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João Oliveira: até onde vai o euroceticismo do PCP?

João Oliveira: até onde vai o euroceticismo do PCP?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

May 14, 20241h 8m

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Show Notes

Com 44 anos, João Oliveira é das figuras mais populares do PCP, tendo sido, antes da eleição de Paulo Raimundo, um dos nomes mais falados para secretário-geral. É uma aposta forte dos comunistas para uma eleição difícil em que as suas posições vão em contramão com a de quase todos os partidos com representação parlamentar. João Oliveira chegou a deputado em 2006, para substituir o histórico Abílio Fernandes. Passou a ser cabeça de lista por Évora em todas as eleições seguintes – tirando as últimas –, tendo perdido a eleição em 2022, num momento histórico em que os comunistas deixam de ter qualquer eleito por aquele círculo alentejano. Foi líder parlamentar durante nove anos.

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João Oliveira: Até onde vai o euroceticismo do PCP? Desde o início da “geringonça”a CDU tem registado quedas eleitorais em todas as eleições. Em 2019teve 7%quase metade do que tivera cinco anos antes. E desde entãotem sofrido um grande desgaste eleitoral nas legislativas e autárquicas. Ao efeito do abraço do urso do PS podem juntar-senumas eleições mais marcadas por temas de política internacionalo efeito das posições do PCP sobre a Ucrânia. Mesmo o euroceticismo dos comunistas parece não sernum país com forte apoio à integração e ao eurouma vantagem eleitoral. A clarezaque se pode elogiarpode não ajudar. Entretantoo PCP tem renovado os seus principais rostoscom a nova liderança de Paulo Raimundo e a substituiçãocomo cabeça de lisa às europeiasdo eficaz mas omnipresente João Ferreira pelo carismático João Oliveira. João Oliveira chegou a deputado em 2006para substituir o histórico Abílio Fernandes. Passou a ser cabeça de lista por Évora em todas as eleições seguintes – tirando as últimas –tendo perdido a eleição em 2022num momento histórico em que os comunistas deixam de ter qualquer eleito por aquele círculo alentejano. Foi líder parlamentar durante nove anos. Com 44 anosé das figuras mais populares do PCPtendo sidoantes da eleição de Paulo Raimundoum dos nomes mais falados para secretário-geral. É uma aposta forte dos comunistas para uma eleição difícil em que as suas posições vão em contramão com a de quase todos os partidos com representação parlamentar. 1 - O PCP elegeu três eurodeputados em 2014 e dois em 2019. De lá para cáperdeu força em todas as eleições. Com mais partidos a concorrer aos mesmos lugares e esta dinâmicaPCP não enfrenta um desafio eleitoral complicado? 2 - O PCP é o único partido com representação europeia e parlamentar a pôr a saída do euro em cima da mesa. Os anos da “geringonça”com a subida dos salários e recuperação poder de compraou os anos mais recentes com Portugal a crescer mais do que a União Europeianão mostram que é possível crescer e recuperar salários dentro do euro? - O “brexit” tem criado brutais dificuldades económicas ao Reino Unido. E estamos a falar de uma potência económica e política que nem sequer estava no euro. Isto não coloca água na fervura em relação a aventuras que ninguém sabe como se começa e muito menos como acabamao fim de tantos anos de integração e de criação de interdependênciasmuito mais fortes no eurogrupo? - Pedro Nuno Santos defendeu uma política industrial nacional. Isso é possível no quadro europeu? 3 - João Oliveira tem vindo a defender quenestas eleiçõesestá em causa a democracia. A extrema-direitade acordo com as sondagensdeverá ser uma das forças vitoriosas destas eleições na Europa. Como é que a esquerda pode canalizar o descontentamento popular para si mesma? 15’00 - Como reage aos que fazem um paralelo entre o PCP e os partidos de extrema-direita? O Parlamento Europeu fezaliásum paralelo entre o nazismo e o comunismo... - Não lhe diz alguma coisa que os povos do leste da Europa pareçam olharde factoo comunismo de uma forma semelhante como os portugueses veem o fascismo? 4 - A naturalização da extrema-direita começou com a sua vitória na Polónia e na Hungria. Dois países quase destruíram a independência do poder judicialsilenciaram opositores e imprensa. Curiosamentequando a União Europeia tentou sancionar a Hungria pela subversão do Estado de direitoo PCP votou contra. Como é que isso é compatível com a defesa da democracia? - O PCP condena a ingerência na política nacional de cada nação. Percebo a coerência em relação à vossa oposição a mais integraçãomasassim sendoa União fica sem mecanismos de reagir a uma deriva totalitária num país. Numa União penaliza países que se desviam do défice ou da dívidaos mecanismos penalização violação direitos fundamentais são muito mais fracos. Mas o PCP acha que são excessivos. Porquê? - Criticando a ingerência europeias em temas nacionaiso PCP votou direitos de casais do mesmo sexo e até uma recomendação do Parlamento Europeu em que se defende a igualdade de direitos das crianças filhas de casais do mesmo sexo. Direitos que defende em Portugal. A igualdade de direitos não devia ser protegida de todas as formas em toda a Europa? 30’00 5 – Depois da sua suspensãopor causa da pandemiaas regras orçamentais regressam e até mais apertadas. O PCP tem falado num corte de 2800 milhões de euros de despesaum valor que têm comparado com as despesas públicas em medicamentos. Como é que chegam a esse valor e quais as suas consequências? 6 – A entrada de Portugal na União levou à aplicação de regras ambientais mais exigentes. Mas o PCPno seu manifesto europeufala na “propaganda da UE na frente ambientalespecialmente no que se refere à luta contra as alterações climáticas”. Mesmo que esta transição sirva negócioscom dizemeste discurso não se aproxima do negacionismo? 7 - Em mais de 600 eurodeputadossó 13 votaram contra a condenação da Rússia pela invasão e ocupação da Ucrânia. Dois eram portugueses e do PCP. Como é que essa posição é compatível com a defesa da soberania dos povosque começa pela sua integridade territorial? - O “caminho do diálogo e da paz”de que falamsem armar a Ucrâniaparece impossível quando a Rússia não tem interesse no diálogo e ocupa cidades ucranianas. Se um qualquer país invadisse Portugalo PCP defenderia o “caminho do diálogo e da paz”em vez da resistência e defesa da soberania nacional? - Falamcom razãoda incoerência da Europa e dos Estados Unidos em relação ao que se passa em Gaza. Mas não há uma incoerência na vossa posição? É que não se ouve uma palavra de solidariedade para com a Ucrânia e a defesa de que se apoie politicamente quem está a ser ocupado. Nem a defesa de sanções à Rússiacomo defendem para Israel... 45’00 8 –O João Oliveira foi visto como um dos rostos da renovação geracional e de discurso do PCP. Mas a renovação não se tem traduzido em grandes diferenças nos resultados (nem no PCPnem no resto da esquerda). Há uma inadequação face a novas técnicas de comunicação nas redes sociais? Num mundo cada vez mais atomizadoa esquerda tem dificuldades em encontrar novas formas de mediação e polarização dos seus temas e agendas? - Sem o voto do Chegaa esquerda forma maioria no Parlamento e parece entender-se para algumas vitórias políticas no que diz respeito ao IRS ou às SCUT. Acredita que o governo está a prazo ou que pode recuperar destes desaires