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Marta Temido: alguma coisa afasta o PS da AD na política europeia?

Marta Temido: alguma coisa afasta o PS da AD na política europeia?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

May 27, 20241h 0m

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Show Notes

Dirigindo a concelhia socialista de Lisboa e estando a preparar-se para concorrer contra Carlos Moedas, não se conheciam a Marta Temido muitas posições sobre a Europa. Também terá sido por causa disso que António Costa lhe entregou um cartão do PS num palco de um congresso em que se enfileiravam os putativos sucessores na liderança. Temido chegou ao governo de António Costa como independente. Sem qualquer experiência política, caiu-lhe uma pandemia em cima e, independentemente da avaliação que cada um faça da gestão que fez da emergência, acumulou grande popularidade nesse período. Os candidatos portugueses têm convicções próprias ou, chegados a Bruxelas, integram-se consensos que não levaram a votos, nas eleições, com o argumento de ali se fazem compromissos? A ex-ministra da Saúde, Marta Temido, é a última candidata ao Parlamento Europeu a integrar esta série de conversas no Perguntar Não Ofende.

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Marta Temido: Alguma coisa afasta do PS da AD na política europeia? Marta Temido chegou ao governo de António Costa como independente. Sem qualquer experiência políticacaiu-lhe uma pandemia em cima eindependentemente da avaliação que cada um faça da gestão que fez da emergênciaacumulou grande popularidade nesse período. Terá sido essa a razão para a escolha do seu nome como cabeça de lista a estas eleições. Dirigindo a concelhia de Lisboa e estando a preparar-se para concorrer contra Carlos Moedasnão se lhe conheciam muitas posições sobre a Europa. Também terá sido por causa disso que António Costa lhe entregou um cartão do PS num palco de um congresso em que se enfileiravam os putativos sucessores na liderança. Chegados a estas eleiçõesé um momento de clarificação numa Europa que está a braços com uma guerraassiste ao crescimento da extrema-direita e pode vir a ser governada por uma aliança entre o PPE e parte dessa extrema-direitaalinhada no grupo dos conservadores e reformistas. Essa clarificação não se faz no debate doméstico ou em meras declarações de princípios. Faz-se em assuntos polémicosmas centrais para o futuro da Europaem que PS e PSD parecem estar alinhados: criticam o Pacto das Migrações que aprovaramapoiam novas regras de governação económica que reforçam o poder da Comissão e defendem um alargamento a leste que deixará a periferia do sul numa situação ainda mais difícil. Se queremos que estas eleições sejam mais do que um concurso de popularidade e notoriedadeé nestes temas que os candidatos têm de ser claros. Têm os socialistas europeus um programa assim tão diferente de Ursula von der Leyen? E os candidatos portuguesestêm convicções próprias ouchegados a Bruxelasintegram-se consensos que não levaram a votosnas eleiçõescom o argumento de ali se fazem compromissos? Marta Temido é a última candidata a Parlamento Europeu no Perguntar Não Ofende. 1 - Marta Temido é militante do PS há menos de três anos. De lá para cá liderou a concelhia de Lisboasendo insistentemente referida como a provável candidata à autarquia. Agorasem nunca lhe termos ouvido uma preocupação europeiaaparece como cabeça de lista às europeias. O PS continua a surfar a sua popularidade no combate à pandemia? - A sua popularidade por causa da pandemia tem em conta o estado em que ficou o SNS? Cuidou de garantir as condições para recuperar da enorme pressão que foi exercida sobre o sistema? É que essa é que era a parte difícil e o SNS não ficou em bom estado. - É aceitável que alguém se candidate a deputada nem chegue a aquecer a cadeira para ir para deputada noutro lugar? 2 - Bruxelas é um mundocom muita burocracia e normas que demoram anos a dominar. Mas lidera uma lista quepela primeira vezfaz tábua rasa da experiência e não candidata nenhum dos atuais eurodeputados. Se fazem uma análise tão negativa do seu trabalhopor que razão devem os portugueses votar no PS? 3 - O PS faz um juízo crítico do Pacto das Migraçõesmas votou a favor. Um pacto onde se permite a separação de famílias e detenção de crianças e se criminalizam os migrantessó para referir as principais críticas da ONU e 117 ONGs Eacrescento euse institucionaliza a monetarização de seres humanosquando os países ricos pagam aos pobres para ficarem com migrantes. No seu manifesto só se fala em “acompanhar a execução do Pactogarantindo a aplicação dos mecanismos de solidariedade aí previstos”. Parecem conviver bem com todos os pontos que referi... 