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Diretas no PS com Pedro Nuno Santos

Diretas no PS com Pedro Nuno Santos

Perguntar Não Ofende · Daniel Oliveira

November 27, 20231h 31m

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Show Notes

Saiu do governo há menos de um ano por causa do episódio da indeminização a Alexandra Reis. Não desejava seguramente este calendário, que lhe roubou tempo à travessia no deserto, com lugar na televisão, que lhe permitiria preparar a sua candidatura e deixar para mais distante os episódios que levaram à sua demissão. Mas em política não se fazem planos, apesar de há muito tempo planear este caminho. Pedro Nuno Santos foi um dos principais obreiros dos entendimentos à esquerda, ocupando o lugar central da secretaria de Estado dos assuntos parlamentares, onde se fazia negociação com o Bloco e o PCP, tendo-lhe sido atribuído o talento negocial de manter uma geringonça de pé. Foi catapultado para o Ministério das Infraestruturas onde o esperava um presente envenenado, dificultado pela relação tensa que foi mantendo com António Costa.

Ouça aqui a entrevista ao outro candidato, José Luís Carneiro.

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Saiu do governo há menos de um ano por causa do episódio da indeminização a Alexandra Reis. Não desejava seguramente este calendárioque lhe roubou tempo à travessia no desertocom lugar na televisãoque lhe permitiria preparar a sua candidatura e deixar para mais distante os episódios que levaram à sua demissão. Mas em política não se fazem planosapesar de há muito tempo planear este caminho. Pedro Nuno Santos foi um dos principais obreiros dos entendimentos à esquerdaocupando o lugar central da secretaria de Estado dos assuntos parlamentaresonde se fazia negociação com o Bloco e o PCPtendo-lhe sido atribuído o talento negocial de manter uma geringonça de pé. Foi catapultado para o Ministério das Infraestruturas onde o esperava um presente envenenadodificultado pela relação tensa que foi mantendo com António Costa. Ouça aqui a entrevista com o outro candidatoJosé Luís Carneiro.Diretas no PS com Pedro Nuno SantosDiretas no PS: Pedro Nuno Santos Pedro Nuno Santos saiu do governo há menos de um ano por causa do episódio da indeminização a Alexandra Reis. Não desejava seguramente este calendárioapesar de há muito tempo planear este caminho. Entrou para a JS com 14 anosfoi seu líder edessa fornada de jovens socialistassaíram vários jovens turcosmais à esquerda do que tem sido a tradição do PS. À direita e ao centro dizem que é radicalmasaté ao episódio que elevou a sair do governoou até ao embate que teve com António Costapor causa do aeroportoparecia ser o indiscutível sucessor do primeiro-ministro. Segundo os observadoresainda o é. Mas a sua imagem política foi afetada por tudo o que teve a ver com a agenda da TAP. Foi um dos principais obreiros dos entendimentos à esquerdadificultado pela relação tensa que foi mantendo com António Costa. O contexto político em que vai a votosse vencer a luta internadificilmente poderia ser mais difícil. Como se não bastasse o desgaste de oito anos de governaçãotem um processo judicial que envolve o chefe de gabinete do primeiro-ministro e o ministro que o sucedeu na pasta das Infraestruturas ede forma ainda pouco clarao próprio primeiro-ministro. E que não se sabe se irá a mais pessoas. Do lado contráriotem um líder pouco mobilizador e uma extrema-direita em crescimento. Para alem desta entrevistapode ouvir a que fiz a José Luís Carneironesta mesma plataforma. 1 - Não aceitou debater com o seu opositor. Não acha que o diminui ir a votos sem um debate? Não mostra uma postura temerosa e pouco democrática? 2 - Há poucos meses concluiu que não tinha condições para ser ministro. Agora candidata-se para ser primeiro-ministro. Não é uma contradição? 3 - Dissena apresentação da sua candidaturaque o PS não ia passar quatro meses a discutir um processo. Acredita que será possível ignorá-lo? - Há questões políticas que têm sido levantadascomo o papel de Diogo Lacerda Machadouma espécie de pivot informal nas relações entre privados e o governo. Elas são anteriores e até independentes a este processoapesar de ele os trazer de volta. O melhor amigo do primeiro-ministro foi quem negocioupro bonoa renacionalização da TAP. Depois foi para a administração da TAP. Não houve aqui um momento de infelicidade. O PS não tem de discutir com os cidadãos a forma como as suas redes de contactos lidam com o Estado? - Acha que as suspeitas que existem sobre este processo e as críticas à sua intervenção na TAP tornem impraticável uma política industrial? Háem Portugal e na Europaum ambiente que permita um maior intervencionismo do Estado na economia? 