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Mariana Cabral: o que diz um beijo sobre o futebol feminino?

Mariana Cabral: o que diz um beijo sobre o futebol feminino?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

September 5, 202359m 5s

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Show Notes

No momento mais importante das suas vidas desportivas, as mulheres da seleção espanhola de futebol viram o palco ocupado por um homem. Com um beijo na boca de uma jogadora que, para todos os efeitos, era sua subordinada, totalmente despropositado e abusivo em contexto profissional, abriu-se um debate que pode parecer exagerado, pelo momento emocional em que o episódio se deu, mas que é muitíssimo relevante. Porque os pequenos episódios com grande visibilidade são, muitas vezes, os que permitem sublinhar que não é natural o que muitos julgam ser. Nos últimos anos de jornalista, Mariana Cabral acumulou a atividade no Expresso com o treino das equipas de juvenis femininas do Sporting, até se ter dedicado a 100% como treinadora, agora com a equipa sénior feminina do SCP. Mulher, treinadora de futebol e feminista, fala sobre desporto, igualdade e sobre o beijo despropositado e abusivo de Luis Rubiales neste episódio.

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Topics

Mariana Cabral: O que diz um beijo sobre o futebol feminino? No momento mais importante das suas vidas desportivasas mulheres da seleção espanhola de futebol viram o palco ocupado por um homem. Com um beijo na boca de uma jogadora quepara todos os efeitosera sua subordinadatotalmente despropositado e abusivo em contexto profissionalabriu-se um debate que pode parecer exageradopelo momento emocional em que o episódio se deumas que é muitíssimo relevante. Porque os pequenos episódios com grande visibilidade sãomuitas vezesos que permitem sublinhar que não é natural o que muitos julgam ser. Mas o debate também foi útil pelo que veio depois. Rapidamentea jogadora é que passou a ser julgada. A estrutura federativa dirigida por Luis Rubiales foi libertando vídeos da festa para provar que Jenni Hermoso até gostou do beijo. O debate passou a ser sobre o facto de não ter resistidopelo tempo que demorou a reagirpor ter sido apanhada a brincarem dia de festacom o sucedido. Se não ficou destroçada e traumatizadalá estava o consentimento. Como se a ausência de consentimentoainda por cima em contexto laboraldependesse do estado emocional em que fica a abusada. No fundonenhuma mulher é abusada sem culpa própria. É essa a mensagem. Enão fossem as feministas histéricasisto seria mais um dia no escritório. Este episódio é especialmente interessante porque revelanum momento em que o futebol feminino ganha maior visibilidadecomo são os códigos masculinos que se impõem no dia de receber a taça. Comomesmo quando conquista coisas extraordináriasa mulher é posta no seu lugar pelo homem que manda e está na sala. A minha convidada de hoje é mulheré treinadora de futebol e é feministauma condição que surpreendentemente voltou a ser usada como insulto. Mariana Cabral nasceu nos Açoresmasnum país onde o futebol é rei foi numa viagem aos Estados Unidosna adolescênciaque a faz trocar a raquete de ténis pela bola de futebol. Jogadora do 1º de dezembrofixa-se na lateral direita da equipaonde chegou a ganhar o título de campeã nacional. Mas é no jornalismo que faz a sua vida profissionalaqui mesmono jornal Expresso. Nos últimos anos de jornalistaacumulou a atividade com o treino das equipas de juvenis femininas do Sportingaté se ter dedicado a 100% como treinadoraneste momento com a equipa sénior feminina do Sporting.