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Hugo Mendes e Frederico Pinheiro: o que correu mal na TAP?

Hugo Mendes e Frederico Pinheiro: o que correu mal na TAP?

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

October 31, 20231h 34m

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Show Notes

Hugo Mendes e Frederico Pinheiro escreveram um livro conjunto sobre a viagem mais turbulenta da TAP. No livro editado pela Zigurate, citam Oscar Wilde: “Nunca expliques. Os teus amigos não precisam disso e os teus inimigos, seja como for, não acreditarão em ti.” No entanto, querem explicar a amigos e inimigos o que aconteceu nestes meses e porquê. Tentaremos perceber porquê. O nome do livro, “Patos desalinhados não voam”, nasce da ideia de que para uma política correr bem tem de alinhar um conjunto de elementos, a que carinhosamente chama patos, para que levantem voo. A definição do problema, a informação empírica sobre o problema; a narrativa do problema; os aliados para o resolver; e as medidas tomadas. Segundo os dois autores, faltou a narrativa e faltaram os aliados. Visitaremos a sua narrativa, porque de aliados, regressados às suas vidas, já não precisam. Precisará a TAP, talvez.

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Hugo Mendes e Frederico Pinheiro escreveram um livro conjunto sobre a viagem mais turbulenta da TAP. No livro editado pela Ziguratecitam Oscar Wilde: “Nunca expliques. Os teus amigos não precisam disso e os teus inimigosseja como fornão acreditarão em ti.” No entantoquerem explicar a amigos e inimigos o que aconteceu nestes meses e porquê. Tentaremos perceber porquê. O nome do livro“Patos desalinhados não voam”nasce da ideia de que para uma política correr bem tem de alinhar um conjunto de elementosa que carinhosamente chama patospara que levantem voo. A definição do problemaa informação empírica sobre o problema; a narrativa do problema; os aliados para o resolver; e as medidas tomadas. Segundo os dois autoresfaltou a narrativa e faltaram os aliados. Visitaremos a sua narrativaporque de aliadosregressados às suas vidasjá não precisam. Precisará a TAPtalvez.Hugo Mendes e Frederico Pinheiro: o que correu mal na TAP?Hugo Mendes e Frederico Pinheiro: o que correu mal na TAP? Hugo Mendes era um secretário de Estado pouco ou nada conhecido dos portugueses. Braço direito de Pedro Nuno Santosfoi seu adjunto e chefe de gabineteaté ficarcomo secretário de Estadocom o explosivo dossier da TAP. Acabou por ser responsabilizado pela indeminização a Alexandra Reis e ficar no olho do furacão da crise política que também levaria à saída do governo de Pedro Nuno Santoso mais forte candidato à liderança do PS. Frederico Pinheiro era ainda menos conhecido da opinião pública. Nem sequer é militante do PS. Só militou no Bloco de Esquerdade onde saiu há quase uma década. Entrou para os gabinetes do governo durante a “geringonça”quando Pedro Nuno Santos tinha os assuntos parlamentaresum lugar sensível para as conversações com o PCP e o Bloco. É quem concentra mais informação sobre todo o dossier da TAPdurante o processo de nacionalização e reestruturação da empresa. Continua no Ministério depois da saída do ministro e do secretário de Estadopor ser quem mais conhecia o dossier. Acaba por sair num dos mais rocambolescos casos num Ministérioque causou uma crise institucional entre o primeiro-ministro e o Presidente da República quanto à manutenção de João Galamba no governo. Acabou de pôr processos-crime contra António Costa e João Galambapor difamação. Não é de casos que vamos falar. Ou melhorfalaremos dos que tenham sido determinantes para o futuro da TAP e o processo de privatização que agora assistimos. Processo que foieste fim de semanavetado pelo Presidentepor considerar que o decreto apresentado não é claro no papel do Estado na futura empresa privada. Hugo Mendes e Frederico Pinheiro escreveram um livro conjunto sobre a viagem mais turbulenta da TAP. No livroquerem explicar a amigos e inimigos o que aconteceu nestes meses e porquê. Tentaremos perceber porquê. O nome do livrotalvez. 1 (HM) - Dizem que este caso está perdido na opinião públicapela forma como correu a CPI (já lá vamos). É isso que tentam mudar? (HM) - Pedro Nuno Santos soube ou acompanhou a elaboração deste livro? (FP) - No livro não está o episódio da noite de 26 de abril. Apresentaste uma queixa-crime por difamação contra António Costa e João Galamba. O que pretendes com este processo? 2 (FP) – Houve várias tentativas de privatização da TAPcom Cavaco e Guterresaté que ela aconteceu com a troikajá no fim do governo de Passos. Depois da tentativa frustrada com Efromovichhouve a venda a David Neelmanjá depois da aprovação da moção de rejeição do novo governo de Passos Coelho. Saltando por cima do debate sobre a legitimidade desse governo tomar esta decisãoquando é que tiveram todos os dados sobre essa privatizaçãoincluindo os fundos Airbus? Consegues explicar esse negócio e que relação Neelman manteve depois com a Airbus? (FP) - Os orçamentos de 2018 e 2019 previam lucro e os resultados foram prejuízos. Isto enquanto a sua frota crescia. Havia um interesse em fazer crescer a empresa depressa? Para quê? 15’ 3 (FP) – Dizem quequando veio a pandemiaa TAP estava condenada a falirse nada fosse feito? Porque é que não podia falir? (FP) - Porque não abrir outra ao ladocomo se fez em Itália? Há quem diga que só não deixaram falir por causa dos credores... 