15’ 4 - O Partido Socialista foi campeão nos excedentes orçamentaismuito mais radical do que países europeus que têm menos problemas sociais e estruturais a que o Estado tem de acudir. Ao mesmo tempotem tido os mais baixos investimentos públicos da Europa – sendo que teve uma das pastas que mais pode ter sido afetada pela queda do investimento. Não é caso para dizer que Passos Coelho tem inveja de quem conseguiu fazer isto com uma retórica de esquerda? Que a diferença com o PSD é sobretudo de estilo? - Acha que a frase que disse num jantar do PSque o seu adversário interno já usou contra sisobre os credores alemãeso vai obrigar a fazer um discurso tão ou mais ortodoxo que o governo faz hoje? 6 - Neste momento nenhuma sondagem aproxima o PS vagamente da maioria absoluta. Não vale a pena recusar falar do cenário que parecese tiver condições para governaro mais provável. Na melhor das hipótesesprecisará do BE e do PCP. Acha que depois do que aconteceu em 2021 existem condições de diálogo? - E as condições para uma geringonça são as mesmas que em 2015? O país vinha de um governo austeritário de direita. Agora vem de oito anos de um governo PS desgastado. E há uma guerra que dá nova relevância às posições do PCP sobre o conflito na Ucrânia e às do Bloco e do PCP sobre a NATO... 8 - Luís Montenegro disse que a geringonça foi "uma versão moderna" do gonçalvismoque tem em si "o seu mais fanático defensor". É este tipo de ataques que teme e por isso tenta moderar a sua imagem? 30’ - Em 2018e agora vou ter de demorar um poucolevantou o congresso do PS citando Marx – “de cada um segundo as suas possibilidadesa cada um segundo as suas necessidades” –disse que nada pode ser feito se os socialistas não soubermos quem sãoquem representantes e qual é o papel que atribuímos ao Estado. Que a direita ganhou quando conseguiu também colonizar dentro do PS uma determinada ideia do Estado. Que o PS não foi criado para representar a elite. Agoraaparece sempre ao lado das figuras mais à direita do partido. Não teme que a necessidade de agradar ao centro corresponda à sua própria descaracterizaçãomostrando que a liderança do PS é indiferente? Ana Sá Lopes escreveu um bom artigo em que o demonstrou: que no fimé indiferente a liderança... Uma das qualidades que lhe é atribuída é a de ter convicções. Não teme perder essa e ficar apenas a de ser impulsivo? - Que diferençaspara alem do estilopensa que a sua governação terá em relação à que agora termina? A política económica do Estado será mais intervencionista? Haverá mudanças na política fiscal? Será uma viragem à esquerda? Ou é só uma questão de estilo quemesmo essaestá a tentar mudar... 7 - Diz que não viabilizará um governo do PSD para salvar a governação da influência do Chega. Isso não é entregar a direita e o país ao Chega? -Como sabesó será necessário aprovar um novo orçamento daqui a um ano. Põe a possibilidade de deixar esse governo de Montenegro tomar possemesmo não viabilizando um retificativo? 9 - Temos dois problemas em classes profissionais do Estado para resolver: com os médicos e os professores. Vai ceder aos médicos? Ou vai deixá-los ir todos para o privado e estrangeiro? 45’ - Terá uma estratégia diferente para o SNS? Assume que há uma decadência do Serviço Nacional de Saúde? - Quanto aos professoresdefendeu recentemente a recuperação para os docentes que tiveram as suas carreiras mas votou contra projectos que a garantiam. Porque a contradição e pretende reabrir este dossier? 10 - Para alem da TAP e da ferrovia – onde parece ter conseguido muito menos do que ambicionava – teve a pasta da habitação. Teve oito anos de governo socialista e esta é a maior crise social e económica que vivemos neste momento. O PS parece ter tido duas dificuldades: intervir no mercado privado – a sua intervenção foi a de criar sistemas fiscais que beneficiam o investimento imobiliário estrangeiro e o aumento de preços de venda e arrendamento – e construir um mercado públicocomo existe no resto da Europaque não seja apenas assistencialista. E esta segunda parte épelo menos nos últimos anosresponsabilidade sua. Onde é que falhou? - Vai mudar a política do PS quanto aos regimes fiscais favoráveis a nómadas e residentes não habituais? 11 - Falemos da TAP. Assumiu o seu erro na forma como geriu a indeminização a Alexandra Reis. Como foi possível ter-se esquecido de que tinha dado o OK? - Olhando para trásacha que aquela indeminização era aceitável? 1.00’ - Arrancou a reprivatização da TAP. É sabido que não acha necessária a privatização maioritária. Porquê? Vai travá-la? Isso é possívelsequer? 12 - Um dos episódios que o fragilizou foi o do aeroporto. Aceitarácomo primeiro-ministroque alguém tomde decisões em cima de si? - Se for primeiro-ministroqual será o processo? Pretende acelera-lo? 13 - Que avaliação faz do trabalho de José Luís Carneiro? Também lhe farei esta pergunta. 1.15’ Entretantopodem ouvir a entrevista a José Luís Carneiroque saiu simultaneamente a esta. Até já.