Não lhe vou perguntar se teria dado posse ao governo de António Costaporquecomo se viuisso era inevitável. Mas teria dado posse a Mário Centeno? 15’ - Disse que dará posse a um governo de André Ventura. Mesmo quetendo o sido o Chega o partido mais votadohaja uma alternativa maioritária? Dará posse a um governo de extrema-direita contra a vontade de uma maioria moderada dos portugueses? - O parlamento tem o dever de incluirna lista para juízes do Tribunal Constitucionalnomes propostos pelo Chega? 4 - Não faz o pleno do partido de que foi líder tendo até um outro ex-lider do PSD como mandatário de outra candidatura. Tirando alguns autarcas e ex-secretários de Estadonão conseguiu o mesmo género de apoios no PS. Não parece alargar muito a base eleitoral do PSD. Na realidadeas sondagens dão-lhe menos do que a votação do seu partido. É possível que não seja o candidato mais abrangente que a direita poderia ter conseguido na sua área? 5 – A teoria raramente desmentida diz-nos que os portugueses não gostam de pôr os ovos todos no mesmo cesto. Na introduçãomostrei quese vencerserá uma exceção na nossa tradição. Concorre num momento em o PSD é o partido com mais deputados (e a direita tem maioria qualificada)tem o presidente da Assembleia da Repúblicagoverna o País e as duas regiões autónomastem a presidência da Associação Nacional de Municípios e tem os presidentes das cinco maiores autarquias. Nunca houve um domínio tão grande de um partido. Que sentido teriacom tal desequilíbrioentregar a presidência da República a um ex-líder do PSD que tem o apoio do PSD? - Disseem 2018: “Dentro da teoria dos equilíbriossegundo a qual os portugueses não põem os ovos todos no mesmo cestoa garantia de um segundo mandato de um Presidente de centro-direita poderia favorecer a eleição de um primeiro-ministro de centro-esquerda.” Não devemos partir do principio que a inversa também é verdadeira? O governo não torna mais difícil a sua vitória? 30’ 6 - Como olha para a guinada política do país em relação à imigração. Também atribui às políticas de imigraçãoe não às necessidades da economiao aumento do número de imigrantes? Temos pleno emprego. O que quererá dizer que se não tivéssemos imigrantes teríamos falta de mão-de-obra. Temos excedente na segurança social. Se não tivéssemos imigrantes tínhamos défice. A minha dúvida é se quem acha que devíamos ter recebido menos imigrantes tem solução para estes dois problemas. 7 - Passámos a ser dos países que tem das leis de nacionalidade mais restritivas da Europa. Até descobrimos que é mais fácil para um brasileiro conseguir a nacionalidade espanholase viver em Espanhado que portuguesase viver em Portugal. Eno entantosabemos que os imigrantes residentes em Portugal são uma minoria dos requerentes da nacionalidade. Foram muito mais os sefarditasnuma lei quecuriosamentenunca mereceu grande contestação da direita (até a aprovou). Não estamos a agitar um espantalho? - Disse que ñ enviaria esta lei para o Tribunal Constitucionalpor já não haver dúvidas sobre a constitucionalidade da lei. Vários constitucionalistas discordam de si. Teresa Violante considera que a sanção acessória de perda de nacionalidadeprivando alguém da cidadania“esbarra no princípio da igualdade” e que alguns dos crimes referidos violam o princípio da proporcionalidade. Jorge Miranda acompanha. O governo separou istocom receio do vetotransferindo-o para a Código Penalmas também há dúvidas sobre o requisito de ter “capacidade para assegurar a sua subsistência” e que se prejudique quem receba benefícios sociais contributivos (para os quais o requerente descontou). Não quero debater cada uma destas questõesmas perguntar-lhe senum tema tão fundadoro Presidente não deveria ser mais exigente e ter menos pressa do que Marques Mendes revela? - Concorda com António Leitão Amaroque acusa o PS de ter levado a cabo uma reengenharia demográfica do país para ganhar votosrevisitando uma teoria da extrema da extrema direita? Revê-se nesta linguagem? E acha quecom esta lei da nacionalidadePortugal ficou mais Portugal? - Sente que a direita portuguesaincluindo o partido de que foi líderse radicalizou? 45’ 8 - Dissesobre a junção da votação da lei do Orçamento de Estado e da lei da nacionalidadeque o primeiro-ministro celebrounuma conferência de imprensa únicao seguinte: “devemos valorizar os momentos positivos: há um Orçamento de Estado viabilizado à esquerda e uma lei da nacionalizada viabilizada à direita. Em qualquer circunstânciaé o diálogo a funcionar”. Como candidatorepetiu a estratégia do primeiro-ministro de juntar duas leis sem qualquer relação entre si para passar a ideia da AD como a bissetriz entre o Chega e o PS. Como quer que acreditem na sua autonomia semesmo em campanhafaz questão de se colar não apenas às políticas de governomas às narrativas que o primeiro-ministro escolhe para as defender? - Não acha preocupante que seja nas questões mais sensíveiscomo a nacionalidade e a imigraçãoo governo tenha como principal interlocutor um partido xenófobo? Não era exatamente aí que seria de esperar que o interlocutor fosse o PScom quem o PSD partilhava valores fundamentais? 9 - Vamos a outros temas. Se uma das mais profundas reformas laborais for ao parlamento sem um acordo geral (e não apenas de pormenor) na concertação socialsem ser aceite por qualquer das centrais sindicais (até os TSD estão contra) contrausará do veto político? - Acha que as medidas do governo para a habitaçãoque até têm resultado num aumento ainda mais rápido dos preços das casaspor incentivarem a procura sem intervir na regulação da ofertaestá a correr bem? - A AD tinha prometido uma ação rápida no SNS. Não só as coisas não estão a melhorarcomo a ministra da Saúdeque o primeiro-ministro decidiu reconduzir neste segundo governo (ao contrário do que fez com outros ministros)parece ser um foco de instabilidade. Disse que já não chegam diagnósticossão precisas soluções. O protagonista das soluções é indiferente? 1.00’ 10 - A direita tem maioria qualificada para fazer uma revisão constitucional. No entantoela seria a primeira a não ser feita entre os dois partidos fundadores da democraciamas com um partido que tem um líder que diz que Portugal precisava de três Salazares. Como Presidenteusará a sua magistratura de influência para dissuadir uma revisão constitucional que exclua o Partido Socialista?