4 (FP) - Salvar a TAP não é salvar a TAPé salvar o hub. Porque é que não há hub sem TAP? Porque é que a substituição por outras companhias não garantiria a permanência do hub? (FP) - E qual é a importância do hubdo ponto de vista económicopara o paísincluindo Porto ou Faropara que valha mais de três mil milhões de euros? 5 (FP) - Dizem quesem apoio estatala TAP teria ido à falência em poucos meses. Porque é que as garantias para dois empréstimos de 350 milhõespara alem de outros pedidos de apoio mais cirúrgiconão eram melhor solução? No livro dizem quecom o empréstimoo Estado ficaria sem o dinheiro e sem os ativos. Como sabem isso? 30’ 6 (FP) - A TAP ficou de fora do regime excecional e foi enquadrada num regime mais duro de emergência e reestruturação. O ministroao ter criticado publicamente a gestão da TAPdeixando claro que o problema era anterior à pandemianão tornou isso inevitável? 7 (HM) - A 29 de abril de 2020Pedro Nuno Santos ameaça com a nacionalização. A ameaça de nacionalização é apresentada no livro como um poder negocial perante Neelman. Querem explicar? Ficou a sensação de que havia uma vontade de nacionalizar e que aquele momento de fragilidade foi visto como uma oportunidade... (HM) - Neelman saiu bastante bemrecebendo 55 milhões em prestações acessórias por participações pelas quais nunca receberia este dinheirose as vendesse no mercado. Temeram os tribunaisde onde viria uma decisão muito mais tarde? Não sentem que podem ter sido enganados? 8 (FP) - O acordo parassocial de 2017 dava ao acionista privado o poder de bloquear a entrada de dinheiro público eportantoa possibilidade de negociar a sua saída. No livro dizem que não quem discutir renacionalização de 2017... Foi ou não uma falsa renacionalização? 9 (HM) - Como é que duas pessoas de esquerdaque criticam soluções deste género em empresas privadasexplicam uma reestruturação que levou a tantos despedimentos e reduções de salários? O ministério não deixou de fazer a sua demagogia com os rendimentos dos pilotosde que viria a pagar o preço no caso de Alexandra Reis... 45’ 10 (HM) - Desenvolvem no livro que tentaram ficar entre o modelo à distânciaa que chamam um telefonema por ano e a interferência na micro-gestão. Não é fácil vender essa tese quando tivemos o Hugo Mendes a opinar sobre viagens do Presidente da Repúblicao ministro a mandar reverter negócios de leasing de carrose Pedro Nuno Santos a recorrer à demagogia que depois se virou contra vocês quando deu opinião pública sobre os prémios a 180 trabalhadores... 11 (HM) – Falemos de Alexandra Reis. O capricho de uma CEOnuma empresa em dificuldadesnão saiu demasiado caro? Todos somos obrigados a trabalhar com pessoas de que não gostamos... Ainda mais quando o acionista assume que a pessoa é competente. (HM) - Não foi claro para vocês que passando Alexandra Reis para a NAV (foi sondada um mês depois de sair da TAP)era necessário ter a certeza que a indeminização não seria a mesma? Se não hesitaram em interferir no caso do leasing de carroseste também não era um momento para puxar o travão a fundo? (HM) - O problema não é uma resposta por whatsapp para aprovar uma indeminização de meio milhão. Parece denunciar é que não se aperceberam da sensibilidade do tema. Claro que é fácil acertar no totobola à segunda-feira. Mas o caso da frota de carros da TAP não tinha dado todos os sinais do resultado dos jogos? 12 (HM) - Queixam-se da dificuldade de construir uma narrativa compreensível sobre a decisão tomada. Fugindo dos patos e indo para uma espécie mais próximanão é aquele velho lamento do macaco que não sabe dançar e diz que a culpa é do chão? 1.00’ (HM) - No mail que escreveu à CEO disse que o Presidente era um aliado fundamental. Foi? Porquê? (HM) - O primeiro-ministro e o governo empenharam-se na construção da vossa narrativa? Sentiram-se sós durante este processo? (Lacerda Machado) 13 (HM) - Citam a frase de Bismark“se as pessoas soubessem como são feitas as salsichas e as leisnão comeriam as primeiras e não obedeceriam às segundas”. Isto quer dizer que a gestão de uma empresa pública é incompatível com a transparência? Acham que a CPI teve acesso a excesso de informação e material? (HM) - Dizem que o PSao viabilizar esta CPI terá pensado que só afetaria administradores da TAP e ex-mebros do governo e que é preciso deixar sempre um osso para a oposição roer? Foram vocês o osso? Foi propositado? 14 (FP) - O Presidente da República acabou de vetar o decreto de privatizaçãopor não se perceber qual será o papel do Estado. Será possível segurar o hub com uma posição minoritária do Estado? Se nãocomo se justificam três mil milhões se isso se verificar? 1.15’ (HM) - Tiveram algum sinal de que havia interessados a uma posição minoritária? 15 (HM) - Escreveram que “se Pedro Nuno Santos ainda fosse ministro provavelmente não estaríamos a assistir à privatização da TAPmas a um mais cauteloso processo de abertura de capitalque manteria a empresa sob controlo público”. Transcrevem declarações do ministro contra a alienação da maioria e dizem que é provável que a saída de Pedro Nuno Santos possa ter desbloqueado o modelo de privatização. Acha que a vontade de privatizar tudo ou maioria contribuiu para a pressão para que saísse? (FP) - Perguntam no livro: qual é a pressa em privatizar a maioria do capital? Tem resposta para isso? 1.25’