15’ - O manifesto eleitoral do PS defendee cito“uma postura humanista e solidária relativamente ao fenómeno migratório”. Parece-lhe humanista e solidário exigir uma taxa 400 euros a imigrantes que ganham salários miseráveisnão para os regularizarmas para permanecerem no limbo em que estão 400 mil pessoas? A taxa foi criada por Ana Catarina Mendesque está em terceiro lugar na sua lista. 4 - Fiquei preocupado ao ouvi-la dizernum debateque as novas regras orçamentais davam mais flexibilidade aos Estados. Se me permiteé o oposto: quem ganha flexibilidade é a Comissãoque pode determinar discricionariamente a trajetória da despesa líquida de cada Estado para os quatro anos seguintes. Secomo ministra da Saúdequiser contratar mais médicos a Comissão Europeia pode impedi-lo. Aquilo que fizeram na geringonça – reduzir o défice com aumento da despesaatravés do crescimento – seria impossível. Como raio isto é melhor? O critério é a sustentabilidade da dívida – totalmente subjetivo – os parâmetros de análise até podem ser diferentes de país para país. - Dissenesse debateque eram melhores estas regras do que as anteriores à pandemia. Mas as regras antigas continuam em vigor. O Pacto de Estabilidade não foi revogado... O que mudou foram os poderes da Comissão para impor o seu cumprimento através da restrição da despesanuma espécie de troika permanente. Até pode negociar reformas estruturais... - A comissão precisa desta flexibilidade para resolver a sua incapacidade de impor regras a países mais fortescomo a Françaque não cumprem as regras. Em 2023a França teve 55% de défice. A dívida ficou nos 110. Ou sejaestão muito piores que Portugal. 5 - António Costa criticou o aumento das taxas de juroporque tiveram um impacto desproporcionado em países com preponderância de taxas variáveiscomo Portugale porque se insistia num instrumento sobre a procura quando o problema foi na oferta. Não faria sentido uma mudança do mandato BCEque é mais ortodoxo do que o da Reserva Federal? O do banco central americano incluicom igual relevânciaa estabilidade dos preços e o pleno emprego. Olhando para o seu programaque não tem uma linha sobre o BCEsuponho que não defende que mude alguma coisa. O PS está resignado à ortodoxia monetarista e não acompanha vozes críticascomo as de Vítor Constâncio? 30’ - Pacto de Migraçõesvotaram a favor eapesar das críticasnão o pretendem corrigir. Celebram uma política orçamental que nos põe nas mãos da discricionariedade da Comissãoregressando à lógica da troika. A política monetária não vos merece reparo. Tirando questões como o abortoem que é que o PS se separa do PSD em política europeia? O que é que fará uma pessoa sair da casa entre feriados para votar no PS e não na AD? A política nacional? A simpatia por si? 6 - EspanhaNoruega e Irlanda reconheceram o Estado da Palestina. O anterior governo estava em negociações para o fazer e António Costa disse que era o passo necessário para acelerar a paz. O atual governo não alinhou nessa resposta. Acha que Portugal deve corrigir esse passo atrás e juntar-se a paísescomo a Bélgicaque também estão quase a reconhecer a Palestina? - Mariana Vieira da Silvanum debate recentetambém parece ter defendido a partidipação de Portugal neste grupo de países que estão na dianteira do reconhecimento. Tenho de concluirpela sua respostaque está mais próxima de Paulo Rangel do que do seu partido. Ou que prefere não ter posição e esconder-se atrás do governo do PSD? “O nosso país durante os últimos meses fazia parte de uma linha dianteira na União Europeia de reconhecimento do Estado da Palestina. Os anteriores Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros colocarem Portugal no conjunto de países que estava a trabalhar no sentido de um reconhecimento do Estado da Palestina. Essa é a posição do PS. Continuamos a acreditar que não deve ser isoladoque não deve ser um ato único de um paísmas havia um caminho que tanto quanto me é dado a perceber o atual Governo não está a fazer”. 7 - IRS jovemisenção de IMT aos jovens até 35 anosum conjunto de promessas na habitação que terão de ser regulamentadas nos próximos mesesaumento do CSIreformas pagas de forma antecipadaacordo com os professoresanúncio de novo aeroporto. Acha que o governo está em campanha? - Mas a verdade é que foi António Costa que deixou pendurados temas como o aeroporto ou a negociação com os professores. Vemosaliáso PS a apresentar medidas que chumboucomo a descida da IVA para a eletricidade ou fim das portagens de SCUTs... 45’ 8 - Depois de ter sido ouvido pelo Ministério Público sem sair de lá como arguidopensa que António Costa tem condições para se candidatar a um cargo europeu?